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“Mens sana in corpore sano“, diz o famoso

Homens novos, mais fortes e ditado em latim para ilustrar a importância de


melhores, os ideais da revista um corpo “são” como parte fundamental de um
Educação Physica, dos anos 30 indivíduo completo. Essa é uma das bases
para o desenvolvimento da noção de uma
educação física ao longo da história. Tanto na Antiguidade oriental (China e Índia)
quanto na ocidental (Grécia e Roma), exercícios para o corpo partiam de princípios
bélicos e motivações terapêuticas, assim como ideais de beleza, lazer e mesmo
religiosos. A preocupação com o corpo perde força durante a Idade Média (a
nudez e o culto ao belo eram, grosso modo, associados ao pecado), mas retoma
sua importância na sociedade ocidental com a Renascença e as relações entre
arte e anatomia – basta lembrar do Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci. As
primeiras aulas envolvendo exercícios físicos dentro de um currículo escolar
regular também datam do período.

A educação física que se desenvolve no século 19 e chega ao Brasil é, por sua


vez, fortemente baseada em princípios higiênicos e eugenistas, herança da
ginástica alemã. A “pedra fundamental” da educação física escolar no país talvez
seja um parecer de Rui Barbosa de 1882 sobre a chamada lei da Instrução
Pública. O célebre jurista defende a prática da então chamada “ginástica” em todas
as escolas e eleva o status dos professores da área, colocando-os em igualdade
com os das demais disciplinas. Durante a década de 1930, uma das principais
fontes de estudo sobre o tema no Brasil era a revista Educação Physica, que
circulou entre 1932 e 1945 e procurava transmitir ideais dos movimentos europeus
de “aperfeiçoamento da raça” – um tema amplamente discutido entre a
intelectualidadade da época. Na dissertação de mestrado “A revista Educação
Physica e a eugenia no Brasil (1932-1945)”, de autoria de Tarciso Alex Camargo,
defendida em 2010 na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), um trecho
destacado pelo pesquisador deixa claras as intenções da publicação:

“Homens novos, homens mais fortes, homens melhores vão surgir”.

É nesse contexto que surge o primeiro curso de educação física no Brasil, na


Escola de Educação Física do Estado de São Paulo, que iniciou sua primeira
turma em 1934. Pouco mais de uma década depois, com o fim da Segunda
Guerra, a derrocada dos ideais de “homem novo” do nazismo e o fim da Era
Vargas, os caminhos da educação física no Brasil voltaram-se para outras
discussões, como o aperfeiçoamento pedagógico do professor, e os esportes
começaram a crescer em importância no currículo. Na esteira da ditadura militar
estabelecida a partir de 1964, a ideia de fortalecimento da nação por meio das
atividades esportivas e da competição dominou a educação física escolar. A partir
de 1969, a legislação passou a restringir a formação de professores da área ao
curso de educação física – o bacharelado foi criado em 1987.

No entanto, a abordagem contemporânea da disciplina, voltada à formação integral


do indivíduo e valendo-se das ciências humanas, só toma força no final da década
de 1990, em meio a uma compreensão de desenvolvimento mais amplo do aluno e
da elevação do status pedagógico da educação física no currículo escolar.
A origem da Educação Física remota a tempos do homem primitivo que precisava
desenvolver capacidades corporais com a finalidade de ganhar seus desafios, porque era
uma questão de vida ou morte. Só que tudo isso acontecia de maneira inconsciente, mas
é neste período que podemos verificar os primeiros registros da força física humana
sendo exercida.

O corpo humano adquiriu uma anatomia que nada mais é do que o resultado evolutivo
de um refinamento realizado por nossos ancestrais que necessitavam correr, nadar,
levantar, pular, entre outros exercícios para a sua sobrevivência. Estes princípios foram
aperfeiçoados com base nas necessidades de ataque e defesa, mostrando que neste
processo evolutivo a agilidade, destreza e a força eram qualidades que os tornavam
privilegiados com relação a outros animais. O nosso polegar, por exemplo, possui este
desenvolvimento para nos dar possibilidade para arremessamentos.

Historiadores desvendaram que no Oriente os humanos logo começaram a se tornar


mais civilizados devido aos exercícios que tinham um sentido moral preparatório para a
vida. Na Índia, a atividade física estava completamente unida com o ensino e a religião
daquela sociedade. Algumas práticas na China conferiam a guerra de forma a aprimorar
as qualidades físicas e motoras dos guerreiros.

O berço dos esportes, remota à sociedade grega antiga, em um momento onde a


atividade física era muito importante e estava ligada a intelectualidade e a
espiritualidade em forma de mitologia e de filosofia de vida, onde o corpo bem definido
possuía bons olhares, tais como vitalidade, destreza, saúde e é claro, força. Foi nesta
época em que os próprios gregos criaram os Jogos Olímpicos, onde os mesmos faziam
homenagens aos seus deuses com a prática de competições.

A educação física no Brasil teve origem graças a uma grande miscigenação cultural,
desde os índios que aqui já habitavam até os imigrantes que acrescentaram inúmeras
fontes para que a atividade física fosse aprimorada de acordo com as necessidades de
seu tempo. Mas a educação física como disciplina possui a sua origem por volta da
metade do século XIX, sendo este o período do Brasil Império, onde existiam leis que
incluíam a ginástica na grade de ensino dos estudantes. Porém, apenas na década de
1990 que a atividade física obtém um status mais amplo na sociedade, até se tornar o
que conhecemos atualmente.
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O processo histórico, social e político da evolução da


Educação Física
El proceso histórico, social y político en la evolución de la Educación Física
Professor do Curso Licenciatura Plena em Educação Física do
Instituto de Desenvolvimento Educacional do Alto Uruguai, Faculdade IDEAU
Doutorando em Educação Física e Esporte pela
Universidad de Ciéncias de la Cultura Física y el Deporte “Manuel Fajardo”
UCCFD, Havana, Cuba
**Acadêmica de Educação Física. Licenciatura Plena
Instituto de Desenvolvimento Educacional do Alto Uruguai – Faculdade IDEAU
(Brasil)
Ivan Carlos Bagnara*
ivanbagnara@hotmail.com
Aline da Almeida Lara**
aliine.lara@hotmail.com
Chaiane Calonego**
chai_zinha@hotmail.com

Resumo
*
A Educação Física surgiu concomitantemente com o surgimento do homem sobre a Terra. Quando o
homem sentiu a necessidade de lutar, conquistar, fugir e caçar para sobreviver começou também a procura
pela melhoria de sua condição para executar estas tarefas. Mesmo sem saber, estava praticando uma educação
física, natural e utilitária. Assim, com esta prática realiza os movimentos corporais mais básicos e naturais desde
que se colocou em pé: nadar, correr, trepar, empurrar, saltar, arremessar e puxar.
A evolução da Educação Física acontece gradativamente à evolução cultural dos povos, estando
interligada aos sistemas políticos, sociais, econômicos e científicos das sociedades.
Unitermos: Educação Física. História. Exercícios físicos.

http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 15 - Nº 145 - Junio de 2010

Introdução

A Educação Física é vista hoje como agente de saúde, estética, melhoria da condição
atlética, recuperação física, dentre outras funções, mas nem sempre se pensou assim.

Os relatos mais primórdios de atividades físicas vêm desde a época pré-histórica, quando já
se percebia uma preocupação pelo físico mais forte, porém, não com o intuito da beleza ou
exercício e sim de proteção. Desde então a Educação Física se adaptava às épocas e sociedades
na medida em que passava por mudanças e estágios, evoluindo a cada século para chegar à
Educação Física que conhecemos atualmente.

A evolução da Educação Física acontece gradativamente à evolução cultural dos povos,


estando interligada aos sistemas políticos, sociais, econômicos e científicos das sociedades.

Porém, é necessário ressaltar que nem todos os povos atravessavam os mesmos estágios
simultaneamente. Enquanto o Egito dos Faraós já estava numa época Histórica, muito próximo
dele, muitas civilizações viviam no maior primitivismo.

Ainda hoje, em pleno século XXI podemos encontrar aglomerados humanos que vivem em
estado selvagem, como algumas tribos isoladas na floresta da Amazônia, interior da África ou
nos desertos da Austrália. Estas tribos vivem na verdadeira idade da Pedra.

Evolução da Educação Física ao longo dos tempos

Desde a pré-história a Educação Física vem sendo influenciada pela sociedade. Nessa época
as atividades físicas ficaram restritas a defender-se e atacar. A luta pela sobrevivência levou a
movimentos naturais. Para desenvolver estudos sobre a época, os pesquisadores se baseavam
em todos os tipos de objetos, como pedras trabalhadas ou rudimentares, fósseis de animais e
de humanos, pinturas rupestres, monumentos e, um pouco mais tarde, objetos e monumentos
de bronze e ferro, câmaras mortuárias, estradas, dentre outros.
Todos os exercícios físicos, qualquer que seja sua forma de realização, possuem suas raízes,
de forma hipotética ou verdadeira nas mais primitivas civilizações. Pode - se afirmar que todos
os tipos de exercícios físicos são provenientes de quatro grandes causas humanas: luta pela
existência, ritos e cultos, preparação guerreira e jogos e práticas atléticas.

O homem primitivo deslocava-se de um lugar para outro a procura de alimentos, marchando,


subindo em árvores, escalando penhascos, nadando, saltando e lançando as suas diferentes
armas de arremesso. Assim o homem executa os seus movimentos corporais mais básicos e
naturais desde que se colocou de pé. Pela repetição contínua desses exercícios, na luta pela
sobrevivência, aperfeiçoava as funções, educando-as gradativa e inconscientemente.

Porém, todo esse contexto é algo natural e cotidiano. E, como Educação Física propriamente
dita, os primeiros registros tardaram a aparecer.

Em cada sociedade, povo ou país a Educação Física apresentava focos diferentes de


interesse e utilização. Na China a Educação Física era praticada em caráter de guerra, além da
finalidade terapêutica e higiênica.

Na Índia, a Educação Física era vista como uma doutrina a ser seguida, de foco fisiológico e
com indispensáveis necessidades militares. Foi onde teve origem a Yoga e exercícios ginásticos
aprofundados da medicina com técnicas de respiração e massoterapia. Buda atribuía aos
exercícios o caminho da energia física, pureza dos sentimentos, bondade e conhecimento das
ciências para a suprema felicidade do Nirvana, (no budismo, estado de ausência total de
sofrimento).

No Japão, a Educação Física possuía fundamentos médicos, higiênicos, filosóficos, morais,


religiosos e guerreiros. Os samurais são um exemplo de guerreiros feudais originados da pratica
da Educação Física no Japão. Já no Egito, os exercícios Gímnicos formaram a ginástica egípcia
dotada de equilíbrio, força, flexibilidade e resistência. A existência da ginástica egípcia foi
revelada em pinturas nas paredes de tumbas.

Mas foi na Grécia que encontramos a civilização antiga que mais contribuiu para a Educação
Física. Novamente é visível a ligação que a sociedade e sua cultura têm com a história da
Educação Física. Foi na Grécia que surgiram os grandes pensadores, que contribuíram com
vários conceitos, até hoje aceitos pela Educação Física e pela pedagogia. Grandes artistas,
pensadores e filósofos como Mirón, Sócrates, Hipócrates, Platão e Aristóteles criaram conceitos
como o de equilíbrio entre corpo e espírito ou mente, citados por Platão. Também nasceram na
Grécia os termos halteres, atleta, ginástica, pentatlo, entre outros.

Após a tomada militar da Grécia, Roma absorveu a cultura desta civilização, porém a
Educação Física se caracterizou pelo espírito prático e utilitário, tendo assim uma visão voltada
para a preparação dos soldados e da população para a guerra. Foi no período romano que
surgiu a famosa frase “Mens sana in Corpore Sano”.

A Idade Média foi marcada pelo impacto do Cristianismo, repleta de ascentismo. Mesmo com
isso, estudantes continuavam a seguir as teorias de Aristóteles, enriquecendo o patrimônio dos
conhecimentos. Nesta época floresceu a arte gótica, surgiram as primeiras universidades, e
com elas personalidades geniais como Santo Tomás de Aquino. Considerada como “a Idade das
Trevas”, o culto ao corpo era considerado pecado e com isso, houve uma grande decadência da
Educação Física. Os exercícios Físicos ficaram retidos em torneios muito sangrentos.

No Renascimento, a Educação Física deu um salto em busca do seu próprio conhecimento. O


período da renascença fez explodir novamente a cultura física. A admiração e dedicação pela
beleza do corpo, antes proibida, agora renasce com grandes artistas como Leonardo da Vinci
(1432-1519). A escultura de estátuas e a dissecação de cadáveres fizeram surgir a anatomia,
grande passo para a Educação Física e a Medicina. A introdução da Educação Física na escola,
no mesmo nível das disciplinas tidas como intelectuais, se deve nesse período a Vittorino da
Feltre (1378-1466) que, em 1423, fundou a escola “La Casa Giocosa” onde o conteúdo
programático incluía os exercícios físicos”. (PEREIRA; MOULIN, 2006, p. 19-20).

O Iluminismo na Inglaterra era contra o abuso do poder no campo social. Esse período
trouxe novas idéias e, como destaque nessa época, temos dois grandes nomes: Rousseau e
Pestalozzi. Rousseau propôs a Educação Física como necessária à educação física infantil,
introduzida nas escolas. Pestalozzi foi o primeiro educador a chamar a atenção para 2 (dois)
elementos fundamentais na prática dos exercícios, a posição e a execução perfeita, sem os
quais os praticantes não conseguiriam os objetivos visados.

O marco da idade contemporânea teve como principal tema o surgimento da ginástica


localizada, onde tiveram como responsáveis quatro grandes escolas: a alemã, a nórdica
(escandinava), a francesa e a inglesa.

Deste período podemos citar grandes personalidades de destaque. Na escola alemã como pai
da ginástica pedagógica moderna Johann Cristoph Friederick Guts Muths, notável pedagogo. O
fundador e fomentador da ginástica sócio-patriótica foi Friedercik Ludwing Jahn, cujo
fundamento era a força. Seu lema era “vive quem é forte”. “Foi ele quem inventou a Barra fixa,
as barras paralelas e o cavalo, dando origem à Ginástica Olímpica”. (PEREIRA; MOULIN, 2006,
p. 20).

Já na Escola Escandinava ou Nórdica, o grande destaque foi o sueco Per Henrik Ling, que
teve de lutar com energia e tenacidade ao procurar estabelecer ramos científicos aos exercícios
físicos, levando para a Suécia as idéias de Guts Muths. A ginástica sueca foi o grande trampolim
para tudo o que se conhece como ginástica atualmente. Como nos descreve em sua obra
PEREIRA e MOULIN (2006, P. 21) “Per Henrick Ling (1766-1839) foi o responsável por isso,
levando para a Suécia as idéias de Guts Muths após contato com o instituto de Nachtegall. Ling
dividiu sua ginástica em quatro partes: a pedagogia – voltada para a saúde evitando vícios
posturais e doenças, a militar – incluindo o tiro e a esgrima, a médica – baseada na pedagogia,
evitando também as doenças e visando ainda a estética – preocupada com a graça do corpo”.

Na Escola Francesa temos como elemento principal o espanhol naturalizado Francisco


Amorós y Ondeano. Ele dividiu a ginástica em civil e industrial, militar, médica e cênica. O
método conhecido como ginástica natural teve um francês como seu defensor. Georges Herbert
(1875-1957) defendia que a Educação Física deveria preconizar os movimentos naturais do ser
humano, ou seja: correr, trepar, nadar, saltar, empurrar, puxar, dentre outros.
Já a Escola Inglesa baseava-se nos jogos e nos esportes. Seu defensor era Thomas Arnold,
quem recriou os jogos olímpicos. A escola inglesa também teve uma enorme influência no
treinamento militar.

Com a propagação das idéias pelo mundo destas quatro grandes escolas, a Educação Física
passou a ser mais estudada, organizada e reconhecida. Ela conquistou seu espaço, ganhou
cunho científico e tornou-se indispensável na vida das pessoas, desde as crianças menores até
as pessoas mais idosas.

Considerações finais

É possível perceber que a Educação Física passou por profundas modificações,


conseqüências de todo o processo histórico e que, atualmente, ainda está em mutação, sendo
que este processo continuará ocorrendo com o passar dos anos. Em tempos atrás, as
mudanças ocorriam de forma mais lenta. Hoje em dia, com a velocidade na transmissão de
informações e com a facilidade ao acesso aos novos estudos e publicações, acredita-se que as
mudanças acontecerão de forma mais rápida e mais abrangente.

Todos os processos de evolução estão interligados à história do mundo. É impossível separar


história, sociedade e política dos movimentos proporcionados pela classe defensora da
Educação Física. Esses aspectos – história, sociedade, política e os movimentos proporcionados
pelos educadores físicos - sustentam e formam a base do contexto atual da Educação Física
Mundial.

A evolução da história da Educação Física passou por várias fases; algumas positivas e
outras negativas. Estas fases construíram o conceito que a educação física possui atualmente,
ocupando a posição de destaque que a mesma possui na sociedade. E as fases que virão,
tornarão a prática da educação física, seja ela escolar ou não, mais profissional e mais
difundida, com objetivos cada vez mais definidos e específicos, pois com a regulamentação da
profissão em 1998, o acesso à Educação Física está sendo defendida e proporcionada em escala
maior para toda a população, independente de classe social, idade, condição física, cor, religião,
opção sexual ou alguma deficiência física, motora ou mental.

Referências bibliográficas

 COSTA, M. G. Ginástica localizada. 2ª Ed., Rio de Janeiro. Ed. Sprint, 1998.


 DACOSTA, L. (org.) Atlas do Esporte no Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2005.
 GODOY, Lauret. Os jogos olímpicos na Grécia antiga. São Paulo: Nova
Alexandria, 1996.
 PEREIRA, M. M; MOULIN, A. F. V. Educação Física para o Profissional
Provisionado. Brasília: CREF7, 2006.
 RAMOS, Jair Jordão. Exercícios físicos na história a na arte. São Paulo: Ibrasa,
1983
 SILVA, N.P. Atletismo. 2ª Ed. São Paulo: Ed. Cia Brasil, 1998.
 STEINHILBER, J. Profissional de Educação Física Existe? Rio de Janeiro: Ed.
Sprint: 1996.
História da Educação Física
Tudo começou quando o homem primitivo sentiu a
necessidade de lutar, fugir ou caçar para sobreviver. Assim o
homem à luz da ciência executa os seus movimentos
corporais mais básicos e naturais desde que se colocou de pé:
corre, salta, arremessa, trepa, empurra, puxa e etc.

CHINA - Como Educação Física as origens mais remotas da


história falam de 3000 A. C. lá na China. Um certo imperador
guerreiro, Hoang Ti, pensando no progresso do seu povo
pregava os exercícios físicos com finalidades higiênicas e
terapêuticas além do caráter guerreiro.

ÍNDIA - No começo do primeiro milênio, os exercícios


físicos eram tidos como uma doutrina por causa das "leis de
Manu", uma espécie de código civil, político, social e religioso.
Eram indispensáveis às necessidades militares além do
caráter fisiológico. Buda, atribuía aos exercícios o caminho da
energia física, pureza dos sentimentos, bondade e
conhecimento das ciências para a suprema felicidade do
Nirvana, (no budismo, estado de ausência total de
sofrimento).
O Yoga, tem suas origens na mesma época retratando os
exercícios ginásticos no livro "Yajur Veda" que além de um
aprofundamento da Medicina, ensinava manobras
massoterápicas e técnicas de respirar.

JAPÃO - A história do desenvolvimento das civilizações


sempre esbarra na importância dada à Educação Física, quase
sempre ligados aos fundamentos médicos-higiênicos,
fisiológicos, morais, religiosos e guerreiros. A civilização
japonesa também tem sua história ligada ao mar devido à
posição geográfica além das práticas guerreiras feudais: os
samurais.

EGITO - Dentre os costumes egípcios estavam os


exercícios Gímmicos revelados nas pinturas das paredes das
tumbas.
A ginástica egípcia já valorizava o que se conhece hoje como
qualidades físicas tais como: equilíbrio, força, flexibilidade e
resistência. Já usavam, embora rudimentares, materiais de
apoio tais como tronco de árvores, pesos e lanças.

GRÉCIA - Sem dúvida nenhuma a civilização que marcou e


desenvolveu a Educação Física foi a grega através da sua
cultura. Nomes como Sócrates, Platão, Aristóteles, e
Hipócrates contribuíram e muito para a Educação Física e a
Pedagogia atribuindo conceitos até hoje aceitos na ligação
corpo e alma através das atividades corporais e da música.
"Na música a simplicidade torna a alma sábia; na ginástica dá
saúde ao corpo" Sócrates. É de Platão o conceito de equilíbrio
entre corpo e espírito ou mente.
Os sistemas metodizados e em grupo, assim como os termos
halteres, atleta, ginástica, pentatlo entre outros, são uma
herança grega. As atividades sociais e físicas eram uma
prática até a velhice lotando os estádios destinados a isso.

ROMA - A derrota militar da Grécia para Roma, não


impediu a invasão cultural grega nos romanos que combatiam
a nudez da ginástica. Sendo assim, a atividade física era
destinada às práticas militares. A célebre frase "Mens Sana in
Corpore Sano" de Juvenal vem desse período romano.

IDADE MÉDIA - A queda do império romano também foi


muito negativo para a Educação Física, principalmente com a
ascensão do cristianismo que perdurou por toda a Idade
Média. O culto ao corpo era um verdadeiro pecado sendo
também chamado por alguns autores, de "Idade das Trevas".

A RENASCENÇA - Como o homem sempre teve interesse


no seu próprio corpo, o período da Renascença fez explodir
novamente a cultura física, as artes, a música, a ciência e a
literatura. A beleza do corpo, antes pecaminosa, é novamente
explorada surgindo grandes artistas como Leonardo da Vinci
(1452-1519), responsável pela criação utilizada até hoje das
regras proporcionais do corpo humano.
Consta desse período o estudo da anatomia e a escultura de
estátuas famosas como por exemplo a de Davi, esculpida por
Michelângelo Buonarroti (1475 - 1564). Considerada tão
perfeita que os músculos parecem ter movimentos. A
dissecação de cadáveres humanos deu origem à Anatomia
como a obra clássica "De Humani Corporis Fábrica" de Andrea
Vesalius (1514-1564).
A volta de Educação Física escolar se deve também nesse
período a Vitorio de Feltre (1378-1466) que em 1423 fundou
a escola "La Casa Giocosa" onde o conteúdo programático
incluía os exercícios físicos.

ILUMINISMO - O movimento contra o abuso do poder no


campo social chamado de iluminismo surgido na Inglaterra no
século XVII deu origem a novas idéias. Como destaque dessa
época os alfarrábios apontam: Jean-Jaques Rousseau (1712-
1778) e Johann Pestalozzi (1746-1827). Rousseau propôs a
Educação Física como necessária à educação infantil. Segunde
ele, pensar dependia extrair energia do corpo em movimento.
Pestalozzi foi precursor da escola primária popular e sua
atenção estava focada na execução correta dos exercícios.

IDADE CONTEMPORÂNEA - A influência na nossa


ginástica localizada começa a se desenvolver na Idade
Contemporânea e quatro grandes escolas foram as
responsáveis por isso: a alemã, a nórdica, a francesa, e a
inglesa.
A alemã, influenciada por Rousseau e Pestalozzi, teve como
destaque Johann Cristoph Friederick Guts Muths (1759-1839)
considerado pai da ginástica pedagógica moderna.
A derrota dos alemães para Napoleão deu origem a outra
ginástica. A turnkunst, criada por Friederick Ludwig Jahn
(1788-1825) cujo fundamento era a força. "Vive Quem é
Forte", era seu lema e nada tinha a ver com a escola. Foi ele
quem inventou a barra fixa, as barras paralelas e o cavalo,
dando origem à Ginástica Olímpica.
A escola voltou a ter seu defensor com Adolph Spiess
(1810-1858) introduzindo definitivamente a Educação Física
nas escolas alemãs, sendo inclusive um dos primeiros
defensores da ginástica feminina.
A escola nórdica escreve a sua história através de Nachtegall
(1777-1847) que fundou seu próprio instituto de ginástica
(1799) e o Instituto Civil de Ginástica para formação de
professores de Educação Física (1808).
Por mais que um profissional de Educação Física seja
desligado da história, pelo menos algum dia já ouviu falar em
ginástica sueca, um grande trampolim para o que se conhece
hoje. Per Henrik Ling (1766-1839) foi o responsável por isso
levando para a Suécia as idéias de Guts Muths após contato
com o instituto de Nachtegall. Ling dividiu sua ginástica em
quatro partes: a pedagógica - voltada para a saúde evitando
vícios posturais e doenças, a militar - incluindo o tiro e a
esgrima, a médica - baseada na pedagógica evitando também
as doenças e a estética - preocupada com a graça do corpo.
Alguns fundamento ideológicos de Ling valem até hoje tais
como o desenvolvimento harmônico e racional, a progressão
pedagógica da ginástica e o estado de alegria que deve
imperar uma aula. Claro, isso depende do austral e o carisma
do profissional.
Um do seguidores de Ling, o major Josef G. Thulin introduz
novamente o ritmo musical à ginástica e cria os testes
individuais e coletivos para verificação da performance.
A escola Francesa teve como elemento principal o espanhol
naturalizado Francisco Amoros Y Ondeano (1770-1848).
Inspirado em Rabelais, Guts, Jahn e pestalozzi, dividiu sua
ginástica em: Civil e Industrial, Militar, Médica e Cênica.
Outro nome francês importante foi G. Dêmey (1850-1917).
Organizou congresso, cursos (inclusive o Superior de
Educação Física), regiu o Manual do Exército e também era
adepto à ginástica lenta, gradual, progressiva, pedagógica,
interessante e motivadora.
O método natural foi defendido por Georges Herbert (1875-
1957): correr, nadar, trepar, saltar, empurrar, puxar e etc.
A nossa Educação Física, a brasileira teve grande influência
na Ginástica Calistenia criada em 1829 na França por
Phoktion Heinrich Clias (1782-1854).
A escola inglesa baseava-se nos jogos e nos esportes,
tendo como principal defensor Thomas Arnold (1795-1842)
embora não fosse o criador. Essa escola também ainda teve a
influência de Clias no treinamento militar.

A CALISTENIA - É por assim dizer, o verdadeiro marco do


desenvolvimento da ginástica moderna com fundamentos
específicos e abrangentes destinada à população mais
necessitada: os obesos, as crianças, os sedentários, os idosos
e também às mulheres.
Calistenia, segundo Marinho (1980) citado por Marcelo
Costa, vem do grego Kallos (belo), Sthenos (força) e mais o
sufixo "ia".
Com origem na ginástica sueca apresenta um divisão de
oito grupos de exercícios localizados associando música ao
ritmo dos exercícios que são feitos à mão livre usando
pequenos acessórios para fins corretivos, fisiológicos e
pedagógicos.
Os responsáveis pela fixação da Calistenia foram o Dr. Dio
Lewis e a (A. C. M.) Associação Cristã de Moços com proposta
inicial de melhorar a forma física dos americanos que mais
precisavam. Por isso mesmo, deveria ser uma ginástica
simples, fundamentada na ciência e cativante. Em função
disso o Dr. Lewis era contra os métodos militares sob
alegação que as mesmas desenvolviam somente a parte
superior do corpo e os esportes atléticos não proporcionavam
harmonia muscular. Em 1860 a Calistenia foi introduzida nas
escolas americanas.
No Brasil dos anos 60 começou a ser implantada nas
poucas academias pelos professores da A. C. M. ganhando
cada vez mais adeptos nos anos 70 sempre com inovações
fundamentadas na ciência. Sendo assim o Dr. Willian
Skarstrotron, americano de origem sueca, dividiu a Calistenia
em 8 grupos diferentes do original: braços e pernas, região
póstero superior do tronco, póstero inferior do tronco, laterais
do tronco, equilíbrio, abdômen, ombros e escápulas, os
saltitos e as corridas.
Nos anos 80 a ginástica aeróbica invadiu as academias do
Rio de Janeiro e São Paulo abafando um pouco a calistenia.
Como na Educação Física sempre há evolução também em
função dos erros e acertos. Surge então, ainda no final dos
anos 80 a ginástica localizada desenvolvida com fundamentos
teóricos dos métodos da musculação e o que ficou de bom da
Calistenia. A ginástica aeróbica de alto impacto causou muitos
microtraumatismos por causa dos saltitos em ritmos musicais
quase alucinantes. A musculação surgiu com uma roupagem
nova ainda nos anos 70 para apagar o preconceito que
algumas pessoas tinham com relação ao Halterofilismo.
Hoje, sob pretexto da criatividade, a ginástica localizada
passa por uma fase ruim com alguns professores ministrando
aleatoriamente, aulas sem fundamentos específicos com
repetições exageradas, fato que a ciência já reprovou,
principalmente se o público alvo for o cidadão comum.

A EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL


Os índios - No Brasil colônia - Os primeiros habitantes, os
índios, deram pouca contribuição a não ser os movimentos
rústicos naturais tais como nadar, correr atrás da caça,
lançar, e o arco e flecha. Na suas tradições incluem-se as
danças, cada uma com significado diferente: homenageando
o sol, a lua, os Deuses da guerra e da paz, os casamentos
etc. Entre os jogos incluem-se as lutas, a peteca, a corrida de
troncos entre outras que não foram absorvidas pelos
colonizadores. Sabe-se que os índios não eram muito fortes e
não se adaptavam ao trabalho escravo.
Os negros e a capoeira - Sabe-se que vieram para o Brasil
para o trabalho escravo e as fugas para os Quilombos os
obrigava a lutar sem armas contra os capitães-do-mato,
homens a mando dos senhores de engenho que entravam
mato a dentro para recapturar os escravos. Com o instinto
natural, os negros descobriram ser o próprio corpo uma arma
poderosa e o elemento surpresa. A inspiração veio da
observação da briga dos animais e das raízes culturais
africanas. O nome capoeira veio do mato onde
entrincheiravam-se para treinar.
"Um estranho jogo de corpo dos escravos desferindo coices e
marradas, como se fossem verdadeiros animais indomáveis".
São algumas das citações de capitães-do-mato e
comandantes de expedições descritas nos poucos alfarrábios
que restaram. Rui Barbosa mandou queimar tudo relacionado
à escravidão.
Brasil Império - Em 1851 a lei de n.º 630 inclui a ginástica
nos currículos escolares. Embora Rui Barbosa não quisesse
que o povo soubesse da história dos negros, preconizava a
obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias de
secundárias praticada 4 vezes por semana durante 30
minutos.
Brasil República - Essa foi uma época onde começou a
profissionalização da Educação Física.
As políticas públicas - Até os anos 60 o processo ficou
limitado ao desenvolvimento das estruturas organizacionais e
administrativas específicas tais como: Divisão de Educação
Física e o Conselho Nacional de Desportos.
Os anos 70, marcado pela ditadura militar, a Educação
Física era usada, não para fins educativos, mas de
propaganda do governo sendo todos os ramos e níveis de
ensino voltada para os esportes de alto rendimento.
Nos anos 80 a Educação Física vive uma crise existencial à
procura de propósitos voltados à sociedade. No esporte de
alto rendimento a mudança nas estruturas de poder e os
incentivos fiscais deram origem aos patrocínios e empresas
podendo contratar atletas funcionários fazendo surgir uma
boa geração de campeões das equipes Atlântica Boa Vista,
Bradesco, Pirelli entre outras.
Nos anos 90 o esporte passa a ser visto como meio de
promoção à saúde acessível a todos manifestada de três
formas: esporte educação, esporte participação e esporte
performance.
A Educação Física finalmente regulamentada é de fato e de
direito uma profissão a qual compete mediar e conduzir todo
o processo.

Os passos da profissão:
1946 - Fundada a Federação Brasileira de Professores de
Educação Física.
1950 a 1979 - Andou meio esquecida com poucos e
infrutíferos movimentos.
1984 - Apresentado 1º projeto de lei visando a
regulamentação da profissão.
1998 - Finalmente a 1º de setembro assinada a lei 9696
regulamentando a profissão com todos os avanços sociais
fruto de muitas discussões de base e segmentos
interessados.

Literatura Consultada:
1) Costa, Marcelo Gomes - Ginástica localizada. Ed. Sprint, 2ª
edição, R.J.1998.
2) Silva N.Pithan Atletismo Ed. Cia Brasil editora 2ª Ed. São
Paulo
3) Steinhilber, Jorge. Profissional de Educação Física Existe?
Ed. Sprint, Rio de Janeiro R.J. 1996.
Sugestão de Literatura do CDOF: Educação Física Progressista
- Paulo Ghiraldelli Júnor - Edições Loyola
A História da Educação Física no
Brasil

Introdução: História da Educação Física no


Brasil
Caçar, correr, lutar, saltar, todos esses movimentos básicos para a sobrevivência do ser
humano primitivo iniciaram as atividades que hoje conhecemos como Educação Física.
Ao longo do tempo, a Educação Física mostrou sua importância no mundo e firmou-se
no Brasil com o incentivo de políticas públicas que transformaram nossa forma de ver a
sociedade e o ensino escolar. Conheça mais sobre a história da Educação Física no
Brasil em nosso post.

Quando e Onde surgiu a Educação Física?


O registro histórico mais remoto sobre a origem da Educação Física data em 3.000 AC,
na China. O imperador Hoang Ti iniciou um sistema educacional primitivo com práticas
e exercícios físicos que tinham finalidades higiênicas e terapêuticas, visando
transformar guerreiros.

História da Educação Física no Mundo


O surgimento da Educação Física na humanidade foi fundamentado em aspectos
doutrinários com códigos políticos, sociais, civis e religiosos que eram indispensáveis às
necessidades militares e ao alicerce cultural da sociedade.

Das civilizações mais antigas, a Índia apresentava os primeiros movimentos da ginástica


com a Yoga e técnicas de respiração. No Japão, os fundamentos médico-higiênicos e
morais eram a base de toda atividade física do guerreiro samurai.

Pinturas nas paredes do Antigo Egito revelavam a valorização da força, resistência,


flexibilidade e equilíbrio como qualidades físicas desejadas que também eram
compartilhadas em Roma, no treinamento militar de seus soldados.

Leia também ⇒ Educação Física: Conceito, Formação e Profissão

Evolução Histórica da Educação Física


Foi na Grécia Antiga, com os filósofos Aristóteles e Platão, que a Educação Física
tornou-se um elemento essencial para a educação social.
O culto ao corpo esbelto, ao aperfeiçoamento físico, à beleza e à estética –características
da cultura que também enfatizava o caráter militar – eram incentivados em Planos
Educacionais aos jovens helenos com músicas e ginásticas para alcançar a perfeição da
alma.

A busca pela harmonia entre físico e intelecto gerou inúmeros festivais gregos que
celebravam a beleza humana em forma de dança, arte, atletismo e honra aos deuses,
sendo Atenas um grande marco para a história do esporte ao realizar os primeiros Jogos
Olímpicos em 776 AC.

Escolas de Educação Física Modernas


Já na Idade Contemporânea, quatro principais Escolas foram as responsáveis pela
pedagogia moderna que se consolidou no início do século XIX e inseriu a Educação
Física como disciplina na grade curricular escolar dos países: Nórdica, Inglesa, Francesa
e Alemã.

Essas duas últimas, em especial, tiveram grande influência na corrente de pensamento


que introduziu a Educação Física no Brasil.

Surgimento da Educação Física no Brasil


Os princípios que nortearam a introdução da Educação Física no país surgiram
em 1810 com a Carta Régia que implementava a Ginástica Alemã na Academia Real
Militar, no Brasil Império.
Das iniciativas do meio político e intelectual, cabe destacar o primeiro livro brasileiro
de Educação Física: o “Tratado de Educação Física – Moral dos Meninos”, escrito por
Joaquim Jerônimo Serpa, em 1828, que enfatizava a saúde do corpo e espírito.

O parecer de Rui Barbosa em 1882 – “Reforma do Ensino Primário” – tratou a


Educação Física como parte fundamental para a formação moral da juventude e
reforçou sua importância na grade escolar. Foi o início da história da Educação Física
Escolar no Brasil e das grandes fases que passaria.

Conheça as Fases da Educação Física no


Brasil
Veja também >> Abordagens Pedagógicas da Educação Física

Educação Física Higienista (1889 a 1930)


O pensamento médico-higienista promovia medidas sanitárias, sociais e educacionais
que tinham como objetivo o aprimoramento das qualidades hereditárias (eugenia) e o
afastamento das pessoas de práticas e vícios que poderiam deteriorar a vida coletiva,
uma preocupação das elites para a consolidação de uma nova sociedade industrial e seu
treinamento militar.

Em 1870, a ginástica passava a ser uma disciplina prática obrigatória em todas as


escolas e, nos anos seguintes, também foi estendida ao sexo feminino. Em 1929, o
Conselho Superior de Educação Física, subordinado ao Ministério da Guerra, ficava
com o papel centralizador das atividades relativas à matéria e ao desporto.
Educação Física Militarista (1930 a 1945)
A Educação Física foi vista como um poderoso suporte para o fortalecimento do Estado.
Houve a militarização do corpo com ações que promoviam a ordem moral e cívica e o
preparo físico para a defesa da nação, além do aprimoramento para a força de trabalho.
A eugenia ainda mantinha sua expressividade.

Em 1931, a Reforma Francisco Campos tornou a Educação Física, enquanto ginástica,


obrigatória no ensino secundário. Foi o momento em que surgiram as primeiras escolas
superiores de Educação Física, enquanto o método francês aplicado enfatizava os
desportos coletivos.

Educação Física Pedagogicista (1945 a


1964)
Com o fim do Estado Novo, a ginástica perdeu espaço para o esporte e a Educação
Física começou a ser encarada como uma prática educativa. A matéria foi dirigida para
a saúde (mental e física), caráter moral, preparação vocacional e incentivada a ser
realizada nas horas livres, buscando-se a promoção da educação integral.

Mesmo assim, a fase pedagógica da Educação Física não realizou mudanças


significativas, regularizando apenas o que já estava estabelecido anteriormente.

Educação Física Competitivista (1964-


1985)
Com o espírito nacionalista instigado pela Ditadura Militar na década de 70, a Educação
Física baseou-se na pedagogia tecnicista com metas na produtividade. A política
educacional trazia a valorização do esporte em detrimento a outras práticas, priorizando
o rendimento físico e movimentos mecânicos para se atingir um melhor desempenho
esportivo.

Professor virou “treinador” e o aluno “atleta”, na busca por heróis que orgulhassem a
nação. A Educação Física ganhou um grande investimento no período, além do caráter
ideológico que incentivou a competição e a superação individual.

Educação Física Popular (1985 até hoje)


O modelo anterior foi bastante contestado por educadores. Novas tendências, com a
abertura democrática na sociedade, surgiram para a Educação Física. A fase popular
teve como base a organização, solidariedade, ludicidade e mobilização que envolvesse o
ser humano nas práticas corporais.

Foi o período em que ocorreu o boom das academias, a valorização do fitness e da


musculação. A partir da década de 90, a qualidade de vida ganhou destaque na
preocupação social e a Educação Física foi valorizada como um alicerce essencial para
o bem-estar.
Nos currículos escolares, a Educação Física também foi aplicada nas séries iniciais,
proporcionando, desde cedo, formas recreativas, alegres, educativas e inclusivas para o
desenvolvimento psicomotor do aluno e suas potencialidades em diversas dimensões e
fases.

E apesar da ocorrência de algumas reformas políticas atuais na educação, a Educação


Física no Brasil segue como uma grande e importante promotora de saúde que beneficia
toda a população.

A Regulamentação da Educação Física


Em 1998 o processo de regulamentação da profissão Educação Física foi aprovado pelo
Congresso Nacional brasileiro, criando o sistema CONFEF/CREF, e promulgado pelo
Presidente da República em 01/09/98. Desde então o dia 1º de Setembro passou a ser
o Dia do Profissional de Educação Física.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: A história que não se conta. 4ª
ed. São Paulo: Papirus, 1994