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BIOQUÍMICA PROVA I

Elementos básicos para uma dosagem bioquímica

• Coleta
• Pipetagem
• Fotometria

Amostras utilizadas em dosagens bioquímicas

• Sangue,
• Urina,
• Líquor,
• Suor

De onde se obtém o sangue para as dosagens

• Veias: Cefálica, Mediana, Basílica (antebraço).


Sangue utilizado na Hematologia, Bioquímica, Imunologia, Sorologia.

• Artérias: Braquial (antebraço), Radial (punho), Femoral (virilha)


Sangue utilizado para exames de Gasometria. Utilizam-se as artérias em
pacientes de difícil acesso venoso.

• Capilares: Recém-nascidos
Sangue utilizado no Teste do Pezinho e em Testes Rápidos de um modo geral.

Amostras de sangue

• Sangue Total,
• Plasma, Soro
Plasma

O plasma sanguíneo é um líquido de composição complexa. Ele é


composto, em sua maioria, por água (cerca de 92%). Além da água, estão
presentes componentes orgânicos e inorgânicos e lipídeos.
Dentre esses, as proteínas são os componentes mais importantes,
representando uma mistura complexa de mais de 100 tipos diferentes.
A albumina é uma das importantes, pois atua na manutenção da pressão
osmótica coloidal.
Estão presentes também os fatores da coagulação e fibrinogênio,
importantes na hemóstasia (diferença entre hemóstasia e homeostase).
Homeostase - A habilidade de manter o meio interno em constante equilíbrio,
funcionando contra as mudanças no meio externo.

Hemóstases - é uma série complexa de fenômenos biológicos que ocorre em


resposta à lesão de um vaso sanguíneo com objetivo de parar uma
hemorragia.

O mecanismo hemostático inclui três processos: hemostasia primária,


coagulação (hemostasia secundária) e fibrinólise. Esses processos têm em
conjunto a finalidade de manter a fluidez necessária do sangue, sem haver
extravasamento pelos vasos ou obstrução do fluxo pela presença de trombos.
Aqui, estão envolvidos vasos sanguíneos, plaquetas, fatores pró-coagulantes e
fatores anticoagulantes. Tudo em equilíbrio para parar o sangramento e depois
dissolver o coágulo formado.

Conclusão

Podemos dizer então, que, a hemostasia faz parte da homeostase. Ou


seja, a hemostasia é um mecanismo do organismo para manter o equilíbrio do
meio interno.

Soro

Vários exames no laboratório clínico, por exemplo os de bioquímica e


sorologia, são realizados utilizando o soro. Muitos podem ser feitos utilizando o
plasma, mas, pela praticidade e qualidade (líquido livre de células), a maioria
dos laboratórios utiliza o soro.
O soro é obtido após a coleta, coagulação da amostra e posterior
centrifugação, sendo que nenhum anticoagulante é utilizado. O objetivo é
que haja a formação de coágulo, e nesse processo os fatores da coagulação,
plaquetas e fibrinogênio são consumidos.
Então, de forma simplificada, o soro é o plasma sem fibrinogênio e
fatores da coagulação.

Interferências que afetam nos resultados

• Hemólise - Ocorre ruptura (lise) da membrana da hemácia havendo


liberação de hemoglobina e componentes intracelulares.
Causas: coleta inadequada mistura excessiva da amostra de sangue,
transporte e armazenamento incorretos, etc.

• Lipemia - Excesso de lipídios ou gorduras na corrente sanguínea,


deixando o plasma/soro turvo ou leitoso, interferindo nos testes que
usam leitura óptica.

• Icterícia - O soro/plasma ganha cor amarelo brilhante, indicando a


presença elevada de bilirrubina, a qual é característica de problemas
hepáticos. As hemácias se desintegram e a sua excreção, ocorre de
forma inadequada, liberando bilirrubina para a corrente sanguínea.
Tubo 01 - Plasma normal.
Tubo 02- Plasma hemolisado.
Tubo 03 - Plasma ictérico.
Tubo 04 - Plasma lipêmico.

Anticoagulantes e suas funcoes

• Citrato de Sódio: Testes de coagulação (tubo tampa azul claro)


• EDTA: Hematologia e Classificação sanguínea (tubo tampa lilás)
• Fluoreto de Sódio: Glicose e Hemoglobina glicada (tubo tampa cinza)
• Heparina: Plasma para dosagens bioquímicas (tubo tampa verde)

OBS 1: Os tubos de tampa vermelha e tampa amarela não possuem


anticoagulantes e tem a finalidade de separar o coágulo do soro. Os tubos de
tampa amarela além de possuírem o ativador de coágulo jateados em suas
paredes, ainda possuem um gel separador.

OBS 2: Os tubos de tampa branca, não possuem nenhum tipo de aditivo em


suas paredes e servem para o transporte de amostras.

OBS 3: O anticoagulante EDTA é usado abreviado sendo o seu nome ácido


etilenodiamino tetra-acético
Análise bioquímica manual por espectrofotometria

Utiliza-se o Espectrofotômetro, o qual é indicado para identificar, medir e


determinar a concentração de substâncias que absorvem energia em um
solvente (reagente).
Permite medir a quantidade de luz que foi absorvida por uma solução,
após ser submetida a um feixe de luz monocromática.
A luz emitida passa através da cubeta e essa intensidade de luz que
atravessou as amostras é medida, nos permitindo saber os valores de
absorbância.

Lei de Lambert – Beer

A absorbância é diretamente proporcional, à concentração da solução de


amostra.

• A fonte de luz é composta por lâmpada de tungstênio


• No compartimento de luz composta, situam-se todas as cores do
espectro.
• A luz monocromática é o feixe de luz selecionado para a leitura da
dosagem
• Na cubeta encontra-se o líquido da reação entre a amostra e o reagente
• O detector é o dispositivo que detecta a fração de luz que passou pela
cubeta, e transfere para o visor do equipamento.

Comprimento de onda para as faixas de luz visíveis

Ultravioleta abaixo de 380 nm (invisível)

Violeta 380 a 450 nm


Azul 450 a 495 nm
Verde 495 a 570 nm
Amarelo 570 a 590 nm
Laranja 590 a 620 nm
Vermelho 620 a 750 nm

Infravermelho acima de 750 nm (invisível)

Para a determinação de dosagens bioquímicas, deve-se utilizar no


mínimo 03 tubos de ensaio, os quais descreveremos a seguir:

1- Tubo Branco – B

Deverá conter apenas o reagente de uso (reagente de cor) utilizado para


a reação
Esse tubo tem a finalidade de “zerar” o equipamento e deve ser o
primeiro a ser passado

2- Tubo Padrão – P

Deverá conter o reagente de uso e o padrão que acompanha o kit


A reação que ocorrerá entre esses dois reagentes deverá obter um
resultado de absorbância e concentração conhecidas.

• Esse tubo serve para se obter um fator de calibração

*Fator de calibração = Concentração do padrão


Absorbância do tubo P

3- Tubo Teste – T

Deverá conter o reagente de uso e a amostra a ser analisada


A absorbância obtida através dessa análise deverá ser multiplicada pelo
fator de calibração obtido, para se ter a concentração final da amostra
analisada.
Glicose

Este exame é muito utilizado para investigar o diagnóstico de diabetes, e


para monitorar as taxas de açúcar no sangue de pessoas diabéticas ou com
risco para esta doença. Precisa ser feito após um jejum de 8 a 12 horas de
duração, sem o consumo de qualquer alimento ou bebida, exceto água.
Pode ser solicitado em conjunto com outros que também avaliam estas
alterações, como o teste de tolerância oral à glicose (TTOG) ou curva glicêmica
e hemoglobina glicada.

Os valores de referência da glicemia em jejum são:

• Glicemia de jejum normal: inferior a 110 mg/dL


• Glicemia de jejum alterada: entre 110 mg/dL e 125 mg/dL
• Diabetes: igual ou superior a 126mg/dL
• Glicemia de jejum baixa ou hipoglicemia: igual ou inferior a 70mg/dL

Quando o valor da glicemia é igual ou superior a 126mg/dL, é necessário


repetir o exame em outro dia para se confirmar o diagnóstico de diabetes. Já
quando os valores se encontram entre 110 e 125 mg/dL, significa que a
glicemia de jejum está alterada, ou seja, a pessoa tem um pré-diabetes,
situação em que a doença ainda não se instalou, mas há um risco aumentado
de se desenvolver.
Para as gestantes, quando a glicemia de jejum está acima de 92 mg/dL,
pode se tratar de um quadro de diabetes gestacional, sendo o principal exame
para diagnóstico deste quadro, o TTOG ou curva glicêmica.

Teste de Tolerância Oral à Glicose


Esse exame consiste na coleta da glicemia em jejum e logo após, a
ingestão de 75 g de açúcar dissolvido em uma pequena quantidade de água,
que deve ser consumido em um intervalo de 5 minutos. Após 2 horas, é feita
coleta para dosar a glicemia, a qual deverá ser interpretada da seguinte forma:

• Normal – inferior a 140 mg/dL


• Tolerância à glicose diminuída – entre 140 a 199 mg/dL
• Diabetes – igual ou superior a 200 mg/dL

No TTOG em gestantes são feitas três coletas: em jejum, após 1 hora e


após 2 horas da ingestão de açúcar.
A diabetes gestacional é confirmada, quando existem dois valores
alterados.

Valores de referência do TTOG em gestantes

• Jejum – 92 mg/dL
• Após 1 hora – 180 mg/dL
• Após 2 horas – 153 mg/dL

Tipos de diabetes

• Diabetes tipo 1
• Diabetes tipo 2
• Diabetes gestacional

Diabetes tipo 1

É uma doença autoimune, na qual o organismo ataca de forma errada as


células do pâncreas, causando a destruição das células que produzem insulina.
É diagnosticado na infância ou na adolescência e o tratamento é feito
com injeções diárias de insulina, além de uma alimentação com pouco açúcar e
baixa quantidade de carboidratos.
A falta de produção de insulina para o sangue, faz com que haja um
acúmulo de glicose na circulação, o que pode trazer malefícios para vários
órgãos, como insuficiência renal, retinopatia ou cetoacidose diabética.
Apesar de em alguns casos não provocar sintomas, a vontade frequente
de urinar, sede e fome excessivas e perda de peso aparente podem aparecer.

Diabetes tipo 2

É o tipo mais comum de diabetes, sendo causado por fatores genéticos


juntamente com maus hábitos de vida, como consumo exagerado de açúcar,
gordura, sedentarismo, sobrepeso ou obesidade, que provocam defeitos na
produção e na ação da insulina no corpo. Nesse caso, o pâncreas produz
quantidade insuficiente de insulina ou a secretada normalmente não
desempenha o papel adequadamente.
Geralmente é detectado em pessoas acima do 40 anos, pois é
desenvolvido ao longo do tempo e, nas fases iniciais não causa sintomas,
provocando danos ao corpo de forma silenciosa. Antes de se instalar,
certamente a pessoa já teve um período de glicose alta no sangue por vários
meses ou anos, ao que se denomina pré-diabetes. Nessa fase, ainda é
possível impedir o desenvolvimento da doença, com realização de atividades
físicas e controle da dieta.
O tratamento é feito com remédios e em alguns casos pode ser
necessário o uso diário da insulina.

Diabetes gestacional

Surge durante a gravidez e pode ser diagnosticado nos exames de


glicemia após 22 semanas de gestação. É causada por disfunção na produção
e ação da insulina no corpo.
Acontece em mulheres que já tem predisposição genética ou que tem
hábitos de vida não saudáveis, como alimentação com excesso de gorduras e
açúcares. Os sintomas são semelhantes aos da diabetes tipo 2 e seu
tratamento é feito com alimentação adequada e exercícios para o controle de
diabetes, já que esta, tende a desaparecer após o nascimento do bebê.

• Existe ainda o teste de glicemia capilar, que consiste em medir o valor


da glicose através de picada na polpa digital e colocar uma gota de
sangue em tiras impregnadas com reagente para serem analisados por
um equipamento portátil.
• E a glicemia pós prandial que é o teste de glicemia 2 horas após uma
refeição e é considerado normal os resultados abaixo de 140 mg/dL.

Uréia

Esse exame é usado para avaliar a função dos rins porque a ureia é
uma substância filtrada pelos rins.
Quando nosso organismo quebra as moléculas de proteínas que serão
direcionadas aos músculos, ele também produz algumas substâncias que não
são aproveitadas pelo corpo a exemplo da ureia e creatinina.
A ureia percorre a corrente sanguínea até os rins, onde será filtrada e
eliminada na urina.
Quando os rins não estão funcionando bem, a filtragem da ureia é
comprometida, fazendo com que boa parte da ureia produzida não será
excretada permanecendo no sangue.
A ureia apresenta-se aumentada quando existem problemas renais e
quando esse aumento vem em conjunto com a creatinina, devido a uma
insuficiência renal, que é uma doença que prejudica a função dos rins e surge
por pressão alta, diabetes, infecções ou desidratação.
A ureia pode se apresentar elevada, mesmo com o funcionamento
correto dos rins, como câncer, infecções, alterações do fígado ou excesso de
proteína na dieta.
Pode estar baixa e não indicar doenças ou situações preocupantes que
ocorre devido a falta de proteína na alimentação, desnutrição, gravidez baixa
absorção do intestino ou incapacidade do fígado de metabolizar a proteína,
como na insuficiência hepática.
Os valores de referência para essa dosagem é 16 a 40 mg/dL tanto para
homens como para mulheres.

Creatinina

Está presente no sangue e é produzida pelos músculos e eliminada


pelos rins, sendo possível identificar algum problema nesses órgãos, quando a
dosagem apresenta-se aumentada, significando que os rins não estão
conseguindo eliminar a referida substância e por isso está sendo acumulada no
sangue.

Metabolismo das proteínas no organismo

Valores de creatinina acima do normal no sangue, pode indicar uma


lesão nos vasos sanguíneos dos rins, uma infecção renal ou redução do fluxo
de sangue para os rins. Porém atletas e fisiculturistas podem ter creatinina
elevada devido a grande atividade muscular, e não devido a alguma lesão no
rim.
Os valores de creatinina baixa no sangue, são mais frequentes em
grávidas, em pacientes com doenças hepáticas e pessoas com distrofia
muscular (doença nos músculos).
Os valores de referência são de 0.6 a 1.3 mg/dL
Quando existe suspeita de problema renal, pode ser realizado o exame
de clearence de creatinina ou depuração de creatinina, que consiste na
comparação do valor da creatinina no sangue e na urina de 24 horas
armazenada em recipiente para esse fim, que é oferecido pelo laboratório.
Dessa forma, se o problema estiver nos rins, a quantidade de creatinina no
sangue deverá ser superior à quantidade na urina, visto que os rins não estão
eliminando a referida substância.

Se os rins não estão conseguindo eliminar a creatinina produzida


diariamente pelos músculos, eles provavelmente também estarão tendo
problemas para eliminar outras substâncias do nosso metabolismo, incluindo
toxinas. Portanto, um aumento de creatinina no sangue é um sinal de
insuficiência renal.
O fato de se urinar bons volumes e a ausência de dor nos rins não são
garantia de saúde dos mesmos, pois eles tornam-se incapazes de filtrar
toxinas, mas conseguem eliminar água sem maiores problemas.

Ácido úrico

O ácido úrico é um produto de degradação das proteínas no fígado, que


não causam nenhum tipo de problema de saúde, quando são normalmente
eliminados pelos rins. Quando existe algum problema renal e a pessoa ingere
muitas proteínas ou por algum distúrbio o corpo produz muito ácido úrico, este
se acumula nas articulações, tendões e rins, dando origem a Artrite Gotosa,
vulgarmente conhecida como “Gota”, que é um tipo de artrite bastante dolorida.
Os níveis elevados de ácido úrico, levam à formação de pequenos
cristais de urato de sódio, com formato semelhante a agulhas, que se
depositam principalmente nas articulações, especialmente nos membros
inferiores, como joelhos, tornozelos, calcanhares e dedos do pé, provocando
uma artrite aguda que configura a Gota, a qual possui um componente genético
e hereditário, onde nem toda pessoa com quadro de ácido úrico alto,
desenvolve a referida artrite. No inicio dos sintomas, surgem dores, inchaços,
vermelhidão e dificuldade em movimentar a articulação afetada devido ao
acúmulo de cristais que estão gravemente afetadas, gerando posteriormente
deformações.
Nos rins, pode haver a formação de cálculos renais, os quais causam
dor intensa no fundo das costas e dificuldade para urinar, em quadros mais
avançados insuficiência renal aguda ou crônica.
Os homens são mais propensos a desenvolver a Gota, por terem uma
musculatura mais desenvolvida, e consequentemente apresentam uma
composição corporal com maior proporção protéica, onde na renovação celular
desses tecidos, mais ácido úrico é formado.
Outros fatores como o aumento de peso, altos ingestão de proteínas
(carnes, peixes, miúdos, fruto do mar) e bebidas alcoólicas fermentadas,
também contribuem para o aumento de ácido úrico no sangue e crises de Gota.
Valores baixos são incomuns e está relacionado com doenças congênitas,
como a Doença de Wilson.
Para baixar o valor do ácido úrico, deve-se evitar o consumo de
alimentos ricos em proteínas, como carnes vermelhas, peixes, frutos do mar e
dar preferência a alimentos naturais ao invés dos industrializados.

Os valores de referência do ácido úrico são:

Homem ............................. 3.4 a 7.0 mg/dL


Mulher ............................. 2.4 a 6.0 mg/dL