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MORDOMIA CRISTÃ

Introdução:
“Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus
os abençoou, e lhes disse: Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem
sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra” (Gn
1.27,28). Não devemos pensar em mordomia total a partir das necessidades do cristão, nem das
necessidades da igreja, muito menos das necessidades do mundo, mas sim, do caráter de Deus impresso
no ser humano quando criado. Deus criou o ser humano para um propósito definido: “dominar” sobre
toda a criação, ou seja, servir de elo entre o Criador e toda a criação; administrar o mundo material de
Deus. Para cumprir fielmente a missão, e sentir-se realizado e feliz, é indispensável que o ser humano
reconheça o amor de Deus e a Ele se submeta com humildade, amor e responsabilidade. O ser humano
foi criado livre, para corresponder ao amor de Deus com responsabilidade. Só um ser livre pode amar.
Só um ser livre pode ser responsável. O homem que ama a Deus e sabe que Deus o ama, está apto para
ser um fiel mordomo da criação divina.

A igreja e o ensino da mordomia


É dever da igreja de Cristo doutrinar e incentivar os crentes para que sejam praticantes fiéis da
mordomia total.
É um imenso e importante desafio que ela tem, pois, a finalidade é ajudar aos seus membros a
entenderem e reconhecerem quem é Deus e quem é o homem. Para tanto, o uso da Bíblia é de vital
importância, porquanto seus ensinos nos mostram que:
Deus tem a Soberania – “Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro; além de mim não há Deus” – (Is
45.5); “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem; pois foi ele quem
fundou-a sobre os mares e firmou-a sobre as águas” (Sl 24.1,2); “... pois todos os animais da floresta são
meus, como são as cabeças de gado aos milhares nas colinas. Conheço todas as aves dos montes, e
cuido das criaturas do campo. Se eu tivesse fome, precisaria dizer a você? Pois o mundo é meu, e tudo o
que nele existe” (Sl 50.10- 12); “Tanto a prata quanto o ouro me pertencem, declara o Senhor dos
Exércitos” (Ag 2.8).
Deus tem a Supremacia – “Eu sou o Senhor; esse é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a
imagens o meu louvor” (Is 42.8); “... e disse: Louvado seja o nome de Deus para todo o sempre; a
sabedoria e o poder a ele pertencem. Ele muda as épocas e as estações; destrona reis e os estabelece.
Dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos que sabem discernir. Revela coisas profundas e ocultas;
conhece o que jaz nas trevas, e a luz habita com ele” (Dn 2.20-22).
Deus tem a Primazia – “Assim diz o Senhor, o rei de Israel, o seu redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu
sou o primeiro e eu sou o último; além de mim não há Deus” (Is 44.6); “Não terás outros deuses além de
mim” (Êx 20.3); “Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos,
para que em tudo tenha a supremacia” (Cl 1.18).
O crente e as experiências da mordomia
Feliz é o crente que participa de uma igreja onde se ensina e se pratica a mordomia total.
Certamente, as suas experiências serão incontáveis. No entanto, aqui, queremos enumerar apenas sete.
1) Alegria crescente – Ele terá alegria crescente em participar do Reino de Deus. Não será apenas
um mero espectador na igreja, mas sentirá que é parte da mensagem que anuncia. “Não se
embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito, falando
entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor” (Ef
5.18,19).

2) Entenderá que é amado por Deus – Ele entenderá que Deus o ama, e por isso procurará
descobrir e pôr em prática a vontade de Deus em todos os aspectos da sua vida. Aprofundará o
seu amor a Cristo e se submeterá ao controle do Espírito Santo. Por sentir-se amado pelo Pai,
esse crente procurará espontaneamente reproduzir, em seu caráter, as virtudes do Caráter de
Deus. “Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados, e vivam em amor, como
também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a
Deus” (Ef 5.1,2).

3) A Bíblia será para ele a Palavra do Deus Vivo – Mesmo diante de tantas opções de leituras
sobre o assunto, a Bíblia será lida, amada, estudada e posta em prática. Para ele, não será um
livro do passado, mas um livro com uma mensagem atual, viva e eficaz. “Ninguém os engane
com palavras tolas...” (Ef 5.6).

4) Formação e desenvolvimento familiar – “Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como ao


Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o
seu corpo, do qual ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as
mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos. Maridos, amem suas mulheres, assim como
Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo
lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha
nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável... Além do mais, ninguém jamais odiou o
seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois
somos membros do seu corpo. Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si
mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito. Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor,
pois isso é justo. Honra teu pai e tua mãe, este é o primeiro mandamento com promessa: para
que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra. Pais, não irritem seus filhos; antes
criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor” (Ef 5.22-27; 29,30,33; 6.4). Esse crente
formará o seu lar e desenvolverá a sua vida familiar, sobre o sólido fundamento da prática da
vontade de Deus. Sua família terá estrutura moral para resistir às pressões do mundo, às
tentações e provações. Seus filhos não apenas ouvirão seus ensinos e exortações sobre a
salvação e princípios éticos, mas seguirão os seus exemplos de dedicação, submissão e fidelidade
ao Senhor

5) Reconhecerá a santidade de Deus – “Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos
imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ações de graças” (Ef 5.4). Ele desenvolverá
seus talentos e habilidades dentro de uma profissão escolhida de acordo com a santidade de
Deus, através da qual possa cultuar ao seu Deus, dar testemunho da Graça de Deus e glorificá-lo,
e não apenas obter recursos para a sua subsistência. Ele terá alegria em ser útil, em ser um canal
de bênçãos para os outros.
6) Prosperidade – “... e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não participem das
obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz” (Ef 5.8,15,16). Ele vai aprender a
administrar corretamente os seus bens, os seus dons e o seu tempo. Sua prosperidade não será
apenas espiritual, mas também familiar e material, para a glória de Deus.

7) Contribuirá para a expansão do Reino de Deus– “Porque outrora vocês eram trevas, mas agora
são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz... Tenham cuidado com a maneira como vocês
vivem; que não seja como insensato, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada
oportunidade, porque os dias são maus” (Ef 5.8,15,16). Ele será um agente consciente e
dinâmico, uma testemunha eloquente na evangelização e na participação da igreja em missões e
beneficência. Ele terá prazer em empregar recursos para a expansão e sustento do Reino de
Deus.

Conclusão:
O propósito de Deus é que o crente exerça e desenvolva a sua mordomia na igreja, como parte
dela; com a igreja, em sintonia com ela; por intermédio da igreja, tendo-a como canal idôneo; e pela
igreja, fortalecendo-a. O exercício da mordomia total não é um ato isolado, que tem a ver apenas com o
indivíduo, como não o era a adoração para o povo da Antiga Aliança, porém, um pacto solidário com os
outros cristãos, reunidos na mesma comunidade pelo amor e graça do Pai, como contemplamos no
belíssimo quadro da igreja primitiva.

Para refletir:
• Tenho sido praticante fiel da mordomia total?
• Como tem sido a minha experiência como mordomo?
• Como tem sido a minha participação junto à igreja em que sou membro?
• Tenho incentivado a minha família a administrar bem o que Deus nos tem confiado?

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