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Sistema de ancoragem para manutenção das fachadas

das edificações

As fachadas fazem parte do sistema de vedações verticais de uma


edificação e devem ser tratadas de forma bastante rigorosa pelo síndico,
devido ao grande impacto que elas trazem na vida dos usuários no
desempenho da edificação.

A falta de um plano de manutenção, intervenções e inspeções


planejadas podem trazer riscos à segurança dos usuários, desvalorização do
imóvel, gastos excessivos com reparos e, eventualmente, indenizações a
danos por desplacamentos e infiltrações nos ambientes internos. Por isso, é
muito importante que o síndico, ou responsável pela gestão de manutenção,
fique atento às recomendações e exigências descritas no artigo Manutenção e
Reparo de Revestimentos de Fachada.

Um dos itens que passam, muitas vezes, desapercebidos nesse


processo de manutenção de fachadas é como realizar o acesso seguro nesses
locais. O pensamento comum dos síndico e gestores de condomínios é o de
transferir a responsabilidade ao prestador de serviço, porém, se a edificação
não traz condições seguras de acesso, essa responsabilidade continua sendo
do representante legal da edificação, tratando-se de um risco civil e criminal.

Sistemas de Acesso

A legislação que aborda sobre o assunto são as NR 18 (Condições e


Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção), NR 35 (Trabalho em
altura) e a ABNT NBR 16489 (Sistemas e equipamentos de proteção individual
para trabalhos em altura).

Toda atividade executada acima de 2m (metros) de altura em relação ao


nível inferior deve possuir um sistema de acesso seguro (NR 35, item 35.1.2),
com uso de escadas, plataformas, andaimes, acesso por corda, sistema de
ancoragem etc.

Tratando-se especificamente das fachadas, de maneira resumida


podemos dividir os sistemas de acesso mais comuns da seguinte forma:

- Andaime simples (apoiado ou móvel);

- Andaime fachadeiro;

- Andaime em balanço;

- Andaime suspenso (manual ou motorizado);

- Plataforma de trabalho com sistema de movimentação vertical em


pinhão;

- Cremalheira;

- Plataforma hidráulica;

- Plataforma de trabalho aéreo;

- Cadeira suspensa.

O gestor do condomínio deve saber que toda edificação com altura


superior a 12m ou 4 pavimentos deve possuir sistemas de ancoragem para
acesso em fachada. Esse acesso deve ser preferencialmente realizado por
andaime suspenso. Apenas em casos que não é possível a utilização de
andaime suspenso pode-se recorrer ao uso de cadeira suspensa. Em
edificações abaixo dessa altura (12m ou 4 pavimentos), podem ser utilizados
andaimes fachadeiros, porém se deve atentar para as interferências e relevo
no perímetro da edificação, que podem inviabilizar seu uso.

Andaimes com contrapeso

Caso a edificação não possua sistema de ancoragem para fixação de


andaimes ou cadeiras suspensas, pode-se recorrer para andaimes com
contrapeso, devendo atender os seguintes requisitos:
a) Ser invariável quanto à forma e peso especificados no projeto;

b) Ser fixado à estrutura de sustentação dos andaimes;

c) Ser de concreto, aço ou outro sólido não granulado, com seu peso
conhecido e marcado de forma indelével em cada peça;

d) Ter contraventamentos que impeçam seu deslocamento horizontal.

A figura 1 abaixo é um exemplo de ancoragem com contrapeso apoiado


em platibanda para acesso com cadeira suspensa.

Fig. 1: Exemplo de ponto de ancoragem para cadeira suspensa com uso


de contrapeso

Caso se utilize sistema exclusivamente apoiado em platibanda


(conforme figura 2 abaixo), esta deve ter resistência estrutural a esforços de
torção, previstas em projeto. Caso não tenha essa informação, esse sistema
não deve ser utilizado.

Fig. 2: Exemplo de fixação em platibanda. Fonte: CBIC, 2013


Nota: Sempre é recomendável que haja projeto específico para acesso
em fachadas, feito por profissional habilitado e capacitado.

Sistema de ancoragem

Os sistemas de ancoragem devem ser previstos, não só para acesso em


fachadas, mas também para as seguintes finalidades:

a) Retenção de queda;

b) Restrição de movimentação;

c) Posicionamento no trabalho;

d) Acesso por corda.

Portanto, todo trabalho em altura (acima de 2m) que não possuir sistema
de guarda-corpo, deve possuir sistema de ancoragem para fixação de linha de
vida, ou talabarte, conforme figura 3 (abaixo).

Fig. 3: Exemplo de uso de ancoragem para acesso em altura. Fonte: ABNT


NBR 16489

Os pontos de ancoragem (Figura 4, abaixo) devem atender os seguintes


requisitos:

- Identificação do fabricante;
- Número de lote, de série ou outro meio de rastreabilidade;

- Número máximo de trabalhadores conectados simultaneamente ou


força máxima aplicável.

Fig. 4: Ponto de ancoragem em aço inox, com identificação de rastreabilidade

Caso haja pontos de ancoragem já instalados e que não possuem a


marcação, devem ter sua marcação reconstituída pelo fabricante ou
responsável técnico. Na impossibilidade de recuperação das informações, os
pontos de ancoragem devem ser submetidos a ensaios, sob responsabilidade
de profissional legalmente habilitado, e marcados com a identificação do
número máximo de trabalhadores conectados simultaneamente ou da força
máxima aplicável e identificação que permita a rastreabilidade do ensaio.

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