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painel

Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto


Ano IX nº 250 janeiro/ 2016 AEAARP

A história e
a genialidade
do automóvel
O primeiro foi criado em 1770, por um engenheiro de
guerra francês, e há mais de 100 anos o desenvolvimento
do setor proporciona novas experiências em engenharia

Energia
Indústria da região investe em tecnologia eólica

Eleições
Na política existem poucos engenheiros, arquitetos e agrônomos

Perfil
Da piscicultura à literatura: as histórias de Paulo Grecco
palavra do
presidente

Eng. civil Carlos Alencastre

O fogo
No final do mês de dezembro de 2015, um acontecimento chocante pegou a todos
de surpresa. O Museu da Língua Portuguesa, instalado na imponente e histórica
Estação da Luz, na cidade de São Paulo (SP), virou cinzas. O fogo tomou conta do
lugar e levou consigo a moderna estrutura de audiovisual que contava a história
do nosso idioma, desde o surgimento até os dias atuais. Menos de 24 horas mais
tarde, com a apuração da imprensa, soube-se que o processo de liberação do local
por parte do Corpo de Bombeiros não fora concluído desde a inauguração do lugar,
há cerca de 10 anos.
Todos já havíamos visto este filme e infelizmente não foi o bastante para apren-
dermos. Em Santa Maria (RS), centenas de vidas foram perdidas ou profundamente
abaladas em razão do incêndio em uma boate. Há dois anos, o Memorial da América
Latina também pegou fogo e destruiu uma importante obra de Tomie Otake. Quan-
tas vidas e dinheiro público serão necessários para que todos, iniciativa privada e
governo, atentem para o fato de que as normas técnicas foram desenvolvidas para
beneficiar e proteger o cidadão e não para fazê-los investir mais em obras ou ma-
teriais de construção?
Na urgência de inaugurar, ver funcionar, promover ou faturar, coloca-se em risco
milhares de vidas e investimentos gigantescos.
Quando da tragédia em Santa Maria, a AEAARP reuniu o Corpo de Bombeiros e
convidou todos os promotores de eventos da cidade para uma explicação sobre as
normas e os riscos de não as atender. A entidade investiu em informar os profissionais
sobre a obrigatoriedade de atentar às exigências normativas, em que pese, algumas
vezes, o sacrifício da estética. Para isso também deve haver solução.
Não há solução para o fogo quando ele consome vidas, o patrimônio e a história.
A responsabilidade dos profissionais do sistema CONFEA/CREA e CAU é cotidiana-
mente testada. A técnica deve ser usada para conferir qualidade de vida e segurança
às pessoas. Desprezá-la não é bom sinal.
expediente
Rua João Penteado, 2237 - Ribeirão Preto-SP - Tel.: (16) 2102.1700
Fax: (16) 2102.1717 - www.aeaarp.org.br / aeaarp@aeaarp.org.br

Eng. civil Carlos Eduardo Nascimento Alencastre


Presidente

Eng. eletr. Tapyr Sandroni Jorge


1º Vice-presidente

Eng. civil Arlindo Antonio Sicchieri Filho


2º Vice-presidente

DIRETORIA OPERACIONAL
Diretor Administrativo: eng. agr. Callil João Filho
Diretor Financeiro: eng. agr. Benedito Gléria Filho
Diretor Financeiro Adjunto: eng. civil e seg. do trab. Luis Antonio Bagatin
Diretor de Promoção da Ética de Exercício Profissional: eng. civil Hirilandes Alves
Diretor Ouvidoria: eng. civil Milton Vieira de Souza Leite

DIRETORIA FUNCIONAL
Diretor de Esportes e Lazer: eng. civil Rodrigo Fernandes Araújo
Diretor de Comunicação e Cultura: eng. agr. Paulo Purrenes Peixoto
Associação Diretor Social: arq. e urb. Marta Benedini Vecchi
de Engenharia Diretor Universitário: arq. e urb. Ruth Cristina Montanheiro Paolino
Arquitetura e
Agronomia de DIRETORIA TÉCNICA
Agronomia, Agrimensura, Alimentos e afins: eng. agr. Jorge Luiz Pereira Rosa
Ribeirão Preto Arquitetura, Urbanismo e afins: arq. Ercília Pamplona Fernandes Santos
Engenharia e afins: eng. Naval José Eduardo Ribeiro

CONSELHO DELIBERATIVO
Presidente: eng. civil Wilson Luiz Laguna
Conselheiros Titulares
Eng. agr. Dilson Rodrigues Cáceres
Eng. civil Edgard Cury
Eng. civil Elpidio Faria Junior
Arq. e eng. seg. do trab. Fabiana Freire Grellet Franco do Amaral

índice
Eng. agr. Geraldo Geraldi Jr
Eng. agr. Gilberto Marques Soares
Eng. mec. Giulio Roberto Azevedo Prado
Eng. elet. Hideo Kumasaka
Eng. civil João Paulo de Souza Campos Figueiredo
ESPECIAL 05 Arq. Luiz Eduardo Siena Medeiros
O automóvel e a engenharia Arq. e urb. Maria Teresa Pereira Lima
Eng. civil Ricardo Aparecido Debiagi

Agronomia 12 Conselheiros Suplentes


Nova tecnologia na pulverização agrícola Eng. agr. Alexandre Garcia Tazinaffo
Arq. e urb. Celso Oliveira dos Santos
Eng. agr. Denizart Bolonhezi
Meio ambiente 14 Eng. civil Fernando Brant da Silva Carvalho
Novo método promete identificar vazamentos na rede de água
Arq. e urb. Fernando de Souza Freire
Eng. agr. Ronaldo Posella Zaccaro
agricultura 16 REVISTA PAINEL
Abelhas em escala comercial
Conselho Editorial: - eng. civil Arlindo Sicchieri, arq. urb. Celso Oliveira dos Santos,
eng. mec. Giulio Roberto Azevedo Prado e eng. agr. Paulo Purrenes Peixoto -
Painel eleições 18 conselhoeditorial@aeaarp.org.br
São poucos os políticos que são engenheiros, arquitetos
Coordenação Editorial: Texto & Cia Comunicação – Rua Galileu Galilei 1800/4, Jd. Canadá,
e agrônomos
Ribeirão Preto SP, CEP 14020-620 - www.textocomunicacao.com.br
Fones: 16 3916.2840 | 3234.1110 - contato@textocomunicacao.com.br
EngEnhARiA 20 Editora: Daniela Antunes – MTb 25679
Indústria da região investe em tecnologia
Colaboração: Bruna Zanuto – MTb 73044

Perfil 22 Publicidade: Departamento de eventos da AEAARP - 16 2102.1719


O colecionador de histórias Angela Soares - angela@aeaarp.org.br
Tiragem: 3.000 exemplares
Locação e Eventos: Solange Fecuri - 16 2102.1718
crea-sp 25 Editoração eletrônica: Mariana Mendonça Nader
Comentários aos Artigos 71 e 75 Impressão e Fotolito: São Francisco Gráfica e Editora Ltda.
Painel não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos assinados. Os mesmos também não
notas e cursos 26 expressam, necessariamente, a opinião da revista.

Horário de funcionamento
AEAARP CREA
Das 8h às 12h e das 13h às 17h Das 8h30 às 16h30
Fora deste período, o atendimento é restrito à portaria.
especial

O automóvel
e a engenharia
Do motor a vapor à combustão interna: conheça
a história do automóvel e as contribuições da
engenharia para a sua evolução

Foto: Larissa Costa

Como ciência, a engenharia é muito diversas instituições de ensino têm carros antigos, com mais de quatro mil
mais antiga que o automóvel. Segundo o oferecido cursos de graduação, de es- exemplares de publicações da área.
engenheiro mecânico Álvaro Costa Neto, pecialização ou de mestrado em Enge- Desde a adolescência, Tiago Songa par-
especialista em Engenharia Automotiva e nharia Automotiva como, por exemplo, a ticipa de encontros de carros antigos e
professor da Universidade de São Paulo Escola Politécnica da USP, que oferece o hoje atua como diretor do Auto Mogiana
(USP) de São Carlos (SP), o termo engenha- primeiro curso de pós-graduação stricto Clube de Veículos Antigos e Especiais de
ria sempre esteve ligado a qualquer tipo de sensu da área no Brasil. Já a história do Ribeirão Preto e Região.
desenvolvimento tecnológico. Porém, no automobilismo desperta o interesse não Entende-se por automóvel todo o veí-
início não tinha tantas divisões como hoje. só de engenheiros, mas também de pes- culo que se move por meio de motor de
Com o surgimento da indústria automotiva soas que conviveram e ainda convivem propulsão, seja ele a vapor, elétrico ou
há pelo menos 110 anos – período no qual em meio aos encontros de carros antigos, por combustão interna. Dito isso, Songa
os automóveis passaram a ser fabricados que acontecem por todo o país. afirma que o primeiro automóvel que
em escala industrial – cria-se mais uma es- Em Ribeirão Preto, mora um jornalista existiu no mundo foi o Le Fardier, criado
pecialização da engenharia, a automotiva. especializado em história do automóvel em 1770, pelo engenheiro de guerra
Diante do crescimento deste setor, que se orgulha de sua biblioteca de francês Nicolas-Joseph Cugnot.

AEAARP 5
especial

• explosão (um dispositivo gera uma


faísca, ocasionando a explosão da
mistura)
• exaustão (saída do gás queimado na
explosão).

Veja na área Notícias no


endereço eletrônico da
AEAARP a animação criada
pelo Instituto de Física da
Universidade Federal do Rio
Primeiro carro Le Fardier
Grande do Sul, que mostra o
funcionamento de um motor
Durante a Revolução Industrial (perí-
quatro tempos.
Primeiro acidente odo entre 1760 até meados de 1840),
a única forma de energia existente era
automobilístico
o vapor. Cientistas e engenheiros do
mundo inteiro pesquisavam sistemas de www.aeaarp.org.br
O Le Fardier não tinha sistema
motores que pudessem aumentar a ca-
de freios e durante a demons-
pacidade e a agilidade das indústrias. “A
tração pública, o engenheiro
necessidade de motores mais potentes
Nicolas-Joseph Cugnot só con-
ainda não era para a criação de veículos,
seguiu frear o veículo, depois “A grande invenção dessa época foi
mas sim para os maquinários industriais”,
de joga-lo em uma parede, o sistema de faísca. No começo do sé-
explica Songa
provocando o primeiro aciden- culo XX, os carros ligavam em velocida-
te automobilístico do mundo. de constante e não tinham potência”,
Veja no endereço eletrônico da
AEAARP, na área de Notícias, o
Combustão interna acrescenta o professor. Neto comple-
O professor Costa Neto, explica que o menta que no início do século XIX, os
vídeo que reproduz a apresen- veículos tinham potência de 10 cavalos
barateamento do combustível fóssil foi
tação do Le Fardier para a so- por litro. “Hoje, um carro com motor
o grande responsável para o surgimento
ciedade francesa da época. 2.0 tem 100 cavalos por litro”.
do primeiro motor de combustão inter-
na para a indústria, criado pelo inventor Na empresa de Otto, tinham outros
www.aeaarp.org.br belga Étienne Lenoir, em 1860. A tecno- dois nomes importantes da história do
logia foi aprimorada pelo engenheiro automóvel: os alemães Karl Benz e Got-
alemão Nicolaus Otto, que criou, em tlieb Daimler, que abriram separada-
1876, o motor de automóvel que viria a mente suas próprias indústrias de pro-
ser mais parecido com os modelos atu- dução de motores a gasolina. Em 1885,
ais: o motor quatro tempos. Esse siste- Benz e Daimler adaptaram um motor
ma de combustão interna é usado até a gasolina em uma bicicleta e, um ano
hoje e é dividido em quatro ciclos. mais tarde, Benz fez o mesmo só que
• admissão (entrada da mistura de ar em um triciclo, que andava 15 quilô-
e combustível na câmara de com- metros por hora e foi patenteado como
bustão) Motor Wagen. “Ambas as experiências
• compressão (o pistão comprime a ainda não eram consideradas automó-
mistura de ar e combustível, dimi- veis, pois não tinham quatro rodas”,
Nicolas-Joseph Cugnot nuindo o seu volume) acrescenta o jornalista.

6 Revista Painel
Quem veio primeiro:
o automóvel ou a locomotiva?

Baroneza

Richard Trevithick George Stephenson

A primeira locomotiva do mundo foi criada pelo engenheiro inglês Richard Trevithick, em
1804, ou seja, 34 anos depois do Le Fardier. O inglês George Stephenson foi um dos nomes
mais importantes no desenvolvimento da locomotiva, foi ele quem construiu a primeira para
transporte de materiais de minas e a primeira linha férrea, ligando as cidades de Stockton a
Darlington (Inglaterra), inaugurada em 1825.
No Brasil, a primeira locomotiva foi a Baroneza, implantada em 1854, durante o império de
Dom Pedro II.
Segundo Celso Frateschi, engenheiro mecânico e professor da Universidade Paulista (Unip),
o auge das locomotivas a vapor aconteceu na década de 1830 e o declínio foi a partir de 1950,
com o surgimento das primeiras locomotivas a diesel. Até 1920, o Brasil tinha muita estrada de
ferro e pouca rodovia. “A ferrovia desbravou e interligou as cidades”, afirma Frateschi.
A partir de 1940, surgem os primeiros caminhões e o trem começou a perder mercado. “O
caminhão era mais versátil que o trem, pois ele andava em qualquer lugar. Assim, começa-se a
desenvolver as rodovias do país”. Durante o governo de Juscelino Kubitschek – de 1956 a 1961
– foram implantadas muitas montadoras de veículos no país, o que também contribuiu para a
perda de espaço das locomotivas.

AEAARP 7
especial

Gottlieb Daimler Emil Jellinek Karl Benz Henry Ford

Motor Wagen

A primeira pessoa a fazer uma


viagem com o Motor Wagen foi
Bertha Benz, esposa de Karl Benz.
Martha vivia em Mannheim e
foi visitar sua mãe em Pforzheim
(Alemanha), trajeto de 100
quilômetros. Este triciclo já tinha
acelerador e chave. Veja na área
de Notícias, no endereço virtual
da AEAARP, o vídeo que mostra o
funcionamento do Motor Wagen
Bertha Benz - Motor Wagen
e a história da família Benz.

Em 1886, Benz e Daimler mais uma automóvel a gasolina do mundo. “Além


www.aeaarp.org.br
vez inovaram e instalaram um motor a do motor, eles tiveram que adaptar na
gasolina em uma carroça, que abrigava carroça sistema de aceleração e frena-
quatro pessoas, surgindo aí o primeiro gem e caixa de direção”, complementa
Songa. Com isso, a dupla de alemães co-
meçou a vender os motores para outras
empresas que montavam os veículos.
Primeiro automóvel a gasolina do Brasil “O que mudou com o motor a gasolina
foi o tamanho dos veículos, pois os car-
A marca Peugeot existe há 205 anos. No início, os irmãos Jean-
ros movidos a vapor eram muito gran-
-Pierre II e Jean-Frédéric Peugeot fabricavam saleiro, pimenteiro,
des, pareciam uns tratores, pois tinham
bicicletas e vários outros produtos. Foi em 1889, que a empre-
que carregar tanques gigantes de água
sa entrou para a indústria automobilística com o lançamento de
para fazer o vapor”, avalia o jornalista.
um veículo com motor a vapor e, dois anos depois, apresentou o
primeiro carro de motor a combustão interna da marca, em um
Motor elétrico
evento de belas artes e engenharia mecânica, em Paris (França).
Em 1889, já existiam dezenas de in-
Foi nessa feira que o brasileiro Alberto Santos Dumont conheceu
dústrias europeias que fabricavam au-
o produto e trouxe o primeiro automóvel com motor a gasolina
tomóveis. E foi neste ano que surgiu
para o Brasil.
o primeiro carro elétrico do mundo,
o Baker Electrics, criado pela empre-
8 Revista Painel
sa Baker Motor Vehicle Company. “Até 1897, o empresário e diplomata alemão 130 km/h, em 1915, 160 km/h, em
meados de 1900, os fabricantes de au- Emil Jellinek comprou o primeiro carro 1920, e 200 km/h, em 1925.
tomóveis ainda não sabiam qual o tipo da empresa de Benz e Daimler. O veí-
de combustível mais viável e adequado culo andava a 24 quilômetros por hora, PRODUÇÃO EM MASSA
para os veículos”, comenta Songa. O Jellinek achou que era muito lento e en- Até meados da década de 1910, os au-
inventor americano Thomas Edison foi comendou mais dois carros, que fizes- tomóveis eram artigos de luxo e restrito
quem fabricou as baterias que foram sem 40 quilômetros por hora. às famílias abastadas. “O carro era algo
usadas neste veículo. Muito bem relacionado na aristocra- exótico. Os brasileiros traziam da Europa
cia alemã, Jellinek assume o papel de e junto tinham que trazer os motoristas
Aerodinâmica revendedor dos automóveis criados por para aprenderem a dirigir”, conta o jorna-
Foi a partir de 1901, que começou a Benz e Daimler, porém exigiu veículos lista. A partir de 1910, Henry Ford criou
se desenvolver a aerodinâmica nos ve- cada vez mais velozes, principalmente, o Fordismo, sistema de produção em
ículos, com a criação de um automóvel para as corridas de automóveis. “Jelli- massa, e implantou linhas de montagem
que tinha a carroceria e o assoalho mais nek também queria que a carroceria do em suas empresas para fabricar mais
baixo que o eixo das rodas. “Passaram a seu primeiro carro de corrida fosse mais automóveis em menos tempo e, assim,
utilizar carburador, a entender a impor- baixo e resolveu chamar o automóvel diminuir o valor de produção. Foi nesse
tância da aceleração, desaceleração e de Mercedes, que era o nome da sua fi- período que o carro começou a se tornar
sistema de freios”, diz Songa. Com isso, lha”, explica Songa. Com o destaque da mais acessível para a classe média.
o carro foi perdendo a característica de Mercedes em todas as provas, o nome O primeiro veículo produzido no For-
carroça ou carruagem e entrou na era começou a chamar a atenção do públi- dismo foi o Ford Modelo T. O jornalis-
moderna, tornando-se popular. co e em 1902 o nome Mercedes foi pa- ta explica que esses carros não tinham
Segundo o especialista em história do tenteado. A marca teve algumas varia- janela de vidro, eram feitos de madeira
automóvel, até meados de 1930, os car- ções até que em 1933 Mecerdes-Benz mais fina e custavam inicialmente 850
ros eram desenvolvidos primeiro pela tornou-se definitivo. dólares. “Em 1921, 55% dos automó-
equipe de engenheiros que montavam Neto conta que no início do século veis do mundo eram Ford T e chegaram
toda a parte mecânica e depois passa- XX, já existiam veículos que atingiam a custar 350 dólares”. O Brasil foi o se-
vam pela equipe de designers que mon- a marca dos 200 quilômetros por hora gundo país da América do Sul a receber
tavam a carroceria. A partir daí, a ordem (km/h). Porém, a média de velocida- uma filial da Ford, em 1919, ficando
de produção inverteu. “Esses carros ti- de que os veículos atingiam era de 80 atrás apenas da Argentina, que teve a
nham o radiador em cima do eixo dian- km/h, em 1900, 110 km/h, em 1910, instalação da fábrica, em 1917.
teiro e o banco em cima do eixo trasei-
ro. Era isso o que eles precisavam para
funcionar, a estética não importava”,
explica Songa.
Já para o professor da USP-São Car-
los, a exigência da estética nos veículos
sempre existiu, o que mudou foi o con-
ceito de estética automotiva. “O design
sempre fez parte dos processos de fa-
bricação dos carros. No século XX, por
exemplo, foram lançados carros muito
bonitos”.

Velocidade
A união das empresas de Benz e Dai-
mler foi a responsável pelo aumento
da velocidade dos carros e resultou na
criação da marca Mercedes-Benz. Em Linha de montagem de automóveis em série da Ford

AEAARP 9
especial

ponentes. Em entrevista para o portal


Auto Esporte, Nilton Monteiro, diretor-
-executivo da Associação Brasileira de
Engenharia Automotiva (AEA), contou
que um modelo popular básico, por
exemplo, tem cerca de cinco mil peças,
já os mais sofisticados podem checar a
10 mil. Esta matéria, que também está
disponível no endereço eletrônico da
AEAARP, faz um resumo do surgimento
de 50 peças importantes do automóvel
como, por exemplo, embreagem, siste-
ma de marchas, ignição entre outros.
Ford T -- Foto: Larissa Costa

www.aeaarp.org.br

Para Songa, uma das grandes inova-


ções do automobilismo, foi a injeção
de combustível, criada em 1910, pelo
americano Adams-Farwell. A injeção
de combustível foi a responsável por
tornar obsoleto o carburador. O pro-
fessor da USP-São Carlos explica que
KdF-wagen
o equipamento foi um grande avanço,
principalmente, para a preservação do
O ditador alemão fez algumas exigên- meio ambiente, pois a tecnologia reduz
cias: o carro tinha que ser barato (na consideravelmente os níveis de gases
época, deveria custar o mesmo preço tóxicos lançados no ar. “Com as leis an-
de uma motocicleta), tinha que caber tipoluição, criadas a partir da década de
quatro pessoas (sendo dois adultos e 1980, a injeção de combustível passou a
duas crianças, perfil da família alemã ser obrigatória nos veículos”.
na década de 1930), o motor tinha de
ter refrigeração a ar e deveria atingir a
velocidade média de 100 quilômetros Legislação
Ferdinand Porsche por hora. Surge então, em 1940, o KdF-
-wagen, primeiro Fusca lançado pela A Lei n° 6.938/1981 dispõe
Volks + wagen Volkswagen. O Fusca ficou conhecido sobre a Política Nacional do
Em alemão, volks significa pessoas, mundialmente e tornou-se o carro mais Meio Ambiente e mecanis-
povo, e wagen significa carro, daí o nome vendido, durante a década de 1970, ul- mos de aplicação e a Lei n°
Volkswagen (carro popular), que era o trapassando o recorde do Ford T. 9.605/1998 regulamenta as
grande sonho de Adolf Hitler. Em 1933, o sanções penais e administra-
ditador resolveu patrocinar o projeto do Peças e componentes tivas para quem gerar ativida-
carro popular e convidou o engenheiro Ao longo dos anos, os carros torna- des lesivas ao meio ambiente.
automotivo austríaco Ferdinand Porsche ram-se mais sofisticados e tecnológicos
para desenvolver o trabalho. e com número maior de peças e com-

10 Revista Painel
revistapainel
Logomarcas dos fabricantes
Durante o século XX, surgiram vários fabricantes de veículos e
cada logomarca simbolizava aspectos históricos da empresa. Na
área de Notícias, no endereço virtual da AEAARP, tem um resumo
da criação dos símbolos das principais marcas de automóveis.

www.aeaarp.org.br ANUNCIE
Neto explica que muitas peças e aces-
sórios dos automóveis demoram algum
Estados Unidos, e passou a ser obri-
gatório nos carros fabricados a partir
NA
PAINEL
tempo para se tornarem obrigatórias e de 2014, segundo as resoluções 311
terem produção em massa. Um exemplo e 312 de 2009, do Conselho Nacio-
é o sistema de freios antitravamento ABS nal de Trânsito.
(na tradução, Sistema Antibloqueio de O engenheiro mecânico Giulio Ro-
Frenagem), criado, em 1929 pelo francês berto Azevedo Prado, conselheiro da
Gabriel Voisin, para ser instalado em avi- AEAARP, avalia que o automóvel ajudou
ões e foi usado pela primeira vez em um no desenvolvimento da Engenharia de
automóvel em 1978. “O uso do sistema Materiais. “Hoje, os carros usam menos
de freios ABS tornou-se obrigatório nos metal e mais plásticos de engenharia,
carros produzidos a partir de 2014”. deixando os veículos mais leves”. Prado
O professor da USP-São Carlos cita acrescenta que a função de distribuir o
outros exemplos: choque de uma batida para as laterais
• o cinto de segurança de três pontas, do automóvel, deformando toda a sua
criado em 1959, pelo sueco Nils Bo- lataria, funciona como mais um equipa-
hlin que trabalhava na Volvo, que mento de segurança aos passageiros. “A
passou a ser obrigatório em 1997, Fiat, por exemplo, utiliza a tecnologia há
com a Lei 9.503 do Código de Trânsi- aproximadamente 25 anos”. No que diz
to Brasileiro. respeito à Engenharia Mecânica, Prado
• o airbag, criado em 1952, por John
Hetrick, engenheiro da Marinha dos
acredita que não houve muita evolução
nos veículos, mas muitas melhorias.
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AEAARP 11
agronomia

Nova tecnologia na
pulverização agrícola
Pesquisa desenvolvida em parceria com uma empresa do
interior de São Paulo oferece alternativa de automatização
na aplicação aérea de defensivos nas lavouras

Pesquisadores de uma empresa de São FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas componentes da plataforma, auxilia na
José dos Campos (SP) desenvolveram, Empresas (PIPE). realização da aplicação autônoma, sem
com o apoio da FAPESP, uma linha de O procedimento tradicional é realizado participação do piloto, podendo gerar
produtos customizados para automati- ao longo do voo de uma aeronave sobre uma economia de, no mínimo, 10% de
zação de processos da aviação agrícola, faixas paralelas e perpendiculares de cul- defensivos e de 5% de combustível.
um dos meios mais comuns de aplicação tivo, perpendicular ao sentido do vento, “É preciso agregar mais tecnologia à
de defensivos agrícolas. com algumas passagens repetidas sobre agroindústria nacional para desenvolvê-
A tecnologia foi desenvolvida por meio determinados segmentos na tentativa de -la dentro da nossa realidade, adequada
do projeto Sistema Embarcado de Con- garantir a cobertura total da área desejada. às necessidades locais, e a automatização
trole Automático (SECA), que teve por A tecnologia desenvolvida substitui dos processos é parte fundamental disso,
objetivo desenvolver um novo algoritmo o procedimento de controle e atuação facilitando a vida do agricultor e dimi-
e equipamento para automatização da manual por um equipamento dotado de nuindo seus custos, que já são altos com
aplicação de defensivos em aeronaves um hardware embarcado de tempo real e a compra de defensivos”, disse Fernando
agrícolas, realizado na NCB Sistemas Em- um sistema eletromecânico com sensor Garcia Nicodemos, sócio-diretor de Pes-
barcados Ltda. com apoio do Programa e atuador que, integrado aos demais quisa e Desenvolvimento da empresa.

12 Revista Painel
FLuX I tível com todos os modelos de aeronaves mas apenas duas fabricantes estrangei-
O primeiro dos componentes desen- em uso no país”. ras eram responsáveis por 90% deles.
volvidos é o FLuX I, um fluxômetro utili- Para chegar ao produto, os pesquisa- Para Nicodemos, a saída está no de-
zado para o acompanhamento em tempo dores envolvidos no projeto desenvol- senvolvimento nacional da agricultura
real da vazão do defensivo aplicado. veram um novo algoritmo de controle de precisão, com sistemas eletrônicos
Com ele, o piloto pode calcular direta- para a automatização da aplicação de embarcados de orientação e navegação
mente no equipamento a vazão ideal de defensivos e trabalharam em atividades em veículos terrestres e aéreos, como
aplicação e a quantidade total do insumo de modelagem para sua validação em pulverizadores, tratores, colheitadeiras
aplicado por meio de um totalizador. ambiente simulado. e aeronaves agrícolas.
Além disso, é possível realizar uma cali- Com o resultado, a empresa trabalha “O mercado brasileiro ainda se encon-
bração simplificada de modo que a vazão agora na certificação da linha de produ- tra no patamar do controle manual da
monitorada represente realmente a do tos junto à Agência Nacional de Aviação aplicação de defensivos, utilizando com-
insumo aplicado, evitando o desperdício. Civil (Anac), na produção de lotes para ponentes majoritariamente mecânicos,
O equipamento é composto por um campanhas comerciais e na fabricação e sendo o acionamento manual da válvula
monitor digital, que deve ser instalado criação de itens de demonstração, treina- de abertura feito pelo piloto, que inicia e
no painel da aeronave, e de um sensor mento e divulgação para representantes. interrompe o processo a cada aplicação.
do tipo turbina acoplado a um filtro, De acordo com o Registro Aeronáutico Trata-se de um processo pouco preciso
instalado na tubulação da parte externa Brasileiro da Anac, todas as aeronaves e que oferece pouca segurança”, avalia.
inferior. De acordo com Nicodemos, “a registradas no Brasil em 2010 possuíam
tecnologia é de fácil instalação e compa- equipamentos básicos de navegação, Fonte: Agência Fapesp

AEAARP 13
meio ambiente

Novo método promete identificar

vazamentos
na rede de água
Análise dos dados, a partir de um modelo matemático,
mostram gráficos de pressão que, quando alterada, pode
indicar vazamentos na rede de distribuição de água

Projeto de doutorado desenvolvido no que é necessário para o modelo, e que se


campus de São Carlos (SP) da Universi- atualiza semanalmente. “Os sensores de
dade de São Paulo (USP) promete criar pressão têm memória interna e medem
um método que identifique a ocorrência os valores continuamente, registrando
de vazamentos em redes de distribuição os valores a cada dois minutos. Eles con-
de água de forma automática. Maria seguem armazenar mais ou menos uma
Mercedes Gamboa é doutoranda do Pro- semana de dados”, conta a pesquisadora.
grama de Pós-Graduação em Engenharia A ideia é que, no futuro, essa tarefa seja
Hidráulica e Saneamento da Escola de automatizada.
Engenharia de São Carlos (EESC) e testa
o método na rede de distribuição da Modelagem de dados
cidade de Araraquara (SP), em parceria As informações recolhidas são ana-
com o Departamento de Águas e Energia lisadas com a ajuda de ferramentas
Elétrica (DAEE). computacionais propostas pelo professor
O método se baseia na aplicação de Rodrigo Mello, do Instituto de Ciências
técnicas de aprendizado de máquina Matemáticas e de Computação (ICMC)
usando os dados obtidos continuamente da USP e pesquisador do Centro de Ci-
na rede. Para obter os dados da pressão ências Matemáticas Aplicadas à Indústria
da água nas tubulações, Maria instalou (CeMEAI). “A minha parte é contribuir
nove sensores em diferentes pontos da com a modelagem dos dados que a
cidade, compreendendo o abastecimen- Maria obtém em Araraquara. Cada sen-
to de 18 mil habitantes. sor produz uma série temporal, e essas
Os sensores foram instalados espe- séries são usadas para montar o modelo
cialmente para a pesquisa. “Foram feitas que pode detectar momentos em que
adaptações simples do ponto de vista há ou não o inicio de um vazamento”,
técnico. Foram construídos pelo DAAE esclarece Mello.
nove poços de visita e, dentro deles, nas Durante a análise dos dados, surgem
redes, foram adaptados registros que inicialmente, na tela do computador, grá-
permitem a conexão dos sensores de ficos de pressão ao longo do tempo. Uma
pressão”, explica o engenheiro Fernando diminuição da pressão é, possivelmente,
Lourencetti, gerente de manutenção um indicativo de vazamento. Mas, nem
elétrica e mecânica do DAAE. sempre é assim. A diminuição pode ter
Os valores de pressão continuamente sido provocada por motivos diferentes
medidos constituem o banco de dados ou também ficar mascarada pelas varia-

14 Revista Painel
ções normais na rede. Por isso, a função só na cidade de Araraquara, mas no Brasil
do modelo matemático é distinguir as va- e no mundo todo”, frisa. Para o futuro,
riações que de fato correspondem a um a ideia é que os sensores sejam interli-

Destine
vazamento das variações que não cor- gados on-line com o sistema do DAAE
respondem. “Nós temos que encontrar e avisem, em tempo real, quando há a
limiares para indicar o que é normal e o suspeita do início de um vazamento, o

16% do
que não é normal. Um dos componentes que diminuiria drasticamente o tempo de
da série temporal permite essa análise reparação do problema e o consequente
com uma precisão maior”, conta Mello. desperdício de água.
O estudo ainda está em estágio de Para Fernando, a pesquisa pode ajudar
desenvolvimento, mas Maria já espera
que o método, quando finalizado, possa
ser usado em qualquer rede de abaste-
muito o setor de perdas do DAAE a dimi-
nuir a quantidade de água desperdiçada.
“Atualmente, com as perdas em torno de
valor
da ART
cimento de água. “O objetivo do douto- 40%, há a necessidade de se buscar no-
rado é criar o método. O que estamos vas alternativas, novas tecnologias para
fazendo em parceria com o DAAE é um baixar esse número. Com essa pesquisa,
estudo piloto para obter os dados e de- será possível buscar as perdas de uma
senvolver esse método. Mas o objetivo é
que a metodologia fique aberta, disponí-
vel para quem quiser implementá-la não
forma muito mais rápida do que a usada
atualmente”, finaliza.
Fonte: Agência USP
para a
37% da água captada é perdida AEAARP
(Associação de
A crise hídrica aprofundou os debates no Brasil acerca das perdas de água,
Engenharia, Arquitetura
principalmente nas redes de distribuição. Análise do instituto Trata Brasil
considera que os dados de perdas no país mostram a fragilidade da gestão e Agronomia de
de grande parte do setor, ao mesmo tempo em que impõe desafios às esferas Ribeirão Preto)
governamentais. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Sanea-
mento (SNIS – ano de referência 2013) demonstram que 37% da água captada
é perdida na rede. A informação consta do trabalho intitulado, “Perdas de
Água: Desafios ao Avanço do Saneamento Básico e à Escassez Hídrica”, que
tem como fundamento os dados mais recentes do Ministério das Cidades.
Além da questão ambiental, há também perdas financeiras. A água não
faturada pelas empresas foi de 6,53 bilhões de m³ de água tratada, perfa- Agora você escreve o nome
zendo perda financeira de R$ 8,015 bilhões ao ano. As perdas equivalem da entidade e destina parte do
a cerca de 80% dos investimentos em água e esgoto realizados em 2013. valor arrecadado pelo CREA-SP
Na projeção do estudo, se em cinco anos houvesse uma queda de 15% nas
diretamente para a sua entidade
perdas no Brasil, ou seja, de 39% para 33%, os ganhos totais acumulados
em relação ao ano inicial seriam da ordem de R$ 3,85 bilhões. O volume
total da água não faturada (6,52 bilhões de m³) é equivalente a 6,5 vezes a
capacidade do Sistema Cantareira (1 bilhão de m³), ou 7.154 piscinas olím-
picas perdidas ao dia. O Trata Brasil esclarece que em qualquer processo
de abastecimento de água por meio de redes de distribuição no mundo
ocorrem perdas do recurso hídrico. Há diferentes classificações de perdas:
as reais são associadas aos vazamentos e perdas aparentes são relativas à
falta de hidrômetros ou demais erros de medição, às ligações clandestinas
e ao roubo de água. Contamos com sua
colaboração!
AEAARP 15
agricultura

Abelhas
em escala comercial
Escasso na natureza, o inseto é primordial para a polinização

Uma empresa começa a comerciali- “Em vários países, as pessoas e os


zar ninhos da abelha Mamangava nos governos estão se mobilizando para
próximos meses para produtores de aumentar a presença de polinizadores,
maracujá. O projeto foi desenvolvido por essenciais na cadeia produtiva agrícola,
meio do Programa Pesquisa Inovativa em que muitas vezes são afetados com o
Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP. A uso intensivo de inseticidas na lavoura”,
polinização é possível também em outras explica a zootecnista Paola Marchi.
culturas. As flores não polinizadas não geram

16 Revista Painel
frutos e as abelhas polinizadoras estão de maracujá fornecem a ela apenas o
cada vez mais escassas. A comerciali- néctar, que é a fonte de energia.
zação será feita em ninhos com insetos Para desenvolver a tecnologia de cria-
recém-emergidos, que poderão ser ção das Mamangavas, a pesquisadora Veja na área Notícias
liberados nos cultivos em florescimen- estuda aspectos reprodutivos desses da página da AEAARP
to. “A quantidade adequada por área e insetos, como a capacidade das fêmeas a reportagem com-
o tempo indicado de permanência nas em gerar descendentes. “Além disso, o pleta da Revista da
plantações ainda estão sendo ajustados”, armazenamento e o período de incuba- Fapesp, que mostra
conta a zootecnista. ção de indivíduos imaturos estão sendo outras experiências
O que se sabe é que essa espécie testados com diferentes temperaturas com abelhas e insetos
frequentemente reutiliza seus ninhos para prever e manipular o surgimento para controle de
antigos e, por isso, pode permanecer nas das Mamangavas”, diz Paola. “Estamos pragas.
áreas cultivadas com maracujá por várias desenvolvendo e aperfeiçoando técni-
gerações. Mas para isso é necessário que cas para multiplicar os ninhos, como
haja condições adequadas para sua so- também seu transporte e instalação nos
brevivência, como a existência de outras cultivos.”
www.aeaarp.org.br
plantas das quais elas possam coletar o
pólen, fonte de proteína, porque as flores Fonte: Agência Fapesp

AEAARP 17
Painel
eleições

São poucos os políticos que são


engenheiros, arquitetos
e agrônomos
Em todo o país, 45 ocupantes de cargos eletivos têm
profissões do sistema CONFEA/CREA e CAU

No Brasil, 31 engenheiros, 10 agrô- o país, são 17 deputados federais nesta


nomos, dois arquitetos, um técnico em categoria e 26 deputados estaduais.
agrimensura e outro em agronomia ocu- Wlaumir Souza, docente de Sociologia
Painel eleições
Pelo fato de 2016 ser um
pam cargos eletivos. Isto é, foram eleitos e Filosofia no Centro Universitário Barão
ano eleitoral, a revista Pai-
democraticamente para o legislativo de Mauá, explica que tradicionalmente,
nel vai realizar uma série de
ou executivo. Levantamento realizado médicos e advogados tornam-se douto-
reportagens, com diferentes
pela revista Painel mostra que destes 45 res também talhados para a atividade
especialistas, para oferecer
profissionais, ligados ao sistema CON- política. “É comum que o médico seja
ao leitor diferentes visões de
FEA/CREA e CAU, apenas dois ocupam prefeito em uma cidade pequena”, exem-
analistas do tema.
cargos majoritários – um engenheiro é plifica. Ele observa que a característica do
governador e outro é senador. Em todo exercício profissional – de proximidade

18 Revista Painel
com as pessoas e prestação de serviços professor é eleito, mas precisa também na última década, permite ao eleitor
– favorece a oportunidade para o voto. dos votos que estão além de seu núcleo conhecer quem financia a campanha
Já os profissionais de engenharia, associativo ou sindical para alcançar de seu candidato. Assim, pode concluir
arquitetura e agronomia, estabelecem este objetivo. E, uma vez eleito, deverá aquilo que ele representa para além dos
relações de patrão e empregados com se equilibrar entre os interesses de sua compromissos que assumiu durante a
aqueles com quem se relacionam. “A categoria e também daqueles que cola- campanha eleitoral.
relação do engenheiro com o trabalhador boraram, com votos ou financiamento, Para Souza, eleger candidatos vincula-
braçal não cria vínculo de voto”, explica. para o êxito eleitoral. dos a classes profissionais tem relevân-
Do ponto de vista do histórico da forma- Soma-se a isso o que Souza chama de cia quando, por exemplo, tramita um
ção profissional e do desenvolvimento “cálculo do dissenso”, que é a medição projeto de lei que versa sobre direitos
das relações políticas no Brasil, dentre – política – do tamanho do ‘mal’ que e deveres. “Neste caso, o deputado
essas profissões, consideradas clássi- pode ser feito para atender a toda a base eleito por determinada categoria será
cas, cabe aos engenheiros, arquitetos e eleitoral, ainda que existam interesses a ponta de lança dos interesses desses
agrônomos as questões práticas e não difusos. É como no ditado popular: profissionais”.
as políticas. acender uma vela para Deus e outra Não há, entretanto, qualquer relação
A representatividade do cargo eletivo para o Diabo, que a figura de linguagem com a capacidade técnica do eleito. No
na política, porém, não está circunscrita usada pelo professor para explicar a mo- Brasil, basta ser alfabetizado para poder
à categoria profissional, uma vez que só vimentação política do governo federal candidatar-se. Souza cita o episódio
uma categoria não seria capaz de eleger quando da recente troca do ministro da envolvendo o deputado federal Tiririca
ninguém. A exceção, segundo Souza, Fazenda. “A presidente quer agradar os como “exemplo internacional”. Quando
são os professores do estado de São eleitores e também fazer a reforma da eleito para o primeiro mandato, o de-
Paulo, que compõem o Sindicato dos previdência”, disse. putado, até então um artista popular,
Professores do Ensino Oficial do Estado Souza ressalta que são os interesses precisou comprovar que sabia ler e
de São Paulo (APEOESP), o maior da dos financiadores que aglutinam par- escrever para tomar posse na legislatura
América Latina. Apesar de, em tese, reu- lamentares em bancadas, como as da 2011-2015. “Capacidade técnica não
nirem número suficiente de votos para Bala e a Rural. “Às vezes, quem votou é pré-requisito para ser candidato. É o
eleger aqueles em que têm interesse, não tem clareza sobre essas questões”, pressuposto da igualdade democrática”,
são separados ideologicamente den- explica. A regra da prestação de contas, esclarece.
tro do próprio sindicato. Portanto, um que se tornou mais rígida e transparente Nesse contexto, uma pessoa analfa-
beta só não pode ser eleita pelo fato de
não poder comprovar o domínio sobre
Representatividade de engenheiros, arquitetos as ações do mandato, ainda que as ati-
e agrônomos na política brasileira vidades técnicas sejam executadas por
assessores.
DEPUTADO ESTADUAL 18 engenheiros
8 agrônomos Ribeirão Preto
DEPUTADO FEDERAL 12 engenheiros Um dos 18 deputados federais que
2 arquitetos compõem o sistema CONFEA/CREA
e CAU é o engenheiro agrônomo An-
2 agrônomos
tônio Duarte Nogueira, secretário de
1 técnico em agronomia
Transportes do Estado de São Paulo. Na
1 técnico em agrimensura
Câmara Municipal de Ribeirão Preto,
SENADOR 1 engenheiro porém, não há parlamentar que seja
GOVERNADOR 1 engenheiro engenheiro, arquiteto ou agrônomo.

AEAARP 19
engenharia

Indústria da região
investe em
tecnologia
Comitiva da AEAARP conheceu processo de produção
da Zanini Renk, que diversificou a produção para
adaptar-se à realidade do mercado

Uma comitiva da AEAARP visitou o par- entre a prospecção de uma venda até seguem especificações técnicas deter-
que industrial da Zanini Renk, que ocupa a entrega do produto gira em torno de minadas pelos engenheiros da Zanini
174 mil metros quadrados com 16 mil nove meses, sendo cinco meses só para Renk. “Quando criamos uma nova liga,
metros quadrados de área construída, a produção. por exemplo, fazemos um acordo com o
para conhecer as inovações tecnológicas Todos os projetos de novos produtos fornecedor para garantir a confidencia-
do setor e o processo de fabricação de são criados pelos engenheiros da empre- lidade da tecnologia desenvolvida pela
equipamentos pesados. sa. “Estamos diminuindo a dependência empresa”. Esse material é recebido pela
O engenheiro mecânico Marcelo Car- tecnológica de outros países”, explica área industrial da Zanini e aí é feito o
neiro, responsável pela área industrial Carneiro. Desde 1983, a empresa brasi- roteiro de trabalho: processo produtivo,
da empresa, explica que cada peça é leira mantém contrato de transferência linha de montagem, bancada de testes,
feita sob encomenda e com característi- de tecnologia com a indústria alemã Renk pintura e expedição.
cas específicas. “Não existe um projeto AG, produtora de redutores de velocida- Carneiro explica que a garantia de
padrão. É tudo artesanal. Não temos um de para aerogeradores navais e tanques equipamentos pesados começa com o
estoque de equipamentos”. O tempo militares. Há quatro anos, foi criada uma aceite do técnico do cliente, pois os tes-
equipe de inovação, formada por cinco tes de redutores especiais de velocidade
engenheiros mecânicos, para atuar na só são feitos em campo. Os redutores
Surgimento geração de novos produtos. de velocidade eólicos são os únicos
A marca Zanini nasceu em 1950, que podem ser testados no parque
quando a empresa investia em Projeto e produção industrial, segundo o engenheiro. Ele
pesquisas e novas tecnologias Os materiais comprados pela empre- complementa que os redutores espe-
para a indústria de bens de ca- sa, como ligas de metais ou aço bruto, ciais de velocidade necessitam apenas
pital. Em 1976, foram fundadas
outras duas empresas: a Renk
Zanini, empresa especializada
em redutores especiais de ve-
locidade, e a Sermatec Zanini,
fornecedora de serviços de mon-
tagens eletromecânica em equi-
pamentos industriais. A partir de
2013, a companhia decidiu ado-
tar primeiro o nome do grupo e
depois o da empresa, alterando
o nome para Zanini Renk.
Comitiva da AEAARP visitou o parque industrial

20 Revista Painel
Mercado
As áreas mais estratégicas da empresa
são o tratamento térmico dos produtos
e a retífica de dentes de engrenagens de
grandes máquinas. A empresa tem vários
fornos que aquecem o aço em até 930
graus. Esse material segue para a têmpe-
ra – processo de resfriamento – em um
tanque de óleo, com temperatura que
chega a 60 graus. Durante esse processo,
é feita a adequação para a necessidade
mecânica da peça, ou seja, a temperatu-
ra e o tempo de permanência no forno
variam de acordo com o produto.

Acionamento planetário rolo a rolo para usinas que precisa de flexibilidade operacional
Assista ao vídeo institucional da
Zanini Renk. O link está dispo-
nível no endereço eletrônico da
AEAARP, na área de Notícias.

www.aeaarp.org.br

Empresa
A empresa conta com 321 funcionários,
em Cravinhos, e vai inaugurar uma filial
em Recife (PE), especializada em redu-
Acionamento Torqmax - o preferido das usinas de
açúcar e etanol tores de velocidade para o setor eólico,
em parceria com a empresa finlandesa
de manutenção preditiva, que reduz os Moventas, que produz cerca de quatro
custos de manutenção e aumenta a vida redutores eólicos por dia.
útil do equipamento. “Um redutor de Todos os processos de fabricação têm
velocidade eólico, por exemplo, dura, no monitoramento on-line constante, atra-
mínimo, 50 anos”. Serviços de reformas e repotenciamento em vés do Sistema ERP, programa que reúne
redutores multi marcas
todos os dados e processos da empresa
Exportação e importação em um único sistema. “Sabemos o que
A taxa de exportação dos produtos da Investimento cada funcionário deve estar fazendo com
Zanini Renk chegou a 25%, até o final de Os maquinários de origem alemã cada uma das peças que estão sendo
2015. Os principais países consumidores que são usados na fabricação de equi- criadas no parque industrial”.
estão na América Latina, com destaque pamentos pesados demandam altos A Zanini Renk é a única empresa bra-
para o Peru. Antes, a empresa brasileira investimentos. Uma máquina que faz o sileira fabricante de redutores navais de
importava grande parte das peças da processo de retificação, que consiste no grande porte, certificada pela Marinha do
China e Europa. Com a alta do dólar, as acabamento final da peça, chega a custar Brasil, e única fornecedora de redutores
peças estão sendo fabricadas no Brasil, três milhões de euros. Outra máquina e multiplicadores especiais para o setor
aumentando o índice de nacionalização usada na usinagem da peça demandou de óleo e gás, que são feitos 100% com
dos produtos. sete milhões de reais. materiais desenvolvidos no Brasil.

AEAARP 21
perfil

O colecionador
de histórias
Pouco antes de aposentar-se, Paulo Grecco
descobriu prazer em escrever crônicas

de 1960, passou a colocar no papel. Es- legas de faculdade que tomaram rumos
creveu o primeiro texto, que ele classifica distintos e voltaram a encontrar-se anos
como parábola, em defesa de um colega mais tarde, tema da crônica “Dois agrô-
de trabalho. E não parou mais. nomos”, publicada junto a esta matéria.
De modo geral, seus escritos podem Aquele que o emociona e classifica
ser classificados como crônicas. Contam como predileto é o primeiro que escre-
fatos vividos por ele ou que lhe foram veu, “Eu vi uma árvore”, que encerra o
narrados por amigos. Aquele que tem o seu livro. Criado para a defesa ao colega
título “O crioulo exigente, o branco azedo Walter Goulart, foi lido também em seu
e a mulata normal”, por exemplo, nasceu funeral. “Mas por outra pessoa, eu não
do relato de um amigo, do qual não re- tive coragem”, lembra, emocionado.
vela o nome, que presenciou a agressão Os textos estão reunidos no livro “A
a uma mulher, no Rio de Janeiro (RJ). Ao crônica lendo a vida”, editado há 10
tentar defende-la, o amigo de Grecco foi anos, e também são publicados em um
chamado por ela de “branco azedo”. Do blog que mantém no site da Associação
outro lado da rua alguém teria dito que dos Ex-Alunos da Escola Superior de
se tratava uma “mulher normal”. Agricultura Luiz de Queiroz (Adealq),
Paulo Grecco
Grecco inspira-se nos textos de Nelson onde assina como ex-morador da repú-
Rodrigues e também em Stanislaw Ponte blica Mosteiro. Porém, pela trajetória
Paulo Antônio Petraquini Grecco é Preta, pseudônimo do jornalista Sérgio profissional e a atividade que escolheu
resultado da fusão dos nomes dos avós Porto, ativos escritores do século XX. Para para desenvolver na aposentadoria,
Antônio Petraquini (materno) e Paulo ele, escrever “é uma arma restauradora” Grecco também poderia ser apresentado
Grecco (paterno), italianos que chegaram de pessoas, árvores, mulheres, praças, como um bom contador de histórias de
ao Brasil para trabalhar na lavoura. E do amor e o que mais for objeto de boas pescador.
foi também o destino de Grecco, único histórias e que inspirem.
homem de uma família de três filhos, Já escreveu por encomenda, como
Vejas as crônicas de Paulo Grecco
graduado engenheiro agrônomo pela quando fez crônica para a filha de um
na página
Escola Superior de Agricultura Luiz de renomado advogado da cidade. Prefere
Queiroz da Universidade de São Paulo fazê-lo por impulso, buscando histórias adealq.org.br/blog
(Esalq). Dedicou-se ao serviço público, que transcendem a agronomia, apesar
notadamente à piscicultura. Colecionou de muitas vezes passar por ela quando,
histórias que, a partir do final dos anos por exemplo, relata a história de dois co-

22 Revista Painel
Dois agrônomos

Foram moleques na mesma época. contentar os conservacionistas.


Na época em que ser moleque, não era pejorativo. Mas o conservacionista também era bom em projeções:
Jogavam, entre outras coisas, o jogo de bolinhas de vidro. – E até quando vamos ter petróleo e outros minerais para
Disputavam as batalhas, palmo a palmo. substituir titica de galinha?
E discutiam ferrenhamente. – E a que preço?
Sempre: – Sem falar na qualidade.
– Ticou! – Além do mais, poço de petróleo é estéril - só tem mineral.
– Não ticou! – Falta-lhe vida e além de ser caro, está distante de nós.
E brigavam. Também, quase sempre. A discussão era realmente interminável.
Desta forma, adquiriram o salutar hábito da discussão. A noite não.
Discussão cartesiana. Porém, discussão eterna. O garçom anunciou melancolicamente que as cervejas e a
viagem haviam terminado.
Um dia se tornaram Engenheiros Agrônomos.
Lamentava.
Um deles enveredou pelo intricado da adubação química.
Trouxe a conta.
O outro tratou de estudar e praticar a conservação de ferti-
lidade e da fertilização natural da santa terra. Recebeu e foi cuidar de outros afazeres, com a cabeça cheia
de fórmulas de adubação, de incertezas e de titicas.
E continuaram a discutir.
Hoje, a discussão daqueles agrônomos continua atualíssima.
Agora já não eram tão cartesianos.
Porém, em geometria aberta.
A ciência, a tecnologia e o tempo haviam se encarregado de
fazê-los pensar a discutir em perspectivas mais abertas. Mas, naquele dia, sentados em bondes com destinos dife-
rentes, os dois agrônomos gritaram, de longe, um para o outro:
Mas havia sempre alguma coisa a despistar.
– Ticou!
E quando não chegavam a um acordo, voltavam às rígidas
ordenadas cartesianas. – Não ticou!
– Ticou! O tempo passou.
– Não ticou! Os dois agrônomos tiveram filhos.
Certa noite tomaram o trem noturno para irem a Campinas. Por sinal dois (um de cada) que também se tornaram agrô-
nomos.
Cada um à sua repartição.
E por obra e graça do destino, aconteceu o inesperado:
Sentaram-se no vagão restaurante.
– O filho daquele que trabalhava com isso, foi trabalhar com
Pediram uma cerveja.
aquilo.
Como já não eram tão cartesianos, pediram, a seguir, muitas
– E o filho daquele que trabalhava com aquilo foi trabalhar
cervejas.
com isso.
Não foram dormir.
Um dia os dois filhos-agrônomos se encontraram.
E continuaram a discutir:
(Há que dizer que acompanhavam de há muito a contenda
– O solo é um cocho, onde nós colocamos comida forte e entre os dois moleques-pais-agrônomos).
rápida para a planta comer e poder crescer, dizia o fertilizador
Disse o primeiro:
químico.
– Não ticou!
– Santa heresia! Será que ainda tem gente que não vê que a
mãe terra, quando bem conservada e bem estercada, nos dá O segundo respondeu:
tudo o que queremos? Ela não é um cocho. É um complexo vivo. – Pô. Vê se não chateia, porque eu já conheço esta história.
Vociferava assim o conservacionista. E foram ao bar.
– Pois é. Se eu for adubar a terra com titica de galinha, cada Esvaziar cervejas.
um de nós terá que comer cinco ovos por dia. Só quero saber Sem titicas e sem radicais.
quem é que vai comer nove ovos num dia, porque eu, por
E não cartesianas. É lógico.
exemplo, só consigo comer um.
Digo isto só para se ver quanta galinha tem que titicar para
Paulo Grecco

AEAARP 23
Herói de aeroporto
No chão a decisão. Todos o abraçaram. E até o carregaram.
No ar a habilidade. O mecânico do dedo de ouro.
Já aconteceram várias vezes. Pudera! Que coragem.
Mas vamos falar apenas sobre a última. E o piloto? Chegou ao hangar, após taxiar o avião e recriminá-
Um piloto voltava de um voo solitário. Em um monomotor, -lo pela literal mancada.
não muito bonito. Abraçou e beijou o mecânico.
Segundo o jovem comandante do Aeroclube de Ribeirão Preto Ainda disse brincando:
(sessenta anos, só de avião): – Você acaba de salvar o pai dos meus filhos!
“Para voar bem, o avião tem que ser bonito” (as leis da ae- Um engenheiro aeronáutico, que a tudo assistiu, chamou o
rodinâmica explicam). piloto de lado e perguntou-lhe:
E, ainda, tem que ter as asas nas costas (asa alta). - Como é que você fez para controlar o arrasto irregular,
Como os passarinhos e as abelhas (ambos com asas altas). desde a descida de somente dois trens (rodas) - aerodinâmica
Pois que, o avião com asa na barriga (asa baixa) voa com desalinhada? Voar a menos de três metros do solo, portanto
dificuldade. com o ar quente (menos suportador) e asa baixa (sustentação
mais difícil)? Evitar a camionete bagunçar a aerodinâmica em
E dizem também, que geralmente, é menos bonito (é preciso
todos os sentidos? E ainda não bater no braço ou na cabeça do
lembrar que qualquer avião - é, pelo menos, um pouco bonito)!
mecânico voluntário?
O avião desta história (aconteceu mesmo) tinha asa baixa.
– Sei lá. Tinha muita coisa para fazer ao mesmo tempo. Não
Não era bonito - e o pior - seu piloto foi posto à prova. deu para planejar, nem gravar na memória. Só deu pra fazer.
O piloto vinha fazendo tudo certinho.
O avião - feio e de “queixo duro” - é que desacertou as coisas. Terminou de chorar de alegria.
Quando se aproximava do aeroporto (fazia os procedimentos Preencheu o plano do próximo voo.
para pousar), o piloto notou que um dos trens (a roda direita
E foi para casa beijar mulher e filhos.
debaixo da asa) não baixou para a posição de sustentar o avião
quando tocasse a pista. À noite, piloto e mecânico, tomando cerveja, desafiaram-se:
O piloto, que já tinha cabelos brancos, não entrou em pânico. – Se não fosse o meu dedo, hein? - disse o mecânico.
Tentou baixar novamente a roda. – Se não fossem os meus pés, hein? - contestou o piloto.
Nada. No dia seguinte, manchete nos jornais, do país todo:
Virou o avião em todos os eixos e direções e submeteu-o a “No aeroporto, mecânico vira herói nacional”.
forças centrífugas e outras, todas extremas, tentando “derru- Na saída do hangar, o velho piloto disse para o avião, antes
bar” a “perna” preguiçosa. de decolar:
Nada. – Companheiro, vê se não esquece de esticar todas as pernas
E avisou a torre: para pousar. Pois não é sempre que se encontra um “HERÓI DE
AEROPORTO”.
– Vou pousar com duas pernas!
O piloto não ouviu, mas no fundo do hangar um rádio tocava
– A terceira não quer baixar!
uma bela e antiga melodia.
– Seja o que Deus quiser!
John Wayne assobiava “The high and the might”...
Antes de arriscar a manobra, ele ouviu, pelo radiocomunica-
Paulo Grecco
dor, a sugestão de um mecânico decidido:
– Passa baixinho, devagar, caranguejando. Eu subo numa
camionete e aciono a trava manual, por baixo. Cutuco a sua Sobre The high and the mighty
barriga com o dedo! No filme, que no Brasil tem como título Um fio de
Prometido e feito! esperança, John Wayne vive um experiente piloto que
Última roda baixada. sofreu um grande trauma e trabalha sem assumir grandes
Piloto e avião íntegros. responsabilidades até que, durante mais um voo comer-
Pouso tranquilo! cial, ele assume o controle da aeronave e tem a missão
de salvar os passageiros depois de o aparelho apresentar
Nos hangares, a festa.
falha mecânica enquanto sobrevoa o oceano Pacífico.
– Eta mecânico bom!
Fonte: Adoro Cinema
– HERÓI !

24 Revista Painel
crea-sp

Comentários aos Artigos

71 e 75
A lei que rege o exercício profissional reservadamente, sem que outras pes-
71 e 75
caso de má conduta pública e escândalos
estabelece, dentre outras coisas, as pe- soas tomem conhecimento. Na censura praticados pelo profissional ou em caso
nalidades aplicáveis em razão da atuação pública a punição é levada ao conheci- de condenação transitada em julgado
de engenheiros e agrônomos. Para esta mento geral por meio de publicação na por crime considerado infamante. Veja
finalidade, deve ser analisado em conjun- impressa oficial, identificando o objetivo, a íntegra do artigo:
to com o Código de Ética Profissional. São o nome do censurado e o motivo da
cinco as modalidades de penas, sendo a aplicação. Art. 75 - O cancelamento do registro
mais branda a advertência reservada e Já a multa é a simples sanção pecuni- será efetuado por má conduta pública e
a mais severa o cancelamento definitivo ária imposta ao profissional infrator. Na escândalos praticados pelo profissional
do registro. Veja a seguir o que diz o suspensão temporária do exercício da ou sua condenação definitiva por crime
Artigo 71: profissão, o profissional tem seu regis- considerado infamante.
tro suspenso por tempo determinado, Entende-se como má conduta pública
Art. 71 - As penalidades aplicáveis por ficando nesse período desabilitado para e escândalos aqueles atos praticados
infração da presente Lei são as seguintes, exercer a profissão. Por fim, o cancela- com repercussão negativa perante a
de acordo com a gravidade da falta: mento definitivo do registro será efetu- sociedade, denigrindo assim a profissão.
a) advertência reservada; ado em caso de má conduta pública e Considera-se crime infamante aquele
b) censura pública; escândalos praticados pelo profissional que, devido aos meios empregados e
c) multa; ou sua condenação definitiva por crime às circunstâncias em que se realizou,
d) suspensão temporária do exercício considerado infamante. ocasiona no meio social uma reprovabi-
profissional; Na esfera do CREA-SP, a competência lidade maior manifestada sobre o autor
e) cancelamento definitivo do registro. para aplicação dessas penalidades é das do crime, principalmente levando-se em
câmaras especializadas de cada modali- conta os motivos que levaram o agente a
Parágrafo único - As penalidades para dade, mediante processo administrativo praticá-lo. Sendo assim, entende-se por
cada grupo profissional serão impostas específico, assegurada ampla defesa ao crime infamante qualquer crime contrá-
pelas respectivas Câmaras Especializa- profissional interessado. rio a honra, dignidade ou má-fama de
das ou, na falta destas, pelos Conselhos quem o pratica.
Regionais. Cancelamento O cancelamento do registro não isenta
O Artigo 75 trata da penalidade mais o profissional das responsabilidades,
Na advertência reservada o profis- grave aplicada ao profissional. Observa- obrigações pecuniárias e faltas cometi-
sional é advertido por alguma infração -se que o cancelamento definitivo do re- das no exercício da profissão anterior-
cometida, chamando-se sua atenção gistro só ocorrerá em duas situações: em mente à aplicação da penalidade.

AEAARP 25
notas e cursos
Base Cartográfica
instaPainel Contínua do Brasil
Na internet, o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) disponibiliza
a Base Cartográfica Contínua do Brasil na
escala de 1:250.000, como parte do Pro-
grama de Atualização Permanente da Base
Cartográfica (BC250). O conjunto de dados
oferece visão de todo o território nacional
para essa escala. A Base Cartográfica foi
construída pelo IBGE para servir como
referência cartográfica para as ações de
planejamento, monitoramento e gestão
territorial e de atualização das informa-
ções dos recursos naturais do país. Essa
escala de mapeamento possibilita uma
visualização mais detalhada em relação à
O engenheiro Arlindo Sicchieri encaminhou Envie para aeaarp@aeaarp.
para a coluna a foto do lago Maggiore, que org.br uma foto feita por base disponível anteriormente, que era a
fica entre a Itália e a Suíça. É um dos principais você e ela poderá ser Base Cartográfica Contínua do Brasil, ao
lagos alpinos e o segundo maior lago da Itália. publicada nesta coluna milionésimo – BCIM –, escala 1:1.000.000.

calendário
novos associados Acesse a Base Cartográfica
Feira Brasileira de Ciências Contínua do Brasil em escala
e Engenharia Rowilson Durante Faleiros 1:250.000 a partir do atalho
Engenheiro eletricista disponível na área de Notícias
A Feira Brasileira de Ciências e En- da página da AEAARP.
João Vitor Almeida da Silva
genharia (Febrace) é uma das maio- Estudante engenharia civil
res feiras científicas para estudantes www.aeaarp.org.br
Wanderley Lopes Assumpção
do Brasil. No evento são apresenta- Engenheiro mecânico
dos projetos inovadores nas diversas
Sílvia de Oliveira
áreas da engenharia. O evento é rea- Arquiteta

800
lizado e coordenado pela Escola Poli-
Rafael Cachoni
técnica da Universidade de São Paulo Estudante de engenharia civil
(USP) e tem como objetivos estimular
Murilo Vieira Camargo Mariano
novas vocações na área, aproximar as Estudante engenharia civil
escolas públicas e privadas das Uni-
Mariana Rovatti Pelloso
versidades e criar oportunidade para Estudante engenharia civil
os jovens entrarem em contato com É o número de engenheiros
Marcella Novellini Antoniazi
diferentes culturas e estarem próxi- Estudante engenharia civil envolvidos unicamente no
mos de reconhecidos cientistas. Em Luiggi Nicolas da Silva Batista projeto de desenvolvimento
2016 será realizada entre os dias 15 e Estudante engenharia civil da câmera de um dos smart-
17 de março na cidade de São Paulo. Vagner Antunes phones mais cobiçados do
O projeto de um boné para auxiliar Técnico em eletrotécnica mundo. A revelação foi feita
na mobilidade de deficientes visuais Giulia Dinardo Miranda em um programa de televisão
em vias públicas, desenvolvido por Estudante engenharia civil americano pelo comandante
estudantes de uma escola pública do Vitória Paro da Costa da Apple, Tim Cook.
Amazonas, será apresentado. Estudante engenharia civil

26 Revista Painel