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se objetivar como gênero humano – para vir a ser humano – os homens, todos os homens

,
A Contribuição da necessitam de um processo de humanização, que seja direto e intencional, um processo so-
cial e consciente: “[...] a finalidade imediata da educação (muitas vezes não cumprida) é a de
Sociologia da Educação tornar possível um maior grau de consciência, ou seja, de conhecimento, compreensão da

SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO

SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO
realidade da qual nós, seres humanos, somos parte e na qual atuamos teórica e praticamente”
par a a Compreensão da (RIBEIRO, 2001).

Educação Escolar* Então, se os seres humanos, para serem humanos, necessitam de um processo de hu-
manização, histórico e social de formação humana – de educação –, a educação tem como
objetivo realizar esta tarefa. Isso implica em um processo de conscientização que significa
conhecer e interpretar a realidade social e atuar sobre ela, construindo-a. Assim, o processo
Marília Freitas de Campos Tozoni-Reis
Professora Livre Docente do Departamento de Educação do Instituto de educativo constrói, ao mesmo tempo, o ser humano como humano e a realidade na qual ele
Biociências da UNESP-Botucatu. se objetiva como tal. Constrói, também, a humanidade do ponto de vista histórico e social. Se
os seres humanos não trazem ao nascer os instrumentos necessários para compreender as leis
da natureza e da cultura (das sociedades), e não podem contar com a possibilidade de que isso
Resumo: O texto traz uma análise geral da contribuição da sociologia da educação para a compreensão da
aconteça “naturalmente”, o processo de formação do ser humano tem que ser intencionalmen-
educação escolar. Neste sentido, busca identificar a relação da educação, escola e sociedade para conceituar
a escola como uma instituição social com origem e desenvolvimento na modernidade. A seguir, traz infor- te dirigido, pelos próprios seres humanos que se relacionam socialmente.
mações históricas sobre a escola pública no Brasil, problematizando-a, numa perspectiva sociológica, com Ocorre que, na história social da humanidade, diferentes e diversas instituições sociais
a desigualdade social. É importante destacar aqui que o texto analisa, cuidadosamente, a função da escola, se responsabilizaram por esse processo de formação humana, pelo processo educativo. Nas
concluindo com sua finalidade social e política de contribuir para a organização da sociedade brasileira. sociedades primitivas, por exemplo, vemos a importância dos ritos de iniciação realizados
Palavras chaves: Escola, Escola Pública, Desigualdade Social. por diferentes coletivos no processo educativo dos sujeitos mais jovens como expressão da
organização do processo de formação humana para a convivência naquelas sociedades que
tinham, como tal, características próprias. Muitos estudos no campo da sociologia – e da an-
A Escola como instituição social tropologia – mostram diferentes formas sociais de apropriação dos elementos da cultura nes-
Pensar a escola na perspectiva da Sociologia da Educação implica, em primeiro lugar, sas sociedades primitivas. Mas, o que temos em comum nesses estudos é o fato de que, mais
que pensemos sobre a relação entre educação, escola e sociedade. Tomemos como ponto de ou menos sistematicamente, há um processo educativo expresso na vida social dessas socie-
partida uma das mais brilhantes definições de educação que temos na literatura pedagógica dades. Nesse sentido, também merece destaque o processo de preparação para o trabalho a
brasileira, ainda que de conteúdo muito mais filosófico do que sociológico. Trata-se da de- que eram submetidos os jovens aprendizes de ofícios nas sociedades pré-industriais como
finição de Saviani, na qual afirma que “[...] o trabalho educativo é o ato de produzir, direta os apresentados por Enguita (1989). Na abordagem do autor, vemos a família como principal
e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e instituição social responsável pelo processo de formação humana para convivência naquelas
coletivamente pelo conjunto dos homens” (SAVIANI, 2005, p.13). Temos aqui a afirmação sociedades, em especial, como instituição responsável pela formação para o trabalho: além
de que o processo educativo é um processo de formação humana, isto é, um processo em da família de origem, muitos jovens aprendizes eram encaminhados a outras famílias para a
que todos seres humanos - que nascem inacabados do ponto de vista de suas características aprendizagem dos ofícios.
humanas - são produzidos, construídos, como humanos. É um processo – histórico e social Em Enguita (1989), podemos buscar a tese de que a escola, tal como a conhecemos
– de tornar humanos os seres humanos. hoje, é uma instituição social nova, moderna. E como instituição é a principal responsável
Para compreender melhor esta definição de educação como um processo histórico e so- pela formação dos jovens para sua integração ao mundo social adulto na modernidade. Se,
cial de formação humana, tomemos como referencial os escritos de Marx (1993) no mais im- em períodos históricos anteriores, a família foi a principal responsável pelo processo de
portante de seus textos sobre a concepção de homem: os Manuscritos Econômicos e Filosó- formação dos sujeitos para a integração na sociedade, a modernidade – com suas profundas
ficos. Ali, este pensador desenvolveu uma concepção de homem como ser natural, universal, transformações – buscou uma nova instituição que se responsabilizasse pela formação hu-
social e consciente. Isto é, embora ao nascer, ele conte com uma base biológica, natural, para mana para este novo modo de organização da vida social: a escola.

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segundo ainda Até o século XVIII. uma exigência humana – individual e coletiva – e a escola foi. p. 1981. Foi a partir da segunda me. De para o fato de que não existe uma função única. Se do ponto de vista sócio-histórico a escola é uma instituição moderna. como ilustração a classe social: ambas nasceram ao mesmo tempo. Ariès desenvolveu também a tese de que a escola é uma instituição da so. portanto. algumas funções. a educação no interior da instituição social chamada escola. No século XIX. a infância se limitava ao período inicial da vida no qual seu próprio conjunto de valores e interesses sociais. em geral. p. tal como a entendemos hoje. Isso significa di- a criança dependia do constante cuidado do adulto. (ARIÈS. qual a nas escolas. 1981. ideologias e intenções dos diferentes grupos sociais que disputam seu lugar na tanto moral quanto intelectual. 165). que o capitalismo consolidou-se. como pode ter como Segundo este autor. 3 4 . em que cada ramo correspon- dia não a uma idade. A dilatação do período da todos. Muitos estudos sobre a função da escola têm refletido sobre o antagonismo destas três classes (o que constituiu a primeira subdivisão no interior da população escolar). 156). Do pon. essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto. e as necessidades de uma pedagogia nova adaptada a classes menos nume- to de vista econômico. foi a preparação para essas novas relações sociais que modificou correspondia às condições sociais. evitavam a academia e se uniam sem delonga às tropas social “escolhida” pela humanidade para cumprir esta tarefa. 1981. mas a uma condição social: o Liceu e o Colégio para os burgueses (o Se. 194). a aristocracia perde o poder político para a burguesia urbano-industrial. pouco mais sistematizado. hierarquia social. a escola assume o papel de uma instituição educativa significativa na sociedade para Existe. assim como a sua correlata: a infância. no modo de produção. 177). desde a antiguidade. uma instituição educativa a serviço de ingressava no mundo dos adultos não se distinguindo mais destes. a instituição noravam o colégio. reprodutora e transformadora. desta tese. Lembremos que os estudos sobre o papel da escola. Do ponto de vista político de uma correspondência cada vez mais numerosa entre a idade e a classe e social. criou-se a separação dos estudantes por 1990). historicamente. embora o núcleo principal da escola fosse constituído de também a organização do processo de formação humana. resultaram. em lugar de limitá-la a alguns apenas SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO tade do século XVIII. nem mesmo pelas peque. graças a uma disciplina mais autoritária. função específica da escola atualmente? Portanto. no fim do século XVIII. 1981. somente na moder- nidade. os alunos a série completa de classes. ou ainda. A partir desse limite. mãe ou ama. passava pelo colégio. Assim. p. 188). mesmo jo. ainda uma outra classe: os trabalhadores (ou operários). entendimento da vida e da sociedade. na fixação em grandes proporções. portanto. moderna. a distribuição da escolaridade não função da escola no processo de formação humana nas sociedades atuais? Se a educação é se fazia necessariamente segundo o nascimento. contribuindo assim para “transformá-la” (LUCKESI. o hábito de impor a todos modo de produção – base da organização social – o capitalismo. um notável sincronismo entre a classe de idade moderna e a organização do processo educativo socialmente representativo. tério para formação das classes foi o grau de capacidade. os estudos da sociologia da educação apontam para a ideia de que desse modo. (. 1981. diz respeito A escola foi “um meio de isolar cada vez mais as crianças durante um período de formação aos valores. de adestrá-las. mas o cri. apontam ciedade moderna. e. Isso tudo implicou em profundas modificações nas práticas sociais. A forma como se realiza o processo de formação humana na sociedade infância foi correlata de uma transição da escola que durou do século XV ao século XVIII. Então. p. não a idade. em especial. caracterizadas por idade ocorreu somente no século XVIII: pela ascensão da classe social denominada burguesia e a implantação na Europa de um novo A regularização do ciclo anual das promoções. elegendo a escola como principal indivíduos oriundos das famílias burguesas de juristas e ligados ao clero. interesses antagônicos e contraditórios – cada grupo social compreende este papel segundo vem” (1981. igualmente. mediar a busca de cléricos de diferentes idades.. a escola era destinada a um pequeno número de objetivo “reproduzir” a sociedade na sua forma de organização. separa-la da sociedade dos adultos” (ARIÈS. Na idade média. consensual. culminaram com as revoluções do século XVIII. p. temos algumas manifestações de um processo educativo um secundário) e a escola para o povo (o primário)” (ÁRIES. na sociedade moderna. surgindo (ARIÈS. tes idades e a exclusão das mulheres . o qual nos acostumamos a chamar de escola. na modernidade. Muitos jovens nobres ig. a distinção entre população escolarizada e não escolarizada não a tese de Enguita (1989). Pode ter o obje- tivo “redentor” de salvar a sociedade da situação em que se encontra. com a Revolução Industrial. funções: redentora. 192). A criação das classes no final da Idade Média. na idade média. um trecho de Áriès no conhecido História Social da Criança e da Família: e no mesmo meio: a burguesia (ÁRIES. em uma sociedade contraditória – uma sociedade de classes com infantil. “escola única foi substituída por um sistema de ensino duplo. ela zer que a escola não é uma instituição social neutra. A abertura da escola aos demais manteve a mistura de diferen. como podemos considerar a em campanha. que “corresponde à consciência da particularidade mos.) Ainda no século XVII. geração de lucro e acumulação de capital. no início do século XIX. Lembremos que as profundas modificações nas formas de organização das sociedades. Vejamos. Se vive- acordo com o “sentimento da infância”. a instituição preparatória para a vida social. culturais e políticos. universal da escola. porém.. Nem todo mundo. tem início um processo intenso e contínuo de exploração do trabalho rosas e mais homogêneas. a educação escolarizada nestas sociedades tem. p. Mais tarde. então.

a função de reproduzir a desigualdade social que caracteriza esta sociedade. baseada em volumosas e importantes pesquisas com levan- educação emerge aí como um instrumento de correção dessas distorções tamento de dados empíricos sobre a realidade escolar. consti- tui um desvio. pela educação. a escola. do ponto de vista da formação humana. apresen. legitimava as práticas sociais das classes dominantes. um fenômeno acidental que afeta individualmen- sos obstáculos de ordem social e cultural (BRANDÃO. é social organicamente ligada a esta sociedade. Contrariando a ideia da escola enquanto espaço social democrático e eman- dade é concebida como essencialmente harmoniosa. mas exerce um papel político nesta formação. que está a serviço dos interesses contraditórios que definem a constituição mos também para análise a proposta transformadora da escola. que esse papel de “redentora” da sociedade. Até hoje. de instrumento de equa- da educação: lização. mas comprometida com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Herbert Gintis (USA). fornecendo instrumentos que de forma marcante e de acordo distorção que. existente – como a analisada e denunciada pela sociologia reprodutivista – a educação trans- formadora consiste em uma proposta que parte do desafio de construir uma escola que este- Por outro lado. e assim. Samuel Bowles. não enfrentam – no sentido de sua formação descomprometida com as formas organizativas da sociedade. nas relações entre a educação e a sociedade: dança em sua situação social. A partir de Bourdieu. ela se constitui como um dos principais paradigmas para os estudos sociológicos Analisemos. traze- desta sociedade. Bourdieu é. particularmente. tornou-se praticamente impossível analisar as desi- da desigualdade social? 2. Louis Althusser (França). Isso significa dizer que a educação. As perguntas aqui são: 1. eventualmente. no que diz respeito à formação dos a constatação de que a escola não transforma diretamente a sociedade. de característica definidora da sociedade capitalista moder. 4). te um número maior ou menor de seus membros. a educação. como sustentar a tese das teorias não críticas de sujeitos. simplesmente. na prática social. como frutos das diferenças naturais terísticas – definidora. o que. para a compreensão das relações entre os sujeitos sociais. realizam o movimento de transformação. 5 6 . A maior contribuição destes sociólogos da educação foi denunciar o papel legitima- tado no conhecido Escola e Democracia – com todas as polêmicas que ainda gera –. que tem caráter fortemente crítico. tem a especificidade de. como instituição O ponto de partida da educação transformadora. a compreensão da educação escolar na sociedade capitalista dos anos sessenta do século XX. Assim. mas um papel com- SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO superação – o problema da marginalidade (o problema em estudo). conforme o autor. Nesse sentido. não é neutra. 2008. A Essa análise sobre a escola. uma mu- pensar e agir. no sentido a educação e a sociedade nestes estudos é a desigualdade social. a desigualdade social – e. em instrumentos de luta no en- Christian Baudelot. criou novos referenciais teóricos para (SAVIANI. mas de compreender que a instituição escolar é uma instituição que emerge Se essa Sociologia denunciou o papel de legitimador das desigualdades sociais. 2008. a educação escolarizada tem o papel social de garantir a construção de A grande contribuição da Sociologia da Educação de Pierre Bourdieu foi. Isto é. em particular a escolarizada. 2002. social e politicamente. 101). a marginalidade – é concebida como uma os escolares. A sem dúvida. eleita por nós. Dessa forma. p. pois. pois. sociedades igualitárias. mas instrumentaliza sujeitos sociais. a de ter fornecido as bases para um rompimento frontal com a educação e. uma vez que não dava possibilidades reais para que o aluno transpusesse os diver- A marginalidade é. garantir a apropriação de Claude Passeron (França). NOGUEIRA. O estudo empreendido por Saviani (2008) sobre as bases teóricas da educação. a Sociologia bourdieusiana buscava mostrar que essa instituição (SAVIANI. é necessário impossibilidade teórica e prática das propostas educativas denominadas por ele como “teorias compreender que a escola não tem apenas o papel de formação dos sujeitos sociais. contribui. não a serviço dos grupos dominantes da sociedade no que diz respeito à preservação dos cipal responsável pela formação dos sujeitos sociais na modernidade tem assumido. a escola reforçaria a desigualdade. segundo privilégios. “a socie. tendendo a integração de seus membros” cipador. Esse tema foi particularmente estudado pela sociologia de Pierre Bordieu. de corrigir essas distorções eventuais. a escola. pudessem garantir o sucesso escolar. no entanto. como instituição social. elementos da cultura que se transformem. consequentemente. uma não-críticas da educação”. p. 2009. ainda. na prática social. Roger Establet (França). frentamento da desigualdade social. de correção das distorções que. uma distorção que não só pode como deve ser corrigida. a principal referência nestes estudos: que a educação escolarizada é um instrumento de equalização social? Neste sentido. Essas teorias. pode ser superada. concluir que essa tarefa – de superação das desigualdades – é impossível para a escola pela sua magnitude. encontramos na sociedade moder- na. como instituição social prin- ja. Ou seja. as análises sociológicas dedicadas ao seu estudo.15-35). Diante desta característica de seu comprometimento – do ponto de vista da reprodução ideológica – na formação dos definidora da sociedade capitalista moderna. fundante – da sociedade capitalista moderna? Não se trata aqui de entre os indivíduos (NOGUEIRA. Mais do que uma realidade da sociedade capitalista moderna como sociedade desigual. Longe de equiparar na. p. p. para reproduzir a contradição de classes inerente à sociedade capitalista os sujeitos que. A desigualdade social não é uma das mais importantes carac- gualdades escolares. Esse é o caráter “redentor” desta forma de com a necessidade. Lembremos que uma das prometido com a dinâmica social dominante. a escola moderna. 4). em sua tarefa de formar mais importantes categorias de análise. define. analisa a dor da desigualdade social que assume a escola em nossa sociedade. a superação ideologia do dom e com a noção moralmente carregada de mérito pessoal. Jean. por si.

. entanto. mas mentou um sistema de ensino centralista. entre todos os deveres do Estado. Propunha tam- princípios da educação burguesa. era a escola única (significando igualdade de oportunidades). a educação é o maior. de conscientização necessário para a organização igualitária da sociedade brasileira.defendida no Manifesto em contraponto à escola da séries (artes industriais). exigência do modo de produção capitalista moderno industrial. Em defesa da escola sua origem na modernidade. acompanhado pelo crescimento econômico do capitalismo industrial. essa proposta difere frontalmente daquelas que consideram conjunto de industrial. que concebe a educação como um processo de instru. Por outro lado. No mais importantes representantes desse movimento de educação popular no início dos anos sessenta é Paulo Freire com a pedagogia libertadora. Um dos educacional em defesa da escola pública e de um sistema nacional de educação pública. podemos considerar como marco histórico do surgimento da escola pública o Ma. Para os Pioneiros.pública . compreendida como apropriação – do saber elaborado pela cultura. tematizado” (SAVIANI. Nesse Saviani (2007) faz uma cuidadosa análise do Manifesto considerando-o heterogêneo e momento. que a Reforma Capanema manteve. ao mesmo tempo.] uma instituição cujo papel consiste na socialização do saber sis. O conhecimentos – clássicos e científicos – como desnecessários (porque comprometidos com pacto com a Igreja. Nesse sentido. 2005). O investimento financeiro na educação subiu para 12% dos recursos da União. Isso significa afirmar que a educação escolar tem como prin- Todos estes embates ocorreram no início dos anos trinta do século XX.. podemos encontrar nele a marca da dualidade: a escola teria função homogeneiza- mentalização dos sujeitos para a prática social transformadora. burocratizado. mas nos sociopolíticos era extremamente conservador. Em uma perspectiva crítica. Esse Manifesto foi não ficou restrito aos educadores empolgando a opinião pública: a imprensa católica e a im- mais um documento de política educacional do que um documento didático-metodológico. liberal-pragmatista e socialista. pois a Reforma Capanema regula- realidade. viani (2007): liberal-idealista. tinha uma abordagem de “renovação os grupos dominantes) para a formação de sujeitos. dualista (diferenciando fortemente ativa. gratuita (sob a total responsabilidade do Estado). realidade social na qual ele atua. A estrutura criada na história da educação brasileira a defesa da escola para todos. como encontramos muitas vezes na literatura pedagógica. pois expressa princípios elitistas e. prensa leiga fomentaram as discussões para o conjunto da população. universal e gratuita foi fortemente atacada pelos católicos que. o que é próprio da escola é a garantia da transmissão – não mecânica. além do curso normal para formação de professores). e durante o SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO cipal função promover a consciência dos educandos para a compreensão e transformação da Estado Novo (de 1937 a 1945) acirraram-se ainda mais. bém a valorização da formação de professores. com eles. Tendo como referencia a escola nova e a 7 8 . vinha vivendo um período laica (livre de doutrinas). tomaram Reforma Francisco Campos. as discussões em torno da Constituição de 1946 trouxeram de volta os Pio- sujeitos sociais se apropriem – de forma crítica e reflexiva – do saber elaborado pela cultura a neiros e. o Manifesto traz uma proposta de política de um novo setor da Igreja Católica. pública estavam três principais correntes do pensamento pedagógico brasileiro segundo Sa- No Brasil. a função social da escola (campo específico Os movimentos sociais populares do início dos anos sessenta trouxeram importantes da educação) explicitava-se pela sua organização como instituição social limitada na sua discussões acerca da organização do ensino e dos processos educativos. ensino médio (ginasial e colegial) e ensino superior. tendo as diferentes teorias educacionais como referência. Então. Essas medidas legais. Isso explica porque o Manifesto trouxe a público da forma mais veemente analfabetismo. o ensino secundário do profissional) e corporativista (criando no ensino profissional o ensino Neste sentido. vinculadas aos grupos sociais populares. um dos mais importantes foi a do ensino primário. anos) e para ambos os sexos. As defesas da cultura ação educativa pela pluralidade e diversidade das forças que concorrem ao movimento das popular e a da educação popular foram compreendidas como formas de garantir o processo sociedades. nos aspectos pedagógicos defendia novos métodos – inspirados na para exercer sua função transformadora no sentido de contribuir para a democratização da Escola Nova –. Com o fim do Estado sociedade. articulado em torno da Teologia da Libertação. considerando que. Essa proposta pressupõe que a escola. as discussões sobre a escola pública deram lugar a propostas de educação popular contraditório. isto é. da evasão escolar e do afunilamento do sistema de ensino. a no Brasil. Sua proposta estava plenamente A Lei n° 4024/61 – LDBEN – definiu a construção do Plano Nacional de educação integrada ao contexto social. a implantação do tempo integral nas 5a e 6a A escola para todos . é importante que o educador compreenda a complexidade da Diretrizes e Bases da Educação Nacional em 1961. Escola pública e desigualdade social identificando-a com a proposta comunista de organização da educação. nível superior (universitário). Igreja e Estado na responsabilidade educacional. conservadora”. contrapunham a A escola pública é a maior expressão da escola com instituição social. que consolidaram o ensino público. político e econômico da consolidação do capitalismo industrial em 1962. agrícola e comercial. Esses movimentos tiveram também a participação Como documento doutrinário da Escola Nova. Não basta para isso conhecer a realidade. as forças hegemônicas na comissão para elaboração da primeira Lei de qual pertencem. é preciso pensar O principal conflito vivido entre Pioneiros e Católicos no processo de elaboração da sobre ela. ainda mais importância no início dos anos sessenta. obrigatória (até 18 de redemocratização. princípios igualitaristas. a defesa da escola pública. Saviani define a função da dora dos indivíduos nos níveis primários e secundários de ensino e função diferenciadora no escola como sendo a de “[. aquela que tem hierarquia da Família. Centrada na figura de Anísio Teixeira. LDBEN foi entre a escola pública e a escola privada. desde 1945. cujo papel da escola estava voltado para a formação dos sujeitos sociais para esse política educacional a esse investimento articulada pretendeu enfrentar o grave problema do desenvolvimento. não pode abrir mão de sua responsabilidade específica que é a de garantir que os Novo em 1945. esse conflito nifesto dos Pioneiros Pela Educação Nova por seu conteúdo escolanovista.

ção Federal. não se consolidou como culturais. em busca da “educação que nos convém”: a aprovação da Lei 5540. essas posições críticas representavam traditoriamente desiguais a apropriação de conhecimentos. equacionou essa aparente prática social. Essas reformas. caracterizando o que a Socio- progressão no sistema e a qualidade da educação. mos o importante papel que o Estado tem na formulação e realização da escola pública. cional marcada pela inclusão-excludente. independentemente forças hegemônicas neoliberais avançavam no campo das políticas púbicas da educação. por outro. o período anterior ao golpe mi. principalmente no que diz res. esse controle recaiu sobre a ção que tem dimensão social. refere-se ao modelo econômico em desenvolvimento que exigia parte da população é excluída do processo de apropriação da cultura como instrumento escolarização da população. considere- dos processos de ensino propostos pela educação libertadora. por um lado. de outro lado. econômica e cultural. fundamentan. Os avanços quantitativos necessários na inclusão tamento nos processos de aprendizagem (behaviorismo). reflete o caráter contraditório que encontramos na sociedade capitalista mo- contradição pela expansão controlada. em especial transformador na prática social. ou seja. organizou o sistema de da economia. instrumento político da organização da educação no Brasil. gradualmente. Temos que. elaborada por um Congresso Constituinte apoiado pela população entusiasmada SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO litar organizava-se sob a ideologia do nacionalismo desenvolvimentista e desnacionalização com o fim da Ditadura e o início da redemocratização da sociedade. exigia o controle da escolarização. Esse peito ao processo de conscientização dos sujeitos educandos e. O governo autoritário. Essa situação se expressa de forma muito clara no processo de elaboração da nova Lei teúdos – na Pedagogia do Oprimido vemos a valorização da atividade para a conscientização de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB – que. ção da Constituição Federal. implica na preparação dos sujeitos sociais para esse modo de produ- um mecanismo interno de controle. frentamento ocorre quando a escola se organiza de modo a sistematizar a transmissão crítica A década de oitenta. embora essa seja uma tarefa contraditória. a formação de valores sociais e um setor que. Isso significa dizer que a discussões sobre a educação e a organização do ensino. ou seja. Podemos afirmar que a política oficial centrava-se na expansão maioria da população. enquanto se expandia escolar pode ser considerada como um processo que oferece aos sujeitos em formação um o atendimento à educação escolarizada pública pelo estado autoritário (quantidade). em especial. a educação ainda hoje. O clima de entusiasmo pela redemocratização 69 da Reforma Universitária e da Lei 5692-71 que organizou o ensino básico em 1º e 2º arrefeceu frente ao avanço da reforma do Estado inspirado na doutrina neoliberal. isto é. a escola pública expandiu-se. Essa aparente sária. tanto conceitualmente quanto na no interior da sociedade brasileira. durante a Ditadura Militar. conferindo uma linha político-pedagógica crítica e transformadora na organi. dos mais fundamentais instrumentos para o enfrentamento dessas desigualdades. o máximo de resultados com o mínimo de do neoprodutivismo (SAVIANI. A dualidade. cujos reflexos vivemos logia identificou como um papel reprodutor das desigualdades sociais. a preparação para o mundo do trabalho e para o desenvolvimento da prática social. das suas condições históricas. Essa abordagem fez com que a LDB aprovada (cuja organização popular sofreu um econômico. expressando algumas vitórias e muitas derrotas nas teses militar que marcou uma ruptura política com continuidade socioeconômica. política. expressou-se pela oposição quantidade-qualidade. traz a marca racionalidade. inspiraram-se na pedagogia tecnicista. No entanto. eficiência e produtividade. iniciado em 1988 com a promulga- política transformadora –. 2007). e por outro. isto é. Esse en- va-se. jovens e da educação escolar das tendências marxistas em defesa da escola pública. embora tivesse muita penetração entre os educadores. Esse é o sentido público da escola pública: servir aos interesses públicos. maior foco de resistência ao regime A educação escolarizada – a educação na escola –. as adultos. se expressa pelas blica na Constituinte atuou vigorosamente na elaboração deste capítulo da educação e seguiu reformas implantadas. tem o papel de garantir aos sujeitos com oportunidades con- na perspectiva crítica e transformadora. a renovação neoliberal da teoria do capital esforços na formação humana (investimento) que interessava ao regime político e ao modelo humano. consolidou-se na promulgação da Lei no 9394-96. O Fórum em Defesa da Escola Pú- do-se na doutrina da interdependência. portanto.teologia da libertação. expandiu a rede pública de ensino. a valorização papel se refere ao de assegurar escolas que facultem o acesso a todas as crianças. O reflexo direto disso. articulando a grande golpe no final de sua elaboração) se tornasse um instrumento para a política educa- organização racional (taylorista) do sistema de ensino brasileiro com o controle de compor. a qualidade. foi um período muito fecundo nas e reflexiva do saber elaborado historicamente pela humanidade. uma enorme contradição. então. bem como sua permanência em igualdade de circunstâncias. então. privati. defendidas pela mobilização em defesa da escola pública. pelo aprofundamento da crise de qualidade na escola pública. da população em idade escolar na escola pública. Essa contradição no conturbado governo Jango foi “resolvida” pelo governo ensino no Capítulo da Educação. no que diz respeito ao ingresso ao ensino superior. principalmente no que diz respeito à ênfase da atividade sobre os con. No entanto. Se por um lado. não foram equivalentes à qualidade neces- No entanto. hegemônico. na educação. aos interesses da zação do sistema de ensino. políticas e sociais. O pano de fundo das reformas foi a teoria do capital humano com seus princípios da A nova LDB. 9 10 . A Constitui- Marcado pela contradição entre ideologia e economia. do ensino e as forças contra-hegemônicas apontavam duas correntes distintas: a renovação Superando o senso comum em relação à escola pública e ao poder estatal. sobre a escola pública escola. Segundo Romanelli (2009). econômicas. esses movimentos tiveram fim no golpe militar de 1964. como instituição social. mobilizado na difícil elaboração da LDB. com o fim da Ditadura Militar. criando derna. graus.

Com essa avaliação. articulada a uma campanha pública de desvalorização social da sua imagem SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO e transporte – além de outros “bens comuns” –. O projeto do desenvolvimento popular cresceu no final da ditadura planejamento pedagógico com tendências a transformar os professores em meros reproduto. Essa Do lado da elaboração oficial das políticas públicas para a educação. mesmo se têm sido manipulados politicamente pelos Governos. mais de 90% delas estão nas escolas públicas –. posterga-se a políticas públicas deste governo. temos a exclusão e a dualidade trabalhistas conquistados no difícil processo de democratização da sociedade brasileira. o neoliberalismo – atravessou praticamente todo o século XX qualidade. desapropriados de direitos momentos da trajetória histórica da educação brasileira. está voltada mais para respon. que “lições” essa história nos traz? Lembremos que Lombar- interesses de formação plena do conjunto da população. como excludente e dual. eles flexibilizadora da responsabilidade do Estado em relação às políticas públicas. Se no início da organização do sistema nacional de ensino no médio no Brasil ainda é quantitativamente insuficiente para atender os jovens e adultos). o grande embate era entre a escola pública e a privada no que diz respeito à respon- significa. baixa valorização social da escola. uma tendência a minimizar e a permanência das crianças na escola de ensino fundamental (na medida em que o ensino direitos e responsabilidades. mas na forma da qualidade do ensino. Esse ataque consolida a instabilida- escolhas neoliberais que no Brasil definem as políticas públicas de saúde. Essa manipulação advém do objeti. agiu Os indicadores referentes à consolidação do ingresso da população na escola. veitada no sentido da formação dos sujeitos. mas por uma série de outros mecanismos que Romanelli (2009) chamou de dias atuais: o projeto liberal (ou neoliberal). se a escola pública no Brasil tem uma trajetória histórica marcada pela tardia escola pública no Brasil. marcadas pela fle- va. res de conteúdos estabelecidos pelos técnicos burocratas do ensino etc. A alternativa ao projeto neoliberal – o projeto de desenvolvimento econômico nacio- nal e popular –. Se a exclusão e a dualidade. de 98% das crianças brasileiras em neoliberal em curso contra os profissionais da Educação. “mecanismos internos de controle”. portanto. Brasil. têm sido. Dessa forma. nas últimas décadas. como hegemônico. professores pouco têm a contribuir para a melhoria da qualidade do ensino público. Saviani e Nascimento (2005) identificou na trajetória histórica da consolidação da escola timento” na Educação. nem tanto diretamente pela aplicação de percentuais orçamentários pública no Brasil três projetos de desenvolvimento da sociedade brasileira em disputa nos obrigatórios. sucesso quantitativo. no que diz respeito à responsabilidade do Estado em garanti-los. a desregulamen- burocratização provém do investimento em processos de formação e ação educativa com tação dos direitos sociais. com a idade própria para o ensino fundamental. moradia de profissional. sendo dignos de comemoração pelo conjunto da sociedade. as campanhas de substituição – direta e indireta – da definido uma escola pública menos pública. a Então. é tão sutil quanto eficiente e se expressa pelos mais diferentes indicadores: baixa versão mais contemporânea. com poucos períodos de interrupção. tiveram na discussão entre a escola pública e a privada sua expressão em alguns criativa ao trabalharem em condições de crescente precariedade. sabilidade da Igreja e do Estado. em detrimento da socialização do saber sistematizado. burocratização do processo de projeto mais conservador. Essa situação colabora também para o aumento da indisciplina e da menos inclusiva. tendências a transformar os professores e educadores em profissionais acríticos e simples atinge diretamente a escola pública. baixos salários dos professores. Isso significa uma escola menos democrática. também. o ataque titativo do ensino público – alguns dados indicam que. que afirma sua e o projeto do “desenvolvimento econômico nacional e popular”. desde a ultima década do século XX. Isso significa que aprofun- brem os índices de abandono e fracasso. derrubando e assimilando teses do ficientes de formação inicial e permanente dos professores. De impacto muito negativo para a qualidade da escola pública é. a análise do funcionamento do sistema nacional de ensino. no modelo de modelo de desenvolvimento econô- garantam aos estudantes os instrumentos indispensáveis ao exercício de uma cidadania ati- mico e social que o Governo Lula deu continuidade. docentes e não docentes. O processo de privatização do ensino. sofrendo em se desobrigar do cuidado com a qualidade ao assumir como política pública o ingresso uma tendência privatizante. ao chegar ao poder pela expressiva votação do atual Presidente Lula. cujos “gestores” insistem xibilização dos direitos e da responsabilidade do poder público com sua garantia. di. históricas na organização executores de tarefas pré-estabelecidas. urgente necessidade de alcançar níveis de aprendizagem e formação mais consistentes que As políticas públicas da educação. implantação de um sistema nacional de ensino caracterizado. hoje. É visível o progressivo “desinves. uma perda irreparável de dinheiro e uma oportunidade social mal apro. o investimento de recursos públicos na educação. enco- de forma radicalmente diferente daquilo que vinha buscando. tenham dou ainda mais o ajuste neoliberal da economia globalizada. as supressão de aspectos fundamentais das suas carreiras. Embora estes índices. está centrada na qualidade da escola pública e da privada. educação. expressas ainda pela oposição escola pública e privada. na prática. hoje. O projeto liberal – em sua dualidade. neste texto. considerarmos as contradições – cada vez menores – que existem nos espaços de gestão das vo de realizar uma avaliação essencialmente estatística. políticas ine. Nesse sentido. e consolidou-se no início dos anos 1980. pois voltada principalmente para a certificação e o registro estatístico do violência nas escola. por exemplo. ação docente na escola). consolidando uma perspectiva baixado significativamente. Embora seja fundamental reconhecer a importância política e social do avanço quan. nos diferentes momentos histó- der aos interesses dos grandes grupos políticos e economicamente hegemônicos do que aos ricos. o projeto do “desenvolvimentismo conservador”. e na responsabilidade da Ao burocratizar o exercício da profissão docente. a formação e ação educativa dos sociedade em sua garantia. Esses profissionais perdem sua capacidade crítica e do ensino. orientada pelas políticas neoliberais. 11 12 . Flexibilização significa. têm (para isso colaboram.

Essa a construção de uma sociedade mais justa. NI. políticos e sociais que os move. dos e valores constituintes. seus princípios eram de racionalidade. escola”. a existência ainda significativa de professores leigos – inclusive em sua mais especial na escola pública. sua formação plena para dirigir sofisticados processos de ensino e aprendizagem que seu componente mais estritamente econômico. vejamos como os professores. mas como responsabilidade da iniciativa privada e das organizações não-governamentais. o papel de problematizar esse mesmo mundo atual. os professores eventuais – e a valorização dos programas com educadores vo. eficiência e pro- dutividade sob o controle direto do Estado. mação permanente” dos sujeitos educandos. Então. cujos fundamentos estão na pedagogia pela formação humana que interessa ao projeto de sociedade que queremos – ou não queremos das competências. por exemplo. da Compreendida a educação básica – e o ensino – não como direito social. isto é. reconhecemos sua inserção é injusto e desigual. mais democrática. humana que pretendemos. e nele atuar de forma adaptadora. à compreensão pragmática da experiência docente. tecnicismo. uma escola que traçam parâmetros e diretrizes curriculares para a educação básica. seus conteú- nova versão. a globalização da economia – trouxe novas garantam a apropriação crítica e reflexiva da cultura elaborada na perspectiva de formação exigências. expresso particularmente pela teoria do professor reflexivo: os saberes docentes tir sobre a estrutura e o funcionamento da escola pública como instituição social responsável centrados na experiência cotidiana. iden- pregnada pela doutrina econômica neoliberal e construída pela lógica do neoprodutivismo na tificada por Lombardi.3% das definiu como neoescolanovismo. Nesse enfrenta. Outra dimensão importante da flexibilização da educação como direito de todos. quando buscamos identi. Se por um lado. o “aprender a aprender” que. – crítica – dos sujeitos sociais. é “for- matrículas da educação básica. Esse é um fato histórico de enorme importância. Saviani (2007) analisou essa privatização do pensamento pedagógico. agora também. Isto é. o avanço neoliberal – e sentido. as novas formas de produção. A política de contratação de professores tecnologias. problemas a serem resol- processo de apropriação de conhecimentos sistematizados da cultura elaborada. que o aluno tenha competência em diversas clamada educação continuada desses professores. aos valores éticos e políticos das elites dirigentes: individualismo. Isso do profissional da educação diante deste quadro e das exigências do mundo atual? não significa que. assumem. sua “tarefa” filosófico–política é a de assegurar 13 14 . trutivismo. SAVIANI. enquanto a rede pública recebe 86. ressignifica-se também o cular de forma a consolidar a dualidade histórica da organização da educação brasileira. 2005. também ressignificados. fundamentado na teoria do SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO capital humano. mas poderosa do ponto de vista econômico e político. Vejamos algumas das consequências disso identificando quatro categorias (provisórias). a qualidade de ensino é um “valor agregado” à investimentos públicos pelas parceiras público-privadas. diz respeito – construir. Como fica. para a grande maioria. diz respeito à “privatização do pensa- educação – como um serviço a ser prestado e adquirido no mercado (LOMBARDI. SAVIA. permitindo. visando questioná-lo e transformá-lo de forma a contribuir para luntários na escola são reflexos dessas referências na organização da escola pública. “interessada” na manu- ficar os protagonistas dos tão conhecidos programas como “adote uma escola”. busca organizar o ensino a partir da necessidade de formação humana para para a educação básica. à escola pública o caráter democratizante e democratizador. antes a qualidade que lhe conferem está diretamente relacionada na democratização da sociedade aristocrática e na origem da modernização das sociedades aos interesses imediatos. também flexibilizadas. os princípios da Escola Nova. pseudoparticipação dos grupos sociais privilegiados na forma do voluntariado em busca de Aqui também cabe o raciocínio de que a escola pública precisa evoluir enquanto ins- qualidade na escola pública pode ser compreendida. Nesse sentido. parcela da pretendida refere-se às capacidades e competências presentes e expressas nos documentos população há uma escola privada de melhor qualidade e. transforma-se em uma formação li. ele aparece sob o controle do mercado. não significa uma formação instrumental. haja garantia de qualidade na educação como formação A escola pública é uma conquista que tem suas origens na Revolução Francesa. tornando-a mais atrativa para aqueles que podem comprar seu produto. De direito social de todos. principalmente. nos comportamentos flexíveis e na responsabilidade individual. concerne à atualidade de seus conteúdos. a escola inserida neste mundo tem o papel de preparar o aluno para conhecê-lo para práticas sociais mais conscientes e consequentes. NASCIMENTO. “amigos da tenção do um modo de produção capitalista moderno que. a rede privada de ensino no Brasil é responsável por 13. Saviani e Nascimento (2005). isto é. pois confere competição. No entanto. encontramos o neocons- pensar em políticas públicas de educação escolarizada no nível básico no Brasil significa refle. a educação é compreendida pela ideologia dominante – im. de mediadores no não a exime de problemas também historicamente incorporados. O neoprodutivismo. “padrinho da escola” etc. segundo os dados do Censo Escolar de 2008. pública de menor qualidade. Assim. Isso significa que a formação escolar Para uma pequena. sua origem histórica No que diz respeito à escola pública. Uma das críticas que esta escola na lógica hegemônica da organização da sociedade. As críticas a essa forma de organização das relações sociais veem na escola. o papel da escola e escola privada. tituição social. consumismo etc. por definição material e histórica. Se na década de setenta. A reflexão aqui. reduzindo os “mercadoria” a ser “adquirida” no mercado. Para isso. como capitalistas e industriais.7% dessas matrículas. a escola prepara os sujeitos para atuar de forma a geira e superficial. Para tanto. 2007). o papel de prestadores de serviço. aprimoramento. Faz-se necessário que a escola pública contribua na formação plena de classes e os interesses econômicos. constituem-se no que ele publicados em janeiro de 2009. mais igualitária. vidos e questões teóricas e práticas a serem exploradas. agora. Essa situação é enfrentada pela sociedade em geral e pelo poder público em parti. Identificados os protagonistas. se adaptar às exigências desta doutrina de organização da sociedade e contribuir para seu Chauí (2004) faz importante análise do sentido neoliberal e neoprodutivista da pro. em substitutos. na escola privada. Como terceira categoria. então. Lembremos que. mento pedagógico”.

NASCIMENTO. D. o conjunto da produção humana (SAVIANI. 2009. C. Campinas: Autores Associados. SAVIANI. 2005. História das ideias pedagógicas no Brasil. M. D. Campinas: Autores Associados. A pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. Portanto. 2009. I. 23. M. seja do saber sobre a natureza. D. Campinas: Autores Associados. MARCHI-JR. 2008. Para uma sociologia da educação: considerações a partir da obra de Pierre Bourdieu. 2002. hábitos. Educação e Sociedade. ed. O. In: LOMBARDI. 34. História social da criança e da família. M. G. NOGUEIRA. M. C. em cujo bojo se encontra o que há de mais universal e permanente das produções humanas e que.l]: Edições 70. Educação Escolar: que prática é essa? Campinas: Autores Associados. Manuscritos económicos-filosóficos. M. 2001. O. A. M. o que significa garantir a apropriação crítica do conjunto da produção humana. Escola e democracia. * Texto produzido especialmente para a disciplina Sociologia da Educação do Curso de Pedagogia oferecido pela UNESP através da UNIVESP-TV. 9. de superação da desigualdade social. n. 1993. Campinas: Autores Associados.. trata-se da necessidade da escola pública de assumir sua tarefa.. ed. Referências ARIÉS. Intelectuais do século XX e a educação no século XXI: o que pode- mos aprender com eles? Marília-SP: Poiesis Editora.F. histórica e política. In: BRANDÃO. 1989. A sociologia da educação de Pierre Bourdieu: limites e contri- buições. L. In: LOMBARDI. Numa palavra. Bloco1 Módulo 2 Disciplina 9 Formação Geral Educação. Filosofia da Educação. Vozes. Campinas. somente essa escola é capaz de garantir para o conjunto da população. ed. C. ENGUITA. seja do saber sobre a cultura. a escola. M. 40.a cultura clássica. 12). 2007 SAVIANI. A escola pública no Brasil: história e historiografia. [S.. p. C. Rio de Janeiro: Zahar Editores. J. valores. Indicação de leitura: SAVIANI. e NOGUEIRA.. P. Escola pública brasileira na atualidade: lições da história. de realização de seu caráter público no sentido amplo e complexo de instituição pública de educação. p. S. considerada as condições de desigualdade de nossas sociedades modernas. 2-4. trata-se da produção do saber. 15-35. K. D. D.. v. será efetivamente pública se for capaz de trazer SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO para seu interior a responsabilidade de formação plena dos sujeitos. C. ou seja: Trata-se aqui da produção de ideias. abr. p. símbolos. C. SAVIA- NI. D. de equalização da sociedade. conceitos. C. 78. M. SAVIANI. MEDEIROS. C. C. História da Educação no Brasil. Porto Alegre: Artes Médicas. p. São Paulo: Cortez. NASCIMENTO. atitudes. A escola pública no Brasil: história e historiografia. História da escola pública no Brasil: questões para pesquisa. Em síntese. RIBEIRO. ed. 2005. M. MARX. Cultura e Desenvolvimento Educação Sociologia da Educação 15 . SAVIANI. I. habilidades. 1981. 2005. Petrópolis. isto é. FRIGOTTO. LUCKESI. A face oculta da escola. W. 1990. 2. J. 2005. 99-119. Campinas: Autores Associados. ROMANELLI. articulando o novo com a tradição.