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Universidade Regional Integrada

Engenharia Civil

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL I

UMIDADE E INCHAMENTO: AGREGADOS MIÚDOS

Prof. Engº Civil Gustavo M. Cantarelli


UMIDADE

É a relação entre a massa de água contida no


agregado e sua massa seca, expressa em %.

onde:
h = umidade do agregado (%);
Mh = massa da amostra úmida (g)
Ma = massa de água (g);
Ms = massa do agregado seco (g).
CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS
Os vazios do agregado miúdo podem tornar-se
parcial ou totalmente cheios de água. Se parcialmente cheios,
o agregado diz-se úmido se, completamente cheios, o
agregado diz-se saturado. A absorção de água é devida aos
poros existentes no material dos grãos.
CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS

Agregado seco em estufa: isento de umidade livre, quer


seja na superfície externa ou umidade interna, expelidas pelo
calor. Toda a água “evaporável” do agregado foi removida pelo
aquecimento a 100oC.

Agregado seco ao ar: sem umidade superficial, mas com


alguma umidade interna;

Agregado saturado: com água livre em excesso, o que


contribui para alterar o teor de água da mistura (há umidade
livre na superfície do agregado).
CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS

Agregado saturado com superfície seca (sss):


o agregado é considerado na condição de sss quando, durante
o amassamento, não absorver nenhuma parte da água
adicionada nem contribuir com nenhuma de sua água contida
na mistura. Qualquer agregado na condição de sss possui
água absorvida (água mantida à superfície por ação físico-
química) na sua superfície, desde que esta água não possa ser
removida facilmente do agregado. Esta condição (sss) também
pode ser descrita como sendo a fase em que todos os poros
permeáveis estão preenchidos e não há um filme de água na
superfície;
CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS

Capacidade de absorção: é a quantidade total de água


requerida para trazer um agregado da condição seca em estufa
para a condição sss.

Absorção efetiva: é definida como a quantidade de água


requerida para trazer o agregado da condição seca ao ar para
a condição sss.

Umidade superficial: é a quantidade de água em excesso


além da requerida para a condição sss (veja adiante mais
alguns detalhes).
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS

A absorção e a umidade superficial do agregado


são importantes nas pesquisas de concreto, pois estão
diretamente ligadas à quantidade de água de amassamento.
Para um mesmo agregado, maior absorção indica maior
porosidade, maior grau de alteração e menor massa específica.

A umidade dos agregados miúdos nos canteiros de obra


varia de 2 a 7%, correspondendo ao inchamento que pode
variar de 20 a 30% e que depende também da granulometria
do material.
CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS

Para efeito de dosagem, caracterização de


propriedades e fabricação de concreto, o agregado deve ser
considerado na condição de saturado com superfície seca
(sss), que é a condição em que não absorve nem libera água
livre em sua superfície, não alterando assim a quantidade de
água de amassamento do concreto.
MÉTODOS PARA A DETERMINAÇÃO DA UMIDADE

Os principais métodos para a determinação de umidade


de agregados são:

 Secagem em estufa
 Secagem por aquecimento ao fogo
 Frasco de Chapman (agregado miúdo)
 Speedy (agregado miúdo)
MÉTODOS PARA A DETERMINAÇÃO DA UMIDADE

Determinação da umidade do agregado miúdo pelo método


de secagem em estufa:
O material úmido é pesado e colocado na estufa (105ºC - 110ºC)
até constância de massa.

Onde:
Mh = massa da amostra úmida (g)
Ms = massa da amostra seca (g)
Ma = massa de água (g)
H = umidade (%)
MÉTODOS PARA A DETERMINAÇÃO DA UMIDADE
Determinação da umidade do agregado miúdo pelo
Método de aquecimento ao fogo (frigideira):
O agregado é colocado em uma frigideira e aquecido no
fogo, é colocado um espelho acima do agregado. Quando o
agregado parar de liberar vapor visualizado no espelho, a
amostra está seca.

Onde:
Mh = massa da amostra úmida (g)
Ms = massa da amostra seca (g)
Ma = massa de água (g)
H = umidade (%)
MÉTODOS PARA DETERMINAÇÃO DE UMIDADE
Determinação da umidade do agregado miúdo pelo
Método do Frasco de Chapman:
APARELHAGEM:

 balança com capacidade de 1 kg e resolução de 1g;


 frasco de Chapman.

AMOSTRA:

 500 g do material úmido


MÉTODOS PARA DETERMINAÇÃO DE UMIDADE
ENSAIO:
 Colocar água no frasco (até marca de 200 cm³);
 Introduzir 500g de agregado úmido;
 Agitar até eliminar as bolhas de ar;
 Efetuar a leitura do nível atingido pela água.

RESULTADOS:
 A massa específica do agregado miúdo é calculada por:

onde:
h = teor de umidade;
ρ = massa específica do agregado miúdo expressa em kg/dm3;
L = leitura final do frasco.
MÉTODOS PARA DETERMINAÇÃO DE UMIDADE
Determinação da umidade do agregado miúdo pelo
Método do Aparelho Speedy:
MÉTODOS PARA DETERMINAÇÃO DE UMIDADE
APARELHAGEM:

 Speedy;
 Ampolas com cerca de 6,5g de carbureto de cálcio (CaC2).

AMOSTRA:
MÉTODOS PARA DETERMINAÇÃO DE UMIDADE
ENSAIO:
 Determinar a massa;
 Colocar amostra na câmara do aparelho;
 Introduzir duas esferas de aço e a ampola de carbureto;
 Agitar o aparelho;
 Efetuar leitura da pressão manométrica;
 Verificar tabela de aferição própria do aparelho;
 Encontrar h1.

Obs.: Se a leitura for menor do que 0,2 kg/cm2 ou maior do que 1,5
kg/cm2, repetir o ensaio com a massa da amostra imediatamente
superior ou inferior, respectivamente;
MÉTODOS PARA DETERMINAÇÃO DE UMIDADE

RESULTADO:

Onde:
h = teor de umidade em relação a massa seca (%);
h1 = umidade dada pelo aparelho em relação à amostra total úmida (%).
COEFICIENTE DE INCHAMENTO

É o quociente entre os volumes úmido e seco de uma mesma


massa de agregado.

onde:
Vs = o volume da areia seca;
Vh = o volume da areia com h% de umidade.
UMIDADE CRÍTICA

Definição:

Teor de umidade acima do qual o coeficiente de


inchamento pode ser considerado constante e igual ao
coeficiente de inchamento médio.
COEFICIENTE DE INCHAMENTO MÉDIO

Definição:

Coeficiente utilizado para encontrar o volume da areia


úmida a ser medido, quando a umidade do agregado estiver
acima da umidade crítica.
É expresso pelo valor médio entre o coeficiente de
inchamento máximo e aquele correspondente à umidade crítica.
INCHAMENTO MÁXIMO E UMIDADE CRÍTICA
A figura abaixo mostra o que ocorre com
a areia absolutamente seca (h=0,00%) ao absorver água.
C = Inchamento Crítico
B = Define a Umidade Crítica  Considerando o crescimento do teor
de umidade a partir do valor nulo,
verificamos que o coeficiente de
inchamento cresce rapidamente, no
entanto tal crescimento anula-se ao
ser atingido um determinado teor de
umidade, o que depende da
natureza e da granulometria da
areia.
INCHAMENTO MÁXIMO E UMIDADE CRÍTICA
A figura abaixo mostra o que ocorre com
a areia absolutamente seca (h=0,00%) ao absorver água.
C = Inchamento Crítico
B = Define a Umidade Crítica  Quando o teor de umidade aumenta
ainda mais a partir deste ponto, o
coeficiente de inchamento diminui até
alcançar um valor limite, quando a
areia não mais absorve água (areia
saturada). No caso do gráfico acima, o
máximo valor de I, foi alcançado com
6% de umidade, o chamaremos então
de inchamento máximo (pelo gráfico
I=1,40).
INCHAMENTO MÁXIMO E UMIDADE CRÍTICA
A figura abaixo mostra o que ocorre com
a areia absolutamente seca (h=0,00%) ao absorver água.
C = Inchamento Crítico
B = Define a Umidade Crítica

 Conceituamos de umidade crítica


o teor de umidade a partir do qual
o crescimento do coeficiente de
inchamento é muito pequeno.
INCHAMENTO MÁXIMO E UMIDADE CRÍTICA

Segundo a NBR 6467, para calcularmos a


C = Inchamento Crítico umidade crítica e o inchamento crítico
B = Define a Umidade Crítica
devemos proceder da seguinte maneira:
 Ligamos o ponto A à origem das
coordenadas;
 Traçamos a reta DB paralela à AO e
tangente à curva do
inchamento, obtendo-se o ponto B, o qual
define a umidade crítica (B = 4,2%);
 para obter o ponto C sobre a curva do
inchamento, o qual define o inchamento
crítico, traçamos uma reta perpendicular
ao eixo x, na direção do ponto B.
INCHAMENTO MÁXIMO E UMIDADE CRÍTICA

C = Inchamento Crítico
B = Define a Umidade Crítica

Denominaremos inchamento médio o


valor do inchamento igual à média
aritmética dos valores do inchamento
máximo (1,40) e o correspondente ao
do ponto C (1,38), portanto o
inchamento médio será 1,39.
ALGUMAS FÓRMULAS PARA O CÁLCULO DE UMIDADE
E INCHAMENTO NOS AGREGADOS MIÚDOS:

Págua
h%   100 Págua  Pah  Pas h% = percentual de umidade
Pareia seca I% = percentual de inchamento
Vah= volume de areia úmida
Ch 
h  h 
100 Pah  Pas  1   Vas = volume de areia seca
 100 
Pah = peso de areia úmida
Vah  Vas  I 
Ci  Vah  Vas  1   Pas = peso de areia seca
Vas  100  das = massa unitária da areia
Vah  Vas d as seca
I%   100 C i  (1  C h )  1
Vas d ah dah = massa unitária da areia
úmida
Pah Pas
Vah  Vas  Ci = coeficiente de inchamento
d ah d as Ch = coeficiente de umidade
ALGUMAS FÓRMULAS PARA O CÁLCULO DE UMIDADE
E INCHAMENTO NOS AGREGADOS MIÚDOS:
MISTURA DE AGREGADOS

A mistura de dois ou mais agregados implica


necessariamente uma composição granulométrica que
depende das granulometrias individuais de cada um deles e da
proporção estabelecida para a mistura.
MISTURA DE AGREGADOS

A % retida acumulada da mistura em cada peneira é:

M#i = a A#i + b B#i +..............+ f F#i


Onde:
M#i - porcentagem retida acumulada da mistura na peneira i
A#i - porcentagem retida acumulada do agregado A na peneira i
B#i - porcentagem retida acumulada do agregado B na peneira i
F#i - porcentagem retida acumulada do agregado F na peneira i
a - porcentagem do agregado A na mistura
b - porcentagem do agregado B na mistura
f - porcentagem do agregado F na mistura