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A Babilônia na Profecia Bíblica

Thomas Ice

“Ai! Ai! Tu, grande cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou
o teu juízo” (Ap 18.10).
Será que a Bíblia tem algo a dizer sobre o papel a ser desempenhado pela Babilônia no
futuro? A Babilônia mencionada na Bíblia tem alguma relação com o Iraque de nossos dias?
Essas questões podem ser solucionadas respondendo à seguinte pergunta: todas as
referências bíblicas à Babilônia devem ser interpretadas literalmente ou não? Eu creio que sim.
O Dr. Charles Dyer declara:
A Bíblia menciona o termo Babilônia mais de duzentas e oitenta vezes, e muitas dessas
referências dizem respeito à futura cidade de Babilônia que será edificada na areia fina do atual
deserto.[1]
Na verdade, depois de Jerusalém, Babilônia é a cidade mais citada em toda a Bíblia. Mas
qual será o seu destino profético? Para entendermos esse assunto de maneira adequada,
precisamos iniciar a nossa viagem explorando o passado da Babilônia, já que os fatos
relacionados ao seu nascimento prestam auxílio no esclarecimento de seu papel futuro.

O Passado de Babilônia
A antiga cidade de Babilônia começou imediatamente após o Dilúvio e simboliza a
expressão da rebelião direta do homem contra Deus e contra a Sua ordem: “Sede fecundos,
multiplicai-vos e enchei a terra” (Gn 9.1b). Portanto, o reinado humano começou na Babilônia
com uma rebelião clara e evidente contra Deus. O Senhor interveio e espalhou a humanidade
rebelde confundindo seus idiomas. O nome “Babel” foi dado à cidade de Ninrode, por causa da
sentença de Deus sobre seus habitantes (Gn 11.1-9). O Dr. Dyer explica:
Babel foi a primeira tentativa de unificação da humanidade para causar um curto-
circuito no propósito de Deus. Essa primeira cidade pós-diluviana foi projetada expressamente
para frustrar o plano de Deus relativo à humanidade. As pessoas buscavam unidade e poder, e
Babel deveria ser a sede governamental desse poder. Babilônia, a cidade feita por homens, que
tenta se elevar até o céu, foi construída em direta oposição ao plano de Deus.[2]
Babel foi a primeira tentativa de unificação da humanidade para causar um curto-
circuito no propósito de Deus.
A Babilônia estava novamente em primeiro plano no sexto século antes de Cristo[3]
quando Deus enviou o Reino do Sul de Israel (Judá) para os setenta anos de cativeiro. Foi nessa
época que Daniel recebeu de Deus muitas de suas visões proféticas. Nessas revelações, a
Babilônia foi o primeiro dos quatro grandes impérios que se levantaram durante os “tempos dos
gentios” (Dn 2 e 7). A história revela que a Babilônia sofreu um declínio até o segundo século
depois de Cristo, quando ficou deserta. Essa cidade soterrada sob as areias do tempo durante
os últimos mil e setecentos anos recomeçou sua ascensão no século passado. Espere mais um
pouco e você verá a Babilônia tornando-se uma força religiosa, comercial e politicamente
dominante no mundo, pois os capítulos 17 e 18 de Apocalipse predizem sua destruição, mas,
para ser a cidade que essas profecias projetam, Babilônia precisa ser reconstruída em grande
escala, voltando a ser como nos dias de Nabucodonosor.
O Futuro de Babilônia
Como a Babilônia desempenhou um importante papel no passado, também já está
agendado por Deus – segundo foi revelado na profecia – que ela desempenhará um papel
central no futuro. Ela se tornará, provavelmente, a capital do Anticristo durante os futuros sete
anos de tribulação, conforme retratado na série de ficção Deixados para Trás de Tim LaHaye e
Jerry Jenkins.

A Babilônia foi a cidade mais importante do mundo por quase 2000 anos, e a Bíblia nos
diz que será reerguida e colocada no palco mundial do fim dos tempos para representar um
papel de destaque (Ap 14.8; Ap 16.19; Ap 17 e Ap 18). A profecia referente ao final dos tempos
exige que a Babilônia seja reconstruída e se torne uma cidade importante aos interesses
mundiais durante a Tribulação. O texto de Isaías 13.19 diz: “Babilônia, a jóia dos reinos, glória e
orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou”. O contexto
de Isaías 13 é “o Dia do Senhor”, expressão mais utilizada no Antigo Testamento para o termo
largamente conhecido como “Tribulação”. Além disso, no passado a Babilônia foi conquistada
por outros povos mas nunca foi destruída num cataclismo (ou seja, “como Sodoma e Gomorra,
quando Deus as transtornou”). Atualmente a [região de] Babilônia tem aproximadamente
250.000 habitantes. O texto de Apocalipse 18.16,19 fala de uma súbita destruição pela mão de
Deus: “Ai! Ai! da grande cidade,... porque, em uma só hora, foi devastada!” O Dr. Arnold
Fruchtenbaum declara:

As profecias referentes à cidade de Babilônia nunca se cumpriram no passado, o que


qualquer enciclopédia pode testificar. Para que as profecias bíblicas se cumpram, é necessário
que a cidade de Babilônia seja reconstruída na mesma área de outrora. A antiga Babilônia é o
atual Iraque.[4]

Para que as profecias bíblicas se cumpram, é necessário que a cidade de Babilônia seja
reconstruída na mesma área de outrora. A antiga Babilônia é o atual Iraque.

A Babilônia tem um importante papel na história futura, mas será totalmente destruída
num determinado momento ainda por vir.

Em Apocalipse 17-18 Babilônia é citada como sendo a fonte da religião, do governo, e


da economia ímpios. Todos os aspectos injustos da sociedade do fim dos tempos são,
finalmente, derivados de uma fonte babilônica. O verdadeiro caráter de Babilônia é revelado a
João em Apocalipse 17.5 como um mistério assim descrito:

“BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA”.

Como a mãe de todas as religiões falsas, Babilônia é a fonte onde nasce o falso
cristianismo de nossos dias e, certamente, durante a Tribulação. Todas as correntes do
cristianismo apóstata – catolicismo romano, as igrejas ortodoxas do Oriente e o protestantismo
liberal – vão convergir na Babilônia eclesiástica (Ap 17) durante a Tribulação. O Dr. Dyer nos
informa:

...em Apocalipse 17 João descreve a visão em duas partes. A primeira parte fala de uma
mulher identificada como Babilônia. Simboliza uma cidade de extrema riqueza que controla –
“povos, multidões, nações e línguas” (Ap 17.15). Ela é literalmente a cidade de Babilônia
reconstruída.[5]

Esses povos, multidões, nações e línguas vão continuar sua tarefa de enganar, mas
sofrerão o juízo de Deus durante e no final da Tribulação. Encontramos o mesmo parecer sobre
Babilônia e a descrição de um destino semelhante em Apocalipse 18 referindo-se à Babilônia
comercial.

Satan
Uma Babilônia Literal
Ao longo da história da Igreja, grande parte dos intérpretes da Bíblia pensava que essa
Babilônia fosse um tipo de palavra-código referente a alguma entidade como o Império Romano,
o catolicismo romano, o cristianismo apóstata ou mesmo os Estados Unidos ou a Inglaterra.
Entretanto, creio que, assim como o termo “Israel” na Bíblia sempre se refere a Israel, o termo
“Babilônia” sempre se refere à Babilônia.

Em primeiro lugar, creio que o livro de Apocalipse é uma grande estação central para
onde convergem todas as profecias bíblicas referentes ao futuro. O Dr. Fruchtenbaum explica
esse fato da seguinte maneira:

As profecias do Antigo Testamento estão espalhadas pelos livros de Moisés, de vários


profetas e pelos livros históricos. Seria impossível desenvolver qualquer seqüência cronológica
dos eventos mencionados nessas profecias. O valor do livro de Apocalipse não está no fato de
oferecer novas informações, mas em ordenar as profecias do Antigo Testamento em seqüência
cronológica, possibilitando determinar a ordem dos eventos.[6]

Quando se estuda o que Deus declara acerca da Babilônia no livro de Apocalipse,


obviamente vemos que essas profecias não se cumpriram em acontecimentos passados e,
portanto, terão seu cumprimento em eventos futuros. Os capítulos 17 e 18 de Apocalipse, que
falam sobre a Babilônia, fazem muitas alusões a ela citando profecias do Antigo Testamento
como Isaías 13 e 14, Jeremias 50 e 51 e Zacarias 5.5-11.[7] A única interpretação plausível para
um literalista é que as referências são à “Babilônia às margens do Eufrates”.[8] O Dr. Robert
Thomas prossegue, dizendo:

...no dia vindouro, predito nas páginas dessa profecia, essa cidade se tornará o foco
central de todo o sistema religioso que se opõe decididamente à verdade da fé cristã. O sistema
religioso prosperará durante algum tempo, exercendo influência sobre as instituições
comerciais e políticas de sua época, até que a Besta e os dez reis determinem que esse sistema
já não tem qualquer utilidade para seus propósitos. Eles, então, o desmantelarão.[9]
A Babilônia de Apocalipse é literal e, por conseguinte, as profecias a seu respeito hão de
se cumprir literalmente no futuro, talvez em um futuro próximo.

Uma “Exegese de Jornal”?


Os preteristas, como Gary DeMar, por exemplo, zombam da perspectiva de voltar a
existir uma Babilônia reconstruída no futuro e desempenhando um papel na profecia do fim dos
tempos. “Será que deveríamos esperar uma reconstituição de Babilônia no futuro, tendo por
base os eventos descritos no livro de Apocalipse?”, pergunta DeMar. “A Babilônia de Apocalipse
é a mesma Babilônia do Antigo Testamento?... De jeito nenhum”.[10] DeMar acredita que
aqueles que vêem uma correlação entre os eventos atuais e a preparação feita por Deus para o
futuro período de Tribulação estão desenvolvendo uma “exegese de jornal”. Diz ele que estamos
“lendo a Bíblia pela lente dos acontecimentos atuais”.[11] Porém, eu argumento que ocorre
exatamente o contrário.

Os intérpretes literalistas da Bíblia há muito tempo têm ensinado que Israel deve
retornar à sua terra antes da Tribulação, fundamentados na sua compreensão do cronograma
profético. Isso aconteceu com o estabelecimento do Estado de Israel em 1948. Os judeus estão
de volta à sua terra e posicionados para cumprir o seu destino quando a Tribulação começar. No
passado, antes de 1948, os intérpretes literalistas não se baseavam naquilo que os jornais diziam
para crer no que a Bíblia profetizava. Pelo contrário, eles criam que Israel seria restaurado
porque a Bíblia assim o dizia. O que realmente acontece é que Deus está cumprindo Suas
profecias perante um mundo observador e os jornais apenas relatam os fatos. Se a convicção de
que Deus cumpre o que diz tivesse sido uma espécie de “exegese de jornal”, antes de 1948 não
teríamos começado a proclamar a nossa certeza de que Israel seria restabelecido. Contrariando
essa “exegese de jornal”, os estudiosos da Bíblia já proclamavam o retorno de Israel à sua terra
como um evento futuro centenas de anos antes que ocorresse.

A Babilônia de Apocalipse é literal e, por conseguinte, as profecias a seu respeito hão de


se cumprir literalmente no futuro, talvez em um futuro próximo.

Por semelhante modo, estudiosos da profecia também têm ensinado, há muitos anos,
que haverá um ressurgimento do Império Romano e que a cidade de Babilônia será
reconstruída, já que essas entidades desempenharão um papel específico durante o futuro
período da Grande Tribulação. Antes que Saddam Hussein subisse ao poder, Charles Dyer
concluiu a sua tese de mestrado no Seminário Teológico de Dallas (em maio de 1979) falando
da futura reconstrução de Babilônia. Bem antes de seu tempo, um significativo grupo de
estudiosos da Bíblia argumentava “em alto e bom som” que a Bíblia prediz uma futura
reconstrução da cidade de Babilônia às margens do Rio Eufrates [ou seja, a idéia de uma
Babilônia reconstruída não é tão nova].

Em minha biblioteca limitada encontrei uma porção de autores que, baseados em


Apocalipse 17 e 18, ensinaram a respeito de uma futura Babilônia. Nesse grupo estão incluídos:
B. W. Newton (1853),[12] G. H. Pember (1888),[13] J. A. Seiss (1900),[14] Clarence Larkin
(1918),[15] Robert Govett (1920),[16] E. W. Bullinger (1930),[17] William R. Newell (1935),[18]
F. C. Jenings (1937),[19] David L. Cooper (1942)[20] e G. H. Lang (1945).[21] Tenho certeza que
muitos outros poderiam ser acrescentados a essa lista.

Conclusão
Visto que uma Babilônia literal terá uma função na Tribulação vindoura, é razoável que
os conflitos no Iraque, embora não sejam um cumprimento da profecia bíblica, sem dúvida
posicionam a Babilônia para a sua iminente tarefa. Será muito interessante observarmos quais
serão os desdobramentos disso e que reflexões podemos fazer quanto à sua influência ou não
na preparação do palco para a Tribulação. Maranata! (Thomas Ice - Pre-Trib Perspectives -
http://www.chamada.com.br)

Notas:
Charles H. Dyer, The Rise of Babylon: Is Iraq at the Center of The Final Drama? Edição
Revisada, Chicago: Moody Press, [1991], 2003, p. 16.
Dyer, Rise of Babylon, p. 47.
Para uma visão geral sobre a Babilônia, veja o nosso diagrama “Babylon in History and
Prophecy” na obra de Tim Lahaye e Thomas Ice intitulada Glorioso Retorno – O Final dos Tempos
(São Paulo, SP: Abba Press, 2004), p. 102. Veja também Joseph Chambers, A Palace for the
Antichrist: Saddam Hussein’s Drive to Rebuild Babylon and Its Place in Bible Prophecy (Green
Forest, AR, 1996).
Arnold Fruchtenbaum, The Footsteps of the Messiah: A Study of the Sequence of
Prophetic Events, (Tustin, Califórnia: Ariel Ministries Press, 1982), p. 192.
Dyer, Rise of Babylon, p. 162.
Fruchtenbaum, Footsteps, p. 9.
Para uma lista de 550 alusões ao Antigo Testamento em Apocalipse, veja Fruchtenbaum,
Footsteps, pp. 454-459. Para a defesa de uma Babilônia literal e como as referências vétero-
testamentárias em Apocalipse embasam essa perspectiva, veja Charles H. Dyer, “The Identity of
Babylon in Revelation 17-18”, em duas partes,Biblioteca Sacra, vol. 144, nº 575 (Julho-Setembro
de 1987), pp. 305-316, e nº 576 (Outubro-Dezembro de 1987), pp. 433-449. Veja ainda Charles
Harry Dyer, “The Identity of Babylon in Revelation 17-18,” Th.M.Thesis, Dallas Theological
Seminary, 1979.
Robert Thomas, Revelation 8-22: An Exegetical Commentary (Chicago: Moody Press,
1995), p. 307.
Thomas, Revelation 8-22. pp. 307-308.
Gary DeMar, Last Days Madness: Obsession of the Mordern Church, (Power Springs,
Georgia, EUA, American Vision, 1999), p. 358.
DeMar, Last Days Madness, p. 210.
B. W. Newton, Thoughts on the Apocalypse, and Conversation on Revelation, xvii.
G. H. Pember, Mystery Babylon The Great, pp. v, 22.
J. A. Seiss, The Apocalypse: Lectures on the Book of Revelation, p. 397.
Clarence Larkin, Dispensational Truth, pp. 140-144.
Robert Govett, The Apocalypse Expounded.
E. W. Bullinger, Commentary on Revelation, p. 530.
William R. Newell, Revelation: A Complete Commentary, p. 268.
F. C. Jennings, Studies in Revelation, p. 476.
David L. Cooper, World’s Greatest Library Graphically Illustrated, p. 100.
G. H. Lang, The Revelation of Jesus Christ, p.