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Biologia do Desenvolvimento

História e Conceitos Básicos


EMBRIÃO
É o estado jovem do animal enquanto contido no ovo ou
no corpo materno, deixando de ser embrião quando
emerge do ovo ou quando nasce

É intermediário entre o genótipo e o fenótipo, ou seja, entre os genes herdados


e o organismo adulto.

Embriologia: é o estudo do crescimento e da diferenciação sofridos por um


organismo no curso do seu desenvolvimento, desde o estágio do ovo até um
ser altamente complexo, de vida independente e semelhante a seus pais

O que é desenvolvimento?
DESENVOLVIMENTO
“É todo processo contínuo e organizado que se inicia no momento em que um
óvulo é fertilizado por um espermatozóide e termina na morte.”

É a expressão do fluxo irreversível dos eventos biológicos ao longo do eixo do


tempo. Tais eventos são claramente ordenados, tanto estrutural como
funcionalmente, que possibilitam uma expressão progressiva, culminando na
formação de uma matéria altamente estruturada em ação.
Turritopsis nutricula: Ciclo de Vida Imortal
Turriposis nutricola tem evoluído uma variação notável e parece ter atingido a imortalidade. A medusa
solitário desta espécie pode reverte ao seu estágio pólipo após tornar-se sexualmente madura. Isto é
possível devido ao processo de TRANSDIFERENCIAÇÃO

Transdiferenciação: é uma mudança de destino e expressão gênica de células


somáticas bem diferenciadas em outros tipos de células diretamente ou ao
retorno para condição de células não diferenciadas.
Biologia do Desenvolvimento

É uma disciplina recente que envolve o estudo da embriogênese e de outros


processos do desenvolvimento.

É a ciência do vir a ser, a ciência do processo, ou seja, está interessada nos


processos do vir a ser do que no ser propriamente dito (estágios transitórios).

Papel Unificador: a Biologia do Desenvolvimento cria uma estrutura que


integra a biologia celular, molecular, bioquímica, fisiologia, anatomia, possibilitando
pesquisas sobre o câncer, imunologia, neurobiologia e estudos sobre evolução e
ecologia.
Questões
Como as células derivadas da divisão do ovo fertilizado se diferenciam uma das
outras?

Como elas se organizam em estruturas tão complexas e variadas, tais como


olhos, membros e cérebro?

O que controla o comportamento das células individuais de modo que sejam


gerados padrões tão altamente organizados?

Como os princípios organizadores do desenvolvimento estão incluídos dentro


do ovo e, em particular, dentro do material genético – o DNA?
Histórico
epigênese x pré-formação
Hipócrates : século V a.C na Grécia. Princípios do calor, da umidade e da
solidificação
Aristóteles: século VI. a.C. Duas possibilidades:

1) PRÉ-FORMAÇÃO
2) EPIGÊNESE (no momento da formação)
Teoria celular
mudou a concepção do desenvolvimento e da hereditariedade
Formulada 1838 e 1839 – Mathias Schleiden e Theodor Schwann: todos os
organismos vivos consistem de células, que são as unidades básicas da vida e que
surgem a partir da divisão de outras células

1840 – reconhecimento que o ovo era uma única célula, embora especializada.
August Weismann – teoria da herança: distinção entre células germinativas e somáticas

A teoria da herança de Weismann. A célula germinativa dá origem às células somáticas


diferenciáveis do corpo (indicadas em cor), como também às novas células germinativas. (de
Wilson, 1986.)
como as células se diferenciam?
Modelo de Desenvolvimento em Mosaico de August Weismann (1880), no
qual o núcleo do zigoto conteria um número de fatores especiais ou
determinantes e que à medida que o ovo fertilizado sofresse divisões (clivagens)
esses determinantes seriam distribuídos desigualmente para as células-filhas, e,
assim, controlariam o futuro desenvolvimento das mesmas (mosaico de
determinantes discretamente localizados).

1º CLIVAGEM 2º CLIVAGEM
A hipótese de Weismann propunha a continuidade do
plasma germinativo e a diversidade das linhagens
somáticas. A diferenciação era devida à “segregação de
determinantes nucleares” para vários tipos de células. Os
cromossomos, apesar de iguais em todas as células, seriam
desiguais em suas qualidades. Somente a linhagem das
células germinativas manteria todos os determinantes, e
essa linhagem seria totalmente independente das células
somáticas. Assim, não haveria herança de características
adquiridas pelas células somáticas. Weismann conseguiu
suporte para esse modelo, cortando a cauda de
camundongos recém-nascidos por 19 gerações. Os
animais de cada geração subseqüente tinham caudas de
tamanho normal, indicando que a linhagem germinativa
estava protegida contra os insultos ao tecido somático.
Desenvolvimento em mosaico x regulado
EXPERIMENTO DE Wilhelm ROUX (1888)

Conclusão de Roux: o desenvolvimento da rã é baseado em um mecanismo


de mosaico, com as células tendo o seu caráter e destino determinados a cada
clivagem.
Hoje sabe-se que o Centro de Nieuwkoop desenvolve a polaridade dorso-
ventral.
Desenvolvimento em mosaico x regulado

EXPERIMENTO DE DRIESH (1892) - REGULAÇÃO

Demonstração do desenvolvimento
regulativo por Driesch. (A) Uma
larva pluteus normal. (B) Plutei
menores, mas normais, cada uma
delas se desenvolveu a partir de um
blastômero de um embrião
dissecado de 4 células. (Todas as
larvas estão desenhadas na mesma
escala.) (De acordo com
Hörstadius e Wolsky, 1936.) Note
que as larvas derivadas dessa
maneira não são idênticas, apesar
de sua capacidade de gerar todos
os tipos celulares necessários. Essas
variações também estão presentes
nos ouriços-do-mar adultos
formados dessa maneira (Marcus,
1979).

Conclusão de Driesh: tal experimento foi uma demonstração clara da capacidade do embrião de
desenvolver-se normalmente mesmo quando algumas porções são removidas. Esse processo de
desenvolvimento é conhecido de Regulação
Descoberta da indução: Spemann, 1924
Prêmio Nobel, 1935
Autodiferenciação do tecido do lábio
dorsal do blastóporo. (A) O lábio
dorsal do blastóporo da gástrula
precoce é transplantado em outra
gástrula precoce na região que
normalmente se torna epiderme
ventral. (B) O tecido se invagina e
forma um segundo arquêntero e
depois um segundo eixo embrionário.
Tanto o tecido do doador como o
do hospedeiro é visto no tubo
neural, notocorda e somitos. (C)
Finalmente, se forma um segundo
embrião ligado ao hospedeiro. Esta
ilustração mostra o experimento
onde o lábio dorsal do blastóporo
pigmentado de T. taeniatus foi
implantado em uma gástrula precoce de
um T. cristatus hospedeiro.
A união da Genética com o desenvolvimento
Durante a maior parte do século XX houve pouca conexão entre a genética e a
embriologia.

Distinção entre Genótipo e Fenótipo ajudou a estabelecer a relação entre Genética e


Embriologia (Wilhem Johannsen, 1909):

Genótipo: conteúdo genético de um organismo adquirido de seus pais


Fenótipo: sua aparência visível, estrutura interna e bioquímica em qualquer estágio de
desenvolvimento
Desenvolvimento: relação entre genótipo e fenótipo, ou seja, como o conteúdo
genético é “traduzido” ou “expresso” durante o desenvolvimento para originar um
organismo funcional

Descoberta em 1940 de que os genes codificavam proteínas foi um


importante elo de ligação.

No final dos anos 50 e início dos anos 60 surgem duas novas disciplinas: Biologia
Molecular (como a função do gene pode ser controlada para produzir novos tipos
celulares) e Biologia Celular (monitora as mudanças estruturais e funcionais inerentes à
diferenciação celular no processo morfogenético)
A aplicação de técnicas de DNA recombinante teve profundo impacto na Biologia do
Desenvolvimento
Principais Problemas da Biologia do
Desenvolvimento

Como um ovo fertilizado origina um ser adulto , e como esse ser adulto produz um
outro ser?

Problema da diferenciação celular: Como o mesmo conjunto de instruções genéticas


pode produzir diferentes tipos de células?

Problema da Morfogênese: Como as células se auto-organizam e formam um arranjo


correto? Quais os processos que organizam as células diferenciadas em tecidos e órgãos,
ou seja, cria a forma e a estrutura?

Problema do Crescimento: Somos maiores do que um ovo, mas como as células


sabem quando devem parar de se dividir?

Problema da reprodução: Como os gametas são diferenciados para formar a próxima


geração, e quais as informações no núcleo e no citoplasma que permitem tal
funcionamento?

Problema da Evolução: Como mudanças no desenvolvimento criam novas formas de


corpo? Quais modificações hereditárias são possíveis, dadas as restrições impostas pela
necessidade do organismo sobreviver enquanto se desenvolve?
O desenvolvimento envolve 5 processos principais:
Divisão celular:

A fertilização é seguida por um rápido período de divisão celular, que ao contrário


contrário das divisões celulares e o crescimento de um tecido, não há aumento da
massa celular; O ciclo celular consiste basicamente de fases de replicação de DNA,
mitose e divisão celular, sem nenhuma fase de crescimento celular

Formação do padrão:

É o processo pelo qual um padrão espacial e temporal de atividades celulares


é organizado dentro do embrião, de modo que uma estrutura bem formada se
desenvolve dentro do embrião;
Não existe uma única estratégia ou mecanismos de padronização para
formação do padrão. É conseguido por uma variedade de mecanismos celulares e
moleculares em diferentes organismos e em diferentes estágios de desenvolvimento;
Envolve inicialmente o estabelecimento do plano corporal geral – definindo os eixos
principais do embrião, ou seja, as extremidades anterior e posterior e os lados dorsal e
ventral são especificadas;
Pelo menos um eixo principal deve ser definido em todos os organismos multicelulares.
Nos animais, o eixo ântero-posterior vai da cabeça à cauda; em vegetais, se refere à
extremidade em crescimento às raízes. Muitos organismos tem frente e costas distintos,
o que defini outro eixo (dorsoventral);
Um característica marcante destes eixos é que estão quase sempre perpendiculares um
em relação ao outro;
O próximo passo na formação de padrão em embriões de animais é o posicionamento
das células em diferentes camadas germinativas;
Durante as etapas restantes da formação de padrão, as células dessas camadas
adquirem diferentes identidades, de modo que surgem padrões espaciais
organizados de diferenciação celular, como o arranjo da pele, músculos e cartilagem
no desenvolvimento do membros e o arranjo de neurônios no sistema nervoso;
Nos estágio iniciais do padrão de formação, as diferenças entre as células não são
facilmente identificadas e consistem, provavelmente, de diferenças químicas sutis, causadas
por uma mudança na atividade de uns poucos genes.

Mudança na forma ou Morfogênese

Os embriões passam por mudanças marcantes na sua forma tridimensional;


Gastrulação é mais notável mudança na forma, durante a qual o intestino é formado e
os principais planos do corpo emergem;
Durante a gastrulação células dos exterior do embrião movem-se em direção ao seu
interior;
A morfogênese em embriões em animais também pode envolver uma extensiva migração
celular.
Diferenciação celular

As células tornam-se estrutural e funcionalmente diferentes umas das outras, resultando


em tipos celulares distintos, com as células do sangue, da pele, dos músculos etc;
É um processo gradual, no qual as células passam por divisões celulares entre o momento
em que começam a se diferenciar até o momento em que estão completamente
diferenciadas; Ex. no homem, o ovo fertilizados dá origem a pelo menos 250 tipos de
células claramente distintos.
A formação de padrão e a diferenciação celular estão estreitamente
relacionadas

Crescimento

Aumento de tamanho;
Durante o desenvolvimento embrionário inicial há pouco crescimento. O padrão básico e
a forma do embrião são estabelecidos em pequena escala, sempre com tamanho menor
que poucos milímetros
O crescimento subsequente pode acontecer de diversas maneiras: multiplicação células,
aumento do tamanho das células e deposição de materiais extracelulares como ossos e
conchas.
sptz
Blástula
Mórula

Céluas germinativas
oócito

Plama germinativo

Blastocele
CLIVAGEM

GAMETOGÊNESE

Blastóporo

Ectoderme

Estágios Larvais Mesoderme

Endoderme

NEURULAÇÃO

Eclosão/nascimento