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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, CONTABILIDADE E


ATUÁRIAS

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

DESIGUALDADE REGIONAL BRASILEIRA: DISPONIBILIDADE E


REMUNERAÇÃO DA MÃO DE OBRA

RELATORIO FINAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

ALUNO: CLARA LIMA GONÇALVES BERNARDINI RA 00178886

PROFESSORA ORIENTADORA: PROFA. DRA. REGINA MARIA D’AQUINO


FONSECA GADELHA

SÃO PAULO

2018

1
NOTA PRÉVIA: Relatório científico de Pesquisa de Iniciação Científica
aprovada pelo Conselho de Ensino e Pesquisa da PUC-SP, subsidiado pelo
PIBIC-CEPE e desenvolvido no período de agosto de 2017 a julho de 2018.

RESUMO
O Brasil é um dos países com maior nível de desigualdade social e regional
do mundo. As disparidades são marcantes entre as diferentes partes do país que,
por ter um território extenso, conta com uma enorme pluralidade regional e
econômica-social. Essa pluralidade pode ser observada a partir de diferentes
aspectos, tais como nível de urbanização, de escolaridade e renda. A pesquisa
analisou as disparidades regionais no mercado de trabalho a partir de estudos sobre
as diferenças na produtividade, distribuição de mão-de-obra e mobilidade do
trabalho. Com base nos dados da PNAD-IBGE e DIEESE foi intento compreender a
variação no nível salarial, relacionando esses fatores à desigualdade de renda,
qualificação e custo de vida entre nordeste e sudeste. Pretendeu-se mensurar o
desequilíbrio espacial junto com a evolução do mercado de trabalho. Os resultados
obtidos indicam que as disparidades encontradas não compõem uma disfunção do
sistema, mas fazem parte do modelo de desenvolvimento capitalista vigente no país
e que impacta diretamente o processo de acumulação de maneira plural e diversa
nas diversas regiões, apesar do país haver mantido crescimento similar de 2016
para 2017. Como se procura demonstrar, de acordo com o índice de Gini o sudeste
sofreu queda de renda, enquanto o nordeste manteve a enorme concentração de
renda. Também o PIB nordestino mostrou aumento das desigualdades, indicando
terem sido poucos os que se beneficiaram das melhorias e avanços tecnológicos
representados por outros indicadores.

PALAVRAS CHAVE: Desigualdade regional; remuneração mão de obra brasileira;


atraso nordestino; industrialização sudeste e nordeste; desenvolvimento desigual.

2
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 06
2. DESENVOLVIMENTO ..................................................................................... 08
2.1. Desigualdades regionais e globalização ..................................................... 08
2.2. Crescimento demográfico e industrialização .............................................. 15
2.3. Superação do atraso...................................................................................... 21
2.4. Produto Nacional ........................................................................................... 29
2.5. Concentração de renda ................................................................................. 31
2.6. Qualificação da mão de obra e remuneração .............................................. 32
2.7. Remuneração ................................................................................................. 37
2.8. Custo de vida ................................................................................................. 41
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 45
4. BIBLIOGRAFIA................................................................................................46
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Valor Bruto da Produção – Informação e Comunicação Valor a
Preços Correntes .................................................................................................... 13
Tabela 2: Consumo Intermediário – Informação e Comunicação Valor a Preços
Correntes ................................................................................................................. 14
Tabela 3: Participação do Sudeste e Nordeste no PIB -1995-2012, em % .......... 29
Tabela 4: PIB por região a preços constantes ...................................................... 30
Tabela 5: Número de indivíduos extremamente pobres no Nordeste – 1976-
2013 .......................................................................................................................... 31
Tabela 6: Índice de Gini da distribuição do rendimento mensal das pessoas de
15 anos ou mais de idade, com rendimento – (2016/2017) .................................. 32
Tabela 7: Valor Bruto da Produção Educação e Saúde Privada – Valor a preço
corrente .................................................................................................................... 33
Tabela 8: Consumo Intermediário Educação e Saúde Privadas – Valor a preço
corrente .................................................................................................................... 34
Tabela 9: População Economicamente Ativa Sem instrução ou menos de 1 ano
.................................................................................................................................. 34
Tabela 10: População Economicamente 15 anos ou mais (2001-2010) .............. 35
Tabela 11: Taxa de Analfabetismo das pessoas com 10 anos ou mais de idade,
por Grandes Regiões – (2015) ................................................................................ 37
Tabela 12: Rendimento Médio Real Habitual (em reais) segundo posição na
ocupação.................................................................................................................. 38
Tabela 13: Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos Custo e variação
da cesta básica em 20 capitais Brasil - março de 2018........................................ 44

3
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Domicílios com Microcomputadores e Tablets segundo Grandes
Regiões (%) .......................................................................................... 11
Gráfico 2: Domicílios com utilização de Internet, segundo as grandes regiões
(%)......................................................................................................... 12
Gráfico 3: Densidade Demográfica Nordeste/Sudeste (1972-2010)- hab./km².. 18
Gráfico 4: População Total – Nordeste/ Sudeste – (1950 -2010) ......................... 18
Gráfico 5: População Urbana – Nordeste/ Sudeste –(1950-2010). ...................... 19
Gráfico 6: População Rural -Nordeste/Sudeste – (1950 -2010). .......................... 19
Gráfico 7: Sudeste População total em milhares de pessoas (2012 – 2017)..... 20
Gráfico 8: Nordeste População total em milhares de pessoas (2012 – 2017) .... 21
Gráfico 9:Consumo de Energia Elétrica Industrial 1961 – 2004 .......................... 24
Gráfico 10: Valor adicionado bruto a preços correntes da indústria (Mil Reais),
2002 – 2015 .......................................................................................... 25
Gráfico 11: Nordeste - Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na
semana de referência no grupamento de atividade Indústria Geral
(em milhares de pessoas) .................................................................. 26
Gráfico 12:Sudeste - Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na
semana de referência no grupamento de atividade Indústria Geral
(em milhares de pessoa) .................................................................... 27
Gráfico 13: Nordeste - Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na
semana de referência no grupamento de atividade Agricultura,
pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (em milhares de
pessoas) ............................................................................................... 28
Gráfico 14: Sudeste - Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na
semana de referência no grupamento de atividade Agricultura,
pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (em milhares de
pessoas) ............................................................................................... 28
Gráfico 15: Produto Interno Bruto a preços correntes (Mil Reais), 2002 - 2015 30
Gráfico 16: População Economicamente Ativa Sem instrução ou menos de 1
ano (2001-2010) ................................................................................... 35
Gráfico 17: População Economicamente ativa 15 anos ou mais (2001-2010).... 36

4
Gráfico 18: Taxa de Analfabetismo de pessoas de 5 anos ou mais (2001-2015)
.............................................................................................................. 37
Gráfico 19: Rendimento médio do trabalhador principal (pessoas de 10 anos ou
mais), março 2002 -novembro 2015 ................................................... 39
Gráfico 20: Nordeste Rendimento médio de todos os trabalhos, habitualmente
recebido por mês, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade,
ocupadas na semana de referência, com rendimento de trabalho
(em R$) ................................................................................................. 40
Gráfico 21: Sudeste - Rendimento médio de todos os trabalhos, habitualmente
recebido por mês, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade,
ocupadas na semana de referência, com rendimento de trabalho
(em R$) ................................................................................................. 40
Gráfico 22: Cesta de Consumo Total São Paulo e Recife 2000-2017 ................. 42
Gráfico 23: Preço dos Itens da Cesta de Consumo–Recife/São Paulo
(dez/2017) ............................................................................................. 43

5
1. INTRODUÇÃO
A desigualdade de renda existente entre as regiões brasileiras está presente
constantemente em discussões acadêmicas e é tema de diversas propostas de
políticas governamentais. De acordo com Luciano Coutinho (1973, p. 1), o
economista Gunnar Myrdal foi um dos primeiros autores a ressaltar a natureza auto
cumulativa das desigualdades regionais, processo dificilmente reversível face aos
mecanismos de causação circular.
A teoria de causação circular de Gunnar Myrdal encontra-se expressa em sua
obra Economia e subdesenvolvimento regional (1960) tendo como explicação os
efeitos dinâmicos que impulsionaram os polos de crescimento para frente, e efeitos
de atraso que contribuíram para o afastamento e a deterioração das áreas
atrasadas. Para Myrdal, as nações ricas seriam sempre mais desenvolvidas,
garantindo o aumento de seus lucros por meio de ganhos em escala em suas
produções e na expansão e aprimoramento industrial e tecnológico, enquanto as
pobres estavam condicionadas a produzir bens de baixo valor agregado. A forma de
superação do conflito envolvendo as áreas subdesenvolvidas seria a expansão de
suas economias, mas isso só poderia ocorrer se houvesse uma igualdade de
oportunidades junto com um aprofundamento das condições democráticas.
(OLIVEIRA, M. E. 2009). Esta teoria será contestada pela CEPAL, de acordo com o
economista David R. Fusfeld, a partir de uma análise estruturalista que questionava
o pensamento lógico-dedutivo e a-histórico predominante na época e que se
propunha a estudar os fatores internos das economias nacionais e a forma como
eles condicionavam a inserção das mesmas em escala internacional. (FUSFELD,
2003, p. 291).
Celso Furtado em Teoria e política do desenvolvimento econômico destaca
que desenvolvimento e subdesenvolvimento não estão relacionados com processo
de acumulação de capital, mas sim, são representações e consequências das
próprias estruturas sociais distintas somadas as questões históricas que diferem
entre as regiões. Para ele, o capitalismo age como difusor desigual do processo
técnico “desenvolvimento no mundo todo tende a criar desigualdades. É uma lei
universal inerente ao processo de crescimento: a lei da concentração”. (FURTADO,
10. e. 2002, p.30).

6
Anita Kon, no artigo “Padrões de distribuição das remunerações do trabalho
no Brasil”, aponta a natureza concentradora e centralizadora de capital que ocorre
nos diferentes espaços geográficos, como consequência do processo de
desenvolvimento capitalista, resultante em uma distribuição desigual de recursos
materiais e naturais, como uma das causas de atraso do país. De acordo com a
autora, esta diferença impacta diretamente na estrutura ocupacional de cada área e
cadeias produtivas, e define o perfil de força de trabalho exigido e concentrado em
cada espaço, fatores que justificariam as variações na remuneração dos
trabalhadores. (KON, 2000, p. 3).
A força de trabalho é considerada pela autora, uma variável heterogênea,
uma vez que indivíduos apresentam diferenças entre suas habilidades e as
exigências do próprio mercado de trabalho, que não é homogêneo. Ainda, segundo
Anita Kon, o capital humano é formado pela junção de capacidades mentais e físicas
dos trabalhadores com o nível de escolaridade adquirida. (Ibidem. Ibidem, p. 6). As
diferenças em habilidades e qualificações são fatores que permitem explicar as
causas de diferenças de renda entre indivíduos e o comportamento do demandante
e do ofertante de trabalho, perante as condições estruturais e conjunturais
disponíveis no mercado de trabalho especifico em cada espaço. Ou seja,
características associadas à localização, estrutura produtiva e intensidade
tecnológica da indústria regional instalada. (Ibidem, Ibidem, p. 3).
David Harvey defende em seu livro, Enigma do Capital a as Crises do
Capitalismo (2011), a tese de que é fundamental compreender o fluxo de capital
como um processo, seus caminhos e sua lógica, para entender as condições em
que vivemos. É necessário inserir este processo no contexto atual, em um mundo
conectado por redes, em que a tecnologia assume um papel fundamental e o
desenvolvimento está amplamente ligado a ela.
Milton Santos, em Território – Globalização e Fragmentação, afirma que as
disparidades regionais observadas no século XX são herança das divisões do
trabalho do passado, que evoluíram e se perpetuaram. (SANTOS, 1994, p. 15).
Alexandre de Freitas Barbosa, em seu artigo Mercado de Trabalho e Desigualdades
Regionais no Brasil, faz referência ao geógrafo Yves Lacoste (1966), afirmando que
o espaço ao ser influenciado pela história e por outros determinantes estruturais
tende a se afirmar como cenário privilegiado para o processo de amplificação das

7
desigualdades econômicas e sociais e, portanto, a geografia apresenta-se como
resultado e prolongamento da própria história de cada país. (BARBOSA, 2008, p. 6).
As disparidades econômicas não compõem uma disfunção do sistema, mas
sim fazem parte do desenvolvimento capitalista e são derivadas das diferenças na
composição orgânica de capitais, que impactam diretamente o processo de
acumulação de maneira plural e diversa nas regiões. (MANDEL, 1983, p.35-45).
Santos, por sua vez, afirma em A Urbanização Brasileira que o Brasil foi durante
muitos séculos um grande arquipélago formado por subespaços [regionais] que
evoluíram segundo lógicas próprias ditadas em grande parte por suas relações com
o mundo exterior. (SANTOS, 1993, p. 29).
Mesmo buscando no passado justificativas para o presente, é necessário
observar que a atual conjuntura contribui para perpetuar e até agravar essas
estruturas desiguais. Se antes já havia disparidades regionais e zonas periféricas,
hoje há mais e mais espaços economicamente na marginalidade e esquecidos.
Enquanto algumas poucas regiões avançam no mundo tecnológico recebendo
capital, mão de obra e infraestrutura, outras ficam impossibilitadas de se inserirem
nessa nova dinâmica de escala global e nacional de produção.

2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Desigualdades regionais e globalização
Para Anita Kon, o processo de globalização econômica teve fortes impactos
nas vantagens comparativas de cada país e de cada região. Segundo a autora, as
mudanças requeridas pelo novo contexto socioeconômico são extremamente
rápidas, abrangentes e profundas, exigindo alteração no perfil da força de trabalho e,
consequentemente, impactando os padrões espaciais de remuneração da mão de-
obra e a distribuição de rendimentos entre diferentes categorias de ocupações,
De acordo com a possibilidade de ajustamento da força de trabalho e
da economia de cada região aos novos requisitos da demanda por
trabalho pelas empresas e às possibilidades de auto-emprego ou
trabalho por conta própria, fora de empresas. (KON. Ibidem, p. 2).

Com o fenômeno de globalização observam-se mudanças e transformações


na acumulação do capital e na forma com que os diversos fatores econômicos estão
inseridos nos diferentes territórios. No mundo globalizado, o espaço ganha uma
nova forma e passa por profundas transformações. Como indicam os geógrafos
8
econômicos, os territórios tendem a se fragmentarem e o capital passa a reorganizar
e orientar a distribuição dos espaços econômicos. Isso tem como consequência um
aprofundamento da divisão territorial do trabalho, conforme alertado por Milton
Santos. Em um mesmo país coexistem regiões periféricas com indústrias de tipo II
(bens de consumo) e regiões centrais com alto grau de desenvolvimento, indústrias
de tipo I (bens de capital). Esta divisão do trabalho é um dos fatores que compõem a
estrutura organizacional de cada espaço e acaba por refletir o grau de
desenvolvimento econômico atingido. (SANTOS. 1980, p. 8).
Seguindo esta direção, Milton Santos afirma que o aprofundamento da divisão
do trabalho acaba gerando a especialização do território onde:
As cidades locais se especializam tanto mais quanto na área
respectiva há possibilidades para a divisão do trabalho [...] nas zonas
onde a divisão do trabalho é menos densa, em vez de
especializações urbanas, há acumulações de funções numa mesma
cidade. Este é, por exemplo, o caso do nordeste brasileiro.
(SANTOS. 1993, p. 57).

Em Por uma geografia nova, Milton Santos define o conceito de espaço como
consequência de relações sociais do passado e do presente junto às transformações
sociais feitas pelos homens. “O espaço é um verdadeiro campo de forças cuja
formação é desigual. Eis a razão pela qual a evolução espacial não se apresenta de
igual forma em todos os lugares”. (SANTOS, 1986, p.122). Para ele, a ocupação do
espaço surge da junção do desenvolvimento das forças produtivas, junto com as
relações de produção e as necessidades de circulação e distribuição. Assim sendo,
as diferentes regiões não são autônomas, mas consequência de uma série de
determinantes passadas e presentes que compõem sua estrutura. A urbanização,
por exemplo, é resultado de tais processos historicamente determinados, como
localização geográfica seletiva das forças produtivas e das instâncias sociais. As
diferenças hoje notadas no território seriam diferenças, sobretudo sociais e não mais
naturais. (Idem, Idem, p. 49). Em outro trabalho (Por uma outra globalização, 2000),
Milton Santos explora o novo contexto mundial e as implicações econômicas,
políticas e sociais desse novo contexto, sobretudo no que diz respeito ao aumento
da competitividade não só nas esferas privadas (empresas) mas também entre
governos, nações e até regiões.

9
Para Ricardo M. Ruiz e Edson Paulo Domingues (2008, p. 702), a
industrialização, desde sua origem, explora vantagens de escala da concentração
espacial. Alexandre de Freitas Barbosa faz referência a John Friedmann (1975), que
afirma serem os polos de crescimento “centros concentrados geograficamente que
sediam o processo de criação e difusão de inovações não apenas técnicas e
econômicas, mas também organizacionais, sócio-políticas e culturais”.
(FRIEDMANN. Apud BARBOSA, Ibidem, p. 7).
Uma análise histórica do desenvolvimento paulista indica que a agricultura
cafeeira capitalista a partir da década de 1880 teve papel fundamental e desde os
anos 1920 já se fortalecia como um centro polarizador da economia brasileira,
contando com uma produção alta e intensa, atraindo grandes volumes de capital que
trouxeram desenvolvimento para a região, em detrimento das demais áreas do país.
A expansão da produção cafeeira financiou o desenvolvimento de infraestrutura
(transporte, energia e setor financeiro) do estado, infraestrutura esta que foi o
principal pilar na implementação da indústria da região. (CAPUTO; MELO. 2009, p.
518).
Como demonstra Paul Singer (1968), em Desenvolvimento e Crise, essa
desigualdade se aprofundaria a partir da legislação cambial de 1937 do governo
Vargas, privilegiando importações de máquinas e equipamentos para o eixo Rio-São
Paulo, com câmbio subsidiado, em relação às demais regiões do país. Desta forma,
a expansão urbano-industrial se daria focada em alguns locais, aprofundando as
disparidades regionais e criando vazios demográficos que afetavam diretamente a
distribuição de riqueza e renda no território. Por outro lado, de acordo com Milton
Santos, a mecanização do território pelo avanço do meio técnico-cientifico tende a
se sobrepor de modo desigual em todos os lugares. (SANTOS, Idem, 1994, p.38).
O Nordeste brasileiro, segundo Jan Bitoun, tem em suas raízes sociais e
políticas a concentração de poderes na mão de poucos. A consequência, é que os
interesses particulares deste pequeno grupo se sobressaiam com relação aos
interesses coletivos e fazendo com que:
Amplos setores da população não consigam participar da elaboração
de estratégias coletivas de desenvolvimento [...] o paradigma da
competição leva à adoção de políticas que, em vez de tratar do
território na sua diversidade, tendem a ampliar as desigualdades
entre lugares [...]. Em suma, a tendência seria de fortalecer quem já
é forte e relegar ao abandono, temperado por algumas

10
compensações de ordem social, quem ainda é fraco. (BITOUN,
2002).

Somado a isso, o acesso ao conhecimento e à tecnologia, fatores essenciais


para inserção no mercado competitivo globalizado tanto de produção quanto de
trabalho, são disponibilizados de forma desigual entre as regiões.
Segundo os resultados da PNAD Contínua de 2016, publicada pelo IBGE,
63,5% das casas brasileiras possuíam acesso à internet. No entanto, o nordeste
encontra-se abaixo desta média, onal com apenas 52,3%. Já no sudeste, o
percentual de casas com acesso à internet chegou em 72,3%, no ano de 2016. A
mesma pesquisa constata que 45,3% dos domicílios particulares do país possuem
microcomputadores, porém na região nordeste este número é equivalente a apenas
29,9% dos domicílios, enquanto que no sudeste é de 54,2%, conforme ilustram os
gráficos 1 e 2, abaixo, extraídos da publicação do IBGE. Os gráficos ilustram as
disparidades na presença de tecnologia nos domicílios de acordo com as regiões
brasileiras. Estas disparidades são consequência das diferenças econômicas e de
desenvolvimento, que dificultam o acesso de inovações e modernizações a algumas
áreas do país, enquanto facilitam para outras. Ao mesmo tempo em que o sudeste
cresce como o maior polo nacional, concentrando inovações e melhorias técnicas
que são aplicadas na produção e no lazer, a região nordeste acaba em
desvantagem, uma vez que a presença dessas modernizações aparece em menor
escala, dificultando sua inserção e conexão ao mercado nacional e internacional e
sua competitividade. Ou seja, as porcentagens apresentadas pelos dois gráficos
abaixo ilustram que o atraso observado no universo produtivo e no contato com
tecnologia do nordeste se expande para o universo privado (domicílios) no dia a dia
da população, que possui menor acesso à internet e aos computadores.

11
Gráfico 1: Domicílios com Microcomputadores e Tablets, segundo Grandes Regiões
(%)

Microcomputador Tablet

54,2

45,3

29,9

18,2
15,1
9,3

Brasil Nordeste Sudeste

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional


por Amostra de Domicílios Contínua 2016.

Gráfico 2: Domicílios com utilização de Internet, segundo as grandes regiões (%)

Brasil Nordeste Sudeste

76,7
69,3

56,3

Brasil Nordeste Sudeste

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional


por Amostra de Domicílios Contínua 2016.

Nas últimas décadas, os modelos de produção e acumulação passaram por


transformações devido ao surgimento e expansão de tecnologias intensivas da
informação computadorizadas e flexíveis. Essas transformações ocasionaram uma
revolução tecnológica em escala mundial que tem como pilares a microeletrônica, as

12
telecomunicações e a informática, denominadas como Tecnologia da Informação e
Comunicação - TIC. (IBGE, 2014).
A tecnologia assume importância crescente como agente central capaz de
criar redes de conexão econômicas, sociais e políticas em escala regional, nacional
e global. No entanto, a disseminação dessas modernizações não ocorre de maneira
homogênea e generalizada. Nesse contexto, aquelas regiões que possuem menor
acesso a estas mudanças acabam tendo desvantagens competitivas por estarem
menos “conectados” com o restante do país.
Isso pode ser observado através da publicação dos relatórios das contas
regionais do IBGE - 2010-2014, em que o valor bruto de produção e o consumo
intermediário de informação e comunicação são muito superiores na região sudeste.
Os dados são confirmados pelo levantamento das contas nacionais, como pode ser
observado na tabela 1 abaixo.

Tabela 1: Valor Bruto da Produção – Informação e Comunicação Valor a Preços


Correntes

Sudeste Nordeste
2010 185.433 19.195
2011 204.844 21.277
2012 221.975 23.249
2013 239.169 25.342
2014 242.467 29.235

Fonte: IBGE, Contas Nacionais, 2014.

Nos 5 anos analisados acima, o sudeste teve o valor bruto adicionado na


produção de informação e comunicação muito acima do nordeste, porém a região
teve um aumento percentual menor nesse intervalo de tempo, 23,5% entre 2010 e
2014, enquanto a região nordeste teve uma expansão de 34% no mesmo período.
Em 2010 o valor bruto da produção nordestina de informação e comunicação
correspondia a 10,35% do sudeste. Em 2014 este número subiu para 12,06%.
Estes números evidenciam a disparidade entre as regiões e uma forte
concentração de emprego e geração de valor adicionado na produção industrial do
sudeste nos segmentos de telecomunicações e informática, que exigem inovações
tecnológicas empregadas em melhorias na infraestrutura e no processo produtivo,
mas também mostram que esta diferença tende a se reduzir em um intervalo de
13
tempo, com a estabilização relativa do sudeste em decorrência da crise econômica
deste período.
Assim como o valor da produção, o consumo intermediário de informação e
comunicação também pode ser usado como indicador. Regiões com baixo acesso a
inovações, como o nordeste, acabam tendo uma menor participação nesse setor,
visto que, não possuem as condições necessárias para se inserir de forma
competitiva nesse mercado e, como consequência, seu consumo intermediário será
inferior visto que a demanda por esses bens é menor onde há menos indústrias
envolvidas. Entre 2010 e 2014, a região sudeste expandiu 24,8% seu consumo
intermediário nesse setor enquanto o nordeste cresceu 37,7%, indicando assim o
mesmo resultado que obtivemos na tabela anterior (valor bruto de produção) de que
apesar do distanciamento marcante entre as regiões este vem diminuindo com o
passar dos anos, como demonstra a tabela 2.

Tabela 2: Consumo Intermediário – Informação e Comunicação Valor a Preços


Correntes

Sudeste Nordeste
2010 92.825 9.954
2011 103.973 11.166
2012 111.317 12.902
2013 123.562 13.704
2014 123.541 15.981
Fonte: IBGE, Contas Nacionais, Ibidem.

Nas últimas décadas, enquanto o eixo sul-sudeste se desenvolvia cada vez


mais, criando redes que integravam seu território, trazendo investimentos, se
posicionando em escala global e ampliando seu mercado consumidor, as demais
regiões ficavam cada vez mais isoladas dessa dinâmica nacional, conforme descrido
por Francisco Baqueiro Vidal, em artigo da Fundação Joaquim Nabuco “o Nordeste
brasileiro acaba sendo um espaço duplamente periférico: em relação à economia
mundial e também ao centro dinâmico da economia nacional”. (VIDAL, 2004, p. 7).
De acordo com o autor, as regiões que melhor absorveram novas técnicas de
produção, através da implantação de tecnologias que aumentaram a sua
produtividade frente a competição do mercado em escala nacional e internacional,
se especializaram e passaram de polos de crescimento de crescimento para polos

14
de desenvolvimento: focos de inovação, com um mercado consumidor amplo,
mercado de trabalho dinâmico e produtividade elevada, aproveitando-se de maneira
eficaz dos recursos produtivos disponíveis através de alterações estruturais.

2.2. Crescimento demográfico e industrialização


Em 1940, a população brasileira era formada por 41 milhões de habitantes,
sendo que 80,5% residentes de zonas rurais. (CAMARANO; BELTRÃO, 2000, p. 1).
Entre 1940 e 1980 a população total do Brasil triplicou e a urbana multiplicou-
se por sete vezes e meia (Ibidem. Ibidem, p. 32). Mesmo ocupando apenas 10,8%
do território brasileiro, a região Sudeste já abrigava 43,47% da população total do
país em 1980, com uma densidade demográfica quase quatro vezes maior do que a
do restante do Brasil e representava 46,5% da população economicamente ativa,
responsável era por 60% do PIB do país. (SANTOS, 1990, p. 64).
Para Wilson Cano, é justamente nessa fase que ocorre o maior
distanciamento em relação às dinâmicas regionais do Brasil, responsáveis por
intensificar as disparidades. No seu artigo, Aglomerações econômicas no sul-
sudeste e no nordeste brasileiro, Cano traça uma linha do tempo para explicar o
crescimento paulista e afirma que, em 1872, São Paulo concentrava apenas 8% da
população brasileira. Em 1940 São Paulo ultrapassava Minas Gerais e se tornava o
Estado mais populoso do país, com mais de 17% da população. Em 2000 São Paulo
mantinha esta posição, com mais de 20% da população nacional. Como o eixo
central do crescimento urbano-industrial, a região Sudeste apresenta os melhores
indicadores de expansão econômica, polo de atração da maior parte do movimento
migratório nacional e internacional, atraindo a maior parte do contingente estrangeiro
e nacional. (CANO, 1981, p. 2).
Este crescimento foi consequência direta da expansão industrial que elevou à
região um alto grau de crescimento de infraestrutura de serviços (setor terciário),
sistema financeiro e urbanização. Ainda, segundo Cano, a participação relativa do
estado de São Paulo, no PIB industrial nacional, avançou aceleradamente de 1919
(com 31,5% do total) até 1970, quando atingiu 58% da indústria nacional. (Ibidem.
Ibidem, p. 4-6).
Segundo o livro de Alexandre X. de Carvalho e equipe, publicado pelo IPEA
em 2007, “Ensaios de Economia Regional e Urbana”, a expansão do sistema de

15
produção fabril se concentra em áreas específicas do território nacional, para obter,
entre outras coisas, ganhos de escala. A consolidação do complexo agroexportador,
no estado de São Paulo, foi feita de maneira aglomerada, principalmente no próprio
municio de São Paulo que concentrava a maior parte do nosso parque industrial.
Essa aglomeração acabou influenciando, nas décadas posteriores, o próprio
crescimento e distribuição do mercado interno nacional e uma redefinição, em
escala nacional, de que regiões ficariam com quais atividades produtivas.
(CARVALHO et al., 2007, p. 378).
De acordo com Milton Santos, a região Sudeste, área mais dinâmica do país,
concentrava a produção, circulação e consumo de bens, serviços, capitais e
mercadorias, principalmente em seus limites e em sua periferia, enquanto produção
e circularidade no restante do território eram pouco fluidas. Esta onda, porém,
acabou agravando o “esquecimento” das regiões norte e nordeste, esvaziadas em
termos populacionais, econômicos e financeiros. (SANTOS, 1990, Idem, p. 47). Para
Francisco Baqueiro Vidal, o país apresenta disparidades nos ritmos de crescimento
regionais, causando grandes desníveis de renda e bem-estar, acentuados ainda
mais no Nordeste, por suas características estruturais de maior concentração de
renda e menor massa de empregos gerados na economia. (VIDAL. Ibidem, p. 140).
Milton Santos (1986) define São Paulo como o lugar com mais força e
capacidade de atrair pessoas. A grande metrópole torna-se o lugar de todos os
capitais e de todos os trabalhos afirma. (Idem. Idem, p. 10). A criação e o aumento
das indústrias ampliam a procura de emprego nas cidades, onde a natalidade é
pequena e a mortalidade mais elevada que na zona rural. O êxodo das zonas rurais
é grande responsável pela renovação e expansão das populações urbanas.
Lúcia Gaspar em O Nordeste do Brasil, da Fundação Joaquim Nabuco (2013),
defende que os fatores e aspectos políticos, econômicos e sociais que envolvem as
condições de vida precárias de grande parte da população nordestina são muito
mais importantes para justificar seu movimento migratório do que questões
climáticas atreladas à seca. Ou seja, os nordestinos migram em busca melhores
condições de vida e empregos mais bem remunerados.
Também Camarano & Beltrão em Distribuição espacial da população
brasileira: mudanças na segunda metade deste século apontam que, em 1996, 78%
da população brasileira estava concentrada em áreas urbanas e 17% vivia na cidade

16
de São Paulo ou na cidade do Rio de Janeiro. “A região Nordeste vem mantendo,
desde os anos 50, o seu papel tradicional de provedor de população para a região
Sudeste”. (CAMARANO; BELTRÃO, Ibidem, p. 3).
Mesmo com taxas de crescimento vegetativo acima da média nacional, a
região nordeste possui uma baixa densidade demográfica. Sua participação relativa
caiu de 35% para 28,5% entre 1940 e 1996. Queda essa justificada pela
movimentação de sua população para outras regiões brasileiras, principalmente para
núcleos urbanos e produtivos centrais como São Paulo. (Ibidem, Ibidem, p. 9).
A densidade demográfica é um dos métodos mais utilizados para analisar a
concentração populacional. Ela indica quanto uma determinada região é povoada e
é calculada pela divisão do número de habitantes por quilômetro quadrado de uma
determinada área. Segundo dados do Censo Demográfico do IBGE (série 1950-
2010) esta disparidade em relação à concentração da população na região sudeste
continuou a crescer nas décadas seguintes, em proporções cada vez maiores.
Destaque para São Paulo que em 2010 teve registrado uma densidade demográfica
de 166,25 hab/km², indicando que a proporção entre habitantes e quilômetros
quadrados era superior a 1, enquanto no Piauí este mesmo índice teve como
resultado 12,40 hab/km².
Além da densidade demográfica, a população em números absolutos é
historicamente maior no sudeste e a diferença entre as regiões aumentou nos
últimos anos conforme aponta o gráfico abaixo. Em 1950 a população total do
nordeste era de 17 milhões de pessoas enquanto no sudeste esse número era igual
a 22,5 milhões. Já em 2010, a população nordestina era de 53 milhões e o sudeste
avançou para 80,3 milhões de habitantes.
O censo demográfico de 2010 (gráficos 3 a 6) mostra que a população do
sudeste é maior em números absolutos e possui uma densidade demográfica
historicamente superior, mas outro ponto relevante é a forma como esta população
se distribui no território. A maior parcela da população do sudeste está concentrada
nas áreas urbanas, enquanto na região nordeste o número de habitantes em zonas
rurais se destaca por ser superior em números absolutos. Esses valores contribuem
para a argumentação de que se desenvolveram duas regiões com características
distintas em solo brasileiro, onde o sudeste se desenvolveu como polo industrial
atrativo de força de trabalho industriais e ondas migratórias graças a investimentos

17
em infraestrutura e urbanização que criaram um mercado produtor e consumidor,
enquanto o sudeste herdou uma estrutura social e econômica atrasada, focada no
latifúndio e na terra.

Gráfico 3: Densidade Demográfica Nordeste/Sudeste (1972-2010) - habitantes/km²

100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
1872 1890 1900 1920 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010
Densidade Demográfica
2,99 3,86 4,34 7,24 9,29 11,57 14,43 18,45 22,79 27,33 30,69 34,15
Nordeste
Densidade Demográfica
4,34 6,6 8,46 14,77 19,84 24,39 33,6 43,62 56,87 67,77 78,2 86,92
Sudeste

Fonte: IBGE – Censo Demográfico, 2010.

Gráfico 4: População Total – Nordeste/ Sudeste – (1950-2010)

Nordeste
Sudeste

1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010

Fonte: IBGE – Censo Demográfico, 2010.

18
Gráfico 5: População Urbana – Nordeste/ Sudeste –(1950-2010)

Nordeste
Sudeste

1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010

Fonte: IBGE – Censo Demográfico, 2010.

Gráfico 6: População Rural - Nordeste/Sudeste – (1950-2010)

Nordeste
Sudeste

1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010

Fonte: IBGE – Censo Demográfico, 2010.

Ao mesmo tempo em que a população urbana cresceu exponencialmente em


ambas as regiões, a rural não sofreu o mesmo movimento.
O nordeste possuía na primeira metade do século XX uma população rural
superior à da região sudeste, onde nas últimas décadas o número reduziu de forma
muito mais acelerada e acentuada. Em 1950 a diferença entre as regiões era muito

19
menor, porém entre 1960 e 1990 o nordeste teve um crescimento da população rural
enquanto o sudeste teve uma queda marcante.
Os gráficos 7 e 8 foram extraídos da PNAD Contínua 2017 (IBGE, 2017) e
mostram que a diferença marcante entre as populações das regiões se manteve nos
últimos anos. Essas diferenças na população total impactam diretamente o mercado
de trabalho e a disponibilidade de mão de obra. A taxa de crescimento de ambas
nesse intervalo de tempo foi muito próxima, 4% para o sudeste e 3,7% para o
nordeste o que mostra que a diferença entre a população total do sudeste e do
nordeste não está diminuindo significativamente ao longo dos últimos anos.

Gráfico 7: Sudeste População total em milhares de pessoas (2012–2017)

87.163
87.021
86.876
86.731
86.584
88.000

86.436
86.286
86.135
85.982
85.829
85.673
85.517

87.000
85.359
85.199
85.039
84.877
84.713
84.548

86.000
84.382
84.215
84.046
83.875
83.704
83.531

85.000

84.000

83.000

82.000

81.000
jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set
jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar
abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun
out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

2012 2013 2014 2015 2016 2017


Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD), 2017.

20
Gráfico 8: Nordeste - População total em milhares de pessoas (2012–2017)

57.235
57.153
57.070
56.985
56.900
56.814
56.727
56.638
57.500

56.549
56.458
56.367
56.274
56.180
56.085
57.000

55.990
55.893
55.794
55.695
55.595
56.500

55.493
55.391
55.287
55.182
55.076

56.000

55.500

55.000

54.500

54.000

53.500
jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set
jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar
abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun
out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez
2012 2013 2014 2015 2016 2017
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD), 2017.

2.3. Superação do atraso


Segundo Celso Furtado, a raiz do subdesenvolvimento da região estava na
própria formação brasileira e em sua trajetória econômica, social e política, que
partiu de uma economia exclusivamente exportadora, de monocultura, voltada para
uma demanda externa e deficitária internamente somada a uma estrutura patriarcal,
que acabou por permitir a reprodução e perpetuação da desigualdade e da
concentração de renda, produção e desenvolvimento em escala nacional. Como
consequência, o nordeste e seu atraso tecnológico, sobretudo na agricultura,
agravado por questões climáticas da região, com estiagens prolongadas que
agravavam as situações já precárias da população dependente de uma agricultura
de subsistência no local acabou por se tornar a área mais prejudicada, com os
piores números sociais e econômicos. (FURTADO, 2002, Idem, p. 41-69).
A formação do mercado interno brasileiro se deu de maneira lenta, como
aponta Willer Nogueira Coqueti, em sua Monografia Um panorama histórico das
desigualdades regionais a partir da macrorregião nordeste (2015). A lentidão na
formação do mercado interno no século XX ocorre de forma concentrada na região
Sudeste, deixando o Nordeste de fora da integração da economia nacional das
21
demais regiões do país e dependente de sua própria demanda local. (Idem. Idem, p.
13).
Mesmo tendo raízes na segunda metade do século XIX, o debate acerca das
desigualdades regionais econômicas e sociais brasileiras ganhou força a partir dos
anos 1950 do século XX, durante o governo de Juscelino Kubitschek. Surgiu a
discussão acerca da necessidade de ação pública para intervir na situação. Furtado
afirma que se as regiões fossem deixadas ao seu desenvolvimento natural, os
desníveis entre elas tendiam ao alargamento e, à institucionalização, tornando-se
praticamente irreversíveis. (FURTADO. 2002, Idem, p. 19-22). Até então, o nordeste
era tido como a região problema e Brasil era encarado como vários Brasis, dividido
entre o dinâmico e poderoso sudeste e o atrasado e frágil nordeste. (BARBOSA,
2008, Ibidem, p. 1).
De acordo com Denilson Pedroza Júnior & Thiago Alexandro N. Andrade
(2011, p. 820), os três aspectos fundamentais que explicavam o atraso regional
eram: (i) Relações econômicas desfavoráveis do nordeste para com o centro-sul do
país; (ii) Gastos do setor público que privilegiam a região mais rica do país; (iii)
Existência de um arcabouço institucional que perpetua, na região, o atraso
econômico e social.
Para Furtado, industrialização e planejamento seriam os únicos meios de
aumentar o nível de renda nordestino e promover o desenvolvimento da região. A
melhora das condições da região demandava modificações estruturais que
superassem o atraso tecnológico industrial, e fossem capazes de inserir o Nordeste
de forma competitiva no mercado e na produção capitalista.
O crescimento é o aumento da produção, ou seja, do fluxo de renda,
ao nível de um subconjunto econômico especializado, e que o
desenvolvimento é o mesmo fenômeno quando observado do ponto
de vista de suas repercussões no conjunto econômico de estrutura
complexa que inclui o referido setor especializado. (FURTADO,
2002, Idem, p. 79).
Os diagnósticos feitos por Furtado aplicavam os conceitos de centro e
periferia na realidade desigual das regiões brasileiras e influenciaram a política
econômica dos governos das décadas de 1950 e 1960, pressionando os a promover
uma maior intervenção estatal. Nesse período foram criadas e implantadas novas
políticas de desenvolvimento que tinham como objetivo aprofundar as análises sobre
os desníveis regionais e a tentativa de superação das mesmas como a Operação
22
Nordeste em 1959 e a criação da Superintendência do Desenvolvimento do
Nordeste (SUDENE) em 1959 com uma política de incentivos ficais visando atrair
capital (nacional e estrangeiro) e empresas para a região.
O desenvolvimento industrial absorveria partes crescentes do excedente da
força de trabalho existente na região e elevaria sua produtividade. À medida que o
progresso técnico adentrasse nas regiões, seu sistema de produção e seus padrões
de consumo passariam por transformações e tenderiam a se especializar. Ao
mesmo tempo, as demais regiões ficariam marginalizadas do processo de
desenvolvimento e limitadas pelos padrões antigos e inalterados de seu consumo.
Este crescimento econômico deveria estar atrelado ao desenvolvimento social da
região, com ação direta do Estado. “Não se daria ao impulso das simples forças do
mercado, exigindo um projeto político apoiado na mobilização de recursos sociais”
(FURTADO, 1992, p. 74-75).
Para Furtado, o Estado, através de políticas de planejamento, deveria
coordenar a superação dos problemas estruturais regionais, e viabilizar o
desenvolvimento de áreas periféricas. A SUDENE deveria coordenar e promover o
desenvolvimento do Nordeste por meio de estudos e propostas de novas diretrizes
para a região, além de supervisionar, coordenar e controlar a elaboração e execução
de projetos de órgãos federais na região vinculados ao desenvolvimento e coordenar
programas de assistência técnica, nacional ou estrangeira. No ano de sua criação, o
PIB per-capita do nordeste era equivalente a 28,41%.
Embora as relações entre crescimento, desenvolvimento e industrialização
sejam estudadas, analisadas e justificadas de maneiras distintas por diferentes
correntes teóricas, Carine Pereira Ribeiro na sua Monografia de conclusão do curso
de Economia, Desenvolvimento e subdesenvolvimento segundo Celso Furtado:
influência no debate sobre a questão regional brasileira (2010), conclui que no pós II
Guerra Mundial, a lógica predominante nos diversos núcleos de pesquisa do país
atrelava o “desenvolvimento” diretamente ao progresso econômico, político e social,
tendo como suporte e sustentação a expansão do setor industrial e como vetor a
ação do Estado. No entanto, nem todos os governos conseguiram atingir os
resultados de progresso atrelados aos desenvolvimentos esperados. Alguns, como o
Brasil, apesar de terem conquistado elevadas taxas de crescimento, não
conseguiram alterar sua situação na divisão internacional do trabalho, sua

23
dependência financeira ou tecnológica com relação à países mais desenvolvidos
(RIBEIRO, 2010, p. 24). Disso advém o conceito de desigualdade furtadiana, uma
vez que “aumentos de produtividade e assimilação de novas técnicas não conduzem
à homogeneização social, ainda que causem a elevação no nível de vida médio da
população.” (FURTADO, 1992, Idem, p. 39-40).
O gráfico 9, abaixo, mostra o consumo de energia elétrica industrial em Mwh
entre 1961 e 2004 no nordeste e no sudeste. A diferença entre as duas regiões é
bem significativa e pode ser capaz de ilustrar as disparidades recentes na
industrialização das duas áreas.

Gráfico 9: Consumo de Energia Elétrica Industrial 1961–2004

90.000.000,0

80.000.000,0

70.000.000,0

60.000.000,0

50.000.000,0
Região Nordeste
40.000.000,0
Região Sudeste
30.000.000,0

20.000.000,0

10.000.000,0

0,0
1967

1988
1961
1964

1970
1973
1976
1979
1982
1985

1991
1994
1998
2001
2004

Fonte: CARVALHO et al. 2007. IPEA, 2004.

No início da década de 1960 a diferença entre o consumo de energia elétrica


industrial no sudeste e no nordeste já existia, porém em menor escala. Com o
passar dos anos, conforme ilustra o gráfico 9, esta diferença foi se ampliando cada
vez mais e as regiões foram se distanciando. O ritmo de crescimento do consumo
vinculado a industrialização do sudeste é exponencial e acelerado enquanto o
nordeste teve ampliações relativamente tímidas em sua curva.
Outro indicador que pode ser utilizado para exemplificar as disparidades no
nível de desenvolvimento, produção e consumo industrial entre as regiões é o valor
adicionado bruto da indústria conforme o gráfico abaixo construído a partir de dados

24
publicados pelo IBGE/SUFRAMA (2015). Enquanto o sudeste teve um crescimento
acelerado desse valor nos últimos anos, os números do nordeste, porém com taxas
expressivamente menores o que contribuiu para um aumento na distância no valor
adicionando bruto industrial das regiões. O comportamento e a evolução distinta
dessas curvas mostram diferenças em suas produções e em sua escala produtiva.
Além disso, percebe-se que enquanto o sudeste cresce cada vez mais e gera mais
valor na indústria, o nordeste fica para trás. Isso impacta diretamente a forma com
que as regiões se inserem no mercado nacional e internacional e sua capacidade
competitiva, como se depreende do gráfico 10.

Gráfico 10: Valor adicionado bruto a preços correntes da indústria (Mil Reais).
2002 – 2014

800.000.000,00

700.000.000,00

600.000.000,00

500.000.000,00

400.000.000,00 Nordeste

300.000.000,00 Sudeste

200.000.000,00

100.000.000,00

0,00
2012
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011

2013
2014
2015

Fonte: IBGE, em parceria com os Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais de Governo
e Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, 2015.

Porém, outro ponto de referência fundamental para analisar as disparidades


regionais é o número de trabalhadores em determinados setores. Afinal, sua
alocação é capaz de ilustrar parte da dinâmica de determinada economia. Os dados
referentes ao mercado de trabalho são reflexos do mercado produtivo e consumidor
da região, onde há maior produção e consumo industrial, há mais trabalhadores
ocupados nessa atividade. Quanto mais se demanda por mão de obra para um tipo
de atividade, mais importância essa atividade tende a ter e mais valor ela produz.
Dados extraídos da PNAD Contínua de 2017 (IBGE, 2017) mostram que no último
25
semestre de 2017 o número de pessoas ocupadas com atividade industrial no
sudeste era mais do que duas vezes os ocupados na mesma categoria na região
nordeste. Analisando cronologicamente, nota-se que a diferença entre as regiões
diminuiu nos últimos anos, porém ela ainda persiste de forma marcante. O número
de pessoas empregadas nesta categoria no sudeste chega a ser mais do que o
dobro do nordeste historicamente. Esta diferença indica que a disponibilidade de
trabalhos industriais e a demanda por trabalhadores neste setor é muito maior no
sudeste. (Gráficos 11 e 12).

Gráfico 11: Nordeste - Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de


referência no grupamento de atividade Indústria Geral (em milhares de pessoas)

2.313
2.267

2.260
2.249

2.237
2.213

2.204
2.187

2.184
2.166

2.163
2.151

2.132
2.124
2.122

2.102
2.500

2.005
2.003
1.987
1.980

1.951

1.941
1.933
1.899
2.000

1.500

1.000

500

0
jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar

jan-fev-mar
jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set

jul-ago-set
abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun
out-nov-dez
out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

2012 2013 2014 2015 2016 2017


Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio Contínua (PNAD), 2017.

26
Gráfico 12: Sudeste - Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de
referência no grupamento de atividade Indústria Geral (em milhares de pessoa)

6.676
6.654

6.591
6.528
6.475

6.454

6.453

6.444
6.415

6.399

6.361
6.350

6.346
8.000

6.317
6.309

6.001

5.817
5.675

5.647
5.638

5.624
5.603

5.484
5.411
7.000
6.000
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
0

jan-fev-mar
jan-fev-mar

jul-ago-set

jan-fev-mar

jul-ago-set

jan-fev-mar

jul-ago-set

jan-fev-mar

jul-ago-set

jan-fev-mar

jul-ago-set

jul-ago-set
abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun

abr-mai-jun
out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez

out-nov-dez
2012 2013 2014 2015 2016 2017
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio Contínua (PNAD), 2017.

Paralelamente, de acordo com a mesma pesquisa, o número de pessoas


ocupadas com atividade agrícolas foi maior na região nordeste do país. Esses
números indicam que, mesmo com o nordeste tendo desenvolvido sua atividade
industrial e tendo evoluído nos últimos anos, grande parte da sua população ainda é
remunerada com trabalhos agrícolas. Isto ilustrar uma diferença setorial produtiva e
empregatícia nas duas regiões. Como consequência das especificidades e
pluralidades de suas atividades produtivas e de suas dinâmicas econômicas
distintas que impactam diretamente o mercado de trabalho e a alocação dos
trabalhadores. Ou seja, a região nordeste concentra menos trabalhadores ocupados
na atividade industrial e mais trabalhadores no setor agrícola, o que indica que a
agricultura ganha maior destaque em sua produção e demanda mais mão de obra.
Já no sudeste, a situação é a inversa, devido à alta concentração industrial produtiva
e consumidora, a procura por mão de obra e a alocação de trabalhadores tende a
ser muito maior. (Gráficos 13 e 14).

27
500
1.000
1.500
2.000
2.500
3.000

0
500
0
1.000
1.500
2.000
2.500
3.000
3.500
4.000
4.500
jan-fev-mar 2.431
abr-mai-jun 2.639 jan-fev-mar 4.257

2012
jul-ago-set 2.626 abr-mai-jun 4.122

2012
out-nov-dez 2.491 jul-ago-set 4.054
jan-fev-mar 2.452 out-nov-dez 3.916
abr-mai-jun 2.664 jan-fev-mar 3.758

2013
jul-ago-set 2.638 abr-mai-jun 3.906

2013
out-nov-dez 2.470 jul-ago-set 3.909
jan-fev-mar 2.200 out-nov-dez 4.140
abr-mai-jun 2.343 jan-fev-mar 3.881

2014
jul-ago-set 2.216 abr-mai-jun 3.934

2014
out-nov-dez 2.158 jul-ago-set 3.850
jan-fev-mar 2.141 out-nov-dez 3.753
abr-mai-jun 2.297 jan-fev-mar 3.843

2015
jul-ago-set 2.240 abr-mai-jun 3.763

2015
out-nov-dez 2.177 jul-ago-set 3.677
jan-fev-mar 2.136 out-nov-dez 3.509
abr-mai-jun 2.270 jan-fev-mar 3.558

2016
jul-ago-set 2.182 abr-mai-jun 3.479

pesca e aquicultura (em milhares de pessoas)


pesca e aquicultura (em milhares de pessoas)

2016

out-nov-dez 2.109 jul-ago-set 3.209


jan-fev-mar 2.072 out-nov-dez 3.146
abr-mai-jun 2.212 jan-fev-mar 3.006

2017
jul-ago-set 2.218 abr-mai-jun 2.924

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio Contínua (PNAD), 2017.
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio Contínua (PNAD), 2017.
2017

out-nov-dez 2.162 jul-ago-set 2.889


out-nov-dez
referência no grupamento de atividade Agricultura, pecuária, produção florestal,

2.819
referência no grupamento de atividade Agricultura, pecuária, produção florestal,

Gráfico 14: Sudeste - Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de


Gráfico 13: Nordeste - Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de

28
2.4. Produto Nacional
Segundo o artigo publicado pela Fundação Joaquim Nabuco Traços gerais do
desenvolvimento recente do Nordeste, de João Policarpo R. Lima (2018), o Nordeste
sempre apresentou uma baixa participação no PIB nacional. Em 1998, a região
concentrava 30% da população e, mesmo assim, era responsável por menos de
15% do produto interno do país, tendo também uma má distribuição de renda com
índice Gini pior do que a média brasileira.
No entanto, a economia nordestina apresentou nas últimas décadas
crescimento, de forma lenta e gradual, que possibilitou melhoras nas condições
sociais da sua população.
Sérgio Ricardo Ribeiro Lima e Ricardo Candéa Sá Barreto em seu artigo O
comportamento socioeconômico da região nordeste: do meio século XX ao século
XXI, constataram que o processo de industrialização e urbanização passou por
grande ampliação no Nordeste nas últimas décadas. Como consequência, a região
passou a representar parcelas maiores no PIB (Valor Bruto Agregado) e no VAB
(Valor Agregado Bruto) do país. (LIMA; BARRETO, 2015, p. 278).
A tabela 3 permite ilustrar a constatação dos autores.

Tabela 3: Participação do Sudeste e Nordeste no PIB -1995-2012, em %

1995 2000 2005 2010 2012


Nordeste 12,0 12,4 13,1 13,5 13,6
Sudeste 59,1 58,3 56,5 55,4 55,2
Fonte: IBGE, Contas Regionais, 2012.

Apesar da região sudeste continuar sendo responsável pela maior parte do


Produto Interno Bruto do país, este teve uma queda significativa em sua participação
percentual no PIB nacional a partir de 2000, representando 55,2 % do PIB nacional
em 2012. Já o nordeste teve um ligeiro crescimento e redução no seu
distanciamento para as demais regiões, ganhando maior destaque na produção em
escala nacional e internacional, crescendo de 12,0 para 13,6%. (IBGE. 2012).

29
Gráfico 15: Produto Interno Bruto a preços correntes (Mil Reais), 2002 – 2015

3.500.000.000,00

3.000.000.000,00

2.500.000.000,00

2.000.000.000,00

1.500.000.000,00

1.000.000.000,00

500.000.000,00

0,00
2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Nordeste Sudeste

Fonte: IBGE, em parceria com os Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais de Governo
e Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA 2015

Tabela 4: PIB por região a preços constantes

1995 2000 2005 2010


Nordeste 308.890.615 344.076.416 404.519.730 507.501.607
Sudeste 1.392.557.981 1.499.260.802 1.678.810.615 2.088.221.460
Fonte: IBGE, Contas Regionais, 2012. IPEA (2015)

Mesmo com a ampliação da participação nordestina no PIB nacional e a


relativa redução da desigualdade por parte do nordeste, nota-se na tabela 4, acima,
que ambas as regiões tiveram um aumento no seu PIB a preços constantes. Porém,
apesar do nordeste haver crescido relativamente mais: 39,13% entre 2010 e 1995,
enquanto o sudeste cresceu 33,3% nesse mesmo período, persiste a enorme
desigualdade entre as duas regiões.
Por outro lado, João Policarpo R. Lima justifica o crescimento do nordeste
como consequência da expansão econômica e social nordestina observada nas
últimas décadas. Essa mudança na dinâmica da região pode ser ilustrada pelo
número de indivíduos classificados como em situação de extrema pobreza (que
recebe renda de até R$ 70,00 por mês), o qual reduziu em 107 % o número de
miseráveis, fazendo cair para menos da metade entre 1976 e 2013. Para Sérgio

30
Ricardo Ribeiro Lima e Ricardo Candéa Sá Barreto (2015) este resultado foi devido
à ampliação do Programa Bolsa Família, conforme dados do IPEA (2015),
observáveis na tabela 5.

Tabela 5: Número de indivíduos extremamente pobres no Nordeste – 1976-2013

1976 1981 1990 2001 2013


Nordeste 12.172.085 12.626.729 17.162.918 15.094.692 5.859.935
Fonte: IPEA, 2015.

2.5. Concentração de renda


Celso Furtado no artigo Uma Política de Desenvolvimento para o Nordeste
(1981) levanta o seguinte questionamento: Por que a renda no Brasil aparece como
sendo mais concentrada do que em qualquer outro país de nível de produtividade
similar ao nosso? E em seguida responde:
Simplesmente porque as disparidades regionais fazem que os
aspectos mais perversos do desenvolvimento dependente aqui se
apresentem agravados; na região mais pobre do País é maior a
proporção de pessoas relegadas à condição de miséria. [...].
Queiramos ou não, os grandes problemas do Brasil somente podem
ser diagnosticados se se tem do País uma visão que leve em conta a
fratura fundamental dessa desigualdade regional. Portanto, uma
política adequada para o Nordeste significa renunciar à ilusão de que
essa região é tão-somente um apêndice, algo que pode ser relegado
a segundo plano, que pode esperar um amanhã incerto em que ‘o
bolo a distribuir’ seja maior. (FURTADO, Ibidem, p.13).

O índice Gini é o instrumento usado para medir o grau de concentração de


renda em determinado grupo. O Gini varia de 0 a 1, onde quanto maior o indicador,
pior é a distribuição dos rendimentos. A região nordeste possui números superiores,
indicando que sua renda é mais concentrada. Segundo dados publicados pelo IBGE,
referentes a PNAD Contínua de 2017, a região sudeste foi a única que teve uma
redução no índice com relação ao ano de 2016. A mesma pesquisa indicou que as
pessoas que compunham o 1% mais ricos do nordeste, com os maiores
rendimentos, ganhavam em média 44,9 vezes mais que os 50% da população mais
pobre, com os menores rendimentos. Esta concentração da renda impacta
diretamente a economia nordestina e as suas condições de vida, afetando os
31
indicadores de rendimento com o surgimento de outliers: uma pequena parcela da
população que possui rendas muito altas e acaba puxando a média salarial da
região, quando olhamos os números sem uma análise mais profunda e podem
causar ilusões de que a diferença regional na remuneração não é tão grande.
Porém, na realidade, ao mesmo tempo a maioria dos trabalhadores continua vivendo
com salários extremamente baixos, como se observa na tabela 6.

Tabela 6: Índice de Gini da distribuição do rendimento mensal das pessoas de 15


anos ou mais de idade, com rendimento – (2016/2017)

Índice 2016 Índice 2017


Brasil 0,549 0,549
Nordeste 0,555 0,567
Sudeste 0,535 0,529

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, 2017, consolidado de primeiras
entrevistas.

De acordo com a tabela acima extraída da PNAD (IBGE, 2017), enquanto o


sudeste teve uma queda no índice Gini e o Brasil se manteve igual de 2016 para
2017, a região nordeste sofreu um aumento significativo na sua concentração de
renda no mesmo período. Ao mesmo tempo em que se observa, conforme discutido
e exposto anteriormente, um crescimento da economia e do PIB nordestino, as
desigualdades na região aumentam fazendo com que poucos possam, de fato, se
beneficiar das melhorias e avanços apresentados pelos gráficos e indicadores
econômicos.

2.6. Qualificação da mão de obra e remuneração


As desigualdades educacionais contribuem e são em parte responsáveis pelo
o aumento das desigualdades econômicas. O número de analfabetos e a taxa de
mortalidade infantil (considerada como a morte de crianças com menos de um ano
de idade) do nordeste são os mais altos do Brasil, evidenciando a baixa qualidade
de vida da região e seus problemas sociais preocupantes.
A tecnologia cada vez mais exige e demanda trabalhadores qualificados e
especializados. A educação é responsável por determinar a oferta de pessoas com
essas habilidades. Se a demanda por trabalhadores qualificados é maior do que a
oferta, a remuneração paga para eles será muito maior com relação aos demais
32
(MENEZES FILHO; KIRSCHBAUM, 2015, p. 109-32). Conforme apontado por
Gabriela Sampaio e Romualdo Portela de Oliveira no artigo Dimensões da
desigualdade educacional do Brasil, “No Brasil, o próprio modo como se deu a
expansão da educação básica configurou a desigualdade nas condições de ensino.
Desde a Lei Geral de 1827, ainda no Império, coube às províncias responsabilidades
pela educação primária e ao poder central pela superior”. (OLIVEIRA; SAMPAIO.
2015, p. 517).
Para Fernando Luiz Abrucio (2010), essa divisão acabou gerando
desigualdades regionais na oferta educacional. Estados das regiões sul e sudeste
possuíam capacidade orçamentária bem maior do que os das regiões norte e
nordeste, possibilitando maiores investimentos na educação básica de sua
população. Tabelas extraídas das contas regionais publicadas pelo IBGE (2011-
2014) expandem a afirmação de Abrucio ao universo privado e seus investimentos.
O valor bruto da produção com educação e saúde privada no sudeste correspondia
a 4,9 vezes do nordeste em 2010. Entre 2010 e 2014 as duas regiões tiveram
aumentos nesses valores, porém ambas expandiram na mesma proporção de forma
que o sudeste continuou muito na frente com 4,5 do valor bruto da produção em
educação e saúde privada nordestino em 2014, como pode ser observado na tabela
7.
Tabela 7: Valor Bruto da Produção Educação e Saúde Privada – Valor a preço corrente

Sudeste Nordeste
2010 103.396 21.035
2011 113.683 23.540
2012 132.526 28.495
2013 151.138 34.004
2014 181.947 40.237
Fonte: IBGE, Contas regionais (2010-2014)

A mesma disparidade quantitativa pode ser observada com os números


referentes ao consumo intermediário de educação e saúda privada. Em 2010 o valor
do sudeste correspondia a 4,6 vezes o do nordeste. Em 2014 esta proporção
reduziu para 4,2 vezes. A queda pode ser observada como uma conquista para o
setor de educação privado nordestino, porém a distância para com as demais
regiões, que configura um atraso e subdesenvolvimento, ainda é muito grande,
como se deduz pela tabela 8,elaborada a partir de dados do IBGE.
33
Tabela 8: Consumo Intermediário Educação e Saúde Privadas – Valor a preço corrente

Sudeste Nordeste
2010 43.812 9.325
2011 46.036 9.950
2012 50.159 11.241
2013 55.144 12.489
2014 65.877 15.414
Fonte: IBGE, Contas regionais (2010-2014)

De acordo com Celso Furtado, a história do subdesenvolvimento regional


brasileiro é difícil de ser superada, pois desde o passado, a região já “trazia o germe
dos problemas que hoje estamos enfrentando, pois reproduzia o mesmo esquema
de divisão geográfica do trabalho que viciara todo o desenvolvimento da economia
mundial, com suas metrópoles industrializadas e colônias de matérias-primas”.
(FURTADO, 1959, p. 12). Como consequência observa-se uma perpetuação das
condições desiguais sociais e econômicas causadas pelos diferentes contextos
regionais.
A tabela 9 e o gráfico 16, abaixo, foram elaborados a partir dos dados do
IBGE e mostram a população economicamente ativa por anos de estudo entre 2001
e 2010. Para a categoria sem instrução ou menos de 1 ano, apesar de ambas
regiões terem tido uma queda em seus números nos últimos anos, o nordeste teve
uma queda de 40,75% entre 2001 e 2010, enquanto no sudeste os valores caíram
apenas 12,5% no mesmo intervalo de tempo. Mesmo assim, o nordeste possui
historicamente um número maior de pessoas sem instrução ou com menos de um
ano dentro de sua população economicamente ativa, chegando a cerca do triplo do
número do sudeste em 2010. A diferença no número de anos de escolaridade médio
entre as regiões impacta diretamente o perfil e a qualificação da mão de obra
disponível no mercado. Trabalhadores com menos anos de instrução tendem a ser
menos especializados e, consequentemente, a ganhar menos.

Tabela 9: População Economicamente Ativa Sem instrução ou menos de 1 ano


(2001-2010)

2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Nordeste 13,4 12,7 12,2 11,8 11,4 10,4 9,5 9,6 8,7 9,52
Sudeste 3,6 3,4 3,1 3,0 2,9 2,7 2,7 2,8 2,7 3,2
Fonte: IBGE, 2010b.

34
Gráfico 16: População Economicamente Ativa Sem instrução ou menos de 1 ano
(2001-2010)

16

14

12

10

8 Nordeste
Sudeste
6

0
2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2011

Fonte: IBGE, 2010b.

Nas categorias 15 anos ou mais, e 8 a 10 anos de estudo, a situação se


inverte e o sudeste encontra-se sempre na frente do nordeste. As duas regiões
apresentaram altas nos últimos anos, conforme ilustra a tabela 10 e o gráfico 17. No
entanto, os números do nordeste continuam sendo menores de 50% que os do
sudeste.
Tabela 10: População Economicamente 15 anos ou mais (2001-2010)

2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Nordeste 2,1 2,2 2,3 2,5 2,5 2,8 2,9 3,3 3,6 4,0
Sudeste 5,3 5,6 5,8 5,9 6,2 6,7 6,9 7,1 7,8 8,4

Fonte: Séries temporais IBGE, 2010.

35
Gráfico 17: População Economicamente ativa 15 anos ou mais (2001-2010)

9
8
7
6
5
Nordeste
4
Sudeste
3
2
1
0
2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2011

Fonte: IBGE, 2010b.

De acordo com levantamento publicado pela PNAD (IBGE, 2015), a média de


anos de estudo na região nordeste era de 6,7, ficando abaixo da média nacional (7,8
anos) e do sudeste, que possui 8,5 anos médios de estudo neste mesmo período.
Segundo comprova a Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (IBGE,
2015), mesmo com uma grande redução nas taxas de analfabetismo, o nordeste
ainda possui índice cerca de 3 vezes maior do que o da região sudeste em 2015,
como pode ser observado no gráfico 18, abaixo. Por mais que a diferença entre
essas duas regiões tenha diminuído significativamente ao longo da última década, a
população nordestina ainda sente disparidades em seu nível educacional.

36
Gráfico 18: Taxa de Analfabetismo de pessoas de 5 anos ou mais (2001-2015)

30

25

20

15

10

0
2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2011 2012 2013 2014 2015
Sudeste 9,53 9,33 8,78 8,62 8,49 7,82 7,28 7,19 7 5,96 6 5,87 5,76 5,4
Nordeste 25,92 24,99 24,65 24,23 23,47 22,08 21,24 20,31 19,52 17,38 17,93 17,42 17,12 16,52

Fonte: IBGE, 2015.

A tabela 11 mostra que a região nordeste em todas as faixas de idade e no


somatório total apresenta, no ano de 2015, taxas de analfabetismo muito superiores
à média nacional e, paralelamente, a região sudeste apresenta taxas muito inferiores
a esta mesma média.

Tabela 11: Taxa de Analfabetismo das pessoas com 10 anos ou mais de idade, por
Grandes Regiões – (2015)

Brasil Nordeste Sudeste


TOTAL 7,4 14,8 4,0
10 a 14 anos 1,6 2,9 0,7
15 anos ou mais 8 16,2 4,3
15 a 17 anos 0,8 1,4 0,4
15 a 24 anos 1 2 0,5
18 anos ou mais 8,5 17,4 4,6
25 anos ou mais 9,7 20,2 5,2

Fonte: IBGE, 2015.

2.7. Remuneração
Segundo dados extraídos da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio
(PNAD) de 2016 (IBGE, 2016), o 1% dos trabalhadores brasileiros com os maiores
37
rendimentos recebem em média R$ 27.085,00 (vinte e sete mil e oitenta e cinco
reais), 36,3 vezes mais do que recebe a metade com os menores rendimentos (R$
747,00), seja, setecentos e quarenta e sete reais (2015).
Considerando-se a escolaridade da população ocupada, os trabalhadores
com ensino superior completo obtiveram rendimento médio mensal de R$ 5.189,00,
de acordo com levantamento feito pela PNAD Contínua 2016 (IBGE, 2016), cerca de
três vezes mais do que aqueles com somente o ensino médio completo (R$
1.716,00), e cerca de seis vezes acima daqueles sem instrução (R$ 884,00). Assim
também, o rendimento médio dos trabalhadores sem instrução (R$ 884,00) era
36,67% menor do que o daqueles com ensino fundamental completo (R$ 1.395,00).
Mesmo com a melhoria nos índices sociais, o site Love Mondays, plataforma
online onde usuários cadastram seus salários, elaborou uma pesquisa, entre maio
de 2015 e abril de 2017, com mais de 90.000 profissionais, para analisar as
variações nas remunerações entre as diferentes regiões do Brasil. Esta pesquisa
apontou que a região sudeste é a que possui maior média salarial, em 7 das 10
categorias pesquisadas. De acordo com Milton Santos, também,
A capacidade de demanda de uma população e de oferta de uma
cidade depende não apenas das virtualidades da cidade, isto é, de
sua capacidade potencial em termos da criação de bens e serviços,
mas, igualmente, do poder de compra da população de sua
propensão a adquirir. (SANTOS. 1980, Idem, p. 26).

Dados extraídos da PNAD Contínua 2017 (IBGE, 2017), confirmam os


resultados dessa pesquisa. Todas as categorias de empregados apresentam um
rendimento médio real maior na região sudeste, conforme sintetiza a tabela 12,
abaixo.

Tabela 12: Rendimento Médio Real Habitual (em reais) segundo posição na ocupação
(out-nov-dez/2017)

Nordeste Sudeste
Pessoas Ocupadas (todos os trabalhos) 1485 2462
Empregado no setor privado com carteira assinada 1547 2333
Empregado no setor privado sem carteira assinada 749 1480
Trabalhador Doméstico 566 970
Empregado no Setor Público 2654 3519
Fonte: IBGE, 2017.

38
Segundo dados levantados pela PNAD Contínua 2016 (IBGE, Ibidem), a
massa de rendimento efetivo mensal de todos os trabalhos das pessoas ocupadas
foi em 2016 de R$ 191 bilhões de reais, com um rendimento médio de R$ 2.149,00
para o país. O sudeste concentrou 53,0% da massa total, com rendimento médio de
R$ 2.536,00. Já a concentração do nordeste (15,6%) teve média salarial equivalente
a R$ 1.427,00 apenas. A massa de rendimento real habitual em milhões de reais no
último trimestre de 2017, segundo a PNAD Contínua (IBGE, 2016) foi de R$
99.495,00 para a região sudeste e de R$ 30.948,00 para o nordeste.
O gráfico 19, abaixo, indica a diferença na remuneração média paga em
Recife e em São Paulo, evidenciando que as disparidades nos salários entre as
regiões ocorrem. Em fevereiro de 2016, o rendimento médio de um trabalhador em
São Paulo era de R$ 2.393,74, enquanto que em Recife este valor era R$ 1.726,00,
segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (IBGE, 2016).

Gráfico 19: Rendimento médio do trabalhador principal (pessoas de 10 anos ou mais),


março 2002-novembro 2015

3.000,00

2.500,00

2.000,00

1.500,00
São Paulo

1.000,00 Recife

500,00

0,00
set/07

jul/09
fev/03

ago/08

mar/13
jun/10
mar/02

nov/05

fev/14
out/06

mai/11
jan/04

jan/15
dez/04

abr/12

Fonte: IBGE, 2016a.

A Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio Contínua, de 2017 (IBGE,


2017), dá continuidade a esta coleta de dados referente ao valor do rendimento
médio das famílias. No último trimestre de 2017, o rendimento real médio do sudeste
em todos os trabalhos era 165% maior do que o coletado no nordeste (gráficos 20 e
21).
39
500
200
400
600
800

1.000
1.500
2.000
2.500
3.000
1.000
1.200
1.400
1.600

0
0
jan-fev-mar 1.622 2.297 jan-fev-mar 968 1.388
abr-mai-jun 1.648 2.310 abr-mai-jun 995 1.405

2012
2012
jul-ago-set 1.672 2.325 jul-ago-set 999 1.397
out-nov-dez 1.694 2.319 out-nov-dez 1.014 1.389
jan-fev-mar 1.761 2.358 jan-fev-mar 1.064 1.420
abr-mai-jun 1.819 2.402 abr-mai-jun 1.105 1.452

2013
2013
jul-ago-set 1.837 2.412 jul-ago-set 1.122 1.471
out-nov-dez 1.846 2.389 out-nov-dez 1.129 1.463
jan-fev-mar 1.953 2.466 jan-fev-mar 1.188 1.507
abr-mai-jun 1.939 2.406 abr-mai-jun 1.195 1.482

2014
2014
jul-ago-set 1.967 2.424 jul-ago-set 1.188 1.466
out-nov-dez 2.011 2.442 out-nov-dez 1.221 1.485
jan-fev-mar 2.116 2.485 jan-fev-mar 1.251 1.478

Fonte: IBGE, 2017.


Fonte: IBGE, 2017.
abr-mai-jun 2.183 2.497 abr-mai-jun 1.274 1.465

2015
2015
jul-ago-set 2.189 2.465 jul-ago-set 1.284 1.452
out-nov-dez 2.212 2.433 out-nov-dez 1.274 1.411
jan-fev-mar 2.299 2.455 jan-fev-mar 1.323 1.411
abr-mai-jun 2.279 2.391 abr-mai-jun 1.334 1.399

2016
2016

jul-ago-set 2.325 2.404 jul-ago-set 1.348 1.395


out-nov-dez 2.389 2.460 out-nov-dez 1.387 1.424

de referência, com rendimento de trabalho (em R$)


de referência, com rendimento de trabalho (em R$)

jan-fev-mar 2.425 2.472 jan-fev-mar 1.449 1.467


abr-mai-jun 2.404 2.433 abr-mai-jun 1.457 1.463

2017
2017

jul-ago-set 2.423 2.446 jul-ago-set 1.439 1.444

Real
Nominal

out-nov-dez 2.462 2.462 out-nov-dez 1.485 1.485

Nominal
Gráfico 20: Nordeste Rendimento médio de todos os trabalhos, habitualmente

Gráfico 21: Sudeste - Rendimento médio de todos os trabalhos, habitualmente


recebido por mês, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana
recebido por mês, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana

40
Real
Pesquisa sobre “Custo de vida, amenidades e salários nas regiões
metropolitanas brasileiras”, publicada por Maria Cristina Galvão et al., na Revista
Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos (RBERU), IPEA 2016, faz uma análise
da evolução da renda domiciliar per capita das regiões brasileiras no período de
1985 a 2014. Segundo o artigo, as regiões sul e sudeste mantiveram certa
estabilidade ao longo dos anos, enquanto as regiões norte e nordeste, mesmo
apresentando crescimento positivo da renda domiciliar per capita, ao final do período
ainda tinham um nível de renda bastante abaixo das demais regiões, além de
diferenças do nível de custo de vida bastante significativas. (GALVÃO et al., 2016, p.
200).

2.8. Custo de vida


Conforme exposto acima, a disparidade de renda nacional brasileira é alta.
Porém, um ponto crucial de ser analisado é a variação nos custos de vida entre as
regiões, ou seja, quanto da renda de uma família é dispendida a fim de garantir sua
sobrevivência e reprodução.
“Custo de Vida” é definido pelo IBGE como o total das despesas efetuadas
para se manter certo padrão de vida. O padrão de vida de uma pessoa é estimado a
partir da quantidade de bens, serviços e mercadorias que ela consome através da
chamada cesta de consumo.
A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA) é um
levantamento contínuo dos preços de um conjunto de produtos alimentícios,
considerados essenciais, feita pelo DIEESE. Esta cesta calculada é composta por
itens de subsistência das famílias (carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate,
pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga), itens básicos pesquisados definidos
pelo Decreto Lei nº 399, de 30 de abril de 1938, que regulamentou o salário mínimo
no Brasil. E suas quantidades correspondem ao necessário para o sustento de um
trabalhador em idade adulta, variando de acordo com os hábitos específicos de cada
região.
Como o DIEESE não agrupa seus dados por macrorregiões foram utilizados
os dados referentes às cidades de São Paulo e Recife, levantados entre 2000 e
2017, para representar a comparação entre o nordeste e o sudeste. Estes dados
confirmam que historicamente há uma diferença no valor total da cesta de consumo

41
entre as cidades. O gráfico 22, abaixo, permite observar que ambas as curvas
seguem as mesmas oscilações de aumentos e quedas de preço em proporções
parecidas, porém a distância entre as duas permanece quase inalterada ao longo
dos anos.
Gráfico 22: Cesta de Consumo Total São Paulo e Recife 2000-2017

500,00
450,00
400,00
350,00
300,00
250,00
200,00
150,00
100,00
50,00
0,00
09-2004

12-2015 (1)
01-2000
09-2000
05-2001
01-2002
09-2002
05-2003
01-2004

05-2005
01-2006
09-2006
05-2007
01-2008
09-2008
05-2009
01-2010
09-2010
05-2011
01-2012
09-2012
05-2013
01-2014
09-2014
05-2015

08-2016
04-2017
12-2017
Total da Cesta Sâo Paulo Total da Cesta Recife

Fonte: DIEESE, 2017.

O gráfico mostra que em dezembro de 2017, para quase todos os itens que
compõem a cesta, os preços de São Paulo são maiores do que os de Recife, com
exceção da farinha. A cesta total custava R$ 332,15 no Recife, 21,7% menos do que
em São Paulo, onde foi calculado que ela custaria R$ 424,36 no mesmo mês
(Gráfico 23).

42
Gráfico 23: Preço dos Itens da Cesta de Consumo – Recife/São Paulo
(dez/2017)

Recife
São Paulo

Carne Leite Feijão Farinha Tomate Pão Café Banana Açúcar

Fonte: DIEESE, 2017.

Segundo o Boletim Regional, do Banco Central do Brasil, publicado em 2014,


o nordeste apresenta os menores níveis de preços do país (14% inferior à média
nacional, no período em análise) e a menor volatilidade (coeficiente de variação –
CV de 0,08), enquanto o sudeste apresenta o segundo maior nível de preços (4%
superior ao do país). As estimativas dos níveis de preços para cada região do
Boletim consideraram os preços regionais do Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), adotados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) - (Diferenciais Regionais de Níveis de Preço e de Bem Estar no
Brasil, 2014, p. 86-88). De acordo com a análise, a diferença do PIB entre as regiões
deve considerar as variações no poder de compra. Se consideradas, as
disparidades continuam existindo, mas diminuem.
Segundo uma nota publicada à imprensa pelo DIEESE, em 5 de abril de
2018, a cesta de consumo mais cara é a Rio de Janeiro (R$ 441,19), seguida por
São Paulo (R$ 437,84), Porto Alegre (R$ 434,70) e Florianópolis (R$ 426,79), todos
localizados na região sudeste. Já os menores valores médios estão em Salvador
(R$ 322,88) e Aracaju (R$ 339,77), no nordeste.

43
De acordo com o Dieese, embora dotado por lei estadual, de salário mínimo
maior do que aquele pago no Brasil, em março de 2018, um trabalhador de São
Paulo, cuja remuneração equivale ao salário mínimo, necessitou cumprir jornada de
trabalho de 100 horas e 58 minutos, 7 minutos a mais do que em fevereiro, quando o
tempo era de 100 horas e 51 minutos, em março de 2017, a jornada era de 102
horas e 13 minutos e o custo desta cesta comprometeu 49,86% de seu salário
líquido. Já um trabalhador de Recife gastou 78h58m de trabalho remunerado, de
acordo como salário mínimo nacional, para comprar sua cesta, que consumiu
39,02% de seu rendimento. Ainda, de acordo com a pesquisa, da qual se extraiu a
tabela 13, abaixo, a cesta de consumo de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Vitória e
de Porto Alegre, principais cidades do sudeste, tiveram variações positivas, ou seja,
aumentaram com relação aos meses anteriores. Paralelamente, São Luís, João
Pessoa, Natal, Recife, Aracaju e Salvador tiveram redução no preço dos itens da
cesta, aumentando ainda mais as diferenças entre os custos de vida das regiões.

Tabela 13: Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos Custo e variação da cesta
básica em 20 capitais Brasil - março de 2018

44
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como afirma Celso Furtado, “A disparidade de níveis de renda existente entre
o Nordeste e o Centro-Sul do País constitui, sem lugar a dúvida, o mais grave
problema a enfrentar na etapa presente do desenvolvimento econômico nacional.”
(FURTADO, Idem, 1981, p. 13).
As disparidades hoje observadas no território brasileiro são, em grande parte,
explicadas por seu passado histórico, responsável por desenvolvimentos desiguais
entre as regiões que impactaram diretamente a formação de estruturas políticas,
econômicas e sociais distintas. O sudeste foi privilegiado e se tornou o grande polo
industrial do país, concentrando e atraindo investimentos, mão de obra, tecnologia e
produção. Os avanços produtivos somados pela vinda de trabalhadores
especializados e/ou mais capacitados para a região, e pelo alto investimento em
educação, que tinha como retorno uma população com maior nível de escolaridade,
acabaram fazendo com que a remuneração salarial no sudeste superasse a
remuneração do restante do país. O aumento na remuneração média dos
trabalhadores do sudeste garantiria uma melhor qualidade de vida para a população
trabalhadora, o que acabou atraindo cada vez mais pessoas, migrantes, para a
região, fator que explica sua alta densidade populacional.
Foi observado que existe uma diferença no custo de vida das regiões
brasileiras que poderia justificar a variação na remuneração média entre elas. No
entanto, analisando dados referentes a dezembro de 2017, o salário médio
nordestino era de R$ 1.485,00, e a cesta básica para o Recife era calculada em R$
332,00. Com isso, sobraria em média para as famílias R$ 1.153,00 para os demais
gastos mensais. No mesmo mês referência, uma família do sudeste ganhava, em
média, R$ 2.462,00, 39% a mais do que uma família do nordeste, e gastava, em
média, R$ 424,00 com a cesta básica, sobrando assim R$ 2.038,00. Ou seja, esta
família, mesmo tendo um maior custo com alimentação, ainda teria R$ 885,00 a
mais para gastar.
As variações nos rendimentos médio dos trabalhadores entre as regiões do
Brasil são causadas, principalmente, por questões sociais e disparidades históricas,
que perpetuam as disparidades econômicas existentes. Há variações no custo de
vida, porém, conforme visto, elas impactam em um grau muito menor do que as
demais variáveis.

45
4. BIBLIOGRAFIA
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