Você está na página 1de 16

Gêneros textuais e escrita

Que texto escrever?


• Antes de tudo, é bom conhecer e entender
uma definição.
• Gêneros textuais
• Os gêneros textuais são enunciados
relativamente estáveis ancorados em tipos
textuais. Eles surgem, principalmente, em
virtude do dinamismo das interações sociais.
Intergenericidade
• Ocorre quando um gênero textual assume a
forma de outro, levando em conta o propósito
comunicativo. Trata-se de uma hibridização ou
mescla de gêneros.
Perguntas: que tipo de texto tenho de escrever?
Tem de colocar título? Como faz a conclusão?
Fiquei confuso (a): é para dissertar ou para
argumentar?
Onde encontrar as respostas?
• Que tal começar por quais gêneros textuais
podem trazer maior eficiência discursiva?

• Leia editoriais de jornal, ensaios e artigos de


opinião, mas considere alguns aspectos
essenciais:
• O texto jornalístico apresenta parágrafos
compostos de dois ou de um único período, a fim
de facilitar a leitura para diversos públicos. Na
dissertação elaborada por um estudante para ser
avaliado, é preferível o uso de parágrafos
maiores, compostos de mais ou menos três
períodos, que apresentam um raciocínio
completo.
• É comum, nos editoriais, utilizar exemplos ou
novos argumentos na conclusão, ou terminar
com uma frase de efeito para impactar o
leitor. Essas estratégias podem ser perigosas:
não se pode deixar ideias novas soltas no final
do texto ou apelar a frases prontas que
possam parecer senso comum.
Polêmica!

• http://g1.globo.com/politica/blog/blog-do-camarotti/post/ministro-dos-transportes-avisa-que-vai-retirar-propaganda-polemica.html
• Afinal de contas, então, que características
um bom texto precisa ter?
• Autonomia
• Coerência e clareza
• Coesão
• Escrita simples
Um exemplo...
Enfoque prisional
Algumas autoridades reagem à barbárie no maior
presídio de Manaus (AM) como se assistissem a um
filme inédito, mas todos sabem que a violência nas
prisões brasileiras faz parte de uma série,
infelizmente desdobrada em várias temporadas. O
episódio manauara foi apenas o mais sangrento,
com 56 mortos após 17 horas de rebelião.
Três anos atrás houve o massacre no complexo penitenciário de
Pedrinhas, em São Luís (MA), quando morreram 18 pessoas. No
segundo semestre de 2016, registraram-se chacinas em casas de
detenção de Boa Vista (RR), Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC), e a
contagem fúnebre ficou em torno de dez mortes em cada uma das
localidades.
A explicação para essas matanças —a briga entre facções criminosas—
expõe com crueza o fracasso dos governos estaduais e federal no setor
carcerário. Como podem hordas de facínoras disputar o comando de
uma prisão? Se o fazem, é porque ali dentro o poder público já não
exerce o seu papel.
O descontrole no maior presídio de Manaus estava bem documentado
em relatórios recentes, que apontaram a precariedade das instalações,
as péssimas condições para ressocialização, a falta de assistência
jurídica ou de saúde aos detentos e a ausência de detectores de
metais e bloqueadores de celular.
Também apontaram a superlotação, característica lamentável de nosso
sistema prisional conhecida desde pelo menos 1992 —quando o
Carandiru, em São Paulo, com cerca de 2,3 presos por vaga, foi palco
da maior carnificina dentro de uma casa de detenção, com 111
mortes.
Sintoma do descaso, os dados mais recentes do Ministério da Justiça
referem-se a dezembro de 2014, quando se contavam 372 mil vagas e
622 mil presos (quase 1,7 por vaga). Na penitenciária da tragédia de
Manaus, segundo estatísticas locais de 2016, havia 1.224 homens, mas
lugar para 454 (2,7 por vaga).
Existem duas maneiras de enfrentar esse problema. A primeira delas,
construir presídios, é empregada há mais de duas décadas sem
sucesso e cobra muito dos cofres públicos (cada preso custa cerca de
R$ 30 mil por ano). A outra pressupõe uma mudança de enfoque:
menos delinquentes seriam mandados para trás das grades.
Esta Folha há mais de 15 anos defende a segunda via. Entende que a
lei deveria evoluir no sentido de reservar a prisão a criminosos que
recorrem a violência ou grave ameaça; os demais, cuja liberdade não
representa perigo à sociedade, poderiam cumprir pena alternativa,
desde que suficientemente dura e proporcional ao delito.
Sem isso, o Brasil continuará gastando muito com prisões que o
governo não controla —e elas continuarão abarrotadas de indivíduos
que logo se transformarão em mão de obra das facções criminosas.

Folha de S. Paulo. EDITORIAL, 4/1/17.

Interesses relacionados