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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

Dissertação de Mestrado em Informática

Publicação em blogues de informação geoespacial


sobre incidentes em postos de controlo militares
em Israel usando dispositivos móveis

Luis Filipe Amaro Gens

Orientadores:
Professor Doutor Leonel Caseiro Morgado
Professor Doutor Paulo Nogueira Martins

2008
ii
Resumo
Numa era onde existe uma evolução acelerada do conhecimento, muitas vezes a diferença
entre o êxito e fracasso de uma iniciativa depende do montante e da qualidade da informação que
cada um pode adquirir do e no terreno. O progresso tecnológico permite o desenvolvimento de
soluções para superar alguns constrangimentos na obtenção de informações encontrados no
terreno. A proliferação de dispositivos móveis, como os telemóveis e PDAs, permite que o trabalho
no terreno beneficie de alguns instrumentos semelhantes àqueles que estão disponíveis
unicamente num escritório.
Assistimos a um crescimento do uso de informação geográfica na Web, em grande parte devido
à disponibilidade a baixo custo de imagem e dados georreferenciados provenientes de servidores
de mapa, tanto de organizações públicas como privadas.
Em muitas situações, a informação que necessitamos no momento sobre determinado local está
desactualizada ou é mesmo inexistente. Isto verifica-se em diversos tipos de cenários, onde existem
populações em situações de fome extremas, por exemplo locais com surtos de doenças, onde
existem violações dos direitos humanos, onde houve destruição provocadas por fenómenos
naturais, por exemplo pela passagem de furacões, ou ainda houve destruições provocadas pelo
próprio homem, por exemplo causados pelas guerras.
As pessoas que trabalham no terreno, ou por outro motivo se encontram presentes no terreno,
são fontes priveligiadas de informação, bem como destinatários que também dela carecem, pois
em muitos casos, lidam com sérias limitações no que diz respeito ao acesso a informação
georreferenciada actualizada sobre determinado local, ou necessitam de actualizar ou criar nova
informação referenciada a determinado local. Contudo, não é actualmente fácil a estas pessoas
conseguir veicular de forma estruturada e organizada as informações de que dispõem, pois, nos
momentos em que as recolhem, podem enviá-las através de mensagens escritas, ou mesmo
telefonando, mas geralmente a recepção destas informações é desconexa.
Com fundamento nestas observações, pretende-se adaptar uma plataforma, já desenvolvida,
para ser usada num cenário específico. O cenário a ser utilizado é o da Machsom Watch, uma
organização não governamental em Israel, que faz a monitorização de postos de controlo nos
territórios ocupados pelas tropas israelitas.

iii
Pretende-se que a adaptação da plataforma possa servir como apoio às actividades da
organização, quando fazem a ronda pelos postos de controlo, possibilitando o acesso e a criação de
nova informação em tempo real a partir de uma aplicação para telemóvel, referente à
monitorização feita aos diferentes postos

Palavras-chave: Internet, dispositivos móveis, telemóveis, georreferenciação, acesso à


informação, direitos humanos.

iv
Abstract
In an era of accelerated evolution of knowledge, often the difference between success and
failure of an initiative depends on the amount and quality of information that one can get from the
field and on the field. Technological progress enables the development of solutions to overcome
some of the information constraints of field work. The proliferation of mobile devices such as cell
phones and PDAs allows field operations to benefit from some tools similar to those available for
office-based work.
We have seen an increased use of geographical information on the Web, largely due to the
availability of low-cost imagery and georreferenced data from map servers, both by public and
private organizations.
In many situations, the information that one needs regarding a specific place is outdated, or
doesn’t exist. We can observe this in is different types of scenarios, places where people are in
situations of extreme hunger, for example places with outbreaks of disease, places where there are
violations of human rights, where one finds destruction caused by natural phenomena, such as
hurricanes, or man-inflicted destruction, such as wars.
People working on the field (or that are there for whatever reason) are prime information
sources (and recipients lacking it, since in many cases they deal with serious limitations regarding
access to up-to-date georeferenced information on a site, or when they need to update or to create
new information on a site). However, currently it’s not easy for people to be able to provide in
structured and organized fashion the information they have available, at the time they collect it,
they may send written messagens, make phone calls, but typically the reception of this information
is unstructured.
On the basis of these observations, the aim of the work presented herewith is to adapt an
existing platform, MobMaps, to a specific scenario. The scenario is the activities of Machsom
Watch, a non-governmental organization in Israel, who makes monitoring rounds in the border
checkpoints between Israel and the Palestinian territories.

v
It is intended that this adaptation of the platform can be used as support for the organization
activities, allowing them to access and create new real-time information from a cellphone
application when they are in the different checkpoints.

Keywords: Internet, Mobile Devices, cellphones, Georeference, information access, human


rights.

vi
Eu não entendo porque é que as pessoas se
assustam com as novas ideias. Eu fico
assustado é com as ideias antigas.
John Cage

vii
viii
Agradecimentos

A realização deste projecto de investigação é o resultado de um imenso trabalho de


investigação. A motivação e empenho na realização deste documento, bem como a sua prospecção
não seriam possíveis sem o apoio de várias pessoas que tanto me apoiaram no dia-a-dia.
Ao Prof. Doutor Leonel Caseiro Morgado, meu orientador e mentor, queria agradecer toda a sua
disponibilidade para me guiar e ajudar, através da constante transmissão de conhecimento, apoio e
oportunidades criadas.
Ao Prof. Doutor Paulo Nogueira Martins, meu co-orientador e mentor, queria igualmente
agradecer toda a sua disponibilidade para me guiar e ajudar, através da constante transmissão de
conhecimento, apoio e oportunidades criadas.
Ao Prof. Doutor Hugo Paredes, apesar de ter sido meu colaborador, sempre o considerei como
sendo um dos meus orientadores e mentores. O meu muito obrigado pela sua constante
disponibilidade e ajuda, principalmente as sugestões o esclarecimento das muitas dúvidas que tive
ao longo deste projecto.
Ao Dr. Yishay Mor, do London Knowledge Lab, na qualidade de colaborador, agradeço todo o
seu apoio ao longo deste projecto bem como as suas sugestões e indicação dos possíveis cenários
de aplicação da plataforma, incluindo o da Machsom Watch.
Ao meu colega Hugo Alves, co-autor da plataforma, um agradecimento muito especial, pelas
longas horas de discussão, pelas noites passadas em branco e pela constante troca de impressões
constantes ao longo destes anos em que fomos colegas.
À organização Machsom Watch, nas pessoas Yehudit Elkana, Ronny Perlman, Avital Toch, Merav
Amir, Efrat Benvenisti, Leah, Shosh Holper, Yael Shalem, Shlomit A., Maya Baily, Rina R., Phyllis
Weissberg e Nataya Ginsburg, agradeço toda a ajuda que me deram em Israel, a forma como me
receberam, as visitas guiadas que me proporcionaram e os bons momentos passados na sua
companhia. A todas elas, principalmente à Yehudit, o meu muito obrigado por tudo.
Aos meus restantes colegas e amigos que de uma forma ou de outra, sempre me apoiaram e
também pelo convívio e boa disposição sempre presentes.

ix
Quero também agradecer a todos os docentes do Departamento de Geologia, onde sou
funcionário, pelo apoio e ajuda prestados.
Por fim, mas não menos importante, bem pelo contrário, quero agradecer à Cristina, minha
mulher, e à Matilde, a minha filhota. É a elas que dedico este trabalho. Agradeço o constante apoio
e carinho que sempre me deram. De terem estado sempre presentes quando mais precisei, de
terem que suportar-me nos dias menos bons, em resumo quero agradecer tudo.

x
[ÍNDICES]

Índice Geral

1. Introdução ..................................................................................................................................... 1

1.1. Âmbito do trabalho ............................................................................................................... 1

1.2. Definição do problema .......................................................................................................... 3

1.3. Motivações e objectivos ........................................................................................................ 4

1.4. Proposta de trabalho e abordagem de investigação ............................................................ 5

1.5. Estrutura geral da dissertação .............................................................................................. 6

2. Revisão da literatura ..................................................................................................................... 9

2.1. Enquadramento..................................................................................................................... 9

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

2.2. Evolução das tecnologias associadas à partilha de informação geoespacial usando


dispositivos móveis ............................................................................................................... 13

2.2.1. Trabalho em grupo ....................................................................................................... 13

2.2.2. Informação georreferenciada ...................................................................................... 19

2.2.2.1. Informação geográfica e sistemas de informação geográfica ............................... 20

2.2.2.2. Modelos de dados ................................................................................................. 25

2.2.2.3. Sistemas de coordenadas ...................................................................................... 27

2.2.2.4. Técnicas de aquisição de dados e de informação ................................................. 29

2.2.2.5. SIG .......................................................................................................................... 31

2.2.3. Acesso a dados com dispositivos móveis ..................................................................... 33

2.2.4. Infra-estruturas ............................................................................................................ 38

2.2.4.1. Blogues .................................................................................................................. 38

2.2.4.2. Servidores de mapas.............................................................................................. 43

2.2.4.3. Sistemas de informação georreferenciada com trabalho colaborativo em


dispositivos móveis .............................................................................................. 47

3. Plataforma MobMaps ................................................................................................................. 55

3.1. Considerações gerais sobre a plataforma MobMaps ......................................................... 55

3.2. Tecnologias utilizadas na plataforma MobMaps ................................................................ 57

3.2.1 PHP ................................................................................................................................ 58

3.2.2. Java ............................................................................................................................... 61

3.2.3. XML ............................................................................................................................... 66

3.2.4. Web Services ................................................................................................................. 77

3.2.4.1. Arquitectura de Web Services ............................................................................... 78

3.2.4.2. Reutilização e interoperabilidade de Web Services............................................... 82

3.2.4.3. Web Services específicos para lidar com informação geoespacial ........................ 83

xii
[ÍNDICES]

3.3. O papel das tecnologias na plataforma MobMaps ............................................................. 85

4. A organização Machsom Watch.................................................................................................. 89

4.1. Como surgiu ........................................................................................................................ 90

4.2. Como actuam ...................................................................................................................... 91

4.3. Perfil activista ...................................................................................................................... 92

4.4. Actuação no terreno da Machsom Watch e potencial impacto de uma plataforma


tecnológica ............................................................................................................................ 95

5. Adaptação da plataforma Mobmaps ao cenário da Machsom Watch ....................................... 99

5.1. Análise de requisitos ........................................................................................................... 99

5.2. Apresentação da solução tecnológica do ponto de vista do utilizador ............................ 101

5.3. Visão geral da adaptação da plataforma MobMaps ao cenário da Machsom Watch ...... 108

5.3.1. Adequação do funcionamento da camada aplicacional ............................................ 109

5.3.2. Adequação do funcionamento dos pedidos de mapas .............................................. 109

5.3.3. Adequação do funcionamento da aplicação no telemóvel ........................................ 110

5.3.4. Modelos de dados em XML ........................................................................................ 111

6. Recolha e análise de dados ....................................................................................................... 119

6.1. Validação do protótipo ...................................................................................................... 119

6.2. Investigação no terreno .................................................................................................... 122

6.2.1. Esquema de entrevistas ............................................................................................. 123

6.2.1.1. Entrevista com Ronny Perlman e Avital Toch ...................................................... 123

6.2.1.2. Entrevista com Yehudit Elkana ............................................................................ 125

6.2.1.3. Entrevista com Merav Amir ................................................................................. 128

6.2.2. Visitas aos postos de controlo .................................................................................... 129

6.2.2.1. Bethlehem ........................................................................................................... 130

6.2.2.2. Anata e Kalandia .................................................................................................. 131

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6.2.2.3. Bethlehem e Etzion DCL (Matak Etzion) .............................................................. 133

6.2.2.4. Jerusalem – East, Abu Dis, Wadi Nar, Ras Abu Sbitan (Olive Terminal), Sheikh
Saed e Zeitun...................................................................................................... 135

6.2.2.5. Jerusalém–Norte, Atara, Kalandia e Atarot CP .................................................... 136

6.3. Análise das situações detectadas durante as rondas ....................................................... 139

7. Considerações finais.................................................................................................................. 143

7.1. Síntese do trabalho ........................................................................................................... 143

7.2. Principais contributos ........................................................................................................ 144

7.3. Sugestões para trabalho futuro ........................................................................................ 146

7.4. Conclusão .......................................................................................................................... 147

Referências bibliográficas ............................................................................................................. 149

Anexos ........................................................................................................................................... 155

1. Diagramas UML da plataforma MobMaps ........................................................................... 155

2. Diagramas de UML da adaptação da plataforma MobMaps ............................................... 161

3. Blogue criado e mantido durante a minha estadia em Israel .............................................. 163

4. Relatórios elaborados por membros da Machsom Watch que eu acompanhei nas suas
rondas.................................................................................................................................. 174

xiv
[ÍNDICES]

Índice das Figuras

Figura 1 – Divisão por tipo das ferramentas de groupware segundo: a) Fonseca (adaptado de Fonseca, 2004) e b)
Denning e Yaholkovsky (adaptado de Denning & Yaholkovsky, 2008). ................................................ 15
Figura 2 – Diagrama de implementação da plataforma MobMaps genérica (original). ........................................ 56
Figura 3 – As diferentes versões do Java – adaptado de (Sun Microsystems, Inc., 2008; ...................................... 62
Figura 4 – Diferentes configurações e profiles do J2ME –adaptado de (Knudsen, 2003). ..................................... 63
Figura 5 – Mapeamento do XML. ....................................................................................................................... 76
Figura 6 – Protocolos de comunicação de Web Services. .................................................................................... 78
Figura 7 – Representação esquemático de um envelope SOAP – adaptado de (Chatterjee & Webber, 2003). ..... 79
Figura 8 – Esquema do WSDL. ............................................................................................................................ 80
Figura 9 – Arquitectura de Web Services, operações e interacção das entidades. ............................................... 81
Figura 10 – Logotipo da organização Machsom Watch. ........................................................................................ 90
Figura 11 – Instalação do ficheiro jar no telemóvel. ........................................................................................... 102
Figura 12 – Ecrã inicial da aplicação MobMaps. .................................................................................................. 102
Figura 13 – Ecrã principal da aplicação mostrando o mapa e os postos de controlo. ........................................... 103
Figura 14 – Botões que são usados na aplicação. ............................................................................................... 103

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Figura 15 – Botão usado para movimentação para baixo.................................................................................... 104


Figura 16 – Botão usado para movimentação para cima..................................................................................... 104
Figura 17 – Botão de acção para seleccionar a acção. ......................................................................................... 105
Figura 18 – Ecrã com a informação anexada ao posto de controlo de Qalandiya................................................. 105
Figura 19 – Botão de acção superior esquerdo de função de cancelamento ou de andar para trás...................... 106
Figura 20 – Ecrã de inserção do título da nova informação. ................................................................................ 107
Figura 21 – Ecrã de inserção da nova informação. .............................................................................................. 107
Figura 22 – Menu de upload da informação para o servidor ou para cancelar a inserção da nova informação. ... 107
Figura 23 – Diagrama de implementação da plataforma Mobmaps adaptada para o cenário da Machsom
Watch. ............................................................................................................................................ 108
Figura 24 – Exemplo do pedido de mapa............................................................................................................ 112
Figura 25 – Exemplo do pedido de localização dos postos de controlo. .............................................................. 114
Figura 26 – Exemplo da resposta ao pedido de localização dos postos de controlo. ............................................ 116
Figura 27 – Exemplo do pedido de informação sobre Qalandiya. ........................................................................ 116
Figura 28 – Exemplo do pedido para upload de nova informação para o posto de controlo de Qalandiya. .......... 117
Figura 29 – Exemplo da resposta ao pedido de informação sobre o posto de controlo de Qalandiya................... 118
Figura 30 – Captura de um ecrã da plataforma Web desenvolvida para testes.................................................... 120
Figura 31 – Yehudit Elkana. ................................................................................................................................ 126
Figura 32 – Leah e Efrat, por detrás da entrada do posto de controlo de Bethlelem (esquerda). Vista parcial de
Bethlehem a partir do lado Israelita do posto de controlo (direita). .................................................. 130
Figura 33 – Muro que envolve a localidade de Anata (esquerda– fotografia de Neta Efroni). Fotografia do posto
de controlo em Anata (direita – fotografia de Neta Efroni). .............................................................. 132
Figura 34 – Fotografia de um dos portões electrónicos existentes em Kalandia (esquerda– fotografia de Josep
Ferrer). Fotografia que mostra algumas pessoas à espera para passar pelos portões electrónicos em
Kalandia (direita – fotografia de Josep Ferrer). ................................................................................. 133
Figura 35 – Pessoas esperando, em Bethlehem, que o portão electrónico abra novamente (esquerda –
fotografia de Neta Efroni). Fotografia que mostra Palestinianos à espera que os computadores
comecem a trabalhar para tirar os cartões electrónicos, em Matak Etzion (direita – fotografia de
Mika Ginsburg). ............................................................................................................................... 134
Figura 36 – Rina e Maya Baily consultando os números telefónicos dos seus contactos, para resolver a situação
em Sheikh Saed. Vista de Sheikh Saed ao fundo (esquerda). Posto de controlo de Sheikh Saed
(direita – fotografia de Judith Spitzer). ............................................................................................. 135
Figura 37 – Posto de controlo de Abu Dis (esquerda – fotografia de Tamar Bilu). Posto de controlo de Ras Abu
Sbitan (direita – fotografia de Neta Efroni). ...................................................................................... 136

xvi
[ÍNDICES]

Figura 38 – Posto de controlo de Atara (esquerda – fotografia de Mika Ginsburg). Posto e controlo de Atarot
(direita – fotografia de Tamar Fleishman). ....................................................................................... 138
Figura 39 – Posto de controlo de Kalandia, onde algumas pessoas tentam passar por cima das outras para ganhar
vez na passagem dos portões electrónicos (esquerda – fotografia de Neta Efroni). Kalandia, fotografia
que demonstra a dificuldade de passar carros de bebés pelos portões electrónicos. Ao lado está o
portão humanitário, criado especialmente para estas situações, mas não se sabendo porquê, muitas
das vezes os militares recusam-se a abri-lo (direita – fotografia de Tamar Fleishman). ..................... 139
Figura 40 – Diagrama de classes de todos os packages da aplicação. .................................................................. 156
Figura 41 – Diagrama de algumas classes do package net. ................................................................................. 156
Figura 42 – Diagrama de algumas classes do package Interface.......................................................................... 157
Figura 43 – Diagrama de algumas classes do package RMS. ............................................................................... 158
Figura 44 – Diagrama de classes do package útil que perfazem a estrutura dos blogues. .................................... 159
Figura 45 – Diagrama de classes para o parsing do XML. .................................................................................... 160
Figura 46 – Casos de uso da aplicação no dispositivo móvel. .............................................................................. 161
Figura 47 – Diagrama de sequência.................................................................................................................... 162

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xviii
[ÍNDICES]

Índice das Tabelas

Tabela 1 – Mapa de entrevistas. ......................................................................................................................... 123


Tabela 2 – Mapa de rondas aos Postos de Controlo. ........................................................................................... 129

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[INTRODUÇÃO]

Introdução
1
Neste capítulo faz-se um enquadramento do trabalho desenvolvido, apresentando-se a
definição genérica dos tipos de problemas com que nos deparamos actualmente, as motivações e
os objectivos que proporcionaram a sua realização. É também explicada qual a abordagem
efectuada e apresenta-se a estrutura da dissertação, referindo-se resumidamente os assuntos que
são tratados em cada um dos capítulos que a constituem.

1.1. Âmbito do trabalho


Actualmente verifica-se que existem muitas pessoas que, para as suas actividades profissionais,
necessitam de ter acesso constante à informação, independentemente de onde se encontrem. Mas,
por vezes, não estão reunidas as condições necessárias no local para que essa necessidade seja

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

satisfeita. As condições poderão ser deficientes devido a diversos factores, tanto naturais como não
naturais, ou seja, causadas ou não pelo homem. Apesar de ser frequente que as condições de
comunicação sejam bastante débeis em países subdesenvolvidos, também é verdade que em países
desenvolvidos, de um momento para o outro, as boas condições poderão desaparecer. Isto poderá
acontecer, por exemplo, devido à passagem de fenómenos naturais como tornados, furacões e
tsunamis; quem não se recorda do famoso tsunami que devastou a Indonésia, em 2004, ou do
furacão Katrina, que atingiu os Estados Unidos da América?
Situações como as supramencionadas começam a ser mais frequentes, possivelmente devido às
alterações climáticas que se estão a verificar na Terra (Keim, 2008).
Contudo, existem muitas situações provocadas pelo próprio homem, principalmente causadas
pelas guerras e por políticas opressivas sobre países ou povoados mais pequenos e fracos do que os
seus opressores.
Por outro lado, tem-se verificado que existe actualmente uma necessidade das pessoas terem
acesso constante a informações. Isto poderá ser resultado directo da rápida evolução que os
dispositivos móveis (tais como os computadores portáteis, PDA’s - Personal Digital Assistants,
telemóveis, etc.) têm vindo a ter. A baixa constante de preços deste tipo de dispositivos, tem
provocado uma atracção muito grande pela maioria das pessoas, aumentando significativamente a
sua procura.
Analisando-se estes dois tópicos, pode-se ver que são antagónicos: em muitas situações não
existem condições para a recolha e acesso à informação e, por outro lado, existem cada vez mais
tipos de dispositivos, muitos deles móveis, com melhores características e mais poderosos.
Também a crescente necessidade de mobilidade faz com que cada vez mais utilizadores procurem
uma forma prática de obter informações em qualquer lugar e em qualquer momento. As
dificuldades de se estar todo o tempo num local onde haja um meio fixo para se ter acesso à
informação remota, torna promissora a tecnologia que integre a mobilidade de um dispositivo
móvel com o acesso à Internet e com os variados tipos de informações.
Será que não poderão ser desenvolvidas estruturas que resistam às condições mais adversas?
Não se poderão aproveitar as tecnologias à nossa disposição para garantir que o acesso à
informação, principalmente à informação crítica, seja garantido? É a este tipo de perguntas que se
pretende dar resposta ao longo desta dissertação.

2
[INTRODUÇÃO]

1.2. Definição do problema


Actualmente, a informação que apoia as actividade de pessoas de diversas organizações, que
têm que trabalhar no terreno, está frequentemente incompleta e/ou desactualizada. E isto, em
grande parte, é devido às deficiências nas estruturas de comunicação e informação que fortemente
contribuem para limitar as possibilidades de sucesso de qualquer iniciativa.

Os métodos tradicionais de recolha de informação dentro de uma comunidade não são


inteiramente confiáveis (devido a constantes alterações das informações, quando feitas por
diferentes pessoas simultaneamente) e sofrem de um problema provocado pela diferença de
tempo que vai desde a obtenção dessa informação até à sua real utilização.

Existem diversos cenários onde o acesso, recolha e manutenção da informação é


extremamente difícil, por exemplo em países onde se verificam catástrofes, guerras ou surtos de
doenças. Estes problemas podem-se verificar mais em países pouco desenvolvidos, mas também
em países desenvolvidos e que, por norma, apresentam bons sistemas de recolha de informação,
mas que se tornam inexistentes ou bastante debilitados, nomeadamente após sofrerem as
consequências provocadas tanto por fenómenos naturais (furacões, tsunamis, tornados, guerras,
etc.), como pelo homem (guerras ou ataques terroristas, por exemplo, onde um dos principais alvos
a destruir são os meios de comunicação).

Em casos extremos, fica-se sem qualquer tipo de acesso à Internet, quer este acesso seja feito
através de redes físicas ou através de redes móveis. Mas, mesmo nestes casos, o restabelecimento
das comunicações é mais rápido nas redes de comunicação móveis do que nas redes de
comunicação por meios físicos. Existem mesmo casos em que as únicas redes que conseguem
resistir são as de comunicação móveis.

Analisando então todos os cenários possíveis verifica-se que se torna necessário ter sistemas
apoioados em dispositivos que comuniquem através de redes móveis, pois estes poderão ser uma
grande ajuda em muitos cenários.

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

1.3. Motivações e objectivos


As principais motivações e objectivos deste trabalho foram:

a adaptação de uma plataforma destinada ao suporte de equipas que trabalham no


terreno;

fazer com que as pessoas possam recolher informação, georreferenciada ou não,


usando para isso unicamente um dispositivo móvel (por exemplo: telemóvel, PDA,
etc.), bastando que o dispositivo tenha instalada a aplicação desenvolvida e tenha
disponível um meio de transmissão de dados via Internet (por exemplo: GPRS, UMTS,
Wi-Fi, etc.);

disponibilizar essa informação, em tempo real, para que qualquer pessoa em


qualquer parte do mundo possa consultá-la e alterá-la (considera-se aqui como
“tempo real” aquele que baste para a informação ficar disponível sem uma espera
significativa, apenas a associada às comunicações via Internet), bastando para isso
estar numa zona de cobertura de rede, para que dessa forma se possa proceder à
transmissão ou recepção de informação.

Estas características são de extrema utilidade se pensarmos que por vezes os recursos que
necessitamos poderão estar distribuídos por diferentes zonas e caso haja a possibilidade de se ter
acesso a informações em tempo real do terreno, estes poderão ser distribuídos de uma forma mais
eficaz e rápida. Existem certo tipo de decisões que, para serem mais eficazes, terão que ser
tomadas tendo em conta as informações provenientes do terreno. Ao se ter acesso a esse tipo de
informação em tempo real, as decisões poderão ser tomadas mais rapidamente e eficazmente.

4
[INTRODUÇÃO]

1.4. Proposta de trabalho e abordagem de investigação


A proposta, que nesta dissertação se apresenta, resulta na adaptação da plataforma
MobMaps (ver Capítulo 3) para apoio às actividades de campo dos membros da Machsom Watch
(ver Capítulo 4). Esta plataforma pretende fornecer os meios tecnológicos que possam contribuir
para a solução de alguns dos problemas referidos no ponto anterior e foi planeada de forma a
poder dar resposta a qualquer tipo de pedido, independentemente do sistema que faz o pedido e
do serviço que é requerido.

Teve-se sempre em consideração, aquando da adaptação da plataforma MobMaps ao cenário


em estudo, que os requisitos conseguidos através do levantamento e análise dos cenários
estudados, mais propriamente do cenário para o qual esta plataforma veio a ser aplicada,
pudessem apresentar as seguintes vantagens:

• Mobilidade e portabilidade na recolha e consulta de informação;

• Acesso “em tempo real” à informação;

• Informação padronizada;

• Aplicação apoiada em metodologias com histórico de inserção (blogue);

• Utilização de uma aplicação com requisitos tecnológicos pouco exigentes em termos de


largura de banda para comunicações (ex: utilização de GSM, GPRS ou UMTS, consoante a
disponibilidade do momento em termos de comunicação);

• Solução baseada em open source de uso livre, logo, com custos reduzidos;

• Aplicável a uma grande variedade de dispositivos móveis (desde que estes sejam Java
Compliant1);

• Simplicidade de utilização, não requerendo conhecimentos tecnológicos especiais;

• Possibilidade de se poder ligar a diferentes serviços.

1
Dispositivos móveis Java Compliant, designam-se aqueles dispositivos que permitem correr aplicações Java.

5
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Para o desenvolvimento deste projecto, teve-se em consideração os requisitos (ver secção


5.2) conseguidos através do levantamento e análise dos cenários estudados, mais propriamente do
cenário para o qual foi aplicada a plataforma, a Machsom Watch, e teve-se em atenção outros
aspectos, nomeadamente, a utilização de tecnologias não proprietárias e que já estivessem bem
implementadas e com provas dadas.

Um dos principais requisitos identificados após a análise do cenário, foi que a aplicação
desenvolvida, ou seja, a aplicação que serve de interface com as pessoas, fosse o mais simples
possível, para que dessa maneira pudesse ser utilizada por qualquer pessoa, sem que para isso
fosse necessário recorrer-se a formações ou obrigar os utilizadores a lerem um manual da
aplicação. Mas apesar de se querer desenvolver uma aplicação simples, esta teria que ser robusta e,
de uma certa maneira, fazer o processamento da informação de uma forma rápida.

1.5. Estrutura geral da dissertação


A dissertação encontra-se divida em sete capítulos principais, mais um referente às referências
bibliográficas e outro a anexos. Os capítulos subdividem-se da seguinte forma:

Capítulo 1
Introdução
É o capítulo actual, onde se encontra descrito o âmbito do trabalho, a definição do
problema, as motivações e objectivos, e a abordagem de investigação que se seguiu no
desenvolvimento deste trabalho.

Capítulo 2
Revisão da literatura
Neste capítulo são dados a conhecer alguns dos problemas com que actualmente a
humanidade se depara e as tecnologias emergentes que, quando correctamente aplicadas e
combinadas entre si, poderão dar resposta a alguns desses problemas. É, também,
apresentada uma breve história e evolução dessas mesmas tecnologias, bem como, quando
oportuno, exemplos de aplicações já existentes que usam essas tecnologias.

6
  [INTRODUÇÃO] 
 
 
Capítulo 3 
Plataforma MobMaps 
É  feita  a  apresentação  da  plataforma  MobMaps  que  serviu  de  base  ao  presente  trabalho, 
tendo sido adaptada para ser aplicada ao cenário da Machsom Watch. São apresentadas as 
tecnologias  que  constituem  esta  plataforma  apresentando‐se  as  origens,  vantagens  e 
desvantagens de cada uma. Também se dá a conhecer neste capítulo qual o papel de cada 
uma destas tecnologias na plataforma MobMaps.  
 
Capítulo 4 
Organização Machsom Watch 
Neste  capítulo  vai  ser  apresentada  a  organização  Machsom  Watch.  Começa‐se  por  fazer 
uma  apresentação  geral  da  Machsom  Watch.  De  seguida  é  apresentada  o  seu  perfil  e  o 
modo  como  actuam  os  membros  da  organização  Machsom  Watch.  Finalmente  é 
apresentada a forma como os membros da Machsom Watch actuam no terreno e, de igual 
modo,  é  apresentado  o  potencial  que  a  plataforma  poderá  ter  quando  aplicada  como 
suporte às actividades dos membros quando estão no terreno. 
 
Capítulo 5 
Adaptação da plataforma Mobmaps ao cenário da Machsom Watch 
Neste capítulo é apresentada a adaptação da plataforma MobMaps ao cenário da Machsom 
Watch. É também apresentado o levantamento de requisitos efectuado e o funcionamento, 
passo  a  passo,  da  aplicação,  mostrando  todos  os  ecrãs  da  interface  gráfica  e  as  acções 
disponíveis em cada um. Finalmente é apresentada a forma como os diversos componentes 
da plataforma MobMaps foram adaptados ao cenário da Machsom Watch. 
  
Capítulo 6 
Recolha e análise de dados 
Neste  capítulo  é  dedicado  à  recolha  e  análise  dos  dados.  Começa‐se  por  apresentar  o 
método  aplicado  para  validar  o  protótipo.  De  seguida  são  apresentadas  as  entrevistas  e 

 
7
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

rondas pelos postos de controlo, de uma forma descritiva. Finalmente é feita a análise aos
dados recolhidos.

Capítulo 7
Considerações finais
Neste último capítulo é apresentada uma reflexão sobre o trabalho efectuado.
Sintetizam-se os principais contributos que a plataforma MobMaps e a adaptação da
mesma produzida no âmbito desta dissertação poderão trazer às soluções já existentes e o
contributo do trabalho para o conhecimento. Deixam-se ainda aos leitores sugestões de
funcionalidades que, apesar de não terem sido implementadas na versão aqui
apresentada, poderão vir a ser consideradas importantes, face a novos testes no terreno
que se efectuem no âmbito de futuros trabalhos.

8
[REVISÃO DA LITERATURA]

Revisão da literatura
2
Neste capítulo irá ser feita uma revisão da literatura sobre conceitos, tecnologias e infra-
estruturas que são importantes para esta dissertação, bem como serão apresentados, ao longo do
mesmo, alguns exemplos de aplicações que permitam um melhor entendimento de como pode ser
partilhada informação geoespacial usando dispositivos móveis.

2.1. Enquadramento
Podemos encontrar diversos cenários onde a recolha e/ou manutenção de informação por
parte de indivíduos que estão a trabalhar no terreno, isto é, quando se encontram a trabalhar longe
dos seus escritórios ou laboratórios, é difícil. As dificuldades poderão ter diversas origens, desde
sistemas de rede física deficientes ou mesmo inexistentes, podendo estender-se à rede de energia

9
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

eléctrica, até locais que são praticamente inacessíveis quando se pretende ter por perto
computadores para servir de suporte às actividades de trabalho no terreno.

De seguida daremos alguns exemplos de cenários que demonstram bem as dificuldades que
são encontradas em certas situações por parte de quem tem que trabalhar no terreno.

São exemplo disso muitas situações que os observadores de organizações não-governamentais,


como por exemplo de vigilância dos direitos humanos, encontram em diversos cenários onde
intervêm. Unir a intervenção rápida e eficiente com o compromisso de tornar conhecidas as
violações de direitos humanos é a forma que estes observadores, por exemplo os membros da
Machsom Watch, têm para responder em cenários onde existem conflitos permanentes, causados
pelas constantes tensões entre as diferentes partes intervenientes, neste caso a política israelita e o
povo palestiniano. Estes observadores debatem-se constantemente com dificuldades em ter acesso
a dados actualizados e também não têm maneira de enviar para as suas sedes novos dados quando
estão em movimento pelo terreno.

A maioria das vezes os observadores, quando estão no terreno, necessitam de consultar


informação, mas só têm acesso à informação que trouxeram consigo previamente da sede. Os
relatórios que eles têm que elaborar, apesar de os poderem escrever no próprio local, só poderão
ser submetidos ao sistema quando voltarem novamente à sede. Por vezes, eles poderão recorrer a
comunicações de voz com membros que se encontrem na sede, para algum tipo de esclarecimento
mais necessário e inevitável, para a resolução de algum tipo de ocorrência que eles tenham que
lidar naquele momento. Muitas destas organizações não dispõem de meios financeiros para ter
suporte às suas actividades, tendo então que agir, na maioria das vezes, através do improviso que
as situações requerem.

Também as organizações médicas trabalham em diversos cenários: causados por guerras, onde
os sistemas de saúde são precários ou inexistentes; ou, causados por epidemias, como é o caso da
SIDA ou de doenças negligenciadas, como por exemplo a tuberculose e a malária.

Este tipo de organizações necessita de ter acesso a informação correcta, concreta e em tempo
real. Uma vez que muito do seu trabalho ocorre em regiões com graves problemas, como guerras
ou secas, entre muitos outros, as infra-estruturas de comunicação estão, muitas vezes, seriamente
limitadas, não sendo possível tomar contacto com a informação necessária para uma correcta

10
[REVISÃO DA LITERATURA]

análise da situação no terreno. Estes problemas levam a atrasos na resposta, erros na sua dimensão
ou mesmo na sua especificação.

Uma resposta rápida e adequada é o que se pede em cenários onde os médicos destas
organizações actuam. Tudo seria melhor conduzido se existisse um reconhecimento prévio do
terreno de acção, e se pudessem ter acesso a essa informação quase no imediato momento. O
conhecimento a tempo e horas é vital para uma boa resposta aquando da atribuição de recursos
para os cenários. O poder de orquestrar toda a operação remotamente e com filtragens em tempo
real, pode levar a que muitas vidas possam se salvar. Nestes casos, a utilização de sistemas que
utilizem dispositivos móveis poderão ser vitais. Apesar de continuar a ser necessário ter acesso à
Internet, estes sistemas mostram-se mais favoráveis para serem aplicados nas situações descritas
anteriormente, mesmo em caso de falha nos sistemas de comunicação, visto que a existência de
cobertura móvel ocasional é maior do que a cobertura de acesso por linhas fixas, verificando-se que
mesmo quando a cobertura móvel não esteja disponível a 100%, poderá ainda ser útil em muitas
situações intermédias.

Também existem sistemas que são aplicados em situações de crise (o termo crise, neste
contexto designa situações onde ocorram catástrofes de origem natural ou não), mas também estes
têm por vezes algumas limitações quando trabalham em certas circunstâncias em alguns cenários.
Situações de crise podem ocorrer em qualquer altura e em qualquer local e é muito frequente que,
em diversas destas situações, equipas com características completamente diferentes tenham que
trabalhar em conjunto.

Comunicações móveis flexíveis e robustas são um meio de assegurar que as situações de crise
são tratadas de uma forma eficiente e eficaz.

Como características comuns aos cenários apresentados, atente-se nos problemas de


comunicações e acesso à informação que são necessários no momento. Estas equipas necessitam
de ter acesso a informação real e actualizada independentemente da sua fonte de origem, ou seja,
quando diferentes entidades trabalham juntas num mesmo problema, pode-se ter acesso a
informações de diferentes entidades, sendo necessário que esta informação esteja actualizada.
Outra característica essencial é a necessidade de coordenar remotamente as acções desenvolvidas
no terreno, sendo necessário dispor de informação atempada e correcta para que as diferentes

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

equipas de emergência, os coordenadores de recursos tecnológicos e materiais, ou os especialistas


em certas situações específicas, possam actuar da melhor maneira possível.

A combinação entre a coordenação geral e os sistemas de comunicações é a chave para uma


resposta efectiva e eficaz. Para este efeito, existem já sistemas que integram as redes de
comunicações móveis num ambiente integrado de interacção homem-máquina que possam
assegurar os aspectos colaborativos de resposta a uma situação de crise. Umj sistema destes
designa-se por Sistema de Resposta a Crises (do inglês Crisis Response System 2 (CRS)). Qualquer
CRS deverá suportar um ambiente de conhecimento colaborativo que facilite que informação
relevante seja trocada levando desse modo a uma solução bem sucedida da situação de crise.

Os CRS são os sistemas que são utilizados actualmente em certos países e que englobam
diversas entidades, com diferentes especialidades, como é o caso da polícia, bombeiros, médicos,
socorristas, militares, etc. Um sistema deste tipo foi utilizado aquando dos ataques de 11 de
Setembro nos EUA.

Observadores no terreno fazem a monitorização e enviam relatórios para a central, verificando-


se que a análise de informação proveniente de diferentes tipos de fontes poderá dar uma
estimativa da extensão do desastre e fornecer as bases para uma intervenção inicial. O CRS reúne
rapidamente informação de diferentes fontes e identifica quais os peritos de crises que deverão ser
contactados. Consoante as respostas dadas pelos peritos, serão accionadas equipas especializadas
em determinadas funções e enviadas para os locais de crise. Depois, ao longo do tempo, serão
registados os progressos ou as alterações às situações de crise. Ciclicamente, o CRS fará uma
avaliação da situação e contactará os peritos consoante as informações que lhe vão chegando.

Nestes tipos de cenários, as equipas são multi-disciplinares contendo especialistas em funções


específicas, como por exemplo bombeiros especialistas em apagar fogos em refinarias, e estão
espalhadas geograficamente, ou seja, por todo o mundo sendo por vezes, a coordenação e troca de
informação extremamente difícil entre organizações tão diferentes.

2
Crisis Response System são sistemas que são ao mesmo tempo uma plataforma eficaz para automatizar as
respostas aos processos existentes, bem como permitem estabelecer novos processos. As suas capacidades
incluem: emitir relatórios; fazer monitorização, comunicação e coordenação entre diferentes equipas;
planeamento e apoio; e, integração com sistemas internos e externos.

12
[REVISÃO DA LITERATURA]

A plataforma apresentada nesta dissertação poderá ser acoplada a CRS já existentes, devido às
suas características, sendo descritas mais em pormenor nos Capítulos 3 e 4.

2.2. Evolução das tecnologias associadas à partilha de


informação geoespacial usando dispositivos móveis
Por vezes, temos à nossa disposição tecnologias que nos poderão ajudar na resolução de alguns
dos problemas com que nos deparamos actualmente ao nível da recolha e manutenção de
informação. O uso das tecnologias de uma forma isolada não resolve por si só esses problemas mas,
quando combinadas entre si, poderão tornar-se em poderosas arquitecturas que permitirão então
ser aplicadas para fazer face a alguns, senão a todos, os problemas com que nos debatemos. É
exemplo disso, a utilização de wikis e blogues após a passagem do furacão Katrina pelos EUA, tendo
sido essencial no apoio ao salvamento e coordenação de meios no local afectado.

Neste subcapítulo irão ser abordadas as tecnologias que foram empregues como ferramentas,
combinadas entre si, para permitir a resolução dos problemas anteriormente descritos e atingir os
objectivos enunciados. É dada uma breve perspectiva histórica de cada tecnologia, bem como as
principais tendências do momento.

2.2.1. Trabalho em grupo

O trabalho em grupo, do ponto de vista científico, engloba-se numa área mais vasta, designada
Trabalho Cooperativo Suportado por Computador (CSCW, em inglês, Computer-Supported
Cooperative Work). Trata-se de uma área científica que evoluiu da Automação de Escritório, na
década de 80 (Fonseca, 2004) e que estuda o uso de tecnologias de computação e comunicações
para dar suporte a actividades em grupos. Ela adopta métodos, técnicas e abordagens de diversas
disciplinas, como a sociologia, a antropologia, a psicologia, teoria sócio-organizacional, ciência da
computação, etc.

As aplicações de groupware são um dos maiores sucessos da época da informação. A recolha


de informação e a disponibilização em sites (como é o caso dos blogues, que será abordado mais à

13
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frente, e dos fóruns) contendo ligações para recursos ou informações, disponíveis na Web, são bons
exemplos de sucesso de trabalho colaborativo (Chang et al., 2006).

As aplicações informáticos que são usadas como suportes para o CSCW, designam-se
habitualmente por groupware, sendo as mais conhecidas e mais antigas as aplicações de correio
electrónico (Fonseca, 2004). Estas aplicações poderão ser agrupadas consoante as suas
potencialidades em quatro grandes grupos: de carácter informativo, de carácter coordenativo, de
carácter colaborativo e, finalmente, de carácter cooperativo. Estas duas últimas divisões,
aparentemente idênticas, correspondem a conceitos distintos, mas entendidos de maneira
diferente conforme os autores.

Pode-se dizer que no trabalho cooperativo, os indivíduos têm diferentes tarefas, e partilham
entre si os resultados dessas tarefas com o objectivo de resolver um problema comum. Já no
trabalho colaborativo, as tarefas são executadas por mais do que um indivíduo, onde há interacção
entre os intervenientes poderá ser em ambos os sentidos ou só num único sentido (bilateral ou
unilateral) (Maçada & Tijiboy, 1998).

Assim, ao analisar-se a Figura 1, pode verificar-se que, em 1.a, Fonseca define a cooperação
como o elo mais elevado no trabalho em grupo. Já para Denning e Yaholkovsky (2008), em 1.b, o elo
mais alto é a colaboração e não a cooperação. É frequente verificar-se na literatura, alguma
controvérsia, no que diz respeito a colaboração e cooperação, levando mesmo a que muitos
autores optem por não fazerem grande distinção entre as duas categorias. Na nossa opinião, a
opção apresentada por Fonseca é a mais correcta, sendo aquela que apresenta mais defensores.
Assim, ao longo desta dissertação, será tido em conta que a cooperação é um elo mais forte que a
colaboração.

14
[REVISÃO DA LITERATURA]

a) b)
Cooperação Colaboração

Colaboração Cooperação

Coordenação Coordenação

Partilha de Informação Partilha de Informação

Figura 1 – Divisão por tipo das ferramentas de groupware segundo: a) Fonseca (adaptado de Fonseca, 2004) e b) Denning e
Yaholkovsky (adaptado de Denning & Yaholkovsky, 2008).

No trabalho cooperativo são formados grupos ou equipas com o intuito específico de resolver
determinado problema. Estes grupos ou equipas poderão não trabalhar normalmente entre si,
levando a que, apesar de pessoas ou organizações chegarem a um acordo mútuo para resolver
determinado problema, o trabalho conjunto entre elas possa não passar desse nível (Hord, 1981).
Na cooperação, as actividades existentes são conseguidas a partir de um acordo mútuo entre os
intervenientes, embora não signifique que haja um benefício mútuo, verificando-se que através da
cooperação entre os intervenientes tem que haver necessariamente interacção (Hord, 1981). Para
Silva (Silva, 2007), o trabalho cooperativo compreende a coordenação de tarefas desempenhadas
pelo grupo, bem como a troca e partilha de informação entre os diversos indivíduos do grupo,
havendo necessariamente um grande nível de comunicação entre os intervenientes. Também
Maçada e Tijiboy (1997) apoiam esta definição, realçando que no trabalho cooperativo não deve
haver apenas interacção e colaboração, mas também objectivos comuns, actividades e acções,
conjuntas e coordenadas. Fonseca (2004) separa o tipo de cooperação em quatro grandes grupos:

Cooperação complementar – cada indivíduo executa independentemente cada parcela


e no fim são todas juntas;

Cooperação competitiva – vários indivíduos executam a mesma tarefa, sendo escolhida


a que for melhor;

Cooperação inter-pares – é feita entre indivíduos com o mesmo tipo de funções;

Cooperação líder-seguidor – um indivíduo dá instruções e os outros executam as tarefas


consoante as indicações.

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

O trabalho colaborativo pode ser definido como sendo uma actividade coordenada entre várias
pessoas que, através de um esforço colectivo, têm como objectivo comum a resolução de um
determinado problema (Kimmerle et al., 2007).

Na Internet, actualmente, temos acesso a uma enorme e diversificada quantidade de


informação. Este é um meio perfeito para a partilha de recursos e informação entre os seus
utilizadores. Como uma das principais características de qualquer trabalho colaborativo é,
precisamente, a partilha de recursos, informação e colaboração entre indivíduos, então poder-se-á
dizer que a Internet se tornou numa base perfeita para a proliferação do trabalho colaborativo
(Chang et al., 2006). Isto leva a que haja maior colaboração, permitindo que diferentes entidades,
contendo actividades semelhantes, possam partilhar entre si os custos e melhorar a utilização de
recursos comuns, pelo simples facto de colaborarem entre si (Kolbitsh & Maurer, 2006).

Apesar do trabalho colaborativo estar a ter uma enorme importância de alguns anos para cá
(devido à sua proliferação na Internet), nem o conceito, nem tão pouco a prática, são exactamente
novos (Weiss, 2005). Já existiam, há bastante tempo (mesmo antes da geração Web), ferramentas
onde as pessoas trabalhavam em grupos, permitindo que elas partilhassem informação entre si
independentemente de onde elas estivessem. São exemplo dessas aplicações a Lotus Notes (IBM), a
DistEdit (Knister & Prakash, 1990) e a Sun Shared Shell (Sun Microsystems, Inc., 2008), entre outras.

Segundo Weiss (2005), a abertura das “portas” para a auto-publicação de conteúdos na Web e
a consequente evolução natural para a colaboração, deu-se por volta de 1993, quando Tim Berners-
Lee, na altura já a trabalhar no CERN (European Organization for Nuclear Research), declarou que a
tecnologia WWW (World Wide Web) estaria disponível para todos. Segundo o mesmo autor, os
blogues e wikis não vieram inventar nada de novo, mas sim automatizar o que já era possível.
Apesar de os blogues virem encurtar a distância entre o autor e os leitores, permitindo que pessoas
sem quaisquer tipos de conhecimentos tecnológicos pudessem publicar na Web ideias, notícias,
factos e opiniões, eles já não eram nada de novo, embora esta pequena diferença técnica que
permite o acesso de qualquer pessoa, a partir de qualquer lugar, com mais rapidez e conveniência,
faz toda a diferença para o partido que se tira da tecnologia Web.

16
[REVISÃO DA LITERATURA]

Este tipo de ferramentas tem vindo a ter uma ampla difusão, por um lado devido ao
surgimento da Internet, mas, também, devido ao desenvolvimento de software em grande escala, o
que leva a que haja muitos grupos de trabalho na Web. Esta evolução é, segundo alguns autores,
como é caso do Tim O’Reilly, parte do que se designa por Web 2.0 (O’Reilly, 2005).

Aproveitando as características colaborativas intrínsecas à estrutura da Internet, outras


ferramentas colaborativas surgiram, como é o caso dos blogues, que segundo Denning e
Yaholkovsky (2008), podem ser considerados uma ferramenta do tipo informativo. É da opinião de
diversos autores que os blogues poderão ser elevados a tipo colaborativo, quando eles permitem
que sejam colocados novos posts para melhorar ou complementar a informação já existente (os
blogues serão discutidos em mais pormenor no ponto 2.2.4.1).

Os wikis podem ser vistos como um conjunto de páginas interligadas entre si, através de
hiperligações, possibilitando que os documentos possam ser editados colaborativamente, utilizando
uma linguagem de sintaxe muito simples e necessitando apenas de um browser. Contrariamente
aos blogues, a informação publicada pode ser alterada ou complementada, apesar não ficarem
visíveis todas as alterações feitas pelos diversos autores, visto só a última versão é que fica visível,
tendo um poderoso gestor de versões a correr em background (Rahman, 2007), que permite ir
buscar versões mais antigas, caso seja necessário). Este tipo de ferramentas vieram possibilitar que
os utilizadores pudessem corrigir e complementar a informação que se encontram em muitos dos
sites da Web (Carr et al., 2005).

As pessoas que estavam até algum tempo atrás impossibilitadas de publicar informação na
Web, devido à falta de conhecimento tecnológicos, por exemplo não saberem escrever em HTML
ou utilizar ferramentas de edição e publicação de páginas Web, puderam, desde o surgimento de
ferramentas como os blogues e wikis,reclamar um legítimo lugar na comunidade global e fazer
ouvir a sua opinião. Pode-se dizer que, actualmente, a linha que separa as pessoas que são os
verdadeiros autores dos textos originais daquelas que os lêem, praticamente desapareceu, porque
quase todos nós somos autores (Kolbitsh et al., 2006). Quem é que ainda não colocou uma nova
entrada ou emendou alguma da informação que está na Wikipédia? E quem é que ainda não inseriu
comentários sobre algum assunto em fóruns, blogues, etc.? Apesar de ainda serem poucos os que
realmente produzem informação relativamente aos que a lêem, verifica-se, no entanto, que estes
poucos produtores são muita gente, muito mais gente do que havia antes. É exactamente neste

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

contexto que esta linha de separação desapareceu, uma vez que todos nós temos à disposição
recursos para a publicação de informação, e quase todos nós já o fizemos, quer tenha sido de
maneira consciente, ou não, de que estávamos a contribuir para algo.

A enciclopédia online Wikipédia (Wikimedia Foundation, Inc., s.d.), é um dos melhores


exemplos deste novo paradigma, levando a que alguns autores atribuam à “inteligência colectiva”,
uma das forças proporcionadoras da evolução da Internet (Weiss, 2005). Um utilizador que queira
introduzir alguma informação na Wikipédia, ou simplesmente não concorde com alguma
informação sobre determinado assunto, pode adicionar ou alterar essa informação, criando uma
nova versão desse documento. A inserção de nova informação é muito simples porque a interface
que é disponibilizada é muito similar a uma versão simplificada de um editor de texto.

Os wikis e, em alguns casos, os blogues (quando não aplicados só na sua vertente meramente
informativa) podem ser considerados ferramentas que promovem o trabalho colaborativo entre
utilizadores. No caso dos wikis, estes fornecem robustas opções, como é o caso do histórico de
todas as alterações feitas num determinado documento e a capacidade de retornar a uma versão
anterior de um determinado documento (Kolbitsch et al., 2006; Carr et al., 2007).

As vantagens que tais plataformas nos proporcionam são imensas. Por exemplo, ao usar-se um
wiki, podem-se estudar todas as versões de um documento que se encontram guardadas no gestor
de alterações, permitindo assim, perceber como é que o documento chegou até à fase actual. Ou
seja, podemos perceber não só a versão final (o documento actual) mas também todo o processo
pelo qual passou (Carr et al., 2007). O wiki reflecte a ideia original que Tim Berners-Lee tinha do
browser como sendo não apenas uma ferramenta de leitura, mas também de escrita (Weiss, 2005;
Rinner, 2006).

Este novo paradigma não veio dar origem a novas tecnologias específicas, mas sim a uma
mudança nas próprias pessoas, levando-as a ter uma melhor percepção do que é a Internet e qual
poderá ser o seu lugar na mesma. As pessoas já não são simples espectadores, mas poderão passar
a ser os principais actores. O novo modelo assenta na ideia de que o resultado de um esforço de
colaboração de várias pessoas é maior do que a soma dos resultados dos seus trabalhos individuais
(Kolbitsch et al., 2006).

18
[REVISÃO DA LITERATURA]

Este tipo de plataformas podem ter um papel muito importante quando aplicadas
correctamente em situações de catástrofes e onde os meios de resposta normais são inadequados.
Por exemplo, antes do furacão Katrina atingir os Estados Unidos, várias pessoas criaram blogues e
wikis para ajudarem na preparação do esforço para dar resposta a situações deste género.
Posteriormente à passagem do furacão, alguns sites continuaram a ser utilizados como meio para
publicar informações, por exemplo, acerca das pessoas desaparecidas. Alguns deles, foram mesmo
utilizados pelas autoridades como apoio nas suas operações de salvamento (Palen et al., 2007).
Veja-se por exemplo o The South-East Asia Earthquake and Tsunami Blog (Tsunamihelp, s. d.), o E-
Democracy Wiki (E-Democracy.Org, s.d.), o New Orleans Wiki (New Orleans Wiki, 2008), o Hurricane
Katrina Emergency Information (Truthlaidbear, s.d.), etc.

Embora se tenha incidido, nesta secção, mais sobre os wikis e blogues (ferramentas com
características mais relevantes para a plataforma desenvolvida), o universo de ferramentas de
groupware disponíveis é extremamente diversificado, passando, por exemplo, por mundos virtuais,
como é o caso do Second Life (Linden Research, Inc., 2008), por plataformas para o
desenvolvimento de documentos online de forma colaborativa, como é o caso do Google Docs
(GoogleDocs, s.d.), por ferramentas colaborativas de filtragem de spams (Cloudmark - Cloudmark
Inc., 2008), por ferramentas para a partilha de ficheiros, vulgarmente designadas de peer-to-peer
(talvez as mais utilizadas na Web), como é o caso do BitTorrent (BitTorrent, Inc, 2008) e do eMule
(Emule, 2008), por salas de chat, por e-mails, por ferramentas de suporte à decisão, por sistemas de
audição, por pagamentos online, etc.

A partir deste momento, nesta dissertação, quando for mencionado trabalho em grupo, este
deverá ser considerado como trabalho colaborativo, para que a leitura se torne mais fluida e fácil. É
esta vertente que nos interessa estudar e é aquela que é mais relevante para a nossa investigação.

2.2.2. Informação georreferenciada

Provavelmente, tudo terá começado quando o homem pré-histórico percebeu que era mais
fácil encontrar caça junto dos cursos de água, pois era ali que estavam os animais, estabelecendo-se
uma relação entre um dado, ou um facto, e um ponto no espaço físico (localização geográfica), ou,
se quisermos, quando o homem tomou consciência de si, obteve-se assim a informação

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

georreferenciada básica: “eu estou aqui”. Daí em diante tudo passou a ser relacionado no espaço,
mesmo que de uma forma inconsciente e empírica. Pode-se mesmo dizer que, ao longo da história,
as guerras, as rotas comerciais, a agricultura, a construção de cidades, etc., estiveram sempre
relacionados com seu posicionamento no espaço. De seguida daremos uma breve explicação do
que se entende por informação geográfica.

2.2.2.1. Informação geográfica e sistemas de informação geográfica

A AGI (Association for Geographic Information), em 1991, definiu “informação geográfica”


como sendo a informação que pode ser relacionada com uma determinada localização (definida em
termos de ponto, área ou volume) na Terra, sobretudo informação acerca de fenómenos naturais,
culturais e de recursos humanos. Esta definição, que ainda hoje se encontra no dicionário de GIS
(Geographic Information Systems) disponível online no site da AGI (AGI, 2008), é aquela que para
nós realmente simboliza melhor o que é informação geográfica.

Analisando os termos que compõem o termo “informação geográfica” naquela fonte, temos:
(1) informação – refere-se a um de terminado objecto ou fenómeno, sendo este descrito pela sua
forma, atributo e natureza, realçando-se que será feita uma descrição independentemente da sua
localização, podendo, porém, ter ligações a outros objectos ou fenómenos reais; (2) geográfica –
corresponde à localização do objecto ou do fenómeno real na superfície terrestre, que
normalmente associamos a um eixo de coordenadas, podendo, no entanto, existir outros sistemas
de localização terrestre, como por exemplo um código postal.

A informação geográfica tem características únicas, por isso, a realidade representada por ela é
frequentemente contínua e infinitamente complexa, devendo por isso, ser discretizada3
(discretized), abstraída, generalizada ou interpretada, para se proceder posteriormente à sua gestão
ou análise (Kemp et al., 1992).

Actualmente é possível georreferenciar a maioria da informação fixa ou que circula. Segundo


Chang et al. (2006), 60 a 80% de toda a informação que anda a circular tem algum tipo de

3
Discretizar no sentido de normalizar, fazendo com que uma variável que tem valores contínuos tome valores
discretos.

20
[REVISÃO DA LITERATURA]

característica geoespacial: os dados de quase todas as ciências podem ser analisados


espacialmente, logo georreferenciados.

Para Câmara et al. (1996), os dados geográficos ou georreferenciados descrevem factos,


objectos e fenómenos do globo terrestre associados à sua localização sobre a superfície terrestre,
num certo instante ou período de tempo.

Os dados georreferenciados são essencialmente caracterizados a partir de três componentes


fundamentais:

• Componente espacial – que nos dá a informação sobre a localização espacial do objecto;

• Componente temporal – que identifica o tempo para o qual os dados são considerados
válidos;

• Componente temática ou não – espacial – que descreve o objecto em estudo.

Componente espacial

A componente espacial dá-nos a informação sobre a localização geográfica, as propriedades


espaciais de determinado objecto e as suas relações espaciais com os outros objectos.

Nesta componente, os dados referentes à localização geográfica da posição dos objectos


relativamente à Terra são expressos num sistema de coordenadas. Para todos os níveis de
informação, que se pretendam representar espacialmente, recorre-se à sua posição geográfica
mediante coordenadas, sendo, assim, extremamente importante que os sistemas de coordenadas
sejam iguais, caso não sejam, teremos que recorrer a processos de conversão de coordenadas.
Poderemos usar para tal, por exemplo, um SIG (Sistemas de Informação Geográfica).

 Propriedades espaciais

Devido à natureza dos objectos utilizados para representar a realidade, estes possuem
propriedades espaciais, como já se referiu anteriormente. A sua modelação passa pela sua
abstracção, recorrendo-se assim a pontos, linhas ou polígonos. Um determinado ponto representa
o aspecto geométrico de um determinado objecto específico, para o qual apenas a sua localização
no espaço é relevante. Já no caso de uma linha, consegue-se representar um determinado objecto

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do qual é possível a movimentação no espaço. A forma de um polígono é uma abstracção de um


determinado objecto, cuja sua localização e a sua extensão, são relevantes (Santos & Amaral, 2002).
Assim, por exemplo para o caso de uma linha, a forma, a direcção e o alinhamento relativo a algo, é
importante.

Podemos representar os dados espaciais através de dois métodos: (1) por representação
baseada em células; (2) por representação baseada em objectos. Assim, as informações acerca de
pontos, linhas e polígonos são codificadas e armazenadas como uma série de coordenadas x e y. A
localização de um ponto pode ser dada por coordenadas (x, y), bem como objectos com
características lineares, tais como estradas e rios, também podem ser armazenados como uma
sequência de coordenadas (x, y).

Na representação baseada em células, o espaço geográfico é dividido num conjunto de células


independentes que cobrem toda a região geográfica em análise. É o caso de quando se trabalha,
por exemplo, com imagens raster (que é um conjunto de pontos, análogos num mapa ou imagem
digitalizada) num SIG. Estas são constituídas por zonas (conjunto de células adjacentes que tem
valor igual do atributo, ou seja, análogas), sendo utilizadas no seu todo e com as suas propriedades
espaciais para posterior análise espacial. Cada célula tem associados a si, dois valores: o valor da
sua localização e o valor da área geográfica que ela representa. Este valor da área será uniforme ao
longo de todas as células que constituam uma mesma entidade geográfica (Santos & Amaral, 2002).

 Relações espaciais

As condições que envolvem relações espaciais baseadas nos conceitos de contiguidade (A é


adjacente a B), conectividade (existe um caminho de A para B), inclusão (A contém B – A tem
prioridade no processo), etc., são exemplos de relações que podem existir entre objectos espaciais.
Dada a elevada quantidade de relações possíveis, um sistema de informação geográfica não as
armazena todas. Por isso, algumas das relações estão definidas explicitamente nos SIG, outras só
serão calculadas caso sejam requeridas. É o caso da relação de proximidade entre dois objectos que
pode ser calculada quando requerida, recorrendo à geometria e à localização dos objectos em
causa e aos critérios fornecidos pelo utilizador (personalização do conceito de proximidade).

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[REVISÃO DA LITERATURA]

Sendo assim, é possível estabelecer uma distinção entre dois tipos de relações espaciais: (1) as
topológicas, que são do tipo qualitativo; (2) as geométricas, calculadas a partir das coordenadas do
objecto.

Componente temporal

Visto que os dados de localização e os atributos descritivos dos mesmos podem variar ao longo
do tempo e de forma independente (os atributos podem alterar-se enquanto se mantém a mesma
localização espacial ou vice-versa), a característica tempo revela-se de grande importância no
contexto da informação geográfica.

Todos os dados espaciais possuem uma componente temporal em relação a um instante


correspondente e devem ir-se actualizando com novas aquisições de informação. Por exemplo, a
paisagem muda, assim, também um SIG deve ser capaz de assimilar essas variações temporais dos
dados geográficos. Com a informação espacial consolidada ao longo do tempo, o SIG permite
realizar estudos que mostram o desenvolvimento eficiente e multi-variável.

Entre os factores que facilitam a georreferenciação de informações espaciais temporais estão


incluídos:

Duração: total de tempo apropriado no qual se podem comparar momentos de forma


consistente para estudos multi-temporais e de tendências.

Resolução temporal: corresponde ao intervalo de tempo para o qual alguns dados são
registados e permitem analisar a sua dinâmica. São exemplo disso, os registos: mensais
de precipitação ou das temperaturas diárias.

Frequência temporal: é o número de observações que são necessárias por unidade de


tempo para se poder estabelecer valores representativos na análise dinâmica e
modelos preditivos.

Um exemplo da aplicação destes três factores poderá ser a realização, com a ajuda de um SIG,
da análise da dinâmica da intervenção em florestas para um período total de 15 anos (factor de
duração), com registos consolidados a cada 3 anos (factor de resolução temporal) e que, por sua

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vez, são fruto de médias de 12 observações recolhidas em cada triénio (factor de frequência
temporal).

Componente temática

Quando objectos são utilizados para representar as alterações que ocorrem no mundo real, os
quais têm associados a si atributos que visam ilustrar determinadas características, os valores
desses atributos muitas vezes não seguem variações aleatórias, sendo, por isso, possível encontrar
padrões que apresentam uma certa regularidade nessa variação quer ao nível do espaço quer ao
nível do tempo.

A auto-correlação é a grande semelhança entre duas amostras próximas no espaço ou no


tempo para um mesmo atributo. Assim, existem dois tipos de auto-correlação:

i) Auto-correlação espacial – os valores temáticos tendem a ser mais parecidos entre objectos
mais próximos no espaço do que entre objectos mais afastados;

ii) Auto-correlação temporal - os valores temáticos não se alteram apenas no plano espacial,
mas também no plano temporal, verificando-se que, tal como acontece no plano espacial,
as mudanças que podem ocorrer ao longo do tempo, acontecem seguindo uma tendência
gradual. Ou seja, os dados que estão mais próximos no tempo serão mais parecidos entre si
do que os dados mais remotos.

Esta componente pode trabalhar com 4 tipos de variáveis: variáveis contínuas, que admitem
qualquer valor dentro de um intervalo (ex: altitude 15000 m); variáveis discretas, que só admitem
um número inteiro (ex: 1500 habitantes); variáveis fundamentais, que se obtêm directamente (ex:
quantidade de casas numa localidade); e, variáveis derivadas, que se obtêm a partir de outras
variáveis (ex: densidade demográfica por quilómetro).

24
[REVISÃO DA LITERATURA]

2.2.2.2. Modelos de dados

Pode designar-se por modelação de dados, o conjunto de actividades que leva ao desenho de
uma Base de Dados. A modelação de aplicações geográficas requer a utilização de técnicas
específicas, que permitam armazenar e processar dados espaciais.

A modelação de dados é normalmente empregue para referir a totalidade do procedimento da


tradução do problema geográfico, que se deseja tratar através da construção de um SIG, numa
simulação computadorizada. O processo de modelação conceptual dos dados compreende a
descrição dos conteúdos dos dados assim como a sua estruturação.

Pode definir-se como modelo de dados, a descrição geral de um conjunto específico de


entidades e das relações entre essas entidades. Em termos geográficos uma entidade pode ser uma
casa, um campo ou um rio. O importante acerca da entidade é que esta tem de ser identificável e
distinguível por si só.

Os modelos podem basear-se em estruturas de dados vectoriais ou raster (como se explica já


de seguida), devendo o armazenamento dos dados ser efectuado em tabelas de base de dados
relacionais, onde cada tabela está associada a um ficheiro que representa uma entidade.

Dados em formato vectorial

Todos os fenómenos geográficos, pelo menos no que se refere a um ambiente bidimensional,


podem ser representados por 3 tipos de entidades:

• Pontos – representam localizações discretas de entidades, em pares de coordenadas x, y;

• Linhas – representam entidades lineares (como rios, estradas, etc.), sendo também
representadas por pares de coordenadas x, y;

• Polígonos – identificam entidades de áreas, sendo representadas por linhas que delimitam
essas mesmas áreas.

Contudo, as três primitivas geométricas acima descritas não são todavia suficientes para
descrever a complexidade de certos fenómenos ou entidades geográficas de forma conveniente. Os

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conceitos de área e linha podem ser alargados para produzir dois outros tipos de entidades,
nomeadamente:.

• Superfície – pode ser definida como uma entidade contínua de uma qualquer medida ou
qualificação, de natureza quantitativa ou qualitativa;

• Rede – explicita e traduz as ligações existentes entre entidades lineares, permitindo o


“fluxo” de informação e o estabelecimento de certos tipos de relações espaciais.

Dados em formato raster

Os dados em formato raster são representados no espaço geográfico sob a forma designada
por células ou pixéis (e no seu conjunto designam-se por vezes de malhas), podendo ter como
formas mais comuns as triangular, hexagonal ou quadrada.

O modelo de dados raster representa o mundo real como uma superfície plana e contínua. Os
dados representam a paisagem como uma grelha (matriz) regular de células quadradas –
designadas por pixéis.

As estruturas de dados no modelo raster não fornecem a localização precisa da informação


(embora o erro seja muito ínfimo) uma vez que o espaço geográfico é dividido em células
uniformes.

Um dos maiores problemas que nos deparamos quando trabalhamos com imagens raster é
saber qual a definição da resolução mais correcta, porque uma escolha incorrecta na resolução
implicará a existência de erros nas escalas dos dados originais, na sua exactidão, na sua precisão e
no tipo de dados a introduzir no sistema.

Os principais tipos de análise que se podem fazer sobre um modelo de dados raster são:

• Análises de vizinhança, distância e proximidade – são operações que permitem estruturar


as relações de vizinhança que se estabelecem entre os diversos pixéis;

• Análises de sobreposição e reclassificação – são as operações mais comuns quando se


trabalha em modelos de raster e estão sobretudo ligadas à organização da informação no
sentido de facilitar a sua compreensão durante a visualização.

26
[REVISÃO DA LITERATURA]

A identificação das estruturas tipo área e a identificação das distâncias entre os pixéis são dois
tipos fundamentais de análises que se podem efectuar.

2.2.2.3. Sistemas de coordenadas

A Terra pode estar representada cartograficamente por vários modelos matemáticos, cada um
dos quais podendo proporcionar um conjunto diferente de coordenadas (por exemplo altitude,
latitude e longitude) para qualquer dado ponto da sua superfície. O modelo mais simples foi
assumir que a Terra era uma esfera perfeita. À medida que foram sido acumuladas mais medições
do planeta, os modelos geoidais mostraram ser sofisticados e precisos. De facto, alguns destes, são
aplicados a diferentes regiões da Terra para proporcionar maior precisão (por exemplo, o Sistema
de Referência Terrestre Europeu 1989 - ETRS89 - funciona bem na Europa, mas não na América do
Norte).

A projecção é um componente fundamental na criação de um mapa. A projecção matemática é


a maneira para transferir informação de um modelo da Terra, o qual representa uma superfície
curva em três dimensões, para outro bidimensional, como é o caso do papel ou qualquer outra
superfície plana. Para isso, são utilizadas diferentes projecções cartográficas segundo o tipo de
mapa que se pretende criar, visto que existem determinadas projecções que se ajustam melhor a
uns casos concretos do que a outros.

Visto que a maioria da informação num SIG provém de cartografia já existente, um SIG usa todo
o poder de transformação que os computadores têm para transformar a informação digital, obtida
a partir de fontes com diferentes projecções e/ou diferentes sistemas de coordenadas, numa
projecção e num sistema de coordenadas comum.

O processo de georreferenciação é um elemento-chave num SIG, uma vez que é ele que irá
permitir o relacionamento com outros sistemas de informação. Basicamente, pode ser definido
como um processo pelo qual um determinado objecto geográfico (por exemplo, um edifício, uma
parcela de terra, uma estrada, etc.) recebe uma etiqueta que identifica a sua posição espacial em
relação a um ponto comum ou marco de referência. Este processo pode ser realizado de duas
formas: directa ou indirectamente. De forma directa, através do uso de um sistema de eixos de
coordenadas onde é determinada a posição absoluta de cada local, e de forma indirecta, dando a

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cada objecto uma direcção ou referência espacial que o distingue dos outros e que permite
estabelecer a sua posição relativamente aos outros (por exemplo, o código postal).

Na geocodificação no modo directo estabelecem-se eixos de coordenadas ortogonais em


relação aos quais se medem as separações dos objectos a geocodificar. Existem vários tipos de
sistemas de coordenadas terrestres: esféricos (utilizado para os dados espaciais de ordem global
que abarcam grandes extensões da terra) e planos (válidos para extensões mais pequenas).

No que diz respeito às coordenadas planas, estas poderão ser de dois tipos: umas estabelecidas
pelos utilizadores livremente; ou de carácter geral e prefixadas, como é o caso das do sistema UTM
(Universal Transversa de Mercator), tendo estas têm a vantagem de facilitar a integração espacial
dos dados gerados na geocodificação em bases de dados existentes.

O sistema UTM é designado como um sistema geo-cartográfico que utiliza a representação


cartográfica de Mercator Transversa, a qual estabelece uma relação biunívoca entre pontos do
Elipsóide Internacional de Hayford e pontos do plano. Este sistema de coordenadas é um sistema
universal, pois subdivide o globo terrestre em 60 sectores (fusos) de 6 graus de amplitude,
encontrando-se Portugal Continental localizado na zona 29 com o meridiano central (deformação
linear nula) a 9 graus oeste de Greenwich (Panagopoulos, s.d.).

As suas coordenadas são expressas em metros. Por ser uma projecção plana da esfera
terrestre, implica que os dados tendem a ter uma série de erros e distorções, que sob nenhuma
circunstância tendem a tornar-se significativos.

No caso português, para se trabalhar com uma carta georreferenciada, após ser feita a sua
projecção usando o sistema UTM, fuso 29, faz-se posteriormente uma conversão para o sistema de
coordenadas português usando, para tal, a projecção Hayford Gauss, datum de Lisboa (ponto
corrigido para se trabalhar com dados georreferenciados em Portugal).

Escalas e precisão

Consoante a escala com que se trabalha, maior ou menor será a precisão. Logo, a escolha
correcta da escala é de fundamental importância no processo de definição de entidades de um SIG.
Se tivermos como exemplo a escolha de uma escala pequena para representar as cidades
portuguesasm, faz naturalmente sentido que estas sejam representadas por pontos, pois caso

28
[REVISÃO DA LITERATURA]

contrário o erro que irá ser introduzido será enorme. No entanto, se tivermos a construir um SIG de
apoio à realização de planos municipais, geralmente feitos em grandes escalas (ex: 1:2.000 ou
1:5.000), e se quisermos representar a cidade de Vila Real, então teremos que considerar uma
quantidade e variedade muito superior de entidades e um maior nível de detalhe na sua
representação. Podem ser construídos modelos de entidades espaciais destinados a terem alguma
independência do factor escala, basta que o modelo de dados, em que estamos a trabalhar, esteja
preparado para suportar processos de adaptação às diferentes escalas, consoante a necessidade.

Também no que diz respeito à precisão, vemos que a selecção das primitivas geométricas para
representar uma entidade ou fenómeno geográfico é afectada pelo facto de que a maior parte das
entidades e fenómenos da realidade geográfica não se adaptam facilmente a uma representação
simplificada. Por exemplo, como podemos traçar os limites de fronteira de duas entidades distintas,
por exemplo de solo cultivado e não cultivado, se normalmente existe uma transição gradual entre
os dois tipos de ocupação de solo e não uma mudança drástica ou uma linha de fronteira clara. Ou
até mesmo, como podemos representar uma estrada por uma linha se de facto tem uma área e
uma transição nem sempre clara nas suas fronteiras.

2.2.2.4. Técnicas de aquisição de dados e de informação

É extremamente importante tomarmos cuidado aquando da recolha dos dados. Para a recolha
de dados espaciais poderemos utilizar duas técnicas que poderemos designar como directa ou
indirecta. No caso da técnica directa, esta poderá ser realizada por levantamento no campo
(designado por levantamento topográfico), através da utilização de equipamento específico, como é
o caso do GPS (Global Positioning System). A indirecta é obtida geralmente através da digitalização
de imagens já existentes em suportes cartográficos analógicos, sendo feita posteriormente, a sua
vectorização (processo de criação das entidades importantes na imagem para dados vectoriais) de
uma forma manual ou semiautomática, dependendo do sistema que se esteja a utilizar.

Dependendo da qualidade e do tamanho da imagem, a resolução poderá variar. No entanto,


recomendam-se os 300 ppp (pontos por polegada) como valor indicativo de qualidade aceitável.
Menos resolução significará menor precisão nas zonas de contacto entre diferentes entidades, mas
também resolução muito grande, não trará quaisquer benefícios, bem pelo contrário, atrasará todo

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o processo, visto que tornará o processo muito mais pesado e a necessitar de uma maior
capacidade de processamento.

As imagens digitalizadas serão depois sujeitas a um processo de georreferenciação, que se


baseia na transformação da geometria de uma imagem raster em relação a um determinado
sistema de coordenadas. A referenciação espacial de uma imagem pressupõe a existência de um
conjunto de pontos de controlo com coordenadas de terreno conhecidas, aos quais se irão fazer
corresponder os mesmos pontos visíveis na imagem. Só assim se conseguirá referenciar uma
imagem no sistema de eixos internacional, que depois de referenciada poderá passar para qualquer
outro sistema de informação geográfica, onde manterá a sua posição correcta nos eixos, desde que
se esteja a trabalhar com o mesmo sistema de coordenadas.

GPS (Global Position System)

O GPS actualmente é um sistema que se tornou banal, mas que quando surgiu foi de uma
grande valia para a recolha de dados espaciais no terreno. Captando os sinais emitidos por vários
satélites, o GPS permite determinar as coordenadas sobre o terreno através dum receptor.
Mediante determinados cálculos de triangulação e com uma margem de erro que pode
inclusivamente ser inferior a um metro, o receptor obtém e regista a posição onde se encontra
(aqui será importante referir que nem todos os equipamentos de GPS são iguais e conseguem os
dados com a mesma margem de erro). O GPS vulgar, por exemplo o que equipa os sistemas de
navegação, tem margem de 10 metros, dependendo da velocidade a que o veículo circule; já o GPS
destinado a investigação e cartografia, para além dos satélites que lhes dão os dados de latitude
(indica a medida do arco de meridiano, expressa em graus, compreendido entre o equador, origem
das latitudes e o paralelo do lugar a que diz respeito), longitude (usado para registar posições
orientais-ocidentais na superfície da terra, expressa também em graus, representando a amplitude
do arco do equador ou do paralelo compreendido entre o semi-meridiano de referência –
Greenwich, Inglaterra – e o semi-meridiano do lugar considerado) e altitude (distância relativa à
posição do mar, a que corresponde 0, e o local onde é medido), como os vulgares, eles também
utilizam torres terrestres próprias para fazer a correcção das leituras e, assim, corrigir os erros por
exemplo introduzidos pela trasladação da terra. Existem dispositivos que a margem de erro é
inferior a menos do que 1 cm. Dado que a posição é calculada sobre um espaço tridimensional, o

30
[REVISÃO DA LITERATURA]

GPS também é utilizado para determinar com exactidão a altitude do local. O uso destes receptores
em movimento, levou a que a sua aplicação se tornasse de grande utilidade e interesse em áreas
como a da elaboração de cartografia em grandes escalas.

2.2.2.5. SIG

Pode-se definir um SIG (Sistema de Informação Geográfica) como: um sistema computacional


composto por software, hardware, dados e pessoas para ajudar na manipulação, análise e
apresentação de informações geoespaciais, e onde, o geoespacial é geralmente a localização
geográfica, a informação é a visualização da análise de um determinado dado, o sistema é a união
entre software, hardware e os dados, e, finalmente, as pessoas são os utilizadores que são a chave
de todo o poder do SIG.

Pode-se dizer que um SIG é qualquer sistema de gestão de informação que pode:

• Adquirir, armazenar e recuperar informações baseadas em sua localização espacial;

• Identificar locais dentro de um ambiente alvo de acordo com um determinado critério;

• Explorar relações entre conjunto de dados dentro desse ambiente;

• Analisar dados relacionados espacialmente para auxílio na tomada de decisão sobre esse
ambiente;

• Facilitar a selecção e a passagem de dados para modelos de simulação capazes de avaliar o


impacto de alternativas no ambiente seleccionado;

• Mostrar o ambiente gráfico e analítico antes e depois de qualquer tipo de análise.

O que o SIG pode fazer

Como já foi referido, tudo está relacionado a um posicionamento físico, podendo este ser
relacionado entre si e responder a questões diversas. A seguir são listadas algumas das aplicações
de SIG mais comuns:

• Serviços públicos – bombeiros, polícia, saúde, trânsito e educação;

• Indústria e comércio – mineração, comunicações, logística, agricultura, marketing, etc.;

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• Meio-ambiente – monitorização;

• Economia – indicadores sociais, económicos e políticos;

• Cenários de crise – apoio à decisão em cenários de desastres (SDI – Spatial Data


Infrastructure, que serão mencionados mais à frente).

Quase todas as ciências produzem dados georreferenciados. Com o aumento do volume de


dados produzidos pela humanidade em todos os ramos da ciência, houve a necessidade de se poder
representar melhor as conclusões de qualquer estudo. Com um SIG, é possível reduzir milhares de
registos numéricos ou de texto num único mapa, facilitando dessa forma a melhor compreensão
das informações.

Os dados de um SIG

Há dois tipos de dados utilizados em SIG: os tabulares (dados ou metadados) e os gráficos. Os


primeiros estão em forma de base de dados e os segundos são, por vezes, a representação visual
dos dados tabulares sobre mapas. Os dados gráficos podem, por sua vez, serem subdivididos em
vectoriais e raster (imagens). Os vectoriais referem-se a linhas, pontos ou polígonos definidos em
coordenadas x, y, como já vimos, que permitem o posicionamento desses objectos num mapa para
representar entidades do mundo real.

Principais características de um SIG

As principais características de um SIG são a capacidade de armazenar, recuperar e analisar


mapas num ambiente computacional. Os SIG procuram simular a realidade do espaço geográfico.

Não se poderá comparar um SIG a uma aplicação CAD (Computer Aided Design), visto que uma
característica básica e geral num SIG é a sua capacidade de tratar as relações espaciais entre os
objectos geográficos (topologia) e de representar os dados espaciais em diversas projecções
cartográficas. Armazenar a topologia de um mapa é uma das características básicas que fazem um
SIG distinguir-se de um sistema CAD. Em grande parte das aplicações de CAD, os desenhos não
possuem atributos descritivos, mas apenas propriedades gráficas (como cor e espessura). Já em

32
[REVISÃO DA LITERATURA]

geo-processamento, os dados geográficos possuem atributos, o que torna possível consultar,


actualizar e manusear um banco de dados espaciais.

Numa visão abrangente, pode-se indicar que um SIG tem os seguintes componentes:

• Interface com o utilizador;

• Entrada e integração de dados;

• Funções de análise espacial (processamento gráfico e de imagens) e consulta espacial;

• Visualização e criação de cartas (impressão);

• Armazenamento e recuperação de dados (organizados sob a forma de um banco de


dados geográficos).

Estes componentes relacionam-se de forma hierárquica. No nível mais próximo do utilizador, a


interface homem-máquina define-se como sistema que é manobrado e controlado. No nível
intermediário, um SIG deve ter mecanismos de consulta e processamento de dados espaciais. No
nível mais interno do sistema, um sistema de gestão de bancos de dados geográficos oferece
armazenamento e recuperação dos dados espaciais e seus respectivos atributos.

2.2.3. Acesso a dados com dispositivos móveis

A rápida popularização dos dispositivos móveis (como, por exemplo, telemóveis, PDAs -
Personal Digital Assistants) veio estimular o desenvolvimento de novas aplicações para correr neste
tipo de dispositivos, podendo usar a Internet como meio de comunicação. Assim, poderemos
encontrar nestes dispositivos serviços que antigamente só se encontravam nos terminais fixos de
acesso à Internet (por exemplo, podemos ter acesso à nossa conta do gmail, sem termos que ir ao
browser e ao site do gmail concretamente). Uma possível explicação para o elevado crescimento na
utilização deste tipo de dispositivos será a facilidade que a tecnologia de comunicação sem fios e os
dispositivos móveis, de um modo geral, proporcionam no dia-a-dia, como por exemplo a
possibilidade de navegação na Internet, a visualização e edição de documentos de diversos tipos, ou
o envio e a recepção de mensagens, ou seja, o acesso a sistemas que disponibilizam informação, de

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um modo geral. Outra explicação poderá passar pelo baixo custo dos aparelhos e dos serviços de
acesso à Internet.
Para além disso, também as pessoas têm vindo cada vez mais a ter activamente acesso ao
conhecimento. Ou seja, informações armazenadas em grandes bases de dados passaram a poder
ser partilhadas através de redes de computadores e aplicações em computadores. O
desenvolvimento de interfaces específicos de acesso a estas bases de dados, através de dispositivos
móveis, e a computação ubíqua4, passam a ser de grande importância no momento em que essa
participação passa a ser feita de maneira universal. O possível acesso à informação, através de
dispositivos móveis, vem proporcionar facilidades que possibilitam aos utilizadores o acesso aos
dados com poucas ou nenhumas restrições de tempo e/ou lugar.
Existem diversas pessoas, que para as suas actividades profissionais, necessitam de ter acesso
constante a dados remotos para executar diversas operações. Através dos computadores portáteis
têm acesso aos dados de que necessitam, bem como a possibilidade de actualizar ou complementar
essas informações. Tudo isto, acedendo remotamente aos dados que se encontram na sede das
suas organizações. Outro exemplo de pessoas que necessitam de ter constante acesso aos dados
sempre actualizados é o dos investigadores que necessitam frequentemente de estar longe dos
seus laboratórios, por exemplo para a recolha de dados. Além disso, são pessoas que poderão viajar
com regularidade mas, mesmo assim, necessitam de ter acesso aos laboratórios para a actualização
dos dados.
A crescente necessidade de mobilidade faz com que cada vez mais o utilizador procure uma
forma prática de obter informações em qualquer lugar e a qualquer momento. As dificuldades de se
estar todo o tempo num local onde haja um meio fixo para se ter acesso à informação remota,
tornam promissora a tecnologia que integra a mobilidade de um micro dispositivo com acesso à
Internet e a outros tipos de informações.
As tecnologias de computação móvel encontram-se actualmente em franca evolução e parecem
destinadas a transformarem-se no novo paradigma dominante da computação actual e,
provavelmente, das gerações futuras (Myers & Beigl, 2003).

4
A ideia básica da computação ubíqua é que a computação se move para fora das estações de trabalho e
computadores pessoais e se torna pervasiva (implica que o computador está inserido no ambiente de forma
invisível para o utilizador) na nossa vida quotidiana. A computação ubíqua é uma área integradora de várias
competências: programação, engenharia de software, sistemas de informação, inteligência artificial, redes e
sistemas distribuídos.

34
[REVISÃO DA LITERATURA]

Conceitos gerais sobre computação móvel


A computação móvel refere-se à utilização de dispositivos de computação que não se
encontram ligados a um local específico, porque a sua posição (ou rede geográfica – conjunto de
localizações geográficas interconectadas entre si por meio de um certo número de ligações) muda
constantemente. Pode dizer-se que o conceito de computação móvel poderá advir dos sistemas de
arquivo e da necessidade de operações em modo desligado, nos finais dos anos 80. Com o rápido
crescimento das tecnologias móveis e com a relação custo-eficiência da implantação de redes sem
fios durante a década de 90, a meta da computação móvel era servir de apoio aos 3A (anytime,
anywhere and any-form), ou seja, dar acesso a qualquer hora, em qualquer lugar e de qualquer
forma aos dados pelos utilizadores a partir de dispositivos móveis (Satyanarayanan, 2001; Pitoura &
Chrysanthis, 2007).
Actualmente podemos identificar três principais tipos de dispositivos móveis: os telemóveis, os
PDAs e os computadores portáteis. Apesar de encontrarmos muitas características específicas em
cada um dos dispositivos, conseguimos traçar um perfil comum a todos, ou seja, todos eles são
portáteis, dispõem de uma autonomia própria, dispõem de diversos tipos de acesso a
comunicações, as suas dimensões são bastante mais reduzidas do que os tradicionais
computadores de secretária, etc. Além disso, podemos notar que gradualmente estão a ocorrer
convergências tecnológicas entre esses aparelhos. Isso leva-nos a crer que num futuro próximo
estes dispositivos se unam em grupo de aparelhos com características muito semelhantes (se
verificarmos, os PDAs de última geração combinam um computador com um telemóvel, possuindo
já bons índices de processamento e armazenamento).

Dispositivos móveis
As tecnologias de computação móvel e de rede sem fios têm evoluído muito rapidamente, de
forma que muitos destes dispositivos possuem hoje considerável capacidade de processamento, de
armazenamento e de comunicação (Barreto, 2008; Microsoft, 2008). As diversas tecnologias de
redes sem fios (wireless networks) que existem actualmente, tais como sistemas GSM, GPRS, Wi-Fi
e Bluetooth, permitem que os utilizadores possam ter acesso aos dados das organizações que
integram e a conteúdos da Internet de modo conveniente em qualquer lugar e a qualquer hora.

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Todas estas funcionalidades têm tornado estes dispositivos cada vez mais populares e utilizados por
diversos grupos de pessoas para os mais variados fins. A mobilidade é garantida através do
estabelecimento de uma conexão virtual a partir de qualquer localização geográfica, bastando para
isso estar sobre a cobertura de um tipo de rede suportado pelo dispositivo, contrariamente aos
computadores ou estações fixas que fazem parte de uma rede fixa, cuja localização e tipo de
conectividade não mudam.
Os dispositivos móveis estão dependentes da bateria, ou seja, a sua autonomia é uma das suas
fraquezas (quando comparados aos computadores fixos, que estão ligados à corrente
constantemente, e, por conseguinte a questão da autonomia não se lhes aplica)5, mas também
possuem outras restrições físicas, como por exemplo a capacidade de armazenamento (no que diz
respeito aos telemóveis e PDAs, quando comparados com os computadores fixos) e também têm
índices de processamento mais baixos do que os computadores fixos.
A natureza das suas propriedades de portabilidade (subentende-se os aparelhos que tenham a
característica de ser portátil, ou seja, que podem ser facilmente transportados, sejam pequenos,
leves e não dependam de uma fonte externa de energia), de mobilidade e de conectividade
introduz restrições aos sistemas e aplicações. Apesar da evolução natural da tecnologia, acredita-se
que as limitações dos dispositivos portáteis, como é o caso da bateria, do tamanho do ecrã, da
capacidade de processamento, da capacidade de armazenamento e da largura de banda da rede
móvel, permanecerão limitados, principalmente se comparados ao ambiente de rede fixa
(Satyanarayanan, 2001).

Mobilidade
Um dos principais objectivos da computação móvel é a mobilidade dos dispositivos móveis.
Devido às características intrínsecas dos dispositivos móveis, como é o caso da portabilidade e
modilidade, os seus utilizadores deixaram de ter uma computação fixa para ter uma computação
dinâmica, ou seja, podem estar em constante movimento e mesmo assim terem acesso a dados.
Mas, a mobilidade também introduz problemas e desafios não existentes nos ambientes fixos.
São exemplo disso, a velocidade de comunicação, as interferências nas comunicações provocadas

5
Só quando falta a corrente é que eles falham, mas mesmo assim se estes tiverem ligados a unidades UPS
(unidades de energia ininterrupta durante determinado tempo), eles poderão continuar a trabalhar até
esgotarfem a autonomia da UPS a que estão ligados.

36
[REVISÃO DA LITERATURA]

pelo meio ambiente, a localização do dispositivo móvel (dependendo do tipo de rede e nível de
cobertura) e a duração da bateria dos dispositivos.
Desta forma, as aplicações para dispositivos móveis devem ter estes problemas e desafios em
consideração, por exemplo, sendo concebidas de forma a minimizar o conteúdo a transmitir, já que
a velocidade de comunicação pode ser reduzida, possuindo algumas cópias dos dados no próprio
dispositivo, para evitar comunicações desnecessárias, usando grafismos mais adaptados aos
dispositivos, devido ao seu poder de processamento e de armazenamento, usando aplicações
desenvolvidas em linguagens que todos os telemóveis consigam lidar, como é o caso do Java, etc.

Portabilidade
Outro objectivo da computação móvel é a portabilidade dos dispositivos móveis. Estes
dispositivos têm, por norma, um volume e peso inferior ao dos computadores fixos. Mesmo entre
os dispositivos móveis existem diferenças consideráveis. Se compararmos os computadores
portáteis aos PDAs e telemóveis veremos que os últimos terão grande vantagem sobre o primeiro
em relação ao tamanho, à autonomia e ao peso. Mas já quando se compara o processamento, os
computadores portáteis têm bastante vantagem em relação aos outros.

Conectividade
Também a conectividade é um dos objectivos que distingue os dispositivos móveis.
Actualmente, todos eles se encontram apetrechados com diferentes tipos de comunicação: GPRS,
GSM, Wi-Fi, Bluetooth, infravermelhos, etc. Cada um destes tipos de rede tem as suas vantagens e
as suas desvantagens: devendo a escolha recair sobre aquele que mais se adapte às necessidades
de cada utilizador em cada situação.

Vantagens e desvantagens
Como já foi sendo descrito, podem-se considerar como vantagens dos dispositivos móveis: (1) a
mobilidade; (2) a portabilidade; (3) o preço e (4) a conectividade. Como desvantagens, podem-se
considerar, quando comparados com os computadores fixos: (1) o processamento; (2) o
armazenamento; e (3) a autonomia.

37
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Em forma de conclusão, poderemos considerar que em situações onde necessitemos de ter um


poder de processamento mais elevado e/ou uma grande quantidade de armazenamento, e onde as
características de autonomia, portabilidade e peso possuam factores menos importantes, os
computadores portáveis são a escolha acertada. Em ambientes onde sejam precisos dispositivos
com peso reduzido, com algum poder computacional (mas menor do que os computadores
portáveis nos oferecem), com alguma autonomia e que nos disponibilize diferentes tipos de
comunicação, a escolha recairá sobre o PDA. Mas se por outro lado necessitarmos de uma grande
autonomia, de uma boa portabilidade, de um peso reduzido e de diversos tipos de acesso a redes
de comunicação, a escolha recai sem dúvida sobre os telemóveis. Assim sendo, podemos dizer que
os telemóveis são aqueles que reúnem o maior número de boas características de mobilidade.

2.2.4. Infra-estruturas

2.2.4.1. Blogues

Em 1996, Maura Johnson, aquando da criação do site maura.com (Tepper, 2003), inclui nesse
site um local onde registava, com alguma regularidade, os acontecimentos e histórias da autora,
quando era estudante. Tanto quanto se sabe, foi o primeiro diário online, sendo o antecessor dos
actuais blogues. Mas o termo weblog (literalmente, “diário de bordo na Web”) foi concebido
apenas em 1997, por Jorn Barger, editor do blogue “Robot wisdom6” (Blood, 2000; Miura, 2007),
que o definiu como sendo uma página da Web onde ele colocava hiperligações para outras páginas
que ele encontrava e que achava interessantes (Blood, 2004; Burroughs, 2007). O blogue de Barger
tinha uma aparência diferente dos actuais e, ainda hoje, mantém a mesma interface de quando foi
criado. O termo weblog foi alterado por Peter Merholz, que por opção de design o decidiu colocar
no seu blogue como wee-blog. Isto levou a que o termo original weblog acabasse por ser encurtado
para o termo actual em língua inglesa blog (Miura, 2007), aportuguesado para blogue. Rebecca
Blood, pioneira no uso de blogues, relatou as suas experiências, explicando que, em 1999, os
blogues eram distintos, tanto em forma como conteúdo, das publicações periódicas que os
precederam (as e-zines e os journals) (Blood, 2004), dizendo ainda que eram rudimentares em
6
http://www.robotwisdom.com/.

38
[REVISÃO DA LITERATURA]

design e conteúdo, mas aqueles que os produziam achavam que estavam realizando algo
interessante e que decidiram ir em frente.

Nestas fases iniciais, não existiam aplicações próprias para a criação e manutenção de blogues.
Eram, nessa altura, programados de raiz. Mas muito rapidamente se percebeu que se tornavam
morosas as operações de manutenção dos blogues, verificando-se igualmente que,mesmo para os
leitores, conseguir acompanhar as secções lidas e por ler ou mesmo indicá-las a outras pessoas
seria complexo, pois estariam misturadas com o restante conteúdo da página. Os blogues só
começaram a ganhar notoriedade depois do lançamento das primeiras ferramentas para a criação
de blogues, como é o caso das lançadas pelo Pitas.com (Pitas, s.d.) ou pelo Blogger (Blogger, s.d.)
(Du & Wagner, 2006; Miura, 2007). Estas ferramentas apresentavam uma enorme facilidade para a
publicação de conteúdos e interfaces que privilegiavam a escrita espontânea, tendo sido
rapidamente adoptadas por centenas de pessoas (Blood, 2004). Ter conhecimentos tecnológicos
para fazer a manutenção das páginas na Web passou a não ser um requisito. Toda a estrutura
técnica era gerida pela empresa proprietária das ferramentas de criação e disponibilização, que
também oferecia a criação de blogues a custo zero, assim como outros valores associados: um item
num blogue possui um valor de produção irrisório quando comparado com o de um artigo nos
média. Esta adopção em massa e a não utilização dos links como o elemento central da forma,
causaram alguma controvérsia na comunidade original. Havia quem considerasse que os blogues
gerados pelas novas aplicações eram simplesmente boletins noticiosos e não verdadeiramente
blogues – pois na altura os blogues “verdadeiros” eram constituídos quase na totalidade por
afixação de links. Mas algumas pessoas achavam que com a selecção criteriosa e a justaposição de
links, os blogues se poderiam tornar uma nova e importante forma alternativa de média, agregando
informações oriundas de diversas fontes, revelando diferentes pontos de vista e, talvez,
influenciando a opinião em larga escala – uma visão que os vê como “média participativos” (Blood,
2004).

Mas a mensagem passou a modelar o meio. No início de 2000, o Blogger introduziu uma
inovação – o permalink, conhecido em português como a ligação permanente – que transformaria
o perfil dos blogues. Os permalinks garantiam a cada publicação num blogue uma localização
permanente (um URL permanente) que poderia ser referenciada noutros blogues (Tepper, 2003).
Anteriormente, a recuperação em arquivos de blogues só era garantida através da navegação livre

39
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

(ou cronológica). O permalink permitia então que os utilizadores dos blogues pudessem referenciar
publicações específicas em qualquer blogue. Em 2001, o trackback foi introduzido pela empresa
Movable Type. O trackback permitia que os utilizadores conseguissem fazer pings a outros blogues,
colocando uma ligação recíproca – um trackback – na entrada que eles tinham acabado de
referenciar (Blood, 2004). Com o aparecimento dos trackbacks, os utilizadores podem saber quais
os blogues que estão ligados àquele blogue e poderão aceder através do trackback a fóruns de
discussão de outros blogues. Estes poderiam, inclusive, construir listas dos blogues que tinham sido
recentemente actualizados e criar uma maneira centralizada onde os utilizadores poderiam
encontrar novos posts em tópicos de interesse (Tepper, 2003). De seguida, criaram-se programas de
comentários que foram agregados aos sistemas de publicação de blogues, pois ainda não ofereciam
tal capacidade. O processo de se comentar em blogues significou uma democratização da
publicação, consequentemente reduzindo as barreiras para que leitores se tornassem escritores.

A blogosfera, termo que representa o mundo dos blogues, ou os blogues como uma
comunidade ou rede social, cresceu em ritmo espantoso. Em 1999 o número de blogues era
estimado em menos de cinquenta; no final de 2000, a estimativa era de poucos milhares. Menos de
três anos depois, os números saltaram para algo em torno de 2,5 a 4 milhões. Actualmente existem
cerca de 70 milhões de blogues, sendo cerca de 120 mil criados diariamente com uma média de 1.4
blogues por segundo, de acordo com o estudo State of Blogosphere (SEO Space, s. d.). Este estudo
revela que a blogosfera aumentou em 100 vezes nos três últimos anos e que actualmente ela tende
a duplicar a cada seis meses que passa.

Originalmente, só o autor poderia mudar o conteúdo do próprio blogue; outras pessoas que os
consultassem eram simples leitores. Mas uma funcionalidade que surgiu foi a de módulos que
permitiam a inserção de comentários (novos posts7) no blogue, verificando-se que estes passaram a
permitir que os leitores também pudessem colocar informações, passando assim a serem co-
autores desses textos nos blogues (Meloni, 2005; Williams, 2008).

Foi com a introdução desta característica que os blogues, que inicialmente eram considerados
como ferramentas de groupware do tipo de partilha de informação, puderam ser elevados ao tipo
de ferramentas colaborativas. Mas é preciso ter em atenção que nem todos os blogues poderão ser

7
Posts, em português designa entrada, ou seja, uma nova entrada de informação.

40
[REVISÃO DA LITERATURA]

considerados de ferramentas colaborativas, só porque permitem inserção de posts. Estes novos


posts, têm que ter a capacidade de agregar ou introduzir nova informação à informação já
existente, devendo ter como finalidade o objectivo inicial da informação anterior. Quando
considerados como ferramentas do tipo colaborativo têm um papel muito importante no contexto
como as pessoas podem interagir e partilhar informação umas com as outras na Web (Kwai Fun IP
& Wagner, 2008; Williams, 2008; Ajjana, 2008).

Para muitos criadores de blogues, o que os levou a criar e a manter os seus blogues foi o factoi
de que isso provoca um bom exercício de coordenação entre o pensamento e a escrita. A quase
“obrigação” de escreverem leva a que sejam também “obrigados” a pensar, leva a que se treine,
tanto o pensamento, como a escrita, mas também o elo de ligação entre os dois, resultando que
pensar e escrever acabam por ser como sinónimos. (Nardi et al., 2004a, 2004b).

Os blogues revolucionaram a ideia de expressão individual, ao permitirem que cada pessoa


possa ter presença e voz na Web (Meloni, 2005). Ao usarmos um blogue é como se tivéssemos a
enviar uma mensagem instantânea para toda a Web: permite-nos escrever sempre que tivermos
vontade e qualquer pessoa que visite o blogue tem acesso ao que nós escrevemos, podendo caso
seja permitido, colocar comentários no blogue (Ajjana, 2008).

Definição e actualidade

Tendo em consideração a evolução história que se acabou de descrever, pode-se considerar


que na actualidade um blogue se define como um registo publicado na Internet, relativo a algum
assunto, organizado de uma forma cronológica (Hall & Davison, 2007; Kent, 2008), como se se
tratasse de um diário – o que até é uma das finalidades para a qual grande parte dos blogues é
criada actualmente (Beldarrain, 2006). Podem conter opiniões, emoções, factos, imagens, etc., em
resumo, eles poderão conter tudo o que o seu criador entender. Uma das vantagens dos blogues é
permitir que os utilizadores publiquem o seu conteúdo sem a necessidade de saber como são
construídas as tradicionais páginas na Web, ou seja, sem qualquer tipo de conhecimento técnico
especializado.

Podemos encontrar diversos tipos de blogues. A maioria continua a ser de carácter pessoal,
onde as pessoas exprimem as suas ideias ou sentimentos, o que leva a que os blogues sejam

41
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

referenciados como sendo muito subjectivos (Wijnia, 2004), e os quais esperam ter uma pequena
audiência que de outra maneira não teriam (Nardi et al., 2004a, 2004b; Miura, 2007). Mas também
encontramos blogues que são resultado da colaboração de um grupo de pessoas que se “organizam
entre si” com o intuito de actualizar um mesmo blogue (designados por fóruns de comunidade)
(Nardi et al., 2004a, 2004b). Existem blogues para pura diversão, mas também há aqueles que são
mais técnicos e estão vocacionados para as comunidades de profissionais, podendo ser de partilha
de conhecimento científico (Kent, 2008), de carácter político (Burroughs, 2007), educativo
(Beldarrain, 2006; Kerawalla, 2008), entre outros.

A diferença fundamental entre um blogue e uma página Web pessoal reside no facto de que
para se criar, manter e personalizar um blogue não são necessários quaisquer conhecimentos de
HTML – o utilizador só necessita de se registar num serviço de alojamento, criar um blogue e,
passado algum tempo, começar a escrever. A plataforma de blogues escolhida pelo utilizador é que
cria o seu blogue e trata de automaticamente gerar e publicar uma página Web que será o rosto do
blogue. Este é actualizado cada vez que o autor insere um novo post (inserção de nova informação)
no seu blogue.

Mas ninguém sabe explicar ao certo o porquê da popularidade dos blogues, que leva a que 50
milhões de pessoas actualizem constantemente os seus blogues (Hall & Davison, 2007). Certos
autores defendem que a popularidade desta ferramenta se deve à disponibilização de aplicações
para a criação de blogues gratuitas, como as já referidas Blogger e MoveableType (Weller et al.,
2005); outros defendem que terá sido o incentivo que tem vindo a ser dado para que os blogues
sejam empregues como apoio à educação, onde a constante insistência por parte de autores de
ciências da educação para que os professores incentivem os alunos a criar e manter blogues,
incentivando-os a treinar a actividade de coordenação entre o pensamento e a escrita, e ao mesmo
tempo aperfeiçoando a técnica de escrita ao fazê-lo para um público leitor (Nardi et al., 2004a;
Weller et al., 2005; Walker, 2005; Beldarrain, 2006; Hall & Davison, 2007; Hargardon, 2007).
Também são de grande importância quando aplicados para servir de apoio na educação à distância
(Beldarrain, 2006; Kerawalla, 2008). Por fim, também há autores que defendem que, os blogues são
ferramentas perfeitas para as organizações que querem ter uma expressão na Web muito grande,
afirmando que esta tem sido a principal razão para o seu crescimento tão rápido (Du & Wagner,
2006).

42
[REVISÃO DA LITERATURA]

A nosso ver todos os pontos anteriores tiveram e ainda continuam a ter um forte contributo
para a expansão tão rápida que esta ferramenta tem vindo a ter.

Pode-se dizer que as ferramentas colaborativas, como os blogues, criam um loop de feedback
que lhes é próprio, ou seja, ao se estarem a construir ferramentas colaborativas que permitam às
pessoas que se juntem em comunidades e que possam conviver com as ideias umas das outras, está
a construir-se fortemente para que novas ideias e novas ferramentas comecem a circular, as quais,
por sua vez, contribuirão para que haja maior colaboração, cooperação e conversação entre
pessoas na Web, levando então a um loop constante.

2.2.4.2. Servidores de mapas

O conceito de disponibilizar mapas referenciados, já não é novo. O aparecimento dos SIG levou
à aquisição e manipulação de mapas digitais. Mapas analógicos foram sendo convertidos para
digitais e grandes projectos utilizando mapas digitais foram surgindo.

Numa primeira fase começaram por aparecer os mapas não referenciados, sendo simples
imagens fixas que não continham qualquer tipo de informação geoespacial agregada. Isto devia-se
sobretudo porque no início da Internet o tipo de documento que fluía predominantemente era do
tipo de texto e, eventualmente, imagem. De facto, além da possibilidade de navegação usando
hipertexto, os primeiros navegadores Web – os hoje omnipresentes browsers – permitiam apenas a
apresentação de imagens simples, em formato GIF (Graphics Interchange Format) ou JPEG (Joint
Photographic Group) estáticas. O protocolo HTTP (HyperText Transfer Protocol) e a linguagem HTML
(HyperText Markup Language), base do funcionamento da Web, permitiam a elaboração, o
preenchimento online e o envio do conteúdo de formulários de cliente para servidor, provendo
assim alguma interactividade, embora bem mais limitada do que nos recursos usualmente
encontrados em aplicações gráficas convencionais.

Até há pouco tempo atrás, a velocidade de transmissão de dados entre computadores e,


consequentemente, a transmissão de dados na Internet era bastante baixa. Os próprios
computadores apresentavam fracas capacidades de processamento e muitos nem tinham unidades
de armazenamento como hoje as conhecemos, e os que tinham eram muito pequenas. Estes

43
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

aspectos restringiam em muito o fluxo de imagens, por serem arquivos mais pesados do que os de
texto.

O fluxo de imagens cresceu à medida que a velocidade de transmissão aumentou, resultante do


aparecimento de computadores mais rápidos e com a redução de preço dos dispositivos de
armazenamento. A restrição na transferência de imagens estava, e poder-se-á dizer que continua a
estar, ligada ao seu formato matricial que requer grande área de armazenamento. Como vantagem,
o armazenamento requer algoritmos simples para manipulá-lo. Armazenamento no formato
vectorial é uma solução, mas a sua manipulação não é trivial.

No início não houve nenhuma iniciativa para manipular dados geoespaciais, ou seja, dados
georreferenciados. Deveu-se sobretudo aos algoritmos necessários para tratar dados
georreferenciados de mapas que eram extremamente complexos e as linguagens de programação,
na altura, para desenvolver aplicações para a Web ainda estavam no início. Com o amadurecido
destas linguagens, como é o caso do Java, Javascript, C, C++, PHP, Delphi – para desenvolver
componentes CGI (Common Gateway Interface) – começaram a aparecer as primeiras tentativas
para disponibilizar mapas topológicos8 na Internet.

Entretanto, novas ferramentas foram criadas, geralmente conhecidas por SIG ou do inglês GIS
(Geographic Information Systems), mas ostentando preços bastante elevados. Com o tempo, houve
a necessidade de compartilhar estes projectos na Internet para que diversos utilizadores pudessem
ter acesso e para que não fosse restrito apenas a utilizadores de uma determinada rede local
(intranet), o que era o máximo permitido por um SIG. Mas só recentemente é que a maioria dos
principais fornecedores de software para SIG dispõe de alternativas para acesso a dados geográficos
através da Web. Apesar desta forte tendência, constata-se uma grande variedade de estilos de
implementação, recursos tecnológicos e arquitecturas internas das soluções, cada qual reflectindo
um conjunto de preocupações e voltada para um segmento de aplicação mais ou menos específico.

Mas a fraca utilização dos SIG dever-se-á sobretudo à dificuldade na sua implementação e no
seu uso, aos preços praticados e, também, ao facto de que a maioria das fontes de dados espaciais
(ver tópico 2.2.2.1) continuar a estar em poder de algumas autoridades, ou seja, muita da
informação geoespacial, continua a ser propriedade de algumas entidades, como é o caso dos

8
Um mapa topológico é um conjunto de lugares e dos vértices que os ligam.

44
[REVISÃO DA LITERATURA]

mapas georreferenciados, onde só existem duas ou três entidades que possuem este tipo de mapas
(Chang et al., 2006). Por exemplo, os mapas que o Google Maps utiliza, não são propriedade dele,
são alugados a outra entidade, por isso mesmo é que não é permitido descarregar partes desses
mapas a partr do Google Maps. Isso também se aplica à grande parte da informação referenciada,
considerada relevante, que circula na Internet.

Devido à popularidade da Internet e à necessidade de se disseminar e manipular informações


espaciais, em determinado domínios, um novo tipo de aplicações apareceram, designadas de Web
GIS (Di Martino et al., 2007). Estas ferramentas, que cada vez são mais fáceis de usar, encontram-se
amplamente disponíveis na Web e nalguns casos, são de utilização gratuita, como é o caso do
Google Maps, e do Yahoo Local Maps, entre outros, originando uma rápida disseminação de
informação geoespacial entre uma comunidade online.

Também a criação da GML (Geographic Markup Language) e do SVG (Scalable Vector Graphics)
ajudaram na adopção dos SIG pela comunidade internauta (Chang et al., 2006; Lembo et al., 2007).
Porque, sendo a GML baseada em XML, ela codifica dados geoespaciais que podem ser processados
por qualquer uma das actuais ferramentas de tratamento de XML. Também o SVG é baseado em
XML. Esta é uma espécie linguagem descritiva para desenhos bi-dimensionais escaláveis. Além
disso, muitas das ferramentas que suportam GML e SVG são aplicações de open source, logo podem
ser alterados conforme as necessidades, para assim se poder adaptar às necessidades das páginas
Web com os dados.

Quando o Google Maps surgiu, foi publicado no jornal New York Times um comentário que
referia: "Isto é como na década de 90, quando todos criavam tudo na Web" (Chang et al., 2006). A
utilização da informação geoespacial na Web espalhou-se rapidamente. Isto deveu-se sobretudo ao
aparecimento de novas normas, tais como o WMS (Web Mapping Servers) e o WFS (Web Feature
Servers), desenvolvidas pelo OpenGIS Consortium (OGC, 2008), que permitiram a implementação e
utilização deste tipo de sistemas de uma forma mais fácil. É comum encontrar páginas pessoais
ligadas a coordenadas no Google Maps para dar um sentido de realidade para o visitante (Chang et
al., 2007).

Várias arquitecturas para Internet baseadas em SIG foram desenvolvidas (Alameh, 2001; Lembo
et al., 2007). Estas arquitecturas podem ser divididas em quatro tipos distintos: (1) publicação de
mapas estáticos, é a forma mais básica que existe para disseminação de dados geográficos na Web.

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Apesar de a interactividade ser nula, é possível produzir e manter disponíveis, para consulta e
referência histórica, grandes conjuntos de mapas temáticos; (2) disponibilização de mapas
estáticos na Web, são solicitadas informações quanto à região geográfica de interesse, à
composição do mapa (camadas que deveriam aparecer) e mesmo alguns elementos de composição
visual (cores, espessura de linhas ou preferências de preenchimento). Quando o utilizador termina
o preenchimento desse formulário, as informações são transmitidas a um servidor, que recupera os
dados necessários e converte o mapa final para um formato de imagem, por exemplo GIF ou JPEG.
Esta imagem é então inserida numa página Web, criada dinamicamente, e transmitida para o
utilizador; (3) disponibilização de mapas interactivos na Web, por exemplo, mapas onde o
utilizador deve marcar, com o rato, a área que pretende, gerando uma navegação para outro mapa
ou imagem mais detalhado, ou então, seleccionar ícones periféricos à imagem para que desse
modo possa navegar para regiões adjacentes, mantendo a escala de visualização; (4) serviços de
SIG distribuídos, aqui o utilizador não necessita de escolher, à partida, quais os parâmetros de
entrada que pretende, porque o mapa é logo representado no início. Só depois é que o utilizador
poderá escolher os vários níveis de informação que pretende visualizar, sendo isso feito através da
activação e desactivação das camadas do mapa, onde o sistema, através das escolhas do utilizador,
vai indo buscar as informações necessárias aos diversos servidores (mapas e as informações
temáticas). (Peng & Ming, 2003; Lembo et al., 2007). Contudo, a maior parte destes sistemas
consiste numa ligação entre conteúdo local na Web e uma interface de mapas (Tezuka et al., 2006).
Estes sistemas tendem a ser uma extensão de um sistema típico de SIG numa plataforma composta
por vários componentes/serviços que funcionam numa arquitectura cliente-servidor (Alameh, 2001;
Lembo et al., 2007; Tezuka et al., 2006).

Actualmente, podemos encontrar dois grandes grupos de fornecimento de mapas na web: (1)
sistemas de fornecimento de mapas referenciados públicos, como são o caso do Google Maps e do
Yahoo Local Maps (Yahoo, Inc., 2008); (2) e sistemas de fornecimento de mapas referenciados
comerciais, como são o caso do ESRI (ESRI, 2008) e o USGS (USGS, 2008), que são dois dos maiores
fornecedores de mapas comerciais do mundo.

Verifica-se que este fenómeno, o uso expansivo de SIG’s, está a alargar-se às “tradicionais”
ferramentas colaborativas. Um bom exemplo disso é o Wikimapia (Wikimedia Foundation, Inc.,
s.d.), onde qualquer pessoa em qualquer parte do mundo pode inserir informação associada a

46
[REVISÃO DA LITERATURA]

locais específicos no mundo, ou seja, georreferenciar informação em um determinado local. Outro


exemplo é o caso do HealthMap (Clark Freifeld & John Brownstein, 2007), sendo este um wiki que
disponibiliza informação especializada relativa a alertas sobre saúde a nível mundial, por exemplo
surto de malária ou outro tipo de informações relativas à saúde, que pode ser encontrada e
visualizada directamente no Google Maps, tendo sido implementado por uma API (Application
Program Interface) no wiki. Os wikis que implementam as API de servidores de mapas, designam-se
por mashups9, disponibilizando numa página ferramentas de terceiros a partir de API específicas. O
Wikimapia e o HealthMap são mashups do Google Maps que implementam a API do Google Maps.
Mas existem outros tipos de serviços, como é o caso do Ba-log e do WorldKit, que assinalam as
posições dos blogues directamente num mapa (Tezuka et al., 2006): o WorldKit é um sistema que
permite a criação de mapas com blogues na Web e o sistema Ba-log permite aos utilizadores fazer
upload de imagens e informações a partir do telemóvel para um blogue, através do uso da câmara
do telemóvel e de um sistema de GPS conectado ao dispositivo. É necessário não cometer o erro de
designar como SIG, sistemas de GPS, uma vez que estes são sistemas diferentes (ver secção 2.2.2.4,
onde se fala do GPS).

2.2.4.3. Sistemas de informação georreferenciada com trabalho colaborativo em


dispositivos móveis

Integração de SIG com trabalho colaborativo

A integração das plataformas de SIG com as plataformas de trabalho colaborativo é designada,


por muitos autores, como geocolaboração (MacEachren & Brewer, 2004; Cai, 2005; MacEachren et
al., 2006; Wolfe et al., 2008; Mecella et al., 2008). Ou seja, é um tipo especial de actividades
colaborativas que envolvem um esforço, por parte de duas ou mais pessoas, para desempenhar
uma determinada tarefa que use informação geoespacial (Cai, 2005; Krek & Bortenschlager, 2006).
Para outros, o termo “geocolaboração” refere-se a um grupo de pessoas que trabalham em
conjunto, colaborativamente, para resolver problemas de carácter geográfico e que utilizam
tecnologias com base em informação geoespacial (MacEachren, 2005; MacEachren et al., 2006a,

9
Um mashup é uma página web ou uma aplicação web que usa conteúdo de mais de uma fonte para criar um
novo serviço completo. O conteúdo usado em mashups é tipicamente código de terceiros, usando uma interface
pública ou usando uma API.

47
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

2006b; Mecella et al., 2008). Em ambas as definições, compreende-se que se trata de uma
colaboração entre diversos indivíduos e que estes, por sua vez, utilizam dados geoespaciais para
resolver problemas geográficos (locais georreferenciados).

Também podemos encontrar na literatura um outro conceito que está inerente à utilização de
dados geoespaciais, colaboração (neste conceito é muito vulgar usar o termo participação em vez
de colaboração) e cooperação entre pessoas, que se designa de PPGIS (Public Participation
Geographic Information Systems) (Haklay & Tobón, 2003; Schlossberg & Shuford, 2005; Sieber,
2006; Rinner, 2006). Segundo Haklay (Haklay & Tobón, 2003), o PPGIS é uma área de investigação
que, entre outras coisas, tem uma maior incidência sobre a utilização de ferramentas de SIG por
utilizadores ocasionais e não especializados em SIG. Os PPGIS permitem a geocolaboração no
âmbito da participação das pessoas em processos democráticos, como é por exemplo a votação
electrónica (Krek & Bortenschlager, 2006). Assim, estes sistemas tendem a ter um leque muito
diversificado de utilizadores, nomeadamente, ao nível de diferentes conhecimentos informáticos,
de diferentes visões sobre o mundo, de diferentes origens culturais e de diferentes tipos de
conhecimento (Haklay & Tobón, 2003). Assim sendo, os sistemas utilizados, no âmbito dos PPGIS,
têm que ser sistemas acessíveis e fáceis de usar.

Contudo, a grande expansão da integração destas duas tecnologias deve-se sem dúvida ao
aparecimento massivo de wikis e de blogues na Web e ao acesso facilitado a plataformas que
disponibilizam mapas georreferenciados de forma gratuita, como é o caso do Google Maps. Assim,
a integração destas duas tecnologias surge de uma forma natural, visto que a maioria dos
servidores públicos de mapas disponibilizam API próprias, facilitando o acesso e proporcionando,
ainda, a possível inclusão do próprio mapa no site do utilizador. Um dos exemplos mais conhecidos
será, sem dúvida, o do Wikimapia. Este site é um wiki que oferece uma interface que implementa a
API do Google Maps e onde qualquer pessoa pode procurar, adicionar e modificar a informação
agregada a uma localização específica. Este projecto é em muito semelhante ao projecto da
Wikipedia, mas ao invés de fornecer conceitos e definições, trabalha com informação
georreferenciada, ou seja, com informação com coordenadas de um determinado local. O Google
Maps ainda nos dá a hipótese de acedermos a artigos da Wikipedia, sobre determinado local, caso
estes existam. Existe, portanto, uma interligação entre estes dois serviços.

48
[REVISÃO DA LITERATURA]

Podemos encontrar vários outros exemplos que implementam a mesma ideia (integrar mapas
com ferramentas colaborativas), como é o caso do OpenStreetMap10 (OpenStreetMap, s.d.). Outro
exemplo de como a integração destas duas tecnologias poderá desempenhar um papel muito
importante é o do Scipionus (CondéNet, 2008). Este site foi usado após a passagem do furacão
Katrina, constituindo-se como um local onde as pessoas poderiam fornecer informações que
tinham sobre algumas das áreas atingidas e onde também poderiam consultar ou acrescentar novas
informações sobre familiares, amigos ou colegas desaparecidos. Experiências como a do Katrina
vieram provar que a integração entre informação geoespacial e ferramentas colaborativas poderá
ter um papel bastante importante e ajudar ao nível da decisão, quando utilizadas como apoio a
sistemas de catástrofes, como foi no caso do Katrina (Church, 2002; Palen, L. & Liu, 2007).

Integração de SIG com dispositivos móveis

Neste segmento, possivelmente as ferramentas mais conhecidas são os sistemas de navegação


por GPS (Global Positioning System), muito usadas em todo o mundo. Apesar de o seu uso ser
muito comum, este tipo de ferramentas não permite qualquer tipo de acção colaborativa, pelo
menos bidirecional, porque apesar de podermos descarregar da Internet novos POIs (Point Of
Interest) criados por outros utilizadores e os podermos colocar nos dispositivos, isso dá-nos no
máximo um grau de colaboração unidirecional, ou seja, no momento em que usamos o dispositivo
só podemos consultar, não podemos partilhar os nossos POIs com os outros. Como o que interessa
nesta dissertação é a colaboração bilateral, logo torna-se irrelevante a sua discussão nesta
dissertação.

A possibilidade de se usar dados geoespaciais obtidos a partir do terreno é muito relevante


para aumentar a qualidade das informações recolhidas (Christensen, 2001; Nusser et al., 2003). As
ferramentas que se encontram actualmente disponíveis nesta área têm diversas limitações,
principalmente no que diz respeito à manipulação de dados geoespaciais (Nusser et al., 2003).
Novas aplicações para dispositivos móveis são necessárias, caso se pretenda utilizar estas funções
específicas.

10
OpenStreetMap é um mapa de todo o mundo que pode ser editado e que permite a inclusão de informação
georreferenciada. Ele permite visualizar, editar e utilizar dados geográficos de uma maneira colaborativa a partir
de qualquer lugar da Terra.

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A utilização de dispositivos móveis para aceder a informação geoespacial (como é o exemplo da


aplicação GoogleMaps Mobile) veio disponibilizar um novo conjunto de serviços para os utilizadores
(Tezuka et al., 2006). Outros exemplos da integração entre mapas e os dispositivos móveis são o
PDPal, uma aplicação para o PDA Palm para trabalhar com anotações geoespaciais, e o Yellow
Arrow, que combina marcas físicas (referenciadas) com a informação sobre elas (Bleecker, 2006).

Os dispositivos móveis podem ser usados, e na realidade estão a ser usados, em certas
situações para recuperar informações do terreno e para adicionar os dados a mapas, permitindo,
assim, uma melhor compreensão do local e da situação no seu global. É o caso do ProMed-mail,
uma aplicação para ajudar na pesquisa e distribuição de informação acerca de doenças humanas,
animais e de plantas de todo o mundo, de forma muito rápida (Madoff & Woodall, 2005). O uso
desta aplicação está a mudar a maneira como muitas organizações respondem a certas situações
imprevisíveis, fundamentalmente devido à habilidade de que a plataforma tem em recolher e
distribuir dados de forma muito simples (Madoff & Woodall, 2005).

Integração de trabalho colaborativo e dispositivos móveis

Os dispositivos móveis têm características específicas que fazem deles uma boa escolha como
plataforma de colaboração. Para além de poderem criar conteúdos com vídeo, imagem e texto, têm
uma capacidade de se poderem ligar à Internet de quase qualquer sítio, o que leva a que, caso seja
necessário, estejam 24 horas x 7 dias, disponível. Estas características, aliadas à portabilidade e
autonomia, tornam esta tecnologia como uma boa ferramenta para ser utilizada em trabalho
colaborativo (Beale, 2005).

Com a proliferação de telemóveis com câmara fotográfica, o que pode ser considerada uma
característica importante, é possível registar o momento e fazer o upload dessa mesma fotografia,
num acto único e contínuo. Essas fotografias poderão ser partilhadas e comentadas em blogues
específicos.

Actualmente, os dispositivos móveis têm tido uma grande expansão no que diz respeito às
características e funções iniciais destes dispositivos. Eles serviam basicamente para serem usados
em comunicações. Mas com o aparecimento de novas ou renovadas características, tais como
máquinas fotográficas, Internet mais rápida e, mais recentemente, com a inclusão de GPS, os

50
[REVISÃO DA LITERATURA]

dispositivos móveis podem se tornar em ferramentas para serem usadas no apoio ao trabalho
colaborativo.

Aplicações de acesso a blogues, para dispositivos móveis, poderá ser o melhor e mais rápido
atalho entre o utilizador e o seu blogue na Web (Beale, 2006). A aplicação do dispositivo móvel
poderá comunicar com o servidor através de mensagens de texto ou multimédia. Estas, quando
recebidas no servidor, sofrerão as transformações necessárias para colocar os SMS e os MMS, como
posts nos respectivos blogues.

Pode-se dizer que o software social para dispositivos móveis permite a criação e manutenção
de formações sociais e a circulação da cultura subjacente aos indivíduos que compõem essas
formações, através do uso das redes de comunicações móveis, terminais e dispositivos (Bleecker,
2006).

É muito frequente encontrar na Web plataformas que oferecem serviços específicos para esse
fim. Estes são, geralmente, conhecidos como photo blogging ou moblogging, que permitem que os
utilizadores tirem fotografias com os seus telemóveis e depois façam o upload das mesmas para
sites ou blogues específicos que poderão, posteriormente, ser comentadas por outros utilizadores.
Existe uma grande variedade deste tipo de aplicações neste segmento, tais como o MobShare, o
Kodak Mobile, o Photos to Friends, o Buzznet, o Nokia Lifelog (Jacucci et al., 2005), o SmartBlog
(Beale, 2006), o Moblogging (MobBlogging,org, s.d), o Moblog (Moblog, 2008), entre muitos outros.

Talvez o site de partilha de fotografias, actualmente, mais conhecido seja o Flickr (Yahoo, Inc.
2008), embora este, ao contrário dos que anteriormente foram referidos, não permita o upload de
fotografias directamente a partir do telemóvel, pelo menos por enquanto (Jacucci et al., 2005;
Kolbitsch et al., 2006). O Flickr trouxe um novo conceito à partilha de imagens, possibilitando a
criação de novas anotações (tags) para serem agregadas nas imagens. O Filckr deduz o seu
conhecimento a partir das etiquetas introduzidas pelos utilizadores no sistema, levando à criação
de uma folksonomia, um grupo de inteligência derivada por associação (Weiss, 2005).

Existem aplicações para dispositivos móveis que não são unicamente orientadas para a partilha
de vídeo ou imagem, como é o caso do SharedSpace (Beale, 2005), uma aplicação de peer-to-peer,
onde cada telemóvel é um nodo, fazendo parte integrante de uma rede de partilha. Outros

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

exemplos são: Twitchr (Twitchr, s.d.), AreYouHere (Trenkov, 2006), Insectopia (Peitz et al., 2007),
Jabber (Jabber, s.d.), Dodgeball (Dodgeball, s.d.), entre muitos outros.

Em suma, as aplicações que temos actualmente ao dispor permitem-nos fazer o upload de


fotografias e/ou vídeos tirados a partir das câmaras dos telemóveis para blogues específicos, onde
posteriormente outras pessoas poderão aceder (ao blogue, via computador) e comentar as imagens
caso queiram. Também existem aplicações que permitem que os telemóveis funcionem como
nodos de uma rede de partilha.

Integração de SIG, trabalho colaborativo e dispositivos móveis

Actualmente, nesta área, existem muito poucas ferramentas para dispositivos móveis que
permitam, simultaneamente, que aplicações de mapas ofereçam também a possibilidade de poder
executar tarefas colaborativas, que não só acedama dados mas também possam fornecer dados a
partir do local. E as que existem, são para investigação. É neste segmento que entra a plataforma de
Gens et al. (2007).

São exemplos deste tipo de plataformas o PDPal e o Yellow Arrow (Bleecker, 2006). Na
plataforma PDPal, a partilha de informação está resumida unicamente a comunicações por infra-
vermelhos. Esta faz-se com outros dispositivos a correr a mesma aplicação (Bleecker, 2006). No
Yellow Arrow são colocadas marcas amarelas em forma de seta, como as sticks amarelos da 3M,
dando a perceber a analogia que existe entre o nome e a acção praticada. Em determinados locais,
as marcas são identificadas com um número de série único. Poder-se-á aceder às informações
agregadas aos locais assinalados com Yellow Arrows stickers através da Web ou da aplicação nos
dispositivos móveis (Bleecker, 2006).

Mas onde se tem verificado mais progressos na integração destas três tecnologias é em
plataformas de apoio a situações de crise e gestão de catástrofes, normalmente designados por SDI
(Spatial Data Infrastructure) (Turoff, 2002; Pabón, 2002; Cay et al., 2004; Yuan & Deltor, 2005;
Mansourian, et al., 2006; Tang & Selwood, 2006; Rinner, 2008). Apesar de este termo ser
relativamente novo, o conceito já existe a algum tempo, referindo-se à ligação das diferentes
tecnologias associadas a dados espaciais para respostas rápidas e efectivas em cenários de crise. Na
literatura podemos encontrar algumas referências a plataformas deste tipo, bem como à descrição

52
[REVISÃO DA LITERATURA]

do funcionamento delas. Algumas já se encontram implementadas, outras são projectos de


investigação. A maioria destas plataformas, lidam com a recolha e manutenção de dados
geoespaciais usando dispositivos móveis, embora também haja aquelas que trabalham com dados
geoespaciais ligados a sistemas de realidade virtual e/ou realidade aumentada, no próprio terreno
(Nusser et al., 2003; Qi et al., 2004; MacEachren & Brewer, 2004; Ott et al., 2006).

Dos SDI, talvez o sistema mais documentado e citado na literatura seja o sistema implementado
em EOC (Emergency Operation Centers), e desenvolvido por MacEachren e seus colaboradores (Cay
et al., 2004a; Cay et al., 2004b; Cay 2005; MacEachren et al., 2006a, 2006b).

Um EOC é uma central de comando e um mecanismo de controlo responsável por levar a cabo
a realização dos princípios de preparação para a gestão de emergências no caso de calamidades, ao
nível de estratégia numa situação de emergência, garantindo a continuidade do funcionamento de
uma empresa, subdivisão política ou outro tipo de organização.

Um EOC é responsável pela visão estratégica, ou "apanhado geral" da catástrofe, e


normalmente não controla directamente as acções no terreno. Em contrapartida efectua tomadas
de decisões operacionais, deixando as decisões tácticas para as cadeias de comando mais baixas. As
funções comuns entre todos os sistemas EOC são recolher, reunir e analisar dados, tomar decisões
que protegem a vida e a propriedade, manter a continuidade da organização no âmbito das leis
aplicáveis, e divulgar essas decisões a todas as agências interessadas e particulares. Na maior parte
dos EOC existe uma pessoa responsável, a qual se designa por Gestor de Emergência.

A plaforma de Gens et al. (2007), na sua vertente generalista, tem como base as três
tecnologias descritas anteriormente: dispositivos móveis, servidores de mapas e servidores de
dados (wikis ou blogues). Ela foi designada pelos seus autores como MobMaps. Permite que
qualquer pessoa que tenha a aplicação instalada no telemóvel, possa aceder a dados
georreferenciados sobre determinado local, e possa, caso entenda, acrescentar nova informação
àquela já existente ou criar nova informação georreferenciada sobre outro local. A plataforma
premite ainda trabalhar com diversos tipos de servidores de dados e mapas. Estas e outras
características estão descritas mais detalhadamente no Capítulo 3.

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54
[PLATAFORMA MOBMAPS]

Plataforma MobMaps
3
Neste capítulo vai ser apresentada a plataforma MobMaps. De seguida, serão também
apresentadas as tecnologias que integram a plataforma bem como o papel que, cada uma,
desempenha na plataforma.

3.1. Considerações gerais sobre a plataforma MobMaps


A plataforma MobMaps (Gens et al., 2007) foi desenvolvida no âmbito de um projecto de
investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Após uma análise mais profunda de
diversos cenários, chegou-se à conclusão que existia uma grande lacuna no que diz respeito a
aplicações que pudessem ser utilizadas na recolha e manutenção de informação por indivíduos que
estivessem a trabalhar no terreno, ou seja, em constante movimento, e que essa informação

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pudesse ser automaticamente disponibilizada online para que qualquer pessoa, em qualquer parte
do mundo, pudesse ter acesso a ela.

Figura 2 – Diagrama de implementação da plataforma MobMaps genérica (original).

Como foram estudados diversos cenários, foi determinado que o desenvolvimento da


plataforma teria que ser o mais genérica possível, com o intuito que ela pudesse ser facilmente
adaptada a um novo cenário, sem ser necessário fazer modificações profundas na orgânica e/ou no
código.

Na Figura 2, podemos ver o diagrama esquemático da plataforma MobMaps. A aplicação para


dispositivos móveis encontra-se instalada no dispositivo móvel (elemento 1 da figura), sendo esta
aplicação que serve de interface entre o utilizador e a plataforma, de uma forma muito geral.

56
[PLATAFORMA MOBMAPS]

O elemento 2 da figura é a camada aplicacional. É nesta camada que é feita a maior parte do
processamento de toda a plataforma. É aqui que recebe os pedidos feitos pelos dispositivos móveis
e, dependendo do tipo de informação recebido, é seleccionado o módulo de in/out respectivo, para
fazer a ligação apropriada ao servidor em questão. Estes servidores poderão ser servidores de
mapas e/ou servidores de dados. Após receber a informação dos servidores, mais uma vez a
informação é processada pela camada aplicacional. São aplicadas transformações sobre a
informação recebida, para que dessa forma a informação que irá ser transmitida para o dispositivo
móvel esteja conforme. Isto também incluí a filtragem da informação que constará na resposta para
o dispositivo móvel. Na resposta consistirá só informação relevante, que tenha sido pedida e
segundo as especificações recebidas do dispositivo móvel, sendo toda a outra informação filtrada e
retirada. Este procedimento leva a que haja um melhor aproveitamento e rapidez nas
comunicações entre o dispositivo móvel e a camada aplicacional. O elemento 3 da figura representa
os módulos de in/ou (entrada/saída). Estes módulos incluem os procedimentos específicos para
estabelecer a ligação a cada um dos servidores. Funcionam como uma espécie de API especifica
para determinado servidor. A quantidade de módulos que poderão existir dependerá directamente
da quantidade de servidores diferentes a que a plataforma pretenda estabelecer comunicação, uma
vez que a cada módulo corresponde um servidor A comunicação entre os módulos e os servidores é
efectuada através de Web Services.

Os servidores poderão ser servidores de mapas (elemento 4 da figura), proprietários ou


públicos, dinâmicos ou estáticos, ou poderão ser gestores de dados (elemento 5 da figura),
podendo ser base de dados, wikis, blogues, etc.

No Anexo 1, encontram-se alguns diagramas UML da plataforma MobMaps.

3.2. Tecnologias utilizadas na plataforma MobMaps


Atendendo a que os elementos disponíveis publicamente sobre a plataforma MobMaps (Gens et
al., 2007) são relativamente concisos, apresenta-se aqui uma descrição mais pormenorizada das
tecnologias que servem de base a esta plataforma.

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3.2.1 PHP

Foi Rasmus Lerdorf (Wyke et al., 2000; Geschwinde & Schönig, 2002; Stopford, 2002; Vaswani,
2005) que desenvolveu a linguagem que viria a servir de base à linguagem PHP (de acrónimo para
“PHP: Hypertext Preprocessor”) actual, em 1995, com a criação do PHP/FI. Ainda antes da criação
do PHP/FI, Ramus criou, em 1994, uma série de scripts, que utilizou na sua página pessoal (Wyke et
al., 2000). Estes scripts eram simples scripts de Perl que ele criou com o intuito de efectuar algum
tratamento estatístico básico, referente aos acessos ao seu currículo online (Stopford, 2002). Mais
tarde, Rasmus resolveu disponibilizar o código fonte para que todos pudessem usá-lo. O código
fonte ficou conhecido como "Personal Home Page Tools" (ferramentas para páginas pessoais)
(Wyke et al., 2000). Era composto por um sistema bastante simples que interpretava algumas
macros e alguns utilitários que corriam em background nas páginas Web, como por exemplo um
livro de visitas, um contador de visitas, etc. (Castagnetto et al., 1999; Lerdorf & Tatroe, 2002).

Em 1995, o interpretador foi reescrito, e ganhou o nome de PHP/FI, tendo o "FI" vindo de um
outro pacote escrito por Rasmus que interpretava dados de formulários HTML (Form Interpreter).
Ele combinou os scripts do pacote Personal Home Page Tools com o FI e ainda adicionou suporte a
mSQL (Geschwinde & Schönig, 2002; Vaswani, 2005). O PHP/FI foi disponibilizado, em código
aberto, para que as pessoas que quisessem, pudessem contribuir para o projecto do interpretador,
com novas funcionalidades. O projecto teve um grande êxito, tendo levado a que inúmeras pessoas
passassem então a contribuir, de uma forma mais restrita, com o projecto. O PHP/FI já incluía, na
altura, algumas das funcionalidades básicas do PHP que nós conhecemos hoje (Castagnetto et al.,
1999; Wyke et al., 2000; Lerdorf & Tatroe, 2002).

A sua popularidade foi tanta que estima-se que em 1996 o PHP/FI estava a ser usado por cerca
de 15.000 sites em todo o mundo, e em meados de 1997 esse número ultrapassou os 50.000
(Meloni, 2004). Devido à sua popularidade e à sua crescente expansão de utilização, o projecto
deixou de ser um projecto do Rasmus com contribuições de colaboradores, passando a ser gerido
por uma equipa de desenvolvimento mais organizada. Apesar de não ser um projecto só seu,
Rasmus continuou a cooperar com a nova equipa. Rasmus, Andi e Zeed decidiram então cooperar
no esforço colectivo de rescrever o underlying parsing engine (motor do PHP) (Lerdorf & Tatroe,

58
[PLATAFORMA MOBMAPS]

2002; Stopford, 2002), e anunciaram o PHP 3.0 como uma versão oficial do PHP/FI 2.0 (Wyke et al.,
2000; Geschwinde & Schönig, 2002).

Uma das maiores características do PHP 3.0 era a sua forte extensibilidade. Além de oferecer
aos utilizadores finais uma infra-estrutura sólida para diversas bases de dados, protocolos e API’s, a
extensibilidade do PHP 3.0 atraiu dezenas de programadores a juntarem-se ao projecto e a
submeter novos módulos. Esta foi a chave do tremendo sucesso do PHP 3.0. Outras características
chaves introduzidas no PHP 3.0 foram o suporte à sintaxe para orientação a objectos (Yahoo! Inc.,
2008 ).

Mas apesar do enorme sucesso do PHP 3.0, veio a verificar-se que este tinha uma grande
limitação. Não tinha sido projectado para trabalhar eficientemente com aplicações muito
complexas (Castagnetto et al., 1999). Foi então que em 2000, Zeev Suraski e Andi Gutmans
reescreveram a grande parte do novo interpretador, com base num novo motor, o “Zend Engine”,
criado por eles em 1999, e o qual designaram por PHP 4 (Geschwinde & Schönig, 2002). Esta nova
versão demonstrou um elevado melhoramento no seu desempenho (Meloni, 2003).

Podemos encontrar disponibilizadas versões de PHP para os mais variados sistemas operativos,
tais como: Windows, Linux, FreeBSD, Mac OS, OS/2, AS/400, Novell Netware, RISC OS, IRIX e Solaris
(Vaswani, 2005). Actualmente, o PHP encontra-se na versão 5, a qual possui diversas optimizações
em relação à versão 4. A versão utilizada para o desenvolvimento da plataforma, que foi aplicada
neste projecto, foi a versão 5.

Definição

Pode-se definir PHP como sendo uma linguagem de script open source de uso geral, muito
utilizada e especialmente indicada para o desenvolvimento de aplicações Web embutidas dentro do
HTML. Apesar de ser de fácil aprendizagem e de uso para pequenos scripts dinâmicos, o PHP é uma
poderosa linguagem orientada a objectos (Castagnetto et al., 1999).

O seu principal objectivo é solucionar problemas relacionados com a Web da maneira mais fácil
possível, apresentando como principais características (Wyke et al., 2000):

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 Orientação a objectos;

 Portabilidade – independência de plataforma (write once run anywhere);

 Sintaxe similar à linguagem C/C++ e Perl;

 Suporte a um grande número de bases de dados;

 Velocidade;

 Gratuito;

 Pode ser embutido no código HTML.

Vantagens do PHP

A grande diferença do PHP em relação a outras linguagens semelhantes, como por exemplo,
um script CGI escrito em C ou Perl, é que o código PHP pode ser embutido no próprio HTML,
enquanto no script CGI tem que gerar todo o código HTML ou terá que lê-lo de um outro ficheiro. O
código PHP é executado no lado do servidor, sendo apenas enviado para o utilizador (para o lado do
cliente) código HTML, sem qualquer código PHP. Desta forma, todo o código é escondido do
utilizador, sendo muito útil principalmente quando se trabalha com informação confidencial, como
por exemplo passwords ou outro tipo de informações importantes. Mas também, ao ser executado
no lado do servidor, possibilita a interacção com as bases de dados e aplicações existentes no lado
do servidor.

O que pode ser feito com PHP?

Para criar e executar programas em PHP é necessário ter-se um servidor Web instalado e
configurado correctamente, como por exemplo o IIS ou o Apache com um interpretador PHP
(responsável pela interpretação dos scripts PHP). Caso seja necessário aceder a bases de dados, terá
que ser instalado um servidor de base de dados, como por exemplo o MySQL.

A partir daí, basicamente, qualquer rotina poderá ser feita em PHP, como por exemplo ir buscar
dados a um formulário, enviar e receber cookies, ou gerar páginas dinamicamente, visto que uma
das principais características do PHP é o suporte a uma enorme quantidade de bases de dados,

60
[PLATAFORMA MOBMAPS]

como por exemplo dBase, Interbase, mSQL, MySQL, Oracle, Sybase, PostgreSQL, etc. (Vaswani,
2005).

Para além disso, o PHP ainda tem suporte para outros tipos de serviços através de protocolos
como o IMAP, o SNMP, o NNTP, o POP3 e, logicamente, o HTTP. Sendo possível, ainda, abrir sockets
e interagir com outros protocolos (Vaswani, 2005).

3.2.2. Java

No início da década de 90, uma equipa dos laboratórios da Sun Microsystems deu início ao
desenvolvimento de uma nova linguagem de programação. Esta nova linguagem tinha por objectivo
ser usada em dispositivos de electrónica de consumo. Era da opinião de James Gosling e da sua
equipa, que as linguagens C e C++, linguagens de onde o Java retira muitas das suas características,
eram pouco vocacionadas para a criação de código independente da máquina. Efectivamente, para
se poder executar um programa, criado por essas linguagens, em processadores diferentes é
necessário um compilador próprio para cada um deles. Isto, especialmente no caso da electrónica
de consumo, torna pouco prático e caro a sua utilização, uma vez que as características dos
equipamentos mudam com muita frequência. Pelo que, a equipa decidiu que deveria ser criada
uma linguagem de programação que ultrapassasse esses problemas,ou seja, um código que
pudesse ser executado independentemente da máquina (Mendes & Marcelino, 2003).

Assim, foi criada uma linguagem a que a equipa inicialmente chamou de Oak, e que agora se
designa por Java.

Em 1994, quando se deu um enorme crescimento da WWW, a equipa de desenvolvimento do


Java apercebeu-se das enormes potencialidades da sua linguagem para desenvolvimento de
aplicações nesse novo ambiente. Tratava-se de algo que ia de encontro ao desenho inicial da
linguagem, isto é, um meio onde “coabitavam” um grande número de plataformas diferentes: PC,
Mac, Unix, etc. Deu-se o surgimento das applets, e com elas a expansão do Java por toda a Web.

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J2ME

No princípio deste século, com a proliferação do uso massivo de dispositivos móveis e como o
Java tinha sido criado a pensar exactamente para ser aplicado aos dispositivos de consumo, novas
portas se abriram. Assim surgiu uma nova versão do Java, o J2ME – (Java 2 Platform, Micro Edition),
criada especialmente para dispositivos com poucos recursos. O J2ME é considerado o irmão mais
pequeno tanto do J2SE (Java 2 Platform, Standard Edition) como do J2EE (Java 2 Platform,
Enterprise Edition) (Jode et al., 2004). Na Figura 3, podemos ver esquematizadas as diferentes
versões Java disponíveis.

Figura 3 – As diferentes versões do Java – adaptado de (Sun Microsystems, Inc., 2008;


Jode et al., 2004).

O J2ME é definido em termos de perfis (profiles), configurações (configurations) e API’s


(Application Program Interface) opcionais (Knudsen, 2003).

As configurações são um conjunto de API’s básicas para a interacção com os equipamentos,


com recursos semelhantes. Uma configuração define (Wilding-McBride, 2003):

62
[PLATAFORMA MOBMAPS]

 Componentes da linguagem Java suportados;

 Componentes da máquina virtual Java suportados;

 Componentes das bibliotecas Java suportados.

Actualmente existem apenas dois tipos diferentes de configurações (Riggs et al., 2003; Jode et
al., 2004; Li & Knudsen, 2005):

CLDC (Connected, Limited Device Configuration) – esta configuração é definida para


equipamentos pessoais móveis com baixa capacidade de memória, com processadores
mais pequenos e com menor velocidade, que geralmente operam com baterias, tais
como: telemóveis, pagers, PDAs, etc. (ver Figura 3);

CDC (Connected Device Configuration) – esta configuração é desenhada para


dispositivos que apresentem mais memória, com processadores mais rápidos e com
rede com boa largura de banda. É principalmente definido para equipamentos fixos, tais
como: serviços de navegação para carros, televisores, caixas de TV, etc. (ver Figura 4).

Figura 4 – Diferentes configurações e profiles do J2ME –adaptado de (Knudsen, 2003).

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CLDC

O CLDC é uma configuração, como já foi dito anteriormente, usada para equipamentos móveis
com baixos recursos. Corre sobre a KVM (Kilo Virtual Machine). Para que um equipamento possa
suportar o CLDC, necessita de ter como requisitos mínimos (Riggs et al., 2003; Jode et al., 2004;
Knudsen, 2003; Li & Knudsen, 2005): (1) pelo menos 192 KB de memória total disponível para a
plataforma Java; (2) um processador de 16 ou 32 bits; (3) baixo consumo de energia; (4)
conectividade com algum tipo de rede – muitas vezes intermitente.

A quando da especificação da configuração CLDC teve-se em atenção três princípios:

 Evitar a necessidade de adicionar muitos recursos físicos aos dispositivos, de maneira a


impedir um aumento substancial no preço do equipamento;

 Focar a utilização na criação de programas em vez de na criação de sistemas. A


especificação lida apenas com bibliotecas de alto nível e não de baixo nível, de maneira
a não pôr em risco a portabilidade;

 Encorajar o desenvolvimento de aplicações por terceiros e permitir o seu download


para o dispositivo.

KVM

A Kilo Virtual Machine (KVM), também conhecida por Kauai Virtual Machine, é uma versão
compacta e leve da máquina virtual Java (Jode et al., 2004). Apesar da KVM estar definida para
correr em dispositivos muito limitados, o CLDC utiliza esta máquina virtual, que mantém todos os
aspectos centrais da máquina virtual Java. A especificação da J2ME define que a KVM foi
desenvolvida para (Sun Microsystems, Inc., 2008): (1) ser pequena e ocupar pouca memória (40 a
80 KB); (2) ser limpa e altamente portável; (3) ser modular e adaptável; (4) ser tão completa e
rápida quanto possível.

CDC

A CDC, tal como CLDC, é uma configuração Java, mas para dispositivos que tenham melhores
recursos. Trata-se de dispositivos com mais de 2MB de RAM e 2MB de ROM e processador de 32 bit

64
[PLATAFORMA MOBMAPS]

(Jode et al., 2004). O CDC suporta toda a especificação da JVM (Java Virtual Machine) (Knudsen,
2003). Em alguns casos as classes presentes nas bibliotecas foram modificadas para agilizar e

diminuir a implementação, de maneira a se poder cumprir os requisitos impostos pelos


equipamentos. Os pacotes existentes no CDC foram retirados da implementação J2SE 1.3. Logo,
qualquer aplicação desenvolvida para essa implementação deverá funcionar num dispositivo CDC,
com a única excepção dos pacotes AWT (Abstract Windowing Toolkit), os quais poderão não ser
suportados (Castagnetto et al., 1999).

Perfis

Um perfil é, basicamente, um conjunto de API's colocadas numa camada superior e que


definem um conjunto de características específicas de um dado tipo de equipamento. Temos como
perfil:

 MIDP (Mobile Information Device Profile) – perfil aplicado na maioria dos dispositivos
móveis (telemóveis). Este perfil define requisitos específicos, para além daqueles que
são definidos pelo CLDC, sobre o qual se apoia. São eles (Wilding-McBride, 2003,
Knudsen, 2003; Bloch & Wagner, 2003; Li & Knudsen, 2005): Ecrã – ecrã mínimo de
96x54, profundidade de 1 bit e pixel-shape (aspect ratio) de aproximadamente 1:1;
Entrada – teclado de uma mão, teclado de duas mãos ou touch-screen; Memória – 128
KB de memória não volátil para os componentes do MIDP, 8 KB de memória não volátil
para dados criados pela aplicação e 32 KB de memória volátil para o Java; Rede – ligação
bidireccional sem fios possivelmente intermitente.

 PDAP (Personal Digital Assistant Profile) – perfil para ser usado em PDA e que corre
sobre a configuração CLDC (Wilding-McBride, 2003; Sun Microsystems, 2008b).

 Foundation Profile – perfil que usa o CDC. O Foundation Profile estende as APIs do J2SE,
permitindo desta maneira que os programadores possam fazer reutilização do código e
que tenham uma curva de aprendizagem mais curta (Wilding-McBride, 2003; Sun
Microsystems, 2008a).

 Personal Basis Profile – perfil que usa o CDC. É um perfil utilizado na televisão
interactiva e do mundo automóvel. É direccionado para um mercado que necessita de

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suporte completo às API's Java para as aplicações sem GUI (Graphical User Interface).
Oferece um interface básico, contendo apenas os componentes mais leves do AWT
(Wilding-McBride, 2003; Sun Microsystems, 2008c);

 Personal Profile – perfil que usa o CDC. É direccionado para um mercado que necessita
de usar todas as API's AWT do JDK 1.1. Ou seja componentes pesados do AWT (Wilding-
McBride, 2003; Sun Microsystems, 2008d).

Midlets

Uma Midlet é uma aplicação Java desenvolvida para ser executada em dispositivos móveis, que
estende a classe Midlet e tem por base as bibliotecas do perfil MIDP e a configuração CLDC.

Qualquer Midlet tem que cumprir os seguintes requisitos para poder ser executada num
dispositivo móvel: (1) a classe principal tem que ser subclasse de javax.microedition.midlet.MIDlet;
(2) a Midlet tem que se encontrar dentro de um ficheiro .jar.

3.2.3. XML

Na década de 70 foi criado uma metalinguagem, a General Markup Language (GML) pela IBM.
Esta surgiu pela necessidade que a empresa tinha para armazenar grandes quantidades de
documentação gerada sobre todas as áreas em que trabalhava e fazia investigação. Permite definir
linguagens específicas com as quais se pode classificar e escrever qualquer documento para ser
processado adequadamente (Benz & Durant, 2003).

Desde então, esta linguagem atraiu a atenção da ISO uma entidade que se encarrega de
normalizar coisas ou processos, até que por volta de 86 criaram a metalinguagem Standard
Generalized Markup Language (SGML), uma versão normalizada da GML. A SGML é já uma
linguagem muito trabalhada, capaz de se adaptar a um grande leque de problemas.

Na SGML as regras que definem a estrutura de um documento são ditadas pelo DTD (Document
Type Definition), o qual ajuda a validar os dados quando a aplicação que os recebe não possui
internamente uma descrição do dado que está a receber. Contudo, os DTD's apresentam alguma

66
[PLATAFORMA MOBMAPS]

complexidade, nomeadamente no que diz respeito à linguagem em que são programados. Estes
não são escritos em linguagem XML, mas sim num tipo de linguagem especial.

Por volta de 89, para o âmbito específico de documentos disponibilizados na Internet, foi criada
por Tim Berners-Lee e Robert Cailliau uma aplicação da SGML, a linguagem HTML, que permitiu dar
vida a um novo serviço de Internet, a World Wide Web ou WWW (Raggett et al., 1998).
Originalmente a HTML definia estritamente a estrutura lógica de um documento, e não a sua
aparência física. Mas, com a pressão dos utilizadores (principalmente na indústria), as versões
posteriores da HTML foram forçadas a proporcionar cada vez mais controle sobre a aparência do
documento. Assim, esta linguagem foi adoptada rapidamente pela comunidade Web e várias
organizações comerciais criaram seus próprios visualizadores (actualmente designados por
browsers) de HTML, disputando entre eles o browser mais avançado e inventando marcas segundo
a sua própria vontade.

Desde 96 até hoje, uma entidade chamada W3C (World Wide Web Consortium), tratou de
estabelecer certas normas para a HTML e de estabelecer regras e etiquetas para que desta forma
pudesse ser um padrão. Entretanto a HTML cresceu de uma maneira descontrolada e não
conseguiu dar resposta a todos os problemas que a sociedade global da Internet tinha planeado. O
layout de documentos HTML tem duas características importantes:

São feitos para dotar de estrutura lógica a informação destinada à apresentação de


páginas nos browsers;

Contém um conjunto limitado de marcas para definir a estrutura do documento, tendo


cada uma delas a sua semântica já pré-definida. O CSS (Cascading Style Sheets) permite
a separação da estrutura lógica da aparência da página. Mas, embora o layout possa ser
separadamente definido no CSS, a HTML é destinada especificamente para hipertexto, e
não para a informação em geral.

O mesmo W3C começou em 98, e continua actualmente, no desenvolvimento da uma aplicação


da SGML que permitisse solucionar as carências que a HTML apresentava no que se refere ao
tratamento da informação, trabalhando na criação de uma linguagem padrão para troca de dados
na Internet. Essa aplicação foi a linguagem XML (eXtensible Markup Language, “linguagem de
anotação expansível”) (Bosak & Bray, 1999; Atey et al., 2007).

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Os arquivos XML são arquivos texto, não para poderem ser lidos pelos humanos (como é o caso
da HTML) mas para facilitarem aos programadores um processo mais simples e eficaz de acesso ao
conteúdo aquando do desenvolvimento de aplicações, onde possa ser utilizado um simples editor
de texto para, caso seja necessário, se poder usar para corrigir um erro no arquivo de XML.
Contudo, as regras de formatação para documentos XML são mais rígidas do que para documentos
HTML. Uma marca esquecida ou um atributo sem aspas torna o documento inutilizável, já na HTML
isso é tolerado. Ao contrário do que acontece na HTML, as especificações oficiais da XML
determinam que as aplicações não podem tentar adivinhar o que está errado num arquivo, mas sim
deverão parar de interpretá-lo e exibir o respectivo erro.

Padrões da estrutura da XML

A XML tem que ser vista como parte de um enquadramento mais amplo. Ela é baseada em
padrões de tecnologia optimizada para a Web. Os padrões que compõem o XML são definidos pelo
W3C (World Wide Web Consortium) e são os seguintes:

Extensible Markup Language (XML) – é uma recomendação, que é vista como o último
estágio de aprovação do W3C. Isso significa que o padrão é estável e pode ser aplicado
à Web e utilizado pelos criadores de aplicações.

XML Namespaces – é também uma recomendação, a qual descreve a sintaxe de


namespace, ou espaço de nomes, e que serve para criar prefixos para os nomes das
etiquetas, evitando confusões que possam surgir com nomes iguais para etiquetas que
definem dados diferentes.

Document Object Model (DOM) – é uma recomendação que proporciona formas de


acesso aos dados estruturados utilizando scripts, permitindo aos criadores interagir e
processar os dados consistentemente.

Extensible Stylesheet Language (XSL) – a XSL é uma família de recomendações para


definir a formatação e apresentação de um documento XML. É constituído por três
secções: a linguagem de transformação (XSL Tansformations - XSLT), a formatação dos
objectos (XSL Formatting Objects - XSL-FO) e a linguagem de endereçamento (XML
Path Language - XPath). A linguagem de transformação pode ser usada para

68
[PLATAFORMA MOBMAPS]

transformar documentos XML para serem visualizados, assim como para os transformar
para documentos HTML, podendo ser usada independentemente da parte de
formatação dos objectos. Apesar do Cascade Style Sheet (CSS) poder ser usado num
XML simplesmente estruturado, não pode apresentar informações numa ordem
diferente daquela em que ela foi recebida. O XSL-FO é uma linguagem para formatar
dados XML. O XPath é uma linguagem que serve para endereçar partes de um
documento XML, tendo sido concebida para ser utilizada tanto pelas XSLT como pelo
XPointer.

XML Linking Language (XLL) e XML Pointer Language (XPointer) – o XLL é uma
linguagem de construção de links que é similar aos links HTML, sendo mais poderosa,
porque os links podem ser multi-direcionais e podem existir ao nível dos objectos, e não
somente ao nível da página. O XPointer fornece um grau de precisão de links que é
necessário para documentos descritos em XML. Ao invés de ligar um documento a todo
um arquivo, o XPointer permite que se crie um link a apenas um elemento ou conjunto
e elementos XML.

XML Query (XQuery) – é uma linguagem normalizada para combinar documentos, bases
de dados, páginas da Web, etc. Actualmente é bastante utilizada, porque é
extremamente poderosa e fácil de programar.

XML Schema (XSchema) – é uma linguagem que especifica e valida se os dados que
estão incluídos num documento XML estão correctos. A XML Schema pode definir quais
os elementos e atributos que podem aparecer no documento, que tipo de dados
podem acolher, se um determinado elemento é vazio ou não, quantos descendentes
tem um elemento, a ordem deles, etc.

Extensible Hypertext Markup Language (XHTML) – é uma recomendação. É constituída


por uma família de tipos de documentos e por módulos que reproduzem, subdividem e
estendem a linguagem HTML, reformulando-a em XML. Os tipos de documentos da
família XHTML são todos baseados em XML e são projectados para trabalharem em
conjunto com os agentes XML do utilizador. A linguagem XHTML é actualmente
apontada como sendo a sucessora da linguagem HTML.

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Scalable Vector Graphics (SVG) – é uma linguagem para descrever gráficos


bidimensionais com animação e interactividade, contendo um conjunto de API’s sobre
as quais se podem construir aplicações baseadas em gráficos.

A XML é uma linguagem de marcação de dados (meta-markup language) que permite a


descrição de dados estruturados. É um padrão do W3C, que é o grupo responsável por diversos
padrões existentes na Internet. Ela veio permitir declarações mais precisas do conteúdo e
resultados mais significativos de buscas através de múltiplas plataformas. O seu uso, como formato
para a troca de dados, foi o culminar da procura de uma linguagem padrão aberta, que tivesse a
facilidade de ser convertida para outros formatos, inclusive formatos proprietários. Ela permitiu o
aparecimento de uma nova geração de aplicações para manipulação e visualização de dados via
Web.

Pode-se dizer que a XML veio trazer uma maneira distinta de fazer as coisas de uma forma mais
arrumada e organizada, quando comparada com a HTML, sendo que a principal novidade consiste
em permitir separar os dados com os quais se trabalha a todos os níveis, por todas as aplicações e
suportes. Permite, igualmente a definição de um número elevado de marcas. Contrariamente ao
que acontece na HTML, onde as marcas existentes estão bem definidas e onde não nos é possível
criar novas, na XML podem ser criadas novas marcas, por exemplo para serem usadas para definir a
formatação de caracteres e/ou parágrafos. A XML provê um sistema para criar marcas para dados
estruturados. Esta característica permite que as marcas possam ser personalizadas, consoante as
necessidades, para uma correcta descrição dos dados estruturados.

A XML desempenha um papel importantíssimo actualmente, no que diz respeito à globalização


e à compatibilidade entre os sistemas, já que é a tecnologia que permite separar a informação de
uma maneira segura, confiável e fácil. Ela ganhou um grande interesse devido à sua utilização na
Internet, no e-bussiness (Bosak & Bray, 1999), no e-learning (Hammerschmidt et al., 2005), etc.
Existem sistemas distintos que necessitam de comunicar entre si, verificando-se que a XML veio
colmatar esse problema, ao ser uma linguagem de estruturação de dados que é independente dos
sistemas.

70
[PLATAFORMA MOBMAPS]

Mas a sua importância deve-se, igualmente, ao interesse crescente de diversos ramos da


informática e tratamento de dados, já que permite grandes avanços e ganhos de desempenho, na
hora de se trabalhar com ela (Atay et al., 2007; Benz & Durant, 2003). A XML permite, de igual
modo, ao programador dedicar os seus esforços nas tarefas importantes quando se trabalha com os
dados, já que algumas tarefas mais trabalhosas, como é o caso da validação dos dados ou a análise
das suas estruturas, são parte integrante da própria linguagem e estão especificadas na norma, de
modo a que o programador não tenha que se preocupar com isso.

A XML não está só, mas sim acompanhada de um mundo de tecnologias ao redor dela,
permitindo diversas maneiras mais fáceis e interessantes de trabalhar com os dados, tornando-se
definitivamente, num trunfo na hora de tratar a informação, que é na verdade o grande objectivo
da informática em geral. A XML, ou melhor dizendo o mundo XML, não é uma linguagem, mas sim
uma meta-linguagem que permite a escrita de várias outras linguagens, por exemplo XHTML
(Jacobs, 2006).

Diferenças entre a HTML e a XML

Podemos então fazer um resumo muito breve das diferenças que existem entre as duas
linguagens para, assim, ser mais fácil observar as vantagens e desvantagens da XML perante a
HTML, ou seja;

A HTML preocupa-se sobretudo em formatar os dados, sendo para isso que servem as
marcas que a linguagem possui, no sentido deformatar a informação que se deseja
mostrar no browser.

A XML, pelo contrário, preocupa-se em estruturar a informação que se pretende


armazenar. A estrutura, é a marca, a lógica própria da informação.

A evolução da HTML deveu-se sobretudo à concorrência entre os distintos browsers


existentes no mercado. Cada um queria ser o melhor e, devido a isso, inventava novas
marcas que, a longo prazo, entravam como parte do padrão do W3C, como é o caso,
por exemplo, da marca <FRAME>.

O desenvolvimento da XML tem vindo a ser realizado com bastante rigor, sempre
ajustado ao padrão desenvolvido pelo W3C, entidade que está a desenvolver a XML.

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Processar a informação em HTML é inviável, pois nesta encontram-se misturados os


estilos e as marcas que formatam a informação.

Na XML pode-se processar a informação com muita facilidade, porque tudo está
estruturado de uma maneira lógica. Mesmo a formatação da informação necessária
para que um utilizador possa ver, é aplicada através de folhas de estilos ou similares.

Características da linguagem XML

 Representação estruturada dos dados

A XML proporciona um padrão que pode codificar o conteúdo, as semânticas e as


esquematizações para uma grande variedade de aplicações, desde as mais simples até as mais
complexas, como: (1) simples documentos; (2) registos estruturados, por exemplo, de ordem de
compra de produtos; (3) objecto com métodos e dados, por exemplo, objectos Java ou controles
ActiveX; (4) registo de dados, por exemplo, resultado de uma query a uma base de dados; (5)
apresentação gráfica, por exemplo, a interface com o utilizador, entre outros.

Uma característica importante é que, depois dos dados terem sido recebidos pelo cliente, esses
mesmos dados poderão ser manipulados, editados e visualizados, sem a necessidade de serem
processados pelo servidor. Assim, os servidores têm um processamento menor, reduzindo a sua
necessidade de computação e, por conseguinte, reduzindo também a banda de comunicação
necessária para estabelecer as comunicações entre cliente e servidor.

Como já foi mencionado anteriormente, a XML é considerada de grande importância, tanto na


Internet como em grandes intranets, porque proporciona a capacidade de inter-ligação entre
computadores com diferentes aplicações e sistemas, verificando-se isto porque a XML tem um
padrão flexível e aberto e é independente do tipo de dispositivo. Como consequência, as aplicações
podem ser construídas e os seus dados actualizados mais rapidamente, além de que permitem a
visualização estruturada de múltiplas formas dos dados.

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[PLATAFORMA MOBMAPS]

 Separação entre dados e apresentação

A mais importante característica da XML resume-se em separar a parte da interface com o


utilizador dos dados estruturados. A HTML especifica como o documento deve ser apresentado no
ecrã pelo browser. Já a XML define o conteúdo do documento. Por exemplo, em HTML são
utilizadas etiquetas para definir tamanho, cor do fundo, tipo de letra, etc., assim como a
formatação dos parágrafos. Na XML, utilizam-se as marcas para descrever os dados, como exemplo,
marcas de assunto, título, autor, conteúdo, referências, datas, etc.

A XML ainda conta com recursos tais como folhas de estilo definidas com Extensible Style
Language (XSL), além de também poder utilizar as Cascading Style Sheets (CSS), para a
apresentação dos dados no browser. Como existe separação dos dados de apresentação dos da
lógica aplicacional, isto permite visualizar e processar os dados como se quiser, podendo mesmo
utilizar-se diferentes folhas de estilo e/ou aplicações para visualizar os mesmos dados. Ao haver a
separação entre os dados e a apresentação, isso permite a integração de dados de diversas e
diferentes fontes.

Os documentos XML são sensíveis às letras maiúsculas e minúsculas. Um documento XML é


bem formatado quando segue algumas regras básicas. Tais regras são mais simples do que as dos
documentos HTML e permitem que os dados sejam lidos e expostos sem nenhuma descrição
externa ou conhecimento do sentido dos dados XML.

Documentos com XML Schemas


Devido à complexidade apresentada pelos DTD, que apresentam uma sintaxe especifica que é
menos flexível do que a do XML, surgiram os XML Schemas que são escritos em XML e, têm vindo
gradualmente a tomar o lugar dos DTD.
O XML Schema foi originalmente proposto pela Microsoft, mas pouco tempo depois, a partir de
Maio de 2001, passou a ser uma recomendação oficial do W3C. Actualmente, a especificação está
estável e é constantemente revista pelos membros do W3C.
O XML Schema lê um documento XML e verifica se os dados que estão lá incluídos são válidos,
isto é, se o documento está conforme os requisitos do Schema. Se o documento for válido, é
emitida uma versão normalizada: os atributos e elementos são inseridos por defeito, etc. Caso

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algum dos dados não seja válido, retorna-nos uma mensagem de erro e pára o processamento do
documento. Se todos os dados forem válidos, quer dizer que o documento está conforme segundo
as regras especificadas no XML Schema e podemos utilizar o documento XML. Pode-se dizer que o
propósito de um XML Schema, é definir os blocos de construção permitidos num documento XML,
como o DTD.

Um XML Schema define:


elementos que podem aparecer num documento;
atributos que podem aparecer num documento;
que elementos são elementos descendentes;
a ordem dos elementos descendentes;
o número de elementos descendentes;
se um elemento é vazio ou pode incluir informação;
tipos de dados para elementos e atributos;
valores padrão e fixos para elementos e atributos.

Há muitas razões para o XML Schema ser melhor que o DTD. Entre elas podemos encontrar:
são extensíveis para adições futuras:
o pode reutilizar-se o Schema em outros Schemas;
o podem criar-se os nossos próprios tipos de dados derivados dos tipos padrões;
o pode-se referenciar múltiplos Schemas num mesmo documento;
são mais ricos e úteis que DTD’s, pois permitem ultrapassar algumas das suas
limitações (por exemplo: não tem suporte para Namespaces, entre outras);
são escritos em XML:
o não se tem que aprender outra linguagem;
o pode-se usar o mesmo editor XML;
o pode-se manipular o XML Schema com XML DOM;
o pode-se usar o XML Schema com XSLT;
suportam tipos de dados, porque:
o é mais fácil descrever o conteúdo de documentos permissíveis;

74
[PLATAFORMA MOBMAPS]

o é mais fácil validar os dados;


o é mais fácil trabalhar com dados de uma base de dados;
o é mais fácil definir restrições aos dados;
o é mais fácil definir padrões/formatos de dados;
o é mais fácil converter dados entre diferentes tipos;
suportam namespaces.

Quando um dado é enviado de um ponto para outro na rede é essencial que as duas partes
tenham a mesma expectativa sobre o conteúdo. Usando-se XML Schemas, o remetente pode
descrever o dado para que o receptor possa entender. Por exemplo, uma data como "03-11-2008"
vai, nalguns países, ser interpretada como “3 de Novembro de 2008”, noutros, por sua vez, vai ser
interpretada como “11 de Março de 2008”, mas num elemento XML com um tipo de dado como

<date type="date">2004-03-11</date>

está assegurado um entendimento mútuo, por parte do emissor e do receptor do conteúdo, porque
o tipo de dado XML requer o formato YYYY-MM-DD.

Principais benefícios da linguagem XML

A XML tem por objectivo trazer flexibilidade e poder às aplicações Web. Dentro dos benefícios
para os criadores e utilizadores encontram-se:

Buscas mais eficientes – os dados em XML podem ser unicamente "marcados", o que
permite que, por exemplo, uma busca por livros seja feita em função do nome do autor.
Sem a XML é necessário, para a aplicação de procura, saber como é esquematizado e
construída cada base de dados que armazena os dados.

Desenvolvimento de aplicações Web mais flexíveis – isso inclui integração de dados de


fontes completamente diferentes e provenientes de múltiplas aplicações (a XML
permite que dados de múltiplas bases de dados e incompatíveis possam ser facilmente
combinados, sendo essa combinação feita através de uma aplicação a correr num
servidor intermediário); processamento e manipulação local dos dados (os dados

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

recebidos num cliente são analisados e podem, além de ser visualizados, ser editados e
manipulados de acordo com as necessidades do utilizador); múltiplas formas de
visualização e actualização dos conteúdos (recorrendo a XSL-FO e XSL).

Distribuição dos dados via rede de forma mais comprimida e escalável – como a HTML,
a XML, por ser um formato baseado em texto aberto, pode ser distribuído via HTTP sem
necessidade de modificações nas redes existentes.

Padrões abertos.

Mapeamento do XML

Figura 5 – Mapeamento do XML.

No mapeamento do XML (Figura 5) encontramos várias estruturas, como é o caso do XSL-FO ou


XHTML, necessárias para formatar dados para impressão ou visualização no ecrã (PDF, Word, Web),
o XSLT para transformar os dados noutros formatos, o XPath para endereçar partes de um
documento de XML e o DTD ou XSchema para especificar o modelo de dados validando as
informações. O XLink, XPointer e XQuery são responsáveis por criar vínculos lógicos entre os
documentos e localizar os seus componentes, já o DOM gere e extrai dados dos documentos, além
de os ler e gravar em base de dados, e por último o SVG, para gerar informações e formatos de
gráficos vectoriais.

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[PLATAFORMA MOBMAPS]

3.2.4. Web Services

Um Web Service é um componente de software independente da implementação e da


plataforma. É descrito utilizando uma linguagem de descrição de serviços, publicado num registo e
descoberto através de um mecanismo padrão. Pode também ser invocado a partir de uma API
através da rede e ser composto juntamente com outros serviços.

Com base na definição do W3C, Web Services, também designados por E-Services (Cheung et
al., 2003), são aplicações que possuem interfaces baseadas em XML e que descrevem uma colecção
de operações acessíveis através de rede, independentemente da tecnologia usada na
implementação do serviço (Reinheimer, 2006). Um Web Service é um componente autónomo de
software que é identificado inequivocamente por um URI (Universal Resource Identifier) único e que
interage dinamicamente com outras aplicações na Web, usando protocolos e padrões abertos,
como é o caso do XML, SOAP, WSDL e UDDI (Cheung et al., 2003; Lee et al., 2006; Tu et al., 2004). É
descrito via WSDL, registado via UDDI e acedido utilizando envelopes SOAP, com os dados a
transmitir representados em XML (Tu et al., 2004).

A disponibilização das operações e a descrição do serviço ocorrem através do padrão XML. O


arquivo que descreve o serviço possui todas as informações necessárias para que os outros
componentes possam interagir com o serviço, incluindo o formato das mensagens (para as
chamadas aos métodos do serviço), os protocolos de comunicação e as formas de localização do
serviço. Um dos maiores benefícios dessa interface é a abstracção ao nível dos detalhes de
implementação do serviço, permitindo que seja acedido independente da plataforma de hardware
ou software na qual foi implementado. Como as mensagens trocadas para a comunicação são
baseadas no padrão XML, também temos a flexibilidade em relação à linguagem de programação,
tanto na implementação do serviço como no componente que acederá ao Web Service. Estas
características permitem e motivam a implementação de aplicações Web baseadas em Web
Services por torná-las fracamente ligadas com as outras partes do código da aplicação. Com isso, as
aplicações adquirem uma arquitectura por componentes e tornam-se mais flexíveis em relação às
várias plataformas disponíveis no mercado. Um Web Service é geralmente é implementado para
disponibilizar uma determinada funcionalidade, visando a reutilização do Web Service e a
interoperabilidade com outros sistemas (Boar, 2003).

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3.2.4.1. Arquitectura de Web Services

Como foi mencionado anteriormente os Web Services são descrito via WSDL, são registados via
UDDI e são acedidos utilizando envelopes SOAP. A seguir, encontra-se uma breve explicação destas
tecnologias já citadas anteriormente:

SOAP (Simple Object Access Protocol) é um protocolo para troca de informações em


ambiente distribuído. De entre outras utilizações, o SOAP foi desenhado para
encapsular e transportar chamadas RPC (Remote Procedure Call). É baseado em
definições XML e utilizado para aceder a Web Services. Esse protocolo encapsula as
chamadas e os retornos nos métodos dos Web Services, sendo utilizado,
principalmente, sobre HTTP (Figura 6). Um envelope SOAP é constituído por duas
componentes: o cabeçalho, onde existem blocos que guardam dados de protocolos de
vários Web Services que melhoram a infra-estrutura SOAP; e, o corpo do envelope
SOAP, onde são guardadas as mensagens para transportar ( Chatterjee & Webber, 2003).
Na Figura 7 encontra-se uma representação esquemática de um envelope SOAP.

Figura 6 – Protocolos de comunicação de Web Services.

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[PLATAFORMA MOBMAPS]

Figura 7 – Representação esquemático de um envelope SOAP – adaptado de (Chatterjee & Webber, 2003).

Uma chamada remota a procedimentos (Remote Procedure Call - RPC), são chamadas
locais a métodos de objectos (ou serviços) remotos. Assim, podemos aceder aos
serviços de um determinado objecto localizado num outro ponto na rede, através de
uma chamada local a esse objecto. Cada chamada ou requisição exige uma resposta.

No funcionamento das chamadas de RPC verifica-se que, antes de serem enviadas pela
rede, as chamadas de RPC (emitidas pela aplicação cliente) são encapsuladas segundo o
padrão SOAP. O serviço remoto, ao receber a mensagem, faz o processo contrário, ou
seja, faz o desencapsulamento e extrai as chamadas ao método. A seguir, a aplicação
servidora processa essa chamada e envia uma resposta ao cliente. O processo repete-
se, sendo a resposta também encapsulada e enviada pela rede. Na máquina cliente,
esta resposta é desencapsulada e é repassada para a aplicação cliente.

WSDL (Web Services Description Language) é a linguagem de descrição de Web Services


baseada em XML (Lee et al., 2006). Ela permite, através da definição de um vocabulário
em XML, a possibilidade de descrever serviços e a troca de mensagens. Mais
especificamente, é responsável por prover as informações necessárias para a invocação
do Web Service, como a sua localização, as operações disponíveis e as suas assinaturas
(Chatterjee & Webber, 2003; Sayar et al., 2005). Na Figura 8 está representado um

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

esquema do WSDL (adaptado de


http://www.imsglobal.org/gws/gwsv1p0/imsgws_wsdlBindv1p0.html).

Figura 8 – Esquema do WSDL.

UDDI (Universal Description, Discovery and Integration) é uma das tecnologias que
possibilitam o uso de Web Services. Uma implementação de UDDI corresponde a um
Web Service registry, que fornece um mecanismo para busca e publicação de Web
Services (Chatterjee & Webber, 2003). Um UDDI registry contém informações
categorizadas sobre os serviços e as funcionalidades que eles oferecem, permitindo a
associação desses serviços com as suas informações técnicas, geralmente definidas
usando WSDL. Como descrito anteriormente, o arquivo de descrição em WSDL descreve

80
[PLATAFORMA MOBMAPS]

as funcionalidades do Web Service, a forma de comunicação e a sua localização. O


registo do UDDI age como um directório que contém os serviços disponíveis e os seus
fornecedores (Lee et al., 2006).

Devido ao modo de acesso, um UDDI registry também pode ser entendido como um Web
Service. A especificação UDDI define uma API baseada em mensagens SOAP, com uma descrição em
WSDL do próprio Web Service do servidor de registo. A maioria dos servidores de registo UDDI
também fornece uma interface de navegação por browser.

A arquitectura de Web Services baseia-se na interacção de três entidades (Figura 9): fornecedor
do serviço (service provider), cliente do serviço (service requestor) e servidor de registo (service
registry). De uma forma geral, as interacções são para publicação, procura e execução de operações
(Sayar et al., 2005). A Figura 9 ilustra estas operações, os componentes envolvidos e suas
interacções.

Figura 9 – Arquitectura de Web Services, operações e interacção das entidades.

O fornecedor de serviço representa a plataforma que hospeda o Web Service, permitindo que
os clientes acedam ao serviço. O cliente do serviço é a aplicação que procura, invoca ou inicia uma

81
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interacção com o Web Service. O cliente do serviço pode estar a aceder a partir de um browser ou
de uma aplicação realizando uma invocação aos métodos descritos na interface do Web service. O
servidor de registo procura os Web services, baseando-se em arquivos de descrição de serviços que
foram publicados pelos servidores de serviços. Os clientes do serviço procuram por serviços nos
servidores de registo e recuperam informações referentes à interface de comunicação para os Web
services durante a fase de desenvolvimento ou durante a execução do cliente, denominados static
binding e dinamic binding, respectivamente.

3.2.4.2. Reutilização e interoperabilidade de Web Services

Web Services é a uma tecnologia que permite a interoperabilidade entre sistemas,


possibilitando que aplicações em diferentes plataformas e desenvolvidas em diferentes linguagens
de programação se comuniquem via XML ou outros padrões Web, independente de especificações
proprietárias de um fornecedor específico (Martin et al., 2003).

A consequência esperada, devido ao surgimento de Web Services, é o desenvolvimento de


aplicações que podem ser consideradas como um conjunto de serviços passíveis de serem
publicados, encontrados por ferramentas de pesquisa, combinados e utilizados para gerar os
resultados esperados. Não são necessários estarem instalados localmente, só têm que ser
invocados remotamente, garantindo assim, que todas as capacidades de determinada aplicação
estejam disponíveis localmente, embora podendo estar distribuídas por diversas máquinas,
programadas em diferentes linguagens de programação e alojadas nos mais variados sistemas
operativos.

Actualmente a ideia das organizações terem sob seu controlo todos os seus dados, processos e
código das aplicações está a ser deixado para trás, para dar lugar a modelos distribuídos onde
poderão ser utilizados e reutilizados diferentes componentes para automatizar os processos de
negócio.

Também o conceito de ligação fixa a uma cadeia de recursos está a dar origem a uma noção
mais ágil de ligações baseadas em condições específicas que permitam uma resposta mais rápida,
barata e interacções mais ricas, para uma determinada tarefa. Esta mudança é inevitável: o

82
[PLATAFORMA MOBMAPS]

potencial empresarial da dinâmica de interligação de processos que podem continuamente


rearranjar-se e religar-se, é enorme (Martin et al., 2003).

A interoperabilidade entre sistemas e a reutilização que os Web Services vieram trazer foram
importantes peças na estruturação e organização de aplicações complexas. Como os Web Services
são componentes isolados (específicos para a realização de uma determinada tarefa) poderão ser
reutilizados, ou mesmo agregados a outros Web Services, as vezes que se quiser.

Dada a importância da interoperabilidade dos Web Services, foi criada uma organização
específica, a Web Services Interoperability Organization (WS-I), que tem como missão estabelecer
as melhores práticas para a interoperabilidade de Web Services, para grupos seleccionados de
padrões de Web Services, através de múltiplas plataformas, sistemas operativos e linguagens de
programação.

3.2.4.3. Web Services específicos para lidar com informação geoespacial

O Open Geospatial Consortium (OGC) foi criado em 1994 por empresas de soluções
proprietárias de SIG com o intuito de desenvolver especificações para permitir a interoperabilidade
entre sistemas que trabalham com dados geoespaciais. Na visão do OGC, os produtos e serviços
que se adaptarem às suas especificações permitirão que os utilizadores possam trocar e aplicar
informações geoespaciais, bem como parte ou a totalidade de aplicações e serviços, através de
redes e de plataformas diferentes.

Os SIG’s proprietários, voltados para das área de geotecnologias, são disponibilizados no


mercado por um elevado custo, o que restringe o acesso da grande maioria dos interessados na
área. Assim, os softwares proprietários dominaram o mercado durante anos, no entanto com o
surgimento do OGC e com a revolução do software livre (Free Software Foundation), este panorama
alterou-se, surgindo vários softwares livres. Actualmente, já existem muitas aplicações gratuitas
que seguem as especificações do OGC e, até mesmo, aplicações proprietárias, estão em fase de
adaptação a essas mesmas especificações.

83
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Especificações do OGC para o ambiente Web

As especificações do OGC mais utilizadas em aplicações Web para lidar com dados geoespaciais
são: o Web Map Service (WMS) e o Web File Service (WFS), descritos nos pontos seguintes.

Web Map Service (WMS)

A função de WMS é criar uma forma normalizada para recuperação de mapas (imagens
matriciais 2D) de dados georreferenciados (Alameh, 2003). Neste processo, os parâmetros
utilizados para a definição exacta de qual o mapa a recuperar são: (1) a representação do mapa, (2)
o tamanho do mesmo e (3) o seu sistema de referência (Sayar, et al., 2005).

São definidas três operações:

GetCapabilities: fornece metadados sobre o serviço, oferecendo informações sobre os


valores de parâmetros aceitáveis para as demais operações.

GetMap: retorna um mapa para o cliente, com sistema de referência, tamanho,


formato e transparência especificados.

GetFeatureInfo: operação opcional que retorna informações adicionais sobre pixéis


determinados pelo cliente, por meio de um mapa recuperado previamente.

Web Feature Service (WFS)

Esta especificação permite que o cliente possa encontrar dados geoespaciais codificados em
GML (Geography Markup Language) (Alameh, 2003), ou seja, suporta a comunicação normalizada
entre clientes e servidores de dados geográficos, permitindo a execução de consultas, inserções,
actualizações e remoções de características geográficas (Peng & Zhang, 2004). Para tal, foram
definidas as seguintes operações (Boucelma et al., 2002; WFS, s.d.):

GetCapabilities: retorna um documento que descreve os tipos de característica


suportados, bem como as operações permitidas por cada um destes tipos.

DescribeFeatureType: retorna a descrição de um determinado tipo de característica,


suportado pelo WFS.

84
[PLATAFORMA MOBMAPS]

GetFeature: é responsável por retornar instâncias de dados oferecidos pelo serviço,


representadas por documentos no formato GML.

Além destas operações, que definem um WFS básico que é somente de leitura, existem ainda
as seguintes operações, que definem um WFS transaccional:

Transaction: permite a realização de operações de inserção, actualização e remoção


sobre os dados mantidos sob o WFS.

LockFeature: é uma operação opcional utilizada para bloquear um ou mais itens de


dados na utilização de um WFS transaccional, permitindo a serialização.

A sequência natural na utilização de Web Services que implementa a especificação WFS


consiste de três passos. O primeiro é a utilização do método GetCapabilities pelo cliente, que
retorna as características do serviço. Em seguida, o cliente pode invocar o método
DescribeFeatureType e ter detalhes de um determinado tipo de característica. O terceiro passo
consiste em recuperar ou modificar dados, utilizando-se o método Transaction ou GetFeature.

3.3. O papel das tecnologias na plataforma MobMaps


Neste ponto é apresentado qual o papel que desempenha cada uma das tecnologias no seio da
adaptação da plataforma MobMaps ao cenário em estudo. As tecnologias aplicadas foram: blogues,
PHP, J2ME, XML e Web Services (utilizados na versão original, mas não na versão adaptada). A razão
pela qual não são aplicados Web Services na versão adaptada da plataforma será abordado à frente.

O blogue na plataforma

Na solução adaptada da plataforma, utiliza-se o Blogger, como servidor de blogues. Esta


ferramenta de blogues disponibiliza uma API, que nos fornece todos os métodos e meios
necessários para aceder, modificar e criar blogues no Blogger. A escolha recaiu sobre esta

85
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

ferramenta porque a sua utilização é gratuita (um dos requisitos iniciais para o desenvolvimento da
plataforma).

No Blogger encontram-se armazenados todos os blogues associados aos postos de controlo,


apresentando um blogue para cada posto de controlo (ver Capítulo 7).

Quando há um pedido acerca de um determinado posto de controlo, vindo do dispositivo


móvel, a camada aplicacional, usando o módulo de in/out correspondente, efectua o pedido ao
Blogger, com a identificação do blogue específico (posto de controlo), o login e a password para
aceder ao Blogger.

Toda a troca de informação entre a camada aplicacional e o Blogger é feita através de ficheiros
XML. Quando o Blogger devolve a informação correspondente ao pedido efectuado pela camada
aplicacional, ou seja, um ficheiro XML que corresponde a um ficheiro de XML generalista, contém
muita informação que não é necessária a esta plataforma. Assim, o XML recebido do Blogger passa
por um parser de XML (na camada aplicacional), onde é filtrada a informação relevante e construído
um novo ficheiro XML, o qual será enviado como resposta ao pedido efectuado pelo dispositivo
móvel.

O PHP na plataforma
Todos os métodos e rotinas que se encontram na camada aplicacional foram criados em PHP. O
processamento de toda a informação que chega à camada aplicacional, através de pedidos dos
dispositivos móveis ou como resposta do Blogger, sofre alterações e transformações todas
efectuadas em linguagem PHP.

O J2ME na plataforma

Antes da plataforma original ser desenvolvida, e aquando da escolha das tecnologias para o seu
desenvolvimento, tínhamos várias possibilidades tecnológicas à nossa disposição para servirem de
base à aplicação para os dispositivos móveis. Tivemos que analisar os prós e contras de cada uma
das tecnologias e só depois se avançou para a escolha definitiva.

Não era fácil a escolha, uma vez que todas as tecnologias tinham pontos fortes e pontos fracos,
mas duas sobressaiam: o C# e o J2ME. O C# apresentava, como pontos fortes: ser uma linguagem

86
[PLATAFORMA MOBMAPS]

dominada pela equipa de programação da plataforma Mobmaps; e permitir criar mais facilmente
uma interface apelativa e prática em relação ao que seria possível com o J2ME. Mas, em
contrapartida, é uma solução comercial que só seria executada em dispositivos com o Windows
Mobile instalado e que poderia necessitar de instalar uma Framework específica no dispositivo
(caso não tivesse ou se fosse a versão anterior), logo não se tornava tão intuitiva a sua instalação.

Da análise do J2ME destacam-se os seguintes pontos fortes: ser uma plataforma gratuita de
desenvolvimento; a maioria dos dispositivos móveis actuais é compatível com J2ME, logo não seria
necessária a instalação de mais nada além da aplicação; a equipa de desenvolvimento detinha bons
conhecimentos da linguagem de programação; e, era uma linguagem independente da plataforma.
Como pontos fracos, o J2ME é bastante limitado ao nível da criação da interface, é um pouco mais
lento na execução e os dispositivos móveis mais antigos poderão não correr a aplicação.
Feito o apanhado dos pontos fortes e fracos das soluções, optou-se pelo J2ME por ser um
sistema de desenvolvimento livre, um dos pré-requisitos do desenvolvimento da plataforma (o
outro era trabalhar com tecnologias open source). Assim, a aplicação desenvolvida para os
dispositivos móveis foi toda criada sobre J2ME. Os únicos requisitos necessários para os dispositivos
móveis é serem compatíveis com os padrões MIDP 2.1 e CLDC 1.1.

A XML na plataforma

A escolha da linguagem XML como formato de troca de informação deveu-se sobretudo aos
factos de ser um formato bem implementado na Web e de permitir-nos ter rápido acesso ao
conteúdo dos dados, podendo facilmente modificá-los. Apesar da comunicação de dados binários
ser mais leve e mais rápida, quando se pretende trabalhar os dados (aceder directamente aos
dados), não sabemos em que variáveis (quando há variáveis, se o ficheiro for binário é a posição no
ficheiro) estão os dados que nós necessitamos, também é necessário para que variáveis os dados
vão, etc.

Ao usar-se a XML, apesar de ser um ficheiro maior (do que um simples ficheiro de texto, só com
os dados), é extremamente fácil aceder aos dados do XML e manipulá-los, visto que este tipo de
ficheiro, como foi descrito anteriormente, é bem estruturado. Assim, optou-se por utilizar este tipo
de ficheiro para a troca de informação dentro da plataforma, sendo mais fácil a interligação de

87
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

futuros serviços aos serviços já existentes, necessitando apenas de haver uma correspondência de
etiquetas entre os diferentes ficheiros.

Os Web Services na plataforma

Os Web Services, apesar de não serem utilizados na versão adaptada da plataforma, poderão
ser utilizados (a plataforma encontra-se preparada para tal) caso seja necessária a ligação a
servidores de mapas. Como já se referiu anteriormente, ao se desenvolver a plataforma pretendeu-
se que ela fosse o mais genérica possível para que, dessa forma, seja facilmente adaptada a novos
serviços e/ou cenários. No cenário actual, para a Machsom Watch, como não era necessário o
acesso a mapas dinâmicos, visto ser sempre o mesmo, decidiu-se então não se recorrer a Web
Services. Caso os mapas fossem dinâmicos, aí sim, teria toda a lógica o acesso ser feita através da
implementação de Web Services, aproveitando as características que eles têm para trabalhar com
dados geográficos.

Visto ser necessário um sistema a correr para dispormos de Web Services, nesta
implementação para o cenário específico, não se viu a necessidade de se ocupar mais recursos, em
virtude de não se ir tirar partido da sua utilização.
A camada aplicacional efectua uma ligação à API do Blogger e, aí sim, existe nessa parte Web
Services a correr para dar resposta aos pedidos que lhe são efectuados.

88
[A ORGANIZAÇÃO MACHSOM WATCH]

A organização Machsom Watch


4
Neste capítulo vai ser apresentada a organização Machsom Watch. Começa-se por fazer uma
apresentação geral da Machsom Watch. De seguida é apresentada o seu perfil e o modo como
actuam os membros da organização Machsom Watch. Finalmente é apresentada a forma como os
membros da Machsom Watch actuam no terreno e a é, de igual modo, apresentado o potencial que
a plataforma poderá ter quando aplicada como suporte às actividades dos membros quando estão
no terreno.

Actualmente duas das organizações mais activas a operar em Israel, que tentam defender os
direitos humanos do povo da Palestiniano, são a “Women in Black” e a “Machsom Watch”.
Enquanto a primeira organização não opera directamente em sítios de conflito, já a segunda as suas
actividades centram-se na observação directa dos postos de controlo militares e policiais (Bart,
2004; Nadir, 2005).

Nesta dissertação vamo-nos centrar exclusivamente na segunda organização, a Machsom


Watch, visto que a plataforma desenvolvida foi adaptada para as actividades dessa organização.

89
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

A Machsom Watch (também conhecida como “Checkpoint Watch”, “Women’s Fund for Human
Rights”, “Women for Human Rights”, “Women Against the Occupation” ou “Women of the
checkpoints”) é uma organização de mulheres Israelitas criada em Fevereiro de 2001 e conta
actualmente com mais de 500 membros, todos voluntários e de vários níveis sociais. Até pela
análise do seu logótipo, um olho bem aberto, é dada a sensação de constante observação, sendo
facilmente percetível as suas principais actividades (ver Figura 10).

Figura 10 – Logotipo da organização Machsom Watch.

A organização tem como principal objectivo a monitorização dos diferentes postos de controlo,
como por exemplo em sítios como A-Ram, perto de Jerusalém. As suas actividades centram-se em:

disponibilizar online o relato das situações que ocorrem nos postos de controlo, para
que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo possa delas ter conhecimento;

resolver os problemas, no próprio local onde se encontram;

mediar situações de possíveis conflitos entre as partes.

4.1. Como surgiu


A organização Machsom Watch surgiu devido à necessidade de se criar uma entidade que
monitorizasse e desse a conhecer o que realmente se passava nos postos de controlo Israelitas,
após a entrada em vigor das medidas impostas por Israel, como resposta à Al-Aksa Intifada, que
consistia no cerco e isolamento das cidades e aldeias Palestinianas. Esta organização surgiu, então,
como necessidade de monitorizar os constantes relatos que apareciam nos media sobre os
constantes abusos dos direitos humanos verificados nesses postos de controlo.

90
[A ORGANIZAÇÃO MACHSOM WATCH]

Pode-se dizer que a Machsom Watch teve como fundadoras três mulheres, que no seu
currículo já apresentavam experiência em actividades pacíficas similares, noutros países. São elas a
Ronnee Jaeger, uma activista dos direitos humanos com uma grande experiência nessa área
adquirida na Guatemala e no México, a Adi Kuntsman, uma emigrante da antiga União Soviética
que se encontrava a residir em Israel desde 1990, e a activista veterana Yehudit Keshet, uma judia
ortodoxa. Começaram por monitorizar três dos principais postos de controlo (Nadir, 2005).

4.2. Como actuam


Normalmente são criadas equipas de dois ou três membros, as quais vão fazendo turnos de
duas a três horas nos cerca de 30 postos de controlo. Estes turnos são efectuados em horários onde
se prevê maior fluxo de pessoas a passar pelos postos de controlo, por exemplo de manhã, quando
centenas, e nalguns casos milhares (como é o caso do posto de controlo de Kalandia), de crianças
têm de cruzar os postos de controlo para irem para as escolas, altura em que os adultos também
têm que se dirigir para os seus locais de trabalho fora dos cercos militares das cidades e aldeias, e
também ao final do dia quando essas mesmas pessoas retornam às suas casas.

Os membros da organização como cidadãos Israelitas, não podem entrar no território


Palestiniano, mas a sua presença perto dos postos de controlo serve de algum modo para
monitorizar o que se passa nos postos de controlo. Com estas acções os membros da organização
pretendem garantir que os direitos humanos possam ser garantidos às pessoas que por ali tenham
que passar. Todas os dados recolhidos, aquando da observação, são posteriormente enviados para
várias organizações de direitos humanos, para o Parlamento Israelita (para os Knesset Members),
para os comandantes militares e para o público em geral. Caso haja incidentes que necessitem a
elaboração de um relatório, este é efectuado no dia seguinte ao da visita e disponibilizado no site
da organização para tornar pública a sua ocorrência. Mensalmente os membros reúnem-se e é
elaborado um relatório onde constam todas as visitas efectuadas e ocorrências verificadas. Este
relatório fica disponível no site da organização. Assim, espera-se que o público em geral tome
conhecimento e se aperceba da realidade imprevisível do que realmente se passa nos postos de
controlo, para que, desta maneira, possam de uma forma indirecta, através da pressão do público,

91
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

diminuir as situações de abusos e talvez melhorar as condições para as pessoas que todos os dias
têm que cruzar aqueles locais.

Os membros da Machsom Watch quando chegam aos postos de controlo identificam-se,


usando crachás com a identificação da organização que são colocados em local bem visível.
Também os carros quando se encontram em trânsito têm pequenas bandeiras com a identificação
da organização, para que, desta forma, os soldados possam ter conhecimento da sua chegada, do
que eles vão fazer e de que a partir daquele momento todas as suas acções serão observadas e
relatadas.

Mas as suas acções vão muito além de meros observadores: são constantemente mediadores
das situações que ocorrem, são o elo entre os dois lados do conflito, e são as vozes que conseguem
chegar às patentes com direito de acção. Enquanto tentam resolver a situação, tentam também
acalmar os ânimos no local. É normal ver-se os membros constantemente a fazer chamadas
telefónicas para os seus contactos com influência, quer estes sejam da polícia, do exército ou do
governo, dependendo da situação que tenha que ser resolvida.

“(…) Machsom Watch,[is] an organization whose members place


themselves at checkpoints in an attempt to minimize, if they cannot
altogether prevent, the daily dose of humiliation and abuse that the
Palestinian population undergoes there (…). Their task is to mitigate and
facilitate, they say, but sometimes they exert pressure on the soldiers in
order to resolve urgent humanitarian problems (…)” (Bart, 2004).

4.3. Perfil activista


A meta básica da organização é a de se oporem à ocupação Israelita dos territórios
Palestinianos e reivindicar o fim dos postos de controlo. Têm como principais objectivos, como já foi
descrito anteriormente: (1) monitorizar o comportamento dos polícias e militares nos postos de
controlo; (2) assegurar que os direitos civis e humanos são protegidos quando cidadãos
Palestinianos tentam entrar em território Israelita, agindo muitas vezes no local para que esta

92
[A ORGANIZAÇÃO MACHSOM WATCH]

situação se verifique; (3) elaborar relatórios com os resultados das observações e fazê-los chegar
aos círculos mais altos de decisão e a uma grande audiência de público em geral.

Tentam dar a conhecer a verdadeira realidade do que se passa nos postos de controlo sobre
abusos levado a cabo por militares e polícias Israelitas, em nome da segurança de Israel.

Analisando o perfil dos membros da organização conclui-se que são pessoas que: (1) pertencem
a vários e diferentes escalões etários, mas maioritariamente, o escalão mais representativo é o dos
60 aos 80 anos; (2) pertencem a diferentes estratos sociais; (3) têm uma forte incidência de
mulheres trabalhadoras com altas qualificações; (4) são cidadãos Israelitas; (5) pertencem a um
grupo político pluralista; (6) são contra a ocupação; (7) são a favor do respeito pelos direitos
humanos.

Como já se referiu, o escalão mais representativo é o dos com mais de sessenta anos, sendo
mulheres de famílias bem estabelecidas na comunidade e que têm filhos ou filhas nas fileiras do
exército Israelita. São pessoas que, a determinada altura, sentiram que alguma coisa deveria ser
feita para controlar as situações que se passam nos postos de controlo, não sendo necessariamente
pessoas com um passado como activistas políticas. Alguns membros pertencem a outras
organizações, como por exemplo à Women in Black (Nadir, 2005).

A Machsom Watch é definida como uma organização que desafia o discurso de dominação em
Israel, um discurso de segurança que ocorre geralmente longe do olhar do público em geral – nos
postos de controlo, no cruzamentos de fronteiras, em reuniões fechadas das altas esferas das forças
de segurança, etc.

“(…) Our, quiet but assertive, presence at checkpoints is a direct


challenge to the dominant militaristic discourse that prevails in Israeli
society. It demands accountability on the part of the security forces
towards the civilian estate, something hitherto almost unheard of (…)”
(Nadir, 2005).

Como cidadãos Israelitas, os membros da Machsom Watch exigem saber qual é racionalidade
que existe por detrás dos postos de controlo, para que estes possam ser considerados como meios

93
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

de segurança. Para eles, a visão que têm é outra, não se trata de proteger as vidas dos cidadãos
Israelitas, mas sim o de evitar um praticar constante de abusos e perseguições a uma população
civil que tenta viver sob o extremo das circunstâncias.

“(…) first, our presence challenges the security perception of the


state of Israel. Every day we see that the checkpoint has nothing to do
with security. It’s a little valium for the Israeli public and a lot of hassle
and damage for the Palestinian population. After all, whoever wants to
pass the checkpoint will sooner or later pass it. The military claims that it
manages to capture people. We’re not arguing with it, we’re just saying,
“we’re citizens, and you owe us a report. We came to see what you are
doing and you owe us some explanations”. It’s not enough that we’re
told “security, security”; We demand explanations.” (Keshet, 2003)

Com o passar do tempo, os membros da organização aperceberam-se que, ao estarem


presentes nos postos de controlo, poderiam ter acções diferentes do que aquelas que tinham
inicialmente: monitorizar, assegurar os direitos humanos e elaborar relatórios. Pelo simples razão
de estarem presentes nos postos de controlo poderiam ajudar a resolver as situações no local entre
os militares Israelitas e os civis Palestinianos.

Apesar de serem observadores dos postos de controlo, eles tentam ajudar na resolução das
situações da melhor maneira possível e de uma forma não organizada. Quer isto dizer que eles não
têm membros advogados especialistas em direitos humanos, não têm médicos com clínicas
ambulatórias para tratar os doentes e não dão comida, porque não têm aprovisionamentos. As
pessoas que atravessam diariamente os postos de controlo não poderão esperar que eles estejam
sempre presentes, porque eles efectuam rondas por todos os 30 postos. Resumindo, eles ajudam, à
sua maneira e da melhor forma possível, a tentar ultrapassar as situações no próprio local e o mais
rapidamente possível.

94
[A ORGANIZAÇÃO MACHSOM WATCH]

Apesar de serem observadores nos postos de controlo, não tem por intenção interferir nas
rotinas dos militares que seguem ordens superiores, mas sim assegurar que os direitos humanos e
de dignidade são respeitados.

4.4. Actuação no terreno da Machsom Watch e potencial


impacto de uma plataforma tecnológica
Como já foi referido ao longo deste capítulo, a Machsom Watch é uma organização não
governamental, constituída completamente por mulheres e todas elas Israelitas. Têm como missão
tentar que não aconteçam violações dos direitos humanos, levadas a cabo por militares e polícias
Israelitas, que estão destacados nos postos de controlo nos territórios ocupados da Palestina, e,
caso aconteçam, denunciá-las juntos dos órgãos competentes das organizações dos direitos
humanos e público em geral.

Os membros da organização esperam que as suas acções, como observadores, venham fazer
com que haja menos ocorrências e, caso haja alguma, possam, no próprio local, intervir da melhor
maneira possível e de uma forma não organizada, para que a solução para a ocorrência possa ser
mais rápida e mais justa.

Por norma, eles constituem grupos de dois a três membros e fazem rondas com turnos de duas
a três horas, nos cerca de 30 postos de controlo. Estes turnos são efectuados, normalmente nos
postos e nas horas onde haja maior fluxo de pessoas que tenham que passar pelos postos de
controlo. Os maiores fluxos dão-se durante a manhã, com a ida das pessoas que trabalham fora das
zonas do cerco militar e com a ida das crianças para irem para as escolas, e ao fim da tarde aquando
do regresso dos trabalhadores e das crianças às suas casas.

A actividade dos membros da Machsom Watch é a de monitorizar o que se passa nos postos de
controlo, verificando-se que, como são Israelitas, eles não poderão estar em solo Palestiniano.
Apesar de serem observadores nos postos de controlo, não tem por intenção interferir nas rotinas
dos militares que seguem ordens superiores, mas sim, assegurar que os direitos humanos e de
dignidade são respeitados.

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Ao fazerem isto, os voluntários que trabalham na organização esperam que possam melhorar,
nem que seja por um pouco, as condições das pessoas que têm de atravessar os postos de controlo
diariamente. Apesar de todo o seu esforço, existem muitas situações em que eles têm muita
dificuldade em resolver, como por exemplo a coordenação entre diferentes agentes no terreno, a
possibilidade de elaborar e disponibilizar os relatórios sobre os incidentes, a necessidade de ter
acesso a resposta em tempo real e a necessidade de dar a conhecer às pessoas em todo o mundo o
que se está a passar naquele momento em tempo real.

Como estamos a falar de uma organização não-governamental, apresentando grandes


dificuldades ao nível de recursos, muitos destes problemas são incontroláveis, actualmente.

Mas dentro dos possíveis, no fim das rondas, são elaborados relatórios onde constam as
possíveis ocorrências que possam ter havido durante o período de observação. Esses relatórios são
posteriormente enviados para outras organizações de defesa dos direitos humanos, para os
comandantes militares, para o Parlamento Israelita e, também, para o público em geral. É também
efectuado um relatório mensal onde constam todas as ocorrências que tenham havido ficando
disponível online no site da organização.
Vai ser ilustrado, de seguida, um possível procedimento por parte de um membro da Machsom
Watch quando se depara com uma situação de abuso num dos postos de controlo que eles
monitorizam, primeiro seguindo passo a passo os procedimentos actuais, ou seja, sem apoio
tecnológico além de voz por telemóveis, posteriormente os mesmos procedimentos, mas desta vez
com recurso a uma plataforma tecnológica proposta para dar aopio à organização.

Exemplo de actuação sem apoio da plataforma tecnológica

1. Sarah, uma voluntária da organização, testemunha, no posto de controlo de A-Ram, que


os militares Israelitas não deixam passar dois Palestinianos para irem trabalhar.

2. Sarah tenta interferir, junto dos militares, para deixarem passar os Palestinianos. Estes
não cedem e a tensão começa a aumentar nos dois lados.

3. Sarah telefona para a Ruth, que está na sede da organização, e expõe-lhe a situação.

96
[A ORGANIZAÇÃO MACHSOM WATCH]

4. Ruth, após ter tomado todo o conhecimento da situação, telefona para o comandante
Avi, que é o comandante militar da região. Este, após tomar conhecimento da situação,
promete actuar para resolver a situação.

5. Ruth telefona à Sarah e dá-lhe a conhecer o desenrolar da situação, pedindo-lhe ainda


que entre novamente em contacto com ela dentro de uma hora, para dar a conhecer o
ponto da situação.

6. Após uma hora, Sarah telefona à Ruth e comunica-lhe que a situação está inalterável,
sendo necessário resolver rapidamente o problemal.

7. Ruth telefona novamente ao comandante Avi, para lhe dar conhecimento de que a
situação não foi resolvida, e pede-lhe que intervenha o mais rápido possível para
resolver a mesma.

8. Sarah telefona novamente à Ruth para lhe comunicar que finalmente a situação foi
resolvida e como foi resolvida.

9. Sarah escreve um relatório, disponibiliza o relato online e envia uma cópia para a Ruth.

Exemplo de actuação com apoio da plataforma tecnológica

Mas se colocarmos a plataforma adaptada como apoio às suas actividades, alguns, senão todos,
problemas atrás descritos, poderão ser ultrapassados, querendo isto dizer que não são eliminados
os problemas, mas sim que se vai conseguindo ter uma verdadeira noção do estado em que a
resolução das situações se encontra em determinado momento. Vejamos como poderia ser o
desenrolar da mesma situação, mas agora utilizando a plataforma como apoio:

1. Sarah, uma voluntária da organização, testemunha, no posto de controlo de A-Ram, que


os militares Israelitas não deixam passar dois Palestinianos para irem trabalhar.

2. Sarah tenta interferir, junto dos militares, para deixarem passar os Palestinianos. Estes
não cedem e a tensão começa a aumentar nos dois lados.

3. Sarah, como não consegue resolver a situação no local, pode agir de duas formas:
telefonar à Ruth a dar conhecimento da situação e posteriormente criar uma nova
entrada (ocorrência) para o posto de controlo A-Ram, recorrendo para isso, à aplicação

97
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

instalada no seu telemóvel, servindo isso para dar conhecimento à comunidade geral da
situação; ou efectuar só esta última acção, ou seja, seleccionar o posto de controlo de
A-Ram, seleccionar a opção de ler os dados referentes àquele posto e criar uma nova
entrada, à informação lá existente, onde expõe a ocorrência, e no final enviando-a para
o servidor.

4. Ruth tem conhecimento da ocorrência de A-Ram escrita por Sarah, após ter recebido as
actualizações da informação sobre todos os postos de controlo do servidor. Ruth
telefona para o comandante Avi, que é o comandante militar da região. Este, após
tomar conhecimento da situação, promete actuar para resolver a situação.

5. Ruth acrescenta uma nova entrada de informação, à já existente de A-Ram, e submete-


a ao servidor. Nessa informação, consta os procedimentos tomados para resolução da
ocorrência.

6. Ruth, após algum tempo, verifica se existe alguma actualização à informação do posto
de A-Ram e verifica que não existe nada de novo. Então decide telefonar novamente ao
comandante Avi, para lhe pedir a maior brevidade possível na resolução do assunto.

7. A ocorrência foi resolvida com sucesso. Sarah insere uma nova entrada de informação à
informação do posto de A-Ram. Ruth recebe uma actualização da informação referente
ao posto de A-Ram e verifica que a situação já foi resolvida com sucesso.

10. Ruth escreve o relatório sobre o incidente e disponibiliza-o online.

Podemos verificar que o uso de dispositivos móveis, quando interligados ao trabalho


colaborativo, permitem que qualquer pessoa, em qualquer lugar e em qualquer altura, possa
adicionar informação e que esta possa ajudar a superar alguns dos problemas que foram descritos
anteriormente. Assim, a publicação da informação pode ser conseguida de forma mais eficaz,
reduzindo o tempo de percurso da informação (tempo necessário para que a informação
recuperada do terreno chegue aos níveis superiores de decisão) (Gens et al., 2007) e aumentando o
número de pessoas que podem aceder imediatamente aos dados após a sua publicação. Estas
situações podem levar a que diferentes equipas possam ter acesso à mesma informação, muito
importante quando se pretende uma coordenação eficiente entre elas.

98
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

Adaptação da plataforma Mobmaps ao


cenário da Machsom Watch
5
Neste capítulo vai ser apresentada a adaptação da plataforma MobMaps ao cenário da
Machsom Watch. Começa-se por fazer uma análise dos principais requisitos tidos em conta
aquando do desenvolvimento de uma plataforma que pudesse servir de suporte à actividade diária
da Machsom Watch. De seguida é apresentada a interface de utilização da aplicação desenvolvida
para o cenário da Machsom Watch. Finalmente é apresentada a forma como os diversos
componentes da plataforma MobMaps foram adaptados ao cenário da Machsom Watch.

5.1. Análise de requisitos


Os voluntários da Machsom Watch necessitam de estar em constante movimento. Como já foi
referido na secção 4.2., referente a como actua a organização, os voluntários fazem turnos de dois a
três horas nos cerca de 30 postos de controlo. Por conseguinte, quando eles estão a efectuar as
suas rondas, eles estão junto dos postos, ou seja, estão num meio onde não existe o acesso
tradicional à Internet, para que, dessa forma, possam aceder e comunicar com a sede. Só dispõem
dos tradicionais telemóveis.

99
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Quando acontece algum tipo de problema, num dos postos de controlo que estão a ser
monitorizados por membros da organização, as acções que poderão ser desencadeadas por eles
poderão ser:

1) Caso a situação possa ser resolvida com a ajuda dos observadores, a situação será resolvida
e são tomadas notas da ocorrência e da respectiva acção de resolução para a elaboração,
mais tarde do respectivo relatório, a ser feito quando chegarem à sede da organização.

2) Caso a situação não possa ser resolvida no próprio local pelos observadores, eles poderão
utilizar o telemóvel através de comunicações por voz, para contactarem a sede, e a partir
de lá tentarem levar a cabo as acções que julguem necessárias para a boa resolução da
ocorrência no posto. Esta situação requer que os observadores tenham que fazer, por
vezes, diversas chamadas, para assim, poderem ficar a saber o desenrolar das acções em
curso. Para além de que, é necessário estar sempre alguém na sede naqueles momentos
para poder atender as respectivas chamadas.

Na Machsom Watch, apesar de os seus membros serem unicamente mulheres, eles são
distribuídos por várias faixas etárias, estratos sociais, níveis socioeconómicos e níveis de
escolaridade.
Assim, após análise da típica acção dos membros da organização e sabendo quem são os seus
membros, podemos considerar que os principais requisitos a ter em conta aquando dum
desenvolvimento de uma plataforma que possa servir como suporte à actividade diária da
organização serão os descritos a seguir.
A aplicação que deverá ser desenvolvida para ser usada pelos membros quando eles estão no
terreno, ou seja, como observadores nos postos de controlo, deverá passar necessariamente por
ser uma aplicação para um dispositivo móvel que tenha uma boa cobertura e também uma boa
autonomia. De entre os dispositivos móveis, o mais correcto é escolhermos os telemóveis,
porquesão os dispositivos, que como já referimos anteriormente, apresentam mais e melhores
qualidades e porque, se a aplicação puder ser instalada nos dispositivos actuais que os
observadores possuem, já não será necessário terem formação sobre a utilização de novos
dispositivos, visto que eles já estão familiarizados com o seu próprio dispositivo.

100
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

Como existem membros de diferentes faixas etárias, estratos sociais e níveis de escolaridade,
tornava-se essencial que a aplicação que viesse a ser desenvolvida, tivesse que ser, por um lado,
simples, intuitiva e fácil de utilizar, e, por outro lado, que fosse robusta e eficiente nas suas funções.
A aplicação a desenvolver teria que ter acesso constante às mensagens (registos) acerca de cada
posto de controlo. E teria que possibilitar a inserção de nova informação àquela já existente, caso
fosse necessário.

5.2. Apresentação da solução tecnológica do ponto de vista do


utilizador
Nesta secção vai-se falar da concepção da plataforma para servir de apoio às actividades dos
observadores da Machsom Watch em exercício nos postos de controlo. Assim, será apresentada a
interface da aplicação, os vários ecrãs e que funcionalidades disponibilizam. A plataforma MobMaps
foi adaptada para dar resposta ao levantamento dos requisitos do cenário. Estes requisitos foram
descritos na secção 5.1. Achou-se por bem dotar a aplicação de uma interface fácil e extremamente
simples de utilizar, exactamente para dar resposta a alguns dos requisitos, que foram a diversidade
de idades, extractos sociais e níveis de escolaridade dos membros da organização. O que
interessava era desenvolver uma aplicação que servisse as necessidades dos observadores de uma
forma simples e bastante rápida. Isso leva a que os observadores possam ter sempre a informação
que necessitam e/ou fazer o upload de nova informação, de uma forma bastante rápida e simples
(porque a introdução da nova informação assemelha-se bastante à escrita de uma simples SMS).

De seguida vai ser apresentada a aplicação para telemóvel desenvolvida e que faz parte da
plataforma MobMaps, adaptada especificamente para o cenário das actividades da organização da
Machsom Watch.

Antes de se poder usar a aplicação, esta terá que ser instalada no telemóvel (Figura 11). Esse
processo poderá ser efectuado através do software específico de cada telemóvel instalado no
computador ou, como a maioria dos telemóveis actualmente tem cartão de memória, também se
poderá passar o ficheiro jar para o cartão, por exemplo, usando um leitor de cartões. Estando o jar
no telemóvel, bastará procurar onde ele está e executá-lo para o instalar. Depois deste
procedimento, selecciona-se a aplicação e executa-se.

101
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Figura 11 – Instalação do ficheiro jar no telemóvel.

Quando a aplicação é executada, o primeiro ecrã que é mostrado é um ecrã de apresentação e


identificação da plataforma, ou seja, o logótipo da aplicação (Figura 12)

Figura 12 – Ecrã inicial da aplicação MobMaps.

De seguida, a aplicação vai verificar se tem algum mapa em memória. Como é a primeira vez,
ela vai pedir autorização para usar a ligação à rede. Após alguns segundos, é mostrado ao utilizador
o ecrã principal da aplicação, ou seja, o ecrã com o mapa e os postos de controlo assinalados no
mapa (Figura 13).

102
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

Figura 13 – Ecrã principal da aplicação mostrando o mapa e os postos de controlo.

As teclas necessárias para ao uso da aplicação são os botões direccionais e os dois botões
superiores de acção (ver os botões assinalados na Figura 14).

Figura 14 – Botões que são usados na aplicação.

No ecrã principal, o do mapa, podemos nos movimentar por entre os postos de controlo,
usando para isso os botões direccionais (Figura 13). Por exemplo, para andarmos para o posto de

103
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

controlo de A-Ram, carregávamos no botão para baixo (Figura 15). O posto que está seleccionado
fica com a cor vermelha.

Figura 15 – Botão usado para movimentação para baixo.

Se quisermos ir para cima, carregávamos no botão para cima (Figura 16). Ao estarmos no posto
de controlo que nos interessa, caso queiramos ver a informação que existe agregada a esse posto
de controlo, carregamos no botão de acção superior direito, que fica por baixo do menu com o
texto: “See Qalandiya” (Figura 17).

Figura 16 – Botão usado para movimentação para cima.

104
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

Figura 17 – Botão de acção para seleccionar a acção.

Um novo ecrã é mostrado ao utilizador, desta feita com a informação que existe sobre o posto
de controlo que ele seleccionou, por exemplo sobre o posto de controlo de Qalandiya (Figura 18).

Figura 18 – Ecrã com a informação anexada ao posto de controlo de Qalandiya.

105
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Aí consta toda a informação, que esse posto tem agregada a si, colocada sobre uma forma
cronológica. Podemos nos movimentar para cima e/ou para baixo, usando as teclas de direcção de
subir e descer (Figuras 15 e 16). Para sair para o ecrã do mapa carregamos no botão de acção do
lado superior esquerdo (Figura 19).

Figura 19 – Botão de acção superior esquerdo de função de cancelamento ou de andar para trás.

Se necessitarmos de inserir nova informação carregamos no botão de acção superior direito


(Figura 17), por debaixo do menu de “new message”. Um novo ecrã surge onde é pedido ao
utilizador que insira o título da nova informação (Figura 20). Após escrevermos o título, carregamos
novamente no botão de acção superior direito. De seguida será apresentado o ecrã para o
utilizador escrever a informação (Figura 21). Quando acabar, o utilizador poderá carregar
novamente no botão de acção superior direito, que dá acesso a um menu. Nesse menu, o utilizador,
usando os botões de direcção do telemóvel, poderá escolher entre fazer o upload dessa informação
para o servidor, e dessa maneira ficar automaticamente disponível para toda a gente em qualquer
parte, ou cancelar (Figura 22). Em qualquer altura o utilizador poderá sempre cancelar o processo,
carregando no botão superior esquerdo (Figura 19).

106
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

Figura 20 – Ecrã de inserção do título da nova informação.

Figura 21 – Ecrã de inserção da nova informação.

Figura 22 – Menu de upload da informação para o servidor ou para cancelar a inserção da nova informação.

107
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Após seleccionar o upload da informação, o ecrã muda automaticamente para o ecrã principal,
o do mapa e, caso escolhamos o mesmo posto de controlo para ver a informação, iremos verificar
que a nova informação já se encontra disponível.
Caso o utilizador queira introduzir mais informação para outros postos de controlo, o processo é
idêntico ao descrito anteriormente.

5.3. Visão geral da adaptação da plataforma MobMaps ao


cenário da Machsom Watch
Da plataforma MobMaps, descrita na secção 3.1, foi feita uma adaptação da mesma para se
poder aplicar no cenário da Machsom Watch. Na Figura 23 pode-se ver o diagrama de
implementação da adaptação e pode-se verificar que é constituída por três módulos que são:
dispositivo móvel, camada aplicacional e, por último, um servidor de blogues. As acções que são
processadas no dispositivo móvel e na camada aplicacional já se encontram descritas na secção 3.1,
onde é apresentada a plataforma genérica. Quanto ao servidor de blogues foi escolhido o Blogger,
por este ser gratuito e proporcionar uma API para facilitar a comunicação com ele.

Figura 23 – Diagrama de implementação da plataforma Mobmaps adaptada para o cenário da Machsom Watch.

Pela análise dos requisitos, levantados na secção 5.1, verificamos que a plataforma necessitará
apenas de funcionar só com um servidor de dados (neste caso um blogue). Como a imagem do
mapa é fixa, esta imagem encontra-se no presente momento alojada no servidor onde está a correr
a camada aplicacional. Mas caso o mapa necessite de ser dinâmico outro módulo de in/out será
criado para satisfazer esse requisito.

108
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

Nesta implementação, o dispositivo móvel faz quatro pedidos à camada aplicacional: (1) pedido
de mapa; (2) pedido de posicionamento dos postos de controlo; (3) pedido de informação de um
determinado posto de controlo; e (4) pedido de envio de nova informação para um determinado
posto de controlo.

5.3.1. Adequação do funcionamento da camada aplicacional

A camada aplicacional recebe os pedidos do telemóvel, filtra a informação através do parser de


XML, selecciona a informação necessária e elabora o pedido ao servidor de blogues. Este, por sua
vez, devolve a informação requerida à camada aplicacional. Aqui, a XML que vem do servidor de
blogues sofre um novo processo de parsing para a filtragem e transformação da informação de
modo a que ela fique adequada para ser enviada para o telemóvel, visto que a informação que vem
do servidor de blogues contêm muitos dados que não são necessários para o funcionamento desta
plataforma, logo, torna-se necessário que a informação tenha que passar por um parser e deva ser
filtrada de modo a que apenas a informação relevante seja enviada para o telemóvel. Após essa
filtragem, a informação ainda sofre um processo de transformação para ser adequada ao
dispositivo móvel que fez o pedido e, só depois deste processo, é que a camada aplicacional cria um
novo XML e o envia como resposta ao pedido do telemóvel.

Todo este processo, quer na rapidez, quer no volume, só é possível porque se está a utilizar em
todo o processo de comunicação, ficheiros XML.

5.3.2. Adequação do funcionamento dos pedidos de mapas

O pedido de mapa é um pedido que, como já foi mencionado anteriormente, é fixo, ou seja, é
sempre o mesmo mapa sem alterações, sendo este apenas pedido na primeira vez que o dispositivo
fizer a ligação à camada aplicacional. A partir desse momento, o mapa fica guardado na memória do
dispositivo móvel e a aplicação, quando é executada, primeiro verifica se já existe algum mapa na
memória e, caso não o encontre, é feito um pedido do mapa à camada aplicacional. Nesta, o mapa
sofre as alterações necessárias consoante as especificações que vieram do dispositivo móvel, ou
seja, resolução, tamanho do ecrã e memória que poderá ocupar, só depois é que o mapa será

109
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

enviado para o dispositivo móvel. Depois do mapa ser carregado para a memória do dispositivo
móvel, é feito um novo pedido com a requisição dos postos de controlo e a sua localização, uma vez
que a inserção de novos postos de controlo não é possível ser efectuada a partir do dispositivo
móvel (a inserção de novos postos terá que ser feita na camada aplicacional). Mais uma vez, visto
os postos de controlo e a sua localização no mapa serem normalmente sempre iguais, também esta
informação só é pedida na primeira vez que o dispositivo se liga à camada aplicacional, sendo que
após a primeira vez, a informação já está guardada na memória do dispositivo. Quando o
dispositivo móvel necessita dessa informação, é enviado um pedido mencionando que já tem
postos de controlo e a sua localização em memória e quantos são. Se coincidir a informação com
aquela que está na camada aplicacional, ela enviará unicamente uma resposta para confirmar que a
informação que o dispositivo tem está actualizada. Caso a informação não coincida (é o que
acontece quando é a primeira vez), a camada aplicacional envia a resposta ao dispositivo móvel
com os postos de controlo e a sua localização.

5.3.3. Adequação do funcionamento da aplicação no telemóvel

O dispositivo móvel poderá fazer mais dois tipos de pedido à camada aplicacional: 1) pedido da
informação agregada a um determinado posto de controlo, e 2) requisição de inserção de nova
informação para um determinado posto de controlo.

No primeiro pedido, o da informação agregada a um posto de controlo, o dispositivo móvel


envia para a camada aplicacional, o pedido, indicando qual o posto de controlo. A camada
aplicacional, através do módulo de in/out, estabelece uma ligação ao Blogger, através de um Web
Service, para fazer o pedido de leitura de informação do posto de controlo correspondente ao
solicitado pelo dispositivo móvel. O Blogger envia uma resposta, que é recebida pelo módulo de
in/out. Após a camada aplicacional ter recebido a resposta do Blogger, faz o parsing à informação
recebida, filtrando o que interessa e descartando o que não interessa. É criado um novo ficheiro
que contem a informação relevante, sendo este ficheiro que irá ser enviado para o dispositivo
móvel, como resposta ao pedido efectuado por ele.

Quando o dispositivo móvel faz um pedido à camada aplicacional para inserir nova informação
num determinado posto de controlo, a camada aplicacional cria um novo documento com a

110
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

informação que recebeu do dispositivo móvel e, através do módulo de in/out, faz um pedido de
inserção de informação ao Blogger. Este verifica se a informação que recebeu está conforme. Se
sim, verifica qual o blogue onde será inserida a nova informação e coloca um novo post, no
respectivo blogue.

Caso o dispositivo móvel queira consultar de imediato a informação do respectivo posto de


controlo, verificará que, a informação adicionada por ele, já estará lá contida.

Como podemos verificar, esta implementação é muito mais simplificada do que a


implementação genérica, mas suficientemente robusta para dar resposta total às necessidades da
Machsom Watch, quando os seus membros se encontram na função de observadores em postos de
controlo.

No Anexo 2 encontram-se alguns diagramas UML da adaptação.

5.3.4. Modelos de dados em XML

Para estruturar a informação foi necessário criar vários modelos de dados em XML.
Apresentam-se de seguida esses modelos, recorrendo a exemplo concretos de aplicação dos
mesmos.

Modelo de pedido de mapa

<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>


<Request>
<Service_ID>1</Service_ID>
<ID_Function>1</ID_Function>
<Initial_Coord>
<Valor_X></Valor_X>
<Valor_Y></Valor_Y>
</Initial_Coord>
<Central_Coord>
<Valor_X></Valor_X>
<Valor_Y></Valor_Y>
</Central_Coord>
<Cursor>

111
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

<Valor_X>0</Valor_X>
<Valor_Y>0</Valor_Y>
</Cursor>
<Screen_Size>
<Height>289</Height>
<Widht>240</Widht>
</Screen_Size>
<User>
<Login>xxxx</Login>
<Password>xxxxx</Password>
</User>
<IDApp>-1</IDApp>
<Zoom>0</Zoom>
<Prefer>
<Num_Msg>-1</Num_Msg>
<Num_Dias>-1</Num_Dias>
<Temas></Temas>
</Prefer>
</Request>

Figura 24 – Exemplo do pedido de mapa.

Neste pedido, Figura 24, a etiqueta <Service_ID> identifica o tipo de serviço e a <ID_Function>
identifica o tipo de função do pedido. Depois temos, dentro da <Initial_Coord>, a <Valor_X> e a
<Valor_Y> que são utilizadas quando se está a trabalhar com mapas dinâmicos, representando os
dados das coordenadas iniciais de x e y, que irão ser utilizadas como coordenadas iniciais
georreferenciadas para o início do novo mapa. Dentro da <Central_Coord>, temos novamente a
<Valor_X> e a <Valor_Y>, servindo neste caso, para, por um lado, serem usadas como coordenadas
georeferenciadas do mapa para ser utilizadas em zoom in ou out, sabendo-se o centro do ecrã, e a
opção de zoom, é possível calcular a nova área para o novo mapa (zoom centrado ao ecrã) e, por
outro lado, serem usadas como apoio das medidas enviadas do ecrã, permitindo calcular com
menos erro as medidas e a georreferenciação do novo mapa. A etiqueta <Cursor>, que inclui as
etiquetas <Valor_X> e </Valor_Y>, serve para o cálculo do zoom em redor das coordenadas do
cursor. A etiqueta <Screen_Size>, que inclui valores de <Height> e de <Widht>, contém as medidas
do ecrã do dispositivo móvel que ser vão utilizadas para o cálculo do novo mapa. Dentro da <User>
temos a <Login> e a <Password>, necessárias para aceder e se autenticar no servidor, <IDApp>
serve para identificar o estado da aplicação e <Zoom> para identificar qual o nível de zoom e se é

112
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

zoom in ou out. Dentro da etiqueta <Prefer> temos <Num_Msg> (que corresponde ao número de
mensagens que queremos ir buscar), <Num_Dias> (referente à quantidade de mensagens de n dias)
e por fim <Temas>, que no caso de haver vários, irá o seu valor corresponder ao tema que se quer.
No caso da implementação no cenário da Machsom Watch, é deste cenário a que se refere o
exemplo atrás, só são necessárias as etiquetas: que estão em uso, ou seja, as etiquetas de
<Service_ID>, <ID_Function>, <Screen_Size>, <Height>, <Widht>, <User>, <Login> e <Password>.
Todas as outras devem ser utilizadas quando o pedido é feito para mapas dinâmicos, que não é o
caso deste cenário.

Modelo de pedido de localização dos postos de controlo

<<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>


<Pois>
<Poi>
<ID>1</ID>
<Blog>
<ID>1</ID>
<Titulo>Qalandiya</Titulo>
<Texto>0</Texto>
<Tema>0</Tema>
</Blog>
</Poi>
<Poi>
<ID>2</ID>
<Blog>
<ID>2</ID>
<Titulo>A-Ram</Titulo>
<Texto>0</Texto>
<Tema>0</Tema>
</Blog>
</Poi>
<Poi>
<ID>3</ID>
<Blog>
<ID>3</ID>
<Titulo>Abu_Dis</Titulo>
<Texto>0</Texto>
<Tema>0</Tema>
</Blog>
</Poi>
<Poi>
<ID>4</ID>
<Blog>
<ID>4</ID>
<Titulo>Sawahre</Titulo>
<Texto>0</Texto>
<Tema>0</Tema>

113
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

</Blog>
</Poi>
<Poi>
<ID>5</ID>
<Blog>
<ID>5</ID>
<Titulo>Bethlehem</Titulo>
<Texto>0</Texto>
<Tema>0</Tema>
</Blog>
</Poi>
<Poi>
<ID>6</ID>
<Blog>
<ID>6</ID>
<Titulo>The_Thunnels</Titulo>
<Texto>0</Texto>
<Tema>0</Tema>
</Blog>

</Poi>
<Poi>
<ID>7</ID>
<Blog>
<ID>7</ID>
<Titulo>Al_Khadr</Titulo>
<Texto>0</Texto>
<Tema>0</Tema>
</Blog>
</Poi>
<Poi>
<ID>8</ID>
<Blog>
<ID>8</ID>
<Titulo>Ezion</Titulo>
<Texto>0</Texto>
<Tema>0</Tema>
</Blog>
</Poi>
</Pois>

Figura 25 – Exemplo do pedido de localização dos postos de controlo.

Na Figura 25, a etiqueta <Poi> inclui <ID> (identificação do POI) e <Blog>. Esta, por sua vez,
inclui o <ID> (identificação do blogue associado a esse POI), <Titulo> (nome do POI), <Texto> (caso
fosse para descarregar automaticamente os dados agregados ao POI) e <Tema> (caso haja temas
em uso). Tanto <Texto> como <Tema> não são utilizados neste cenário.

114
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

Modelo da resposta ao pedido de localização dos postos de controlo

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>


<Resp_Request_Mapa>
<Coord_Inicial>
<Valor_x></Valor_x>
<Valor_y></Valor_y>
</Coord_Inicial>
<Coord_Central>
<Valor_x></Valor_x>
<Valor_y></Valor_y>
</Coord_Central>
<Pois>
<Poi>
<ID>1</ID>
<Valor_x>141</Valor_x>
<Valor_y>43</Valor_y>
<Titulo>Qalandiya</Titulo>
</Poi>
<Poi>
<ID>2</ID>
<Valor_x>143</Valor_x>
<Valor_y>64</Valor_y>
<Titulo>A-Ram</Titulo>
</Poi>
<Poi>
<ID>3</ID>
<Valor_x>182</Valor_x>
<Valor_y>159</Valor_y>
<Titulo>Abu_Dis</Titulo>
</Poi>
<Poi>
<ID>4</ID>
<Valor_x>200</Valor_x>
<Valor_y>182</Valor_y>
<Titulo>Sawahre</Titulo>
</Poi>
<Poi>
<ID>5</ID>
<Valor_x>126</Valor_x>
<Valor_y>201</Valor_y>
<Titulo>Bethlehem</Titulo>
</Poi>
<Poi>
<ID>6</ID>
<Valor_x>99</Valor_x>
<Valor_y>218</Valor_y>
<Titulo>The_Thunnels</Titulo>
</Poi>
<Poi>
<ID>7</ID>
<Valor_x>89</Valor_x>
<Valor_y>240</Valor_y>
<Titulo>Al_Khadr</Titulo>
</Poi>
<Poi>

115
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

<ID>8</ID>
<Valor_x>54</Valor_x>
<Valor_y>293</Valor_y>
<Titulo>Ezion</Titulo>
</Poi>
</Pois>
</Resp_Request_Mapa>
Figura 26 – Exemplo da resposta ao pedido de localização dos postos de controlo.

Neste pedido (Figura 26) a etiqueta <Resp_Request_Mapa> inclui a etiqueta <Coord_ Initial>,
que contém a <Valor_X> e a <Valor_Y> utilizadas quando se está a trabalhar com mapas dinâmicos
para ajudar no cálculo das coordenadas dos POIs, a etiqueta < Coord _Central>, que contém
novamente a <Valor_X> e a <Valor_Y> utilizadas mais uma vez para ajudar no cálculo das
coordenadas dos POIs, e a etiqueta <Poi>, que por sua vez inclui a <ID>, para a identificação do POI,
a <Valor_X> e a <Valor_Y>, com as coordenadas relativas para o ecrã do dispositivo móvel e
<Titulo>, que corresponde ao nome do POI.

Modelo de pedido de informação sobre Qalandiya

<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>


<Request>
<Service_ID>1</Service_ID>
<ID_Function>2</ID_Function>
<User>
<Login>xxxx</Login>
<Pass>xxxx</Pass>
</User>
<Poi_Name>Qalandiya</Poi_Name>
<Blog_Name>Qalandiya</Blog_Name>
</Request>
Figura 27 – Exemplo do pedido de informação sobre Qalandiya.

Na Figura 27, que ilustra o pedido de informação sobre o posto de controlo de Qalandyia, a
etiqueta <Service_ID>, identifica o serviço a <ID_Function> identifica a função deste pedido, a
<User>, que contém novamente a <Login> e a <Pass>, trnsporta os dados de autenticação, a
<Poi_Name> identifica o nome do POI e a <Blog_Name> que identifica o nome do blogue associado
ao ID do pedido.

116
[ADAPTAÇÃO DA PLATAFORMA MOBMAPS AO CENÁRIO DA MACHSOM WATCH ]

Modelo de pedido para upload de nova informação para o posto de controlo de Qalandiya

<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>


<Send_New_Post>
<Service_ID>1</Service_ID>
<ID_Function>6</ID_Function>
<User>
<Login></Login>
<Pass></Pass>
</User>
<Poi_Name>Qalandiya</Poi_Name>
<Blog_Name>Qalandiya</Blog_Name>
<Post>
<Title>new confrontation</Title>
<Text>New confrontation between some military mens and palestinian
citizens.</Text>
</Post>
</Send_New_Post>

Figura 28 – Exemplo do pedido para upload de nova informação para o posto de controlo de Qalandiya.

Aqui temos a etiqueta <Service_ID>, que identifica o serviço (Figura 28), a <ID_Function>, que
identifica a função deste pedido, neste caso o upload de informação, a <User> contendo
novamente a <Login> e a <Pass>, que transporta os dados de autenticação, a <Poi_Name>, que
identifica o nome do POI, a <Blog_Name>, que identifica o nome do blogue associado ao ID do
pedido, e a <Post>, contento a <Title> e a <Text>, que transporta o título da nova entrada e o texto
da entrada, respectivamente.

Modelo da resposta ao pedido de informação sobre o posto de controlo de Qalandiya

<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>


<Post_Request>
<Poi_Name>Qalandiya</Poi_Name>
<Blog_Name>Qalandiya</Blog_Name>
<Posts>
<Post>
<Title>new confrontation</Title>
<Date>2008-07-08T15:52:00.001-07:00</Date>
<Text>New confrontation between some military and
palestinian citizens.</Text>

117
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

<Author>Mobmaps</Author>
</Post>
<Post>
<Title>Location of checkpoint</Title>
<Date>2008-02-01T14:42:00.000-08:00</Date>
<Text>three kilometers south of Ramallah, in the heart of
Palestinian population. Integrates into "Jerusalem Envelope"
as part of Wall that separates between northern suburbs that
were annexed to Jerusalem in 1967: Kafr Aqab, Semiramis
and Qalandiya, and the villages of Ar-Ram and Bir Nabala, also
north of Jerusalem, and the city itself. Some residents of Kafr
Aqab, Semiramis and Qalandiya have Jerusalem ID
cards.</Text>
<Author>Mobmaps</Author>
</Post>
<Post>
<Title>northbound pedestrians are not checked</Title>
<Date>2008-01-01T16:00:00.000-08:00</Date>
<Text>A terminal operated by Israel Police has functioned since
early 2006. As of August 2006, northbound pedestrians
are not checked. Southbound Palestinians must carry
Jerusalem IDs; holders of Palestinian Authority IDs cannot pass
without special permits. Vehicular traffic from Ramallah to
other West Bank areas runs to the north of Qalandiya.</Text>
<Author>Mobmaps</Author>
</Post>
</Posts>
</Post_Request>

Figura 29 – Exemplo da resposta ao pedido de informação sobre o posto de controlo de Qalandiya.

Na Figura 29, a etiqueta <Post_Request> requer a informação específica de um POI, ou seja,


<Poi_Name>, nome do POI, <Blog_Name>, nome do blogue associado ao pedido, e <Post>,
contento a <Title>, a <Date>, a <Text> e a <Autor> que, transporta o título da nova entrada, a data
da sua criação, o texto da entrada e o autor dessa entrada, respectivamente.

118
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

Recolha e análise de dados


6
Neste capítulo vai ser apresentada o processo de recolha e análise dos dados. Começa-se por
apresentar o método de investigação aplicado para a efectuar a validação do protótipo. De seguida
vão ser apresentadas em as entrevistas e rondas pelos postos de controlo de uma forma descritiva.
Finalmente vai ser apresentada uma análise aos dados recolhidos.

6.1. Validação do protótipo


Todo o processo de desenvolvimento e adaptação da plataforma MobMaps, ao cenário da
Machsom Watch, foi efectuado atrás do levantamento de requisitos feitos pela análise da
documentação acessível que tivemos acesso sobre a organização, pela observação dos relatórios
existentes da página da organização, e pela por transmissão de conceitos e formas de acção através
de contactos com alguns membros da organização e fora da mesma. Assim, conseguimos identificar

119
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

o leque, que nos pareceu significativo e correcto, de requisitos que a plataforma teria que dar
resposta. Toda a adaptação da plataforma foi feita com base nesses requisitos (ver secção 5.1).

Após a finalização do protótipo, chegou a fase da necessidade de validar o protótipo


desenvolvido. Foram feitas diversas comunicações com membros da organização e fora dela, mas
que tinham contactos dentro da mesma, para se proceder à validação do protótipo.

Visto que o local de implementação era distante, achou-se por bem desenvolver uma
plataforma em ambiente Web, onde estaria a correr a aplicação (exactamente igual à que seria
aplicada no telemóvel) num emulador para ter acesso directo aos diferentes blogues que
correspondiam aos postos de controlo. A captura de um dos ecrã dessa mesma plataforma é
apresentada na Figura 30.

Figura 30 – Captura de um ecrã da plataforma Web desenvolvida para testes.

Mas apesar de todos os esforços, empregues por nós, em contactar com várias pessoas da
organização ou com ligação à organização, não tivemos grande feedback do terreno.

120
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

Tínhamos que pensar em alternativas, pois o tempo estava a passar e não estávamos a ter
resultados para a validação do protótipo. Foi então que surgiu a oportunidade de eu me deslocar a
Israel para proceder aos testes.

Optou-se por empregar o método de investigação etnográfico. Este método de investigação


consiste em que o investigador se desloque para o local de teste e faça, durante um período de
tempo, parte da comunidade. Ou seja, ele próprio passará a ser temporariamente mais um membro
da comunidade no local. Durante a sua estadia, o investigador terá que fazer uma análise descritiva
de tudo o que se passa e de todas as acções que foram levadas a cabo por membros da
comunidade. Posteriormente, o investigador analisará os dados recolhidos e poderá tirar as
conclusões devidas. Este método de investigação é bastante aplicado quando existe algum tipo de
dificuldade em efectuar testes por parte dos membros da comunidade ou dificuldade em transmitir
os resultados desses mesmos testes.

Tendo isso em consideração, todo o planeamento da minha viagem e estadia em Israel, foi feito
ao pormenor. Foram traçados três grandes objectivos para serem efectuados durante a minha
estadia em Israel:

1) apresentar a plataforma formalmente à organização, uma vez que, apesar de já se ter vindo
a ter contactos ao longo de algum tempo com a organização, ainda não lhe tinha sido formalmente
apresentada a plataforma;

2) dar formação e fazer testes com a aplicação no terreno;

3) acompanhar diversos grupos nas suas rondas pelos diferentes postos de controlo.

O plano de acção foi enviado para o nosso contacto na organização, Yehudit Elkana, o qual foi
aprovado.

Foi então reunido todo o material necessário para levar para Israel, no sentido de se poder
efectuar todos os testes necessários. Foi escolhido como base operacional Jerusalém, visto ser
nessa zona que se encontram os postos de controlo que estão inseridos na aplicação para se
monitorizar.

121
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Após chegar a Israel e me instalar, a primeira acção foi comprar um simcard de lá, para se
poder proceder aos testes. No dia da chegada não havia nenhum tipo de contacto com nenhum dos
membros da organização, devido à hora tardia da minha chegada.

6.2. Investigação no terreno


Após o primeiro contacto feito com a Yehudit Elkana, vim a saber que a organização não
possuía sede com pessoal activo em permanência. Desde logo, percebi que os dois primeiros
objectivos que tinham sido traçados e comunicados, teriam que ser modificados de forma a
rentabilizar ao máximo a minha estadia em Israel.

Outro contratempo que encontrei foi a impossibilidade de ligar o meu telemóvel à Internet.
Mesmo com um simcard comprado em Israel, vim a descobrir que o serviço de Internet não está
activo por defeito. Este serviço poderá ser activado a posteriori, mas com assinatura, e com preços
bastantes elevados. Como turista não tinha hipótese que contratar o serviço, assim, os testes que
poderia fazer do meu telemóvel era via Wi-Fi (visto ter um telemóvel que suporta esse tipo de
comunicação). Ainda tinha esperança que os membros, ou pelo menos alguns deles, tivessem esse
serviço contratado, mas vim a descobrir, mais tarde, que quase ninguém da organização tem esse
serviço contratado. Mas se pensarmos na possibilidade de acoplar um módulo de SMS, parte destes
problemas poderiam ser ultrapassados, visto que qualquer telemóvel envia um simples SMS. O
módulo seria constituído pelo envio de SMS inteligentes, ou seja, apenas seria necessário escrever
uma mensagens SMS a relatar a situação, ao qual seria agregado um tipo de código que descreveria
o género de situação. O SMS ao chegar à central automaticamente provocaria a inserção de uma
nova entrada no blogue, correspondente ao posto de controlo, a relatar a situação ocorrida. O
sistema, segundo o tipo de código recebido e o ID do posto de controlo, dava seguimento da
mensagem SMS para as pessoas com influência nessa região a dar conhecimento da situação. Todo
o trabalho de descodificação e transformação das mensagens SMS, seria feita no servidor, mais
propriamente na camada aplicacional. Além de trazer a vantagem da disseminação inteligente,
consoante o código da situação e do posto de controlo, enviando múltiplos SMS a pessoas com
influências na região, cobria também a parte do upload da informação para o servidor, permitindo
que esta fosse colocada no blogue correspondente ao posto de controlo.

122
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

6.2.1. Esquema de entrevistas

Ficou logo estipulado que teria 4 reuniões com pessoas chave da organização e acompanharia 5
grupos a diversos postos de controlo.

Na Tabela 1 encontram-se esquematizados os 4 encontros para as entrevista que efectuei, bem


como com quem foi, o seu posto/cargo dentro da organização e o local.

Tabela 1 – Mapa de entrevistas.

Dia Nome Cargo Local

Responsável pela distribuição das rondas


30 Ronny Perlman Jerusalém
pelas equipas

30 Avital Toch Operacional, com grande experiência Jerusalém

Cargo superior da organização;


1 Yehudit Elkana Jerusalém
coordenadora da zona de Jerusalém

Responsável por tecnologias;


4 Merav Amir Tel Aviv
programadora

Para mais pormenores sobre as entrevistas ver o blogue criado e mantido durante a minha
estadia em Israel, cujo texto integral do mesmo se encontra no Anexo 3.

6.2.1.1. Entrevista com Ronny Perlman e Avital Toch

A entrevista com a Ronny Perlman e a Avital Toch foi simultânea. Nesta primeira entrevista e
como foi num local público, onde não havia acesso à rede Wi-Fi e por isso não tinha a possibilidade
de ligar a aplicação à Internet com o simcard da orange (operador Israelita), tive de colocar o
simcard português só para mostrar como funcionava na realidade, tendo sido feitos alguns testes.
Comecei por explicar o porquê da adaptação de uma plataforma para a organização como a
Machsom Watch. Expliquei a plataforma detalhadamente e, de uma forma sucinta, expliquei como

123
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

funcionava. Expliquei igualmente os benefícios que a plataforma poderia trazer quando aplicada
como suporte às suas actividades em campo.

Tanto a Ronny como a Avital foram unânimes em concordar que as plataformas que tínhamos
desenvolvido eram bastante interessantes, mas que, na opinião delas, não saberiam bem se a
aplicação teria a função exactamente como tínhamos planeado. Explicou-me que em muitas
situações, as ocorrências têm que ser resolvidas no local, sendo resolvidas sobretudo usando duas
acções distintas, chamadas de voz e SMS. Porque um dos requisitos que tínhamos identificado,
aquando do desenvolvimento da plataforma, era exactamente que existia sede e que haveria
sempre alguém na sede que poderia fazer o controlo de todo o tráfego de informações referentes
aos postos de controlo e tomar as medidas que achasse necessárias para resolver as acções. Mas
com a ausência de sede e sobretudo de uma pessoa que pudesse fazer a monitorização do que se
passava nos postos de controlo, este sistema, como está desenvolvido neste momento, serviria
unicamente como sistema de informação, o que desde já era bastante bom. Nesse âmbito, o
sistema poderia ser aplicado e cobriria bem as necessidades da organização.

Também me disseram que eu poderia encontrar outros entraves tais como: o acesso à Internet,
que era um serviço contratado à parte e pouca gente o possuía visto ser bastante dispendioso (só
veio confirmar a ideia que já tinha sobre o assunto) e a idade dos membros da organização. A
maioria (entre 80% a 85%) são pessoas com idades compreendidas entre os 60 e os 80 anos. Muitas
delas não são muito adeptas das novas tecnologias, sabendo que para telefonar basta carregarem
nos números e depois no botão verde, não sabendo muito mais. Muitas não sabem escrever
mensagens SMS.

Expliquei que a aplicação para telemóvel tinha sido planeada e desenvolvida para ser utilizada
de uma forma tão simples como escrever uma mensagem SMS, logo qualquer pessoa que soubesse
escrever uma SMS, não deveria ter nenhum tipo de problema em lidar com a aplicação.

Após ouvir das entrevistadas o modo de como os membros usualmente costumam operar,
consegui perceber que os requisitos que tínhamos inicialmente encontrado e validado, não eram os
mais correctos, apesar de sempre termos estado a trabalhar com pessoas directamente ligadas à
organização, percebi que a ideia que tínhamos é diferente da realidade. Os nossos contactos neste
aspecto não conseguiram transmitir-nos a acção real que os membros necessitavam, no que diz
respeito à forma como operavam na realidade e às suas limitações.

124
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

Durante a conversa consegui identificar certos requisitos que seriam essenciais para poderem
servir de suporte nas acções dos membros desta organização aquando das suas rondas. Apercebi-
me que ao sistema já desenvolvido poder-se-ia acoplar dois novos módulos: um de voz, que
permitisse comunicações de voz em conferência com vários utilizadores; e outro de SMS
inteligente, que ao ser recebido no servidor e consoante o código que levasse fizesse correr as
acções convenientes (envio de SMS para diferentes pessoas consoante o código, etc.). Falei dessas
possibilidades com a Ronny e a Avital, e perguntei-lhes o que achariam se à plataforma existente
fossem acoplados dois novos módulos. Acharam a ideia bastante interessante e dessa maneira
poderia servir bem como suporte nas acções delas.

Apesar do sistema actual, em princípio, poder ser só utilizado no terreno como um sistema
informativo, e nesse aspecto estava bem desenvolvido e bem pensado, elas conheciam outras
organizações em Israel onde a plataforma desenvolvida poderia ser aplicada e cobriria as
necessidades dessas organizações sendo elas a Rabbis for Human Rights (http://rhr.israel.net/),
Olivetree, Committee Against House Demolitions (http://www.icahd.org/eng/) e a Taayush
(http://www.taayush.org/). Qualquer uma destas organizações não necessitam de respostas
imediatas para resolver as situações, logo o sistema poderia ser aplicado sem problema de qualquer
espécie.

Ficaram estabelecidos alguns contactos que poderão levar a que possa haver futuras
colaborações com essas organizações.

6.2.1.2. Entrevista com Yehudit Elkana

A entrevista com a Yehudit Elkana decorreu em casa dela. Desta vez, tive ao meu dispor todas
as condições para uma demonstração real do funcionamento da plataforma, tendo disponível rede
Wi-Fi e um telemóvel com ligação à Internet.

Comecei por fazer o enquadramento e apresentar as razões que nos levaram a desenvolver
esta plataforma. Passei de seguida à apresentação que tinha previamente preparado, onde pude
explicar mais detalhadamente as necessidades e dificuldades com que as pessoas se deparam
quando estão no terreno e precisam de ter acesso a informação localizada (georreferenciada),
actualizada e em tempo real. Expliquei em pormenor a plataforma genérica, explicando de seguida

125
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

que esta tinha servido de base para a adaptação ao


cenário da Machsom Watch. A necessidade de apresentar
a plataforma genérica é sobretudo para realçar os
verdadeiros pontos positivos que esta plataforma
apresenta, porque a plataforma adaptada, como lida com
um mapa estático, usa sempre os mesmos postos de
controlo, não dá para fazer compreender as verdadeiras
potencialidades que a plataforma tem e que podem ser
postas em utilização.

De seguida procedemos a alguns testes reais da


aplicação via telemóvel, bem como da visualização em
tempo real via Internet da actualização da informação nos
blogues.
Figura 31 – Yehudit Elkana.
A Yehudit (ver Figura 31), como tem um cargo superior
na organização tem uma visão mais ampla da organização, do seu modo de acção e das suas
verdadeiras necessidades. Através desta entrevista consegui tirar algumas conclusões para além da
daquelas que já tinha tirado aquando da primeira entrevista.

Segundo a Yehudit, esta plataforma foi bem desenvolvida e pensada, mas no caso da aplicação
à sua organização terá um papel informativo. Nesse campo, é válida e poderá ser bastante útil. Ou
seja, dar a conhecer as situações no momento em que elas acontecem. Como sistema de
informação poderá desempenhar um papel importante, se pensarmos que os media poderão ter
acesso imediato às notícias, não necessitando de esperar pelos relatórios que são disponibilizados
online no site da organização. Disse-me aquilo que a Ronny já me tinha transmitido,
nomeadamente, que os membros da organização quando estão no terreno necessitam de recorrer
a sistemas de voz (chamadas) para tentar resolver as situações criadas no local.

Outro aspecto que foi referido, e que também já o tinha sido anteriormente na primeira
entrevista, é que a organização é composta maioritariamente por mulheres com mais de 60 anos e
isso poderá ser um entrave à aplicação de tecnologias.

126
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

Mas na maioria das situações em que os membros da Machsom Watch actuam, a plataforma
não teria um papel muito importante ao nível da resolução, mas poderia ter ao nível informativo.
Porque a informação ficaria disponível para poder ser vista em qualquer parte, praticamente no
próprio momento em que aconteceu.

Chegou-se à mesma conclusão que na primeira entrevista, que possivelmente um sistema


composto por três níveis levaria a que a plataforma ficasse apta para ser aplicada em quase todas
as situações. Nível da informação (módulo que está já desenvolvido), nível de comunicação em
conferência e nível de envio inteligente de SMS consoante a situação.

Falou-me que, apesar de no caso da Machsom Watch não poder ser feito dessa forma, outras
organizações não governamentais Israelitas poderia usar este sistema como suporte às suas acções,
ou seja, cobriria quase não perfeição as suas necessidades. Deu-me como exemplo uma outra
organização de defesa dos direitos humanos de que ela também era membro. Esta não se restringia
unicamente aos checkpoints mas a todo o território. Explicou-me que as situações mais comuns
com que tem que lidar são devidas principalmente ao ataque dos colonos aos palestinianos.
Naquela organização, a plataforma poderia ser usada perfeitamente como suporte às suas acções,
visto que muitas das situações não são resolvidas no próprio instante. São situações que levam
algum tempo, logo, nestes casos, a plataforma poderia ser utilizada para relatar o desenrolar das
situações.
Um exemplo muito comum de acção desta organização é, por exemplo, numa pequena
localidade onde as crianças têm que atravessar um terreno desértico até outra localidade, para
irem para a única escola que existe nas redondezas. As crianças, durante o trajecto, têm que levar
escolta policial, senão são atacadas pelos colonos. É frequente, por exemplo, o jipe militar não ir e
têm que lhe telefonar para ela (Yehudit) a comunicar o sucedido. Após ter tomado conhecimento
do sucedido, entra em contacto com o comandante da região para relatar o caso e pedir que
enviem a escolta policial, o mais rápido possível. Com a plataforma a servir como apoio, ela só teria
que ir vendo de tempos em tempos como estavam as situações, bastante para isso haver um
telemóvel com a aplicação instalada em cada uma das localidades.

127
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

6.2.1.3. Entrevista com Merav Amir

A última entrevista foi com a Merav Amir, em Tel Aviv. Pela primeira vez a pessoa entrevista era
uma pessoa com perfil tecnológico: era programadora. Logo, as conclusões que poderia retirar
dessa entrevista seriam de grande importância, visto que, pelo que me foi transmitido pela Yehudit
Elkana, tudo o que se trate de tecnologias é da responsabilidade da Merav. Apesar da entrevista ter
sido efectuada num local público, estavam reunidas todas as condições para a apresentação da
plataforma, e desta vez bastante detalhada visto tratar-se de uma pessoa da área, podendo
proceder-se a testes reais com a aplicação.

Comecei por dar a conhecer a plataforma genérica e depois a plataforma adaptada. Merav
gostou muito da ideia, achando que tínhamos desenvolvido uma boa solução e que poderia ser
bem aplicada como suporte a algumas das actividades. Como entendida na área, quis passar para a
fase de testes de seguida. Fizeram-se alguns testes, e verificaram-se os resultados. Para ela, o
sistema tinha sido muito bem planeado e desenvolvido. Mas havia um problema, que era onde ele
estava previsto para ser aplicado. Explicou-me que devido às idades dos membros da organização,
não é muito fácil introduzir algo que envolva tecnologia. Ela própria, também tem vindo a lidar com
diversos problemas na introdução de novas tecnologias para servir de apoio à organização, uma vez
que estão constantemente a resistir a essas entradas. Ela tem vindo a propor, desde alguns meses,
a introdução de câmaras de filmar para fazer o registo das situações nos postos de controlo, mas
até aquele momento não tinha tido sucesso. Logo, apesar de achar que era uma óptima solução
para apoio às actividades dos membros quando estes estão no terreno, não acreditaria que fosse
fácil a introdução da plataforma na organização.

Contrariamente às entrevistas anteriores, ela acredita que a plataforma poderia ser aplicada
muito além do carácter informativo e poderia ser aplicado na maioria dos casos, bastando, para
isso, haver uma pessoa a monitorizar. Achou também bastante interessante a ideia de que uma
pessoa apesar de estar num posto de controlo, por exemplo em A-Ram, poderia aceder a partir de
lá ao que se estava a passar, por exemplo, em Kalandia.

Mas adiantou que caso a organização fosse constituída por um leque mais representativo de
pessoas mais novas, seria bastante interessante a sua aplicação.

128
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

6.2.2. Visitas aos postos de controlo

Nesta secção serão introduzidos os dados referentes às minhas diversas visitas aos postos de
controlo. Serão bastante resumidos, focando-me unicamente nas situações que entretanto
surgfiram e como elas foram resolvidas. Para mais pormenores e descrições mais detalhadas poder-
se-ão consultar os relatos que se encontram incluídos no Anexo 3 e 4 e que fazem parte do blogue
criado exclusivamente para esse fim, bem como o Anexo 4 que contém três relatórios criados pelos
membros da organização de situações acontecidas em visitas onde estive presente.

Na Tabela 2 encontram-se identificadas as minhas 5 rondas, as equipas de cada ronda e postos


de controlo monitorizados.

Tabela 2 – Mapa de rondas aos postos de controlo.

Dia Turno Equipa Postos de controlo


Efrat Benvenisti
31/10 Tarde Bethlehem
Leah
Avital Toch Anata
2/11 Manhã
Shosh Holper Kalandia

Yael Shalem Bethlehem,


2/11 Tarde
Shlomit A. Etzion DCL (Matak Erzion)

Jerusalem - East
Abu Dis
Maya Baily Wadi Nar
3/11 Manhã
Rina R. Ras Abu Sbitan (Olive Terminal)
Sheikh Saed
Zeitun

Jerusalem - North
Phyllis Weissberg Atara
3/11 Tarde
Natanya Ginsburg Kalandia
Atarot CP

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6.2.2.1. Bethlehem

O primeiro posto de controlo, a que fui, foi o de Bethlehem (Belém). Fui acompanhar o grupo
constituído pela Efrat e Leah (Figura 32). Durante a nossa visita não houve nada a relatar, não
houve nenhuma situação criada. Isso deveu-se, em princípio, por termos ido ao início da tarde,
altura em que não existe muito movimento de entrada para o lado Israelita.

Pude observar que, naquele posto de controlo, existiam 4 forças: polícias, militares, polícia
militar e civis contratados, todos eles altamente armados.

Como os cidadãos Israelitas não podem passar para o outro lado, pediram-me para eu ir ver
como estavam a correr as coisas no outro lado.

Figura 32 – Leah e Efrat, por detrás da entrada do posto de controlo de Bethlelem (esquerda). Vista parcial de Bethlehem a
partir do lado Israelita do posto de controlo (direita).
No lado oposto (do lado Palestiniano), já se via mais pessoas a tentar passar nos postos de
controlo.

Pude verificar que logo no primeiro posto de controlo, uma mulher que aparentava 60 anos, foi
impedida de passar, porque o visa (documento de autorização), segundo o militar, que ela tinha
não era válido. A mulher bem tentou explicar que tinha tirado o visa há pouco tempo e que
precisava de passar, mas impediram-lhe a passagem e nem sequer quiseram saber mais nada. A
única coisa que dizia era para ela se afastar da fila. Passado o primeiro posto de controlo, fui para o
segundo posto de controlo, estando aí perto de 100 a 200 pessoas para passar. Todo o processo é
muito lento. Cada pessoa tem que tirar tudo dos bolsos, cinto, relógio, telemóvel, ou seja, tudo o
que possa ser detectado pela máquina detectora de metais. Após se mostrar o visa (ou o
passaporte, no meu caso) temos que passar pelo detector, caso acuse algo temos que repetir todo

130
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

o processo até não ser detectado nada. Tudo o resto passa por uma máquina de raio-X. Por último,
temos que passar pelo terceiro posto de controlo. Aí, além da vistoria do visa, cada pessoa tem que
colocar a palma da mão num leitor digital. Só depois de aprovada é que a pessoa poderá passar.

Houve diversas situações em que os leitores digitais estavam a ler mal, tendo as pessoas que
repetir todo o processo 3 ou 4 vezes.

O tempo decorrido, entre o primeiro posto de controlo e o último, contabilizei cerca de 25


minutos. Muito tempo, visto tratar-se de uma ou duas centenas de metros. Em períodos de grandes
concentrações de pessoas, o tempo será consideravelmente maior.

6.2.2.2. Anata e Kalandia

Na segunda ronda acompanhei o grupo constituído por Avital Toch e Shosh Holper aos postos
de controlo de Anata e Kalandia. Começámos por ir primeiro a Anata, um posto de controlo que
controla todo o tráfego de automóveis e de pessoas, que atravessam a pé (maioritariamente
crianças que vão para as escolas) entre um bairro constituído por pessoas que não são israelitas
nem são palestinianas (Figura 33).

O movimento de automóveis estava dentro do normal, segundo Avital. Mas havia muito menos
pessoas a atravessar a pé os postos de controlo, podendo isso justificar-se por ser domingo de
manhã e muitas das crianças não terem aulas.

Situação aparentemente normal, só acontecendo um episódio envolvendo 4 mulheres que


tentaram passar o posto de controlo escondidas ao lado de um autocarro de passageiros. Elas
foram detectadas pelos militares e obrigadas a regressar para o outro lado. Não houve nenhuma
situação de tensão.

Seguimos para Kalandia, que segundo me transmitiram, é um dos maiores postos de controlo
existentes em Jerusalém (Figura 34).

Em Kalandia já se verificava muito mais movimento, sendo um posto fechado tipo um grande
hangar envolto em grades e arame farpado. Aí havia alguns milhares de pessoas para passar. Os
portões estavam pouco tempo abertos e o fluxo de passagem era bastante fraco. O corredor
humanitário (porta por onde passam as pessoas doentes, estudantes, crianças, pessoas em cadeiras

131
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

de rodas e pessoas que levem carrinhos de bebés) estava fechado. Havia queixas constantes das
pessoas que esperavam para passar por aí. Disseram-nos que já se encontrava fechado há mais de
uma hora. Avital entrou em contacto com o comandante de serviço de Kalandia e com o
comandante militar regional. Passados mais ou menos 10 minutos os portões abrem-se finalmente,
mas tornam-se a fechar pouco tempo depois. As tentativas de contacto e de mediação, entre os
membros da organização e os militares, tornaram-se uma constante ao longo de umas boas
dezenas de minutos.

Figura 33 – Muro que envolve a localidade de Anata (esquerda– fotografia de Neta Efroni). Fotografia do posto de controlo em
Anata (direita – fotografia de Neta Efroni).

Em teoria aquele corredor deveria dar muito mais vazão do que os outros dois portões
normais, é exactamente por isso que se designa de corredor humanitário. Mas não era isso que
estava a acontecer nesse dia.

Ao fim de uma hora, ou um pouco mais, o corredor humanitário, começou a ter um


“funcionamento” considerado “normal”.

132
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

Figura 34 – Fotografia de um dos portões electrónicos existentes em Kalandia (esquerda– fotografia de Josep Ferrer). Fotografia
que mostra algumas pessoas à espera para passar pelos portões electrónicos em Kalandia (direita – fotografia de Josep Ferrer).

6.2.2.3. Bethlehem e Etzion DCL (Matak Etzion)

Com a equipa da Machsom Watch (Figura 35) constituída pela Yael Shalem e Shlomit A., fui aos
postos de controlo de Bethlehem e Etzion DCL. Este último não é um posto de controlo, mas sim o
lugar onde os Palestinianos têm que ir para renovar os cartões electrónicos que lhes dão direito a
trabalhar no lado Israelita.

No primeiro não chegámos a parar durante muito tempo. Através de uma observação cuidada
da situação e após perguntarmos a algumas pessoas que ali estavam qual era a situação, verificou-
se que estava tudo a funcionar dentro da normalidade. Seguimos para Etzion DCL (Matak Etzion). Aí
é onde os Palestinianos tiram os cartões magnéticos para trabalhar. Nesse local estavam cerca de
60 a 70 pessoas à espera de serem atendidas. Quando chegámos, tanto Yael como Shlomit
tentaram perceber o porquê da situação. Por norma aquele local atende cerca de 80 pessoas por
dia. Naquele dia quando chegámos, perto das 15h00, tinham sido atendidas unicamente 20
pessoas.

O pretexto que nos foi transmitido foi que só havia um único militar a trabalhar e que os outros
não tinham comparecido ao serviço. Tanto Yael como Shlomit começaram a estabelecer contactos
telefónicos para pessoas influentes, para tentar que a situação melhorasse um pouco.

Passaram cerca de 3 horas em constantes contactos, ora uma, ora outra, e muitas das vezes as
duas em simultâneo.

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Houve algumas das situações que conseguiram ser resolvidas com a intervenção delas. Mas no
final, quando era hora para fechar as portas, ainda tentaram estabelecer contactos para que pelo
menos 10 pessoas fossem ainda atendidas. Estava tudo combinado e dado como certo. No entanto
o oficial do posto mandou pôr toda a gente na rua. Quando tentaram ligar mais uma vez para o
responsável superior, ou seja, a pessoa que lhes tinha prometido atender mais algumas pessoas,
este já não atendeu o telemóvel. Explicaram-me que isto acontece muito frequentemente.

A situação mais grave é que todos aqueles homens não poderiam ir ao outro dia para a fila
tentar a sua vez, porque cada dia é dedicado a determinadas localidades e, caso não sejam
atendidos nesse dia, terão que lá ir para a semana a seguir, perdendo entretanto uma semana de
trabalho, porque não têm autorização válida para trabalhar.

Havia lá situações de homens que já era a terceira semana que não conseguiam o cartão
electrónico, o que significaria que iriam ficar mais uma vez à espera uma semana para serem
atendidos.

Normalmente chegam a ir para a porta daquele posto às 3.00 horas da manhã, para poderem
ser atendidos por volta das 15.00 ou 16.00 horas.

Fechadas as portas, nada mais se podia fazer, sendo dada como terminada a ronda.

Figura 35 – Pessoas esperando, em Bethlehem, que o portão electrónico abra novamente (esquerda – fotografia de Neta
Efroni). Fotografia que mostra Palestinianos à espera que os computadores comecem a trabalhar para tirar os cartões
electrónicos, em Matak Etzion (direita – fotografia de Mika Ginsburg).

134
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

6.2.2.4. Jerusalem – East, Abu Dis, Wadi Nar, Ras Abu Sbitan (Olive Terminal),
Sheikh Saed e Zeitun

Com a Rina e a Maya Baily efectuei a ronda pelos postos de controlo de Jerusalem – East, Abu
Dis, Wadi Nar, Ras Abu Sbitan (Olive Terminal), Sheikh Saed e Zeitun. A primeira paragem foi em
Sheikh Saed (Figura 36), onde um Palestiniano não tinha autorização para passar no posto de
controlo com as azeitonas para levar para sua casa. Rina explicou-se que existe um memorando que
estabelece que podem passar nos posto de controlo 45 Kg de azeitona por cada pessoa. O homem
não levava essa quantidade, por isso não se percebia o porquê da proibição na passagem.

Figura 36 – Rina e Maya Baily consultando os números telefónicos dos seus contactos, para resolver a situação em Sheikh Saed.
Vista de Sheikh Saed ao fundo (esquerda). Posto de controlo de Sheikh Saed (direita – fotografia de Judith Spitzer).

Questionados os militares que estavam naquele momento no posto de controlo, aperceberam-


se de que eles não tinham conhecimento desse memorando e além disso tinham ordens para só
passarem aquelas pessoas com autorização escrita, coisa que o homem não tinha.

Ligaram para o responsável da zona a questioná-lo sobre a situação, até porque era uma
situação que se andava a alastrar-se há algum tempo. Ele prometeu entrevir para clarificar a
situação. Entretanto, o homem conseguiu que um amigo lhe levasse as azeitonas no seu carro
porque tinha autorização escrita.

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Seguimos para Abu Dis, onde se podia observar um buraco na muralha, verificando-se de resto
que tudo parecia normal. Passámos por Wadi Nar e Ras Abu Sbitan (Olive Terminal), onde tudo se
processava normalmente (Figura 37).

Como último ponto da ronda fomos a Zeitun, um posto de controlo dentro dos territórios
ocupados.

Figura 37 – Posto de controlo de Abu Dis (esquerda – fotografia de Tamar Bilu). Posto de controlo de Ras Abu Sbitan (direita –
fotografia de Neta Efroni).

Aí o tráfego automóvel estava a ser processado normalmente. Pela primeira vez a minha
presença foi notada e foi transmitido, aos membros da organização que eu acompanhava, que a
minha presença naquele local não era desejada devido a ser um local militar, logo onde não deveria
estar presente.

Transmitiram-se a situação e a ronda foi dada por terminada ali.

6.2.2.5. Jerusalém–Norte, Atara, Kalandia e Atarot CP

Última ronda a postos de controlo com a equipa constituída pela Phyllis Weissberg e Natanya
Ginsburg. A ronda constituída pela passagem por Atara, Atarot CP e terminar em Kalandia (Figuras
38 e 39).

A primeira situação com que nos deparámos foi na estrada 60 a caminho para Atara, onde
estava um grupo de Palestinianos de um lado da estrada e jipes militares e policiais do outro.

136
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

Segundo relatos dos presentes, um grupo de colonos tinha descido pelas montanhas e atacado
as pessoas que estavam no olival a colher as azeitonas. Os colonos deitaram gás para os olhos de
várias pessoas, bateram-lhes e roubaram as azeitonas entretanto colhidas.

A polícia e o exército intervieram e retiveram dois dos atacantes para interrogatório. Mas
segundo os palestinianos só um homem foi retido, e em vez de lhe ter sido feito um interrogatório,
foi tida apenas uma conversa informal com ele .

Phlyllis deu o contacto dela a um dos homens lesados para eles a contactarem, caso
necessitassem. Seguimos viagem para Atara.

Quando chegamos a Atara reparamos que o andamento dos veículos abrandou


significativamente. Segundo a Phyllis isto deveu-se à nossa presença lá. É uma forma de eles
mostrarem que não gostam de ser controlados.

Havia cerca de 50 veículos à espera para passar no posto de controlo. Passados alguns instantes
um jipe com militares parou ao pé de nós, pedindo que nos identificássemos, dizendo-nos de
seguida que não podíamos ter o jipe parado no local onde estava (o jipe encontrava-se parado, fora
da estrada…), pois dificultava o trânsito (não houve mais do que 4 ou 5 carros que por ali passaram,
durante todo o tempo que lá estivemos). Após insistência deles, decidimos ir para outro posto de
controlo, para Kalandia.

Chegados a Kalandia, verificámos que a passagem das pessoas pelos portões electrónicos
estava mais lento do que o habitual. Decidimos atravessar nós próprios para ver quanto tempo
demoraríamos. Levámos cerca de 25 minutos para fazer a passagem pelo posto de controlo, tempo
demais para a hora que era, cerca das 18h30.

Mais duas situações foram detectadas em Kalandia. A primeira referia-se à situação que três
homens não tinham permissão de passar, porque não tinham os cartões magnéticos. Segundo
apuramos, os cartões teriam sido pedidos por uns militares, numa noutra zona, e teriam ficado com
eles. Disseram-lhes que os fossem levantar ao posto de determinada localidade, mas quando foram
lá não havia rasto dos cartões, ninguém sabia deles, pura e simplesmente tinham desaparecido e
ninguém tinha culpa disso. Apesar de não ser culpa dos Palestinianos, não os deixaram passar sem
eles terem os respectivos cartões magnéticos ou vistos autorizados. Mesmo após várias tentativas

137
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

por parte de Phyllis e Natanya, para diversos contactos com influência naquele posto de controlo,
não se conseguiu resolver a situação.

A segunda situação registada foi quando um casal com dois filhos se dirigiram a nós a
queixarem-se dos militares por não lhe terem aberto o portão humanitário. Como eles eram
portadores de uma criança pequena que vinha num carro de bebé, as normas dizem que nestes
casos é aberto um portão, que se situa ao lado dos portões electrónicos, para poderem passar com
o carro e o bebé. Mas isso não foi o que aconteceu. Quando se dirigiram a um soldado e pediram
para lhes abrirem o portão para poderem passar com o carro de bebé, o soldado ignorou-os e disse-
lhes que estava a comer, que se desenrascassem. Para poderem passar, tiveram que passar com as
crianças a pé e tiveram que desmontar o carro. São situações muito comuns e são uma clara
violação dos direitos humanos que estão previstas nos postos de controlo. Uma situação idêntica
poderá ser visualizada na Figura 39.

Foi dada como terminada a ronda por volta das 19h00.

Figura 38 – Posto de controlo de Atara (esquerda – fotografia de Mika Ginsburg). Posto e controlo de Atarot (direita – fotografia
de Tamar Fleishman).

138
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

Figura 39 – Posto de controlo de Kalandia, onde algumas pessoas tentam passar por cima das outras para ganhar vez na
passagem dos portões electrónicos (esquerda – fotografia de Neta Efroni). Kalandia, fotografia que demonstra a dificuldade de
passar carros de bebés pelos portões electrónicos. Ao lado está o portão humanitário, criado especialmente para estas
situações, mas não se sabendo porquê, muitas das vezes os militares recusam-se a abri-lo (direita – fotografia de Tamar
Fleishman).

6.3. Análise das situações detectadas durante as rondas


Neste ponto será feito um resumo do tipo de situações que foram detectados durante as várias
rondas e, apesar de não se ter podido aplicar a plataforma nos locais por falta de algumas
condições técnicas que não estavam previamente previstas, como é o caso do acesso à Internet a
partir dos telemóveis por ser necessária uma assinatura especial, a qual não pude adquirir e os
membros que acompanhei também nenhum deles tinha contracto de acesso à Internet activo, será
feita uma análise e ligação entre a aplicação desenvolvida e a forma como ela poderia ter sido
aplicada e como ela poderia ter ajudado a resolver essas mesmas situações.

Dia 31|Out.|2008

Bethlehem - nada fora do vulgar foi detectado para além da normal lentidão na passagem. A
aplicação poderia ter sido usada para escrever o relatório sobre a normalidade detectada.
Neste caso, o seu uso seria meramente informativo visto que serviria para dar a conhecer a
normalidade da situação.

139
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Dia 2|Nov. |2008

Anata – situação de normalidade com um caso de tentativa frustrada de passagem por parte de
4 mulheres. Poder-se-ia ter utilizado a aplicação para dar a conhecer a normalidade e a situação
acontecida. Também, neste caso, o seu uso seria meramente informativo visto que serviria para
dar a conhecer a normalidade da situação.

Kalandia – problemas com demora na abertura do corredor humanitário. A aplicação não teria
um grande efeito neste caso, visto que todo o procedimento foi feito através de diversos
contactos telefónicos para diferentes pessoas e organismos. Em último caso, poderia servir
para informar o que se passou.

Bethlehem - nada fora do vulgar foi detectado para além do movimento normal para aquela
hora. A aplicação poderia ter sido usada para escrever o relatório.

Etzion DCL (Matak Etzion) – lentidão no processo de emissão de cartões electrónicos para os
Palestinianos poderem trabalhar. A aplicação não poderia ter sido aplicada como suporte na
resolução, visto que todos os procedimentos feitos foram através de inúmeras chamadas
telefónicas para diferentes pessoas e organismos influentes na região e no posto. A aplicação
poderia ter sido usada unicamente para escrever o relatório final para dar a conhecer em
tempo real o que se passou, ou seja, teria uma acção unicamente informativa.

Dia 3|Nov. |2008

Sheikh Saed – proibição de passagem a um Palestiniano com uma saca com azeitonas. A
aplicação poderia ter sido aplicada na resolução da situação, visto que o que foi feito no local
foi, além de telefonar ao comandante a dar conhecimento, escrever um relatório a dar a
conhecer o que se estava a passar naquele posto de controlo. A aplicação poderia ter sido
aplicada, na sua totalidade, como parte integrante na resolução da situação.

Abu Dis – nada fora do vulgar foi detectado para além do movimento normal para aquela hora.
A aplicação poderia ter sido usada para escrever o relatório.

Wadi Nar – nada fora do vulgar foi detectado para além do movimento normal para aquela
hora. A aplicação poderia ter sido usada para escrever o relatório.

140
[RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS]

Ras Abu Sbitan (Olive Terminal) – nada fora do vulgar foi detectado para além do movimento
normal para aquela hora. A aplicação poderia ter sido usada para escrever o relatório.

Zeitun – nada fora do vulgar foi detectado para além do movimento normal para aquela hora. A
aplicação poderia ter sido usada para escrever o relatório.

Estrada 60 – ataque e roubo por parte de colonos a agricultores Palestinianos. A aplicação


poderia ter sido aplicada para servir como suporte à resolução da situação. A sua acção seria a
de registo da situação e verificação posterior da validade dos dados recolhidos (queixa na
esquadra da polícia, como o processo foi conduzido, etc.).

Atara – lentidão no tráfego automóvel no posto de controlo. A aplicação poderia ter sido
aplicada na resolução da situação, ou seja, na escrita do relatório.

Kalandia – na situação dos três palestinianos sem cartões magnéticos, a aplicação não poderia
ser utilizada, visto que para a tentativa de resolução foram efectuadas inúmeras chamadas para
outros membros da organização e para pessoas e organismos influentes. Aplicação poderia ter
servido para escrever o relatório da ocorrência. Na situação da queixa de um casal devido à
recusa por parte dos militares em abrir o portão humanitário, a aplicação poderia ter sido
usada na sua resolução, visto que foi uma questão de escrita de relatório a dar a conhecer a
situação.

Como poderemos ver, apesar de em muitas situações a aplicação não poder ser aplicada na
íntegra, ou seja, como parte integrante na resolução das situações, ela poderá ser utilizada em
diversas outras situações. E a vantagem que ela trás é que os relatórios ficam disponíveis, em
tempo real, para que qualquer pessoa em qualquer lado lhes possa aceder e ter conhecimento.

141
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

142
[CONSIDERAÇÕES FINAIS]

Considerações finais
7
Neste capítulo vai ser apresentada as considerações finais da dissertação. Começa-se por fazer
uma síntese de todo o trabalho efectuado. De seguida são apresentados os principais contributos
que este trabalho veio trazer e também vão ser apresentadas algumas sugestões para poderem ser
aplicadas em trabalhos futuros. Finalmente é apresentada a conclusão desta dissertação.

7.1. Síntese do trabalho


O trabalho que está apresentado nesta dissertação é o da adaptação da plataforma MobMaps,
previamente desenvolvida por Gens et al. (2007), ao cenário da Machsom Watch. Começou-se por
fazer o levantamento de requisitos, através da pesquisa no site da organização e através de
contactos com membros da organização ou com pessoas que conheciam o modo de actuação da
organização.

143
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Após o levantamento de requisitos, procedeu-se à adaptação da plataforma MobMaps, criando


ou alterando código-fonte, para que esta ficasse a funcionar correctamente para o cenário
escolhido.

Procedeu-se, posteriormente, a testes de laboratório e, numa fase final, efectuou-se uma


deslocação ao cenário real, em Israel, para se proceder a alguns testes e fazer uma análise
descritiva do modo de acção dos membros da organização.

Finalmente foram registados e analisados os dados recolhidos e elaborada esta dissertação.

7.2. Principais contributos


Existem certas situações que a plataforma desenvolvida não poderá cobrir todo o processo de
suporte na resolução de ocorrências. São exemplo disso, situações que necessitem de respostas
imediatas, situações onde não haja ninguém a fazer monitorização constante da informação que vai
sendo introduzida nos diferentes postos de controlo, e situações onde seja necessário proceder a
contactos telefónicos a diferentes fontes e organismos para resolver uma situação em concreto.

Mas é de nossa convicção que o desenvolvimento desta plataforma veio disponibilizar nova
tecnologia numa área onde ainda se verifica uma grande lacuna.

Actualmente, ainda existe imensa dificuldade em aceder a informação real, actualizada


georreferenciada sobre determinado local, quando nos encontramos em movimento. Se a isto
ainda juntarmos o facto de por vezes ser necessário adicionar nova informação ou actualizar a
informação já existente, havendo necessidade de que esta informação fique disponível em tempo
real para que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo lhe possa aceder, veremos que a
oferta nesta área é bastante diminuta, resumindo-se basicamente a plataformas desenvolvidas por
projectos de investigação e por sistemas proprietários bastante dispendiosos.

Achamos que demos um contributo nesta área, ao devolver uma plataforma que nos dá
resposta às necessidades atrás descritas e que poderá ser utilizada por muitas organizações que
não dispõem de grande orçamentos, ou até nenhum tipo de orçamento, para ser aplicada neste
tipo de sistemas.

144
[CONSIDERAÇÕES FINAIS]

Consideramos que a plataforma desenvolvida poderá ser aplicada com bastante êxito em
diversos cenários, como por exemplo, qualquer cenário que não necessite de uma intervenção no
próprio momento em que as situações acontecem, que não é o caso que acontecesse na Machsom
Watch. Mas em casos, por exemplo, de organizações médicas que estão a fazer um levantamento
de surtos de doenças ou de equipas avançadas que vão para os cenários para fazer o levantamento
das situações nos locais após catástrofes a passagem de fenómenos naturais que provocaram
destruição, a plataforma poderá ser usada com sucesso. Poderá também ser utilizada como suporte
a equipas que estão a fazer o levantamento de populações em situação de carência de alimentos,
para assim poder haver uma melhor distribuição dos recursos, etc. Poderá ajudar como suporte nas
acções em diferentes organizações, como já foi referido anteriormente, para além da Machsom
Watch também existem outras organizações Israelitas que poderão usar a plataforma como suporte
às suas actividades, como por exemplo a Rabbis for Human Rights, a Olivetree, a Committee Against
House Demolitions e a Tayush.

A adaptação da plataforma MobMaps ao cenário da Machsom Watch provou que, apesar de


esta organização necessitar de um nível de actuação um pouco diferente, ela poderá ser adoptada
como parte integrante nas suas acções e, se pensarmos na possibilidade de se acrescentarem novos
módulos, podemos mesmo dizer que ela responderá na totalidade às necessidades da organização.

Apesar de actualmente nesta organização sabermos que a plataforma só poderá ser aplicada –
no formato desenvolvido – com carácter informativo ou como ferramenta para a escrita de
relatório final, é de nossa convicção que demos um bom contributo para que nesta área novas
soluções possam via a ser criadas e disponibilizadas de uma forma mais acessível, na medida em
que com o desenvolvimento de um ou dois novos módulos, que se podia acoplar à plataforma já
existente, a solução passaria a dar suporte quase total às actividades actuais da organização. Por
exemplo, um desses módulos seria de envio de SMS inteligentes, quer isto dizer que seria
necessário unicamente escrever um SMS a relatar a situação, estando-lhe agregado um tipo de
código que descrevia o género de situação, e a mensagem SMS ao chegar à central
automaticamente provocaria a inserção de uma nova entrada no blogue correspondente ao posto
de controlo, relatando a situação ocorrida. Por sua vez, o sistema, segundo o tipo de código
recebido e o identificador do posto de controlo, dava seguimento da mensagem SMS para as
pessoas com influência nessa região a dar conhecimento da situação.

145
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Resumindo, podemos referir que os principais contributos são a possibilidade de se aceder a


informação actualizada, referenciada a um determinado local e em tempo real bem como a
possibilidade de se criar nova informação e que essa informação fique disponível em tempo real
para pessoas que necessitem estar longe das tradicionais redes físicas de ligação à Internet. Esta
plataforma é também um contributo em termos de desenvolvimento de programas de código
aberto ou livres de direitos de autor, não sendo necessário ter gastos significativos de dinheiro com
licenças de utilização.

7.3. Sugestões para trabalho futuro


Como trabalho futuro, apesar de podermos dizer que a plataforma poderia ser usada na
totalidade ou na íntegra nos processos de resolução das ocorrências verificadas nos postos de
controlo, ela teria que ser dotada de mais funcionalidades. Estas funcionalidades passariam pela
criação de mais dois módulos que se poderiam acoplar à plataforma já existente. Podemos
considerar que a plataforma, tal como ela se encontra desenvolvida neste momento, pode ser
utilizada como uma plataforma informativa. Ela poderá ser utilizada em todas as situações em que
seja necessária a elaboração de relatórios finais ou em situações em que simplesmente seja
necessário dar conhecimento do ocorrido não requerendo resoluções imediatas no próprio local, ou
seja, situações que apresentem um carácter informativo. Tem a vantagem em relação aos
tradicionais relatórios elaborados pelos membros da Machsom Watch de poderem ficar disponíveis
em tempo real, para poderem ser consultados por qualquer pessoa imediatamente após o processo
da sua criação.

Mas pela análise feita em campo, podemos verificar que existe uma necessidade de criar outros
módulos que possam complementar a plataforma. Estes módulos adicionais passariam pela criação
de um sistema que permitisse chamadas em conferência, quando estas fossem necessárias. Ou seja,
falar com diferentes pessoas sobre o mesmo assunto naturalmente, em casos que não seja
necessário haver confidencialidade. Porque, apesar de por vezes ter-se que efectuar diferentes
chamadas para diferentes pessoas, cada contacto não deveria ter conhecimento se o membro da
organização tinha efectuado ou iria efectuar outros contactos. Mas em muitas situações, que não
seja necessária essa confidencialidade, o sistema poderia desempenhar um papel bastante

146
[CONSIDERAÇÕES FINAIS]

importante na plataforma. Esse módulo seria capaz de reconhecer, através da escolha do posto de
controlo e do tipo de situação, quais os melhores contactos para entrevirem em determinada
situação.

Outro módulo, que julgamos que poderá servir como apoio, seria a criação de um módulo de
SMS inteligentes, onde consoante a situação a pessoa, após escolher o posto de controlo, poderia
escolher o tipo de situação verificada. A aplicação enviaria uma mensagem SMS para o servidor.
Neste, de acordo com o código que viesse na mensagem SMS, começaria a processar todos os
procedimentos necessários para a resolução mais rápida da situação. Quer isto dizer, que poderia
enviar mensagens SMS automaticamente, para pessoas que estivessem referenciadas com aquele
tipo de código para determinado posto de controlo, efectuando chamadas telefónicas automáticas,
etc.

Julgo que também poderia ser interessante agregar um pequeno módulo para lidar com
imagens fotográficas. Uma vez que actualmente todos os telemóveis têm câmaras e, pelo que pude
observar, em muitas situações seria bastante útil poder agregar imagens aos relatórios.

7.4. Conclusão
Em termos de conclusão achamos que atingimos os objectivos traçados no início. Tínhamos
traçado no início como objectivos: o desenvolvimento de uma plataforma que usasse os
dispositivos móveis como parte integrante e que servissem como interface entre as pessoas e o
sistema. A escolha dos telemóveis deveu-se sobretudo ao facto de serem estes os dispositivos
móveis que reuniam um maior número de características/qualidades reuniam. Outro dos objectivos
era o de permitir que pessoas em estivessem em movimento pudessem aceder a informação real e
actualizada sobre determinada localização. Desenvolver uma aplicação para telemóvel que fosse,
por um lado, simples, para que o utilizador não tivesse necessidade de ter qualquer tipo de
formação para a utilizar, mas, por outro lado, robusta e que nos pudesse garantir que os dados
estavam disponíveis quando estes eram necessários.

Todos estes objectivos foram claramente alcançados. Um dos problemas, se podemos referir
como problema, reside no facto de, aquando do levantamento dos requisitos, a informação à qual

147
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

tivemos acesso e aquela que nos foi transmitida, não eram a mais correcta. Por esse facto, alguns
dos requisitos que nós considerámos como válidos, na altura do levantamento para a adaptação da
plataforma ao cenário da Machsom Watch, não eram válidos, é o caso, por exemplo, da
organização não ter sede e não ter sempre alguém a fazer a monitorização da informação agregada
aos postos de controlo. Estes dois requisitos levaram a que a plataforma final ficasse a operar neste
cenário com um carácter informativo. É necessário salientar que, apesar da plataforma neste
cenário só poder ser usada para informar ou como relatório final de ronda, não podendo ser
utilizada na resolução das situações mais comuns, visto serem necessárias comunicações de voz
constantemente, noutros cenários, alguns dos quais foram referidos nesta dissertação, a
plataforma poderia ser aplicada como suporte total das acções dos membros dessas organizações.

Outro dado importante que é necessário referir é o facto de que só na parte final do
desenvolvimento deste trabalho houve possibilidade financeira de se proceder a uma deslocação ao
local, Israel, durante algum tempo para fazermos uma análise descritiva. Foi durante essa
deslocação que foram detectados novos requisitos que a plataforma necessitaria ter para poder
cumprir a totalidade das necessidades da organização.

Caso esta viagem tivesse sido feita mais cedo, poderíamos ter tentado fazer as alterações que
para nós achamos necessárias, mas como não houve essa possibilidade, deixo-as aqui nesta
dissertação como ideias para trabalho futuro.

Apesar de não ter podido fazer muitos testes no terreno, por motivos que expliquei
anteriormente, a ideia foi bem recebida pelas pessoas com quem contactei.

Para finalizar, acho que a plataforma se for “afinada” e se forem acopladas as funcionalidades
sugeridas, ela poderá ser aplicada num leque bastante alargado de cenários.

148
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154
[ANEXOS]

Anexos

1. Diagramas UML da plataforma MobMaps

Diagramas de classes
A aplicação para o dispositivo móvel é composta pelos packages (Figura 40):
1) Interface – contém as classes do núcleo da aplicação, as da interface;
2) Rms – contém classes para lidar com a memória interna do dispositivo móvel;
3) Net – contém as classes para lidar com as ligações e transmissão de dados na Internet;
4) Resources – contém os ficheiros necessários à aplicação, como é o caso das imagens, etc.;
5) Util – contém as classes que são necessárias para efectuarem alguns procedimentos
acessórios para o bom funcionamento da aplicação.

155
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Figura 40 – Diagrama de classes de todos os packages da aplicação.

Diagrama de classes do package net


Inclui todas as classes usadas para efectuar as comunicações com a camada aplicacional (Figura
41).

Figura 41 – Diagrama de algumas classes do package net.

156
[ANEXOS]

Diagrama de classes do package interface


Inclui todas as classes usadas que compõem a interface para o utilizador (Figura 42). A classe
principal, MobMaps está representada de uma forma simplificada, tantos nos atributos como nos
métodos, pois, qualquer um deles tem mais de 150 entradas, o que torna pouco viável a sua total
inclusão aqui.

Figura 42 – Diagrama de algumas classes do package Interface.

157
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Diagrama de classes do package RMS


Inclui todas as classes usadas para registar e ler os dados na memória do dispositivo móvel
(Figura 43).

Figura 43 – Diagrama de algumas classes do package RMS.

Diagrama de classes do package util


Inclui todas as classes usadas para efectuar procedimentos acessórios para o correcto
funcionamento da aplicação (Figura 44).

158
[ANEXOS]

Figura 44 – Diagrama de classes do package útil que perfazem a estrutura dos blogues.

Diagrama de classes para efectuar o parsing dos documentos XML


As classes necessárias para se fazer o parsing aos documentos de XML são (Figura 45): i) a classe
Base 64, codifica e descodifica o byte array dado para o formato base64; ii) a classe Create-XML,
classe responsável pela criação dos documentos XML gerados dentro da plataforma; e iii) a classe
Parser_XML, responsável pelo parsing dos documentos de XML recebidos na camada aplicacional.

159
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Figura 45 – Diagrama de classes para o parsing do XML.

160
[ANEXOS]

2. Diagramas de UML da adaptação da plataforma MobMaps

Diagrama de Casos de Uso


Como se pode observar no diagrama de casos de uso da aplicação no dispositivo móvel (Figura
46), o Utilizador pode visualizar o mapa ou navegar pelos POIs (que representam os postos de
controlo). Nestes, ele ainda poderá visualizar a informação agregada a esse POI ou inserir uma nova
informação nesse POI.

Figura 46 – Casos de uso da aplicação no dispositivo móvel.

Diagrama de Sequência

Está ilustrado na Figura 47 o diagrama de sequência para a implementação proposta para a


Machsom Watch. Neste diagrama poderemos ver a sequência das acções entre o actor e os outros
intervenientes na plataforma.

161
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Figura 47 – Diagrama de sequência.

162
[ANEXOS]

3. Blogue criado e mantido durante a minha estadia em Israel


O blogue original criado em Israel pode ser acedido em: http://aventurasdeisrael.blogspot.com/
Aqui apresento uma reprodução exacta e fidedigna, incluindo todos os erros dactilográficos, ortográficos e outros
motivados pelas circunstâncias de publicação.

Dia 30 de Outubro

08h35 da manhã, toca o telefone, tinha acabado de abrir os olhos minutos antes, estranhei, não tinha pedido para me acordarem. Era a
Ronny, um dos meus contactos...
Ficou admirada por ainda estar na cama... Eu não, tinha passado um dia do caneco, com uma directa em cima...
Combinámos para nos encontrarmos por volta das 12h00. Às 12h00, cá estava ela com outro membro a Avital. Ambas as senhoras na
casa dos 50/60 anos. Fomos tomar um café perto do hotel.
A Ronny começou por perguntar-me qual o propósito da minha visita a Israel (é aqui é que eu reparei que nada ficou bem definido, nem
a Yehudit lhe deve ter comunicado os mails enviados). Expliquei, a plataforma, ela perguntou qual o interesse que nós tínhamos tido para ter
adoptado a plataforma à organização. Explicou-me que existem outras organizações que a plataforma poderia ser útil, no caso da Machsom
Watch, pela primeira vez, penso que percebi, qual a acção que elas desempenham, acho que estávamos todos um pouco enganados. Digo isto
porque, apesar de elas acharem a plataforma interessante, a maioria das vezes necessitam de formas mais rápidas, como chamadas directas
para pessoas chave, a plataforma desenvolvida pode encaixar como instrumento de informação e pouco mais.
Percebi que uma organização como esta, necessita de um sistema de três níveis, um nível com esta plataforma, que serve para reportar e
informar o mundo do que se passa em tempo real, a segunda e terceira são plataformas que terão que ser desenvolvidas, e aí já pensei que
poderiam ser postas como novos projectos de mestrado. Uma plataforma, seria a de ter um servidor com s erviço de SMS agregado, que
consoante o código da mensagem recebida do campo, enviar sms simultâneos para diferentes pessoas ou organizações.
O outro nível, é muito semelhante ao anterior, mas em vez de sms, seria por chamadas em tempo real e simultâneas.
Percebi que elas lidam com situações que necessitam de respostas muito rápidas e o sistema que desenvolvemos, não dá respostas de
uma forma rápida. Pelos vistos é vulgar haver tiroteios, assim, não se pode usar o nosso sistema, mas sim tem que se usar um sistema de
comunicação de voz simultânea.
Penso que um sistema que conseguisse ter estes 3 níveis de resposta seria um sistema bastante bom e que se poderia aplicar muito além
dos cenários que previamente discutimos.
Ofereci-me para transmitir essas ideias aos meus orientadores (vocês ;) ) e dar os contactos delas para caso quisessem ir em frente com
novos projectos poderem discutir directamente.
Passaram-me contactos de telemóvel, para eu contactar directamente com eles para combinar a minha ida aos postos de controlo. Já
tive que comprar um cartão de telemóvel Israelita para isso, o nível de vida aqui é altíssimo...
Em Jerusalém existem cerca de 100 membros mas não têm sede, e só se reúnem 1 vez por mês, logo a minha vinda a aqui não sei s e fará
o sentido que pensávamos vir a ter...
O que me transmitiram é que eu vá acompanhar as rondas, veja o que se passa com os meus próprios olhos, só assim saberei o que é
necessário... acho que isto deveria ter sido feito no início não no fim...
Não vou ter hipótese de me reunir com diversos membros, não vou conseguir fazer uma apresentação para diversos membros. Isto
deveria nos ter sido dito antes, porque aquilo que estávamos a pensar só a minha ida aos checkpoints e conhecer alguns dos membros é que é
válida. Não existe apresentação oficial da plataforma, não haverá formação, não haverá instalação da aplicação nos telemóveis ... porque cada
um tem a sua vida, são voluntários, não têm onde se reunir, e têm as escalas já feitas há muito tempo. Isto é como os enfermeiros, sai uma
grelha com as escalas das rondas de cada um e para onde, de resto não existe muito contacto entre a maioria deles. As ideias que tínhamos da
organização são um pouco diferente da realidade.
São 16h50 e ainda não sei se a Yehudit, se reúne comigo hoje.
Mas pelo menos a conversa de manhã com a Ronny e a Avital, foi bastante produtiva para se conhecer melhor a organização e as suas
actividades e acções.
Durante as duas horas que estou aqui a criar este blogue, está um soldado armado do lado de fora da janela do hotel será que quer dizer
alguma coisa? :)
Tomei contacto com mais um membro da Machsom Watch, Efrat Benvenisti. Amanhã acompanharei a Efrat e outros membros a uma das
rondas aos postos de controlo. A minha primeira abordagem será ao de Betleheem, parto às 8h30. Dizem-se que é um dos postos mais
problemáticos, chega-se a passar 3 a 4 horas para se poder passar os postos de controlo. Pessoas que necessitam de ir trabalhar às 8h00 da
manhã, vão para lá às 03h00 para poderem passar, dizem que só vendo é que se compreende.
A seguir vou entrar em contacto com a Yehudit, para marcar alguma coisa para amanhã e/ou sábado.
Hoje por volta das 19h00 locais, não sei em o que se passou a cerca de 100 metros do hotel onde estou instalado, mas penso que terá
sido uma tentativa de atentado ou coisa parecida. O aparato policial foi demais, ruas todas fechadas ao trânsito, só se viam e ouviam sirenes,
alguns tiros, coisa pouca, mas não rebentou nada, tirei algumas fotos do hotel a partir do meu quarto, no décimo andar, como era já escuro,
não sei se ficaram bem, mas pelo menos poderá mostrar que isto é mesmo um cenário de terrorismo, as pessoas já nem ligam. Des ta vez não
houve nada, espero que não haja enquanto aqui estiver, pelo menos perto de mim. ;)

163
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

31 de Outubro - 3.º Dia

São 8h25 e eu estou no cruzamento da Kings George Street e a Ramban Street, em frente ao Prima Kings Hotel à espera do meu
contacto, Efrat Bendenisti. Às 8h30, pára um carro perto de mim, era a Efrat. Durante o caminho para ir buscar outro membro, fazemos as
apresentações, passo a explicar a plataforma e como surgiu a ideia. Ela achou brilhante a ideia (começa a ser boas recepções por parte dos
membros), perguntei-lhe se a Yehudit não lhes tinha transmitido nada sobre a plataforma e a minha vinda aqui. Disse-me que não, mas fiquei a
saber que a Yehudit, é uma das fundadoras da Machsom Watch, e é ela que faz a maioria das escalas os membros. Amanhã será o grande dia, o
meu encontro com a Yehudit. Ontem quando lhe telefonei para o telemóvel, noite, disse-me que hoje não poderia se encontrar comigo, porque
tinha a mãe doente e tinha que cuidar dela, mas encontrar-nos-íamos sábado.
Entretanto chegámos perto do outro membro da Machsom Watch, Leah, foram feitas as apresentações, Efrat encarregou-se de lhe
explicar o que lhe tinha dito, como era mais rápido e fácil para ela, falou em hebraico (presumo que tenha dito exactamente aquilo que lhe
tinha dito anteriormente.) Fomos para o posto de controlo em Bethlelem. Aqui seria a minha primeira experiência séria desde que cá estou.
Apercebi-me quando estávamos a chegar, quando comecei a ver o grande muro que isola Bethlelem do resto. Passados 20 ou 25 minutos de
viagem, paramos o carro existe diversos militares nas redondezas bem armados e com coletes à prova de bala.
Este checkpoint é fechado e, pelas instalações vistas pelo exterior, deveria ser bastante grande. Perguntei se poderia levar a máquina e
tirar fotografias, disseram-me que não, ali não permitem porque como era fechado, era um complexo militar, logo não era permitido tirar
fotografias.Com muita pena minha, deixei a câmara no carro e lá fomos para dentro do completo.
Posso dizer que mete respeito, até passarmos para a parte de dentro tivemos que passar por vários corredores ao ar livre, cheios de
grades e arame farpado. Já tinha visto muito na televisão, mas acreditem ao vido é bastante pior a sensação de se ter que passar por aqueles
sítios é uma sensação única, posso-vos garantir.
Lá entrámos, neste posto existe deste lado (israelita), 10 postos de controlo, mas só dois estavam a funcionar, havia pouco trânsito (digo
pouco, cerca de 10 pessoas em cada um dos postos de cada vez, porque ao longo do caminho tinham-me dito que era m dos com maior
movimentos, e que era mesmo impressionante as condições e horas que tinham que estar ali, os palestinianos para poderem atravessar) mas,
explicaram-me que hoje (sextas-feiras) não se trabalha é só para orar, logo o movimento é muito menor, e os vistos passados aos palestinianos,
são também muto menores.
Todo o processo de controlo que os palestinianos têm que fazer é extremamente rigoroso. Começam por pôr as palmas das mãos num
detector (ainda por cima tem que ter uma posição especifica, o que por vezes os mais idosos não conseguiam validar esse processo sem ser à
quarta ou quinta tentativa) só após o reconhecimento da palma da mão (que segundo a Efrat, é para identificar se são palestinos ou não)
passam para a frente do posto de controlo, mostram o papel de autorização, o militar introduz o nome no computador, caso fique verde, poder
passar, caso contrário, não passa.
O que mais me fez impressão, era ver uns homens e mulheres armados, mas que não se pareciam nada com militares. Explicaram-me
que eram pessoas contratadas pelos militares para fazerem guarda ali (versão de mercenários Light). Tive pena não poder tirar-lhes uma
fotografia para poderem ver a figura deles. Cabelo espetado cheio de gel, metade preto, cristas louras, barda que mais parecia pintada, tão fina
que era, óculos escuros, calças ao fundo das pernas, colete à prova de bala, metralhadora e pistola, 4 ou 5 pentes de munições, telemóvel e a
olhar para nós com cara e esquisitos. Eu só pensava para mim, que cambada de crianças estavam ali, a maioria deles acho que s e lhe dessem
um tabefe caiam logo, a sorte deles era ter uma senhora duma arma nas mãos.
Tivemos ali cerca de 1 hora, então Efrat pediu-me, que visto elas não poderem passar para o lado de lá do checkpoint, por serem
Israelitas (os israelitas estão proibidos de passar para o lado e lá), como eu tinha passaporte português se lhes podia fazer o favor de passar
para o lado de lá e ver como a situação estava no outro lado e, que para mim também seria uma oportunidade de ver pelos meus próprios
olhos como era o processo, já que elas não o poderia fazer.
Acedi ao pedido (com um bocado de receio, mas lá fui). Efrat, verificou se tinha o meu número de telemóvel e eu o dela, para caso de
alguma coisa desse para o torto.
Mostrei o meu passaporte no posto de controlo e lá passei para o outro lado. Enquanto percorria os corredores até ao exterior , só
pensava que iria ter a oportunidade de ver Belém. Não digo que não ia com um pouco de receio. Quando entrei na parte final, e passei para o
corredor de grades e arame farpado, comecei a ver ao fundo um grupo e homens encostados ao muro. Eram ainda bastantes, e começaram a
olhar para mim, era o único que ia naquela direcção. Pensei que só queria sair dali. mas para sair tinha mesmo que passar por eles e, não podia
voltar para trás, porque os processos de rodas metálicas só andam num sentido. Segui em frente, passei por eles e pronto, lá me esbarrariam
eles o caminho. Porque é que eu já estava a imaginar que isto iria acontecer? Eram taxistas. Cada um deles queria que eu foss e no carro dele.
Primeiro disse que não queria táxi nenhum, mas pela conversa que ia começando a haver, e a ver-me rodeado aí por uns 20 taxistas a olhar
com cara muito séria para mim, não gostei muito na situação. Comecei a ver o caso mal parado, naquele lado não se vê um único soldado, nem
polícia, comecei a ter um pouco mais de receio. Uma coisa é uma pessoa dizer a outra a situação, e a outra pessoa dirá que não haveria razões
para isso, outra é nós estarmos numa situação dessas. Digo-vos, não é nada, mas mesmo nada agradável. Senti-me tão rodeado, tão apertado,
porque eles iam fechando o cerco à minha volta, e falam entre eles hebraico, só me perguntavam onde queria ir, não poderia ir a pé, eu bem
lhe dizia que tinha amigos que estavam à minha espera do outro lado, mas não paravam, começaram a ter uma postura mais agress iva.
Naquele momento, tinha duas saídas possíveis, mandava-os desviar para eu passar e dizia-lhe que não queria táxi e onde eu ia era comigo,
ponderei essa hipótese mas não a escolhi por não achar a mais sensata. Poderia acabar sem todo o dinheiro que trazia comigo, e ainda era
algum, sem grandes problemas, por ali não me poderia ir queixar a ninguém, ou aceitava algum tipo de viagem. Optei pelo último, eu bem lhes
dizia que tinha que meia embora porque os meus amigos tão tinham que se ir embora, mas não tive a mínima hipótese. Lá telefonei à Efrat a
contar-lhe o sucedido e a disse-lhe que iria então fazer uma curta viagem de táxi, porque não via maneira de sair dali. Disse-lhe meia hora, ela
disse que esperaria por mim. Disse a um deles que teria que estar de volta dentro de 15 minutos, e ele disse-me que não daria muito para ver
mas eu disse-lhe que não tinha trazido a minha máquina fotográfica, iria lá noutra altura para fazer a viagem com mais calma. O condutor q ue
me calhou, por acaso até era bastante simpático (pudera já tinha o que queria) mostrou os pontos mais importantes da cidade. Digo-vos uma
coisa, vale a pena ir lá, é simplesmente linda, não se consegue descrever, tive mesmo pena não ter a câmara comigo. Lá passar am os quinze
minutos, e estava de regresso ao ponto de partida. Esta pequena brincadeira custou 100 NILs (ou seja 20 euros), agora imaginem se fosse de 1
ou 1hora e meia, como eles queria, aí por volta de 500 NILs (cerca de 100 euros ou mais...) com estas despesas é que eu não estava a contar...

164
[ANEXOS]

Passando à frente, fui para o posto de controlo para passar para o outro lado. Estavam lá cerca de umas 100 ou 150 pessoas. Antes de lá
chegar passa-se por um controlo mais ligeiro. À minha frente ia uma senhora já com uma certa idade, que o livre-trânsito que ela tinha não
estava válido, não a deixaram passar, eu bastei mostrar o passaporte.
No segundo controlo demorei cerca de 20 minutos, tínhamos que tirar tudo dos bolsos por numa máquina para inspecção, depois
passávamos por um detector de metais. Lá tirei o sinto, e coloquei a carteira e o telemóvel na passadeira, ao passar pelo detector de metais
acusou, tinha-me esquecido de tirar o passaporte do bolso da camisa e uma caneta, mas como vim o passaporte, mandaram-me passar, se
fosse um palestiniano, tinha sarilhos, quase de certeza.
Lá passei o posto de controlo, entretanto, durante o caminho tinha o meu telemóvel a tocar, era a Efrat, que começava a ficar um pouco
preocupada.
Saímos do posto de controlo e fomos para o carro, entretanto cá fora, peguei na minha câmara e perguntei se lhe podia tirar uma
fotografia a elas, disseram que sim, após se notar que estavam um pouco envergonhadas. Enquanto esperava que elas se organiza ssem tirei
duas ou três fotografias ao murro e à parte da cidade que se via. Ouvi logo uma ordem para de tirar fotografias por parte de um militar, pedi
desculpa e disse-lhe que não sabia que não podia. Entretanto ainda consegui tirar-lhes a fotografia a elas. Entrámos para o carro, e quando
olhámos estava um militar a rondar o carro a olhar para o carro mas seguiu caminho.
Ao fim de cerca de 2 horas e meia voltámos, deixaram-me no mesmo sítio onde tinham ido buscar-me.
Durante a tarde, sem agenda feita, aproveitei para visitar a cidade velha. Bastante interessante, de se visitar e com bastante comércio.
No final da tarde recebi um mail da Ronny, com o plano das próximas saídas. O plano é o seguinte:

Sunday morning: Kalandia (near Rammallh) with Avital Toch


Sunday afternoon: Bethlehem with a very experienced woman - Yael Shalem
OR Kalandia again -Roni Hammerman
Monday morning: Bethlehem and surrounding checkpoints with Ada Gorni
OR Abu Dis and surroundings with Maya Baily
Monday afternoon : Abu Dis and surroundings with Ilana Duker
OR Kalandia with Matanya Ginsburg

Parece que vou ter os próximos dias bastante preenchidos. Ainda não escolhi a quais vou. Por hoje a aventura terminou.

1 de Novembro - 4 Dia

10H00 da manhã, não há nenhum contacto por parte da Yehudit Elkana. Resolvo telefonar-lhe, atende de imediato, e após os meus
pedidos de desculpa pela hora, perguntei-lhe a que horas me poderia receber. Perguntou-me como estava a minha agenda para hoje, ao qual
respondi que não tinha nada marcado então ela disse-me que me receberia em sua casa às 17h00, para tomarmos um café e podermos falar.
Começou por dar indicações onde morava, eu bem tentava ver no mapa, o que ela me dizia (será que não poderia ter posto nomes nas
ruas como nós, a rua do Manel, do Zé, etc., não tinham que pôr aqueles nomes todos esquisitos, como por exemplo "Ma'aleh Ze'ev" :)... ).Lá
estava eu a desenrascar-me mais ao menos, quando o crédito do meu telemóvel foi à vida, bonito, logo naquele momento, as chamadas aqui
são bastantes caras... tive que ir recarregar o telemóvel, mas não lhe liguei de novo, porque a partir do ponto que acabou a chamada
estávamos perto da casa dela. Pensei que seria melhor quando estivesse lá mais perto lhe telefonaria, que seria bem melhor.
Como gosto de me preparar, parti naquele momento para lá para ver se dava com aquilo (a andar, pelos meus cálculos, ainda era
bastante tempo). Fui nas calmas, passeei pelos parques que encontrei no caminho, bastante agradáveis, diga-se de passagem, até que cheguei
ao local onde terminámos a conversa, teria passado por volta de uma hora e meia. Voltei para cima, tentei encontrar alguma coisa onde
pudesse comer, hoje está tudo fechado. Após algumas voltasse com o estômago a dar horas, encontrei um MacDonalds, YES... Ia a entrar,
quando um indivíduo pôs uma mão à minha frente barrando-me o caminho, olhei para ele e ele fez-me sinal para a bolsa da câmara. Disse-lhe
que era uma câmara, mas mandou-me abrir a bolsa, bateu-lhe três vezes, e mandou-me seguir (ora esta agora andam-me a bater nas minhas
coisas assim sem nem menos?, não gostei, mas pronto, estava com fome e esqueci o assunto.) Após comer, fui para o hotel eram cerca das
14h30, tinha que descansar um bocado, porque até agora só ando a pé e já tenho uns bons quilómetros nas pernas.
Descansei até às 15h55, hora a que telefonei para a Avital, uma das pessoas que vou acompanhar aos postos de controlo de Kalandia, na
parte da manhã. Atendeu-me o telefone, mas entretanto, disse-me que não me poderia dizer nada naquele momento para lhe telefonar mais
tarde, por volta das 20h00. Peguei na minha mochila, coloquei-a às costas, peguei na minha câmara (sem comigo, a minha grande companhia
nesta viagem) e lá fui eu, sabia que iria demorar no máximo 30 a 35 minutos, pelos cálculos que tinha feito de manhã, mas preferia ir com
antecedência. Cheguei ao ponto onde tinha estado de manhã às 16h32 minutos. Estava cansado (cá faz calor trouxe dois casacos não sei para
quê, ando sempre camisa com as mangas arregaçadas...) sentei-me a contemplar uma fonte de água rodeada por leões em bronze, e a ver as
crianças a brincar na fonte com barcos improvisados. Estava a passar o tempo, queria estar assim até às 16h50, hora que telefonaria à Yehudit
para saber o resto do caminho.
Às 16h48 toca o telemóvel, era a Yehudit, a perguntar onde me encontrava, disse, que estava no ponto onde tínhamos terminado de
manhã, num cruzamento estranho de 2 ou 3 ruas (por um não sei se poderá considerar rua). Disse-me o nome da rua, mas por esse nome não
ia lá (as ruas aqui têm diversos nomes, ou podem se designar por diferentes maneiras, por exemplo a rua King David também se chama de
David Hamelech - acho que Hamelech quer dizer, não é fácil dar com os nomes), então como estava em frente de umas bombas de gasolina,
disse para ir na primeira à direita no sentido oposto às bombas, depois virá na primeira à esquerda e ela estaria aí à minha espera. Mochila às
costas, câmara ao ombro, e lá vou eu em passo de corrida, vou, vou, vou, até que chego a um hotel, Mont Zion Hotel, e penso que não será por
ali, telefono-lhe e digo-lhe que estou em frente ao hotel, se era por ali, disse-me que não, estada no sentido errado, combinámos então na
estação de serviço, lá andei tudo para trás. Quando cheguei comecei a varrer com os olhos a estação de serviço, com expectativa em ver quem
seria a Yehudit Elkana, que pela voz parecia ser uma pessoa já com uma certa idade mas com uma firmeza e calma ao falar impressionantes. Os
meus olhos centraram-se numa senhora que estada ao lado da estação de serviço. Como Eu tinha imaginado, uma senhora com uma certa

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

idade. Dirigi-me a ela e ela a mim, perguntámos os nomes um ao outro. O encontro estava feito. Fomos a caminho da casa, que a propósito,
não era no sentido oposto às bombas, mas sim seguir pelas bombas (ia mesmo lá dar com o sítio...). Passados 5 minutos de caminho chegámos
à sua casa. Durante esse tempo pouco falámos, perguntou como tinha corrido as coisas no dia anterior e com quem tinha estado.
Chegámos à sua porta, uma zona de vivendas muito bem construídas e bem protegidas. Quando olhei para o lado da porta, que era
blindada ( não era a porta de casa mas sim o portão), estava uma painel com código digital câmara de filmar e mais algumas coisas que não
percebi (segurança não falta naquela casa, pensei eu). Pouco depois o portão começou a abrir-se, no interior um caminho em pedra rodeado
por pequenos jardins, consoante andávamos, as luzes iam acedendo no jardim, dando a conhecer uma linda vista. Ao chegarmos à porta de
casa a porta começou-se abrir automaticamente. Entrei, verifiquei que a casa tinha um grande sistema de segurança, entrar de alarmes
bastante moderno (trabalhei alguns anos neste ramos e sei reconhecer quando os sistemas são a sério ou não, este era...) monitor TFT de 9" a
cores, que percebi que estava ligado à câmara na porta exterior e a outras funções, como por exemplo ao ligar e desligar as luzes etc.
A casa era simplesmente um sonho para qualquer um, metade da casa era constituído por estantes com livros, todos muito arruma dos,
não me tinha enganado na previsão que tinha feito de Yehudit. Via-se que era bastante culta. Para começar quis saber como tinha conhecido o
seu sobrinho. Sobrinho, pensei eu. Que soubesse, não conhecia nenhum sobrinho dela. Respondi que deveria haver engano porque achava que
não conhecia nenhum sobrinho dela. Respondeu-me que sim, que conhecia, o Yishay Mor. O Yishay Mor era sobrinho dela. Bolas, pensei eu
para mim, porque é que sou sempre o último a saber e sou apanhado nestas coisas. Alguém de vocês sabia que ele era sobrinho d ela. Se
sabiam bem podiam me ter dito. Senão o próprio Yishay deveria ter dito isso. Mas passando à frente.
Comecei a contar a história pelo princípio, mas mesmo pelo princípio, desde a altura que alguém chegou ao pé de mim e do Hugo que
nos disse que tinham um projecto que era um projecto de excelência, que seria um prazer trabalhar-se para um projecto de excelência. Alguém
se lembra disso? Não? Não se façam de esquecidos. Ok, voltamos ao que interessa.
Expliquei-lhe tudo, ou pelo menos acho que não faltou nada, desde os contactos do Yishay, aos contactos com o Ari, que ela não
conhece, mas conhece muito bem o contacto que o Ari tem, a Noami. Disse-me que o sobrinho já lhe tinha falado deste sistema, pela primeira
vez a cerca de 2 a 3 anos (foi quase no início, pelas minhas contas).
Entretanto com o café feito de fresco, pudemo-nos sentar e começar a fazer a apresentação da plataforma. Perguntei-lhe se ela tinha
acesso à Internet. Respondeu-me que sim, e que tinha wifi em casa. Óptimo, era só o que eu precisava, porque com o meu telemóvel, poderia
mostrar a funcionar a aplicação, através da rede wifi. Só esperava que não desse barraca. No deu, correu como deveria ter cor rido. a Yehudit
gostou daquilo que viu, reconheceu o mapa, não sei se foi ela que disponibilizou aquele mapa para o Mediaboard, onde o fomos buscar pela
primeira vez.
Fez testes, leu os posts que estavam criados, tive que lhe explicar que toda aquela informação tinha sido recolhida do site deles ou na
Internet e inserida por mim, só para funcionar como teste.
Criou novas entradas. Tudo correu bem (UFA, ainda bem, só faltava neste momento correr mal). Passei de seguida para o emulador que
temos no nosso servidor para explicar como tudo funcionava, visto que lá poder-se-ia ver tudo ao mesmo tempo e seria melhor a
compreensão. Lá verificámos que a informação inserida por ela lá se encontrava. Mas reparou logo nas horas de inserção. Quando estávamos a
fazer o teste eram 17h32 locais, 15h32 portugueses, mas o blogue apresentava 8h32. Tive que lhe explicar que o mais provável é ser a hora
onde o servidor do Blogger estava, em princípio nos USA. Isso provou alguma confusão e ela acha que pode levar a haja enganos . Concordo,
temos ver se conseguimos configurar isso no blogger.
A seguir passei para a apresentação que tinha preparado para cá. Lá mostrada os problemas, os objectivos que querias alcançar com o
desenvolvimento da plataforma e a explicação passo a passo do funcionamento da aplicação com imagem real.
Após a apresentação, ela fez o apanhado da situação e colocou-me algumas questões. Começou-me por perguntar se a aplicação
funcionaria nos telemóveis antigos. À qual respondi que para a aplicação correr o telemóvel teria que respeitar três caracter ísticas: 1) correr
aplicações java; 2) suportar o profile MIDP 2.0 e 3) suportar o profile CLDC 1.1. se estas características fossem satisfeitas, correria, senão não.
Mas em princípio os telemóveis mais antigos, apesar de a maioria já correr aplicações java, não suportam os dois profiles necessários, logo em
princípio não correria. Este foi uns problemas que sempre levantámos, lembram-se?
A segunda observação quer ela fez foi na sua utilização, ao contrário do que nós pensávamos, que a organização era constituída por um
leque muito variado de idades, não é bem assim. Na realidade existem muito poucos membros novos (em idade, ainda por cima tiv e o privilégio
de ir ao primeiro checkpoint, com dois dos membros mais novos da organização, a Efrat e a Leah, a mais novinha), a maioria dos membros
situa-se entre os 60 e os 80 anos. Logo terão a partida alguma dificuldade em ligar com a aplicação. Respondi que o funcionamento da
aplicação assemelha-se muito ao enviar um simples sms. E quando vim vinha com a intenção de dar formação aos membros, mas isso não foi
possível, visto que apesar serem uma organização, não têm sede, e reúnem-se de tempos em tempos. Este foi outro problema questionado por
nós no início, lembram-se? Os mais velhos serão que se adaptavam ou não? Pelos vistos nestes pontos as nossas reflexões foram correctas.
Falei-lhe da minha conversa com a Ronny e a Avital, e ela concordou com o que se tinha dito. Mas também reconhece que este sistema
pode ser utilizado em situações menos críticas, como por exemplo no relato de situações de impedimentos de passagens de palestinianos, etc.
Mas isso levaria a que um membro tivesse como tarefa a monitorização dos blogues para ver quais as alterações. Esta parte era aquela que nós
pensávamos que existia, mas não existe. Segundo a Yehudit, poderá ser possível, disse-me que também é membro outra organização de defesa
dos direitos humanos, mas não só nos checkpoints, mas sim em todo o território. O que acontece aí é principalmente o ataque dos colonos aos
palestinianos. Aí este sistema poderia ser implementado na sua perfeição, visto que muitas das situações não são resolvidas no instante,
porque levam tempo, e poderiam ser utilizadas para relatar o andamento das situações.
Ela deu o exemplo muito comum que é, numa pequena localidade as crianças têm que atravessar um terreno desértico até outra
localidade, para irem para a única escola que existe nas redondezas. Elas têm que levar escolta policial, senão os colonos atacam as crianças.
Por vezes o jipe militar não vai e têm que lhe telefonar a ela a dizer isso. Ela entra em contacto com a comandante da região (sim é mesmo uma
mulher :) ) para relatar o caso e pedir que enviem a escolta policial. Com o sistema ela só teria que ir vendo de tempos em t empos como
estavam as situações, bastante haver um telemóvel com a aplicação instalada em cada localidade.
Mas segundo ela, a partir de agora poderemos tratar tudo "electronicamente", gostei do termo que ela aplicou para os contactos
poderem ser continuados através de mails.
Pediu-me para me encontrar com a Merav em Tel Aviv, visto ela ser um das únicas tecnólogas que elas têm, combinei com ela que iria
terça de manhã para Tel Aviv, passaria lá todo o dia com a Merav, e teria que partir na madrugada do dia seguinte.

166
[ANEXOS]

Prontificou-se para tratar de organizar todas as minhas saídas para os checkpoints, telefonando aos responsáveis de cada grupo,
combinando as horas e locais, bem como é que eu poderei lá chegar. Obrigado Yehudit.
Por último pedi-me para quando eu me fosse embora, apagasse a aplicação do telemóvel, e não falasse da organização quando me
interrogassem, pois poderia vir a ter problemas. Nunca, referir que fui a checkpoints, porque senão irão fazer-me a vida negra. Dizer que vim
como turista e aproveitei para a visitar a ela, porque era tia de um dos meus colaboradores de mestrado, para lhes dar os contractos dela que
ela falaria com eles caso fosse necessário.
Vamos ver se consigo sair daqui bem... é cada notícia que assusta.
Entretanto enquanto estava na casa da Yehudit, Avital telefonou-me para combinar a minha saída de manhã, acabou por ser a Yehdit
que tratou de tudo. Saio às 6h30 da manhã para Kalandia.
Por hoje a aventura termina, amanhã haverá mais...
Terminámos por dizer que ela agora conhecia a nossa aplicação, agora é necessário eu acompanhar as rondas para perceber quais as
reais necessidades delas.

3 de Novembro - 6.º Dia

Às 6h20 da manhã já me encontrava no ponto de encontro acordado com a Avital. Eram perto das 6h30 quando o carro da Avital parou
ao pé de mim. Ao seu lado vinha outro membro que me foi apresentado como sendo Shosh Holper. Feitas as apresentações seguimos caminho
para a primeira paragem da manhã. Parámos em Anata cerca das 6h50 e mantivemos nos lá até às 7h15. Anata é um posto de controlo para
veículos entre bairros de indivíduos que não são israelitas, nem são palestinianos, encontram-se no meio dos dois povos. Todos os carros e as
pessoas que passam a pé têm que ter um livre-trânsito verde, caso contrário, não poderão passar. A maioria que passava a pé eram crianças
que depois do posto de controlo apanhavam os autocarros para a escola. Segundo Avital, hoje não se viam muitas crianças porque muitas não
deveriam ter aulas ao domingo, porque durante a semana, são bastantes as que têm que passar pelo extenso corredor feito de ba rras metálicas
e tendo como tecto arame farpado.
Os carros tinham que parar todos mostrar o livre-trânsito e o carro era revistado, tinham que abrir os porta-bagagens e só depois
poderiam partir. Os autocarros eram inspeccionados com bastante cuidado, se traziam passageiros tinham que sair mostrar os li vres trânsitos e
o autocarro inspeccionado, só depois poderiam entrar e seguir viagem. Apesar de haver duas únicas filas, encontravam-se dispostos 3 militares
por fila, um mais adiantado a inspeccionar carros mais afastado do posto de controlo, e outros dois junto ao posto de controlo, a inspeccionar
outros veículos. Assim conseguiam inspeccionar 2 veículos por fila, porque dois soldados estavam só presentes para ver se as coisas corriam
bem. Após, o posto de controlo, estavam mais 3 militares e um segurança civil armado (contratados pelos militares). Era curioso ver num único
sítio 4 forças armadas, diferentes: militares, polícia, polícia militar e seguranças civis armados, Distinguem-se pela cor do facto e insígnias à
excepção dos milicianos que usam roupa normal com coletes à prova de bala.
Não foram detectados problemas. Entretanto Avital mostrou-me a diferença que existia entre o lado de lá do posto de controlo e o lado
oposto ocupado pelos colonos. De um lado o "luxo", limpeza acompanhado de árvores e flores. Do outro o lixo acumulado no chão, o arame
farpado, terras desérticas sem vegetação, e casas bastante degradadas. Senti que existia entre os membros da Machsom Watch e os colonos
um clima de ódio. Os colonos são considerados como parasitas e os grandes causadores de grande parte dos problemas que existem.
Estávamos a conversar até que olhámos para uma manobra de 4 mulheres que não tinham livre-trânsito para passar então puseram-se ao lado
de um dos autocarros e andavam consoante o autocarro, como os militares estavam do lado contrário passavam despercebidas. Presenciámos
a situação pensando que conseguiriam levar a avante a tentativa de passagem. Mas saiu frustrada, porque a pós passarem o post o de controlo
o autocarro desviou-se um pouco para a direita e elas saíram cedo demais da sua protecção. No mesmo momento que o soldado mais
avançado se virava para o sítio onde estava o autocarro (por acaso, porque ele não estava a contar) quando as viu começou a g ritar para
pararem e a correr na sua direcção, entretanto os outros militares empunharam as armas e viraram-se para o local. As senhoras, após terem
sido detectadas começaram a voltar para trás por livre vontade, nenhuma força foi aplicada. Sholsh virou-se para os guardas e disse-lhes
porque não as tinham deixado ir, elas já estavam do lado de lá do posto de controlo, os militares riam-se (como a gozar) e Sholsh disse-lhes que
realmente tinham muita piada, eles olharam para ela e calaram-se.
Explicaram-me que eram mulheres de aldeias que não tinham os papéis porque não tinham direito a eles.
Ficámos mais um pouco, como tudo estava a correr na normalidade, decidiram ir para outros postos de controlo.
Seguimos viagem para o posto de controlo de A-Ram. A-Ram é uma cidade dividida por um muro alto de betão e arame farpado que
separa a parte israelita e ocupadas pelos colonos e a parte palestiniana. Também aí tivemos pouco tempo, tudo estava a correr na
normalidade. Pusemo-nos em movimento então para a paragem final, Kalandia. Foi-me explicado que Kalandia era o maior posto de controlo
em Jerusalém, mesmo maior do que Bethlehem. Quando chegámos a Kalandia, fiquei um pouco confuso, pois porque passámos de carro o
posto de controlo, e estacionámos no lado palestiniano. Explicaram-me que tínhamos entrado numa espécie de terra de ninguém, não era
palestiniana, era israelita mas eles não queriam saber dela, era como uma zona de tampão, nem a limpeza faziam, bem isso notava -se bem.
Fomos então a caminho do posto de controlo propriamente dito. Quando entrei nem queria acreditar no que via. Parecia um hanga r
enorme, com centenas de pessoas, se não fossem mais do que um milhar, a empurrarem-se umas às outras, para ganhar vez nas filas.
Havia três portões. Em dois deles, as pessoas amontoavam-se mais para esses o outro estava mais vazio, mas mesmo assim contavam
com umas boas dezenas de pessoas. Explicaram que aquele era designado como o corredor humanitário, usado exclusivamente por d oentes a
caminho do hospital, crianças e estudantes a caminho das escolas. Mas pouco tempo passou após a nossa chegada par a as queixas começarem,
parece que aquele portão, que em teoria teria que ter mis escoamento do que os outros ainda não tinha aberto às 7h35 da manhã . Avital
pegou no telemóvel, e ligou para um dos responsáveis por aquele posto de controlo. Seis minutos depois o portão abrir-se-ia pela primeira vez,
mas logo se fechou. Entretanto, por detrás de nós ouvia uma voz nos microfones a falar hebreu (mas que penso que era para dizer para mais
alguns avançarem). Olhei, e pela primeira vez vi como aquilo se processava. Não queria acreditar no que via. Começavam a correr a empurrar
uns aos outros dentro do túnel de grades e arame farpado em passo de corrida. Fez lembrar cenas de filmes do tempo da II guer ra mundial
quando os eleitos para serem mortos andavam para as câmaras de gás. A sério, senti-me um pouco mal, não fisicamente mas sim

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

emocionalmente. Já tinha estado em outros, mas nada assim, quando os portões fechavam, os detrás continuavam a empurrar, os que estavam
a frente por vezes quase que eram esmagados contra as grades. Isto só visto, porque não consigo descrever fielmente a realidade que
presenciei. Estas imagens irão acompanhar-me durante algum tempo.
Entretanto começa a ouvir um alvoroço, e eram dois palestinianos que se tinham posto a lutar, presumo que deveria ser devido à
posição nas filas, mas rapidamente a multidão conseguiu separá-los e tudo voltava ao estado anterior.
Entretanto Sholsh e Avital, ora telefonavam ora gritavam para o polícia graduado que lá estava, para pedir justificação do porquê do
corredor humanitário estar muito mais lento do que os outros. Ao fim de cada telefonema de Avital, apercebia-me que o polícia recebia uma
chamada e deixava passar mais uns quantos.
Olhava para aquela fila e via pessoas idosas que nem se conseguiam pôr de pé, crianças com ar de doentes e caras tristes que olhavam
fixamente para mim. Algumas eram tão pequenas que me apetecia pegar nelas ao colo para tentar retirar-lhes aquele ar tão triste. Mas não
quis interferir, por duas razões não quero interferir com a acção dos membros da organização e também nunca se sabe qual será a reacção dos
familiares daquelas crianças, que olharam com desconfiança para tudo, o que é normal. Um ar que nunca saberei se era por esta rem doentes
ou se por terem que passar por toda aquela humilhação, sim porque para mim, considero que aquelas acções são feitas com o intuito de
humilhar, só pode, não é possível poder-se agir assim com pessoas, principalmente com crianças. Sei que dirão que outros sítios serão
bastantes piores, o que acredito, mas acreditem que é bem diferente ouvir-se falar ou ler sobre a situação ou ver-se ao vivo a real situação.
Posso dizer que hoje costume estar a presenciar isto, sinceramente.
Tivemos lá até às 10h00, depois a Avital disse-me que tinha que levar umas pessoas (que ela trata por “família”) e que eu teria que
apanhar o autocarro para a cidade. Respondi que sim. Só fiquei um pouco alarmado quando ela me disse que, não sabia se eu pod eria passar
com ela no carro no posto de controlo, porque só os israelitas o podiam fazer ou se os estrangeiros dentro de carros o poderiam também que
fazer. Senão pudesse passar, teria que ir para ao pé dos outros e atravessar como todos os outros. Não gostei dessa parte, pr incipalmente após
o que tinha acabado de ver.
Entrei para o carro, e tentámos passar o posto de controlo, paramos elas identificaram-se, a Avital abriu o porta-bagagens e eu mostrei o
meu passaporte a uma militar, verificou a validade do carimbo, entregou-me e mandou-nos seguir. Logo a seguir são do carro entra a “família”
que já estava à espera e Avital indicou-me onde poderia apanhar o autocarro. Lá fui eu apanhar o autocarro para a cidade velha, para
Damascus Gate.
Com a sorte eu tenho, o autocarro (que era um mini) estava cheio, fui junto à porta em pé. Durante a viagem começou-se a cheirar a
queimado, o condutor pára o autocarro, manda sair toda a gente, como falou em hebreu não percebi se era a última paragem. Afi nal era a
consola ao lado volante que estava a deitar fumo, pouco depois mandou-nos entrar e segui-mos viagem, ele a conduzir com uma mão e com a
outra a segurar a consola que nessa altura estava solta, ainda me ofereci para segurar mas ele disse que não era necessário. Acabámos por
chegar, ao destino, aquilo já deitava fumo por todo o lado (eu realmente tenho bastante sorte).
Entrei por uma porta que nunca tinha entrado, na cidade velha. Conclusão ao início perdi-me, como era de esperar, sim porque as
indicações em árabe e hebreu ajudam muito. Mas ao fim de algum tempo lá passei por sítios onde sabia que já tinha estado e aí foi fácil achar o
caminho de volta (sempre tive uma boa orientação a partir da memória fotográfica de locais onde passo).
Chego ao hotel às 11h40, vou descansar um pouco e pôr o telemóvel a carregar. Às 12h20, saio vou comer e às 13h50 estou a apanhar o
autocarro que me tinham indicado para ir ter ao local do encontro com a equipa da tarde.
Pergunto ao motorista se passa por Tantur ao qual ele respondeu que sim, pedi então um bilhete, ele pediu-me 224 NILs (cerca de 50
euros), questionei por duas vezes se era o bilhete correcto e porque era tão caro, disse que era aquele. Como tinha as coisas marcadas tive que
pagar (mas custou-me bastante, nem sabem quanto). Bem olhava par o bilhete mas estava todo em hebreu e árabe (vou ter que ter uma
conversa com o Yishay, sim porque ele sem me disse que tudo estava em inglês, não tinha que me preocupar, das duas uma ou ele não vem á já
bastante tempo a Israel ou não é de Jerusalem que ele estava a falar.) Cheguei ao local, já fora de Jerusalem às 13h38, como o encontro era às
14h00 esperei à entrada da Tantur. Às 14h00 chegou um dos meus contactos. Apresentou-se como sendo Shlomit e disse-me que a Yael Shalem
estava dentro da Tantur, tínhamos que a ir buscar. Fomos buscá-la e após me apresentar seguimos viagem para Bethlehem. Contei-lhes a
minha aventura do preço do bilhete (estava atravessado no pescoço, 224 NILs), e elas perguntaram-me por é que eu tinha ido de táxi. Respondi
que não tinha ido de táxi, tinha ido de autocarro, nº 18 como as indicações, disseram-me que era impossível esse preço, pediram-me para ver o
bilhete, quando o viram disseram-me que me tinham vendido um bilhete mensal. O quê, perguntei eu? Desde quando é que se vende bilhetes
mensais a turistas? (Realmente para trafulhas não estão nada mal) Então mostraram-me que lá estava escrito Novembro, e apontaram para o
local. È pena eu não saber ler hebreu, fiquei fulo. Amanhã no tempo entre as duas visitas vou ver se e devolvem o dinheiro, d uvido, mas tentar
nunca custou nada. Durante a viagem fui explicando a plataforma como ela funcionava porque é que tínhamos adaptado a plataforma à
organização delas, etc. Yael disse-me que para ela não era muito importante um sistema que recebesse informações do servidor. O que elas
precisavam mesmo era de contactos por voz em tempo reais e simultâneos (achei-a muito directa e sem rodeios, deveria ser por ser uma das
veteranas da organização, e das terá mais conhecimentos sobre as acções a tomar no terreno).
Falei-lhe da conversa que tinha tido com a Ronny Perlman e com a Yehudit Elkana sobre essa questão. Entretanto chegámos ao destino:
Matak Enzion, um posto onde os palestinianos têm que ir renovar o cartão electrónico para poderem ir trabalhar. Estavam lá ba stantes
palestinianos, alguns vieram ter com elas, porque sabiam que elas por vezes conseguiam por as coisas a funcionar. Chegámos às 14h20 e após
algum tempo a conversarem com eles disseram que o problema residia no facto de que só estava um único soldado a trabalhar e que os outros
que deveriam ter vindo não vieram trabalhar. Distribuiriam 80 fichas para serem atendidos desde o início da manhã até àquele momento só
tinha sido atendidas 16 pessoas. A partir desse momento foi uma maratona delas com o telemóvel tiveram quase durante 4 horas (tempo que
passámos no local) a telefonar. Isto veio verificar que realmente elas têm razão, há situações que o sistema desenvolvido não consegue ter
nenhuma acção. Só os telefonemas é que geram acções mais ou menos imediatas. De tempos em tempos vinham explicar-me o que estavam
fazer quais os problemas, etc. Havia pessoas que estavam ali desde as 3h00 da manhã para ganhar vez, algumas dessas nem sequer tinham sido
ainda atendidas. Depois explicaram-me que o atendimento diário está atribuído a localidades, ou seja, cada indivíduo de cada localidade só tem
aquele dia da semana para tentar tratar dos assuntos, caso não consiga, só na semana seguinte poderá lá ir. Havia pessoas que já era a terceira
semana que estavam ali, já não podiam ir trabalhar há três semanas.
Todo o processo era bastante lento, e havia esquecimentos, propositados ou não, que originavam com que os indivíduos não tivessem o
cartão electrónico válido. Desde situações como a de se esquecerem que retirar a impressão da palma da mão. E quando elas telefonavam para
dentro para falar com o soldado, ele dizia-lhes que era azar, ele teria que voltar para a próxima semana para acabar o processo. Elas

168
[ANEXOS]

telefonavam ao comissário responsável e algum tempo depois o indivíduo estava a ser chamado para acabar o que faltava. Tudo isto
demonstra uma falta de respeito pelas pessoas.
Das oitenta pessoas previstas, foram atendidas cerca de 30 a 40. As outras teriam que voltar para próxima semana. Ainda tentaram que
pelo menos meia dúzia ainda fosse atendida mas após terem tido resposta positiva pelo comissário, passado algum tempo, e após novas
tentativas para ele, para saber o porquê da demora, já não se encontrava disponível. Tivemos que vir embora porque os soldados fecharam o
recinto e, ao jeito deles, pontapé das cadeiras e na porta, sim porque as mãos deles ainda não percebi bem para que é quer servem.
Não percebo nada de hebreu, mas apercebi-me algumas das conversas telefónicas foram bastantes agressivas, pelo tom de voz e pela
disposição após do telefonema, por vezes diziam-me outras não. Saímos de lá cerca das 18h30.
Hoje não existem fotografias porque não se proporcionou, devido aos locais ou às situações. Por hoje é tudo, amanhã vou novamente
cedo para Abu Dis.

Ultimo dia em Jerusalem


Mais um dia, o último nestas andanças. Hoje foi um pouco mais tarde, cerca das 6h45 da manhã fui para o ponto de encontro acordado
com a Maya Baily. Eram 7h05, quando um mitsubishi carrinha parou perto de mim. Perguntaram se era eu, e após confirmação, entrei no carro.
Lá dentro encontravam-se A Maya Baily e a Rina R.. Feitas as apresentações, perguntaram-me onde já tinha estado, disse-lhes os sítios em que
tinha ido. Disseram numa forma muito rápida o itinerário, para essa manhã: Abu Dis e arredores.
Seguiram-se as perguntas do costume, o que eu tinha vindo a fazer aqui. Depois de explicar, pela 6 vez a “história da minha vida”.
Perguntaram-me como funcionava a plataforma. Expliquei mais uma vez o funcionamento da plataforma, salientando os benefícios que ela
apresenta, mas também realçando que agora que estava a ter um conhecimento mais profundo da organização, das suas acções e
necessidades, que o actual sistema só poderia ser considerado completo com o acoplamento de mais dois módulos, um de vós e outro de sms.
Conclusões que tinha chegado após as conversas com os membros anteriores, com Yehudit e também pela minha observação no campo.
Começaram por me dizer, que já estavam velhas para essas andanças, isso era para os novos, não para elas. Maya começou por explicar que
tinha comprado há pouco tempo um telemóvel e nem sequer sabia funcionar com ele, como poderia ouvir as mensagens de voz, etc. Quando
mais ter que aprender a trabalhar com uma aplicação nova. Ofereci-me para lhe explicar o funcionamento do telemóvel, enquanto seguíamos
caminho, eu ia estudando o telemóvel. A viagem foi longa, por isso fomos conversando sobre o que se passa nos postos de contr olo segundo a
experiência delas. Elas, têm a mesma opinião do que todos os outros membros até este momento que contactaram comigo. A maioria dos
problemas é causada pelos militares. O desrespeito que eles têm pelas pessoas provoca a que haja ódio (isso posso confirmar, que assisti a
muita falta de respeito e até humilhação provocada pelos militares.).
Chegámos, eram perto das 08h00, estávamos nos arredores de Jerusalém, no posto de controlo de Sheih Sa’ed. Explicaram-me que era
um bairro que estava partido ao meio, por um muro e um posto de controlo. As crianças e adolescentes tinham que passar pelo p osto de
controlo para irem para a escola que estava do outro lado. Só havia um posto médico e, quem estivesse doente ou obtinha os vistos para
passar ou tinha que ir dar a volta para passar por outro posto de controlo que ficava a muitos quilómetros de distância, Adu Dis.
Rinna, entretanto foi falar com um soldado. Após algum tempo disse-me que aquele soldado ainda não estava “convertido ao sistema”,
porque era o seu primeiro dia num posto de controlo, por isso era bastante simpático e delicado. Disse-me que isso desaparece pouco tempo
depois, porque eles parecem que levam uma “espécie lavagem ao cérebro” de tal forma que não vêm os palestinianos como pessoas , para eles
se eles sofrem ou não é indiferente, e para muitos, quando mais sofrem melhor (incompreensível e triste de verificar que é a pura realidade do
que se passa.)
Ia-mos a caminho carro quando reparámos num homem sentado no lado da estrada, com duas sacas que tinham alguma coisa lá dentro.
Após falarem com ele, soube que nas sacas estavam azeitonas, cerca de 45 kg, que era a quantidade permitida para entrar no posto de
controlo, para quem tem Visas de permissão de passagem. O que acontecia é que a mulher dele tinha visa de permissão e ele não, viviam na
mesma casa, mas um tinha outro não, logo ele não podia entrar com as azeitonas. Tinha que esperar pela mulher ou por alguém que tivesse o
visto de permissão e as levasse pelo posto de controlo e apesar disso naquele momento mesmo quem tivesse o visa, os militares não deixavam
entrar. Maya foi falar como o soldado mais graduado do posto, para saber porque não estavam a autorizar a entrada das azeitonas, visto que o
decreto falava que até cerca de 45 kg era autorizado. Voltou algum tempo depois, e disse-me que o soldado lhe tinha dito que naquele
momento não tinham autorização para entrar, na semana passada tinham, mas não agora. Maya e Rinna telefonaram para diversas pessoas a
pedir justificações, entretanto passados algum tempo, chegou um carro, e o homem colocou lá as sacas com as azeitonas, para onde foram não
chegámos a saber. Poderão ter ido por outro posto de controlo.
Visto não haver mais nada a resolver no local, decidimos ir para outro local mas antes explicaram-me a diferença que havia ali, dum lado
(lado israelita) tinham locais para por o lixo e teoricamente (digo teoricamente, porque aquilo estava tudo cheio de lixo espalhado no chão)
havia recolha, porque pagavam a taxa de recolha etc. No outro lado do posto de controlo havia uma ribanceira e era aí que dei tavam o lixo que,
de tempos em tempos, tinha que ser queimado, devido ao volume. Porque para virem depositá-los no outro lado do posto de controlo, os
soldados tinham que inspeccionar os sacos e isso eles não fariam, por isso o mais fácil mesmo é amontoar o lixo (era impressi onante a
quantidade de lixo e o cheiro, tive pena de não poder tirar uma fotografia, mas era na direcção do posto de controlo e isso estava fora de
questão.)
Pusemo-nos a caminho de Abu Dis. Mais um bom bocado de caminho por terras desérticas e áridas. Passámos pelo famoso Monte das
Oliveiras, Vimos ao longe o Mar Morto. Chegámos a Adu Dis, o cerco com os muros mais altos (deveriam ter a altura de 7 a 8 metros de altura
mais um metro de arame farpado enrolado). Também aqui dividiram uma cidade ao meio, uns estão no lado Israelita e têm todas as regalias e
outros estão do outro lado sem qualquer tipo de regalias, separaram famílias, que sem terem Visas válidos não se poderiam ver (não tiveram
cuidado nenhum na divisão). Na opinião da Maya, ou tinham posto toda a cidade cercada ou não, porque pior do que estar cercado é separar
famílias que algumas estão a apenas a alguns metros de distância, mas que não se podem ver. Enquanto me iam mostrando em redor do muro
vimos um pequeno posto de controlo numa abertura muito pequena no muro. Explicaram-me que aquele era especial só poderia passar ali as
pessoas que estivessem na lista, todas as outras não poderiam passar por ali.

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Curioso de ver foi também que mesmo aqui dá para ver quem tem dinheiro tem privilégios. Junto ao muro (no lado livre), estavam
vivendas luxuosas de palestinianos ricos, o muro contornava as suas casas. Estava tudo calmo e a correr na normalidade, decidiram ir para mais
um posto de controlo, Vadinar.
Este posto de controlo ficava dentro dos territórios palestinianos ocupados. Era um posto e controlo de carros, com barricadas feitas
com arame farpado. Rinna foi falar com o comandante, entretanto eu e a Maya estávamos a experimentar a câmara do seu novo tel emóvel.
Começamos a ouvir um cão pequenito a ladrar sem parar, olhámos e vimos que ele estava preso no arame farpado. Tinha uma guita ao pescoço
a qual ficou presa no arame farpado sem crer ou alguém a lá prendeu, e o próprio cão estava com uma das hastes do arame farpado cravados
no corpo. Olhámos e vimos um palestiniano a olhar mas nada fez, os militares muitos menos, então decidimos tentar retirar o cão de lá.
Primeiro tirámos a haste eu lhe estava cravada no corpo, depois como não conseguimos retirar a guita do arame farpado, tivemos que, com
cuidado retirá-la pela cabeça do animal. Por fim o cãozito, de poucos meses, estava livre. Entretanto a Maya, durante a operação de
salvamento tinha também ela cravado uma das hastes do arame farpado num dos dedos estava a sangrar, pegou num lenço e estanco u o
sangue e foi caminhando para perto do militar com quem a Rinna estava a falar. Eu seguia. Eles falavam em hebreu, não percebia nada mas
quando o militar se virou para mim e me disse “Good day Sir, Where do you came from?” Espantado e olhar para ele (cinquentão, de óculos
escuros Ryan Ban, metralhadora numa mão e charuto noutra, encostado a uma pequena coluna de cimento armado, que pertencia à barricada
no meio da estrada, e ainda por cima com um sorriso que não gostei muito de ver), retribuí os bons dias e respondi de onde vinha. Despedimo-
nos rapidamente e começámos a ir em direcção ao carro, no caminho explicaram-me que ele não tinha ficado muito contente por eu estar ali,
aquilo era uma zona militar, não tinha o direito de estar ali (pela primeira vez implicaram comigo, isto foi uma daquelas situações que sempre
tinha pensado que me poderia acontecer, e aconteceu).
A ronda da manhã tinha terminado eram 9h30, Maya deixou-me a mime à Rinna, na paragem de autocarro. Entretanto tinha lhes
contacto o que me tinha acontecido com o bilhete no dia anterior. Disseram-me para ir lá reclamar e caso não desse resultado dizer que iria
fazer uma queixa por escrito. Maya era da opinião de que eles nem sequer quereriam saber sobre o caso. Como a Rinna ia para o mesmo lado,
para Central Bus Station, seguimos no mesmo autocarro, uma paragem antes do Central Bus Station, disse-me para sair ir antes directamente
aos escritórios da empresa apontou-me uma prédio com umas letras azuis e disse-me que era ali. Despedi-me e sai do autocarro. Entrei no
edifício indicado, após mostrar a bolsa da câmara (esqueci-me de mencionar nas entradas anteriores, mas aqui não se entra em lado nenhum,
nem cafés nem em lado nenhum sem que haja um segurança à porta, muitas das vezes armados, a revistarem os sacos). Entrei, era grande
tinha vários balcões de atendimento, personalizado, zona de câmbio, etc. Bem pelo menos aqui está uma boa organização, até me deu algumas
esperanças, olhei em volta mais uma vez e para não variar nem uma palavra em inglês, estava um indivíduo no meio a comandar as operações,
aproximei-me e perguntei-lhe se falava inglês, disse-me que sim, perguntei-lhe onde me poderia dirigir para falar sobre a um bilhete que tinha
comprado, e mostrei-lhe o bilhete, disse-me para tirar uma senha e esperar pela minha vez que era em frente. Tinha o número 11, ia no 5,
passados 15 minutos ia no 6 toca o meu telemóvel, era Rinna, a perguntar se já tinha resolvido, disse-lhe que não que tinha tirado um ticket e
estava à espera da minha vez. Ela disse-me que caso eles fossem indelicados comigo para lhes dizer que iria apresentar queixa e depois
desligou. Mais 10 minutos e só mais um número, olhava para os guichés de atendimento só via os funcionários a funcionar com m ontes de
papelada, pensei que deveria ser do passo ou assim, como se pode demorar tanto tempo a atender 4 guichés e apenas 2 clientes atendidos.
Olhava para o relógio, estava a ficar tarde, ainda tinha que ir comer alguma coisa e apanhar o autocarro que me levaria para o ponto de
encontro da tarde com a Natanya às 14h00, mas como ficava bastante longe, queria dar uma hora de trajecto mais a espera do autocarro, era
12h10.
Levantei-me e dirige a um balcão mais ao lado, e perguntei à menina que lá estava se falava inglês disse-me que um pouco. Ok é um
começo, mostro-lhe o bilhete e começo a explicar a história, quando ela me interrompe e diz-me não é ali. Ok, pensei eu, à espera que ela me
dissesse em que guiché era e se demorava muito. Quando ela se vira para mim e me diz: “This is a Bank. Up, up, up.”Devo ter ficado com uma
cara de parvo mas se encontrar-se o indivíduo que me mandou tirar a senha e me mandou esperar acho que lhe batia. Sai, cheguei ao pé do
segurança e perguntei se falava inglês ele encolheu os ombros, bonito, olhei para ver se via algumas escadas, mas não via, mas se ela me tinha
dito up, up, em princípio era no andar de cima, penava eu, mas como é que se vai para lá? Aproximei-me do segurança novamente, tirei o
bilhete do bolso e mostrei-lhe apontando para ele. Então disse-me qualquer coisa em hebreu, mas pela posição dedos quando acenavam
percebi onde era. A entrada era de lado, estava um pouco escondida, à entrada olhei e à minha frente estava um placar com a distribuição os
departamentos pelos pisos, mas estava tudo em hebreu, estava quase para dizer uma daquelas palavras quando olho e vejo uma rapariga que
estava sentada atrás dum balcão minorca, mas ela ou era baixa ou não sei, porque mal se via. Perguntei-lhe se falava inglês (não tinhas muitas
esperanças), disse-me que sim, perguntei onde deveria ir para tratar de um problema sobre bilhetes. Sexto andar, respondeu, chamei o
elevador e lá fui eu. Sai e olho à minha volta corredores com portas fechadas e com os placares em hebreu (a isto chama-se azar), lá vi um
homem, perguntei-lhe onde poderia encontrar alguém e ele apontou para um corredor. Bati uma porta, abri e expliquei à senhora que lá
estava o que se tinha passado, disse-me para ir ao quinto andar, virar no corredor e ao fundo, lá fui, vi uma porta aberta e perguntei se era ali
que tratava do assunto, expliquei e passado um pouco, mandam-me ir ao departamento financeiro, 6 andar. Lá fui eu, andei às voltas ainda
tentei ler as placas mas não vi nenhuma que se parecesse com financeiro. Ena uma porta aberta, espreito, uma mocinha estava numa
secretária, pergunto se fala inglês, diz-me eu não (pensava que hoje em dia todos os jovens falavam, enganei-me), levanta-se e vai indicar-me
alguém para falar comigo, o qual me diz onde é o famoso departamento financeiro, então não era o mesmo onde eu tinha estado no inicio,
porque não me disseram logo? Mas o que interessa é que me deram o dinheiro todo do bilhete (por esta não esperava).
Às 13h10 estava a apanhar o autocarro na Yafo St. para o ponto de encontro pergunto ao motorista se fala inglês, diz-me que não
abanando os ombros, indico no mapa para onde quero ir, nem ler sabem (incrível) vira-se para trás e perguntou se alguém falava inglês, então
um jovem perguntou para onde queria ir, indiquei-lhe e ele traduziu para o motorista. Ele disse-me que passava, pedi o bilhete, 5.70 NILs (ena
que diferença…), e o rapaz disse-me que o motorista me dia quando era para sair. Sentei-me por detrás do motorista, para ele me ver bem
(melhor só se fosse em cima dele… ? ) andámos, andámos, e eu a ver as horas a passar, eu bem tentava localizar-me no mapa onde me
encontrava naquele momento mas não conseguia. Até que o motorista olha para mim e pôs as mãos na testa (vi logo, já passei a paragem),
disse-me para sair e que “go, go go, to other”, logo percebi deu bronca, olhei para o relógio 13h54. Pensei pela primeira vez vou chegar
atrasado, o que não me agradou. Estava uma rapariga na paragem e perguntei-lhe se falava inglês , disse-me um pouco, apontei no mapa onde
queria ir, e pelas indicações ainda era um bom esticão. Pus-me a caminho em passo de corrida, subi, subi, até que cheguei ao sítio, 13h59. Às
14h04 estava a parar o carro da Natanya perto de mim. Apresentamo-nos e seguimos viagem, esta senhora, foi uma das que mais gostei de
trabalhar, pela maneira ela falar fiquei desde o início completamente descontraído, lá expliquei a história habitual. Fomos ter com o outro

170
[ANEXOS]

membro que me foi apresentada como Phyllis Weissburg, uma americana neutralizada israelita. Após explicar o conceito geral da aplicação tive
que por a aplicação a correr com o meu sim português para demonstrar como funcionava (funcionou tudo às mil maravilhas). Seguimos para a
nossa ronda. Primeira paragem A-Ram, tudo muito calmo, seguimos. Durante a viagem pela estrada 60, vimos jipes militares e da polícia,
parados num dos lados e no outro carros palestinianos, e parecemo-nos haver confusão. Parámos o carro e fomos ver o que se passava. Tinha
sido os colonos que tinham atacados uns palestinianos eu estavam a apanhar azeitonas, agrediram-nos usaram spray para os olhos e roubaram
azeitonas. Phyllis foi falar com a polícia para saber o que estavam a fazer para resolver a situação, eles disseram que tinha m prendido 2 e toda a
situação estava sobre controlo. Segundo a versão dos palestinianos, era mentira, tinham detido apenas um, e não o tinham algemado, como
fariam se fossem eles a ser detidos e sentaram-no perto deles e que mais parecia uma conversa informal. Phyllis e Natanya fazem uns quantos
telefonemas para falar com certas pessoas, entretanto chega um indivíduo de mota, e pára ao pé dos militares e vai falar com eles, tinha uma
câmara fotográfica profissional às costas, tudo indicava que era um colono que estava ali a vigiar as nossas acções. Após alg uns contactos
seguimos viagem, não havia mais nada para ali fazer, fomos para ATAR, território palestiniano (aí contei o que se tinha passado de manhã e
disse que se calhar seria melhor ficar no carro) deram-me um crachá da organização, disse-lhes que esta minha barba não dava para passar por
uma mulher riram-se e disseram-me que a partir daquele momento era convidado delas (posso dizer que esta foi uma das minhas saídas mais
agradáveis, a boa disposição reinou sempre entre todas, com certas situações bem engraçadas que não vou descrever aqui, porque senão
nunca acabava).
Paramos o jipe da Phyllis antes da rampa que antecedia o posto de controlo. Subimos a pé, coloquei o crachá e segui. Estavam lá 4
militares com camuflagem, foi a primeira vez que tinha visto. E Começaram a olhar para nós contactaram a torre que se situava ao lado. Elas
quiseram ir contar os carros que estavam do outro lado, e disseram-me para ficar ali. Aquilo estava a nadar muito, mas muito devagar. Quando
chegaram disseram-me que estavam perto de 50 carros, para li são imensos, entretanto a Phyllis verifica que lá em baixo ao lado do seu jipe
está um jipe militar. Pensamos logo que haveria problemas. O jipe militar subiu, virou e parou junto de nós (não gostei muito, ainda por cima
depois do que se tinha passado de manhã). Disseram à Phyllis que o carro estava a transtornar o trânsito. Qual trânsito? Para já ele estava fora
da estrada, e ela argumentou isso, e depois, daquele lado passava um carro de quando em quando. Dentro do jipe estavam 4 mili tares, de vez
em quando olhavam para mim (não estava a gostar da situação) e olhavam para o crachá (acho que desta vez aquilo me salvou…).~
A Phyllis perguntou-lhe então onde poderia estacionar, ao qual o oficial respondeu: “Vá estacionar numa localidade árabe que os seus
amigos gostarão de vos ver” (aqui está uma resposta que caso ele não fosse militar e eu não estivesse ali como estrangeiro, acho que lhe dava
um bom par de muros naquela cara. Isto demonstra como eles são). E quando vínhamos embora ainda disse, “vá vão tirar a porcar ia do carro
dali que é melhor…” (sem comentários…).
Seguimos para Kalandia. Os portões estavam fechados, estavam lá cerca de 300 pessoas para passar, não sei se foi pela nossa presença
ou não, os portões abriram, mas mesmo assim o movimento estava muito lento. Decidiram ver quanto tempo se estava a demorar para passar
o posto de controlo. Lá fomos para dentro daqueles corredores de grades e arame farpado. Chegou a nossa vez de passar, como já tinha
passado em Bethlehem, tirei o telemóvel e a carteira, pus dentro da mochila da Phyllis, e o cinto passo pela máquina. Mostrei o meu
passaporte, abri-o na fotografia e segui, ouvia o soldado pouco tempo depois aos gritos pelo microfone a falar hebreu, mas não percebi o que
dizia foi então que a Natanya, disse-me que ele queria ver o meu visa, lá voltei a trás e mostrei-lho. Quando a Phyllis passou começou a insultar
o soldado, dizendo-lhe que ele era um autêntico malcriado, porque eu era estrangeiro, não tinha o direito de me ter tratado assim, segundo
pôr-se aos gritos em hebreu quando sabia perfeitamente que eu não percebia. O soldado perguntou-lhe porque eu não percebia hebreu
(porque nunca aprendi, certo?), foi então que a Phyllis catalogou-o de burro, disse-lhe que eu era português, isto é se sabia onde ficava
Portugal, que a língua que se fala em Portugal é o português não o hebreu (será que ele não sabia?). Demoramos 25 minutos para atravessar o
posto de controlo.
Chegados ao lado de cá vieram ter connosco três mulheres, uma delas estava em trabalho de parto, teria que ir para o hospital
imediatamente, não poderia ficar ali nas filas, se chamasse uma ambulância do lado palestiniano, não pararia no posto de cont rolo mas custava
600 NILs (120 euros). Natanya telefonou para o oficial do posto a reportar a situação, ela pode passar de imediato.
Vieram ter três indivíduos que não os deixaram passar, porque não tinham o s cartões azuis (têm que ser renovados de 2 em 2 a nos). Os
militares tinham ficado com eles e não sabiam onde eles se encontravam Após vários telefonemas para, esquadras de polícias, outros membros
da organização, conselheiros, chegou-se à conclusão que não haveria solução os militares tinham perdido os cartões só lhes restava tirar
outros. Mas hoje não poderiam passar, teriam que se arranjar por ali. Mas eles não tinham dinheiro, foi então que a Phyllis pegou em 100 NILs
e deu a um deles, para aquela noite.
Para terminar um casal com dois filhos veio reclamar, porque um dos filhos vinha dentro de um carro de bebes, e nesses casos existe um
portão especial para eles passarem ou para pessoas em cadeiras de rodas. Pediram à soldada o favor de lhe abrir o portão para poderem passar
com o carro e ela mandou achatá-los e disse-lhes que se desenrascassem. O pior é que ela estava a comer durante a hora que deveria estar ao
serviço e a gozar com a situação. Tiveram que desmanchar to carro todo e mesmo assim não foi fácil passar pelo portões rotativos. O homem
ao ver que a Phyllis falava comigo em inglês, virou-se para mim disse-me em inglês: “os palestinianos querem a paz, os israelitas querem a paz,
mas os militares não, só querem humilhar e matar…” (e tenho que concordar que pelo que vi, também fico com a impressão que a humilhação
realmente faz parte de cada soldado).
Tinha terminado a ronda eram 18h30. Phyllis mora em Tel Aviv e seguiu viagem deixou-me a mim e a Natanya, que me convidou para
comer uma especialidade de Israel, para ver que nem tudo era mau. Fomos comer KNAFFE e beber um café turco. Ok. Knaffe é bom, mas
mesmo muito bom (para ser comido quente, queijo, com uma espécie de cenoura doce e pistacho ralado por cima), já o mesmo não posso
dizer do café turco, amargado, amargo, grrrrr.
Assim termina a minha estadia aqui em Jerusalém amanhã sigo viagem para Tel Aviv para me encontrar com a Merav.

Último dia em Israel - Tel Aviv

São 9h00 da manhã, apanho o Autocarro 480 para Tel Aviv na Central Bus Station. A viagem demora cerca de 1 hora.
O autocarro parou no terminal de comboios em Tel Aviv. Fiquei a saber que poderia apanhar ali o comboio para o Aeroporto de T el Aviv,
após perguntar a um segurança da estação. Tentei saber se possuíam cacifos para poder deixar toda a minha "tralha" (que não era tão pouca

171
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

quanto isso) lá, mas disseram-me que não, conclusão teria que andar com tudo atrás, só me falta mais esta, para terminar em beleza a minha
estadia em Israel. Merav Amir me tinha dito no dia anterior que, após chegar a Tel Aviv deveria apanhar o autocarro 5 e pedir ao motorista que
me dissesse para sair na Square Milano. Eram 10h05, um pouco cedo, mas decidi ir o quanto antes porque não sabia onde era e se levaria
algum tempo a lá chegar, pois tinha combinado encontrar-me com a Merav às 12h00. Estava um autocarro 5 pronto a partir, perguntei ao
motorista se passava pela Square Milano, e ele após pensar um pouco disse-me que sim, isso levou a que me viesse à cabeça a minha última
viagem de autocarro em Jerusalém, quando o motorista se lembrou que eu deveria ter saído duas paragens depois. Durante toda a viagem,
tentei ver se nas paragens ou no nome das ruas via escrito Square Milano. Desta vez correu tudo bem, o motorista mandou-me sair e era
aquele lugar, pelo menos era o que estava escrito na placa de paragem do autocarro. Eram 10h45, muito cedo para o encontro, decidi ver se
encontrava algum café por perto, onde pudesse beber um café e me sentar um pouco para passar o tempo. Após andar algumas centenas de
metros lá encontrei um. Entrei, pedi um café expresso e qualquer coisa para comer. Sentei-me na esplanada. Enquanto ia apreciando o meu
café expresso, ia admirando as vistas da cidade em redor. Não eram tão bonitas com as de Jerusalém. Percebe-se que Tel Aviv é muita cidade
ocidental, mais moderna. Muitos prédios altos, muito cimento e vidro. Aproximava-se a hora, caminhei novamente para o local de onde tinha
saído do autocarro, porque aí era o local combinado. Faltavam 10 minutos para a hora, telefonei à Merav, para lhe dizer que j á lá estava. Ela
então disse-me que se encontraria comigo num café que ficava no cruzamento chamado "Zorik" dentro de 10 minutos. Como antes tinha
andado à procura de um café e aquele tinha sido o único que tinha visto nas redondezas, caminhei novamente para lá. Mas a o chegar, mais
uma vez, verifiquei que os nomes estavam em hebraico, não sabia se era aquele ou não. Começo a olhar em volta para ver se vej o alguém com
ar que saiba inglês à qual pudesse perguntar se era o café correcto. Vejo uma jovem a atravessar a rua. Pergunto-lhe se fala inglês, disse-me
que sim, num inglês bastante bom. Disse-lhe que me ia encontrar com uma pessoa num café chamado "Zorik", mas não sabia se era aquele.
Disse-me que aquele não era, chamava-se "Aroma" (engraçado é o mesmo nome do café que estava em frente ao hotel, sei porque a rede wifi
de lá era a aroma.co.il). Disse-me que não conhecia nenhum café com esse nome por ali mas, prontificou-se a falar com o meu contacto caso
lhe quisesse telefonar para saber onde era. Telefonei novamente à Merav e contei-lhe o que se passava e disse-lhe para falar com a jovem. As
lá falaram em hebraico, não percebi nada mas, quando terminou disse-me com um sorriso na cara "afinal a pessoa é uma ela!", respondi que
sim. Disse-me que o café que queria era um pouco complicado de me indicar a partir daquele ponto mas que a Merav me iria buscar em frente
ao Aroma, agradeci e despedi-me da moça a qual me desejou uma boa estadia em Tel Aviv (simpática a moça, não é muito comum por estes
lados).
Passados poucos minutos, toca o telemóvel e quando ia para atender, viro-me ligeiramente e reparo numa rapariga a caminhar na minha
direcção. Penso que será Merav, e não me engano. Merav era uma rapariga dos seus trinta anos, extremamente simpática. Feitas as
apresentações fomos tomar um café no Aroma para podermos conversar. Primeiro expliquei o porquê da minha visita a Israel, depois expliquei -
lhe que tinha sido a Yehudit que me tinha dito que seria uma boa ideia me encontrar com ela, porque era a pessoa que estava mais por dentro
das tecnologias na organização.
Disse-se que uma das suas funções era a programação. Pois bem, senti-me em casa, finalmente podias falar com alguém sem ter receio
de estar a falar para alguém que não percebesse o que eu estava a falar. Como andava com o meu portátil (nestas alturas é que vemos que o
portátil não é nada portátil, pesa "toneladas", experimentem andar com ele um dia inteiro... :) ). Mostrei-lhe a apresentação que tinha
preparado para a Machsom Watch. Expliquei-me de uma forma detalhada, a plataforma, tanto a genérica com a sua adaptação à Machsom
Watch. Ela disse-me que gostava da ideia, que era uma boa ideia, só que tinha dúvidas se conseguiria aplicá-la na organização, porque a
maioria das mulheres que são membros são tecnofóbicas. Ela andava já à bastante tempo a tentar que os membros utilizassem a câmara de
filmar aquando das suas rondas, pois quase todos os vídeos que a organização possui foram filmados por ele, e elas mostram -se muito
remitentes ao uso de novas tecnologias. Explicou-me que o telefone para elas é só para receber e fazer chamadas, só sabem que o botão verde
atende e o botão vermelho rejeita (durante as rondas que eu acompanhei houve certas situações que me apercebi exactamente disso...). Mas
tirando isso achava que o sistema era bastante bom é seria bastante útil caso não fosse estes entraves. Respondi que, pessoalmente, achava
que, apesar de que na actualidade existirem bastantes pouco jovens na organização, ao longo do tempo o eixo de idades deveria se inverter,
porque mais jovens entrariam para lá. Explicou-me que para os jovens que estão na organização não é muito fácil, pois todos os membros têm
de prescindir de um dia de trabalho por semana para ir para os chekpoints e isso não é muito fácil.
Mesmo assim, transmiti-lhe a minha confiança que o sistema poderia ser aplicado à organização e os seus membros poderiam, sem
grande esforço, utiliza-la como suporte nas suas acções. Merav, sorriu, e reiterou a sua teoria, que seria um óptimo sistema se não fosse para
ser aplicado na Machsom Watch.
Ainda houve tempo para a Merav efectuar testes reais com a aplicação. Estávamos a chegar ao fim. ela tinha que ir trabalhar. Trabalhava
em casa, disse-me que se eu quisesse poderia deixar as coisas em sua casa até às 16h00, enquanto eu poderia ver um pouco de Tel Aviv. Aceitei
a oferta, fui até à sua casa e deixei lá as cosias, estava lá outra moça, percebi que aquela casa era tipo de uns escritórios . Sai trazendo somente
a minha câmara e fui dar umas voltas não muito longe do local. Às 16h00 em ponto estava à porta e telefonei à Merav. Ela abriu-me a porta, fui
buscar as minhas coisas, despedimo-nos rapidamente, porque ela estava no meio de uma reunião.
Apanhei novamente o autocarro 5 para a estação do caminho-de-ferro. Na estação comprei o bilhete para o aeroporto mas fiquei sem
saber em que plataforma teria que apanhar o comboio. Mais uma vez, nada escrito em inglês. Começo a olhar em volta quando vejo um
homem (deveria ter mais ou menos a minha idade) a passar por mim, pergunto-lhe se fala inglês. Respondeu que sim e, após lhe perguntar
qual era a plataforma para apanhar o comboio para o aeroporto, disse-me que poderiam indicar, pois também ia apanhar esse comboio. Ao
longo do caminho, foi fazendo perguntas do tipo, o que é que eu tinha ido fazer a Israel, se conhecia lá alguém, se tinha visitado alguém, etc.
Comecei a achar que o tipo de perguntas que me estava a fazer, algumas delas eram pouco usuais para serem feitas a alguém que não
conhecemos. Entretanto chegou o comboio, entrámos, desejou-me boa viagem, e foi-se sentar na carruagem da direita. Durante alguns
segundos, dei comigo a pensar nas perguntas que ele me tinha feito. Olhei para a carruagem da esquerda estava vazia, estava para ir para lá,
quando der repente olho para a da direita e reparo que estava ele, semi-curvado a olhar para mim (porque estava de costas para mim). Pensei
rapidamente, e decidi ir para a mesma carruagem onde ele estava, para não dar nas vistas. Perguntei-lhe se me podia sentar ao pé dele, disse-
me que sim. Naquele comboio, os assentos são conjuntos de 4 lugares com uma mesa no meio. A pessoa que ia à nossa frente levantou-se, e
ele passou para o outro lado (para a minha frente). Pousou umas folhas agrafadas que trazia consigo escritas em hebraico. Então começou a
parte mais estranha da viagem. Ele lia durante alguns segundos, e depois fazia perguntas, eu respondia-lhe e ele riscava, nas folhas e fazias
puxadas de notas nos lados das folhas, parecia um autêntico interrogatório. A mais estranha foi perguntar-me se tenho muito o costume de
fazer viagens sozinho. Respondi-lhe que não, mas tinha recebido esta viagem como bónus do meu chefe, como prova de reconhecimento do

172
[ANEXOS]

meu trabalho. Enquanto estava a falar com ele, peguei no telemóvel e fiz de conta que estava a enviar um sms. Na verdade estava a apagar
todos os vestígios que tinha lá, como era o caso da aplicação, números efectuados e recebidos, para o caso da situação dar para o torto não
haver provas concretas.
Finalmente chegou a estação onde era para eu sair, despedi-me, e saí, e confirmei que ele continuou no comboio. Estava no aeroporto,
já não faltava muito até estar em casa novamente. Durante toda a noite que passei no aeroporto, passei-a a destruir aos poucos todos os
indícios que tinha e a espalhá-los pelos mais diversos contentores do lixo (já sei que estão a pensar que isso era demais, mas depois da minha
viagem de comboio com aquela personagem misteriosa, muita coisa me passou pela cabeça, e mais vale prevenir do que remediar...).
O aviso mais engraçado que ouvi até hoje num aeroporto foi aquele que passava de 10 em 10 minutos lá. "É expressamente proibido
andar armado dentro das instalações do aeroporto", caso não tivesse visto como as pessoas andam na rua, pensaria que aquilo era alguma
piada... mas não, qualquer um anda armada em Israel e, isso assusta.
Chegou a hora de fazer o check-in, primeiras inspecções, tudo bem. Calhou-me uma moça para inspeccionar a minha bagagem. Só a mala
com a roupa seria inspeccionada. Lá fez os testes todos e nada deu de errado. Perguntou-me se trazia algum tipo de dispositivo electrónico na
mala, disse-lhe que não, foi então que me lembrei que trazia um pequeno camelo que tinha comprado para a minha filha. O boneco falava. Er a
um camelo que tinha escrito "I love Jerusalem". Perguntou-me se falava, disse-lhe que sim e então premi o botão e o Camelo lá disse "I love
You", a jovem olhou para mim, sorriu, virou o polegar para cima como em sinal que tinha gostado do que tinha ouvido e disse-me, ainda a sorri,
que podia seguir.
Última inspecção, à minha mochila, câmara e boneca que tinha comprado para a minha filha. Mais uma jovem toda simpática, lá
inspeccionou tudo, até a boneca tive que retirar o papel de embrulho, para ser analisada. Tudo correr bem, depois teve a preocupação de
arranjar um pouco de fita-cola para poder embrulhá-la de novo. Resultado quando estava a chegar à porta de embarque era o último.
Disseram-me que era o último, pedi desculpas, mas apetecia-me lhes dizer que se queriam pôr culpas em alguém que as pusessem na
segurança, que passa-se lá tempos infinitos.
Quando Aterrei em Espanha, e pisei solo europeu, sabia que estava finalmente bem. Quando passei pela porta de desembarque, o
segurança que estava à porta tinha sido o mesmo que me tinha feito a revista à ida e não é que ele ainda se lembra va de mim? Cumprimentou-
me, e eu cumprimentei-o a ele. Está a acabar, pensei eu.
Para terminar em grande esta minha viagem, nada melhor do que voltar para casa no mesmo avião do que a equipa de sénior
basquetebol feminino Russa. Eu sou alto mas havia lá duas, que eram muito mais altas do que eu, senti-me bem, nem é sempre que não se é a
torre mais alta...

173
[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

4. Relatórios elaborados por membros da Machsom Watch que


eu acompanhei nas suas rondas

B et hle h em , E tz io n DC L,
Su n 2.11.08, Af ter n oo n
Obs er v er s :
Sh lom it A., Y ae l S (r e p or t in g ). L o uis (g u est )

14:30 P M , Et zi on D CL : a s o ppose d to repo rts f ro m the l asts s hi ft at the D CL, t here w e re a bou t 60 peo pl e
w ai ti ng for m agne ti c ca rds .
Everyon e h ad a nu mber , i t w a s gi ve n t o them d uri ng t he mo rn i ng ho urs . The fe w Pal es ti ni ans tha t got ou t
w i th a m agneti c ca rds sai d the re w as just one sol di e r i nsi de w ho t akes ca re o f eve ryt hi ng. A seve re sho rtag e i n
manpow e r .
We c al l ed anyone w ho w o ul d j ust l i sten to us to hel p… bu t th ere w a sn' t much th ey co ul d do. T hey agr eed to
l et th ose w ho needed t o renew thei r h and p ri nts ente r .
16:00 P M , B ei t U m m ar : w e w e nt to Bei t U mm ar .
17:00 P M , Et zi on D CL : w e retu rned t o the D CL. w e s aw Nevoa ni and T dsa , tw o D CL offi cer s, sta ndi ng i n
fron t of 40 P al esti ni ans w ho di d n't ge t thei r m agne ti c ca rds .
Nevoani so rted th e pe opl e i n to 3 gro ups: tho se w i t h a val i d m agneti c car d; those w ho nee ded to re new i t;
those w ho have to u pdate i t an d renew the ca rd . (H e mana ge d to di vi de the m to th ree gr oups acco rdi ng t he di ffi cul ty
i n i ssui ng thei r c ard s).
Those w ho neede d a n ew ca rd w ere as ked to re tu rn i n a mont h si nce i t w as hi ghl y l i kel y th at they w ere
prevente d passa ge and the refo re the ca rd w oul dn 't be of m uc h use to t hem .
Those w ho neede d to upd ate thei r ca rd o r w h o's pe rmi ts h ad expi red - w e re re gi stere d i n Nevo ani 's
notebo ok and w ere as ked to re tu rn i n a w eek t o upda te the c ard .
Ten peopl e fi tte d t he c ri te ri ons of val i d ma gneti c car ds and o nl y they w e re p er mi tted to en ter the DCL .

17:40 A M : t he 10 al l c ame ou t w i t h magne ti c ca rds , then T ds a ca me dow n and cl ose d t he D CL.


We c oun ted si x men w ho h ad w or k p er mi ts or pe rmi ts to t rad e th at w e re val i d, bu t si nce t hey c oul dn 't get to
w ork fo r the upco mi ng w eek they mi ssed ano ther w eek o f w o r k.
There w ere si x o the rs that t he i n abi l i ty t o renew thei r m ag net i c card may cause the m to be re moved f ro m
the e mpl oyee l i st of the em pl oyer w ho h ad sai d he w oul d rene w thei r l i cense onl y once th ey h ad a val i d mag neti c
card .
The l ow es t num ber ha nded ou t fro m daw n on t hat day w as 78 0. At abo ut 15:30 the hi ghes t n umb e r to get
out w as 814 , mea ni ng tha t onl y 35 peo pl e h ad ente red acco rd i ng to t hei r nu mbe r.
A merch ant re por ted th at hi s ID ca rd has bee n c onfi sca ted by sol di ers w hi l e he w as si tti n g w i t h a n Is rael i
merch ant on F ri day tw o w eeks a go, an d i t h asn' t ye t been re t urned t o hi m. H e had a m agneti c ca rd and al so hi s w o rk
permi t w as val i d . H e w as un der a l ot of st ress and s how ed us a su mmo ni ng he recei ved t o co me to the GS S o n that
day a t 15: 00. H e e nter ed the D CL . Whi l e w e w e re l eavi n g, at 17:30, h e w as t ol d that t hat the re w ere n't an y
i nvesti gato rs pres ent an d t hat he sho ul d ret urn t he next d ay. A co mpl ai nt w as fi l ed at t he DC L B ei t EL.

(http://w w w .m achso mw atch .o rg/en/ repo rts/c heckpoi n ts/10/ 11/2008/afte rnoo n/8269)

*
* *

Ab u Dis, C on t ai ner ( Wa di N ar ), R as A b u S bi ta n ( Oli v e Ter m i n al ), Sh eik h S ae d


Mo n 3.11.08, M or n in g
Obs er v er s :
R in a R ., M ay a B . (r e por ti n g) a g ues t fr om P or tu g al - L ou is h.

6:30 w e pi ck up Loui sh f rom hi s hotel and set o ut fo r Shei kh sa ed.

Afte r the ex peri ence w e had l a st w eek w i th the bri ngi n g back of ol i ves f rom the othe r si de i nto
J erusal em w e w an ted to c heck on the si tuati o n. Wel l not h i ng has i mp roved . T he sol di e rs neve r hear d ab out

174
[ANEXOS]

the b ri ngi ng i n of 40 k g. of ol i ves a day and they gi ve everyone a h ard ti me to pass w i th the ol i ves they
pi cked. Al l o ur arg ume nts w ere c ompl i tl y di sreg arde d.

We cal l ed U ri M andes w ho i s i n cha rge of the J e rusal e m envel opi ng D CO . I tol d h i m a bout l ast
w eek and thi s w ee k a nd he p romi sed to tr y an d cl ari fy the w hol e t opi c. I w i l l c al l hi m agai n , si nce he
never g ot back to me an d the ol i ve pi cki ng seaso n i s s o sho rt .
We t ook ou r gues t t o see the w al l i n Ab u Di s an d th e s mal l w hol e i n the w al l w he re a bul do zer i s
doi ng so me s oi l movi ng .

We co nti nue d to Zei t un w here the re w as very l i ttl e goi n g on at thi s ho ur , 8:30 .and con ti nued to
Wadi Na r.

A man by the na me of Zeev w ho vol enti e rs t o assi st the sol di ers w as m anni ng the CP . H e w as f ul l
of very conse rvati ve i ntenti o ns, and gave us a w h ol e l ecture as to w hy w e shoul d no t be the re an d
certai nl y not bri ng fo rei gne rs al o ng .
Loui sh i s he re , goi n g t o many CP i n o rde r t o hel p us ge t a mobi l e phone syste m w hi ch w e c an
repo rt a t real ti me to m any o the r w om en o n ou r netw o rk as w el l as the aut hori ti es .

(http://w w w .m achso mw atch .o rg/en/ repo rts/c heckpoi n ts/08/ 11/2 008/mor ni ng/7877)

*
* *
'At ar a, Q al a nd iy a,
Mo n 3.11.08, A ft er no o n
Obs er v er s :
N at h a ny a G. a n d P hy ll is W. (P hy ll is r e por ti ng )

15:15
O n Road No . 60 , on the w ay to At ar a, w e noti ced a g reat m a ny a rmy an d pol i ce vehi cl es . Sh ortl y af ter t he
turn -of f ea st to M a'al eh Mi chma sh settl eme nt w e pul l ed over by a gr oup of 10 Pal esti ni a n men w ho w er e s tandi n g by
the roa dsi de. Tw o pol i ce v ehi cl es w e re par ked on the o pposi t e si de of the road . In answ e r to ou r q uesti on s, the
Pal esti ni ans ( resi dent s o f Mi chm ash Vi l l age) tol d us th at a gr oup of thei r vi l l age rs w ho w e re pi cki ng ol i ves i n t hei r
orcha rd w est of Ro ad 60 had been a ttacke d e arl i er t hat af t er noon by mo re tha n 40 m asked set ters f ro m the i l l egal
Mega ron set tl ement w h o threw st ones at the m and sp raye d t hem w i t h c ani ste rs of gas . The Pal es ti ni ans w ho w ere
attacke d i n t he o rch ard h ad phon ed thei r f ri ends bac k i n t he vi l l age w ho had g one and cal l e d the pol i ce f rom the
Benyami n p ol i ce sta ti on. The g rou p of Pal esti ni a ns that w e m et h ad been sent by t he p ol i ce, afte r they di spe rsed the
settl ers , to regi ste r a com pl ai nt back a t the stati o n. The me n tol d us th at tw o settl e rs had bee n ar rested .

15:50
O n re achi ng A tar a, w e par ked al on g t he roa dsi de at the bo tto m o f the hi l l an d w al ked up to the CP at the
top. F rom t he di stance w e coul d see tha t there w as n o l i ne of car s o n the ro ad fr om Bi r Zei t and th at the l i nes fr om
the o the r tw o di recti o ns w e re on l y tw o car s l on g. But w he n w e reac hed the to p of the hi l l , the sol di er s b egan to sl ow
thi ngs up an d w i thi n a few mi nutes the re w as a l i ne o f 40 veh i cl es i nchi ng up the road f ro m Bi r Zei t . A fte r abou t 20
mi nutes at t he CP a jeep d rove up an d the offi ce r i nsi de o rde r ed us to move ou r ca r w hi ch, he sai d, w as i nte rfe ri ng
w i th t raf fi c o n t he rou te. ( When as ked w here w e coul d pa rk our car he su ggeste d [i ro ni cal l y] t hat w e l eave i t i n an
Arab vi l l age w here pe opl e w oul d be hap py to hel p Mac hsom W atchers .)

16:40
Qal andi ya - Tw o p assagew ay s w e re ope rati ng (1 an d 4 ), w i th about 30 peopl e w ai ti ng i n each . The
carousel s at t he e nt rance to th e CP w ere l ocke d a nd a crow d, of a bout 60 , w a s w ai ti ng i n t he nor the rn shed . We
tel ephoned t he hum ani ta ri an hotl i ne a nd al so to M ahdi , com mande r of the pa ssage uni t . Wi thi n a sh ort w hi l e the
l i nes bega n to move fo rw a rd . M ahdi tol d us th at he had cu t s hort hi s sol di er s' snac k ti me and sen t them b ack on
duty to deal w i th the cr ow d. Ten mi nutes l ate r the l i nes w e re sti l l l on g w i th a bout 120 peo pl e w ai ti n g, how ever by 5
PM the re w as no l onge r any l i ne i n the no rt hern she d. We de ci ded to g o thr ough t he CP an d see w h at w as doi ng a t
the ve hi cl e C P. We cl ocke d t he w ai t at 10 mi nutes be fo re the car ousel s i n the no rthe rn shed an d an ot her 10 mi nu tes
i n the pa ssagew ay , 21 mi nutes i n al l . At the vehi cl e CP t ra ffi c w as fl ow i ng . F ro m afa r w e co ul d see t hat the l i ne of
vehi cl es at A tar ot CP w as ve ry l o ng, as us ual . O n retu rni ng t o the pe dest ri an CP , afte r abo ut 20 mi nute s, w e fo und
that the re w ere no l i nes at al l .

As w e w ere p repa ri ng to l eave Qal a ndi ya at 6 PM , a fa mi l y w i th tw o l i ttl e chi l d ren, one i n a ba by ca r ri age,
came up to us . T he fathe r com pl ai ned tha t the sol di ers h ad r efused to ope n the "H u mani ta ri an Ga te" fo r the m and
had ord ered t hem to go aw ay. O nl y a fte r t he fat her ha d i nsi s ted w a s t he gate ope ned, al l ow i ng the f ami l y to pass
thro ugh .

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[PUBLICAÇÃO EM BLOGUES DE INFORMAÇÃO GEOESPACIAL SOBRE INCIDENTES EM POSTOS DE CONTROLO MILITARES EM ISRAEL…]

Three P al esti ni an men , fr om Bet hl ehem , al so ca me up to us . They tol d us tha t thei r I D 's had been t aken by
BP s ol di ers i n the com mer ci al cent er of Ra mat E shkol (a nei g h borh ood i n Wes t J e rusal em ) on Sun day afte rno on. We
phoned a se ri es o f pol i ce st ati ons a nd BP sta ti ons but t he ID 's w ere now here to be f ound . We conti n ued to cal l on
Tuesday m orni ng unti l the re al i zati on sun k i n t hat w e w oul d n ot fi nd the I D's . Whe n w e tol d t hat to t he Pal esti ni an s,
one o f them sai d t hat the sol di er w ho had t aken the ca rds ha d pa ssed the m to hi s fri end a nd tol d hi m to t hrow t hem
i n the t rash .

(http://www.machsomwatch.org/en/reports/checkpoints/08/11/2 008/afternoon/7868)

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