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1. Introdução

O conceito de polarização da luz, apesar de muito simples, é pouco familiar para

muitos de nós. Estamos acostumados a perceber no nosso dia-a-dia outras

propriedades da luz, como o comprimento de onda (cor) ou a intensidade

(luminosidade). A polarização é simplesmente mais uma característica da luz que,

embora não seja tão conhecida, também pode ser observada na natureza. Ou por

outras palavras, a polarização é uma medida da variação do vector do campo

eléctrico das ondas electromagnéticas com o decorrer do tempo.

2.Desenvolvimento

Um dos motivos que explica essa falta de familiaridade dos seres humanos com a

polarização é o facto de a estrutura de nossos olhos não ser capaz de diferenciar

os diferentes estados de polarização da luz incidente. Isso não é verdade em

outros organismos; muitos animais invertebrados são capazes de reconhecer

diferentes padrões de polarização e utilizar essa informação para reconhecer

elementos em seu ambiente. Alguns estudos actuais na área da biologia mostram

como essa capacidade de identificação da polarização explica uma série de

comportamentos dos seres vivos. Pesquisadores mostraram que insectos que vivem

na água ou próximos à água, por exemplo, utilizam sua capacidade de discernir luz

ultravioleta horizontalmente polarizada para buscar seu habitat.

2.1. Princípios

2.1.1. Ondas Planas

A manifestação mais simples, para visualização, é a de uma onda plana, que é uma

boa aproximação para a maioria das ondas luminosas. Numa onda plana as direcções

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dos campos magnético e eléctrico estão, em qualquer ponto, perpendiculares à

direcção de propagação. Simplesmente porque o plano é bidimensional, o vector

campo eléctrico no plano num dado ponto do espaço pode ser decomposto em duas

componentes ortogonais. Chamemos as componentes de x e y (seguindo as

convenções da geometria analítica). Para uma onda harmónica, onde a amplitude do

vector do campo eléctrico varia senozóidalmente, as duas componentes têm

exactamente a mesma frequência. Contudo, estas duas componentes têm duas

outras características que podem diferir. Em primeiro lugar, as duas componentes

podem não ter a mesma amplitude. Em segundo, as duas componentes podem não

ter a mesma fase, isto é, podem não alcançar os seus máximos e mínimos ao mesmo

tempo, no plano fixo que temos por base.

Considerando a forma traçada num plano fixado pelo vector campo eléctrico à

medida que uma onda plana o percorre, obtemos a descrição do estado de

polarização.

As imagens seguintes correspondem a alguns exemplos da propagação do vector do

campo eléctrico (azul) no tempo, com as suas componentes x e y (vermelha

/esquerda e verde/direita, respectivamente) e a forma desenhada pelo vector no

plano (roxo):

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Linear Circular Elíptica

Considere em primeiro lugar o caso especial (esquerda), onde as duas componentes

ortogonais estão em fase. Neste caso a intensidade das duas componentes é

sempre igual ou proporcional a uma constante, daí que a direcção do vector campo

eléctrico resultante (vector que resulta da soma destas duas componentes) irá

sempre redundar num segmento de recta no plano. Designamos este caso especial

de polarização linear. A direcção desta linha irá depender da amplitude relativa

destas duas componentes. A direcção pode ser em qualquer ângulo sobre o plano.

Agora considere outro caso especial (ao centro), onde as duas componentes

ortogonais têm exactamente a mesma amplitude que é de 90º em fase. Neste caso

uma componente é igual a zero quando a outra componente está na amplitude

máxima ou mínima. Neste caso especial o vector do campo eléctrico no plano

formado pela soma dos dois componentes vai rodar num círculo. Chamamos a este

caso especial de polarização circular. A direcção de rotação irá depender da

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relação entre as fases. Chamemos a estes casos de polarização circular direita e

polarização circular esquerda, dependendo da rotação do vector.

Todos os outros casos, em que as duas componentes não estão em fase nem têm a

mesma amplitude e/ou não estão com 90º fora de fase, encaixam na designação de

polarização elíptica.

2.1.2. Radiação incoerente

Lâmpadas comuns, no entanto, emitem radiação incoerente, ou seja, com várias

frequências diferentes, em diversas direcções, desordenadamente, fora de fase e

com espaço de tempo diferente, mesmo que muito pouco. Isso acontece

principalmente porque a emissão é espontânea, cada electrão de uma lâmpada

comum emite a radiação que tem que emitir no momento em que melhor lhe convém,

ou o mais rápido possível. Devido à radiação incoerente ser distribuída em muitas

direcções e não concentrada, ao passo que ela pode iluminar uma área grande, não

tem uma intensidade tão grande quanto teria se fosse concentrada. Mas pode

existir uma emissão de radiação diferente disso, ou seja, que emita uma mesma

frequência, em uma mesma direcção, com a mesma fase. Porém não com uma

lâmpada comum.

3. A Polarização na Natureza, Ciência e Tecnologia

3.1. Biologia

Muitos animais são capazes de perceber o efeito de polarização da luz, a qual é

geralmente utilizada para funções de localização, uma vez que a polarização linear

da luz solar são sempre perpendicular em relação à direcção do sol. Esta habilidade

é muito frequente entre insectos, incluindo abelhas, as quais usam essas

informações para orientar suas danças de comunicação. A sensibilidade da

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polarização também foi notada em espécies de polvos, lulas, chocos (também

conhecidos como sépias), e louva-a-deus. A rápida mudança do padrão de coloração

da pele dos chocos, usada na comunicação, também incorpora a polarização, e o

louva-a-deus são conhecidos por ter tecidos com polarização selectiva. A

polarização do céu também pode ser percebida por certos vertebrados,

incluindo pombos, para os quais essa habilidade é uma das várias necessárias para

sua característica.

3.2. Astronomia

Em muitas áreas da astronomia, o estudo da radiação electromagnética polarizada

que chega do espaço é de grande importância. Embora não seja usualmente um

factor na radiação térmica das estrelas, a polarização está também presente em

radiações coerentes de fontes astronómicas e em fontes incoerentes tais como

grandes lobos radiais de galáxias activas. À parte de fornecer informação sobre as

fontes de radiação, a polarização também prova o campo magnético inter-estelar

pela rotação de Faraday. A polarização da radiação cósmica de micro-ondas está a

ser estudada para perceber a física do universo jovem.

3.3. Tecnologia

Tecnologias amplamente utilizadas são as de polarização. Enquanto o papel

desempenhado pela polarização na operação de LCD´s, mostradores de cristal

líquidos, é também frequentemente aparente ao portador de óculos solar

polarizantes, que pode reduzir o contraste ou até mesmo fazer o mostrador

ilegível, são das encontradas entre as mais comuns das aplicações. Todas as

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antenas de recepção e transmissão a rádio são intrinsecamente polarizadas, uso

especial do qual se faz em radares. A maioria de antenas irradiam polarizações

horizontais, vertical ou circular, embora também haja polarização elíptica. O campo

eléctrico ou o plano E determinam a polarização ou orientação da onda magnética.

A polarização vertical é mais frequentemente usada quando se deseja transmitir

um sinal de rádio em todas as direcções, tais como unidades móveis amplamente

distribuídas. Rádio AM e FM usa a polarização vertical. Alternância de polarizações

vertical e horizontal é usada em comunicações via satélite (inclusive satélites de

televisão) para permitir que o satélite carregue duas transmissões separadas em

uma dada frequência, dessa forma duplicando o número de clientes que um único

satélite pode servir. Dispositivos birrefrigentes controlados electronicamente são

usados em combinação com os filtros como moduladores em fibras ópticas. Os

filtros polarizados são usados também na fotografia. Podem aprofundar a cor de

um céu azul e eliminar reflexões de janelas e da água directamente.

A polarização do celeste foi utilizada na "bússola de navegaçãoµ, que foi usada na

década de 1950 ao navegar perto dos pólos do campo magnético terrestre quando

nem o sol nem as estrelas eram visíveis (por exemplo: sob a nuvem diurna ou o

crepúsculo). Sugeriu-se, de forma controversa, que os Vikings utilizaram um

dispositivo similar (o Espato da Islândiaµ) em suas expedições extensivas através

do Atlântico norte nos séculos IX a XI, antes da chegada da bússola magnética à

Europa no século XII. É relacionado à bússola celeste o relógio polarµ, inventado

por Charles Wheatstone na segunda metade do século XIX.

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4. Conclusão

A polarização da luz mostra o seu carácter ondulatório. Alguns cristais têm a

propriedade de polarizar a luz: só deixam passar a parte da onda que oscila num

determinado plano. A luz que atravessa um filtro polarizador oscila num único

plano.

Se colocarmos um segundo filtro polarizador a seguir ao primeiro, e os planos de

polarização dos dois filtros coincidirem, a luz atravessará os dois filtros, ficando

polarizada nesse plano. Mas se os planos dos dois filtros forem perpendiculares,

nenhuma parte da luz polarizada pelo primeiro filtro conseguirá passar através do

segundo (não se conseguirá ver nenhuma imagem através dos filtros).

A luz também é polarizada quando é reflectida numa superfície. Se observamos a

luz reflectida numa superfície através de um filtro polarizador, o reflexo

desaparecerá se o plano de polarização do filtro for perpendicular à superfície

reflectora. Os cristais líquidos podem mudar o seu eixo de polarização quando por

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eles circula corrente eléctrica. Esse é o princípio usado nos ecrãs de calculadoras e

de telemóveis.

A polarização da luz explica-se facilmente admitindo que a luz é uma onda

transversal (oscila em planos perpendiculares à direcção de propagação).

Mas na época de Newton e Huygens, esse argumento foi usado de facto contra a

teoria ondulatória. Segundo Huygens, a luz era uma onda que se propagava num

meio (o hipotético éter) em forma análoga ao som que se propaga no ar. Mas uma

onda que se propague num meio, em forma análoga ao som no ar, deverá ser

uma onda longitudinal (oscila no sentido da propagação) e não uma onda

transversal. Concluía assim Newton que a teoria de Huygens não podia ser válida.