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Performance de DDS como reflexo nos resultados de Segurança Julho/2015

Performance de DDS como reflexo nos resultados de Segurança


Marcelly Pereira de Araújo – madycacau@hotmail.com
Gestão da Qualidade e Engenharia de Produção
Instituto de Pós-Graduação - IPOG
Goiânia, GO, 17 de agosto de 2014

Resumo
A segurança vem tomando cada vez mais espaço nas prioridades das empresas. Manter um
índice nulo de acidentes e implementar uma cultura de comportamento seguro nos
funcionários são umas das maiores preocupações das empregadoras atuais. O DDS é muito
utilizado entre as companhias, por ser ferramenta simples que promove alto impacto nos
resultados de Segurança. Este artigo cita um estudo de caso ocorrido numa empresa do ramo
sucroalcooleiro, que diante do alto índice de acidentes, em vista a grande ocorrência de
acidentes de trabalho por fatores humano, decidiu melhorar a performance dos DDS
realizados, padronizando-os e avaliando-o, além de implementar um controle sobre os
diálogos realizados. Neste grupo, o DDS passou a ser utilizado como um veículo para
promover a conscientização diária do trabalhador, visando reduzir o comportamento de risco
dos mesmos. No trabalho realizado, a análise de performance de DDS nos mostrou uma
correlação direta entre o número de DDS realizados e a redução de acidentes. À partir do
momento que essa ferramenta foi padronizada e os diálogos realizados passaram a ser
mensurados e avaliados quanto ao conteúdo, a empresa pôde focar pontualmente nos
desvios, buscando alternativas complementares para garantir a melhoria contínua dos
resultados encontrados. O foco na liderança primária para desenvolver essa nova fase do
DDS e a absorção por parte dos colaboradores traz o desafio diário da melhoria contínua do
programa, consequentemente a redução dos acidentes de trabalho.

Palavras-chave: DDS. Acidente do trabalho. Comportamento de risco. Sucroalcooleiro.

1. Introdução
Promover campanhas de segurança e garantir a sua sustentabilidade no setor agrícola e
industrial não é tarefa fácil para os empreendedores sucroalcooleiros. A diferença operacional
entre os setores, distância das frentes de trabalho, dificuldade de locomoção e disseminação
das informações são barreiras que agravam a manutenção de segurança no setor.
Recomendações simples como o uso correto de EPIs podem demandar dias para serem
transmitidas corretamente aos operadores da operação agrícola, e mesmo a realização de uma
rota simples de inspeção pela área de Segurança do Trabalho não consegue abranger
completamente as duas macro áreas de trabalho (indústria e agrícola).
Eliminar comportamento de risco não colabora apenas para garantir a segurança operacional
nas áreas agrícola e industrial, como coloca o empreendimento conforme com a OHSAS
18001, que foi desenvolvida para ajudar as organizações a cumprirem suas obrigações de

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segurança e saúde ocupacional de modo eficiente. Trata-se de um pacote de especificações de


auditorias desenvolvidas compatível com as ISOs 9001 e 14001, que ajudam a empresa a se
planejar na identificação de perigos, avaliação e controle de riscos.
As empresas tem buscado investir em ferramentas simples e eficazes para influenciar pessoas,
tais como o uso de DDS. Implantar cultura de segurança nos trabalhadores requer uma longa
jornada, que compete à liderança definir estratégias, tendo disciplina para cumpri-las.
O estudo que se apresenta neste trabalho é direcionado para a análise de performance de DDS,
avaliando como o mesmo reflete nos resultados de Segurança. O empenho na pesquisa surgiu
visando avaliar qual o seu impacto nos resultados de segurança de uma empresa
sucroalcooleira instalada em Minas Gerais.
Além da redução no índice de acidentes, um ganho lateral é a melhoria de comunicação entre
a liderança primária e equipe operacional (operadores de máquinas e equipamentos industriais
e/ou agrícolas), ambos focados em prolongar o número de dias sem acidentes no setor
sucroalcooleiro. Esse esforço bilateral paulatinamente se transforma em cultura, garantindo a
perpetuidade do comportamento seguro na empresa.
O objetivo geral do estudo é analisar a performance de DDS como reflexo nos resultados de
Segurança numa empresa do ramo sucroalcooleiro que decidiu utilizar esta ferramenta para
reduzir o número de acidentes através de diálogos assertivos realizados pela própria liderança
operacional.

2. Revisão Bibliográfica
2.1. Acidente de Trabalho

Obter um índice de zero acidente é meta comum para qualquer empregador quando se fala em
segurança do trabalho. Acredita-se pelo senso comum que acidentes de trabalho são aqueles
eventos que provocam lesões, ferimentos ou morte do segurado. Mas o mesmo pode ocorrer
quando não houver estas causas.
"Acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da
empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art.
11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a
morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o
trabalho" (art. 19 da Lei nº 8.213/91).
Acidentes de trabalho registrados são aqueles cujas comunicações são protocolizadas e
caracterizadas pelo INSS. Abrangendo a conceituação descrita acima, além do acidente de
trabalho típico, por expressa determinação legal, as doenças profissionais e/ou ocupacionais
equiparam-se a acidentes de trabalho. Os incisos do art. 20 da Lei nº 8.213/91 as conceitua:
Doença Profissional: aquelas que são adquiridas em determinados ramos de atividade e que
são resultantes das condições especiais em que o trabalho é realizado;
O art. 21 da Lei nº 8.213/91 equipara ainda a acidente de trabalho:
I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído

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diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o
trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação;
II - o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência de:
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de
trabalho;
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao
trabalho;
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de
trabalho;
d) ato de pessoa privada do uso da razão;
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior;
III - a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua
atividade;
IV - o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho:
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa;
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou
proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro
de seus planos para melhor capacitação da mão de obra, independentemente do meio de
locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado;
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o
meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado.
§ 1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de outras
necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado é considerado no
exercício do trabalho.
O acidente é um fato que nenhuma empresa gostaria de vivenciar devido ao impacto
social/emocional que este evento pode provocar na vítima bem como as várias preocupações
legais que podem repercutir para o empreendimento. A empresa deve comunicar o acidente
do trabalho ocorrido com seu empregado havendo ou não afastamento do trabalho, até o
primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência. E, em caso de morte, deve informar de imediato à
autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o teto máximo de
salário de contribuição, sucessivamente aumentada nas residências, aplicada e cobrada na
forma do artigo 286 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovada pelo Decreto nº
3.048 de 6 de maio de 1999.
Os acidentes do trabalho devem ser comunicados por meio da CAT (Comunicação de
Acidente de Trabalho), sendo apresentado de três maneiras:
Inicial: correspondente ao registro do acidente de trabalho típico ou de trajeto e doença
profissional ou de trabalho.

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Reabertura: correspondente ao reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de


lesão de acidentes ou doença profissional ou do trabalho, já comunicada anteriormente ao
INSS.
Comunicação de óbito: correspondente a falecimento decorrente de acidente ou doença
profissional, ocorrido após e emissão do CAT inicial.
Esses acidentes não causam repercussões apenas de ordem jurídica. Nos acidentes menos
graves, em que o empregado tenha que se ausentar por período inferior a quinze dias, o
empregador deixa de contar com a mão de obra temporariamente afastada em decorrência do
acidente e tem que arcar com os custos econômicos da relação de empregado. O acidente
repercutirá ao empregador também no cálculo do Fator Acidentário de Prevenção - FAP da
empresa, nos termos do art. 10 da Lei nº 10.666/2003.
Os acidentes de trabalho geram custos também para o Estado. Incumbe ao Instituto Nacional
do Seguro Social – INSS administrar a prestação de benefícios, tais como auxílio-doença
acidentário, auxílio-acidente, habilitação e reabilitação profissional e pessoal, aposentadoria
por invalidez e pensão por morte. Estima-se que a Previdência Social gastou, só em 2010,
cerca de 17 bilhões de reais com esses benefícios.
Além do aspecto financeiro sofrido pela companhia e Estado, através do pagamento de
multas, indenizações, aumento do SAT (Seguro do Acidente de Trabalho), custos processuais
e indenizações, outras formas de prejuízo podem ser levantadas com os envolvidos:
 Impactos psicológicos: paralelo à dificuldade de reintegração da própria
vítima e o receio de desligamento da mesma, os outros funcionários podem se
sentir em um ambiente inseguro provocando baixa produtividade.
 Impactos na imagem da empresa: através da exposição na mídia como uma
empresa de condições inseguras de trabalho.
As consequências destes eventos vão além dos impactos listados, abrangendo envolvidos
indiretos, como a família que vivencia todo o sofrimento do acidentado.
Todo o trabalhador no exercício de sua profissão está sujeito a um acidente do trabalho, sendo
que algumas funções ficam expostas mais que as outras. Os principais agentes de risco
operacional relacionados à segurança do trabalho são: físico, químicos, mecânicos,
biológicos, ergonômicos e mais recentemente surgiu uma nova classificação, denominada por
riscos psicossociais, em razão da crescente exposição do trabalhador a situações de stress.
Como pôde ser visto as perdas relacionadas ao acidente de trabalho vão além da esfera
financeira, e por isso os agentes de risco operacional devem ser mitigados
incondicionalmente. As empresas perdem muito com os acidentes de trabalho, e por isso
devem reduzir de forma expressiva os riscos e a ocorrência de acidentes, adotando medidas
que tornem as atividades mais seguras e investindo na conscientização dos seus funcionários.
Neste sentido, atuar pela prevenção é a melhor recomendação, podendo ser feita através de
ações simples e sem custo, como o DDS.

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2.2. O comportamento de risco como causa de Acidentes de Trabalho

Todo e qualquer acidente de trabalho possui um conjunto de causas raízes potenciais,


podendo ocorrer pela soma de comportamentos de risco e/ou condições inseguras. De acordo
com Zocchio (2002:05), a maioria dos acidentes de trabalho acontece por influência do
homem:
Tudo se origina do homem e do meio: do homem por meio de características que lhe
são inerente, fatores hereditários, sociais e de educação, que são prejudiciais
quando falhos; o meio, com os riscos que lhe são peculiares, ou que nele são
criados, e que requerem ações e medidas corretas por parte do homem para que
sejam controlados, neutralizados e não transformem em fontes de acidentes. Assim
começa a seqüência de fatores, com o homem e o meio como os dois únicos fatores
inseparáveis de toda a série de acontecimentos que dá origem ao acidente e a todas
as suas indesejáveis consequências. (ZOCCHIO, 2002:05).

2.2.1. Comportamento de Risco

O comportamento de risco é definido como causas de acidentes de trabalho que residem


exclusivamente no fator humano, que decorrem da execução de tarefas de forma contrária às
normas de segurança.
O comportamento de risco depende da não observância das normas de segurança do trabalho,
ou seja, do homem agir de forma correta, observando seus atos e corrigindo quando
necessário. Como os comportamentos inseguros dependem do homem, os mesmos são
tratados segundo Zocchio (2002), como:

 Atos conscientes, onde as pessoas sabem que estão se expondo ao perigo;


 Atos inconscientes, aqueles que as pessoas desconhecem o perigo a que se expõem;
 Atos circunstanciais, quando as pessoas, independente de conhecerem ou não o
perigo, cometem a ação insegura.

Podemos citar 3 grandes grupos de causas do comportamento de risco, conforme De


Cicco (1982:07), explica:

 Inadequação entre homem e função:

Alguns trabalhadores apresentam comportamento de risco por não apresentarem aptidões


necessárias para o exercício da função. Um operário com movimentos excessivamente
lentos poderá se comportar de forma insegura, aparentemente por distração ou falta de
cuidado, mas, pode ser que a máquina que ele opere exija movimentos rápidos.

 Desconhecimento dos riscos da função e/ou da forma de evitá-los:

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É comum um operário se comportar de maneira insegura simplesmente por não saber


outra forma de realizar a operação ou mesmo por desconhecer os riscos a que se está
expondo. Trata-se, pois, de uma exposição inconsciente ao risco.

 Desalinhamento entre empregados e liderança:

O comportamento de risco se relaciona com certas condições específicas de trabalho, que


influenciam o desempenho do indivíduo. Incluem-se, nesta categoria, problemas de
relacionamento com chefia e/ou colegas, política salarial e promocional imprópria, clima
de insegurança com relação à manutenção do emprego, etc. Tais problemas interferem
com o desempenho do trabalhador, desviando sua atenção da tarefa, expondo-o, portanto,
a acidentes.

Para evitar o comportamento de risco recomenda-se monitorar o número de acidentes,


registros de quase acidentes por colaborador, relatórios de visitas técnicas mencionando as
não conformidades por funcionário, levantando os motivos principais que levaram o
colaborador a praticá-lo e eliminando-o através de treinamentos, palestras, DDS, dinâmicas na
SIPAT, focando principalmente na conscientização do empregado.
Conforme visualizado acima, muitos acidentes são atribuídos a falhas humanas, representadas
por desatenção, descuido, brincadeira e incapacidade. Porém estudiosos de comportamento
humano afirmam que para ocorrer a negligencia de um colaborador, houve anteriormente uma
série de decisões organizacionais que criaram condições para o acidente ocorrer, estas são
conhecidas por condições inseguras (BOUNASSAR, 2007).

2.2.2 Condições Inseguras

De acordo com Zocchio (2002), condições inseguras nos locais de trabalho são falhas,
defeitos, irregularidades técnicas, carência de dispositivo de segurança, desorganização que
comprometem a segurança do trabalhador.
Por muitas vezes as condições inseguras estão ligadas diretamente com o comportamento de
risco, pois os funcionários verificam tais fatores e mesmo assim realizam a tarefa, podendo
ocasionar o acidente. O funcionário deve avisar sua liderança sobre qualquer precariedade nas
condições de trabalho e se recusar a executar o serviço para a sua própria proteção. É possível
ter várias condições inseguras, abaixo algumas de mais ocorrência:
 Falta de proteção em máquinas e equipamentos;
 Proteções inadequadas ou defeituosas;
 Deficiência em equipamentos e ferramentas;
 Falta de cultura 5S;
 Escassez de espaço;
 Passagens perigosas e/ou obstruídas;
 Defeito nas edificações;
 Instalações elétricas inadequadas ou defeituosas;

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 Iluminação inadequada;
 Ventilação inadequada;
 Falta de equipamento de proteção individual (EPI);
 Falta ou falha de manutenção.

O papel da supervisão e área de segurança do trabalho nas empresas é justamente identificar e


eliminar estas condições inseguras. Encarregados e supervisores que devem analisar essas
condições antes de ocorrer o acidente e tomar as devidas ações para corrigir, conforme relata
Filho (1974:479,480):
O supervisor, em contato diário com seus subordinados, está em excelente posição
para atuar junto a eles, a fim de que adquiram “mentalidade de segurança”, evitando,
assim, a prática de atos inseguros; de outro lado, é responsável também pela
remoção das condições inseguras existentes em sua área de trabalho (FILHO,
1974:479,480).

2.3. Importância do DDS – Diálogo Diário de Segurança

O Diálogo Diário de Segurança é um programa de segurança muito utilizado por várias


empresas de diversos segmentos, para a prevenção de acidentes e conscientização dos
empregados (FILHO, 1999:01).
De acordo com Zocchio (2002), o DDS é um instrumento de eficácia incontestável das
atividades prevencionistas para a segurança e saúde do funcionário. Trata-se de uma
ferramenta de fácil aplicação em qualquer área e tipo de trabalho, por se tratar de conversas
diárias entre os funcionários, além de possuir baixo custo de aplicação.
Este programa consiste em uma reunião recomendada antes do início das atividades diárias na
empresa, para discussão e instruções básicas de assuntos ligados à segurança no trabalho que
devem ser utilizadas e praticadas por todos os participantes, proporcionando a implantação de
cultura de segurança nas diversas áreas. São reuniões rápidas de aproximadamente 5 a 15
minutos, realizadas diariamente no local de trabalho pelos supervisores, encarregados, líderes
de cada área, para discutir assuntos relativos aos riscos de incidentes e prevenção dos
mesmos, bem como discutir acidentes caso tenham ocorridos. Sabe-se que a maioria dos
acidentes estão relacionados à fatores humanos, ou seja, aos comportamentos de risco. Desta
forma, este programa tem potencial para influenciar na redução de acidentes no segmento
sucroalcooleiro, pois foca na conscientização dos trabalhadores.

Zocchio (2002:121) cita que:

“O chefe que tem por hábito dialogar com os subordinados sobre segurança do
trabalho, corrigindo falhas e ensinando a maneira segura de executar as tarefas, além
de prevenir acidentes, promove, ao mesmo tempo, o equilíbrio da produtividade nas
atividades sob sua responsabilidade.” (ZOCCHIO, 2002:121).

Os assuntos abordados no DDS são direcionados pelo departamento de segurança do trabalho,

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definindo as estratégias semanais para cada área de trabalho, conforme as necessidades


levantadas através da análise de reportes de incidentes e/ou ocorrência de acidentes. O
registro é realizado via lista de presença com o tema abordado e o executante.
A utilização do DDS como recurso para conscientizar os trabalhadores sobre percepção de
risco e comportamento seguro é fundamental. Muitos colaboradores estão viciados em
enxergar os problemas crônicos de segurança como parte natural do processo e ainda não tem
a consciência de que a segurança do trabalho é importante, e que os próprios funcionários são
os mais prejudicados quando sofrem algum acidente do trabalho. Este comportamento
dificulta os trabalhos de prevenção nas empresas, devido a resistência dos mesmos quanto ao
uso de equipamento de proteção individual e ao cumprimento de normas.
O DDS contribui de forma significativa para a conscientização dos funcionários, pois através
dele, a liderança demonstra que além de estarem preocupados com a produção, eles também
dão importância para a segurança do trabalho. Outro fator importante é a interação
proporcionada pela equipe, aumentando a probabilidade de comprometimento de todos com a
área de Segurança. Desta forma o principal objetivo do DDS é a conscientização do
funcionário quanto à segurança para que haja uma prevenção e redução dos acidentes ao
funcionário.

2.3.1. Gerenciamento do Diálogo Diário de Segurança


Algumas ações devem ser tomadas e observadas para se obter um resultado positivo com o
programa do DDS:
a) Buscar temas pertinentes às dificuldades de cada área nos quesitos de segurança.
Reforçar as ocorrências de acidentes em todos os setores;
b) Criar condições para que os empregados possam trocar informações, expor idéias,
sugestões, dúvidas relacionadas à segurança. Tendo sempre em foco o objetivo do
DDS.
c) Planejar sobre o tema a ser discutido, atentando ao local que sera realizado,
incentivando a participação dos envolvidos, convidando-os para conduzirem o DDS;
d) Deixar claro aos empregados o que é DDS, qual o seu objetivo e funcionamento, e a
importância da participação de todos;
e) Expor o assunto de forma clara e objetiva, com linguagem adequada, considerando o
nível de absorção por parte dos participantes;
f) Envolver outras áreas para falar sobre temas técnicos, convidando profissionais da
saúde, engenharia, psicologia e técnicos;
g) Concluir a ideia central do DDS, dando oportunidade para exposição de idéias, com o
cuidado para que nao vire promessas, pois se a mesma não for cumprida o DDS
poderá perder a credibilidade;
h) Realizar o registro do DDS, utilizando uma lista que deverá constar a data, duração,
local, assunto abordado, nomes e assinatura dos participantes.

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O fluxograma de realização do DDS nas empresas segue a sistemática abaixo (Figura 1):

O líder coleta as
Os líderes se
O departamento O líder realiza o assinaturas dos
preparam no
de segurança do diálogo com a participantes na
tema e reúne a
trabalho passa equipe durante lista de presença
equipe antes de
os temas para a 5 a 10 minutos e libera para
iniciar o
liderança. sobre o tema. suas respectivas
trabalho.
atividades.

Figura 1: Fluxograma de realização do DDS.


Fonte: Imagem coletada pelo autor

3. Materiais e Métodos

O trabalho foi realizado no período de 01 de janeiro de 2014 a 31 de julho de 2014, numa


empresa do ramo sucroalcooleiro de Minas Gerais. Os principais produtos produzidos são
etanol, o açúcar e a energia elétrica, gerada a partir da queima do bagaço da cana.
Conforme Rodrigues (2007), este trabalho pode ser definido como uma pesquisa de campo,
na medida em que procede à observação de fatos e fenômenos exatamente como ocorrem no
real, à coleta de dados referentes a esses fatos e fenômenos e, finalmente, à análise e
interpretação desses dados, que somado às fontes de consulta, pode ser definida como uma
pesquisa bibliográfica. Segundo Gil (1991), apud Silva (2001), pode ainda ser caracterizado
com uma pesquisa descritiva, pois busca a resolução de problemas, melhorando as práticas
por meio da observação, da análise e de descrições objetivas. Esse tipo de pesquisa envolve o
uso de técnicas padronizadas de coleta de dados, por exemplo, questionários para
identificação do conhecimento e observação sistemática, apoiando as conclusões numa
perspectiva qualitativa, sendo o ambiente natural à fonte direta para coleta de dados e o
pesquisador o instrumento-chave. Por fim, a pesquisa trata-se como um estudo de caso,
envolvendo uma análise de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento
(GIL, 1991).
O presente estudo foi realizado em 6 (seis) etapas. A primeira etapa refere-se ao
planejamento da pesquisa e a realização de revisão bibliográfica de trabalhos ligados à
temática da segurança do trabalho no ramo sucroalcooleiro. Implica enfatizar que a escolha
pelo ramo deve-se ao fato desta estar instalada no Estado de Minas Gerais, local em que a

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pesquisadora reside, o que facilitou a realização do estudo iniciado no mês de janeiro de 2014
para conhecimento do negócio e levantamento dos dados do ramo sucroalcooleiro-alvo.
No decorrer do referido mês, foi dado início à segunda etapa do estudo caracterizada pelo
levantamento dos registros de DDS realizados por mês no ano de 2013, com confecção dos
gráficos e planilhas necessárias para o acompanhamento da performance.
No mês de fevereiro 2014 foi iniciada a terceira etapa da pesquisa, com a quantificação de
DDS por líder x acidentes ocorridos no mês. O instrumento usado para a coleta de dados foi
um formulário para registro de DDS nas frentes de trabalho de todos os envolvidos no
diálogo. Os líderes com baixa performance em DDS eram convocados mensalmente para
reunião com a Diretoria e Gerentes para discussão da importância da ferramenta.
Gradativamente, o trabalho foi se desenvolvendo até o seu término.
Ao ser recolhido o formulário, em seguida, foi feita a tabulação dos dados coletados por meio
de planilhas eletrônicas, o que possibilitou o tratamento estatístico dos dados numéricos para
a geração de informações representadas graficamente (quarta etapa).
Para a avaliação das condições do DDS realizado no ramo sucroalcooleiro-alvo, realizou-se
uma verificação in loco nas frentes de trabalho, quanto à forma que os Líderes executavam os
diálogos de segurança com a sua equipe, permitindo uma avaliação qualitativa. (terceira
etapa).
Posteriormente, foi feita uma análise dos dados levantados e uma discussão com base nos
resultados obtidos, os resultados eram apresentados na reunião semanal do time de gerentes e
diretoria para análise, tomadas de decisões e estratégias (quinta etapa). Já os dados obtidos
pela avaliação qualitativa (visita in loco), permitiu a elaboração de cadernos de DDS para
cada líder das frentes de trabalho (sexta etapa).
O objetivo da pesquisa foi alcançado por meio da definição de variáveis-chave, que
permitiram descrever aspectos de baixa performance de DDS por parte dos líderes que tinham
colaboradores envolvidos em acidentes de trabalho, visando melhoria qualitativa e
quantitativa na busca da redução dos acidentes.

4. Resultado e Discussão
4.1. Impacto do DDS na Performance de Segurança

A principal caracteristica do DDS é a simplicidade da ferramenta e o custo zero, tendo altas


expectativas quanto ao retorno na redução de acidentes, na busca prioritária que é a
conscientização de trabalhadores no quesito segurança do trabalho.
À exemplo de sucesso do uso dessa ferramenta, no estado de Minas Gerais empresas do
segmento sucroalcooleiro investiu em DDS e teve grandes resultados na redução de acidentes.
Organizado para promover, em conjunto com outras ações, o desenvolvimento da cultura
organizacional de segurança, o DDS, reune em toda entrada de turno os funcionários da área
industrial diariamente para uma conversa sobre temas de segurança. Já na área agrícola são
reunidos por frentes de trabalho com os seus respectivos líderes para conversar sobre

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segurança por até 15 minutos sobre temas previamente estabelecidos.


O DDS esta em funcionamento desde a fundação da empresa, porém em 2014 começou a ser
monitorado, realizando acompanhamento de performance por líder, na busca de melhoria
qualitativa e quantitativa. Exatamente no mês de Janeiro em diante iniciou-se o
monitoramento dos DDS realizados por líder de cada área, sendo os resultados apresentados
mensalmente na reunião semanal do time de gerentes e diretoria para análise, tomadas de
decisões e estratégias. O líder que apresentasse o número de DDS realizado mensalmente
inferior a vinte, era convocado pelo Diretor da unidade para uma reunião de alinhamento no
qual era exibido a importância do programa de DDS e a sua responsabilidade perante a
multiplicação da ferramenta.
No fechamento estatístico mensal, todos os líderes que tiveram colaboradores envolvidos em
acidentes, tinham o seu relatorio de performance de DDS analisados. Coincidentemente todos
apresentavam baixa performance, o que denotava a falta de comprometimento com segurança
do trabalho.
A medida que monitoramento foi evoluindo, os resultados de segurança começaram a ter
evidências perceptíveis e o índice de acidentes vem caindo sensivelmente desde o início da
safra 2014. O número de DDS realizados por mês aumentaram significativamente, conforme
demonstrado na figura 2, o que vem impactando nos resultados de redução de acidentes
obtidos. No mês de Julho 2014, por exemplo, nao foi registrado nenhum acidente na empresa,
reflexo do empenho que vem sendo dedicado ao programa de DDS. Na tabela 1 é possível
ver claramente a correlação do volume de DDS realizado por mês e a redução dos acidentes.

Figura 2: Performance de DDS período Janeiro 2013 à Julho 2014


Fonte: Dados produzidos pelo autor (2014)

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Ano 2014
Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho
DDS 304 407 650 563 1312 2105 2093
Acidentes 1 5 4 2 2 2 0

Tabela 1: Performance de DDS período Janeiro 2014 à Julho 2014 x Acidentes


Fonte: Dados produzidos pelo autor (2014)
A empresa em estudo já se tornou referência na área e tem alcançado resultados positivos no
dia a dia. Em 2014 a unidade industrial chegou a completar 326 dias sem acidentes, sendo o
seu recorde 559 dias, resultado este positivo perante as empresas do setor sucroalcooleiro, e
assim nos ajuda a comprovarmos a importância do DDS para o segmento. Na busca de
melhores resultados, implantou-se o caderno de DDS nas áreas, com temas definidos
conforme as particularidades do setor, essa implementação surgiu após quatro meses de
acompanhamento de performance do DDS por líder, o principal objetivo dessa prática é
atingirmos resultados com mais qualidade.
Com base no Diálogo Diário de Segurança, a empresa para despertar a consciência sobre a
necessidade de prevenção de acidentes do trabalho, desde o início de 2014, implantou reunião
mensal com a liderança que tiveram colaboradores envolvidos em acidentes e os respectivos
acidentados, realizada na safra, que tem o objetivo de criar um forum de discussão das
possíveis falhas, apresentação de idéias, dúvidas, dificuldades relacionadas à segurança,
apresentação dos dados estatístiscos e o seu entendimento. Esses encontros tem
proporcionado uma aproximação da liderança com a segurança, tornando um elo forte com a
gerência na busca de apoio na operação segura.

5. Conclusão

Os resultados de segurança de uma empresa são conquistados com bastante disciplina, porém
a jornada é longa. Algumas ferramentas podem ser usadas para se visualizar os passos a serem
dados, sendo a usada neste estudo a performance do DDS.
Conclui-se que o DDS é uma ferramenta simples, de fácil aplicação. Logicamente, trata-se de
um instrumento valioso para a conscientização dos trabalhadores na prevenção de acidentes, e
que todas as empresas não só do segmento sucroalcooleiro, mas também dos outros setores
deveriam adotá-lo, mensurando, pois ele é de baixo custo e eficaz, de grande importância para
o desenvolvimento de uma cultura de prevenção de acidentes do trabalho e para a valorização
da vida, promovendo a interação entre os funcionários e reduzindo os custos que as empresas
e o governo têm com os acidentes.

ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 9ª Edição nº 010 Vol.01/2015 julho/2015
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Performance de DDS como reflexo nos resultados de Segurança Julho/2015

Este trabalho mostra que o caminho que a empresa tem percorrido não é mais tão obscuro,
assim os passos podem ser dados com mais ênfase nas ferramentas de segurança já adotadas,
sempre levando em conta o seu gerenciamento.

Referências

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Performance de DDS como reflexo nos resultados de Segurança Julho/2015

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