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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA
CENTRO DE APOIO OPERACIONAL AO MEIO AMBIENTE E URBANISMO ± CEAMA
CÂMARA TEMÁTICA DE SANEAMENTO

MANUAL DE APOIO JURÍDICO AO PROMOTOR DE JUSTIÇA DE MEIO AMBIENTE
- ADEQUAÇÃO DA DESTINAÇÃO E DISPOSIÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE ADEQUADA DOS
RESÍDUOS SÓLIDOS E E LABORAÇÃO DO P LANO MUNICIPAL DE GESTÃO INTEGRADA DE
RESÍDUOS S ÓLIDOS -

SALVADOR
2012
 
 
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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA
CENTRO DE APOIO OPERACIONAL ÀS PROMOTORIAS DE JUSTIÇA DO MEIO
AMBIENTE E URBANISMO
CÂMARA TEMÁTICA DE SANEAMENTO
Antônio Eduardo Cunha Setúbal
Cristiane Sandes Tosta
Delina Santos Azevedo
Marcelo Henrique G. Guedes
Karinny V. Peixoto de Oliveira Guedes
Rosana Ribeiro Moreira
Yuri Lopes De Mello

Texto
Delina Santos Azevedo
Karinny V. Peixoto de Oliveira Guedes

Colaboradores
Cristiane Sandes Tosta
Marcelo Henrique G. Guedes
Rosana Ribeiro Moreira

Capa
Fabiana Fernandes da Cunha Barbosa

Avenida Joana Angélica, n° 1312, Sala 215, Nazaré, CEP: 40.050-001, Salvador ± Bahia
camarasaneamento@mp.ba.gov.br
(71) 3103-6463/6464

 
 
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SUMÁRIO

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS..........................................................................4
2. A POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS.....................................5
2.1. Plano de Gestão de Resíduos Sólidos................................................7
2.2. Consórcios Públicos.............................................................................8
2.3. Educação Ambiental...........................................................................10
2.4. Coleta Seletiva....................................................................................11
2.5. Prazos.................................................................................................13
3. ASPECTOS PRÁTICOS DO ENFRENTAMENTO DA QUESTÃO..............13
4. ÍNDICE LEGISLATIVO..................................................................................17
4.1. Da Política de Meio Ambiente.............................................................17
4.2. Da Política de Saneamento................................................................18
4.3. Da Política de Resíduos Sólidos.........................................................19
4.4. Consórcios Públicos............................................................................19
4.5. Educação Ambiental...........................................................................19
4.6. Recursos Hídricos...............................................................................20
4.7. Das Infrações e Crimes Ambientais....................................................20
5. JURISPRUDÊNCIA.......................................................................................21
5.1. Obrigação de dispor os resíduos sólidos regularmente.....................21
5.2. Reparação dos Danos Ambientais......................................................21
6. MODELOS.....................................................................................................23
6.1. Portaria de Instauração de Inquérito Civil ..........................................23
6.2. Ofício ao Gestor Municipal..................................................................26
6.3. Ofício ao Órgão Ambiental Estadual ± INEMA...................................27
6.4. Ofício à Central de Apoio Técnico - CEAT/MPBA..............................28
6.5. Termo de Audiência............................................................................29
6.6. Termo de Ajustamento de Conduta....................................................30
6.7. Ação Civil Pública...............................................................................35
6.8. Relatório Final.....................................................................................53
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................54
8. REFERÊNCIAS.............................................................................................55

 
 
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1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O Ministério Público do Estado da Bahia, através do CEAMA, tem pautado suas
ações na busca pela implementação, por parte dos municípios baianos, dos Planos
Municipais de Resíduos Sólidos, com base na lei n° 12.305/2010, que instituiu a Política
Nacional de Resíduos Sólidos.
O manejo irregular de resíduos sólidos tem sido enfrentado de forma ampla pelo
Ministério Público do Estado da Bahia desde 2006, quando os promotores de Justiça com
atuação na área ambiental juntamente com o Centro de Apoio Operacional do Meio
Ambiente e Urbanismo - CEAMA - assumiram no planejamento estratégico da instituição
a meta de exigir, em 100% (cem por cento) dos municípios do Estado da Bahia, a correta
destinação final e tratamento de seus resíduos sólidos, até dezembro de 2009, com o
objetivo de combater a degradação ambiental gerada pela disposição inadequada dos
resíduos sólidos urbanos, utilizando a estratégia de promover a fiscalização dos depósitos
de resíduos sólidos.
Para tanto, foi criado o pURJUDPD³'HVDILRGR/L[R´ (2006), em que foram realizadas
visitas técnicas a depósitos de resíduos sólidos, lixões e aterros sanitários, análise de
documentos do Centro de Recursos Ambientais ± CRA, atual INEMA, tendo sido
identificados 438 pontos de lixo para os 417 municípios baianos.
O referido programa teve como principal prodXWR R 5HODWyULR ³'HVDILR GR /L[R
3UREOHPDV 5HVSRQVDELOLGDGHV H 3HUVSHFWLYDV ´ TXH DSUHVHQWRX XP
diagnóstico da situação dos depósitos de resíduos sólidos em âmbito estadual.
Em 2009, a equipe pericial da Central de Apoio Técnico ± CEAT - realizou
inspeções para verificação do cumprimento dos Termos de Ajustamento de Conduta
ILUPDGRVQRkPELWRGRSURJUDPD³'HVDILRGR/L[R´Entretanto, o que se verificou foi uma
efetividade inferior a 10%, justificando a necessidade de maiores estudos e uma atuação
ministerial mais intensa frente à necessidade da gestão municipal dos resíduos sólidos.
Na perspectiva de defesa do meio ambiente, o Ministério Público Estadual possui
um extenso grupo de atuação composto pelo Centro de Apoio - CEAMA, Núcleos
Ambientais (NUMA, NUSF, NBTS, NURP e NUDEPHAC), Promotorias Regionais
Especializadas em Meio Ambiente, Câmaras Temáticas e Promotorias Locais.
A Câmara Temática de Saneamento, assim como as demais, foi criada pelo Ato n°
463/2011 do Procurador-Geral de Justiça, datado de 28 de setembro de 2011, com o
objetivo de aprofundar o estudo técnico-jurídico na referida matéria, com o fim de

 
 
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235/2010 ± Política Nacional de Resíduos Sólidos e seu regulamento. exigir dos municípios a realização dos Planos Municipais de Gestão integrada dos Resíduos Sólidos.   assessorar os promotores de Justiça e fortalecer o intercâmbio com as demais esferas da sociedade. foi editada a Lei n° 12. a partir de então.404/2010.305/2010. tendo por finalidade a proteção do meio ambiente. a garantia da qualidade de vida para as pessoas e a preservação dos recursos naturais em toda sua grandeza. A Nota Técnica 001/2011 evidenciou a mudança de foco que deveria ser adotado com relação aos inquéritos civis já instaurados. a educação ambiental. para o que tem se preocupado e dedicado esforços. índice legislativo dos principais marcos regulatórios relativos ao tema. que congrega um estudo da Política Nacional de Resíduos Sólidos e seu regulamento. trazendo um marco normativo para a questão dos resíduos. entre os quais se insere o manejo dos resíduos e a limpeza urbana. os núcleos ambientais. Como primeiro produto desta Câmara. bem como os Temos de Ajustamento de Conduta firmados e as Ações Civis Públicas ajuizadas. que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). que teve por objetivo informar aos promotores de Justiça o novo cenário no qual se encontra a questão dos resíduos sólidos. deve estar atento e atualizado sobre as questões afetas ao meio ambiente em função da má gestão dos serviços de saneamento. o CEAMA. jurisprudência e modelos de peças. mas sim a formulação de sua Política de gestão dos resíduos. justamente. em especial o Poder Executivo. que devem. Ao final de 2011. O Ministério público. apresentando as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos     5   . não apenas exigir do Município a construção de aterros sanitários. que inclua ações como a coleta seletiva. Decreto n° 7. as Câmaras Temáticas e as Promotorias Regionais Especializadas em Meio Ambiente definiram como uma das metas prioritárias para 2012. enquanto órgão fiscal da lei e defensor dos direitos sociais e individuais indisponíveis. a partir da data da sua publicação para a destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos. a gestão consorciada e principalmente que atenda ao prazo final de 04 (quatro) anos. A POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS Em 2010. foi elaborada a Nota Técnica 001/2011. É com esse entendimento que foi elaborado o presente Manual de Apoio Jurídico ao Promotor de Justiça de Meio Ambiente. 2. a partir da edição da Lei n° 10.

Entende-se que o município é o ente federativo competente para gerir os resíduos sólidos relativos a sua delimitação territorial. incluídos os perigosos. às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis. O artigo 26 prescreve que o titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos é responsável pela organização e prestação direta ou indireta desses serviços. Ao lado disto. VIII). continuidade. a Lei nº 11. assim. 7°. VII. fixa como objetivos: proteger a saúde pública e a qualidade ambiental. instrumentos. prevê que compete aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local. 3°. reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos. de 2007. Distrito Federal.445. seguirão para disposição final apenas os rejeitos distribuídos ordenadamente em aterros. além da regularidade. o conjunto de princípios. observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos (Art. 30. e as disposições desta Lei e seu regulamento. que inclui entre as atividades relacionadas a reutilização. observados o respectivo plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos. os serviços públicos de     6   . art. com adoção de mecanismos gerenciais e econômicos que assegurem a recuperação dos custos dos serviços prestados. estimular a não geração. 4°). isoladamente ou em regime de cooperação com Estados. a compostagem. O que se objetiva é que todos os municípios brasileiros organizem em seus territórios a gestão dos resíduos. ao final. A PNRS. diretamente ou sob regime de concessão ou permissão. funcionalidade e universalização da prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos. e destas com o setor empresarial. entre outros. objetivos. implementar a gestão integrada de resíduos sólidos. a fim de obter cooperação técnica e financeira para a gestão integrada de resíduos sólidos.   sólidos. redução. reutilização. a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do Sisnama. visando à gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos (Art. A Constituição Federal. de forma a promover a destinação final ambientalmente adequada. além de organizar e prestar. Municípios ou particulares. metas e ações adotados pelo Governo Federal. A Política Nacional de Resíduos Sólidos reúne. a reciclagem. diretrizes. como forma de garantir sua sustentabilidade operacional e financeira. art. buscar a articulação entre as diferentes esferas do poder público. bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Decreto n° 7404/2010.

os Planos intermunicipais de resíduos sólidos. faz-se oportuno observar que a PNRS delineou responsabilidades à União e ao Estado. incluído o de transporte coletivo. de transporte. a PNRS prevê que cada ente federativo elabore o seu plano.445/2007: Art. d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: conjunto de atividades. transporte. tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas. e os Planos de gerenciamento de resíduos sólidos. respectivamente.saneamento básico: conjunto de serviços. Entende-se que se inclui neste dispositivo a titularidade do Poder público Municipal para gerir os serviços de saneamento1. A par desta responsabilidade que confere a titularidade do serviço público ao Município. Planos estaduais de resíduos sólidos. a coleta seletiva.                                                                                                                       1 o Lei n° 11. 3 Para os efeitos desta Lei.       7   . o incentivo à adoção de consórcios ou de outras formas de cooperação entre os entes federados. b) esgotamento sanitário: constituído pelas atividades. Impôs-se a estes entes a elaboração de planos nacional e estadual. o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis. os termos de compromisso e os termos de ajustamento de conduta. tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários. o artigo 8° prevê os seguintes instrumentos: os planos de resíduos sólidos. infra-estruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais. Planos microrregionais de resíduos sólidos e os Planos de resíduos sólidos de regiões metropolitanas ou aglomerações urbanas. transbordo. que tem caráter essencial. os sistemas de logística reversa. infra-estruturas e instalações operacionais de coleta. Plano de Gestão de Resíduos Sólidos Para viabilização da execução da política de resíduos sólidos. considera-se: I . infra-estruturas e instalações operacionais de coleta. infra-estruturas e instalações operacionais de: a) abastecimento de água potável: constituído pelas atividades. c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades. detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias. devendo assim existir o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. 2. com vistas à elevação das escalas de aproveitamento e à redução dos custos envolvidos. No que se refere aos planos de resíduos sólidos. transporte.1.   interesse local. os Planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos. tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas. infra-estruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável. cujos conteúdos mínimos ditados pela lei envolvem financiamento e colaboração para com os Municípios no estabelecimento da execução da política nacional imposta. dentre os quais o a limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos. desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição. desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente.

programas e ações de educação ambiental que promovam a não geração. as metas para o aproveitamento energético dos gases gerados nas unidades de disposição final de resíduos sólidos. com vistas a reduzir a quantidade de resíduos e rejeitos encaminhados para disposição final ambientalmente adequada. No que concerne ao ente municipal. §9º) ou do plano municipal de saneamento básico de que trata a Política Nacional de Saneamento Básico (neste caso. 78. nos termos da Lei no 11.   Os planos devem ter como conteúdo mínimo um diagnóstico da situação atual dos resíduos sólidos. de 2005. reciclagem. os programas. Os Planos de Resíduos Sólidos deverão ser elaborados mediante processo de mobilização e participação social. as metas para a eliminação e recuperação de lixões. as metas de redução. entre outros. incluindo a realização de audiências e consultas públicas. as medidas para incentivar e viabilizar a gestão regionalizada dos resíduos sólidos.107. 45 é condição. identificação de áreas favoráveis para disposição final ambientalmente adequada de rejeitos.2. 19. está o incentivo a gestão consorciada dos resíduos. Importante ainda considerar que. projetos e ações para o atendimento das metas previstas. o Distrito Federal e os Municípios tenham acesso a recursos da União ou por ela controlados. Consórcios Públicos Como visto acima. a reutilização e a reciclagem de resíduos sólidos. identificação dos passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos. 19. do Decreto 7. devendo o plano possuir o conteúdo mínimo da PNRS ± art. bem como para que sejam beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais de crédito ou fomento destinados. se houver. para que os Estados. observado o plano diretor de que trata o § 1o do art. reutilização.404/2010. incluindo áreas contaminadas. entre os princípios e objetivos estabelecidos pela PNRS. § 1º). e respectivas medidas saneadoras. Prescreve o artigo 45 que os consórcios públicos constituídos. associadas à inclusão social e à emancipação econômica de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis. com o objetivo de viabilizar a     8   . 17 e 19. entre outras. conforme dispõe o art. 2. a elaboração dos planos de resíduos sólidos previstos no art. a redução. conforme artigos 15. 182 da Constituição Federal e o zoneamento ambiental. este pode optar pela elaboração ou do plano municipal de gestão de resíduos sólidos ou do plano intermunicipal (gestão consorciada ± art.

      9   . o consórcio público constituirá associação pública ou pessoa jurídica de direito privado. malha rodoviária.sedur. acordos de qualquer natureza. A constituição do consórcio público se perfaz pela celebração de contrato que dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções. realizou o Estudo de Regionalização de Desenvolvimento Sustentável .   descentralização e a prestação de serviços públicos que envolvam resíduos sólidos. É o protocolo de intenções que irá prever conteúdo como a autorização para a gestão associada de serviços públicos. os serviços públicos objeto da gestão associada e a área em que serão prestados.  Estudo  de  Regionalização  da  Gestão  Integrada  de  Resíduos  Sólidos. no caso de a gestão associada envolver também a prestação de serviços por órgão ou entidade de um dos entes da Federação consorciados.   Disponível  em:  http://www. oficinas de trabalhos regionais.  Secretaria  de  Desenvolvimento  urbano. A fim de viabilizar a gestão dos resíduos sólidos sob a perspectiva adotada no plano nacional. por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano ± 2 SEDUR. distância média entre sedes municipais. Para propor as soluções Regionalizadas e Integradas em Resíduos Sólidos.gov. o Estado da Bahia. o Estudo de Regionalização adotou os seguintes parâmetros: população urbana. permissão ou autorização da prestação dos serviços.                                                                                                                       2 BAHIA. relevo. promover desapropriações e instituir servidões nos termos de declaração de utilidade ou necessidade pública. subsidiando o governo do Estado no planejamento e definição das melhores soluções integradas e consorciadas para os sistemas de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. receber auxílios. terão prioridade na obtenção dos incentivos instituídos pelo Governo Federal. contratos. indicador de saúde. as condições a que deve obedecer o contrato de programa. e produção de resíduos. explicitando as competências cujo exercício se transferiu ao consórcio público.pdf. e os critérios técnicos para cálculo do valor das tarifas e de outros preços públicos.107/2005. unidades de conservação. bem como para seu reajuste ou revisão. ou interesse social. a autorização para licitar ou outorgar concessão. e ser contratado pela administração direta ou indireta dos entes da Federação consorciados. dispensada a licitação. unidade regional. O Estudo de regionalização da gestão de resíduos sólidos tem como objetivo orientar e propor as intervenções do setor. contribuições e subvenções sociais ou econômicas de outras entidades e órgãos do governo.br/cadsemregrs/pdf/resumo_proposta_regionalizacao. que poderá firmar convênios. realizada pelo Poder Público. Segundo a Lei n° 11. indicando soluções regionalizadas para o tratamento e disposição final dos resíduos.ba.

Ponto de Entrega Voluntária de Resíduos da Construção Civil e Volumosos. os municípios integrantes dos consórcios devem aderir ao plano intermunicipal. Remediação de lixão. Busca-se. buscou-se aplicar os arranjos territoriais com base na relação dos parâmetros de cada região do Estado. Unidade de triagem.445/2007 (Lei de Saneamento). Aterro de Pequeno Porte. a redução. Educação Ambiental Define o artigo 5° que a Política Nacional de Resíduos Sólidos integra a Política Nacional do Meio Ambiente e articula-se com a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei n° 9. desta forma. Conforme disposto no artigo 77. por meio da gestão associada e o gerenciamento integrado dos resíduos sólidos.172/2008 (Diretrizes da Política Estadual de Saneamento Básico). § 9o ). do Decreto 7404/2010. Aterro Convencional. a educação ambiental na gestão dos resíduos sólidos é parte integrante da Política Nacional de Resíduos Sólidos e     10   . Soluções propostas. Área de Transbordo e Triagem. atendam aos ditames das leis federais 11.3. 2. Aterro de Resíduos da Construção Civil. Assim. Requalificação de aterro sanitário. A educação ambiental está inserida no rol de instrumentos básicos para a execução da gestão integrada dos resíduos sólidos. 11. a reutilização e a reciclagem de resíduos sólidos. O que se conclui é que obterão recursos e incentivos financeiros para a gestão dos resíduos sólidos os municípios que estiverem organizados em consórcios públicos.795/99). de forma que cada município deverá prever em seu Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. com atendimento do conteúdo mínimo previsto pela PNRS (Artigo 19. Unidade de Compostagem.   Entre as soluções previstas pelo estudo estão as seguintes: Encerramento de lixão. Demolição e Podas.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos) assim como da Lei Estadual 11. sempre. que os municípios baianos.107/2005 (Lei de Consórcios Públicos) e a 12. e Estação de transbordo. Neste caso. Foram apresentadas propostas de regionalização que compõem recomendações de arranjos territoriais baseados em critérios técnicos e nas aspirações das sociedades locais para orientar o governo do Estado nas intervenções do setor de resíduos sólidos visando subsidiar um planejamento estratégico com definição das melhores soluções integradas e consorciadas para os sistemas de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. programas e ações de educação ambiental que promovam a não geração.

deverá direcionar seu comportamento com vistas a redução do consumo e da geração de resíduos sólidos. orientar. portanto.   tem como objetivo o aprimoramento do conhecimento. inclusive no que se refere na não geração de lixo.promover a capacitação dos gestores públicos para que atuem como multiplicadores nos diversos aspectos da gestão integrada dos resíduos sólidos. bem como serve de como um bem econômico e de valor social. II . em colaboração com entidades do setor empresarial e da sociedade civil organizada. 77.elaborar e implementar planos de produção e consumo sustentável.desenvolver ações educativas voltadas à conscientização dos consumidores com relação ao consumo sustentável e às suas responsabilidades no âmbito da responsabilidade compartilhada de que trata a Lei nº 12.incentivar atividades de caráter educativo e pedagógico. o que aumenta o seu ciclo de vida. de 2010. gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania. VII . 2. V. dos comportamentos e do estilo de vida relacionados com a gestão e o gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos. pelas universidades. a coleta de dados e de informações sobre o comportamento do consumidor brasileiro. comerciantes e distribuidores. dos valores. conscientizar a população da sua atuação na geração dos resíduos e que. com enfoque diferenciado para os agentes envolvidos direta e indiretamente com os sistemas de coleta seletiva e logística reversa. por organizações não governamentais e por setores empresariais.realizar ações educativas voltadas aos fabricantes. aproveitamento econômico. de forma que o incentivo a separação dos resíduos recicláveis e reaproveitáveis. bem como a elaboração de estudos.     11   . Entre as medidas que o poder público deverá adotar para a realização da educação ambiental estão as seguintes: o Art. 3°. III . e VIII . § 2 : I . importadores. pois. A política de limpeza urbana adotada pelo município deve considerar a participação da população neste processo. reduz o volume a ser disposto nos aterros. com o consumo consciente e com a minimização da geração de resíduos sólidos.apoiar as pesquisas realizadas por órgãos oficiais.promover a articulação da educação ambiental na gestão dos resíduos sólidos com a Política Nacional de Educação Ambiental. educar.305. com a logística reversa. Coleta Seletiva A coleta seletiva está definida no art. V . na sua maioria.divulgar os conceitos relacionados com a coleta seletiva. VI . IV .4. O entendimento contido na lei e a de que os resíduos possuem. É preciso. que a coleta seletiva consiste na coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua constituição ou composição.

o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos: I . 9°. sempre que estabelecido sistema de coleta seletiva pelo plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou quando instituídos sistemas de logística reversa.estabelecer sistema de coleta seletiva. II . comerciantes.articular com os agentes econômicos e sociais medidas para viabilizar o retorno ao ciclo produtivo dos resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis oriundos dos serviços de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos. conforme sua constituição ou composição e a implantação do sistema de coleta seletiva é instrumento essencial para se atingir a meta de disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos (Art. segundo metas estabelecidas nos respectivos planos (Art.     12   . 9°. integram os objetivos da PNRS a reutilização.404/2010. 6o ). cabe ao titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos. o sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos priorizará a participação de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis constituídas por pessoas físicas de baixa renda (Art. ser estendido à separação dos resíduos secos em suas parcelas específicas. observado. A Política Nacional estimula que o titular do serviço de limpeza urbana articule com os fabricantes. apresenta uma obrigatoriedade aos consumidores de que. reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos e o incentivo à indústria da reciclagem. O Decreto n° 7. progressivamente. dispõe o artigo 36: O Art. 36: No âmbito da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.   Assim. Decreto 7404/2010). deverão acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados e a disponibilizar adequadamente os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis para coleta ou devolução (Art. III . a separação de resíduos secos e úmidos e.235/2010. Neste sentido.adotar procedimentos para reaproveitar os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis oriundos dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos. A coleta seletiva dar-se-á mediante a segregação prévia dos resíduos sólidos. tendo em vista fomentar o uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados. que regulamenta a Lei n° 10. 11). o sistema de coleta seletiva será implantado pelo titular do serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e deverá estabelecer. E mais. consumidores e catadores ações para redução do volume dos rejeitos e reaproveitamento econômico dos resíduos reutilizáveis. no mínimo. § 2o). se houver. Conforme ainda este decreto.

assim. será requisito para acesso aos recursos da União. O artigo 55 desta mesma lei estabelece o prazo de 02 (dois) anos da data da sua publicação. o município que não tiver o seu Plano Municipal de Gestão integrada de Resíduos Sólidos não poderão receber incentivos financeiros da União. ou seja. ASPECTOS PRÁTICOS DO ENFRENTAMENTO DA QUESTÃO Conforme visto acima. especialmente. pelos pequenos municípios. Além disso.305/2010. tal alteração decorreu da experiência vivida ao longo dos anos pelos entes e órgãos que lidam com a questão sobre a inoperância de soluções isoladas para o manejo de resíduos sólidos. 3. Certamente. para que todos os municípios brasileiros disponham regularmente de seus resíduos e rejeitos. a partir da data citada no parágrafo acima. Inúmeros aterros sanitários construídos com a finalidade de receber a demanda de forma ambientalmente correta viraram lixões. definido o termo final em 02 de agosto de 2014. deverá ser implantada em até 4 (quatro) anos após a data de publicação desta Lei. a legislação brasileira inovou radicalmente na tratativa do tema. a política adotada pela União prevê priorizar recursos àqueles municípios que optarem por soluções consorciadas intermunicipais para a gestão dos resíduos sólidos e que implantarem a coleta seletiva com a participação de cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda. É de se ressaltar que a obrigatoriedade de implementação dos planos municipal e estadual já é vigente. que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece no seu artigo 54 que a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. observado o disposto no § 1o do art. quando prescreve que a elaboração de plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos é condição para que os Municípios tenham acesso a recursos da União. 9o. de acordo com as considerações oportunamente registradas na Nota Técnica expedida por esta Câmara. mas apenas a partir do dia 01 de agosto de 2012. Prazos A lei n° 12. Fica. para iniciar a vigência da regra trazida no artigo 18. ou por ela controlados. devido a diversos motivos: falta de estrutura técnica e instrumental para manutenção da atividade.5. disposição de resíduos que     13   . sendo ainda priorizados.   2.

). a destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos e a recuperação da área degradada concernente ao lixão. tal formação possui diversas etapas. a maior dificuldade está em que o município signatário do TAC efetivamente cumpra as obrigações firmadas. linhas de financiamento para a reciclagem3 e melhorias das condições de trabalho dos catadores etc. na atuação ministerial. mas seguiram para o aterro. ± Consórcios Públicos. o desenvolvimento de ações em âmbito municipal para prevenção e redução dos resíduos que seguirão para o aterro (coleta seletiva. houve necessidade de que a lei impusesse parâmetros para nortear a assunção efetiva pelo titular do serviço público em questão e a participação da sociedade e do setor privado nesta responsabilidade. No caso atual. Nesta linha. dependerá da concreta formação do consórcio público.       14   . Dito isto. Prevê responsabilidades e tratamentos diferenciados para cada tipo de resíduo e confere ao setor privado importantíssima obrigação de gerenciamento de resíduos especiais colocados no mercado (elencados no art. Mesmo que esta dedução pareça óbvia. à primeira vista. Como se sabe.  que  é  de  alcançar  o  índice  de   reciclagem  de  resíduos  de  20%  em  2015. A PNRS reza sobre gestão. Com isso. De acordo com o que foi exposto no tópico 2. quando incisivamente determinam a atenção para outros prismas do problema. o promotor de justiça atuará na busca do termo de ajustamento de conduta (instituto expressamente colocado como instrumento da política nacional de resíduos sólidos). supondo-se que o município assine a obrigação e opte por solução consorciada. através de consórcio público). reciclagem e educação ambiental). destaca a importância do planejamento. insta observar que.33). saúde etc. má gestão do aterro. é de se aplaudir as novas obrigações impostas aos entes federativos. tendo por principais objetivos: estímulo à gestão consorciada dos resíduos (com outros municípios. ao setor privado e aos cidadãos. dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis. dentre outros. Com isto.   poderiam ser reaproveitados.2. disposição de materiais indevidos (construção civil. nestas atividades. modelo de responsabilidade compartilhada. não há como permanecer eternamente com a fórmula equivocada de que a solução do problema estaria na construção de aterros pura e simplesmente. poderia se                                                                                                                       3  O  Brasil  deve  atingir  uma  das  metas  do  Plano  Nacional  sobre  Mudança  do  Clima. a implantação do plano municipal de gestão de resíduos sólidos. a inserção social. todas inseridas num contexto de aprovação pelos municípios participantes do consórcio. Estabelece metas graduais de redução dos resíduos. podendo todo o procedimento levar extenso tempo.

desde sua formação. assumindo as ações que lhe couber (elaboração do plano municipal. buscar integrar-se ao consórcio. que o município haja de forma consorciada. redução dos resíduos. suponha-se que o município ainda não é partícipe de consórcio e que este ainda esteja em fase de formação em sua região. ações relativas a educação ambiental.   pensar que a complexidade da orientação legislativa é tamanha que impõe sérias indagações quanto ao TAC a ser proposto pelo promotor de justiça. o signatário do TAC deverá dar início ao cumprimento das obrigações do TAC. atualmente. No chamamento do município para celebração de TAC. também. CONDER. Neste caso. necessariamente. tem ocorrido diversas ações voltadas à instalação deste conjunto de entes federativos. quanto à pertinência do fomento da gestão consorciada com outros entes. de modo que. os recursos da União serão dirigidos preferencialmente aos municípios integrantes de consórcios públicos (Lei de Consórcios Públicos) e. obtiveram-se importantes informações concernentes ao tema ora tratado. Por tal razão. inserção dos catadores) e. mas o estímulo a tal deve ser feito pelo Ministério Público porque. tem ocorrido articulação com os seguintes órgãos: Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano ± SEDUR. o Estudo de Regionalização da Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos     15   . prevenção da formação de resíduos. propõe-se que o TAC preveja o cumprimento das ações necessárias pelo município para regularização do manejo de resíduos sólidos com a opção de que o ente se consorcie. Esta é uma decisão política. Atualmente. especialmente. finalmente. Quando terminadas as fases de sua implantação e. incluindo. CORESAB e MMA. com representantes dos órgãos estaduais e federal que tratam sobre a questão. Isto é. legalmente. Deste contato. ao mesmo tempo. Conforme já explanado. porque a solução isolada (com raras exceções) mostra-se insuficiente para uma boa permanência do serviço público em tela. Bem. transferindo ao consórcio as atividades que serão partilhadas na prática. tal problema pode ser solucionado através da celebração de acordo que não obrigue. o Estado da Bahia tem estimulado a formação de consórcios. basta constar como signatário em plano intermunicipal. o município passar a fazer parte do consórcio. Assim seria a hipótese: o promotor de justiça celebra TAC com determinado município prevendo cláusulas lastreadas na PNRS com a consideração de que o cumprimento poderá ocorrer de forma isolada ou consorciada. faz-se de bom alvitre que se conheça das ações e programas executados pelo Estado e União. a Câmara Temática tem se reunido. Na mesma hipótese.

                                                                                                                      4  Disponível  para  download  no  site  www.gov.mma. sugere-se a reformulação da atuação anteriormente dada. todas as ações ministeriais tomadas anteriomente merecem ser revisadas. com exceção dos TACs já elaborados sob o manto da nova PNRS. Hoje. Os programas e ações em desenvolvimento pelos órgãos citados constam do anexo deste manual. propõe-se: a) Na hipótese da alínea 1: instauração portaria inaugural de Inquérito Civil e busca de celebração de TAC na forma da nova PNRS. Por exemplo. Camaçari.   do Estado da Bahia já mencionado no item 2. ou. Lauro de Freitas. na impossibilidade. vale destacar que o Ministério do Meio Ambiente-MMA lançou.       16   . em abril GH  D SXEOLFDomR ³3ODQRV GH *HVWmR GH 5HVtGXRV 6yOLGRV 0DQXDO GH 2ULHQWDomR´4.br  . Em âmbito federal. que poderá usar de tal fato como argumento para a negociação a ser realizada com o município. Sabedor deste dado. Simões Filho. envolvendo os seguintes municípios: Salvador. mas sem prever elaboração de plano municipal e demais ações da nova legislação. 6) ACP em curso. ± Consórcios Públicos. Candeias.2. menciona-se a existência de projeto já aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente de elaboração de plano intermunicipal da região metropolitana de salvador. Aferiu-se a ocorrência das seguintes situações: 1) inexistência de intervenção ministerial. Mata de São João. Aqui. 2) existência de TAC anterior à PNRS não cumprido. a fim de nortear as ações dos municípios. Note-se que. Sem embargo das demais situações ainda não identificadas por esta Câmara Temática (encarece-se que o colega informe situação diversa daquelas relatadas). há de se mencionar as demais situações fáticas vividas nas Promotorias de Justiça do Estado. 4) existência de TAC anterior à PNRS não cumprido e executado judicialmente. ACP. há progamação de intervenções e de elaboração de planos municipais que muito interessarão ao promotor de justiça atuante. 5) existência de TAC posterior à LNRS em acompanhamento do cumprimento. Ao lado do TAC. 3) existência de TAC anterior à PNRS cumprido. o promotor de justiça poderá utilizá-lo para fins de negociar a assinatura de TAC e de acompanhar seu cumprimento e as ações desenvolvidas pelo ente. São Sebastião do Passe.

as ações de coleta seletiva e de educação ambiental poderão ser melhor desenvolvidas caso haja maior cobrança por parte do Ministério Público. por fim. Durante a atuação ministerial. Da Política de Meio Ambiente Nacional ƒ LEI Nº 6. haja o acompanhamento do cumprimento das cláusulas inseridas no TAC. As questões relativas à inserção social de catadores de materiais reutilizáveis. buscando-se como pedidos finais a determinação judicial das obrigações correlatas à PNRS. e dá outras providências.274. respectivamente sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental e sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. A PNRS estruturou um verdadeiro sistema com obrigações definidas a cada setor da sociedade.   b) No caso das alíneas 2. que a Câmara Temática de Saneamento estará à disposição para quaisquer contribuições necessárias.Regulamenta a Lei nº 6. DE 31 DE AGOSTO DE 1981 ± Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. 3 e 4. Ressalte-se que o serviço público relacionado a resíduos sólidos somente será eficaz e ambientalmente adequado se todos cumprirem seus papéis. e dá outras providências. recairá ao promotor de Justiça enorme responsabilidade quanto ao acompanhamento de reais medidas cabíveis ao município. certamente.902. busca de celebração de termo aditivo. d) Em havendo ACP em curso. de 27 de abril de 1981. O sucesso deste sistema poderá envolver participação especial do Ministério Público condizente ao acompanhamento de cada promotor de Justiça no âmbito de sua atribuição.     17   . podendo. 4. Vale ressaltar. seus fins e mecanismos de formulação e aplicação.938. mais uma vez. que dispõem. seja a mesma aditada. ƒ DECRETO No 99. a instituição ministerial retribuir à sociedade agradecimento pela honrosa confiança que tem dispensado ao Parquet.938.1. e a Lei nº 6. ÍNDICE LEGISLATIVO 4. DE 06 DE JUNHO DE 1990 . na forma da PNRS. c) Referente à alínea 5. conforme entendimento do promotor de Justiça da área de execução. de 31 de agosto de 1981.

Da Política de Saneamento Nacional ƒ LEI Nº 11.2. e dá outras providências.Dispõe sobre a Política de Meio Ambiente e de Proteção à Biodiversidade do Estado da Bahia e dá outras providências. 8. DE 20 DE DEZEMBRO DE 2006 .666. de 13 de fevereiro de 1995. e dá outras providências.431. de 20 de dezembro de 2006. 8.Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico.Institui princípios e diretrizes da Política Estadual de Saneamento Básico. que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. de 10 de outubro de 2008.041 DE 31 DE MARÇO DE 2010 . de 10 de outubro de 2008. de 11 de maio de 1978. DE 21 DE JUNHO DE 2010 . ƒ DECRETO Nº 7. de 19 de dezembro de 1979. DE 5 DE JANEIRO DE 2007 .445.987. que institui a Política de Meio Ambiente e de Proteção à Biodiversidade do Estado da Bahia. altera as Leis nºs 6. DE 10 DE OUTUBRO DE 2008 .Altera o Regulamento da Lei nº 10.050. 4.528. a finalidade.Altera o Decreto nº 11. de 06 de junho de 2008. Bahia ƒ LEI Nº 11. e dá outras providências.Regulamenta a Lei nº 11. aprovado pelo Decreto nº 11.036. de 20 de dezembro de 2006.172 DE 01 DE DEZEMBRO DE 2008 . de 20 de dezembro de 2006. de 5 de janeiro de 2007. disciplina o convênio de cooperação entre entes federados para autorizar a gestão     18   . de 21 de junho de 1993. 8. e dá outras providências.217.235. ƒ DECRETO N° 11. de 11 de maio de 1990.Aprova o Regulamento da Lei nº 10.431.766.431.   Bahia ƒ LEI Nº 10.431. que altera a denominação. ƒ DECRETO Nº 12.235. e da Lei nº 11. ƒ DECRETO Nº 12. revoga a Lei nº 6.235.445. e dá outras providências.353 DE 25 DE AGOSTO DE 2010 . a estrutura organizacional e de cargos em comissão da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos ± SEMARH e das entidades da Administração Indireta a ela vinculadas. que regulamenta a Lei nº 10. na forma que indica.

605. de 12 de fevereiro de 1998. institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências.4. e dá outras providências. ƒ DECRETO Nº 7. DE 27 DE MARÇO DE 2012 - Estabelece as bases técnicas para programas de educação ambiental apresentados como medidas mitigadoras ou compensatórias.107. que institui a Política Nacional de Educação Ambiental. 4.Regulamenta a Lei no 9.Dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos e dá outras providências. DE 17 DE JANEIRO DE 2007 -Regulamenta a Lei no 11.   associada de serviços públicos de saneamento básico e dá outras providências. DE 27 DE ABRIL DE 1999 .281.5. que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos.Regulamenta a Lei nº 12. Da Política de Resíduos Sólidos Nacional ƒ LEI Nº 12.795.305. de 6 de abril de 2005. DE 23 DE DEZEMBRO 2010 . de 2 de agosto de 2010.Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. ƒ DECRETO Nº 4. e dá outras providências. Consórcios Públicos Nacional ƒ LEI N° 11. altera a Lei nº 9.795.] ƒ INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 2. em cumprimento às condicionantes das licenças ambientais emitidas pelo     19   . cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa. de 27 de abril de 1999. 4. DE 2 DE AGOSTO DE 2010 .305. ƒ DECRETO Nº 6.Dispõe sobre a educação ambiental. DE 06 DE ABRIL DE 2005 . DE 25 DE JUNHO DE 2002 .017.404. que dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos. Educação Ambiental Nacional ƒ LEI No 9.3. e dá outras providências. 4.107.

a bens e direitos de valor artístico. e dá outras providências.514.Decreta o Código de Águas.990. e dá outras providências. Recursos Hídricos Nacional ƒ DECRETO Nº 24. DE 22 DE JULHO DE 2008 . que modificou a Lei nº 7.Institui a Política de Educação Ambiental do Estado da Bahia.6. e dá outras providências.605.Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos.433. de 28 de dezembro de 1989.   Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis .347. estabelece o processo administrativo federal para apuração destas infrações.001. cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.643. DE 07 DE JANEIRO DE 2011 . DE 10 DE JULHO DE 1934 . ƒ LEI N° 9. 1º da Lei nº 8. e dá outras providências.612 DE 08 DE OUTUBRO DE 2009 . Bahia ƒ LEI Nº 11.Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. 4. o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos. histórico.Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos. regulamenta o inciso XIX do art.Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente. turístico e paisagístico (VETADO) e dá outras providências.     20   . Das Infrações e Crimes Ambientais Nacional ƒ LEI No 7. estético. DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998 .IBAMA.Dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente. ƒ LEI Nº 9. DE 24 DE JULHO DE 1985 . 4. e altera o art. de 13 de março de 1990. 21 da Constituição Federal. Bahia ƒ LEI Nº 12.056. DE 8 DE JANEIRO DE 1997 . ao consumidor. ƒ DECRETO Nº 6.7.

inclusive mediante aprovação das respectivas câmaras municipais. 4.015613-7. conforme estatuído no art. inspirado na competência comum a todas as esferas do Estado atribuída pelo art. a céu aberto. SEM QUE PARA TANTO PROVIDENCIASSE O MUNICIPIO RESPONSAVEL AUTORIZACAO PELAS AUTORIDADES AMBIENTAIS COMPETENTES.8300. DA MULTA COMINADA. LEGITIMIDADE ATIVA DO IBAMA.2005. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.83. 196) CF. 2. VI. º 7. PLENAMENTE ADMISSIVEL. AGINDO CONTRARIAMENTE AS ORIENTACOES POR ELAS DETERMINADAS. 5.00 (quinhentos reais). 1. JURISPRUDÊNCIA 5. sob pena de multa diária de R$ 500.É obrigação da municipalidade adequar a destinação dos resíduos sólidos. Des. RESPONSABILIDADE. REOAC 441271. EM REEXAME. conforme disposições dos artigos 223 e 225 da CF. ADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. Rel. SENTENCA PARCIALMENTE REFORMADA. A SEREM APURADOS EM LIQUIDACAO. LIXÃO A CÉU ABERTO. 11 da Lei n. APELACAO IMPROVIDA. Reparação dos Danos Ambientais ACAO CIVIL PUBLICA. Pág. alegou ter a intenção de firmar consórcio com o Município de São José da Coroa Grande/PE para dar uma destinação conjunta aos dejetos sólidos urbanísticos..4. a partir da concessão de licença pelo referido órgão. 5. 23 5.347/85.555/MG.938/81. Ministro HERMAN BENJAMIN. INÉRCIA DA URBE EM APRESENTAR PROJETO E INICIAR A OBRA. Nos termos do art. 3. cabe a fixação de astreinte para o cumprimento de obrigação de fazer em ação civil pública promovida para a defesa do meio-ambiente. TERCEIRA CAMARA CIVEL. SEGUNDA TURMA. Relª Desª Maria Erotides Kneip Baranjak. DJMT 16/09/2011. Precedente: RESP 947. MUNICIPALIDADE. ACAO PROCEDENTE. º. Julg. inciso IV. 23. º 2005.1 Obrigação de dispor os resíduos sólidos regurlarmente REEXAME NECESSÁRIO. DJe 27/04/2011. PRAZO PARA O CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E MULTA DIÁRIA. TJRS. com o desiderato de ver construído um aterro sanitário definitivo para a destinação dos resíduos sólidos urbanísticos lançados em lixão. 21) REMESSA OBRIGATÓRIA. e igual prazo para o início da obra. DIREITO AMBIENTAL. Nova Xavantina. CONSTRUÇÃO DE ATERRO SANITÁRIO DEFINITIVO. Primeira Turma. MUNICÍPIO. 1. inciso I. JULGADO EM 14/10/1999) TRIBUNAL: TRIBUNAL DE JUSTICA DO RS DATA DE JULGAMENTO: 14/10/1999 ORGAO JULGADOR: TERCEIRA CAMARA CIVEL COMARCA DE ORIGEM: RIO GRANDE SECAO: CIVEL RECURSO: APELACAO CIVEL NUMERO: 70000026625 RELATOR: LUIZ ARI AZAMBUJA RAMOS     21   . DANOS AO MEIO AMBIENTE CAUSADOS PELO DEPOSITO DE LIXO EM LOCAL INAPROPRIADO. 1 . Terceira Câmara Cível. em caráter supletivo à atuação de órgão estadual e municipal. natureza jurídica atribuída ao IBAMA. º 7. PE. 0015613-40.347/85. A SUA CONDENACAO. julgado em 18/08/2009. (TRF 05ª R. POREM. Pág. REDUCAO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. A REPARACAO DOS PREJUIZOS CAUSADOS. a ação civil pública é via adequada para a busca de proteção judicial do meio-ambiente. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CPRH. º 6. º. A sentença acolheu o pedido da ACP. e art. 2 . Trata-se da Ação Civil Pública n. em aterro sanitário instalado. 11 da Lei n. Nos termos do art. art. podendo ser proposta por autarquia.2. Fed. CABIMENTO.   5. José Maria Lucena. RELATOR: DES. (6 FLS(APC Nº 70000026625. porquanto depois de reconhecer que o lixão de fato existia.00. DEJF 12/08/2011. ajuizada pelo IBAMA. RN 7060/2011. CONSISTENTE NA REALIZACAO DE OBRAS VOLTADAS A RECUPERACAO DA AREA DEGRADADA E PAGAMENTO DE INDENIZACAO DOS DANOS JA CAUSADOS. ATERRO SANITÁRIO.É dever do município proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer das suas formas. Os autos demonstram a inércia da urbe em solucionar o problema ambiental. da Carta Magna. órgão por excelência na fiscalização de eventuais ações potenciais de exploração predatória ou poluidora. ALEM DE INEVITAVEL.05. REMESSA OBRIGATÓRIA DESPROVIDA. fixando o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para a apresentação do projeto de construção do aterro perante a Companhia de Recursos Hídricos. PREJUIZOS COMPROVADOS. SENTENÇA RATIFICADA. LUIZ ARI ZAMBUJA RAMOS. às margens da Rodovia PE 96. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis contra o Município de Barreiros/PE. mas não formalizou o processo. Rel. 04/08/2011. CONSTATADA A EXISTENCIA DE PREJUIZOS AO MEIO AMBIENTE CAUSADOS PELO DEPOSITO IRREGULAR DE LIXO EM LOCAL INAPROPRIADO. Proc. da Lei n. localizado no Engenho Mascate. Julg. (TJ-MT. Remessa obrigatória desprovida. segundo as normas pertinentes. COMO AGENTE POLUIDOR. 06/09/2011.

Rel.INTENTADA CONTRA O MUNICIPIO. 469) ADMINISTRATIVO. RESÍDUOS SÓLIDOS. (AGI Nº 596005975. seja por viabilizar a recomposição (mesmo que parcial) de um ecossistema em benefício da comunidade.000. Fed.000. TTT RJTJRS. (APC Nº 595046210. V-1. respectivamente.2010. A sentença veio a confirmar a tutela antecipada. 12/04/2011. AC 0000320-95. do agravo retido e da remessa oficial. que se mostra razoável ante ao fato de que o risco ambiental perpetrado pelo município permanece. Terceira Turma. PROVIMENTO INTEGRAL DAQUELES DA FEPAM E DO M. não havendo que se falar em falta de regulamentação ou tipificação.4. Ausente a impugnação à legalidade da manutenção do auto de infração nº 294134/2004 pelo município. não havendo sido tomadas as devidas providências para a sua reversão. 40v. MEIO AMBIENTE. PRAD -PROJETO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREA DEGRADADA. DO MUNICIPIO E DO ESTADO PROVIDOS PARCIALMENTE.7201. T-52. não procedendo seu argumento de ausência de contraditório ou cerceamento de defesa. Apelações de sentença que julgou parcialmente procedente ação ordinária ajuizada a fim de anular os autos de infração nº 280701/2001 e 294134/2004. Auto- aplicabilidade da Lei nº 6. bem como a suspensão da inscrição do nome do Município no CADIN e na Dívida Ativa da União. A atuação do Judiciário neste caso não implica interferência indevida nas políticas públicas municipais.. TJRS. 71 da Lei nº 6. AGRAVO IMPROVIDO. 3. Relª Desª Fed. haja vista o município estar armazenando a céu aberto resíduos sólidos. E A RECUPERACAO AMBIENTAL RECURSOS DO DMLU. 1997.. arbitrada no valor de R$ 5.   AGRAVO DE INSTRUMENTO. 2. A RELOCALIZACAO DO DEPOSITO DE LIXO DA CAPITAL. "LIXAO" (ATERRO SANITARIO) DA ZONA NORTE DE PORTO ALEGRE. P-287-298. REMOCAO DE LIXO. ORGAO JULGADOR: SEGUNDA CAMARA CIVEL COMARCA DE ORIGEM: PORTO ALEGRE SECAO: CIVEL RECURSO: APELACAO CIVEL NUMERO: 595046210 RELATOR: ELVIO SCHUCH PINTO. ORGAO JULGADOR: PRIMEIRA CAMARA CIVEL COMARCA DE ORIGEM: PASSO FUNDO SECAO: CIVEL RECURSO: AGRAVO DE INSTRUMENTO NUMERO: 596005975 RELATOR: TUPINAMBA MIGUEL CASTRO DO NASCIMENTO FONTE: AGUARDANDO ANALISE .     22   . A recuperação do local atingido é medida que se impõem.000. 2. Julg. SEGUNDA CAMARA CIVEL.TECNICOS. a sua notificação foi feita (Notificação de nº 061557 à fl. e que. (. RELATOR: DES. ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E A FEPAM (CHAMADA AO PROCESSO PELO ESTADO COMO LITISCONSORTE) . DEJF 25/04/2011. ELVIO SCHUCH PINTO.605/98 que o infrator tem vinte dias para oferecer defesa ou impugnação contra o auto de infração. seja pelo caráter educativo da medida junto ao réu (pessoa jurídica de direito público interno) e perante a sociedade. TJRS. sob o fundamento de que a administração deveria conceder prazo para o cumprimento da exigência legal de caráter ambiental. Quarta Turma. 1.) 6.. Proc. APELREEX 14474. DMLU. CE.404. em afronta à legislação ambiental. fundada no fato de que a multa simples disciplinada pela Lei nº 9. contados da data da ciência da autuação. ACAO .. Des. AUTO DE INFRAÇÃO.00.2001.05. Dispõe o art.TENDENTE A SUA INTERDICAO DEFINITIVA. (TJRS. V-175/540). DJETRF5 25/02/2011) ACAO CIVIL PUBLICA. ADVERTÊNCIA. conforme documentação acostada pela própria parte autora. MULTA SIMPLES.). e julgou parcialmente procedente o pedido. PRIMEIRA CAMARA CIVEL. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. JULGADO EM 13/09/1995) TRIBUNAL: TRIBUNAL DE JUSTICA DO RS DATA DE JULGAMENTO: 13/09/1995. Margarida Cantarelli. resta apenas a análise da proporcionalidade da multa imposta. LIMINAR.605/98. V-177/234 AÇÃO CIVIL PÚBLICA. AMBIENTAL. Pág. 1. para anular o auto de infração nº 280701/2001. Fernando Quadros da Silva. PELO DESEQUILIBRIO ECOLOGICO FUTURO. Improvimento das apelações. conforme alegado pela parte autora. TUPINAMBA MIGUEL CASTRO DO NASCIMENTO. JULGADO EM 28/02/1996) TRIBUNAL: TRIBUNAL DE JUSTICA DO RS. C-CIVEIS. CONDENAÇÃO DO MUNICÍPIO À REPARAÇÃO DOS DANOS AMBIENTAIS DECORRENTES. (TRF 04ª R. que tipifica condutas e impõe sanções na órbita administrativa e penal. bem como falta de motivação. O DEPOSITO DE LIXO PELO MUNICIPIO EM AREA DESTINADA A AGRARIEDADE. (TRF 05ª R. os quais impuseram multas no valor de R$ 60. SC. havendo necessidade de comprovação nos autos tanto do local da destinação quanto das licenças ambientais necessárias. O lixo produzido pelo Município de Mafra deverá ser destinado a aterro devidamente licenciado pelos órgãos ambientais. para o autuado sanar a infração ambiental.605/98 deve ser precedida de advertência e determinação de prazo. 7. DANO AMBIENTAL.00 e R$ 5. mas exercício legítimo do controle da legalidade dos atos administrativos. PUBLICO. RELATOR: DES. 3.8102. 0000424-58.00. 4. DEGRADA O MEIO-AMBIENTE. DATA DE JULGAMENTO: 28/02/1996. MULTA. RJTJRS.

..938 de 31 de agosto de 1981 ± que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente ± no artigo 3. bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida. especialmente.º.9 DOtQHD ³E´ GD /HL 2UJkQLFD GR 0LQLVWpULR 3~EOLFR GR (VWDGR GD Bahia. a segurança e o bem-estar da população. no DUW LQFLVR . c) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. GD &RQVWLWXLomR )HGHUDO QR DUW LQFLVR. define poluição como sendo a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde. __/____ SIMP n° _______________ O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente. XXX.1. CONSIDERANDO que a Magna Carta preceitua. e. CONSIDERANDO que o artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil prescreve que todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. CONSIDERANDO que a Lei número 6. impondo-se ao Poder Público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.     23   . b) criem condições adversas as atividades sociais e econômicas. pelo(a) Promotor(a) de Justiça em exercício de titularidade perante a Promotoria de Justiça de XX-Ba. CONSIDERANDO que o artigo 10 da referida Lei condiciona a instalação de qualquer atividade considerada efetiva e potencialmente poluidora. no uso de suas atribuições legais. inciso III.   6. a prévio licenciamento de órgão ambiental competente.625/93. SUHYLVWDVQR DUW LQFLVR . que a proteção ambiental e o combate a poluição em qualquer de suas formas é competência do Município. e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.9 DOtQHD³D´ GD /HL Qž 8. MODELOS 6. e na Resolução n° 006/2009 do Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia. em seu artigo 23. PORTARIA DE INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO CIVIL PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE MEIO AMBIENTE DA COMARCA DE _________ PORTARIA N. inciso IV.

a fim de apurar apurar eventual degradação ambiental decorrente da disposição irregular de resíduos sólidos e verificar a existência de Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos pelo Município de XXX.     24   . bem como promover instrumentos legais de defesa ao meio ambiente e a outros interesses difusos e coletivos. Proceda-se à autuação da presente portaria. CONSIDERANDO que o Município de ___________ tem depositado os resíduos sólidos coletado na cidade em terreno a céu aberto.3. industriais e hospitalares deverão se processar em condições que não tragam malefícios ou inconvenientes à saúde. a coleta. ao bem estar público e ao meio ambiente.305/2010 e do Decreto n° 7. A nomeação. Para tanto. mediante termo de compromisso. DETERMINA: 1. o encaminhamento de cópia da presente portaria à Coordenação do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Meio Ambiente - CEAMA e ao Procurador-Geral de Justiça. de___________ .2. a publicação desta portaria perante a imprensa oficial (extrato) e no mural desta Promotoria de Justiça. a propositura de Ação Civil Pública ou celebração de Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta.   CONSIDERANDO que o acondicionamento. sendo que uma cópia deverá ser mantida em pasta própria. para atuar como Secretária do presente inquérito civil. de ofício.1. causando riscos ao meio ambiente e ensejando o surgimento de vetores transmissores de doenças infectocontagiosas. 3. CONSIDERANDO que o não cumprimento da legislação ambiental. colhendo os elementos necessários para. bem como a falta de adequado gerenciamento municipal de resíduos sólidos urbanos. em sendo necessário.404/2010. em local inadequado e sem aprovação do órgão estadual de controle da poluição. o tratamento e o destino final dos resíduos sólidos domésticos. 2. na forma da Lei n° 12. e 3. 3. o transporte. provocam poluição. Providencie-se: 3. o registro da instauração do presente Inquérito Civil e de toda a sua movimentação no SIMP. RESOLVE Instaurar. supostamente. o presente Inquérito Civil. CONSIDERANDO que a Magna Carta estabelece que são funções institucionais do Ministério Público zelar pelos serviços de relevância Pública aos direitos assegurados em seu corpo.

no prazo máximo de quinze dias. de licenciamento ou de pedido nesse sentido. químico e bacteriológica da água dos recursos hídricos localizados nas proximidades do depósito de resíduos. em especial. Expeça-se ofício ao Prefeito Municipal para que. 5. a fim de averiguar a ocorrência de danos ambientais.4. Realize vistoria no local onde costuma ser depositado o lixo proveniente da limpeza Pública do Município de __________e emita relatório circunstanciado da situação encontrada. para que informe sobre a existência do Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos. Esclareça se o depósito de lixo está localizado em área de proteção ambiental (APA) ou em suas adjacências. XXXX-Ba. XX de XX de 2012. 5. Promotor de Justiça     25   .   4. Informações minudenciadas acerca das ações desenvolvidas pelo Município no manejo de resíduos sólidos.2. através de seu representante legal. Expeça-se requisição à Central de Apoio Técnico ± CEAT. Informe a existência. autorizando a utilização do imóvel localizado no como depósito de resíduos sólidos. 4. ressaltando as irregularidades evidenciadas . Cópia da licença ambiental exarada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos ± INEMA ou pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente. no prazo máximo de trinta dias: 5. encaminhe a esta Promotoria: 4. para que realize perícia técnica no local acima indicado. 5. Formule parecer técnico indicativo das providências imediatas que precisam ser executadas para mitigação dos problemas decorrentes do depósito irregular de resíduos sólidos.conforme quesitação apresentada. Expeça-se requisição ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos ± INEMA. 5. com a ressalva de que. Enumere os danos ambientais já detectados em razão dessa atividade. requerido pelo Município de__________. Proceda à análise físico.3. 6.3. ultimado o prazo concedido sem qualquer manifestação.2. caso contrário. para que essa autarquia. enquanto não realizado o necessário licenciamento de projeto específico para regularização da atividade.1. será presumido por esta Promotoria a inexistência do documento requisitado. 5.1.. no Órgão.5. para a atividade direcionada ao depósito de resíduos sólidos 5. especifique as perícias necessárias para avaliação da deterioração suspeitada.

existem iniciativas envolvendo o tema de resíduos sólidos? 6. com o escopo de instruir Inquérito Civil em curso nesta Promotoria. importadores. solicita de Vossa Excelência a remessa. encaminhar a esta Promotoria de Justiça. há práticas de coleta seletiva de embalagens e outros resíduos secos e iniciativas de compostagem de orgânicos? 4.305/2012. 2. no prazo de 30 (trinta) dias. Há Regulamento de Limpeza Urbana ou outros diplomas legais municipais em vigor? Em havendo. 5. Ref. encaminhar extrato da licença ambiental. plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos. há cadastro de fabricantes.. Encaminhar informações completas sobre a forma e periodicidade da coleta. 3. Existe. Promotor(a) de Justiça EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) PREFEITO(A) MUNICIPAL DE ______________________ . pelo(a) Promotor(a) de Justiça in fine assinado(a). Lei n° 12. no Município. Como é feito o manejo dos resíduos de construção civil?.: Inquérito Civil n° Assunto: Manejo de Resíduos Sólidos no Município de ______ Senhor(a) Prefeito(a). considerando a necessidade de se aferir o atendimento aos ditames previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Qual a destinação final dos resíduos sólidos / rejeitos no Município? Em havendo aterro sanitário.2. O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. 33 da Lei n° 12. há inserção de catadores de lixo? De que forma? 7. No que se refere à atividade de manejo de resíduos sólidos. tendo em vista a necessidade de se verificar a regularidade da atual política de resíduos sólidos do Município de ___. no uso de suas atribuições legais.305/2010?. No Município. dos seguintes documentos e informações: 1. Na atividade referida. OFÍCIO AO GESTOR MUNICIPAL Ofício nº 000/2012/PJ XXXX-Ba. 8. distribuidores e comerciantes dos produtos descritos pelo art.305/2010? Colhe-se da oportunidade para apresentar cordiais saudações. 4. tendo por base a Lei n° 12. XX de XX de 2012.BA     26   .   6. Quanto à educação ambiental. tratamento e destinação final de todos os resíduos sólidos do Município.

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. informando se existe em tramitação perante este Órgão Ambiental Estadual.º . Diretor Geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos . instaurou o Inquérito Civil n. __________________________________ MD. Prezado (a) Diretor(a) Geral.     27   . Considerando a imprescindibilidade da diligência instrutória do procedimento ministerial acima citado.PJ ________ /BA.625/93. com fulcro nas Leis Federais n. de __ de ____ de 20__.425-060. ________________________ Promotor de Justiça Ilmo. através de seu Promotor de Justiça infrafirmado. visando instruir o citado procedimento solicitamos a Vossa Senhoria a realização de perícia no local acima indicado.347/85 e 8. Sr.INEMA Rua Rio São Francisco. visando apurar possíveis danos ambientais causados pela irregular disposição dos resíduos sólidos do município de ______________. solicitação de licença ambiental para implantação de aterro sanitário neste município. Salvador ± Bahia. bem como visando responder à quesitação anexa ao presente. Monte Serrat.   6. confere-se o prazo de xx (xxxxx) dias para seu cumprimento. CEP: 40. Dr.3. a fim de averiguar a ocorrência de danos ambientais por ventura constatados. Assim. OFÍCIO AO ÓRGÃO AMBIENTAL ESTADUAL ± INEMA PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE MEIO AMBIENTE DE _________ Ofício nº __/___. Colhe-se o ensejo para apresentar-lhe cordiais saudações.ºs 7. n° 01.

PJMA __________/BA. apresento-lhe cordiais saudações. Diante da imprescindibilidade da diligência instrutória do procedimento ministerial acima citado.   6. solicito a Vossa Senhoria a realização de PERÍCIA TÉCNICA no local acima indicado. de__ de __ de 20__. Sr. solicito que seu cumprimento seja feito no prazo de (_____). No ensejo. a fim de instruir o citado procedimento. considerando a instauração perante esta Promotoria de Justiça do Inquérito Civil n° __/__. situado na localidade de ____________. com a finalidade de se averiguar a ocorrência de eventuais danos ambientais. bem como visando responder à quesitação anexa ao presente. _______________________________ Promotor de Justiça Exmo. ______________________________________ PROMOTOR DE JUSTIÇA DD. Cumprimentando-o cordialmente. Prezado Coordenador. que visa apurar possíveis danos ambientais causados pela disposição irregular dos resíduos sólidos no Município de ____________. Coordenador da Central de Apoio Técnico ± CEAT Salvador / Bahia     28   . OFÍCIO À CENTRAL DE APOIO TÉCNICO ± CEAT/MPBA PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE MEIO AMBIENTE DE XXXX Ofício nº __/__ . Dr.4.

foi encerrada a audiência pelo Dr. acompanhado do Procurador Jurídico. Promotor de Justiça apresentou formalmente ao Chefe do Poder Executivo Municipal as peças integrantes do procedimento investigatório relativo à disposição irregular dos resíduos sólidos gerados no município.305/2010 e do Decreto n° 7. inscrito na OAB/BA sob nº . manifestou intenção de firmar termo de ajustamento de conduta com vistas a adequação da destinação e disposição final ambientalmente adequada. Aberta a audiência. para tratarem de assunto referente ao inquérito civil em epígrafe. determinou o Dr. às ____ horas. Prefeito admitiu desconhecer a necessidade de promover a implantação de um sistema de gerenciamento de resíduos no município. TERMO DE AUDIÊNCIA PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE MEIO AMBIENTE DE __________ TERMO DE AUDIÊNCIA INQUÉRITO CIVIL Nº ___/20__ SIMP n° _______________ Aos ______ dias do mês de _________ do ano de 20__. o qual foi devidamente lavrado e assinado por todos. atendendo aos comandos da Lei n° 12. o Sr. o Dr. Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos ± INEMA. Promotor de Justiça. XXXX. ________. compareceram ao gabinete da Promotoria de Meio Ambiente da Comarca de _______. Dr.   6. _____________________________ Promotor de Meio Ambiente     29   . acostado às fls. onde presente estava o Dr. Promotor que os autos voltassem conclusos para promoção de relatório final de arquivamento. __. visando o adequado gerenciamento e armazenamento dos resíduos sólidos gerados na cidade oportunidade em que. Nada mais havendo a tratar.404/2010. __________. Em seguida. Nesta oportunidade o Sr. Promotor de Justiça e lavrada a presente ata que vai devidamente assinada. mormente o laudo pericial elaborado pelo Órgão Ambiental Estadual. bem como a elaboração do Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.5. Prefeito da Cidade de ____________.

225. TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE MEIO AMBIENTE DE _________ TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA O Ministério Público do Estado da Bahia. 127 e 129. provocam poluição e risco ao meio ambiente._____________________. § 6°. bem como a falta de adequado gerenciamento municipal dos resíduos sólidos urbanos. leis. CONSIDERANDO que o acondicionamento. Sr. da Lei nº 6938/81). bem de XVRFRPXPGRSRYRHHVVHQFLDOjVDGLDTXDOLGDGHGHYLGD´HQWHQGLGRHVVHFRPRR³FRQMXQWRGH condições. e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano. CONSIDERANDO que o não cumprimento da legislação ambiental. o transporte. representado neste ato pelo Promotor de Justiça _______________________________. química e biológica. CONSIDERANDO que a legislação vigente (Constituição Federal. com fulcro no art. IV. o tratamento e o destino final dos resíduos sólidos domésticos. o Município de ______________/BA. bem universal de propriedade e uso comum do povo (arts.6. 3º. da Lei n°7. ensejando o surgimento de vetores transmissores de doenças infecto- contagiosas.     30   . interesses e direitos da coletividade. abriga e UHJHDYLGDHPWRGDVDVVXDVIRUPDV´ DUWcaput da CF/88 e art. Decreto Nº 99. art. 10 da Lei 6. industriais e hospitalares devem processar-se em condições que não tragam malefícios ou inconvenientes à saúde. a coleta. II e III. inclusive do meio ambiente. CONSIDERANDO que é dever do Poder Público e da coletividade a defesa e a preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. que permite. ao bem estar e ao meio ambiente. CONSIDERANDO a condição do Ministério Público como legitimado a movimentar o Poder Judiciário com vista à obtenção dos provimentos judiciais necessários à tutela dos valores. II do Código de Processo Civil. Resoluções CONAMA 001/86. e: CONSIDERANDO que ³7RGRVWrm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.305/2010) exige o licenciamento ambiental pelo órgão competente para a instalação de unidades de tratamento e de destino final dos resíduos.347/85 e art. 009/87 e 237/97 e Lei 12.938/81. representado neste ato pelo Prefeito Municipal.274/90. art. influências e interações de ordem física. 5°. da CF).   6. I. 585.

305/2010 (Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos).   CONSIDERANDO que o poder público. CONSIDERANDO que o art. nos termos da legislação vigente. da Lei nº 12. CONSIDERANDO que a implantação de sistemas de disposição final de resíduos sólidos urbanos deve ser precedida de licenciamento ambiental concedida por órgãos de controle ambiental competentes. o setor empresarial e a coletividade são responsáveis pela efetividade das ações voltadas para assegurar a observância da Política Nacional de Resíduos Sólidos. logo que saiba de evento lesivo ao meio ambiente ou à saúde pública relacionado ao gerenciamento de resíduos sólidos. nos termos do art. II. reduzir ou cessar o dano. cabe ao poder público atuar.404/2010 no município de ___________/BA.305/2010. 47. nos termos da Lei 12. com vistas a prevenir. CONSIDERANDO que a municipalidade fica obrigada a implementar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos.305/2010 (Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos) é proibido o lançamento in natura a céu aberto como formas de destinação ou disposição final de resíduos sólidos ou rejeitos. definiu como condição para o recebimento de recursos da União a necessidade de Plano Municipal de Gestão integrada de Resíduos Sólidos. atendendo aos comandos da Lei n° 12. reconhece a ocorrência de danos ao meio ambiente ecologicamente equilibUDGRHPYLUWXGHGRGHSyVLWRLUUHJXODUGHUHVtGXRV ³OL[mR´.305/2010 e do Decreto n° 7. por intermédio de seu Prefeito ± Sr. _______________. CONSIDERANDO que. CONSIDERANDO que. 18 da Lei n° 12.305/2010. mediante os seguintes termos: CLÁUSULA 1ª: O Município de _________/ Bahia. bem como a elaboração do Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. nos termos do art. RESOLVEM Celebrar o presente Termo de Compromisso com o objetivo de viabilizar a destinação e disposição final ambientalmente adequada. 29 da Lei nº 12. subsidiariamente.

que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e pelo Decreto n° 7404/2010. CLÁUSULA 3ª: O município obriga-se a apresentar ao Ministério Público. além de não possuir licença ambiental. no prazo de 180 dias. que a regulamenta. o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. está sendo gerenciada inadequadamente e em local inapropriado. CLÁUSULA 2ª: O município obriga-se a promover a destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos gerados no âmbito do seu território.QDPXQLFLSDOLGDGHDWLYLGDGHHVWD que. na forma e prazos fixados Lei n° 12.305/2010. devidamente elaborado e publicado     31   .

bem como inserção no sistema municipal de educação formal e programas sociais destinados aos mesmos. da Lei Federal n.   em Diário Oficial. respeitando o conteúdo mínimo exigido pelo artigo 19. contribuindo assim para um meio ambiente sustentável. CLÁUSULA 6ª: O município obriga-se a. da lei n° 12. por meio da Assistência Social e da Secretaria Municipal de Saúde. de acordo com o art. organizando e fortalecendo classe e garantindo uma fonte digna de trabalho e renda aos catadores. parágrafo nono.     32   . Parágrafo segundo: A elaboração do Plano Municipal de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos deverá realizar audiências públicas. Programa de Erradicação de Trabalho Infantil etc). Parágrafo Primeiro: Deverá. por meio da Secretaria Municipal de Ação Social ou equivalente. realizando avaliação socioeconômica dos mesmos para verificar o grau de dependência que exercem em relação à atividade de catação. Parágrafo Primeiro: A coleta seletiva deverá ser implementada combinando a coleta porta a porta com pontos de entrega voluntária ± PEV.305/2010. a contar da data da assinatura do presente termo. por meio de Lei Municipal.305/2010 ± Política Nacional de Resíduos Sólidos. conforme estabelecido na lei municipal. cadastrar os catadores que atuam na área do lixão. inclusive com a obrigação do Município de incluir crianças e adolescentes em programas de ressocialização. CLÁUSULA 4ª: O município obriga-se a. no prazo de 90 dias. para a hipótese de o Município ser integrante de Consórcio Público com esta finalidade. 20. a contar da data da assinatura do presente termo. nos programas assistenciais e de saúde que visem à inclusão social e à cidadania (Fome Zero. a fim de que possam comercializá-los para as unidades de transformação. a fim de favorecer a participação pública nas discussões do seu conteúdo. aptas a realizar a triagem dos materiais passíveis de reciclagem. Parágrafo Terceiro: Inserir os catadores que atuam na área do lixão. no prazo de 90 dias. seguindo para os bairros ____________. com vistas ao reaproveitamento e reciclagem dos resíduos sólidos. Parágrafo Segundo: A coleta seletiva será implementada de forma progressiva iniciando nos bairros ____________. da coleta seletiva dos resíduos. Bolsa Família. por meio de incentivos fiscais e outros benefícios que propiciem a sua constituição regularizada. 19. CLÁUSULA 5ª: O município obriga-se a incentivar a participação de cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda. 12. Parágrafo Segundo: Deverá. na forma da lei municipal. além do reaproveitamento dos materiais recicláveis. Parágrafo Primeiro: Admite-se a apresentação de Plano Intermunicipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. dar início à implementação.até atingir a plenitude do território do município. no prazo de início de 90 dias. incentivar a organização de cooperativas de catadores. elaborar cadastro de todos a que estão sujeitos à elaboração de Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (art. no prazo de 180 dias. da Lei n.

redução. reciclagem dos resíduos sólidos. 12. contribuindo assim para construção de valores sociais e atitudes voltadas para a conservação do meio ambiente. os responsáveis por atividades agrossilvopastoris. empresas de construção civil. através de consórcio intermunicipal. resíduos industriais. notificando-os da obrigatoriedade legal em questão. 24 e parágrafos da Lei n. no prazo máximo de 24 meses. a implantar aterro sanitário.305/2010. CLÁUSULA 8ª: O município obriga-se. CLÁUSULA 7ª: O município obriga-se a. em destaque os geradores de resíduos dos serviços públicos de saneamento básico. no prazo máximo de 18 meses. visando a adequação do tratamento e disposição final dos rejeitos. elaborar e executar campanha permanente de educação ambiental junto à população. apresentando informações sobre a importância do adequado serviço de coleta.795/99 (Lei da Política Nacional de Educação Ambiental). bem de uso comum do povo. bem como da responsabilidade quanto a não geração. transporte e disposição dos resíduos sólidos. com vistas ao disposto no art.   12.305/2010). promovendo em seguida fiscalização específica para verificação do cumprimento do plano e sua execução. bem como seus impactos ao meio ambiente. resíduos de serviços de saúde e de resíduos de mineração. essencial à sadia qualidade de vida. geradores de resíduos perigosos. com a devida licença ambiental. conforme dispõe a Lei 9. no prazo de 90 dias. ³OL[mR´ depósito irregular dos UHVtGXRVVyOLGRV ³OL[mR´. CLÁUSULA 9ª: O município obriga-se a. deixar de depositar os resíduos na área atualmente utilizada como depósito irregular. reutilização.

no segundo semestre de 2014. bem como de qualquer outra área.. pública ou privada. CLÁUSULA 10: O Município obriga-se a. iniciar a execução do projeto de recuperação ambiental da área que hoje serve como GHSyVLWRGHOL[R ³OL[mR´. Parágrafo único: O Município compromissário assume a obrigação de. não licenciada ambientalmente. no prazo de 18 meses. contratar profissionais técnicos habilitados para apresentação de Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) da área que atualmente serve como depósito de lixo.

varrição e limpeza urbana. como a coleta seletiva. CLÁUSULA 13: Eventual descumprimento total ou parcial. por parte do COMPROMISSÁRIO. de quaisquer das obrigações aqui assumidas. CLÁUSULA 12: Este compromisso produzirá efeitos legais a partir desta data. nas condições e prazos estipulados no presente     33   .347/85 e 585. tendo eficácia de título executivo extrajudicial. II do Código de Processo Civil. §6º da Lei nº 7. bem como para a execução do projeto de recuperação ambiental da área que hoje serve como depósito de lixo ³OL[mR´). CLÁUSULA 11: O Município obriga-se a inserir no orçamento do ano de 2013 e seguintes recursos financeiros para a execução e implementação das ações contidas no Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. na forma dos artigos 5º.

assegurando publicidade ao mesmo. independentemente de qualquer notificação. conforme prevê o art. com reconhecimento de sua certeza e liquidez. sem prejuízo das pertinentes ações de responsabilização. Parágrafo único: O valor será acrescido de juros e correção monetária. em duas vias de igual teor e forma. firmam o presente Termo de Ajustamento de Conduta.000. com o mesmo referendado pelo Ministério Público. para que surta seus efeitos jurídicos e legais. por termo de ajuste. podendo ser executado imediatamente após o vencimento dos prazos avençados. Parágrafo único: O presente termo de compromisso de ajustamento de conduta tem eficácia de título executivo extrajudicial. na propositura de ação de execução das obrigações de fazer e não fazer. CLAÚSULA 15: Após lavrado e assinado pelas partes.   Termo. com os autos do Procedimento Ministerial.347/85. até que seja cumprida totalmente a obrigação e será destinado a qualquer dos fundos legalmente criados. será encaminhado ao Egrégio Conselho Superior do Ministério Público para ratificação e homologação da respectiva promoção de arquivamento. 11 da Lei 7. enquanto constituído em mora. Por estarem assim comprometidos. _______________________________ MUNICÍPIO DE _________/Bahia _________________________________ Promotor de Justiça de _____________     34   . CLÁUSULA 14: O Município compromissário reconhece que a inadimplência das obrigações assumidas neste acordo importarão. na tutela de direitos difusos e coletivos da comunidade de ____________________-BA. além da execução do valor da multa diária. Cópia desse Termo será afixada em quadro próprio da Promotoria de Justiça pelo prazo de 15 dias.00 (um mil reais). a projetos ambientais locais. autoriza a aplicação de CLÁUSULA PENAL representada por multa diária de R$ 1. ______ de ______ de 20___. este acordo. 34. em respeito ao art. Município de ________________________-BA. ou revertido. § 4° da Resolução 06/2009 do Órgão Especial do Colégio de Procuradores do Ministério Público da Bahia.

III.7. ambos da Constituição Federal. Da instrução procedimental. pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 1. pelo(a) Promotor(a) de Justiça. vem. o Município. apurou- se que o Município não possui implantado seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos.938/81. compostagem. legitimado pelo art. 5º da lei nº 7. a exemplo de: coleta seletiva.347/85. instaurado perante esta Promotoria de Justiça. a     35   . foram objetos de verificação no Inquérito Civil n. Além disso. 12. e art. _____-Ba. LQGHYLGDPHQWHWHPHQFDPLQKDGRRVUHVtGXRVFROHWDGRVDXP³OL[mR´YLRODQGR com tal conduta. estruturação para a devida cobrança dos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos ± PGRS aplicáveis aos grandes geradores de resíduos elencados pelo art. propor a presente AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL COM PEDIDO LIMINAR. 14.. tal qual determinado pela Lei n. com isto. AÇÃO CIVIL PÚBLICA EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA COMARCA DE _____/BA O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. postos a céu aberto. XXXX. o Município deixou de providenciar a elaboração do plano municipal e.   6. aliada à prática da reciclagem. Embora instado pelo Ministério Público a observar as obrigações impostas pelo referido diploma legal. 196 e 225. 33 da PNRS. § 1º. da constituição Federal. com sede na Rua . ocasião na qual se negou a firmar Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta. da Lei nº 6. 129. DOS FATOS O serviços público relativo ao manejo de resíduos sólidos e a política municipal de resíduos sólidos no Município de _____-Ba. art. educação e informação da população do Município. e com base nos arts. nº . em face do MUNICÍPIO DE _______. no que diz respeito à disposição dos resíduos. tem deixado de efetivar ações importantes. pessoa jurídica de direito público interno. inserção social de catadores de materiais recicláveis.305/2010 e tem gerado dano ambiental em face da disposição indevida dos resíduos sólidos. perante Vossa Excelência.

[Descrever as irregularidades encontradas] E «. Com efeito. na área de deposição de lixo do Município de ________.__).   Política Nacional de Resíduos Sólidos e. do que se infere da vistoria realizada pela Central de Apoio Técnico ± CEAT. as seguintes irregularidades: a. Conforme Laudo pericial produzido (fls. causando impacto ambiental e afetação à saúde pública. localizado no bairro ________. foram constatadas. também.

F «.

[Descrever as irregularidades encontradas] E «. oportunidade na qual autuou o Município e descreveu as seguintes inadequações: a. O Instituto do Meio Ambiente e Recusos Naturais ±INEMA também efetuou fiscalização no local acima indicado.

F «.

    36   . todas em exato acordo com a Política Nacional de Resísuos Sólidos (Leis n.305/2010). Em todas as vistorias foram constatadas a disposição inadequada de resíduos sólidos no(s) lixão(ões) a céu aberto aqui citado(s). contudo. já que o Chefe do Poder Executivo não aceitou sujeitar-se às cláusulas minutadas. 12. esta Promotoria de Justiça realizou várias reuniões com o Prefeito do Município a fim de que fosse avaliada a possibilidade de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta. restaram inexitosas. As tentativas de solução extrajudicial. No intuito de minimizar o problema.

o completo descaso do Município. as áreas de disposição final dos resíduos sólidos em questão estão ocasionando degradação ambiental e problemas à saúde pública. aqueles situados neste Município não fazem o correto tratamento do chorume. líquido altamente tóxico. Conforme atestado na perícia de fls. XX/XX. DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL Como todo lixão.   Diante disto. tendo em vista que há vários anos a situação do(s) lixão(ões) neste Município continua inalterada. permanecem inalterados. pior. sem que tenha havido qualquer ação do Poder Público com o fito de sanar ou minimizar a degradação ambiental havida e. lei municipal. A situação irregular e. ainda. Evidente e inequivocamente. mesmo aquelas que envolvem pouco ou nenhum custo. mas que podem surtir um resultado excelente a curto e médio prazo: educação e informação da população com vistas à coleta seletiva. considerando que o Município encontra-se inteiramente inerte em relação a sua obrigação de editar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos que abrigue o conteúdo mínimo ditado pelo art. Tal VXEVWkQFLD DWLQJH YiULRV FXUVRV G¶iJXD GHJUDGD H SROXL HVSHFLDOPHQWH R 5LR BBBBBBBB ocasionando sérias consequências à flaura e flora local. pela contaminação por chorume e gases. outra opção não houve. 2. com incentivos fiscais para quem contribui e aplicação de multa para quem descumpre a lei etc. através da presente ação. 19 da PNRS. além de afetar a saúde pública. solos e ar e deverá. portanto. senão a de contar com tutela jurisdicional. redução e reutilização. [descrever considerações contidas na perícia].     37   . como é de conhecimento cediço na literatura generalista sobre o tema. dos recursos hídricos. gerado pela decomposição dos resíduos. ademais. gerando sérios danos ao meio ambiente e à saúde da população. Convém salientar que sequer ações mínimas mitigatórias foram pensadas pelo administrador municipal. por muitos anos causar estes impactos adversos ao meio ambiente.

também não é realizada a cobertura eficiente e necessária dos resíduos depositados nos lixões. por não proceder com a incineração dos gases produzidos pela decomposição dos resíduos sólidos (lixo). todo o gás metano gerado pelos mencionados lixões é lançado na atmosfera. pois o gás metano é cerca de 21 vezes mais poluente que o gás carbônico. prejudicando toda a sociedade pela supressão de recursos ambientais. aliados a uma efetiva educação ambiental dirigida à coleta seletiva.   Para que haja melhor noção da gravidade da poluição gerada pelo chorume. todos os dias. numa forma de degradação humana que não pode ser permitida. que. a Política Nacional de Resíduos Sólidos dipôs importantes e fundamentais instrumentos que são a reciclagem e a compostagem. tenha-se por parâmetro que a poluição por um (1) litro de chorume equivale a até cem (100) litros de esgoto doméstico.     38   . Toda essa omissão por parte dos agentes públicos causou e continua causando deplorável dano ao meio ambiente. sob o parâmetro do DBO (Demanda Biológica de Oxigênio). Em consonância com a orientação técnica mais acertada da área. patrimônio a ser resguardado e protegido. o que significa TXHRVOL[}HVHPIRFRDWLQJHPRVFXUVRVG¶iJXDYLWLPDGRVFRPRHTXLYDOHQWHDXPDTXDQWLGDGH incalculavelmente elevada de litros de esgoto doméstico. o que promove a proliferação de vetores de graves doenças nos indivíduos que lá trabalham e a um número indeterminado de pessoas que residem na circunvizinhança. Somente a erradicação total dos lixões vai solucionar essa situação. há de se destacar outro grave problema: os lixões atraem a população mais carente e desempregada. Como já apontado. possuem como efeito benéfico a diminuição da quantidade de resíduos que seguirão para disposição final. Ademais. que passa a se alimentar dos restos encontrados no lixo e a sobreviver dos materiais que podem ser vendidos. poluindo-a gravemente. Além disso.

aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. no País. que contempla o tratamento do esgoto e dos resíduos sólidos urbanos. dos serviços públicos de interesse local. em caráter supletivo. a problemática da destinação final dos resíduos sólidos. de 2 de agosto de 2010. de causar degradação ambiental. institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. condições ao desenvolvimento sócio-econômico. sob qualquer forma. $ PHVPD /HL Qž  SUHYr DLQGD TXH ³D FRQVWUXomR LQVWDODomR ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais. de 12 de fevereiro de 1998 e dá outras providências. diretamente ou sob o regime de concessão ou permissão. O artigo 30. inciso V. considerados efetiva e potencialmente poluidores.445/07. abrangendo. e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis ± IBAMA. melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida. Estados e Municípios a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer de suas formas . bem como os capazes. por conseguinte.605. que estabelece as diretrizes nacionais para a questão do saneamento básico. $ /HL )HGHUDO Qž   GLVS}H TXH ³$ 3ROtWLFD 1DFLRQDO GR 0HLR Ambiente tem por objetivo a preservação. altera a Lei no 9. dependerão de prévio licenciamento de órgão estadual competente. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS É competência comum da União. foi editada a Lei Federal nº 11. da Constituiçã impõe aos Municípios a organização e prestação. sem SUHMXt]RGHRXWUDVOLFHQoDVH[LJtYHLV´ Em janeiro de 2007. visando assegurar. integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente ± SISNAMA. A Lei nº 12.     39   .   3.305. incluindo-se aí o saneamento básico.

é mais custosa. em que os custos diminuem e os benefícios aumentam. há ainda os elevados custos ambientais e sociais na forma como tem sido conduzido o problema neste Município. pouco importando. não se pode perder de vista que. inclusive os econômicos e socioambientais. A responsabilidade do poluidor é OBJETIVA. esta última gerando um adubo de excelente qualidade e de ampla utilização. muito além do aspecto financeiro. portanto. pessoas físicas ou jurídicas. reciclados ou submetidos a compostagem. da saúde das pessoas e da dignidade humana. mesmo entre aquelas que se encontram a sua pronta disposição em detrimento da legislação ambiental brasileira. pois. independentemente da obrigação de reparar os danos causados. além de criminosa. É que há uma relação direta.   A propósito. de fácil compreensão. DOS CUSTOS COM A OPERAÇÃO DO LIXO Inexplicavelmente. Mas. a reciclagem e a compostagem. a Administração Pública Municipal vem tratando os seus resíduos sólidos de uma forma que.     40   . Vê-se. qualquer argumentação acerca da existência de culpa ou de responsabilidade de qualquer outro órgão. 4. já que a quase totalidade dos resíduos sólidos produzidos pela sociedade podem ser reutilizados. do meio ambiente. as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente também sujeitam os infratores. Tudo isso fica patente diante da documentação apresentada pelo próprio Município e em face de realidade já ampla e notoriamente conhecida neste país. às sanções penais e administrativas. de modo a causar perplexidade. que nas hipóteses de deposição dos resíduos sólidos nos lixões desta cidade o custo é expressivamente maior do que aquele envolvido na adoção das medidas de ordem legal vigentes no país e as quais devem se submeter o Município e o seu administrador. quanto melhor for a coleta seletiva.

preceitua que ao Poder Público incumbe ³H[LJLU QD IRUPD GD OHL SDUD LQVWDODomR GH REUD RX HIHWLYLGDGH SRWHQFLDOPHQWH FDXsadora de     41   . da CF/88. preleciona: ³$UW  7RGRV WrP GLUHLWR DR PHLR DPELHQWH HFRORJLFDPHQWH HTXLOLEUDGR EHP GH XVR comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. quer sob o enfoque da própria existência física e saúde dos seres humanos. ver. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-ORSDUDDVSUHVHQWHVHIXWXUDVJHUDo}HV´. o caráter fundamental do direito à vida torna inadequados enfoques restritos do mesmo em nossos dias.Q³'LUHLWRGR$PELHQWHGRXWULQDSUiWLFDMXULVSUXGrQFLDJORVViULR´ 2. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. ed. Deveras. inciso IV. têm os Estados a obrigação de vetar riscos ambientais VpULRVjYLGD´ . Leciona neste sentido o mestre supramencionado: ³2UHFRQKHFLPHQWRGRGLUHLWRDXPPHLRDPELHQWHVDGLRFRQILJXUD-se. em sua interpretação plena. sob o direito à vida. a natureza de cláusula pétrea do princípio acolhido nesse preceito constitucional. atual. não só se mantém a proteção contra qualquer privação arbitrária da vida. O renomado doutrinador Edis Milaré sustenta. p.. o parágrafo primeiro. em seu sentido próprio e moderno. que se faz com que valha a pena viver. do art. sob o fundamento de que o direito a um meio ambiente sadio configura-se verdadeira extensão do direito à vida.. em seu art. ampl.. 110) Com o objetivo de assegurar a efetividade desse direito fundamental. na verdade. Neste propósito. 2001. 225. 225. inclusive.   O direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado foi erigido a direito fundamental pela Carta Magna de 1988. como extensão do direito à vida. mas além disso encontram-se os Estados no dever de buscar diretrizes destinadas a assegurar o acesso aos meios de sobrevivência a todos os indivíduos e todos os povos. que. quer quanto ao aspecto da dignidade desta existência ± a qualidade de vida -.

estabelecendo como dever do Estado a adoção de políticas sociais econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos. a Lei nº 2. b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas. GHILQH GHJUDGDomR GD TXDOLGDGH DPELHQWDO FRPR ³D DOWHUDomR DGYHUVD GDV FDUDFWHUtVWLFDVGRPHLRDPELHQWH´-iDSROXLomRpGHILQDQRPHVPRDUWLJRGDOHLHPVHXLQFLVR. a que se dará SXEOLFLGDGH´ A par do direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. FRPR³DGHJUDGDomRGDTXDOLGDGHDPELHQWDOUHVXOWDQWHGHDWLYLGDGHVTXH direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde. mais uma vez. vale invocar.. que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. a segurança e o bem-estar da população. c) afetem desfavoravelmente a biota. torna-se imperiosa a construção de um aterro sanitário. Sobre a questão.   significativa degradação do meio ambiente. precedido de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do correspondente Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). 001/86. No âmbito infraconstitucional. merecendo atenção especial as Resoluções nº 002/85.. 257/99. d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. estudo prévio de impacto ambiental. os ensinamentos de Edis Milaré:     42   . para que cesse a degradação ambiental provocada pelo lixão. como se afigura no presente caso.312/54. o Conselho Nacional do Meio Ambiente. editou inúmeras normas disciplinando a disposição final de resíduos sólidos. CONAMA. No caso dos autos. a Carta Magna assegura a todos o direito à saúde.938/81.. em seu DUW ž . e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. Por fim. que instituiu o Código 1DFLRQDOGH6D~GHSUHVFUHYHHPVHXDUWTXHD³FROHWDRWUDQVporte e o destino final do lixo deverão processar-se em condições que não tragam inconvenientes a saúde e ao bem estar S~EOLFRQRVWHUPRVGDUHJXODPHQWDomRDVHUEDL[DGD´ A Lei nº 6. 283/01 e 308/2002. tendo esta última como destinatários específicos os municípios de pequeno porte.

O impacto ambiental. dentro do qual os resíduos são depositados. do Ministério do Interior. geralmente consiste na contaminação do solo por chorume ± líquido percolado oriundo da decomposição de matéria orgânica -SRGHQGRDWLQJLUROHQoROIUHiWLFRHFXUVRVG¶iJXDHVXSUHVVmRGD vegetação.   ³2OL[mRpDIRUPDDUFDLFDH prática condenável de disposição final. na maioria dos casos. monitoramento ou tratamento. nesses casos. evitam a ocorrência de danos ambientais. sendo os resíduos lançados ao solo. A instalação e operação dependem de um grande espaço físico. por vezes. o aterro sanitário pode transformar-se em aterro energético. O aterro sanitário é uma das formas tecnicamente adequadas de disposição final e menos custosa de ser implantada. com produção de gás metano passível de DSURYHLWDPHQWR´ RE&LW3S. em área a tal destinada. sem qualquer estudo prévio. proíbe esse tipo de disposição final. O item X da Portaria 53/97. com observância de rigorosas posturas técnicas. que minoram ou. Cabe observar que.

 Frise-se. especialmente. 14. e 225. de implantação do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. §§ 2º e 3º. A escassez de recursos não pode ser invocada como justificativa para o gritante descumprimento da lei. que. a responsabilidade civil por dano ambiental prescinde da comprovação de culpa ± eis que impera. bastando a demonstração do dano e do nexo causal. não se sustenta a previsível e confortável alegação do réu de que não vem adotando as medidas necessárias para fazer cessar a degradação ambiental em virtude da carência de recursos financeiros. da Lei nº 6. Por fim. nos termos do art. os elementos exigidos para a responsabilidade do réu encontram-se presentes: o dano ambiental resta comprovado nos relatórios técnicos elaborados pela CEAT/INEMA e o nexo causal insurge da absoluta omissão do réu em adotar as medidas que lhe competem. nesta matéria. da CF/88. posto que a efetivação do direito à saúde e a um meio ambiente     43   . No caso dos autos. § 1º.938/81. a responsabilidade objetiva. por oportuno.

DJMT 16/09/2011. O que se observa. RESPONSABILIDADE. RN 7060/2011. MUNICIPALIDADE. com o desiderato de ver construído um aterro sanitário definitivo para a destinação dos resíduos sólidos urbanísticos lançados em lixão. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. fixando o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para a apresentação do projeto de construção do aterro perante a     44   . Nova Xavantina. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis contra o Município de Barreiros/PE. confiram-se os seguintes precedentes jurisprudenciais: EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO. DIREITO AMBIENTAL. A sentença acolheu o pedido da ACP. SENTENÇA RATIFICADA. INÉRCIA DA URBE EM APRESENTAR PROJETO E INICIAR A OBRA. é o total desinteresse do Município em resolver tão relevante questão. a Prefeitura não adotou qualquer ação com vistas a minimizar a degradação ambiental provocada pelo lixão. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. (TJ-MT. conforme disposições dos artigos 223 e 225 da CF. Julg. Trata-se da Ação Civil Pública n. 1.É obrigação da municipalidade adequar a destinação dos resíduos sólidos. ajuizada pelo IBAMA. por tratar-se de garantia fundamental. Pág. Observa-se pelas análises dos relatórios enviados a esta promotoria que decorrido mais de XX anos desde a realização do primeiro relatório de fiscalização realizado pelo INEMA (antigo CRA). REMESSA OBRIGATÓRIA DESPROVIDA. CONSTRUÇÃO DE ATERRO SANITÁRIO DEFINITIVO. CABIMENTO. LIXÃO A CÉU ABERTO. LEGITIMIDADE ATIVA DO IBAMA. 2.É dever do município proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer das suas formas. OBRIGAÇÃO DE FAZER.   ecologicamente equilibrado deve ser priorizada pela Administração Pública. º 2005. ADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ATERRO SANITÁRIO. EMENTA: REMESSA OBRIGATÓRIA. às margens da Rodovia PE 96. na verdade.00. localizado no Engenho Mascate. Terceira Câmara Cível. 2 .015613-7. a céu aberto. MUNICÍPIO. PRAZO PARA O CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E MULTA DIÁRIA. Relª Desª Maria Erotides Kneip Baranjak. posto que vem se omitindo na adoção das medidas mais simples às mais complexas. 06/09/2011. segundo as normas pertinentes. em aterro sanitário instalado.83. 21). 1 . Acerca da responsabilidade do Poder Público Municipal nesta matéria.

VI. em caráter supletivo à atuação de órgão estadual e municipal. inspirado na competência comum a todas as esferas do Estado atribuída pelo art. inciso IV. 196) CF. no âmbito do Município. a gestão compartilhada dos resíduos. e art. que o réu não pode esquivar-se da obrigação legal de gerir de forma adequada os resíduos sólidos produzidos pelo Município.938/81. Pág. conforme estatuído no art. CPRH.05. porquanto depois de reconhecer que o lixão de fato existia. inciso I. a partir da concessão de licença pelo referido órgão. e o problema do lixo é um dos mais graves a acometer a presente era. Rel. 5. julgado em 18/08/2009. º.347/85. º 6. 11 da Lei n. a fim de que deixe de cometer dano ambiental e para que instale. 5. a um ambiente ecologicamente equilibrado. º 7. José Maria Lucena. órgão por excelência na fiscalização de eventuais ações potenciais de exploração predatória ou poluidora. 23. da Lei n. 5. impondo-se a sua responsabilização pelos danos decorrentes da omissão. e igual prazo para o início da obra. mas não formalizou o processo. de insensata irresponsabilidade ao deixar de conferir trato sério à questão e de se descuidar da educação ambiental consistente.4. 04/08/2011. podendo ser proposta por autarquia.347/85. DJe 27/04/2011.555/MG. inclusive mediante aprovação das respectivas câmaras municipais. art. º. natureza jurídica atribuída ao IBAMA. alternativa à transformação do planeta num lugar insuscetível à continuidade da vida. da Carta Magna. Os autos demonstram a inércia da urbe em solucionar o problema ambiental. Fed. PE. Julg. 23 É dever do Poder Público tornar efetivo o direito a todos assegurado no artigo 225 da CF. DEJF 12/08/2011. Nos termos do art. 11 da Lei n.00 (quinhentos reais). º 7.2005. 0015613- 40. REOAC 441271. alegou ter a intenção de firmar consórcio com o Município de São José da Coroa Grande/PE para dar uma destinação conjunta aos dejetos sólidos urbanísticos.8300.. 4. em resumo. cabe a fixação de astreinte para o cumprimento de obrigação de fazer em ação civil pública promovida para a defesa do meio-ambiente. Precedente: RESP 947. 1. Remessa obrigatória desprovida. (TRF 05ª R. Primeira Turma. Vê-se. SEGUNDA TURMA. DO PEDIDO LIMINAR     45   . Ministro HERMAN BENJAMIN. Nos termos do art. Proc. sob pena de multa diária de R$ 500. a ação civil pública é via adequada para a busca de proteção judicial do meio- ambiente. Rel. 3.   Companhia de Recursos Hídricos. Des.

Os lixões a céu aberto causam     46   . caput. por força do art. O perigo da demora. LIMINAR CONCEDIDA. evidencia-se através dos relatórios de vistoria elaborados. Presentes os requisitos do fumus boni iuris e do periculun in mora. No Direito Ambiental. 2 . podendo impor ao poder público a cessação da atividade danosa. A fumaça do bom direito resta devidamente comprovada pela situação de fato revelada. acima indicados. com o fito de minimizar a degradação ambiental atualmente existente. e ainda outros diversos documentos e depoimentos. CF).O AMBIENTE. diante da vasta legislação acima transcrita. por sua vez. DECISÃO CONFIRMADA. No caso. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PREVALENCIA DO EMEIO AMBIENTE (VIDA). Confiram-se os seguintes julgados dos Tribunais pátrios acerca do tema: ³$d­2 &. O art. especialmente. pelo direito constitucional da população a um meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado. 1.347/81 autoriza a concessão de medida liminar em sede de ação civil publica quando demonstrados os requisitos do fumus boni iuris e do periculun in mora. 12 da Lei 7. 3 .347/85. os requisitos legais encontram-se plenamente atendidos. o poder geral de cautela do juiz deve ser norteado pelo princípio da prevalência do meio ambiente (vida)./ 3Ò%/. justamente por ser seu dever defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (art. pelo Município. DANOS AMBIENTAIS. necessário se faz a adoção de medidas emergenciais até a implementação de uma solução ambientalmente adequada. 12 da Lei nº 7.&$ 0(. pelo completo desrespeito ao conjunto de leis que trata dos resíduos sólidos neste país. é cabível medida liminar em ação civil pública. evidenciando-se a degradação ambiental e o risco diuturno a que se encontra exposta a saúde da população. 225.   Diante da situação precária da destinação final dos resíduos sólidos deste município e do tratamento da questão como um todo.9. AGRAVO. LIXÃO URBANO Á CÉU.

018293-4/001(1). DEFERIMENTO. Processo nº 121684800. elemento responsável por problemas de contaminação do homem e do meio ambiente. No Direito Ambiental. TJPR-016056) AGRAVO DE INSTRUMENTO. unânime. em 09/09/2002). (Agravo de Instrumento nº 165681-5.LIXO - DEPÓSITO À CÉU ABERTO .0144. Luiz Cézar de Oliveira. DANOS AO MEIO AMBIENTE. há de ser deferida. na ação civil pública. ex. Des.2005. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.   sérios danos ao ambiente e à saúde da população (p. 22. 08. DETERMINAÇÃO DE COLETA SELETIVA DO LIXO HOSPITALAR E RESTRIÇÃO DE ACESSO. (Agravo nº 1. Publ. j. Rel. unânime).) não podendo o juiz hesitar na utilização GRV LQVWUXPHQWRV SURFHVVXDLV TXH D OHL OKH FRORFD j GLVSRVLomR´ 7-35  &kPDUD Cível.2007). etc. LIMINAR VISANDO A IMPLANTAÇÃO DE ATERRO SANITÁRIO. POSSIBILIDADE. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 30. A lei infraconstitucional não pode impedir a concretização de um direito assegurado pela Carta da República. Presentes. as pilhas contém mercúrio. Provimento parcial do recurso.DIREITO FUNDAMENTAL ATINGIDO. Cambará.POSSIBILIDADE DE INTERFERÊNCIA DO JUDICIÁRIO . j.06. 2ª Câmara Cível do TJPR. Accacio Cambi. Resumidamente. os requisitos legais do periculum in mora e o fumus boni iuris. caput. A medida liminar tem finalidade provisória e instrumental. as moscas.03. entende-se que as razões que essencialmente albergam a concessão da medida dizem respeito aos seguintes fatos:     47   . TJMG-103972) AÇÃO CIVIL PÚBLICA . podendo impor ao Poder Público a cessação da atividade danosa. Nos termos do art. a decomposição do lixo com pouco oxigênio contribui para a formação do gás metano. CF). da Constituição Federal. Dês..LIMINAR . representando sério risco de incêndio. Os lixões a céu aberto causam sérios danos ao meio ambiente e à saúde da população. j. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Rel. 7ª Câmara Cível do TJMG. Wander Marotta. os roedores e as baratas são transmissores de doenças.MEIO AMBIENTE . justamente por ser seu dever defendê- lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (art.2007.05. 225. CONCESSÃO INAUDITA ALTERA PARTE. todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. o poder geral de cautela do Juiz deve ser norteado pelo princípio da prevalência do meio ambiente (vida). Rel. 225.05.

ensejando o agravamento dos danos ao meio ambiente e à saúde pública da população.305/2010. e no artigo 36. da prioridade e importância inequivocamente reveladas em torno do assunto. pelo fato de resguardarem direitos fundamentais.o Município não possui e nunca teve licenciamento ambiental para operar os resíduos sólidos.666/93. . tornando certa a contaminação do solo. §§ 1º. a exemplo da coleta seletiva. da Lei Federal sob n. que as leis em torno do tema. não se justifica diante das disposições constitucionais e legais. O requisito do periculum in mora (fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação) resta demonstrado pelo fato de a permanência da situação ilícita retratada na presente ação civil pública ensejar que. Portanto. a cada dia. disposta na Lei Federal n.apesar de previsão legal para a elaboração e implementação do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos ± PGIRS.vistoria realizada nos lixões detectou inúmeras irregularidades (resíduos sólidos depositados sobre o solo e recobertos por material inerte. 12. com diversas e péssimas conseqüências ao ambiente e à saúde pública). minimizando esses danos. permitindo a infiltração de chorume.. continuem e agravem as lesões ao meio ambiente e o risco à saúde pública da população. Cabe registrar. e 2º. 5º. já que muitas das metas sempre presentes nos PGIRS poderiam ter sido implementadas. sem sistema de impermeabilização do solo ou sistema de coleta e tratamento do percolado gerado. inciso XXVII.305/2010. da Lei nº 8. a despeito do que deveria estar disposto num eventual PGIRS. bem como não possui programas de coleta seletiva e de educação ambiental.     48   .   . § 1º.o Município não possui programa de reciclagem e compostagem. ainda. a omissão do Município em efetivamente implementar o adequado gerenciamento dos resíduos sólidos no âmbito do seu território. . 12. o Município não se dignou a mover nenhum esforço neste sentido. não atende as disposições normativas contidas no artigo 24. da Constituição Federal. conforme disposto no art. centrais de triagem e usina de compostagem. possuem aplicação imediata. . subsolo e águas subterrâneas e superficiais.

Assim. criando um cinturão verde para auxiliar no seu isolamento e melhorar a paisagem local. a fim de promover sua inserção em programa de assistência social do Município. até a instalação. deve prevalecer o princípio da prevenção.dar manutenção permanente às vias de acesso interno e externo aos lixões.     49   . é irreparável. do Estado ou da União Federal. . adolescentes e catadores.monitorar de forma permanente as cercas dos lixões.elaborar e apresentar o cadastramento dos catadores de lixo (incluindo crianças e adolescentes que se encontrem utilizando de alguma forma seu espaço). especialmente de crianças.proibir e impedir a queima dos resíduos a céu aberto.plantar vegetação adequada ao redor do terreno do lixão. juntamente com os resíduos urbanos domésticos (Resolução CONAMA nº 307/2002). . de modo a evitar a proliferação de vetores e a combustão do material depositado. evitando o trânsito de animais e de pessoas não autorizadas no local. promovendo a sua coleta segregada e prévio tratamento (Resolução CONAMA Nº 358/05.proibir o descarte de resíduos da Construção Civil. operação e destino final adequada dos seus resíduos sólidos. em tema de direito ambiental. . tudo com supervisão e fiscalização do órgão ambiental do Estado e em conformidade com a legislação e as normas técnicas: .não permitir o descarte de resíduos oriundos de atividades de Serviços de Saúde. após sua consumação. com espessura mínima de 10 cm. no sentido de que a tomada de medidas de proteção ao meio ambiente por parte do Poder Público deve se antecipar a ocorrência do dano. adote as seguintes medidas.proceder à cobertura diária dos resíduos com material argiloso. .   Ressalte-se que. . uma vez que este. o Ministério Público requer a concessão de antecipação de alguns dos efeitos da tutela para o fim de que o Município demandado: a) Em prazo sugerido de 90 dias. . .

com a adoção de medidas objetivas de incentivo fiscal e multas e outras punições administrativas. um projeto de aterro sanitário ou outra solução compatível com as características sócio-econômicas do município e ambientais vigentes.000. a serem indicadas a este juízo dentro do mesmo prazo aqui assinalado.   . por oportuno. da Lei Federal n. via apoio financeiro. em Juízo. e 2º.. etc. capacitação. treinamento. c) Em prazo sugerido de 180 dias. a cada 30 (trinta) dias. revertendo os valores resultantes do inadimplemento da obrigação ao Fundo Estadual do Meio Ambiente. além de outras eventuais políticas educativas. contrate equipe técnica habilitada para elaboração de projeto de plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos. devendo apresentar. f) Informe a este Juízo. através da apresentação de relatório circunstanciado a ser emitido pelo Responsável Técnico. promova. b) Em prazo sugerido de 180 dias.. Requer. 12. no prazo sugerido de 180 dias. aos trabalhos das associações de catadores. incluindo a implantação de processo de compostagem de resíduos orgânicos. e) Em prazo sugerido de 60 dias. Termo de Referência do PGIRS.     50   . direcionados a toda população do município. §§ 1º.00 (cem reais) à pessoa física do Chefe do Poder Executivo Municipal.elaborar e encaminhar ao INEMA. promova o atendimento à disposição normativa contida no artigo 36. com ciência ao Órgão Ambiental Estadual. a instalação de ao menos uma central de triagem e compostagem. d) Em prazo sugerido de 60 dias. promover a criação e implantação de Programa Municipal de Coleta Seletiva de Lixo e Programa de Educação Ambiental. com a elaboração de Cartilha Educativa e sua distribuição.00 (mil reais) por cada descumprimento. a ser aplicada ao Município e de R$ 100. as etapas já cumpridas. fomentando. seja instituída multa diária de R$ 1. com a devida licença do órgão ambiental. contado o prazo da intimação da concessão da liminar.305/2010. nos autos da presente ação.

da Lei n. da Lei n. para condenar o réu nas obrigações de fazer consistentes em: a) promover a destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos gerados no âmbito do seu território. que seja cominada multa diária a ser fixada por Vossa Excelência. realização de perícias e oitiva de testemunhas. 12. no período de 3 (três) meses após a conclusão do prazo notificatório aqui mencionado. inclusive. a confirmação da medida liminar nos termos acima pleiteados. inclusive com vistas ao disposto no art. cujo rol segue abaixo. sem prejuízo de execução especifica. 19. querendo. 2. que seja o réu citado para.305/2010). requer o MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA: 1. mediante a execução de projeto elaborado para tal fim.   6. inc. ligada a não geração. no prazo de 9 (nove) meses.305/2010. incluindo a criação de mecanismos objetivos de incentivos fiscais e/ou econômicos e a aplicação de multas para os infratores (art. a ser convertida para o Fundo Estadual do Meio Ambiente. Protesta-se por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito. por dia de atraso. pelos meios legais postos a sua disposição. d) no prazo de três meses. apresentar resposta ao pedido no prazo legal. f) em se tornando impossível a recuperação ou se revelando insuficiente. notificando-os da obrigatoriedade legal em questão. na forma e prazo fixados nos arts. reciclagem e compostagem dos resíduos sólidos. 3. b) elaborar e executar. observando o disposto no art. promovendo em seguida fiscalização específica para verificação do cumprimento do plano e sua execução.     51   . c) elaborar o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos. 20. dentro de 4 (quatro) meses campanha permanente junto à população. que seja o réu condenado a indenizar o dano causado. reutilização. 24 e parágrafos da destacada lei federal. sendo a ação ao final julgada procedente. o envolvimento de toda a coletividade com tais responsabilidades. VII e 54. da Lei n. e) promover a recomposição das áreas degradadas. ademais. 12. instituindo. redução. da Lei Federal n. sob pena de confissão e revelia. DOS PEDIDOS FINAIS Isso posto. na hipótese de descumprimento das determinações judiciais. 12. elaborar cadastro de todos a que estão sujeitos à elaboração de Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (art. especialmente pela juntada de documentos.305/2010). 12.305/2010. 3º. confirmando-se a liminar anteriormente deferida e. as anteriormente utilizadas como lixões. 25.

Inquérito Civil n. ______-BA. - ANEXO: 1. atribui-se à causa o valor de 1. _____.000.. XX de XXX de 20XX.   Embora inestimável. XXXX     52   . _________________ Promotor(a) de Justiça ROL DE TESTEMUNHAS: .00 (mil reais) para efeitos meramente fiscais.

tendo o representante legal do Município solicitado prazo de __ (_________) dias para análise da minuta. a fim de apurar a ocorrência de possíveis danos ambientais. através do laudo acostado às fls. No prazo estabelecido vieram as respostas. com fulcro no artigo 8º. ao Órgão Ambiental Estadual. Foi designada audiência para o dia __ de _____ de ____. Desta forma. instaurou o presente Inquérito Civil _______. 9º da Lei nº. parágrafo 1º.   6. ao Prefeito Municipal. bem como que inexiste solicitação de licenciamento ambiental alusivo a implantação de aterro sanitário. Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - INEMA. às __ h.8. bem como para apresentação de proposta de Termo de Ajustamento de Conduta. de acordo com o art.).. RELATÓRIO FINAL PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE MEIO AMBIENTE DE ______________ INQUÉRITO CIVIL Nº: _________ INVESTIGADO: _______________________________ RELATÓRIO FINAL O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. SIMP nº _____________ . Prefeito Municipal acerca das irregularidades detectadas. em virtude da disposição inadequada dos resíduos sólidos (lixão) do Município de XXXX. ____________(fls. ____________.347/85. assumindo o Município as seguintes obrigações: (descrever obrigações do TAC). fica evidente que o presente inquérito civil atingiu o seu fim. Promotor de Justiça     53   . a ocorrência de diversas irregularidades ambientais. tendo reconhecido o descumprimento da legislação ambiental vigente e considerando a assinatura do Termo de Compromisso pelo investigado. positivando o INEMA. através da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente da Comarca de _____________. __ de ________ de ____.347/85. Em nova audiência (fls. localizado em _____________________________. razão pelo qual determinamos o seu arquivamento. respectivamente. encaminhando-se os presentes autos do Inquérito ao Conselho Superior do Ministério Publico para o necessário reexame e homologação. Foram expedidos os ofícios ns. É o Relatório. buscando-se informações acerca do objeto investigado. com a finalidade de promover a oitiva do Sr. ) o Termo de Compromisso foi lavrado. e a Central de Apoio Técnico ± CEAT. da Lei nº 7.7.

urge para os promotores de Justiça com atribuição na área ambiental a revisão dos procedimentos existentes na promotoria de Justiça ou instauração de Inquérito Civil. pois. o foco da questão dos resíduos sólidos assume uma vertente mais ampla de atuação a partir da edição da Lei federal n° 11. estabelecer prazos para a regularização da disposição final dos resíduos sólidos. que propõe uma gestão integrada de todos os serviços associados ao manejo e tratamento dos resíduos produzidos no âmbirto do município.305/2010. Enfim. que cada município elabore o seu Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos. a União somente disponibilizará recursos destinados a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos. A elaboração.305/2010. que deverá ser implantada em até 4 (quatro) anos após a data de publicação desta Lei (Art. ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais de crédito ou fomento para tal finalidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como visto. a partir de agosto de 2012. aprovação e edição desta norma municipal viabilizarão a obtenção de recursos financeiros do Estado e da união para a execução da política adotada. reconhecendo. sobretudo. com um destaque para o incentivo às soluções consorciadas. atendendo ao conteúdo mínimo previsto no artigo 19.   7. Recomenda-se. Há de se atentar ainda para o fato de a Política Nacional de Resíduos Sólidos. ou seja. da lei n° 12.235/2010 e o seu regulamento trazido pelo Decreto ° 7. são essas as perspectivas de trabalho e estudo pelos quais a Câmara Temática de Saneamento tem se debruçado. as dificuldades enfrentadas na realidade prática o que requer maior aprofundamento e continuidade nos debates. com vistas a cobrar do município que adote a política de gestão de resíduos sólidos em seu município. 55). que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e da Lei federal n° 12. vencendo portanto em 01 de agosto de 2014 e que a partir de 2 (dois) anos após a data de publicação desta Lei(Art. 54).404/2010. que Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos.445/2007. atendendo aos parâmetros trazidos pela Lei n° 10. para aqueles municípios que possuírem o Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Neste contexto.     54   .

107/2005. Lei n° 11.404/2010. Ministério do meio Ambiente. Lei n° 12. Consórcios Públicos. BRASIL.305/2010. MMA. BRASIL. Planos de Gestão de Resíduos Sólidos: Manual de Orientação. BRASIL. REFERÊNCIAS BRASIL. BRASIL.   8. Decreto n° 7. Política Nacional de Saneamento Básico. Lei n° 11.     55   . Apoiando a implementação da política nacional de resíduos: do nacional ao local.445/2007. 2010. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Regulamento da Política Nacional de Resíduos Sólidos.