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Segurança do

Paciente no
Processo de
Medicação

UNIDADE
A importância da
1
prescrição segura
de medicamentos

Débora Feitosa de França


Thiago de Lima Pessoa
Diego Rodrigues de Carvalho
OBJETIVOS

--Compreender a importância
da segurança do paciente.
--Reconhecer fragilidades relacionadas ao
processo de prescrição de medicamentos.
--Reconhecer práticas seguras na
prescrição de medicamentos.
AULA 1 – Por que falar em
segurança do paciente?
Gostaria de começar falando um pouquinho sobre a segurança do
paciente. Você já ouviu falar sobre isso? Saberia dizer a importância da
segurança do paciente no seu cotidiano como profissional da saúde?
A segurança do paciente não é algo tão complicado e, talvez, você já viven-
cia alguma prática segura e ainda não percebeu.

A segurança do paciente é a promoção de ações que visam à redução, a um


mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado à assistência.
Será que ficou claro para você? O que são esses danos aos pacientes? O
dano é qualquer comprometimento da estrutura ou função do corpo e/ou
qualquer efeito dele oriundo, incluindo doenças, lesão, sofrimento, morte,
incapacidade ou disfunção, podendo, assim, ser físico, social ou psicológico.

Você sabia que esses danos são comuns no ambiente hospitalar? Eles
estão associados ao aumento do tempo de permanência nas unidades
hospitalares, além do aumento dos custos hospitalares. E o que pode-
mos fazer diante disso? É necessário o envolvimento de todos os profis-
sionais de saúde no cuidado seguro para que não ocorram danos aos
pacientes e, assim, oferecer uma assistência de qualidade.

Saiba mais assistindo ao filme “Aprendendo com erros”, dis-


ponível na página do ProQualis: https://proqualis.net/video/
aprendendo-com-erros

POR QUE ESTABELECER PRÁTICAS SEGURAS NO


PROCESSO DE MEDICAÇÃO?

Você sabia que em 2013, o Ministério da Saúde (MS), por meio da Por-
taria nº 529, lançou o Programa Nacional de Segurança do Paciente
(PNSP)? Esse plano tem o objetivo de contribuir para a qualificação do
cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território
nacional. Em consonância com as metas internacionais de segurança do

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paciente, o PNSP também tem como foco a segurança no processo de
medicação. “Medicação sem danos” é o tema do Terceiro Desafio Global
de Segurança do Paciente da Organização Mundial de Saúde (OMS). Por
isso, caro aluno, agora, eu vou lhe chamar a atenção para o processo
de medicação. O ato de medicar é uma cadeia de atividades complexas
que envolve a utilização do medicamento com finalidade profilática ou
terapêutica e perpassa por vários profissionais até chegar ao paciente.

Vamos entender esse processo desde o início, quando é elaborado o plano


farmacoterapêutico do paciente, culminando, muitas vezes, na prescrição
de medicamentos. Após essa etapa, a prescrição é enviada para o serviço de
farmácia, que é responsável pela dispensação do medicamento. Na farmá-
cia, a prescrição é analisada, e as doses dos medicamentos são preparadas.
Posteriormente, dentro do âmbito hospitalar, o último ato dessa cadeia ter-
mina com a transferência das doses para as unidades de internação, onde
ocorre a administração do medicamento pela equipe de enfermagem.

Tudo isso pode parecer simples, entretanto, na prática, não é isso que
ocorre. Estima-se que, anualmente, ocorrem cerca de 400.000 eventos
preveníveis e são gastos em torno de 3,5 bilhões de dólares para o tra-
tamento de danos provenientes de eventos adversos a medicamentos
(EAM) somente nos EUA (ASPDEN et al., 2007). Isso mesmo, você não leu
errado! São 400.000 eventos preveníveis e mais de 3 bilhões de dólares
por ano! Muita coisa, não?

Você também deve saber que esses eventos são muito comuns no âmbi-
to hospitalar e, além de elevar os custos, podem prolongar o tempo de
internação e ocasionar sequelas e óbitos. Por isso chamo a sua atenção
novamente sobre a importância de se estabelecer práticas seguras no
processo de medicação.

QUAL É A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE DE


PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTOS?

Por que a prescrição médica é tão importante? A prescrição médica é um


ato muito importante na comunicação entre os profissionais de saúde,
pois contribui diretamente para o processo de tratamento dos doentes.
No processo de medicação, a prescrição médica é a primeira etapa dessa
cadeia de atividades e, caso não sejam cumpridos os procedimentos legais
necessários para a sua execução, pode favorecer falhas de natureza mul-
tidisciplinar, levando à ocorrência de eventos adversos a medicamentos.

Isso mesmo, você não entendeu errado! Uma falha na prescrição de


medicamentos pode favorecer a ocorrência de desvios nos processos
subsequentes, desencadeando dano ao paciente. E, como já vimos, ante-
riormente, esses danos podem trazer sérias consequências ao paciente.

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Teremos uma sequência de desenhos de prescrições médicas
com as características indicadas. Para padronizar os dados,
adotaremos as seguintes informações fictícias:
Nome do Hospital: Hospital de Pequenos e Grandes Traumas
Nome do Município: São José da Curva do Bom Vento
Nome do Médico: Anestésio Santos Silva
Nome do Paciente: Maria das Dores Silva
Data: 26/06/2017

PREVALÊNCIA DAS PRINCIPAIS FALHAS


DE PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTOS

As principais falhas nas prescrições estão relacio-


nadas a:
•  Rasuras: as rasuras podem causar dificuldade na leitura,
comprometendo o uso adequado do medicamento.

Figura 1 – Receita médica com rasura.

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•  Registro incompleto da posologia: ausências de informações
sobre a posologia do medicamento podem levar à falha tera-
pêutica pelo uso inadequado ou pela omissão do uso.

Figura 2 – Receita médica com registro incompleto de posologia.

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•  Ausência de data na prescrição: a omissão dessa informação
pode comprometer o tratamento, principalmente, pois não
permite avaliar a evolução do paciente. A ausência da data
pode prejudicar bastante o tratamento com medicamentos
antimicrobianos, tanto em nível ambulatorial quanto hospitalar.
A imprecisão dessa informação pode levar a um tratamento
com um medicamento ineficaz para debelar uma infecção
detectada há mais de 10 dias, por exemplo.

Figura 3 – Receita médica sem data.

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•  Uso de abreviaturas, siglas e ilegibilidade: esses termos ten-
dem a dificultar a leitura da prescrição, aumentando a chance
dos erros de medicação.

Figura 4 – Receita médica ilegível.

Todos esses fatores favorecem erros pela omissão ou exces-


so de doses da medicação, além da leitura e compreensão
equivocada da prescrição (GIMENES et al., 2010).

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Você percebe a quantidade de profissionais que manipulam a
prescrição médica no âmbito hospitalar? Como a ausência de
informações ou a ilegibilidade pode comprometer a comuni-
cação multiprofissional e interprofissional?

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AULA 2 – Como prescrever de
forma segura?
Você sabia que prescrever de modo seguro é mais simples do que pare-
ce? O Ministério da Saúde, em parceria com outras instituições, elencou
os principais itens que devem ser preconizados para um processo de
prescrição segura (BRASIL, 2013). Durante o curso vamos ver a importân-
cia de cada um desses itens.

A IMPORTÂNCIA DA
IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE

Você sabe por que a identificação do paciente é um item importante da


prescrição? A identificação correta do paciente deve ser realizada para
evitar inúmeros erros e riscos para a segurança do paciente, como a dis-
pensação do medicamento e a sua administração no paciente errado.

Quando realizada em nível ambulatorial, a prescrição deve conter, mini-


mamente, os seguintes identificadores:

•  nome completo do paciente sem abreviaturas;

•  endereço;

•  data de nascimento.

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Figura 5 – Modelo de prescrição ambulatorial.

Já a prescrição hospitalar deve ser realizada em formulário institucional


padrão e conter, no mínimo, as seguintes informações:

•  nome do hospital;

•  nome completo do paciente sem abreviatura;

•  número do prontuário ou registro do atendimento;

•  leito;

•  enfermaria/apartamento;

•  andar/ala.

Além dessas informações, a prescrição deve conter dados institucionais,


data e informações do prescritor, como o número de registro profissio-
nal, conforme a figura mostrada a seguir:

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Figura 6 – Modelo de prescrição hospitalar.

O preenchimento adequado da prescrição com as informações mencio-


nadas é o primeiro passo para a elaboração de uma prescrição de boa
qualidade.

A identificação do paciente na prescrição médica deve ser rea-


lizada pelo nome completo, sem abreviatura! A abreviatura do
nome do paciente aumenta os riscos de se medicar o paciente
errado, pois não é muito incomum encontrarmos pacientes com
o mesmo nome e algum sobrenome idêntico na instituição.

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A IMPORTÂNCIA DA LEGIBILIDADE DA
PRESCRIÇÃO

Para falarmos sobre a importância da legibilidade da prescrição médica,


que tal acompanharmos uma história? Confira a História em Quadrinhos
1, disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

História em quadrinhos 1

Essa situação também pode ocorrer no meu ambiente de trabalho?


Como podemos atuar para minimizar esse problema?

Você observou como a prescrição ilegível pode comprometer o processo


de medicação devido à falha no processo de comunicação entre o pres-
critor e o paciente ou mesmo entre o prescritor e os demais profissionais
responsáveis pela assistência à saúde.

O que mais deve ser feito para evitar problemas com legibilidade?
O protocolo do Ministério da Saúde que trata sobre o tema traz as
seguintes recomendações:

•  Evitar a prescrição no verso da folha! Por que evitar? Essa conduta pode
favorecer a omissão da administração do medicamento, podendo interferir
no tratamento do paciente. No âmbito hospitalar, não é comum a continuida-
de da prescrição de medicamentos na folha do verso, o que pode gerar falha
na dispensação e na administração de medicamentos e, consequentemente,
na terapia do paciente. Ao invés de prescrever no verso ou em outros cam-
pos não usuais, os itens devem ser adicionados em uma nova folha, como no
exemplo mostrado a seguir.

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Figura 7 – Prescrição hospitalar com dados acrescidos em nova folha.

•  Evitar a prescrição carbonada! A prescrição carbonada pode favorecer a inele-


gibilidade na prescrição ou mesmo a omissão de informações na segunda via
da prescrição, acarretando em falhas no processo de dispensação e no cuidado
ao paciente. Na impossibilidade de cumprir essa recomendação, deve-se veri-
ficar a legibilidade da segunda via da prescrição.

PRESCRIÇÃO HOSPITALAR

Nome do hospital
Nome completo do paciente sem abreviatura
Número do prontuário ou registro do atendimento
Enfermaria/apartamento
Andar/ala
Leito
Data

Dados do prescritor

Figura 8 – Prescrição carbonada apresentando dificuldade de legibilidade.

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Então qual seria a melhor forma de evitar erros de legibilidade?

•  Utilizar prescrições digitadas ou obtidas por sistemas eletrônicos! A utiliza-


ção de sistemas pode ser uma alternativa para minimizar os problemas com a
legibilidade. Mas será que só isso resolve? Após qualquer mudança da forma
de prescrição, deve-se ficar atento para o aparecimento de novas fragilidades.

Você sabe quais são as vantagens do processo de informatização da


prescrição? Irei listar alguns:

•  melhoria da identificação do paciente e dos medicamentos;

•  maior rapidez de chegada à farmácia e, consequentemente, a sua liberação,


devido ao envio de forma eletrônica;

•  diminuição do risco de confusão entre medicamentos com nomes semelhantes;

•  possibilidade de integração ao prontuário do paciente e ferramentas de


suporte à decisão clínica;

•  capacidade de minimizar erros relacionados ao sistema de pesos e medidas,


como os zeros complementares e falhas envolvendo o uso da vírgula;

•  disponibilidade para imediata análise de dados; e

•  possibilidade de utilização de regras de segurança relacionadas ao uso de abre-


viaturas, siglas, símbolos e expressões de dose perigosas. (CARDOSO, 2013)

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QUAL DEVE SER A DENOMINAÇÃO
DE MEDICAMENTOS?

A forma mais segura para se reportar a um medicamento em uma pres-


crição médica é utilizando a Denominação Comum Brasileira (DCB). Você
sabe o que é isso? É o nome do princípio ativo aprovado pela Anvisa.
E como faço na ausência da DCB? Preconiza-se a utilização da Denomi-
nação Comum Internacional, a DCI.

E o nome comercial do medicamento? Não posso utilizá-lo? Existem inú-


meros nomes comerciais para cada princípio ativo, o que pode levar à
confusão devido ao desconhecimento do medicamento prescrito, bem
como pela semelhança entre nomes de medicamentos.

POR QUE PADRONIZAR A EXPRESSÃO DE DOSES?

Imagine que acompanhado do nome do medicamento esteja prescrito


apenas a forma farmacêutica. Como garantir a dose correta se um mes-
mo medicamento pode conter várias apresentações, dificultando, assim,
a dispensação segura do medicamento?

Para garantir maior segurança na expressão de doses, o sistema métrico


deve ser preconizado, com a determinação da concentração do medica-
mento. Esse sistema permite o comando adequado para a dispensação
e a administração segura. Veja os exemplos:

•  Sistema não métrico:

Captopril – 1 comprimido a cada 8 horas.

•  Sistema métrico:

Captopril 25 mg – 1 comprimido a cada 8 horas.

Na primeira situação, não é possível determinar a dose exata do medica-


mento, visto que o captopril possui várias apresentações: 12,5 mg, 25 mg
e 50 mg, por exemplo. A expressão da concentração do medicamento
contribuiu para um comando mais claro e seguro.

O que mais pode ser feito para que a dose possa ser expressa de manei-
ra segura? Que tal começando evitando o uso da vírgula? Mas por que a
vírgula merece tanta importância?

Uma confusão na interpretação da vírgula pode causar erros sérios na


leitura da concentração de um medicamento. Exemplo: 0,5 g com 05 g.
E como podemos melhorar essa leitura, evitando o uso da vírgula? Con-

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vertendo as 0,5 g em 500 mg, como num passe de mágica!

Outra observação importante sobre a vírgula: lembra-se daquela reco-


mendação de se evitar a prescrição carbonada? Pois é, nos casos em que
não podemos evitar o carbono, devemos observar o posicionamento da
vírgula na segunda via.

Figura 9 – Comparativo do que fazer e não fazer em uma prescrição médica.

Muita atenção também aos medicamentos com baixa dosagem. Medica-


mentos prescritos em microgramas devem conter essa unidade escrita
por extenso. Imagine um problema na compreensão da prescrição de um
medicamento com baixo índice terapêutico prescrito em microgramas?
A compreensão inadequada dessa informação pode levar à administra-
ção de doses até 1000 vezes maiores, ocasionando graves problemas
aos pacientes. Vale salientar, ainda, que as doses prescritas devem ser
conferidas pelo prescritor antes da assinatura da prescrição.

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COMO EVITAR FALHAS ENVOLVENDO MEDICAMENTOS COM GRAFIA E
SOM SEMELHANTES?

Outro fator que favorece erros de medicação são os medicamentos


com grafia e som semelhantes. Esses medicamentos são conhecidos
como Sound-alike / Look-alike (LASA) e exigem uma atenção especial,
pois podem ser confundidos durante a dispensação e a administração,
podendo causar danos aos pacientes. Por isso é necessário que esses
medicamentos padronizados na sua instituição sejam prescritos com
destaque na escrita da parte do nome que os diferencia, podendo ser
utilizada letra maiúscula ou negrita nesse processo (BRASIL, 2013).

Observe alguns exemplos:

•  CefaLOTina e CefaZOLina;

•  BETAmetasona e DEXAmetasona;

•  ClomiPRAMINA e ClorproMAZINA.

Viu como é simples? Esse pequeno destaque pode minimizar erros de


medicação envolvendo os LASA.

Discuta com sua instituição a possibilidade de adotar essa


medida. Uma prescrição digitada ou um sistema eletrônico
pode contemplar essa medida, assim, minimizando os riscos
envolvendo esses medicamentos.

INDICAÇÃO DE ALERGIA

Você sabia que as alergias relatadas pelo paciente ou pelos familiares ou


cuidadores devem ser referidas na prescrição médica e no prontuário
do paciente? Isso mesmo, essa informação constante nesses documen-
tos pode reduzir as chances de dispensação e administração do medica-
mento ao qual o paciente é alérgico, minimizando o risco de dano. Você
sabia que em muitos hospitais essa informação também é sinalizada por
meio de pulseiras coloridas no braço do paciente? Elas são de grande
auxílio na prevenção de eventos adversos relacionados à alergia a medi-
camentos e outras substâncias.

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A PRESCRIÇÃO DOS MEDICAMENTOS
DE ALTA VIGILÂNCIA

Você sabe o que é um medicamento de alta vigilância? Os medicamentos


de alta vigilância, também denominados de MAV, são aqueles que pos-
suem elevados riscos de provocar danos significativos aos pacientes em
decorrência de erros de medicação. Por isso esses medicamentos exi-
gem cuidados redobrados nos processos de prescrição, dispensação e
administração. Então o que fazer para minimizar esses eventos durante
a prescrição de medicamentos? Para esses medicamentos, preconiza-se
a dupla checagem na fase dos cálculos de dose.

Confira no AVASUS uma HQ que traz uma situação problema


sobre esse tema.

História em quadrinhos 2

Mas você, a essa altura, deve estar imaginando “Como vou saber quais
são todos os medicamentos de alta vigilância?” Para facilitar a adesão
a esse processo, as unidades de saúde deverão divulgar a sua lista de
MAV que constam na relação de medicamentos padronizados, além
de outros dados importantes que visam à segurança no processo de
utilização desses fármacos.

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AULA 3 – Cuidados nas
prescrições de
medicamentos injetáveis
Como vimos, a prescrição segura é formada pela conjunção da clareza
de dados e por barreiras específicas para a prevenção de incidentes rela-
cionados a medicamentos. No caso dos medicamentos administrados
pela via parenteral, os injetáveis, particularmente, exigem atenção espe-
cial quando prescritos, pois seu efeito pode ser instantâneo, dependen-
do da via administrada.

Saiba mais sobre os medicamentos de alta vigilância con-


sultando o site do Instituto para Práticas Seguras no Uso de
Medicamentos: www.ismp-brasil.org.

DESCREVENDO A POSOLOGIA
DE FORMA CLARA

A posologia desejada para o medicamento deve ser prescrita observan-


do-se as doses máximas preconizadas, além da comodidade do pacien-
te. Isso é muito importante, visto que doses subterapêuticas podem
comprometer a efetividade do tratamento, assim como doses elevadas
podem causar intoxicação e danos ao paciente. A prescrição de medica-
mentos com menor número de doses diárias pode minimizar o risco de
erros de medicação e oferecer maior comodidade ao paciente.

Procure saber se a sua instituição oferece um guia com


a informação de doses máximas e mínimas em relação à
prescrição ou mesmo um suporte eletrônico que ofereça
essa informação.

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CLAREZA QUANTO À DILUIÇÃO DOS MEDICAMENTOS

Outro passo importante para a utilização do medicamento injetável é


a sua diluição. A prescrição deverá conter o tipo de diluente e qual o
volume deste que deve ser utilizado. A reconstituição e a diluição dos
medicamentos são etapas importantes, visto que podem influenciar na
estabilidade de um princípio ativo e, consequentemente, em sua ação.
Essas etapas também exigem bastante cautela, pois o uso de diluentes
incompatíveis pode ocasionar a diminuição ou a perda da ação farmaco-
lógica do medicamento.

Procure saber se a sua instituição oferece um guia de


diluição e estabilidade de medicamentos injetáveis.

ESPECIFICANDO A VELOCIDADE DE INFUSÃO

Além da etapa de diluição, os medicamentos injetáveis devem conter


a velocidade de infusão, para evitar eventos adversos relacionados à
administração rápida do medicamento. Por exemplo: a infusão rápida
de grandes volumes pode ocasionar sobrecarga hídrica no paciente
interferindo no processo de diagnóstico e tratamento. Não é só isso, o
medicamento vancomicina, por exemplo, quando administrado rapi-
damente, pode ocasionar uma reação adversa grave caracterizada por
rubor, eritema, prurido na face e no tronco, dispneia, hipotensão arte-
rial, entre outros sintomas.

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Por isso, meu caro, é extremamente importante a descrição clara da
velocidade de infusão na prescrição, levando-se em consideração evi-
dências científicas sólidas, além das recomendações do fabricante. Esse
cuidado é fundamental na minimização de eventos adversos!

A DETERMINAÇÃO DA VIA DE ADMINISTRAÇÃO

Ufa! Finalizando esse tópico sobre a prescrição dos medicamentos inje-


táveis, eu gostaria de chamar a sua atenção para a via de administração.
Ela deve ser prescrita de forma clara, observando-se as informações reco-
mendadas pelo fabricante. Muita atenção! Algumas vezes, um mesmo
medicamento pode conter restrições a algumas vias de administração
devido aos excipientes que uma determinada indústria tenha utilizado no
processo de fabricação. Também vale salientar que o uso de abreviatu-
ras para expressar a via de administração deve ser evitado, sendo restrito
somente às informações padronizadas no estabelecimento de saúde.

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AULA 4 – O que mais pode ser
evitado nas prescrições?
Depois de você ter visto tantas recomendações sobre os dados preco-
nizados para uma prescrição segura, eu chamo sua atenção para o que
deve ser evitado, pois agindo dessa forma, é possível garantir maior qua-
lidade ao processo.

UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES VAGAS


NAS PRESCRIÇÕES

Você deve estar me perguntando quais são as expressões vagas a que me


refiro. Você já deve ter visto “a critério médico”, “se necessário”, “uso con-
tínuo” entre outras. Todas essas expressões sem o devido complemento
causam problemas na comunicação entre a equipe, entre outras falhas.

O uso de “se necessário” é muito comum no âmbito hospitalar, entretan-


to, para ser seguro, requer informações complementares como a poso-
logia, dose e dose máxima diária que pode ser administrada, além das
condições em que o tratamento com o medicamento deve ser iniciado e
interrompido (BRASIL, 2013). Veja um exemplo da maneira recomenda-
da de prescrever utilizando essas expressões:

Dipirona comprimido de 1000 mg uso oral. Administrar


1000 mg de 6 em 6 horas, se temperatura igual ou acima de
37,5 ºC. Dose máxima diária 4000 mg.
• Dose: 1000 mg.
• Dose máxima: 4000 mg/dia.
• Posologia: 1000 mg de 6 em 6 horas
• A condição que determina seu uso: se temperatura igual
ou acima de 37,5 ºC.

Isso não quer dizer que essas expressões não podem ser utilizadas, mas
que necessitam de informações complementares para que toda a equipe
entenda com clareza o comando, resultando em segurança ao paciente.

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USO DE SIGLAS E ABREVIATURAS NA PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTOS

Agora, vamos fazer um teste! Tente adivinhar o que significam estas siglas:

FPV, FTC, ddI, SQV.


Você conseguiu adivinhar?
E que tal essa: T-20?
É uma rua?
Todas essas siglas representam medicamentos:
FPV – Significa Fosamprenavir
FTC – Significa Emtricitabina
ddI – Significa Zalcitabina
SQV – Significa Saquinavir
T-20 – Significa Enfuvirtida

Todas essas denominações citadas anteriormente representam nomes


de medicamentos utilizados na terapia antirretroviral. Pois é, nem todos
os profissionais compreendem com facilidade esses termos. Por isso as
siglas e abreviaturas que são indispensáveis no meio hospitalar devem
ser elaboradas, padronizadas e divulgadas pela instituição, para que
haja uma adequada comunicação entre os diversos profissionais.

Veja bem, as siglas podem dificultar a compreensão, até mesmo confun-


dir. É o caso da abreviação “IV” para indicar a via intravenosa que pode
ser confundida com “IM”, via intramuscular. Já imaginou? Uma forma de
minimizar isso é adotar a abreviação “EV” para indicar a via endovenosa.

Evitar as prescrições verbais

Você consegue se lembrar daquela brincadeira do telefone sem fio? Nessa


brincadeira as mensagens são repetidas de forma gradual, por participan-
te, geralmente culminando em uma palavra ou oração totalmente diferen-
te daquela dita inicialmente. Veja a História em quadrinhos 3 no AVASUS.

História em quadrinhos 3

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Do mesmo modo, a prescrição verbal também pode ocasionar esse mes-
mo viés, mas quem perde o jogo é o paciente. Por isso esse modo de
prescrição deve ser restrito às situações de urgência/emergência, deven-
do ser validada no prontuário pelo prescritor assim que possível.

Mesmo nas situações em que a prescrição verbal for necessária, ela deve
contemplar o nome, a dose e a via de administração do medicamento
de forma clara. O profissional que receber a ordem verbal deve fazer
a confirmação verbal desses dados a fim de evitar erro de medicação
(BRASIL, 2013). Vejamos o que pode acontecer quando não tomamos
esses cuidados.

Como posso minimizar os riscos relacionados à prescrição


verbal no meu serviço? Como vimos anteriormente, não é uma
tarefa complicada minimizar riscos envolvendo a prescrição
verbal. Basta que os dados relativos ao medicamento, à dose
e à via sejam confirmados.

RESUMINDO A PRESCRIÇÃO SEGURA

Veja bem, prescrever de modo seguro é mais fácil do que parece. Para
prescrever medicamentos trazendo segurança ao paciente, basta seguir
os seguintes passos:

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Fonte: Adaptado de BRASIL (2013).

Seguindo esses passos, podemos contribuir significativamente para a


segurança do paciente!

Agora, é só acessar as atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem


e testar seus conhecimentos sobre o que estudamos nesta Unidade 1
respondendo a algumas questões! Até a próxima etapa do nosso curso!

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REFERÊNCIAS
ASPDEN, P. et al. Preventing medication errors: quality chasm series.
Washington, DC: Institute of Medicine, 2007.

BRASIL. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de


medicamentos. Brasília, DF: Ministério da saúde. Disponível em: <http://
www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/
item/seguranca-na-prescricao-uso-e-administracao-de-medicamentos>.
Acesso: 25 ago. 2017.

BRASIL. Portaria nº 529, de 1 de abril de 2013. Brasília, DF: Ministério


da Saúde. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/
gm/2013/prt0529_01_04_2013.html>. Acesso em: 25 ago. 2017.

CARDOSO, A. M. Implantação de prescrição eletrônica a fim de otimizar


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GIMENES, F. et al. Patient safety in drug therapy and the influence of the
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brasileiro. Revista da associação médica brasileira. São Paulo, v. 57,
n. 3, p. 306-214, 2011.

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