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CRISTIANO RONALDO

MARIA LOPES • 9 de Outubro de 2018, 20:50

Paulo Dentinho escreveu um post no Facebook em que criticava


“homens que violam mulheres” e no dia seguinte um outro em
que dizia haver “violadas de primeira, de segunda categoria e de
terceira, etc” e que isso dependia do “estatuto” delas e deles
REUTERS/JORGE SILVA

Cinco dias depois do início de uma nova


polémica interna na redacção da RTP por
causa dos comentários muito críticos que o
director de Informação fez na sua página do
Facebook acerca das mulheres e homens
envolvidos em casos de violação – e que
foram lidos como sendo sobre Ronaldo e a
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norte-americana Kathryn Mayorga –, Paulo
Dentinho suspeita que existe um “possível
complot contra si envolvendo elementos da
empresa” e do site Vox Pop TV, que
primeiro escreveu sobre o assunto no fim-
de-semana.

Numa reunião do conselho de redacção da


RTP, o director de Informação recusou-se a
responder às perguntas dos elementos do
conselho que lhe pediram explicações e
limitou-se a ler uma declaração, descreve o
CR em comunicado a que o PÚBLICO teve
acesso. Paulo Dentinho considera que “há
indícios que sustentam suspeitas de um
possível complot contra si” por parte de
elementos da RTP e do site de notícias
sobre televisão. O director lembrou que o
seu post – na verdade, foram dois – “era de
âmbito privado e fechado” – mas visível
pelos seus amigos. Porém, acrescenta,
“serviu para lançar aquilo que admite poder
ser uma campanha” contra si.
Considerando que é uma situação “grave”,
admitiu queixar-se às autoridades.

Os membros do CR “lamentam a linguagem


utilizada pelo director de Informação,
assim como o aproveitamento da Vox Pop
TV neste assunto”, lê-se no comunicado.
Paulo Dentinho disse ao CR que não há
qualquer inquérito interno a decorrer
contra si, ao contrário do que terá noticiado
o site. Questionado pelo PÚBLICOASSINE
sobre a
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existência de qualquer investigação sobre o
assunto, fonte da administração respondeu
apenas que não há “nada a dizer sobre este
tema”.

Na quarta-feira à noite, Paulo Dentinho


escreveu um post em que criticava “homens
que violam mulheres” e no dia seguinte um
outro em que dizia haver “violadas de
primeira, de segunda categoria e de
terceira, etc.” e que isso dependia do
“estatuto” delas e deles. Usava várias vezes
o termo “puta” – entre outros termos
pesados – e a expressão “herói nacional”.

Na redacção da RTP e na notícia do site Vox


Pop TV alegou-se que Dentinho violou o
Código de Ética Jornalística da RTP, que o
próprio director de Informação e o CR
aprovaram (por proposta da
administração). Esse código estipula que os
profissionais de informação da RTP “não
devem proferir publicamente ofensas
pessoais ou manifestar expressão pública
de indignação noutros órgãos de
comunicação ou nas redes sociais mesmo
que fora do seu período profissional” e não
devem defender qualquer posição em
“assunto polémico”.

No entanto, foi entregue ao CR um parecer


de dois juristas – que não foram
identificados a pedidos dos próprios – que
considera que o Código de Ética ASSINE JÁ Desde 0,99€ ×
Jornalística da RTP “é, no mínimo, nulo e,
no máximo, viola de forma aberta as
liberdades fundamentais estabelecidas na
Constituição da República Portuguesa”.

E até ironiza sobre o documento. “Se, por


um lado, o texto do código diz que [os
jornalistas da RTP] não devem defender
qualquer ‘questão fracturante’, ‘política
pública’, ‘política económica, financeira’ ou
qualquer assunto ‘polémico’, por outro
lado, diz que se salvaguarda o disposto na
Constituição. Ora, o que a Constituição diz
é precisamente o contrário – que qualquer
cidadão se pode exprimir em total liberdade
sobre estes assuntos. Acresce que se um
jornalista não pode tomar posição acerca do
que se expõe, pode pronunciar-se acerca do
quê? Gastronomia?”

O parecer conclui que Paulo Dentinho não


caluniou Cristiano Ronaldo nem Kathryn
Mayorga, porque no texto “ninguém é
acusado de ser violador e ninguém é
mencionado como trabalhador do sexo”. E
nem se pode dizer que seja uma expressão
de indignação “porque ter-se-ia de provar
contra o quê”. “Contra que decisão, pessoa
ou organização seria direccionado esse
texto, para que o mesmo constitua um
atentado à credibilidade da informação da
RTP?” Afirmam ainda que Paulo dentinho
“se limitou a constatar que as alegadas
vítimas de violação são tratadas pelos
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órgãos de investigação criminal e judicial
de forma diferenciada, consoante o poder
real ou percepcionado do acusado”.

Os juristas desconhecidos também


consideram que o conselho de redacção
“não tem competência para se pronunciar
sobre esta matéria”, porque seria
“inaceitável que um órgão de jornalistas
fizesse o contrário à sua génese, que seria
defender a autocensura à punição por
apelar ao delito de opinião de um dos seus
membros” – no caso, o director de
Informação.

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