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Caro Buscador, Cara Buscadora,

Fico contente com a vossa decisão em se afiliar à nossa Sociedade.


Neste primeiro momento você passará por um período preparatório que
envolve o estudo da História da Tradição Esotérica Ocidental. Esperamos que
o conclua satisfatoriamente para que possa receber a Luz da Iniciação.

POR QUE ESTUDAR A HISTÓRIA DO ESOTERISMO OCIDENTAL?

A compreensão histórica da Tradição Esotérica Ocidental é o ponto de


partida fundamental para todos aqueles que pretendem estuda-la e praticá-la,
bem como a rota que deve nortear a nossa caminhada no seio da Tradição. Se
não sabemos de onde viemos e onde se encontra cada um dos pensadores e
movimentos que constituem o arcabouço do Esoterismo Ocidental, iremos
correr o risco de, à moda New Age, colocar todos esses pensadores e
movimentos em um único plano e compará-los como que se fizessem parte de
um mesmo momento e, deste modo, incorrendo em erros primários. Sabendo
de onde viemos podemos saber para onde vamos.

Um destes erros é olhar o passado como se ele fosse glorioso e o


presente como um estado decadente. No outro extremo, faltar alinhamento,
consonância ou correspondência com o momento histórico que iremos nos
debruçar também é um erro. Não somos diferentes daqueles que nos
antecederam, bem como eles também não são tão diferentes de nós, embora
estejamos lidando com momentos históricos distintos. Somos continuadores
daqueles que vieram antes de nós e, talvez um dia, sejamos vistos pelos
estudantes do futuro como pessoas gloriosas que nós não somos. Do mesmo
modo, cada organização nasce em determinado ponto histórico, mas elas não
nascem do nada, apenas continuam um processo histórico que nós chamamos
de Tradição.
Somos elos de uma mesma corrente, cujo começo e fim nós não
conhecemos. Somos perpetuadores de uma Tradição. Se assim o somos,
precisamos saber de onde viemos para que possamos perpetuar esta Tradição
e garanti-la para o futuro. Compreendendo as raízes desta, não cometeremos
erros primários no que concerne a ela. Ao conhecer onde nós estamos e de
onde nós viemos, não teremos riscos de sair de nossos trilhos e continuaremos
a caminhar para frente a partir deles e sobre eles.

Infelizmente ou a pessoa não conhece a origem de onde está inserida e


incorre e perpetua erros derivados desta falta de conhecimento ou foca em
determinado ponto da história e ignora os demais, se fechando em um sistema
extremamente rígido e inflexível, onde nada de novo surge e apenas se repete
os textos e pensamentos dos antigos. Não somos apenas continuadores e
perpetuadores da Tradição, mas também células vivas dela – devemos deixar
as nossas pegadas, pois, caso contrário, o movimento iniciático do qual se faz
parte e no qual se comete este erro tende a morrer.

Nos últimos anos, na própria academia, a Tradição Esotérica Ocidental


tornou-se um tema em pauta. Infelizmente boa parte dos autores que falam
sobre ela distorcem a história para que se enquadre em sua visão de mundo (o
que também ocorre dentro de escolas iniciáticas, pois há quem altere a
história para que ela reforce somente a visão da escola em que se faz parte), o
que faz com que tenhamos poucos relatos imparciais sobre este assunto. Além
disto, a academia olha apenas superficialmente, exotericamente, o Esoterismo
Ocidental, mas, como já falamos sobre a importância de conhecer os
momentos históricos que compõem a Tradição de Mistérios Ocidental, esta
visão continua sendo importante para que não incorramos em erros.

Os manuscritos sobre esta temática não irão tentar ser um guia


definitivo sobre o assunto ou apresentar-se como a única verdade sobre o
tema. Pelo contrário, deve ser encarado apenas como uma introdução ao
assunto. O estudante deve buscar outras fontes para que possa construir a
sua própria perspectiva sobre a Tradição Esotérica Ocidental, mas sem acabar
cometendo os erros sobre os quais já falamos. Para chegar ao nosso objetivo,
iremos buscar fontes acadêmicas sobre o assunto, mas aliando estas fontes a
de autores inseridos na Tradição de Mistérios Ocidental. A fim de que se possa
fazer isto, este trabalho basicamente é uma compilação de informações, partes
de algumas obras que foram copiados e colocados em sequência acrescendo
alguns trechos de outros autores, retirando algumas informações que
poderiam mais confundir do que ajudar e em poucos momentos emitindo um
comentário ou acrescentando alguma informação para facilitar o
entendimento. A maior parte do trabalho faz parte das obras “Western
Esotericism: A Guide for the Perplexed”, do autor Wouter J. Hanegraaff, um dos
autores mais renomados da academia sobre o assunto, e “Rosacruz História
e Mistérios” do autor Christian Rebisse. Em suma, estes manuscritos neste
período probatório constituem uma compilação de obras de outros autores,
dispostas em um único texto e em uma sequência didática. A bibliografia
completa utilizada para construir este arquivo introdutório será disposta no
último manuscrito desta série e, novamente, encorajamos que se leia tanto as
referências que utilizamos quanto outras obras sobre o assunto para que se
possa aprofundar e construir a sua perspectiva sobre o tema que estamos aqui
tratando.

DEFININDO A TRADIÇÃO ESOTÉRICA OCIDENTAL

Tendo falado o que é e quais os objetivos deste trabalho, vamos ao tema


propriamente dito e nada melhor do que começar com a primeira pergunta que
pode surgir: que significa Esoterismo Ocidental? O adjetivo “esotérico” é
derivado do grego, esôtérikos, significando literalmente “ao interior”,
qualificando aquilo que não é acessível diretamente e evocando a ideia de um
movimento que deve ser realizado ao interior. Este termo apareceu pela
primeira vez no século II d.C., mas o substantivo é relativamente recente, pois
parece ter sido cunhado em alemão (esoterik) em 1792, migrando para a
França em 1828 (L‟ésotérisme) e aparecendo na língua inglesa em 1833.Isto
significa dizer que o termo “Esoterismo Ocidental” é recente, aplicado a uma
série de correntes e ideias que eram conhecidas por outros nomes antes do
século XVIII e, logicamente, que surgem no Ocidente. Originalmente, nem
todas as correntes e ideias eram necessariamente vistas em conjunto e apenas
no século XVIII é que surgiram as primeiras tentativas de apresenta-las como
um campo único e explicar as correlações em comum. Isto não significa que
não havia ideias e visões de mundo semelhantes entre os grandes pensadores
do Esoterismo Ocidental anteriormente, mas sim que após o século XVIII
houve o interesse maior em debruçar-se sobre estas semelhanças
(HANEGRAAF, 2013).

Definir o Esoterismo Ocidental não é fácil e vários estudiosos modernos


tentaram fazer isto à sua maneira, criando critérios pelos quais poder-se-ia
dizer se algo faz ou não faz parte dele. O exemplo mais famoso é de Antoine
Faivre que, em 1992, ofereceu uma lista de características “intrínsecas” ao
Esoterismo. Estes elementos podem ser sintetizados em seis grandes
categorias. A primeira é a teoria das correspondências, que insiste em que
tudo está ligado no universo e que existem relações sutis entre todas as partes
da criação. A segunda é chamada natureza viva, onde nada é imóvel ou inerte
no universo e a vida está presente em toda parte em diferentes graus de
manifestação. O terceiro ponto é a faculdade de imaginação e meditação, a
possibilidade de, mediante símbolos e alegorias, o ser humano poder acessar
os diversos níveis do cosmos. A quarta característica é a transmutação, a
experiência iluminadora que conduz à regeneração da alma. A estes quatro
pontos principais são adicionados mais dois, secundários: a concordância,
que diz que todas as tradições, mesmo as religiões, possuem uma raiz em
comum que as liga a uma Tradição Primordial, a uma filosofia perene; e a
transmissão, dando ênfase ao fato que os conhecimentos só podem ser
transmitidos, por iniciação, de mestre a aluno. É válido ressaltar que a própria
etimologia da palavra Tradição (do latim traditio) nos conduz ao significado de
entregar, transmitir algo a alguém, confiar algo valioso a alguém e o termo
“tradicional” dá a ideia de que algo foi recebido e precisa ser transmitido
depois, demonstrando que os dois pontos secundários sugeridos por Faivre
são intrinsicamente ligados (REBISSE, 2004).

Infelizmente diversos autores criticaram a abordagem de Antoine Faivre,


resultando nas mais diversas teorias e definições, que podem ser simplificadas
e categorizadas em três modelos de abordagem, como aponta Hanegraaf.

Abordagem 1: O Fascínio pelo Pré-Iluminismo

Se olharmos bem os critérios de Faivre observaremos uma ênfase na era


dourada do Esoterismo Ocidental, retirando as influências da revolução
científica, do iluminismo, da ciência positivista e da sociedade contemporânea
e dando maior ênfase nas abordagens clássicas como o Neoplatonismo, a
filosofia natural de Paracelso e a Teosofia Cristã (aqui estamos tratando das
abordagens para definir e categorizar o Esoterismo; mais à frente abordaremos
a história e elucidaremos melhor estes movimentos esotéricos). As fontes
antigas e medievais são identificadas com o próprio Esoterismo Ocidental e
não como manifestações do mesmo. Isto leva ao seguinte questionamento: as
correntes esotéricas desenvolvidas a partir do século XIX, que não são tão
próximas destas correntes medievais, podem ser classificadas como
Esoterismo ou são “pseudo-Esoterismo” (HANEGRAAF, 2013)?

Outro pesquisador que usa uma abordagem semelhante a Faivre,


embora tenha uma perspectiva muito diferente, é o historiador inglês Frances
Yates com a sua narrativa da influente Tradição Hermética renascentista. Com
a redescoberta e a tradução de uma coleção de textos da antiguidade tardia, o
Corpus Hermeticum, pelo filósofo Marsilio Ficino, o Hermetismo floresceu
durante a Renasceça, em uma época com uma visão de mundo dominada pela
magia, experiência pessoal e poderes da imaginação, onde havia um
misticismo mais “holístico”, refletindo uma perspectiva confiável, otimista e
voltada para o futuro que enfatizava o potencial da humanidade para operar
no mundo usando estas novas ciências e, assim, criando um ambiente melhor
e uma sociedade mais harmoniosa, segundo Yates. Ele também cria uma linha
divisória entre a era sombria da Idade Média e o novo fenômeno belo e
elegante da Magia Hermética. De uma forma mais direta do que Faivre, afirma
que a Tradição Hermética teve fim no século XVII com a ascensão da ciência
(HANEGRAAF, 2013).

Yates e Faivre são os exemplos mais proeminentes deste primeiro


protótipo de abordagem, o Esoterismo como uma cosmovisão “encantada”
florescendo do Renascimento até o Iluminismo. Isto implica que, por definição,
o Esoterismo não pode ser confundido com a cultura e a sociedade moderna e
isto gera uma rejeição das correntes mais recentes e um anseio fútil por uma
abordagem antiga romantizada (HANEGRAAF, 2013).
Abordagem 2: O Esoterismo Pós-Iluminista

As manifestações modernas e contemporâneas do Esoterismo, desde o


século XVIII até o presente, costumam proclamar ideias e convicções que têm
suas origens históricas antes do Iluminismo. Seria um erro supor (e isto já foi
há muito tempo refutado) que essas visões de mundo persistiram como
“sobreviventes” do passado e continuaram a ser abordadas sem qualquer
interferência das tendências e desenvolvimentos modernos. Embora o primeiro
protótipo diz que o Esoterismo pós-iluminista é um Esoterismo de segunda
mão e que ao se envolver com o pensamento moderno e contemporâneo a
autenticidade do Esoterismo é prejudicada, é perfeitamente possível mudar o
argumento e a abordagem, afinal, somente depois do século XVIII o
Esoterismo deixa de ser manifestado apenas em escritos eruditos e centros
desconhecidos para emergir como um fenômeno social e começar a aparecer
sob a forma de escolas iniciáticas e textos mais acessíveis, chegando ao ponto
de estar imerso em nossa cultura de hoje, aparecendo em filmes, propagandas
televisivas e livros de ficção. Cria-se então o segundo protótipo de
abordagem, o Esoterismo (pós-)Moderno(HANEGRAAF, 2013).

Os pesquisadores que possuem esta perspectiva de Esoterismo acabam


se debruçando apenas nele enquanto um fenômeno social moderno ou
contemporâneo, por vezes até vendo o interesse no ocultismo como uma
manifestação da modernidade. É claro que há uma fraqueza significativa no
primeiro modelo, não assumir as formas modernas e contemporâneas de
Esoterismo, mas também há uma fraqueza neste segundo, a falta de
profundidade histórica, já que o interesse aqui é apenas social. Se deixarmos
de integrar o oculto ao seu contexto histórico mais amplo, deixamos de
compreendê-lo (HANEGRAAF, 2013).

Abordagem 3: As Tradições Internas

O terceiro protótipo de abordagem foca nas Tradições Internas. É o


modelo que mais se aproxima da utilização do adjetivo Esoterismo na
antiguidade tardia, quando se referia aos ensinamentos secretos reservados a
uma “elite espiritual”. Os ensinamentos exotéricos, de acordo com este
modelo, destinam-se às massas não instruídas que podem ser mantidas
satisfeitas com a mera observância ritualística e de um sistema dogmático de
opinião. Sob esta superfície, no entanto, há verdades mais profundas que são
conhecidas apenas por aqueles poucos que de fato iniciarem nos Mistérios
(HANEGRAAF, 2013).

De acordo com este modelo, o verdadeiro Esoterismo é mantido


independente das circunstâncias sociais, históricas ou culturais. Mesmo
aqueles que se recusam a ficar satisfeitos com as aparências externas e os
sistemas dogmáticos serão sempre capazes de encontrar a verdade universal
sobre a natureza do mundo, da natureza e da humanidade a que todos os
grandes místicos têm se referido. O Esoterismo “Ocidental” torna-se uma parte
de um todo muito maior, pois os ensinamentos esotéricos de religiões e
culturas não-ocidentais também apontam para o mesmo Esoterismo através
de aparências superficiais. Mircea Eliade, Henry Corbin, Arthur Versluis,
Nicholas Goodrick-Clarke e até mesmo Antoine Faivre se debruçam no
Esoterismo através deste modelo (ou, no caso do último citado, também com
este modelo) (HANEGRAAF, 2013).

É claro que os métodos acadêmicos, “exotéricos” por natureza, só


podem estudar o que está disponível empiricamente aos observadores,
independentemente de suas convicções pessoais, pois não possuem
instrumentos para obter acesso direto à natureza verdadeira e não dispõem de
uma metodologia para verificar ou falsificar a alegação de que tal realidade
existe. Aqui se reconhece as limitações de até onde a pesquisa acadêmica pode
chegar.

Se tudo o que realmente importa sobre o Esoterismo é universal, para


quê dar atenção à sua especificidade histórica? Mesmo que isto seja verdade,
as diferentes correntes esotéricas expressam as mesmas ideias de modos
diferentes de acordo com os períodos históricos e contextos sociais em que
elas aparecem ou estão presentes. Embora a base ontológica do Esoterismo é
una, independentemente de ele ser Ocidental ou Oriental, ele se expressa
através de diferentes formas e com fluidez. E, é claro, repetindo o que falamos
na introdução a este trabalho, se não sabemos de onde viemos não poderemos
saber para onde vamos.

Conhecendo a existência destes três protótipos de abordagem, é claro


que, a partir de agora, ao observar um texto sobre o Esoterismo, podemos
definir qual modelo está sendo utilizado e quais são as suas vantagens e
limitações. O Esoterismo Ocidental é um campo radicalmente plural de
correntes, ideias e práticas, desde a Antiguidade até os dias de hoje, sem
privilegiar qualquer período histórico ou cosmovisão particular como o “mais
verdadeiramente esotérico”. Devemos aprender a não julgar os diferentes
movimentos e momentos esotéricos como mais verdadeiros ou mais corretos
que outros (como a velha discussão de qual escola é a correta, a francesa ou a
inglesa, onde um membro de uma dessas escolas acaba vendo a outra como
errônea e deixando de aprender e aprofundar determinado assunto sob uma
nova perspectiva). De qualquer modo, ao situar o Esoterismo Ocidental num
campo histórico e social, conforme faremos, definições e demarcações
aparecerão, as quais são exclusivamente didáticas por natureza.

Uma vez que existe muita confusão para categorizar o que é o


Esoterismo Ocidental, pois existem várias respostas para esta pergunta, é
interessante fazer estes questionamentos inicialmente. Após explicarmos a
questão da perspectiva de abordagem, podemos agora nos focar noutra
dúvida, muito comum por sinal, que precisa ser respondida neste momento:
existe uma distinção entre o Oriente e o Ocidente dentro do campo do
Esoterismo?

Oriente x Ocidente

Através da abordagem das “dimensões internas” do Esoterismo,


podemos compreender que, além das formas, há um acesso universal às
verdades espirituais disponível a todos e, sendo assim, podemos traçar
paralelos entre Oriente e Ocidente. O resultado lógico de tal compreensão é o
estudo comparativo entre o Esoterismo Ocidental e o Esoterismo Oriental,
desenvolvendo uma perspectiva universalista da dimensão esotérica interior
entre estas duas formas esotéricas. Este tipo de estudo existe principalmente
no âmbito da religião desde o século XIX e há vários autores que se debruçam
sobre estes paralelos.

Analogias entre o Ocidente e o Oriente são importantes neste processo,


porém, como assinalou René Guénon, há uma divergência fundamental entre
Oriente e Ocidente, que pode ser melhor percebida da seguinte forma: o
Oriente em sua base voltou-se para dentro, foi ao encontro do entendimento
metafísico, ao passo que o forte do Ocidente em seus primórdios residia na
manifestação da simbologia e na profusão mitológica, sempre tendendo a uma
manifestação mais exterior da realidade. O Oriente voltou-se mais para a
experimentação individual e o Ocidente para os mais variados rituais e
cerimônias. É claro que todos estes elementos podem ser encontrados tanto no
Ocidente quanto no Oriente, mas relembramos que se a forma de passar o
Esoterismo não se encaixa na realidade daquele ambiente, o movimento
tenderá a morrer e, sendo assim, poderemos resumir as distinções de uma
maneira bem simples: da mesma forma que a civilização oriental é distinta da
civilização ocidental, embora em essência todas elas são compostas de
humanos, a Tradição Oriental é diferente da Tradição Ocidental, embora
ambas apontam as mesmas verdades sob diferentes formas através de
diferentes perspectivas (VERSLUIS, 1988).

Antes de tentarmos compreender um Esoterismo Universal ou mesmo


um Esoterismo que se debruça apenas sobre a região do globo no qual está
inserido, o estudo das religiões comparadas é um campo de interesse dentro
da Tradição Esotérica Ocidental, mas, logicamente, não podemos confundir a
abordagem Ocidental com a abordagem Oriental, pois por mais que ambas
apontem para as mesmas verdades, elas se adaptaram às circunstâncias para
que as pessoas para as quais esta perspectiva da sabedoria é dirigida
pudessem compreender melhor essas verdades.

O “Conhecimento Ocidental Rejeitado”

Tal afirmação nos traz à tona outra questão importante: o


“conhecimento rejeitado” dentro do próprio Ocidente. Após uma apologética
complicada e debates polêmicos por intelectuais cristãos desde a antiguidade
até o Iluminismo, tentamos categorizar o que faz parte ou o que é válido
dentro do arsenal de conhecimento das tradições ocidentais. Ao estabelecer o
Cristianismo na Europa, marginalizou-se o importante papel das correntes
esotéricas judaicas e islâmicas na história da religião na Europa. Se nos
focarmos apenas no “conhecimento validado” pela religião, tentaremos
imaginar que a Tradição Esotérica Ocidental é puramente cristã. Porém, a
Europa sempre foi marcada pela diversidade religiosa e, ao lado do
Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo devem ser vistos como partes
integrantes da história da religião na Europa, assim como as várias tradições
“pagãs” da antiguidade e das diversas culturas locais que exerceram influência
neste campo. Sendo assim, o Esoterismo Ocidental deve abranger a cultura
ocidental em toda a sua complexidade e diversidade, prestando igual atenção
às correntes esotéricas do Judaísmo, do Cristianismo e do Islamismo, bem
como as diversas outras que se desenvolveram na Europa (HANEGRAAF,
2013).

De qualquer modo, uma problemática surge ao abordarmos desta forma


o Esoterismo Ocidental. O misticismo judaico e islâmico se desenvolveu de
forma relativamente independente à Tradição Ocidental. Por exemplo, a
Cabala Judaica é diferente da Cabala Hermética, possuindo raízes comuns,
mas divergindo na forma. Além disto, não se avançará muito no estudo da
Cabala Judaica sem ser judeu, o que não ocorre com a Cabala Hermética, que
poderá ser compreendida por um não judeu. Em suma, estas tradições de fato
estão presentes na Tradição Ocidental, de uma forma universalista e embebida
por todas as outras correntes desta Tradição, tornando-a diferente do viés
religioso de onde saíram, pois as religiões desenvolveram-se de forma mais
isolada que o intercâmbio entre as tradições que ocorre no Esoterismo
Ocidental em si. A razão é simples: uma vez que exigiam fluências nas línguas
específicas da religião e profunda familiaridade com as suas respectivas
escrituras sagradas, a menos que se adote uma perspectiva religiosa extrema,
qualquer coisa “externa” deriva de alguma fonte “interna” universal”. Embora,
é claro, as tradições religiosas apontam para verdades universais, os conceitos
abordados dentro das religiões são muito diferentes, de acordo com as
características históricas, culturais e temporais, e ao intercambiar tradições
religiosas há simplificação ou distorção dentro do contexto conceitual original,
gerando uma nova forma diferente daquela de onde ela saiu. A ideia de um
Esoterismo “transconfessional” comum às religiões monoteístas foi reforçada
pelos pós-iluministas (inclusive há quem diga que foi criada pós-Iluminismo).
Que há um intercâmbio cultural há, mas não podemos considerar que o
Esoterismo Ocidental fala das mesmas coisas e aborda exatamente da mesma
forma que as tradições religiosas que participam de sua formação
(HANEGRAAF, 2013).

Além de tudo isto, há outra problemática, desta vez em relação ao


pensamento do homem contemporâneo. Infelizmente, com o avançar do
tempo, a mente do homem dirigiu-se para a ignorância praticamente absoluta
da metafísica e da simbologia e a gnosis teve seu lugar ocupado pela mera
razão. Para melhor entendermos o Esoterismo Ocidental, o nosso maior
obstáculo é pensar de forma analógica. Há alguns séculos, a mente moderna
vem sendo condicionada a pensar em termos evolutivos e materialistas, de tal
modo que o pensamento simbólico e analógico é quase incompreensível. Ele é
tão distante de nós que tornamos literais e triviais as mais profundas
verdades. Além disto, esquece-se que há uma transmissão oral, um aspecto
esotérico, e, sendo assim, o que os textos contêm não podem ser confundidos
com as verdades que o Esoterismo aponta. É por isto que é necessário afirmar
que a abordagem acadêmica sobre o Esoterismo Ocidental deve ser estudada
ao lado de uma abordagem iniciática para que não possamos cometer
equívocos ao sermos superficiais. Do mesmo modo, compreender o Esoterismo
sem olhar para o passado pode nos conduzir a grandes equívocos e, por isto,
este estudo é caro a todo aquele que busca se aprofundar sobre a Tradição de
Mistérios Ocidental.

A HISTÓRIA DA TRADIÇÃO ESOTÉRICA OCIDENTAL

Ao abordamos a história da Tradição Esotérica Ocidental, partimos da


Antiguidade tardia através de uma cultura predominantemente cristã até o
Iluminismo, o desenvolvimento da cultura moderna e secular até chegarmos
no presente. Obviamente, existe uma troca com judeus, islâmicos e adeptos de
tradições “pagãs”, bem como outras tradições, mas há no decorrer da história
uma “narrativa cristã” que marginaliza as outras tradições ocidentais e,
infelizmente, este é o legado que herdamos, embora, como falamos, ela é
formada de um intercâmbio de várias tradições e não pode ser considerada
como uma Tradição de roupagem exclusivamente cristã.

Houve várias tentativas de


escrever esta história. Aqui
abordaremos de forma simplificada
uma visão geral das correntes e
tradições históricas básicas que são
indispensáveis para compreendê-lo,
de uma forma introdutória. O
objetivo é fornecer uma espécie de
“mapa” básico para servir de meio
inicial de orientação dentro deste
campo extremamente confuso.

As raízes egípcias da Tradição

É necessário antes de qualquer coisa explicar a influência do Egito


sobre o Esoterismo Ocidental, a qual foi bastante trabalhada na época da
Renascença através do conceito de Tradição Primordial, a Tradição eterna da
qual se derivam todas as outras que são perspectivas desta. Desde a
Antiguidade, admira-se o Egito pelo que era. As suas “casas de vida” (ou, em
um termo mais utilizado, “escolas de mistérios”) eram guardiães de seus
conhecimentos e são vistas pelos autores esoteristas como as primeiras
propagadoras desta Tradição Primordial (e, em alguns casos, estes mesmos
autores afirmam que o Egito foi quem propagou a Tradição tanto para o
Ocidente quanto para o Oriente). Pouco sabemos sobre o que elas ensinavam,
mas temos ideia que estavam transmitindo os mistérios de Osíris e de Ísis.

Pode haver poucas dúvidas quanto ao fato de que boa parte da


simbologia e metafísica tradicionais que ainda remanescem no Ocidente
possam ser remetidas ao Egito Antigo. Como vimos anteriormente, o
Cristianismo fez com que se deixasse de lado todas as outras tradições, por
vezes adaptando com sua roupagem própria, e o Esoterismo Ocidental
adquiriu uma perspectiva cristã, mas ainda assim não se conseguiu remover a
influência de todas as outras tradições que o compõem e seria um grande
equívoco compreender a Tradição Esotérica Ocidental como uma Tradição
cristã e esquecer de suas raízes ainda mais longínquas. Porém, precisamos
mesmo remeter o nosso estudo a estas raízes? Não faríamos melhor se as
ignorássemos e estudássemos apenas como ela se apresenta hoje ou a
roupagem que ela supostamente se apresenta hoje ou ainda nos concentrar
em como ela será no futuro? Tal como um homem aprisionado numa caverna
e cercado por ruídos estranhos, é preferível saber a real posição que se ocupa,
por mais desagradável que ela possa parecer. Ficaríamos em dúvida sobre
como agir sem o devido conhecimento daquilo que realmente somos e da
nossa verdadeira situação. Embora não possamos usar nos dias de hoje
exatamente a mesma roupagem de nossas raízes, saber quais são essas raízes
dá um inestimável valor na orientação de nosso trabalho, apesar da confusão
em que o Esoterismo Ocidental se encontra atualmente. É claro e evidente que
mesmo que nos aprofundemos na religião cristã como ela se apresenta hoje
ainda encontraremos elementos egípcios, gregos, persas e de tantas outras
tradições. Há quem se foca nas formas e esquece-se das raízes, classificando
elementos das mais distintas raízes como puramente cristãos e, desta forma,
considerando que a Tradição Esotérica Ocidental é puramente cristã. Em um
breve exemplo, e relacionando apenas ao Egito, Maria tem sido vista com
frequência como reiteração de Ísis e Cristo, seu Divino Filho, como Hórus.
Estando claro que a nossa condição atual é “iluminada por suas raízes”, resta
lembrar que para compreender melhor o presente precisamos entender o
passado (VERSLUIS, 1988).

O pesquisador Arthur Versluis afirma crer que a cultura do Egito


Antigo, a partir de 9000 a.C., foi ela mesma derivada de uma cultura anterior
mais pura, de onde surgiram as tradições do Oriente e do Ocidente. Algumas
evidências dessa raiz em comum podem ser encontradas nos elementos
históricos da cultura caldeia, que floresceu antes mesmo da egípcia e devotou-
se às harmonias celestiais. Com efeito, a civilização caldeia, para alguns
relatos, floresceu ao longo de quatrocentos e setenta e três mil anos, da época
de suas primeiras observações e cálculos astrológicos à época de Alexandre.
Seja ou não verdade, vale frisar, não resta dúvida que os primeiros elementos
do Esoterismo tinham forte relação com a observação das estrelas e planetas
e, sendo assim, a Astrologia é a ciência base do Esoterismo Ocidental.

Não tenho aqui a intenção de falar sobre a religião egípcia, mas de


apontar que houve uma herança sendo transmitida, ligando o Egito ao
Ocidente. Infelizmente a tradição egípcia se perdeu com o tempo, mas
podemos percebê-la através de seus reflexos na Tradição Esotérica Ocidental.
De todo o modo, na Renascença é bastante trabalhado o conceito de Filosofia
Perene sendo transmitido através dos grandes sábios desde a noite dos
tempos. Depois, cada época acrescentou um detalhe e pouco a pouco se forjou
a ideia de que temos hoje de que o Egito teria sido a fonte da sabedoria e do
conhecimento.

Os gregos como iniciados nos Mistérios Egípcios

Diversos testemunhos dão conta das relações estabelecidas entre os


sábios da Grécia e os sacerdotes egípcios. No quinto século antes de Cristo,
Heródoto visitou o Egito e esteve com os sacerdotes. Ele evoca os mistérios de
Osíris celebrados em Sais em seus relatos. Para ele, os mistérios da Grécia
devem muito ao Egito. Por comparação entre as divindades da Grécia e as do
Egito, percebeu que as divindades da Grécia se originaram com os faraós. Com
efeito, há uma tradição que diz que os sábios da Grécia Antiga foram buscar
conhecimento junto à terra de Kemet (“nome original” do Egito, já que o termo
“Egito” é grego). Diz-se que muitos deles foram iniciados em seus mistérios e
os transmitiram para o mundo helênico. Dentre eles, evoca a figura de Sólon.
Vimos anteriormente que o Platonismo bebe da tradição egípcia. Platão, que
também esteve no Egito, fala das conversas de Sólon com os sacerdotes
egípcios em Timeus e em Crítias, destacando o prestígio destes sacerdotes em
Política e evocando Thoth em Fedro. Isócrates fez do Egito a fonte da filosofia
e indicou que Pitágoras lá fosse se instruir. Não podemos deixar de citar a
Escola Pitagórica, originada no século VI a.C., baseada nos ensinamentos de
Pitagóras e seus seguidos, os quais são fortemente influenciados pela
Matemática e pelo Misticismo, certamente transmitindo ao seu modo a
tradição egípcia. As ideias pitagóricas exerceram uma influência marcante em
Aristóteles e Platão e, através deles, em toda a filosofia ocidental.Os
pitagóricos acreditavam que os números eram os princípios de todas as coisas
e construíram uma cosmologia e mística em cima dos números.Apolo de
Rodes declarou que Hermes, por via de seu filho Aithalides, era antecessor
direto de Pitágoras. Foi Diodoro da Sicília quem deu mais informações sobre
a influência egípcia nos sábios da Grécia, para isto se baseou no que ele
próprio pôde colher dos sacerdotes egípcios e, por outro lado, no texto
Ægyptiaca de Hecateu de Abdera. Diodoro indicou que Orfeu viajou ao Egito
e foi iniciado nos mistérios de Osíris. De volta ao seu país, instituiu novos
ritos, os mistérios órficos (mais ou menos século VI a.C.). Disse também que
os mistérios de Elêusis tinham ritos semelhantes aos egípcios. Mais tarde,
Plutarco declarou que tanto os mistérios órficos quanto os mistérios
báquicos tinham origem tanto na tradição egípcia quanto na tradição
pitagórica. Platão teria permanecido três anos no Egito e teria sido iniciado.
Depois afirmou que Tales levou à Grécia a geometria egípcia. Diodoro
afirmou que esse mesmo filósofo exortou Pitágoras a ir ao Egito e que foi neste
país que este último concebeu a ideia da transmigração das almas. Jâmblico
posteriormente estabeleceu a ideia que Pitágoras estudou nos templos egípcios
por vinte e dois anos e que, após a sua formação, instalou sua própria escola
em Crótona, na Itália, e nela ensinava como nas escolas de mistérios egípcias.
Enfim, Diodoro afirmou que Demócrito, “descobridor do átomo”, foi aluno dos
geômetras do faraó e depois iniciado nas casas de vida egípcias. Um dos
discípulos de Platão,
Eudoxo de Cnido,
matemático e geômetra,
também viajou às terras do
Nilo e foi iniciado. Plínio
afirmou que ele levou ao
seu país importantes
conhecimentos de
astronomia, como os que se
referem à duração exata do
ano. Sua hipótese das
esferas homocêntricas
constitui o ponto de partida
da astronomia tradicional. Plutarco, membro do colégio sacerdotal de Apolo
em Delfos, onde foi grande sacerdote, também foi buscar conhecimento no
Egito, sendo iniciado por Cléa, sacerdote de Ísis e Osíris. Em seu livro, Ísis e
Osíris, Plutarco evocou as “obras chamadas Livros de Hermes” e sublinhou a
importância da Astrologia egípcia (REBISSE, 2004).

Platonismo

As origens do Esoterismo Ocidental propriamente dito estão na cultura


helenística da antiguidade tardia, marcada por misturas complicadas entre as
mais diversas filosofias e tradições, especialmente a dos egípcios, como vimos
anteriormente. No último período helenístico há um enfoque maior no
Platonismo, que foi transformado em uma visão de mundo com suas próprias
mitologias e práticas ritualísticas sobre a obtenção de uma Gnose
(“conhecimento”) salvadora pela qual a alma humana poderia ser libertada de
seu emaranhamento material e recuperar a sua unidade com a Mente divina.
Entre os pesquisadores, é amplamente assumido que a filosofia de Platão não
é um produto original do pensamento grego, mas de tradições religiosas mais
antigas como a dos povos orientais, notadamente persas, egípcios e hebreus. A
compreensão do Platonismo como uma “sabedoria oriental” pode ser referida
como “orientalismo platônico”, em contraste com o Platonismo entendido como
uma tradição do racionalismo filosófico grego fundamentado no diálogo
socrático (HANEGRAAF, 2013).
Em linhas gerais, o Platonismo é a filosofia de Platão ou o nome de
outros sistemas filosóficos considerados estreitamente derivados dele. O
conceito central do Platonismo, a Teoria das Formas, fala da distinção entre a
realidade perceptível, mas ininteligível, e a realidade imperceptível, mas
inteligível. As formas são tipicamente descritas em diálogos como o Fédon, o
Simpósio e a República como arquétipos transcendentais perfeitos dos quais
os objetos do mundo cotidiano são cópias imperfeitas. Na República, a forma
mais elevada é identificada como a Forma do Bem, a fonte de todas as outras
formas que poderiam ser conhecidas pela razão. As concepções derivadas das
impressões dos sentidos nunca podem nos dar o conhecimento do ser
verdadeiro. Ele só pode ser conhecido pela atividade da alma dentro de si,
muito além dos problemas e perturbações dos sentidos, ou seja, pelo exercício
da razão. A dialética, como instrumento deste processo, nos leva ao
conhecimento das formas e, finalmente, à forma mais elevada do Bem, é a
primeira das ciências.

Com a conquista do Egito por Alexandre, o Grande, em 333 a.C., a


assimilação da cultura egípcia para o mundo grego se acentuou. Em 331 a.C.,
no local onde as águas do Nilo se misturam com o Mar Mediterrâneo, nasceu a
cidade de Alexandria. Encruzilhada das culturas egípcia, judaica, grega e
cristã, ele se tornou um grande centro intelectual. Terapeutas, gnósticos e
muitos outros movimentos místicos se desenvolveram em torno desta cidade.
Sua biblioteca, com um patrimônio de mais de 50.000 volumes, reunia todos
os conhecimentos da época. Também foi o cadinho onde se formou a Alquimia
greco-egípcia, uma herança de uma antiga prática egípcia, reformulada e
retomada pelo pensamento grego. Devemos, no entanto, indicar que ela existia
anteriormente na China e na Índia. Dentre os alquimistas alexandrinos,
devemos relembrar Bolos de Mendès. Também é importante frisar que Roma
adotou facilmente o Egito e seus cultos. Enquanto entre os gregos foi
essencialmente pela literatura que a influência do Egito se fez sentir, foi
diferente entre os romanos. Abraçaram sua cultura e adotaram certos ritos do
país em que haviam conquistado. O culto a Ísis se instalou em Roma. No
século II d.C., Apuleio, escritor latino interessado em mistérios, foi também ao
Egito e descreveu os seus mistérios à sua maneira, em O Asno de Ouro
(REBISSE, 2004).

Mais tarde, por volta do século I a.C. e II d.C., a preocupação com uma
gnose salvadora em um quadro amplamente platônico foi difundida entre os
pensadores do Médio Platonismo. Nome moderno dado a um estágio no
desenvolvimento da filosofia platônica que dura desde 90 a.C., quando
Antíoco rejeita o ceticismo da Nova Academia instaurado por Arcesilau, até o
desenvolvimento do Neoplatonismo por Plotino. Absorveu muitas doutrinas
das escolas rivais peripatéticas e estoicas. Plutarco foi o filósofo proeminente
neste período. Defendeu a liberdade da vontade e a imortalidade da alma.
Procurou mostrar que Deus, ao criar o mundo, havia transformado a matéria,
como receptáculo do mal, na alma divina do mundo. Deus é um ser
transcendente, que opera através de intermediários divinos, que são os deuses
e os daemons. Numênio combinou o Platonismo com o Neopitagorismo, além
de outras filosofias orientais, em um movimento que prefigura o
desenvolvimento do Neoplatonismo.

Hermetismo

Entre as suas
manifestações mais
importantes, tendo em vista a
história posterior da Tradição
Esotérica Ocidental, temos a
tradição egípcio-helenística
conhecida como Hermetismo.
O nome refere-se a uma
lendário, e mais ou menos
divinizado, professor da
sabedoria oculta, Hermes Trismegistos, uma mistura sincrética do deus grego
Hermes e o deus egípcio Thoth. Acreditava-se que esta sabedoria havia
florescido no Egito em tempos muitos antigos e que sobreviveram apenas
alguns textos desta sabedoria. Na realidade estes textos podem ser datados
século II e III d.C.

Quanto aos ensinamentos do Hermetismo, os seus textos mais


importantes são o Corpus Hermeticum, Asclépio e o Discurso sobre o Oitavo e
o Nono. Estes textos contêm discussões técnicas sobre a verdadeira natureza
de Deus, do homem e do mundo, mas salientam que servem apenas de
preparação para uma posterior salvação. O hermetista deve transcender a
mera compreensão racional e mundana para encontrar a salvação e libertação
final através do Renascimento num corpo espiritual, culminando numa
ascensão espiritual e, finalmente, unindo-se com os poderes supremos da Luz
divina. O corpo material e os impulsos sexuais constituem obstáculos que
devem ser ultrapassados para que se atinja este objetivo, mas, uma vez que o
hermetista renasceu e seus “olhos espirituais” estão abertos, ele descobre que
o Divino está invisivelmente presente em toda a criação.

Aqui, a realidade última é referida de diversas maneiras: Deus, o Todo,


o Um. Deus é unitário e transcendente, é uno e existe além do cosmo material.
O Hermetismo é, portanto, profundamente monoteísta, embora possua uma
compreensão deísta e unitarista do termo. Sua filosofia ensina que nós e todo
o universo participamos desta Divindade Transcendente. Ela também não
nega a existência de outros seres dentro do universo. Os hermetistas
acreditam também em uma prisca theologia, na doutrina de que existe uma
única e verdadeira teologia, que existe em todas as religiões e que foi dada por
Deus ao homem na antiguidade. O princípio da correspondência é bastante
trabalhado aqui (“o que está em cima é como o que está embaixo e o que está
embaixo é como o que está em cima”), assim o que quer que aconteça em
qualquer nível de realidade também acontece nos outros e, principalmente,
através da compreensão do microcosmo (o homem) pode-se compreender o
macrocosmo (o universo) e vice-versa.

Há uma ênfase no Hermetismo à figura de “Hermes Trismegitos. No


panteão egípcio, Thot goza de uma aura especial. É representado por um
homem com cabeça de íbis ou como um bugio (no Livro Egípcio dos Mortos).
Munido de uma paleta, um cálamo e um papiro, está sempre pronto para
transcrever as palavras de Rá. Thot é o protetor dos escribas, o senhor da
medicina, da astronomia e das artes. Conhece os segredos da magia, é o
iniciador. Numa época remota como o Antigo Império, Thot já era apresentado
como o mensageiro dos deuses, qualidade que conservaria ao passar quando
passou para o mundo grego com o nome de Hermes (é válido ressaltar que na
Antiguidade faria mais sentido o sincretismo entre Anúbis e Hermes, chegando
ao ponto de formar uma divindade que era uma mistura destes dois,
Hermanubis; somente no período em que estamos tratando este sincretismo
mudou para a “equivalência” entre Thot e Hermes). Em sua qualidade de juiz,
estava situado entre Seth e Hórus. Era o protetor do olho de Hórus. No Médio
Império, ele personificava a sabedoria. Era particularmente venerado em
Hermópolis e os sacerdotes desta cidade lhe atribuíram o Livro dos Dois
Caminhos, um texto que evocava uma viagem ao além. As inscrições que
podem ser encontradas nos sarcófagos desse período evocam também um
“livro divino de Thot”. A partir dessa época, Thot aparece como o redator dos
livros sagrados, o mestre onisciente, aquele que conhece os ritos secretos da
Magia. Relata-se então que os textos sagrados foram encontrados ao pé de sua
estátua. Esse tema simbólico seria retomado mais tarde no relato que evocaria
a descoberta da tumba de Hermes Trismegisto por Apolônio de Tiana. Na
Baixa Época, Thot era considerado o senhor da Magia. Pode ser apresentado
como “duas vezes grande”, “três vezes (muito grande)” e “cinco vezes grande”.
Na era ptolomaica, os gregos e os romanos ficaram fascinados com Hermópolis
e seu culto a Thot. Foi então que se desenvolveu uma síntese original entre a
civilização egípcia e a cultura helenística. Como Thot era o senhor da palavra e
da escrita, foi natural que os gregos fizessem dele o pai de seu maior poeta:
Homero. No século III, Heliodoro indicou que Homero era filho de Hermes e
da mulher de um sacerdote egípcio (REBISSE, 2004).

Os textos atribuídos a Hermes Trismegistos são apresentados como


traduzidos do egípcio. Na realidade, eles contêm poucos elementos egípcios
autênticos. São essencialmente marcados pela filosofia grega, mas também
pelo judaísmo e a religião persa. Não formam um todo coerente e apresentam
muitas contradições doutrinárias. O maior desenvolvimento desta filosofia
ocorreu na Renascença, o qual deu bastante impulso à ciência e à religião na
época. É válido ressaltar que através destas noções, e principalmente devido a
influência de outras tradições durante este período, o Hermetismo hoje é visto
como uma filosofia que abraça e faz paralelos entre as mais diversas tradições.
A Alquimia, a Astrologia e a Teurgia, “as três partes da sabedoria de todo o
mundo”, podem ser conhecidas como Trivium Hermeticum, demonstrando a
ênfase em que se dá hoje à sabedoria hermética como uma sabedoria
universal. Isto se deve bastante a abordagem do Hermetismo como a filosofia
egípcia original, também confundida com a Tradição Perene e que, como
vimos, a sabedoria hermética tem mais de outras tradições que da tradição
egípcia propriamente dita. Voltaremos a falar da filosofia hermética mais à
frente, pois vai ter ainda grande importância, assim como das três ciências
herméticas (REBISSE, 2004).

Gnose

A busca pela Gnose também foi comum entre os cristãos, não ficando
apenas restrita à tradição egípcio-helenista. O termo foi usado de uma forma
positiva por alguns padres da Igreja, principalmente Clemente de Alexandria,
mas não podemos dizer o mesmo do fenômeno conhecido como Gnosticismo,
já que alguns pais da Igreja como
Irineu, Hipólito e Epifânio
apresentaram-no como heresia. O
Gnosticismo foi percebido como uma
religião dualista que ensinava que
centelhas de luz divina foram
aprisionadas no mundo da matéria e
dele deviam escapar a fim de
encontrar o caminho de retorno para
a sua fonte divina. De acordo com a
mitologia gnóstica mais popular,
estes seres humanos estavam se
rebelando contra o demiurgo, uma
deidade ignorante ou maligna (às vezes apresentado com o Deus do Antigo
Testamento) que criou este mundo de trevas e ignorância como forma de
aprisionar as almas e, deste modo, evitar que os seres humanos acordassem a
sua centelha divina. Atingindo a gnose (“conhecimento”), os gnósticos
compreendiam a sua origem divina e podiam trilhar o caminho para escapar
do mundo do demiurgo e seus ajudantes demoníacos, os arcontes, que
tentariam impedir que eles fossem além das esferas celestiais e encontrasse o
caminho de retorno para a Luz divina. Após a descoberta dos manuscritos de
Nag Hammadi, a nossa imagem sobre estas correntes gnósticas tornou-se
muito mais complexa que antes, pois descobriu-se que não existia no
Cristianismo Primitivo uma simples antítese entre Ortodoxia e heresia dualista
gnóstica (a “religião gnóstica” contra a religião da igreja) e sim um
Cristianismo nas mais diferentes perspectivas e variedades, algumas mais ou
menos “gnósticas” que as outras.
O termo gnose irá sempre estar presente na Tradição Esotérica
Ocidental e devemos antes de mais nada focar na distinção entre gnose,
gnóstico e gnosticismo para não nos confundirmos. Os termos gnóstico e
gnosticismo derivam da palavra grega gnosis, que é traduzida como
conhecimento. Um gnóstico é com frequência definido como uma pessoa que
busca a salvação por meio do conhecimento, porém este conhecimento não é
um conhecimento racional e muito menos um acúmulo de informação. A
língua grega distingue o conhecimento teórico e o conhecimento obtido pela
experiência direta. Este último é a gnose e a pessoa que possui ou aspira esse
conhecimento é um gnóstico. A distinção entre gnose e gnosticismo já é um
pouco mais complicada. Definir gnosticismo como a soma de crenças heréticas
do segundo século não é proveitoso, assim como não é definir gnose como o
conhecimento dos mistérios divinos revelados a uma elite. Como diz Stephan
A. Hoeller, os investigadores contemporâneos podem afirmar que é possível
haver gnose sem gnosticismo, que uma pessoa pode ter visões e uniões sem
adotar a visão de mundo gnóstica. Embora isto seja possível, não conduz a
resultados produtivos. Qual o benefício de ter experiências incomuns sem um
contexto apropriado para compreendê-las? A tradição do gnosticismo se
desenvolveu com base nessas experiências em primeiro lugar, sendo
unicamente apropriada para facilitar ainda mais as experiências gnósticas.
Claramente a gnose e o gnosticismo estão íntima e utilmente ligados e, na
verdade, não podem ser separados com segurança (HOELLER, 2005).

Um número cada vez maior de estudiosos passou a acreditar que, desde


o início, os Apóstolos compreenderam de modos diferentes, até contraditórios,
a mensagem de Cristo. Quase imediatamente, tais divergências produziram
várias “comunidades de fé” agregadas, respectivamente, ao redor de um
determinado Apóstolo e cada qual com seus próprios pontos de vista sobre o
Cristianismo. Abrangiam a igreja em Jerusalém, dirigida por Jaime, irmão de
Jesus, que continuou a observar a lei judaica; as igrejas de Paulo, que não se
sentiam obrigadas a seguir a lei; a comunidade joanina associada a João e o
Cristianismo de Tomé, centrado na Síria. Mesmo nos tempos do Novo
Testamento haviam disputas entre estes grupos, como se pode compreender
dos Atos dos Apóstolos e da Epístola aos Gálatas. A tendência das
comunidades joanina e de Tomé voltava-se principalmente ao que mais tarde
se chamou de gnosticismo, contudo, até os ensinamentos de Paulo eram às
vezes compreendidos sob esta luz (SMOLEY, 2004).

Para os gnósticos, mais importante que a libertação do pecado era o


despertar da “sabedoria oculta” a que aludia Paulo. A libertação prometida não
era a da danação eterna, mas sim daquilo que os cristãos esotéricos
chamavam de “mundo”, acúmulo de forças que atuam na vida e às quais está
sujeita a consciência humana (SMOLEY, 2004).

Ainda que expressa em termos míticos, a visão gnóstica era


extremamente sofisticada. Reconhecia uma das verdades essenciais da vida
espiritual: algo em nós mesmos e que representa nossa identidade – a
personalidade, com suas preferências e desagrados, amores e ódios – não é,
em sentido mais profundo, o nosso próprio ser, mas sim incrustações que
aprisionam e impedem a essência verdadeira de si mesmo. Somente a
iluminação espiritual pode libertar este eu (SMOLEY, 2004).

É válido ressaltar que estes ensinamentos não foram inventados pelos


gnósticos cristãos. Ele pode ser encontrado, em diferentes formas, em
tradições distintas: nos ensinamentos de Zoroastro, na antiga Pérsia, nos
tratados místicos judeus, nos textos herméticos do Egito tardio e na filosofia
platônica. A despeito do esforço para determinar a origem desses
ensinamentos, provavelmente é mais seguro supor que naquele tempo, como
hoje, a interação humana permitia o fluxo e refluxo de muitas ideias e
correntes, influenciando e sendo por sua vez influenciada. Isso é
particularmente provável quando o Esoterismo tende a ser menos rígido com
relação às diferenças sectárias que a religião externa.

Podemos dizer que a primeira escola iniciática moderna específica da


Tradição Esotérica Ocidental foi o Gnosticismo (moderna do século I d.C.,
apenas como uma distinção das escolas antigas que foram raízes do
Esoterismo Ocidental).

O Gnosticismo atingiu seu auge nos séculos II e III e, em seguida,


começou a declinar, desaparecendo mais ou menos completamente no século
XV. Uma razão para o seu desaparecimento está certamente em sua
insistência sobre o conhecimento e a experiência interiores, o que sem dúvida
limitaria seus seguidores. Também pode ter parecido ser individualista,
idiossincrático e difuso. Cada mestre gnóstico tinha seu próprio sistema e
arcano intricado do universo. Tais tendências não permitiam aos gnósticos a
formação de uma política coesa como a da ortodoxia cristã. Ademais, a ênfase
gnóstica sobre a iluminação interior provocava algum desconforto nesse
sistema eclesiástico nascente. Consequentemente, eles lançaram uma
campanha contra o Gnosticismo. Depois de deterem o poder secular, o que
ocorreu quando o Cristianismo se tornou a religião do Estado do Império
Romano, no século IV, padres e bispos estavam em posição de derrubar os
gnósticos, e outras seitas cristãs, com o poder do Estado (SMOLEY, 2004).

Se o Cristianismo rejeitou o Gnosticismo, não rejeitou a Gnose.


Clemente opôs-se aos gnósticos, mas o tema central da obra principal de
Clemente, Stromatei (que significa “fragmentos” ou “miscelânea”), destinava-se
a demonstrar que a fé cristã ortodoxa era perfeitamente consistente com a
Gnose verdadeira. Clemente chega ao ponto de categorizar o verdadeiro
gnóstico como o ápice da virtude cristã; a gnose, o conhecimento de Deus, é
um fim válido em si mesmo. Alguns ensinamentos de Orígenes, discípulo de
Clemente, também são próximos do Gnosticismo (SMOLEY, 2004).
É válido ressaltar que hoje para muitos o Gnosticismo é um fenômeno
cristão, mas o Gnosticismo tem mais valores neoplatônicos, por exemplo, do
que cristãos, sendo um fenômeno não restrito apenas à religião cristã.

Outra linha de tradição gnóstica a deixar a sua marca no Cristianismo


dominante foi a necessidade de libertar o espírito de seus vínculos com o
mundo. Essa libertação foi procurada por um grupo de homens e mulheres
que se retiraram do mundo para os desertos do Egito, começando no século
III. Eles vieram a ser conhecidos como os Padres e Madres do Deserto, e
foram os primeiros monges e freiras do Cristianismo. Inicialmente
empreenderam sua busca na solidão e, assim, fora chamado de anacoretas ou
ermitões. O mais famoso chamava-se Antônio. Atanásio, o Grande, um Padre
da Igreja, disse que Antônio, em busca por sua união com Deus, fora
assaltado por pensamentos negativos e paixões que assumiram a forma de
demônios, o que deu inspiração para várias obras de arte e romances
(SMOLEY, 2004).

Apesar de seus modos reclusos, os Padres do Deserto começaram a


atrair discípulos, dando início à formação de comunidades ao seu redor. A
primeira dessas comunidades foi fundada por Pacômio e logo chegou ao
número de nove mil pessoas (SMOLEY, 2004).

Os Padres do Deserto utilizavam inúmeros métodos para se aproximar


de Deus no silêncio de suas celas. Um deles era a leitura das Escrituras, em
forma de oração, especialmente dos Salmos. Tentavam cantar em voz alta todo
o Saltério, diariamente ou no decorrer da semana. Outro método consistia na
prática da “oração incessante”, o orar sem cessar. Em séculos posteriores, isso
evoluiu para a Oração de Jesus, também conhecida como Prece do Coração,
que compreendia a repetição de uma oração de uma linha (“Jesus Cristo, Filho
de Deus, tem piedade de mim, que sou pecador” é a versão mais comum) até
se arraigar na mente inconsciente, sincronizando-se com o batimento
cardíaco. A Oração de Jesus teve seu principal domicílio na ortodoxia oriental,
onde foi praticada mais ou menos de maneira
contínua nos primeiros séculos. Durante a
geração passada, angariou novos adeptos no
Ocidente (SMOLEY, 2004).

Uma distinção que vale a pena frisar neste


ponto é a entre o Gnosticismo Otimista e o
Gnosticismo Pessimista, que aparecem, de
maneiras diferentes, em vários pontos da história
ou em várias tradições distintas. No Hermetismo
e no Neoplatonismo há uma gradação na escala
do ser e não uma separação total, uma monista
(gnose) e outra dualista (maniqueísta). Essas
visões, apesar de dispares, se ajustaram e
passaram a fazer parte de um conjunto de
saberes, assim “com ou sem demiurgo a interpor-se entre e eles e o Pleroma,
qualquer que fosse a natureza dos males e sofrimento dos quais queriam
livrar-se – mundanos ou cósmicos, ilusórios ou materiais -, interessava-lhes
ascender e reencontrar a Unidade”, a qual Claudio Willer chama de
Neoplatonismo Renascentista. Esse sincretismo é ampliado na visão de
Christian Hermann Weisse, na qual o Gnosticismo representou uma tentativa
de uma filosofia do Cristianismo e que, em virtude da enorme amplitude, se
aproxima do Misticismo, da Magia e da Teosofia. Essa união se deu com a
mediação da tradição pitagórica-platônica, a Cabala, a Teosofia de Jacob
Boehme, o Rosacrucianismo e o Martinismo. O Rosacrucianismo moderno
advém dos panfletos de Johann Valentin Andreae. No primeiro manifesto,
Fama Fraternitatis, aparecem alternadas confissões de fé monista (hermética)
e dualista (gnóstico), “sem dar atenção à contradição”. Cornelius Agrippa, em
Da Incertitude e Vaidade das Ciências e das Artes foi o primeiro autor a falar
das conexões entre a Cabala e o Gnosticismo, “propondo uma influência da
primeira sobre „ofitas, gnósticos e heréticos valentinianos‟”. Aproxima-se,
então, a várias escolas filosófico-religiosas antigas, que a micro-existência é
sempre feliz, na medida em que se harmoniza, pelo conhecimento, com a
realidade macrocósmica do Universo. O próprio Gnosticismo cristão é a união
de várias facetas de sistemas esotéricos, religiões orientais, Judaísmo e
Cristianismo, como já dissemos. Conforme disse René Guénon, “por Gnose
aqui se deve entender o Conhecimento tradicional que constitui o fundo
comum de todas as iniciações, cujas doutrinas e símbolos foram transmitidos,
desde a mais remota antiguidade até nossos dias, através de todas as
Confraternidades secretas, cuja longa corrente jamais foi interrompida” (O
ALVORECER, 2017).

O Hermetismo “stricto sensu”, no dizer de Doresse, é um gnosticismo


otimista. Entre semelhanças e diferenças, como conclusões otimistas e
negativas total em considerar como mal ao Demiurgo e o mundo terreno. O
autor recorre a Frances Yates em Giordano Bruno e a Tradição Hermética, na
qual classificou o Corpus Hermeticum como pertencentes a dois tipos de
gnose, uma pessimista (Hermetismo gnosticizado) e outra otimista
(Hermetismo strictu sensu). Nagnose pessimista ou dualista, o mundo
material é mau por si mesmo, e é preciso escapar dele. Nagnose otimista, a
matéria é impregnada daquilo que é divino, o Sol brilha com poder divino e
não há parte da natureza que não seja boa. Willer diz que as duas, embora
apartadas, se confundem ou interpenetram-se. Nisso a biblioteca de Nag
Hammadi dispõe de escritos que se aproximam da gnose otimista, pois não
são dualistas e não se fala de demiurgo ou arcontes (O ALVORECER, 2017).

A dualidade é uma separação de forças na unidade, embora a posição


de Valentino representa uma posição relativamente não-dualista. “Para ele, a
criação do mundo resulta não do eterno confronto entre duas potências
arquetípicas, como se dá para um pensador maniqueísta, mas de uma queda
que ocorre dentro da moldura de um sistema previamente perfeito. A natureza
dessa queda é um mistério que todo sistema monista tem de encarar” (O
ALVORECER, 2017).

Neoplatonismo

Retomemos agora às influências egípcio-helenistas na Tradição


Esotérica Ocidental. Uma terceira tendência importante na antiguidade
helenística tardia é a prática conhecida como Teurgia. Seus primeiros
testemunhos são os chamados Oráculos Caldeus, atribuídos a Juliano o
Teurgo (século II d.C.), e que floresceram no meio filosófico através do que
conhecemos hoje como Neoplatonismo. Para os acadêmicos, a Teurgia
continua bastante misteriosa em muitos aspectos, pois as fontes sobreviventes
não nos dizem o suficiente sobre como ela funciona, mas se acredita que
claramente envolveu uma prática ritualística em que os deuses se
manifestavam e entravam em conexão com os neoplatônicos praticantes
(HANEGRAAF, 2013).

O Neoplatonismo é um termo moderno para designar uma tradição


filosófica que surgiu no século III d.C. e persistiu até pouco depois do
encerramento da Academia Platônica no século VI. Ao definir o termo
“neoplatonismo”, é difícil reduzir a escola de pensamento a um conjunto
conciso de ideias que todos os filósofos neoplatônicos compartilhavam em
comum. O trabalho da filosofia neoplatônica envolveu descrever a derivação de
toda a realidade de um único princípio, o Um. Embora compartilhassem
algumas suposições básicas sobre a natureza da realidade, também havia
diferenças consideráveis em suas visões e abordagens. Sendo assim, o
Neoplatonismo está mais para uma definição histórica do que uma escola
filosófica propriamente dita. Plotino é tradicionalmente identificado como o
fundador do Neoplatonismo, mas muitos pensadores que o seguiram e
desenvolveram esta corrente responderam-no e até mesmo criticaram-no.

Existem várias maneiras de categorizar as diferenças entre os


neoplatônicos de acordo com suas visões diferentes e uma destas maneiras é
categoriza-lo em três fases distintas após Plotino: a obra de seu aluno
Porfírio, a de Jâmblico e sua escola e a do período que compreende o século
V ao VI. Os pensadores deste período final incluem Siriano, Olimpiodoro,
Proclo e Damascio. Uma característica importante que distingue o
Neoplatonismo após Porfírio é que os neoplatônicos posteriores abraçaram a
Teurgia como meio de desenvolver a alma através de um processo chamado
henosis.

As semelhanças entre o Neoplatonismo e as filosofias Vedanta do


Hinduísmo levaram vários autores a sugerirem uma influência indiana em sua
fundação, particularmente em Amônio Sacas, professor de Plotino.
O Neoplatonismo tem sido muito influente ao longo da história. Na
Idade Média, as ideias neoplatônicas foram integradas nas obras filosóficas e
teológicas de muitos dos mais importantes pensadores medievais islâmicos,
cristãos e judeus. Em terras muçulmanas, textos neoplatônicos estavam
disponíveis em traduções árabes e pensadores notáveis como al-Farabi,
Avicena e Maimônides incorporaram elementos neoplatônicos em seu próprio
pensamento. Embora a revitalização do Neoplatonismo entre os pensadores do
Renascentismo italiano, como Ficino e Pico dela Mirandola, produziu as
traduções latinas dos textos neoplatônicos, muitas delas já estavam
disponíveis no Ocidente muito antes. Tomás de Aquino, por exemplo, teve
acesso direto às obras de Proclo, Simplício e Pseudo-Dionísio, o Aeropagita,
e conhecia outros neoplatônicos como Plotino e Porfírio por meio de fontes de
segunda mão. A influência do Neoplatonismo se estendeu também na filosofia
e na cultura moderna como, por exemplo, na estética renascentista e no
trabalho de poetas modernistas. O próprio Cristianismo deve muito ao
Neoplatonismo.

A filosofia prática do Neoplatonismo pode ser resumida em uma única


frase. Ao longo da mesma estrada pela qual desceu, a alma deve voltar para
retornar ao Um. Dentre as práticas que se desenvolveram através do
Neoplatonismo, uma garantiu um destaque especial na Tradição Esotérica
Ocidental. Trata-se da Teurgia. Plotino instigava as contemplações,
assemelhando-se ao trabalho de uma escola meditativa ou contemplativa.
Jâmblico, um estudante de Porfírio (que era ele mesmo aluno de Plotino),
ensinou um método mais ritualizado de Teurgia. Ele acreditava que a Teurgia
era a imitação dos deuses e descreve a observância teúrgica como uma
“cosmogonia ritualizada” que dotou as almas encarnadas com a
responsabilidade divina de criar e preservar os cosmos. Para Jâmblico, o
transcendente não pode ser apreendido apenas com a contemplação mental
porque o transcendente é supra-racional. Sendo assim, as operações
ritualísticas são necessárias para recuperar a essência transcendente,
retraindo as “assinaturas” divinas através das camadas do ser. Ao mesmo
tempo, ele também diz que não se envolveu em nenhuma prática “mágica” na
qual os deuses são invocados ou obrigados a aparecer e em nenhum
procedimento filosófico baseado nas capacidades finitas do intelecto humano.
Ao invés disso, o Teurgo realizava “atos indizíveis” e trabalhava com “símbolos
inefáveis” que eram compreendidos somente pelos deuses que então, e por seu
próprio poder, elevavam a mente do Teurgo à realidade divina. Em suma, a
Teurgia conduz a consciência do praticante a experimentar diretamente a
realidade divina, não apenas de uma forma contemplativa, mas também
utilizando elementos ritualísticos, não sendo considerada apenas uma coisa
ou outra (devido a isto, alguns autores a chamam de sistema co-cerimonial ou
de sistema mais ou menos ritualístico) (HANEGRAAF, 2013).

O Imperador Juliano (não confundir com Juliano, o Teurgo) abraçou a


filosofia neoplatônica e trabalhou para substituir o Cristianismo por uma
versão do paganismo neoplatônico. Por causa de sua morte prematura e da
corrente dominante que o Cristianismo tinha sobre o império na época, isso
acabou por não ter êxito, mas ele produziu várias obras, incluindo um hino
popular ao Sol. Na sua Teologia, Hélio, o Sol, era o exemplo ideal da perfeição
dos deuses e da luz, símbolo da emanação divina. Ele favoreceu os rituais
teúrgicos com ênfase no sacrifício e na oração, sendo fortemente influenciado
pelas ideias de Jâmblico.

Teurgia

Definições sobre Teurgia existem aos montes. Um conceito simples


sobre o que é a Teurgia pode ser dado da seguinte forma: descreve a prática
co-cerimonial realizada com a intenção de invocar ou evocar a ação ou
presença de um ou mais deuses (ou emanações da Divindade), especialmente
com o objetivo de alcançar a henosis (união com o Um ou com emanações
desse Um) e aperfeiçoar a si mesmo. Já Proclo define a Teurgia como um
poder superior a toda a sabedoria humana e que abarca as bênçãos da
divinação, os poderes purificadores da iniciação e, em uma única expressão,
todas as operações da possessão divina. O historiador Keith Thomas diz que a
Magia Espiritual ou a Teurgia baseia-se na ideia de que se pode alcançar Deus
em uma ascensão na escala da criação e isto é possível através de um rigoroso
curso de oração, jejum e preparação devocional. Já Pierre A. Riffard diz que a
Teurgia é um tipo de Magia que consiste em um conjunto de operações
ritualísticas realizadas para evocar espíritos benéficos para vê-los, conhece-los
ou influenciá-los, forçando-os a animar uma estátua ou divulgar os seus
mistérios, por exemplo.

Aqui devemos notar que o significado do termo Teurgia usando no


mundo antigo greco-romano difere muitas vezes do de hoje. Basicamente,
entrava-se em contato com os deuses para se obter um resultado desejado
(henosis) por meio de ritual e adoração, precedido de longos e tediosos
treinamentos, tanto mental quanto físico. A Teurgia de tempos posteriores
possui concepções, objetivos e meios de realização distintos. Assim como a
Tradição Esotérica Ocidental, adquiriu uma “roupagem cristã”, mas não é
cristã, pois a Teurgia apenas assumiu uma “roupagem cristã”. Aqui o peso
maior é na preparação individual e no treinamento moral e mental que levam
ao despertar do indivíduo, tendo
como objetivo final a fusão dele
com o Infinito e o Eterno, que
nós podemos chamar de Deus.
Ao invés da multidão de fatores e
poderes, como deuses, espíritos e
forças naturais, agindo sobre o
homem, como era o caso dos
antigos, o grande conceito
central do “Um sem um segundo”
surge na Teurgia dos nossos
dias. O homem então se esforça
diretamente para o Altíssimo, abandonado os caminhos intermediários e
passando por cima deles em seu Êxtase, como nos foi ensinado pelo Cristo.
Embora em teoria pareça simples, não significa dizer que é um caminho fácil.

Hoje se vê uma distinção entre Teurgia e Magia Cerimonial baseada em


uma suposta superioridade entre uma a outra. Essa distinção ocorre para
colocar a Teurgia como uma espécie de Magia mais avançada, mais “divina”,
altruísta, e a Magia Cerimonial como algo inferior, egóico, sendo que mesmo
nesta distinção é possível dizer que a Magia Cerimonial pode ser utilizada com
fins altruísticos e a Teurgia pode ser utilizada com fins egóicos. Com efeito, a
Teurgia surge fazendo o praticante entrar em comunhão com alguma das
diversas emanações do Um, enquanto a Magia Naturalis que se desenvolve na
Europa no século XI tem um objetivo mais científico, de aprender sobre a
Divindade observando e investigando a Natureza e, posteriormente, também
trabalhando com evocações por meio dos grimórios. Ao observar como elas se
desenvolveram até hoje, a Teurgia e a Magia Cerimonial se entrelaçaram tanto
que há hoje quem diga que são a mesma coisa, pois se intercambiaram de tal
modo que não compreendemos uma sem pensar na outra. A distinção entre
ambas pode ser feita para fins didáticos, embora possa mais complicar do que
ajudar, diferenciando as distintas abordagens e formas da Magia Cerimonial
que surgem em momentos históricos diferentes em locais diferentes e, deste
modo, considerando a Teurgia como mais uma delas e nunca como superior
às outras. Uma outra forma de trata-las distintamente é através dos objetivos,
pois a Magia Cerimonial não necessariamente trabalha com a busca da
Reintegração, podendo focar-se na investigação da natureza e dos diferentes
planos.

É importante ressaltar que esta distinção começou a ser trabalhada


bem depois do Neoplatonismo, onde filósofos defensores da Teurgia insistiam
na diferença entre Teurgia e Magia. Como indica Franz Cumont, pensavam
que podiam fazer os mesmos "milagres" que os magos, mas mediante práticas
piedosas. Tal distinção não era aceita por alguns autores cristãos, que
consideravam ambas como formas da mesma prática. Assim, Santo Agostinho
diz em De Civitate Dei que a única distinção que se deve introduzir é uma
distinção entre os milagres realizados pela simplicidade da fé visando
estabelecer o culto do verdadeiro Deus e os falsos milagres realizados por essa
“curiosidade criminosa” que ás vezes se chama Magia, outras vezes com um
nome mais detestável, Goécia, e outras com um vocábulo mais honroso:
Teurgia. Segundo Santo Agostinho, não há distinção entre Magia e Teurgia, e
não se pode considerar que as práticas dos magos sejam ilícitas e a dos
teurgos, louváveis. Agostinho ressalta as vacilações de Porfírio que, segundo
ele, às vezes promete uma purificação da alma pela Teurgia e outras vezes
parece envergonhar-se disso. Isto indica que, na realidade a distinção
originalmente foi criada para evitar uma perseguição da Igreja aos praticantes
(MOURA, 2001). Assim, a partir do momento em que se dizia que a Teurgia era
uma forma prática da Teologia, uma forma de chegar até Deus não pelo
intelecto e sim pela prática ritualística, evitar-se-ia acusações e posteriores
perseguições que certamente aconteceriam se fosse dito que era Magia (que
está se evocando o demônio para fazer um pacto com ele). Em suma, a
distinção foi entre Magia e Teurgia foi reforçada como uma forma de evitar
perseguição aos praticantes desta primeira.

Intercâmbio entre os últimos elementos egípcios e os árabes

Essa época foi então a que viu o Egito se apagar ante o Cristianismo
nascente. Alexandria desempenhou um papel importante nas diferentes
controvérsias que marcaram os primórdios dessa religião que Constantino
deveria impor. No século III, os egípcios abandonaram a escrita hieroglífica e
passaram a usar a escrita copta para transcrever a sua língua. Mesmo com o
imperador Juliano causando um breve retorno dos cultos aos mistérios,
ajudando a propagar o paganismo, tempo depois o imperador Teodósio
promulgaria um édito contra os cultos não-cristãos, o qual marcaria o fim do
clero egípcio e suas cerimônias, bem como perseguição a todas as outras
tradições na Europa (REBISSE, 2004).

Alexandria foi o ponto de passagem da ciência egípcia para os mundos


grego e romano. Esse foco acabou desaparecendo por volta do século VI. Em
642, foi tomada pelos árabes. Mesmo antes desta data o Esoterismo já
brilhava em terras árabes. Os sabeus são um exemplo disto. A Bíblia relata
que a rainha de Sabá foi encontrar o Rei Salomão em Jerusalém. Os sabeus
eram renomados astrólogos e Maimônides informa que essa ciência tinha
entre eles um lugar predominante. Possuíam escritos sobre a Alquimia e
mesmo o Corpus Hermeticum (REBISSE, 2004).

O século VII marcou o começo do Islã. Há uma tradição em que se


identifica o profeta Idris, mencionado no Alcorão, com Hermes e Enoque, o que
gerou uma assimilação da tradição egípcio-helenística à islâmica. Por vezes,
esse profeta é assimilado a Al-Kherz, o misterioso mediador que, no sufismo,
cumpre um papel fundamental como manifestação do guia pessoal. Abu
Ma’shar, astrólogo persa do século VIII, formulou um relato traçando uma
suposta genealogia de Hermes (REBISSE, 2004).

Nesta mesma época, por volta do século VI, aparece a Tábua da


Esmeralda, texto que viria a ter considerável importância na Tradição. A
paternidade deste texto é atribuída a Apolônio de Tiana, personagem mítico
que o autor Balînûs conta ter encontrado o túmulo de Hermes. Diz ter
encontrado neste sepulcro um velho, sentado num trono, com uma tabuleta
de esmeralda em que constava o texto da famosa Tábua da Esmeralda. Diante
dele havia um livro que explicava os segredos da criação dos seres e a ciência
das causas de todas as coisas (REBISSE, 2004).

O Trabalho do Monasticismo
Para finalizarmos esta introdução, é interessante focar no advento do
Monasticismo no Ocidente, que se estabeleceu em grandes comunidades e em
ambientes amplos como a África do Norte e a Irlanda. Os Padres do Deserto e
seus sucessores marcaram presença percebida em figuras como João
Cassiano, cujas Conferências registram sua experiência com ascetas do
Império Romano Oriental e viria a infundir grande parte de seu pensamento e
prática no Cristianismo ocidental. Mas a figura mais produtiva foi Bento de
Nursia (480-547), que estabeleceu o grande monastério em Monte Cassino, na
Itália, e formulou a Regra de São Bento, um guia para a vida monástica que a
Ordem Beneditina ainda hoje segue (SMOLEY, 2004).

Embora a Regra aborde detalhes aparentemente tão triviais quanto os


preparativos para dormir e períodos de descanso, é em grande parte dedicada
ao Ofício Divino, uma série de sete serviços religiosos entremeados no dia do
monge de acordo com o Salmo 119,164, “sete vezes ao dia eu Te louvo por
Teus justos decretos”. Isso aponta para o objetivo central do Monasticismo:
organizar a vida do indivíduo de modo que este nunca se afaste da lembrança
de Deus. É solicitado aos monges que se ocupem com o trabalho manual, mas
somente por um período estritamente circunscrito. Grande parte do repouso
diário é dedicado tanto aos serviços coletivos quanto às devoções particulares,
o que inclui a leitura dos textos sagrados. A Lectio Divina, ou a “divina
leitura”, a leitura contemplativa das Escrituras, sempre foi a prática central
dos beneditinos. O Monasticismo assume sua forma na Antiguidade Tardia,
quando o Império Romano
Ocidental ruía e as ondas de
invasões bárbaras sucediam-se
umas às outras (SMOLEY,
2004).

Os escritos monásticos
parecem não se importar com
qualquer tipo de preocupação
da sociedade em geral, porém,
em uma perspectiva mais
ampla, os monastérios
realizavam uma função
extremamente vital, pois
serviam como repositórios de aprendizagem e civilização em uma era em que
parecia quase certo que pereceriam totalmente. Os monges também
contribuíram preservando o pouco que restou da civilização clássica. Também
preparavam a terra para a agricultura e a administravam bem, criando uma
base econômica para a civilização europeia (SMOLEY, 2004).

Isso levanta uma questão importante no trabalho esotérico: a relação


entre a busca individual de Deus e as necessidades da sociedade como um
todo. O papel-chave do Monasticismo em forjar o Ocidente moderno sugere
que ele resolve esta aparente antinomia dizendo que um indivíduo só pode se
desenvolver totalmente participando de um trabalho em que contribua para o
bem maior da humanidade (SMOLEY, 2004).

Aqui finalizamos o nosso primeiro manuscrito introdutório. Gostaria


que nos enviasse um texto sobre o que você compreende por Esoterismo antes
de continuarmos.

Fraternalmente,

A Sociedade Hermética

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HANEGRAAF, Wouter J. Western Esotericism: A Guide for the Perplexed.


Bloomsbury Academic, 2013.

HOELLER, Stephan A. Gnosticismo: uma nova interpretação da tradição


oculta para os tempos modernos. Nova Era, 2005.

MOURA, José Ferrater. Dicionário de Filosofia. Edições Loyola, 2001.

O ALVORECER. http://oalvorecer.com.br/

REBISSE, Christian. Rosa+Cruz História e Mistérios. Biblioteca Rosacruz,


2004.

SMOLEY, Richard. Gnosticismo, Esoterismo e Magia. Madras Editora, 2004.

VERSLUIS, Arthur. Os Mistérios Egípcios. Círculo do Livro, 1988.