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Fubá – Educação Ambiental e Criatividade

Outubro – 2015
PORQUE DIÁLOGO

Nós vivemos em uma sociedade cada vez mais dialógica. Em nossas relações
cotidianas percebemos que os filhos e filhas não aceitam mais a autoridade das
mães e dos pais sem argumentar. As professoras e professores não têm mais poder
sobre o comportamento das/os estudantes. E mesmo as eleições em vários países
do mundo são cada vez mais democráticas. Quando as relações não são dialógicas,
vemos reinvindicações para que sejam.

Tem gente que reclama bastante disso. Diz que o mundo está desvirtuado, que
antigamente existia mais respeito... Mas vamos refletir com muita sinceridade: o
respeito que existia antes era baseado na força, na coerção, ou seja, no poder.
Mas hoje a gente pode construir as relações familiares com respeito às
individualidades de cada pessoa e a aprendizagem com uma base no diálogo e na
democracia. Então, nós defendemos que precisamos aproveitar essa oportunidade!

De uma forma bem simples e direta, dialogar é aprender com quem pensa
diferente. É elaborar argumentos para defender seu ponto de vista e ouvir e
considerar os argumentos das outras pessoas. Abrir-se ao diálogo tem a ver
também com não considerar as posições de poder que as pessoas ocupam para
validar seus argumentos. E isso inclui também não usar a posição de poder que você
ocupa para validar a sua ideia. Dialogar é explicitar o que você pensa de forma
sincera, respeitosa e amorosa.

É bom destacar que o diálogo tem mais a ver com escutar do que com falar, por
mais estranho que pareça. Quando focamos verdadeiramente no argumento das
outras pessoas somos capazes de refletir e reelaborar as nossas próprias ideias.

Mas isso também não quer dizer que não devemos nos posicionar. Cada pessoa no
mundo tem uma contribuição única e quando você deixa de expressar sua visão
sobre determinado tema para determinado grupo de pessoas você está privando
esse grupo da sua contribuição. E é claro que essa responsabilidade aumenta
quando estamos em um papel de mediador/a, de educador/a, ou professor/a.

Então, fazer uma educação dialógica não é aceitar qualquer coisa e nem deixar de
apresentar o conteúdo. A educação dialógica não dispensa o trabalho com os
conteúdos instrumentais, mas faz este trabalho da forma mais democrática,
respeitosa e amorosa possível.

E talvez você esteja se perguntando: mas afinal, como fazer isso na prática? É o
que vamos trabalhar nesse curso! Nossa ideia é fornecer aspectos teóricos e
ferramentas para que as/os educadoras/es possam repensar a sua mediação e
torna-la cada vez mais dialógica.

Este é um curso em construção e contamos com a sua colaboração para torna-lo


mais efetivo. Por enquanto, os tópicos que pretendemos abordar são:

- PERGUNTAS DE VERDADE

- COMPARTILHAR HISTÓRIAS E EXPERIÊNCIAS

- O PODER DA LINGUAGEM: DEFESA DA LINGUAGEM NÃO SEXISTA E


NÃO IMPOSITIVA

- APRENDENDO COM A DIVERSIDADE

Se você tiver alguma sugestão de tema ou alguma questão que gostaria que fosse
abordada neste curso, por favor, fique à vontade para nos contar. Você pode falar
durante nossos encontros, ou escrever um e-mail para
fubaeaecriatividade@gmail.com

Desde já nós agradecemos a sua contribuição e a possibilidade de construirmos


juntos este curso. Esperamos também contribuir com a sua formação e a sua
prática educativa.

Equipe Fubá
PORQUE MEDIAÇÃO

Nossa experiência participando e analisando diferentes ações educativas em


diferentes contextos nos fez perceber que a mediação é um dos aspectos
fundamentais da educação ambiental. Não importa o quão incrível possa ser uma
área natural, ou uma exposição, a experiência de cada visitante vai depender muito
da atuação da/o mediador/a ou monitor/a ou educador/a.

Imagine uma situação em que a monitora de uma trilha passa correndo por todo o
trajeto apenas para chegar ao final – onde há uma bela árvore. Que sensação você
acha que as pessoas terão durante esse percurso? Talvez a sensação seja apenas
de pressa – o que aliás, a gente não precisa de uma trilha para exercitar, já que o
mundo “lá fora” já é cheio de pressa! Ou talvez uma lição desta trilha corrida seja:
ignore o processo e foque no resultado.

Ou quem sabe outro monitor se considera especialista em cerrado e quer


transmitir todo o seu conhecimento durante uma visita. As chances dessa visita
não ser agradável e das pessoas esquecerem grande parte do que foi “passado”
pelo monitor é grande, você concorda? Isso mostra que o resultado de uma
atividade educativa, o seu potencial de gerar transformação – que é o objetivo
maior da educação ambiental - depende da atuação da/o mediador/a. É essa
pessoa que dá o tom da visita, que escolhe os conteúdos e a forma de abordá-los,
mesmo que haja uma coordenação ou um projeto pedagógico que indique isso. Na
prática, quem está diretamente em contato com as/os visitantes são as/os
monitoras/es. E por isso mesmo, deveria ser um trabalho bem mais valorizado.

De qualquer forma, se a mediação é tão importante para a prática educativa,


deveria merecer mais atenção. E se queremos desenvolver ações baseadas no
diálogo, em relações democráticas, que propiciem aprendizado e ação-reflexão
às/aos participantes, é muito importante que a gente pense com cuidado sobre
como desenvolver a mediação nas ações educativas.

Um aspecto que a/o monitor/a tem que lidar constantemente é o controle do


tempo. Geralmente os grupos de visitantes chegam com um tempo muito limitado e
fica difícil realizar um bom trabalho, uma educação ambiental que seja de fato
crítica, reflexiva, transformadora e dialógica.

Associada a isso, na educação não formal temos a falta de continuidade. Em geral,


os grupos não voltam à mesma trilha ou à mesma exposição e raramente as/os
monitoras/es voltam a ter contato com aquele mesmo público em outras atividades.
Contar com o apoio da/o professor/a da turma é importante para que o trabalho
não seja tão pontual e que atividades na escola complementem a ação educativa,
mas nem sempre isso ocorre. Além disso, há grupos não escolares que não terão
essa chance de continuidade do trabalho na escola.

Portanto, o aspecto tempo torna a mediação ainda mais importante. Mesmo que nem
todo o conteúdo seja contemplado, mesmo que não seja possível realizar todas as
atividades previstas, por meio da mediação é possível sim desenvolver vários
princípios da educação ambiental dialógica e crítica em pouco tempo. A ideia desse
curso é mostrar ferramentas que permitam isso na prática.

Como estamos pensando este curso para diferentes públicos e para não ficar tão
confuso, a partir de agora vamos usar o termo educador/a para nos referirmos às
mais variadas formas em que as/os educadoras/es ambientais se apresentam:
monitoras/es, agentes ambientais, agentes culturais, professoras/es etc.

E vamos usar público ou participantes para nos referirmos às diferentes pessoas


com as quais a educação ambiental é desenvolvida: estudantes, turistas, crianças,
adultos e outros grupos organizados.
PERGUNTAS DE VERDADE e PARTICIPAÇÃO

O ensino sempre parte da pergunta. A curiosidade é, no fundo, uma pergunta. E


infelizmente o ensino atualmente é mais resposta do que pergunta. As repostas são
apresentadas sem mesmo as perguntas serem formuladas. Aprender a perguntar
faz parte de um ensino democrático, pois é a partir da pergunta, da curiosidade
que somos capazes de refletir e criticar a nossa realidade e propor soluções para
sua transformação.

Podemos dividir as perguntas em dois tipos: aquelas que são feitas pela/o
mediador/a e que são direcionadas ao público participante e aquelas que são feitas
pelas/s participantes para a/o mediador/a da atividade educativa.

Perguntas feitas pelo público

Primeiro vamos falar sobre as perguntas feitas pelas/os participantes. Para que as
pessoas se sintam à vontade para perguntar, é preciso que um clima de confiança e
de respeito esteja presente no grupo. Aceitar e abrir espaço para perguntas são
posturas democráticas da/o educador/a, porém bastantes desafiadoras. Isso
porque ao abrir esse espaço, a/o educador/a se coloca em uma posição de
vulnerabilidade, pois espera-se que ela/ele responda à pergunta. Mas essa
expectativa se deve à ideia antiga de educação em que a/o professor/a é a/o
detentor/a absoluto/a do conhecimento e que deve transmitir esse conhecimento
para a/o aluna/o.

Então, para que a postura de estar sempre aberta/o a perguntas não seja
incômoda, temos que ter bem claro que não temos nenhuma possibilidade de saber
tudo sobre um determinado assunto. Esse aspecto parece até um clichê, mas se
observarmos à nossa volta vamos perceber quantas pessoas ainda tem medo de
responder: “eu não sei”. Isso não quer dizer que a/o monitor/a não deve estudar o
conteúdo que será abordado e estar em permanente atualização sobre os temas
com os quais trabalha. Isso ainda é sim responsabilidade das/os monitoras/es. Mas
não há problema nenhum em não saber responder a uma pergunta.

Assim como não existe questão boba, ou desnecessária. Toda pergunta é legítima e
deve ser valorizada. Assim como qualquer comentário do público deve ser
considerado e levado a sério.

Você percebe outros aspectos que interferem na recepção e incentivo às


perguntas na prática educativa?
Perguntas feitas pela/o educador/a

O outro tipo de pergunta é aquele feito pelas/os mediadoras/es. A prática de


guiar visitas, ou mesmo de dar aulas a partir de perguntas feitas às/aos
participantes surgiu justamente como uma tentativa de ampliar a participação do
público e tornar a prática educativa mais democrática. Porém, por melhor que
sejam as intenções, nem todas as perguntas levam a esse resultado.

Quando as/os mediadoras/es incluem perguntas em suas falas geralmente estão


buscando abrir a conversa para incentivar a participação do público. A participação
é um dos princípios mais conhecidos da educação democrática e defendido pela
educação ambiental. Mas responder a qualquer pergunta não é, definitivamente,
participar.

Vamos começar com casos extremos, que na minha opinião não devem fazer parte
de uma prática educativa. Eles são muito comuns com crianças, mas podem ser
usados também com outros públicos e não geram quase nenhum conhecimento ou
participação efetiva do público:
E agora vamos ver algumas outras perguntas que são muito comuns e que
aparentemente não há nada de errado em usá-las:

Exemplos de perguntas que não favorecem o diálogo:


De uma forma muito simples podemos transformar essas perguntas em perguntas
de verdade:

Veja que a mudança é muito sutil. E o objetivo da pergunta é praticamente o


mesmo. Mas quando a/o educador/a coloca sua pergunta como uma pergunta de
verdade ela/ele evidenciam a sua postura dialógica. Não queremos dizer que quem
faz perguntas do tipo das citadas no primeiro exemplo não pode desenvolver uma
prática educativa dialógica. Mas que as perguntas de verdade são muito mais
coerentes e potentes porque partem de uma curiosidade sincera da/o educador/a
que irá aprender de fato com a resposta do público e utilizar estas respostas para
tomar suas próximas decisões na mediação.

Então, podemos perceber que as perguntas de verdade partem de um principio


muito simples: elas têm origem na curiosidade REAL das/os educadoras/es. Ou
seja, para fazer uma pergunta de verdade pergunte o que você realmente deseja
saber. Nós acreditamos que apenas essa mudança simples de concepção de
participação e de como fazer perguntas pode mudar drasticamente muitas
interações entre visitantes e educadoras/es e promover um maior aprendizado de
todas as pessoas envolvidas.

As perguntas de verdades são aquelas que as/os educadoras/es não sabem a


resposta. Isso quer dizer que realizar uma atividade de fato participativa e
dialogar com o público exige que a/o educador/a esteja aberta/o a aprender com
essas pessoas DE VERDADE. Então, as perguntas de verdade devem emergir de
curiosidades sinceras do mediador.

Um aspecto a ser considerado é que as pessoas não estão tão acostumadas a


participar, embora felizmente isso esteja mudando. Então, muitas vezes elas
participam de uma atividade educativa esperando apenas receber informações. Ou,
quando são perguntadas sobre algo, querem acertar a resposta. Nesses casos, é
preciso apresentar as questões de forma gradativa, e mostrar que você, como
educador/a realmente está interessada/o na resposta da/o participante.

Veja que quando você torna a pergunta mais pessoal, a pessoa se sente mais à
vontade para responder porque não há chances de errar. A pessoa sabe aquela
resposta. Eu sei se eu conheço ou não a alimentação do lobo. Não preciso ter medo
de errar esta pergunta. Eu sei se eu já fui ou não em outra área de cerrado. Não há
constrangimento em responder a esta pergunta. E quando percebo que esta
informação foi relevante para o andamento da prática educativa, também começo a
valorizar a minha participação.

Perguntas diagnósticas

As perguntas de verdade podem ajudar a/o educador/a identificar demandas,


conhecimentos e interesses do público que vai atender. Por exemplo, perguntar
quem já esteve em uma área de cerrado para o público que vai iniciar uma trilha no
cerrado é uma pergunta legítima. A resposta – que não é conhecida pela/o
educador/a – será uma informação relevante para ela/ele escolher que caminhos
tomar no percurso da trilha, que informações apresentar e até mesmo que outras
questões deve fazer para o público.

Alguns exemplos de perguntas diagnósticas:


Essas questões permitem que a/o educador/a conheça o seu público e que
modifique a atividade de acordo com os interesses do público que está atendendo.
Esta é uma das habilidades mais importantes das/os educadoras/es que permitem
que ofereçam atividades que façam sentido às/aos participantes e que estas/es de
fato participem da ação educativa. Por exemplo, não faz sentido nenhum ficar
falando o nome das plantas de cerrado em uma trilha a um grupo de botânicos
especialistas em espécies de cerrado. Este é um exemplo extremo, mas situações
como essas ocorrem cotidianamente tanto na escola como fora dela quando as/os
educadoras/es têm uma postura muito rígida e seguem sempre um padrão de aula
ou de visita monitorada.

Perguntas reflexivas

Outras questões mais reflexivas podem ser inseridas na mediação, com o objetivo
de aprofundar a análise do que está sendo visto e sua associação com a realidade.
Perguntar sobre o nosso cotidiano é uma ferramenta poderosa de transformação
tanto pelas respostas que são dadas como pelas outras questões que podem
emergir. Essas questões podem também incentivar que as pessoas elaborem melhor
seus argumentos a partir da exposição deles para o grupo e a partir das respostas
das outras pessoas para a mesma pergunta. E, como vimos, os argumentos são a
base do diálogo verdadeiro.

Alguns exemplos de perguntas que incentivam a reflexão e a relação com o


cotidiano:
Veja que é bem provável que a/o educador/a tenha conhecimento sobre algumas
das respostas que serão dadas para essas perguntas, embora ele não saiba como as
pessoas do grupo se posicionam em relação a elas. Mas é importante perceber que
dessas perguntas podem surgir respostas totalmente surpreendentes. Estar
aberta/o a essas surpresas e compartilhá-las com o grupo faz parte de uma
postura dialógica na prática educativa.

Perguntas criativas

Algumas perguntas podem ajudar as pessoas a exercitar a criatividade para buscar


soluções, se colocar no lugar de outras pessoas ou seres, ou mesmo para
compartilhar seus conhecimentos e ideias com as/os colegas e assim promover o
aprendizado de todas as pessoas.

Alguns exemplos de perguntas criativas:


Quando nos perguntamos “e se...” nos abrimos para possibilidades novas, que ainda
não havíamos pensado. Uma outra forma de exercitar a criatividade é pensar como
se não houvesse limites. Por exemplo, na segunda pergunta da figura acima pede-se
uma solução perfeita, o que faz com que as pessoas possam soltar a imaginação e
criar novas perspectivas. Nem sempre elas serão viáveis no mundo real, mas daí
podem surgir ideias interessantes que podem ser adaptadas para o concreto.

Outra forma de exercitar a criatividade é o oposto: impor limites, incentivar a


pessoa a se colocar numa situação limitante, ou no lugar de um outro ser seja ele
humano ou não. Alguns exemplos de perguntas nesse sentido:
E finalmente, pensar usos diversos para um mesmo objeto ou funções para um ser
vivo traz ao diálogo novas ideias e soluções surpreendentes:

Estes foram os tipos de perguntas que identificamos até agora. Que outros
tipos de perguntas você identifica?
EXERCÍCIO – ELABORANDO PERGUNTAS DE VERDADE!

1- Cada pessoa deve fazer 3 perguntas de verdade sobre o cerrado e a Trilha


da Natureza. Perguntas que você realmente queira saber a resposta, que
esteja curiosa/o sobre.
2- Como você poderia incluir essas perguntas na mediação das visitas?

3- Cada pessoa deve anotar pelo menos 5 perguntas que costuma fazer na
trilha ou na exposição e analisar: elas são perguntas de verdade? Se
não forem, procure adaptá-las para que sejam.

Perguntas diagnósticas

1- Cada pessoa deve elaborar 3 perguntas que permitam conhecer melhor o


público visitante da trilha da natureza. O que você realmente quer
saber sobre o público para adaptar a atividade àquele público?

2- Em que momentos essas perguntas poderiam aparecer durante as


visitas?

Perguntas reflexivas

1- Cada pessoa deve elaborar 3 perguntas de verdade que incentivem a


reflexão do público sobre determinado tema e a sua relação com o
cotidiano.

2- Em que momentos essas perguntas poderiam aparecer durante as


visitas?

Perguntas criativas

1- Agora vamos elaborar perguntas de verdade que incentivem o uso da


criatividade na busca de soluções para as situações apresentadas, se
colocar no lugar do outro, impor ou retirar limites e assim compartilhar
conhecimento.

2- Em que momentos essas questões poderiam aparecer durante as visitas?


BIBLIOGRAFIA

Freire, P.; FAUNDEZ, A. Por uma pedagogia da pergunta. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1985.

MELLO, R. R.; BRAGA, F. M.; GABASSA, V. Comunidades de aprendizagem: outra


escola é possível. São Carlos: Edufiscar, 2012. 175p.
PARTE 2

Fubá – Educação Ambiental e Criatividade

Outubro – 2015
COMPARTILHAR EXPERIÊNCIAS

Um recurso interessante que podemos usar na mediação dialógica é compartilhar as


nossas próprias histórias e experiências, nossos próprios sentimentos em relação
ao tema de estudo, ao elemento que está sendo apresentado ou ao local visitado.

Quando compartilhamos nossas experiências naturalmente nos despimos da posição


de “autoridade”, de quem sabe tudo e que apenas ensina e passamos a ocupar uma
posição de quem simplesmente conta suas histórias e ouve outras histórias e assim
dialoga, e assim ensina e aprende.

Dessa forma, a ação educativa se torna mais dialógica a medida que a(o)
educador(a) e o grupo se abrem para ouvirem e aprenderem com as experiências
uns dos outros. Dessa forma conseguimos unir conhecimento científico e
conhecimento prático, de vida. Assim, possibilitamos análises mais completas da
realidade e a busca por soluções que façam mais sentido para todas as pessoas.

Quando contamos nossas histórias, as pessoas se identificam com elas. Percebem


ou se lembram de situações semelhantes que viveram, de sentimentos semelhantes
que tiveram e isso também aproxima a(o) educador(a) e o público.

Essa forma de interagir cria uma conexão mais orgânica, mais natural, mas ligada à
emoção do que à razão. E quando conseguimos nos conectar com a emoção do outro,
a chance de conseguirmos sensibilizá-los sobre determinado conteúdo ou vivência é
muito maior. Quando tocamos o coração das pessoas elas ficam mais abertas para
novas ideias e experiências.

As nossas experiências também podem inspirar pessoas. Mostramos para elas como
nós nos encantamos com a natureza, como nos interessamos verdadeiramente por
determinado tema e assim mostramos que estar naquele espaço pode ser uma
experiência surpreendente, ou que aprender sobre aquele tema pode ser revelador.

Além disso, as nossas histórias verdadeiras estão imersas na complexidade do


mundo real. Não estão separadas em disciplinas ou conteúdos específicos. Como
foram vividas no mundo real elas carregam uma série de relações entre conteúdos,
sentimentos, vivências, cultura que estão presentes no mundo real de forma
sempre inter-relacionada.

Assim, as chances de abordarmos de forma sistêmica e complexa as várias


dimensões da educação ambiental são bem maiores. Elas surgem de forma natural,
espontânea, porque fazem parte da vida.
As três dimensões da educação ambiental, segundo o Prof. Luiz Marcelo Carvalho,
são: conhecimentos, valores éticos e estéticos e participação. Segundo ele, estas
três dimensões estão articuladas pela dimensão da ação política e devem estar
sempre presentes nas ações de educação ambiental.

Os conhecimentos se referem aos conteúdos técnicos e científicos, mas também


aos outros tipos de saberes, como o popular, o tradicional. Contempla também a
visão sistêmica do meio ambiente, a contextualização de aspectos sociais,
culturais, econômicos e políticos, além dos biológicos.
Os valores éticos e estéticos trabalham o aspecto mais subjetivo de cada
participante. Essa dimensão propõe a revisão de valores como o individualismo e as
injustiças ambientais e sociais consideradas como parte inerente da sociedade e
incentiva uma visão mais colaborativa e solidária entre as pessoas e entre os seres
humanos e a natureza. Além disso, propõe momentos de parada e de contemplação
da beleza da natureza e da vida como um todo a partir da experiência.
A dimensão da participação trabalha com subsídios para uma ação no mundo mais
consciente e em busca de transformações. Aborda a legislação de forma crítica
analisando prós e contras, incentiva ações e movimentos coletivos para além do
“cada um fazer sua parte”, propõe a construção coletiva de um ideal de sociedade e
apresenta na própria ação educativa espaços de participação e diálogo.

Articular estas três dimensões em atividades de educação ambiental de uma forma


crítica e dialógica pode ser um grande desafio. Isso porque ainda estamos
imersas(os) no ensino tradicional, em que há completa divisão dos conteúdos em
disciplinas, supervalorização dos conhecimentos científicos e desvalorização dos
sentimentos, das experiências e da participação. Mas é bom dizer que isso vem
mudando continuamente nos últimos anos. Ainda bem!

Mas quando compartilhamos nossas histórias aspectos relacionados a cada uma


dessas dimensões aparecem de forma mais natural. Por isso, este é um recurso que
nos ajuda também a trabalhar com a complexidade do mundo real, em que não há
separação de disciplinas e onde tudo acontece junto e ao mesmo tempo!

Então agora vamos praticar!


EXERCÍCIOS

1- Feche os olhos e se imagine no percurso da Trilha da Natureza (se for


possível vá até o local, ou algum outro lugar inspirador para você). Que
sensações este lugar te provoca? Que lembranças vêm à sua mente? Que
história boa você tem para contar sobre este lugar?

2- Agora vamos escolher apenas um elemento da trilha. Pode ser uma árvore,
uma flor, um animal, o solo, o céu... e repetir o exercício anterior. Que
sensações você tem a respeito deste elemento? Ele te lembra algo de outro
contexto da sua vida? Que história você tem para contar sobre ele?

3- E finalmente vamos escolher um tema que você se interessa muito e que é


trabalhado durante a Trilha da Natureza. Qual é a sua relação com este
tema? Por que ele é tão interessante para você? Quais caminhos você
percorreu para aprender mais sobre ele? Você tem alguma história
interessante para contar sobre isso?

Agora a sugestão é que você passe a contar mais histórias durante sua
monitoria e avalie o resultado. No próximo encontro vamos compartilhar os
aprendizados desta experiência.

Bibliografia

CORNELL, J. Vivências com a natureza 2: novas atividades para pais e


educadores. São Paulo: Aquariana, 2008. 219p.

CARVALHO, L. M. A. A temática ambiental e o processo educativo: dimensões e


abordagens. In: CINQUETTI, H.; LOGAREZZI, A. Consumo e resíduos:
fundamentos para o trabalho educativo. São Carlos: Edufscar, 2006. p. 19-41.
PARTE 3

Fubá – Educação Ambiental e Criatividade

Outubro – 2015
LINGUAGEM COERENTE

Muitos pensadores tratam da importância da linguagem e da comunicação para a


nossa vida em sociedade. Em qualquer tipo de comunicação, enviamos uma
mensagem para o mundo. Se o nosso objetivo é criar um mundo melhor e mais justo,
é coerente que a nossa linguagem reflita este objetivo.

A língua reflete sempre os valores e ideias de uma sociedade, já que é criada e


usada pela própria sociedade. Portanto, ela apresenta de forma sutil, mas
poderosa, preconceitos, hierarquias baseadas em posições de poder e falta de
disposição para o diálogo. Se estamos querendo desenvolver novos valores com a
sociedade, um passo importante é também modificar a nossa linguagem.

Pode parecer frescura, preciosismo ou rebeldia com a gramática, mas o impacto da


linguagem em nossas vidas é muito grande para ignorarmos esta ferramenta de
transformação. Como nada do que falamos é neutro, sempre há ideias por trás das
palavras, se estamos buscando exercer uma mediação dialógica é preciso cuidar das
palavras e termos que usamos.

Por isso, nós acreditamos que prestar atenção na linguagem e modificá-la para que
ela seja coerente com a forma que pensamos significa ampliar o nosso potencial
como educadoras(es).

Além disso, a surpresa que causamos nas pessoas ao usarmos de forma diferente
do usual algumas palavras e termos pode gerar bons diálogos sobre questões de
gênero, participação, autonomia... De fato, os cuidados com a linguagem estão
associados a princípios da educação ambiental, que indicando as bases teóricas
para as mudanças propostas. Os principais princípios são: diálogo, respeito,
autonomia, participação, igualdade e solidariedade.

Nesta parte do curso, vamos compartilhar alguns cuidados que nós temos com o uso
da linguagem na comunicação da Fubá. Depois, vamos fazer alguns exercícios para
que possamos, aos poucos, incorporar algumas mudanças em nossa forma de falar e
escrever.

A ideia aqui não é impor um modelo. Cada pessoa deve decidir o que e como aplicar
este conhecimento em seu cotidiano. Modificar a linguagem é um processo contínuo
que requer atenção, mas que também vai ficando cada vez mais natural e
espontâneo com a prática.
Linguagem inclusiva e não sexista

Usar uma linguagem não sexista demonstra uma preocupação em defender a


igualdade de gênero e deixar esta posição registrada por meio da linguagem. Esta
mudança costuma causar nas pessoas diferentes reações, já que questiona a
gramática que adota o gênero masculino como neutro.

“Utilizando o feminino e o masculino para tratarmos de grupos


mistos estaremos ampliando a visibilidade das mulheres em todas
as esferas sociais, publicizando a participação feminina que
sempre existiu na construção histórica do estado e do país, mas
nem sempre destacada.”
Ariane Leitão
(Manual para uso não sexista da linguagem RS )

LINGUAGEM INCLUSIVA E NÃO SEXISTA


No texto escrito, para flexionar o gênero é possível usar @ ou as/os ou as(os).
Colocar o gênero feminino na frente é uma maneira de marcar uma posição
feminista.
Nas falas é possível falar a palavra duas vezes usando os dois gêneros, ou mesmo
generalizar usando o gênero feminino como neutro.
Priorizar o uso de palavras no feminino, como por exemplo, "pessoas" ao invés de
"indivíduos" ou “sujeitos”. Usar a palavra pessoa antes do adjetivo ou substantivos
também torna a linguagem mais fluida e sem necessidade de flexão de gênero.
Usar "seres humanos", ou "humanidade" no lugar de "Homem", quando queremos
falar de todas as pessoas humanas.

Para saber mais:

 Manual para uso não sexista da linguagem: o que bem se diz bem se entende.
Este manual foi publicado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do
Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Para baixar, acesse o link:
http://goo.gl/jwyOt4

 Mulher e homem: o mito da desigualdade, de Dulce Whitaker. O livro foi


publicado pela Editora Moderna em 1988. É um livro mais antigo, mas pode
ser encontrado em sebos.

 Vale a pena também perguntar para o Google sobre “machismo”, “feminismo”


e “linguagem não sexista”.
EXERCÍCIO

Procurar exemplos de falas usadas na Trilha que reflitam discriminação de gênero


e buscar formas de modifica-las de acordo com a linguagem não sexista.

Linguagem igualitária

Outro aspecto a ser considerado é a nossa tendência em usar palavras que são mais
adequadas ao ensino tradicional do que à educação dialógica. Estas palavras
refletem valores como autoritarismo, hierarquia, submissão. Portanto, a linguagem
também pode demonstrar se estamos de fato abertas(os) e dispostas(os) ao
diálogo ou não.

LINGUAGEM IGUALITÁRIA
Usar "com" no lugar do "para" quando nos referimos às pessoas que
participam das atividades para enfatizar a construção dialógica do
conhecimento e evitar uma ideia de apenas transmissão de quem sabe a
quem não sabe.
Usar "participantes" no lugar de "alunas(os)" para enfatizar o caráter
participativo da atividade.
Não usar o termo "público alvo", ou mesmo “atingir” determinado público,
pois passa uma ideia de imposição ou até de manipulação das pessoas.
Evitar frases como "transmitir conhecimento", "passar conhecimento"
ou "conscientizar uma pessoa" e substituí-las por "apresentar um conteúdo",
"dialogar sobre algum tema", "incentivar ou inspirar alguém a mudar de
atitude".
Usar a expressão “interação educativa” ao invés de “intervenção educativa”.

EXERCÍCIO

Procurar exemplos de falas usadas na Trilha que não reflitam a valorização do


diálogo e da participação e buscar formas de modifica-las de acordo com a
linguagem igualitária.

Linguagem não impositiva ou não prescritiva


A linguagem não impositiva representa o princípio de respeito ao conhecimento e
opinião das outras pessoas, além da sua autonomia para decidir o que querem e o
que não querem aplicar em suas vidas. O papel das(os) educadoras(os) não é impor
um pensamento ou conceito. Nós queremos sim convencer as pessoas sobre algumas
ideias, mas pela argumentação e não pela prescrição.

Além disso, a mediação dialógica preza pelo aprendizado mútuo na interação entre
educador(a) e participante e, portanto, precisarmos estar prontas(os) para
também mudar de opinião.

LINGUAGEM NÃO IMPOSITIVA


Evitar o uso de verbos no imperativo, ou quando for usado associá-lo a uma
explicação ou pergunta.
Relativizar as afirmações: deixar claro que o conteúdo apresentado é apenas
um modo de entender determinado tema e não a verdade absoluta.
Apresentar argumentos e sugerir que a(o) participante decida o que fazer a
partir de então.
Perguntar ao invés de afirmar

EXERCÍCIO

Procurar exemplos de falas usadas na Trilha que não considerem a argumentação e


a autonomia de cada pessoa e buscar formas de modifica-las de acordo com a
linguagem não impositiva.
PARTE 4

Fubá – Educação Ambiental e Criatividade

Outubro – 2015
APRENDENDO COM A DIVERSIDADE

Várias(os) pensadoras(es) defendem que a subjetividade se forma de maneira


intersubjetiva. Isso quer dizer que a nossa forma de entender e agir no mundo vai
se formando a partir das interações que temos com as outras pessoas, a partir da
comunicação. Ou seja, indivíduo e coletividade são indissociáveis e as interações
sociais são a base para a aprendizagem.

Ao mesmo tempo, cada ser é único pois tem a capacidade de refletir e de se


autoanalisar e fazer suas próprias escolhas. É por isso que a contribuição de cada
pessoa será sempre única e deve ser apresentada ao grupo por ela mesma.

É por isso que o potencial de aprendizagem se amplia com a diversidade, já que


coloca em interação pessoas com conhecimentos, visões de mundo e perspectivas
antes desconhecidos.

É por isso também que a inteligência não é necessariamente relacionada à


escolaridade, já que as experiências de vida em seus contextos, grupos e culturas.
Esta é a chamada inteligência cultural. Então, todas as pessoas têm coisas a
aprender e coisas para ensinar e, portanto, estamos sempre aprendendo.

Outro aspecto importante para a mediação dialógica é considerar que cada pessoa
tem o igual direito de ser diferente. Isso significa respeitar a diversidade e
promover o aprendizado a partir dela. Dessa maneira, vamos construindo uma
educação e um mundo em que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades,
inclusive o direito de ser diferente.

Sob essa perspectiva, é preciso romper como processo homogeneizador que muitas
vezes é proporcionado pela educação formal e não formal. Lembrando que cultivar a
diversidade como fonte de conhecimento não significa abrir mão dos
conhecimentos instrumentais no processo educativo.

Como a mediação pode promover o aprendizado a partir da diversidade?

Altas expectativas
Se consideramos que todas as pessoas sempre têm algo para ensinar e algo para
aprender, é preciso cultivar altas expectativas em relação às possibilidades de
aprendizagem de todas as pessoas. Todas as ações educativas, sejam visitas, aulas
ou palestras, todas as turmas, faixas etárias e grupos possuem um grande
potencial para gerar novos conhecimentos e novas perspectivas sobre determinado
tema. Quando mediamos os processos educativos com altas expectativas mudamos
nossa postura diante das(os) participantes e motivamos a aprendizagem contínua.

EXERCÍCIO:

Reflita sobre uma situação em que você tinha baixa expectativa em relação ao
grupo que receberia. O que aconteceu durante a visita? Suas expectativas foram
superadas? O que você acha que aconteceria se você realizasse essa mesma visita
com altas expectativas em relação ao grupo? A visita poderia ser diferente? Em
que aspectos? Que tal, a partir de agora, sempre iniciar as visitas com altas
expectativas e acompanhar os resultados dessa mudança?

Compartilhar conhecimentos, pontos de vista e experiências diversificadas

Quando incentivamos e valorizamos o diálogo entre todas as pessoas participantes


da atividade educativa (incluindo mediadoras(es)) estamos promovendo a
aprendizagem a partir da diversidade e também, indiretamente, mostrando este
potencial ao grupo.

Algumas ações que podem facilitar o diálogo no grupo:

- fazer perguntas de verdade e valorizar as respostas apresentadas,


relacionando-as com o tema da atividade.
- valorizar as experiências das pessoas e incentivar que sejam
compartilhadas de forma construtiva com o grupo, relacionando-as ao tema de
estudo. Por exemplo, se alguém compartilha uma história que aparentemente não
está tão relacionada ao tema ou não traz grandes contribuições para o grupo, a(o)
mediador(a) pode perguntar a essa pessoa porque ela lembrou dessa história neste
momento, ou o que ela aprendeu com aquela experiência que o grupo poderia
aprender também. Dessa maneira, a(o) mediador também está ensinando as pessoas
a qualificarem a sua participação de modo que tragam contribuições para todas as
pessoas.
- valorizar outros tipos de conhecimento além dos científicos: saberes
sobre plantas medicinais, conhecimento sobre o comportamento de animais, sobre
como sobreviver em ambientes naturais, presença de espécies nos ambientes,
impactos ambientais (mas lembrar que é responsabilidade da/o mediador/a
compartilhar também os conceitos científicos e dizer o que a ciência já sabe sobre
aquele tema)

EXERCÍCIOS

1- Lembre-se de uma situação que você vivenciou em que algum(a)


participante compartilhou uma história, uma experiência ou um
conhecimento. De que forma a pessoa compartilhou essa informação?
Qual foi a sua postura nessa situação? O que você poderia ter feito
para valorizar ainda mais esta contribuição e promover o aprendizado
de todo o grupo a partir dela?
2- Faça uma lista de todos os aspectos que você aprendeu em relação ao
Cerrado e à Trilha da Natureza a partir da troca de experiências que
não são saberes científicos. Procure se focar em conhecimentos
práticos, sentimentos e reflexões proporcionadas por diferentes formas
de entender ou perceber aquele ambiente. Qual a contribuição desses
elementos para sua formação? Como você pode proporcionar mais trocas
de experiências desse tipo durante a visita à Trilha?

Estratégias para favorecer o respeito à diversidade e o aprendizado a partir


dela

Quando possível, diversificar as interações durante a ação educativa. Convidar


pessoas de culturas diferentes ou com experiências diferentes das do grupo para
dialogar é muito enriquecedor. Mas essa ação pode ser feita aproveitando
oportunidades inesperadas, como a presença de uma mãe ou pai no grupo, de
funcionárias(os) que não sejam professoras(es), do encontro com uma pessoa
durante o percurso da visita.

Em atividades que requerem a formação de grupos menores, ao invés de usar a


(in)disciplina como critério, a diversificação de gênero, idade, raça e origem dentro
do grupo pode ser usada para ampliar a aprendizagem dentro de cada subgrupo.

Desenvolver atividades ou incluir questões durante a visita que incentive a


apresentação dos pontos de vista das/os participantes e a partir do diálogo sobre
o tema e, consequentemente, a aprendizagem de todas as pessoas.
Incentivar que todas as pessoas compartilhem seus conhecimentos e opiniões
(lembrando que todas as pessoas também têm o direito de não querer participar e
isso também deve ser respeitado):
- evitar dar atenção sempre para as mesmas pessoas.
- direcionar as perguntas e convite para participação às pessoas que falaram
menos.
-passar a palavra primeiro para quem falou menos, ou para quem tem idade
diferente da maioria, origem diferente, raça/etnia diferente, gênero ou idade
diferente da maioria ou de quem já se manifestou.
- deixar que as pessoas falem por si mesmas, usando suas próprias palavras,
ao invés de supor a opinião delas sobre alguma questão.

EXERCÍCIO

Qual dessas estratégias você pode já colocar em prática durante as visitas à Trilha
da Natureza? Quem poderia ser convidada(o) para enriquecer uma visita? Como
ampliar a diversidade na formação de subgrupos? Que atividade poderia ser
incluída para favorecer a apresentação de diferentes pontos de vista? Como você
pode incentivar que todas as pessoas compartilhem seus conhecimentos com o
grupo?

BIBLIOGRAFIA

MELLO, R. R.; BRAGA, F. M.; GABASSA, V. Comunidades de aprendizagem: outra


escola é possível. São Carlos: Edufiscar, 2012. 175p.