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CLAUDINEI SANTOS SISNER
FABIANA REGINA BORELLI
LUIZ CECÍLIO BOLOGNESE
LUCAS GARCIA
WAYNER SUSSUMU HASHIMOTO

A EDUCAÇÃO FISCAL COMO FORMA DE APROXIMAÇÃO DO
CIDADÃO COM O FISCO E CONSEQÜENTE PARTICIPAÇÃO
NO ACOMPANHAMENTO DA APLICAÇÃO DOS
RECURSOS PÚBLICOS

Monografia apresentada ao curso de Pós-
Graduação em Gestão e Planejamento Tributário
da Fundação Getúlio Vargas – ISAE/FGV, como
requisito parcial para obtenção do grau de
Especialista.

Orientador: Profª. Denise Basgal

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LONDRINA
2004

“Ensinar a todos porque o homem tem
necessidade de se educar para se tornar
homem.”
Comenius

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RESUMO

No presente projeto, aliado a uma exposição acerca do significado do tributo ao
Estado e à sociedade, da evolução do sistema constitucional tributário e das
garantias asseguradas aos contribuintes, é defendida a tese de que ainda existe a
necessidade de um aprimoramento nos mecanismos de arrecadação e de combate
à sonegação fiscal, pois, não obstante o poder coercitivo do Estado de exigir tributos
em favor de toda a sociedade e o dever desta em participar e controlar a atividade
estatal, tem-se que ambos os aspectos da relação tributária demonstram-se
passíveis de um aperfeiçoamento, cujo objetivo é uma proposta de elaboração e
instituição de um programa de Educação Fiscal ao Estado e aos cidadãos
contribuintes.

PALAVRAS CHAVES

Educação Fiscal, Tributos, Participação Popular, Cidadania, Democracia,
Controle e Fiscalização

whose objective is a proposal of elaboration and institution of a program of Fiscal Education the State and the citizens contributors. of the evolution of the constitutional system tributary and the guarantees assured to the contributors. Popular Participation. Control and Fiscalization . not obstante the coercitive power of the State of demanding tributes in favor of all the society and to have of this in participating and controlling the state activity. 4 ABSTRACT In the presente project. Tributes. is defended the thesis of that still there is the necessity of an improvement in the mechanisms of tax revenue and tax evasion combact. therefore. KEY WORDS Fiscal Education. Democracy. has if that both aspects of the relation tax demonstrate if passíveis of a perfectioning. Citizenship. allied with a exposure about the meaning of the tribute of the State and the society.

................................................4.....................54 3.....................................................34 2............17 1....32 2..................4............56 3....................1 Divisão indireta.......................................................... BIBLIOGRAFIA...................................................................................................................................................................................2 A HISTÓRIA DO TRIBUTO NO BRASIL...................23 1............................................49 3............................11 1.......................................2 Histórico da Cidade de Londrina........4...........26 2 A ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA FISCAL E TRIBUTÁRIA.......59 4............5 A FUNÇÃO SOCIOECONÔMICA DO TRIBUTO.....12 1.............................................4 Pressupostos Filosóficos.......................................................2 Repartição direta..........................66 5 SENSIBILIZAR E EDUCAR OS CIDADÃOS....................................................1 TRIBUTO.......................................................................2.............................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO...............................70 6..................................59 4...............57 4 O CONCEITO DE CIDADÃO E CIDADANIA E A FORMA EFETIVA DE FISCALIZAÇÃO E CONTROLE DA APLICAÇÃO DE RECURSOS................................10 1............ CONCLUSÃO .................................................................62 4..............6 Funções dos Órgãos Municipais.............................3 METODOLOGIA......................................................................................................... PROPOSTAS DE AÇÕES PARA ORIENTAÇÃO À POPULAÇÃO....................................................... 5 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................10 1......1 JUSTIFICATIVA......45 3 O DESENVOLVIMENTO DA RECEITA MUNICIPAL E A BUSCA DA CONSCIENTIZAÇÃO DA POPULAÇÃO....................2 Objetivos Específicos......................................4 ORGANIZAÇÃO EM ESTUDO..4...............9 1............41 2.......4 A IMAGEM DO TRIBUTO NO BRASIL..................24 1.2................2................32 2................................................................................................3 A FUNÇÃO DO TRIBUTO NA SOCIEDADE.2 POLÍTICA DE INCREMENTO DA RECEITA TRIBUTÁRIA.....................2.........................................10 1..................................... ANEXO...............12 1................1 APLICAÇÃO DE RECURSOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA............................................................4..........1 Objetivo Geral..2 A CIDADANIA NO PROCESSO DE EDUCAÇÃO.................................................................3 Estatísticas..........................................................3 OS GASTOS PÚBLICOS E O CONTROLE E FISCALIZAÇÃO DA ARRECADAÇÃO..1 Apresentação..............................................................5 Estrutura.........4......ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.............2 OBJETIVOS.................................................79 7...........7 1......1 DIVISIBILIDADE DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS........................................ VISANDO MINIMIZAR AS CAUSAS DO NÃO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.............................14 1.......... ....................................39 2.55 3....................

11 ................. 6 LISTA DE TABELAS E QUADROS Quadro 1 – Prefeitos Municipais de Londrina (1934-2004)........................

a partir do momento que fomenta informações a todo o canto do país. fazem com que a população possa se aproximar da administração de sua cidade. transparência na prestação de contas. Essa característica deu um novo entusiasmo à administração pública que leva a sociedade e lideranças políticas a valorizarem ainda mais a participação no processo democrático. incentivada por leis recentemente aprovadas e pela insatisfação geral da sociedade. . Atualmente. entre outros. audiências públicas. estado e até mesmo do país como um todo. Muitos deles advindos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Inicia-se o processo de democracia participativa. reconhece-se a necessidade de implantação de mecanismos que propiciem a participação da sociedade e sua colaboração com a gestão da coisa pública. Os meios de comunicação são hoje ferramentas fundamentais na disseminação dessa cultura participativa na sociedade. Diante deste contexto. 7 1 INTRODUÇÃO O modelo de organização pública tem hoje que se adaptar às necessidades impostas por mudanças no ambiente sócio político. surgem diversas manifestações e mecanismos com vistas a suprir tal necessidade: a implantação do Orçamento Participativo.

a forma como se desenvolve a receita do município. no Ensino Fundamental e Médio. o papel do cidadão nessa perspectiva. direitos e deveres do cidadão. inclusive com cartilhas de orientação pedagógica. etc. Este projeto apresenta a função sócio-econômica fiscal. este seria o foco do programa. Busca-se através do presente trabalho. palestras. vídeos. a quem caberia organizá-lo e desenvolvê-lo. A Educação Fiscal tem como principal objetivo a formação de a consciência do papel de cidadão na criança. afim de se atingir a sociedade como um todo. apresentar uma proposta de aproximação das relações entre o Fisco e o cidadão. Estado. bem como em relação à função do Estado em administrar tal arrecadação. Programa este que seria de responsabilidade da Prefeitura. cidadania. Tendo em vista que o principal recurso arrecadatório do município advém do tributo. em especial o tributo. no jovem e no adulto. familiarizando-os com os conceitos de sociedade. tributos e sua função social. as causas e conseqüências da sonegação fiscal e finaliza com uma proposta de implantação do Programa de Educação Fiscal para o município de Londrina. 8 Nesse sentido surge a proposta de implementação de um Programa de Educação Fiscal para o município de Londrina. que objetiva esclarecer aos . onde as propostas se concentram em alternativas de conscientização do contribuinte no que se refere ao pagamento do tributo.

1 Justificativa A inserção dos valores acerca da Educação Fiscal e o alcance de um grau de consciência de tributação da população começam na família e tem continuidade na escola e na sociedade em geral. alimentar uma passividade que tem muito . 1. com maior impacto junto a toda a população. com isso. os quais devem ser revertidos em prol da população. É necessário que se faça uma abordagem mais ampla e incisiva. Mas não bastam apenas ações pedagógicas junto à população em idade escolar. buscando a concepção de uma sociedade mais esclarecida e participativa para o município de Londrina. o poder arrecadatório da máquina estatal deve ser traduzido em uma relação amistosa. Pretende-se. combatendo a evasão fiscal e sensibilizando-os sobre o papel do Estado e as obrigações e direitos do cidadão. demonstrando a toda a população os benefícios do Estado equilibrado. A contribuição tributária ainda não está consolidada como obrigação individual e as pessoas não se empenham em acompanhar os meios e os resultados da aplicação dos recursos públicos. Muitos estão acostumados a creditar ao governo uma função paternalista e. Para tanto. a alta administração da Prefeitura no sentido de que o programa seja adotado a médio e longo prazo. 9 contribuintes e a sociedade em geral acerca das funções estatais.

apenas utiliza a contribuição do povo para exercer suas funções. Para que sejam adotadas novas atitudes e comportamentos. Falta compromisso e ação.2 Objetivos 1. buscando alcançar um possível aumento na arrecadação. Identificar e descrever a função sócio-econômica do tributo. 1. mas nada fazem para se certificar sobre o assunto.1 Objetivo Geral Propor ações educativas que levem ao exercício pleno da cidadania no que se refere a tributos municipais.2. atingindo segmentos internos e externos da Administração Municipal. Disponibilizar informações sobre a evolução da carga tributária municipal buscando a conscientização da população. 1. 10 pouco de cidadania. O governo não fabrica recursos. 2. . outros alegam não confiar na aplicação dos tributos.2. Falta valorizar a participação e mesmo reconhecer o direito e o dever de participar.2 Objetivos Específicos 1. O povo nomeia seu governo e precisa estar atento para acompanhar a administração dos bens públicos. é fundamental que se desenvolva a Educação Fiscal.

Tal afirmação é corroborada por MARCONI e LAKATOS (1999). Disponibilizar mecanismos que propiciem melhores condições para atuação fiscal em suas ações de orientação e autuação. além de legislação pertinente. Buscou-se a utilização de dados secundários. 1. os resultados buscados para determinados questionamentos. almejando oferecer subsídios para aplicação dos resultados. Destaca-se a importância da realização deste tipo de pesquisa no sentido de embasar teoricamente. com o intuito de estudar as possibilidades de implementação de um programa de Educação Fiscal no município de Londrina Procurou-se utilizar uma abordagem qualitativa baseada nos aspectos levantados no referencial teórico analisado.3 Metodologia A metodologia utilizada foi a pesquisa de caráter exploratório. através de estudos pré-existentes sobre o assunto e correlatos. Foram também pesquisados diversos sites de Internet. 5. revistas e periódicos e publicações sobre o assunto. . Evidenciar a análise de aplicação de recursos como forma de controle dos gastos públicos por parte da população. 4. Propor medidas que levem sensibilização e estímulo à população visando minimizar o índice de sonegação. 11 3.

1 Apresentação A Prefeitura do Município de Londrina teve sua fundação. uma vez que considera-se a criança membro fundamental em qualquer processo de construção social.4 Organização em Estudo 1. em 1929. O primeiro prefeito nomeado foi Joaquim Vicente de Castro. 12 quando afirmam que “Toda a pesquisa deve basear-se em uma teoria. Através de diversas formas de abordagem busca-se a adoção de tais medidas no qual a mais expressiva seria o enfoque no ensino transversal. Finalmente. A criação do Município ocorreu. Davids 02/12/1935 E . Quadro 1 – Prefeitos Municipais de Londrina (1934-2004) Eleito/ Prefeito Início da Gestão Nomeado Joaquim Vicente de Castro 10/12/1934 N Rosalino Fernandes 31/05/1935 N Willie da Fonseca B. através de Decreto Estadual assinado pelo interventor Manoel Ribas. em 3 de dezembro de 1934 e sua instalação foi em 10 de dezembro do mesmo ano. juntamente com a instalação do Município de Londrina.4. procurou-se identificar as possíveis ações práticas com vista a adoção e implementação do Programa de Educação Fiscal. 1. cinco anos após a criação do primeiro posto avançado de um projeto inglês. data em que se comemora o aniversário da cidade. que serve de ponto de partida para a investigação bem sucedida de um problema”.

Custódio Raposo Neto 30/05/1940 N Dr. londrina.pr. Davids 13/11/1938 N Cap. João Ferrário Lopes 29/08/1940 N Major Miguel Balbino Blasi 29/07/1941 N Cap. . a Prefeitura do Município de Londrina tem como ramo de atividade a prestação de serviços públicos municipais. Aquiles Pimpão Ferreira 23/10/1943 N José Munhoz de Mello 14/05/1945 N Ary Pizzato Ferreira 13/11/1945 N Odilon Borges de Carvalho 08/04/1946 N Ulisses Xavier da Silva 04/11/1946 N Ary Pizzato Ferreira 08/05/1947 N Hugo Cabral 12/12/1947 E Milton Ribeiro Menezes 12/12/1951 E Antonio Fernandes Sobrinho 12/12/1955 E Milton Ribeiro Menezes 12/12/1959 E José Hosken de Novaes 12/12/1963 E Dalton Fonseca Paranaguá 01/02/1969 E José Richa 31/01/1973 E Antonio Casemiro Belinati 01/02/1977 E José Antonio Del Ciel 13/04/1982 E Wilson Rodrigues Moreira 02/02/1983 E Antonio Casemiro Belinati 01/01/1989 E Luiz Eduardo Cheida 01/01/1993 E Antonio Casemiro Belinati 01/01/1997 E Nedson Luiz Micheleti 01/01/2001 E Fonte: Site do Município – www. 13 Eleito/ Prefeito Início da Gestão Nomeado Willie da Fonseca B.br Pessoa jurídica de direito público.gov.

Rapidamente. A colonização espontânea foi marcada pelo arrojo de homens saídos de Minas Gerais ou São Paulo. inicia-se a história da Companhia de Terras Norte do Paraná. era até poucas décadas uma extensa floresta. uma região de terra roxa e muito fértil. em virtude da morosidade do Estado. que não apenas interrompeu o fluxo de imigrantes como também provocou desconfiança naqueles que já se encontravam na região.foi tomada por grandes propriedades cujos donos. Havia falta de continuidade.2 Histórico da Cidade de Londrina Norte do Paraná. via de regra. que foram chegando à área de Cambará. Em 1924. a faixa entre Cambará e o Rio Tibagi . . O quadro. já tinha sido agravado com a deflagração da Primeira Guerra Mundial. preferindo usar seus recursos na construção de escolas e estradas. A partir de 1922. vastas áreas de terra roxa de domínio estadual.uma linha que representaria o futuro percurso da ferrovia São Paulo-Paraná . além disso. recursos financeiros limitados e uma visível falta de aptidão oficial. sofrendo os efeitos de um lento e ineficaz plano de colonização do governo. localizadas a Oeste do Rio Tibagi. subsidiária da firma inglesa Paraná Plantations Ltda. Em 1920. as subdividiram em pequenas parcelas vendidas como lotes urbanos ou rurais.4. percebia-se uma séria frustração nas expectativas de ocupação da área. permaneciam praticamente inexploradas. 14 1.. que deu grande impulso ao processo desenvolvimentista da área. entre 1904 e 1908. o governo estadual começa a conceder terras a empresas privadas de colonização. Enquanto isso.

desta forma. técnico em agricultura e reflorestamento. uma verdadeira reforma agrária. Já de início. Os ingleses promoveram. 15 Naquele ano. em Londres.que sabia do interesse dos ingleses em abrir áreas para o cultivo de algodão no exterior - chega a Missão Montagu. Lord Lovat ficou impressionado com a exuberância do solo norte- paranaense e acabou adquirindo duas glebas para instalar fazendas e máquinas de beneficiamento de algodão. chefiada por Lord Lovat. os conflitos entre colonos antigos e os recém-chegados praticamente não existiram na zona colonizada pelos ingleses. a Paraná Plantations e sua subsidiária brasileira. O empreendimento fracassou. no Norte do Paraná. a grande novidade introduzida pela Companhia e que lhe valeria o "slogan" de "a mais notável obra da colonização que o Brasil já viu" foi a repartição dos terrenos em lotes relativamente pequenos. Foi criada. a Companhia concedeu todos os títulos de propriedade da terra. devido aos preços baixos e à falta de sementes sadias no mercado. sem intervenção do Estado. oferecendo aos trabalhadores sem posses a oportunidade de adquirirem . a Companhia de Terras Norte do Paraná. com o apoio de "Brazil Plantations Syndicate". medida inusitada para as condições da região e mesmo do Brasil. que transformaria as propriedades do empreendimento frustrado em projeto imobiliários. obrigando a uma mudança nos planos. Porém. Por isso. era uma tentativa de ressarcir o grupo inglês do prejuízo do projeto anterior. de Londres. assim. atendendo a um convite do governo brasileiro . Na verdade.

já que as modalidades de pagamento eram adequadas às condições de cada comprador. 16 os pequenos lotes. A criação do Município ocorreu cinco anos mais tarde. Este sistema estimulou muito a concentração da produção - principalmente cafeeira -. A Companhia explicitaria a sua política: "Favorecer e dar apoio aos pequenos fazendeiros. O nome da cidade foi uma homenagem prestada pelo Dr. alguma assistência técnica e financeira. em 3 de dezembro de 1934. além disto. posse das terras em quatro anos. a explosão demográfica. João Domingues Sampaio. Londrina surgiu em 1929 como primeiro posto avançado deste projeto inglês. transporte gratuito para os colonos. O projeto de colonização. chega a primeira expedição da Companhia de Terras Norte do Paraná ao local denominado Patrimônio Três Bocas. trouxe outras inovações. através de Decreto Estadual assinado pelo interventor Manoel Ribas. Alexandre Razgulaeff fincou o primeiro marco nas terras onde surgiria Londrina. Na tarde do dia 21 de agosto de 1929. como a propaganda em larga escala. levantamento de toda a área e até o mapeamento do solo em algumas zonas. um dos primeiros diretores da Companhia de Terras Norte do Paraná. a expansão de núcleos urbanos e o aparecimento de classes médias rurais. sem por isso deixar de levar em consideração aqueles que dispunham de maiores recursos". onde o engenheiro Dr. Sua .

provenientes de todas as partes do mundo. No campo da telefonia conta com a Sercomtel S. Com este espírito e mantendo um caráter inovador. motivo de orgulho para todos os londrinenses. companhia considerada referência para todo o País e. não investe apenas em industrialização. a 3ª cidade do Sul do País. 1. portanto. a qualidade de vida dos cidadãos. 17 instalação foi em 10 de dezembro do mesmo ano. Londrina vive a era do desenvolvimento industrial e vem atraindo cada vez mais investimentos para a região. cultural. que cresce a cada dia com uma população formada por 40 etnias diferentes. data em que se comemora o aniversário da cidade. A isso se deve a riqueza cultural da cidade que está sempre aberta a todos que a visitam. acima de tudo.4.A. esportivo e ambiental.. O primeiro prefeito (nomeado) foi Joaquim Vicente de Castro. É a primeira cidade brasileira a contar com uma Secretaria Especial da Mulher que oferece atendimento social. jurídico e psicológico à mulher vítima de violência. No momento. discriminação e preconceito. Londrina é uma cidade jovem. A partir daí. ela mantém projetos voltados à população que incluem ações nos mais diversos setores. sendo o principal ponto de referência do Norte do Paraná. como: social.3 Estatísticas . 70 anos. Esse processo está dentro de uma política que visa. Londrina vem crescendo constantemente. Hoje a cidade exerce grande influência no Sul do País e contribui muito para a economia brasileira.

São Luiz. Cambé. Warta.4°C (2001)  Tipo de solo: Latossolo (Terra Roxa)  Distritos Administrativos: Lerroville.885 hab.686. Marilândia do Sul. Maravilha.5 milhões de hab. Londrina. Assaí. Guaravera e Espírito Santo. Sertanópolis. 18 Coordenadas Geopolíticas  Criação e Instalação do Município: 03/12 e 10/12/34  Localização: Lat. Arapongas e Ibiporã  Sede da Microrregião Geográfica 011  Prefeito: Nedson Luiz Micheleti  Nº de Vereadores: 21  Presidente da Câmara: Orlando Bonilha População  População área de influência: cerca de 4. Apucarana.7Km² .00 mm (2001)  Temperatura média anual: 21. IBGE) . Irerê. São Jerônimo da Serra. Tamarana e Bela Vista do Paraíso) : 662. Rolândia.  População área metropolitana (Cambé. chuvas em todas as estações  Pluviosidade anual: 1. Ibiporã. Jataizinho.IBGE (2000)  Altitude média: 576 metros  Clima subtropical. Paiquerê. entre 23°08’47’’ e 23°55’46’’S  Longitude entre 50°52’23’’ e 51°19’11’’O  Área:1. (Censo Demográfico 2000.  Municípios Limítrofes: Tamarana.724. Ortigueira.

557 (2001)  Nº domicílios: 149. 19  Densidade demográfica: 259.IBGE  Urbana: 366.309 (2º semestre/2000)  Renda Média Mensal Familiar: 4. Total: 412.458 hab.596.799. .553.90 salários mínimos (1983)  PIB Per Capita .100  População 1996 .1991 .424 Total: 390.093 ha. IBGE)  População do Brasil .696 TOTAL: 447.170 hab. IBGE) Agricultura (Censo Agropecuário 1995-1996 – IBGE)  Estabelecimentos Agrícolas: 3.604)  Rural: 16.44 (IPARDES .R$ 4.022 (1997)  Número de Eleitores: 299.563.369  Rural: 13.Estabelecimentos Agropecuários: 183.1996)  Empregos Estimados.1% (1997)  População . (Censo Demográfico 2000. IBGE  Urbana: 433.347)  Rural: 23.Censo Demográfico 2000.  População 2000 .432.IBGE  Urbana: 396.676 (Urbana da Sede = 355.9.169.119  Área .Contagem da População .121 (Urbana da Sede: 388. (Censo Demográfico 2000.065  População Economicamente Ativa (estimativa): 192. no Setor Formal: 93.593 (2000-Censo Demográfico – IBGE – Sinopse Preliminar)  População do Paraná .07 hab/km² (2000)  Índice de envelhecimento da população: 15.

soja.000 dz  Produção de Leite: 14.937  Área de Pastagens: 83.020. tomate: 219. .00. Direta/2002: R$ 243.500 lugares -1998)  Autódromo: 1 (4. 20  Uso de Energia Elétrica – nº de informantes: 2. feijão.587. 51 particulares (1998)  Pistas de Atletismo: 1 (1998)  Praças Públicas: 206 (1999) Orçamento  Orçamento do Município: .819 toneladas  Tratores Agrícolas em Operação: 1.00.000.000. algodão.500 lugares .752  Efetivo Avícola: 1.063 ha  Rebanho Bovino: 138. cana-de-açúcar. Administração Indireta: R$ 145. .485. Adm.238  Rebanho Suíno: 30.203 Esportes  Estádios: 5 (74.1998)  Ginásios Esportivos: 4 (1998)  Quadras de Esportes: 134 públicas.727  Principais Produtos: milho. trigo.829  Produção de ovos: 5.969. café. mandioca. arroz.000 litros  Pessoal ocupado na agropecuária: 12.674.

1.  Receita arrecadada pela PML .255. .634 alunos  Taxa de analfabetismo (1991): 10. Orçamento de Investimentos: R$ 63.00.73.005.485 (2000)  Nº de Projetos Aprovados para Construção Civil: 3.000.243.638.987.372 (2000)  Estabelecimentos de Serviços: 13. Total do Orçamento: R$ 449.31 (2001)  Receita Federal Arrecadada em Londrina: R$ 150.80% (7 anos e mais) .00 (1998)  ICM Arrecadado em Londrina: R$ 273.687.278.00 (2001) Indústria  Estabelecimentos Industriais: 3.845 (2000)  Total da Área dos Projetos Aprovados para Construção: 738.528.612 (2000)  Bancos: 19 (71 agências) (02/2002)  Nº de Hospitais: 16 .444 leitos hospitalares (2001)  Hotéis: 43 (1999)  Restaurantes: 255 (1999)  Unidades Básicas de Saúde: 51 (2001)  Estabelecimentos de ensino fundamental: 201 (2000) .27 (2001)  Receita Estadual Arrecadada em Londrina: R$ 299. 21 .Administração Direta: R$ 201.659.000.74 m2 (2000) Comércio e Serviços  Estabelecimentos Comerciais: 14.461.471.00.

Médio): 13. Educação Infantil (Pré): 10.120.803 (2001)  População servida por Esgoto: 67.269 (2001)  População Sede Abastecida com Água: 100% (2001)  Total de Ligações de Esgoto: 67.  Terminais Telefônicos Instalados. 22  Estabelecimentos de ensino médio: 53 .857 (janeiro de 1999) .577 (2000).703 (2001)  Total de Economias de Esgoto: 108.930 (2001)  Nº de Telefones Celulares Habilitados em serviço: 58.378. Pós-Graduação: 2.38% (2001)  Nº de Veículos Automotores: 164.25.268 (2001)  Telefones de Uso Público: 3.196 (2001)  Terminais Telefônicos em Serviço: 144.335 alunos (2000)  Estabelecimentos de Ensino Superior: 05 .520 (2001)  Nº de Telefones Celulares Móveis em serviço: 26.229 (2001)  Total de Ligações de Água: 117.940 (2001)  Consumo de Energia Elétrica: MWH . a 8ª série e Ens.166 (2001)  Total de Economias de Água: 162.392  Total Geral de Estudantes: 147.21.899.969 (2000)  Educação Outras (2000): Educação Especial: 1.637 (2001)  Nº de Pontos de Iluminação Pública: 44. Regular: 98.003 (1999)  Nº de Telefones Celulares Ruralcel em serviço: 318 (1999)  Nº de Consumidores de Energia Elétrica: 161. Educação de Jovens e Adultos (alfab.092 alunos (2000)  Total de Alunos Matriculados no Ens.: 159.630.

TV CNT Canal 7 e TV Cidade Canal 5.1998).22.4. 23 Comunicação e Lazer  Nº de Emissoras de Rádio : 16 (6 FM e 10 AM) (1999)  Jornais: 2 diários (tiragem média de 62.(1990) . tecnológico e cultural do município.000 exemplares) 3 semanais (Paraná Shinbum – 5. Direct TV e SKY) (1998)  Teatros: 8 (1999)  Auditórios: 40 (1996)  Bibliotecas Públicas: 18 (1999)  Cinemas: 10 (1999)  Área Verde: 7.31 m2 . Diante disso. capta ainda a TV Independência canal 9 . Pode-se dizer que a visão proporciona o grande delineamento do projeto. .227.000 exemplares)  Canais de Televisão: 5 (TV Coroados Canal 3. O popular – tiragem 5. S 1. determinando-se um período de tempo mais longo e uma abordagem bem ampla. social.4 Pressupostos Filosóficos Visão A visão busca identificar os limites do projeto em questão.000 assinantes.2 m2 /hab. antes de sua implementação. a visão da Prefeitura do Município de Londrina é : “Colaborar com o desenvolvimento econômico.  Distribuidoras de Sinais (TV por assinatura): 3 (Net TV àCabo. com a conseqüente melhoria da qualidade de vida da população”. TV Londrina canal 13 e TV a Cabo MIX.000 exemplares e Mais Londrina – tiragem 5.711.

24 .

4. através da definição de políticas e diretrizes governamentais.5 Estrutura . visando o bem estar da população. problemas e potencialidades da cidade. 1. 25 Missão Administrar o município de Londrina de forma a atender as demandas.

e de da Municipal Municipal de Governo de Fazenda Ambiente de Cultura de Obras to Social Abastec. de Secretaria Secretaria Secretaria Secretaria Secretaria Secretaria Secretaria Secretaria Secretaria do Meio Secretaria Planejamen Assist. de Sec. 26 Chefia do Poder Executivo Procuradoria Geral Gabinete do do Município Prefeitoo Auditoria Interna Sec. Educação e Pavim. de Sec. Mulher de Saúde do Idoso Pública ASMS CAAPSML IPPUL ACESF CODEL COHAB CMTU SERCOMTEL Fundação Municipal dos Esportes . Gestão de Agric.

direta ou indiretamente. organizar . elaborar a Proposta Orçamentária do Município. coordenar e controlar a execução de atividades relativas a política de recursos humanos. os assuntos de comunicações. controlar a execução do Orçamento Geral.  Secretaria de Governo – incumbe-se assistir direta e indiretamente o Chefe do Poder Executivo na coordenação da ação administrativa. no acompanhamento de programas e políticas governamentais e no relacionamento com os agentes externos ao Executivo Municipal.1. preparo e encaminhamento dos expedientes destinados a apreciação do Chefe do Poder Executivo e execução de serviços gerais de Auditoria Interna. material e patrimônio. dirigir. a integração das atividades e dos programas do governo municipal. bem como programar. no que diz respeito a programas de governo.4.6 Funções dos Órgãos Municipais  Chefia do Poder Executivo Municipal .  Secretaria de Gestão Pública .tem por finalidade realizar estudos e pesquisas para o planejamento das atividades do Governo Municipal. coordenar e controlar.  Secretaria de Planejamento .tem por finalidade de organizar. dirigir. Coordenadoria Especial da Mulher e Assessoria de Imprensa. coordenar-se para isso com a Secretaria de Fazenda. organizar. estudar e propor medidas que visem a racionalização do trabalho nos órgão da Prefeitura. Assessoria à Projetos Especiais.tem as atribuições de coordenar os assuntos gerais de administração.

 Secretaria de Educação . pautada na real necessidade da população. dirigir e fomentar as atividades culturais. fiscalizar as obras particulares e públicas. dirigir. técnica e artística. edificar próprios municipais. estimulando o progresso de cultura intelectual.tem a incumbência de executar os serviços atinentes a projetos de aberturas e conservações de vias.  Secretaria de Cultura compete formular.  Secretaria de Obras . orientar. promovendo registros contábeis referente a execução financeira. manter indústrias de artefatos de cimento e pré-moldados. 28 atividades específicas de segurança no trabalho. supervisionar. conservar e manter a iluminação pública. nas suas . pesquisar. na universalização. supervisionar as atividades técnicas e administrativas dos órgãos subordinados. orçamentária e patrimonial. descentralização dos serviços.tem a finalidade de implantar a política social no Município. saúde ocupacional e medicina do trabalho  Secretaria de Fazenda – tem a incumbência de programar. coordenar e controlar as atividades financeiras da Administração. planejar. executar os serviços de pavimentação. bem como obras de arte. organizar e orientar a execução dos serviços atinentes a política tributária e econômica-financeira municipal. bem como promover a fiscalização tributária.compete organizar. dirigir e controlar o ensino municipal.  Secretaria de Assistência Social .

culturais e históricos. para o atendimento das necessidades primárias e básicas das pessoas idosas. definir e executar a política agrícola e de abastecimento para o Município. coordenar e dirigir as atividades da Biblioteca Municipal. coordenar as atividades da Banda Municipal. 29 variadas manifestações. órgãos de descentralização administrativa.  Secretaria Municipal do Idoso: A Secretaria Municipal do Idoso foi instituída pela Lei nº 7. Dentro da Lei nº 7. de acordo com o que determina a Lei Orgânica da Assistência Social. visando a expansão da produção agropecuária no Município. propor no âmbito do Poder Público as providências necessárias para a difusão dos nossos valores artísticos.  Secretaria Municipal do Ambiente . a recuperação e a exploração racional dos recursos naturais do Município.995 considera-se pessoa idosa aquela com mais de sessenta anos de idade.  Secretaria de Agricultura e Abastecimento .incumbe assegurar a preservação. .tem como finalidade estabelecer e desenvolver projetos e programas.995 de 17 de dezembro de 1999 e está inserida no Sistema Organizacional da Administração Direta e Indireta do Município que tem como fim específico de desenvolver um conjunto integrado de ações de natureza e iniciativa pública e da sociedade civil organizada. representar o governo municipal nos distritos. fazer cumprir as leis municipais. apoiar o sistema de distribuição dos produtos agrícolas na Zona Urbana. criar e viabilizar mecanismos de apoio e sustentação aos produtores rurais.  Cabe às Subprefeituras.

além da aposentadoria. São entidades de direito público. integram a administração pública indireta. com personalidade jurídica e patrimônio próprio. Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina. As autarquias operam com autonomia frente ao poder que as criou.  CAAPSML . bem como a prestação de serviços que visem a proteção de sua saúde e concorram para o seu bem-estar (plano de saúde). Na medida da necessidade serão requisitados os serviços das Subprefeituras para que sejam complementadas as informações afins. a construção e conservação de obras municipais e executar os serviços distritais na jurisdição competente. sob orientação técnica dos órgãos centralizados da Prefeitura. responde diretamente por seus atos. IPPUL. As autarquias que compreendem os Órgãos da Administração Indireta do Município são representadas pela: ACESF.  As Autarquias juntamente com as empresas públicas e sociedades de economia mista.Caixa de Assistência. que tem apenas a finalidade de assegurar aos seus beneficiários os meios indispensáveis de manutenção por motivo de morte daqueles de quem dependiam economicamente (pensão). ASMS. CAAPSML. no caso de falta de recursos das autarquias ou no caso de extinção das mesmas. . PAVILON. de acordo com sua área de ação. coordenar e fiscalizar. 30 arrecadar os tributos municipais dentro dos limites expressamente delegados e na área de sua jurisdição. destinada à execução de atividades destacadas da administração direta. mas o poder que as criou poderá responder subsidiariamente. AMA.

promover a exploração dos serviços do Terminal Rodoviário de Londrina. compreendendo as áreas de pediatras. planejar. coordenar. desenvolver e implantar projetos e programas que visem garantir o planejamento e desenvolvimento urbano integrado. gerenciar. executar e conservar os serviços funerários de Londrina.Companhia de Desenvolvimento de Londrina: tem a incumbência de executar programas de obras de desenvolvimento de áreas urbanas.  IPPUL . prestação de serviços médicos individualizados. administrar os serviços de táxis. ressalvadas as áreas de especialização. prevenção e recuperação da saúde.Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina: tem a incumbência de elaborar. clínica e cirurgia geral.Autarquia do Serviço Municipal de Saúde: incumbe estudar. 31  ACESF . executar serviços relacionados . orientar.Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização: tem a finalidade operar. bem como de planos de renovações das que se apresentam em processo de deterioração. nos aspectos de promoções.Serviço de Comunicação Telefônicas de Londrina: incumbe explorar o serviço de comunicação telefônicas.  CODEL . supervisionar e executar medidas visando implantar e manter a política sanitária.Administração dos Cemitérios de Londrina: incumbe administrar.  ASMS .  SERCOMTEL . obstetrícia. no Município de Londrina.  CMTU . planejar operacionalmente e fiscalizar o sistema de transporte coletivo de passageiro.

 COHAB-LD . quiosques e todas as atividades desenvolvidas em vias. os mercados municipais. logradouros e equipamentos públicos. . principalmente as de interesse social. explorar economicamente e administrar. apoiar e executar programas e projetos de desenvolvimento comunitário. 32 com o trânsito.Companhia de Habitação de Londrina: tem como atribuições produzir e comercializar unidades habitacionais. promover programas de urbanização e/ou reurbanização de áreas. principalmente as ocupadas por favelas e habitações precárias.

primitivamente. preparar refeições para tropas. cobre. Outro tipo de prestação existente era a de serviços in labore que variavam entre trabalhos como fazer farinha. sendo que na realidade tanto este quanto as taxas e as contribuições de melhoria são consideradas espécies de tributos. metais. trabalhar na construção de pontes. passou a Ter. Segundo MORAES (1993) Tributum provém do verbo latino tribuere. castelos ou igrejas. 33 2 A ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA FISCAL E TRIBUTÁRIA 2. peixes. mais próximo de sua origem no sentido de dar. alojar nobres e militares. historicamente tem demonstrado várias interpretações. tributo é confundido com imposto. um tributo é também considerado como uma homenagem que se presta a alguém. mais tarde. gêneros alimentícios dentre outros. geralmente. sendo que o seu significado inicial não é o mesmo que o atual. dividir e repartir com outrem. vinho. Essa definição no entanto.1 Tributo A palavra tributo. Hoje. Essa prestação à comunidade era representada em moeda ou dinheiro in pecúnia e também in natura como frutos. Popularmente. seria este último um significado. milho. animais. a conotação de carga pública exigida pelas autoridades destas tribos para atender os interesse da comunidade. cereais. que significa dividir. azeite. além do significado da prestação pecuniária ao poder público. através da força usada de . Em algumas sociedades a imposição do tributo também estava ligada às questões militares e era exigido. ou repartir entre as tribos.

com base no seu poder fiscal. Apesar de ter tido uma evolução lenta e ser visto pela sociedade como uma obrigação imposta ou um mal necessário. 2. exigido compulsoriamente das pessoas que vivem dentro de seu território. Depois de períodos de transição. 1993). a fim dele poder desenvolver suas atividades na busca de suas finalidades (MORAES. definido em lei. Para Moraes. Com o passar dos tempos o tributo passou a ter importância relacionada à segurança do Estado que necessitava de recursos para manter o exército em prontidão para sua própria proteção contra eventuais ataques. Tributo pode ser conceituado como um ônus instituído pelo Estado. Atualmente todas as sociedades juridicamente organizadas fazem uso do tributo como demonstração da soberania do Estado. O Estado praticamente se mantinha através dos recursos adquiridos sobre os povos vencidos.2 A História do Tributo no Brasil . pois é através deste instrumento que o Estado se mantém organizado. os quais eram obrigados a pagar tributos excessivos com trabalhos forçados. Esses recursos eram canalizados para manutenção e incremento das tropas com fins de ampliação dos territórios através das conquistas bélicas visto que a atividade financeira do Estado era quase inexistente. como instrumentos de receitas públicas. onde o tributo adquire a importância de um instrumento de receita mantenedor da estrutura organizacional do próprio Estado. o Estado passa a ser representativo na sociedade. 34 forma arbitrária. buscando o desenvolvimento social e econômico de suas atividades. na era moderna o tributo passa a ter uma importância coletiva.

os servidores da Coroa guardavam os produtos da arrecadação fiscal em armazém. a metrópole era a única para a qual a colônia exportava seus principais produtos. Os tributos eram pagos in natura e segundo MORAES (1993). Esse primeiro tributo instituído no Brasil. enquanto Portugal recebia a quinta parte ou seja 20% desses metais e pedras preciosas. era pago em espécie. a arrecadação era dificílima. ocorria muita fraude dando aos cobradores de rendas muitos poderes. 35 A extração do pau-brasil foi a primeira atividade econômica após o descobrimento. A organização fiscal quase não existia. pau-brasil e açúcar. em madeira ao governo português. de prender contribuintes que não cumpriam com suas obrigações fiscais. correspondente ao quinto do pau-brasil. A tributação nessa época era distribuída em geral em torno de 10% para alguns produtos que eram arrecadados para a metrópole. A Capitania tributava outros produtos e recebia. . dando ao donatário da capitania a sua parte e enviando o remanescente para Portugal . inclusive. Na ocasião da implantação das capitanias hereditárias. ou seja. A tributação do produto pau-brasil incidia sobre a quinta parte ou 20% da venda da madeira. o país ainda não tinha um comércio direto com outras nações. por exemplo. dízimo do quinto dos metais de pedras preciosas que nela se encontravam.

embora houvesse nesta época um sistema tributário caótico e confuso onde se tributava várias vezes um mesmo produto. 1993). imposto cedular sobre a renda de imóveis rurais. No período republicano. a Constituição de 1891 vem para determinar com clareza o domínio fiscal da União e dos Estados sendo este último incumbido de estabelecer critérios de tributação dos Municípios. a partir da Constituição de 1824. e pelos seus auxiliares (contadores. feitores e almoxarifes).” Foi. executar cobranças ou mesmo condenar infratores. Alguns tributos não duraram muito. Os Municípios recebiam metade da arrecadação do imposto de indústrias e profissões que era de competência do Estado e 20% sobre os impostos não discriminados na partilha entre União e Estados. A arrecadação e fiscalização dos tributos eram realizados pelos servidores especiais da Coroa. que eram outorgados a estes pelas Províncias. com tributos idênticos mas com denominação diferente. taxas sobre serviços municipais e contribuição de melhoria. que a tributação nos municípios começou a mostrar certa importância. impostos predial e territorial urbanos. denominados “rendeiros”. inclusive municipais. Aos Municípios foi atribuído o imposto de licenças. A autoridade de tais agentes do erário era enorme. causando ao produto incidências cumulativas. sendo-lhes permitido. vindo a ser os dois . pois não sobrava nada para os municípios. bem como lançar os tributos e determinar a forma e a época da arrecadação de cada qual (MORAES. Só a partir da Constituição de 1934 é que os Municípios passaram a ter competência constitucional para instituir e arrecadar tributos. “multar. com a Constituição de 1937 foram suprimidos o imposto de competência do Estado que era sobre o consumo de combustíveis de motor à explosão e o Município perdeu o imposto cedular sobre a renda de imóveis rurais. no entanto. 36 Inexistia organização fiscal na época. As receitas municipais eram poucas e os repasses que vinham da província quase nunca chegavam. como afirma Paul Hugon. impostos sobre diversões públicas.

visto que os Municípios receberam competência tributária relativa a impostos que lhe davam autonomia financeira. 37 impostos mencionados anteriormente unificados aos impostos de consumo de competência da União. Estados e Municípios. Percebe-se que houve uma mudança a favor dos Municípios em relação às competências e repartições. alguns tributos como o imposto de indústrias e profissões. e passou totalmente para os Municípios. imposto de ato de sua economia ou assuntos de sua competência e taxas. estava na competência dos Estados. 1993). 100% da arrecadação do imposto territorial rural de competência do Estado. A Constituição de 1946 estabelece o retorno da competência tributária ao três entes. além dos já existentes. Apesar dos Municípios terem conquistado mais receitas. continuaram a reclamar e com a promulgação da Emenda Constitucional n. União. Segundo Moraes: Houve fortalecimento das finanças locais. cuja estrutura era muito defeituosa. O imposto de indústria e profissões. 30% do excesso de arrecadação dos impostos estaduais. 15% da arrecadação do imposto de consumo e 40% nos outros impostos decretados pela União ou pelos Estados. 15% do imposto sobre a . Na Constituição de 1946 predominou o espírito municipalista (MORAES. ambos eram de competência do Estado. Os Municípios passam a participar com 10% da arrecadação do imposto sobre a renda. Quanto à participação nas receitas tributárias os municípios passaram a receber 10% da arrecadação do imposto sobre consumo de mercadorias. foram contemplados com o imposto territorial rural e o imposto sobre transmissão de propriedade imobiliária inter vivos e sua incorporação ao capital das sociedades.º 5 de 21 de novembro de 1961. Aos Municípios foram atribuídos. 60% junto com o Estado da arrecadação do imposto único.

pois foi incluída no sistema tributário nacional pela lei 5172 de 25 de outubro de 1966 e passou a vigorar em janeiro de 1967. O interesse era de centralizar o poder para que houvesse uma certa redistribuição da renda e desenvolvimento econômico de certas regiões. sua autonomia financeira. o imposto sobre as operações relativas à circulação de mercadorias. 40% dos impostos concorrentes da União e dos Estados. os impostos sobre a produção e a circulação. expressivamente. Em 1º de dezembro de 1965 é promulgada a Emenda Constitucional nº 18 que trouxe para o país uma verdadeira reforma tributária alterando substancialmente o sistema tributário. 30% do recebimento do excesso de arrecadação de impostos do Estado. Assim. Com a Emenda Constitucional nº 10 de 09 de novembro de 1964 o imposto territorial rural passa a ser de competência da União mas deixando totalmente sua arrecadação para o Município onde se localizava o respectivo imóvel. não compreendidos na competência tributária da União e dos Estados e taxas e contribuições de melhoria. com base na legislação estadual e por alíquota não superior a 30%. ambos com competência também da União e dos Estados. Embora não tenha entrado imediatamente em vigor. o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana. 38 renda e proventos de qualquer natureza. aos Municípios coube a competência dos impostos sobre o patrimônio e a renda. Vale a pena ressaltar que os antigos impostos municipais de indústrias e profissões e sobre diversões públicas foram acoplados ao imposto sobre . Aos Municípios a nova reforma não foi bem vinda por ter reduzido. o imposto sobre serviços de qualquer natureza.

Com a atual Constituição de 1988. O imposto sobre a transmissão de propriedade imobiliária inter vivos e sua incorporação ao capital das sociedades foi transferido para competência do Estado. para vigorar a partir de 15 de março de 1967. de bens imóveis e de direitos reais sobre imóveis. pode-se afirmar que apesar de ter havido uma evolução do sistema tributário nacional desde o descobrimento do país até a atual . promulgada em 24 de janeiro de 1967. pouco se distanciou da emenda nº 18 de 1965 com relação aos tributos de competência dos Municípios mantendo os impostos sobre propriedade predial e territorial urbana. que pertenciam ao Estado. tendo prazo determinado de vigência constitucional até 31 de dezembro de 1995. O imposto de licenças e o imposto sobre atos de sua economia ou assuntos de sua competência pertencentes aos Municípios foram suprimidos. Foi mantido o imposto sobre propriedade predial territorial urbana e o imposto sobre serviços de qualquer natureza e foi criado o imposto sobre vendas a varejo de combustíveis líquidos e gasosos. Nota- se que houve uma redução de tributos em relação aos que a emenda nº 18 previa. os Municípios obtiveram o retorno do imposto sobre transmissão “inter vivos”. como também as taxas e as contribuições de melhoria. 39 serviços de qualquer natureza e o das indústrias passou para o imposto sobre produtos industrializados. definidos em lei complementar. de competência da União. Desta forma. A nova Constituição do Brasil. exceto óleo diesel. sobre serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência da União ou dos Estados. a qualquer título.

40 Constituição. legisladores. para a qual é exigido maior números de votos para aprovação.3 A Função do Tributo na Sociedade. Isso proporciona maior segurança aos contribuintes. Entretanto. A esse alguém são outorgados poderes para a realização de tal função. Após haver discutido as prioridades. as do Brasil são em excesso. legislativo e judiciário. Tal organização se dá em três poderes: executivo. o legislativo as envia para o executivo com a finalidade de que sejam executados os projetos de interesse da . com a função de propiciar à mesmo aquilo que ela almeja. Essas pessoas responsáveis pela organização e administração receberão salários pelos serviços prestados e para que possam realizar o que a sociedade deseja. deve ser ressaltado que o Brasil é um dos países que oferece maior segurança legal ao contribuinte. pois dificulta qualquer mudança constitucional e qualquer lei que venha a regular a matéria tributária deverá ser disciplinada por lei complementar. a sociedade para se manter organizada exige a participação dos cidadãos. existe ainda a necessidade de um aprimoramento dos mecanismos de arrecadação para que a sociedade tenha a garantia de seus direitos constitucionais. Essa participação se dá primeiramente através do trabalho onde há troca de serviços e produtos que as pessoas elaboram. São eleitos pela sociedade um número de representantes. Enquanto que em muitos paises as normas tributárias constitucionais são pouco detalhadas. 2. Praticamente todas as normas legais tributárias estão disciplinadas na Constituição. No mundo contemporâneo. Para que a sociedade seja organizada é necessário alguém que a organize.

como seria mantida sua segurança nacional? Exército? Como seria organizado esse Estado? Seria necessário. visto que os Municípios receberam competência tributária relativa a impostos que lhe davam autonomia financeira mas efetivo que é a sociedade civil e esta é a forma pela qual a classe dominante (ou as classes dominantes) se organiza(m) fora do Estado para controlá-lo e pô-lo a seu serviço (PEREIRA. Essa estrutura criada pela sociedade para organizar seus poderes. No Brasil além dos três poderes. executivo. o dá lá. Esses poderes representam toda a administração da sociedade sendo a base para o funcionamento em harmonia. legislativo e judiciário é caracterizada como Estado. a equivalência entre a contribuição do cidadão e a utilidade por ela retirada da atividade estatal. 41 sociedade. toma cá. sem sombra de dúvida. Conforme Bresser Pereira. a prestação e a contraprestação. O controle é imprescindível para que a sociedade certifique que seus objetivos estão sendo cumpridos para o bem geral de todos. existem o ministério público e o tribunal de contas. todos independentes. que todos cidadãos contribuíssem. “o preço” que se paga pelo . Imagine um Estado sem tributo. O poder coercivo exercido pelo Estado ao exigir o pagamento do tributo em prol de toda sociedade é um dos papéis do próprio Estado e da sua segurança. 1977). legislativo e judiciário. O poder fiscal do Estado tem como fundamento a troca. executivo. Para atingir seus objetivos constitucionais essa estrutura necessita de recursos e o instrumento para obter esses recursos é o tributo. Houve fortalecimento das finanças locais. Caso ocorra alguma distorção ou injustiça dentro da lei caberá ao judiciário examinar e julgar.

Por outro lado a sociedade deve se conscientizar de suas obrigações e deveres para que não haja conflitos entre ela e o poder do Estado. sempre insistir que ainda necessita de mais recursos.4 A Imagem do Tributo no Brasil A sociedade brasileira tem mostrado sinais de insatisfação com o atual sistema tributário do país. além de compreender a necessidade que há em se tornar esse Estado forte. . 42 que se recebe do Estado.. que geralmente estão do lado do governo. Para que isso ocorra. repassam. Foi criada uma imagem em que o maior problema do país é o pagamento do tributo. essa função para a sociedade.1993). Os grandes grupos econômicos. O governo tenta. legisladores e julgadores. existindo na sua exigência uma prestação e uma contraprestação. seguro e organizado social e culturalmente. mais condições terá de exigir a contrapartida. O tributo é um preço. dos administradores. ou o preço da segurança. 2. Na realidade ninguém tem prazer em pagar contas do próprio bolso. que é representada pelos assalariados. cidadãos anônimos e despojados de poderio econômico. médias e pequenas empresas. através do aumento dos tributos inseridos nos serviços e produtos. com sua burocracia pública. É o preço da paz . a educação tem papel fundamental na manutenção do equilíbrio institucional e quanto mais conhecedora de toda a sistemática fiscal. como sustenta Ferreira Borges (MORAES. que são os serviços.como diz Hobbes.

Isso levou a sociedade a interpretar que o problema central do país é a questão tributária. 2002). três estaduais e três municipais.83% do PIB e em 2003 de 36. Entretanto. Na verdade existem 13 impostos no Brasil sendo sete federais. A sociedade não . fraude e conluio e também a elisão fiscal quando a empresa procura caminhos legais para pagar menos tributos (BORBA. Essas distorções mostradas pelos meios de comunicação criam no país uma certa cultura contra pagamento de tributos. Naturalmente que o PIB do país cresceu. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE) em 1947 a carga tributária era de 13. Como sustenta Borba. Esse movimento utiliza a evasão fiscal que é uma forma ilícita de pagar menos ou evita o pagamento de tributos que pode ser por sonegação. O que torna complexo o sistema são as demais figuras tributárias existentes como: as contribuições sociais. mas a insatisfação aumentou. se computadas todas as imposições tributárias em todas as esferas de governo obtém-se mais de cem diferentes tipos de “tributos” o que não ocorre somente no Brasil mas é fato recorrente em muitos países do mundo.11%. principalmente por não ter o retorno que a sociedade espera. as taxas e as contribuições de melhoria. quando na realidade o número é muito inferior. Tais distorções levam a população a concretizar a idéia de que existe uma quantidade gigantesca de impostos com números exorbitantes. a arrecadação tributária tem crescido gradativamente ao longo dos anos. O que realmente faz da questão tributária o centro das discussões é o preço muito alto que o governo cobra dos serviços que presta. 43 Em nossa história.

é a impunidade. Ocorre que a sociedade a médio prazo está sendo conduzida à marginalização total das camadas populacionais mais pobres. retardando o desenvolvimento nacional. Com isso vem à tona o tema da reforma tributária. sendo que atualmente é superior a de países desenvolvidos. Entretanto. segurança. propiciando assim a evasão fiscal e a sonegação. o que deixa a população revoltada é quando ocorrem fatos de corrupção. justiça. que seriam suficientes para a iniciar o processo de desenvolvimento. nepotismo e desrespeito com o dinheiro público e um dos casos mais graves é quando os ricos sonegam ou são apoiados pelas brechas da lei e o pior de tudo. aquele que é imperdoável perante a sociedade. Se não é suficiente é porque o sistema é injusto por arrecadar mais de quem ganha menos e porque o Estado não presta serviços a sociedade direcionando os recursos para outros fins. desvios. visto que atualmente essa complexidade acarreta custo para os serviços e produtos. saneamento e habitação. 44 importaria e provavelmente não reclamaria se tivesse a contrapartida dos serviços de saúde. A maneira de . Para que haja uma melhoria da distribuição da carga tributária é necessário que o Sistema Tributário Nacional seja simplificado. o qual teria reflexos a médio e longo prazo. Tudo isso leva a sociedade a questionar o porquê de pagar tributos se não há nenhum beneficio em troca e também se a carga tributária atual não é suficiente. educação. A simplificação também diminuiria o custo de arrecadação.

legitimam-se alterações no processo tributário. e por outro lado a sociedade que precisa dos serviços públicos e não os têm. visto que tanto a forma de arrecadar quanto a de gastar estão ligadas entre si e a sociedade talvez se conscientizaria da necessidade e importância do pagamento de tributos. consequentemente serviços públicos de qualidade. 45 se atingir esses objetivos. Devido à crise social e à carência de bons serviços públicos que presenciamos. mas que reclama do excesso da carga. na medida em que se avança no sistema tributário. melhora-se a qualidade do gasto público. 1998). Por um lado temos o contribuinte pagante. já que o Estado tem a incumbência de melhorar a qualidade dos gastos públicos. Se houvesse o cumprimento das leis. Ao mesmo tempo. Como o sistema vigente é complexo. porém. a visão popular de tributo toma espaço e passa a ter uma interpretação equivocada. Portanto. Como bem observa Kandir. qualquer reforma tributária deverá vir para melhorar a eficiência do Estado em arrecadar. como por exemplo a de ser responsável pela má qualidade desses serviços. também. Uma condiciona a outra. Na medida em que se melhora a qualidade do processo do gasto público. São processos que estão mutuamente relacionados (KANDIR. haveria. Essa eficiência e modernização estarão ligadas. A reforma tributária é um dos aspectos determinantes da reforma fiscal. o discurso contra o Fisco e contra a ganância do Estado e as propostas radicais de redução do número de impostos acabam ganhando a simpatia popular. à reforma fiscal que indubitavelmente. . e o ato de pagar imposto não é agradável por ser imposto. apresenta distintas alternativas.

Por sua vez. Isso emperra toda a cadeia produtiva tornando desinteressante a produção de bens e serviços. Entretanto. não gerando nenhum efeito multiplicador na economia. transformando essa carga tributária em um custo desnecessário e inviabilizando. pode-se afirmar que não há relação entre índices de arrecadação e a estagnação de toda a economia de um país. isso para o governo é excelente. principalmente. pois a arrecadação aumenta e conseqüentemente o governo investe em infra-estrutura criando condições para a economia se manter em crescimento. Neste caso a economia estará paralisada pois os recursos da sociedade que são transferidos em forma de tributos para o governo e que deveriam retornar à sociedade para gerar serviços e benefícios não retornam. 46 2.5 A Função Socioeconômica do Tributo Quando há um aquecimento da atividade econômica subentende-se que a economia está crescendo. a concorrência de produtos e serviços no mercado internacional. Pode ocorrer uma estagnação num governo onde os recursos sejam canalizados para fora do país ou mesmo mal investidos. desestimulando a sociedade a criar e inovar num mercado concorrente. mantendo assim um ritmo de crescimento constante. Com isso o governo pode criar mecanismos para incentivar novos setores a se desenvolver a partir da criação de novos empregos e distribuição de renda para que não fique concentrada obstruindo o desenvolvimento. a economia crescendo faz manter a arrecadação de tributos em alta. .

enquanto que as que não pagam. bancos e comunicação. . legislativo e executivo. Podemos comparar. Em países desenvolvidos o controle e a fiscalização estão presentes em tudo. um país a uma empresa. Entretanto. Se na concorrência existe uma empresa que não paga o tributo e fique impune perante o não pagamento. a qual acabará. Quando o governo investe corretamente os recursos dessa arrecadação em infra-estrutura. no poder judiciário. sendo expelida do mercado. esse ato prejudicará a empresa àquela que paga corretamente. principalmente as que recolhem corretamente. então. O recolhimento de tributos tem a incumbência de beneficiar toda a sociedade. educação. propiciando à sociedade uma melhor qualidade dos serviços prestados pelo Estado. Sabe-se que em qualquer empresa. fiscalização e auditoria haverá pessoas burlando as regras. sem sombra de dúvida há necessidade de uma política eficiente de auditoria e fiscalização. por sua vez. o Estado fica menos vulnerável a influências externas se dedicando mais a problemas internos. sendo estas de grande importância à segurança nacional como energia elétrica. terão controle do mercado concentrando renda e capital. habitação e em algumas atividades econômicas reguladoras de mercado. 47 A tributação elevada dificulta a iniciativa privada. se não houver esse tipo de ação ele se torna desorganizado e descontrolado. Estas terão dificuldades de permanecer no mercado. saúde. por sonegarem de alguma forma. desde a média até a grande. se não existir controle. tratamento de água.

A maioria dos países desenvolvidos começaram assim. Isso seria um preço muito alto a pagar por esse capital estrangeiro. 2000). trás segurança a nação. acarretaria ao Estado a perda da soberania nacional para as grandes corporações. atuando e auxiliando atividades que a iniciativa privada não conseguia desenvolver por falta de capital (NÓBREGA. protegendo a própria sociedade de eventuais especuladores. Tais corporações. são verdadeiras máquinas de obter lucros em médio prazo. se fossem controladas pela iniciativa privada que investe vultosas quantias visando o retorno financeiro a médio prazo. Portanto um Estado forte. Não há possibilidade de uma nação se desenvolver se não for com capital estatal em certas atividades econômicas. o Estado terá recursos suficientes para competir com grandes corporações em beneficio da sociedade. se for mantido um certo nível de tributação num governo com fiscalização e justiça eficientes contra sonegadores e corruptores. Segundo Nóbrega. ocasionando assim a estagnação do desenvolvimento sócio-econômico. No entanto. . grupos de empresas internacionais com alto poder de negociação e com capital que muitas vezes desestabilizam paises. provido com recursos da sociedade através dos tributos. São poucas as empresas que possuem estrutura organizacional e capital que conseguem concorrer com tais corporações. mas considera-se o Estado um concorrente a altura. 48 As atividades econômicas citadas anteriormente.

. pois não terá recursos suficientes para socorrer os mais necessitados nas áreas de saúde. um Estado com baixa arrecadação tributária terá pouca influência em toda a economia. A renda ficará. 49 Por outro lado. Provavelmente essa sociedade não terá chance de crescer. dificultando o desenvolvimento e a justiça. educação e habitação gerando assim uma convulsão social e um ciclo de pobreza. novamente. nas mãos das grandes corporações e da classe dominante que concentrará o capital.

de maneira que os usuários saibam avaliar e acompanhar os procedimentos da administração pública. com o objetivo de contribuir decisivamente para que a comunicação entre a gestão pública e a sociedade tenha clareza em analisar os elementos orçamentários. a planta foi atualizada apenas pela inflação anual de cada período. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. financeiros e patrimoniais que integram o processo de comunicação. tendo como compromisso o fator arrecadação e a justiça fiscal. 37) Existe uma preocupação crescente por parte da gestão governamental em evidenciar. habitação. (CONSTITUIÇÃO FEDERAL. No decorrer deste período até o exercício de 2002. Os empecilhos são muitos . publicidade e eficiência. dos Estados. A última atualização da Planta de Valores do Município de Londrina foi realizada na década de 90. art. na tentativa de proporcionar uma espécie de cenário nas prestações de contas do que está acontecendo ou que ocorreu. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. moralidade. afetando assim. os investimentos na saúde. O processo de educação fiscal busca incutir o conceito de eficiência. incluído como princípio da administração pública pelo artigo 37 da Constituição Federal. 50 3 O DESENVOLVIMENTO DA RECEITA MUNICIPAL E A BUSCA DA CONSCIENTIZAÇÃO DA POPULAÇÃO. esclarecer e traduzir os elementos de performance e resultados alcançados. impessoalidade. educação e entre outros.

levaram as administrações anteriores. a adotarem a moratória. tanto na parte imobiliária (IPTU. As causas podem ser atribuídas a uma política de incentivo à uma nova estrutura que passou a existir a partir da metade da década de 90. contratação de mão de obra qualificada. . 151 do Código Tributário Nacional Para Carvalho. como também na mobiliária (ISS. ITBI. como um novo desconto e/ou parcelamento. A concessão de moratória é fator ampliativo do prazo para que certa e determinada dívida venha a ser paga. taxas). conforme Art. recadastramento imobiliário. com a otimização da informática. 51 para grande parte dos municípios que procedem tal atualização e para o município de Londrina não é diferente. por sujeito passivo individualizado. É válido ressaltar que uma política de desajuste fiscal e incoerência de valores. ????) Na realidade essa ação acabava reduzindo os valores dos tributos a serem pagos. A moratória concede ao agente passivo a ampliação de prazo para pagamento da sua dívida.( Carvalho. taxas). de uma só vez ou em parcelas”. além de índices de inflação altíssimos. gerando assim uma não confiabilidade por parte dos munícipes. cobrança e maior ênfase a fiscalização dos tributos municipais. mais especificamente nos anos 80 e 90. outra parcela aguardava algum benefício por parte da administração. ocasionando uma falta de justiça tributária e social: enquanto uma parcela de contribuintes quitavam seus tributos em dia.

associações de bairros. aquisição de novos softwares. Apesar de serem recentes. aquisição de equipamentos (computadores. dispositivos estes criados para direcionar e obrigar os governantes como também a administração em geral a adotar uma postura com mais transparência e eficiência. No exercício de 2000 foi aprovada a lei de Responsabilidade Fiscal. para proporcionar um melhor atendimento. e outras instalações). participando individualmente ou através de entidades organizadas. recursos para investimento na área tributária. com o intuito de conhecer e fiscalizar o desenvolvimento da receita como também o controle dos gastos públicos. Uma das grandes dificuldades em demonstrar a atualização dos tributos é a situação política e o impacto que é provocado na sociedade. considerado o foco de uma administração tributária coerente. 52 A administração atual conseguiu viabilizar junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social – BNDES. impressoras. Identifica-se como uma grande barreira a dificuldade de conseguir convencer os políticos e a sociedade das mudanças necessárias e. cadeiras. ainda. como também o aumento da arrecadação municipal. treinamento para os servidores. . como sindicatos. conselhos de profissionais e entre outros. que a atualização trará justiça e equilíbrio fiscal. mesas. recursos do PMAT – Programa de Modernização Tributária. como também o Estatuto da Cidade em 2001. percebe-se já o interesse da sociedade em exercer seus direitos.

trouxe para o município de Londrina um novo comportamento nas receitas municipais. com a implantação de novas empresas. gerando com isso novos loteamentos e crescimento dos que já existem. o aumento da taxa de natalidade e migração de pessoas de outras regiões. onde há um grande índice de desemprego e também o baixo poder aquisitivo de quem tem sua atividade. dificultando assim a extinção do crédito com o pagamento. . Uma das causas pode ser atribuída a própria situação econômico-financeira do país. De acordo com Constituição Federal Brasileira. fiscalizações tributárias e a cobrança. são efetuadas com mais seriedade e eficiência. observa-se uma dificuldade por parte do município no que diz respeito a recuperação de valores inscritos em divida ativa. Grande parte da arrecadação das receitas advém do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). É necessário salientar também que na composição da receita existe o próprio crescimento econômico financeiro do município. seguidos pelo Imposto sobre Serviços (ISS) e Imposto sobre Transmissão Intervivos (ITBI). Entretanto. juntamente com a nova administração. tanto imobiliária como mobiliária. O aumento do valor orçado das receitas correntes ao longo de cada exercício deve-se ao fato de uma política de atualização cadastral fiscalizatória. 53 A lei de responsabilidade Fiscal. o que resultou num grande comprometimento com as finanças públicas. onde os procedimentos administrativos como inclusão e retificações de lançamentos. análises de isenções.

bem como cessão de direitos a sua aquisição. com ou sem edificação. por ato oneroso. e de direitos reais sobre imóveis. Imposto que tem como fato gerador os serviços listados pelo Decreto-Lei n. exceto os de garantia. exceto os de garantia. a qualquer título. Poderá ser progressivo. A instituição e cobrança do imposto cabem ao município em que estiver situado o bem. de bens imóveis. sendo definidos como: a) Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU): Este imposto incide sobre a propriedade. de forma a assegurar a função social da propriedade. por natureza ou acessão física. . situado na zona urbana do município. 54 estes impostos são declarados de competência dos municípios. c) Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) não compreendidos no campo de incidência do ICMS.º 406/68. a posse e o domínio útil de bem imóvel. mediante lei municipal. Este imposto incidirá exclusivamente sobre a transmissão onerosa inter vivos de bens imóveis e de direitos a eles relativos. Os municípios possuem autonomia para editarem lista de serviços de acordo com as especificidades de sua região. desde que não estejam alcançados pelo ICMS. definidos em lei complementar. b) Imposto sobre Transmissão Inter vivos (ITBI).

. 55 Quando ocorre a prestação de serviços juntamente com o fornecimento de mercadorias. a legislação prevê a incidência do ISS e do ICMS.

e os Estados entre os Municípios . conforme exposto no capítulo anterior e distribui determinado percentual da receita respectiva entre os outros entes federativos: a União entre os Municípios. com a finalidade de promover a justiça social e a igualdade econômica. 56 3. quando se descobriu que os mesmos poderiam ser usados como meio para redistribuir a renda. A divisibilidade das receitas se dá nas formas direta ou indireta. No Brasil.1 Divisibilidade das Receitas Tributárias As receitas tributárias foram distribuídas. quando são formados fundos e a repartição depende de rateios previstos na legislação. especialmente os impostos. A direta é quando um percentual de um imposto arrecadado pela União ou pelo Município é repartido com outro ente em uma relação simples. o Distrito Federal e os Municípios. Dentro do sistema tributário brasileiro um ente federado regulamenta os tributos da sua competência previstos na Constituição Federal e arrecada um imposto. Já a indireta. está previsto na Constituição da República o direito de uma ou mais pessoas políticas participarem da receita arrecadada por outra. . determinada pela Constituição.

essa constitui a principal fonte de arrecadação da maioria dos Municípios do Brasil.5% para o Fundo de Participação dos Estados.  22. 50% são destinados à região semi-árida. Nordeste e Centro-Oeste. b) Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI): 47% do produto da arrecadação desses impostos pela União é dividido da seguinte forma:  21. por sua vez. do total que cabe ao Nordeste. observando-se critérios da legislação. o principal critério para distribuição é o movimento econômico do Município. observados alguns critérios da legislação. no máximo. limitado a 20%.  3% para os programas de financiamento do setor produtivo das regiões Norte.5% para o Fundo de Participação dos Municípios. 57 3.1 Divisão indireta A divisão indireta também pode ser entendida como transferências inter governamentais que são assim distribuídas: a) O Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS): 25% do ICMS arrecadado pelos Estados pertence aos Municípios. cada . proporcionalmente às suas exportações de produtos industrializados.  IPI: 10% do produto da arrecadação desse imposto pela União é distribuído aos Municípios. para cada Município. que é dividido entre as Unidades Federadas.2. que é distribuído aos Municípios.

É Vedada a retenção ou qualquer restrição à entrega e ao emprego dos recursos atribuídos.2 Repartição direta É obrigatório o repasse das receitas arrecadadas pela pessoa política arrecadadora aos entes beneficiados. de repartição do ICMS. Estados. salvo a entrega dos recursos ao pagamento dos seus créditos contra Municípios e Municípios. destacam-se: a) Imposto de Renda (IR): Aos Estados e Municípios cabe o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na . conforme parágrafo único do Art.2. 58 Município entrega 25% do que recebe aos Municípios. inclusive de suas autarquias. 160 da Constituição Federal: Art. obedecidos os critérios. Parágrafo Único: A vedação prevista neste artigo não impede a União e os Estados de condicionarem a entrega de recursos ao pagamento de seus créditos. 3. nesta Seção. Dentre os impostos desta categoria. 160 . de competência municipal. aos Estados. O outro consiste na percepção de parcelas das quantias arrecadadas por outrem. A Constituição adota dois caminhos diferentes para proporcionar rendas às pessoas de direito público com capacidade política (União. aos Distritos Federal e aos Municípios. sendo vedada a retenção ou qualquer restrição à entrega e ao emprego dos recursos atribuídos. DF e Municípios). neles compreendidos adicionais e acréscimos relativos impostos. Um consiste na competência que dá a elas de arrecadar certos tributos sobre os quais têm direitos ao total do seu produto.

À medida que a sociedade se conscientiza da importância dos tributos. 59 Fonte (IRPF) sobre os rendimentos pagos. por eles. em especial os impostos. participando e acompanhando a aplicação dos recursos deles advindos e elegendo os representantes realmente voltados para os interesses da coletividade. suas autarquias e fundações. todos se beneficiam. 3.  Implementar a guia única de arrecadação. habitação e outras.  Ampliar o regime especial de Substituição Tributária.  Implementar a retenção na fonte dos tributos municipais na Administração Pública Municipal. na gestão e na despesa.2 Política de Incremento da Receita Tributária Percebe-se que para uma instituição governamental atender suas necessidades públicas. Nesse sentido. constituem a mais importante fonte de recurso público. educação. é necessário que a atividade financeira esteja focada essencialmente na receita. de competência da União. como a saúde. cabe aos Municípios em cujo território está localizado o imóvel. Levando-se em consideração que os tributos. a qualquer título.  Implementar o regime especial de estimativa. b) Imposto Territorial Rural (ITR): 50% do produto da arrecadação do ITR.  Implementar o processo de cobrança dos débitos fiscais. . BERBEL destaca alguns pontos relevantes para a otimização da receita pública:  Reduzir a evasão Fiscal.

 Recadastrar e manter atualizado os cadastros mobiliário e imobiliário.  Avaliar o processo de concessão de isenções e imunidades constitucionais. . 60  Implantar programa específico de acompanhamento da evolução das receitas municipais.  Ampliar a base tributária.  Promover a revisão contínua da Legislação Tributária.  Revisar os incentivos fiscais municipais.

Considera-se que a Lei de Responsabilidade e os movimentos de combate à corrupção vieram incutir na cultura brasileira uma mentalidade acompanhamento da aplicação destes recursos. 4. além de oportunizar o exercício da capacidade empreendedora dos brasileiros. voltado para as expectativas e necessidades do cidadão. capaz de crescer e gerar empregos. Nesse aspecto. consideram-se ser tais características uma condição essencial para conciliar a responsabilidade fiscal. apesar de timidamente. transparente. Essa preocupação. Tornar esse sonho possível é o grande desafio das autoridades. a melhoria da qualidade do gasto público e o atendimento às demandas da sociedade quanto a produtos e serviços públicos com qualidade. vêm se refletindo na legislação brasileira. 61 4 O CONCEITO DE CIDADÃO E CIDADANIA E A FORMA EFETIVA DE FISCALIZAÇÃO E CONTROLE DA APLICAÇÃO DE RECURSOS O objetivo da maioria da população é que o Brasil se torne um país socialmente mais justo. eficiente e eficaz.1 Aplicação de Recursos na Administração Pública Percebe-se nos últimos anos uma crescente preocupação da população e órgão oficiais no que se refere à aplicação dos recursos públicos. . que através da instituição de novas leis vem buscando o alcance de um Estado com agilidade.

até o final do primeiro ano da próxima administração. temos o Plano Plurianual que é um objeto de fixação de diretrizes e metas de despesas de capital. seja ela do setor privado ou público. Outra fonte de acompanhamento e fiscalização é o Orçamento Público. Na administração pública encontra-se o orçamento público. Dentro deste planejamento. O Orçamento Público consiste no . apresenta-se em forma de lei que se configura como um instrumento de controle no que se refere aos gastos públicos. Um orçamento faz parte da realidade de qualquer empresa. transparência de suas ações governamentais e controle social sobre os governantes. O primeiro passo é verificar se o que foi planejado pelo executivo está sendo realizado no que se refere à aplicação de recursos. Sua duração é de quatro anos e inicia-se a partir do segundo ano da administração que o elabora. 62 Isso reflete uma sociedade indignada com o crescimento da corrupção e da oligarquia política. o que aumenta a necessidade de participação. que consiste num planejamento onde são indicados os objetivos e meios financeiros a serem atingidos para um determinado exercício financeiro. Existem diversas formas com que a sociedade pode efetuar o acompanhamento de seus governantes. que é utilizado como instrumento para controle de gastos. Segundo Giacomo.

63

“instrumento de que dispõe o poder público, em qualquer de suas esferas, para
expressar, em determinado período, seu programa de atuação, discriminado a
origem e o montante de recursos a serem obtidos, bem como a natureza e o
montante dos dispêndios a serem efetuados”. (GIACOMO,1998) .

No orçamento público, as aplicações correspondem à despesa

fixada, autorizada e que não pode ser ultrapassada, proporcionando assim, uma

maior eficiência/eficácia no uso dos recursos públicos e também assegurando o

controle sobre as receitas e despesas públicas realizadas pelo poder legislativo.

Partindo do princípio que o planejamento das despesas configurado

no Plano Plurianual e Orçamento Público, é considerado importante instrumento no

delineamento de relações mais transparentes e democráticas entre o governo e a

população, surge então o conceito de orçamento participativo

O Orçamento Participativo desenvolveu-se a partir do Orçamento

Público e tem apresentado certa relevância nas últimas décadas. Segundo PIRES

define-se como:

... uma expressão que se tornou corrente em alguns meios políticos brasileiros
desde os anos 80, significando a adoção de práticas diferenciadas de gestão
orçamentária municipais, nas quais o ingrediente inovador anunciado consiste
na abertura de canais e mecanismos de participação popular no processo de
destinação de recursos públicos das prefeituras”. (PIRES, 1999)

Com o surgimento do orçamento participativo permitiu-se uma

participação mais ativa da população organizada, no sentido de aperfeiçoamento

político em relação às decisões sobre finanças e políticas públicas. Assim, o cidadão

passa a figurar como um cliente agente do setor público que tem o papel de analisar

o destino dos recursos que ele emprega neste setor com o pagamento de impostos,

64

repercutindo desta forma, numa pressão maior junto ao governo com vistas à

eficiência e ao melhor planejamento de seus gastos.

Considera-se o orçamento participativo um instrumento que visa a

retomada de consciência e abre alas para a cidadania. Entretanto é preciso que o

cidadão fique atento para que tal instrumento não seja usado como uma estratégia

de marketing político. Com esta intenção não provoca mudanças, pois apenas

vincula a idéia de democracia participativa ao governo, desvirtuando a finalidade de

um orçamento participativo.

O Orçamento Participativo possui amparo legal em diversas esferas

da lei federal, porém isso não garante um comprometimento do governo com a

participação popular. É preciso vontade e interesse político do governante, mas

principalmente a iniciativa do cidadão em cobrar o exercício da chamada

participação democrática.

4.2 A Cidadania no Processo de Educação

O conceito de cidadão e cidadania, apesar de não atual, vem sendo

muito utilizado nos últimos anos, tendo em vista a necessidade de se desempenhar

este papel efetivamente. Para Aurélio Buarque de Holanda, cidadania configura-se

como a “condição de cidadão”; já, cidadão vem a ser “o indivíduo no gozo dos

direitos civis e políticos de um Estado."

65

A cidadania teve sua origem na Grécia, onde cidadão era aquele que

habitava uma Polis (cidade) e exercia a política, ou seja, era participante da

democracia (excetuavam-se mulheres, escravos, velhos e crianças). Na época

medieval, a cidadania era exercida somente pelo rei, clero e nobreza.

Tais conceitos de cidadão e de cidadania consolidaram-se com a

instauração da democracia burguesa, que emergiu das famosas declarações dos

Direitos do Homem e do Cidadão, surgida posterior à Revolução Francesa.

Nota-se que no Estado moderno a cidadania se desenvolveu a partir

de revoluções sociais que buscavam direitos iguais para todas as classes sociais,

pois a cidadania era exercida sempre pelas classes dominantes, ou seja, aquelas

que detinham o poder em suas mãos. Entretanto, essa divisão perdura até os dias

de hoje e apesar de tanto se falar em democracia, observa-se que grande parte da

população encontra-se excluída socialmente e muitas vezes impedida de exercer

seus direitos.

Desta forma, a democracia passa a ser o sistema político que se

baseia no livre exercício da cidadania. Para ser um cidadão participante, é preciso

estar bem informado sobre os acontecimentos e as coisas públicas.

Em termos de Brasil, pode-se afirmar que nos últimos anos houve

uma ampliação na oportunidade de se construir um novo papel ao cidadão, aquele

que é muito mais engajado e participativo no fazer político e nas decisões a serem

A Cidadania Ativa ocorre com a participação popular instituída através de uma medida ou propaganda governamental.) A idéia de república evoca os deveres e sacrifícios que o cidadão deve aceitar para defender e tornar viável a comunidade de cidadãos (TOURAINE apud MAHFUS s. porém sem uma continuidade institucional. de vontade geral... mas o espírito republicano. de Hobbes a Rousseau..] supõe a participação popular como possibilidade de criação. constituiu. (. . idéia que.) Diante da realidade em que estamos inseridos surge a Cidadania Ativa. O conceito de Cidadania Ativa enfatiza a imprescindibilidade da participação popular na sua construção. Touraine esclarece que A cidadania traz em primeiro lugar a idéia de consciência coletiva. considerada como um novo conceito de cidadania que busca superar os limites da visão clássica do liberalismo. Falta no entanto oportunidades e conscientização para que esta participação se realize de uma maneira mais efetiva. transformação e controle sobre o poder. a idéia dos antigos. considerando-se que há uma grande distância entre o povo e os órgãos de decisão nas sociedades contemporâneas.. não a democracia liberal respeitadora dos direitos humanos fundamentais. assim como a necessidade de uma profunda alteração das relações entre o Estado e a sociedade na construção de espaços públicos. surgida a partir de práticas emergentes da sociedade civil e das experiências de participação popular desenvolvidas por gestões públicas democráticas. Para BENEVIDES (1998) “È a realização concreta da soberania popular [. ou poderes”. 66 tomadas que o influenciam direta ou indiretamente.d.

De acordo com ARROYO o vínculo existente entre educação e cidadania pode ser visto . apesar de que essa cultura ainda representa um obstáculo à legitimação dos instrumentos de participação popular. “.” Parte-se do pressuposto que a educação é uma precondição para o exercício pleno da cidadania. conforme afirma BENEVIDES (1998). Surge então a necessidade de se educar a população com vistas ao pleno desempenho da cidadania ativa. Daí sobrelevar-se a importância da educação política como condição inarrecadável para a cidadania ativa – numa sociedade republicana e democrática. A introdução deste princípio participativo da população é uma forma de conter uma tradição oligárquica e patrimonialista existente em nosso país.. Segundo ARROYO (1996) “o mesmo discurso que enfatiza a liberdade e a cidadania enfatiza a necessidade da educação para a liberdade e para a cidadania.. ou seja. permitindo que o povo passe a se interessar e participar diretamente dos assuntos diretamente ligados à eles. 67 Com a institucionalização de práticas de participação. além de se manter bem informado sobre os acontecimentos que os cercam.” Considerando que o povo brasileiro vêm de um longo período de exclusão. conclui-se que o não exercício da cidadania plena é advindo do despreparo em que se encontram. procura-se estreitar os laços entre a sociedade e a administração pública. primeiramente é necessário dar instrução ao homem comum para que ele seja aceito como cidadão e desempenhe este papel.

de não-aptos como sujeitos de história e de política. (ARROYO. Essa preocupação vem se acentuando a partir dos anos 80: cada vez mais brasileiros passam a ver a . informações fiscais básicas para convívio em sociedade. Incutir questões da sociedade buscando a análise crítica faz com que o educador passe a participar e exercer o seu direito de político. desempenhando importante fator no processo de distribuição de renda de um país. 4. e a legitimação da repressão e desarticulação das forças populares por teimarem em agir politicamente fora das cercas definidas pelas elites civilizadas como o espaço da liberdade e da participação racional e ordeira. vem agindo durante séculos para justificar a exclusão da cidadania. Isso reflete diretamente na forma em que ocorre organização do gasto público. na transparência e também no planejamento das decisões governamentais sobre alocação de recursos. Isso é um dos princípios da educação fiscal e também da educação tributária. já que o tributo está presente desde a sua formação até as suas lutas por direitos iguais. isso é feito a partir do acompanhamento aos eleitos no que se refere ao controle de suas ações para o bem público. a condenação das camadas populares à condição de incivilizados.3 Os Gastos Públicos e o Controle e Fiscalização da Arrecadação A partir da Constituição de 1988 a ênfase se dá na necessidade de se reformular o setor público com vistas à redução de esbanjamento. O eleitor tem o direito e a obrigação de se preocupar com a redemocratização do país. Só assim o educador pode desempenhar seu papel de repassar aos alunos as informações básicas sobre tributação que lhe serão úteis em seu dia a dia. 68 como precondição para a participação. 1996) É imprescindível a todo cidadão.

no caso da Prefeitura de Londrina a Auditoria Interna. Legislativo. O controle externo das contas públicas é feito geralmente por órgãos oficiais. Quando uma instituição adota estes mecanismos de controle. que possuem independência em relação aos demais poderes e ampla autonomia administrativa e funcional para exercerem suas funções. este controle pode também ser exercido por outros órgãos como: Poder Judiciário. vereadores. Executivo. fiscalizar aquele quem ele escolheu para representá-lo. Esta preocupação com o controle dos recursos públicos e combate à corrupção e à impunidade vem se despontando na . deputados. ou seja. 69 importância de se fiscalizar os prefeitos. aperfeiçoando os mecanismos pelos quais desempenham suas atividades de acordo com as próprias necessidades do Estado. sejam por órgãos internos ou externos. Já o controle interno é realizado por um órgão integrante da própria Administração. Existem diversos órgãos de fiscalização e controle que exercem suas ações de várias formas. pode-se dizer que ela se encontra num elevado nível de modernização. que é responsável pela verificação dos atos administrativos de índole financeira e orçamentária. Mas a sociedade também tem papel fundamental no controle e fiscalização dos seus representantes. governadores e até mesmo o presidente da República. como o Tribunal de Contas e Controladorias. etc. Ministério Público. Entretanto.

70 sociedade brasileira. considera-se de fundamental importância a adoção de educação política e fiscal com vistas ao alcance deste objetivo. por não ser o foco deste trabalho. A fim de preparar o povo para a efetiva participação democrática. Enfim. Porém este assunto não será aprofundado. uma vez que estamos passando por uma fase em que a moralização do serviço público encontra-se em destaque e o acompanhamento e controle do uso do bem público é uma necessidade. Nota-se uma pré-disposição da população em acompanhar as decisões políticas de seu representante. mas não há uma continuidade. da fiscalização dos interesses individuais e coletivos. Em nível de participação ela vem assumindo papel importante na fiscalização dos recursos arrecadados pelo poder público. possibilitando reverter a imagem que . aliada à Lei de Responsabilidade Social. A Constituição Federal. talvez pelo fato de acreditar na impunidade. confere ao cidadão o desempenho de seus direitos no que diz respeito a denuncias de irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas. O cidadão isolado ou até mesmo organizado em associação tem participado. Entretanto. percebe-se que em termos de representatividade isso ainda é muito pouco. Percebem-se algumas mudanças neste quadro de estagnação da cidadania que a sociedade apresenta. apesar de timidamente.

. a fim de consolidar o efetivo controle e participação do cidadão na administração da coisa pública. È importante que a eles sejam garantidas a informação e a consolidação institucional de canais abertos para a sua participação. 71 hoje se tem de uma população não apta. submissa e incapaz de participar das decisões que a afetam diretamente no seu dia-a-dia.

estaduais e municipais para a instituição e a exigência de tributos. como medida de contraprestação da realização dos serviços de natureza pública executados pelo Estado para a satisfação do bem comum e da sociedade. a relação jurídica tributária estabelecida entre fisco e contribuintes. emanam e estão expressos nas disposições da Constituição Federal. VISANDO MINIMIZAR AS CAUSAS DO NÃO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O poder de tributar é uma manifestação da soberania do Estado. não se apresenta como sendo suficiente para a realização de um modelo ideal e justo de tributação no país. que ao mesmo tempo que atribui competências aos entes federal. representando desta forma. de forma igualitária. . todos os cidadãos à condição de contribuintes de tributos para a manutenção e o provimento dos bens e serviços de interesse público. 72 5 SENSIBILIZAR E EDUCAR OS CIDADÃOS. bem como o poder de tributar dela decorrente. A soberania Estatal. decorre do jus imperii e permite compelir as pessoas ao pagamento de efeitos financeiros para a garantia substancial das receitas do erário. também assegura as garantias e direitos dos contribuintes através das limitações ao exercício desse poder. Contudo. apesar do direito tributário positivo regulamentar o poder de império e de soberania do Estado perante os contribuintes e buscar submeter.

acaba resultando numa ação voraz que pode tanto ser indesejável quanto gerar uma tendência capaz de agravar e provocar tensão na relação tributária e os sujeitos nela envolvidos. que são praticadas tanto pelo Estado quanto pelo Contribuinte e que trazem conseqüências bastante prejudiciais à sociedade como um todo. Ao contrário. como se não bastasse. na prática percebe-se que o que se tem é uma relação marcadamente tensa e conturbada e. Sob o ponto de vista do Estado. qualquer que seja o motivo. E ainda segundo o referido autor. Diversos são os tributaristas que se manifestam a esse respeito. eventualmente pode-se verificar em sua prática a adoção de uma exação indevida e exagerada como uma medida de possível solução ao déficit público ou como uma necessidade decorrente de uma mera incapacidade ou ineficiência administrativa. mas que. 73 Devido à existência de inúmeros fatores como. conforme BECKER (1996) “a tributação irracional dos últimos anos conduziu os contribuintes (em especial os assalariados) a tal estado que. hoje. entre outros que são praticados por ambos os lados da relação fisco x contribuinte. inobservância dos direitos e obrigações. . práticas abusivas e ilegais. “restam-lhes apenas a fé e a esperança na mudança desse estado de coisas”. por exemplo. passível de ações de afronta e de burla à obrigação tributária e à lei. não se obtém um relacionamento recíproco e harmonioso que tem como causa uma finalidade comum a ambos os pólos dessa relação. só lhes resta a tanga”.

quando pouco.” (CARRAZA. diminuí-las. 1996). ou seja a obtenção de recursos para a realização dos serviços públicos essenciais e de satisfação do bem comum. fazendo-se mister. Nas palavras da tributarista Elizabeth Nazar Carraza. 74 Distorções desse tipo devem ser evitadas e combatidas para que a tributação. Por outro lado. a igualdade de possibilidades. enquanto um objeto pleiteado pelo Estado e tutelado pelo Direito. fraude e evasão fiscal que visam burlar a Fazenda Pública no que diz respeito ao recolhimento do tributo. tem-se que: O Estado não pode. omitir-se diante das desigualdades sócio- econômicas existentes. subjetiva e individual. portanto. Para esse fim. Num quadro com essas características tanto a Fazenda Pública quanto os contribuintes e. ainda. o que. que a própria relação dela resultante deva estar normatizada de tal modo que proporcione tal finalidade com justiça e igualdade fiscal. bem como a tributação desigual e a impunidade aos maus contribuintes. por diversos motivos de ordem financeira. bem como a finalidade secundária de promover uma melhor distribuição de . mais ainda. não sofra com desvios ou descaminhos que prejudiquem o alcance de sua finalidade primária e essencial. de ações que consistem em sonegação. Tem o dever de atuar no sentido de corrigi-las ou. toda a sociedade acaba prejudicada quando não é concretizada a finalidade principal da tributação. garantindo a todos. no que se refere aos contribuintes em geral pode-se verificar a prática. inúmeros são os dispositivos constitucionais relativos à ordem econômica e social. além disso. destacando-se a elevada carga tributária e a infinidade de tributos que a torna demasiado onerosa. costuma ser acompanhado de diversas justificativas que buscam legitimar tal conduta.

isso em detrimento de toda a coletividade. contaminam-se ambos os seus agentes. o que prejudica o deslinde da relação tributária e de seus fins. fruto de uma mentalidade e uma cultura que marca a formação da sociedade brasileira e do seu povo. a história e a formação da organização da sociedade e do povo brasileiro. tensa e injusta. Fazenda Pública e contribuintes. de desapego ao . Entre outros autores. que seria dotada de um espírito anti-moderno. fraudes e sonegações praticados pelos agentes da relação tributária. Nesse quadro são poucos os que ganham. destacou-se a partir dos anos trinta do século passado o cientista social Sérgio Buarque de Hollanda. destacando o passado. Em análise dos estudos e opiniões de inúmeros especialistas. torna-se válido e relevante uma passagem. do caráter arcaico. conservador e de privilégios. tais condutas são em muito atribuídas como uma herança histórica. Estado e cidadãos. que faz uma análise sociológica e crítica acerca da sociedade brasileira. a relação jurídica. e bem como a alguns desses programas já instituídos pelos entes públicos para o combate a essas irregularidades e excessos. ainda que breve. Diante disso. E é como possível antídoto contra esses males que são pensadas e criadas algumas ações e programas como o desenvolvimento da denominada Educação Fiscal. social e econômica que envolve a tributação torna-se precária e enfraquecida. Sendo assim. 75 renda entre a população.

por exemplo. que dessa forma representa uma sociedade formada por poucos privilegiados e muitos oprimidos. 76 trabalho e à conduta racional e impessoal. não só uma sociedade como também um próprio Estado que. a Portugal especialmente. Segundo as palavras do próprio Sérgio Buarque de Hollanda. . uma tradição longa e viva. Podemos dizer que de lá nos veio a forma atual de nossa cultura. o resto foi matéria que se sujeitou mal ou bem a essa forma. Foi-se constituindo. menos ainda. portanto. a verdade. é que ainda nos associa à Península Ibérica. de uma herança cultural dos nossos colonizadores portugueses. em que fica comprometida uma linha demarcatória entre as esferas pública e privada. utilizado em benefício e por interesses de particulares. por menos sedutora que possa parecer a alguns de nossos patriotas. dotados de um espírito aventureiro e explorador que marca profundamente a nossa formação. o espírito de conquista e de exploração e não de uma conduta racional e empreendedora e. O mesmo autor possui um estudo a respeito da nossa formação cultural. fortemente marcado por heranças de caráter patrimonialista e patriarcal. escrito na década de Trinta do século passado. bastante viva para nutrir. (BUARQUE. tem- se que: No caso brasileiro. a despeito de tudo que nos separa. apresenta-se como um prolongamento das relações pessoais e familiares. no seu livro clássico “Raízes do Brasil”. até hoje. de um espírito revolucionário burguês ou mesmo de um espírito liberal. devido às características citadas acima. segundo esse e diversos outros autores. por ser marcado pelo patrimonialismo. uma alma comum. 1999). em que prevaleceu. que segundo ele trata-se de um transplante da cultura européia.

particularista e baseada em privilégios que sempre teria marcado o exercício do poder no Brasil. no Brasil ele não se constitui como um representante pleno de uma coletividade. Desse modo. a consolidação das relações de caráter impessoal e racional no nível estatal fica prejudicada. herdado dos colonizadores portugueses. ao contrário. Portanto. de uma democracia. mas sim de uma sociedade hierarquizada e autoritária. considerando-se o Estado como resultante da própria sociedade e que pode ser compreendido a partir do entendimento que se tem desta. constrói uma tese demonstrando o caráter patrimonialista do Estado brasileiro que responderia. seriam especialmente por esses fatores históricos. pela substância intrinsecamente não-democrática. Portanto. em última instância. 77 A esse respeito o cientista social Raimundo Faoro. a mentalidade e a consciência do povo . ainda se constitui em muito como uma mera generalização da lógica da sociabilidade familiar baseada nos laços pessoais e afetivos que caracterizam o personalismo. que teriam marcado profundamente as raízes. que se traduz em um dos impedimentos para o desenvolvimento de um Estado racional democrático capaz de possibilitar um trato objetivo e igualitário das questões de ordem pública e que. anti-liberal e excludente. em seu livro clássico denominado “Os Donos do Poder”. que privilegia as suas elites em detrimento da população como um todo. E assim. verifica-se que o desenvolvimento do patrimonialismo estatal dá-se a partir do caráter personalista da sociedade brasileira. conservadora e patrimonialista.

O problema neste caso é a sonegação e a ineficiência do Estado em arrecadar. Por tudo isso que. e o que não dizer especificamente entre a Fazenda Pública e os contribuintes em relação ao recolhimento do tributo. face os nossos fortes traços culturais do personalismo. O sistema tributário brasileiro induz à evasão. patrimonialismo e individualismo. por conseguinte. dada a falta de punições exemplares aos sonegadores. mais vulnerável à sonegação e à evasão fiscal estará o Estado. que acabam fazendo com que o espírito coletivo e de cidadania tenha tanta dificuldade de florescer no Brasil. Existe sim a necessidade de haver um equilíbrio da carga tributária . individualistas e indesejadas tendem a ocorrer no campo das relações entre Estado e cidadãos. irregulares. práticas e condutas arbitrárias. Nota que esse processo tem se agravado cada vez mais. o respeito em relação às regras e às políticas da esfera pública transcendendo a esfera e os interesses privados e individuais. concentrando a carga tributária em quem não tem como fugir ao pagamento do tributo. que se contrapõe a uma conduta racional e impessoal de obediência aos acordos e compromissos e estendida de modo igualitário entre todos os indivíduos. As multas baixas e a falta de aplicabilidade das leis punitivas que disciplinam a arrecadação e o desconhecimento educacional tributário da população contribuem à sonegação. aliado a uma falta de politização e de institucionalização na sociedade. 78 brasileiro. faz com que não haja muito a noção e. Na realidade não existe sistema eficiente de punição a sonegação. Quanto maior a carga tributária.

cultural e econômica. entre outras. a postura e a visão radical do capitalismo selvagem e individualista. entre seus objetivos. É sabido que a noção de cidadania enquanto um conjunto de direitos e deveres dos cidadãos perante o Estado. 79 e instrumentos eficientes de punição à evasão fiscal e disciplinar com a implantação de programas educativos na área fiscal. como por exemplo o receio de arcar com o ônus do tributo e levar desvantagens frente à concorrência. programas como o da Educação Fiscal tornam-se relevantes na medida em que tem. os costumes e valores culturais de obter “jeitinhos” e vantagens em relação aos demais. deve ser construída em meio a um processo histórico de interiorização e de conscientização dos respectivos direitos e deveres que ela representa. . o de buscar o aperfeiçoamento de uma relação que é de caráter essencial para o Estado e os cidadãos brasileiros. e também mediante a utilização de mecanismos de eliminação de possíveis causas do não cumprimento desse dever. e enquanto um valor a ser perseguido. A consecussão desse objetivo tem como caminho o combate à sonegação e à evasão fiscal mediante a educação cívica e a conscientização dos cidadãos para a consolidação do recolhimento do tributo como um ato de cidadania que deve ser estendido a todos com igualdade e justiça. o bem comum e a sociedade municipal. e o descomprometimento com a vida pública. Por conseguinte. Entre essas possíveis causas pode-se identificar diversas questões de ordem social.

bem como o deslinde da relação tributária entre Fisco e contribuintes. . pois conforme já constatado. São esses. a sociedade. mas não o exercem com a sensação de que todos os demais brasileiros adotem esse mesmo comportamento. médio e longo prazo. através da educação fiscal. ou então o exercem carregados por sensações de injustiça. a sua conduta na boa aplicação das receitas públicas e o modo de suas ações para com os bons e maus contribuintes também tem forte repercussão sobre o comportamento dos indivíduos enquanto cidadãos contribuintes. devem ser propostas para atingir também a própria máquina do Estado. que muitos contribuintes possuem. os objetivos que as medidas de educação fiscal a serem propostas devem ter. entre outros. além de focadas no combate a essas questões e a essa mentalidade que contaminam a sociedade civil. Também é preciso. 80 Desse modo. em meio ao programa de educação fiscal devem estar contidas algumas medidas que tenham como efeito o combate e a desconstrução desse tipo de comportamento e mentalidade que em muito prejudica o Estado. E. para incutir o comportamento de cidadania e a sensação de cumprimento do dever no ato de recolhimento do tributo devido. desigualdade e exploração frente aos demais membros da sociedade. a construção de um processo histórico com medidas a curto.

81 6. . através dela. Através dessa consciência. sendo possível. sem que para isso alguém tenha que se sacrificar. Pretende-se com isso. bem como a importância da busca pelo bem coletivo. a sua exata participação na sociedade. O verdadeiro propósito da Educação Fiscal cinge-se na criação de uma consciência coletiva que leve todo contribuinte ao recolhimento dos tributos devidos. bem como acompanhar e por que não. retirar do Estado. Um Projeto de Educação Fiscal não deve estar atrelado a qualquer espécie de programa de governo. o desenvolvimento da consciência dos cidadãos. é possível uma aproximação da relação entre o Estado-arrecadador e o contribuinte salientando o papel de cada um. a respeito da relevante função social dos tributos e reflexos na qualidade de vida da população. busca da justiça social e redução das desigualdades. mas ser uma das reivindicações permanentes da sociedade para a eficaz aplicação de recurso públicos com a exigência da participação popular através de amplo debate e planejamento estratégico para o desenvolvimento sustentável de uma cidade. o papel repressivo e punitivo que gera a sonegação fiscal. ajudar o gestor público nesse trabalho. incutindo em cada cidadão. fiscalize sua correta aplicação e ajude no processo de desenvolvimento de sua cidade. Aquele que paga seus impostos titulariza-se no direito de reivindicar melhorias e fiscalizar a correta aplicação de recursos. PROPOSTAS DE AÇÕES PARA ORIENTAÇÃO À POPULAÇÃO A Educação Fiscal está intimamente atrelada a uma das formas de promoção da cidadania.

Antes. criou em 1996 um mecanismo simples e bem bolado para incentivar o uso correto do dinheiro do contribuinte. não se restringindo tão somente ao exercício do voto. (NUNEZ e ARANHA. No governo Lula o passo importante foi a criação da CGU ligada à Presidência da República. . 82 É através desse tipo de ação que se exerce a cidadania. A fiscalização na aplicação de recursos públicos através de diretrizes emanadas da Lei de Responsabilidade Fiscal sem dúvida alguma simboliza o início da vontade dos governantes na moralização no trato da coisa pública. batizada de Robin Hood. por exemplo. previsto na Constituição da República. o ICMS era distribuído para os municípios de acordo com critérios quantitativos. é um grande inibidor da corrupção. mas também na participação espontânea da população no cumprimento do dever de pagar tributos ao Estado. Um processo de educação fiscal se levado a sério. A lei. denota-se o engajamento na modernização da forma de distribuição de recursos e sua fiscalização. não ao seu bel prazer. . conforme trecho que se segue: Dentro do setor público o esforço é grande.. elaboração do Orçamento Anual e fiscalização para a sua correta aplicação. como o tamanho da população – como ocorre em vários estados.. criou um sistema de pontuação que dá nota para a aplicação dos recursos. escolhidas por sorteio. mas de acordo com a vontade popular. Em um ano e nove meses. Em resumo. O governo mineiro. O órgão juntou duas repartições que tinham como função apenas protocolar e criou uma estrutura para vigiar a aplicação dos repasses federais para os municípios. Descobriu que 98% delas eram prejudicadas por fraudes ou por incompetência de seus prefeitos. Em recente matéria publicada na revista “Época”. para receber mais verba o prefeito precisa provar que gastou com eficiência o dinheiro que já tinha recebido. 4 de outubro de 2004. 2004) Não podemos esquecer portanto que o voto outorga poderes ao político para administrar a cidade e gerir recursos públicos. a controladoria passou o pente- fino em 310 cidades.

f) Servidores. d) Secretaria de Governo (Núcleo de Comunicação Social). A Educação fiscal é fator essencial para o alcance desse objetivo. no qual o ente público estabeleceria processos de ensino-aprendizagem com a população utilizando-se de ferramentas e recursos já existentes. tais ações poderiam ser alavancadas através da efetiva participação de Secretarias afins em um Programa de Educação Fiscal. que seu esforço pode e será revertido em seu próprio benefício. pois possibilita o estabelecimento de um caminho concreto para auxiliar a formulação de novos paradigmas. 83 Necessário se faz incutir na consciência geral. No âmbito Municipal. b) Secretaria Municipal de Educação. tais como: a) Secretaria Municipal de Fazenda. aliviando o peso sobre o Estado em razão de suas inúmeras funções. . e) Orçamento participativo. c) Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento. mais especificamente no Município de Londrina.

fontes de custeio e aplicação dos mesmos. industriais. a sensibilização do seu público interno far-se-á através de reuniões e apresentação de palestras. etc. previsão orçamentária. apostilas e cartilhas orientadoras. poderá adotar medidas educativas através de manuais. depende do comprometimento da alta administração. cujo objetivo. através de seus servidores. agropecuárias. será o de cooptar multiplicadores. Além disso. associações de moradores. principalmente do seu corpo fiscal. sem a qual torna-se infrutífera qualquer tentativa de aprofundamento nesta área. exteriorizando sua vontade através do envio de um projeto de lei (anexo) à Câmara Municipal para formalização do programa e vinculação de todos. A primeira etapa do processo de implantação do Programa de Educação Fiscal. tais como: sindicatos de empresas. demonstrando a natureza jurídica do tributo. atraindo . A partir daí. além da sensibilização de todos. com servidores da própria Secretaria de Fazenda e Núcleo de Comunicação Social. A Secretaria Municipal de Fazenda. associações comerciais. como já salientado. imobiliaristas. é possível incentivar estudos acadêmicos acerca da Educação Fiscal nas diversas instituições de ensino superior do Município. Também podem ser realizadas palestras com os diversos segmentos da sociedade organizada. 84 Insta observar que a perfeita aplicação do programa mencionado depende da vontade política dos governantes.

para que haja uma linguagem universal sobre o tema. lazer. os alunos aprenderão em sala de aula que os recursos provenientes da arrecadação de tributos retornam para a população através da execução de obras de infra-estrutura. Os professores poderão adotar cartilhas e apostilas instrutivas de modo a esclarecer a importância do recolhimento dos tributos no desenvolvimento da democracia e no bem estar coletivo. através da inclusão. Através da rede pública de ensino. construção de estradas. sociais e econômicos e compreensão da aplicação da arrecadação dos recursos públicos. 85 multiplicadores e capacitando-os. segurança. nas disciplinas do currículo escolar do Ensino Fundamental e Médio de temas diretamente relacionados com aspectos tributários. saúde. de maneira transversal. saneamento. A partir da capacitação dos professores (multiplicadores). . é possível o implemento em sala de aula. afeta à Secretaria Municipal de Educação. cultura. inobstante salientar a desvinculação dos impostos e sua aplicação. A proximidade desses multiplicadores pode ser aproveitada para demonstrações práticas da aplicação de recursos derivados da arrecadação de tributos no próprio bairro onde vivem. educação e turismo. de atividades voltadas para a Educação Fiscal.

86

Outra forma de participação popular no auxílio da gestão pública

está inserida nos Orçamentos Participativos, que se afiguram por serem o elo de

ligação entre os anseios da população e a Administração Pública.

Félix Sanchez, apresenta a seguinte exposição acerca do

Orçamento Participativo:

O orçamento participativo aparece como uma proposta consistente de reorganização da
sociedade e do Estado por meio da participação popular. Mais cedo do que tarde, perto
de todos nós, o OP descortina um horizonte de possibilidades que está recolocando
com a força de novos protagonistas sociais o desabrochar de uma nova onda
democratizadora em nossas sociedades. (SANCHEZ, 2002)

No Município de Londrina, o orçamento participativo já é presente,

tendo demonstrado ser eficiente no diagnóstico das necessidades da população,

incentivando com isso cada vez mais a sua participação.

Pretende-se com essas ações incentivar a ampla participação

popular, combatendo a sonegação fiscal, a evasão de divisas, a concentração de

renda e as desigualdades sociais, de modo que todos se capacitem e se

transformem em multiplicadores aptos ao pleno exercício da cidadania dentro do

estado democrático de direito.

87

7. CONCLUSÃO

A sociedade em geral encontra-se indignada com a má aplicação de

recursos públicos, desvios e ineficiência dos serviços prestados nas áreas de

educação, saúde, transporte, segurança pública, entre outros.

Diante desta situação consternante, identifica-se uma grande

oportunidade de despertar a importância da participação democrática do cidadão no

momento da escolha de seu representante, na sua participação na elaboração do

orçamento público, no desenvolvimento das receitas arrecadadas como também o

acompanhamento da sua aplicabilidade, a fim de conscientizar o indivíduo com

relação à sua representatividade.

Nesse sentido, considera-se ser de fundamental importância a

implementação de um programa de Educação Fiscal para o município de Londrina.

Partindo-se do principio que tal programa tem como função levar o cidadão à

participação efetiva na gestão dos recursos públicos, que estão sob

responsabilidade do Estado.

É preciso conscientizar a população com relação à necessidade de

fiscalização, a medida que sejam garantidas informações necessárias para isso.

Atualmente os meios de comunicação são extremamente efetivos, o que

proporciona ao cidadão a possibilidade de um melhor acompanhamento da gestão

da coisa pública

88

Entretanto, é preciso despertar essa consciência, já que

culturalmente a sociedade brasileira tem bastante resistência no que se refere a

tributos, por exemplo. O problema não está necessariamente na carga tributária e

sim na destinação do que foi arrecadado. Pois as pessoas precisam acreditar que o

dinheiro pago na forma de tributos terá uma destinação adequada. Por exemplo o

dízimo é uma forma de contribuição onde a pessoa acredita que seu emprego será

adequado.

Desta forma, este trabalho buscou apresentar os principais fatores

culturais da sociedade, explicitou alguns conceitos advindos da necessidade de

participação e finalizou com uma proposta de Educação Fiscal para o município de

Londrina.

É fato de que o Estado, ao longo de sua história, tem agido como

controlador da cidadania, já que abre apenas canais de participação política

controlados pelo Estado, restringindo a movimentação dos grupos sociais. Mas

diante da necessidade de transparência este quadro está mudando.

Acredita-se que a partir da educação da população será possível

haver um estreitamento dos laços existentes entre o cidadão e o Estado, tornando

essa relação saudável para ambos os lados. O fator que pretende-se atacar com

este projeto é a desinformação, fazendo do cidadão um membro efetivo no processo

desde que a alta administração da prefeitura esteja de acordo. 89 de fiscalização e controle do que é arrecadado. bem como levar conhecimento da importância do tributo para o bem da sociedade. através do ensino fundamental e médio. onde pretende-se trabalhar com palestras e a formação de um futuro cidadão participativo. Os resultados serão obtidos a médio e longo prazo. . Considera-se que tal projeto é totalmente exeqüível.

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93 ANEXO .

94 .