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Curso de Bíblia

Por José Haical Haddad

Capítulo 4

ÊXODO
O Culto a Deus
ÍNDICE
1 Fundamentos Gerais
2 O Santuário - Planejamento Geral
3 O Preparo do Sacerdócio
4 O "Bezerro de Ouro"
A Ratificação da Aliança com IAHWEH - Opção
5
Definitiva
A Ereção e Consagração do Santuário e do
6
Sacerdócio

LEVÍTICO
ÍNDICE
7 O Sacerdócio
8 O Sacrifício
9 Os Valores Típicos do Sacrifício
O Sacrifício e os Direitos, Funções e Deveres dos
10
Sacerdotes
11 Os Sacrifícios e a Investidura Sacerdotal
12 O Sacerdócio e a Santidade
13 A Pureza Legal
14 O dia da Expiação
15 As Leis da Santidade
As Festas Religiosas de Todo o Povo de Israel (Lv
16
23-25)
17 O ano sabático e o ano do jubilar
18 Exortações
19 A consagração para a conquista

ÊXODO
O Culto a Deus
1. FUNDAMENTOS GERAIS

O Povo dos Filhos de Israel foi denominado pelo próprio Deus de "meu filho
primogênito" (Ex 4,22), cujas características e implicações pertencentes ao
Instituto da Primogenitura de "primícia" e "sacerdócio" já se traduzia e lhe
conferia uma missão específica que a pouco e pouco se amplia e se esclarece:
"Assim fala o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito"
(Ex 4,22)

"Agora, pois, se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha


Aliança, sereis a minha propriedade peculiar entre todos os
povos, porque minha é toda a terra; e vós sereis para mim
um reino de sacerdotes e uma nação santa..." (Ex 19,5-
6)

"Quando o anjo marchar na tua frente e te introduzir na terra


dos (..."vários povos"...), e eu os exterminar, não adorarás os
seus deuses, nem lhes prestarás culto, imitando seus
costumes. Ao contrário derrubarás e quebrarás as suas
colunas. Servireis ao Senhor vosso Deus, e ele abençoará
teu pão e tua água, e afastará do teu meio as enfermidades.
(...) Não farás aliança com eles nem com seus deuses. ...te
fariam pecar contra mim: Servirias aos seus deuses, e isso
seria uma armadilha para ti" (Ex 23,23-33).

"... vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa" conjuga-se com
"...não adorarás os seus deuses, nem lhes prestarás culto, imitando seus costumes;
ao contrário derrubarás e quebrarás as suas colunas; servireis ao Senhor vosso
Deus..." - com tais desígnios é fixada a mesma Missão da Difusão do Nome de
Deus, com e exclusão e eliminação de quaisquer outros. Assim, tal como desde
Abraão, para o testemunho da adoração a Iahweh, forçosamente é indispensável a
presença constante de um Altar de Sacrifício. Fazendo do Culto o Centro
Gravitacional da Aliança contraída, agora que ela se consuma no Monte Sinai e se
corporifica com o Povo de Deus, ratifica-se e recorda-se tanto a Missão como a
assumida fidelidade absoluta e exclusiva:

"Do nome de outros deuses nem fareis menção, nem se


ouça da vossa boca" (Ex 23,13)

"... se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha Aliança,


sereis a minha propriedade peculiar entre todos os povos,
porque minha é toda a terra; e vós sereis para mim um reino
de sacerdotes e uma nação santa..." (Ex 19,5-6).

Já não se trata de um relacionamento individual ou de uma tribo num regime


patriarcal, mas de estrutura mais ampla, como a de um povo, o Povo de Israel,
"separado" dentre outros povos que também são de Deus ("porque minha é toda a
terra"). Por isso, dadas as novas dimensões e exigências coletivas, estabelecem-se
normas para o culto principal da Aliança contraída, descrevendo-se inicialmente as
exigências básicas para a construção de um Altar de Sacrifícios, a mesma tradição
de Centro Gravitacional do Culto, agora do Povo dos Filhos de Israel:

"...Não me coloqueis entre os deuses de ouro ou de prata,


deuses que não devereis fabricar para vós. Deverás fazer
para mim um altar de terra, sobre o qual me oferecerás os
holocaustos, os sacrifícios pacíficos, as ovelhas e os bois. Em
qualquer lugar em que fizer recordar o meu nome, virei a ti e
te abençoarei. Se me construíres um altar de pedra, não o
faças de pedras lavradas, porque ao manejar o cinzel contra
a pedra, tu a profanarias..." (Ex 20,21-26).

"...Não me coloqueis entre os deuses de ouro ou de prata, deuses que não devereis
fabricar para vós" - é como de Deus dissesse: "não me incluam entre outros deuses
como num panteão, eu sou "o Deus verdadeiro e o Único Deus para vocês"; e, "um
altar de terra me farás..." (...) "E se me fizeres um altar de pedras, não o construirás
de pedras lavradas..." - Pode-se até ser denominado de "altar de campanha" ou de
"santuário peregrino" tal a forma rudimentar de sua construção para o uso durante a
peregrinação que fariam pelo deserto. Só poderia ser erguido havendo prévia
manifestação de Deus, em forma de "bênção" - algo de "fecundo ou fértil" que
acontecendo deixasse clara a Sua presença no local, agindo em benefício de todo o
povo. Moisés, então, em nome de Deus ("Estes são os estatutos que lhes proporás..."
- Ex 21,1), apresenta ao Povo ali reunido normas de comportamento em forma de
leis de aplicação quotidiana, oficializando o que já se praticava. Como todas elas
estão desordenadas e as mais das vezes mescladas com outros dispositivos é preciso
separá-las para melhor entendimento. Um exemplo explica melhor:

"Não deixarás com vida uma feiticeira. Quem tiver relações


com um animal, será punido de morte. Quem oferecer
sacrifícios aos deuses, e não unicamente ao Senhor , será
condenado ao extermínio. Não maltrates o estrangeiro nem
o oprimas, pois vós fostes estrangeiros no Egito. Jamais
oprimas uma viúva ou um órfão. Se os oprimires, clamarão a
mim e eu lhes ouvirei os clamores. Minha cólera se inflamará
e eu vos matarei à espada. Vossas mulheres se tornarão
viúvas, e órfãos os vossos filhos. Se emprestares dinheiro a
alguém de meu povo, a um pobre que vive ao teu lado, não
sejas um usurário. Não lhe deveis cobrar juros. Se tomares
como penhor o manto do próximo, deverás devolvê-lo antes
do pôr-do-sol. Pois é a única veste para o corpo, e coberta
que ele tem para dormir. Se ele recorrer a mim, eu o ouvirei,
porque sou misericordioso. Não blasfemarás contra Deus,
nem injuriarás o príncipe do povo.28 Não atrasarás a
oferta de tua colheita e do teu lagar. Deverás dar-me o
primogênito de teus filhos" (Ex 22,19-28).

Neste pequeno trecho que se escolheu para o exemplo, facilmente se destacam os


seguintes versículos que se referem estritamente ao relacionamento com Deus e ao
culto, sendo os demais de cunho moral, referindo-se ao comportamento individual,
inseparáveis para o Israelita:

"Não deixarás com vida uma feiticeira. (...) Quem oferecer


sacrifícios aos deuses, e não unicamente ao Senhor , será
condenado ao extermínio. (...) Não blasfemarás contra Deus,
nem injuriarás o príncipe do povo. Não atrasarás a oferta de
tua colheita e do teu lagar. Deverás dar-me o primogênito de
teus filhos " (Ex 22,19-28).

Da mesma forma são inseridas aqui também normas para o culto tais como a
consagração dos "primogênitos dos filhos" para o sacerdócio, a oferenda dos "das
vacas e das ovelhas" (v. tb. Ex 13,12) e "as primícias dos primeiros frutos da tua
terra trarás à casa do Senhor teu Deus" (Ex 23,19), costume e sistema que será
oficializado futuramente para a manutenção do sacerdócio, destacando-se também
as "oferendas" e o "dízimo":

"Não atrasarás a oferta de tua colheita e do teu lagar.


Deverás dar-me o primogênito de teus filhos. O mesmo farás
com o primogênito das vacas e das ovelhas: ficará sete dias
com a mãe, e no oitavo tu o entregarás a mim. Sede homens
santos para mim. Não comais carne de animal dilacerado no
campo, mas lançai aos cães" (Ex 22,28-30).

Todas essas normas foram integradas indestacavelmente na ratificação da Aliança


(Ex 24,3-8), destacando-se ainda as festas religiosas já então constando como
instituídas, eis que já do uso costumeiro, insistindo-se na exclusividade de Iahweh:

"Do nome de outros deuses nem fareis menção; nunca se


ouça da vossa boca. Três vezes no ano me celebrarás festa:
A Festa dos Ázimos guardarás: durante sete dias comerás
pães ázimos como te ordenei, ao tempo apontado no mês de
Abibe, porque nele saíste do Egito. Ninguém apareça
perante mim de mãos vazias. Guardarás a Festa da Messe, a
das Primícias do teu trabalho de semeadura no campo; e,
igualmente guardarás a Festa da Colheita no fim do ano,
quando tiveres recolhido do campo os frutos do teu trabalho.
Três vezes no ano todos os teus homens aparecerão diante
do Senhor Deus. Não oferecerás o sangue do meu sacrifício
com pão levedado, nem ficará da noite para a manhã a
gordura da minha festa. As primícias dos primeiros frutos da
tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus. Não cozerás o
cabrito no leite de sua mãe" (Ex 23,13-19).

Aparecem aqui três das festas religiosas dos Israelitas:

1.º) "A Festa dos Pães Ázimos" (Ex 23,15), criada à saída do Egito juntamente com
a Instituição da Páscoa (Ex 12,1-13 - 'Páscoa' / Ex 12,14-20 - 'Ázimos' = 'sem
fermento'):

"...Quando o Senhor te houver introduzido na terra (...) que


ele jurou a teus pais que te daria, terra que mana leite e
mel, guardarás este culto neste mês. Sete dias comerás
pães ázimos, e ao sétimo dia haverá uma festa ao Senhor.
Sete dias se comerão pães ázimos..." (Ex 13,3-12).

2.º) "Guardarás a Festa da Messe ou De Pentecostes ou da Colheitas, e a das


Primícias do teu trabalho de semeadura no campo..." (Ex 23,16) - Esta festa agora
oficializada (cfr. tb. Ex 34,22) será regulamentada mais tarde, quando já na Terra
Prometida (Lv 23,15-22). O seu nome lhe advém do espaço de "sete semanas" ou
"cincoenta dias" ("Pentecostes", em grego), contados do início da colheita até o dia
da festa. Para os cristãos esta festa marcará o início das atividades missionárias da
Igreja com o "Batismo dos Apóstolos" (At 1,5) na "Vinda do Espírito Santo":

"Chegando o Dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no


mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como de um
vento impetuoso, que encheu toda a casa em que estavam
sentados. E viram, então, uma espécie de línguas de fogo,
que se repartiram e foram pousar sobre cada um deles.
Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar
em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia"
(At 2,1-4).

3.º) "Guardarás a Festa da Colheita (Festa dos Tabernáculos Ex 23,16) no fim do


ano, quando tiveres recolhido do campo os frutos do teu trabalho" (Lv 23,33-44).
Esta festa também ficará para sempre ligada à História Cristã, durante a qual
ocorreu aquilo que se comemora como a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém no
Domingo de Ramos, desenvolvido e esclarecido por São João:

"Depois disso, Jesus andava pela Galiléia. Não queria andar


pela Judéia porque os judeus dali o queriam matar. Estava
perto a festa dos judeus, chamada das Tendas (...) No último
dia, o mais importante da festa, Jesus falou de pé e em voz
alta: "Se alguém tiver sede venha a mim e beba. Quem crê
em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios
de água viva". Referia-se ao Espírito que haviam de receber
aqueles que cressem nele. De fato, ainda não tinha sido
dado o Espírito, pois Jesus ainda não tinha sido glorificado"
(Jo 7,1-39)

"...Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas


trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8,12).

Nesta festa os israelitas habitavam durante sete dias em tendas ou cabanas, donde o
seu nome (Festa das Tendas ou Festa das Cabanas), para comemorar o tempo de
peregrinação no deserto:

"No primeiro dia tomareis folhagem de árvores ornamentais,


ramos de palmeiras, galhos de árvores frondosas, de
salgueiros da torrente, e vos alegrareis durante sete dias
diante do Senhor vosso Deus. Celebrareis esta festa em
honra do Senhor cada ano durante sete dias. É uma lei
perpétua, válida para vossos descendentes. Celebrareis a
festa no sétimo mês. Sete dias morareis em cabanas. Todos
que forem naturais de Israel morarão em cabanas, para que
vossos descendentes saibam que eu fiz morar os israelitas
em cabanas quando os tirei do Egito. Eu sou o Senhor vosso
Deus" (Lv 23,40-43).

Com o tempo e por causa da simbologia da água e da luz usadas no cerimonial essa
festa vai tomar um sentido messiânico (Ex 17,1-7; 1 Cor 10,4; Zc 14,8; Ez 47,1-2;
Is 9,1-6; 60,19-21) que Jesus reivindicará ao se comparar com a "água viva que dará
e com a luz do mundo que é" (Jo 7,39 e 8,12). As festas tinham o colorido de um
banquete, duravam uma semana, e eram celebradas com o seu memorial e objetivo,
onde tudo girava em torno de verdadeiro culto e sacrifício ("...vos alegrareis durante
sete dias..."):

"Estas são as solenidades do Senhor nas quais convocareis


assembléias litúrgicas para oferecer ao Senhor sacrifícios
pelo fogo, holocaustos e oblações, vítimas e libações,
prescritos para cada dia, além dos sacrifícios ao Senhor aos
sábados, dos dons, votos e todas as ofertas voluntárias que
apresentareis ao Senhor" (Lv 23,37-38)

"Três vezes ao ano, todos os teus homens deverão


apresentar-se perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele
tiver escolhido: na festa dos Ázimos, na festa das Semanas e
na festa dos Tabernáculos. Ninguém aparecerá perante o
Senhor de mãos vazias mas cada qual fará suas ofertas
conforme as bênçãos que o Senhor teu Deus lhe houver
concedido" (Dt 16,16-17).

Para todas elas a regra básica era a exigência de "ninguém apareça perante mim de
mãos vazias 'mas cada qual fará suas ofertas conforme as bênçãos que o Senhor teu
Deus lhe houver concedido" (Ex 23,15; Dt 16,16-17), cujas oferendas seriam
elevadas à santificação sacrificial. Assim, consoante esse dispositivo, pode-se
compreender a consagração dos primogênitos dos animais e das primícias que já se
viu, os quais se destinavam ao culto litúrgico de então. Além disso aparecem os
sábados de anos, uma novidade legal para o "repouso" da terra, não mandamental. O
Sábado do Decálogo será para sempre como um Sinal da Aliança, e vai desaguar
com essa tônica principalmente no judaísmo (Ne 13,15-22; 1Mc 2,32-41):

"Durante seis anos semearás a terra e recolherás os


produtos. No sétimo ano, porém, deixarás de colher e de
cultivar a terra, para que se alimentem os pobres de teu
povo, e o resto comam os animais do campo. O mesmo farás
com a vinha e o olival. Seis dias trabalharás, e no sétimo
descansarás, para que descansem também o boi e o
jumento, o filho de tua escrava e o estrangeiro possam
tomar fôlego. Guardai tudo o que vos disse: Não invocareis o
nome de outros deuses; que o seu nome não se ouça em tua
boca" (Ex 23,10-13).

Após a ratificação da Aliança e de todas essas admoestações, de ordem religiosa


mescladas com as de outra ordem, começa-se a estruturar especificamente o culto
com os seus ornamentos e aparatos indispensáveis. Era preciso ali mesmo e ainda
no deserto buscar regulamentar todo o cerimonial com a mesma pompa com que
eram ornados os rituais dos deuses pagãos, de cuja lembrança ainda se retinha na
memória. Não que se copiasse ou plagiasse o culto egípcio, mas aquilo que lá se
usava nos cultos era culturalmente comum a todos os povos. Apesar das variações
naturais e peculiares de cada povo, havia muita coisa em comum, fruto de uma
mesma cultura histórica.

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ÊXODO
O Culto a Deus
2. O SANTUÁRIO - PLANEJAMENTO GERAL

Moisés vai para o Monte Sinai, em retiro e contemplação, onde fica "quarenta dias
e quarenta noites", duração de ordem bíblica para significar tempo necessário e
completo para o preparo de uma missão:

"Moisés subiu ao monte e a nuvem cobriu o monte. A glória


do Senhor pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu
durante seis dias. No sétimo dia chamou Moisés do meio da
nuvem. A glória do Senhor aparecia aos israelitas como um
fogo devorador sobre o cume do monte. Moisés, porém,
penetrou dentro da nuvem, enquanto subia a montanha, e
permaneceu ali quarenta dias e quarenta noites" (Ex 24,15-18).

Findo este tempo, passará Moisés a reivindicar oferendas voluntárias (Ex 37,5-29) e
independentes daquelas já pertinentes e advindas das consagrações mencionadas
anteriormente, agora destinadas à ornamentação e adorno do culto oficial a Iahweh,
apresentando o narrador inicialmente uma descrição do projeto objetivamente
delineado:

"O Senhor falou a Moisés: "Dize aos israelitas que ajuntem


ofertas para mim. Recebereis a oferta de todos os que
derem espontaneamente. Estas são as ofertas que
recebereis: ouro, prata, bronze, tecidos de púrpura violácea,
vermelha e carmesim, linho fino e crinas de cabra, peles de
carneiro tintas de vermelho e peles de golfinho, madeira de
acácia, azeite de lâmpada, bálsamo para o óleo de unção e
para o incenso aromático, pedras de ônix e outras pedras de
engaste para o efod e o peitoral. Eles me farão um
santuário, e eu habitarei no meio deles. Fareis tudo conforme
o modelo da habitação e seus utensílios que vou te mostrar"
(Ex 25,1-9).

"Eles me farão um santuário..." - com a realização desse objetivo ratifica-se toda a


Aliança nos mesmos fundamentos dos Patriarcas para a comunhão de vidas, pelo
fato de Iahweh "habitar no meio deles". Então o ato de Abraão, Isaac e Jacó
edificando sempre um altar para o culto (Gn 12,6-9; 13,3; 26,25; 28,10-22; 35,1-15)
há de ser também o objetivo principal da atividade israelita que se inicia. Enquanto
em peregrinação, porém, haverá um "santuário peregrino" (Ex 20,24-25) ou até
mesmo um "santuário portátil" (Ex 25-26; 27,1-8), em torno do qual serão
reunidos, em comunhão de vidas pelo sacrifício, Deus e os Filhos de Israel, ou
também comparecendo em sua presença para consultas pessoais (Ex 29,42s / 33,7).
Em verdadeira contemplação ["Fareis tudo conforme o modelo de habitação e todos
os seus utensílios que te mostrarei" (Ex 25,9)], Moisés, em Nome de Deus e por Ele
assistido, planejou toda a composição material do culto com base nos costumes já
em prática até mesmo no Egito (Ex 5,3-9; 8,21-24; 10,24-26), regulamentando-o
objetivamente nos mínimos detalhes, para apresentar todo o planejamento aos
Filhos de Israel, para cuja realização concorreriam voluntariamente. Já se
prefigurava e se anunciava a continuidade daquele mesmo desígnio de Deus de
conduzir o Homem para a vida partilhada e íntima do Jardim do Éden.

É preciso aqui notar que Moisés está ainda no seu retiro e contemplação no Monte
Sinai, e registra a descrição do que viu (Ex 25-31) para a construção futura (Ex 35-
40). Em geral os móveis e utensílios seriam ou feitos ou recobertos ou forrados ou
tecidos ou bordados com ouro puro e ornados com pedras preciosas (Ex 25,1-9) por
causa da santificação que a presença de Deus lhes imprime principalmente na Arca,
no Propiciatório (Ex 25,10-22) e no Altar de Incenso (Ex 37,25-28), significada na
colocação neles das "tábuas de pedra contendo o Decálogo" (Ex 25,16.21), dos
"dois querubins", onde Deus pousava (Ex 25,18-20 / Ex 25,17-21), dos Pães da
Proposição e do Incenso para o Dia da Expiação. Isto porque para o israelita a
palavra é inseparável da pessoa que a pronuncia, com todos os seus atributos,
donde o Decálogo (Dez Palavras "de Deus"), escrito pelo próprio Deus em "tábuas
de pedra", ser o sinal da presença da Santidade de Deus no Santuário ou Habitação
a ser construído. Daí, pela Santidade presente, compreende-se também o motivo da
"fixação dos varais às argolas nos pés (ou cantos)" para o transporte (Ex 25,15),
evitando-se que tocasse o solo assim como o contato manual. Mesmo nos varais não
tocava pessoa profana, alheia ao sacerdócio, função reservada aos levitas (Nm 8,5-
25). Moisés registra todas as medidas, a disposição e a forma da confecção dos
utensílios e apetrechos, a começar com a Arca que receberá o nome de Arca da
Aliança (Ex 25,10-16) e do Propiciatório (Ex 25,11-22); também, as da Mesa dos
Pães da Propiciação ou Apresentação (Ex 25,23-30 / Lv 24,5-9; 1Sm 21,5); e, do
Candelabro e seu óleo ou azeite (Ex 25,31-39 / 27,20-21). Foi com respeito a esses
Pães da Propiciação que Jesus retrucou a acusação dos fariseus de que os discípulos
desrespeitavam o sábado comendo as espigas (Mt 12,1-4), lembrando-lhes que Davi
os comera quando teve fome, mesmo "sendo reservado aos sacerdotes" (1Sm 21,5).

A seguir vem a menção do "tabernáculo", que será também conhecido por "tenda
da reunião" (Ex 29,42-43 / 33,7), ou ainda em algumas traduções "habitação". Era
um volume retangular todo coberto com tábuas e séries de cortinas ligadas e
trançadas umas às outras, dividido interiormente em duas partes por uma cortina ou
véu. Denominou-se de Santíssimo ou Santo dos Santos à parte antes do véu onde
ficaria a Arca e o Propiciatório com os Querubins e de Santo, o local após o véu,
onde seriam colocados os demais utensílios mencionados e o "altar de incenso ou
de perfumes" (Ex 30,1-10 / 37,25-28). Foi defronte um desse altar de incenso que
o Anjo apareceu a Zacarias quando anunciou o nascimento de João Batista (Lc
1,11). E, o véu é aquele que "rasgou no momento da Morte de Cristo" (Mt 27,51;
Mc 15,38; Lc 23,45), construído no Templo de Jerusalém tal como o que fora
planejado no "Tabernáculo da Peregrinação":
"Farás também um véu de púrpura violácea, vermelha e
carmesim e de linho fino torcido, bordado de querubins.
Suspenderás o véu em quatro colunas de madeira de acácia
recobertas de ouro, providas de ganchos de ouro, e apoiadas
em quatro bases de prata. Pendurarás o véu debaixo dos
colchetes, e ali, por trás do véu, introduzirás a arca da
aliança. O véu servirá para separar o lugar Santo do
Santíssimo. Sobre a arca da aliança porás o propiciatório, no
lugar Santíssimo. Do lado de fora do véu colocarás a mesa e
diante dela o candelabro. Este ficará do lado sul da morada,
e a mesa porás ao norte. Para a entrada da tenda farás uma
cortina de púrpura violácea, vermelha e carmesim e de linho
fino torcido, artisticamente bordada. Para a cortina farás
cinco colunas de madeira de acácia, revestidas de ouro e
com ganchos de ouro, e fundirás para elas cinco bases de
bronze" (Ex 26,31-37)

"No mesmo instante a cortina do Santuário rasgou-se


de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e
fenderam-se as rochas" (Mt 27,51).

Em redor da "habitação" ou do "tabernáculo" (Ex 26,1-37 / 33,7-11 / 36,8-19) será


construído o "átrio" (Ex 27,9-19 / 38.9-20), ampla área em cujo interior, na frente e
fora do "tabernáculo", se disporá a "bacia de bronze" (Ex 30,17-21 / 38,8 / 1Rs
7,23-28) e o "altar dos holocaustos" (Ex 27,1-8 / 38,1-7 / 1Rs 8,64). Tomando-se
por base o "côvado", unidade de medida então usada, de cincoenta centímetros em
média, os vários móveis teriam a descrição resumida e a medida aproximada:

1. A Arca (Ex 25,1-22), um baú de madeira de acácia, forrada de ouro, onde


colocar-se-iam as Duas Tábuas da lei escritas pelo dedo de Deus, as Tábuas
do Testemunho (Ex 25,16.21 / Dt 10,2-5), com 1,25 m. de comprimento,
0,75 m. de largura e 0,75 m. de altura; em cima da qual colocar-se-ia uma
tampa de ouro puro, o Propiciatório, com as mesmas medidas de
comprimento e largura da arca, onde se ergueriam Dois Querubins (Ex
25,17-18). Diante dela seria colocada uma urna com o Maná (Ex 16,32-34);
2. A Mesa dos Pães da Proposição ou da Apresentação (Ex 25,23-30) de
madeira de acácia, medindo 1 m. de comprimento, 0,5 m. de largura e 0,75
m. de altura, toda revestida e adornada em ouro puro, os vários utensílios
necessários, e com argolas nos cantos onde se fixaram os varais, tudo
revestido em ouro puro, para o transporte;

3. O Candelabro (Ex 25,31-40) de ouro puro, em forma de árvore com sete


ramos, três de cada lado e um no centro, com o pedestal em forma de caule,
e os ramos terminando em formato de amêndoas, flores e botões, dispondo
nele sete lâmpadas. Será disposto de forma a projetar luz para a frente (Ex
25,27); sinal da presença de Deus na Arca da Tenda da Reunião, oferecendo
aos Israelitas a luz para se orientarem nas trevas, brilhando toda a noite,
donde nas Igrejas católicas manter-se acesa a luz do Sacrário, que se
denomina também, por causa da presença de Cristo Eucarístico, de
Tabernáculo (Ex 27,20-21).

4. O Tabernáculo (Ex 26,1-30) constituído de séries paralelas de cortinas


ligadas por colchetes de ouro e prata e coberturas de pelos de cabra,
formando uma Tenda, e por fora todo cercado por tábuas de acácia (Ex
26,16.18), tendo o véu (Ex 26,31-37) separando a área denominada de
Santíssimo ou Santo dos Santos, da denominada Santo, medindo
respectivamente o Santíssimo 5 m. e o Santo 10 m. de comprimento o que
dará para todo o tabernáculo o comprimento de 15 m. e 4,5 m. ou 6 m. de
largura (Ex 26,22-25 - trecho de difícil compreensão), que será disposto no
sentido norte - sul, dentro do átrio, que será descrito em seguida;

5. O Altar dos Holocaustos (Ex 27,1-8), de tábuas de madeira de acácia,


formando um quadrado medindo 2,50 m. de comprimento e largura,
revestido de bronze, oco no centro, ornado com recipientes para cinzas, pás,
trinchantes e braseiros de cobre, colocando-se nos seus quatro cantos chifres
simbolizando força e poder (Dt 33,17; Sl 22,22), que serão purificados com
sangue com a instituição do sacerdócio de Aarão (Ex 29,12; 30,10); e,
finalizando a descrição "do que viu" (Ex 25,9.40; 26,30; 27,8). O Átrio (Ex
27,9-19), uma área medindo 50 m. de comprimento (Ex 27,9.18) por 25 m.
de largura (Ex 27,13), erguido na direção norte - sul (Ex 27,9-10), com
entrada a este (Ex 27,13-14).

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O Culto a Deus
3. O PREPARO DO SACERDÓCIO

Ainda na fase descritiva do que lhe "foi mostrado e Moisés viu" nos dias de seu
retiro e contemplação no Monte Sinai, cuida-se da organização do Sacrifício
Israelita, herança dos Patriarcas, cuja fidelidade havia já sido posta à prova em
séculos de perseguição religiosa no Egito, tendo sido o principal motivo da evasão
geral havida. Agora que se estruturava em culto definitivo de um povo organizado
tornava-se, em conseqüência, necessário e até mesmo essencial, a instituição de um
Sacerdócio Oficial, não mais aquele cultural, familiar e mais de acordo com os
costumes, exercido até então pelos Primogênitos, devendo a partir de então ser
outorgado a Aarão e seus filhos (Ex 28,1), completando-se com o seguinte:

1. O Óleo para as lâmpadas do Candelabro de "azeite de oliveira puro que os


israelitas deveriam trazer para arder continuamente na Tenda da Reunião
onde os filhos de Aarão o deveriam preparar a partir de toda a tarde até a
manhã" (Ex 27,20-21):
2. Os Paramentos Sacerdotais (Ex 28,1-43): "mandarás fazer vestes litúrgicas
para teu irmão Aarão, em sinal de honra e distinção. Incumbirás por isso
artistas bem preparados, que dotei do espírito de sabedoria, de confeccionar
as vestes de Aarão, para consagrá-lo como sacerdote a meu serviço. Estas
são as vestes que deverão fazer: um peitoral, um efod, um manto, uma túnica
bordada, uma mitra e um cinto. Assim farão vestes litúrgicas para teu irmão
Aarão e seus filhos para que sejam meus sacerdotes. Utilizarão ouro,
púrpura violácea, vermelha e carmesim e linho fino" (Ex 28,2-5). Não é
necessário uma descrição detalhada além de uma leitura pessoal, lembrando-
se de que a Igreja Católica e outras confissões cristãs aqui se inspiram para o
uso dos seus paramentos litúrgicos, principalmente nas Cerimônias
Eucarísticas;

3. A Consagração de Aarão e seus Filhos para o Sacerdócio Perene (Ex 29,1-37


/ Ex 30,30), com a responsabilidade do oferecimento do Sacrifício Cotidiano
ao amanhecer e ao entardecer, "será um holocausto perpétuo para vossas
gerações a ser oferecido à entrada da tenda de reunião, diante do Senhor , lá
onde me encontrarei contigo para te falar. É lá que me encontrarei com os
israelitas, lugar que será consagrado por minha glória. Consagrarei a tenda
de reunião e o altar, bem como Aarão e filhos para que me sirvam como
sacerdotes. Habitarei no meio dos israelitas e serei o seu Deus. Eles
reconhecerão que eu, o Senhor , sou o seu Deus, que os libertei do Egito
para habitar no meio deles. Eu, o Senhor, seu Deus" (Ex 29,42-46);

4. O Altar dos Perfumes (Ex 30,1-10), todo de ouro puro, motivo que leva a ser
também conhecido como o Altar de Ouro (Ex 39,38; 40,5.26), um quadrado
de 0,50 m. de lado, com chifres no quatro cantos, revestidos de ouro puro e
objeto da expiação sangüínea (Ex 30,10), com as varas de madeira, também
revestidas de ouro, presas às argolas para o transporte, onde "Aarão
queimará incenso aromático cada manhã e cada entardecer", vedado outro
perfume que o descrito juntamente com o Óleo da Unção (Ex 30,34-38);

5. Far-se-á um recenseamento de homens aptos para a guerra (Nm 1), ocasião


em que os de vinte anos para cima que forem alistados deverão pagar em
resgate o valor de meio siclo, conforme o siclo do santuário eleito como
padrão, "como contribuição ao Senhor a ser aplicado no serviço da Tenda da
Reunião" (Ex 30,11-16). Um único valor para "ricos e pobres" esboçando-se
aqui a igualdade de todos perante Deus e as futuras oferendas que lhe serão
acrescidas para a manutenção do culto e do sacerdócio; foi cobrado de Jesus
Cristo e São Pedro (Mt 17,24);

6. A Bacia de Bronze colocada entre a Tenda da Reunião e o Altar dos


Holocaustos para as abluções das mãos e dos pés de Aarão e seus filhos
"quando entrarem no Tabernáculo ou se aproximarem do Altar, para oficiar"
(Ex 30,17-21); e,

7. O Óleo para a Unção:

"O Senhor falou a Moisés, dizendo: "Recolhe aromas de


primeira qualidade: (...) Farás disto um óleo para a
unção sagrada, uma mistura de especiarias preparada
segundo a arte da perfumaria. Será este o óleo para a
unção sagrada. Ungirás a tenda de reunião, a arca
da aliança, a mesa com todos os apetrechos, o
candelabro com os utensílios, o altar do incenso,
o altar dos holocaustos com os utensílios, bem
como a bacia com o suporte. Assim os
consagrarás e serão santíssimos; tudo o que os
tocar será santo. Ungirás também Aarão e os
filhos, consagrando-os para me servirem como
sacerdotes. Assim falarás aos israelitas: esse será
para mim o óleo da unção sagrada por todas as
gerações. Ele não será derramado sobre o corpo de
nenhuma pessoa, nem fareis outro parecido, da
mesma composição. É coisa sagrada, e devereis
considerá-lo como tal. Quem fizer outra mistura
semelhante, ou usá-lo sobre um estranho, será
eliminado do meio de seu povo" (Ex 30,22-33).

Ao que se vê a Unção com este óleo sagrado santificava e aquilo que tocasse o que
fora santificado seria santo. Em primeiro lugar seriam santificados o Tabernáculo
com todos os utensílios e objetos usados nos cultos e rituais litúrgicos de então; e,
em seguida, Aarão e os Filhos, santificando-os para o exercício do sacerdócio. Além
dos sacerdotes futuramente serão ainda ungidos alguns profetas, os reis de Israel
(1Sm 24,7; 26,9.11.23; 2Sm 1,14.16; 19,22) que por causa disso serão conhecidos
por Messias ou em grego "Cristos". Por tudo isso este Óleo da Unção vai
desempenhar o mais importante papel da vida religiosa de Israel atingindo em cheio
o Cristianismo, a partir do que passou a ser o nome de Jesus Cristo, que significa
Jesus, o Ungido. Cristo não é o sobrenome de Jesus, o nome de sua família, mas um
predicado, ou melhor, o seu atributo de ser o "Ungido do Senhor". Assim, o
verdadeiro sentido da frase usada por Pedro quando da revelação de que fora alvo
(Mt 16,16) é: "Tu és o 'Ungido', o Filho de Deus Vivo".

E, como um remate de toda a obra são apresentadas as essências aromáticas e


incenso para "perfumar" o ambiente onde seria ritualmente aspergido ou derramado
freqüentemente o sangue, purificando assim o odor advindo:

"O Senhor disse a Moisés: "Arranja essências aromáticas:


resina, âmbar, galbano, substâncias aromáticas e incenso
puro em partes iguais. Prepararás um incenso perfumado,
composto segundo a arte da perfumaria, bem dosado, puro
e santo. Parte dele reduzirás a pó a fim de pôr diante da arca
da aliança na tenda de reunião, onde me encontrarei
contigo. Haveis de considerá-lo como algo de santo e
consagrado. Não deveis fazer para vós outro incenso da
mesma composição. Deverás considerá-lo como consagrado
ao Senhor. Quem preparar outro semelhante para sentir-lhe
o aroma, será eliminado do meio de seu povo" (Ex 30,34-38).

Terminando os preparativos e para a execução de toda a Obra assim mostrada a


Moisés, Deus "infunde de Seu Espírito alguns artífices", como se faz referências em
outros lugares (Gn 41,38; Nm 11,17) verdadeira antecipação da presença do Espírito
Santo caracterizando já "em figura" a finalidade cristológica das escrituras (1Cor
10,3-4.11; Gl 3,24; Rm 15,4):

"O Senhor falou a Moisés, dizendo: "Olha, eu chamei


especialmente Beseleel filho de Uri, filho de Hur, da tribo de
Judá. Enchi-o do espírito de Deus: sabedoria, habilidade e
arte para qualquer tipo de trabalho (...) Pus também no
coração de todos os artesãos habilidosos a sabedoria para
que executem tudo o que te mandei: a tenda de reunião, a
arca da aliança, o propiciatório que a encobre e todos os
acessórios da tenda; a mesa com os utensílios, o candelabro
de ouro puro com os utensílios e o altar do incenso; o altar
do holocausto com os utensílios e a bacia com o suporte; as
alfaias com as vestes litúrgicas do sacerdote Aarão e de seus
filhos, para exercerem o ministério sacerdotal; o óleo da
unção e o incenso aromático para o santuário. Eles farão
tudo conforme te mandei" (Ex 31,1-11).

Mesmo nos trabalhos destinados ao Santuário, continuava em vigor a disciplina


rígida e severa quanto ao Sábado, punindo com a morte qualquer infrator,
considerando-se a sua violação como sendo à Aliança Perpétua de que é sinal (Ex
31,12-17). Por fim, entrega a Moisés as "tábuas de pedra escritas pelo dedo de Deus
('Elohim')" (Ex 31,18).
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O Culto a Deus
4. "O BEZERRO DE OURO"

Moisés continuava no Monte Sinai e o Povo de Israel sem o seu comando e controle
sentiu como se fora abandonado e como tal reage:

"Vendo que Moisés demorava a descer do monte, o povo


reuniu-se em torno de Aarão e lhe disse: "Vamos! Faze-nos
"deus" ("Elohim", no texto hebraico) que "caminhe" à nossa
frente. Pois quanto a Moisés, o homem que nos tirou do
Egito, não sabemos o que lhe aconteceu" (Ex 32,1-2).

Esta frase "vamos! faze-nos "deus" que "caminhe" à nossa frente..." e a reação de
Moisés quanto ao fato (Ex 32,19-28), insinuam a existência de uma "idolatria" pois
Aarão, de posse de objetos de ouro, fundira um Bezerro de Ouro:

"Aarão lhes disse: "Tirai os brincos de vossas mulheres,


vossos filhos e vossas filhas, e trazei-os a mim". Todo o povo
arrancou os brincos de ouro que usava, e os trouxe para
Aarão. Recebendo o ouro, ele o moldou com o cinzel e fez
um bezerro fundido. Então eles disseram: "Aí tens, Israel,
"Elohim" (= "deuses") que te fez sair do Egito!". Ao ver isto,
Aarão construiu um altar diante dele e proclamou: "Amanhã
haverá festa em honra do Senhor". Levantando-se na manhã
seguinte, ofereceram holocaustos e apresentaram sacrifícios
pacíficos. O povo sentou-se para comer e beber, e depois
levantou-se para se divertir" (Ex 32,2-6).

"Elohim" é um dos nomes com que era conhecido o Deus dos hebreus e é dele que
se faz a imagem. Não se tratou de uma simples representação pois "levantando-se
na manhã seguinte, ofereceram holocaustos e apresentaram sacrifícios pacíficos;
o povo sentou-se para comer e beber, e depois levantou-se para se divertir" (Ex
32,6). O Povo ofereceu-lhe um Sacrifício do tipo denominado "pacífico", uma
"refeição sagrada", pelo que é incriminado por Iahweh (Ex 32,7-8). Ao que tudo
indica, houve ai uma causa muito séria eis que culminou com a morte de "cerca de
três mil homens" (Ex 32,28). Moisés, ao "ver o Bezerro de Ouro e as danças, num
acesso de cólera, arroja e quebra as tábuas de Pedra" escritas por "Elohim" (Ex
32,19), "queimou o Bezerro, triturou-o, reduziu-o a pó e, misturando-o na água,
obriga o povo a bebê-la". Em virtude do conflito aqui manifestado entre o nome
Iahweh e Elohim, impõe-se uma análise cultural dos nomes de Deus, que aparece
nesse trecho como "Elohim", de quem se fez a imagem (Ex 32,4.8), contra quem se
insurge "Iahweh" (Ex 32,7-8).

Com já se viu quando da análise feita por ocasião da Bênção de Jacó (cfr.: Capítulo
2, n.º 12, Gn 49), à tribo de Efraim, após José, caberia o exercício da chefia do clã
na forma da tradição cultural correspondente ao equilíbrio entre as tribos em vigor
na época.

Nesse episódio do Bezerro de 0uro manifestam-se aspectos daquela hostilidade


latente no seio do povo, a que lá se referiu, desde quando ainda se resumia na Tribo
de Jacó somente. Como se viu, e não faz mal repetir, José era o filho predileto de
Jacó e os seus irmãos o odiavam, seja por causa disso seja por causa de sonhos dele,
que previam sua supremacia futura (Gn 37,3-4.5-11). José e Judá são os dois filhos
primogênitos de ambas as mulheres de Jacó, Raquel e Lia. De Lia, Judá seria o
primogênito em lugar de Rúben, Simeão e Levi que perderam o direito (Gn 49,4-6);
e, de Raquel, José, a quem Jacó amava com predileção e a quem deu a
primogenitura (Gn 49,22-26). Por sua vez, foi a tribo de Judá abençoada por Jacó
com um colorido messiânico (Gn 49,8-12), cabendo-lhe o direito da primogenitura
na ordem cronológica de nascimento (Gn 29,31-35), pela destituição de Rúben e
Simeão (Gn 49,5-7). Assim como Esaú odiou Jacó por causa da primogenitura, pelo
mesmo motivo é de se esperar o ressentimento de Judá quando foi ela destinada a
José, tanto com a correspondente bênção, como com Efraim igualado a Rúben (Gn
48,5) e na porção maior dada a José (Gn 48,22). Não se deve perder de mira que foi
Judá quem chefiou a venda de José para os ismaelitas (Gn 37,26-27), contra a
vontade de Rúben que o queria restituir ileso ao pai (Gn 37,22), e isso se deu antes
da bênção de Jacó (Gn 49). Também Rúben, que detinha o direito, não deve ter
aceito a destituição sem em contrapartida devotar alguma ojeriza por perdê-lo.
Assim, os antagonismos familiares fervilhavam, fermentando-se uma divisão futura.
Esses fatos são confirmados biblicamente:

"A descendência de Rúben, o primogênito de Israel: Ele era


na realidade o primogênito, mas porque profanou o leito do
pai, o direito da primogenitura foi conferido aos filhos de
José filho de Israel, e assim os rubenitas não foram
registrados como primogênitos. Na verdade, Judá veio a
predominar entre os irmãos e dele saiu um príncipe; mas a
primogenitura ficou com José" (1Cor 5,1-2)
"Hosa, da descendência de Merari, tinha filhos: Semri era o
chefe; o pai o nomeara chefe, embora não fosse o
primogênito" (1Cor 26,10).

Uma análise, mesmo superficial como esta, mostra que nesse episódio se
concentram, dentre outros, esses conflitos e tradições tribais. Em primeiro lugar,
algumas traduções falam em "deuses" quando traduzem Ex 32,1.4.8 e 23, segundo a
Septuaginta e a Vulgata, que é a tradução literal de "Elohim" no hebraico. Sabe-se
que "Elohim" era um dos nomes hebraicos de Iahweh por que em Gn 1,1 a
tradução literal seria "no princípio 'deuses (= 'Elohim')' 'criou (= 'bara') 'os céus e
a terra". Pelo fato de se colocar o verbo no singular se conclui que "Elohim" aqui é
o nome do Deus - Criador e não o plural da palavra hebraica "El (=deus)". Hoje se
reconhece na contextura das Escrituras Sagradas a existência de narrativas oriundas
de várias tradições documentárias, destacando-se dentre elas as denominadas de
"Eloísta" e "Javista", conforme o texto se refira à tradição de Elohim ou à tradição
de Iahweh, tal o nome dado a Deus. É muito fácil saber qual o nome se encontra no
texto original pela tradução: - se o nome no texto traduzido for "Senhor" no original
está "Iahweh", se o nome traduzido for "Deus" então no original se encontra
"Elohim". No trecho em exame (Ex 32) nota-se uma espécie de simbiose, fazendo
com que alguns especialistas o atribuam às duas tradições documentárias. Não se
pretende participar aqui destes debates, destinando-se o comentário apenas a
confirmar o raciocínio exposto.

Só se pode concluir que Moisés seja o patrono do nome "Iahweh" (Ex 3,13-15; 6,2-
3), cabendo-lhe a sua "apresentação" ao Povo de Israel que o designava com outros
nomes: Elohim e Iahweh (Gn 1,1; 4,6.26; 12,1; Ex 6,2-4), El-Shaddai (Gn 17,1;
28,3; 43,14; Ex 6,3), El Elyon (Gn 14,18-24), El '0lam (Gn 21,33), El Ro'i (Gn
16,13), Iahweh Yir'el (Gn 22,14), El Bete (Gn 31,13; 35,7), Adonai (Gn 15,2.8)
etc.. Pelos prodígios do Egito o nome Iahweh se impôs aos Filhos de Israel bem
como Moisés, o seu Profeta, superando-se a rejeição ocorrida no início da luta (Ex
2,14). Não pertencia a nenhuma das tribos que detinham o direito advindo da
primogenitura e a de Levi, que era a dele (Ex 2,1-2.10), fora dele excluída por Jacó
(Gn 49,5-7), não lhe cabendo o encargo. Grande vantagem lhe adveio em virtude de
pertencer à corte faraônica (Ex 2,10) fazendo com que em parte o fato fosse
contornado, aliando-se a isso os prodígios de Iahweh, realizados por seu intermédio
e Aarão, bem como o "ministério" de Josué, habilmente lotado como um seu
"primeiro ministro" (Ex 24,13), membro da Tribo de Efraim: essa escolha parece ser
uma evidência da exigência do direito da tribo que assim teria sido pacificada, além
do fato de ser destinado a substitui-lo, confirmando-lhe a preeminência (Nm 28,18-
23 / Dt 31,3-8 / Js 1,1-9).

Quando Moisés subiu ao monte e lá permaneceu "quarenta dias e quarenta noites"


(Ex 24,18), levando consigo Josué (Ex 24,13), o povo sentiu-se desguarnecido e
abandonado por Yahweh e seu profeta e buscaram apoio em Elohim, tal como
registra a Bíblia Hebraica:
"Moisés, porém, entrou no meio da nuvem, depois que subiu
ao monte; e Moisés esteve no monte quarenta dias e
quarenta noites" (Ex 24,18).

"Mas o povo, vendo que Moisés tardava em descer do


monte, acercou-se de Arão, e lhe disse: Levanta-te, faz-nos
"Elohim" (= deuses, - cfr.: consta "Elohim" na Bíblia
Hebraica) que vá adiante de nós; porque, quanto a esse
Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não
sabemos o que lhe aconteceu..." (Ex 32,1.23).

Sabe-se que quando se usa a quantidade bíblica de "quarenta dias e quarenta noites"
não se trata de uma numeração exata, mas simbólica, caracterizando-se "um tempo
necessário para algum ato". Tal ausência se dá após a promulgação do Decálogo e a
ratificação da Aliança, antes da instituição do Tabernáculo ou Santuário e do
Sacerdócio. Tanto é assim que a alegação "não sabemos o que lhe aconteceu"
caracteriza bem que não se tratava de uma ausência pequena, mas de muito tempo a
ponto do povo sentindo-se desguarnecido e abandonado voltar a buscar apoio no
antigo Deus tribal: Elohim. Com isso manifestou-se o que se deu a entender ser
uma espécie de sedição, aparecendo então aquela divisão já latente no seio do povo
desde a sua condição tribal, tendo agora por estopim a violação do direito de
primogenitura. A sedição teve por fulcro a volta a Elohim, para que assumisse a
posição de comando a que tinha direito, naturalmente sob o comando de Efraim, o
detentor do direito advindo da primogenitura e adoção que recebera pelas mãos de
Jacó. Tanto está certa esta conclusão que, descoberta a sedição, coloca-se Moisés "à
entrada do acampamento exclamando:

"Quem for de Iahweh venha a mim" (Ex 32,26).

Esta frase só tem sentido no contexto se a sedição se deu contra a Aliança contraída
com Iahweh e concluída no Sinai por meio de Moisés. É por isso que Moisés quebra
as Tábuas de Pedra (Ex 32,19), escritas "pelo dedo de Elohim" (Ex 31,18, texto
hebraico). Também a frase: "Moisés viu que o povo estava abandonado, pois que
Aarão o abandonara, expondo-o à zombaria dos adversários" (Ex 32,25) só tem
sentido em referência aos que permaneceram fiéis a Iahweh e Moisés. Tudo isso
confirma que o episódio do Bezerro de Ouro não se refere a uma idolatria, isto é, à
adoração de um ídolo. Vem em favor dessa conclusão o fato de Aarão não ter sido
punido, tendo ele fundido a imagem (Ex 32,4), apesar da sedição não ter sido da
Tribo de Levi à qual pertencia. Foram os levitas que apoiaram Moisés (Ex 32,26),
correspondendo bem à fama que desfrutavam de sanguinários, motivo da recusa
deles na escala descendente da substituição de Rúben pelo próprio Jacó (Gn 34,25-
31 / 49,5-7), matando naquele dia "três mil homens" (Ex 32,28). A frase de Moisés:
"Cinge, cada um de vós, a espada sobre o lado, passai e tornai a passar pelo
acampamento, de porta em porta, e mate, cada qual, a seu irmão, a seu amigo, a
seu parente" (Ex 32,27), só teria sentido e melhor se identifica se dirigida também
a Josué, "braço direito de Moisés", responsável pela pacificação e sendo da tribo de
Efraim, por força do cargo a ele cabia também a reação, até mesmo por uma questão
de ordem e disciplina.

Mas, o exercício do sacerdócio, como já foi amplamente disposto, vinculava-se


indestacavelmente à primogenitura, pelo que pertenceria exclusivamente à tribo de
Efraim. 0 próprio Moisés reconhece:

"De José disse: Abençoada pelo Senhor seja a sua terra,


(...)...venha tudo isso sobre a cabeça de José, sobre o alto da
cabeça daquele que é consagrado entre seus irmãos. Ele é
o seu touro primogênito; ele tem majestade; e os seus
chifres são chifres de búfalo; com eles ele fere todos os
povos, todas as extremidades da terra de vez. Tais são as
miríades de Efraim, e tais são os milhares de Manassés" (Dt
33,13-17).

Vincula-se este trecho ao constante de Gn 49,22, cuja tradução não é pacífica e é


cheia de controvérsias. Atualmente a "Edition Intégrale TOB, 1978", rompe com
uma vertente "tradicional" de interpretação e o traduz:

"Joseph est un jeune taureau, un jeune taureau près


d'une source..." que se pode traduzir para o português por -
"José é um bezerro, um bezerro junto de uma fonte..." (Gn
49,22).

A controvérsia que se observa existir nas traduções deste trecho vem exatamente do
fato de se desconhecer ou se desprezar a instituição da primogenitura, não se
levando em conta a sua influência no meio social de então. Pela "Traduction
OEcuménique de la Bible" identifica-se por isso mesmo e com facilidade José com
a "consagração" e com o "touro primogênito", ou com o "touro consagrado",
advindo então da estreita relação entre a tribo de José com o sacerdócio e é de se
deduzir que o "bezerro" é uma representação de "Elohim" o nome de Deus para a
tribo de Efraim. Ora, pelo fato de Moisés ser da tribo de Levi, os levitas vieram em
socorro de Iahweh, que se pretendeu impor com exclusividade ao povo israelita e
dominou a pretensa sedição formada. Apesar de ter ela sido excluída da
primogenitura pelo próprio Jacó (Gn 49,5-7) seria premiada por isso com o
Sacerdócio Pleno por meio da consagração da Casa de Aarão (Ex 29,1-46) e com o
Sacerdócio Auxiliar pela substituição dos primogênitos por eles, os levitas (Nm
3,5-51 e 8,5-26). As rivalidades já existentes favorecem a união de Levi com Judá,
contra Efraim, em virtude da preferência de Jacó por José desde os tempos
passados, tal como o Profeta Isaías registra:

"Também cessará o ciúme de Efraim, e os adversários de


Judá serão eliminados; Efraim não terá mais ciúme de Judá e
Judá não será mais o adversário de Efraim" (Is 11,13).
As frases "cessará o ciúme" e "não será mais adversário" caracterizam a existência
de sentimentos hostis muito enraizados, não transitórios. Quando se estudar a
origem do Reino do Norte, desligando-se de Judá (1Rs 12), ver-se-á ainda
fervilhante tais antagonismos tribais, confirmando o que se demonstra aqui. Algo
que foi fruto de dor culturalmente sentida e mergulhada no âmago do sentimento
tribal, no seu orgulho, que não pode ter outra origem que a luta pelo direito da
primogenitura, tal como ocorrera entre Jacó e Esaú, vai prosseguir na História de
Israel, até mesmo na revolta de Absalão, que vai aproveitar a divergência
levantando essas tribos tradicionalmente descontentes, contra seu pai Davi, da tribo
de Judá (2 Sm 15-19).

Finalizando é de se dizer que não é possível concordar com o episódio do Bezerro


de Ouro, tal como vem narrado em Ex 32, após tal teofania ou manifestação
sensível de Deus ocorrida no Sinai (Ex 19,16-25), de tão vigorosas expressões
dinâmicas do poder divino ao então recém-formado Povo de Deus. É simplesmente
inacreditável. Após tão violenta manifestação "do meio do fogo" não é crível que se
seguisse uma idolatria, tão colorida de aspectos gentílicos, mais apropriada aos
outros povos cuja cultura religiosa o povo israelita rejeitara até mesmo no Egito.
Nem mesmo é crível que após ratificar a Aliança de Yahweh com Abraão (Ex 24,1-
8), viesse a violá-la com uma imagem esculpida de "outro deus" (Ex 20,4-5), o
mesmo que "pronunciou o Decálogo" (Ex 20,1). Isto sem falar nos demais episódios
que convenceram os Israelitas a deixarem uma vida já acomodada "comendo as
cebolas e carnes no Egito" para se aventurarem em uma vida nômade num deserto
desconhecido para eles, sem falar nos prodígios presenciados, na morte dos
primogênitos do Egito com a poupança dos de Israel, no Maná, nos Codornizes e na
Passagem do Mar Vermelho. Esses motivos concorreram para não fugirem e
voltarem ao Faraó que os teria recebido com a satisfação de colorido bem
econômico, recuperando a "mão de obra" servil e barata que perdera (Ex 14,5).

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O Culto a Deus
5. A RATIFICAÇÃO DA ALIANÇA COM IAHWEH - OPÇÃO
DEFINITIVA
Qualquer que seja a posição tomada em face do acontecimento do Bezerro de Ouro,
idolatria ou sedição, ferindo substancialmente a fidelidade e a unidade tribais, agora
corporificadas em torno de um só nome de Deus, mortos os insurretos, outro
caminho não se poderia trilhar que a ratificação dos termos da Aliança, agora
exclusivamente com Iahweh. Porém, o que não se pode desprezar são as
conseqüências do acontecimento em Moisés, que sofre em virtude de ver o seu ideal
frustrado, lutando para permanecer-lhe fiel. Assim transparece confusamente em
todo o relato, colorido com muita privacidade e disfarce proposital das muitas
dificuldades em sua alma, até que encontra o caminho que o equilibra de novo, o
que acata por lhe significar a vontade de Deus (Ex 34,1-23). Tira de tudo algumas
conclusões e amadurece mais ainda para o encargo e missão de levar todo o Povo de
Israel à Terra Prometida aos Patriarcas, os seus antepassados Abraão, Isaac, Jacó e
José. Tudo isso vem disposto após a ocorrência desastrosa de maneira bem confusa
e mesclada muitas vezes de colóquios muito íntimos e pessoais que denotam uma
indecisão causada. Nesse estado de alma, a primeira conclusão a que chega é a da
fidelidade de Deus:

"O Senhor falou a Moisés e lhe disse: "Vamos! sai daqui, com
o povo que fizeste sair do Egito, para a terra que prometi a
Abraão, a Isaac e a Jacó, dizendo: ‘Eu a darei à tua
descendência’. Enviarei na tua frente um anjo, para expulsar
os cananeus, os amorreus, os hititas, os fereseus, os heveus
e os jebuseus. Sobe para a terra onde corre leite e mel. Mas
eu não subirei contigo, porque és um povo de cabeça dura;
do contrário acabaria contigo no caminho". Ao ouvir esta
ameaça, o povo pôs-se de luto e ninguém mais usou
enfeites. É que o Senhor tinha dito a Moisés: "Dize aos
israelitas: Sois um povo de cabeça dura; se por um instante
subisse convosco, eu vos aniquilaria. Despojai-vos, pois, dos
enfeites, e eu saberei o que fazer convosco". Os israelitas
despojaram-se dos enfeites ao partir do monte Horeb" (Ex
33,1-6).

"O Senhor falou a Moisés e lhe disse: "Vamos! sai daqui, com o povo que fizeste
sair do Egito, para a terra que prometi a Abraão, a Isaac e a Jacó, dizendo: ‘Eu a
darei à tua descendência’. Enviarei na tua frente um anjo..." - Deus permanecerá
sempre fiel à Promessa e à Aliança com os Patriarcas mesmo com a ocorrência da
infidelidade de "um povo de cabeça dura", a quem se impõe uma nova
demonstração de arrependimento no abandono dos ornamentos que desde o Egito
ainda usavam. Não compreende tal serenidade de Iahweh e, até que serenassem os
ânimos e ressentimentos, Moisés ergueu o "tabernáculo" fora do acampamento dos
Israelitas a que deu o nome de "Tenda da Reunião":

"Moisés pegou a tenda e montou-a fora, a certa distância do


acampamento, e deu-lhe o nome de tenda de reunião. Assim
todo aquele que ia consultar o Senhor , saía para a tenda de
reunião que estava fora do acampamento. Quando Moisés se
dirigia à tenda, o povo todo se levantava e ficava de pé à
porta da própria tenda, seguindo Moisés com os olhos até
este entrar na tenda. Depois que Moisés entrava na tenda, a
coluna de nuvens baixava, ficando parada à entrada da
tenda, enquanto o Senhor falava com Moisés. Ao ver a
coluna de nuvens parada à entrada da tenda, todo o povo se
levantava e cada um se prostrava à entrada da própria
tenda. O Senhor falava frente a frente com Moisés, como
alguém que fala com seu amigo. Depois Moisés voltava para
o acampamento. Mas seu ajudante, o jovem Josué filho de
Nun, não se afastava do interior da tenda" (Ex 33,7-11).

Claro está que foi uma instalação provisória onde o povo poderia "consultar o
Senhor" e onde principalmente Moisés o fazia "entrando nela enquanto uma nuvem
baixava até a entrada e dela o Senhor falava com ele, frente a frente", mantendo-se
Josué no interior dela, numa espécie de prontidão. Numa dessas consultas quis
Moisés, no estado de ânimo em que se encontrava, ainda atordoado pela sedição
ocorrida, "conhecer quais os desígnios de Deus" que não reagira:

"Moisés disse ao Senhor: "Ora, tu me dizes: ‘Faze subir este


povo’; mas não me indicaste ninguém para me ajudar na
missão. No entanto me disseste: ‘Eu te conheço pelo nome e
tu mesmo gozas do meu favor’. Se é, pois, verdade que gozo
de teu favor, faze-me conhecer teus caminhos, para que te
conheça e assim goze de teu favor. Considera que esta
nação é o teu povo". O Senhor respondeu-lhe: "Eu irei
pessoalmente e te darei descanso". Moisés respondeu-lhe:
"Se não vens pessoalmente, não nos faças subir deste lugar.
Do contrário, como se saberia que eu e teu povo gozamos
de teu favor, senão pelo fato de caminhares conosco? Assim,
eu e teu povo, seremos distinguidos de todos os povos que
vivem sobre a terra". O Senhor disse a Moisés: "Farei
também isto que pediste, pois gozas de meu favor, e eu te
conheço pelo nome" (Ex 33,12-17).

"Moisés disse ao Senhor: "Ora, tu me dizes: ‘Faze subir este povo’; mas não me
indicaste ninguém para me ajudar na missão" - isso não poderia ser afirmado em
estado de normalidade mental, após Iahweh lhe haver dito que "enviaria na tua
frente um anjo..." (Ex 33,2). E é até natural que Moisés esteja assim atordoado e
confuso, eis que estava no Monte Sinai em êxtase ou em contemplação recebendo
os detalhes do Santuário a ser erguido para Iahweh, quando explode o ato de
sedição ou idólatra ("faze subir este povo, mas não me indicaste ninguém para me
ajudar na missão; se é verdade que gozo de teu favor faze-me conhecer teus
caminhos..."). Nada mais irreal e contrariando todos os fatos havidos desde que foi
vocacionado no episódio da Sarça ardente, em que Deus claramente lhe mostrara
todos os seus desígnios e em que Moisés depositara tanta fé. O diálogo parece ser
somente mental de Moisés que o continua até que se recompõe, reconhecendo os
desígnios de Deus se realizando inexoravelmente, e desejoso de penetrar mais ainda
no mistério da natureza e divindade pede para "conhecer teus caminhos" e "a tua
glória", mas recebe só o que Deus lhe pode dar:

"Moisés disse: "Mostra-me a tua glória!" E o Senhor


respondeu: "Farei passar diante de ti toda a minha bondade
e proclamarei meu nome, 'Iahweh', na tua presença, pois
favoreço a quem quero favorecer, e uso de misericórdia com
quem quero usar de misericórdia". E acrescentou: "Não
poderás ver minha face, porque ninguém me pode ver e
permanecer vivo". O Senhor disse: "Aí está o lugar perto de
mim! Tu estarás sobre a rocha. Quando a minha glória
passar, eu te porei na fenda da rocha e te cobrirei com a
mão enquanto passo. Quando eu retirar a mão, verás as
minhas costas. Minha face, porém, não se pode ver" (Ex
33,19-23).

Isto é, Moisés não quer mais "falar com Deus face a face", estando Deus na forma
da nuvem (Ex 33,9-11), nem na forma de um fogo devorador (Ex 16,7.10;
24,16.17), mas sem mistérios e intermediários, em que não pode ser atendido
("verás as minhas costas, minha face não se pode ver"), o Homem não pode "ver
Deus e permanecer vivo", mas o que se pode dEle ver ser-lhe-á mostrado em toda a
sua justiça e imparcialidade:

"Farei passar diante de ti toda a minha bondade e


proclamarei meu nome, 'Iahweh', na tua presença, pois
favoreço a quem quero favorecer, e uso de misericórdia com
quem quero usar de misericórdia" (Ex 33,19).

O que um homem pode ver da glória de Deus, até mesmo Moisés, que "lhe falava
face a face" (Ex 33,9-11) é só o efeito de Sua Passagem ("verás as minhas costas;
minha face, porém, não se pode ver"), significado em "toda a minha bondade com o
que proclamarei meu nome, 'Iahweh', na tua presença". Confirma-o como o Seu
Enviado, sempre e livremente, sem que ninguém O manipule, "pois favoreço a
quem quero favorecer, e usa de misericórdia com quem quer usar de misericórdia",
a misericórdia que usou com os Israelitas no episódio não os punindo com pensava
que deveria ter feito. Pelo menos é assim que São Paulo vai aplicar este trecho:

"Que diremos pois? Haverá injustiça em Deus? De modo


algum. Porque disse a Moisés: Terei misericórdia de quem
me aprouver ter misericórdia. Terei compaixão de quem eu
quiser ter compaixão. Desta forma a escolha não depende
de quem a quer nem de quem corre, mas da misericórdia de
Deus. Por isso diz a Escritura ao Faraó: Precisamente para
isso te suscitei, para mostrar em ti o meu poder e para dar a
conhecer meu nome a toda a terra. Assim Deus tem
misericórdia de quem quer e é duro para quem quer" (Rm
9,14-18).

Assim é que nesse sofrimento Moisés teve o seu quinhão de penitência e recebe
também a incumbência de "cortar duas tábuas de pedra iguais à primeiras" para que
Deus escrevesse nelas o mesmo Decálogo das anteriores (Dt 10,3-4), e subiu
sozinho o Monte levando-as. Novamente em retiro e contemplação no Monte Sinai,
Moisés vai conhecer atributos de Deus, crescendo cada vez mais:

"O Senhor desceu na nuvem, parou junto dele e proclamou o


nome do Senhor. Enquanto o Senhor passava diante dele,
exclamou: "Senhor, Senhor! Deus compassivo e clemente,
paciente, rico em misericórdia e fiel. Ele conserva a bondade
por mil gerações, e perdoa culpas, rebeldias e pecados, mas
não deixa impunes, castigando a culpa dos pais nos filhos e
netos até a terceira e quarta geração" (Ex 34,5-7).

" Deus compassivo e clemente, paciente, rico em misericórdia e fiel" - são os


atributos de Deus que Moisés passa a "conhecer", fruto de sua vivência nos últimos
acontecimentos a que alia aquela mesma proporção entre a misericórdia e os
possíveis castigos de sua inflexível justiça, quando a quiser aplicar, ou seja, na
relação de mil para três ou quatro. Ao que se percebe Moisés lutava também com o
receio de que a atitude do Bezerro de Ouro, que lhe soava como um ato por demais
pecaminoso, trouxesse um rompimento da Aliança:

"Imediatamente Moisés curvou-se até o chão e prostrou-se


em adoração. Depois disse: "Senhor, se é verdade que gozo
de teu favor, que o Senhor caminhe no meio de nós, porque
esse é um povo de cabeça dura. Perdoa-nos as culpas e os
pecados, e recebe-nos como propriedade tua" (Ex 34,8-9).

E Iahweh ratifica a Aliança, apesar de tudo o que acontecera. Assim é a misericórdia


inflexível e justa do Deus que dirige a História e não se sujeita às contingências
humanas, confirma a Missão de Israel com a difusão de Seu Nome e tanto
corresponde como atende a esperança de Moisés que temia o abandono:

"O Senhor respondeu: "Olha, eu vou fazer uma aliança!


Diante de todo o teu povo farei prodígios como nunca se
fizeram em nenhum país ou nação, para que todos os povos
que te cercam vejam como são terríveis as obras do Senhor ,
que estou para fazer contigo. (...) O Senhor disse a Moisés:
"Escreve estas palavras, pois baseado nelas faço aliança
contigo e com Israel". Moisés ficou ali com o Senhor
quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber
água, e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez
mandamentos da Lei" (Ex 34,10-28).

Deus não muda, é sempre o mesmo. Apesar de tudo, as determinações a que se


sujeitarão os Israelitas se equiparam às anteriores e são como se fossem uma
repetição resumida delas, qual seja a mesma exigência de fidelidade à Iahweh
mantendo-se a mesma Missão de Israel de erradicar o culto pagão:

"Guarda bem o que hoje te ordeno. Eu expulsarei da tua


frente os amorreus, os cananeus, os hititas, os fereseus, os
heveus e os jebuseus. Guarda-te de fazer aliança com os
habitantes do país que invadirás, para que não se tornem
uma armadilha. Ao contrário derrubareis os altares,
quebrareis as estelas e cortareis os troncos sagrados. Porque
não deverás adorar nenhum outro Deus, pois o Senhor se diz
ciumento e de fato é. Não faças aliança com os habitantes
do país! Senão, quando se prostituírem com os deuses e lhes
oferecerem sacrifícios, eles te convidariam e tu comerias dos
seus sacrifícios; tomarias suas filhas para casarem com teus
filhos, e quando elas se prostituíssem com seus deuses,
levariam também teus filhos a se prostituírem com eles. Não
farás para ti deuses de metal fundido" (Ex 34,11-17).

Também a fidelidade aos princípios concernentes à celebração e manutenção do


culto, à entrega das oferendas, "não se apresentando nunca no santuário de mãos
vazias", e às datas das comemorações religiosas, aos sábados, aos primogênitos etc.,
prescrições essas que são ratificações das já anteriores (Ex 23,12.15.16.17.18.19.23-
33; 20,4.5.23; 22,28-29):

"Guardarás a festa dos ázimos. Durante sete dias comerás


pão sem fermento, como te mandei, no tempo marcado do
mês das Espigas. Pois foi no mês das Espigas que saíste do
Egito. Todo primogênito é meu: todos os primogênitos
machos de teu rebanho, das vacas e ovelhas. Resgatarás o
primogênito do jumento, com uma ovelha; se não o
resgatares, deverás quebrar-lhe a nuca. Resgatarás o
primogênito de teus filhos. Não te apresentarás diante de
mim de mãos vazias. Durante seis dias trabalharás e no
sétimo descansarás, tanto na época do plantio como na da
colheita. Celebrarás a festa das Semanas no início da
colheita do trigo, e a festa da Colheita no fim do ano. Três
vezes por ano todos os homens deverão comparecer diante
do Senhor, o Senhor Deus de Israel. Eu expulsarei diante de
ti as nações e dilatarei tuas fronteiras; assim ninguém
cobiçará a tua terra enquanto estiveres subindo, três vezes
por ano, para te apresentares diante do Senhor teu Deus.
Não oferecerás o sangue de minhas vítimas com pão
fermentado. O sacrifício da festa da Páscoa não deve sobrar
para o dia seguinte. 26 Levarás à casa do Senhor teu Deus,
o melhor dos primeiros frutos do teu solo. Não cozinharás
um cabrito no leite de sua mãe" (Ex 34,18-26).

Iahweh - Deus é quem agora vai escrever os Dez Mandamentos nas tábuas de pedra
lavradas por Moisés (Ex 34,1 / Dt 10,3-5, não como sugere 34,27-28). O que
Moisés escreve são as demais prescrições. Essas tábuas irão para a Arca da Aliança.
Moisés ao descer do Monte com as Tábuas da Lei nas mãos irá "brilhar / lançar
raios de seu rosto" a ponto de amedrontar os Israelitas, motivo que o leva a "cobrir o
rosto que apresentava a semelhança de trazer chifres resplandecentes na cabeça", tal
como constava da Vulgata de São Jerônimo (Ex 34,29-35). Tanto o "brilho" como
os "chifres" traduzem a união com Iahweh, tal como a significação de estar
representado em Moisés o Poder e a Glória de Deus fortalecendo a posição de seu
eleito apesar da insurreição havida:

"Quando Moisés desceu da montanha do Sinai, trazendo na


mão as duas tábuas da aliança, não sabia que a pele de sua
face resplandecia (lançava de si uns raios) por ter falado
com o Senhor. Aarão e os israelitas todos, ao verem como
resplandecia (ou "lançava de si os raios") a face de Moisés,
tiveram medo de aproximar-se. Então Moisés os chamou, e
Aarão com os chefes da comunidade voltaram-se, e ele lhes
falou. Depois aproximaram-se os demais israelitas, e Moisés
lhes transmitiu todas as ordens que o Senhor lhe tinha dado
no monte Sinai. Quando Moisés acabou de falar, pôs um véu
sobre o rosto. Quando Moisés se apresentava ao Senhor para
falar, retirava o véu, até sair; depois saía e dizia aos
israelitas o que lhe tinha sido mandado. Os israelitas viam a
face radiante (ou "que lançava de si uns raios") de Moisés, e
Moisés tornava depois a cobrir o rosto com o véu, até ir falar
de novo com o Senhor" (Ex 34,29-35).

São Paulo irá se referir a esse fato quando analisar a causa da incredulidade dos
judeus quanto à messianidade de Jesus Cristo, vinculando-a como condição para se
compreender as Escrituras:

"Tal é a confiança que temos em Deus por Cristo. Não que


por própria força sejamos capazes de pensar alguma coisa
como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus. Ele é
que nos capacitou como ministros da nova aliança, não da
letra mas do Espírito. Pois a letra mata e o espírito dá vida.
Pois, se o ministério da morte, gravado em letras de pedra,
se revestiu de tal glória que os israelitas não podiam fixar os
olhos no rosto de Moisés, por causa do esplendor de sua
face, que era transitório, como não será de maior glória o
ministério do Espírito? Se o ministério da condenação já foi
glorioso, muito mais o ultrapassará em glória o ministério da
justiça. E, em verdade, o que foi glorioso de modo parcial,
deixa de o ser, comparado com esta outra glória eminente.
Porque, se o transitório foi glorioso, muito mais o será o que
permanece. De posse de tal esperança, procedemos com
plena franqueza. Não fazemos como Moisés, que cobria o
rosto com um véu para que os israelitas não vissem o fim da
glória que se desvanecia. Em conseqüência, a inteligência
deles permaneceu obscurecida. Ainda agora, quando lêem o
Antigo Testamento, esse mesmo véu permanece cerrado,
porque só em Cristo é que deve ser aberto. Por isso até o dia
de hoje, quando lêem Moisés um véu lhes cobre o coração.
Tal véu só lhes será tirado quando se converterem ao
Senhor. O Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do
Senhor, há liberdade. Todos nós, de face descoberta,
refletimos a glória do Senhor, como um espelho, e nos
vemos transformados nesta mesma imagem, sempre mais
gloriosa, pela ação do Senhor, que é Espírito" (2Cor 3-18).

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ÊXODO
O Culto a Deus
6. A EREÇÃO E CONSAGRAÇÃO DO SANTUÁRIO E DO
SACERDÓCIO

A envergadura dos homens que compõem a História da Salvação é respeitável por


demais. As personalidades até agora vistas, começando com Abraão, passando por
Isaac e pelo vigor de um manso Jacó, com a inflexível obstinação comum por Deus,
vão ecoar num José do Egito e agora vêm explodir num Moisés. A luta que travaram
contra tudo e contra todos, sozinhos e perseguidos as mais das vezes, e as suas
vitórias à sombra da proteção de Deus, que lhes abonou o vigor e a tenacidade, deu-
lhes como resposta à fé que nEle depositaram a capacidade de suportar tudo sem
esmorecer. Fibra invejável, santidade indiscutível e fé inabalável. Creram e, tal
como creram, viveram. Eram já a expressão prévia do próprio Povo a que dariam
origem, os seus descendentes que compartilhariam a mesma obstinação, até mesmo
quando aqui e acolá muitas vezes fossem julgados "um povo de dura cerviz" (Ex
32,9.22; 33,3; 34,9). Mas essa "dureza" tinha as mais das vezes duas alternativas ou
dois gumes uma vez que se manifestava também pela unicidade de fé e fidelidade a
Iahweh, até mesmo quando postas à prova em simples lances de desprendimento
material:

"Moisés falou a toda a comunidade dos israelitas e lhes


disse: "Foi isto o que o Senhor mandou: Fazei entre vós uma
coleta para o Senhor . Quem for generoso levará uma
oferenda ao Senhor: ouro, prata, bronze, púrpura violácea,
vermelha e carmesim, linho fino, crinas de cabra, peles (...)
Todos os artesãos habilidosos venham para executar tudo o
que o Senhor mandou: a morada com a tenda e a cobertura,
as argolas, (...); o altar dos holocaustos, com a grelha de
bronze, os varais e todos os utensílios; a bacia e (...), as
vestes litúrgicas para o sacerdote Aarão, e as vestes dos
filhos para as funções sacerdotais". Então toda a
comunidade dos israelitas se retirou da presença de Moisés.
Em seguida vieram todos cujo coração os movia, e
cujo ânimo os impelia, trazendo ofertas ao Senhor
para as obras da tenda de reunião, para o culto em
geral, e para as vestes litúrgicas. Vieram homens e
mulheres, e todos generosamente traziam broches, brincos,
anéis, colares e toda sorte de objetos de ouro, que cada um
apresentava como oferta ao Senhor. Todos quantos tinham
consigo púrpura (...) Os que desejavam fazer ofertas de
prata ou de bronze, trouxeram-nas ao Senhor . O mesmo
fizeram os que tinham madeira de acácia para as várias
obras da construção. Todas as mulheres que tinham
habilidade para a tecelagem, teceram e trouxeram os
tecidos: a púrpura violácea, vermelha e carmesim, e o linho
fino. Todas as mulheres bem dispostas e dotadas para tanto,
teceram crinas de cabra. Os chefes do povo trouxeram
pedras de ônix e pedras de engaste para o efod e o peitoral,
os perfumes e o azeite para o candelabro, para o óleo de
unção e para o incenso aromático. Todos os israelitas,
homens e mulheres, dispostos a contribuir para as
obras que o Senhor tinha mandado executar por meio
de Moisés, trouxeram ao Senhor contribuições
espontâneas..." (Ex 35,4-35).

A generosidade com que se apresentaram os Israelitas das várias especialidades


evidencia a sua fidelidade "obstinada" a Iahweh, mostrando também que a atitude
tomada com o Bezerro de Ouro não pode ter sido um ato de absoluta rebeldia e
rejeição a Deus, mas uma sedição de colorido cultural de projeção apenas "política".
Essa generosidade foi tamanha que exigiu um pedido de interrupção das oferendas
para o Santuário:

"...Mas cada manhã o povo continuava trazendo a Moisés


ofertas espontâneas, de modo que os artífices que faziam as
obras do santuário deixaram o trabalho e vieram dizer a
Moisés: "O povo traz muito mais que o necessário para
executar a construção que o Senhor mandou fazer".
Então Moisés mandou que se publicasse no
acampamento a seguinte ordem: "Ninguém mais, nem
homem nem mulher, promova campanhas para a
coleta do santuário". E o povo deixou de trazer
ofertas. O material já era suficiente para todos os trabalhos
que se deviam executar, e até sobrava" (Ex 36,3-7).

Assim é que começam os trabalhos conforme projetados e apresentados por Moisés,


findo o seu retorno ao retiro contemplativo, descrevendo-os na ordem cronológica
de sua apresentação. A começar com as cortinas do Tabernáculo (Ex 36,8-19 / Ex
26,1-13), a coberta de peles e as tábuas (Ex 36,20-34 / Ex 26,14-30), o Véu e as
colunas (Ex 36,35-38 / Ex 26,31-37), a Arca da Aliança (Ex 37,1-5 / Ex 25,10-16), o
Propiciatório e os Dois Querubins (Ex 37,6-9 / Ex 25,17-22), a Mesa e seus
utensílios (Ex 37,10-16 / Ex 25,23-30), o Candelabro de ouro puro (Ex 37,17-24 /
25,31-40), o Altar do Incenso (Ex 37,25-28 / Ex 30,1-10), o Óleo Sagrado da Unção
e o Incenso Santo (Ex 37,29 / Ex 30,22-38), o Altar dos Holocaustos (Ex 38,1-7 /
Ex 27,1-8), a Bacia de Bronze (Ex 38,8 / Ex 30,17-21), o Átrio (Ex 38,9-20 / Ex
27,9-19), completando a Obra do Santuário com um Inventário final do material
gasto e finalmente as Vestes e os Paramentos dos Sacerdotes (Ex 39,1-31 / Ex 28,1-
43). Apresentou-se toda a Obra a Moisés que a determinara (Ex 39,32-43 / Ex
35,10-19):

" Os israelitas executaram todos os trabalhos exatamente


como o Senhor tinha ordenado a Moisés. Moisés examinou
toda a construção e viu que a fizeram exatamente como o
Senhor tinha mandado a Moisés, e os abençoou" (Ex 39,42-43).

Esta última frase nos faz lembrar outra que tem a mesma conotação de se atingir
determinada finalidade a que toda a obra se destinava:

"E Deus viu tudo quanto havia feito e achou que estava muito bom" (Gn
1,31)

" Moisés examinou toda a construção e viu que a fizeram


exatamente como o Senhor tinha mandado" (Ex 39,42).
Tudo o que de material era necessário para a construção do Santuário, Tabernáculo
ou "Habitação do Senhor" estava pronto e foi por Moisés entregue a Iahweh, que
determina a sua ereção, consumando a Obra:

"O Senhor falou a Moisés, dizendo: "No primeiro dia do


primeiro mês levantarás a morada, a tenda de reunião. Porás
ali a arca da aliança, e a cobrirás com o véu. Introduzirás a
mesa, e a deixarás posta; levarás o candelabro, e colocarás
as lâmpadas; porás o altar de ouro para o incenso diante da
arca da aliança, e pendurarás a cortina na entrada da
morada. Porás o altar dos holocaustos diante da entrada da
morada, da tenda de reunião. Colocarás a bacia entre a
tenda de reunião e o altar, e porás água; disporás o átrio em
torno, e porás a cortina na entrada do átrio" (Ex 40,1-7).

Porém, a parte material apenas não basta, falta a parte principal, o objetivo de toda a
Obra: - prepará-la para atingir a Santificação pela comunhão com Iahweh,
organizando-se o Sacrifício. É o que vem a seguir:

"Pegarás o óleo de unção, ungirás a morada e tudo o


que nela estiver, consagrando-a assim com todos os
pertences, e ela será santa. Ungirás o altar dos
holocaustos e todos os utensílios, consagrando assim
para que seja santíssimo. Ungirás a bacia com a base,
para consagrá-la" (Ex 40,9-11).

Bom será repetir o significado dessa Unção com o Óleo Sagrado, a "consagração do
que for tocado por ele para que seja santíssimo", incluindo então o Sacerdócio para
o qual foi "separado" "Aarão e seus filhos":

"Farás disto um óleo para a unção sagrada, uma mistura de


especiarias preparada segundo a arte da perfumaria. Será
este o óleo para a unção sagrada. Ungirás a tenda de
reunião, a arca da aliança, a mesa com todos os apetrechos,
o candelabro com os utensílios, o altar do incenso, o altar
dos holocaustos com os utensílios, bem como a bacia com o
suporte. Assim os consagrarás e serão santíssimos;
tudo o que os tocar será santo. Ungirás também
Aarão e os filhos, consagrando-os para me servirem como
sacerdotes" (Ex 30,25-30).

Agora atinge-se o ponto central de toda a Obra, a investidura dos sacerdotes, sem os
quais não há sacrifício (Hb 8,3) e nada do que se fez poderia levar à comunhão com
Deus pela Santidade ensejada:
"Mandarás Aarão e seus filhos aproximar-se da entrada da
tenda de reunião e os lavarás com água. Depois revestirás
Aarão com as vestes litúrgicas, e o ungirás
consagrando-o para que me sirva como sacerdote.
Farás os filhos aproximar-se e, depois de revesti-los
com as túnicas, os ungirás como ungiste o pai, para que
me sirvam como sacerdotes. Esta unção conferir-lhes-
á o sacerdócio perpétuo por todas as gerações" (Ex
40,12-15).

"...revestirás Aarão com as vestes litúrgicas, e o ungirás consagrando-o para


que me sirva como sacerdote; e, farás os filhos aproximar-se e, depois de
revesti-los com as túnicas, os ungirás para que me sirvam como sacerdotes.
Esta unção conferir-lhes-á o sacerdócio perpétuo por todas as gerações" - após
o que o narrador afirma o término da Obra da Habitação, qual seja, a "montagem"
de todo o Tabernáculo, juntando-se uma a uma as peças e dispondo os móveis e os
utensílios nos respectivos locais planejados, tudo feito a partir de Moisés:

"No dia primeiro do primeiro mês do segundo ano, foi erigida


a morada. Moisés levantou a morada, colocou as bases e as
tábuas, assentou as travessas e ergueu as colunas.
Estendeu a tenda sobre a morada e pôs por cima a
cobertura da tenda, como o Senhor lhe havia mandado.
Pegou o documento da aliança e o colocou dentro da arca,
meteu os varais na arca e pôs por cima dela o propiciatório.
Introduziu a arca na morada e pendurou o véu de proteção,
ocultando a arca da aliança, como o Senhor tinha mandado
a Moisés. Depois instalou na tenda de reunião a mesa, no
flanco norte da morada, do lado de fora do véu; e arrumou
sobre ela os pães consagrados ao Senhor , assim como o
Senhor tinha mandado a Moisés. Pôs o candelabro na tenda
de reunião, defronte da mesa, no flanco sul da morada. Em
cima acendeu as lâmpadas diante do Senhor , assim como o
Senhor havia mandado a Moisés. Colocou o altar de ouro na
tenda de reunião, diante do véu, e queimou o incenso
aromático, assim como o Senhor havia mandado a Moisés.
Pendurou a cortina na entrada da morada" (Ex 40,17-28).

"Pegarás o óleo de unção, ungirás a morada e tudo o que nela estiver,


consagrando-a assim com todos os pertences, e ela será santa. Ungirás o altar
dos holocaustos e todos os utensílios, consagrando assim para que seja
santíssimo. Ungirás a bacia com a base, para consagrá-la" (Ex 40,9-11) -
"Moisés executou tudo exatamente como o Senhor lhe havia ordenado" (Ex 40,16) -
Isto feito, tendo "ungido" toda "a morada e tudo o que nela estava" (Ex 40,9),
Moisés inaugura e oficializa o culto, com um holocausto e a oblação que oferece:
"Diante da entrada da morada, da tenda de reunião, colocou
o altar dos holocaustos, e ofereceu o holocausto e a
oblação, assim como Senhor tinha mandado a Moisés.
Instalou a bacia entre a tenda de reunião e o altar, e pôs a
água para as abluções, onde Moisés, Aarão e os filhos
lavavam as mãos e os pés. Lavavam-se toda vez que
entravam na tenda de reunião e se aproximavam do altar,
assim como o Senhor havia mandado a Moisés. Levantou o
átrio em torno da morada e do altar, e pendurou a cortina na
entrada do átrio. Assim Moisés deu por concluída a obra" (Ex
40,20-33).

"Assim Moisés deu por concluída a obra" (Ex 40,33) e tão logo isso sucede,
Iahweh se manifesta e se exterioriza na "nuvem" (Ex 13,21-22) e toma posse do
santuário:

"Então a nuvem envolveu a tenda de reunião, e a glória do


Senhor tomou conta da morada. Moisés não podia entrar na
tenda de reunião, porque sobre ela repousava a nuvem, e a
glória do Senhor ocupava a morada. Em todas as etapas da
viagem os israelitas punham-se em movimento sempre que
a nuvem se elevava de cima da morada; nunca partiam
antes que a nuvem se levantasse. De fato, a nuvem do
Senhor ficava durante o dia sobre a morada, e durante a
noite havia um fogo visível a todos os israelitas, ao longo de
todas as etapas da viagem" (Ex 40,16-38).

Nuvem (Ex 13,21-22; 24,15-18 / Nm 9,15-23) que conduzirá o Povo de


Deus à Terra Prometida - mais uma etapa completada no desígnio de Deus
reconduzindo o Homem para o lugar dele no Paraíso, estabelecidos os
princípios básicos do Culto a Iahweh. Este Culto vai já desaguar no
Sacrifício, o Centro Gravitacional desde os Patriarcas, "figura" do definitivo
de Jesus Cristo, cujo cerimonial Eucarístico nas Igrejas Orientais, Anglicana
e Católica, e em outras denominações Cristãs, é ainda cercado e
ornamentado de paramentos, de utensílios e até mesmo de rituais aqui
inspirados. Sem o seu conhecimento não se vai entendê-los "parecendo"
tudo uma encenação fora de época e sem sentido. Principalmente pelo
desconhecimento do Sacrifício, que será objeto principal e tema central do
Livro que estudar-se-á em seguida.

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LEVÍTICO
Este livro da Bíblia recebeu este nome a partir da Tribo de Levi principal protagonista do Sacerdócio
instituído em duas ramificações: por primeiro a Casa de Aarão a quem foi outorgado o Sacerdócio
Pleno e por segundo os demais levitas para o Sacerdócio Auxiliar. Nele se descrevem os principais
sacrifícios e as festas com seus rituais e com as funções sacerdotais bem delineadas, bem como
regras morais e de purificação ou santificação. Por isso o nome derivado de Levi - Levítico.

7. O SACERDÓCIO

Antes de se adentrar mais detalhadamente nos Sacrifícios é bom que se complete o


que foi anunciado a respeito do Sacerdócio, sem o qual não se realizam. Desde a
"eleição" dos primogênitos, "consagrados a Iahweh" após a libertação do Egito (Ex
13,1-2), o Sacerdócio passa a ser uma instituição definitiva que vai ser ratificada
com a construção e ereção do Santuário:

"Depois manda que do meio dos israelitas se aproximem a ti


o teu irmão Aarão e seus filhos Nadab, Abiú, Eleazar e
Itamar, para que me sirvam como sacerdotes. Mandarás
fazer vestes litúrgicas para teu irmão Aarão, em sinal de
honra e distinção. Incumbirás por isso artistas bem
preparados, que dotei do espírito de sabedoria, de
confeccionar as vestes de Aarão, para consagrá-lo como
sacerdote a meu serviço. Estas são as vestes que deverão
fazer: um peitoral, um efod, um manto, uma túnica bordada,
uma mitra e um cinto. Assim farão vestes litúrgicas para teu
irmão Aarão e seus filhos para que sejam meus sacerdotes.
Utilizarão ouro, púrpura violácea, vermelha e carmesim e
linho fino (...) Para os filhos de Aarão farás túnicas, cintos e
turbantes em sinal de honra e distinção. Destas vestimentas
revestirás teu irmão Aarão e seus filhos e os ungirás,
investindo-os e consagrando-os para que me sirvam como
sacerdotes. Faze-lhes calções de linho para cobrirem a
nudez, da cintura até as coxas. Aarão e seus filhos os usarão
quando entrarem na tenda de reunião ou quando se
aproximarem do altar para servir no santuário, a fim de não
incorrerem em falta e não morrerem. Esta é uma lei
perpétua para Aarão e seus descendentes" (Ex 28,1-43).
A investidura obedeceria ritual próprio (Ex 29), durante o qual, além da Unção de
Aarão e seus filhos, vários ritos de purificação seriam executados para a
indispensável Santificação geral e deles, oferecendo-se durante o cerimonial os
seguintes tipos de Sacrifícios:

 Sacrifício pelo Pecado (Ex 29,10-14);


 Holocausto (Ex 29,15-18); e,
 Sacrifício Pacífico (Ex 29,19-26).

Quando da ereção do Santuário (Ex 35-40) o Sacerdócio deveria ter sido


também então estruturado junto:

"Pegarás o óleo de unção, ungirás a morada e tudo o que nela estiver,


consagrando-a assim com todos os pertences, e ela será santa.
Ungirás o altar dos holocaustos e todos os utensílios, consagrando
assim para que seja santíssimo. Ungirás a bacia com a base, para
consagrá-la. Mandarás Aarão e seus filhos aproximar-se da entrada
da tenda de reunião e os lavarás com água. Depois revestirás Aarão
com as vestes litúrgicas, e o ungirás consagrando-o para que me sirva
como sacerdote. Farás os filhos aproximar-se e, depois de revesti-los
com as túnicas, os ungirás como ungiste o pai, para que me sirvam
como sacerdotes. Esta unção lhes há de conferir o sacerdócio
perpétuo por todas as gerações". Moisés executou tudo exatamente
como o Senhor lhe havia ordenado" (Ex 40,9-16).

O que se observa porém, é Moisés oferecendo os sacrifícios e cometendo os


atos litúrgicos pertinentes à ordenação sacerdotal de Aarão e seus filhos:

"Diante da entrada da morada, da tenda de reunião,


colocou o altar dos holocaustos, e ofereceu o
holocausto e a oblação, assim como Senhor tinha
mandado a Moisés. Instalou a bacia entre a tenda de
reunião e o altar, e pôs a água para as abluções, onde
Moisés, Aarão e os filhos lavavam as mãos e os pés.
Lavavam-se toda vez que entravam na tenda de
reunião e se aproximavam do altar, assim como o
Senhor havia mandado a Moisés. Levantou o átrio em
torno da morada e do altar, e pendurou a cortina na
entrada do átrio. Assim Moisés deu por concluída a
obra" (Ex 40,29-33).

Somente após a apresentação sistemática dos Sacrifícios é que se dará a


Investidura Oficial de Aarão e seus filhos no Sacerdócio, praticando-se então
todas as operações já delineadas para a "consagração ou santificação"
exigida (Ex 29):
"O Senhor falou a Moisés, dizendo: "Toma contigo
Aarão e seus filhos, as vestes, o óleo da unção, o
bezerro para o sacrifício expiatório, os dois carneiros e
o cesto de pães sem fermento, e reúne toda a
comunidade à entrada da tenda de reunião". Moisés
fez como o Senhor lhe tinha mandado e a comunidade
se reuniu à entrada da tenda de reunião. Moisés disse
à comunidade: "É isto que o Senhor mandou fazer".
Depois mandou que se aproximassem Aarão e seus
filhos, e os lavou com água. Vestiu Aarão (...).Depois
Moisés pegou o óleo da unção, ungiu o tabernáculo e
tudo o que nele havia, para consagrá-lo. Aspergiu sete
vezes o altar, e ungiu-o com todos os utensílios, bem
como a bacia com o suporte, consagrando-os.
Derramou óleo de unção sobre a cabeça de Aarão, e
ungiu para consagrá-lo. Depois mandou aproximarem-
se os filhos de Aarão, vestiu-lhes as túnicas, cingiu-
lhes o cinto e lhes pôs os turbantes, como o Senhor
havia mandado a Moisés. Mandou trazer o bezerro
para o sacrifício pelo pecado. Aarão e seus filhos
impuseram as mãos sobre a cabeça deste bezerro.
Depois de imolá-lo, Moisés pegou sangue e untou com
o dedo as pontas em volta do altar, purificando-o.
Derramou o sangue ao pé do altar, e o consagrou,
fazendo sobre ele a expiação. Moisés pegou toda a
gordura que envolve as vísceras, a camada gordurosa
do fígado e os dois rins com a respectiva gordura, e
queimou tudo no altar. O bezerro, com pele, carne e
excrementos, queimou-o fora do acampamento, como
o Senhor lhe tinha mandado. Mandou trazer o carneiro
do holocausto, para que Aarão e os filhos
impusessem-lhe as mãos sobre a cabeça. Moisés o
imolou, e derramou o sangue em volta do altar. Depois
de esquartejar o carneiro, Moisés queimou a cabeça e
os pedaços com a gordura. Moisés lavou com água as
vísceras e as patas, e assim queimou o carneiro inteiro
no altar. Era um holocausto de suave odor, um
sacrifício feito pelo fogo ao Senhor, como o Senhor
tinha mandado a Moisés. Mandou trazer o segundo
carneiro, o carneiro da consagração, e Aarão e seus
filhos impuseram as mãos sobre a cabeça do animal.
Depois de imolá-lo, Moisés pegou o sangue e untou o
lobo da orelha direita de Aarão, o polegar da mão
direita e o polegar do pé direito. Mandou aproximarem-
se os filhos de Aarão, e untou-lhes com sangue o lobo
da orelha direita, o polegar da mão direita e o polegar
do pé direito, e depois derramou o sangue em torno do
altar. Pegou a gordura, a cauda, toda a gordura que
cobre as vísceras, a camada gordurosa do fígado, os
dois rins com a gordura, e a perna direita. Do cesto
dos ázimos, posto diante do Senhor, tomou um pão
sem fermento, uma torta sem fermento amassada com
azeite e um bolinho, e colocou sobre as partes
gordurosas e sobre a perna direita. Entregou tudo isso
nas mãos de Aarão e de seus filhos, para que
apresentassem com um gesto de oferta ao Senhor.
Depois, tomou tudo das mãos deles e queimou no
altar, em cima do holocausto. Era o sacrifício
consecratório de suave odor, um sacrifício pelo fogo ao
Senhor. Depois Moisés pegou o peito do carneiro e o
apresentou com um gesto de oferenda ao Senhor. Esta
foi a porção do carneiro da consagração, pertencente a
Moisés, como o Senhor lhe tinha mandado. Moisés
tomou um pouco do óleo de unção e do sangue que
estava sobre o altar, aspergiu Aarão e suas vestes,
bem como os filhos de Aarão e suas vestes. Assim
consagrou Aarão, seus filhos e as respectivas vestes.
Moisés disse para Aarão e seus filhos: "Cozinhai a
carne à entrada da tenda de reunião. Ali mesmo a
comereis com o pão que está na cesta das ofertas da
consagração, conforme eu mandei, dizendo: Aarão e
seus filhos hão de comê-la. O que restar da carne e do
pão, devereis queimá-lo" (Lv 9,-32).

Durante a Investidura foi seguido o ritual já estabelecido e próprio (Ex 29),


durante o qual, além da Unção de Aarão e seus filhos, vários ritos de
purificação foram executados para a indispensável Santificação geral e
deles, oferecendo-se durante o cerimonial os seguintes tipos de Sacrifícios:

 Sacrifício pelo Pecado (Lv 8,14-17 / Ex 29,10-14);


 Holocausto (Lv 8,18-21 / Ex 29,15-18); e,
 Sacrifício Pacífico (Lv 8,22-32 / Ex 29,19-26).

Limitar-se-á por enquanto apenas à ordenação sacerdotal, necessária por


causa dos rituais dos vários Sacrifícios narrados no início, antes dessa
investidura simplesmente porque o Sacerdote oficiante de toda esta
cerimônia foi Moisés, o Sacerdote da Aliança, que a completa com o Preparo
.e a Oferta das Primícias Sacerdotais, assumindo assim as funções Aarão e
os seus filhos (Ex 8,33-9,24).

"Durante sete dias não saireis da entrada da tenda de


reunião, até se completarem os dias da vossa
consagração, pois ela durará sete dias. O que se fez no
dia hoje, o Senhor ordenou que se fizesse para expiar
por vós. Ficareis durante sete dias, dia e noite, à
entrada da tenda de reunião, e observareis o que o
Senhor mandou, para não morrerdes, pois esta é a
ordem que recebi". Aarão e seus filhos fizeram tudo o
que o Senhor lhes mandou por meio de Moisés" (Lv
8,33-36).

Toda a cerimônia se completará com as Primícias dos Novos Sacerdotes:

"No oitavo dia Moisés chamou Aarão, seus filhos e os


anciãos de Israel, e disse para Aarão: 'Escolhe um
bezerro para o sacrifício expiatório pelo pecado, e um
carneiro para o holocausto, ambos sem defeito, e
apresenta-os ao Senhor. Falarás aos israelitas,
dizendo: Tomai um bode para o sacrifício expiatório,
um bezerro e um cordeiro, ambos de um ano e sem
defeito, para o holocausto, um touro e um carneiro
para o sacrifício pacífico, a fim de sacrificá-los perante
o Senhor, e uma oblação amassada com azeite,
porque hoje o Senhor vos aparecerá". Trouxeram
diante da tenda de reunião o que Moisés tinha
mandado. A comunidade toda aproximou-se e se pôs
de pé diante do Senhor. Moisés disse: "É isto que o
Senhor mandou que fizésseis para que vos apareça a
glória do Senhor ". Moisés disse para Aarão:
"Aproxima-te do altar. Oferece o teu sacrifício pelo
pecado e o holocausto, e faze a expiação por ti e pelo
povo. Apresenta também a oferta do povo, e faze por
eles a expiação, conforme o Senhor mandou (...)
Levantando as mãos para o povo Aarão os abençoou.
Tendo oferecido o sacrifício expiatório, o holocausto e o
sacrifício pacífico, desceu, e Moisés e Aarão entraram
na tenda de reunião. Ao sair, abençoaram o povo.
Então a glória do Senhor apareceu a todo o povo, e um
fogo enviado pelo Senhor consumiu no altar o
holocausto e as gorduras. Vendo, o povo inteiro
prorrompeu em gritos de alegria, e prostraram-se
todos com o rosto por terra'" (Lv 9,1-24).

Pode-se até mesmo atrever-se um pouco e dizer que aqui deve ser o lugar
certo do fenômeno da tomada de posse com a habitual teofania final:
"Então a nuvem envolveu a tenda de reunião, e a
glória do Senhor tomou conta da morada. Moisés não
podia entrar na tenda de reunião, porque sobre ela
repousava a nuvem, e a glória do Senhor ocupava a
morada. Em todas as etapas da viagem os israelitas
punham-se em movimento sempre que a nuvem se
elevava de cima da morada; nunca partiam antes que
a nuvem se levantasse. De fato, a nuvem do Senhor
ficava durante o dia sobre a morada, e durante a noite
havia um fogo visível a todos os israelitas, ao longo de
todas as etapas da viagem" (Ex 40,34-38).

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LEVÍTICO
8. O SACRIFÍCIO

Muitas religiões giram em torno do sacrifício, cujo significado atual cada vez mais
se afasta do original. É que, culturalmente, mudou tanto de sentido que não mais
reflete a mesma realidade. Por causa disso, nem mesmo um dicionário atual registra
aquilo que correspondia ao seu significado, principalmente entre os judeus ou
israelitas. Pelo menos biblicamente tem um sentido bem mais profundo até mesmo
que o, "a grosso modo" perceptível, sentido de "sacri-ficar" = "ficar-sagrado". E
nem pode se limitar à uma "renúncia" ou à uma "privação", dolorosa para quem a
faz, a cujo sentido é reduzido vulgarmente.

Quando Jesus a ele se referiu ou o insinuou, confundiu os chefes religiosos e os de


seu povo, seja por ocasião da "expulsão dos vendilhões do Templo" (Jo 2,13-22),
seja por ocasião do Anúncio da Eucaristia, ao dizer-se "comida" (Jo 6,50-52). No
primeiro caso Jesus não tinha nenhum direito de fazer o que fez, eis que, não
pertencendo à Tribo de Levi ou à Casa de Aarão, não era sacerdote e assim não lhe
competia a administração do Templo. Além de tudo isso, aquela área fora destinada
para o que lá se praticava, qual seja, a troca de moeda estrangeira ou a venda de
animais para as oferendas, a fim de que os judeus em peregrinação pudessem
cumprir os seus votos e deveres religiosos. Em si, fora os abusos, nada havia de
errôneo no que lá se fazia e, por causa disso, em face de sua atitude, dois fatos
acontecem. Primeiro, "os sacerdotes e escribas" perguntam a Jesus "com que
autoridade fazia estas coisas" (Mt 21,23), e "que sinais lhes mostraria para assim
agir" (Jo 2,18), e, por segundo, o Evangelista "recorda que os discípulos pensaram"
que agia assim porque "o zelo pela casa de seu Pai o dominara" (Jo 2,17 / Sl 69,10).
A resposta de Jesus foi por demais desconcertante, tanto que os seus discípulos só a
compreenderam após a sua Ressurreição. Desafiara a "destruição do Templo e a sua
reconstrução por Ele em três dias" ... "referindo-se ao seu próprio Corpo" (Jo 2,18-
22), com o que iria se tornar o único sacrifício. Por causa disso tornava-se tudo
aquilo obsoleto, sem sentido e, então, "fazendo da Casa do Pai uma casa de
comércio" (Jo 2,16), pela perda do objetivo a que se destinara. No segundo caso, ao
dizer que "meu corpo é verdadeiramente comida", confunde os judeus de tal forma
que, após dizerem "como pode este homem nos dar a sua carne para comer" (Jo
6,52), "o abandonam" (Jo 6,66).

O sacrifício tanto fazia parte da compreensão cultural israelita, que estava


impregnado em seus hábitos ou costumes, até mesmo os especificamente não
religiosos. Mesmo quando participavam de uma refeição comum ou trivial, era-lhes
necessário "derramar o sangue na terra" (Lv 17,13s; Dt 12,16.23), a abster-se do
"impuro" (Lv 11,1) e a seguir determinadas normas de "purificação" (Mc 7,4), sem
o que não deveriam tomar alimento. Percebe-se que toda refeição tinha algo de
sagrado e a idéia de sacrifício era-lhe vinculada pelo comer que nela se pratica. O
seu uso, mesmo ao tempo de Cristo, já era milenar, eis que a Bíblia, apesar de não
informar a sua origem, relata ter sido ele a causa da desgraça de Caim, que matou
Abel porque "Deus agradou-se da oferenda dele (em "sacrifício") e não da sua" (Gn
4,3-8). Relata também que Noé o ofereceu quando do término do Dilúvio (Gn 8,20)
e, a partir de Abrão, desde a Promessa, registra o seu uso como forma de expressão
da adesão da fé em Iahweh (Gn 12,7 e 12,8). Prossegue com a Aliança então
contraída com Abraão, e com os demais Patriarcas Isaac e Jacó (Gn 17,4-14; 26,3-
24; 28,13-15) que a ratificaram oferecendo-o (Gn 12,7.8; 26,25; 28,17-22). E, em
virtude dessa mesma Aliança, torna-se o centro gravitacional do culto. De Jacó
adveio o povo israelita, formado pelas doze tribos oriundas de seus doze filhos.
Moisés, descendente de um deles, da Tribo de Levi, confirma e repete essa Aliança,
agora com todo o povo, no Monte Sinai, selando-a também com o sangue de um
sacrifício (Ex 24,1-8). Tudo isto já foi examinado e estudado, repete-se para
facilitar a memorização e o entendimento da exposição.

O sacrifício torna-se essencial ao culto, para significar, realizar e atualizar a união


de Iahweh - Deus com o Seu Povo pela Aliança. Após a Instituição da Páscoa (Ex
12), que era inicialmente uma comemoração familiar, institui-se o sacerdócio,
indispensável e até mesmo essencial para a celebração dele (Hb 8,3), oficializando-
se para o seu exercício os Primogênitos (Ex 13,1-2) e, depois, a Casa de Aarão (Ex
28-29), "figura" do que Cristo fará quando da Instituição da Eucaristia, na
inauguração da Páscoa Cristã, instituindo os Apóstolos para que a celebrassem "em
sua memória" (Lc 22,19-20 / 1Cor 11,23-25). O Sacerdócio Pleno da Casa de Aarão
e o Auxiliar constituído pelo restante da mesma Tribo de Levi (Nm 8,14-19),
completam a organização religiosa e de cúpula de Israel, e se tornam um centro de
unidade de todo o Povo de Deus pela consagração, significação e difusão da
Santidade de Iahweh entre as demais tribos, por meio deles (Lv 21,8), medianeiros
entre o Povo e Iahweh.

Em outra ocasião Jesus se refere ao sacrifício ao dizer que "é o altar que santifica a
oferenda" (Mt 23,19). É que, desde o Sinai, o altar era "ungido", tal como os
"sacerdotes", com o "Óleo da Unção" (Ex 30,25-30), preparado de acordo com
normas do próprio Iahweh, em virtude do que "santificava tudo que o tocasse":

"Oferecerás pelo altar um sacrifício pelo pecado, quando


fizeres por ele a expiação ("com sangue"), e o ungirás
para consagrá-lo. (...); assim o altar será santíssimo e
tudo que o tocar, será santificado" (Ex 29,36-37).

Um novo elemento aparece aqui, com o rito do sacrifício pelo pecado, a expiação,
que tem como integrante essencial o sangue que expia (Lv 17,11), sem o qual não
há remissão (Hb 9,22). Ao que se conclui que, pela unção sagrada se santifica o
altar e o sacerdote, completando-se a eficácia do ato com o sangue do sacrifício pelo
pecado (Lv 6,17-22 / Hb 9,22). E, a partir desta Aliança, organizou-se um ritual,
sabendo-se que sem altar, sacerdote, sangue e vítima (= hóstia) não há sacrifício,
nem se consegue a santificação (Hb 9,19-22), um de seus objetivos. Jesus resume
tudo isso numa frase apenas. ("é o Altar que santifica a Oferenda")

Também, somente poderia participar do sacrifício quem estivesse em estado de


pureza legal (Lv 7,20-21; 11,44-45) e de santidade. Caso algo as comprometesse, o
israelita deveria purificar-se antes, conforme os rituais legais (Lv 11,25.28.32.40).
No caso da santidade comprometida havia os sacrifícios para a remissão: o
holocausto e o sacrifício de expiação ou de reparação ou pelo pecado. Têm em
comum que o ofertante impunha as suas mãos na cabeça da vítima, praticando assim
a substituição dele por ela (instituída pelo próprio Deus em Gn 22,13), imolava-a e
a esquartejava, e o sacerdote, após queimá-la, completava o ritual com o
oferecimento do sangue (Lv 1,4-5). No holocausto a vítima (ou hóstia) era toda
queimada, nenhuma de suas partes era "comida" por ninguém; já, nos sacrifícios
pelo pecado, algumas partes eram comidas pelo sacerdote apenas (Lv 6,19-23), e
outras queimadas, significando a "participação e satisfação" do próprio Deus (Lv
7,1-10 / Gn 15,17). Havia ainda o sacrifício de comunhão ou refeição sagrada, do
qual todos "comem" (Lv 3,1-7), cada qual a sua parte: o ofertante e seus familiares
ou amigos, o sacerdote e o próprio Deus, "aspirando a oferenda queimada em
perfume de suave odor a Iahweh" (Lv 3,5):

"Iahweh falou a Moisés e disse: ‘Ordena aos filhos de Israel o


seguinte: Tereis cuidado de me trazer no tempo
determinado a minha oferenda, o meu manjar, na forma
de oferenda queimada de perfume agradável" (Nm 28,1-
2).
É São Paulo quem melhor nos esclarece do fundamento teológico de toda a
instituição, ao dizer:

"Aqueles que comem as vítimas sacrificadas, não estão


em comunhão com o altar?" (1Cor 10,16-18).

Deduz-se destas palavras que pelo sacrifício se estabelece íntima comunhão entre o
Ofertante, o Altar e Deus, pelo Sacerdote e com a expiação do pecado pelo sangue.
Assim, quando se fala em "altar", se fala em "vítima" e em "sacerdote"; quando se
fala em "sacerdote" se fala em "Deus" e no "sangue que expia"; quando se fala em
"sangue que expia" se fala em "vítima ou hóstia" de que se alimenta em comum e
em "santificação"; e, quando se fala em "santificação", se fala em "comunhão" de
pessoas, a partir da "comunhão" com "altar" formando-se uma "comunidade" de
todos com "Deus".

Além da substituição há outra conotação cultural do sacrifício israelita que é


necessário mencionar. É que não deixa de ser muito curiosa a distribuição das partes
da vítima do sacrifício (a serem "comidas"), entre o Ofertante, o Sacerdote e
Iahweh, com a queima do "Pão de Deus" (Lv 21,8; Nm 28,1). Até mesmo as
oferendas ou dízimos estavam sujeitos a essa distribuição sacrificial, sendo
entregues num ritual onde uma parte apenas era "comida":

"Em relação a Iahweh, vosso Deus... buscá-lo-eis somente


no lugar... escolhido... para aí colocar o seu nome e
fazê-lo habitar. Levareis para lá os vossos holocaustos e
vossos sacrifícios, vossos dízimos e os dons de vossas mãos,
vossos sacrifícios votivos e vossos sacrifícios
espontâneos, os primogênitos de vossas vacas e das
vossas ovelhas. E comereis lá, diante de Iahweh, vosso
Deus,... vós e vossas famílias... (...). Não poderás comer
em tuas cidades o dízimo do teu trigo, do teu vinho novo e
do teu óleo, nem os primogênitos das tuas vacas e
ovelhas, nem algo dos sacrifícios votivos que hajas
prometido, ou dos sacrifícios espontâneos, ou ainda dons
da tua mão. Tu os comerás diante de Iahweh, teu Deus,
somente no lugar que Iahweh, teu Deus, houver escolhido,
tu, teu filho, tua filha..." (Dt 12,4-18; leia-se ainda Dt 12,11-12; 14,22-
26).

Da citação acima vê-se que somente no lugar indicado por Deus é que se podia
comer os sacrifícios, incluído como um deles as oferendas constituídas pelos
primogênitos do gado, pelas primícias das plantações, vinho, óleo, pão, pelos dons
etc. É de se observar que as oferendas ou dízimos não podiam ser "totalmente
comidos", mas apenas "uma parte deles", pois pertenciam por direito aos sacerdotes
(Nm 18,9.20.23-24). Fossem "todos comidos" nada se lhes entregaria. Somente
"uma parte" era objeto da "santificação sacrificial", entregando-se o "todo" no
Templo. Nessa perspectiva, é São Paulo quem esclarece da outra concepção vigente,
fazendo com que se entenda melhor o alcance do sacrifício, qual seja a existência de
uma solidariedade da parte com o todo, de modos que "à santificação da parte
corresponde a santificação do todo":

"E se as primícias são santas, a massa também o


será; e se as raízes são santas, os ramos também o
serão" (Rm 11,16).

Fundamentou-se naturalmente no que se prescreveu a respeito das primícias da


massa do primeiro pão a ser preparado em Israel, qual seja:

"Quando tiverdes entrado na terra para a qual eu vos


conduzo, devereis oferecer uma oferenda a Iahweh, tão logo
comais do pão dessa terra. Como primícias da vossa
massa separareis um pão; fareis esta separação como
aquela que se faz com a eira. Dareis a Iahweh uma oferenda
do melhor das vossas massas" (Nm 15,18-21).

"Cada dia de sábado serão colocados, permanentemente,


diante de Iahweh. ...; pertencerão a Aarão e seus filhos, que
os comerão no lugar santo, pois é coisa santíssima para
ele, ..." (Lv 24,8-9).

Atinge-se assim ao âmago do que poder-se-ia denominar de Teologia do Sacrifício,


qual seja o fato de que " santificação de uma parte corresponde a santificação do
todo":

"Eles me farão um santuário, e eu habitarei no meio


deles" (Ex 25,8)

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LEVÍTICO
9. OS VÁRIOS TIPOS DE SACRIFÍCIO
Pode-se até mesmo pensar que não seja de muita utilidade um exame do
cerimonial dos sacrifícios, tendo-se em vista que atualmente não mais se tem
por eles a mesma compreensão cultural. Acontece porém que, por causa disso
mesmo, os cerimoniais litúrgicos são muitas vezes incompreendidos, mal
vistos ou menosprezados como mera e desnecessária pompa. Além disso, por
desconhecer a Teologia do Sacrifício é que hoje não se tem na devida conta o
valor da Cerimônia Eucarística em seus elementos constitutivos bem como
não se entende muitas vezes as várias partes em que se costuma dividir a
Missa. Há até quem admita que venha contrariar os princípios da simplicidade
e pobreza evangélicas. Não é bem assim, porém! Principalmente por que a
Igreja foi lá encontrar inspiração para a sua liturgia, para vários conceitos de
doutrina e até mesmo de moral. Não que a Igreja tenha copiado ou plagiado
tais disposições assim propositadamente, mas decorre do próprio fato de que
o cristianismo foi sedimentado em cima do judaísmo. Tal como já se disse
alhures, Jesus não fundou uma nova religião mas deu plenitude à Lei e aos
Profetas (Mt 5,17), no que foi seguido pelos primeiros cristãos, que
acomodaram à doutrina cristã tudo aquilo que lhe era apropriado. Em virtude
disso, não se pode deixar de abordar pelo menos resumidamente certos
detalhes sacrificiais ou da liturgia dos Israelitas pela sua importância na
continuidade desejada por Jesus Cristo, na perspectiva de "pleno
cumprimento" (Mt 5,17-20) que lhe impôs.

Pelo que já se viu até aqui, os Sacrifícios se compõem de algumas partes


litúrgicas comuns tais como o Altar, o Ofertante, o Sacerdote, a Oferenda, a
Imposição das Mãos, a Expiação, Aspersão ou Oferecimento do Sangue ou de
Farinha, a Oblação e o Memorial significado na expressão "...de suave odor
para o Senhor" [Lv 1,9 / 5,11-13; hebraico = "o bom cheiro que aplaca" (Gn
8,21)]. Apesar de sensíveis diferenças, as mais das vezes, todos estes
elementos destacam-se facilmente nos vários tipos que existem. Exatamente
no exame dessas diferenças é que se compreende tanto a finalidade deles
como sua eficácia e uso, atingindo-se assim em cheio a sua Teologia ou os
seus fundamentos religiosos:

1.°) - Os Holocaustos: Este é o ritual mais perfeito, pleno e solene de culto,


pelo reconhecimento da soberania divina e de homenagem ao Criador que
traduz. É o Sacrifício por excelência, de adoração, ação de graças ou expiação
de pecados, sempre usado desde antes dos Patriarcas e por eles (Gn 4,3-4;
8,20; 22,13; Ex 18,12; 24,50), significando, na queima total da vítima, o nada da
criatura e de seus bens perante Iahweh. É escolhido do gado maior da
manada, - o bovino, ou o gado menor do rebanho, - o ovino, ou das aves, - as
rolas ou os pombos. A única diferença que ocorre é que o ofertante "imolará o
animal" menor "junto ao flanco norte do altar" (Lv 1,11) e o maior à entrada da
Tenda da Reunião (Lv 1,3-5). Com a oferta de aves "o sacerdote levará a
vítima ao altar e, destroncando-lhe a cabeça, a queimará sobre ele. Depois de
deixar escorrer o sangue sobre a parede do altar, tirará o papo e a plumagem
e os lançará do lado leste do altar, no lugar das cinzas. Então o sacerdote
dividirá a ave pelas asas, mas sem as separar, e a queimará sobre a lenha
acesa no altar" (Lv 1,15-17).

A vítima da manada deve ser um macho sem defeito, impondo-lhe as mãos o


ofertante, para a substituição que se perfaz, estabelecendo assim a
solidariedade dela com ele, apresenta-a na entrada da Tenda da Reunião e
imola-a "na presença de Iahweh", diante do Santuário, no Átrio (Lv 1,5), cujo
sangue, "sede da vida" (Gn 9,4), é derramado pelo sacerdote em torno do
Altar. Então o Ofertante a esquartejará (Lv 1,6) e os Sacerdotes disporão as
várias partes no Altar onde tudo será totalmente queimado, no fogo ai
existente e que não se apaga (Lv 6,5-6), bem como a gordura, as patas e
vísceras devidamente lavadas. É este o Sacrifício por excelência junto aos
Israelitas, tão importante que se consideraria uma desgraça nacional a
profanação ou extinção do Holocausto Quotidiano, que deveria ser praticado
cada manhã e tarde de todos os dias, mantendo-o aceso "sem jamais se
apagar" (Lv 6,6 / Dn 8,13; 11,31):

"O Senhor falou a Moisés: "Manda dizer a Aarão e a seus filhos:


Esta é a lei do holocausto: o holocausto ficará sobre a lareira do
altar a noite inteira, até a manhã seguinte, e o fogo do altar
será mantido aceso" (Lv 6,1-3 / Nm 28,3-8).

Identificam-se, tanto este Sacrifício, como os demais, ao de Cristo de que são


"figura" (Hb 9,24; Rm 15,4; 1Co 10,6; Gl 4,24; 1Pe 3,21), de quem lhes vêm o
valor e a eficácia como adoração, expiação e ação de graças (Hb 9,11-14).
Cristo, entregue para a Redenção do Homem, Humanidade e Divindade, todo
e inteiro, subindo ao Altar de Cruz e "derramando o Seu Sangue": - Deixando-
se consumir completamente pela Caridade, melhor, pelo Amor de Deus, como
Substituição Salutar do Homem, em Expiação e em Ação de Graças e
subindo ao céu, Ressuscitado, tal como o "perfume de agradável odor a
Deus" (Lv 1,9.13.17), realizou com plenitude e perfeição o Holocausto de Si
mesmo:

"Com efeito, segundo a Lei, quase todas as coisas devem ser


purificadas com sangue e não há remissão sem efusão de
sangue. Era necessário, pois, que as 'figuras' das
realidades celestes fossem purificadas. Mas as próprias
realidades celestes requerem sacrifícios mais excelentes do
que aqueles. Pois Cristo não entrou num santuário feito por
mão humana, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para
comparecer agora na presença de Deus em nosso favor. E não
entrou para se oferecer muitas vezes a si mesmo, como o
Sumo Sacerdote que entrava todos os anos no santuário, para
oferecer sangue alheio. Do contrário lhe seria necessário
padecer muitas vezes desde o princípio do mundo. Mas só
apareceu agora, uma vez apenas, na plenitude dos
séculos, para destruir o pecado pelo sacrifício de si
mesmo" (Hb 9,19-26).

Assim ensina o atual Catecismo da Igreja Católica:

"É com base na harmonia dos dois testamentos (v. "Dei


Verbum" n.°s. 14-16) que se articula a catequese pascal do
Senhor (cf. Lc 24,13-49) e, depois, a dos Apóstolos e dos Padres
da Igreja. Esta catequese desvenda o que estava oculto sob a
letra do Antigo Testamento: o mistério de Cristo. É chamada
"tipológica", porque revela a novidade de Cristo a partir das
"figuras" (tipos) que a anunciavam nos fatos, palavras e
símbolos da primeira Aliança. Aquelas figuras são desvendadas
por esta releitura no Espírito de verdade a partir de Cristo (v.
2Co 3,14-16). Assim, o dilúvio e a arca de Noé prefiguravam a
salvação pelo Batismo (cf. 1Pe 3,21); igualmente a nuvem e a
travessia do Mar Vermelho, e a água do rochedo eram figura
dos dons espirituais de Cristo (cf. 1Co 10,1-6); e o maná do
deserto prefigurava a Eucaristia, "verdadeiro Pão do Céu" (Jo
6,32)" (n.° 1094, os negritos são propositais).

2.°) - As Oblações: São os Sacrifícios Incruentos por não ocorrer o


derramamento de sangue, praticados com produtos do solo, cultivados para
alimento do Homem, tal como farinha de trigo no estado natural (Lv 2,1-3) ou
em forma de pão sem fermento cozido no forno ou em assadeira (Lv 2,4-7) a
que o Sacerdote ajunta, o azeite e o incenso oferecido, à uma parte queimada
em "suave odor ao Senhor". O restante, pertencente aos Sacerdotes (Lv 2,2-3),
seria comido no Átrio da Tenda da Reunião, o "lugar sagrado" (Lv 6,9).
Formam uma exceção, pois o verdadeiro Sacrifício exige o derramamento do
sangue "que expia" (Lv 17,11). Só raramente são praticadas isoladamente (Lv
5,11; 6,12-16), então usadas como alternativa para os pobres tendo o
mesmo valor expiatório (Lv 5,11-13). Geralmente é um complemento
obrigatório no Holocausto e nos Sacrifícios Pacíficos, motivo porque vem
apresentado entre ambos. Não se pode usar fermento, nem mel, e "...porás
sal... o Sal da Aliança do Senhor às ofertas e em todas as ofertas oferecerás
sal" (Lv 2,13). É a este sal que compara Jesus seus Apóstolos pela
consagração feita:

"Vós sois o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor,


com o que se há de salgar? Já não servirá para nada, apenas
para ser jogado fora e pisado pelas pessoas" (Mt 5,13).
Não se podia usar o fermento e o mel eis que facilmente degeneráveis,
enquanto que o sal, que conserva os alimentos, tem, no Oriente Médio, o
condão de unir até mesmo inimigos, eis que o ingerir em comum significa a
"união de coração", de duração perene e inviolável, caráter esse que se tornou
presente no significado da Aliança, donde a denominação de Aliança de Sal:

"Sabeis muito bem que o Senhor Deus de Israel concedeu a


Davi o direito de reinar sobre Israel para sempre, a ele e seus
descendentes, por uma aliança de sal" (2Cro 13,4-5).

Vem em seguida a Oblação das Primícias "Se fizeres ao Senhor uma oblação
de primícias, deverá ser de espigas tostadas ao fogo e grãos moídos do fruto
fresco. Sobre ela oferecerás azeite e porás incenso. É uma oblação. Dela o
sacerdote queimará como memorial uma parte dos grãos moídos e do azeite,
além de todo o incenso. É um sacrifício pelo fogo ao Senhor" (Lv 2,14-16), uma
oblação particular pelo que difere das oferendas públicas das primícias (Ex
13,2; 22,28-29).

Desde os primórdios do Cristianismo a Tradição vê no Sacrifício da Missa o


cumprimento da Profecia de Malaquias com referência à "oblação pura" e
incruenta (v. tb. Catecismo da Igreja Católica n.°s. 1330, 1350 e 2643):

"Sim, do levantar ao pôr-do-sol, meu nome será grande entre


as nações e em todo lugar será oferecido a meu nome um
sacrifício de incenso e uma oblação pura. Porque meu nome
é grande entre as nações! – diz o Senhor Todo-Poderoso" (Ml
1,11).

3.°) - Os Sacrifícios Pacíficos ou Salutares: São as denominadas Refeições


Sagradas, celebradas em agradecimento por algum favor recebido ou para o
conseguir, em que determinadas partes da vítima eram comidas pelo ofertante
e seus convidados no Santuário. Tanto as partes gordas eram queimadas,
como o sangue era derramado sobre o Altar, ao redor, e duas partes eram
destinadas aos Sacerdotes. Distinguem-se do Holocausto essencialmente nas
partes de Deus, que passam a se resumir apenas no sangue e na gordura da
vítima. Esta tanto pode ser macho ou fêmea, o peito e uma perna vão para os
Sacerdotes e o restante é "banqueteado" pelo Ofertante e seus familiares ou
convidados. Não há necessidade de se expender, detalhando-se
minuciosamente todas as espécies deles, eis que muito se assemelham, sem
muita variação de monta e facilmente perceptíveis por uma simples leitura do
texto.

É a estes tipos de Sacrifícios que São Paulo se refere ao compará-los com a


Eucaristia (Veja acima o n.° 8 do Capítulo 3):
"Olhai o Israel segundo a carne. Não entram em comunhão
com o altar os que comem das vítimas sacrificadas?" (1Cor
10,18).

Esse "banquete" do qual todos participam (Iahweh-Deus, os Sacerdotes, o


Ofertante, seus familiares e convidados), parte obrigatória do ritual, imprime
aquela intimidade de vidas que é a principal característica do aconchego de
uma refeição familiar, aquela comunhão plena que se manifesta na liberdade
de ampla e descontraída comunicação mútua. Tudo indica que culturalmente
está enraizado na própria natureza humana, eis que se trata de acontecimento
comum a todas as épocas e civilizações. Basta mencionar a realização
costumeira de banquetes por ocasiões de fatos ou comemorações especiais
como o noivado, o casamento, o batizado, o aniversário etc.. Também nos atos
públicos de inaugurações, instalações, visitas de pessoas célebres, acordos
internacionais etc., essas cerimônias sempre se completam com uma refeição
festiva. Nessas ocasiões todos se confraternizam em intimidades
descontraídas e se harmonizam a partir e em torno de um paladar as mais das
vezes agradável, comum e habitual. Jesus se despediu dos Seus Discípulos
em uma "Refeição Sagrada", na Santa Ceia, onde instituiu a Eucaristia,
conhecida como "comunhão", "fonte e ápice da vida cristã" (Conc. Do Vat.
II, "Lumen Gentium", n.° 11):

"Jesus fez a manifestação suprema da oblação livre de Si


mesmo na refeição que tomou com os doze Apóstolos (cf. Mt
26,20), na "noite em que foi entregue" (1Co 11,23). Na
véspera da Sua Paixão, quando ainda era livre, Jesus fez
desta Última Ceia com os Apóstolos o memorial de sua
oblação voluntária ao Pai (cf. 1Co 5,7) para a salvação dos
homens: "Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós"
(Lc 22,19). "Isto é (...) o Meu Sangue da Nova Aliança, que vai
ser derramado por uma multidão, para remissão dos
pecados" (Mt 26,28)" (Catecismo da Igreja Católica n.° 610,
negritos propositais).

4.°) - Os Sacrifícios Pelo Pecado: São também conhecidos como Sacrifícios


Expiatórios ou De Expiação, eis que não existia uma palavra específica para
"pecado", tal como atualmente. O Israelita usava "iniquidade", "impiedade",
"falta", "mancha", "transgressão", "revolta", "injustiça", "dívida" etc..
Contracenando com a figura do "justo", o que "anda ("faz o bem") na presença
de Deus", o pecador de então é "aquele que faz o mal na face de Deus", um
"ímpio", "mau" etc.. Também não se usava o termo "perdão" nas dimensões
atuais da "justificação batismal", com referência a ele, mas esse termo
"expiação", como que uma purificação "propiciatória", levando o Homem a se
predispor em condições de agradar a Deus, que desagradou com algum ato
que necessita "expiar", extinguir, purificando-se. Impondo as mãos sobre a
cabeça da vítima identificava-se com ela, representada na substituição e
solidariedade estabelecida. Todo Sacrifício Pelo Pecado se identifica ao
Holocausto, a ele se assemelha distinguindo-se na variedade casuística em
que se apresenta.

Após uma breve introdução onde se situam os pecados por inadvertência ou


por erro, fruto da fraqueza humana contra qualquer dos Mandamentos (Lv 4,1-
12), apresenta-se o Sacrifício pelo pecado do Sumo Sacerdote (Lv 4,3-12), de
todo o povo (Lv 4,13-21), de um chefe (Lv 4,22-26) e de um simples Israelita (Lv
4,27-35), completando-se com a exceção do Sacrifício especial para a Pobreza
(Lv 5,7.11-13).

4.1 - Seguem-se dispositivos atinentes aos Sacrifícios de Reparação ou Pelo


Delito, um ato involuntário ou por ignorância (Lv 5,1-10.14-26). É necessário
esclarecer que dessa "classificação" dos pecados há que se distinguir aqueles
praticados "com a mão levantada" (Nm 15,30-31), para os quais não há
remissão, resultando sempre na eliminação do culpado do seio do Povo, uma
espécie de "excomunhão". Essa divisão caracteriza ainda a gravidade do
pecado, que tem maior efeito danoso, quando praticado por pessoa
responsável pela integridade moral do meio social, a começar com "o que foi
ungido" (Lv 4,3.16; 6,15; 7,35), e recebe a denominação de Sumo Sacerdote.

A mais importante personalidade de Israel, cometendo falta no exercício de


suas funções, compromete em muito a santificação de toda a comunidade,
exigindo assim um Sacrifício especial: oferece então um novilho sem defeito,
impondo-lhe as mãos e imolando-o em frente ao Santuário; em seguida,
tomando do sangue, vai à Tenda da Reunião onde molha nele o dedo e faz
sete aspersões em frente do véu; "unge" com ele os chifres do Altar do
Incenso, derramando o resto ao pé do Altar dos Holocaustos; "tirará depois a
gordura do bezerro sacrificado pelo pecado, a gordura que cobre as vísceras e
toda a gordura aderente, os dois rins com a gordura que os cobre na região
lombar, e a camada gordurosa do fígado, que deverá separar com os rins –
exatamente como se faz com o touro de um sacrifício pacífico – e o sacerdote
queimará tudo sobre o altar dos holocaustos. O couro do bezerro, toda a
carne, além da cabeça, pernas, vísceras e excrementos, enfim, será levado o
bezerro inteiro para fora do acampamento, a um lugar puro, onde se jogam as
cinzas, e o queimará sobre um fogo de lenha. Será queimado no lugar onde se
jogam as cinzas" (Lv 4,8-12).

Os demais seguem o mesmo esquema mudando-se o tipo de vítima e alguns


detalhes do ritual seguido, mas sempre mantido o caráter de um verdadeiro
Holocausto, ninguém se alimentando das vítimas imoladas, e não se
beneficiando o pecador com a "vítima" do seu pecado. Pelo fato de ser assim,
queimado fora do acampamento, esse Sacrifício pelo Pecado do Sumo
Sacerdote é comparado com a Crucifixão de Jesus, que se renova na Missa
de maneira incruenta:

"Os corpos daqueles animais cujo sangue, para a expiação dos


pecados, é introduzido no santuário pelo Sumo Sacerdote, são
queimados fora do acampamento. Pelo que também
Jesus, a fim de santificar o povo com seu sangue,
padeceu fora das portas. Saiamos, pois, para ir ter com ele
fora do acampamento carregando a sua ignomínia, pois não
temos aqui cidade permanente, ao contrário, buscamos a
futura. Por ele ofereçamos continuamente a Deus
sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram
seu nome. Da beneficência e da mútua assistência não vos
esqueçais, pois Deus se compraz com estes sacrifícios" (Hb
13,10-16).

Esta variedade de Sacrifícios conforme a gravidade das faltas cometidas


servem para se conhecer a existência de uma graduação de pecados, tal
como ainda são dispostos em mortais e veniais:

"Se alguém vir o irmão cometer um pecado que não leva à


morte, ore e alcançará a vida para os que não pecam para a
morte. Há um pecado para a morte, mas não é por este que
digo que se rogue. Toda injustiça é pecado, mas há pecado
que não é para a morte" (1Jo 5,16-17).

"Há um pecado para a morte...há pecado que não é para a morte" - eis ai
uma graduação bem clara com o que mais uma vez se identifica a
continuidade de algumas noções teológicas do judaísmo (cfr. Catecismo da
Igreja Católica n.°s. 1852 a 1861 e1862 a 1864).

Quanto aos demais conteúdos dos sacrifícios, basta uma simples leitura do
contexto todo para se distinguir todas as diferenças e semelhanças,
dispensando-se maiores comentários.

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LEVÍTICO
10. O SACRIFICIO E OS DIREITOS, FUNÇÕES E DEVERES DOS
SACERDOTES

Apresenta o narrador a seguir disposições relacionadas com os sacrifícios já


descritos, especificando-se que partes seriam comidas pelos ofertantes, pelos
sacerdotes oficiantes e sua família, pelo ofertante e seus familiares e quais
seriam o "Pão de Iahweh" (Lv 21,6.8). Também a maneira de como se
apresentar no Santuário e como manter-se na Santidade necessária ao seu
ministério sacerdotal, na Pureza funcional dos Sacerdotes. Delas se deduz o
que se denomina aqui de "direitos e deveres dos Sacerdotes", conforme os
Sacrifícios a que se vinculam certas práticas racionalmente bem distribuídas.
Por "direitos" ver-se-á aquelas porções que lhes sejam destinadas nos
Sacrifícios e por "deveres" aqueles elementos constitutivos dos rituais
litúrgicos a que dever-se-iam vincular cumprindo-os religiosamente. Seguindo
a mesma ordem em que já foram apresentados:

1.°) - No Holocausto Cotidiano - Desde Abraão excita a curiosidade o fato de


Isaac, "enquanto caminhavam" (Gn 22,7a) e ao reclamar a ausência da vítima,
mencionar a presença de um "fogo" (Gn 22,7c), já referido antes pelo narrador
(Gn 22,6 - "...tomou na mão o fogo e o cutelo..."), indicando a existência e a
exigência de um fogo especial, uma espécie de fogo sagrado que deveria ser
mantido aceso. Quando da investidura de Aarão e seus filhos para o exercício
do Sacerdócio, o Holocausto então oferecido foi consumido por um fogo do
céu:

"...e um fogo enviado por Iahweh consumiu o holocausto e as


gorduras que estavam sobre o altar. Vendo, o povo inteiro
prorrompeu em gritos de alegria, e prostraram-se todos com o
rosto por terra" (Lv 9,24).

Este fato vai se repetir outras vezes (Jz 6,21; 1Cro 21,26; 2Mac 2,10) e também
quando da inauguração do Templo por Salomão, o que não deixa de ser um
fato bem significativo pela freqüência com que ocorre:

"Quando Salomão terminou a oração, caiu fogo do céu e


devorou o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor
encheu o templo. Os sacerdotes não puderam entrar no templo
do Senhor, pois a glória do Senhor o enchia. Todos os filhos de
Israel, quando viram o fogo descer e a glória do Senhor sobre
o templo, se ajoelharam, com o rosto em terra, sobre o
pavimento, adoraram e louvaram o Senhor: "Sim, ele é bom e
eterno é seu amor". E Salomão com todo o povo ofereceu
sacrifícios diante do Senhor . O rei Salomão imolou vinte e dois
mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todo o povo
inauguraram o templo de Deus" (2Cro 7,1-4).

A existência desse tipo de fogo vem confirmada por um dos livros de


Macabeus:

"Estamos para celebrar, no dia 25 do mês de Casleu, a


purificação do templo. Por isso julgamos necessário dar-vos
esta informação, para que também vós a celebreis a modo da
festa das Tendas, e em memória do fogo que foi reencontrado
quando Neemias ofereceu sacrifícios, depois de ter
reconstruído o templo e o altar. Com efeito, quando nossos pais
foram levados à Pérsia, os piedosos sacerdotes de então
tiraram o fogo do altar e o ocultaram secretamente no
fundo de um poço de água seco, resguardando-o de tal modo
que o lugar permaneceu desconhecido de todos. Passados
muitos anos, quando aprouve a Deus, Neemias, enviado pelo
rei da Pérsia, determinou que os descendentes dos
sacerdotes que haviam ocultado o fogo, o fossem
procurar. Quando eles nos informaram que não tinham
encontrado o fogo, mas sim um líquido espesso, ordenou-lhes
que apanhassem daquele líquido e o trouxessem. Estando tudo
disposto para o sacrifício, Neemias ordenou aos sacerdotes que
aspergissem com o líquido a lenha e o que se encontrava sobre
ela. A ordem foi executada. Quando o sol, antes recoberto por
nuvens, recomeçou a brilhar, acendeu-se grande fogo,
causando admiração em todos" (2Mac 1,18-22).

Este fogo deve ser do tipo mantido sempre aceso pelos Sacerdotes num
Holocausto Cotidiano (Ex 29,38-42; Nm 28,3-8), isto é, segundo uma antiga
tradição, "o fogo vindo do céu" (Lv 9,24 / Ex 40,38), que dever-se-ia manter
sempre aceso:

"O Senhor falou a Moisés: "Manda dizer a Aarão e a seus filhos:


Esta é a lei do holocausto: o holocausto ficará sobre a lareira do
altar a noite inteira, até a manhã seguinte, e o fogo do altar
será mantido aceso. (...) O fogo, porém, que arde sobre o
altar, jamais se deve extinguir. Todas as manhãs o
sacerdote o alimentará com lenha, porá sobre ela o holocausto,
e queimará a gordura dos sacrifícios pacíficos. O fogo deve
arder continuamente no altar, sem jamais se apagar" (Lv
6,1-6).

Há tão grande respeito e veneração pela Santidade do Santuário que o


Sacerdote que cuidava deste fogo sagrado deveria trocar a roupa que usava
para levar as cinzas para fora do acampamento, evitando assim a
contaminação com o profano (Lv 6,4). É que tanto o santificado como o impuro
contaminavam as pessoas bem como os objetos que os tocavam (Lv 6,11c.18-
23; Ex 29,37; Lv 11,24-28.31-40):

" O sacerdote, vestindo túnica e roupa de baixo de linho,


removerá as cinzas deixadas pelo fogo que consumiu o
holocausto, e as depositará ao lado do altar. Depois de despir
essas vestes e vestir outras, levará as cinzas para fora do
acampamento, a um lugar não contaminado" (Lv 6,3-4).

2.°) - Nas Oblações (Lv 2,1-16 / 6,7-11):

"Esta é a lei da oblação: Os filhos de Aarão devem apresentá-la


ao Senhor diante do altar. O sacerdote pegará um punhado de
flor de farinha da oblação com azeite, bem como todo o
incenso posto sobre a oferenda, e queimará no altar como
memorial de suave odor ao Senhor. O restante da oblação,
Aarão e seus filhos o comerão; deverá ser comido sem
fermento, em lugar santo, no átrio da tenda de reunião. Não
será assado com fermento. É a parte que lhes destinei dos
sacrifícios que me são oferecidos pelo fogo. É coisa santíssima,
da mesma forma como o sacrifício de expiação e o de
reparação. Dela poderão comer todos os filhos de Aarão do
sexo masculino. É uma lei perpétua para vossos descendentes,
referente aos sacrifícios pelo fogo ao Senhor: tudo que os tocar
fica sagrado" (Lv 6,7-11).

Parte da Oblação constituída por "um punhado de flor de farinha com azeite,
bem como todo o incenso posto sobre a oferenda" seria "queimada no altar
como memorial de suave odor ao Senhor; e, o restante dela, Aarão e seus
filhos comeriam sem fermento" no Santuário e "no átrio da Tenda de Reunião".
Só Aarão e os seus filhos e descendentes masculinos dela poderiam comer,
no Átrio em frente da Tenda da Reunião, nesse lugar sagrado, por ser
Santíssima, dela "comendo" também Deus queimando-se uma parte "como
memorial de suave odor ao Senhor" (Lv 6,8). Somente os homens comeriam
dessas oblações pelo fato das mulheres da Casa de Aarão não terem sido
"ungidas", e assim, "não santificadas para o múnus sacerdotal", não as
poderiam tocar "por serem oferendas santíssimas" pelo que as profanariam
pelo contagio.

Apresenta-se a seguir uma Oblação especial que os filhos de Aarão deveriam


oferecer no dia em que fossem "ungidos", distribuindo-a "metade de manhã e
metade de tarde", instituída de forma perpétua e sempre que ocorresse a
consagração para o exercício do Sacerdócio. O Sacerdote que a oferece,
diferentemente de outros, dela não se beneficiaria comendo, pois pertence
inteiramente a Iahweh:

"O Senhor falou a Moisés, dizendo: "Esta é a oferta que Aarão e


seus filhos farão no dia em que forem ungidos: quatro litros e
meio de flor de farinha, como oblação perpétua, metade de
manhã e metade de tarde. Será preparada na chapa e
apresentá-la-ás embebida em azeite. Triturando-a em
pedacinhos, oferecê-la-ás em suave odor ao Senhor. A mesma
oblação fará o sacerdote que entre os filhos for ungido em seu
lugar. É uma lei perpétua: será inteiramente queimada em
honra ao Senhor. Toda oblação de um sacerdote será total, e
não se comerá" (Lv 6,13-16).

3.°) - Nos Sacrifícios Expiatórios ou Pelo Pecado (Lv 6,17-23 / Lv 4) - Esse


ritual destaca a Santidade da vítima seja pelo lugar onde se dá a imolação,
seja por onde se deve comê-la, seja pelos efeitos de qualquer contato com a
carne ou com o sangue, seja pela parte reservada apenas aos Sacerdotes,
seja por não comer dela o Ofertante que pecou, para não se beneficiar de seu
pecado e em penitência. É imolada, após a imposição das mãos pelo
Sacerdote em nome do Ofertante, no mesmo local do Holocausto e após a
efusão do Sangue no Santuário, tornando-se assim Santíssima, pelo que
qualquer contato com ela infunde Santidade, donde somente o Sacerdote
celebrante e os colegas masculinos que permitir podem dela comer. No caso
do oferecido pelo pecado do Sumo Sacerdote ou da Comunidade, ninguém
dela comerá, devendo ser totalmente queimada, pois o sangue é derramado
em lugar santo (Lv 6,23):

"O Senhor falou a Moisés, dizendo: "Fala para Aarão e seus


filhos: Esta é a lei do sacrifício expiatório. No lugar onde se
imola o holocausto, também será imolada diante do Senhor a
vítima pelo pecado. É coisa santíssima. O sacerdote que
oferecer a vítima pelo pecado, dela poderá comer. Deve ser
comida em lugar santo, no átrio da tenda de reunião. Tudo que
tocar esta carne, ficará consagrado. Se o sangue respingar
alguma veste, lavarás a mancha em lugar santo. A vasilha em
que for cozida, será quebrada, se for de barro. Se for de bronze,
será esfregada e lavada em água. Todo indivíduo de sexo
masculino entre os sacerdotes poderá comer desta carne. É
coisa santíssima. Mas não se poderá comer nenhuma vítima
expiatória da qual se levou sangue à tenda de reunião para
fazer a expiação no santuário; será queimada no fogo" (Lv
6,17-23).

3.1. - Nos Sacrifícios Pelo Delito ou de Reparação (Lv 7,1-10) - Há aqui


como que uma espécie de complemento delineando-se outros ritos a serem
também observados no caso de ofensas mais simples, os delitos (Lv 5,14-26).
A vítima será imolada no mesmo local do Holocausto e segue o mesmo ritual
do Sacrifício de Reparação, podendo assim ter o seu dano avaliado, acrescido
de um quinto e então pago ao Sacerdote que fará a expiação por ele (Lv
5,16.23-26). A vítima após a efusão do sangue torna-se "coisa santíssima"
entregue ao sacerdote que fará a reparação pelo ofertante obedecendo as
regras seguintes, dispensando-se comentários pela simplicidade do ato:

"Será oferecida toda a gordura da vítima: a cauda, a gordura


que envolve as vísceras, os dois rins com a gordura que os
cobre na região lombar, e a camada de gordura do fígado que
será separada com os rins. O sacerdote queimará tudo no altar,
como sacrifício pelo fogo ao Senhor. Trata-se de um sacrifício
de reparação. Dele poderá comer, em lugar santo, toda pessoa
do sexo masculino entre os sacerdotes. É coisa santíssima" (Lv
7,3-6).

Tanto aqui como no anterior a vítima é do sacerdote que faz a expiação, isto é,
daquele que oferece a gordura queimando-a e derrama o sangue:

"Vale a mesma lei tanto para o sacrifício expiatório, como para


o sacrifício de reparação: A vítima pertence ao sacerdote que
faz a expiação. Ao sacerdote que oferece o holocausto de
alguém, pertence a pele da vítima que ofereceu. Toda oblação
assada ao forno ou preparada em panela ou chapa, pertence
ao sacerdote que oferece. Toda oferenda amassada com azeite
ou seca, será para todos os descendentes de Aarão, sem
distinção" (Lv 7,6-10).

Destacam-se nos versículos finais a propriedade do Sacerdote que faz a


expiação, da pele dos animais e das Oblações peculiares a estes tipos de
Sacrifícios, se assada ao forno ou na panela, ou se amassada com ou sem
azeite, pertencerá então a todos os filhos de Aarão indistintamente.

4.°) - Nos Sacrifícios Pacíficos, ou Salutares ou Refeições Sagradas (Lv


3,1-17 / Lv 7,11-21) - Pela sua relação com a Multiplicação dos Pães e com a
Ceia Pascal, unidas por Cristo na Eucaristia, este ritual é muito importante
para os Cristãos. Completando-se o que já foi apresentado a respeito, aparece
um tipo especial de Oblação que se incorpora à vítima (Lv 7,12-14) bem como
regras atinentes ao consumo da carne (Lv 7,15-21). Divide-se conforme a
finalidade pretendida em Sacrifícios de Ação de Graças ou de Louvor ou de
Reconhecimento (Lv 7,12-15) e o Sacrifício Votivo ou Espontâneo por qualquer
motivo (Lv 7,16-17). Por primeiro vem o Sacrifício de Ação de Graças, que em
grego se diz "Eucaristia":

"Esta é a lei do sacrifício pacífico que se oferece ao Senhor: Se


for oferecido em ação de graças, além da vítima de ação de
graças, serão oferecidos pães ázimos amassados com azeite,
bolos ázimos untados de azeite, e flor de farinha embebida em
azeite. Além destes, com o sacrifício pacífico de ação de
graças, será oferecido pão fermentado" (Lv 7,11-13)

Não pode haver outro motivo para assim se denominar a Ceia Eucarística das
Missas, vendo nela a Oblação de Cristo, "atualizada" no "Pão Ázimo" da
Hóstia da Comunhão, que é o Seu Corpo, tal como a ela se refere o
Catecismo da Igreja Católica, no n.° 610:

"Jesus fez a manifestação suprema da Oblação Livre de Si


mesmo na refeição que tomou com os doze Apóstolos (cf. Mt
26,20), na "noite em que foi entregue" (1Cor 11,23). Na
véspera da sua Paixão, quando ainda era livre, Jesus fez desta
última Ceia com os Apóstolos o memorial da Sua Oblação
Voluntária ao Pai (cf. 1Cor 5,7) para a salvação dos homens:
"Isto é o meu Carpo, que vai ser entregue por vós" (Lc 22,19).
"Isto é o meu 'Sangue de Aliança', que vai ser derramado por
uma multidão, para a remissão dos pecados" (Mt 26,28)
(negritos propositais).

Prossegue o Catecismo n.°s. 1328 a 1332 referindo-se ao Sacramento da


Eucaristia:

1328 - II. Como é chamado este sacramento?

A riqueza inesgotável deste sacramento exprime-se nos diferentes nomes que


lhe são dados. Cada um destes nomes evoca alguns dos seus aspectos. Ele é
chamado:

Eucaristia, porque é ação de graças a Deus. As palavras "eucharistein" (Lc


22,19; 1Co 11,24) e "eulogein" (Mt 26,26; Mc 14,22) lembram as bênçãos
judaicas que proclamam - sobretudo durante a refeição - as Obras de Deus: a
Criação, a Redenção e a Santificação.

1329 - Banquete do Senhor (1Co 11,20), porque se trata da Ceia que o Senhor
tomou com os discípulos na véspera da sua Paixão e da antecipação do
banquete nupcial do Cordeiro (Ap 19,9) na Jerusalém Celeste.

Fração do Pão, porque este rito, próprio da refeição dos judeus, foi
utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão como chefe de
família (Mt 14,19; 15,36; Mc 8,6.19), sobretudo aquando da última Ceia (cf.
Mt 26,26; 1Co 11,24). É por este gesto que os discípulos O reconhecerão depois
da Ressurreição (cf. Lc 24,13-35) e é com esta expressão que os primeiros
cristãos designarão as suas Assembléias Eucarísticas (cf. At 2,42.46; 20,7.11).
Querem com isso significar que todos os que comem do único pão partido,
Cristo, entram em comunhão com ele e formam um só corpo nEle (cf. 1Co
10,16-17).

Assembléia Eucarística ("synaxis"), porque a Eucaristia é celebrada em


Assembléia de Fiéis, expressão visível da Igreja (cf. 1Co 11,17-34).

1330 - Memorial da Paixão e Ressurreição do Senhor.

Santo Sacrifício, porque atualiza o único Sacrifício de Cristo Salvador e


inclui a oferenda da Igreja; ou ainda Santo Sacrifício da Missa, "Sacrifício de
Louvor" (Hb 13,15) [cf. Sl 116,13.17], Sacrifício Espiritual (1Pe 2,5), Sacrifício
Puro e Santo (cf. Ml 1,11), pois completa e ultrapassa todos os Sacrifícios
da Antiga Aliança.

Santa e Divina Liturgia, porque toda a Liturgia da Igreja encontra o centro e a


sua expressão mais densa na celebração deste Sacramento; no mesmo
sentido também se lhe chama celebração dos Santos Mistérios. Fala-se
igualmente do Santíssimo Sacramento, porque é o Sacramentos dos
Sacramentos. E, com este nome, se designam as Espécies Eucarísticas
guardadas no Sacrário.

1331 - Comunhão, pois é por este Sacramento que nos unimos a Cristo, o qual
nos torna participantes do Seu Corpo e do Seu Sangue, para formarmos um
só Corpo (cf. 1Co 10,16-17); designa-se ainda as coisas santas ("ta hagia";
"sancta") (Const. App. 8, 13, 12; Didaké 9,5; 10,6) - é o sentido primário da
"Comunhão dos Santos" de que fala o Símbolo dos Apóstolos -, pão dos anjos,
pão do céu, remédio da imortalidade (Santo Inácio de Antioquia, Ef 20,2),
viático...

1332 - Santa Missa, porque a Liturgia em que se realiza o Mistério da Salvação


termina pela despedida dos fiéis ("missio"), para que vão cumprir a vontade de
Deus na sua vida quotidiana" (negritos a propósito).

A comunhão em "figura" que se buscava vai se "cumprir" no Sacrifício


Eucarístico que "atualiza o único Sacrifício de Cristo Salvador e inclui a
oferenda da Igreja". Não seria possível essa afirmação do Catecismo se não
tivesse seu fundamento na Instituição da Eucaristia por Jesus. É preciso se
lembrar que se necessitamos de estudar a Lei dos Sacrifícios, com os
Apóstolos não acontecia o mesmo, eis que, vinculados à mesma cultura de
seu tempo, conheciam a Teologia das Oferendas o suficiente para não lhes
parecer um mistério. Compreenderam desde então que na Festa dos Pães
Ázimos (Ex 13,3-7), terminada a Ceia Pascal judaica (Lc 22,18), Jesus toma o
Pão e se faz a Oblação Eucarística (Lc 22,19):

"Chegou, pois, o dia da Festa dos Pães Ázimos, em que se


devia matar o Cordeiro Pascal. Jesus enviou Pedro e João,
dizendo-lhes: "Ide preparar-nos a Ceia da Páscoa"... (...) ... Ao
chegar a hora, Jesus se pôs à mesa com os apóstolos e lhes
falou: "Desejei ardentemente comer esta Ceia da Páscoa
convosco antes de sofrer. Pois eu vos digo: Nunca mais a
comerei, até que ela se realize no reino de Deus". Tomando um
cálice, deu graças e disse: "Tomai este cálice e distribuí entre
vós. (18) Pois eu vos digo: Não mais beberei deste vinho até
que chegue o reino de Deus". (19) E tomando um pão, deu
graças, partiu-o e deu-lhes dizendo: "Isto é o meu corpo, que
é dado por vós. Fazei isto em memória de mim". Do mesmo
modo, depois de haver ceado, tomou o cálice, dizendo: "Este
cálice é a nova aliança em meu sangue, derramado por vós"
[Lc 22,7-8.14-20 - versículos (18) e (19) destacados a
propósito].

Enquanto que Cristo se faz o Único Sacerdote, o Único Ofertante,. a Única


Vítima e a Única Oblação, do que todos participam, no Sacrifício Israelita há
uma distribuição da vítima imolada, destacando-se aqui a parte que pertencerá
ao Sacerdote Celebrante, que é aquela que se destina a Iahweh:

"Além destes, com o sacrifício pacífico de ação de graças, será


oferecido pão fermentado. Uma parte de cada uma destas
oferendas será oferecida como tributo ao Senhor, e pertencerá
ao sacerdote que derramou o sangue da vítima do sacrifício
pacífico" (Lv 7,13-14).

Já a carne desse tipo de Sacrifício, por ser mais santa que a dos Pacíficos,
dever-se-á cuidar para não se tornar impura ou corrompida, motivo pelo qual
comer-se-á toda no mesmo dia. Já a dos votivos ou espontâneos poderá
permanecer até o dia seguinte, após cujos intervalos deverão ser totalmente
queimadas, sob pena de ineficácia da oferenda:

"A carne da vítima do sacrifício pacífico de ação de graças será


comida no próprio dia em que for oferecida; dela nada se
deverá deixar para o dia seguinte. Se a oferta do sacrifício for
em cumprimento de um voto, ou for espontânea, será comida
no dia em que se oferecer. O que sobrar poderá ser comido no
dia seguinte. Mas o que sobrar da carne do sacrifício para o
terceiro dia, deverá ser queimado. Se alguém ao terceiro dia
comer do sacrifício pacífico, o ofertante não será aceito, nem
lhe será levado em conta o que ofereceu. É carne infecta e a
pessoa que dela comer carregará o peso da sua culpa" (Lv
7,15-18).

O cuidado com a carne imolada como vítima exigia que se evitasse o menor
contato com aquilo que fosse considerado impuro (Lv 11-15), sob pena de ser
queimada, para não comprometer a sua Santidade, e, pelo mesmo motivo, os
participantes "impuros" não poderiam dela comer:

"A carne que tiver tocado qualquer coisa impura não se deverá
comer. Será consumida pelo fogo. Mas da outra carne poderá
comer quem estiver puro. Mas quem comer carne do sacrifício
pacífico oferecido ao Senhor, apesar de estar impuro, será
eliminado do seu povo. Quem tocar qualquer imundície de
homem ou animal, ou qualquer outra imundície abominável, e
comer carne do sacrifício pacífico pertencente ao Senhor, será
eliminado do seu povo" (Lv 7,19-21).

Por tudo isso se vê o cuidado com o Sagrado e a Santidade daí emanadas,


caráter especificamente Israelita quanto aos Sacrifícios. Tudo aquilo que a ele
se referia, pessoas, objetos e coisas, eram Santificadas pela "unção" ou pelo
contato com o que o fosse, devendo assim permanecer. Este zelo pelo
sagrado faz da Aliança muito mais do que um simples compromisso de boa
conduta e comportamento, mas leva a traduzir em gestos e atitudes de
reconhecimento interior, a majestade de Deus convertido em cuidadosa e
elaborada adoração, em que Deus é o centro de tudo e tudo o mais gira em
seu redor. Nos Sacrifícios traduzia-se um profundo respeito pelo que Lhe
concernia, assim como no modo de se alimentar, abstendo-se da gordura e do
Sangue de animais, mesmo abatidos por acidente, sendo muito mais rigorosa
a sanção em se tratando de Sangue:

"O Senhor falou a Moisés: "Fala aos israelitas: Não comereis


gordura alguma de boi, ovelha ou cabra. Da gordura de um
animal morto ou estraçalhado, podereis servir-vos para
qualquer uso, mas de maneira alguma a comereis. Pois todo
aquele que comer gordura de animal que se oferece pelo fogo
ao Senhor, será eliminado do povo. Não comereis sangue
algum, nem de ave, nem de animal, em nenhuma de vossas
moradias. Aquele que comer qualquer espécie de sangue, será
extirpado do povo" (Lv 7,22-27).

"... É um alimento oferecido pelo fogo, de suave odor. Toda a


gordura pertence ao Senhor. Esta é uma lei perpétua,
válida para vossos descendentes, onde quer que habiteis: Não
devereis comer nenhuma gordura ou sangue" (Lv 3,16-
17).

Coerentemente com toda a estrutura básica do Santuário, finaliza-se então a


regulamentação de todos os Sacrifícios com a previsão das partes dos
sacerdotes, as parte de Iahweh:

"O Senhor falou a Moisés, dizendo: "Fala aos israelitas: Aquele


que oferecer ao Senhor um sacrifício pacífico, levará ao Senhor
a oferta tirada do sacrifício pacífico. Levará com as próprias
mãos o que se oferecer pelo fogo ao Senhor: levará a gordura
além do peito a ser agitado ritualmente diante ao Senhor. O
sacerdote queimará a gordura no altar, e o peito ficará para
Aarão e seus filhos. Dareis também ao sacerdote a coxa direita,
como tributo de vossos sacrifícios pacíficos. Aquele dentre os
filhos de Aarão que oferecer o sangue do sacrifício pacífico e a
gordura, é que terá a coxa direita como parte. Pois dos
sacrifícios pacíficos dos israelitas reservei para mim o peito
agitado ritualmente e a coxa do tributo, e dei-os a Aarão e a
seus filhos, como lei perpétua a ser observada pelos israelitas.
Essa é a parte de Aarão e de seus filhos nos sacrifícios
oferecidos pelo fogo ao Senhor, desde o dia em que foram
promovidos a exercer o sacrifício diante do Senhor. Foi o que o
Senhor lhes mandou dar da parte dos israelitas, desde o dia da
unção, como lei perpétua para todas as gerações". Esta é a lei
para o holocausto, a oblação, o sacrifício pelo pecado, o
sacrifício de reparação, o sacrifício da consagração e o
sacrifício pacífico. Foi o que o Senhor ordenou a Moisés no
monte Sinai, no dia em que mandou os israelitas oferecerem
oblações ao Senhor no deserto do Sinai" (Lv 7,28-38).

"Pois dos sacrifícios pacíficos dos israelitas reservei para mim o peito agitado
ritualmente e a coxa da elevação, e dei-os a Aarão e a seus filhos, como lei
perpétua a ser observada pelos israelitas" (Lv 7,34) - este cerimonial será
sempre observado entendendo-se pela agitação feita da parte a destinação
dela a Iahweh pelo primeiro lance do movimento e a sua destinação ao
Sacerdote passando pelas mãos do ofertante, no seu retorno de Iahweh, e da
mesma forma o ritual da elevação da coxa:

"Dareis também ao sacerdote a coxa direita, como tributo de


vossos sacrifícios pacíficos. Aquele dentre os filhos de Aarão
que oferecer o sangue do sacrifício pacífico e a gordura, é que
terá a coxa direita como parte. Pois dos sacrifícios pacíficos dos
israelitas reservei para mim o peito agitado ritualmente e a
coxa do tributo, e dei-os a Aarão e a seus filhos, como lei
perpétua a ser observada pelos israelitas. Essa é a parte de
Aarão e de seus filhos nos sacrifícios oferecidos pelo fogo ao
Senhor, desde o dia em que foram promovidos a exercer o
sacrifício diante do Senhor. Foi o que o Senhor lhes mandou dar
da parte dos israelitas, desde o dia da unção, como lei
perpétua para todas as gerações". Esta é a lei para o
holocausto, a oblação, o sacrifício pelo pecado, o sacrifício de
reparação, o sacrifício da consagração e o sacrifício pacífico. Foi
o que o Senhor ordenou a Moisés no monte Sinai, no dia em
que mandou os israelitas oferecerem oblações ao Senhor no
deserto do Sinai" (Lv 7,35-38).

Desde o Sinai, em várias ocasiões, a Lei da Aliança quando determinava que


"ninguém compareça à minha presença de mãos vazias" (Ex 23,15...) e
também com a distribuição aos Sacerdotes de partes da vítima, "como tributo
a Iahweh", já se anunciava uma das finalidades das "Oferendas", agora como
meio provisório de manutenção do culto, o que posteriormente receberá
grande modificação cultual, em cuja composição situar-se-á o "Dízimo", que é
uma delas.

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LEVÍTICO
11. OS SACRIFÍCIOS E A INVESTIDURA SACERDOTAL

Regulamentados os vários tipos de Sacrifícios principia-se a constituição do


elemento fundamental de sua existência, sem o qual não há possibilidade de
sua concretização: a investidura de Aarão e dos seus filhos para o exercício
perene do Sacerdócio, tal como delineado o seu "projeto" no n.° 7 do Capítulo
4, referente a Ex. 28-29:

"O Senhor falou a Moisés, dizendo: "Toma contigo Aarão e seus


filhos, as vestes, o óleo da unção, o bezerro para o sacrifício
expiatório, os dois carneiros e o cesto de pães ázimos, e reúne
toda a comunidade à entrada da tenda de reunião". Moisés fez
como o Senhor lhe tinha mandado e a comunidade se reuniu à
entrada da tenda de reunião. Moisés disse à comunidade: "É
isto que o Senhor mandou fazer". Depois mandou que se
aproximassem Aarão e seus filhos, e os lavou com água. Vestiu
Aarão com a túnica, cingiu-lhe o cinto, revestiu-o com o manto,
colocou-lhe o véu umeral e o prendeu, atando-o com o
respectivo cinto. Pôs-lhe o peitoral com os urim e os tumim.
Colocou-lhe na cabeça a mitra, e na parte dianteira a lâmina de
ouro, o diadema sagrado, conforme o Senhor havia mandado a
Moisés. Depois Moisés pegou o óleo da unção, ungiu o
tabernáculo e tudo o que nele havia, para consagrá-lo.
Aspergiu sete vezes o altar, e ungiu-o com todos os utensílios,
bem como a bacia com o suporte, consagrando-os. Derramou
óleo de unção sobre a cabeça de Aarão, e o ungiu, para
o consagrar. Depois mandou aproximarem-se os filhos de
Aarão, vestiu-lhes as túnicas, cingiu-lhes o cinto e lhes pôs os
turbantes, como o Senhor havia mandado a Moisés" (Lv 8,1-
13).

"Moisés fez como o Senhor lhe tinha mandado e a comunidade se reuniu à


entrada da Tenda de Reunião. Moisés disse à comunidade: 'É isto que o
Senhor mandou fazer'": coube a Moisés, em virtude de sua condição de
"eleito" já comprovada desde o Egito e com as qualidades atinentes, advindas
conforme a cultura religiosa de então, conduzir e celebrar a consagração do
Sacerdócio Pleno. A investidura de Aarão caracteriza desde aqui a função
principal do Sumo Sacerdote, conhecido como "o Sacerdote da Unção" por
ser o que recebe o "óleo de unção sobre a cabeça". Somente após a
conclusão de todo o ritual de Consagração do Santuário total e de Aarão é que
se dá a unção de seus filhos, agora em conjunto com Aarão e por aspersão
(cfr. Ex 29,5-8.21). Com isso fica clara a unidade e indissolubilidade colegial do
Poder Sacerdotal fundamentado em Aarão, o Sumo Sacerdote, o Chefe da
Família Sacerdotal:

"Derramou óleo de unção sobre a cabeça de Aarão, e o ungiu,


para o consagrar. Depois mandou aproximarem-se os filhos de
Aarão, vestiu-lhes as túnicas, cingiu-lhes o cinto e lhes pôs os
turbantes, como o Senhor havia mandado a Moisés" (Lv 8,12-
13).

Após a "unção sobre a cabeça de Aarão", vem outra por aspersão, com uma
separação sintomática, de "Aarão e suas vestes, e seus filhos e suas vestes":

"Moisés tomou um pouco do óleo de unção e do sangue que


estava sobre o altar, aspergiu Aarão e suas vestes, bem como
os filhos de Aarão e suas vestes. Assim consagrou Aarão, seus
filhos e as respectivas vestes" (Lv 8,30).

Jesus vai manter esse caráter de unidade e indissolubilidade sacerdotal no


Colégio Apostólico que instituir. Tal como aconteceu com Aarão, ungido por
primeiro, e depois a Aarão junto com os seus filhos, também a Pedro foi dado
por primeiro o poder de "ligar e desligar" (Mt 16,19) e depois o mesmo poder
foi dado a Pedro junto com os demais Apóstolos (Mt 18,18).

Como já se expôs (n.° 7 do Capítulo 4), "durante a Investidura foi seguido o


ritual já estabelecido e próprio (Ex 29), durante o qual, além da Unção de
Aarão e seus filhos, vários ritos de purificação foram executados para a
indispensável Santificação geral e deles, oferecendo-se durante o cerimonial
os seguintes Sacrifícios:

 Sacrifício pelo Pecado (Lv 8,14-17 / Ex 29,10-14);


 Holocausto (Lv 8,18-21 / Ex 29,15-18); e,
 Sacrifício Pacífico (Lv 8,22-32 / Ex 29,19-26)".

Resta agora uma explanação mais ampla da utilização desses tipos de rituais
na consagração sacerdotal de Aarão e seus filhos, Sacrifícios oferecidos por
Moisés, o mediador da Aliança, a começar com o Sacrifício Pelo Pecado, o
primeiro oferecido:

"Mandou trazer o bezerro para o sacrifício pelo pecado.


Aarão e seus filhos impuseram-lhe as mãos sobre a cabeça.
Depois de imolá-lo, Moisés pegou sangue e untou com o dedo
os chifres em volta do altar, purificando-o. Derramou o sangue
ao pé do altar, e o consagrou, fazendo sobre ele a expiação.
Depois tomou toda a gordura que envolve as vísceras, a
camada gordurosa do fígado e os dois rins com a sua gordura,
e queimou tudo no altar. O bezerro, sua pele, carne e
excrementos, queimou-os fora do acampamento, como o
Senhor lhe tinha mandado" (Lv 8,14-17).

Como visto no número anterior (n.° 9, 3.°) este ritual tem por finalidade a
Santificação em geral, tanto das pessoas como dos objetos, para uma perfeita
união com Deus, pelo que são purificados pelo Sangue da Vítima imolada por
Moisés que "unge" os chifres com o dedo embebido e o derrama em redor do
Altar, fazendo a devida expiação e purificação, após a imposição das mãos por
Aarão e seus filhos. Queima as gorduras no Altar e o bezerro, seu pelo, a sua
carne e os excrementos fora do Santuário, nada indo para o celebrante para
não se aproveitar de sua própria falta, por quem também é oferecido [(cfr. Lv
6,17-23 / Lv 4, conforme dito alhures que "no caso do oferecido pelo pecado
do Sumo Sacerdote ou da Comunidade, ninguém dele comerá, devendo ser
totalmente queimado, pois o sangue é derramado em lugar santo (Lv 6,23)]".
Ao que se vê este Sacrifício se destina à Santificação do Santuário, de seus
pertences e objetos, do oficiante, dos ofertantes que são consagrados e da
vítima.

Vem em seguida o Holocausto:

"Mandou trazer o carneiro do holocausto, para que Aarão e os


filhos impusessem-lhe as mãos sobre a cabeça. Moisés o
imolou, e derramou o sangue em volta do altar. Depois de
esquartejar o carneiro, Moisés queimou a cabeça e os pedaços
com a gordura. Moisés lavou com água as vísceras e as patas,
e assim queimou o carneiro inteiro no altar. Era um
holocausto de suave odor, um sacrifício feito pelo fogo ao
Senhor, como o Senhor tinha mandado a Moisés" (Lv 8,18-21).

Moisés oferece aqui este tipo de Sacrifício, o mais perfeito ato de culto de
então, traduzindo o nada do Homem na destruição total da vítima toda
queimada "em suave odor" a Deus, ato de reconhecimento da soberania de
Deus de que o Sacerdote é medianeiro. Com este Holocausto a purificação
atinge a plenitude pela expiação conseguida e Aarão e seus filhos ficam então
em condições de Santidade para o exercício do Sacerdócio, pela imposição
das mãos sobre a vítima que praticaram (Lv 8,18) e da renúncia de si face a
majestade e soberania de Iahweh significadas no aniquilamento da vítima
totalmente destruída pelo fogo.

Terminada esta fase do ritual passa Moisés à final, ao Sacrifício Pacífico, à


Refeição Sagrada, todos estando agora em condições de Santidade para se
alimentar, entrando em comunhão com Deus, e tendo então condições para o
Sacerdócio ensejado oferecendo o que se denominou "Carneiro da
Consagração ou da Investidura":

"Mandou trazer o segundo carneiro, o carneiro da


consagração, e Aarão e seus filhos impuseram as mãos sobre
a cabeça do animal. Depois de imolá-lo, Moisés pegou o sangue
e untou o lóbulo da orelha direita de Aarão, o polegar da mão
direita e o polegar do pé direito. Mandou aproximarem-se os
filhos de Aarão, e untou-lhes com sangue o lóbulo da orelha
direita, o polegar da mão direita e o polegar do pé direito, e
depois derramou o sangue em torno do altar" (Lv 8,22-24).

Este Sacrifício toma aqui uma conotação diferente pela sua específica
finalidade de se destinar à consagração sacerdotal pelo uso do Sangue da
Vítima, antes de derramá-lo no Altar, para banhar por primeiro "o lóbulo direito,
o polegar da mão direita e o do pé direito" de Aarão e depois de seus filhos,
como que a prepará-los para o exercício do Sacerdócio. Tinha essa unção o
mesmo sentido purificador dos chifres do Altar e somente após é que era o
Sangue derramado.

Também as partes destinadas aos Sacerdotes aqui sofrem modificação


estrutural, indo, após o rito da agitação perante Iahweh, para Moisés o peito, o
celebrante, e a perna direita com a gordura e outras partes, e a oblação,
passando tudo pelas "mãos de Aarão e seus filhos", para o "gesto de oferta a
Iahweh", sendo então queimadas:

"Pegou a gordura, a cauda, toda a gordura que cobre as


vísceras, a camada gordurosa do fígado, os dois rins com a
gordura, e a perna direita. Do cesto dos ázimos, posto diante
do Senhor, tomou um pão sem fermento, uma torta sem
fermento amassada com azeite e um bolinho, e colocou sobre
as partes gordurosas e sobre a perna direita. Entregou tudo
isso nas mãos de Aarão e de seus filhos, para que
apresentassem com um gesto de oferta ao Senhor. Depois,
tomou tudo das mãos deles e queimou no altar, em cima do
holocausto. Era o sacrifício de consagração, um sacrifício pelo
fogo de suave odor ao Senhor. Depois Moisés pegou o peito do
carneiro e o apresentou com um gesto de oferenda ao Senhor.
Esta foi a porção do carneiro da consagração, pertencente a
Moisés, como o Senhor lhe tinha mandado" (Lv 8,25-29).

Com a "unção sagrada" completa-se a consagração de Aarão e seus filhos, e


suas vestes, Santificando-se para o Sacerdócio:

"Moisés tomou um pouco do óleo de unção e do sangue que


estava sobre o altar, aspergiu Aarão e suas vestes, bem como
os filhos de Aarão e suas vestes. Assim consagrou Aarão, seus
filhos e as respectivas vestes" (Lv 8,30).

Santificação que se consuma com a Refeição Sagrada, "entrando então em


comunhão com o Altar", como ensina São Paulo (1Co 10,18), cujo cerimonial
vai se repetir durante "sete dias" tempo em que Aarão e seus filhos
permanecerão "à entrada da Tenda da Reunião" (Ex 29,35-37), no local onde
"cozinhai a carne" com o que se manifesta o caráter religioso e não alimentar
de toda a consagração:

Moisés disse para Aarão e seus filhos: "Cozinhai a carne à


entrada da tenda de reunião. Ali mesmo a comereis com o pão
que está na cesta das ofertas da consagração, conforme eu
mandei, dizendo: Aarão e seus filhos hão de comê-la. O que
restar da carne e do pão, devereis queimá-lo. Durante sete dias
não saireis da entrada da tenda de reunião, até se
completarem os dias da vossa consagração, pois ela durará
sete dias. O que se fez no dia hoje, o Senhor ordenou que se
fizesse para expiar por vós. Ficareis durante sete dias, dia e
noite, à entrada da tenda de reunião, e observareis o que o
Senhor mandou, para não morrerdes, pois esta é a ordem que
recebi". Aarão e seus filhos fizeram tudo o que o Senhor lhes
mandou por meio de Moisés" (Lv 8,30-36).

11.1. As Primícias dos Sacerdotes

Terminada a "sagração" e com o decurso dos sete dias perante a Tenda da


Reunião, "no oitavo dia", são oferecidas as "primícias" da Investidura
Sagrada, qual seja o "Primeiro Ofício Sagrado" dos Primeiros Sacerdotes,
Aarão com a assistência de seus filhos:

"No oitavo dia Moisés chamou Aarão, seus filhos e os Anciãos


de Israel, e disse para Aarão: "Escolhe um bezerro para o
sacrifício expiatório pelo pecado, e um carneiro para o
holocausto, ambos sem defeito, e apresenta-os ao Senhor.
Falarás aos israelitas, dizendo: Tomai um bode para o sacrifício
expiatório, um bezerro e um cordeiro, ambos de um ano e sem
defeito, para o holocausto, um touro e um carneiro para o
sacrifício pacífico, a fim de sacrificá-los perante o Senhor, e
uma oblação amassada com azeite, porque hoje o Senhor vos
aparecerá" (Lv 9,1-4).
Em primeiro lugar é de se ver que "... Moisés chamou Aarão, seus filhos e os
Anciãos de Israel..." - reaparecendo os Anciãos de Israel, como que num
retorno ou numa renovada atuação representativa do povo e para participarem
da "entrega" que Moisés fazia de sua função sacerdotal. São destacados como
homens maduros que participam de uma espécie de Conselho Diretor,
gozando de respeitosa autoridade moral, judiciária, de governo e
representativa do povo, já nos dias do Egito e após a Aliança do Sinai (Ex
3,16.18; 4,29; 12,21; 17,5-7; 18,12.13-26; 19,7; Lv 4,15):

"Disse então o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos


anciãos de Israel, que sabes maduros e aptos para o governo
e os trarás perante a tenda da reunião, para que estejam ali
junto de ti. Então descerei e ali falarei contigo, e tirarei do
espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo
levarão eles o peso do povo para que tu não o leves só. ...(...)...
Saiu, pois, Moisés, e relatou ao povo as palavras do Senhor; e
ajuntou setenta homens dentre os anciãos do povo e os
colocou ao redor da tenda. Então o Senhor desceu na nuvem, e
lhe falou; e, tomando do espírito que estava nele, infundiu-o
nos setenta anciãos; e aconteceu que, quando o espírito
repousou sobre eles profetizaram, mas depois nunca mais o
fizeram" (Nm 11,16-25) / "Diante das cãs te levantarás, e
honrarás a face do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o
Senhor" (Lv 19,32) / "Os anciãos da congregação porão as
mãos sobre a cabeça do novilho perante o Senhor; e imolar-se-
á o novilho perante o Senhor" (Lv 4,15).

Sempre irão compor a organização religiosa e política de Israel desaguando


futuramente como um dos elementos constitutivos do Sinédrio judaico e no
Cristianismo ao lado dos Apóstolos como os Presbíteros (At 11,30; 15,2-6;
20,17; Tt 1,5), assim conhecidos em diversas confissões cristãs, e como
Padres no Clero da Igreja Católica. Presbítero é palavra de origem grega
significando "ancião" e também "senior > senhor" do latim com o mesmo
significado de "o mais velho" (donde a referência de "senhor" dirigida a um
Padre não ser um pronome de tratamento). É uma das Instituições da cultura
antiga, não só dos Israelitas, mas até mesmo de outros povos (Gn 50,7;
Nm,22,4.7) e cujo significado se perdeu, não se sabendo ao certo as
dimensões exatas de sua atuação, em virtude da amplitude de esferas em que
são mencionados, da consultiva à diretiva.

Então, prosseguindo, Aarão com a assistência de seus Filhos e em obediência


ainda a Moisés, assumem sua função:

"Então trouxeram até a entrada da tenda da reunião o que


Moisés ordenara, e chegou-se toda a congregação, e ficou de
pé diante do Senhor. E disse Moisés: 'Isto o que o Senhor
ordenou que fizésseis; para que a glória do Senhor vos
apareça'. Depois disse Moisés a Aarão: 'Chega-te ao altar, e
apresenta a tua oferta pelo pecado e o teu holocausto, e faze
expiação por ti e pelo povo; também apresenta a oferta do
povo, e faze expiação por ele, como ordenou o Senhor" (Lv 9,5-
7).

Aarão dá então início ao Cerimonial das Primícias, composto das diversas


oferendas e celebrando todos os Sacrifícios, a começar pelo Holocausto e o
Sacrifício Expiatório, ou Pelo Pecado, por si mesmo, por sua casa e pelo povo:

"Aarão, pois, chegou-se ao altar, e imolou o bezerro que era a


sua própria oferta pelo pecado. Os filhos de Aarão trouxeram-
lhe o sangue; e ele molhou o dedo no sangue, e o pôs sobre os
chifres do altar, e derramou o sangue à base do altar; mas a
gordura, e os rins, e o redenho do fígado, tirados da oferta pelo
pecado, queimou-os sobre o altar, como o Senhor ordenara a
Moisés. E queimou fora do acampamento a carne e o couro.
Depois imolou o holocausto, e os filhos de Aarão lhe
entregaram o sangue, e ele o espargiu sobre o altar em redor.
Também lhe entregaram o holocausto, pedaço por pedaço, e a
cabeça; e ele os queimou sobre o altar. E lavou os intestinos e
as pernas, e as queimou sobre o holocausto no altar" (Lv 9,8-
14).

Seguem os mesmos sacrifícios pelo povo ali reunido em comunidade, seguido


da Oblação e do Sacrifício Pacífico observando-se fielmente todos os rituais,
até mesmo a movimentação da vítima e entrega ao celebrante, em tudo
buscando na Refeição Sagrada a amizade e a reconciliação com Iahweh:

"Então apresentou a oferta do povo e, tomando o bode que era


a oferta pelo pecado do povo, imolou-o e o ofereceu pelo
pecado, como fizera com o primeiro. Apresentou também o
holocausto, e o ofereceu segundo o ritual. E apresentou a
oblação e, tomando dela um punhado, queimou-a sobre o altar,
além do holocausto da manhã. Imolou também o boi e o
carneiro em sacrifício de oferta pacífica pelo povo; e os filhos
de Aarão entregaram-lhe o sangue, que ele espargiu sobre o
altar em redor, como também a gordura do boi e do carneiro, a
cauda gorda, e o que cobre a fressura, e os rins, e o redenho do
fígado; e puseram a gordura sobre os peitos, e ele queimou a
gordura sobre o altar; mas os peitos e a coxa direita, ofereceu-
os Aarão por oferta movida perante o Senhor, como Moisés
tinha ordenado" (Lv 9,15-21).

Então vem a Bênção de Aarão, seguida de outra conjunta com Moisés, após
permanecerem na Tenda da Reunião, com o gesto estendido traduzindo a
Imposição das Mãos, manifestando-se então a Glória de Deus com o Fogo
Sagrado consumindo as vítimas:

"Depois Arão, levantando as mãos para o povo, o abençoou e


desceu, tendo acabado de oferecer a oferta pelo pecado, o
holocausto e as ofertas pacíficas. E Moisés e Aarão entraram na
tenda da reunião; depois saíram, e abençoaram o povo; e a
glória do Senhor apareceu a todo o povo, pois saiu fogo de
diante do Senhor, e consumiu o holocausto e a gordura sobre o
altar; pelo que todos os presentes aclamaram e prostraram-se
com os seus rostos em terra" (Lv 9,22-24).

Não pode ser outro o teor dessa Bênção que o determinado pelo próprio
Iahweh:

"Disse mais o Senhor a Moisés: Fala a Aarão, e a seus filhos,


dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel; dir-lhes-eis: O
Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o
seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; o Senhor levante
sobre ti o seu rosto, e te dê a paz. Assim porão o meu nome
sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei" (Nm 6,22-27).

"... todos os presentes aclamaram e prostraram-se com os seus rostos em


terra" (Lv 9,24), assim se consumava, com a Instituição do Sacerdócio, o
Santuário, "figura" que "cumprir-se-á com Jesus:

"Eles me farão um Santuário, e Eu Habitarei no meio


deles" (Ex 25,8).

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós... " (Jo 1,14).

Tal como no Jardim do Éden Deus continua conduzindo o Homem para uma
vida em comunhão agora significada nos efeitos dos Sacrifícios tal como era
visto pelos Israelitas, "figura" do que se "cumprirá" com Jesus. Cristo Jesus é o
retorno do Homem ao Jardim de Deus:

"Disse então ("o Bom Ladrão"): 'Jesus, lembra-te de mim,


quando entrares no teu reino.' Respondeu-lhe Jesus: 'Em
verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso" (Lc
23,42-43).

Cabe aqui uma observação importante a respeito das vestimentas dos


Sacerdotes Israelitas: os Ofícios Religiosos eram celebrados por eles
descalços, sem calçados de espécie alguma nos pés, apesar de toda a pompa
de seu paramento, eis que se moviam em "lugar santo", o Santuário, em
obediência à ordem de Iahweh a Moisés:

"Prosseguiu Deus: Não te aproximes e tira os sapatos dos


pés, porque o lugar em que tu estás é terra santa" (Ex
3,5).

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LEVÍTICO
12. O SACERDÓCIO E A SANTIDADE

Uma observação aqui se impõe quanto ao cuidado que se deve ter com a
divisão em capítulos e versículos das Escrituras Sagradas, para não se tornar
uma fonte de equívocos. Assim, a presença súbita do capítulo dez pode levar
à suposição de que no capítulo nove, que tratou das primícias de Aarão e seus
filhos, se encerrasse o assunto. Não é bem assim porém, pois ocorreu um
acidente fatal com Nadab e Abiú (Lv 10,1-7), antes do consumo das partes das
oferendas que eram dos sacerdotes (Lv 10,12-15), completando os Sacrifícios
então oferecidos, e a narrativa do fato faz com que se dê às perícopes do
capítulo dez títulos com significações distintas do tema ali desenvolvido, como
se tratasse de um acréscimo às normas que deveriam seguir os Sacerdotes.
Porém, o que se narra nele e a seguir faz parte do tema do capitulo nove
anterior, que não exauriu o assunto. Isso é muito comum em Bíblia, devendo
sempre se lembrar que os títulos, subtítulos, capítulos e versículos não fazem
parte dela, nem foram inspirados nem revelados, são divisões feitas conforme
a visão de quem as dispôs para facilitar a localização.

Por causa do episódio de Nadab e Abiú aparecem, fora de lugar, normas


rituais novas e repetidas, destacando-se como centro nevrálgico a Santidade
plena do Sacerdócio ao exercer a celebração do Sacrifício, necessária "porque
está sobre vós o óleo da unção do Senhor" (Lv 10,7), bem como "para fazer
separação entre o santo e o profano, e entre o imundo e o limpo, e ensinar aos
filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem dado por intermédio
de Moisés" (Lv 10,10-11). Ao que tudo indica Nadab e Abiú quiseram queimar a
Oblação da Investidura Sacerdotal e o incenso que a acompanhava, com um
fogo que não o sagrado e não como estabelecido (Lv 6,14-18 / Lv 9,4b), "um
fogo estranho perante o Senhor, o que ele não lhes ordenara". Por causa
disso foram atingidos e fulminados por um fogo tão violento que "os devorou e
morreram diante do Senhor" (Lv 10,2), o que se tomou como um "castigo de
Iahweh", em virtude de não se conduzirem com a dignidade sacerdotal
necessária. Não pode ser outro motivo por que Moisés recorda e alerta Aarão
das palavras de Iahweh de que "serei santificado naqueles que se chegarem a
mim, e serei glorificado diante de todo o povo" (cfr. Ex 19,22). Também, ainda
em conseqüência do acontecido, Iahweh proíbe o uso de vinho ou de bebidas
inebriantes no ofício religioso, exigindo coerência de conduta e comportamento
no modo de se conduzirem os Sacerdotes ("serei santificado...serei
glorificado...não somente para separar o santo e o profano ... mas
também para ensinar..."):

"Falou também o Senhor a Aarão, dizendo: Não bebereis vinho


nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando
entrardes na Tenda da Reunião, para que não morrais; estatuto
perpétuo será isso pelas vossas gerações, não somente para
fazer separação entre o santo e o profano, e entre o imundo e o
limpo, mas também para ensinar aos filhos de Israel todos os
estatutos que o Senhor lhes tem dado por intermédio de
Moisés" (Lv 10,8-11).

Essa interdição direta de Iahweh a Aarão e seus filhos do "vinho ou bebida


forte", quando da celebração sacerdotal, em conseqüência, impõe-se como
norma disciplinar, evitando-se possível embriaguez durante o ministério
religioso, não apenas por uma questão de Santidade e Pureza pessoais, mas
como condição necessária para o ensino religioso a partir do exemplo e
mantida a sobriedade ou lucidez da mente. Assim, após a punição, várias
observâncias são mencionadas a começar pela retirada para fora do Santuário
e do acampamento dos cadáveres, "com as suas vestes", por estarem
contaminadas pela impureza dos corpos (Lv 10,4-5). É vedado a Aarão e seus
filhos manifestar sua dor, numa antecipação do modo dos Sacerdotes se
comportarem no luto (Lv 10,6-7 / Lv 21,1-6.10-12) e impedindo-os de o fazerem
então, para não transparecer qualquer reprovação à punição imposta por
Iahweh e para infundir o respeito aos formalismos rituais pelos Sacerdotes, os
quais devem ser muito mais responsáveis que os demais membros da
comunidade:

"Disse Moisés a Aarão: Isto é o que o Senhor falou, dizendo:


Serei santificado naqueles que se chegarem a mim, e serei
glorificado diante de todo o povo. Aarão calou-se" (Lv 10,3).

Com estas palavras Aarão se cala e Moisés passa a insistir nas instruções
relativas ao consumo das Oferendas advindas da Investidura Sacerdotal, aos
filhos de Aarão remanescentes, em virtude do justificado temor que se
apossou deles pelo acontecido, reafirmando-as e encorajando-os, apesar do
golpe profundo que receberam. O resto da Oblação queimada (Lv 9,4b / Lv
6,14-18 / Lv 10,12-13) seria comida pelo celebrante e familiares "sem fermento
junto ao Altar, pois é coisa Santíssima"; e, no que se refere ao peito e à perna
do Sacrifício Pacífico (Lv 9,21 / Lv 7,30-34 / Lv 10,14-15) a que tinham direito
junto com seus familiares, deveriam ser comidos em lugar puro, sem
profanação com a impureza legal, limpo por assim dizer conforme as normas
de então. O temor de Aarão e seus Filhos faz com que viessem a evitar até
mesmo de comer a parte que lhes cabia no Sacrifício Pelo Pecado do bode
(Lv 9,15 / Lv 6,24-30 / Lv 10,16-18), em vista do estado emotivo em que se
encontravam por causa do acontecido, assim explicado a Moisés que
compreendeu e aprovou:

"Então disse Aarão a Moisés: Eis que hoje ofereceram a sua


oferta pelo pecado e o seu holocausto perante o Senhor, e tais
coisas me aconteceram; se eu tivesse comido ('triste como
estou') hoje a oferta pelo pecado porventura teria sido isso
coisa agradável aos olhos do Senhor? Ouvindo Moisés isto,
pareceu-lhe razoável" (Lv 10,19-20).

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13. A PUREZA LEGAL

Terminada a cerimônia da Investidura Sacerdotal tem início a apresentação


das condições de Pureza Legal para aproximar-se de Iahweh, principalmente
para a participação nos Sacrifícios, seja como Vítima, seja como Ofertante e
seja como Celebrante, destacando-se uma classificação de animais em
"puros e impuros", cuja observância far-se-á até mesmo nas refeições
cotidianas:

"(1) Falou o Senhor a Moisés e a Aarão, dizendo-lhes: Dizei aos


filhos de Israel: Estes são os animais que podereis comer
dentre todos os animais que há sobre a terra ...(...)... Os
seguintes, contudo, não comereis...(...)... (8) Da sua carne não
comereis, nem tocareis nos seus cadáveres; esses vos serão
imundos ...(...)... (44) Porque eu sou o Senhor vosso Deus;
portanto santificai-vos, e sede santos, porque eu sou
santo; e não vos contaminareis ...(...)... porque eu sou o
Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para ser o
vosso Deus, sereis pois santos, porque eu sou santo.
Esta é a lei sobre os animais e as aves, e sobre toda criatura
vivente que se move nas águas e toda criatura que se arrasta
sobre a terra; para fazer separação entre o imundo e o
limpo, e entre animais que se podem comer e os animais
que não se podem comer" (Lv 11,1-4.8.44-47).

Cabe observar que, ao contrário do que possa parecer, são cuidados a serem
observados pelos Israelitas para se conseguir a santidade necessária para a
participação nos Sacrifícios, só se aproximando de Iahweh aquele que fosse
santo:

"Porque eu sou o Senhor vosso Deus; portanto santificai-vos,


e sede santos, porque eu sou santo ...(...)... eu sou o
Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para ser o vosso
Deus, sereis pois santos, porque eu sou santo" (Lv 11,44-
46).
"Esta é a lei sobre os animais e as aves ...(...)... para fazer separação entre o
imundo e o limpo, e entre animais que se podem comer e os animais que
não se podem comer" - apesar dessas palavras não se pode concluir que se
trate de normas de higiene e limpeza físicas propriamente ditas, tais como são
concebidas atualmente. Coerentemente com toda a estrutura já montada, o
Israelita mantém-se fiel a Iahweh em torno do compromisso assumido na
Aliança a que se incluiu a Missão de Israel:

"...e eu os exterminar, não adorarás os seus deuses, nem


lhes prestarás culto, imitando seus costumes. Ao
contrário derrubarás e quebrarás as suas colunas.
Servireis ao Senhor vosso Deus, e ele abençoará teu pão e
tua água, e afastará do teu meio as enfermidades. (...) Não
farás aliança com eles nem com seus deuses. ...te fariam pecar
contra mim: Servirias aos seus deuses, e isso seria uma
armadilha para ti" (Ex 23,23-33).

Esta Missão de Israel é várias vezes ratificada (cfr. Ex 34,13; Lv 18,3.24-30; Nm


33,52; Dt 7,5; 12,3.29-31) e foi ela que serviu de orientação ao legislador para a
elaboração das leis atinentes ao "puro e impuro", donde se conclui que se
evitou principalmente as práticas dos pagãos que os rodeavam seja nos vários
sacrifícios seja na alimentação cotidiana (Os 9,3; Ez 4,13; Tb 1,10-12; Dn 1,8-12;
Jdt 12,2-4; Lv 18,2-5). Israel deveria se distinguir de outros povos pela
conformação de sua conduta e de seu comportamento com a vontade de
Iahweh, que não aceita de forma nenhuma a "impureza" (Dt 23,13-15), o que o
leva a se "santificar (em hebraico = 'separar')" e a todos os objetos ou seres
que o rodeiam para poder assim apresentá-los e a si mesmo perante Deus (Ex
19,6.10.22; Lv 11,44s; 19,2; 20,7; 21,1-8; 22,1-9.31-33; Nm 31,19-24). Por causa
dessa "impureza" que a Iahweh repugna, a Missão de Israel era destruir os
altares e santuários pagãos (Dt 7,5.25). Tal repugnância vai crescer
sobremaneira até que vedar-se-á qualquer contato com eles (Jo 18,28; At 10,28;
11,3). Vê-se facilmente que essa "pureza" se relaciona com o homem como um
todo carnal e não se limita a uma higiene física nem se identifica apenas com
norma moral nem com a castidade. Tem referências exclusivamente com o
religioso, nas suas relações com Iahweh e a Aliança, proveniente do interior e
não se restringe ao exterior do Homem apenas, apesar de só a ele se referir:

"Advertireis os filhos de Israel da sua impureza, para que não


morram por causa dela, contaminando o minha Habitação que
está no meio deles" (Lv 15,31).

Então retirar a "impureza" é santificar-se e a "pureza" é a condição que torna


apto a aproximar-se de Iahweh e não contaminando o Santuário. Por outro
lado, é interessante observar que se tivesse sido instituída por motivos de
higiene física ou de moral ou de castidade, não teria sido abolida ou
modificada pelo Cristianismo:

"Respondeu-lhes ele: Assim também vós estais sem entender?


Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não
o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no
ventre, e é lançado fora? Assim declarou puros todos os
alimentos" (Mc 7,18-19)

"...subiu Pedro ao eirado para orar, cerca de hora sexta. E


tendo fome, quis comer; mas enquanto lhe preparavam a
comida, sobreveio-lhe um êxtase, e via o céu aberto e um
objeto descendo, como se fosse um grande lençol, sendo
baixado pelas quatro pontas sobre a terra, no qual havia de
todos os quadrúpedes e répteis da terra e aves do céu. E uma
voz lhe disse: Levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro
respondeu: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi
coisa alguma profana e imunda. Pela segunda vez lhe falou a
voz: Não chames tu profano ao que Deus purificou.
Sucedeu isto por três vezes; e logo foi o objeto recolhido ao
céu" (At 10,9-16).

Assim é que, perde-se a "pureza legal" até mesmo por um simples contato,
principalmente com cadáveres (Lv 11,24-28.29-38.39-40) e a sua recuperação
não se dá pela prática de atos virtuosos ou morais ou de higiene, podendo-se
destacar várias maneiras de se adquirir novamente a Santidade:

1) Pelo desaparecimento da "impureza" por si mesma e no decurso do


tempo:

"Também por eles vos tornareis imundos; qualquer que


tocar nos seus cadáveres, será imundo até a tarde, e
quem levar qualquer parte dos seus cadáveres, lavará as
suas vestes, e será imundo até a tarde" (Lv 11,24-25).

2) Pela ablução do corpo ou das vestes:

"Disse mais o Senhor a Moisés: Vai ao povo, e santifica-os


hoje e amanhã; lavem eles os seus vestidos (...) Então
Moisés desceu do monte ao povo, e santificou o povo; e
lavaram os seus vestidos" (Ex 19.10.14)

"E todo homem, quer natural quer estrangeiro, que


comer do que morre por si ou do que é dilacerado por
feras, lavará as suas vestes, e se banhará em água, e
será imundo até a tarde; depois será limpo. Mas, se não
as lavar, nem banhar o seu corpo, levará sobre si a sua
iniquidade" (Lv 17,15-16).

3) Pelo Holocausto e pelo Sacrifício Expiatório ou Pelo Pecado:

"E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação,


seja por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano
para holocausto, e um pombinho ou uma rola para oferta
pelo pecado, à porta da tenda da reunião, ao sacerdote, o
qual o oferecerá perante o Senhor, e fará expiação por
ela; então ela será limpa do fluxo do seu sangue. Esta é a
lei da que der à luz menino ou menina" (Lv 12,6-7).

4) No Grande Dia da Expiação e, durante essa festa, pelo "Bode


Expiatório ou Emissário":

"Disse, pois, o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão ...


(...)... da congregação dos filhos de Israel tomará dois
bodes para oferta pelo pecado e um carneiro para
holocausto ...(...)... assim fará expiação pelo santuário;
também fará expiação pela tenda da reunião e pelo altar;
igualmente fará expiação e pelos sacerdotes e por todo o
povo da congregação. Isto vos será por estatuto
perpétuo, para fazer expiação uma vez no ano pelos
filhos de Israel por causa de todos os seus pecados. E fez
Aarão como o Senhor ordenara a Moisés" (Lv 16,1-34, só
as partes inicial e final pois será objeto de estudo).

O valor fundamental dessa Instituição da Pureza Legal foi o de evidenciar a


fidelidade à Aliança (Lv 11,44-45) entregando-se ao martírio vários fiéis para
não desrespeitá-la nem profaná-la (2Mc 6,18-31; 7,1-42). Concorreu para se
caracterizar e se firmar paulatinamente o monoteísmo e manter firme o Povo
de Deus na obediência a Iahweh e no caminho da renúncia de si mesmo como
base para uma moralidade que irá se "cumprir" na perfeição da disciplina
cristã, que condenará o formalismo a que se reduziu (Mt 15,2; 23,24-25). Não
há necessidade de se delinear todos os animais puros e impuros, e todos os
casos em que se contrai a "impureza" ou se perde a "pureza", dada a
facilidade com que vêm narrados, bastando um estudo atencioso da narrativa
(Lv 11-15).
13.1 A Pureza Legal e a Mulher

Quando se narrou as conseqüências do Dilúvio foi dito que ao tempo


acreditava-se que ao se frustrar a menstruação da mulher era concebido o
nascituro, entendendo-se que o sangue materno coagulava-se ao
desaparecer, em virtude da mescla com o esperma, gerando-se o feto (Jó
10,10; Sb 7,2; Lv 17,11):

"No seio de minha mãe, no espaço de dez meses em carne fui


formado do sangue coagulado, por força do sêmen viril
e do prazer que acompanha o sono" (Sb 7,1-2)

"Não me verteste como leite e me coalhaste como queijo?"


(Jó 10,10).

Por outro lado, é de se recordar o que Deus disse à mulher, quando do


Pecado Original:

"...Multiplicarei o teu sofrimento na tua gravidez; em dor darás


à luz filhos..." (Gn 3,16).

Já Adão recebe, além das conseqüências pessoais e as da natureza, aquelas


que penalizavam o seu trabalho pessoal, tendo sido amaldiçoada a terra (Gn
3,17-19), percebendo-se facilmente que Eva foi mais responsabilizada pelo
acontecido (Gn 3,6.12.13.16). Além da maior culpa pelo Pecado Original, é
identificada com a geração da vida, tendo até recebido de Adão o nome de
"Eva, a mãe de todos os viventes" (Gn 3,20). Além disso, as palavras "...darás
à luz filhos entre dores..." caracterizam que o parto já era de sua constituição
física, acontecendo que o seu "sofrimento foi-lhe multiplicado" (Gn 3,16).
Ocorrem também nela, tanto na menstruação, como quando dá à luz, duas
efusões do sangue em decorrência dessa geração de vida, sangue que é alvo
de profundo sentido religioso (Lv 17,11). Juntando-se tudo isto com a
concepção de que "a vida da carne está no sangue" e que "...a carne com sua
vida, isto é, com seu sangue, não comereis" (Gn 9,4), estabelece-se um
profundo respeito e veneração por ele, por estar vinculado inseparavelmente
com a vida:

"Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo


tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas
vossas almas; porquanto é o sangue que expia em virtude
da vida. Portanto tenho dito aos filhos de Israel: Nenhum de
vós comerá sangue; nem o estrangeiro que peregrina entre
vós comerá sangue. Também, qualquer homem dos filhos de
Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que
apanhar caça de fera ou de ave que se pode comer,
derramará o sangue dela e o cobrirá com terra. Pois, a
vida de toda a carne está no seu sangue; por isso eu disse
aos filhos de Israel: Não comereis o sangue de nenhuma
carne, porque a vida de toda a carne é o seu sangue;
qualquer que o comer será extirpado" (Lv 17,11-14).

O trecho fala por si, correndo-se o risco de atrapalhar o entendimento claro


com qualquer tentativa de explicação, cabendo apenas frisar a noção então
bastante difundida do sangue "expiar em virtude da vida", fazendo acreditar
que por cada uma de suas efusões se exigisse um restabelecimento de
vitalidade que teria sido perdida em conseqüência: assim aconteceria no
Parto, assim aconteceria na Menstruação. Pode-se concluir que o Israelita de
então via tanto a menstruação como o parto da mulher como fontes de vida,
donde o respeito e verdadeira veneração religiosa por esses estados físicos. E
é esse o ponto central da posição da mulher na vida social, familiar e moral de
então. Por isso a mulher desempenhava uma função de grande projeção na
vida religiosa do Povo dos Filhos de Israel donde a existência de alguns
capítulos especiais que tratam da "impureza" dela tanto quando da
menstruação (Lv 15,19-30) como quando do parto (Lv 12,1-8). Nunca se deve
perder de vista que a "impureza" não é tal qual se entende atualmente no
tocante à higiene, com se fora uma "sujeira", mas se resumia na
impossibilidade de comparecimento ao Santuário, bem como para qualquer
ofício religioso, aqui por causa do sangue por ela perdido, "sangue que foi a
vida que gerou", no parto ou "em vias de gerar", na menstruação. Tanto é
assim que a oferenda no Holocausto e no Sacrifício de Expiação, no parto,
busca restituir-lhe a "pureza do fluxo do seu sangue", não se tratando de
perdão de qualquer falta como nos rituais típicos (Lv 5, 10.13.16-19.25-26), eis
que o narrador é explícito ao dizer que ela "será limpa do fluxo do seu
sangue" e não que ela "será perdoada do fluxo do seu sangue":

"E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação, seja


por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano para
holocausto, e um pombinho ou uma rola para oferta pelo
pecado, à porta da tenda da revelação, ao sacerdote, o qual o
oferecerá perante o Senhor, e fará expiação por ela; então
ela será limpa do fluxo do seu sangue. Esta é a lei da que
der à luz menino ou menina. Mas, se as suas posses não
bastarem para um cordeiro, então tomará duas rolas, ou dois
pombinhos: um para o holocausto e outro para a oferta pelo
pecado; assim o sacerdote fará expiação por ela, e ela
será limpa" (Lv 12,6-8).

Cabe levar em conta também que o respeito pelo sangue que devotava o
Israelita, vem manifestado de várias formas destacando-se algumas dentre
elas:

1. É proibido na alimentação sob pena grave de exclusão do meio social


(Gn 9,3-4; Lv 7,26-27; 17,10-12; Dt 12,16.23; 15,23; 1Sm 14,32-35).
2. É "escorrido no chão e coberto com terra", "como água" (Lv 17,13; Dt
12,24).
3. É derramado em torno do Altar em oferenda a Iahweh (Lv 1,5.11.15; caps.
3-5).
4. Nas Alianças de Sangue, estabelece laço vital (Gn 15,10-12; Ex 24,4-8;
Hb 9,18-21).
5. Proteção (Ex 12,7.23.27).
6. Era usado para aspergir o Altar (Ex 29,16; Lv 3,2); o Sumo Sacerdote (Ex
29,21); o véu do Templo (Lv 4,6); para "untar / ungir" ('limpar') os chifres
dos Altares" (Lv 4,7.18; 8,15).
7. O sangue do Sacrifício purifica (Lv 14,6-7.14; Nm 19,4); expia (Lv 16; Lv
17; Lv 18); santifica (Ex 29,30-31).

Com ele se consagra (Ex 29,20-21; Lv 8,23-24.30; Ez 43,20).

Assim, com tal respeito pelo Sangue animal, o Israelita não poderia deixar de
tratar com maior veneração ainda o Sangue da Mulher, "a mãe de todos os
viventes" (Gn 3,20). E, conclui, de maneira imediata, que ocorre a morte
quando o sangue se esvai e que de sua vida é que exala o vapor naturalmente
quente quando escorre. Assim, como "o sangue expia enquanto é vida" (Lv
17,11) e em cada parto ocorre uma geração, há uma perda de vitalidade da
mulher, eis que logicamente se então "perdeu sangue, perdeu vida". Necessita
ela então de mais tempo para a recuperação de sua integridade vital e, então
"purificada do fluxo do seu sangue" (Lv 12,7), comparecer perante Iahweh
legalmente Santificada. Ocorre a necessidade de mais tempo também quando
o nascituro é do sexo feminino, outra "mãe de viventes", outra "geradora de
vida pelo fluxo do sangue" (Lv 12,5-6), influindo também nesse critério a maior
responsabilidade da Mulher pelo desate do Pecado Original.

Já no caso do Homem, e do Homem e da Mulher no relacionamento sexual,


em virtude de emissão seminal normal, a impureza de ambos desaparece pelo
decurso do tempo "até a tarde" (Lv 15,16-17), e da mesma forma a Mulher na
menstruação demandará o decurso do tempo de sete dias (Lv 15,19), pelos
mesmos motivos já delineados no caso de parto. Exigem o Holocausto e o
Sacrifício Expiatório os casos de emissão seminal ou de sangue quando
enfermos pelo que, ao oitavo dia após os sete dias de purificação, buscarão a
intervenção do Sacerdote para a purificação sacrificial (Lv 15,13-15.28-30). De
qualquer maneira o aspecto da reprodução humana no que se refere ao
genital e suas manifestações é objeto de instituição especial no tocante à
Santidade exigida para o Povo de Deus:
"Assim separareis os filhos de Israel da sua impureza, para que
não morram por causa delas, contaminando o meu
tabernáculo, que está no meio deles. Esta é a lei daquele que
tem o fluxo e daquele de quem sai o sêmen, de modo que por
eles se torna impuro; como também da mulher enferma com a
sua impureza e daquele que tem o fluxo, tanto do homem
como da mulher, e do homem que se deita com mulher
impura" (Lv 15,31-33).

Maria, fiel cumpridora dos compromissos religiosos, após os sete dias de sua
purificação, no oitavo dia, quando da circuncisão de Jesus, cumpre este
preceito junto com a "consagração de 'seu filho primogênito'" (Ex 13,1.11 / Lc
2,7), com a oferta de pobre que era e como exigia a lei (Lv 12,8):

"Terminados os dias da purificação, segundo a lei de Moisés,


levaram-no a Jerusalém, para apresentá-lo ao Senhor, como
está escrito na Lei do Senhor: 'Todo primogênito será
consagrado ao Senhor', e para oferecerem um sacrifício
segundo o disposto na lei do Senhor: 'um par de rolas, ou
dois pombinhos'" (Lc 2,22-24).

Ainda no Evangelho há, a cura que Cristo operou da hemorroíssa:

"E eis que certa mulher, que havia doze anos padecia de
fluxo de sangue, chegou por detrás dele e tocou-lhe a orla do
manto; porque dizia consigo: Se eu tão somente tocar-lhe o
manto, ficarei curada. Mas Jesus, voltando-se e vendo-a, disse:
Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E desde aquela hora a
mulher ficou curada" (Mt 9,20-22).

Por estar assim profundamente vinculado indestacavelmente à vida é que


ingerindo o Sangue de Cristo na Ceia Eucarística, ingerimos a Sua Vida, tal
como anunciara:

"Disse-lhes Jesus: ...(...)... Quem come a minha carne e


bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o
ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne
verdadeiramente é comida, e o meu sangue
verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e
bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim
como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim,
quem de mim se alimenta, também viverá por mim" (Jo 6,53-
57).
"...eu vim para que tenham vida e a tenham em
plenitude" (Jo 10,10).

13.2 A Pureza Legal e a Lepra

A Bíblia, escrita sob a Inspiração do Espírito Santo, tem nEle um só e único


Autor, pelo que mantém entre os livros que a compõem uma coerência
inflexível. Assim entendido, quando se esbarra com algo inexplicável, é de se
procurar em outras de suas partes o esclarecimento necessário. É o caso da
Lepra aqui narrada, que tanto pavor instilava antigamente, observando-se
inicialmente que não se narra em lugar nenhum os sintomas mais drásticos e
conhecidos da falta de sensibilidade em locais do corpo bem como de
decomposição e deformação de extremidades. Além disso, pelos vários
sintomas descritos (Lv 13 e Lv 14), evidencia-se que não se deve tratar de uma
mesma doença, bastando a menção de sintomas de úlceras, feridas e
manchas de pele, até mesmo de Lepra de Casas (Lv 14,33-53) e de Vestes (Lv
13,47-59) para confirmar esta afirmação. Além disso, sabendo-se que a lepra
propriamente dita era incurável naquele tempo, não deixa de ser contraditório
um ritual para o caso de sua cura. Acontece, porém, que, conforme afirmado,
vê-se em vários outros trechos da Escritura a mesma denominação
aparecendo como sendo fruto de "um castigo de Iahweh" e com os mais
variados nomes:

"Então disse o Senhor a Moisés e a Aarão: Tomai mancheias de


cinza do forno, e Moisés a espalhe para o céu diante dos olhos
de Faraó; (...) e ela se tornou em tumores que arrebentavam
em úlceras nos homens e no gado" (Ex 9-10).

"Assim se acendeu a ira do Senhor contra eles; e ele se retirou;


também a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã
se tornara leprosa, branca como a neve; e olhou Aarão para
Miriã e eis que estava leprosa. (...) Clamou, pois, Moisés ao
Senhor, dizendo: Ó Deus, rogo-te que a cures" (Nm 12,9-13)

"O Senhor te ferirá com as úlceras do Egito, com tumores,


com sarna e com coceira, de que não possas curar-te (...)
Com úlceras malignas, de que não possas sarar, o Senhor te
ferirá nos joelhos e nas pernas, sim, desde a planta do pé até o
alto da cabeça" (Dt 28,27.35).

"Tendo o rei de Israel lido a carta, rasgou as suas vestes, e


disse: Sou eu Deus, que possa matar e vivificar, para que este
envie a mim um homem a fim de que eu o cure da sua lepra?
(...) Desceu ele, pois, e mergulhou-se no Jordão sete vezes,
conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-
se como a carne dum menino, e ficou purificado" (2Rs 5,7-14).

"...e se opuseram ao rei Uzias, dizendo-lhe: A ti, Uzias, não


compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos
sacerdotes, filhos de Aarão, que foram consagrados para
queimarem incenso. (...) Então Uzias se indignou; e tinha na
mão um incensário para queimar incenso. Indignando-se ele,
pois, contra os sacerdotes, nasceu-lhe a lepra na testa,
perante os sacerdotes, na casa do Senhor, junto ao altar do
incenso. (...) pois Iahweh o ferira. Assim ficou leproso o rei
Uzias até o dia da sua morte..." (2Cr 26,18-23 / 2Rs 15,5).

O que se constata de tudo isto é que tanto a lepra propriamente dita era
incurável como o exame das feridas, úlceras, manchas na pele, mofo e bolor
nas casas e nas vestes etc., conhecidos também pelo mesmo nome de lepra,
se destinavam a localizá-la no início, isolando-se o portador do contato
"impuro" com o Santuário e com os demais membros da comunidade Israelita,
por causa da sua "impureza", até que fosse curado e voltasse ao convívio.
Dois fatores se destacam: Primeiro, não se buscava o doente para curá-lo,
mas para isolá-lo; e, segundo, localizado, se não se constatou ter sido
contaminado, ou se foi curado, após o exame pelo Sacerdote, um ritual todo
especial o reintegrava na comunidade. O fato é que a lepra propriamente dita
era um sinal de castigo divino tal como transcrito pelo que tudo era feito para
se evitar a presença do impuro no Santuário ou qualquer ofício religioso, na
mesma perspectiva já encontrada anteriormente em todos os casos. O ritual
de sua reintegração era muito mais solene que os demais dada a seriedade
das conseqüências da presença do mal e dos meios usados para se evitar o
contágio da impureza. Tanto é assim que o primeiro ato do Sacerdote em
qualquer caso é o isolamento do chagado, somente o reintegrando após a
verificação da inexistência do mal.

Jesus em todas as oportunidades em que curou leprosos ou os purificou


("limpou") determinou o comparecimento deles para exame do Sacerdote para
o retorno deles ao convívio:

"Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o


seguiram. E eis que veio um leproso e o adorava, dizendo:
Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. Jesus, pois,
estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. No
mesmo instante ficou purificado da sua lepra. Disse-lhe então
Jesus: Olha, não contes isto a ninguém; mas vai, mostra-te ao
sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou,
para lhes servir de testemunho" (Mt 8,1-4 / Lc 5,12-14; cfr. tb.
Lc 17,11-19).

A purificação de leprosos é um dos sinais Messiânicos, mencionado por Jesus,


e um dos poderes que deu na Missão Apostólica, ambos narrados por Mateus,
respectivamente:

"Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis e


vedes: os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são
purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados,
e aos pobres é anunciado o evangelho" (Mt 11,4-5).

"A estes doze enviou Jesus, e ordenou-lhes, dizendo: Não ireis


aos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide
antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; e indo, pregai,
dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos,
ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os
demônios; de graça recebestes, de graça daí" (Mt 10,5-8).

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LEVÍTICO
O CÓDIGO DE SANTIDADE
14. O DIA DA EXPIAÇÃO
Encerrando a primeira parte do Livro de Levítico, conhecido como Código
Sacerdotal, é apresentado em seguida um ritual por excelência. É o mais
importante, solene e de profundas significações nacionais e religiosas dos
Israelitas, celebrado uma vez por ano. Esse dia era tão importante que se
tornou conhecido simplesmente por "O Dia" ou "O Jejum" (At 27,9). Nele toda
a nação Israelita era purificada de todas as suas faltas, que assim se tornava
Santa (Ex 19,6), "propícia a Iahweh", tal com fora "separada" de outros povos
(Dt 7,6). Santificação que começava pela purificação dos Sacerdotes, de todo
o Santuário com as suas partes, completando-se com a de toda a comunidade
(Lv 16,1-3).

Para que não suceda com outro o mesmo acontecido com os filhos de Aarão
Nadab e Abiú, que desrespeitaram o Santuário, Moisés instrui Aarão "que não
entre em todo tempo no Santuário, para dentro do véu, diante do propiciatório
que está sobre a arca, para que não morra...", eis que o Propiciatório é o lugar
onde Iahweh se manifestava e de onde "falava com Moisés" (Ex 25,22; Lv
16,2; Nm 7,89). Uma vez por ano, Aarão, ou o Sacerdote em função, não
usando os paramentos pomposos, completos e habituais do cerimonial ou dos
Sacrifícios (Ex 29,5-6 / Lv 8,7-9), mas, uma simples túnica, com as calças
sobre a carne nua, cingido com um cinto e a mitra, todos de linho, na sua cor
branca da pureza pretendida, e vestido com a humildade de um penitente em
busca de perdão, entrará no Santuário, "para dentro do véu" (Lv 16,4):

"Aarão entrará no Santuário com um novilho para oferta pelo


pecado e um carneiro para holocausto" (Lv 16,3).

Inicialmente a cerimônia parte para a purificação dos Sacerdotes, eis que "só
quem é puro pode interceder para a purificação", com a oferenda do novilho
pelo pecado, "por si e por sua casa" (os demais Sacerdotes), conforme ritual
bem determinado:

"Aarão, pois, apresentará o novilho da oferta pelo pecado, que


é por ele, e fará expiação por si e pela sua casa; e imolará o
novilho que é a sua oferta pelo pecado. Então tomará um
incensário cheio de brasas de fogo de sobre o altar, diante de
Iahweh, e dois punhados de incenso aromático bem moído, e
os trará para dentro do véu; e porá o incenso sobre o fogo
perante Iahweh, a fim de que a nuvem do incenso cubra o
propiciatório, que está sobre o testemunho, para que não
morra. Tomará do sangue do novilho, e o espargirá com o dedo
sobre o propiciatório ao lado oriental; e perante o propiciatório
espargirá do sangue sete vezes com o dedo" (Lv 16,11-14).

Após isso, com a nuvem de incenso impedindo o celebrante de ver "a Glória
de Iahweh", "para que não morra" (Lv 16,13), no Propiciatório sobre a Arca
disposta no Santo dos Santos (Lv 16,2 / Ex 25,22), espargindo o Sangue sobre
o Propiciatório, purifica a si mesmo e a sua casa (os demais Sacerdotes).
Assim purificados os Sacerdotes, penetra o Celebrante no Santo dos Santos e
passa a oferecer a expiação para a expiação de todas as faltas cometidas por
todo o Povo, para a Purificação e Santificação respectivamente pelo Santuário,
pela Tenda da Reunião e pelo Altar, imolando um dos bodes escolhido por
sorte (Lv 16,8):

"Depois imolará o bode da oferta pelo pecado pelo povo, e


trará o sangue do bode para dentro do véu; e fará com ele
como fez com o sangue do novilho, espargindo-o sobre o
propiciatório, e perante o propiciatório; e fará expiação pelo
santuário por causa das impurezas dos filhos de Israel e das
suas transgressões, de todos os seus pecados. Assim também
fará pela tenda da reunião, que permanece com eles no meio
das suas impurezas. Nenhum homem estará na tenda da
reunião quando Aarão entrar para fazer expiação no santuário,
até ele sair, depois de ter feito expiação por si mesmo, e pela
sua casa, e por toda a comunidade de Israel. Então sairá ao
altar, que está perante o Senhor, e fará expiação pelo altar;
tomará do sangue do novilho, e do sangue do bode, e o porá
sobre os chifres do altar ao redor. E do sangue espargirá com o
dedo sete vezes sobre o altar, purificando-o e santificando-o
das impurezas dos filhos de Israel" (Lv 16,15-19).

Atingido então o ponto culminante da cerimônia com o desempenho da


Purificação e Expiação no Santo dos Santos, procederá a Santificação e a
Purificação plenas simbolizadas com o ritual do "bode emissário" que levará
para "uma região solitária" todos os pecados do Povo dos Filhos de Israel,
libertando-os deles, significando com isso a exclusão de todas as iniqüidades
que impedia que Iahweh lhes fosse "propício":

"Quando Aarão houver acabado de fazer expiação pelo


santuário, pela tenda da reunião, e pelo altar, apresentará o
bode vivo; e, pondo as mãos sobre a cabeça do bode vivo,
confessará sobre ele todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e
todas as suas transgressões, de todos os seus pecados; e os
porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á para o deserto, pela
mão de um homem designado para isso. Assim aquele bode
levará sobre si todas as iniqüidades deles para uma região
solitária; e esse homem soltará o bode no deserto" (Lv 16,20-22).

Então Aarão lavar-se-á e vestirá a roupa que lhe foi destinada ao ser
consagrado (Ex 29 / Lv 8) e de posse dos dois carneiros, um levado por ele
mesmo (Lv 16,3) e o outro que lhe fora entregue pela comunidade (Lv 16,5),
oferecê-los-á em Holocausto. Isso feito, virá o desfecho definitivo com o
retorno aos paramentos quotidianos, agora, porém, Purificados e Santificados
pela Expiação "por si e pelo povo" e após "queimar sobre o altar a gordura da
oferta pelo pecado", assim levada a efeito:

"Depois Aarão entrará na tenda da reunião, e despirá as vestes


de linho, que havia vestido quando entrara no santuário, e ali
as deixará. E banhará o seu corpo em água num lugar santo, e
vestirá as suas próprias vestes; então sairá e oferecerá o seu
holocausto, e o holocausto do povo, e fará expiação por si e
pelo povo. Também queimará sobre o altar a gordura da oferta
pelo pecado" (Lv 16,23-25).

A seguir as abluções tanto do que levar o bode para o deserto como do que
queimar o que restar do novilho e do bode das ofertas pelo pecado, para
conseguir a purificação necessária para entrar no acampamento. Com isso se
evitam tanto a contaminação das oferendas santíssimas que conduziram como
qualquer contato delas com o "impuro" ou profano. Termina o cerimonial com
um repouso de sábado quando "afligireis as vossas almas" (ou seja,
"jejuareis"), qual seja "nesse dia não fareis trabalho algum", por
arrependimento e por penitência, manifestando o sentimento interior, moral e
religioso da festa, motivo porque era conhecida também por "Jejum" ou "Dia"
(At 27,9):

"E aquele que tiver soltado o bode para Azazel lavará as suas
vestes, e banhará o seu corpo em água, e depois entrará no
acampamento. Mas o novilho da oferta pelo pecado e o bode
da oferta pelo pecado, cujo sangue foi trazido para fazer
expiação no santuário, serão levados para fora do
acampamento; e queimar-lhes-ão no fogo as peles, a carne e o
excremento. Aquele que os queimar lavará as suas vestes,
banhará o seu corpo em água, e depois entrará no
acampamento. Também isto vos será por estatuto perpétuo: no
sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e não
fareis trabalho algum, nem o natural nem o estrangeiro que
peregrina entre vós; porque nesse dia se fará expiação por vós,
para purificar-vos; de todos os vossos pecados sereis
purificados perante Iahweh. Será sábado de repouso solene
para vós, e afligireis as vossas almas; é estatuto perpétuo" (Lv
16,26-31).

Em resumo, nessa solenidade, no Dia da Expiação (Lv 16,31), o Sacerdote


Israelita, no décimo dia do mês 'tchri' (Lv 16,29-30), atravessará o véu e
entrará no Santo dos Santos (Ex 26,31-33, v. tb. o n.° 2 do Capítulo 4), para a
cerimônia do Perdão dos Pecados cometidos por toda a Nação:

"E o sacerdote ungido e sagrado para administrar o


sacerdócio no lugar de seu pai, fará a expiação, havendo
vestido as vestes de linho, isto é, as vestes sagradas; assim
fará expiação pelo santuário; também fará expiação pela tenda
da reunião e pelo altar; igualmente fará expiação pelos
sacerdotes e por todo o povo da comunidade. Isto será para
vós lei perpétua, para fazer expiação uma vez no ano
pelos filhos de Israel por causa de todos os seus
pecados..." (Lv 16,32-34).

É com aquela "vítima", que recebeu o nome de "bode emissário ou bode


expiatório", que se pode identificar Jesus ao iniciar o seu Ministério de
Redenção:

"Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para
ser batizado por ele. ...(...)... Batizado que foi Jesus, saiu logo
da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito
Santo de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele...
(Mt 3,13-17) / "Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao
deserto, para ser tentado pelo Diabo..." (Mt 4,1-11).

Esta passagem de Jesus faz pensar na "figura" de "bode emissário"


conduzindo os pecados do homem ao deserto. É difícil se conceber a idéia
de Jesus em ligação com os pecados do Homem, mas é São Paulo quem o
afirma:

"Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por


nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2Cor
5,21) / "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa
compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como
nós, em tudo tentado, exceto no pecado" (Hb 4,15)

Isto pode ser resumido simplesmente dizendo que Jesus "era igual a nós em
tudo exceto no pecado". Mas, da mesma forma que o "bode emissário",
santificado, era conduzido "para Azazel" (Lv 16,8.10.21-22.26), Jesus, o Santo
de Deus, carregado de nossos pecados, "foi conduzido ao deserto para ser
tentado pelo diabo". Ao deserto, que era concebido como o antro onde os
demônios habitavam, onde estava Azazel:

"Mas as feras do deserto repousarão ali, e as suas casas se


encherão de horríveis animais; e ali habitarão as avestruzes, e
os sátiros pularão ali" (Is 13,21) / "E as feras do deserto se
encontrarão com hienas; e o sátiro clamará ao seu
companheiro; e Lilite pousará ali, e achará lugar de repouso
para si" (Is 34,14) / "Então o Anjo Rafael pegou no demônio e
acorrentou-o no deserto do Alto Egito" (Tb 8,3).

O próprio Jesus vai confirmar essa crença:

"Ora, havendo o espírito imundo saído do homem, anda por


lugares desertos, buscando repouso, e não o encontra" (Mt
12,43).

É que dentre as inúmeras concepções que se faz do significado da


denominação de Azazel a que mais sobressai é de se tratar de um demônio,
no que se encontra séria dificuldade por não se conceber a remessa de vítima
santa para o demônio. Retrucam os favoráveis que o bode leva ao demônio o
pecado de Israel em devolução por ser coisa própria dele, não se
contaminando, da mesma forma que Jesus saiu ileso:

"Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito:


Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Então o Diabo
o deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram" (Mt 4,10-11).

Essa tentação de Jesus no deserto é de muita significação eis que infringe ao


demônio uma primeira derrota que anunciava a final. Não teve testemunhas o
fato, somente Jesus o conhecia, donde ter sido Ele quem o narrou e com
alguma finalidade. Jesus não falava nada à toa, sem razão ou sem um objetivo
claro, e não há de ser para exibir alguma vitória, o que não Lhe é próprio, mas
informou aos Apóstolos que alijou para o demônio a fonte de todo o mal, a
fonte da cobiça humana, a concupiscência:

"Não ameis o mundo, nem as coisas do mundo. Se alguém ama


o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no
mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos
olhos e a ostentação das riquezas, não vem do Pai, mas
sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência;
mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para
sempre" (1Jo 2,15-17).

Foi o que Jesus fez e "permanece para sempre": venceu o demônio não se
sujeitando à concupiscência da carne:

"E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve


fome. Chegando, então, o tentador, disse-lhe: Se tu és Filho de
Deus manda que estas pedras se tornem em pães. Mas Jesus
lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem,
mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,2-4)

Em si não haveria mal algum em transformar pedras em pão para se alimentar,


principalmente pela fome, nunca porém em atendimento a um desafio para
provar que é o Filho de Deus. O que era necessário deixar claro ao demônio
era o fim de seu domínio, com a implantação do Reino de Deus. Além disso,
Jesus recusara para a sua Missão o Poder, demonstrando isso aos seus
discípulos ao lhes narrar o fato. No Reino de Deus não se busca o Poder, que
é fruto da concupiscência da carne, agora vencível. Traçava já Jesus as linhas
de atuação de Sua Igreja: viver só da "palavra que sai da boca de Deus".

Ainda, derrotou o demônio não se sujeitando à concupiscência dos olhos:

"Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o sobre o


pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és Filho de Deus, lança-te
daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a
teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca
tropeces em alguma pedra. Replicou-lhe Jesus: Também está
escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus" (Mt 4,5-7).

Da mesma forma, Cristo acabou com o domínio de Satanás no mundo, pondo


fim na "concupiscência dos olhos", naquele desejo inato do Homem de praticar
obras mirabolantes aos "olhos" de si próprio e do mundo. Cristo não era um
"milagreiro" usando do milagre apenas para impressionar um público sedento
de anormalidades e maravilhas. Jesus não fazia pedras voar, nem elevava
pedras no ar para se exibir, nem se "bi - locava" ou se transportava de um
lugar para outro sem os meios normais de locomoção, qual seja, seus milagres
tiveram uma conotação bem diferente. Ele mesmo reclamava que não os
entendiam, pois curava os cegos, os surdos, os mudos, os coxos, ressuscitou
mortos, curou leprosos, mostrando o advento do Reino de Deus com o fim das
conseqüências do pecado, o fim do domínio do diabo. No Reino de Deus tal
como na Sua Igreja não se buscará mais a Honra ou a Glória de um
malabarista do mundo, coisas da concupiscência dos olhos, que tem por fonte
o demônio, agora rejeitado para sempre, e se impõe como Deus e Senhor,
dizendo-lhe que "não tentarás o Senhor teu Deus".

Finalmente a concupiscência da ostentação das riquezas, tornando-se


verdadeira idolatria, pela inversão de Satanás em Deus:

"Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e


mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; e disse-
lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. Então
ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao
Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Então o Diabo o
deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram" (Mt 4,1-11).

Jesus recusa as riquezas do mundo e a sua glória, a cobiça humana, como


verdadeira idolatria:

"Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais: a prostituição,


a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é
idolatria..." (Cl 3,5).

Jesus afastou-a definitivamente do Reino de Deus e de Sua Igreja que então


anunciava. Não é preciso dizer muito, eis que recusou a proposta do Diabo
que "mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles"; e disse-lhe que
"tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares'". O que se conclui daí é que o
"bode emissário" devolveu a Satanás o pecado que lhe é próprio, inaugurando
a era da Santificação do Homem, levando-o de volta ao Paraíso:

"... hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23,43)

E é isso que São Paulo nos ensina ter feito Jesus, atravessando o véu, aquele
que se rasgou quando padecia na Cruz:

"Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já


realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo, não
feito por mãos, isto é, não desta criação, e não pelo sangue de
bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma
vez por todas no santuário, havendo obtido uma eterna
redenção. Porque, se a aspersão do sangue de bodes e
de touros, e das cinzas duma novilha santifica os
contaminados, quanto à purificação da carne, quanto
mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se
ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras
mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo? E por
isso é mediador de uma nova Aliança, para que, intervindo a
morte para remissão das transgressões cometidas debaixo da
primeira Aliança, os chamados recebam a promessa da
herança eterna...(...)... Pois Cristo não entrou num santuário
feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para
agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem
também para se oferecer muitas vezes, como o sumo
sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com
sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora
padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas
agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas
se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de
si mesmo. ..." (Hb 9,11-28).

Então toda a estrutura do Santuário e o Sacerdócio de então, que culminam no


Dia da Expiação, é "figura" de Cristo:

"...Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote


para sempre, de tanto melhor Aliança Jesus foi feito
fiador. E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em
grande número, porque pela morte foram impedidos de
permanecer, mas este, porque permanece para sempre,
tem o seu sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também
salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus,
porquanto vive sempre para interceder por eles. Porque nos
convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado,
separado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus; que
não necessita, como os sumos sacerdotes, de oferecer
cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios
pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele,
uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo.
Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm
fraquezas, mas a palavra do juramento, posterior à lei, constitui
o Filho, eternamente perfeito" (Hb 7,21-28).

Não é diferente o que ensina o Catecismo da Igreja Católica:

"O nome de Deus Salvador era invocado apenas uma vez por
ano, pelo Sumo Sacerdote, para Expiação dos Pecados
de Israel, depois de ter aspergido o Propiciatório do "santo dos
santos" com o sangue do sacrifício (cf. Lv 16,15-16; Sir 50,20;
Nm 7,89; Hb 9,7). O Propiciatório era o lugar da presença de
Deus (cf. Ex 25,22; Lv 16,2; Nm 7,89; Hb 9,5). Quando São
Paulo diz de Jesus que Deus O "apresentou como Aquele que
expia os pecados, pelo Seu Sangue derramado" (Rm
5,25), significa que, na humanidade d'Este, "era Deus que em
Cristo reconciliava o mundo Consigo" (2Co 5,19) [n.° 433 -
destaques propositais] / "A Morte de Cristo é, ao mesmo tempo,
o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens
(cf. 1Co 5,7; Jo 8,34-36) por meio do "Cordeiro que tira o
pecado do mundo" (Jo 1,29) (cf. 1Pe 1,19), e o sacrifício da
Nova Aliança (cf. 1Co 11,25) que restabelece a comunhão
entre o homem e Deus (cf. Ex 24,8), reconciliando-o com Ele
pelo "sangue derramado pela multidão, para remissão dos
pecados" (Mt 26,28; cf. Lv 16,15-16) [n.° 613 - negritos a propósito].
E, quanto à Tentação de Jesus no deserto diz:

"Os evangelistas indicam o sentido salvífico deste


acontecimento misterioso. Jesus é o Novo Adão, que Se
mantém fiel naquilo em que o primeiro sucumbiu à tentação.
Jesus cumpre perfeitamente a vocação de Israel:
contrariamente aos que outrora, durante quarenta anos,
provocaram Deus no deserto (cf. Sl 94,10), Cristo revela-Se o
Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisto,
Jesus vence o diabo: "amarrou o homem forte", para lhe tirar os
despojos (Mc 3,27). A vitória de Jesus sobre o tentador, no
deserto, antecipa a vitória da Paixão, suprema obediência do
seu amor filial ao Pai" (Catecismo da Igreja Católica n.° 540; v. tb.:
n.°s. 538 e 539).

Concluindo, na Tentação do Deserto Jesus anuncia a Expiação do pecado do


Homem pelo Seu Sacrifício no Altar da Cruz, de maneira definitiva,
erradicando do coração humano, pela ação do Espírito Santo, a
concupiscência e recusando para o Seu Reino, corporificado na Sua Igreja, o
Poder, a Glória e as Riquezas do mundo, que devolvera ao diabo de uma vez
por todas.

Terminada a cerimônia da Investidura Sacerdotal tem início a apresentação


das condições de Pureza Legal para aproximar-se de Iahweh, principalmente
para a participação nos Sacrifícios, seja como Vítima, seja como Ofertante e
seja como Celebrante, destacando-se uma classificação de animais em
"puros e impuros", cuja observância far-se-á até mesmo nas refeições
cotidianas:

"(1) Falou o Senhor a Moisés e a Aarão, dizendo-lhes: Dizei aos


filhos de Israel: Estes são os animais que podereis comer
dentre todos os animais que há sobre a terra ...(...)... Os
seguintes, contudo, não comereis...(...)... (8) Da sua carne não
comereis, nem tocareis nos seus cadáveres; esses vos serão
imundos ...(...)... (44) Porque eu sou o Senhor vosso Deus;
portanto santificai-vos, e sede santos, porque eu sou
santo; e não vos contaminareis ...(...)... porque eu sou o
Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para ser o
vosso Deus, sereis pois santos, porque eu sou santo.
Esta é a lei sobre os animais e as aves, e sobre toda criatura
vivente que se move nas águas e toda criatura que se arrasta
sobre a terra; para fazer separação entre o imundo e o
limpo, e entre animais que se podem comer e os animais
que não se podem comer" (Lv 11,1-4.8.44-47).
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LEVÍTICO
15. AS LEIS DE SANTIDADE

Até aqui foram narrados os ritos para uma comunhão com Iahweh pelo
Sacrifício e para se manter ou se recuperar a "pureza legal", sem o que não há
Santidade. De agora em diante serão apresentadas normas de conduta e
comportamento que também e por sua vez a favorecem ou a comprometem,
nos termos da Aliança. São normas de moral religiosa buscando-se atingir
uma Santidade interior, mais ampla e perfeita, que não se exaure em uma
Pureza Legal, nem em uma Santificação Ritual, nem se identifica apenas com
a exteriorização rotineira e apenas física. Desde o tempo da promulgação do
Decálogo se lançaram as bases para a vida religiosa plena do Povo de Israel,
o Código da Aliança, erigindo-se imediatamente um Santuário. Além disso,
estabeleceu-se uma série de observâncias para a participação na vida em
comunidade, nos Sacrifícios e para tornar Israel "a minha propriedade
peculiar dentre todos os povos", e "um reino de sacerdotes e uma nação
santa":

"Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre
asas de águias, e vos trouxe a mim. Agora, pois, se
atentamente ouvirdes a minha voz e se guardardes a
minha Aliança sereis a minha propriedade peculiar
dentre todos os povos, porque minha é toda a terra; e vós
sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação
santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel
(...) Disse mais Iahweh a Moisés: Vai ao povo, e santifica-o
hoje e amanhã; lavem eles os seus vestidos (...) Então Moisés
desceu do monte ao povo, e santificou o povo que lavaram os
seus vestidos (...) Ora, santifiquem-se também os sacerdotes,
que se chegam a Iahweh, para que Iahweh não se lance sobre
eles" (Ex 19,4-6.10.14.22).

Esta exigência de Santidade condicionada a "se atentamente ouvirdes a


minha voz e se guardardes a minha Aliança", tornando-os "uma
propriedade peculiar dentre todos os povos (...) um reino de sacerdotes e
uma nação santa", vai se acentuar coerentemente nos rituais praticados no
Santuário de acordo com a vontade de Iahweh, exteriorizando-se num
comportamento assumido desde o interior, e não apenas exteriorizado
fisicamente:

"Porque eu sou Iahweh o vosso Deus; ...santificai-vos, e sede


santos, porque eu sou santo ...(...)... eu sou Iahweh, que
vos fiz subir da terra do Egito, para ser o vosso Deus, sereis
pois santos, porque eu sou santo" (Lv 11,44-46).

Por causa disso, entre os compromissos assumidos na Aliança se incluiu o


que se pode denominar de "Missão de Israel", várias vezes ratificada (cfr. Ex
34,13; Lv 18,3.24-30; Nm 33,52; Dt 7,5; 12,3.29-31) e com base nela se
elaborou as leis atinentes ao "puro e impuro", para se evitar principalmente as
práticas dos pagãos que os rodeavam, seja nos vários sacrifícios, seja no
comportamento moral, seja na alimentação cotidiana (Os 9,3; Ez 4,13; Tb
1,10-12; Dn 1,8-12; Jdt 12,2-4; Lv 18,2-5):

"...não adorarás os seus deuses, nem lhes prestarás


culto, imitando seus costumes. Ao contrário derrubarás
e quebrarás as suas colunas. Servireis a Iahweh o vosso
Deus (...) Não farás aliança com eles nem com seus
deuses. ..." (Ex 23,23-33) / "Guardareis, pois, todos os
meus estatutos e todos os meus preceitos, e os
cumprireis; a fim de que a terra, para a qual eu vos levo,
para nela morardes, não vos vomite. E não andareis nos
costumes dos povos que eu expulso de diante de vós
(...): Herdareis a sua terra, e eu vo-la darei para a
possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou o Senhor
vosso Deus, que vos separei dos povos. (...) E sereis
para mim santos; porque eu, Iahweh, sou santo, e vos
separei dos povos, para serdes meus" (Lv 20,22-26).

Israel então deveria assim se "separar" de outros povos principalmente pela


conformação de sua conduta e de seu comportamento com a vontade de
Iahweh, o que o levaria a se "santificar", "para serdes meus". Portanto, para
se "santificar" (em seu radical hebraico traz o sentido de "separar, cortar"),
era necessário "separar-se" ou "distinguir-se" dos pagãos e do modo deles
se comportarem (Ex 19,6.10.14.22; Lv 11,44s; 18,24-30; 19,2; 20,7.8; 21,1-8;
22,1-9.31-33; Nm 31,19-24):

"Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque


com todas elas se contaminaram as nações que eu
expulso de diante de vós;(...) Vós, pois, guardareis os meus
estatutos e os meus preceitos, e nenhuma dessas
abominações fareis (...) guardareis o meu mandamento, de
modo que não caiais em nenhum desses abomináveis
costumes que antes de vós foram seguidos, e para que não
vos contamineis com eles. Eu sou Iahweh o vosso Deus" (Lv
18,24-30).

Assim é que, desde o alvorecer bíblico, tal como com Adão e Eva que "se
esconderam da presença de Deus" (Gn 3,8), se usa a expressão "andou
com Deus" (cfr. Gn 5,21.24; 6,9) ou "andar na presença de Deus e ser
perfeito" (Gn 17,1) ou outras equivalentes tais como "guardar os caminhos
de Iahweh praticando o direito e a justiça" (Gn 18,19), para se exprimir e
traduzir a Santidade de vida, e vinculando-a ao dever de "observar os
meus preceitos e os meus estatutos guardareis, para andardes neles",
mantendo-se uma estreita comunhão com Iahweh:

"Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Eu sou Israel o vosso


Deus. Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em
que habitastes; nem fareis segundo as obras da terra de
Canaã, para a qual eu vos levo; nem andareis segundo os
seus estatutos. Os meus preceitos observareis, e os meus
estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou Israel
o vosso Deus" (Lv 18,2-4).

Facilmente se percebe a já referida e estreita ligação do conceito de "santo"


com um sentido claro do que "é separado", daquilo que não se mistura com o
que for "profano", até mesmo no comportamento. Esse conceito de Santo em
"guardar os caminhos de Iahweh praticando o direito e a justiça" (Gn
18,19), é ainda bem claro nas palavras do Salmista muitos séculos depois,
pela união que se almeja com Iahweh, seja "habitando no teu tabernáculo"
seja "descansando no teu santo monte":

"Quem, Iahweh, habitará no teu tabernáculo? Quem


descansará no teu santo monte? Aquele que anda
irrepreensivelmente e pratica a justiça, e do seu coração fala a
verdade; que não difama com a sua língua, nem faz o mal ao
seu semelhante, nem contra ele aceita difamação; aquele a
cujos olhos o réprobo é desprezado, mas que honra os que
temem ao Senhor; aquele que, embora jure com dano seu, não
muda; que não empresta o seu dinheiro com usura, nem
recebe dádivas contra o inocente. Aquele que assim procede
nunca será abalado" (Sl 15,1-5).

Isso porque a fonte única e o fundamento de toda a Santidade é Iahweh pelo


fato de que somente Iahweh é Santo, em virtude de ser o único absolutamente
"separado", e, em assim sendo, só Iahweh Santifica (Lv 19,2; 20,7-8.26;
21,6.8.15.23; 22,9.16.32), santificação que se vincula como conseqüência à
ordem de "guardai os meus estatutos, e cumpri-os":

"Guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou Iahweh, que


vos santifico" (Lv 20,7-8).

E tudo isso vai então ecoar como um grito solene de Iahweh e em torno do
qual gira a Santidade, na narrativa levítica:

"Sede Santos, porque eu Iahweh vosso Deus Sou Santo" (Lv


19,2).

Essa Santidade está estreitamente vinculada ao cumprimento da vontade de


Iahweh prescrita nos seus preceitos ou mandamentos:

"Os meus preceitos observareis, e os meus estatutos


guardareis, para andardes neles. Eu sou Iahweh o vosso Deus.
Guardareis, pois, os meus estatutos e as minhas
ordenanças, pelos quais o homem, observando-os,
viverá. Eu sou Iahweh" (Lv 18,4-5) / "Portanto santificai-
vos, e sede santos, pois eu sou Iahweh o vosso Deus.
Guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou Iahweh,
que vos santifico" (Lv 20,7-8).

"Guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou Iahweh, que vos


santifico" - claro fica a vinculação da Santidade com o cumprimento dos
preceitos emanados da vontade de Iahweh consubstanciados nestes trechos,
selecionados dentre muitos outros. Principalmente quando diz "pelos quais o
homem, observando-os, viverá", assume a posse de bens e bênçãos
necessárias a uma vida feliz, de que é "figura" o Jardim do Éden, onde
contrasta com a violação do preceito pelo que "morrerás" (Gn 2,17).

15.1 A Lei de Santidade do Sacrifício e de Culto (Lv 17)

Usando uma terminologia atual, é de se dizer que a primeira regulamentação


havida é a da Santidade do Sacrifício e de Culto:

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala a Aarão e aos seus filhos, e


aos Israelitas, e dize-lhes: Isto é o que Iahweh tem ordenado:
Qualquer Israelita que imolar boi, ou cordeiro, ou cabra,
dentro ou fora do acampamento, e não o trouxer à porta
da tenda da reunião, para o oferecer como oferta a
Iahweh diante do tabernáculo de Iahweh, a esse homem
será réu do sangue; derramou sangue, pelo que será
extirpado do meio do seu povo. Por isso os filhos de Israel
tragam as vítimas que oferecem no campo, isto é, tragam-
nas a Iahweh, à porta da tenda da reunião, entregando-as ao
sacerdote para que as ofereça por sacrifícios pacíficos a
Iahweh. E o sacerdote espargirá o sangue sobre o altar de
Iahweh, à porta da tenda da reunião, e queimará a gordura em
suave fragrância a Iahweh" (Lv 17,1-6).

Desde o Dilúvio não é tolerada a matança indiscriminada de homens e de


animais por cujo derramamento do sangue se responde de igual maneira,
vedando-se totalmente o seu consumo:

"A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não
comereis. Certamente pedirei satisfação do vosso
sangue, do sangue das vossas vidas; de todo animal a
pedirei; como também do homem..." (Gn 9,4-5).

O sangue e o respeito por ele torna-se essencial ao Sacrifício (Lv 17,11.14) e


é a razão dos primeiros cuidados a serem observados numa Santidade mais
voltada ao interior. Assim, por ser Vida, só pode ser vertido para o Autor da
Vida, em virtude do que, vigorava a regra de não haver abate sem o ritual do
Sacrifício:

"Também, qualquer homem da casa de Israel, ou dos


estrangeiros que habitam entre eles, que comer algum sangue,
contra essa pessoa voltarei o meu rosto, e a extirparei do seu
povo. Porque a vida da carne está no sangue; e vo-lo tenho
dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas
faltas; porquanto é o sangue que faz expiação, em
virtude da vida que está nele. Portanto tenho dito aos filhos
de Israel: Nenhum de vós comerá sangue; nem o
estrangeiro que habita entre vós comerá sangue.
Também, qualquer homem dos filhos de Israel, ou dos
estrangeiros que habitam entre eles, que apanhar caça de fera
ou de ave que se pode comer, derramará o sangue dela e o
cobrirá com terra. Pois, a vida de toda a carne está no seu
sangue; por isso eu disse aos filhos de Israel: Não comereis o
sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda a
carne é o seu sangue; qualquer que o comer será extirpado"
(Lv 17,10-14).

A Vida é um Dom de Deus, só a Ele pertence, e ela é, como se acreditava,


inseparável do sangue motivo porque é Iahweh quem o "tem dado sobre o
altar", numa concessão que faz, apenas e tão somente, "para fazer expiação
pelas vossas faltas". Não permite o seu consumo como alimento, nem dos
animais "puros" abatidos em caça, dos quais "derramar-se-á o sangue e o
cobrirá com terra". E é por causa disso também que se torna necessário,
indispensável mesmo, que "qualquer Israelita que imolar boi, ou cordeiro,
ou cabra, dentro ou fora do acampamento, e não o trouxer à porta da
tenda da reunião, para o oferecer como oferta a Iahweh diante do
tabernáculo de Iahweh, a esse homem será réu do sangue; derramou
sangue, pelo que será extirpado do meio de seu povo" (Lv 17,3-4). Com
isso já se anuncia a futura exigência da "unidade de santuário":

"Então haverá um lugar que Iahweh o vosso Deus


escolherá para ali fazer habitar o seu nome; a esse lugar
trareis tudo o que eu vos ordeno: os vossos holocaustos e
sacrifícios, os vossos dízimos, a vossa contribuição e tudo o que
de melhor oferecerdes ao Senhor em cumprimento dos votos
que fizerdes. E vos alegrareis perante Iahweh o vosso Deus,
vós, vossos filhos e vossas filhas, vossos servos e vossas servas
(...) Guarda-te de ofereceres os teus holocaustos em
qualquer lugar que vires; mas no lugar que Iahweh
escolher (...) ali oferecerás os teus holocaustos, e ali farás
tudo o que eu te ordeno" (Dt 12,11-14).

"...a esse homem será imputado o sangue; derramou sangue, pelo que
será extirpado do seu povo" - é a violação da Lei do Respeito à Vida, seja
humana seja animal, pois a vida pertence só a Iahweh, pelo que Ele mesmo
punirá o culpado, pois "contra essa pessoa voltarei o meu rosto" (Lv 17,10),
"extirpando-a do meio do povo" (Lv 17,4), numa espécie de excomunhão. Esse
respeito pelo sangue vai vigorar ainda nos primórdios do Cristianismo:

"Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor


maior encargo além destas coisas necessárias: Que vos
abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e
da carne sufocada, e da prostituição; e destas coisas fareis
bem de vos guardar. Saudações" (At 15,28-29). / "Todavia,
quanto aos gentios que têm crido já escrevemos, dando o
parecer que se abstenham do que é sacrificado aos ídolos, do
sangue, das carnes dos animais sufocados e da
prostituição" (At 21,25).

15.2 A Lei do Amor ao Próximo e a Santidade dos Costumes (Lv


18-20)

A narrativa vem a ser impregnada de refrãos, que fazem dos versículos que
separam, episódios de uma formulação moral. São como que chamadas de
atenção para o princípio ordenador da Santidade a que Israel está
comprometido e a sua fonte em Iahweh, para se distinguir dos outros povos
pagãos de costumes reprovados:

"Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que


habitastes; nem fareis segundo as obras da terra de Canaã,
para a qual eu vos levo; nem andareis segundo os seus
estatutos. Os meus preceitos observareis, e os meus estatutos
guardareis, para andardes neles. Eu sou Iahweh o vosso Deus.
Guardareis, pois, os meus estatutos e as minhas ordenanças,
pelas quais o homem, observando-as, viverá. Eu sou Iahweh"
(Lv 18,3-5; cfr. tb. 18,24-30).

Considerando o paganismo do Egito, traz à baila a Aliança e o Decálogo


unindo-os no futuro à Terra Prometida ou Terra de Canaã, cujos costumes
também são por Iahweh rechaçados como pecaminosos. Apresenta então
desenvolvimentos atinentes à Santidade e à dignidade da natureza humana no
Casamento, quanto às uniões ilícitas tidas como incestuosas, bem como
alguns tipos de consangüinidade, nem sempre concordes com os atuais, cujas
causas que não científicas, mas religiosas, se desconhecem as mais das
vezes. Combate-se o adultério de ambos os cônjuges (Lv 18,20 / Lv 20,10), e
a proibição de se entregar os descendentes a Moloc, em sacrifício, bem como
a sodomia, juntamente com o comércio carnal com animais, o que leva a crer
numa condenação da prostituição sagrada que incluía homens, comum aos
povos pagãos de então. Tudo vai desaguar naquele grito central que já ecoa e
vai ecoar por toda a vida Israelense:

"...Sereis santos, porque eu, Iahweh vosso Deus, sou santo" /


"Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou Iahweh
vosso Deus. Guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou
Iahweh, que vos santifico" (Lv 19,2 / Lv 20,7-8; cfr. tb.: Ex 22,30a
/ Lv 11,45c).
Não se pode deixar de perceber a presença salpicada de frases desse tipo
espalhadas por todo o contexto, seguidas e encimadas por normas de conduta
moral advindas as mais das vezes do Decálogo, numa espécie de lista de
exemplos de algumas faltas que não se deve cometer, caracterizando-se, pelo
diapasão contínuo, a fonte interior das normas de procedimentos que deve
orientar o Israelita. Além disso esse desenrolar vai desabrochar na regra
básica e genérica, profundamente vinculada a Iahweh:

"Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu


povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu
sou Iahweh. Guardareis as minhas leis" (Lv 19,18-19a).

"...amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou Iahweh" - este preceito


vai ser modificado por Jesus Cristo, não mais se restringindo em "...os filhos
do teu povo..." o qualificativo de "próximo", mas ampliando-o a qualquer
outra pessoa com quem de alguma forma se relacione, e por fidelidade e
obediência a Iahweh que assim os manda "guardar as minhas leis" (Lv
19,19a). Jesus vai então unir num só dois mandamentos e ampliar a noção de
próximo, estendendo-a a todo "aquele com quem se deve usar de
misericórdia", com o que a universaliza:

"E eis que se levantou certo doutor da lei e, para o


experimentar, disse: Mestre, que farei para herdar a vida
eterna? Perguntou-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como lês
tu? Respondeu-lhe ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo
o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas
forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo
como a ti mesmo. Tornou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze
isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou
a Jesus: E quem é o meu próximo? Jesus, prosseguindo,
disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas
mãos de salteadores, os quais o despojaram e espancando-o,
se retiraram, deixando-o meio morto. Casualmente, descia
pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-o, passou de
largo. De igual modo também um levita chegou àquele lugar,
viu-o, e passou de largo. Mas um samaritano, que ia de
viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de
compaixão; e aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando
nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-
o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois
denários, deu-os ao hospedeiro e disse-lhe: Cuida dele; e tudo
o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar. Qual, pois,
destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu
nas mãos dos salteadores? Respondeu o doutor da lei:
Aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe,
pois, Jesus: Vai, e faze tu o mesmo" (Lc 10,25-37).

Este episódio vai mostrar a necessidade de se conhecer o Antigo Testamento


para melhor se compreender o Novo. Ao que se vê de início "um homem
descia de Jerusalém a Jericó", qual seja, pelas localidades que se menciona,
um judeu, quem se sabe ser inimigo do povo da Samaria, por causa da
idolatria pagã lá estabelecida (2Rs 17,24-41), que foi assaltado e muito ferido,
"deixando-o meio morto". Foi um samaritano "que se encheu de compaixão e
do inimigo cuidou", após ter passado ao largo um sacerdote e um levita
[respectivamente da Casa de Aarão (Ex 29) e da Tribo de Levi (Nm 8,17-19),
de cujo sacerdócio perene já se tomou conhecimento aqui]. Assim, se vê que,
passa ao largo um sacerdote "pleno" e um "auxiliar", sem lhe prestar socorro, o
que faz um inimigo, um samaritano. Jesus não os está condenando, mas
mostrando ao doutor da lei que "querendo justificar-se, perguntou a Jesus
quem era o seu próximo", com um exemplo prático a eficiência do verdadeiro
Amor ao Próximo. Amor bem diferente daquele que a Lei de Santidade exigia,
impedindo até mesmo que se aproximasse de uma pessoa que parecia morta
("deixando-o meio morto"), sob pena de se tornar "impuro" (Lv 10,6; 21,1.10 /
Nm 6,6), ao contrário do modo de agir do inimigo e estrangeiro samaritano.
Contrasta ainda com o preconceito legal de que "o próximo seria um dos filhos
de seu povo", tendo sido o inimigo o verdadeiro "próximo do ferido".

Vários exemplos de situações envolvendo o "amor ao próximo, 'dos filhos de


seu povo'" são mencionados após a repetição da repulsa que Iahweh sente
pelos costumes dos povos pagãos, querendo que não sejam praticados pelos
Israelitas, o Povo de Deus:

"Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas,


porque com todas elas se contaminaram as nações que
eu expulso de diante de vós; e, porquanto a terra está
contaminada, eu visito sobre ela a sua iniqüidade, e a terra
vomita os seus habitantes. Vós, pois, guardareis os meus
estatutos e os meus preceitos, e nenhuma dessas
abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que
peregrina entre vós. Porque todas essas abominações
cometeram os homens da terra, que nela estavam antes de
vós, e a terra ficou contaminada. Para que a terra não seja
contaminada por vós e não vos vomite também a vós, como
vomitou a nação que nela estava antes de vós. Pois qualquer
que cometer alguma dessas abominações, pois aqueles que as
cometerem serão extirpados do seu povo. Portanto
guardareis o meu mandamento, de modo que não caiais
em nenhum desses abomináveis costumes que antes de
vós foram seguidos, e para que não vos contamineis com eles.
Eu sou Iahweh o vosso Deus" (Lv 18,24-30).

Dentre essas situações se destacam vários deveres de justiça ao próximo de


então, "outro Israelita", proibindo-se o roubo, a fraude, a mentira, o falso
juramento, a opressão e o prejuízo do menos favorecido (Lv 19,11-13.35.36), a
parcialidade nos julgamentos (Lv 19,15s), o desrespeito aos pais e aos velhos,
bem como aos estrangeiros (Lv 19,3.32-34), o sadismo contra enfermos e
portadores de defeitos físicos (Lv 19,14), a maledicência, a difamação, o ódio
e a vingança (Lv 19,16-18); algumas disposições quanto aos pobres (Lv
19,9s.13); quanto aos variados costumes éticos de então e a condenação de
sortilégios, incisões de luto, tatuagem, recorrer-se a feiticeiros e consultar
adivinhos (Lv 19,19.26-31), a "incircuncisão" de frutas nas terras conquistadas,
delas só se podendo alimentar após três anos de purificação e um ano de
consagração, por serem contaminadas com as impurezas dos costumes
pagãos (Lv 19,23-25); quanto ao adultério com uma escrava, uma exceção
sui-generis (Lv 19,20-22) e muitos outros casos de leitura fácil, a que se
remete o estudo. É de se destacar algumas recomendações quanto aos
Sacrifícios Pacíficos eis que mais ligados aos leigos, únicos em que
participavam da manducação das oferendas, instruindo-os para não se perder
a eficácia pela inobservância do prazo ritual para as consumir, e não incorrer
em falta muito grave e por isso ser "extirpado do meio de seu povo" (Lv 19,5-
8). São ordenanças religiosas, éticas e sociais, de colorido profundamente
interior, em que se destacava principalmente a busca sistemática da Santidade
de vida, tão cara a Iahweh, que assim "os santificaria" (Lv 20,8).

Segue um elenco de penas de morte a que se sujeitam os transgressores a


começar com a idolatria e os sacrifícios humanos a Moloc, bem como o
adultério, o comércio carnal entre homens e animais e vários outros exemplos
de desordens e taras sexuais, bem como uniões tidas como ilícitas e então
praticados pelos outros povos, punições que se estendem aos que se omitem
em puni-los (Lv 20,1-30):

"Guardareis, pois, todos os meus estatutos e todos os meus


preceitos, e os cumprireis; a fim de que a terra, para a qual eu
vos levo, para nela morardes, não vos vomite. E não andareis
nos costumes dos povos que eu expulso de diante de vós;
porque eles fizeram todas estas coisas, e eu os abominei. Mas
a vós vos tenho dito: Herdareis a sua terra, e eu vo-la darei
para a possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou Iahweh o
vosso Deus, que vos separei dos povos. Fareis, pois, diferença
entre os animais limpos e os imundos, e entre as aves imundas
e as limpas; e não fareis abomináveis as vossas almas por
causa de animais, ou de aves, ou de qualquer coisa de tudo de
que está cheia a terra, as quais coisas apartei de vós como
imundas. E sereis para mim santos; porque eu, Iahweh, sou
santo, e vos separei dos povos, para serdes meus. O homem ou
mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente
será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles"
(Lv 20,22-27).

Não há de se qualificar de cruéis a essas penas, comparando-as com as


conquistas atuais, mas lembrar-se de que naquela época, para a organização
tribal e patriarcal de então, além de profundamente vinculada à Aliança, era
uma questão de vida ou morte, de verdadeira sobrevivência, tal como seria
atualmente a prática de um ato que colocasse em perigo a segurança pública.
Não se pode julgar o passado com as racionalizações atuais.

15.3 A Lei de Santidade dos Sacerdotes e das Oferendas (Lv 21-


22)

O que o Sacerdócio representava para o Povo de Israel é facilmente


compreensível pela estrutura teocrática da nação, que se formava a partir da
Aliança contraída com os Patriarcas, que a celebraram com o Sacrifício, do
qual desde então sempre partiam e em cuja direção caminhavam. Por meio
dele, seguindo o caminho aberto por eles, buscou chegar a Iahweh e dEle
receber as bênçãos de que carecia até mesmo ao conclui-la no Sinai, quando
se formou. Basta que se observe que nem mesmo uma simples refeição podia
ser tomada sem se considerar as mais elementares regras sacrificiais, a partir
da veneração do sangue como fonte da vida e sua restituição ao solo, bem
como não se nutrindo de animais classificados como "impuros". Com a
unificação do santuário, até mesmo a Páscoa, solenidade familiar por
excelência, terá o seu cordeiro imolado no templo e o Sangue derramado no
Altar por um Sacerdote (2Cro 35,11 / Dt 12). O Sacerdócio, por causa dele, vai
se tornar o centro de toda a vida Israelita. Assim sendo, deles a Santidade é
mais rigorosamente exigida:

"Fala aos sacerdotes (...) Santos serão para seu Deus, e não
profanarão o nome do seu Deus; porque oferecem as ofertas
queimadas de Iahweh, que são o pão do seu Deus; portanto
serão santos. (...) Portanto o santificarás; porquanto
oferece o pão do teu Deus, santo te será; pois eu,
Iahweh, que vos santifico, sou santo" (Lv 21,1a.6.8).

Aqui mais aparece a clássica distinção que se estabeleceu entre os


Sacerdotes: "Aarão", aquele "sobre cuja cabeça foi derramado o óleo da
Unção" (Lv 8,12) e "os filhos de Aarão", elevados ao sacerdócio em conjunto
com Aarão, numa Unção "indireta e por aspersão" (Lv 8,13.24.30). Exigia-se
mais Santidade do Sumo Sacerdote, por causa da Unção direta que recebeu
(Lv 21,10-15), que dos demais (Lv 21,1-9), para se evitar a contaminação do
Santuário e do Culto por alguma profanação, degenerando-se toda a estrutura
cultual. Caber-lhe-ia zelar pela pureza de seus irmãos e do culto, em virtude
da responsabilidade que assumira para o pleno desempenho de sua função
sagrada. Assim não poderia se aproximar de um morto, mesmo que seu pai ou
mãe, nem exteriorizar os sinais de luto, nem então se afastar do Santuário e
só poderia tomar por esposa uma virgem:

"Aquele que é sumo sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja


cabeça foi derramado o óleo da unção, e que foi
consagrado para vestir as vestes sagradas, não descobrirá a
cabeça nem rasgará a sua vestidura; e não se chegará a
cadáver algum; nem sequer por causa de seu pai ou de sua
mãe se contaminará; não sairá do santuário, nem profanará o
santuário do seu Deus; pois a coroa do óleo da unção do seu
Deus está sobre ele. Eu sou Iahweh. E ele tomará por esposa
uma mulher na sua virgindade. Viúva, ou repudiada, ou
desonrada, ou prostituta, destas não tomará; mas virgem do
seu povo tomará por mulher. E não profanará a sua
descendência entre o seu povo; porque eu sou Iahweh que o
santifico" (Lv 21,10-15).

Já "os filhos de Aarão" têm observâncias distintas e menos rigorosas:

"Depois disse Iahweh a Moisés: Fala aos sacerdotes, filhos de


Aarão, e dize-lhes: O sacerdote não se contaminará por causa
dum morto entre o seu povo, salvo por um seu parente mais
chegado: por sua mãe ou por seu pai, por seu filho ou por sua
filha, por seu irmão, ou por sua irmã virgem, que lhe é
chegada, que ainda não tem marido; por ela também pode
contaminar-se. (...) Não tomarão mulher prostituta ou
desonrada, nem tomarão mulher repudiada de seu marido; pois
o sacerdote é santo para seu Deus" (Lv 21,1-7).

Além disso, existem as que se destinam a ambos os Sacerdotes:

"Não farão os sacerdotes calva na cabeça, e não raparão os


cantos da barba, nem farão lacerações na sua carne. Santos
serão para seu Deus, e não profanarão o nome do seu Deus;
porque oferecem as ofertas queimadas de Iahweh, que são o
pão do seu Deus; portanto serão santos (...) Portanto o
santificarás; porquanto oferece o pão do teu Deus, santo te
será; pois eu, Iahweh, que vos santifico, sou santo. E se a filha
dum sacerdote se profanar, tornando-se prostituta, profana a
seu pai; no fogo será queimada" (Lv 21,5-6.8-9).

A precaução com o casamento que contraíam era devido à responsabilidade


familiar assumida para o exercício do Sacerdócio, que não poderia correr o
risco de se contaminar com o profano, nem muito menos se deformar ou se
desviar para a infidelidade, pela mistura com outros povos com costumes e
superstições pagãs, tal como se afirma:

"E não profanará a sua descendência entre o seu povo;


porque eu sou o Senhor que o santifico" (Lv 21,15).

Ainda não se esquecera da advertência feita por ocasião do ocorrido a Nadab


e Abiú, tamanha era a Santidade Sacerdotal que se exigia pelas
conseqüências advindas para todos os irmãos do povo e pela
responsabilidade que detinham principalmente no pastoreio deles:

"Disse Moisés a Aarão: Isto é o que Iahweh declarou quando


disse: "Serei santificado naqueles que se chegarem a mim, e
serei glorificado diante de todo o povo". O que ouvindo Aarão,
se calou" / "...para que não morrais, nem venha a ira de Iahweh
sobre todo o povo..." (Lv 10,3.6c).

"... serei glorificado diante de todo o povo" e "...para que não morrais, nem
venha a ira de Iahweh sobre todo o povo..."- Assim se resumia relação de
reciprocidade entre ambos, em que a Santidade do Sacerdote refletia sobre o
Povo. E, tamanha era a suntuosidade que ornava o Culto Israelita, que se
rejeitava no cerimonial toda a imperfeição possível, até mesmo humana, como
uma homenagem à majestade de Iahweh:

"Disse mais o Iahweh a Moisés: Fala a Aarão, dizendo:


Ninguém dentre os teus descendentes, por todas as
suas gerações, que tiver defeito, se chegará para
oferecer o pão do seu Deus. (...) nenhum homem dentre os
descendentes de Aarão, o sacerdote, que tiver algum defeito,
se chegará para oferecer as ofertas queimadas do Iahweh; ele
tem defeito; não se chegará para oferecer o pão do seu Deus"
(Lv 21,16-21).

Porém, apesar de aleijado, o descendente de Aarão, sacerdote por direito


perpétuo (Ex 29), participaria de seu direito apenas nas partes que lhe eram
consagradas nos vários Sacrifícios, alimentando-se delas com a sua família:

"Comerá do pão do seu Deus, tanto do santíssimo como do


santo; contudo, não entrará até o véu, nem se chegará ao
altar, porquanto tem defeito; para que não profane os
meus santuários; porque eu sou Iahweh que os santifico.
Moisés, pois, assim falou a Aarão e a seus filhos, e a todos os
filhos de Israel" (Lv 21,22-24).

O Sacerdócio por si só não impedia o Sacerdote de se contaminar com


alguma impureza legal afastando-o do Santuário como qualquer Israelita, bem
como do exercício de sua função sagrada, competindo-lhe purificar-se
conforme as normas vigentes e devotar a Iahweh uma maior homenagem de
vida santificada, tendo em vista os compromissos assumidos na Aliança e
corporificados desde o Egito:

"Dize a Aarão e a seus filhos que se abstenham das coisas


sagradas dos filhos de Israel, as quais eles a mim me
santificam, e que não profanem o meu santo nome. Eu sou
Iahweh. Dize-lhes: Todo homem dentre os vossos descendentes
pelas vossas gerações que, tendo sobre si a sua imundícia, se
chegar às coisas sagradas que os filhos de Israel santificam ao
Iahweh, aquela alma será extirpada da minha presença. Eu sou
Iahweh (...) seja qual for a sua imundícia, o homem que tocar
em tais coisas será imundo até a tarde, e não comerá das
coisas sagradas, mas banhará o seu corpo em água e,
posto o sol, então será limpo; depois comerá das coisas
sagradas, porque isso é o seu pão (...) Guardareis os meus
mandamentos, e os cumprireis. Eu sou Iahweh. Não
profanareis o meu santo nome, e serei santificado no
meio dos filhos de Israel. Eu sou Iahweh que vos
santifico, que vos tirei da terra do Egito para ser o
vosso Deus. Eu sou Iahweh " (Lv 22,2-4.5b-7.31-33).

Da mesma forma as vítimas destinadas às Oferendas não podiam apresentar


nenhum defeito físico, nenhuma imperfeição, numa homenagem submissa e
solene à majestade de Iahweh, a quem oferecer-se-ia o que havia de melhor
no rebanho, nunca um refugo:

"Fala a Aarão, e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel, e


dize-lhes: Todo homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros
em Israel, que oferecer a sua oferta, seja dos seus votos, seja
das suas ofertas voluntárias que oferecerem ao Senhor em
holocausto, para que sejais aceitos, oferecereis macho sem
defeito, ou dos novilhos, ou dos cordeiros, ou das cabras.
Nenhuma coisa, porém, que tiver defeito oferecereis, porque
não será aceita a vosso favor. E, quando alguém oferecer
sacrifício de oferta pacífica ao Senhor para cumprir um voto, ou
para oferta voluntária, seja do gado vacum, seja do gado
miúdo, o animal será perfeito, para que seja aceito; nenhum
defeito haverá nele" (Lv 22,18-21).

Isso ao lado de algumas aparentes superstições tais como deixar a cria com a
mãe no mínimo sete dias e somente então a imolar, bem como não matar a
mãe e sua cria no mesmo dia (Lv 22,27), sob pena de não ser aceita a oferta,
bem como qualquer sacrifício, mesmo o de Ação de Graças, deveria ser alvo
de fidelidade a todos os detalhes rituais, "de modo a serdes aceitos":

"E, quando oferecerdes a Iahweh sacrifício de ação de graças,


oferecê-lo-eis de modo a serdes aceitos. No mesmo dia se
comerá; nada deixareis ficar dele até pela manhã. Eu sou
Iahweh. Guardareis os meus mandamentos, e os cumprireis. Eu
sou Iahweh. Não profanareis o meu santo nome, e serei
santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou Iahweh que vos
santifico, que vos tirei da terra do Egito para ser o vosso Deus.
Eu sou Iahweh" (Lv 22,29-33).

"...e serei santificado no meio dos filhos de Israel" - Não é possível passar
adiante sem se questionar: como é possível "ser santificado" aquele que
santifica, ou seja, "Iahweh que vos santifico"? É que desde "que vos tirei da
terra do Egito para ser o vosso Deus", indicou-lhes como adquirir a Santidade
que oferecia, pelo que, exteriorizada na conduta e no comportamento de todos
e de cada um, o nome de Iahweh, um Deus Santo, seria glorificado e
reconhecido, tal como no Egito onde assim se impôs pelos prodígios
praticados. Jesus vai incluir isso na Oração do Pai Nosso (Mt 6,9-10 e Lc
11,2), vinculando o "santificado seja o teu nome" com o "venha o teu reino" e
"seja feita a tua vontade":

"Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus,
santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja
feita a tua vontade, assim na terra como no céu..." (Mt
6,9-10). / "Ao que ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai,
santificado seja o teu nome; venha o teu reino;..." (Lc 11,2).

O que ratificará dizendo ainda que as obras praticadas pelos seus discípulos
devem brilhar para que os homens, vendo-as, glorifiquem a Deus (Mt 5,14-16):

"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade


situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a
colocam debaixo do alqueire, mas no candelabro, e assim
ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a
vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas
boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos
céus" (Mt 5,14-16).

Não é diferente do que ensina a Igreja:

"A Santidade de Deus é o foco inacessível do seu mistério


eterno. Ao que se manifestou dela na criação e na história, a
Sagrada Escritura chama Glória, a irradiação da sua majestade
(cf. Sl 8; Is 6,3). Ao fazer o homem "à sua imagem e
semelhança" (Gn 1,26), Deus "coroa-o de glória" (Sl 8,6), mas,
ao pecar, o homem é "privado da glória de Deus" (Rm 3,23). A
partir daí, Deus vai manifestar a sua Santidade revelando e
dando o seu nome, para restaurar o homem "à imagem do seu
Criador" (Col 3,10)" (Catecismo da Igreja Católica n.º 2809).

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LEVÍTICO
16. AS FESTAS RELIGIOSAS DE TODO O POVO DE ISRAEL (Lv
23-25)

Toda a estrutura da Nação Israelita era comprometida indestacavelmente com


a Aliança, pelo que se completava e se integrava no religioso, onde sempre
desaguava. Assim as Festas comemorativas dos vários momentos épicos de
sua História são repetições ou celebrações da intervenções em que Iahweh se
manifestou e se revelou ao Seu Povo, a começar com o respeito ao Sábado,
aqui ventilado pela mesma convocação de reunião que se fazem nas demais
solenidades e por inspirar maior respeito e observância. Todas elas foram
formalizadas desde o Sinai e instituídas nessa oportunidade as três principais,
como expressão de fidelidade e culto exclusivo a Iahweh, tal como descritas
(cfr. Capítulo 4, n.º 1).

Agora, observar-se-á outra formalidade que vem enriquecer os rituais,


destinada a incrementar ainda mais os laços de união entre todos e cada um
com Iahweh, condição de unidade de um povo em torno de um ideal ou
sentimento histórico comum: - são as reuniões do povo em Santas
Assembléias no Santuário, as quais se incorporam às Festas Religiosas já
instituídas. Essas Assembléias Sagradas dever-se-iam convocar com esse
sentido solene e santíssimo, incluindo-se entre tais solenidades e antes de
todas a do Sábado do Decálogo, reforçando assim a sua exclusiva, distinta e
inconfundível importância cultual:

"Depois disse Iahweh a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-


lhes: As festas fixas de Iahweh, que convocareis como santas
assembléias, são estas: Seis dias se fará trabalho, mas o
sétimo dia é o sábado do descanso solene, uma santa
assembléia; nenhum trabalho fareis; é sábado de Iahweh em
todas as vossas habitações" (Lv 23,1-3, cfr. tb. Ex 16,23; 20,8-11;
31,12-17; 35,2).

16.1 Inicialmente a Festa da Páscoa e a dos Pães Ázimos

"São estas as festas santas de Iahweh, santas assembléias, que


celebrareis no seu tempo: No mês primeiro, aos catorze do
mês, à tarde, é a Páscoa de Iahweh. E aos quinze dias desse
mês é a Festa dos Pães Ázimos de Iahweh. Durante sete dias
comereis sem fermento. No primeiro dia tereis santa
assembléia; nenhum trabalho fareis. E por sete dias oferecereis
um sacrifício pelo fogo a Iahweh; no sétimo dia haverá santa
assembléia e nenhum trabalho fareis" (Lv 23,4-8).

"Três vezes no ano todos os teus homens aparecerão diante de Iahweh teu
Deus" (Ex 23,17 / Ex 13,6) era a regra básica em vigor para as três festas
principais transcritas, na dos Ázimos, na de Pentecostes e na das Tendas. Nos
termos da sua instituição no Sinai, todos os homens deveriam comparecer ao
Santuário nas celebrações correspondentes, prevendo então dois dias
solenes, o primeiro e o sétimo, quando não haveria nenhum trabalho (Ex
12,15-17).
16.2 A Festa da Oferenda das Primícias

É muitas vezes recomendada (Ex 22,29; 23,16.19; 34,26; Lv 2,14-16; Nm


15,17-21; 18,12; Dt 18,4; 26,1-11), para se praticar quando estiverem de posse
da Terra Prometida:

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-


lhes: Quando houverdes entrado na terra que eu vos
dou, e fizerdes a ceifa das searas, trareis ao sacerdote um
molho das primícias da vossa colheita; e ele moverá o
molho perante Iahweh, para que seja aceito em vosso
favor. No dia seguinte ao sábado o sacerdote o moverá. E no
dia em que moverdes o molho, oferecereis um cordeiro sem
defeito, de um ano, em holocausto a Iahweh. Sua oferta de
cereais será dois décimos de efá de flor de farinha, amassada
com azeite, para oferta queimada em cheiro suave a Iahweh; e
a sua oferta de libação será de vinho, um quarto de him. E não
comereis pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes, até
aquele mesmo dia, em que trouxerdes a oferta do vosso
Deus; é estatuto perpétuo pelas vossas gerações, em todas as
vossas habitações" (Lv 23,9-14).

Essa oferenda das Primícias tem um sentido bem mais amplo que aqui
aparenta e para apreendê-lo será necessário antecipar pelo menos
superficialmente algumas noções do Instituto das Oferendas, a partir, por ora,
de dois trechos onde se destacam algumas noções do significado que tinham
para os Israelitas, dentre elas destacando-se:

"Os sacerdotes levitas, e toda a tribo de Levi, não terão parte


nem herança com Israel. Alimentar-se-ão das oferendas
queimadas a Iahweh e do patrimônio dele. Não terão herança
no meio de seus irmãos; Iahweh é a sua herança, como lhes
tem dito. Este, pois, será o direito dos sacerdotes, a receber do
povo, dos que oferecerem sacrifícios de boi ou de ovelha: o
ofertante dará ao sacerdote a espádua, as queixadas e o
bucho. Ao sacerdote darás as primícias do teu grão, do teu
mosto e do teu azeite, e as primícias da tosquia das tuas
ovelhas. Porque Iahweh teu Deus o escolheu dentre todas as
tribos, para assistir e ministrar em nome de Iahweh, ele e seus
filhos, para sempre" (Dt 18,1-5).

Neste trecho se vê que elas eram a herança dos integrantes da Tribo de Levi,
que não receberam nenhuma possessão em terras, a não ser aquele mínimo
para se estabelecer e se fixar com independência pessoal e familiar. Assim
sendo, as Primícias eram um direito deles e a citação delas é apenas
exemplificativa, pois abrangiam todos os produtos que se produzissem.
Também, mais adiante, ainda se estabeleceu:

"Também, quando tiveres entrado na terra que Iahweh teu


Deus te dá por herança, e a possuíres, e nela habitares,
tomarás das primícias de todos os frutos do solo que
trouxeres da terra que Iahweh teu Deus te dá, e as porás num
cesto, e irás ao lugar que o Iahweh teu Deus escolher para ali
fazer habitar o seu nome. E irás ao sacerdote que naqueles
dias estiver de serviço, e lhe dirás: Hoje declaro a Iahweh teu
Deus que entrei na terra que o senhor com juramento
prometeu a nossos pais que nos daria. O sacerdote, pois,
tomará o cesto da tua mão, e o porá diante do altar de
Iahweh teu Deus (...) o Iahweh nos tirou do Egito com mão
forte e braço estendido, com grande espanto, e com sinais e
maravilhas; e nos trouxe a este lugar, e nos deu esta terra,
terra que mana leite e mel. E eis que agora te trago as
primícias dos frutos da terra que tu, ó Iahweh, me deste. Então
as porás perante o Iahweh teu Deus, e o adorarás; e te
alegrarás por todo o bem que o Iahweh teu Deus te tem
dado a ti e à tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que está
no meio de ti" (Dt 26,1-5.8b-11).

Neste segundo trecho vai se observar que eram elas levadas num cesto e
entregues ao Sacerdote, que dispunha uma parte no Altar, de outras partes se
alimentando e entregando aos Sacerdotes a sua herança, para a Santificação
geral da colheita. A palavra cesto em latim é "sportula", donde o costume da
Igreja em receber espórtulas de alguns atos. É direito dela que nos primórdios
do cristianismo era levada num cesto durante o Ofertório da Cerimônia
Eucarística e entregue ao Sacerdote que recolhia o conteúdo e depois se
lavava para poder manusear e distribuir a Comunhão, donde o rito do Lava -
Mãos.

"E no dia em que moverdes o molho, oferecereis um cordeiro sem defeito, de


um ano, em holocausto a Iahweh. Sua oferta de cereais será dois décimos de
efá de flor de farinha, amassada com azeite, para oferta queimada em cheiro
suave a Iahweh; e a sua oferta de libação será de vinho, um quarto de him" -
oblação essa que seria o indispensável complemento consecratório de toda a
oferenda que se fazia, e somente após a Santificação assim formalizada é que
se alimentavam dos frutos da produção então "abençoada" (Lv 23,11 - "...para
que sejais aceitos"):

"E não comereis pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes,
até aquele mesmo dia, em que trouxerdes a oferta do
vosso Deus; é estatuto perpétuo pelas vossas gerações, em
todas as vossas habitações" (Lv 23,14).

16.3 Festa de Pentecostes ou Festa das Semanas

A partir do dia seguinte ao Sábado, quando do Movimento do Feixe de


Primícias, contar-se-á sete semanas inteiras, cincoenta dias, para a
celebração da Festa de Pentecostes ou Festa das Semanas:

"Contareis para vós, desde o dia depois do sábado, isto é,


desde o dia em que houverdes trazido o molho da oferta de
movimento, sete semanas inteiras; até o dia seguinte ao
sétimo sábado, contareis cinqüenta dias; então oferecereis uma
oblação nova de cereais a Iahweh" (Lv 23,15-16).

Então, no qüinquagésimo dia "...oferecereis uma oblação nova de cereais a


Iahweh", ou seja, um sacrifício de produtos da colheita feita recentemente, cujo
cerimonial se destina a agradecer a Iahweh pela fartura reconhecida e então
evidenciada, na prometida "terra boa e espaçosa onde flui o leite e o mel" (Ex
3,8):

"Das vossas habitações trareis, para oferta de movimento, dois


pães de dois décimos de efá; serão de flor de farinha, e
levedados se cozerão; são primícias a Iahweh. Com os pães
oferecereis sete cordeiros sem defeito, de um ano, um novilho
e dois carneiros; serão holocausto a Iahweh, com as
respectivas ofertas de cereais e de libação, por oferta
queimada de cheiro suave a Iahweh. Também oferecereis um
bode para oferta pelo pecado, e dois cordeiros de um ano para
sacrifício de ofertas pacíficas. Então o sacerdote os moverá,
juntamente com os pães das primícias, por oferta de
movimento perante Iahweh, com os dois cordeiros; santos
serão a Iahweh para uso do sacerdote. E fareis proclamação
nesse mesmo dia, pois tereis santa convocação; nenhum
trabalho servil fareis; é estatuto perpétuo em todas as vossas
habitações pelas vossas gerações" (Lv 23,17-21).

"Das vossas habitações trareis, para oferta de movimento, dois pães de dois
décimos de efá, de flor de farinha e cozidos com levedo, como primícias a
Iahweh" - a oferenda desses dois pães levedados caracterizam
especificamente a solenidade, por causa do fermento que se vedava nos
sacrifícios (Lv 2,11s), motivo por que não seriam queimados no Altar, mas junto
com dois cordeiros da oferta pacífica, destinar-se-iam ao Sacerdote e seus
familiares (Lv 23,20), após o holocausto de sete cordeiros, um novilho e dois
carneiros, com as libações do ritual, e o bode do oferenda de expiação (Lv
23,18-19). O nome de Oferta de Movimento se origina do "movimento" feito
pelo ofertante empunhando a oferenda junto com o celebrante em direção do
Altar, pelo que a entregava e ao recebê-la de volta, de Iahweh, deixava-a nas
mãos do sacerdote.

A regulamentação da solenidade termina com uma recomendação


humanitária:

"Quando fizeres a sega da tua terra, não segarás totalmente os


extremos do teu campo, nem respigarás as espigas caídas que
ficarem; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás. Eu sou
Iahweh vosso Deus" (Lv 23,22).

16.4 Festa das Trombetas

Assim era conhecida a festa que tinha início no primeiro dia do sétimo mês
religioso, em que se anunciaria mais tarde o começo do ano civil com o toque
delas:

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala aos filhos de Israel: No


sétimo mês, no primeiro dia do mês, haverá para vós descanso
solene, em memorial, com toque de trombetas e uma santa
assembléia. Nenhum trabalho servil fareis, e oferecereis
sacrifícios pelo fogo a Iahweh" (Lv 23,23-25).

Todos os meses do ano e por ocasião da lua nova havia uma solenidade em
que se ofereciam holocaustos e um bode em expiação (Nm 28,11-15). Neste,
porém, assumia um caráter especial de Santidade por ser o sétimo, o mês
sabático, coincidindo ainda nele a Grande Festa de Expiação e a Festa das
Tendas (Lv 23,27-43). Tudo isso faz com que seja distinguido com uma
comemoração especial inicialmente de regozijo ao som das Trombetas (Nm
10,1-2a.10), completando-se com mais Holocaustos e Sacrifício Pelo Pecado,
aos que já se celebravam mensalmente (Nm 28,11-15):

"No sétimo mês, no primeiro dia do mês, tereis uma assembléia


santa; nenhum trabalho servil fareis; será para vós dia de
toque de trombetas. Oferecereis um holocausto em cheiro
suave a Iahweh: um novilho, um carneiro e sete cordeiros de
um ano, todos sem defeito; e a sua oferta de cereais, de flor de
farinha misturada com azeite, três décimos de efá para o
novilho, dois décimos para o carneiro, e um décimo para cada
um dos sete cordeiros; e um bode para oferta pelo pecado,
para fazer expiação por vós; além do holocausto do mês e a
sua oferta de cereais, e do holocausto contínuo e a sua oferta
de cereais, com as suas ofertas de libação, segundo a
ordenança, em cheiro suave, oferta queimada a Iahweh" (Nm
29,1-6).

16.5 Festa do Grande Dia da Expiação

Soa como um complemento vindo narrada em seguida:

"Disse mais Iahweh a Moisés: Ora, o décimo dia desse sétimo


mês será o dia da expiação; tereis santa assembléia, e
mortificareis as vossas almas ('jejuareis'); e oferecereis oferta
queimada ('holocausto') a Iahweh. Nesse dia não fareis
trabalho algum; porque é o dia da expiação, para nele fazer-se
expiação por vós perante Iahweh o vosso Deus Pois toda alma
que não se afligir (jejuar) nesse dia, será extirpada do seu
povo. Também toda alma que nesse dia fizer algum trabalho,
eu a destruirei do meio do seu povo. Não fareis nele trabalho
algum; isso será estatuto perpétuo pelas vossas gerações em
todas as vossas habitações. Sábado de descanso vos será, e
afligireis as vossas almas; desde a tarde do dia nono do mês
até a outra tarde, guardareis o vosso sábado" (Lv 23,26-32).

Dessa Festa já se tratou no n.º 14, quando se comentou Lv 16, impondo-se


então uma breve recordação a que se remete o leitor. Insiste-se aqui na
observância rigorosa do jejum e do repouso e sua duração, com graves
ameaças para quem não respeitar o cerimonial nos mínimos detalhes.

16.6 Festa das Tendas ou dos Tabernáculos ou das Cabanas

Já se falou a respeito quando ainda tinha o nome de Festa da Colheita de fim


de ano agrícola. Em virtude da variedade de datas da realização das colheitas
na Palestina não se fixa ainda a data dessa comemoração, podendo-se
observar a sua diversidade em vários locais (Ex 23,16 / Lv 28,33-43 / Dt 16,13-
15 / Nm 29,12-38):

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo:


Desde o dia quinze desse sétimo mês haverá a festa dos
tabernáculos a Iahweh por sete dias. No primeiro dia haverá
santa assembléia; nenhum trabalho servil fareis. Por sete dias
oferecereis sacrifícios pelo fogo a Iahweh; ao oitavo dia tereis
santa assembléia, e oferecereis sacrifício pelo fogo a Iahweh;
será uma assembléia solene; nenhum trabalho servil fareis" (Lv
23,33-36).

Ratifica-se então, sem se descuidar dos sábados, todas as comemorações do


ano, cada qual com suas oferendas apropriadas e seus Sacrifícios específicos,
finalizando-se a sua descrição. Realça-se pelo destaque da repetição a
importância da Festa das Cabanas, como fora o encerramento de todas elas
exatamente por ser a última do ano. Daí a sua celebração bem mais solene,
tal como descrito em Nm 29,12-38, com o oferecimento de Holocaustos,
Sacrifícios, Oblações e Libações todos os dias da semana festiva, sem
prejuízo do Holocausto Cotidiano, também oferecido (Nm
29,16.19.22.25.28.31.34.38) e dos dons, votos, ofertas voluntárias, oferendas
diversas, primícias, primogênitos, dízimos etc. (Dt 12,5-7), como se deduz da
nomeação genérica então feita:

"Estas são as festas fixas de Iahweh, que proclamareis como


santas assembléias, para oferecer-se a Iahweh oferta
queimada, holocausto e oferta de cereais, sacrifícios e ofertas
de libação, cada qual em seu dia próprio; além dos sábados de
Iahweh, e além dos vossos dons, e além de todos os vossos
votos, e além de todas as vossas ofertas voluntárias que
derdes ao Senhor" (Lv 23,37-38).

Esclarecida a finalização do ano litúrgico coincidindo com as colheitas finais


fixa-se a data inicial da festa, descrevendo-se o caráter comemorativo dela e o
motivo da celebração vinculado à Aliança que se corporificou a partir da
libertação do Egito, lembrando a vida nômade do Povo de Deus em
peregrinação no deserto em busca da Terra Prometida a Abraão, e em fase de
cumprimento definitivo:

"Desde o dia quinze do sétimo mês, quando tiverdes colhido os


frutos da terra, celebrareis a festa de Iahweh por sete dias; no
primeiro dia haverá descanso solene, e no oitavo dia haverá
descanso solene. No primeiro dia tomareis para vós o fruto de
árvores formosas, folhas de palmeiras, ramos de árvores
frondosas e salgueiros de ribeiras; e vos alegrareis perante
Iahweh vosso Deus por sete dias. E celebrá-la-eis como festa a
Iahweh por sete dias cada ano; estatuto perpétuo será pelas
vossas gerações; no mês sétimo a celebrareis. Por sete dias
habitareis em tendas de ramos; todos os naturais em Israel
habitarão em tendas de ramos, para que as vossas gerações
saibam que eu fiz habitar em tendas de ramos os filhos de
Israel, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou Iahweh vosso
Deus" (Lv 23,39-43).

Certos aspectos dela só se esclarecem em outros locais, destacando-se o


caráter festivo, de enorme regozijo e solene de que se revestia, chegando a
ser denominada simplesmente de "Festa". Era ocasião de verdadeiro
reconhecimento das bênçãos com que o Povo de Iahweh foi cumulado,
passando da vida rústica e nômade do deserto para a vida de fartura em
território fixo, cuja colheita se comemorava, pedindo-as ainda para a próxima
semeadura (Ne 8,14-18 / 2Mac 10,6-7 / cfr. tb. Dt 16,13-17). Com esta Festa
encerra-se a descrição pormenorizada delas:

"Assim promulgou Moisés aos filhos de Israel as festas fixas de


Iahweh " (Lv 23,44).

16.7 O Candelabro e os Pães da Apresentação

Novamente são alvo de análise algumas normas de culto cotidiano e de valor


fundamental, apesar de sua aparente simplicidade. São as concernentes ao
Candelabro e aos Pães da Proposição ou da Apresentação. O Candelabro é
descrito de maneira muito idêntica a Ex 27,20-21, a respeito dos quais já se
comentou (Capítulo 4, ns.º 2 e 3):

"Disse mais Iahweh a Moisés: Ordena aos filhos de Israel que te


tragam, para o candelabro, azeite de oliveira, puro, batido, a
fim de manter uma lâmpada acesa continuamente. Aarão a
conservará em ordem perante Iahweh, continuamente, desde a
tarde até a manhã, fora do véu do testemunho, na tenda da
reunião; será estatuto perpétuo pelas vossas gerações. Sobre o
candelabro de ouro puro conservará em ordem as lâmpadas
perante Iahweh continuamente" (Lv 24,1-4).

Quanto aos Pães da Proposição agora se regulamenta o cerimonial já


instituído e anunciado (Ex 25,30), quando foi descrita a mesa onde é colocado
(Ex 25,23-30; 37,10-16):

"Também tomarás flor de farinha, e dela cozerás doze pães;


cada pão será de dois décimos de efa. E pô-los-ás perante
Iahweh, em duas fileiras, seis em cada fileira, sobre a mesa de
ouro puro. Sobre cada fileira porás incenso puro, para que seja
sobre os pães como memorial, isto é, como oferta queimada a
Iahweh. Em cada sábado, colocar-se-ão regularmente perante
Iahweh para sempre, como uma aliança perpétua da parte de
Israel. Pertencerão os pães a Aarão e a seus filhos, que os
comerão em lugar santo, por serem coisa santíssima para eles,
das ofertas queimadas a Iahweh por estatuto perpétuo" (Lv
24,5-9).

Em vários locais recebe também o nome de "Pão da Face", qual seja, o "Pão
da Presença" (Ex 25,30; 35,13; 39,36; 40,23; Nm 4,7; 1Sm 21,5-7; 1Rs 7,48;
2Cr 4,19) ou o "Pão da Pilha", isto é "partido em fileiras ou pilhas" (1Cr 9,32;
23,29; Ne 10,34; 2Cr 13,11). Eram Pães que se dispunham em mesa a eles
destinada (Ex 25,23-30) "na minha presença (de Iahweh - Ex 29,30)" em
número de doze, representando logicamente as tribos de Israel, seis em cada
fileira, sobre os quais se deitava Incenso a ser queimado em oblação (Lv 2,2).
Por se integrar num cerimonial de sacrifício eram "coisa santíssima para os
sacerdotes, das oferendas no fogo a Iahweh", devendo ser por eles comidos
cada semana ao se substituir por novos e no momento de se queimar o
Incenso" como memorial" perene da Aliança. Além do pão há ainda resquícios
do uso de libações de vinho, eis que se fala em "copos e taças de ouro" (Ex
25,29; 37,16; Nm 4,7), o que lembra a Ceia Eucarística. Jesus menciona que
Davi e seus soldados comeram desse Pão quando em fuga de Saul estando
com fome, para mostrar aos fariseus que existem necessidades do homem
que permitem o descumprimento de determinadas prescrições legais (Mt 12,4
e par.).

16.8 - O Castigo das Blasfêmias e a Lei do Talião

Regras de Justiça na Comunidade Israelita: A seqüência lógica da exposição é


bruscamente deformada pela narrativa de uma desavença ocorrida entre um
filho de pai egípcio e mãe Israelita, que culmina com uma ofensa a Iahweh (Lv
24,10-16). Tal blasfêmia era intolerável e desde o Sinai condenada (Ex 22,27),
porém não trazia a pena correspondente. Por causa disso é ele enclausurado
até que Moisés consultasse Iahweh do castigo a lhe ser imposto, e aquilo que
Moisés dissesse era aceito como sendo determinado por Deus, tal como
informara ao seu sogro Jetro em situações similares:

"Respondeu Moisés a seu sogro: É por que o povo vem a mim


para consultar a Iahweh. Quando eles têm alguma
desavença, vêm a mim; e eu julgo entre um e outro e dou-lhes
a conhecer os estatutos de Deus e as suas leis" (Ex 18,15-
16).

Moisés se impusera ao Povo Israelita como um enviado de Deus. Suas


decisões, fruto as mais das vezes de oração e meditação, bem como de
oráculos para se decidir pela sorte questões as mais diversas, eram
reconhecidas como advindas de Deus. Usava para isso métodos então
reconhecidos (Gn 25,22-23) ou o "peitoral do julgamento"(Ex 28,15; 1Sm
14,41). O fato é que Moisés decreta em nome de Iahweh, o que era aceito tal
como se fora recebido do próprio Deus:

"Então disse Iahweh a Moisés: Tira para fora do arraial o que


tem blasfemado; todos os que o ouviram porão as mãos sobre
a cabeça dele, e toda a congregação o apedrejará. E dirás aos
filhos de Israel: Todo homem que amaldiçoar o seu Deus, levará
sobre si o seu pecado. E aquele que blasfemar o nome de
Iahweh, certamente será morto; toda a congregação
certamente o apedrejará. Tanto o estrangeiro como o natural,
que blasfemar o nome de Iahweh, será morto" (Lv 24,13-16).

A narração do blasfemador recapitula a condição de qualquer um que


oferecesse um filho seu a Moloc (Lv 20,2-5), devendo ocorrer aqui também até
mesmo a solidariedade de todos com o ato, no caso de se omitir a punição do
responsável:

"E aquele que blasfemar o nome de Iahweh, será morto; toda a


comunidade o apedrejará. Tanto o estrangeiro como o natural,
que blasfemar o nome de Iahweh será morto" (Lv 24,16) /
"Disse mais Iahweh a Moisés: Também dirás aos filhos de Israel:
Qualquer dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros peregrinos
em Israel, que der de seus filhos a Moloc, será morto; o povo
da terra o apedrejará. Eu porei o meu rosto contra esse
homem, e o extirparei do meio do seu povo; porquanto deu de
seus filhos a Moloc, assim contaminando o meu santuário e
profanando o meu santo nome. E, se o povo da terra de alguma
maneira esconder os olhos para não ver esse homem, quando
der de seus filhos a Moloc, e não o matar, eu porei o meu rosto
contra esse homem, e contra a sua família, e o extirparei do
meio do seu povo, bem como a todos os que forem após ele,
prostituindo-se após Moloc" (Lv 20,1-5).

Alguns fatos chamam a atenção a começar com a imposição das mãos das
testemunhas sobre a cabeça dele, tal como no holocausto são colocadas na
cabeça do animal oferecido em expiação. Tal ato tem essa dimensão apoiado
na afirmação de que "o blasfemador levará sobre si o seu pecado". As
testemunhas e principais acusadoras e executoras (Dt 17,7) declaram assim
solenemente a culpa dele apurada no julgamento, e as testemunhas
isentavam-se de qualquer solidariedade com o blasfemo sofrendo este a plena
responsabilidade do que fizera . Além disso, retiram o infrator para "fora do
acampamento" para não contaminá-lo tal como ao Santuário com essa
impureza ou profanação, tal como se fazia com as oferendas da Festa da
Expiação que contaminadas com as iniqüidades de Israel eram queimadas
fora da mesma forma ( Lv 16,27; 24,14; Nm 15,35; Dt 17,2-7; At 7,57).

Surgem então aparentemente deslocadas do contexto essas duas leis,


respectivamente contra os que blasfemarem o nome de Iahweh e os que
ferirem a outrem da comunidade Israelita, seja natural ou estrangeiro. São
meios enérgicos para coibir os abusos que venham a provocar desequilíbrio,
desarmonia ou conflito ao meio social, trazendo insegurança aos integrantes
da comunidade recém formada. São alvo de reação enérgica e violenta por
causa das conseqüências danosas que trazem à nova nação ainda no
nascedouro. São os delitos praticados diretamente contra as pessoas,
agressões ou outras violências, perturbando a paz social, bem como as
blasfêmias, ambos também por ferir a Aliança com Iahweh, fonte de todas as
bênção de que o Povo Israelita necessita:

"Quem matar alguém, será morto; e quem matar um animal, o


ressarcirá, animal por animal. Se alguém ferir o seu próximo,
como ele fez, assim lhe será feito: fratura por fratura, olho por
olho, dente por dente; tal como ele tiver ferido um homem, tal
lhe será feito. Quem, pois, matar um animal, fará restituição
por ele; mas quem matar um homem, será morto. Uma mesma
lei tereis, tanto para o estrangeiro como para o natural; pois eu
sou o Iahweh vosso Deus" (Lv 24,17-22).

Com isso, há um encerramento parcial das normas punitivas dadas por Iahweh
no Monte Sinai para serem cumpridas pela comunidade de Israel. Cumpriram-
nas quando disse que "Eu porei o meu rosto contra esse homem, e o extirparei
do meio do seu povo", substituindo assim a Deus na execução da pena ditada
por Moisés:

"Todo homem que amaldiçoar o seu Deus, levará sobre si o seu


pecado. E aquele que blasfemar o nome do Senhor, certamente
será morto; toda a congregação certamente o apedrejará. (...)
Então falou Moisés aos filhos de Israel. Depois eles levaram
para fora do arraial aquele que tinha blasfemado e o
apedrejaram. Fizeram, pois, os filhos de Israel como Iahweh
ordenara a Moisés" (Lv 24,15-16.23).

No Novo Testamento tanto São Estevão (At 7,57) como Jesus são vítimas do
mesmo tratamento, de que Hebreus tira uma sutil conclusão:

"Ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam


os dentes contra Estêvão. Mas ele, cheio do Espírito Santo,
fitando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus em pé à
direita de Deus, e disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho
do homem em pé à direita de Deus. Então eles gritaram com
grande voz, taparam os ouvidos, e arremeteram unânimes
contra ele e, lançando-o fora da cidade o apedrejavam. E
as testemunhas depuseram as suas vestes aos pés de um
mancebo chamado Saulo. Apedrejavam, pois, a Estêvão que
orando, dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito" (At 7,54-59)
/ "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente. Não
vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas; porque bom
é que o coração se fortifique com a graça, e não com
alimentos, que não trouxeram proveito algum aos que com eles
se preocuparam. Temos um altar, do qual não têm direito de
comer os que servem ao tabernáculo. Porque os corpos dos
animais, cujo sangue é trazido para dentro do santo lugar pelo
sumo sacerdote como oferta pelo pecado, são queimados fora
do arraial. Por isso também Jesus, para santificar o povo
pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta. Saiamos
pois a ele fora do arraial, levando o seu opróbrio (Hb 13,8-13).

Também no Evangelho de Mateus que pretendeu mostrar aos judeus que


Jesus é o Novo Moisés (Dt 18,15), situa o Sermão da Montanha no alto de um
monte (Mt 5,1) tal como ocorrera no Monte Sinai (Ex 19-20) com o Código da
Aliança. Tanto é isso certo que Lucas o situa num "lugar plano" (Lc 6,17). Não
se pode ver ai uma contradição ou que os Evangelhos sejam mais fruto de
artifício literário de seus autores, mas que na distribuição lógica dos temas
escolhiam aqueles mais adequados, eis que Cristo não falou as bem-
aventuranças uma vez só. E é ai nesse Sermão da Montanha que Jesus nos
apresenta a essência de sua doutrina, partindo do princípio de que viera para
levar a plena eficácia a Lei e os Profetas:

"Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim


destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até
que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei
um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido. Qualquer,
pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja,
e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino
dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será
chamado grande no reino dos céus. Pois eu vos digo que, se a
vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo
nenhum entrareis no reino dos céus" (Mt 5,17-20).

Quando à lei do Talião a modificará substancialmente ao "ensinar com


autoridade" (Mt 7,29):

"Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu,
porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas, a
qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a
outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-
lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil
passos, vai com ele dois mil. Dá a quem te pedir, e não voltes
as costas ao que quiser que lhe emprestes" (Mt 5,38-42).

Também, referindo-se à blasfêmia a esclarece bem:

"Portanto vos digo: Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos


homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.
Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do Homem,
isso lhe será perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito
Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no
vindouro" (Mt 12,31-32).

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LEVÍTICO
17. O ANO SABÁTICO E O ANO DO JUBILAR

São as duas últimas festas religiosas advindas do Código da Aliança (Ex


23,10-11) entregue a Moisés no Sinai ou Horeb (Lv 27,34), de grande alcance
social e religioso e voltadas para os pobres e os animais do campo:

17.1. O Ano Sabático

"Seis anos semearás tua terra, e recolherás os seus frutos; mas


no sétimo ano a deixarás repousar, para que os pobres do
teu povo possam comer, e do que estes deixarem
comam os animais do campo. Assim farás com a tua vinha e
com o teu olival" (Ex 23,10-11).

É indispensável repetir e ampliar o significado da palavra "shabat" em hebraico


que é "cessar o que se faz e se retornar ao que se fazia antes". Assim foi que
no fim da Criação Deus "shabat", qual seja "cessou de toda obra que criando
havia feito" (Gn 2,3). Os Israelitas são instruídos para fazer o mesmo com a
terra "que produz":

"Disse mais Iahweh a Moisés no monte Sinai: Fala aos filhos de


Israel e dize-lhes: Quando tiverdes entrado na terra que eu vos
dou, a terra guardará um sábado em honra de Iahweh. Seis
anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e
colherás os seus frutos; mas no sétimo ano haverá sábado de
descanso solene para a terra, um sábado em honra de Iahweh;
não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha. O que
nascer de si mesmo da tua sega não segarás, e as uvas da tua
vide não tratada não vindimarás; ano de descanso solene será
para a terra. Mas os frutos do sábado da terra vos serão por
alimento, a ti, e ao teu servo, e à tua serva, e ao teu jornaleiro,
e ao estrangeiro que peregrina contigo, e ao teu gado, e aos
animais que estão na tua terra; todo o seu produto será por
mantimento" (Lv 25,1-7).

À guisa de comparação substitua-se a palavra "sábado" pelo correspondente


sentido hebraico de "cessar", e ter-se-á:

"Disse mais Iahweh a Moisés no monte Sinai: Fala aos filhos de


Israel e dize-lhes: Quando tiverdes entrado na terra que eu vos
dou, a terra guardará um "cessar" em honra de Iahweh. Seis
anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua
vinha, e colherás os seus frutos; mas no sétimo ano
haverá "um cessar" solene para a terra, um "cessar" em
honra de Iahweh; não semearás o teu campo, nem
podarás a tua vinha. O que nascer de si mesmo da tua sega
não segarás, e as uvas da tua vide não tratada não vindimarás;
ano de "retorno ao estado anterior" solene será para a terra.
Mas os frutos do "cessar" da terra vos serão por alimento, a ti,
e ao teu servo, e à tua serva, e ao teu jornaleiro, e ao
estrangeiro que peregrina contigo, e ao teu gado, e aos
animais que estão na tua terra; todo o seu produto será por
mantimento" (Lv 25,1-7).

Então o que se recebe da terra no "Ano Sabático" são os frutos da Bênção de


Iahweh ao "Sétimo Dia" ("...e Iahweh abençoou o sétimo dia..." - Gn 2,3), isto
é de sua fecundidade natural, sem o concurso humano e "em honra de
Iahweh", pelo que é uma dádiva de Deus. E, com a autoridade de dono de
toda a "terra que vos dou" (Lv 25,2), os destina a todos os habitantes (Lv 25,6-
7) e também aos pobres e o que lhes sobrar aos animais (Ex 23,10-11). A
finalidade da comemoração não tem outra finalidade que homenagear e
reconhecer a soberana transcendência de Iahweh, agindo na Criação pela
Bênção que lhe deu, independentemente do Homem e sem a qual o trabalho
humano nada produziria:

"Se disserdes: Que comeremos no sétimo ano, visto que não


havemos de semear, nem fazer a nossa colheita? então eu
mandarei a minha bênção sobre vós no sexto ano, e a terra
produzirá fruto bastante para os três anos. No oitavo ano
semeareis, e comereis da colheita velha; até o ano nono, até
que venha a colheita nova, comereis da velha" (Lv 25,20-22).

17.1 - O Ano Jubilar

Fundamental para o Povo de Israel, desde o seu anúncio, durante o seu


preparo e no decurso de sua formação, é a busca de comunhão com Iahweh,
traduzida na Aliança. Essa condição é tão básica que se torna a essência de
sua vida, tanto na esfera religiosa como na profana. Na Instituição do Ano
Jubilar a mesma tendência vai adquirir um sentido vivencial prático para o
equilíbrio da comunidade, a fim de se manter a paz e harmonia entre os seus
membros, nivelando sempre as diferenças de fortuna que soem acontecer.
Coerentemente, o que rege essa Instituição é o princípio de que toda a terra é
de Iahweh, que a distribui ao Seu Povo com a observância duma série variável
de condições de acordo com cada tipo de propriedade.

Delineia-se o modo de se determinar a data da festa, anunciada no Dia da


Expiação com "trombetas" ("yobel" = nome hebraico do chifre do carneiro
usado nelas, donde veio o nome da festa - "jubileu"):

"Também contarás sete semanas de anos, sete vezes sete


anos; de maneira que os dias dos sete sábados de anos serão
quarenta e nove anos. Então, no décimo dia do sétimo mês,
farás soar fortemente a trombeta; no dia da expiação fareis
soar a trombeta por toda a vossa terra. E santificareis o
ano qüinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os
seus habitantes; ano de jubileu será para vós; pois tornareis,
cada um à sua possessão, e cada um à sua família. Esse
ano qüinquagésimo será para vós jubileu; não semeareis,
nem segareis o que nele nascer de si mesmo, nem nele
vindimareis as uvas das vides não tratadas. Porque é
jubileu; santo será para vós; diretamente do campo
comereis o seu produto. Nesse ano do jubileu tornareis,
cada um à sua possessão" (Lv 25,8-13).

Ao que se observa a abertura do Ano Jubilar se dava no Dia da Expiação, ao


som de trombetas, e assim preparados pelo jejum e a penitência que lhe eram
pertinentes. O ritual de santificação se compunha do retorno de cada qual à
sua herança ou propriedade e do escravo à sua família, e o repouso da terra
igualar-se-á ao do ano sabático:

"Se venderdes alguma coisa ao vosso próximo ou a comprardes


da mão do vosso próximo, não vos defraudareis uns aos outros.
Conforme o número de anos desde o jubileu é que comprarás
ao teu próximo, e conforme o número de anos das colheitas é
que ele te venderá. Quanto mais forem os anos, tanto mais
aumentarás o preço, e quanto menos forem os anos, tanto
mais abaixarás o preço; porque é o número das colheitas que
ele te vende" (Lv 25,14-16).

Usando de nossa linguagem, são restrições ao absolutismo da propriedade


privada com duas normas de fortes conseqüências econômicas e sociais: o
retorno da propriedade imóvel à "herança" do vendedor e a libertação de todos
os escravos israelitas. Por se tratar da Terra Prometida, de um direito Israelita
de herança familiar (Lv 25,25.47-55) em si inalienável, vendia-se a colheita,
uma espécie de direito de usufruto, em tudo conforme a soberana vontade de
Iahweh, cuja Bênção a acompanhava:

"Nenhum de vós oprimirá ao seu próximo; mas temerás o teu


Deus; porque eu sou Iahweh o vosso Deus. Pelo que
observareis os meus estatutos, e guardareis os meus preceitos
e os cumprireis; assim habitareis seguros na terra. Ela dará o
seu fruto, e comereis a fartar; e nela habitareis seguros. Se
disserdes: Que comeremos no sétimo ano, visto que não
havemos de semear, nem fazer a nossa colheita? então eu
mandarei a minha bênção sobre vós no sexto ano, e a terra
produzirá fruto bastante para os três anos. No oitavo ano
semeareis, e comereis da colheita velha; até o ano nono, até
que venha a colheita nova, comereis da velha. Também não se
venderá a terra em perpetuidade, porque a terra é minha; pois
vós estais comigo como estrangeiros e peregrinos. Portanto em
toda a terra da vossa possessão concedereis que seja remida a
terra. Se teu irmão empobrecer e vender uma parte da sua
possessão, virá o seu parente mais chegado e remirá o que seu
irmão vendeu. E se alguém não tiver redentor, mas ele mesmo
tiver enriquecido e achado o que basta para o seu resgate,
contará os anos desde a sua venda, e o que ficar do preço da
venda restituirá ao homem a quem a vendeu, e tornará à sua
possessão. Mas, se as suas posses não bastarem para reavê-la,
aquilo que tiver vendido ficará na mão do comprador até o ano
do jubileu; porém no ano do jubileu sairá da posse deste, e
aquele que vendeu tornará à sua possessão" (Lv 25,17-28).

Havia também modificações no Direito Urbano da Propriedade Imóvel,


variando-se a vigência do Direito de Resgate (Lv 25,29-31), bem como o ritual
concernente à "herança" dos levitas (Lv 25,32-34):

"Se alguém vender uma casa de moradia em cidade murada,


poderá remi-la dentro de um ano inteiro depois da sua venda;
durante um ano inteiro terá o direito de a remir. Mas se,
passado um ano inteiro, não tiver sido resgatada, essa casa
que está na cidade murada ficará, em perpetuidade,
pertencendo ao que a comprou, e à sua descendência; não
sairá o seu poder no jubileu. Todavia as casas das aldeias que
não têm muro ao redor serão consideradas como o campo da
terra; poderão ser remidas, e sairão do poder do comprador no
jubileu. Também, no tocante às cidades dos levitas, às casas
das cidades da sua possessão, terão eles direito perpétuo de
resgatá-las. E se alguém comprar dos levitas uma casa, a casa
comprada e a cidade da sua possessão sairão do poder do
comprador no jubileu; porque as casas das cidades dos levitas
são a sua possessão no meio dos filhos de Israel. Mas o campo
do arrabalde das suas cidades não se poderá vender, porque
lhes é possessão perpétua" (Lv 25,29-34).

Por causa da igualdade e justiça que deveria nortear a distribuição da Terra


Prometida, deveria ser amparada a escravidão dos "herdeiros", por se tratar de
"servos de Iahweh" (Lv 25,42), que se empobreciam e se vendiam por dívidas
(Dt 15,4-15), pelo que desde o início o Código da Aliança a mitigava (Ex 21,1-
11). São os vários deveres de misericórdia divina que o Povo de Iahweh
deveria refletir como "imagem", até mesmo com os estrangeiros (Ex 12,49;
22,20; Lv 19,33-34), com base em que se condensa e se iguala o tratamento
dispensado ao escravo Israelita:

"Se teu irmão ficar pobre ao teu lado, e lhe enfraquecerem as


mãos, ampará-lo-ás como estrangeiro e peregrino para que
possa viver contigo. Não tomarás dele juros nem lucro, mas
temerás o teu Deus, para que teu irmão viva contigo. Não lhe
darás teu dinheiro a juros, nem os teus víveres por usura. Eu
sou Iahweh o vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para
vos dar a terra de Canaã, para ser o vosso Deus. Também, se
teu irmão empobrecer ao teu lado e vender-se a ti, não o farás
servir como escravo. Como assalariado e como peregrino
trabalhará contigo até o ano do jubileu. Então sairá do teu
serviço, e com ele seus filhos, e tornará à sua família, à
possessão de seus pais. Porque são meus servos, que tirei
da terra do Egito; não serão vendidos como escravos.
Não dominarás sobre ele com rigor, mas temerás o teu
Deus. E quanto aos escravos ou às escravas que tiveres serão
comprados das nações que estiverem ao redor de vós. Também
os comprareis dentre os filhos dos estrangeiros que habitarem
entre vós, bem como dentre as suas famílias que vivem
convosco, que nascerem na vossa terra; serão vossa
propriedade. E deixá-los-eis por herança aos vossos filhos
depois de vós, para os herdarem como propriedade perpétua.
Desses tomareis os vossos escravos; mas sobre vossos irmãos,
os filhos de Israel, não os oprimireis com poder" (Lv 25,35-46).

"Eu sou Iahweh o vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos dar a
terra de Canaã, para ser o vosso Deus"..."Porque são meus servos, que tirei
da terra do Egito; não serão vendidos como escravos. Não dominarás sobre
ele com rigor, mas temerás o teu Deus" - O temor de Iahweh é o fundamento
religioso de todas as Instituições Israelitas, do que não se isentaria o Jubileu.
Esse temor não era propriamente falando um medo de Deus, mas de não mais
gozar das Bênção de Iahweh. A generosidade de Deus deveria ser partilhada
por todos os povos que se abrigassem em Israel. É a soberania de Iahweh que
se traduz em atos de seus súditos, distinguindo-os dos demais que os tornava
"santos", cuja santidade vai se comemorar na Festa do Ano Jubileu que se
inicia no Dia da Expiação. Assim, a generosidade de Deus "que não faz
acepção de pessoas" vai se reproduzir tanto no trato do estrangeiro como no
do escravo Israelita, dispensando igual tratamento de Iahweh desde o
libertação do Egito. É claro que somente fora dos domínios de Iahweh, junto
dos demais povos, é que poder-se-ia adquirir escravos nos moldes vigentes de
propriedade perpétua, objeto até mesmo de herança. Tal como no cristianismo
o objeto fundamental do tratamento aos irmãos e estrangeiros ali residentes e
reduzidos à miséria era o que se denomina atualmente caridade, no sentido de
que tudo se faria para a sua recuperação de justiça. Buscava-se ampará-los
no infortúnio restituindo-lhes os bens quando os pudessem administrar. Daí a
proibição da usura e dos meios de proventos de qualquer espécie em toda a
legislação da Aliança (cfr. Ex 22,25 e Dt 23,20-21) e o tratamento especial
dispensado ao escravo hebreu, que nem poderia ser vendido a outrem. A essa
Lei do Jubileu sujeitava-se até mesmo o estrangeiro, no caso do infortúnio do
Israelita (Lv 25,47-55), pela mesmo fundamento:

"Porque os filhos de Israel são meus servos que tirei da terra


do Egito. Eu sou Iahweh o vosso Deus" (Lv 25,55).

João Paulo II fundamentado nessa comemoração Israelita do Jubileu


conclama a Igreja a sua prática na Carta Apostólica "Tercio Millenio
Adveniente" ("O Advento do Terceiro Milênio") onde diz:

"10. No cristianismo, o tempo tem uma importância


fundamental. Dentro da sua dimensão, foi criado o mundo, no
seu âmbito se desenrola a história da salvação, que tem o seu
ponto culminante na "plenitude do tempo" da Encarnação e a
sua meta no regresso glorioso do Filho de Deus no fim dos
tempos.

(...)

Desta relação de Deus com o tempo nasce o dever de o


santificar. Tal se verifica, por exemplo, quando se dedicam a
Deus tempos específicos, dias ou semanas, como já sucedia na
religião da Antiga Aliança, e acontece ainda, embora de modo
novo, no cristianismo.

(...)

11. Neste contexto, torna-se compreensível o costume dos


jubileus, que tem início no Antigo Testamento e reencontra a
sua continuação na História da Igreja. Um dia Jesus de Nazaré,
tendo ido à sinagoga da sua Cidade, levantou-se para ler (cf. Lc
4,16-30). Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías, onde leu o
seguinte trecho: "O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque
Me ungiu, para anunciar a Boa-Nova aos pobres: enviou-Me a
proclamar a libertação dos cativos e, aos cegos, o recobrar da
vista; a andar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano
de graça do Senhor" (61,1-2).

O Profeta falava do Messias. "Cumpriu-se hoje - acrescentou


Jesus - esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir" (Lc
4,21), fazendo compreender que Ele próprio era o Messias
anunciado pelo Profeta, e que n'Ele tinha início o "tempo" tão
esperado: tinha chegado o dia da salvação, a "plenitude do
tempo". Todos os jubileus se referem a este "tempo" e dizem
respeito à missão messiânica de Cristo, que veio como
"consagrado com a unção do Espírito Santo", como "enviado
pelo Pai". É Ele que anuncia a Boa-Nova aos pobres. É Ele que
leva a liberdade àqueles que dela estão privados, que liberta os
oprimidos, que restitui a vista aos cegos (cf. Mt 11,4-5; Lc
7,22). Deste modo, Ele realiza "um ano de graça do Senhor",
que anuncia não só com a palavra, mas sobretudo com as suas
obras. Jubileu, ou seja, "um ano de graça do Senhor" é a
característica da atividade de Jesus, e não apenas a definição
cronológica de uma certa ocorrência."

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LEVÍTICO
18. EXORTAÇÕES

Formam o que se denomina geralmente de "Bênçãos e Maldições" que


decorrem do cumprimento ou não das leis ditadas por Iahweh no Monte Sinai,
ou seja as Leis da Aliança. A Terra Prometida é tal e qual uma antevisão do
Paraíso a que Deus destinou e ainda destina o Homem, e cuja violação do
preceito de vida ("bênção") então lhe trouxe a morte ("maldição"). Da mesma
forma aqui o abandono de Iahweh e a violação dos preceitos ditados trarão a
esterilidade da maldição:

"Se andardes conforme os meus preceitos, e guardardes os


meus mandamentos e os cumprires, eu vos darei as vossas
chuvas a seu tempo, e a terra dará o seu produto, e as árvores
do campo darão os seus frutos; a debulha vos continuará até a
vindima, e a vindima até a semeadura; comereis o vosso pão a
fartar, e habitareis seguros na vossa terra. Também darei paz
ao país, e vos deitareis, e ninguém vos amedrontará. Farei
desaparecer da terra os animais nocivos, e pela vossa terra não
passará espada. Perseguireis os vossos inimigos, e eles cairão
à espada diante de vós. Cinco de vós perseguirão a um cento
deles, e cem de vós perseguirão a dez mil; e os vossos inimigos
cairão à espada diante de vós. Outrossim, olharei para vós, e
vos farei frutificar, e vos multiplicarei, e confirmarei minha
aliança convosco. E comereis da colheita velha por longo
tempo guardada, até afinal a removerdes para dar lugar à
nova. Também porei o meu santuário no meio de vós, e não vos
rejeitarei. Andarei no meio de vós, e serei o vosso Deus, e
vós sereis o meu povo. Eu sou Iahweh o vosso Deus, que vos
tirei da terra dos egípcios, para que não fôsseis seus escravos;
e quebrei as cadeias do vosso pescoço para andardes de
cabeça erguida" (Lv 26,3-13).

"Andarei no meio de vós..." lembra com perfeição uma frase já bem


conhecida do Jardim do Éden:

"E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava ('andava')


no jardim..." (Gn 3,8).

"...porei o meu santuário no meio de vós..." - Enquanto em peregrinação a


"figura" do Paraíso se concentra no Santuário de Iahweh, cuja edificação se
consuma, com vistas à Terra Prometida e o Reino de Deus que vai se
inaugurar com a Ressurreição de Jesus [ cfr. Jo 1,14 ('...e habitou entre nós') /
Lv 26,12; Ex 25,8; 29,45]:

"...quebrei as cadeias do vosso pescoço para andardes


de cabeça erguida" (Lv 26,13) / "Ora, quando essas coisas
começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas
cabeças, porque a vossa redenção se aproxima... (...)
...quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que o reino de
Deus está próximo. Em verdade vos digo que não passará
esta geração até que tudo isso se cumpra" (Lc 21,28-32).
A condição fundamental é a exclusividade da adoração de um só Deus -
Iahweh (Lv 26,1-2), por cujo abandono várias "maldições" se manifestarão,
denotando a falta da Bênção de Iahweh. Não se trata de simples faltas
decorrentes de uma fraqueza humana sempre previsível em qualquer
instituição, mas de um desligamento definitivo e obstinado de Iahweh:

"Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis


imagem esculpida, nem coluna, nem poreis na vossa terra
pedra com figuras, para vos inclinardes a ela; porque eu
sou Iahweh o vosso Deus. Guardareis os meus sábados, e
reverenciareis o meu santuário. Eu sou Iahweh" (Lv 26,1-2) /
"Mas, se não me ouvirdes, e não cumprirdes todos estes
mandamentos, e se rejeitardes os meus estatutos, e
desprezardes os meus preceitos não cumprindo todas as
minhas leis, mas violando a minha aliança, então eu vos
tratarei assim: porei sobre vós..." (Lv 26,14-16).

A primeira decorrência da preferência e exclusividade de Iahweh como único


Deus é a fidelidade aos seus preceitos ou leis em que se exterioriza ou se
manifesta eficazmente a Aliança, que se apresenta até mesmo em cada
movimento de conversão ou de retorno::

"Se então o seu coração incircunciso se envergonhar, e


pedirem perdão de suas iniqüidades, eu me lembrarei da minha
aliança com Jacó, da minha aliança com Isaque, e da minha
aliança com Abraão..." (Lv 26,41-42).

O seu rompimento ocasionará uma série de "maldições" exemplificadas em


cinco ameaças destinadas mais a alertar quanto às conseqüências do
abandono de Iahweh que propriamente a um castigo. É um chamado
pedagógico à conversão:

1.ª) - A Doença e a pilhagem das colheitas feita por inimigos, em virtude da


impossibilidade de sua defesa pela fraqueza dos homens ocasionada pelo
flagelo:

"...eu, com efeito porei sobre vós o terror, a tuberculose e a


febre ardente, que consumirão os vossos olhos e farão definhar
a vida; em vão semeareis a vossa semente, pois os vossos
inimigos a comerão. Porei o meu rosto contra vós, e caireis
diante de vossos inimigos; os que vos odiarem dominarão
sobre vós, e fugireis sem que ninguém vos persiga" (Lv 26,16-
17).
2.ª) - A Esterilidade da Terra, por cuja fertilidade e abundância das colheitas
que os levaria ao orgulho levando-os ao esquecimento de Iahweh, pelo que
Deus os alerta por querer sempre o retorno deles, ou seja, a conversão:

"Se nem ainda com isto me ouvirdes, prosseguirei em castigar-


vos sete vezes mais, por causa dos vossos pecados. Pois
quebrarei a soberba do vosso poder, e vos farei o céu como
ferro e a terra como bronze. Em vão se gastará a vossa força,
porquanto a vossa terra não dará o seu produto, nem as
árvores da terra darão os seus frutos" (Lv 26,18-20).

"Se nem ainda com isto me ouvirdes, prosseguirei em castigar-vos sete vezes
mais, por causa dos vossos pecados" - esta frase mostra o caráter pedagógico
da conversão que Iahweh lhes imporá "sete vezes", até a exaustão em que
"quebrarei a soberba do vosso poder" (o vosso orgulho). A terra nada
produzirá por causa do calor excessivo e a seca decorrente.

3.ª) - A Invasão dos Animais selvagens então comuns na Terra Prometida, ou


seja, a atual Palestina:

"Ora, se andardes contrariamente para comigo, e não me


quiseres ouvir, trarei sobre vós pragas sete vezes mais,
conforme os vossos pecados. Enviarei para o meio de vós as
feras do campo, as quais matarão os vossos filhos, e destruirão
o vosso gado, e vos reduzirão a pequeno número; e os vossos
caminhos se tornarão desertos" (Lv 26,21-22).

"Ora, se andardes contrariamente para comigo, e não me quiseres ouvir, trarei


sobre vós pragas sete vezes mais, conforme os vossos pecados" - a mesma
frase pedagógica e crescente da conversão., mostrando a vinda de animais
selvagens como um dos frutos da desordem implantada pela idolatria (2Rs
17,25-26).

4.ª) - O Flagelo da Guerra e suas conseqüências como a peste, a fome e a


opressão inimiga:

"Se nem assim quiserdes voltar a mim, mas continuardes a


andar contrariamente para comigo, eu também andarei
contrariamente para convosco; e eu, eu mesmo, vos ferirei sete
vezes mais, por causa dos vossos pecados. Trarei sobre vós a
espada, que executará a vingança da aliança violada, e vos
aglomerareis nas vossas cidades; então enviarei a peste entre
vós, e sereis entregues na mão do inimigo. Quando eu vos
quebrar o sustento do pão, dez mulheres cozerão o vosso pão
num só forno, e de novo vo-lo entregarão racionado; e o
comereis, mas não vos fartareis" (Lv 26,23-26).

Mostra a principal conseqüência do flagelo da guerra, a falta do pão, aqui


significada na quantidade tão exígua que "dez mulheres cozerão o vosso pão
num só forno, e de novo vo-lo entregarão racionado peso; e o comereis, mas
não vos fartareis"

5.ª) - A Devastação do País, o Agravamento da Fome e o Exílio:

"Se nem ainda com isto me ouvirdes, mas continuardes a andar


contrariamente para comigo, também eu andarei
contrariamente para convosco com furor; e vos castigarei sete
vezes mais, por causa dos vossos pecados. E comereis a carne
de vossos filhos e a carne de vossas filhas. Destruirei os vossos
lugares altos, derrubarei as vossas imagens do sol, e lançarei
os vossos cadáveres sobre os destroços dos vossos ídolos; e a
minha alma vos abominará. Reduzirei as vossas cidades a
deserto, e assolarei os vossos santuários, e não cheirarei o
vosso cheiro suave. Assolarei a terra, e sobre ela pasmarão os
vossos inimigos que nela habitam. Espalhar-vos-ei por entre as
nações e, desembainhando a espada, vos perseguirei; a vossa
terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em
deserto" (Lv 26,27-33).

A devastação será de tal envergadura que não mais se conterá nem o amor
natural pelo filhos em busca da própria sobrevivência, em que o instinto de
conservação da espécie vai falar mais alto a ponto de "comereis a carne de
vossos filhos e a carne de vossas filhas", o que acontecia às vezes naquele
tempo, pela crueldade dos cercos militares de conquista (cfr. 2Rs 6,28-29; Jr
19,9; Lm 2,20; 4,10; Ez 5,10). Outra conseqüência de envergadura da
"maldição" que atingiria os idólatras, além da destruição dos lugares de culto,
seria a privação da sepultura (Jr 14,10-13; Jr 22,18-19; Tb 4,3s), o que era
considerado uma irreparável tragédia, ficando os mortos expostos ao relento
tal e qual as imagens ou ídolos destruídos, igualando-os. Os lugares altos de
culto eram usados antigamente eis que quanto mais alto se ficasse mais perto
dos céus estar-se-ia. Ali erguiam-se as várias imagens ou ídolos,
mencionando-se aqui especificamente uma imagem do "Deus - Sol", que
deveria ser uma das idolatrias de então.

Após isso tudo, ou após a ocorrência das "maldições" advindas da idolatria


implantada, com o exílio, viria a purificação da terra, contrastando com a
covardia dos sobreviventes que apodreceriam em terra estrangeira, "por causa
de suas iniqüidades e a dos seus pais":

"Então a terra repousará nos seus sábados, todos os dias da


sua desolação, e vós estareis na terra dos vossos inimigos;
nesse tempo a terra descansará, e repousará nos seus
sábados. Por todos os dias da desolação descansará, pelos dias
que não descansou nos vossos sábados, quando nela
habitáveis. E, quanto aos sobreviventes, eu lhes infundirei
pavor no coração nas terras dos seus inimigos; e o ruído de
uma folha agitada os porá em fuga; fugirão como quem foge da
espada, e cairão sem que ninguém os persiga. E, embora não
haja quem os persiga, tropeçarão uns sobre os outros como
diante da espada; e não podereis resistir aos vossos inimigos.
Assim perecereis entre as nações, e a terra dos vossos inimigos
vos devorará; e os que de vós ficarem apodrecerão pela sua
iniqüidade nas terras dos vossos inimigos, como também pela
iniqüidade de seus pais" (Lv 26,34-39).

Todas as conseqüências dessa idolatria praticada pela infidelidade a Iahweh,


seja trocando-O por outro, seja igualando-O a outros deuses do panteão dos
outros povos, seriam esquecidas com a conversão futura de descendentes
desde que reconhecessem e confessassem o erro dos antecessores
juntamente com a expiação das culpas pela aceitação da justa retribuição a
que se sujeitaram, traduzida no pedido de perdão. Seria assim uma conversão
plena a partir do interior, por causa da fidelidade de Iahweh à Aliança com
Abraão, Isaac e Jacó, apesar da impureza advinda pela convívio com povos
pagãos, pelo que se tornavam também de certa forma incircuncisos:

"Então confessarão a sua iniqüidade, e a iniqüidade de seus


pais, com as suas transgressões, com que transgrediram contra
mim; igualmente confessarão que, por terem andado
contrariamente para comigo, eu também andei contrariamente
para com eles, e os trouxe para a terra dos seus inimigos. Se
então o seu coração incircunciso se humilhar, e expiarem as
suas iniqüidades, eu me lembrarei da minha aliança com Jacó,
da minha aliança com Isaque, e da minha aliança com Abraão;
e bem assim da terra me lembrarei. A terra também será
deixada por eles e repousará nos seus sábados, tendo sido
desolada por causa deles; e eles expiarão as suas iniqüidades,
em razão mesmo de que rejeitaram os meus preceitos e a
desprezaram os meus estatutos. Todavia, ainda assim, quando
eles estiverem na terra dos seus inimigos, não os rejeitarei nem
os abominarei a ponto de consumi-los totalmente e quebrar a
minha aliança com eles; porque eu sou Iahweh o seu Deus.
Antes por amor deles me lembrarei da aliança com os seus
antepassados, que tirei da terra do Egito aos olhos das nações,
para ser o seu Deus. Eu sou Iahweh" (Lv 26,40-45).

Aqui finaliza o Código da Aliança e o de Santidade, com a regulamentação de


todo o culto e da vida toda dos Israelitas em torno do Deus Único que
reconheceram, qual seja, todas as leis que Iahweh entregou a Moisés no
Sinai, onde se formalizou com o Povo de Iahweh a Promessa a Abraão, a
Isaac e Jacó:

"São esses os estatutos, os preceitos e as leis que Iahweh


firmou entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, por
intermédio de Moisés" (Lv 26,46).

Estavam assim preparados espiritualmente para tomar posse da Terra


Prometida, ratificando-se a fonte de todas as normas:

"São esses os mandamentos que Iahweh ordenou a Moisés,


para os filhos de Israel, no monte Sinai." (Lv 27,34).

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LEVÍTICO
19. A CONSAGRAÇÃO PARA A CONQUISTA

Descortina-se outra regulamentação, necessária à tomada de consciência


religiosa do Israelita para a Conquista da Terra Prometida, verdadeira Guerra
Santa desde a saída do Egito:

"Fizeram, pois, os filhos de Israel conforme a palavra de Moisés


(...) e despojaram os egípcios. (...) E aconteceu que, (...)
naquele mesmo dia, todos os exércitos do Senhor
saíram da terra do Egito (...) E naquele mesmo dia Iahweh
tirou os filhos de Israel da terra do Egito, segundo os
seus exércitos"(Ex 12,35-36.41.51).

Basta uma leitura atenta aos trechos destacados para se perceber a existência
de um preparo para uma Conquista armada da Terra de Canaã. Em se
tratando de uma conquista religiosa impunha-se uma adesão exclusiva à
Aliança, em obediência a Iahweh, o que implica numa consagração plena, que
agora se regula.

19.1. A Consagração de Pessoas e Bens - Os Votos e as


Oferendas

Inicialmente se apresentam os votos, as consagrações de pessoas ou bens e


as oferendas voluntárias. Não eram obrigatórios, porém, quando feitos,
impunha-se o seu pleno e cabal cumprimento (Dt 23,21-23), ou o seu resgate,
qual seja a entrega ao Santuário do valor correspondente, assim avaliado, pois
se destinavam à manutenção dos Sacerdotes:

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-


lhes: Quando alguém fizer a Iahweh um voto especial que
envolva pessoas, o voto será cumprido segundo a tua avaliação
das pessoas. Se for de um homem, desde a idade de vinte até
sessenta anos, a tua avaliação será de cinqüenta siclos de
prata, segundo o siclo do santuário. Se for mulher, a tua
avaliação será de trinta siclos. Se for de cinco anos até vinte, a
tua avaliação do homem será de vinte siclos, e da mulher dez
siclos. Se for de um mês até cinco anos, a tua avaliação do
homem será de cinco siclos de prata, e da mulher três siclos de
prata. Se for de sessenta anos para cima, a tua avaliação do
homem será de quinze siclos, e da mulher dez siclos. Mas, se
for mais pobre do que a tua avaliação, será apresentado
perante o sacerdote, que o avaliará conforme as posses
daquele que tiver feito o voto" (Lv 27,1-8).

O uso de voto envolvendo pessoas ocorria em Israel, tendo acontecido em


várias ocasiões (Jz 11,30-40; 13,3-4; 1Sm 1,11). Destaca-se o de Ana, a mãe
de Samuel, que o consagrou desde antes do nascimento, com base em outra
forma em que se pode apresentar, consoante as palavras que usou " e pela
sua cabeça não passará navalha", outro voto, o do Nazireu (Nm 6):

"Ela, pois, com amargura de coração, orou a Iahweh, e chorou


muito, e fez um voto, dizendo: Iahweh dos exércitos! se
atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e
da tua serva não te esqueceres, mas lhe deres um filho varão,
a Iahweh o darei por todos os dias da sua vida, e pela
sua cabeça não passará navalha" (1Sm 1,10-11).

Quanto ao voto de bens pode-se destacar o de Jacó:

"Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo e


me guardar neste caminho que vou seguindo, e me der pão
para comer e vestes para vestir, de modo que eu volte em paz
à casa de meu pai, e se Iahweh for o meu Deus, então esta
pedra que tenho posto como coluna será casa de Deus; e de
tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo" (Gn
28,20-22 / Gn 31,13).

Resgatava-se da mesma forma e se regulamenta o voto de oferenda de


animais:

"Se for animal dos que se oferecem em oferta a Iahweh, tudo


quanto der dele a Iahweh será santo. Não o mudará, nem o
trocará, bom por mau, ou mau por bom; mas se de qualquer
maneira trocar animal por animal, tanto um como o outro será
santo. Se for algum animal imundo, dos que não se oferecem
em oferta a Iahweh, apresentará o animal diante do sacerdote;
e o sacerdote o avaliará, seja bom ou seja mau; segundo tu,
sacerdote, o avaliares, assim será. Mas, se o homem, com
efeito, quiser resgatá-lo, acrescentará a quinta parte sobre a
tua avaliação" (Lv 27,9-13)

Em todas as oferendas assim voluntárias, uma espécie de simples promessa,


se estabelece o valor e o modo do resgate, da importância que se entrega ao
Santuário em substituição ao voto. Quando se referir ao um campo levar-se-á
em conta o tempo do Jubileu para a avaliação (Lv 27,16-25). Porém, não pode
ser objeto de oferenda ou resgate aquilo que já pertence a Iahweh por
preceito, tal como os primogênitos (Ex 13,1-2.12-16 / Ex 34,19-20). Um caso
de resgate imposto pelo próprio Iahweh é o proveniente da substituição dos
primogênitos pelos levitas no exercício do sacerdócio auxiliar (Nm 3,12.40-51).

19.2. Os Interditos ou Anátemas

Também não pode ser vendido ou resgatado o que for objeto de consagração
por interdito a Iahweh, de que nada era reservado para o ofertante que dava
tudo a Iahweh, irrevogavelmente, de forma pacífica ou na guerra . "...toda
coisa consagrada será santíssima a Iahweh" (Lv 27,28) - por essa fórmula
se percebe que o princípio dessa operação era religioso, e era santíssimo por
ter sido subtraído ao profano, não podendo ser resgatado, tal como não se
comiam as oferendas dos holocaustos, contaminadas pelo pecado. Assim, não
se resgata o que se denomina aqui de interdito ou anátema, que são tanto os
despojos ou as prendas advindas dos inimigos e eles mesmos, conquistados
ou destroçados por Israel, contaminados pela idolatria (Dt 20,10-20), como as
pessoas ou bens que alguém oferece a Iahweh em caráter solene e
irrevogável. É que, entre os compromissos da Aliança, há a "Missão de Israel",
várias vezes ratificada (cfr. Ex 34,13; Lv 18,3.24-30; Nm 33,52; Dt 7,5; 12,3.29-
31):

"...não adorarás os seus deuses, nem lhes prestarás culto,


imitando seus costumes. Ao contrário derrubarás e quebrarás
as suas colunas. Servireis a Iahweh o vosso Deus (...) Não farás
aliança com eles nem com seus deuses. ..." (Ex 23,23-33 / Nm
33,50-56 / Dt 12,1-3) / "Quando Iahweh teu Deus te houver
introduzido na terra a que vais a fim de possuí-la, e tiver
lançado fora de diante de ti muitas nações, (...) e quando
Iahweh o teu Deus as tiver entregue em tuas mãos, e as
ferires, totalmente as destruirás; não farás com elas aliança
alguma, nem terás piedade delas..." (Dt 7,1-2)

Com base nela, tal como se elaborou as leis atinentes ao "puro e impuro", para
se evitar principalmente as práticas dos pagãos que os rodeavam (Os 9,3; Ez
4,13; Tb 1,10-12; Dn 1,8-12; Jdt 12,2-4; Lv 18,2-5) é que se institui o interdito
ou anátema, principalmente na Guerra contra pagãos:

"Quando te aproximares duma cidade para combatê-la, apregoar-lhe-ás


a paz. Se ela te responder em paz, e te abrir as portas, todo o povo que
se achar nela será sujeito a trabalhos forçados e te servirá. Se ela, pelo
contrário, não fizer paz contigo, mas guerra, então a sitiarás, e logo que
Iahweh o teu Deus a entregar nas tuas mãos, passarás ao fio da
espada todos os homens que nela houver; porém as mulheres, os
pequeninos, os animais e tudo o que houver na cidade, todo o seu
despojo, tomarás por presa; e comerás o despojo dos teus inimigos,
que Iahweh o teu Deus te deu. Assim farás a todas as cidades que
estiverem mais longe de ti, que não são das cidades destas nações.
Mas, das cidades destes povos, que Iahweh o teu Deus te dá em
herança, nada que tem fôlego deixarás com vida; antes ferirás com
interdito (...) como Iahweh o teu Deus te ordenou; para que não vos
ensinem a fazer conforme todas as abominações que eles fazem a seus
deuses, e assim pequeis contra Iahweh o vosso Deus." (Dt 20,10-18).

É a essa interdição que se refere também o fecho das instruções para a


Conquista, exatamente pela impossibilidade do resgate:

"Todavia, nenhuma coisa consagrada a Iahweh por interdito,


seja homem, ou animal, ou campo da sua possessão, será
vendida nem será resgatada; toda coisa interdita será
santíssima ao Senhor. Nenhuma pessoa que dentre os homens
for interdita será resgatada, mas certamente será morta." (Lv
27,28-29)

Jesus vai se insurgir contra os abusos decorrentes dos interditos e das


oferendas em seu tempo, que passaram a servir de cobertura ao
descumprimento da Lei de Deus nos Mandamentos em favor do ofertante,
ocasionando verdadeira inversão de valores:

"Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que


transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa
tradição? Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e,
Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá.
Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: O
sustento que poderias receber de mim é interdito ao Senhor;
esse de modo algum terá de honrar a seu pai. E assim por
causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus" (Mt
15,3-6 / Mc 7,10-13).

19.3. - Os Primogênitos, as Primícias e o Dízimo

Em virtude de se tratar de oferendas já consagradas a Iahweh, em princípio


não podem ser objeto de resgate, mas são regulamentadas de uma maneira
especial:

"Contudo o primogênito dum animal, que por ser primícia já


pertence a Iahweh, ninguém o consagrará. Quer seja boi ou
gado miúdo, já pertence a Iahweh. Mas se o primogênito for
dum animal imundo, resgatar-se-á segundo a tua avaliação, e a
esta se acrescentará a quinta parte; e se não for resgatado,
será vendido segundo a tua avaliação. (...) Também todos os
dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores,
pertencem a Iahweh; são consagrados a Iahweh. Se alguém
quiser resgatar uma parte dos seus dízimos, acrescentar-lhe-á
a quinta parte. Quanto a todo dízimo do gado e do rebanho, de
tudo o que passar debaixo da vara, esse dízimo será
consagrado a Iahweh. Não se examinará se é bom ou mau,
nem se trocará; mas se, com efeito, se trocar, tanto um como o
outro será consagrado; não serão resgatados. São esses os
mandamentos que Iahweh ordenou a Moisés, para os filhos de
Israel, no monte Sinai." (Lv 27,26-27.30-33)

O trecho é muito claro dispensando-se outros comentários. Apenas o sistema


de seleção então usado de passar debaixo da vara as crias novas do gado,
delas tirando o dízimo, faz com que não se destine a Iahweh apenas o refugo,
o defeituoso. Ao contrário, obriga a uma separação justa dentre a totalidade,
mesmo que aparentemente aleatória, porem não sujeita à escolha de cada
um. Por último vai ser regulamentado o resgate do dízimo, uma exceção
quanto ao consagrado, mas que, em virtude disso mesmo, deverá ser
acrescido de um quinto no valor a ser entregue aos sacerdotes a cujo sustento
se destinavam todas as oferendas.

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