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Sumário

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 2
2. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO ................................................................................................... 2
3. CONCEITOS BÁSICOS ...................................................................................................... 3
4. DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO ........................................................................................ 4
5. BENEFÍCIOS E MALEFÍCIOS DO MODAL DUTOVIÁRIO .................................................. 7
6. DESEMPENHO DAS DUTOVIAS. ...................................................................................... 7
7. RISCOS .............................................................................................................................. 8
1. INTRODUÇÃO
O transporte dutoviário é um dos cinco modais de transporte e se baseia na utilização de redes
de dutos onde se movimentam produtos de um ponto a outro. Esses dutos nada mais são do que
tubos ou cilindros previamente preparados de acordo com os itens a serem transportados. No Brasil
mais da metade de toda a produção é escoada pela malha rodoviária e as ferrovias junto com o
modo aquaviário representam mais uma pequena parte da opção para escoamento. A ínfima parte
que é representada pela soma dos percentuais dos modais dutoviário e aéreo mostra como o
transporte objetivo do presente trabalho ainda é pouco utilizado no país. O trabalho traz ainda a
evolução do transporte dutoviário e seus principais benefícios e malefícios, bem como a
classificação dos tipos de dutos usados.

2. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO
As tubulações já eram utilizadas como meio de transporte para líquidos desde a antiguidade,
como exemplo podemos citar as tubulações de bambu encontradas na China, as cerâmicas dos
Egípcios e Astecas ou as de chumbo usadas por gregos e romanos, em épocas que remontam a
antes de Cristo.
Os primeiros condutos voltados para a indústria foram aplicados na coleta e condução de
petróleo dos poços onde era coletado às estações centrais de produção, pois os meios de transporte
existentes na época eram insuficientes para atender a demanda cada vez maior do mesmo. Devido
à grande procura do mercado começou-se a imaginar um meio de transportar o petróleo por dutos,
como já era feito com a água.
Em 1865, foi construído na Pensilvânia (EUA) o primeiro oleoduto com 2 polegadas de
diâmetro feito de ferro fundido com extensão de 8 km e ligava um campo de produção a uma
estação de carregamento de vagões. No Brasil, a primeira linha entrou em operação quase um
século mais tarde, em 1942, na Bahia. Com diâmetro de 2 polegadas e 1 km de extensão, o trecho
liga a Refinaria Experimental de Aratu e o porto de Santa Luzia.
Segundo a Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT) no país, cerca de 60% dos
transportes é realizado por rodovias, 20% por ferrovias, 13% por hidrovias e 4% por dutovias.
Merecem destaque o Oleoduto São Sebastião/Paulínia (226km) e de Angra dos Reis/Caxias
(125km); o miniproduto Paragominas/Barcarena, Pará (250km); e o Gasoduto Brasil-Bolívia, com
3150 km de extensão (sendo 2593 km em território brasileiro), considerado o maior da América
latina e um dos maiores do mundo. A maioria dos produtos transportados pelos dutos são
realizados pela empresa de petróleo brasileira, a Petrobras.

3. CONCEITOS BÁSICOS
O modal dutoviário é aquele no qual o transporte ocorre no interior de uma linha de tubos ou
dutos e o movimento dos produtos se dá por pressão ou arraste destes por meio de um elemento
transportador. Abaixo são apresentados conceitos básicos usados quando é feito o estudo das
mesmas.

a. Via: É constituída por tubos, geralmente metálicos, que seguem a diretriz traçada pelo
projeto, sequência esta interrompida de tempos em tempos pelas estações de bombeamento,
onde for necessário à continuidade do fluxo, e pelas tancagens de armazenagem, onde
determinar o consumo. A capacidade necessária leva ao dimensionamento do diâmetro dos
tubos e da potência das bombas, de forma a permitir os fluxos de projeto, com certa margem
de segurança.

b. Veículo: O produto bombeado é seu próprio veículo, cada partícula impulsionando as que
a antecedem, formando uma corrente contínua, direcionada pela tubulação que é a via.

c. Terminais: As tancagens em pontos estratégicos da tubulação, segundo normalmente as


condições de mercado, marcam os terminais onde os produtos ou são transferidos a
veículos de outras modalidades ou são bombeados para as tubulações menores de
distribuição aos diversos usuários, ou mesmo para abastecerem as linhas de produção de
produtos derivados, nas indústrias consumidoras.

d. Controles: Como se trata de uma modalidade com apenas um grau de liberdade em sua
movimentação, os controles se restringem ao da velocidade imprimida pelas bombas,
evitando tanto as baixas que permitiriam a sedimentação, como as altas que, conforme o
produto, levariam à erosão dos tubos, assim como o encaminhamento às derivações de
tubulação para alcançar instalações de tancagem ou sistemas de distribuição.

4. DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO
Nas operações de transporte pode ser utilizado um sistema forçado - no qual utiliza-se um
elemento de força para movimentar o produto dentro do duto, ou por um sistema por gravidade –
que utiliza apenas a força da gravidade para movimentar o produto. É notável a preferência pelo
sistema por gravidade pois o mesmo tem como vantagem sobre o sistema forçado, não necessitar
de força motriz mecânica para funcionamento. Isso faz com que não haja gasto com energia,
barateando o transporte, porém esse sistema possui como limitação a possibilidade de transportar
apenas produtos fluidos pouco viscosos. As imagens abaixo ilustram os dois sistemas tratados
acima.

Para um melhor estudo do transporte dutoviário procura-se dividir o mesmo de acordo com
características predominantes. Costuma-se adotar a seguinte classificação:
a. Quanto ao tipo de operação
Essa classificação é dividida em transporte ou transferência. A primeira se caracteriza
por levar o produto por grandes distancias e de forma que chegue ao ponto final. Já o sistema de
transferência de produtos está caracterizado por movimentá-lo por pequenas distâncias.
b. Quanto à rigidez
Segundo este critério os dutos serão classificados em rígidos ou flexíveis. A diferença básica
entre os dois é que o duto rígido apresenta quase nenhuma flexibilidade, já os flexíveis podem
realizar curvas, sendo por isso muito utilizados na exploração petrolífera com a finalidade de
interligar os poços de extração às plataformas ou navios. Também, são de fácil lançamento e
acomodamento no leito marinho.
c. Quanto à localização
Sabe-se que os dutos podem ser enterrados, flutuantes, aéreos ou submarinos. Os
subterrâneos são enterrados de forma a serem mais protegidos contra intempéries e acidentes
provocados por outros veículos e máquinas agrícolas, contra a curiosidade e vandalismo. Os dutos
enterrados estão mais seguros em caso de rupturas ou vazamentos do material transportado devido
à grande camada de terra que os envolve. Os dutos flutuantes, ou aparentes, são visíveis no solo,
o que normalmente acontece nas chegadas e saídas das estações. Se o terreno onde se pretende
instalar o duto for muito acidentado ou rochoso, o processo torna-se difícil e até mesmo inviável
economicamente. Como o nome sugere, os dutos aéreos são colocados bem acima do solo, presos
a estruturas que serviram se suporte para os dutos, e o submerso ocorre em regiões abaixo do nível
d' água.
d. Quanto a substancia transportada
Dependendo da substância transportada, os dutos são classificados em gasodutos (transporte
de gases, por exemplo, gás natural e dióxido de carbono), oleodutos (transporte de substâncias
derivadas e não derivadas do petróleo, por exemplo: combustível, gasolina, álcool, dentre outros),
minerodutos (transporte de minérios, como minério de ferro, carvão, bauxita, etc), carbodutos
(transporte de carvão mineral) e polidutos (transporte de variados produtos, por exemplo, água,
cerveja, vinho).
e. Quanto à temperatura de operação.
Quanto à temperatura de operação os dutos podem ser operados a temperatura normal, ou
aquecidos. O sistema normal é utilizado quase na totalidade das vezes devido sua economia
energética e menor custo. Existem, no entanto, casos nos quais o petróleo apresenta características
de óleo pesado, o que facilita o acúmulo de parafina e o entupimento do duto, assim o aumento da
temperatura aumenta-se a fluidez.

f. Quanto ao material constituinte.


Dentre os materiais constituintes dos dutos, o aço é largamente utilizado em oleodutos,
gasodutos, emissários e adutoras, pois sua resistência às intempéries e às altas pressões permite
construir tubulações de milhares de quilômetros. A união mais usual entre os tubos de aço é feita
por meio de soldas. As tubulações feitas de concreto armado, também conhecidas como
manilhas, geralmente são empregadas em redes de coleta de esgoto e adutoras. Existem também
os tubos de PVC e PEAD (Polietileno de alta densidade) que são, sem dúvida, os mais
empregados para a coleta, distribuição e condução de água potável e esgotos em instalações
residenciais e prediais, principalmente devido à facilidade de aquisição, manuseio das peças.

Ainda no que diz respeito a classificação das dutovias, as que são usadas para o transporte de
resíduos sólidos, como carvão mineral, devem ser encapsuladas a fim de permitir a movimentação
dentro do tubo. Existem também três tipos de dutos encapsulados atualmente em uso:

a. Duto encapsulado pneumático, que usa como veículo, cápsulas sobre rodas para transportar
a carga num duto cheio com ar. No Brasil esta tecnologia é empregada em alguns hospitais
e repartições públicas para o envio de correspondências para outros andares do prédio já
que ela é apontada como solução eficaz para os problemas de perda ou extravio de
correspondências remetidas a outras repartições por meio de entregadores.

b. Cápsula de Resíduos Compactada: Esta tecnologia usa cápsulas sem rodas para transportar
cargas em um duto cheio com água. É mais econômica que a anterior pois usa menos
energia. É utilizada para transportar materiais como grãos e outros produtos agrícolas e
resíduos sólidos municipais (lixo), sendo que este último não necessita das cápsulas, pois
é compactado de forma a assumir o formato semelhante ao dessas.

c. Coal Log Pipeline (CLP) é um tipo especial da capsula citado no tópico acima em que o
próprio material a ser transportado é compactado em forma de cilindro constituindo a
cápsula. O uso é limitado a carvão e a alguns minerais e resíduos sólidos de materiais, que,
como o carvão podem ser compactados e formar cilindros resistentes à água.

5. BENEFÍCIOS E MALEFÍCIOS DO MODAL DUTOVIÁRIO


A começar pelos benefícios, o transporte dutoviário possui:
a. Grande capacidade de escoamento do material
Para se ter uma ideia o modal dutoviário, no que diz ao transporte do GNV, transporta a carga
necessária para encher 144 caminhões em um dia. Visto que a maior parte do escoamento da
produção é feito pela malha rodoviária, o modal dutoviário iria descarregar as rodovias brasileiras
trazendo com isso seus inúmeros benefícios para os usuários das mesmas.
b. Grande segurança no transporte
Enquanto no modal rodoviário temos vários problemas de segurança referente a mercadoria,
como o roubo e até mesmo os perigosos acidentes, no modal dutoviário a segurança é grande, visto
que toda a produção está protegida dentro dos dutos e é constantemente monitorada pela central.
c. Baixo custo de transporte
No exemplo já citado do duto de GNV, inferimos que o custo de transporte na malha rodoviária
é grande, visto que os 144 caminhões necessários para o transporte, por mais modernos que sejam,
ainda necessitam de grande volume de combustível para transportar a mercadoria.
Como desvantagens desse modal podemos citar os grandes impactos ambientais que podem
ser causados no rompimento de uma tubulação, a capacidade de serviço limitada a um único
produto e os altos custos fixos, ou seja, altos custos para manter a dutovia em operação com
segurança.

6. DESEMPENHO DAS DUTOVIAS.


Em obras de dutos é necessária grande quantidade de mão-de-obra e equipamentos para todas
as atividades. Para obras dessa natureza, existe um mercado muito especializado. Os profissionais
necessários na obra são de difícil especialização, como engenheiros e técnicos operadores de
equipamentos pesados, e exigem um longo período de treinamento. Além dessa mão-de-obra, há
aquela que não exige muita especialização ou um período longo de treinamento, porém necessária
e em grande quantidade. Para acomodação de todo pessoal que trabalha na construção de dutos é
necessário grande investimento. Em alguns casos, quando a obra é de grandes proporções e esta
localizada longe das cidades, verdadeiras vilas são montadas para dar ao devida acomodação aos
trabalhadores. Em ocasiões extremas, são usados barcos dormitórios e acampamentos
improvisados no meio da floresta. Todo esse esforço na construção de dutovias é indispensável
para manter o país abastecido.
Outro aspecto importante que deve ser levado em consideração, depois da implementação
das dutovias, são as operações de manutenção e monitoramento das linhas para garantir
preservação ambiental e maior segurança através da prevenção de acidentes. Essas operações
envolvem revisão do sistema de dutos ou substituição dos mesmos, manutenção dos controles
automatizados dentro dos mais modernos padrões mundiais que, além de tudo, tem que ocorrer
sem interrupção no fornecimento dos produtos como gás e combustível. A prevenção envolve
ainda a avaliação das condições geotécnicas das faixas de terra por onde passam os dutos que
podem ser afetadas pelas chuvas. Além de reforçar a inspeção visual dos dutos por meio de
andarilhos e helicópteros, pode-se utilizar os chamados "PIG’s" – instrumentos, equipados com
diferentes sensores, que percorrem o interior dos dutos verificando sua integridade

7. RISCOS
Os dutos de transporte e transferências são pontos críticos na logística de todo o processo, por
exemplo, da indústria petrolífera, um acidente interrompe o processo causando prejuízos,
enormes transtornos operacionais, contaminações ambientais e exposição de pessoas ao risco de
contaminações, incêndios e explosões.
Este risco é intensificado quando se considera que os dutos percorrem imensas distâncias, por
áreas onde estão sujeitos às atuações físico-químicas, às influências do meio, como
variações térmicas e movimentações do solo e à ação de terceiros.
Em países onde há atuação terrorista, a malha dutoviário é um dos alvos comumente escolhidos,
pois é praticamente impossível "vigiar", continuamente, todos os dutos por toda sua extensão.
Uma interrupção pode causar um relevante impacto na logística de exploração, produção, refino e
comercialização.