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Aula 17- Português para Enem e vestibulares – Cecília Meireles

1. Introdução: a poesia da Cecília Meireles é profunda e bem íntima.


Lua adversa
Tenho fases, como a lua Fases que vão e que vêm, (tenho fases, como a lua…)
Fases de andar escondida, no secreto calendário No dia de alguém ser meu
fases de vir para a rua… que um astrólogo arbitrário não é dia de eu ser sua…
Perdição da minha vida! inventou para meu uso. E, quando chega esse dia,
Perdição da vida minha! E roda a melancolia o outro desapareceu…
Tenho fases de ser tua, seu interminável fuso! Cecília Meireles
tenho outras de ser sozinha. Não me encontro com ninguém
2. Quem foi Cecília Meireles?
3. Poesia intimista
4. Obras
Além de poemas voltados para o público adulto, Cecília Meireles também escreveu diversos poemas para crianças,
mostrando sua sensibilidade e versatilidade como artista.
A bailarina
Esta menina Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
tão pequenina e não fica tonta nem sai do lugar.
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré Põe no cabelo uma estrela e um véu
mas sabe ficar na ponta do pé. e diz que caiu do céu.

Não conhece nem mi nem fá Esta menina


Mas inclina o corpo para cá e para lá tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri. Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
Conclusão: Cecília Meireles é um exemplo de representatividade feminina na poesia brasileira. Sua sensibilidade pode
ser sentida por diversos públicos, desde crianças até adultos. Sua obra poética é um grande exemplo de como as questões
pessoais do ser humano podem ser traduzidas de forma transcendental pela poesia.
Questões
D) Renovando o significado das palavras, o tempo
Ai, palavras, ai, palavras permite às gerações perpetuar seus valores e suas
que estranha potência a vossa! crenças.
Todo o sentido da vida E) Como produto da criatividade humana, a linguagem
principia a vossa porta: tem seu alcance limitado pelas intenções e gestos.
o mel do amor cristaliza Cântico VI
seu perfume em vossa rosa; Tu tens um medo de
sois o sonho e sois a audácia, Acabar.
calúnia, fúria, derrota… Não vês que acabas todo o dia.
A liberdade das almas, Que morres no amor.
ai! Com letras se elabora… Na tristeza.
E dos venenos humanos Na dúvida.
sois a mais fina retorta: No desejo.
frágil, frágil, como o vidro Que te renovas todo dia.
e mais que o aço poderosa! No amor.
Reis, impérios, povos, tempos, Na tristeza.
pelo vosso impulso rodam… Na dúvida.
MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985. No desejo.
1. ENEM - O fragmento destacado foi transcrito Que és sempre outro.
do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Que és sempre o mesmo.
Centralizada no episódio histórico da Inconfidência Que morrerás por idades imensas
Mineira, a obra, no entanto, elabora uma reflexão mais Até não teres medo de morrer.
ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a E então serás eterno.
linguagem: MEIRELES, C. Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 1963.
A) A força e a resistência humanas superam os danos 2. ENEM - A poesia de Cecília Meireles revela
provocados pelo poder corrosivo das palavras. concepções sobre o homem em seu aspecto existencial.
B) As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm Em Cântico VI, o eu lírico exorta seu interlocutor a
seu equilíbrio vinculado ao significado das palavras. perceber, como inerente à condição humana,
C) O significado dos nomes não expressa de forma justa A) a sublimação espiritual graças ao poder de se
e completa a grandeza da luta do homem pela vida. emocionar.
B) o desalento irremediável em face do cotidiano 4. (UFSCAR) Podemos dizer que, nesse trecho de um
repetitivo. poema de Cecília Meireles, encontramos traços de seu
C) o questionamento cético sobre o rumo das atitudes estilo
humanas. a) sempre marcado pelo momento histórico.
D) a vontade inconsciente de perpetuar-se em estado b) ligado ao vanguardismo da geração de 22.
adolescente. c) inspirado em temas genuinamente brasileiros.
E) um receio ancestral de confrontar a imprevisibilidade d) vinculado à estética simbolista.
das coisas. e) de caráter épico, com inspiração camoniana.
Ó meio-dia confuso, RETRATO
ó vinte-e-um de abril sinistro, Eu não tinha este rosto de hoje,
que intrigas de ouro e de sonho Assim calmo, assim triste, assim magro,
houve em tua formação? Nem estes olhos tão vazios,
Quem ordena, julga e pune? Nem o lábio amargo
Quem é culpado e inocente? [5] Eu não tinha estas mãos sem força,
Na mesma cova do tempo Tão paradas e frias e mortas;
cai o castigo e o perdão. Eu não tinha este coração
Morre a tinta das sentenças Que nem se mostra.
e o sangue dos enforcados... Eu não dei por esta mudança,
— liras, espadas e cruzes [10] Tão simples, tão certa, tão fácil:
pura cinza agora são. – em que espelho ficou perdida
Na mesma cova, as palavras, a minha face? (MEIRELES, Cecília. Obra Poética de Cecília
o secreto pensamento, Meireles. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958.)
as coroas e os machados, 5. AFA 2017 - Sobre os versos acima, é correto afirmar
mentira e verdade estão. que
[...] (MEIRELES, C. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: a) o poema traz referência à perda de todos os sentidos
Aguilar, 1972. humanos, ocasionada pelo envelhecimento.
3. ENEM - O poema de Cecília Meireles tem como b) a visão do eu lírico oscila entre o pessimismo e o
ponto de partida um fato da história nacional, a otimismo ante a efemeridade do tempo.
Inconfidência Mineira. Nesse poema, a relação entre c) o tom melancólico se desfaz no décimo verso, quando
texto literário e contexto histórico indica que a produção o eu lírico constata a inevitabilidade da transformação
literária é sempre uma recriação da realidade, mesmo física.
quando faz referência a um fato histórico determinado. d) o eu lírico sente-se perplexo diante da consciência
No poema de Cecília Meireles, a recriação se concretiza tardia das mudanças trazidas pela passagem do tempo.
por meio "Assovio
a) do questionamento da ocorrência do próprio fato, que, Ninguém abra a sua porta
recriado, passa a existir como forma poética para ver que aconteceu:
desassociada da história nacional. saímos de braço dado,
b) da descrição idealizada e fantasiosa do fato histórico, a noite escura mais eu.
transformado em batalha épica que exalta a força dos Ela não sabe o meu rumo,
ideais dos Inconfidentes. eu não lhe pergunto o seu:
c) da recusa da autora de inserir nos versos o desfecho não posso perder mais nada,
histórico do movimento da Inconfidência: a derrota, a se o que houve já se perdeu.
prisão e a morte dos Inconfidentes. Vou pelo braço da noite,
d) do distanciamento entre o tempo da escrita e o da levando tudo que é meu:
Inconfidência, que, questionada poeticamente, alcança – a dor que os homens me deram,
sua dimensão histórica mais profunda. e a canção que Deus me deu."
e) do caráter trágico, que, mesmo sem corresponder à (Cecília Meireles - Viagem)
realidade, foi atribuído ao fato histórico pela autora, a 6. (UFES) Cecília Meireles, no poema transcrito, vale-
fim de exaltar o heroísmo dos Inconfidentes. se dos seguintes recursos estilísticos:
Reinvenção a) humanização/ intimismo/ redondilha maior.
A vida só é possível b) sinestesia/ subjetivismo/ soneto.
reinventada. c) anáfora/ fugacidade/ redondilha menor.
Anda o sol pelas campinas d) metonímia/ transcendência/ ode.
e passeia a mão dourada e) metáfora/ desengano/ epigrama.
pelas águas, pelas folhas ... "Pareceis de tênue seda,
Ah! tudo bolhas sem peso de ação nem de hora...
que vêm de fundas piscinas – e estais no bico das penas,
de ilusionismo ... - mais nada. – e estais na tinta que as molha,
– e estais nas mãos dos juizes,
Mas a vida, a vida , a vida – e sois o ferro que arrocha,
a vida só é possível – e sois o barco para o exílio,
reinventada. […] – e sois Moçambique e Angola!"
Cecília Meireles ("Romance III ou das Palavras Aéreas")
7. (UFES) Cecília Meireles, nesse trecho de uma Sei que canto. E a canção é tudo.
composição inserida no "Romanceiro da Inconfidência, Tem sangue eterno a asa ritmada.
dirige-se às palavras através de: E um dia sei que estarei mudo:
a) processo anafórico/ catacrese/ versos isométricos. — mais nada.
b) processo metafórico/ antonomásia/ versos Cecília Meireles , Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova
Fronteira, 2001.
heterométricos.
c) processo anafórico/ metonímia/ versos isométricos. 9. UFT - As funções da linguagem que predominam no
d) processo metafórico/ alegoria/ versos heterométricos. poema são:
e) processo anafórico/ símbolo/ versos isométricos. A) expressiva e fática
Epigrama nº 11 B) conativa e metalinguística
A ventania misteriosa C) expressiva e poética
passou na árvore cor de rosa D) metalinguística e poética
e sacudiu-a como um véu, Canção
um largo véu, na sua mão. Pus o meu sonho num navio
Foram-se os pássaros para o céu. e o navio em cima do mar;
Mas as flores ficaram no chão. - depois, abri o mar com as mãos,
CECíLIA MEIRELES . In Viagem, 1939 para o meu sonho naufragar
8. Esse poema Minhas mãos ainda estão molhadas
I - mostra uma certa herança romântica, tanto pelo teor do azul das ondas entreabertas,
sentimental do texto como pela referência à natureza. e a cor que escorre de meus dedos
II - mostra uma certa herança simbolista, pois não é um colore as areias desertas.
poema centrado no "eu", nem apresenta excesso O vento vem vindo de longe,
emocional. a noite se curva de frio;
III - expõe de forma metafórica uma reflexão sobre debaixo da água vai morrendo
algumas experiências difíceis da vida humana. meu sonho, dentro de um navio...
IV - é um poema bastante melancólico por registrar de Chorarei quanto for preciso,
forma triste o sofrimento decorrente da perda de um para fazer com que o mar cresça,
ente querido. e o meu navio chegue ao fundo
Estão corretas as afirmações e o meu sonho desapareça.
a) I e III. Depois, tudo estará perfeito;
b) I, III e IV. praia lisa, águas ordenadas,
c) II e III. meus olhos secos como pedras
d) II, III e IV. e as minhas duas mãos quebradas.
(Cecília Meireles)
e) II e IV.
Motivo A partir da leitura do poema “Canção”, de Cecília
Eu canto porque o instante existe Meireles, podemos notar a presença dos seguintes
e a minha vida está completa. elementos nos versos da poeta:
Não sou alegre nem sou triste: a) inclinação para a estética neossimbolista perceptível
sou poeta. através da utilização de elementos como mar, sonho,
ondas, areias, águas, conferindo ao poema um caráter
Irmão das coisas fugidias, fluido e etéreo.
não sinto gozo nem tormento. b) Presença do monólogo interior, digressão e
Atravesso noites e dias fragmentação dos versos que contribuem para a temática
no vento. da existência.
c) Preocupação com a reflexão filosófica, com os
Se desmorono ou se edifico, modelos clássicos, além de uma temática notadamente
se permaneço ou me desfaço, pessimista.
— não sei, não sei. Não sei se fico d) Proximidade com o mundo material, temas
ou passo. relacionados com o cotidiano, sobretudo com as
questões sociais.