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O problema inicial era como conectar um dispositivo de baixa tensão a um sistema de alta
tensão e ter a capacidade de lidar com elevadas correntes de falta (quilo-amperes). O que
podemos fazer para que o relé efetue a medição das correntes que circulam no sistema de
alta tensão, com o objetivo de detectar essas faltas?

A solução consiste em usar um tipo especial de transformador, denominado transformador


de corrente. As principais partes de um transformador de corrente são:
• Núcleo de ferro
• Enrolamento secundário
• Condutor primário
• Isolação externa

Alguns transformadores de corrente não têm um condutor primário. Nestes casos, o


primário é a própria linha ou barramento. Algumas vezes, o núcleo e seu enrolamento
secundário são instalados diretamente na bucha dos disjuntores ou transformadores. Esses
TCs são chamados de “TCs de bucha”.

Alguns transformadores de corrente podem ter um primário que consiste de algumas


espiras. Normalmente, o número de espiras primárias é igual 1.

A carga total conectada ao terminal do TC (g e h neste caso) é denominada “burden”.

Teoricamente, a corrente secundária de um TC é perfeitamente proporcional à corrente


primária. Posteriormente, será mostrado que, na realidade, algumas vezes isto não é
verdade.

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Um TC de alta tensão instalado em uma subestação ao ar livre.

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Estes são os símbolos mais comuns usados para representar os transformadores de
corrente. Existem algumas diferenças, porém o formato principal dos símbolos é
essencialmente similar ao que está aqui mostrado.

Observe que em todos os casos existem marcas de polaridade. As seguintes


convenções são usadas para marcar a referência das correntes AC:

• ANSI: Marcas de polaridade

• IEC: P1, P2, S1, S2

• VDE: K, L, k, l

A marca de polaridade ANSI consiste de um ponto, um pequeno círculo, um “x”, ou


um quadrado pequeno (como está mostrado no slide) desenhado em cada lado dos
lados primário e secundário do transformador. A convenção estabelece que a
corrente que está “entrando” (IN) na marca da polaridade de um enrolamento “sai”
(OUT ) da marca de polaridade do outro.

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These are the two of the most common connections of current transformers in three-
phase systems.

At the left, the “Y” connection provides the line currents at the secondary.

At the right, the “D” connection, provides the difference currents (delta currents) to
the secondary loads.

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A Relação do Transformador de Corrente, RTC, expressa com uma fração, é a
relação entre as magnitudes da corrente primária e secundária para condições ideais
de operação do transformador de corrente.

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Case (a) is a simple current transformer.

Case (b) is a CT with one core and three taps.

Forms (c) and (d) are equivalent and represent a CT with 3 cores, each with
CTR=200/5.

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Case (a) is a simple current transformer.

Case (b) is a CT with one core and three taps.

Forms (c) and (d) are equivalent and represent a CT with 3 cores, each with
CTR=200/5.

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The burden is the total load connected to the transformer. It can be expressed in
OHMS or in VA. In both cases it is important to know the CT secondary ampere
rating IN.
S  200VA,
For example, Bif:

IN  5A

200
Then:
ZB (  )  2
 8
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Os burdens padrão ANSI são especificados como impedâncias em Ohms com um
ângulo de 60 graus, isto é:

Zej60 = Z (0,5 + 0,8666j) Ohms

A padronização ANSI estabelece que um TC de uma determinada classe terá 10%,


ou menos, de erro, quando operar com 20 vezes a corrente nominal em um burden
padrão.

Como exemplo, um TC nominal C400 apresentará 10%, ou menos, de erro, com uma
corrente secundária de 100 amperes circulando em uma carga (burden) de 4 ohms.
Portanto, o TC deverá ser capaz de suportar uma tensão secundária de, pelo menos,
400 volts.

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For the ideal current transformer, the secondary current is a perfect replica of the
primary current except for a scale factor (the CT ratio). The Is vs. Ip / Ns curve looks
like a perfectly straight line at a 45 degree angle.

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Actually, the secondary current is not a perfect replica of the primary current. There
is a difference not only in magnitude and angle, but also in the wave shape of both
currents. The real Is vs. Ip / Ns curve does not appear as a perfectly straight line.
However, in a well-designed CT with the proper burden, the behavior is very close
to linear for a significant range of currents.

For large primary currents, the CT experiences what is called “saturation,” and the
difference between the ideal secondary current (or ratio current, or Ip / Ns ) and the
real secondary current becomes larger. This difference is called the error.

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Sometimes the hysteresis phenomena is ignored and the Curve B vs. H is
approximated as shown in this slide (this is an empirical formula). Note that the units
employed for the magnetic field are according to the relationship H = N I / L (Amp
– turn / meters).

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A saturação pode ser explicada pela natureza não-linear do núcleo de ferro.

Se uma certa tensão ac for aplicada ao secundário de um TC, o núcleo é magnetizado


e a densidade do fluxo B tem uma relação não-linear com a intensidade do campo
magnético H, de acordo com um princípio bastante conhecido do material
magnético: Loop de Hysteresis. O campo magnético H é aproximadamente
proporcional à corrente de excitação, e o fluxo magnético é proporcional à densidade
do fluxo magnético. Essas relações dependem não somente das propriedades do
material mas também das dimensões do núcleo (Seção Transversal A e
Comprimento Efetivo L).

O slide mostra a curva do fluxo vs. corrente de excitação, que é similar, e


diretamente relacionada, à curva B vs. H. A hysteresis é, algumas vezes, desprezada,
conforme mostrado na metade do lado direito do slide. A aproximação é válida para
alguns materiais. Em geral, a aproximação serve para simplificar a análise.

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A fórmula é derivada usando o seguinte procedimento:

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The equivalent circuit is used for any single phase transformer.

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O circuito equivalente geral é adaptado para o transformador de corrente conforme
indicado na figura. Observe a reatância não-linear usada para representar o
comportamento não-linear do núcleo de ferro. Observe também que essa reatância
vem da relação entre a tensão induzida VS e a corrente de excitação iE.

A figura mostra o equivalente para um transformador de corrente com Np = 1.

À medida que os limites do fluxo do TC são atingidos, a corrente de excitação


aumenta. À medida que a corrente de excitação aumenta, a saída da corrente
secundária diminui, resultando num erro maior. Conforme será mostrado mais tarde,
a corrente de saída do secundário pode ser reduzida a zero durante extrema
saturação.

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Esta é a curva de excitação no formato normalmente usado na prática. A curva
apresenta a magnitude da tensão induzida interna VS como uma função da corrente
de excitação IE.

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A tensão do knee point (ponto do joelho) ANSI é definida geometricamente na curva
de excitação. Quando representada nos eixos do gráfico log-log dividido
igualmente, ela é o ponto na curva de excitação onde a tangente está a 45° da
abscissa, para TCs com núcleo sem gap. A tensão do knee point não define o início
da saturação para o padrão ANSI.

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A tensão do knee point IEC é definida como o ponto de interseção de duas linhas no
gráfico log-log. Uma linha corresponde à parte linear da curva do TC, e a outra
corresponde à tensão de saturação. A tensão do knee point IEC está muito próxima
do início da saturação, e é considerada igual ao começo da saturação.

A tensão do knee point IEC está diretamente relacionada à Tensão Nominal C ANSI,
que será discutida, posteriormente, nos slides desta seção.

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Para um transformador de corrente multirrelação, os fabricantes fornecem todas as
curvas no mesmo gráfico.

No exemplo mostrado, para uma relação de 2000/5, o knee point ANSI é


aproximadamente 200 Volts, e a tensão de saturação total está próxima de 500 Volts.

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Quando o TC estiver operando em uma área não saturada, a corrente primária
senoidal produz uma corrente de excitação, tensão induzida e fluxo
aproximadamente senoidal. Essa corrente de excitação é muito pequena e a corrente
secundária é bastante similar à corrente refletida („ratio current”) ideal. Logo, o erro
é muito pequeno.

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Se a carga e a magnitude da corrente primária forem grandes o suficiente para saturar
o TC, nem o fluxo e nem a tensão induzida serão senoidais. A corrente de excitação
pode ter magnitudes elevadas e o erro resultante será grande. A corrente no
secundário está mostrada no próximo slide.

Conforme indicado na figura, a forma de onda do fluxo mostra que a taxa de


variação é quase zero quando o transformador está saturado. Entretanto, na região
“linear”, o fluxo pode apresentar uma taxa de variação muito elevada e, por
conseqüência, uma tensão induzida muito alta. Isto gera os picos de tensão
mostrados na figura.

É importante observar que, numa condição de extrema saturação (impedância de


carga infinita), os picos que aparecem na tensão induzida podem ser extremamente
grandes, mesmo para correntes primárias relativamente baixas. Esses picos
representam sobretensões prejudiciais que podem danificar a isolação do
enrolamento secundário. Isto demonstra por que os TCs nunca devem ser deixados
com o secundário aberto e o primário conectado.

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Quando um TC está saturado, a forma de onda da corrente secundária depende
enormemente do tipo da carga conectada. A figura mostra dois exemplos.

No caso de uma carga resistiva, como pode ser visto no primeiro diagrama, a forma
de onda da corrente secundária tem aparência de uma barbatana de tubarão (“shark
fin”).

A forma de onda do segundo diagrama é uma representação da corrente secundária


distorcida para uma impedância com resistência e reatância de magnitude similar.

Em ambos os casos, o valor rms da corrente secundária é consideravelmente


diferente do que o da ideal. Ambos os erros da magnitude e do ângulo podem ser
inaceitáveis para as aplicações de relés de proteção.

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Existem vários métodos para determinar as características que um TC deve possuir
para evitar a saturação durante condições de falta.

As entidades responsáveis pela definição de normas estabeleceram um conjunto de


regras que fornecem aos usuários as informações necessárias sobre os TCs, de forma
que eles possam ser especificados claramente para atingir a performance adequada.

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As designações das letras ANSI são C e T. A especificação mais comum é C. O
fluxo de dispersão para esta classe de TCs é desprezível e, portanto, a performance
pode ser determinada diretamente a partir das características de excitação.

O TC com especificação nominal K é o mesmo que o TC com especificação nominal


C, exceto que a tensão do knee point especificada é, pelo menos, 70% da tensão
nominal secundária nos terminais.

Os TCs nominais com as letras T têm um fluxo de dispersão considerável, o que


requer que o erro da relação seja determinado por teste.

Os TCs T são os TCs menos usados nos Estados Unidos.

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Se o fluxo de dispersão for desprezível, o circuito equivalente do TC pode ser
reduzido ao que está mostrado na figura.

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A tensão nominal no terminal secundário é a tensão mínima no secundário do TC que o
TC vai fornecer quando estiver conectado a um burden padrão, com 20 vezes a corrente
nominal circulando e com erro da relação limitado a 10%.

A tensão nominal somente se aplica ao enrolamento total. A tensão nominal do tap do


TC é diretamente proporcional ao tap que está sendo usado e à capacidade do
enrolamento total. Como exemplo, se um TC C400 de 1200/5 estiver operando no tap
600/5, a tensão nominal para 600/5 é 200 volts. Isto é verdadeiro somente se os
enrolamentos estiverem completamente distribuídos ao redor do núcleo.

Os valores nominais de tensão conforme padrão ANSI são: 100, 200, 400 e 800. Para
TCs de 5 amperes, isto resulta nos burdens padrão de 1, 2, 4 e 8 ohms. O burden
padrão é normalmente considerado puramente resistivo quando usado nos cálculos. O
burden padrão real tem um fator de potência de 0,5 (i.e., ângulo da característica de
60°).

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Podemos expressar esta equação em termos dos valores padronizados definidos na
norma C57.13.

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A curva de excitação pode ser usada em combinação com as tensões nos terminais
padrão Classe C para especificar um TC.

Vamos voltar à curva do exemplo mostrada anteriormente.

No exemplo mostrado, para uma relação 2000/5, a tensão de saturação plena está
próxima de 500 Volts, e o TC tem uma resistência do secundário de 0,7 Ohm.

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O cálculo rápido aproximado não considera o burden do TC.

Para calcular a tensão disponível, subtraia a queda da tensão interna da tensão de


excitação no secundário obtida do gráfico. A tensão de excitação é lida no ponto do
erro igual a 10%; isto é, onde a corrente de excitação é 10 amps.

A resistência do enrolamento do TC é obtida dos dados do fabricante.

A queda da tensão interna é igual a corrente (100 amps) vezes a resistência do


enrolamento (0,7 ohm).

O valor nominal C é a tensão nominal logo abaixo da VB calculada (Tensão no


Burden). Este TC teria uma classificação nominal C400.

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This is a simple equation which serves to determine the standard terminal voltage of
a CT for a given fault current.

The equation is only valid for symmetrical fault current. If the fault current contains
a DC offset, then the decay rate of the offset must be factored in.

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We start with the expression of the instantaneous fault current for a simple R-L
circuit. Note that there is a sinusoidal part and an exponentially decaying DC offset.

The condition for maximum asymmetry is happens when  –  = 90.

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These equations show that the area under the voltage waveform is proportional to the core
flux.

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Se não houver saturação, a corrente secundária será uma réplica perfeita da corrente
primária.

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O gráfico mostra o erro enorme que é causado quando um TC satura. Conforme
pode ser observado, o TC satura após aproximadamente ¼ de ciclo. Assim que a
forma de onda se torna negativa, o TC sai da condição de saturação e começa a
acompanhar a corrente refletida (“ratio current”) até o próximo meio ciclo positivo,
quando ele satura novamente.

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O erro se propaga além dos filtros do relé e também além das rotinas de estimação
fasorial.

Muitos relés modernos operam com a componente fundamental da corrente medida.


O gráfico superior mostra a magnitude de corrente ideal de um TC não saturado;
versus a corrente do TC saturado.

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The volt-time area is limited by the saturation flux density as shown on the next slide.

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The equation shown in the slide is derived with the following procedure. First, start with
the volt-time integral for the case of resistive burden and asymmetric fault current:

R
t t  t
  N   BAN    vdt    I F  Z B (cos  t  e L
)dt 
0 0

1 L  RL t L  I F  Z B   L  L  t  L 
R


 I F  Z B  sin  t  e     sin  t  e  
 R R   R R 
IF  ZB  X  XR  t X 
  sin  t  e   
  R R
 X  XR  t X 

BAN   I F  Z B   sin  t   e  
 R R
It can be shown that the maximum magnitude of the
function given above is
BAN max  I F  Z B 1  X 
 R
But
BAN max  VS max
 X
VS max  I F  Z B 1  
 R

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The limit of the integral term gives us the relationship of the CT voltage, the
maximum fault current, the X/R ratio, and the burden.

The CT voltage is stated in terms of the saturation flux density. Consequently, we


have saturation criterion.

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We can also state Equation in terms of the Standard Ratings values defined in
C57.13.

• CT Nominal Current: IN = 5 amps

• Standard Burden: ZSTD = 1, 2, 4, or 8 W (at 60°)

• CT Standard Voltage Rating: VSTD = 20 IN ZSTD

The equation below also expresses the criterion to avoid saturation:


 X
20  1    I f Z b
 R

Where:

• If = Max Fault in per-unit of CT rating

• Zb = Burden in per-unit of standard burden

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Equation (6) is the criterion to avoid saturation where If is the maximum fault current in
per unit of the CT rating and ZB is the burden in per unit of the standard burden.

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This slide answers the question, “How well are CTs rated for line protection?” with an
example of a utility 138 kV line.

The slide shows the CT data and the calculation of the per unit fault current If and the
X/R ratio.

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The example shows how the criterion equation is used to determine the maximum burden
that avoids saturation.

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This slide shows the burden budget for the installation. Subtracting the internal resistance
of the winding and the total lead resistance allows a maximum relay burden of 1.073
ohms. The CTs are adequately rated since burden of the microprocessor relay and the
fault detector are far less than the allowable burden.

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The previous example suggests the above procedure for determining the CT ratings for
line protection applications.

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This table lists maximum currents that can avoid saturation versus X/R ratio, CT ratio,
and CT rating. Note how an increase in X/R ratio limits the maximum current. The table
serves to show CT performance at a glance.

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X/R = 12

IF = 3,07 pu = 6.154 amps

ZB = 0,5 pu

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X/R = 12

IF = 7,69 pu = 15.385 amps

ZB = 0,5 pu

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As condições necessárias para evitar a saturação do TC são encontradas nesta
simulação. Foi incluído um fluxo remanescente de 50%. No exemplo, o TC mostra
sinais de saturação depois de aproximadamente 1,3 ciclo.

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As fórmulas derivadas nos slides anteriores foram obtidas desprezando a hysteresis
do núcleo de ferro.

Modelar o fenômeno como um todo e determinar o valor preciso da corrente


secundária é uma tarefa interessante que está fora do escopo deste curso.

Uma outra razão para considerar a forma de onda de um offset pleno, ao especificar
um TC, é que qualquer fluxo residual existente no núcleo devido a condições
anteriores de falta pode provocar a saturação do TC, em breve, para uma nova
condição de falta.

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A fórmula é baseada nas normas ANSI e inclui o efeito da taxa de queda. Ela
também considera o offset total. Embora a norma ANSI estabeleça que haverá 10%,
ou menos, de erro para 20 vezes a corrente nominal, ela não considera nenhum fluxo
remanescente. Entretanto, a fórmula considera uma margem para o fluxo
remanescente.

Como exemplo, usando uma relação X/R de 12 com uma corrente de falta e burden
que fazem com que o cálculo seja igual a 20, o TC vai saturar depois de
aproximadamente 1,5 ciclo com offset total e fluxo remanescente de 50% .

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Problema:

A máxima corrente de falta externa para a linha mostrada acima é de 12 kA para uma
falta fase-terra com X/R de 11. A relação de transformação de corrente é 2000:5. A
resistência do cabo do TC do percurso só de ida é de 0,5 .

Considere que você possa usar dois tipos de relés, um com impedância de 1 ohm e o
outro com uma impedância de 0,1 ohm. Considere que os cabos e o relé sejam
puramente resistivos.

Se você estivesse especificando o valor nominal do TC, o que você iria selecionar
para cada relé visando evitar a saturação do TC?

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