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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

Verenice Moteleski Olchel

O papel da mãe na educação dos filhos em algumas famílias na
cidade de Curitiba.

CURITIBA
2010

Verenice Moteleski Olchel

O papel da mãe na educação dos filhos em algumas famílias
da cidade de Curitiba.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Curso de Pós Graduação em Psicologia Clínica da
Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da
Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito
parcial para a obtenção do título de Especialista
em Psicologia Clínica.

Orientadora: Profa. Dra. Maria Cristina Antunes

CURITIBA
2010

TERMO DE APROVAÇÃO

Verenice Moteleski Olchel

O papel da mãe na educação dos filhos em algumas famílias da
cidade de Curitiba.

Esta monografia foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Especialista em Psicologia
Clínica no Curso de Pós Graduação em Psicologia Clínica da Faculdade de Ciências Biológicas e da
Saúde da Universidade Tuiuti do Paraná,

Curitiba, Junho de 2010.

__________________________________
Banca examinadora: Denise de Camargo

Pós Graduação em Psicologia Clínica
Universidade Tuiuti do Paraná

____________________________________
Orientadora: Profª Dra. Maria Cristina Antunes

com perguntas sobre o histórico da criança. ficando assim divididas entre o trabalho e a educação de seus filhos. A entrevista foi gravada em áudio. e têm dificuldades com a tarefa de educar e dar limites a seus filhos. educação recebida pela mãe da criança e infância da mãe. Esta entrevista semi-aberta foi aplicada em dez mães entre 25 a 37 anos que residiam na cidade de Curitiba que apresentavam alguma queixa referente a educação de seu (s) filho (s). Palavras chave – Educação e limites – Mães – Psicodrama. mas também se deparam com vários conflitos e aflições. . posteriormente foi realizada uma análise de conteúdo das entrevistas e a discussão dos resultados teve como embasamento teórico o Psicodrama. muitas se sentem inseguras. e em seguida transcrita. também analisou a educação e os limites que as mães tiveram em sua infância. desorientadas e não têm ainda definido o seu papel de educadoras. Como as mães lidam com os limites na educação dos filhos. muitas perguntas passam pela cabeça das mesmas. as semelhanças e diferenças na educação recebida pela mãe e a forma como desempenha seu papel. rotina familiar. incluindo as dificuldades que as mães têm em colocar limites em seus filhos. relação da criança com outros cuidadores. Sentem dúvidas quanto ao seu procedimento na educação e referente á questão de impor limites a seus filhos. os limites. o papel do pai e da mãe na educação de seus filhos. Portanto por meio da presente pesquisa foi possível analisar através de uma entrevista. semi-aberta. RESUMO No mundo atual a maioria das mães trabalham. Ao assumuir seu papel de mãe. No decorrer da educação de seus filhos sentem muitas alegrias.

..4 2 OBJETIVOS .............................................................................................................................................................................................................................................................................................................12 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ...............................10 3................1 Educação e limites.....................................................18 4 CONCLUSÃO ....................1 1..........27 ................................... SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................21 REFERENCIAS ...............................9 3....................................................15 4.........3 Educação recebida x educação dos filhos ...................................1 Participantes ........2 Procedimentos .............................................................................................................................................................2 Educação recebida .............................................13 4.....................................................................9 3 MÉTODO ..........2 Educação e limites ......1 Teoria de Papéis e Matriz de Identidade ..............................................11 3.....................................................................................................................................................................................................................................................................................3 Instrumentos ....................................25 ANEXOS..........................................................................................................................1 1.. Dados sócio demográficos de um grupo de mães da Cidade de Curitiba P/R ..............................12 Quadro 1.................13 4....10 3................................................................................4 Análise dos resultados ....................................................

Todos os papéis desempenhados são observáveis. e emprega métodos dramáticos. As teorias psicodramáticas induzem o conceito de papel para as extensões da vida. Definiu o conceito de papel sendo a menor unidade que pode ser observado de conduta. Na sociedade as pessoas exercem tarefas segundo a sua classe social.1 . onde pessoas e objetos se envolvem. o psicodrama permite verificar o papel que cada indivíduo desempenha em várias ocasiões. ação e colocação social. O papel de cada um. Wollf e Almeida (1988) o termo . Wollf e Almeida (1988) Os papéis se complementam. Não existe papel se não houver outro para complementar.papel implica a inter– relação e ação. Como não existe papel de . Segundo Schutzenberger (1970). uma vez que as denominações vagas impediam que fosse conectado aos fatos que podem ser observados e mensurado. o conceito de papel seria melhor adequado em relação ao de personalidade. Conforme Moreno. quem determina é o outro. Surge em específicas ocasiões e situações.INTRODUÇÃO 1. a teoria do psicodrama e também para Moreno é uma ciência que procura a verdade ou a realidade das pessoas. Ainda para Gonçalves.1. associam papel como algo que integra a representação teatral. Segundo Gonçalves.Teoria de Papéis e Matriz de Identidade Esta pesquisa tem como tema o papel da mãe na educação dos filhos e teve como base a teoria psicodramática.

Estão integrados com ações que são realizadas no mundo do ser humano ou nos relacionamentos interpessoais. P. 1988. acaba. o . um deputado. e regressa ainda como papel. um policial. (. pode ser definido como uma parte ou um caráter assumido por um autor para a realidade..mãe se não houver papel de filho e vice-versa. Finalmente. O papel pode ser definido como uma pessoa imaginária criada por um autor dramático. uma situação especifica em que outras pessoas ou objetos estão envolvidos.. o bebê vive em um universo indiferenciado (matriz da identidade) essa matriz existe mas não é experimentada. o Surgimento dos papéis ocorre antes do aparecimento do eu. O papel é a forma de funcionamento que o indivíduo assume em algum momento. Para Moreno (1993). por exemplo. isso ocorre também com os papéis sociais. Segundo Bustos (1979) no papel psicodramático. papéis psicossomáticos e papéis psicodramáticos. Ao nos desenvolver-mos os papéis vão se unindo e constroem uma forma de eu psicodramático. O papel se inseriu no termo científico começando no teatro. deve incluir três dimensões: papéis sociais. um juiz. no que diz respeito à manifestação da existência. contudo não é um conceito sociológico ou psiquiátrico. por domínio da sua parcialidade onde situa-se. O papel ainda pode ser definido como uma personagem ou função assumida na realidade social. Em primeiro lugar aparecem os papéis psicossomáticos ou seja: fisiológicos.) A teoria de papeis não está limitada somente para o social. ocorre uma movimentação de negação de si como papel. (MORENO. um médico. 27). O indivíduo estará sempre em envolvimento com algum papel e cogita uma maneira de envolvimento dele com o mundo que o faz uma pessoa necessariamente social. Segundo Moreno (1993).

Segundo Gonçalves. mas o distanciamento orgânico e psicológico manifesta-se cada vez mais. Ainda o é depois de nascer a criança a quem ela alimenta e de quem cuida. a criança adquire mais autonomia.Matriz da brecha entre fantasia e realidade (fase de inversão de papéis). como podemos exemplificar com o ato da mãe que atua como ego auxiliar ao alimentar seu filho e este recebe o alimento. ego.Matriz de identidade total indiferenciada (fase do duplo). podemos dizer. Segundo Moreno (1993). a base psicológica para desempenhar os papéis. Sendo que o que constitui o primeiro universo da criança é a 1º e a 2º fase. o relacionamento da criança com seus pais. tudo isso é denominado pela linha psicodramática de matrização da identidade. papel pode ser definido como as formas reais e tangíveis que o eu adota. “logóides”. hipóteses heurísticas. p. A mãe é um exemplo de um ego auxiliar instintivo". postulados meta psicológicos. o piloto de avião) (MORENO. fica desenvolvido o alicerce para “futuras” ações combinatórias. onde se forma. tudo começa no momento do nascimento da criança. o comedor. Eu. o pai. personalidade. são efeitos acumulados. os papéis surgem primeiramente dentro da matriz de identidade. no campo da identidade acontece a adoção infantil de papéis o de dar e receber papéis. 206).4). Quando a matriz de identidade fica estabelecida. O papel é uma cristalização final de todas as situações numa área especial de operações porque o individuo passou (por exemplo. "A mãe é um ego auxiliar ideal do bebê de quem está grávida. (Cukier . personagem etc. . o mundo que essa mãe passa a esse filho. Wollf e Almeida (1988). p. 1993. 2º. Para Moreno (1993). o contato dela com a mãe.2010.Matriz de identidade total diferenciada ou de realidade total (fase do espelho) 3º. a matriz de identidade aos poucos se dilui. Moreno utilizou nomes para as três principais fases da matriz de identidade: 1º. Segundo Gonçalves (1988). depois que o bebê nasceu.

o marido se dirigia à esposa pelo mesmo nome pelo qual as crianças a chamavam: mamãe. Áries (1981).relata que se a criança se comportasse bem como um homem. Segundo Áries (1981). entre outras coisas. seria lavada e acariciada. A saúde e a educação eram motivos para preocupações dos pais.2 – Educação e limites Conforme Áries (1981). no século XVIII as mulheres começaram a ser tratadas por “querida mamãe”. ocorreu também a preocupação dos pais em vigiar seus filhos mais de perto. com instruções rígidas de como as crianças deveriam se comportar na escola.O pai ficava ciente de todos os detalhes da vida e era levado muito a sério. Com isso. ficar mais perto deles e de não ficar distante deles. na segunda metade do século XVII mantinham sugestões para as crianças no que se refere ao comportamento. Havia orientações para os pais e mestres que aconselhavam os pais a se comportar bem perante as crianças a fim de lhes dar bom exemplo.1. se não se comportasse bem seria agredida com uma vara. Cuidava–se muito bem da educação das crianças. Conforme Áries (1981). na idade média a educação das crianças ocorria com os adultos aos sete anos conviviam com outra família. . depois de fazer suas necessidades teria de tirar sua roupa deitar-se silenciosamente e dormir. A família se voltou para a criança. porém a partir desta data em diante a educação passou a ser comandada mais pela instituição escolar. As crianças eram chamadas por diminutivos. A criança deveria se comportar em casa mediante aquilo que aprenderam na escola. à noite a criança teria de desejar boa noite aos pais e mestres. Os pais tinham um tratado de como fazer para corrigir as crianças. com que idade deveriam ser alfabetizadas.

tanto no que se refere à situação afetiva quanto à econômica. assumem a chefia da casa. A sociedade não elaborou novas soluções consensuais para qualquer desses problemas. O que ocorreu foi a abertura de um espaço no qual estão sendo experimentadas novas formas de tentar equilibrar a vida pública e a privada. De acordo com Schaffer (1996). p. a primeira diz respeito aos antecedentes culturais dos pais. Segundo Moreno e Cubero (1995). com as mudanças na sociedade e o aparecimento do movimento feminista as mulheres vêm desempenhando papéis diferentes. tanto para o desenvolvimento individual tanto no desenvolvimento na sociedade. O que o indivíduo aprendeu construirá as características psicológicas da pessoa e serão transmitidas de várias formas. que . no que se refere ao desenvolvimento. mas também indo para o social. Segundo Macedo (2001). Para Berger (1986). sobrevivência. acompanhando. é plausível que as crenças adquiridas no que se refere à prática educativa. Para Cerveng e Berthoud (1997).41). moldando e consequentemente sendo moldados pelo processo de crescimento dos filhos. valores. é muito importante que os pais dediquem-se ao estabelecimento de regras e limites a fim de que a criança possa criar uma imagem do mundo que a cerca e de si mesma. a igualdade e a diferenciação de papéis (DURHAM. a participação no mercado de trabalho e na produção doméstica de valores de uso. entre outros do indivíduo. a liberdade individual e a responsabilidade para com os filhos. 1983. geralmente têm conflitos. Conforme o autor. os pais que têm crianças pequenas devem construir seu papel como educadores. Nessa fase. a família tem uma grande importância. exerça um papel fundamental em seu desempenho. aprendizagens. devido ao modelo antigo de comportamento dentro da família e individual. A atuação desses papéis da mulher não ocorre tranquilamente. passando à nova geração os valores. não permanecendo somente no ambiente doméstico.

1988. p. isso faz com que os pais exerçam o autoritarismo em vão. e contribui para a relação com seus filhos que adquirem este modelo. WOLFF E ALMEIDA. com isso. onde viveram. Esse sentimento de culpa pode ser derivado do fato de os pais trabalharem fora o dia inteiro e estarem dando pouca atenção às suas crianças. Outros fatores também seriam o da gravidez indesejável . diz que a geração antiga viveu temendo a autoridade. os pais que sentem culpa em relação à educação dos filhos tendem a ser permissivos. Rosset (2007). ( GONÇALVES. enquanto patologia do fator tele (nesse caso inibido ou enfraquecido). Para moreno. Frequentemente se consomem pela insegurança e culpa e a sensação de serem incompetentes. a transferência equivalia ao embotamento ou a ausência do fator tele. no mundo atual identificamos no pai traços que o definem como provedor mais amplo que no anterior. frequentemente é causa de equívocos e até de sofrimento nas relações interpessoais. A presença da transferência. ou seja. características de alguém que também produz economicamente e desempenha vários papéis. que as características dos pais são decorrente do seu passado. também na mãe. hoje em dia vive diante da crítica da autoridade. Schaffer (1996) diz. o tipo de indivíduos que são está relacionado com o que pensam sobre o desenvolvimento da criança.influenciam no modo como pensam sobre a educação infantil. Conforme Maldonado (2004). Outra seria a influência da personalidade de cada progenitor na tarefa de educar as crianças. o modelo de educação se repete onde os pais passam a seus filhos e seus filhos passam para seus futuros filhos e assim por diante. diz que os papéis de pai e de mãe estão sofrendo várias transformações. Não conseguem estabelecer limites ou orientar. 50) Gonçalves (1988). por acreditarem estar com dívidas com os filhos e fazem todas as suas vontades.

em virtude da carga horária dedicada ao trabalho. Segundo Padilha (2004). do governo ou particulares. 2004. higiene. correspondendo às necessidades do indivíduo no contra-papel. desde os primeiros momentos. Segundo Cerveny (1997). separação do casal e ainda por uma questão de anseio pelas coisas que não tiveram na sua infância. entre outros motivos. também para que aprendam a ter o controle da impulsividade. educação. acabam sendo permissivos em demasia com os seus filhos. Antes. ameaças. entre outros. os pais deparam-se com uma difícil situação. deixando a convivência educacional aos cuidados da escola. impedindo. se a mãe desenvolve seu papel cuidando. Conforme Gonçalves (1988). para compensar tais circunstâncias. (NETO. protegendo. mas muitas vezes sentem–se culpados em deixar os filhos sozinhos. . Precisam trabalhar e querem exercer tal função de trabalhadores na sociedade. limite e proteção. a mãe deve ter uma estrutura psicológica desenvolvida para que tenha condições de definir as necessidades dos filhos e oferecer aos filhos cuidados de alimentação. As funções paternas seriam direcionadas a. calor. Procuram equilíbrio entre as pressões externas e internas pela condição de parentalidade. O autoritário seria o excesso de limites. Esta necessidade familiar gerou um sentimento de culpa nos pais. ordens. p. proibições e castigos que daria como efeito o fechamento de áreas importantes de experiências para a vida da criança. As funções são: de vínculo. que. nas creches e nas instituições educacionais. a mãe deixava sua vida profissional para cuidar dos filhos. 1). nutrição e organização. por conseguinte.ou inesperada. é preciso exercer a autoridade para impor os limites necessários para as crianças. Segundo Maldonado (2004). hoje a participação na vida financeira não é responsabilidade somente do marido. não encontrando na sociedade de hoje opções favoráveis em sua rede de apoio. ao contrário da autoridade. aconchego. momentos de se educar e proporcionar os valores que devem ser seguidos. Outro ponto importante vem a ser a ausência dos pais na vida da criança. dar ordens e proibi–las de algumas coisas para que aprendam a conviver no meio social.

. Segundo Maturana (1998). 1995. as pessoas aprendem a viver de uma maneira que se configura de acordo com a convivência na comunidade em que vivem. na cidade de Curitiba. A educação é contínua e é para a vida toda. pois algumas acreditam que com o crescimento do filho elas perderão sua função.analisar a educação e os limites que as mães tiveram em sua infância. Com isso. Com o desenvolvimento e crescimento do filho são esperadas outras características no desempenho do papel mãe: educar. “A nossa cultura ainda deixa as mulheres com a principal responsabilidade pela criação dos filhos e pela culpa quando algo dá errado” (CAETER. Os objetivos específicos desta pesquisa foram: . faz do mundo abertamente observador. p. Muitas vezes a mãe tem dificuldades neste momento.consequentemente o desenvolvimento de seu papel será adequado .analisar as semelhanças e diferenças na educação recebida pela mãe e na forma como desempenha seu papel. . orientar. OBJETIVOS O objetivo geral desta pesquisa foi analisar como um grupo de mães lida com os limites na educação dos filhos. O educar acontece o tempo todo e de maneira recíproca. . 2. educar é o procedimento em que a criança ou o adulto convive com o outro. sempre com o propósito de possibilitar o desenvolvimento do filho. de uma forma mais benéfica também para a mãe.analisar as dificuldades que as mães têm em colocar limites em seus filhos.44).

A pesquisa qualitativa visa uma relação ativa entre o sujeito e o seu mundo real. (MAGALHÃES 2007). A entrevista foi realizada em uma sala adequada. utilizando-se um roteiro semi- estruturado. Procedimentos Foi realizada uma entrevista qualitativa. entre 25 e 37 anos. para que as participantes se sentissem à vontade para falar de suas histórias pessoais. na clínica de Psicologia da Universidade. residentes na cidade de Curitiba. MÉTODO 3.3.1. ou seja. . Posteriormente foi agendado por telefone um horário com a mãe da criança. que apresentam alguma queixa referente à educação de seu(s) filho(s) e que procuraram uma Clínica Escola de Psicologia. Participantes Foram entrevistadas dez mães. um caminho de pensamento a ser seguido. privativa. Pesquisa qualitativa é um conjunto de técnicas a ser adotadas para a construção de uma realidade.2. (MINAYO 2003) As mães participantes da pesquisa foram selecionadas através da lista de espera por atendimento psicológico da Clínica de Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná. um vínculo entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito ou seja. o que não pode ser traduzido em números. 3.

Também foi informado que elas poderão desistir da pesquisa e interromperem a entrevista se assim o desejarem. Esta pesquisa pode trazer vários benefícios. os procedimentos. com perguntas sobre: histórico da criança. Estudar os métodos empregados pelas mães e os sentimentos perante seu papel é muito importante e de grande valia para os profissionais. Dessa forma. semi-aberto. a maioria das mães trabalham e se deparam com a difícil tarefa de educar e dar limites aos seus filhos. sem saber como proceder ou se estão corretas no modo de agir. As mães assinaram um termo de consentimento informado. as mães e as crianças receberão atendimento psicológico na clínica de Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná. mas também para as mães que enfrentam dificuldades na educação de seus filhos no dia a dia. No mundo atual. A entrevista foi gravada em áudio e depois transcrita. as mães podem ficar fragilizadas emocionalmente e mobilizar inseguranças em relação ao desempenho de seu papel de mãe. . Instrumentos Foi utilizado um roteiro de entrevista. Os dados foram analisados em conjunto de forma que não será possível identificar a mãe e a criança. o papel do pai e da mãe. contendo informações sobre o objetivo da pesquisa. Elas ficam divididas.3. os temas abordados e garantindo o sigilo. As mães tiveram ciência da possibilidade de atendimento no serviço de psicoterapia da Universidade Tuiuti do Paraná se assim desejarem. os limites. principalmente da área da psicologia e pedagogia. relação da . a rotina familiar. Perante o conteúdo da entrevista. 3. pois é um tema que precisa ser mais discutido e explorado.

educação recebida pela mãe da criança e infância da mãe (roteiro de entrevista em anexo). Todas as mães entrevistadas têm emprego e passam boa parte do dia fora de casa. escrita. documental ou figurativa ou provocada diretamente. com exceção de duas que tiveram quatro e três filhos. (FRANCO 2008) A análise de conteúdo pode ser também conjunto de técnicas das comunicações que são utilizadas para procedimentos sistemáticos e objetivo de descrição do conteúdo da mensagens (BARDIM 2002) 4. A mensagem propaga um sentido e um significado. A discussão dos resultados teve como embasamento teórico o Psicodrama. 3.4. verbal. residentes na cidade de Curitiba. Cinco das participantes possuía casa própria e as outras cinco moram em casa alugada ou com suas mães. Todas as entrevistadas eram provenientes da classe média. Observou-se que oito entrevistadas eram casadas.criança com outros cuidadores. silenciosa. Análise dos resultados Foi realizada a análise de conteúdo das entrevistas transcritas. . Análise de conteúdo é uma mensagem proclamada pelo entrevistado seja ela. que apresentavam alguma queixa referente à educação de seus filhos. gestual. A maioria teve um ou dois filhos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados coletados são referentes às entrevistas realizadas com dez mães entre 25 a 37 anos.

1.000. observou-se que as mães demonstravam uma certa angústia e medo em relação à educação de seus filhos.100.200.R.E. uma das mães relatou: “Brigando e apanhando.00 R.A.000.00 L.500. porque foi a maneira que ela foi criada. 26 anos Casada 2 Vendedora 1.000. Diante da pergunta “como a sua mãe colocava limites em você quando pequena”.dados sócio demográfico de um grupo de mães da cidade de Curitiba P/R NOME IDADE ESTADO FILHOS PROFISSÂO RENDA CIVIL J. 31 anos Casada 2 Ass.C.D. 37 anos Casada 2 Doméstica 2.00 D. 37 anos) .00 N.Quadro 1.M. 35 anos Casada 4 Do lar 1.” (S. 36 anos Casada 2 Ass. 36 anos Casada 1 Vendedora 2.200.O. 3. hoje eu consegui ser diferente dela. porque eu ouvia dizer que a gente sempre puxava a mãe e eu me cobrava para não ser igual a ela. 37 anos Casada 3 Do lar 1.00 I.00 A. 1. 3.00 S. 35 anos Casada 1 Ass. Adm.600.T.00 B. Elas relataram que tinham dificuldade de impor limites e que não queriam cometer o mesmo erro de suas mães.500.contab. acho que eu consegui desviar esse comportamento. quando eu peguei uma idade eu falei que não queria ser igual a ela. 35 anos Solteira 2 Doméstica 800. sabe. Educação e limites Através da análise das entrevistas. 33 anos Solteira 1 Empresária 1.D.00 4. Adm.00 E.S.S.

p. principalmente. 2) Todas as mães disseram que se consideram presentes e extremamente fundamentais na educação dos filhos. preparar para o futuro. inclusive algumas das cinco mães que disseram que os pais não têm importância na educação de seus filhos. o que é próprio de seu papel de mãe seria: colocar horários. orientação para ser uma boa mãe e esposa. (OLIVEIRA. para tanto. A noção de o que é educação para as mães. tanto na área cognitiva. ser o espelho para seu filho. 2007. dar boa formação na educação escolar. que precisa. precisa de um enquadramento e um direcionamento que. aos pais cabe dar. entende-se que o valor da figura de pai é muito importante para o desenvolvimento da criança. ser rígida. alimentação. A criança é um ser com uma quantidade enorme de energia. se controlar para não agredir a criança. ser bem canalizada. mas não ajudam na educação dos filhos. Dentre estas mães. As outras cinco entrevistadas disseram que o papel de pai não tem importância alguma na educação dos filhos. três delas atualmente estão separadas e os filhos não conhecem ou não tem contato com o pai. ter calma. Apenas cinco das mães deram importância ao papel dos pais na educação dos filhos. Todas as mães acharam que são boas mães porque cuidam de seus filhos. Os pais precisam colocar limites para seus filhos crescerem. Todas as entrevistadas admitiram que precisam melhorar na questão dos limites. . emocional como também no social da criança. Porém a maioria das mães diante da entrevista acharam o pai de seus filhos presentes. carinho. cobrar. estão todos os dias em casa. desde cedo. chamar a atenção. ter responsabilidade. duas delas são casadas e o pai mora com eles. Ela precisa aprender a gerenciar essa energia adequadamente e. amor. Costa (2009) diz que embora o papel de mãe ainda predominar sobre o papel do pai.

ele quer que a criança fique sentada o dia todo. também está exercendo o papel de seu ego-auxiliar. pois às vezes ele tem umas atitudes que na minha cabeça pai não faria para um filho. ele fica bastante neutro. Nesta questão de considerar o pai dos filhos presentes. não pode correr” (R. 55).E. inicialmente. desempenha o papel de ego- auxiliar da criança. dizendo que eles deveriam ter mais diálogo. 4. ele tinha que se sentir um pai responsável. nessa fase de vida e nas subsequentes. mas todas já usaram de agressões com os filhos se descontrolando. Se o pai atua diretamente com a criança. 35 anos) “Precisa ouvir mais e falar mais porque ele é muito grosso. 1988. Desde que a criança é concebida. Como disseram algumas mães diante da questão sobre o que elas achavam que o pai de suas crianças precisavam melhorar em relação à educação das mesmas: “Ele precisa ser mais ativo. não responde as perguntas dela. TURBIANI. 26 anos) “Não é nem na educação.S. brincar mais. ( GONÇALVES. mas sua presença não se configura imediatamente na estrutura afetivo-emocional da criança. as mães entrevistadas relataram que eles são mais presentes com relação à ajuda financeira e não na educação propriamente dita. ele não brinca com ela. pois ela decodifica e oferece os meios diretos de satisfação de suas necessidades.”(B. SENATRO. apud.R. brincar mais e ser mais autoritário. Na questão de como lidam com a educação e de como colocam limites em seus filhos. não quer que faça arte. o pai pode estar presente. enquanto esse vínculo se desenvolve. as mães revelaram que tentam conversar no primeiro momento.O. se dá de forma indireta. o desempenho do papel do pai. o mundo lhe é transmitido pela mãe que.” (N.M.” (J. 36 anos) “Ter mais paciência com criança. Educação recebida . por isso. Todas as mães confessam que têm dificuldades em colocar limites em seus filhos. A criança estabelece seu primeiro vínculo com essa pessoa-auxiliar-mãe.2. 36 anos).” (D. p. 37 anos) “Ser mais presente.

onde. cria–se um círculo vicioso. pois fica inserido em sua matriz de identidade. com isso. Schaffer (1996). como relatam algumas mães. embora inadequado que as mães utilizavam que era a agressão. a maioria das mães. o lócus em que ela mergulha suas raízes”`(8. reagem por identificação negativa. A maioria das mães entrevistadas lutam contra o modelo de mãe que tiveram. A matriz de identidade representa o grupo social e o ambiente que acolhe a criança. Sentem–se como se tivessem em um teste de resistência que não acaba nunca. onde parece que os filhos sempre ganham. Diante da entrevista aplicada. Moreno define a matriz de identidade como “a placenta social da criança. muitas não tiveram modelo de mãe apropriado. Continuam tentando não copiar o modelo negativo de mãe que tiveram na infância. Portanto é possível analisar que estas mães não tiveram modelo adequado de como se colocar limites e educar adequadamente seus filhos. mas confessam que o método. sendo transmitido de geração para geração. satisfaz suas necessidades fisiológicas. não tiveram uma imagem positiva de mãe. A educação recebida é importante. Sentem–se perdidas e até mesmo desesperadas. 114). funcionava mais. diz que as características dos pais são decorrentes do seu passado. depois não conseguem dar continuidade. onde se desenvolveram e colaboram para a relação com a criança que adquirem este modelo. por não saberem como agir. A maioria segue instruções de livros ou segue à risca dicas de programas de televisão. não sabendo como fazer tal tarefa. e este fato mexe no papel de mãe delas. Enquanto a matriz (“que dá origem (a alguma coisa). psicológicas e sociais. lugar onde alguma coisa nasce ou é gerada”) . relataram que não queriam ser como suas mães. sendo vencidas pelo cansaço.p. Não querendo seguir o exemplo de mãe que tiveram na infância. as vezes dá resultado em um primeiro momento. com exceção de duas.

e eu tinha pena de minha mãe. eu queria casamento. apesar de se esforçar para negar. Estas mães têm lembranças negativas de suas mães. 2) Matriz de identidade total ou realidade total.. Essa posição de submissão obrigada provoca na pessoa vergonha. porque eu como mãe jamais permitiria abusos que eu sofri para minha filha. apud. 5) consiste em que a criança representa o papel da outra parte. sabe? Eu como mãe. a completa e espontânea identidade.T. formalmente uma parte da criança. bolo de noiva. não é uma mãe que eu gostaria de ter” (B. 35 anos) “Não. o dinheiro que eu ganhava era tudo pra ela e até hoje ela não reconhece isso (choro) quando eu casei eu não tive nada. só ir cuidar depois que ele a abandonasse. 1988.C. nada. transmite a herança cultural do grupo e o prepara para sua adaptação a sociedade. 35 anos) “Ela não me deu conselhos. ela mandou no meu casamento. a qual. . a respeito de uma outra pessoa. apresenta ao indivíduo modelos de conduta. (6. eu comecei a perceber que ela não era tão boa mãe assim. me levava para lugares em que eu não podia ir por causa da idade” (R. comecei do zero. jamais iria ficar assistindo o pai dela bater nela. foi mal falado na cidade inteira. no chão. por causa das surras” (A.) Moreno classificou em três e subdividiu em cinco fases que a criança atravessa no decorrer de seu desenvolvimento na matriz da identidade: 1) Matriz da identidade total. representa o seu papel. isto é. 3) consiste em separar a outra parte da continuidade da experiência e deixar fora todas as demais partes. 37 anos).. 86). o infante sabe que o adulto está tendo uma atitude injusta ou sendo abusivo. sendo abusadas fisicamente e psicologicamente. disfarçar ou mudar estes fatos.M. não tinha comida. (GONÇALVES. porém não pode fazer nada e se submetem à tal conduta do adulto. p. não era tão coitadinha (choro)” (I. 4) consiste e que a criança situa–se ativamente na outra parte e representa o papel desta. todas sofreram agressões significativas. bebia. eu era revoltada com meu pai até eu ter uma filha porque ele me batia. porque ela nunca estava presente. agora essa revolta se transferiu para minha mãe. Todas as mães choraram diante da pergunta de como definiriam sua infância todas com exceção de duas falaram que não tiveram infância. Ao perguntar se elas achavam que sua mãe era uma boa mãe. a resposta de algumas foram: “olha até eu ter minha filha eu achava que sim (suspiro) Engraçado né. p. mas minha mãe não vê isso. só me bateu. ficar dando cintada deixando ela cheia de vergões e não fazer nada. as cinco fases são: 1) a outra pessoa é. 33 anos) “foi uma mãe mais ou menos pra mim. Segundo Cukier (2010). (. JARDIM. 3) Matriz da brecha entre a fantasia e a realidade. 2) consiste em que a criança concentra sua atenção na outra e estranha parte dela. incluindo ela mesma. isso é muito engraçado. 895). humilhação e sentimento de inferioridade. que nunca mais irá esquecer. meu casamento foi horrível. então ela estragou tudo.E. por sua vez. tem sentimento de cólera..

T. 4. Apenas três das mães responderam de mediato que sua mãe foi uma boa mãe. 33 anos) . o que eu evito é chamar a atenção dela na frete de outras pessoas. Educação recebida x Educação dos filhos Foi possível perceber algumas semelhanças entre a educação que elas receberam de suas mães e a educação que estão oferecendo a seus filhos. acho que não é necessário ela passar vergonha com isso. Se fizessem algo de que suas mães não aprovavam eram agredidas pela própria mãe ou por outra pessoa da família à qual a mãe delegava a tarefa de agredi-las como pai. porém o pai era muito rígido e também sofreram agressões. ou coisas que aconteciam para elas na infância aconteçam para os filhos. As duas mães que têm lembranças positivas das suas mães tiveram mães mais carinhosas. Foi possível perceber no tom de voz de todas uma certa vergonha em falar o que pensam realmente de suas mães. eu evito chamar a atenção na frente dos outros porque eu sofri muito com isso. As entrevistadas disseram que tudo era permitido em casa. tio. não tendo regras claramente impostas. nunca deixei passar. tendo mais obrigações do que direito de brincar. A liberdade para essas mães era controlada.3.” (I. algumas mães tentam evitar que a situação que era vergonhosa para elas. como por exemplo. como relata uma das mães ao ser perguntado se ela alguma vez deixou passar situações não toleráveis por não saber o que fazer: “Não. mas só pelo olhar ela sabe que fez coisa errada. irmão. como se fosse um pecado mortal falar mal de suas mães.

e estar devendo com relação à educação de seus filhos. ao chegar não querem se incomodar com os filhos. sentimento de ser ausente. "A forma como uma criança percorre sua matriz de identidade é um parâmetro de como será sua vida adulta" (FONSECA. e não querem se expor como sendo a “bruxa má” da casa. Percebem que os filhos estão se comportando mal e fazendo coisas inadequadas. quebrando as regras da casa. p. quando a situação está fugindo do controle as mães sentem–se esgotadas. colocar castigos quando . como podemos ver na resposta de uma das entrevistadas diante da pergunta sobre o que lembravam de sua mãe quando eram crianças. porém.22) Todas as mães entrevistadas já se consideraram ausentes em alguns momentos na vida para seus filhos. está acompanhada pela culpa. As situações que tentam evitar são aquelas que elas vivenciaram na infância com suas mães e que desaprovavam. Foi possível perceber que poucas vezes a história se repete entre a educação que elas receberam na infância e a educação que estão dando a seus filhos. algumas em terapia relataram que depois de ficar o dia inteiro fora de casa. assim como a mãe dela fazia. quando aparece. 26). Esta mãe hoje também trabalha e não vê muito o filho. além de não terem um modelo adequado de como impor limites.1995. Entretanto.O. sentem uma certa culpa. a maioria das mães vez ou outra não reagem diante da falta de limites de seus filhos. dando as ordens e impondo castigos. por não estarem com eles a maior parte do dia. diz também em outros momentos que sente muito por não poder se dedicar mais ao filho como uma mãe deveria. Por este motivo. “(Pausa) Ela todo dia indo trabalhar de manhã e vindo bem tarde da noite’’ (D. tentam conversar.

hoje eu penso que valeu a pena.” (E. mudei a minha vida. eu era muito criança. principalmente a vida. como foi sua vivência quando era pequena e como ela vivenciou a vinculação com seus pais. quando estou de bem eu pego leve. se der eu relevo. p. quando ele está mais triste”(S. 31 anos) “Acho que quando estou mais cansada” (A. 31 anos) . entre outros fatores. como disseram algumas das mães quando foi perguntado sobre a frequência de vezes que elas são permissivas: “Depende do meu humor. fui crescendo. Ao oposto disso. até as características que apresenta no momento com seu marido.S.R. 37 anos) “Depende do meu humor.A. cansadas. Ao perguntar o que mudou em suas vidas positivamente em se tornar mãe as respostas foram: “Tantas coisas.estão de mau humor. 36 anos) “Quando estou bem comigo mesma” Quando estou mais feliz” (E.E. cultura da família e de como seu papel de mãe é estimado na sociedade.A. Na verdade. ou cansada eu deixo e aí já era” (N. para ir trabalhar ou desenvolver outras atividades. quando eu estou bem. depois eles falam – como antes você deixou?” (N. 36 anos) “Tudo. e nem todas têm uma tendência natural de como proporcionar uma ocasião de dependência positiva para seus filhos. 36 anos) Segundo Badinter (1980 citado por Cukier. o horário disponível da mãe como seu ilho depende de vários fatores. 2010. talvez porque eles ficam mais ausente fazendo a bagunça e me deixam em paz” (B. 3) atualmente temos ciência de que a natureza não supre as mães de calma. 37 anos) “Quando estou estressada.C. mas é muito bom ter filho.” (J. tive filho na adolescência. assim como também a situação econômica. envolvendo vivências de emoções intensas que acabam por modificar o sentido de suas vidas e de sua identidade. e tendem a fazer a maternagem ligeiramente. o que localizamos são mães com pouca paciência.R. As entrevistadas descreveram a experiência de ser mãe como uma situação especial. que por mais que a gente mude eu acho que eu só não consegui administrar por vários fatores de apoio. que incluem.D. 35 anos) “Ah conforme o estado que eu esteja.

além de trabalhar. 37 anos) “As drogas e o álcool diminuiram na minha vida.” (D. mais compreensiva. educação não se compra. é fazer parte da vida dele. amizades ruins que não aceitaram minha gravidez. todas . mas não o amor. Você pode comprar sexo. ou tem ou não tem. mas de bom nada” (B. pelo fato de eu ter sido criada muito sozinha. 26 anos) “A gente cresce mais como ser humano.T.R. os limites que elas receberam na infância e semelhanças e diferenças na educação recebida pela mãe e na forma de como desempenha seu papel de educar. provenientes da classe média.” (N. foi ela que me ensinou como lidar. hoje eu me sinto realizada como mãe. mas ela é uma escola para mim. tem outro valor. neste trajeto várias dúvidas e inseguranças podem ocorrer. fica mais equilibrada. fiquei mais sentimental porque eu não tinha muito sentimento pelas pessoas. é igual amor. uma vez eu falei para minha mãe que eu tinha escolhido ser filha dela.O. Conclusão É evidente que uma das tarefas de maior responsabilidade e maior dificuldade é educar um ser humano. e principalmente nas dificuldades em colocar limites em seus filhos. se eu não tivesse ela eu já teria “chutado o pau da barraca” (I. muitas mães.E. família e emprego se deparam com a difícil tarefa de educar e colocar limites em seus filhos. 35 anos) “Acho que tudo. fiquei mais boazinha. Esta pesquisa buscou estudar o papel da mãe na educação de seus filhos. Ao todo foram entrevistadas dez mães entre 25 a 37 anos residentes na cidade de Curitiba. Oito das mães entrevistadas eram casadas. “Mudou tudo. ser mãe é muito satisfatório”. eu comecei a entender as dificuldades de meus pais. 33 anos) “Acho que eu amadureci mais.M. (S. ela disse que o azar era meu. Muitas das vezes eu desisti das coisas por ter ela. então como mãe você cresce muito.D. aprendi a ser mãe e a entender a minha mãe” (R. e ter um corpo fora do seu corpo. cuidar da casa. é o que eu digo para eles. 37 anos) “Eu me tornei mais (pausa) eu deixei de ser rancorosa. com queixas relacionadas a educação de seus filhos. bem como também analisou como as mães lidam com os limites na educação dos filhos. 36 anos) 5.

Disseram que se consideram boas mães porque cuidam de seus filhos. e que não queriam cometer o mesmo erro da educação que receberam de suas mães. dar alimentação dar formação escolar. mas todas já usaram de agressões. sendo abusadas fisicamente e psicologicamente quando eram crianças. A maioria das mães não tiveram uma imagem positiva de suas mães este fato influencia no papel de mãe delas. No que diz respeito a educação dos filhos e de como colocam limites. carinho. Em relação da visão das mães sobre a presença dos pais na educação de seus filhos. relataram que tinham dificuldade de impor limites. as mães revelaram que tentam conversar com as crianças. impor horários. Através da análise das entrevistas foi possível verificar uma certa angústia e medo demonstrados pelas mães em relação à educação de seus filhos. Exceto as duas mães solteiras. se descontrolando. Diante da entrevista e das recordações negativas que relataram de suas mães. todas moravam com seu esposo e filhos. Diante da situação sentem-se perdidas e . as mães entrevistadas relataram que são mais presentes em relação a ajuda financeira e pouco ou nada em alguns casos na educação propriamente dita. Todas as entrevistadas sofreram agressões significativas. Não querendo seguir o exemplo que tiveram na infância reagem por identificação negativa. podemos dizer que estas mães não tiveram um modelo adequado de como se colocar limites e educar adequadamente seus filhos. todas confessam que têm muitas dificuldades em colocar limites em seus filhos.possuíam emprego. ficando boa parte do dia fora de casa. esta foi a noção de cuidados aos filhos que as mães tiveram como também serem rígidas. não sabendo como fazer tal tarefa. amor e também se controlar para não agredir a criança.

no sentido moreniano. esclarecendo-as da importância da obediência da mãe como figura de autoridade. WOLFF E ALMEIDA. trabalhando com as mesmas de forma lúdica a importância da obediência de regras e de limites.desesperadas por não saberem como agir. A história entre a educação que as mães receberam e a educação que estão oferecendo a seus filhos nem sempre se repete igualmente. do sociodrama e da psicoterapia de grupo é descobrir. ( GONÇALVES. esclarecendo suas dúvidas e questões referentes à educação de seus filhos. A linha psicodramática colabora muito para a psicoterapia dessas queixas por conter diversas técnicas e embasamento teórico que contribuem para melhor trabalhar tais questões. aprimorar e utilizar os meios que facilitem o predomínio de relações télicas sobre relações trasnferenciais. também para os pais oferecendo-lhes uma orientação de pais. mostrando-lhes alternativas adequadas para a realização desta difícil tarefa de colocar limites nos filhos. como a técnica psicodramática de grupo. Fica assim evidenciada a importância da educação recebida. também pela culpa. sensação de ser ausente de estar devendo em relação à educação de seus filhos e principalmente o sentimento de fracasso. . porém. a medida que as distorções diminuem e que a comunicação flui. 52). 1988. p. trabalhando também a questão de suas ansiedades. quando se repete. onde as mães teriam a oportunidade para trabalhar seus conflitos e questões referentes à sua dificuldade de colocar limites em seus filhos. criam-se condições para a recuperação da criatividade e da espontaneidade. Um dos objetivos do psicodrama. está acompanhada por sofrimentos e angústias. Com a análise dos resultados obtidos nesta pesquisa foi possível refletir sobre a importância da psicoterapia para crianças. desviando assim a mãe de repetir o modelo de mãe inadequado que teve na sua infância. pois fica inserido na matriz de identidade.

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Anexos .

) 18.E seu cônjuge? 11.Que importância você dá ao papel do pai na educação de seu filho (a)? . qual você sente mais dificuldades para educar e colocar limites? 12.Você e seu cônjuge trabalham? 16. vá para a questão 20.Este filho foi amamentado até quantos meses? 13.A quanto tempo? 4.Qual seu nome e idade? 2.Roteiro de entrevista 1.Você se sentia preparada para ser mãe? 10.Você se considera uma boa mãe? Por que? 6.Você deixa a criança aos cuidados de outra pessoa? Quem? ( se não.É casada? 3.Os filhos foram planejados? 8.Com quantos anos foi para a escola? 14.Dentre os seus filhos.Como foi para você a notícia de que seria mãe? 9.O que esta pessoa faz que você aprova na educação de seu filho (a)? 20.O que esta pessoa faz que você desaprova na educação de seu filho (a)? 19.Como é a convivência de seu filho (a) com você? 15.Quantos filhos você tem? 5.Você se considera extremamente fundamental para a educação de seu filho (a)? 7.Quantas horas por dia você fica com seu filho (a)? 17.

Você considera o pai de seu filho (a) presente ou ausente? 22.Em que você acha que precisa melhorar na educação de seu filho (a)? 26.Qual é a forma de punição para seu filho (a)? 43.Você tem alguma estratégia para a educação de seu filho (a)? .Como você resolveu? 29.O que não é permitido na sua casa? 36.Na sua casa existem regras? 32.você teve que abrir mão de alguma coisa na sua vida após a maternidade? 30.Em relação a educação de seu filho (a).Você se considera ausente ou presente? 25.Quais foram as primeiras dificuldades na educação de seu filho (a)? 28.Você considera seu filho (a) peralta? 40. o que a deixa mais irritada? 42.O que você acha que o pai de seu filho (a) precisa melhorar na educação de seu filho (a)? 23.O que é permitido na sua casa? 35.Quais são as regras não respeitadas? 38.21.Que importância você dá ao seu papel de mãe na educação de seu filho (a)? 24.Quais são as regras respeitadas? 37.Você acha que seu filho (a) é mal educado (a)? 41.O que você faz para seu filho (a) que ele (a) não gosta? 31.Quem é o mais bravo.O que acontece se uma das regras for quebrada? 39.O que mudou em sua vida positivamente em ter um filho (a)? 33.O que mudou em sua vida negativamente em ter um filho (a)? 34. você ou o pai de seu filho (a)? 27.

Se as regras fossem quebradas o que acontecia? 64. 47.O que não era permitido na sua casa.O que sua mãe fazia que você não gostava? 58. orelha.O que você lembra de sua mãe quando você era criança? 57.Já ocorreu situações de vergonha com seu filho (a)? 52.Após o que você sentiu? 46. seu pai ou sua mãe? 61.Qual foi sua reação? 51.Você já usou de agressão como por exemplo: palmadinhas.Relate uma cena de seu filho(a) que te mais marcou.Quando você era criança. puxões de cabelo.Você já deixou passar situações não toleráveis por não saber o que fazer? 53. o que era permitido? 59. quais eram as suas liberdades.Como eram impostas estas regras? 63. beliscões entre outros? Qual? 45.Quais eram as regras da casa quando você era criança? 62.44.Com que freqüência você é permissiva? Ou seja deixou que as regras fossem quebradas.Qual foi a situação? 50.Você tem dificuldades em colocar limites em seu filho (a)? 48.Você já se sentiu descontrolada diante a uma situação com seu filho (a)? 49.Em que ocasiões você se percebe permissiva? 55.Você foi criada pelos pais? 56. permitiu seu filho (a) fazer coisas que geralmente não deixaria? 54.Como sua mãe colocava limites em você? . quando você era criança? 60.Quem era o mais bravo.

Relate uma cena que mais te marcou na sua infância. . beliscões entre outros? 66. puxões de cabelo.Como você definiria na sua infância? 69.Em relação a sua infância.Você acha que sua mãe foi uma boa mãe? 68. de orelha. você considera sua mãe e seu pai ausente ou presente? 67.65.Alguma vez sua mãe usou de agressões como “palmadinhas”.