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O ATOR, O CORPO QUÂNTICO

E O INCONSCIENTE COLETIVO

The actor, the quantum body and the collective unconsciousness

Robson Carlos Haderchpek1


Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN

Resumo: O presente artigo traz uma discussão sobre o “corpo quântico” do ator e o
conceito de “inconsciente coletivo”, de Carl Gustav Jung. O principal objetivo deste
trabalho é expor os léxicos e procedimentos adotados dentro de uma prática artística
contemporânea, resultantes de uma pesquisa realizada pelo Arkhétypos Grupo de Teatro
no âmbito da UFRN, que se pauta nos princípios do teatro ritualístico e da física
quântica.
Palavras-chave: Ator; Corpo Quântico; Inconsciente Coletivo.

Abstract: This article presents a discussion about the “quantum body” of the actor and
the concept “collective unconsciousness” proposed by Carl Gustav Jung. The principal
objective of this paper is expose the lexicon and the procedures adopted within a
contemporary artistic practice, resulting from a research created by Arkhétypos Theater
Group in the UFRN, which is guided by the principles of the ritual theater and the
quantum physics.
Keywords: Actor; Quantum Body; Collective Unconsciousness.

1
O Prof. Dr. Robson Carlos Haderchpek é docente do Curso de Teatro da UFRN, do Programa de Pós-
Graduação em Artes Cênicas, coordena o Projeto de Pesquisa “Teatro, Ritual e Liminaridade”, é membro
do Grupo de Pesquisa CIRANDAR, do NACE e do IMÃ, e diretor do Arkhétypos Grupo de Teatro.
Atualmente, realiza seu Pós-Doutorado na Universität für Musik und Darstellende Kunst Wien - Áustria.

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O corpo do artista cênico é um independentemente deles.” (RUFFINI


corpo em “estado de representação”, um in BARBA e SAVARESE, 2012, p. 62).
corpo preparado tecnicamente para De acordo com a Antropologia
“dizer”, para manipular energias e Teatral, existe um nível básico de
organizar um discurso físico no tempo e organização corporal comum a todos os
no espaço. Esta energia2 do ator está atores, contudo, para se chegar a este
relacionada à vida, à sua força nervosa e nível de organização, o ator necessita
muscular, e mais precisamente à expurgar do seu corpo as energias
potência ativa adquirida quando ele se cotidianas e ativar dentro de si uma
encontra em “estado de representação”. energia potencial, e isso pode ser feito a
Para atingir o “estado de partir do treinamento energético:
representação”, também conhecido
como “extracotidiano”, o ator precisa se O treinamento energético, ao provocar
esta espécie de expurgo das energias
trabalhar a fim de manifestar um pulso, primeiras do ator, dinamiza energias
potenciais, induz e provoca o contato
uma presença que está relacionada ao do ator consigo mesmo e ensina-o a
reconhecer, na escuridão, após uma
que chamamos de nível pré-expressivo: caminhada cada vez mais profunda em
“O nível pré-expressivo pode ser seu interior, recantos desconhecidos,
“esquecidos”, que podem vir a ser uma
definido como aquele em que o ator das fontes para a criação da sua arte.
(BURNIER, 2009, p. 140)
dirige sua presença em cena, antes
mesmo dos seus objetivos finais e dos Neste processo de investigação
resultados expressivos, e sobre si, o ator precisa reconhecer-se
como ser criador, como um ser

2 integrado que é corpo, que é memória e


O termo “energia” utilizado neste trabalho tem
o sentido empregado no Dicionário de que tem vida. Ele não é tão somente um
Antropologia Teatral, de Eugênio Barba:
“Energia: do grego enérgeia, que deriva de corpo mecânico, ele é um sujeito, um
érgon (obra, trabalho). Vigor físico,
especialmente dos nervos e dos músculos, ser que pensa, que se move, e que
potência ativa do organismo (...); firmeza de
caráter e resolução na ação (...); força dinâmica
produz significações. De acordo com
do espírito, que se manifesta como vontade e David Le Breton:
capacidade de agir (...). Na física, energia de um
sistema, a capacidade de um sistema de realizar
um trabalho” (2012, p.72).

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Nas sociedades tradicionais, de Segundo Rubens Brito3, um dos


composição holística, comunitária, nas
quais o indivíduo é indiscernível, o primeiros pesquisadores teatrais
corpo não é o objeto de uma cisão, e o
homem está misturado ao cosmos, à brasileiros a se apropriar dos conceitos
natureza, à comunidade. Nessas
sociedades, as representações do corpo da Física Quântica:
são, de fato, representações do homem,
da pessoa. A imagem do corpo é uma
imagem de si, alimentada das matérias A teoria quântica, ao revelar que a luz
primas que compõem a natureza, o só pode ser emitida ou absorvida em
cosmos, em uma espécie de distinção. pacotes separados, denominados
(LE BRETON, 2011, p. 31) quanta (descoberta de Max Planck em
1900), instiga o cientista Werner
Heisenberg, em 1926, a formular seu
Partindo deste princípio, de que famoso princípio da incerteza, segundo
o qual, quanto mais precisamente se
o sujeito é um ser integrado, e que a tenta medir a posição de uma partícula,
menos precisamente se pode medir sua
imagem do corpo é uma imagem de si, velocidade e vice-versa. Em outras
quando o ator entra no “estado de palavras: o universo não está
totalmente determinado! É o fim do
representação”, ele torna-se um conceito de determinismo formulado
pelo marquês de Laplace no início do
potencializador de imagens. Ele século XIX (a grande implicação da
teoria quântica é que o espaço-tempo
trabalha na dimensão da possibilidade, não é contínuo e sim, que ele está
repleto de flutuações quânticas).
da probabilidade de desvelar imagens. Baseando-se nestas idéias, Richard
Ele atinge um estado extracotidiano, Feynman elabora a teoria das múltiplas
histórias, já aceita como fato científico:
pronto para “dizer” e para “se entregar”. o universo deve ter várias histórias
possíveis, cada uma com sua própria
Para Christine Greiner: “Quando probabilidade. (BRITO, 2006, p. 42)

se começa a estudar o corpo, a partir


Partindo deste princípio,
dos estados diferentes (e, muitas vezes
trabalhamos com a hipótese de que o
simultâneos), é como se
corpo do artista cênico em “estado de
identificássemos múltiplos
escaneamentos, nos quais imagens se 3
Rubens Brito foi professor e pesquisador do
Departamento de Artes Cênicas da Unicamp,
atravessam umas às outras e mudam a ex-integrante do Grupo Mambembe/SP, atuante
na década de 70 no Brasil. Sua tese de livre
cada instante” (2008, p. 109). Esse
docência Teatro de rua: princípios, elementos e
processo constante de mudança nos procedimentos: a contribuição do Grupo de
Teatro Mambembe, apresentada na Unicamp em
conecta com o princípio da incerteza, 2014, é um dos primeiros estudos no Brasil que
estabelecem uma relação entre o Teatro e a
um dos postulados da Física Quântica. Física Quântica, no citado trabalho orientado,
ele defende a proposta de uma Cena Teatral
Quântica.

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representação” está repleto de corpo se constroem no trânsito entre o


dentro (imagens que não se vê,
flutuações quânticas, resignificando a imagens pensamentos) e o fora
(imagens implantadas em ações) do
partir de si a teoria das múltiplas corpo organizando-se como processos
latentes de comunicação. (GREINER,
histórias e aderindo ao princípio da 2008, p. 73)
incerteza. O ator trabalha a partir da
dinamização de suas energias Na construção desta
potenciais, e assim ele manifesta um dramaturgia, nos deparamos com um
comportamento quântico, pois a energia “corpo quântico”, um corpo em
potencial é a energia que está constante movimento (interno/externo),
relacionada a um corpo em função da capaz de dinamizar energias e de
posição que ele ocupa no espaço. E colapsar imagens. Neste sentido,
como o corpo do ator está em constante podemos dizer que corpo quântico é um
movimento, ele faz sua energia circular, corpo energizado, dilatado e pronto
colapsando4 imagens o tempo todo. para o jogo.
Ao colapsar estas imagens Se consultarmos o Dicionário de
(internas e externas), o corpo do ator em Antropologia Teatral, veremos que a
“estado de representação” produz ideia de corpo dilatado desenvolvida
significado e isso nos leva a uma por Eugênio Barba remete aos
espécie de dramaturgia do corpo: princípios quânticos, o corpo dilatado é
um corpo ionizado, potencializado
Se a dramaturgia é uma espécie de energeticamente, um corpo que produz
nexo de sentido que ata ou dá coerência
ao fluxo incessante de informações calor:
entre o corpo e o ambiente; o modo
como ela se organiza em tempo e
espaço é também como as imagens do O corpo dilatado é um corpo quente,
mas não no sentido sentimental e
4 emotivo. Sentimento e emoção sempre
O termo “colapsar” empregado neste artigo é
são uma consequência, tanto para o
emprestado da Física Quântica e tem por
espectador quanto para o ator. Antes de
objetivo estabelecer um paralelo com o corpo do
tudo é um corpo vermelho de tanto
ator em “estado de representação”. Quando está
calor, no sentido científico do termo: as
em movimento, imerso nos processos
partículas que compõem o
laboratoriais e pára repentinamente, o ator
comportamento cotidiano foram
produz uma imagem e a sustenta no corpo, aqui
excitadas e produzem mais energia,
identificamos o “colapsar”, o instante da
sofreram um aumento de movimento,
manifestação da imagem no corpo.

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elas se afastam, se atraem, se opõem seres regidos pelas leis da natureza, e


com mais força e mais velocidade num
espaço mais amplo. (BARBA e estamos sujeitos à dança do universo.
SAVARESE, 2012, p. 52).
Essa dança da origem do

E cabe destacar que, quando universo se faz presente na sala de

falamos de corpo, partimos de uma ensaio quando os atores, ativados por

unidade corpo e mente, por isso, o seus próprios impulsos corporais, dão

conceito de corpo dilatado está forma às imagens que transitam

intimamente ligado ao conceito de inconscientemente por seus corpos.

mente dilatada: Quando potencializados, os atores


comportam-se como elétrons5 que
Usando a terminologia proposta por saltam gerando energia. Esta energia,
Eugênio Barba, em O Corpo Dilatado,
pelo qual o corpo dilatado e a mente
quando direcionada para a ação cênica,
dilatada são, respectivamente, os revela imagens que se manifestam no
aspectos físicos e mentais da presença
cênica, é possível dizer que a presença corpo/mente do ator e posteriormente
cênica está relacionada com um corpo
dilatado e uma mente dilatada numa no corpo/mente do espectador. O ator
interdependência recíproca. (RUFFINI
in BARBA e SAVARESE, 2012, p. 62) passa a ser energia, adotando um
comportamento de onda e entregando-
Com o corpo/mente dilatado, o se aos insights, aos colapsos
ator coloca-se numa condição de jogo e instantâneos, que vão gerando as
daí começam a emergir as significações. imagens, daí a prova da efemeridade do
No idealismo monístico proposto por teatro.
Amit Goswami (1998), pesquisador da
Física Quântica, não existe a dualidade
5
Segundo a Física Quântica, os elétrons são
consciência e matéria, e se busca acabar ondas de probabilidade e só conseguimos ter a
dimensão de sua localidade se o observarmos
com a filosofia dualística do realismo como partícula, ou seja, quando ele colapsa. A
dualidade onda/partícula coexiste e estas se
materialista. Parte-se do princípio de
complementam dentro do postulado da física
que é a consciência que cria a matéria, e quântica. De acordo com GOSWAMI: “Bohr
descreveu uma maneira de estudar o paradoxo
não a matéria que cria a consciência. da dualidade onda-partícula. As naturezas de
onda e de partícula do elétron não são
Muitas vezes, nos esquecemos de que, dualísticas, nem simplesmente propriedades
opostas, disse Bohr. São propriedades
além de atores, somos seres humanos, complementares, que nos são reveladas em
experimentos complementares.” (2008, p. 66).

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Da mesma maneira que o átomo uma espécie de “transiluminação”, tal


ganha energia e se ioniza, o ator ganha como propõe Grotowski:
energia e cria. Sua criação se expressa
através de partículas que, concretizadas O ator faz total doação de si mesmo.
Essa é uma técnica do “transe” e da
no corpo, geram uma imagem que é integração de todos os poderes
psíquicos e físicos do ator que
lida, sentida e revivida no espectador. O emergem dos estratos mais íntimos do
seu ser e do seu instinto, irrompendo
ator ionizado, ou melhor, energizado, em uma espécie de “transiluminação”.
está pronto para concretizar em si, em (GROTOWSKI, POLASTRELLI,
FLASZEN, 2007, p. 106)
seu corpo, as conexões supraconscientes
de um universo simbólico. Cabe ressaltar que estas
Acreditamos que o teatro, reflexões não emergem apenas de
enquanto manifestação da cultura, tenha especulações teóricas, este processo
como uma de suas principais funções, vem sendo experimentado há quatro
re-significar os símbolos inerentes ao anos e meio nos laboratórios de criação
homem e interpretá-los de modo a do Arkhétypos Grupo de Teatro, da
provocar um diálogo entre o indivíduo e Universidade Federal do Rio Grande do
a sociedade. Este princípio primitivo, Norte. O Grupo realiza investigações
ritualístico, transporta o espectador para cênicas relacionadas à figura do ator e
dentro de um jogo codificado e o faz seus processos de criação, servindo de
mergulhar num universo simbólico, suporte ao Projeto de Pesquisa “Teatro e
num jogo de probabilidades6. Espiritualidade” (2012-2013),
Entretanto, para que isso desdobramento do tema “Teatro, Ritual
aconteça, o ator precisa se entregar e Processo Criativo” (2010-2011),
integralmente para o ato teatral, é como projetos cadastrados na Pró-Reitoria de
se ele entrasse num tipo de transe, Pesquisa da UFRN.
deixando fluir sua energia e gerando Na primeira fase do Projeto,
foram desenvolvidas três pesquisas de
6
Conceito da Física Quântica interligado ao Iniciação Científica: “Histórias de
princípio da incerteza e à teoria das múltiplas
histórias (BRITO 2006). Pescador”, “Teatro e Ritual” e “A Arte

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do Encontro”, todas buscando Iniciação Científica: “O Corpo


relacionar a prática teatral com os Quântico” e “A Dramaturgia Quântica”,
princípios ritualísticos da cena e os ambas cadastradas na Universidade
elementos da cultura popular, imersos Federal do Rio Grande do Norte.
num conjunto de signos, arquétipos e Esta segunda etapa da pesquisa
universos simbólicos. Os resultados desembocou no segundo espetáculo do
destes estudos estão explícitos no Grupo, batizado de “Aboiá” – do verbo
espetáculo teatral “Santa Cruz do Não aboiar, produzir aboio8. O trabalho teve
Sei” (2011) e foram divulgados em como ponto de partida as mitologias da
seminários, eventos artísticos, terra e foi contemplado com o Prêmio
congressos de Iniciação Científica Myriam Muniz de Teatro (2012) –
(nacionais e internacionais) e artigos. categoria Montagem. O processo de
Em 2012, após dois anos de criação partiu de um tema e, aos
pesquisa e de investigação acerca dos poucos, através de laboratórios, fomos
princípios ritualísticos da cena, o construindo personagens e aglutinando
Arkhétypos Grupo de Teatro começou a colaboradores. Utilizávamos como
se fazer novas perguntas, e isso abriu estímulo uma música de Zabé da Loca9
espaço para um novo recorte. Iniciamos e trechos extraídos de algumas obras de
um novo processo criativo partindo do Guimarães Rosa e Graciliano Ramos.
tema “terra” e fomos caminhando em Estes textos se faziam “dançar” nos
busca de um corpo quântico7, de um corpos dos atores e desses corpos
corpo capaz de se potencializar e se surgiram sonoridades e movimentos que
colocar em situação de jogo. Deste nos conduziram para o universo do
recorte, nasceram as pesquisas de sertão e o universo dos boiadeiros.

7
Meu contato com a Física Quântica teve início
durante o Mestrado em Artes, realizado na
8
Unicamp. Na ocasião, alguns professores do O aboio é uma espécie de canto improvisado
Programa de Pós-Graduação propunham que o vaqueiro utiliza para tanger o boi.
9
aproximações com as terminologias da Física Zabé da Loca, tocadora de pífano e
Quântica e estabeleciam relação com a Arte. compositora da região de Monteiro, na Paraíba,
Desde então, tenho aprofundado meus estudos semiárido nordestino. Nascida em 1924, Zabé é
nesta área e venho incorporando tais conceitos uma das poucas mulheres a apresentar a arte
em minha prática artística. desse instrumento de sopro no Brasil.

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Partindo da teoria do caos, do do recôndito da alma dos atores, que


comportamento quântico e dessa dança ganhavam vida e traziam para a cena
de corpos, colocamo-nos à disposição um sentido de re-conexão do ator com a
do universo e entregamo-nos ao sua energia primeira, original. Deste
princípio da incerteza10, deixando que o modo, surgiram os personagens e as
sentido da ação fosse revelado aos situações dramáticas do espetáculo. É
poucos a partir das relações como se os atores mergulhassem num
desenvolvidas pelos atores. Nossos rodamoinho de imagens, num mar de
corpos/mentes se potencializavam probabilidades e de lá extraíssem de
mutuamente e as imagens iam surgindo modo inconsciente a sua cultura própria,
nos corpos dos atores; buscávamos a sua própria mitologia, inventada e
transcender os gestos cotidianos e nos potente.
conectar com o universal. Em seu livro Os arquétipos e o
Ao longo do processo, fomos inconsciente coletivo (2012), Carl
acionando arquétipos11 que emergiam Gustav Jung nos fala dos processos
inconscientes:
10
Segundo Amit Goswami: “Probabilidade gera
incerteza. No caso do elétron, ou de qualquer
objeto quântico, só podemos falar na Não é o mundo tal como o conhecemos
probabilidade de descobrir o objeto nesta ou que fala a partir do seu inconsciente,
naquela posição, ou no seu momentum (massa mas o mundo desconhecido da psique,
multiplicada por velocidade) [...] Baseado do qual sabemos que reflete apenas em
nestas considerações, Heisenberg provou parte o nosso mundo empírico, e que,
matematicamente que o produto das incertezas por outro lado, molda este último de
da posição e do momentum é maior do que ou acordo com o pressuposto psíquico. O
igual a um certo pequeno número denominado arquétipo não provém de fatos físicos,
constante de Planck. [...] Se a constante de mas descreve como a alma vivencia a
Planck não fosse pequena, os efeitos da realidade física, e aqui ela (a alma)
incerteza quântica invadiriam até a nossa procede muitas vezes tão
macrorrealidade comum.” (1998, p. 59) autocriticamente chegando a negar a
11
A palavra é de origem grega e significa realidade tangível através de
modelo primitivo, ideias inatas, conteúdo do afirmações que colidem com esta
inconsciente coletivo que se revela através de última. (p. 155)
sonhos, símbolos e dos mitos: “O arquétipo
representa essencialmente um conteúdo
inconsciente, o qual se modifica através da sua Jung se aproxima do pensamento
conscientização e percepção, assumindo matizes
que variam de acordo com a consciência quântico quando nos diz que o arquétipo
individual na qual se manifesta.” (JUNG, 2012,
p. 14)
não provém de fatos físicos, mas

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descreve como a alma vivencia a portanto, não foram adquiridos


individualmente, mas devem sua
realidade física. Neste sentido, existência apenas à hereditariedade.
Enquanto o inconsciente pessoal
reafirmamos o postulado da física consiste em sua maior parte de
complexos, o conteúdo do inconsciente
quântica (GOSWAMI, 1998) de que coletivo é constituído essencialmente
não é a matéria que cria a consciência, de arquétipos. (2012, p. 51)

pois o mundo não é tal como o


Partindo deste princípio,
conhecemos, mas a consciência cria a
podemos dizer que o universo se utiliza
matéria. Para a física quântica, tal como
dos processos inconscientes para criar a
para Jung, não existe a dualidade
realidade física, para se manifestar. Tal
consciência e matéria, o corpo/mente do
pensamento encontra respaldo nos
sujeito está em constante movimento,
estudos do pesquisador Amit Goswami
conectado com as múltiplas histórias do
que defende a ideia de que o universo é
universo, esperando a “brecha” ou o
autoconsciente. Para Goswami, a
salto quântico para se manifestar na
consciência cria o mundo material: “[...]
realidade física.
em vez de postular que tudo (incluindo
Quando está imerso no processo
a consciência) é constituído de matéria,
de criação, o ator torna-se um canal,
esta filosofia postula que tudo
criando fissuras no tempo e no espaço e
(incluindo a matéria) existe na
permitindo que o inconsciente coletivo
consciência e é por ela manipulado”
se manifeste através dos arquétipos que
(1998, p. 30).
colapsam em seu corpo/mente dilatados,
Trabalhamos, assim, com uma
em seu corpo quântico. Para Jung:
realidade manifesta que irrompe o
O inconsciente coletivo é uma parte da espaço e que surge a partir da psique do
psique que pode distinguir-se de um
inconsciente pessoal pelo fato de que sujeito criador, no caso, o ator. Este é
não deve sua existência à experiência
processo de “transiluminação” a que
pessoal, não sendo, portanto, uma
aquisição pessoal. Enquanto o Grotowski (2007) se referia. A
inconsciente pessoal é constituído
essencialmente de conteúdos que já “transiluminação” tem forte relação
foram conscientes e, no entanto,
desapareceram da consciência por com as leis naturais estabelecidas, é
terem sido esquecidos ou reprimidos,
os conteúdos do inconsciente coletivo algo que alimenta o ator, e que ao
nunca estiveram na consciência e,
mesmo tempo se revela através dele.

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Stanislavski já falava sobre isso quando viver, de perceber o mundo e a si


descrevia os percursos artísticos: mesmo.
Para elucidar a questão, gostaria
Todos os artistas sem exceção recebem de destacar um evento ocorrido no
o alimento espiritual segundo leis
naturais estabelecidas, conservam o processo criativo do espetáculo
percebido na memória intelectual,
afetiva ou muscular, transformam o “Aboiá”, desenvolvido pelo Arkhétypos
material na sua imaginação artística,
geram a imagem artística com toda a
Grupo de Teatro, na Universidade
vida interior aí contida, e a Federal do Rio Grande do Norte.
personificam segundo as leis naturais
conhecidas e obrigatórias para todos. Nossos ensaios são na realidade grandes
Essas leis da criação universalmente
humana, apreensíveis à nossa laboratórios, tal como os laboratórios de
consciência, não são muito numerosas,
seu papel não é lá muito honroso e química e física, e dentro deles fazemos
limita-se às tarefas de servir. Contudo,
essas leis naturais acessíveis à
experimentações.
consciência devem ser estudadas por Como em todo laboratório, cada
todo o artista, pois só através delas é
possível acionar o dispositivo criador pesquisador tem a sua função, mas,
supraconsciente. (STANISLAVSKI,
1989, p. 535.) como a nossa pesquisa se dá no campo
do teatro, muitas vezes, nos permitimos
Essas leis da criação universal
testar novas possibilidades. No processo
de que fala Stanislavski são as leis que
citado, exerço a função de diretor, mas,
regem o universo, são as leis estudadas
ao longo dos ensaios, muitas vezes,
pelos físicos ao longo dos anos e agora
entro em cena para potencializar a ação
re-significadas pelo pensamento
dos atores e, assim, também exerço
quântico. São essas mesmas leis que
momentaneamente a função de ator.
regem o ator no momento da criação e
Este fato é recorrente em minha práxis
que possibilitam a manifestação de uma
artística há mais de quinze anos, talvez,
nova realidade. Em meio às revoluções
porque a minha formação inicial seja
da era tecnológica, encontramos na
como ator. Sempre uso isso a meu favor
física quântica uma explicação para
e a favor dos processos, e quando dirijo
diversos fenômenos naturais e físicos
e entro em cena, coloco-me numa
que se concretizam na experiência de
proposição dialética e isso me permite

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ver com “outros olhos” as ações e que conviver a vida toda com ela.
intenções que emergem do trabalho dos Depois de anos, o menino retorna para
atores. si mesmo, maduro, transformado e toma
Num dos ensaios musicais do conta daquilo que sempre deveria ter
espetáculo “Aboiá”, quando o grupo sido seu. Neste momento, ele recebe,
estava sob o comando do diretor como num ritual, um cajado, um chapéu
musical, percebi que a última cena não e um sino para conduzir a boiada. Uma
poderia ser executada e me senti trajetória de vida profetizada em cena!
impelido a entrar. Neste dia, não Sem dúvidas uma prova da relação do
tínhamos a presença de um dos atores e, teatro com as leis da natureza, com as
como sempre “brinco” de substituí-los, leis cósmicas que regem este universo e
decidi tomar o lugar dele na cena. principalmente da relação do homem
Quando percebi, estava imerso na com o sagrado e com o inconsciente
situação, e completamente envolvido coletivo.
com a ação dramática. Um impulso De alguma maneira, meu corpo
interno me fez saltar da função de foi potencializado pelo que estava
diretor para a função de ator, algo que acontecendo na cena e isso me fez saltar
vi na cena me fez querer fazer parte da função de diretor para a função de
dela, e depois de quase um ano de ator, tal como um elétron que ganha ou
processo, percebi que aquela história era perde energia e muda de nível. Há algo
também a minha história. Na referida neste processo que traduz um
cena, acordei o arquétipo da criança que comportamento quântico, que revela um
estava adormecido em mim há muitos corpo quântico. Do mesmo modo que a
anos. Reencontrei em cena um menino cena foi potencializada e ganhou um
que saiu de casa muito cedo e que, na sentido novo, aquela ação também
tentativa de matar sua sombra12, teve reverberou em meu corpo, fazendo

12
Segundo Deepak Chopra: “A natureza
humana incluiu um lado destrutivo. Quando o
psicólogo suíço Carl Jung propôs o arquétipo da
sombra, disse que ela cria uma névoa de ilusão consequentemente, damos à sombra cada vez
que cerca o self. Encurralados nesta névoa, mais poder sobre nós.” (CHOPRA, FORD,
lançamo-nos à própria escuridão, WILLIAMSON, 2010, p. 18).

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emergir um insight13, um colapso reconheça todos os personagens há algo


quântico que se deu a partir da reconhecível em todas as mitologias.
consciência de que aquela situação, de Yoshi Oida, ator japonês que
modo simbólico, dizia respeito a uma trabalhou com Peter Brook, diz em uma
das múltiplas histórias que coexistem passagem do seu livro O Ator Errante
dentro de mim. Este é um exemplo real (1999): “Ambiciono criar um teatro em
do processo de “transiluminação” que o público possa recriar por si só, a
defendido por Grotowski. partir das sugestões dos atores, a
O corpo quântico nos abre um história proposta. É preciso falar à
leque de possibilidades que, associadas imaginação dos espectadores, fazer tudo
ao arquétipo, trazem à tona a teoria das para favorecer sua participação ativa no
múltiplas histórias. De acordo com esta desenvolvimento dos temas do
teoria, “o universo deve ter várias espetáculo” (p. 192).
histórias possíveis, cada uma com sua Concordo com Yoshi Oida neste
própria probabilidade” (BRITO, 2006, aspecto e também defendo que o teatro
p. 42), e estas colapsam diante do precisa falar à imaginação dos
espectador aproveitando as “brechas” espectadores. Para tanto, penso ser de
dadas pelo ator em “estado de fundamental importância que o ator
representação”. É no espaço vazio que potencialize o seu corpo quântico e
se dá a criação, e segundo o postulado coloque-se a serviço do inconsciente
da física quântica, tudo no universo se coletivo, deixando algumas “brechas”
cria a partir da consciência, do olhar do para que o público se encontre com as
observador. São múltiplas histórias que suas próprias histórias.
saltam do inconsciente coletivo e que A fim de entender um pouco
colapsam em cena, diante do mais sobre a importância dessas
espectador, e por mais que não se “brechas” provenientes da cena, destaco
a seguir um relato curioso de Yoshi
13
Para Amit Goswami: “Insight é o surgimento Oida:
da nova ideia, a mudança de contexto. É um
salto quântico de pensamento, sem a passagem
pelos estágios intermediários” (2008, p. 32).

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Se nos colocarmos no lugar do público, “lacuna”, um espaço vazio e dá ao


ações simples podem ter uma profunda
ressonância. Uma vez assisti no Japão a público a oportunidade de criar
um ator interpretando uma senhora
idosa cujo filho tinha sido morto por elementos que o ajudem a compreender
um samurai. Ela entrou em cena com o
propósito de enfrentar o samurai e o sentido daquela história, e é na relação
perguntar-lhe por que matara seu filho. entre estes dois pontos (ator e
O ator surgiu, avançou lentamente até a
ponte que o leva ao palco e, nesse lento espectador) que surgem as possíveis
caminhar, toda alma da velha senhora
estava dentro dele, todos os leituras da cena, daí a importância da
sentimentos misturados que se
agitavam em seu coração: solidão, teoria das múltiplas histórias.
cólera, o desejo de acabar com a
própria vida. Foi uma interpretação
Quando Yoshi Oida nos fala
extraordinária. Depois da apresentação, desta sua experiência como público,
fui falar com o ator em seu camarim
para lhe perguntar como tinha se como interlocutor da ação, podemos
preparado. (OIDA, 1999, p. 30-31)
recuperar o conceito de
Quando afirma que “toda a alma “transiluminação” de Grotowski e
da velha senhora estava dentro dele”, de associá-lo ao momento de concentração
algum modo, ele nos remete aos eternos do ator que atravessava a ponte,
universais, aos arquétipos presentes em caminhando com o corpo dilatado e
todas as culturas. E a surpresa maior deixando “brechas” para as possíveis
veio quando Yoshi Oida recebeu a leituras do espectador. Ao fazer isso, ele
resposta do ator: possibilitou que o público visse algo
além, algo que colapsou diante na (ou
Respondeu-me que tinha elaborado DA) cena e permitiu que cada um se
seus pensamentos da seguinte maneira:
“É uma senhora idosa, então devo conectasse com aquela ação,
caminhar a passos menores que o
normal. Aproximadamente sessenta por aparentemente simples.
cento do comprimento normal, e devo Desta forma, pode-se dizer que o
parar no primeiro pinheiro depois da
minha entrada. Enquanto caminho não ator não é o único responsável pela
penso em outra coisa senão nisso.” Eu,
entretanto, que fazia parte do público criação do espetáculo, ele cria em
tinha sentido um mundo de emoções.
(OIDA, 1999, p. 31) parceria com o espectador, e tem que
deixar que o jogo aconteça. E como
Neste exemplo do ator japonês, a trabalhamos numa perspectiva
ação realizada por ele cria uma ritualística, no nosso caso, o jogo cênico

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Robson Carlos Haderchpek

se apresenta como um jogo ritual que Quando discutimos sobre o


acontece diante e com o espectador: corpo quântico e sobre o jogo
ritualístico da cena, não podemos nos
O ritual religioso desempenha uma
função mágica. Os encantos do xamã e abster dos mitos, pois estes têm um
o gesto sagrado do sacerdote têm o
escopo de obter um contato socorredor
papel fundamental na teoria das
com a divindade (com os demônios, múltiplas histórias e povoam o nosso
com os espíritos dos antepassados).
A função do teatro como jogo “ritual” é inconsciente coletivo se manifestando
evidentemente diferente. O ritual da
religião é uma espécie de magia, o tanto nos processos de criação do ator
“ritual” do teatro, uma espécie de
jogo. (GROTOWSKI, como no momento do encontro com o
POLASTRELLI, FLASZEN, 2007, p.
43,) público. Os mitos constituem a nossa
herança universal e estão intimamente
Neste jogo que acontece na relacionados à manifestação dos
presença do espectador, o ator faz um arquétipos, ou seja, a essência da alma
mergulho dentro de si e traz à tona os humana:
mitos presentes no seu inconsciente
coletivo que são vivenciados e O significado do termo archetypus fica
sem dúvida mais claro quando se
partilhados com o espectador: relaciona com o mito, o ensinamento
esotérico e o conto de fada. [...] O fato
de que os mitos são antes de mais nada
A mentalidade primitiva não inventa manifestações da essência da alma foi
mitos, mas os vivencia. Os mitos são negado de modo absoluto até os nossos
revelações originárias da alma pré- dias. O homem primitivo não se
consciente, pronunciamentos interessa pelas explicações objetivas do
involuntários acerca do acontecimento óbvio, mas, por outro lado, tem uma
anímico inconsciente e nada menos que necessidade imperativa, ou melhor, a
alegorias de processos físicos. Tais sua alma inconsciente é impelida
alegorias seriam um jogo ocioso de um irresistivelmente a assimilar toda a
intelecto não científico. Os mitos, pelo experiência externa sensorial a
contrário, têm um significado vital. acontecimentos anímicos. (JUNG,
Eles não só representam, mas também 2012, p. 14)
são a vida anímica da tribo primitiva, a
qual degenera e desaparece
imediatamente depois de perder a sua Neste sentido, o ator, dentro do
herança mítica, tal como um homem
que perdesse a sua alma. (JUNG, 2012, jogo ritualístico, se aproxima muito do
p. 155-156) homem primitivo, pois ele despe-se dos
seus hábitos cotidianos e adentra num

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O ATOR, O CORPO QUÂNTICO E O INCONSCIENTE COLETIVO

universo simbólico. E assim, os mitos se oralidade, dando lugar a um dialeto


revelam para o ator dentro dos próprio construído pelos atores e, assim,
laboratórios e, com o tempo, o ator o texto não tem um sentido intelectivo
aprende a acioná-los e transportá-los claro, na verdade ele só faz sentido no
para a cena. Neste momento, quando corpo do ator, no momento presente em
está em cena, com o corpo quântico, o que a cena acontece, abrindo “brechas”
ator cria “brechas”, através das suas para um campo infinito de
ações para que o mito se manifeste e, significações.
assim, a experiência externa sensorial é Tal fato tem se comprovado,
assimilada pelo espectador que passa a pois em junho de 2013, após a estreia
construir/viver aquela história que do espetáculo, o Arkhétypos Grupo de
também é parte de si. Teatro foi convidado para se apresentar
14
No espetáculo “Aboiá” , o em Viena, na Áustria. O convite foi
público se coloca como testemunha de feito pela Universidade de Música e
um acontecimento mítico, constituído Artes Cênicas de Viena e o grupo fez
por arquétipos, e estes falam uma curta temporada com três
diretamente ao inconsciente coletivo. apresentações, e, em todas as
Através de um corpo quântico, apresentações, o público veio
potencializado, o ator aciona estes emocionado falar conosco e dizer o
arquétipos e permite assim que o quanto as nossas histórias o tinha
público se reconheça nesses modelos tocado. Diziam que aquelas histórias
primitivos da nossa herança universal. eram tão nossas que se tornavam um
Como o espetáculo foi pouco deles também.
construído a partir de arquétipos e não a Por fim, após vivenciar um
partir de um texto dramático, a palavra processo pautado no treinamento
foi subvertida em detrimento da energético e expurgar suas energias
primeiras, o ator, com o seu corpo
14
Todo o processo criativo do espetáculo é quântico, se coloca num jogo ritual que
descrito e analisado no artigo: “Teatro, Ritual e
Liminaridade: O Processo de Criação do vai abrir “brechas” potenciais para
Espetáculo Aboiá”, publicado nos anais do I
Colóquio Internacional Interfaces do colapsar imagens. A partir de uma
Imaginário, realizado na UFPB (2013).

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Robson Carlos Haderchpek

imersão no universo arquetípico, o ator, Artes Cênicas, 2006, Rio de Janeiro.


respaldado pelos processos do Memória Abrace IV. Rio de Janeiro: 7
inconsciente coletivo produzirá insights, Letras, 2006. p. 42-43.
e trará à tona um manancial de histórias, BURNIER, Luís Otávio. A Arte de
múltiplas histórias que serão lidas e Ator: da Técnica à Representação. 2ª
decifradas pelo público, através de seu ed. Campinas: Editora da Unicamp,
corpo quântico. 2009.
CHOPRA, Deepak. FORD, Debbie.
Recebido em: 06/10/2014 WILLIAMSON, Marianne. O Efeito
Aprovado em: 20/01/2015 Sombra. São Paulo: Lua de Papel,
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BRITO, Rubens José Souza. Teatro de reencarnação, imortalidade e

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de Pesquisa e Pós-Graduação em

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O ATOR, O CORPO QUÂNTICO E O INCONSCIENTE COLETIVO

HADERCHPEK, Robson Carlos.


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Vida na Arte. Trad. de Paulo Bezerra.
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