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DISCIPLINA Libras IV Carga Horária: 45 h

ESCRITA DE LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Professoras: Vivian Cerqueira e Cláudia Aguiar

CONTEXTUALIZAÇÃO:

Do ponto de vista da cultura surda, o uso da língua oral de seu país como única opção de
escrita significa não só que os surdos são, em suas relações pessoais, contemporâneos uns
dos outros, porém distanciados pelo espaço, como também que as manifestações dos
surdos de outras épocas precisam ser medidas e registradas em forma escrita numa língua
que não seja a língua de sinais com a qual eles se expressam.

Falar em educação do surdo implica em mencionar Roch Ambroise Bébian, um educador de


surdos que viveu no início do século XIX. Roch Ambroise Bébian é o autor da primeira
tentativa de inventar um sistema para escrever os sinais da qual temos registro na cultura
ocidental.

A escrita visual direta da língua de sinais pode levar ao bilinguismo pleno. Um surdo
politizado não se considera deficiente, e sim membro de uma comunidade cultural e
linguística. Por isso, para o surdo, e muito importante divulgar sua língua que é a sua maior
especificidade.

SISTEMAS DE ESCRITAS

Sistemas de escrita, é uma forma de comunicação por símbolos que são usados para
registrar visualmente uma língua com o propósito de comunicação. Podemos dizer que a
escrita de sinais usa símbolos visuais e gráficos (grafemas). A maioria dos sistemas de
escrita pode ser classificada do seguinte modo: sistema logográfico, sistema silábico de
escrita, sistema de alfabéticos, sistema ideográficos, diacríticos, criptografia, signo e
simbolo.

A criança quando aprende a escrever, constrói suas estruturas cognitivas, e


simultaneamente , reconstrói o sistema de escrita. As crianças surdas eu se comunicam por
sinais precisam poder representar, pela escrita, a sua fala que é viso espacial. Quando as
crianças conseguem aprender uma escrita que é a representação de sua língua natural, têm
oportunidade de melhorar todo o seu desenvolvimento cognitivo. Mesmo que uma criança
consiga, quando lê uma língua oral, converter as letras na soletração digital correspondente,
não obterá o sinal lexical que está acostumada a usar, no dia a dia, em sua língua de sinais.
Essa é uma crucial diferença em relação à criança ouvinte.

A relação da criança surda com a língua de sinais é a mesma do ouvinte com a língua oral
(materna), ou seja, ele não tem consciência das estruturas gramaticais de sua língua, mas
as usa corretamente e adquire fluência sem esforço. Para nós ouvintes aprender uma língua
estrangeira, precisamos de um esforço árduo e demorado. Já o surdo sofre mais, pois não
tem o mapeamento oferecido pela fala e o fato, ainda mais relevante, de não possuir, em
grande parte das vezes, uma língua de sinais consistente.

Nas atividades escolares, um trabalho consistente com as línguas de sinais precisa atingir a
fase de um letramento bem construído para possibilitar ao surdo o acesso a todo
conhecimento. Quando nos comunicamos, passamos não apenas uma mensagem, mas a
nossa maneira de ver, sentir e entender o mundo.
O SISTEMA SIGNWRITING

O sistema de escrita para línguas gestuais denominados SIGNWRITING foi inventado há


cerca de 30 anos, por Valerie Sutton, que dirige a Deaf Action Commitee (DAC), uma
organização sem fins lucrativos sediada em La Jolla, Califórnia, USA. Sua origem está num
sistema em que a autora criou para notar os movimentos da dança. O SIGNWRITING pode
registrar qualquer língua de sinais do mundo sem passar pela tradução da língua falada.
Cada língua de sinais o adaptará à sua própria ortografia.
O SIGNWRITING pode ser trabalhado familiarizando as crianças com essa escrita, que não
aparece em toda parte como aparece à escrita do português. Podem ser construídos
cartazes com desenhos e com a escrita das duas línguas para que as crianças se habituem
a ideia de que existe uma escrita para os sinais, diferente da escrita da língua oral. A escrita
dos sinais não é a tradução da Libras, mas a sistematização dos sinais na forma escrita e
concreta. O trabalho de adaptação do SIGNWRITING à Libras foi à primeira etapa de uma
caminhada que a comunidade surda brasileira, com o apoio de pesquisadores, está ainda
empreendendo para conseguir uma escrita que dê conta de todas as suas necessidades e
sua própria língua.

Para a criança surda, aprender a escrever seu nome em escrita de língua de sinais tem um
significado importante para sua autoestima e possibilita sentir-se um sujeito surdo com
identidade surda. A criança sente que não está só. Ela pertence a um grupo e tem um nome
dentro deste grupo. Aprender a escrever seu nome na sua língua garante felicidade e
interesse, pois o significado desta aprendizagem é carregado de emoção que ativa a mente.

FORMAS DE TRANSCREVER EM SIGNWRITING

Existem três formas de escrever os sinais:

1. Escrita com o corpo inteiro: utiliza a figura completa do corpo.

2. Escrita do gesto – padrão em SIGNWRITING: utiliza a figura com símbolos tornando


o gesto escrito uma unidade visual.

3. Escrita simplificada ou a Escrita a mão: é uma forma simplificada da escrita padrão


que exclui alguns símbolos de contatos de maneira a facilitar à redação escrita a mão.

Para mais informações assistam aos vídeos complementares deste módulo.