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Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC

Departamento de Filosofia e Ciências Humanas - Colegiado de Filosofia


Turma: História da Filosofia Antiga II – Vespertino
Docente: Antonio A. C. Couto
Discente: Joel Ferreira dos Santos, Laura Nascimento, Rosana
Margarete Figueiredo e Roselene de Araújo Xavier

A REPÚBLICA

Analogia do Sol, Alegoria da Linha e o Mito da Caverna

Platão discípulo de Sócrates, nascido em 428 a.C. muitos de seus escritos tem
relação com seu mestre. Um dos livros importantes da obra de Platão, a República,
apresenta um projeto politico de uma cidade ideal, criou a cidade para descobrir o
conceito da Justiça no micro e no macro cosmo. O livro contém dez diálogos, nos
quais Sócrates é o personagem principal.
A Cidade perfeita, portanto, aquela em que predomina a temperança na
primeira classe social, a fortaleza ou coragem na segunda e a sabedoria na
terceira. A "justiça" nada mais que a harmonia que se estabelece entre
essas três virtudes. Quando cada cidadão e cada classe social
desempenham as funções que lhes sio próprias da melhor forma e fazem
aquilo que por natureza e por lei são convocados a fazer, então a justiça
perfeita se realiza. (REALLI p159)

A justiça para Platão só será manifestada no externo se ela existir no inteior do


homem, na sua alma. Em sua cidade ideal ele projeta a Justiça na sociedade para
que o homem encontre dentro de si, e para tal é preciso buscar o bem. No texto que
se segue pretende-se apresentar de maneira reflexiva os conteúdos dos capítulos VI
e VII, que explica a condição humana e o caminho necessário para atingir o bem,. É
apresentado na Alegoria do Sol e Analogia da linha, o bem como fator essencial à
formação do ser, tendo o sol como filho do bem; no Mito da Caverna é ressaltada a
condição humana e o despertar para a filosofia, para alcançar esses degraus, é
necessário elevar a alma do mundo sensível para o mundo inteligível por meio da
Paidéia.

Platão inicia o capítulo VI justificando já ter tratado das diferenças do filosofo e do


não filosofo, mas ele acrescenta neste diálogo as consequências do ser filosofo e
qual das duas espécies pode governar a cidade, apresenta que será aquele capaz
de guardar as leis e costumes da cidade, esse será inicialmente guardião e em
seguida preparado para ser filosofo. O filosofo além de ser justo e dotado de
memória, é um apaixonado pelo saber devendo atingir o bem no ponto mais alto da
operação da alma, se não conhecer a ideia do bem de nada vai servir os outros
conhecimentos.
Para dar entendimento do bem, aos interlocutores do diálogo, o personagem
Sócrates, apresenta a analogia do sol, como filho do bem. Ainda que exista nos
olhos a visão e as cores nas coisas, se não existir a terceira espécie, a luz, nada
verás. A luz que nos faz ver as coisas no mundo sensível de maneira mais perfeita
possível é a luz do sol, o filho do bem, porque assim como ele está para a vista e
para o visível no mundo sensível, o bem está para a inteligência e para o inteligível
no mundo inteligível.
Os objetos do mundo sensível precisam de luz para que possam ser visto
nitidamente. A alma quando iluminada pela verdade e pelo ser, atinge o mundo
inteligível, pois compreende e conhece o ser, que está acima da essência, pela sua
dignidade de poder.
Na alegoria da linha, Sócrates continua com a explicação utilizando o mundo
sensível e o mundo inteligível, dividindo esses mundos em uma linha cortada em
duas partes desiguais e subdividida em duas. No mundo sensível (opinião) a
primeira secção é a das imagens geradas por sombras e reflexos (suposição); na
segunda secção seres vivos e artefatos (crenças). No mundo inteligível na parte
inferior, os entes matemáticos, os quais dominam o entendimento (hipótese), como
se fosse algo intermediário entre a opinião e a inteligência (dialética), esta, na
secção superior, forma mais elevada grau do ser, que se alcança por meio da
filosofia, o que é mais supremo, o bem. Na divisão da linha são apresentadas as
quatro operações da alma: o mais elevado é a inteligência; no segundo o
entendimento; no terceiro a crença e no último a suposição.
O discurso na alegoria da linha mostra a importância do bem, sua posição e papel
na vida do homem, demonstra a importância do filósofo para a cidade, para que
essa se livre das calamidades e se torne perfeita.
O Bem, então, é o fim. Não há nada além do Bem, ele é o limite de nossas ações,
isto é, ele é o limite do conhecimento do homem. Depois das Alegorias do Sol e da
Linha, Platão vai tratar na Alegoria da Caverna, a “ascensão” intelectual do homem
até atingir o conhecimento das Formas por meio da educação (paideia)
No diálogo sobre o mito da caverna, a figura de Sócrates fala a Glauco, propondo a
este imaginar homens que vivem numa caverna desde a infância, e que estão
acorrentados e não podem mudar de lugar, nem virar a cabeça, e, portanto, não
podem ver a luz que advém do alto, por detrás deles e longe. Pede que imagine um
caminho (subida) que leva para esta luz, porém, cortado em um muro tendo homens
por detrás do muro que carregam objetos, e que alguns falam e outros, calam-se. Os
homens acorrentados não podiam ver algo além de suas sombras e dos outros
homens e objetos, pois estavam acorrentados. Se estes pudessem conversar,
nomeariam as sombras, como se estas fossem seres reais e que se ouvissem eco
vindo da parede das vozes dos homens que circulam detrás do muro, não
considerariam ser vozes das próprias sombras em movimento, pois para eles
verdadeiras seriam somente as sombras.
Sócrates propõe a Glauco observar o que aconteceria caso, um destes, fosse
solto, e tão logo, se levantasse, virasse a cabeça, andasse e olhasse em direção a
luz. Este homem solto e em movimento olhando em direção a luz iria ficar ofuscado
e sem poder distinguir objetos dos quais apenas considerava as sombras. Esse
homem, mesmo que ouvisse que estaria perto da realidade e com visão melhor,
ficaria confuso e iria considerar as sombras que via antes mais verdadeiras que os
próprios objetos agora em seu campo de visão. Sendo este homem forçado a sair
iria ter dificuldades para enxergar, sentiria dor ao ver a luz, seria necessário
habituar-se para que pudesse ver as coisas do alto e distinguir as sombras, imagens
de homens, a natureza, objetos na água e enfim contemplar o céu e raciocinar que o
sol é que produz as estações, que o sol governa tudo no mundo visível. Enfim,
poderá ver a luz do sol como é e no seu lugar, sem olhar para o seu reflexo. Com
todo esse deslumbramento o homem se lembraria de seus companheiros na
caverna e resolveria voltar para contar-lhes a visão que teve das coisas. Sócrates
enfatiza que se ele voltasse à caverna diretamente da luz do sol, se seus olhos
seriam ofuscados pelas trevas e se fosse interrogado sobre as sombras, e ele não
pudesse responder por estar confuso e ter pouco tempo para acostumar-se com as
trevas, se os prisioneiros não lhe diria que perdeu a vista e que não vale a pena
subir, e que se pudessem agarrar e executar alguém que lhe obrigasse a subir, o
fariam.

Por fim, Sócrates explica a Glauco a alegoria da caverna. O caminho da


subida é uma atividade metafísica, pois é a libertação da alma visando atingir as
coisas inteligíveis. É um movimento de ascensão da alma. E no mundo inteligível, a
maior ideia, é a do bem que no mito da caverna corresponde ao sol. Assim como o
sol é responsável por tudo o que há no mundo, governando-o e gerando luz, desta
forma, a ideia do bem é responsável por tudo o que é belo e reto e dispensa a
verdade e a inteligência. No fim, Sócrates mostra qual o objetivo do filósofo. A meta
do filósofo é comportar-se com sabedoria na vida privada e na vida pública. E para
isto, é necessário contemplar a ideia do bem. Quanto mais o homem aproximar-se
desta ideia pela contemplação, mais filósofo será e mais sábio em sua conduta.

Comparando o mundo sensível por meio dos olhos à caverna da prisão e a luz da
fogueira como a força do sol. A subida para o mundo superior e à visão do lá se
encontra, pode ser tomada como ascensão da alma ao mundo inteligível, superação
de barreiras e acesso ao conhecimento, como um órgão pelo qual se aprende.

A educação seria, por conseguinte, a arte desse desejo, a maneiramais fácil


e eficaz de fazer dar a volta a esse órgão, não a de fazer obter a visão, pois
a tem, mas, uma vez que ele não está na posição correta e não olha para
onde deve, dar-lhe meios para isso. 518d

A qualidade da alma pode se dar por meio de hábitos e práticas, aqui há uma
preocupação com a educação dos cidadãos, para que não fiquem presos como os
homens da caverna, mas que possam ascender e manter sua alma nas alturas.
Assim preparar o cidadão ou o guardião para a cidade perfeita, por meio da filosofia.

PAIDÉIA, CONCLUSÃO E BIBLIOGRAFIA