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AVALIAÇÃO DAS DIFICULDADES E DOS TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM

ASSESSMENT OF LEARNING DISABILITY AND LEARNING DISORDER


Iara Fernandes1
Marina Belke2
Vinícius Renato Thomé Ferreira3

RESUMO
Considerando que as dificuldades e os transtornos de aprendizagem são muito presentes no
cenário acadêmico, o presente artigo pretende informar como professores e psicólogos podem
avaliar essas condições que prejudicam o desempenho escolar. Primeiramente são definidos
os conceitos de dificuldade e de transtorno de aprendizagem em seguida como ocorre a
avaliação para uma correta identificação de cada quadro. Observou-se que há pouca clareza
na literatura para diferenciar as dificuldades e os transtornos; ainda, professores e psicólogos
utilizam estratégias diferenciadas para avaliar estas condições nos alunos. Portanto, uma boa
clareza conceitual que diferencie claramente as condições e a clareza das possibilidades de
avaliação dos profissionais envolvidos é fundamental para uma correta intervenção.
Palavras-chave: Dificuldade de aprendizagem. Transtorno de aprendizagem. Avaliação.

ABSTRACT
Considering that difficulties and learning disabilities are very present in the academic setting,
this article aims to inform how teachers and psychologists can evaluate these conditions that
impair school performance. First the concepts of difficulty and learning disability are defined,
after that how does the assessment for a correct identification of each frame occur. It was
observed that there is no transparency in the literature to differentiate clearly the difficulties
and disorders; Moreover, teachers and psychologists use different strategies to evaluate these
conditions on students. Therefore, exist a good conceptual that distinguish clearly the terms of
the possibilities for the professional assessment that is essential for the correct intervention.
Keywords: Learning dificulties. Learning disorder. Assessment.

1 Acadêmica de psicologia na Faculdade Meridional IMED, 6º Semestre. E-mail: <iara.fernandes@imed.edu.br>.


2 Acadêmica de psicologia na Faculdade Meridional IMED, 2º Semestre. E-mail: <marina.belke@imed.edu.br>.
3 Orientador. Doutor em Psicologia

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1 INTRODUÇÃO

O processo ensino-aprendizagem é muito importante e ocorre durante todo o


desenvolvimento humano. Através dele é possível desenvolver novos conhecimentos e
habilidades, e permite que os alunos tenham melhores capacidades para a vida em sociedade e
para um bom futuro profissional. Contudo, durante a vida escolar é possível que ocorram
dificuldades ou mesmo transtornos de aprendizagem, devido a vários fatores, e uma adequada
compreensão destes problemas é fundamental.
O presente artigo tem como objetivo apresentar elementos presentes na literatura que
expliquem a diferença entre dificuldades e transtornos de aprendizagem, bem como o que
pode ser realizado pelos profissionais da educação e por psicólogos para o diagnóstico do
comportamento apresentado. Inicialmente serão apresentadas as definições sobre dificuldades
e sobre transtornos de aprendizagem, com suas características básicas, e em seguida será
discutido como pode ser feita a avaliação nestas condições.

2 MÉTODO

O presente estudo é de cunho exploratório e qualitativo, buscando através da


literatura compreender aspectos referentes a dificuldade de aprender que configura o quadro
infantil atual. Para tanto, foram consultadas referências disponíveis no Google Scholar. A
pesquisa foi feita através dos termos “dificuldade aprendizagem, avaliação de dificuldades de
aprendizado”. Após a pesquisa, foram selecionados artigos que serviram como base do
presente texto, que forneceram os elementos para diferenciar essas condições e que apontaram
os cenários para a avaliação dos alunos.

3 DESENVOLVIMENTO

3.1 DEFINIÇÃO DE DIFICULDADE E DE TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM

A definição de aprendizado não é única, apresentando-se de diferentes formas.


Aprendizado pode ser entendido como aquilo que se adquire na escola (LOMÔNACO, 1984),
mas, de forma geral, refere-se a todo o comportamento que é aprendido e que inclui, por
exemplo, comportamentos considerados socialmente não adequados como falar palavrões. De
forma mais ampla, portanto, o aprendizado não está reduzido ao que se aprende na escola,
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mas inclui comportamentos emocionais, como ter medo de certas pessoas, animais, eventos
ou então apreciar música e as artes em geral.
Pode-se facilmente confundir aprender e conhecer, seria como confundir o processo
com o produto, ou seja, aprendizado é um processo e conhecimento é o produto final de todo
aprendizado (LOMÔNACO, 1984). No passado, o conceito de aprendizado referia-se apenas
ao que se adquire em disciplinas escolares, omitindo o aprendizado de habilidades e
comportamentos utilizados na sociedade. Contudo, esta visão restrita hoje não é considerada
com tanta intensidade, e ao falarmos de aprendizagem podemos incluir todo o repertório de
comportamentos e conhecimentos de alguém.

3.2 DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Durante o processo ensino-aprendizagem podem ocorrer algumas dificuldades de


aprendizado, devido a vários fatores. Estas dificuldades acabam retardando ou mesmo
impedindo a evolução esperada na aquisição de conhecimentos, habilidades e
comportamentos do estudante, e precisam ser conhecidas, prevenidas e reduzidas.
Os prejuízos gerados aos estudantes pelas dificuldades de aprendizagem podem ser
significativos, chegando mesmo ao nível de estigma (ALMEIDA; RABELO; CABRAL;
MOURA; BARRETO; BARBOSA, 1995). Fatores associados às dificuldades de
aprendizagem são a falta de estrutura da escola em lidar com as dificuldades acadêmicas
desses alunos, a ausência de professores qualificados, a utilização de critérios de avaliação
baseados, exclusivamente, em testes de Q.I., que estabelecem uma linha tênue entre crianças
normais e deficiência mental leve (HILDEBRAND, 2000).

3.3 TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM

A definição de Transtorno de Aprendizagem (TA) não é ponto pacífico de definição.


Enquanto há propostas de classificação de transtornos, como por exemplo as condições
mencionadas no DSM-5 (2013), há pesquisadores que entendem que não há concordância
nesta definição. Muitos termos são utilizados para poder explicar os TA, com definições
amplas. A quinta edição do Manual de Diagnostico e Estatístico (DSM-5) que foi lançado
pela APA em 2013, situa os Transtornos de Aprendizagem na secção 2 do Manual, na
categoria dos Transtornos de Neurodesenvolvimento e define que os Transtornos de
Aprendizagem Específicos são gerados por uma desordem no neurodesenvolvimento que
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contém a sua origem em forma biológica que inclui diferentes fatores genéticos, epigenéticos
e ambientais. Os fatores apresentados afetam o desenvolvimento cerebral para ter a habilidade
em receber e analisar informações de comunicação ou comportamental em forma ágil e
precisa. Esta desordem é a origem do transtorno em nível cognitivo que é demonstrado pelos
comportamentos que indicam os transtornos de aprendizagem (APA, 2013, p. 68).
Enquanto a dificuldade de aprendizagem se refere a um conjunto de vários
problemas de aprender, que podem ser características temporárias ou permanentes que
constroem um risco educacional e modificam o desenvolvimento de aprendizagem do aluno o
transtorno de aprendizagem implica em significativas dificuldades na aquisição ou uso da
leitura, escrita, fala, raciocínio, audição ou habilidades matemáticas são alterações intrínsecas
ao indivíduo e presumidas como devidas à disfunção do sistema nervoso central (Hammil,
1998). Crianças que apresentam um desempenho inesperadamente baixo em uma ou mais
áreas acadêmicas, incluindo as áreas de leitura, matemática e escrita e que apresentam pouca
resposta a atividades pedagógicas de apoio podem ser diagnosticadas como portadores de TA.
Os transtornos não implicam em falta de chance de aprender nem doença cerebral adquirida,
consideram anormalidade no processo cognitivo, que podem ser devidas a algum tipo de
disfunção biológica (CID-10, 1992).
Os transtornos de aprendizagem mais conhecidos são a dislexia, discalculia e
disortografia. A discalculia é causada por uma má formação neurológica, e se manifesta na
dificuldade do aprendizado de números. Mas não tem de nem uma forma uma ligação com o
nível de inteligência (QI) do aluno e está dificuldade também não indica uma deficiência
mental. Crianças que possuem este transtorno não são capazes de resolver tarefas com
conteúdo que envolvem números, pensamento logico, cálculos, entre outros (Spinello, 2014).
A diferença entre uma dificuldade de aprendizagem e um transtorno de aprendizado
está no fato que as DA não se referem a um problema cerebral, mas sim como uma
dificuldade na área acadêmica que se constrói através de muitos fatores ambientais como
individuais. O TA é um conceito que é associado a origem biológica que causa transtornos de
aprendizagem que envolve mais fatores cerebrais e genéticos. Portanto, é fundamental aos
profissionais da educação e da saúde ter uma correta compreensão se o quadro apresentado
pelo discente refere-se a uma dificuldade de aprendizagem ou a um transtorno, e neste mister
a avaliação constitui-se a estratégia fundamental para identificação do quadro atual.

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3.4 COMO DIFERENCIAR DIFICULDADES DE TRANSTORNOS DE
APRENDIZAGEM: O PROCESSO DE AVALIAÇÃO

Dadas as diferentes características e impactos peculiares das dificuldades e dos


transtornos de aprendizagem, é fundamental diferenciar se o aluno está apresentando uma ou
outra. Para efetuar esta avaliação, profissionais da educação e da saúde podem utilizar de
estratégias diferenciadas para poder auxiliar o aluno e efetuar um correto encaminhamento.
Quanto à avaliação das dificuldades de aprendizagem, o professor é uma referência
grande para o aluno, além disso o ele acompanha bem mais o desenvolvimento acadêmico do
indivíduo que os responsáveis. Neste processo o professor deve ter uma visão individual sobre
cada aluno, observando se o desenvolvimento de aprendizagem ocorre regularmente. Através
da observação os professores conseguem identificar um desenvolvimento que dificulta o
aluno na aprendizagem ou um comportamento irregular do aluno. (MEC, 2006).
Para iniciar uma avaliação da aprendizagem do aluno é necessário primeiramente
determinar um objetivo especifica para sua avaliação e que instrumentos são adequados e
necessários para este procedimento. Com destino de facilitar a observação dos alunos o
professor pode construir uma lista com comportamentos que devem ser apresentados dentro
da idade de seu aluno. A melhor compreensão do aluno no total que apresenta alguma
dificuldade de aprendizagem pode servir como ajuda ter informações sobre o seu histórico
familiar como acadêmico. Também deve se levar em conta as condições mínimas do aluno
para poder avaliar bem os resultados adquiridos através dos instrumentos de investigação.
(MEC, 2006).
Os professores devem receber treinamentos pela sua instituição para poder tomar
frente da temática de dificuldades de aprendizagem, a subjetividade da educação muitas vezes
não importa para as escolas e professores. Isso tem que mudar para poder oferecer a cada
aluno uma possibilidade de educação e aprendizagem com preocupação do bem-estar
acadêmico e pessoal de cada aluno. O professor não dá um diagnóstico para o sujeito, a
avaliação do professor pode ser uma base para outros profissionais como o psicólogo, para ter
um histórico sobre o desenvolvimento do sujeito. (PORTAL BRASIL, 2014).
Conforme Gonzaga (2010) psicólogo tem uma formação diferenciada para identificar
esses comportamentos. A área da psicologia mais adequada para avaliar questões de
dificuldades e transtornos na área de aprendizagem é a escolar. A atuação do psicólogo
escolar, levando em consideração os obstáculos supracitados, deve ser também preventiva.

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4 CONCLUSÕES

As dificuldades e os transtornos de aprendizagem constituem-se quadros importantes


onde ocorrem prejuízos na vida acadêmica dos alunos. A correta identificação e diferenciação
de cada caso é fundamental para que se possa oferecer a melhor intervenção possível.
Contudo, durante a consulta à literatura, observou-se que não há uma boa clareza nos
materiais que ofereçam uma diferenciação objetiva e consistente entre as duas condições, e as
dificuldades de aprendizado são facilmente confundidas com os transtornos. Houve uma
grande sobreposição entre os termos, o que dificultou a seleção de material relevante a cada
uma das condições. Portanto, fica evidente a necessidade de estudos mais objetivos neste
campo.
É importante a presença do professor, por ser o profissional mais próximo dos
indivíduos enquanto estudantes, mas é indispensável o olhar e manejo diferenciado do
profissional da psicologia. Assim, a identificação correta se o discente está apresentando uma
dificuldade ou um transtorno depende de um olhar multidisciplinar, que deverá ajudá-lo a ter
o correto encaminhamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, S. F. C.; RABELO, L. M.; CABRAL, V.S., MOURA, E. R. O.; BARRETO M.


S. F. & BARBOSA, H. Concepções e práticas de psicólogos escolares acerca das
dificuldades de aprendizagem. Psicologia: Teoria e Pesquisa,1995.

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de Transtornos Mentais. Artmed. Porto Alegre, 2014.

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10. Descrições Clínicas e diretrizes diagnósticas. Artmed. Porto Alegre, 1993.

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HAMMIL D. D. A new definition of learning disabilities. Learning Disability Quarterly,


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HILDEBRAND, F.C. Dificuldades de aprendizagem: Habilidades sociais presentes nas


interações. Dissertação de Mestrado não publicada. Universidade Federal de São Carlos: São
Carlos, 2000.
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Saberes e práticas da inclusão: dificuldades acentuadas
de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento. MEC, Brasília, 2000.
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/dificuldadesdeaprendizagem.
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Ideau: Getúlio Vargas, 2014.

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Editora Pedagógica e Universitária LTDA: SP, São Paulo, 1987.