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SUASSUNA, Ariano. Iniciação À Estética. 9ª ed. Rio de Janeiro, 2008.

LIVRO I – A ESTÉTICA E SEU MÉTODO

Cap. I - Natureza e Objeto da Estética

A Estética como Filosofia do Belo ou da Arte

 Tradicionalmente e sobretudo nas épocas “clássicas”, a Estética era definida como


a “Filosofia do Belo”, e o Belo era uma propriedade do objeto, propriedade que,
no objeto e como modo do ser, era captado e estudado.
 No Belo, havia a possibilidade de pensar tanto o belo da Natureza quanto o belo
da Arte.
 A Filosofia tradicional supunha que o belo da Natureza era superior ao da Arte.
 A partir do idealismo germânico o belo da Arte passa a sobrepor o belo da
Natureza, já que, para Hegel, a beleza da Arte é nascida duas vezes do Espírito.
 Para Hegel, a Estética deve ser uma Filosofia da Arte.

A Estética Como Ciência do Estético

 Por influência de Kant, os pensadores passaram a subdividir o campo estético,


onde o Belo e o Sublime constituíam suas categorias.
 Havia um questionamento sobre definir a Estética como “Filosofia do Belo”, já
que, à exemplo de Aristóteles, ao incluir o Cômico como categoria estética (já que
considerava a Comédia a Arte do feio), desvinculava a relação propriamente dita
entre a Estética e o ideal de Belo.
 Para os pós-kantianos, a estética deveria ser uma ciência, onde o estético seria o
campo, o Belo, uma de suas categorias e a estética deixaria de ser a “Filosofia do
Belo e da Arte” e ocuparia o posto de “Ciência do Estético”.

O Belo e o Estético

 O Estético agora designava o campo geral da Estética, que abrangia as diversas


categorias que os pensadores se propuseram a estudar (o Sublime, o Trágico, o
Risível, o Gracioso, etc).
 O Belo passou a ser uma categoria caracterizada pela harmonia, senso de medida
e fruição serena e tranquila.
 Para Edgard De Bruyne, a Arte produz não apenas o Belo, mas também o feio, o
horrível, o monstruoso. Logo, ao despertar sentimentos que poderiam se
desvincular dos provocados pela presença do belo nas obras, também seriam
passíveis de estudo. Além disso, seria questionável o padrão que definia o Belo
eurocêntrico como sendo o belo “puro”.

Inconveniência Tautológica do Estético

 Dizer que a Estética é a “ciência do Estético”, segundo Kainz, é um tanto


redundante. Seria mais conveniente utilizar o Belo na definição inicial.
A Estética Como Filosofia da Beleza

 Definir a Estética pelo Belo seria ignorar o trabalho de todos os artistas que se
afastavam do conceito de Belo definido, além do desprezo por todas as
observações feitas pelos pensadores pós-kantianos em relação a essas obras.
Também seria estranha a dissociação da Filosofia da Arte na Estética, já que esta
deveria ser o seu núcleo.
 À Estética então passa a ser definida como Filosofia da Beleza, onde a Beleza
incluiria todos as manifestações de arte que não tinham (ou ainda não tem) relação
com o Belo, como o Trágico, o Cômico, etc.

O Campo da Estética

 Logo, a Estética passa a ser uma espécie de reformulação da de toda a Filosofia


em relação à Beleza e à Arte. É importante examinar seu método, além de duas
questões principais, as categorias da Beleza, suas fronteiras, a Arte, sua
psicologia, a relação entre Beleza e Ética, etc.

Cap. I I - As Opções Iniciais da Estética

A Opção Ante o Irracionalismo

 É necessário empreender nas Estética uma verdadeira visão do mundo em relação


à Beleza.
 À Estética não legisla sobre a Arte, não regula a imaginação dos criadores e muito
menos doutrina-os.

Estética Objetiva e Estética Subjetiva

 Até a revolução estética kantiana, ninguém questionava como a Beleza podia ser
propriedade do objeto estético.
 A Beleza é uma construção do espírito do contemplador que é projetada diante do
objeto.
 Na Estética Objetiva, a beleza de um objeto de arte é advinda de suas
propriedades, qualidades. O contemplador apenas “capta” a beleza, sem a
possibilidade de intervir sobre ela ou modificá-la. A Beleza é absoluta.
 Para Platão, esta Beleza está presente apenas no mundo das ideias, distante da
interferência humana.
 A Estética Objetiva, tendo Kant como principal propulsor da ideia, reflete que
para determinar se um objeto é belo ou não, recorre-se às faculdades do
contemplador (inteligência e vontade aliadas ao juízo de gosto). Logo, a beleza
não seria uma propriedade do objeto, já que a bagagem do contemplador é que
determina se o mesmo encontrará ou não beleza em algo.

Estética Filosófica ou Estética Científica

 Existe a dificuldade de separar conceitos filosóficos da Estética a fim de torná-la


uma ciência.
 As tentativas de afastar a Estética da filosofia a fizeram migrar eventualmente
para categorias de estudo da psicologia, sociologia, historicismo, etc.
 A Lógica aparece como um mediador entre a Estética filosófica e científica.

Estética Filosófica e Métodos da Estética

 Moritz Geiger aponta que o maior inimigo da Estética é o irracionalismo.


 As escolas estéticas trabalham em conjunto com os mais variados métodos
(indutivo, psicanalítico, fenomenológico, histórico, sociológico, etc.) para
compreender o complexo campo estético.
 A Estética Filosófica só pode aceitar uma proposta de acordo (acordo proposto
para trabalhar os diversos métodos em conjunto com a estética) se ela for
considerada um “Método superior”, que se proponha a delimitar o campo estético
e oferecer princípios axiológicos que possibilite a ordenação e estudo dos fatos
estéticos (p.38)

As Essências, a Estética e a Arte

 A Estética é estudada dentro de um entendimento filosófico, objetivista, realista e


normativo. Investiga o objeto estético e busca suas essências.
 As essências compõem os primeiros princípios do campo estético.
 A Estética é uma atividade reflexiva, impossibilitada se julgar objetos de arte.

LIVRO II – AS FRONTEIRAS DA BELEZA

Cap. III - Teoria Platônica da Beleza

O Mundo das Ideias Puras

 Para Platão, a beleza de um ser material qualquer depende da variável na


comunicação entre este ser e a Beleza Absoluta.
 A Beleza Absoluta pertence ao mundo suprassensível das Ideias, logo, é incapaz
de ser mutável ou perder a pureza mediante a ação humana.
 Para Platão, o universo era dividido em dois mundos: Um, o da ruína, onde havia
o caos, a feiúra, a morte, um mundo nosso, passível da sensibilidade de nossos
sentidos. O outro, o mundo em forma, significava e dava sentido à vida no mundo
de ruína. Era o mundo das essências, das Ideias Puras.
 Cada ser do nosso mundo possui um modelo no outro, um padrão, arquétipo
interpelado por essências, pelo Bem, Verdade e Justiça.

A Reminiscência

 O Arquétipo flutua entre o sensível e o espiritual.


 Para Platão, a alma é terminantemente atraída pela Beleza, uma vez que exilada
neste mundo, sente falta desta. Sendo nossa alma eterna, já experienciou, no outro
mundo, a Beleza Absoluta, de caráter divino, e por estar, decadente, aprisionada
em matéria de nosso mundo, vive em desterro permanente por saudades dela.
 Ainda segundo Platão, nossa alma, onisciente, não consegue se sincronizar com
um corpo que não acompanhe seu conhecimento. Corpo grosseiro que nos faz
esquecer quase todo o conhecimento da alma, por esta já ter presenciado a
Verdade, Beleza e Bens Absolutos. Logo, alguém que se dedica à tais preceitos
não o faz pelo simples interesse, uma vez que a alma já vivenciou e se recorda.

O “Banquete” e o “Fedro”

 Na obra “O Banquete”, Platão aconselha seus seguidores, através do mito da


parelha alada à trilhar o caminho místico, sendo o único meio de levar os homens
comuns, cheios do sensível e grosserias até o mundo das Ideias.
 Para Platão o amor seria onde o caminho da alma quer se elevar, uma vez que no
início, os seres humanos eram andróginos, e por terem suas almas separadas,
agora seguem a procurar sua outra metade. Contudo, apenas indivíduos inferiores
se satisfazem com o amor físico. O encontro do amor físico seria apenas o estágio
inicial dessa busca, já que os homens superiores descobrem que a beleza existente
no corpo é irmã da beleza de outro corpo belo. Portanto descobre enfim que a
beleza de todos os corpos é uma só.
 A destruição do egoísmo através da descoberta da beleza existente em todos os
corpos transforma o indivíduo em um apreciador desinteressado da beleza
existente e. todos os corpos. O corpo se torna apenas um suporte para a Beleza.

O Caminho Místico

 O próximo estágio de aperfeiçoamento se desenvolve no momento em que a


beleza da alma apresenta primazia à beleza do corpo. A beleza moral é a única
que resiste ao tempo, enquanto a beleza do corpo é efêmera e decadente. O amador
precisa ter ciência disso em sua trajetória.

A Beleza Absoluta

 O amante então torna-se prisioneiro voluntário do imenso oceano da beleza. Após


constante purificação, seu espírito é enriquecido pela “disciplina amorosa da
contemplação, onde será atingido o último estágio possível na terra, poderá então
contemplar uma Beleza de natureza maravilhosa, terá ciência da eternidade das
coisas, que beleza e feiúra de algo são termos relativos. Experienciará a verdadeira
beleza. Diferente de qualquer coisa que compõe o mundo material, uma vez que
existe em si mesma e por si mesma.
 A beleza das coisas seria apenas um vislumbre da Beleza Absoluta.
 A Verdade, a Beleza e o Bem são faces diferentes do mesmo Ser divino.
 “A Beleza é o brilho ou o esplendor da Verdade”.
 Platão atribuía à Verdade o caráter de conhecimento.

A Reminiscência e o “Mênon”

 Para Platão, a beleza causava deleite, arrebatamento, e era capaz de despertar


desejos e produzir amor. A Verdade apenas iluminava o caminho.
 A Beleza, em essência, se trata de uma recordação, uma vez que a alma pôde
experienciar diversas realidades, e a beleza enxergada aqui seriam apenas
memórias despertas, com dificuldade, de realidades já vividas.
 As coisas corpóreas são apenas modelos das representações ideais pertencentes
ao mundo das ideias através dos arquétipos.

Cap. IV - Teoria Aristotélica da Beleza

A Beleza como Harmonia e Proporção

 Por causa das contribuições dadas por Platão, a ideia de esplendor, luz, brilho,
sempre ficou ligada à concepção de beleza.
 Aristóteles abandona o idealismo platônico por completo no que diz respeito à
Beleza. Segundo ele, a beleza não depende de uma ordem suprema residente no
mundo suprassensível das Essências Puras, e sim da harmonia ou ordenação
existente nas partes dos objetos, entre si e relacionado ao todo.
 Em relação ao Belo, este exigia uma certa imponência, grandeza, além de sua
proporção e medida nesta.
 Aristóteles parece ter pressentido a Beleza como campo que incluía diversas
categorias além do Belo.
 Para Aristóteles, as características essenciais da Beleza seriam a harmonia e a
grandeza. Além da influência grega no conceito de beleza induzi-lo à incluir a
medida e proporção.
 “A Beleza consiste em unidade na variedade”

O Conflito entre Harmonia e a Desordem

 Ao tratar da comédia como “imitação de homens inferiores e viciosos”, fica


provado implicitamente que Aristóteles admitia desordem e feiúra como
elementos estimulantes à criação da Beleza, através da Arte.
 A Beleza é tida como propriedade particular do objeto, distante do ideal platônico
de Beleza Superior.
 O Feio era tido como uma desarmonia, portanto incluída no campo estético.

Aspecto Subjetivo da Beleza

 A Beleza passa a ser estudada através das repercussões causadas no espírito do


contemplador, uma vez que para despertar sentimentos nele é necessária a
apreensão e fruição da Beleza.
 Em “Retórica”, Aristóteles analisa a fruição da obra de arte e as características da
beleza através da reação do espírito do contemplador ao estar diante da beleza.
Diante disso, é possível afirmar que o prazer estético é resultado da apreensão
descomplicada do objeto pelo espírito do sujeito.
 Aristóteles tentou definir a Beleza de maneira objetiva, sem apoiar-se em outras
coisas para explicá-la além do objeto em si.
 O realismo é a revelação da verdadeira essência das coisas.
 Aristóteles traçou de modo satisfatório as fronteiras da beleza.

Pontos Fundamentais do Pensamento Aristotélico

 Para Aristóteles, a Beleza é uma propriedade do objeto, consistindo na harmonia


de todas as partes de um todo que possui medida e grandeza.
 A harmonia, grandeza e proporção são as características principais da beleza.
 A Arte não é uma forma de conhecimento à menos que se entenda o
conhecimento.

Cap. V - Teoria Plotínica da Beleza

Plotino e Aristóteles
 O fundamento da visão de Plotino sobre a Beleza é Platônico.
 Plotino se opõe ao pensamento aristotélico, uma vez que este só admite a Beleza
no objeto formado por partes, composto, excluindo as partes, o simples,
abstraindo-os do que seria belo. As partes também deveriam ser belas.
 À exemplo de uma cor pura, que por não ser formada por partes, não poderia ser
considerada bela.

Beleza do Simples?

 É questionável aferir Beleza também aos objetos simples pelo fato de que para
encontrá-la, seria necessária a comparação com outros objetos, como por exemplo
as cores ou uma sinfonia. Para dizer que uma cor é bela, é preciso conhecer outras
cores que provoquem o desagrado. Do mesmo jeito com a música, pois, há a
comparação de um movimento ou notas específicas com outras.

Influência Platônica em Plotino

 Existe forte influência dos pensamentos de Platão no discurso de Plotino, uma vez
que o mesmo referencia o plano divino onde a verdadeira Beleza habita, o
arrebatamento místico após a conclusão do percurso seguido para encontrar a
Beleza Absoluta, também como a ideia de Reminiscência proposta por Platão.

Artes Visuais, Auditivas e da Ação

 Os sentidos estéticos por excelência são a audição e visão.


 As artes de ação têm como referência o romance, poesia, etc. uma vez que cegos
não poderiam apreciar um objeto visual mas poderiam escutar uma poesia. O
mesmo vale para o deficiente auditivo, que, incapacitado de escutar uma sonata,
por exemplo, pode ler um romance, importando apenas a assimilação do sentido
das palavras.

Plotino e Kant

 Para Plotino, o gosto seria a faculdade da alma, uma vez que esta tem noção do
que é o a Beleza.
 É possível que Plotino, apesar da primazia dada ao estudo da Beleza, tenha
admitido outras categorias no campo de estudo da Estética.

Plotino, Hegel e Maritain

 Para Aristóteles, o prazer estético se deve à habilidade de reconhecer o que se é


representado na obra de arte.
 Para Plotino, o prazer estético deriva da sensação de estar diante do brilho de outra
alma humana ao observar objetos belos, já que o artista colocou uma fagulha de
sua alma, alegrando, assim, a nossa.
 Ao se deparar com o Feio, a alma se afasta, o repele, já que não concorda com ele.

Plotino e Bergson

 Para ambos, havia a crença na caminhada em busca do Divino, Virtude.

As duas definições de Beleza

 Para Plotino, a Beleza é uma luz que paira sobre a Harmonia, sintetizando a luz
platônica e a harmonia aristotélica.
 A luz que dança sobre a harmonia seria, é também a máxima intensificação do
ser.
 A Beleza é resultado do triunfo da forma sobre o obscuro.

Cap. VI - Teoria Kantiana da Beleza

O Juízo de Conhecimento e o Juízo de Gosto

 Kant desloca o centro da existência da Beleza do objeto para o sujeito.


 Kant tentou mostrar que os problemas estéticos eram insolúveis pois existe uma
enorme divergência entre os juízos estéticos (juízo de gosto) e os juízos de
conhecimento, uma vez que o juízo de gosto tem caráter subjetivo e independente
do juízo de conhecimento.

O Juízo Estético e o Juízo sobre o Agradável

 Para Kant, o agradável é aquilo que agrada aos sentidos, na sensação.

Primeiro Paradoxo Kantiano sobre a beleza

 O que difere o juízo estético do agradável, é a necessidade de, no juízo estético,


não se contentar que a obra seja agradável apenas para si, e sim para o mundo.
 A semelhança entre juízo estético e de conhecimento está na exigência de validade
geral de nossa parte para com ele.
 Portanto, para Kant, a Beleza (satisfação determinada pelo juízo de gosto) seria
aquilo que agrada universalmente sem conceito.

Segundo Paradoxo Kantiano sobre a Beleza

 O juízo estético, de caráter subjetivo exige paradoxalmente o consenso universal,


uma vez que a Beleza resulta de faculdades necessariamente comuns à todos os
homens, a sensibilidade/imaginação em conjunto com o entendimento.

Terceiro Paradoxo Kantiano sobre a Beleza


 O prazer causado pelo Agrado é interessado, enquanto o causado pelo belo é uma
alegria gratuita e desinteressada, uma vez que é um sentimento puramente
contemplativo.

Quarto Paradoxo Kantiano sobre a Beleza

 Uma vez que a satisfação do juízo de gosto é desprovida de interesse, todo fim
comporta um interesse como motivo de julgamento, trazido sobre o objeto.
 A afinidade é algo que o sujeito descobre no objeto, tendo a capacidade de excitar
as faculdades do sujeito de maneira harmoniosa.
 A satisfação proporcionada pelo juízo de gosto é uma invalidade sem fim.

Beleza Livre e Beleza Aderente

 A Beleza aderente está relacionada ao conceito que fazemos das coisas


representadas, estando ligada às artes figurativas.
 A Beleza livre relaciona-se com a representação de formas puras, ligada às artes
abstratas.

Cap. VII - A Beleza Sendo à Estética Idealista Alemã

Schiller e a Reconstrução da Estética

 Se a Beleza é construída pelo espírito do contemplador, os conceitos de obras feias


ou belas não existiriam, uma vez que seriam consideradas como tais de acordo
com a reação do observador.
 Variação legítima é pessoal, de gosto.
 Variação ilegítima é passível de julgamento por espíritos superiores (pessoas com
bagagem cultural mais elevada?) e pela passagem do tempo.
 O pensamento kantiano trata da fruição da Beleza não como construção
meramente intelectual pois a imaginação possuía, também, papel fundamental
nela. (Mas a imaginação não seria também um plano onde nossos conhecimentos
são trabalhados de maneira mais abstrata? Acredito que a imaginação tenha, pelo
menos em parte, relação com o intelectual.)

A Teoria da Aparência Estética

 O mundo da Arte e da Beleza é um “mundo de aparência”, contudo, uma aparência


honesta pois não pretende ser outra coisa além de aparência.
 A Aparência Estética tem primazia à do mundo real, uma vez que ela é obra dos
homens.

Schelling – A Beleza como Infinito

 Retorno neoplatônico à Estética metafísica, abalada pelo pensamento kantiano.


 Retorno da concepção platônica do caráter ideal da Beleza como característica da
Ideia do Absoluto.
 A Beleza, para Schelling, seria a apresentação doinfinito dentro do finito. Sendo
a compenetração do geral ou ideal com o real, onde o particular está tão adaptado
ao seu conceito que este, enquanto infinito, ingressa no finito, sendo contemplado
em concreto.
 Arte figurativa: infinito acolhido no finito – o real
 Retórica: infinito incorporado ao finito – o ideal
 A indiferença compreende as duas unidades (real e ideal).

A Liberdade e a Necessidade

 O mundo humano e espiritual é o mundo da liberdade, sendo o mundo da


necessidade o mundo da natureza. A Beleza seria a união da liberdade e da
necessidade contemplado em algo real.
 A Arte é fundamentada na identidade entre a atividade consciente e a inconsciente.

O Absoluto como Termo da Caminhada Humana

 Todas as coisas aspiram mergulhar no Absoluto. Contudo, o homem apresenta


maior aspiração em relação aos outros seres.
 O Homem, sendo um ser espiritual, é colocado diante da Natureza, brutal,
indiferente. Inconformado, o homem procura inserir o espiritual no sensível para
conseguir equilíbrio, entrando em um contato mais íntimo com o Absoluto.
 A Beleza, Verdade e o Bem são características do Absoluto insertos na face do
mundo.
 A Beleza é a indiferença da liberdade e da necessidade contemplada em algo
concreto.
 O Cômico aparece como superposição de mecânico (necessidade) ao vivo
(liberdade).

Cap. VIII - Teoria Hegeliana da Beleza

A Beleza como Manifestação da Ideia

 Beleza como Ideia representada através do sensível


 Fundamento platônico da Beleza como exteriorização e representação da
Verdade.

Beleza e Verdade

 Verdade como Ideia enquanto considerada em si mesma, em seu princípio geral é


pensada como tal
 Beleza como manifestação sensível da Ideia
 Crítica à noção kantiana por esta considerar a Beleza um universal sem conceito.

A Ideia e o Ideal

 A Ideia é a própria realidade, é a Verdade ainda não objetivada.


 O Ideal seria a Ideia objetivada, enquanto realidade moldada à seu conceito.

Liberdade e Necessidade
 Liberdade: modalidade suprema do espírito, aquilo que a subjetividade contém,
m e pode captar em si de mais elevado. Permanece puramente subjetiva, sem se
exteriorizar.
 Chocando-se com o que não é livre, o sujeito é induzido ao combate e desespero.
 O estado natural do homem é a contradição e o dilaceramento tanto perante a
natureza como também dentro de si mesmo.
 A suprema aspiração humana seria superar a contradição através da comunhão
com a Ideia

As Três Etapas para o Absoluto

 A Arte, a Religião e a Filosofia são as três etapas fundamentais no caminho do


homem em busca do Absoluto.
 A Arte é encarregada da espiritualização do sensível
 À Religião compete a captação interior do que a Arte faz contemplar como objeto
exterior.
 A Filosofia sintetiza os dois conceitos primeiros.
 Para Hegel, tudo o que é real é cognoscível.
 O Homem serve de ponte entre as coisas e o espiritual.
 O ser humano é representante do espírito e da liberdade colocado diante da
necessidade da natureza, hostil a ele.
 O homem procura espiritualizar o mundo dentro de si através da Arte, Religião e
Filosofia.
 Espiritualização do mundo através da Arte, criação de condições necessárias para
abrigar dentro do indivíduo a Ideia através da Religião, destruição da oposição
entre sensível da Arte e espírito religioso através da Filosofia.

 Conceitos de Tragédia e Comédia

o Tragédia: Os personagens consumam sua ruína como consequência do


caráter exclusivo de sua firme vontade; - o infortúnio acontece através da
escolha da personagem, da sua vontade, não de uma fatalidade.
o Comédia: Caracterizada pela satisfação infinita, a segurança que se
experimenta, sentindo-se elevado acima da própria contradição, em lugar
de ver nisso uma situação cruel e desgraçada.

Cap. IX - A Beleza – Síntese Realista e Objetivista

Teoria Agostiniana da Beleza

 A Beleza de qualquer objeto material está na harmonia de suas partes, unida à


suavidade da cor (Aristóteles e Plotino)

O Mal e o Feio nas Obras de Arte

 Primeira vez que o a reflexão sistemática acerca do Mal e do Feio no campo de


estudos da Estética (Agostinho quase um pioneiro. QUASE)
 Os pensadores gregos costumavam identificar o Belo com a Beleza, considerando
como única forma de manifestação da Beleza.
 Para Agostinho, a variedade deve abranger a oposição dos contrários (belo ou feio,
etc.)

Teoria Tomista da Beleza

 Tomás de Aquino busca a essência da Beleza no objeto (realista e objetivista).


Contudo, negando padrões ideiais platônicos e desconsiderando a proporção
aristotélica como característica da Beleza.
 Para Tomás de Aquino, a beleza é aquilo que agrada a visão.
Visão Objetiva da Teoria Tomista

 Aprofundamento da visão aristotélica.


 Integridade: grandeza limitada (Mas S.T.A. não exige a grandeza, pois há formas
na Beleza que não são realizadas em grandes proporções, como o gracioso) – deve
ser inteiro.
 Harmonia: a ordem aristotélica.
 Claridade: brilho da forma sobre as partes harmoniosas da matéria – fulguração
da inteligência sobre uma matéria inteligentemente disposta.
Entendimento Não-Acadêmico da Beleza

 A integridade, a harmonia e a claridade a que São Tomás se refere devem ser


entendidas na obra de arte, no seu universo particular. Ou seja, todas as artes, em
seu universo particular, podem ser valorizadas e passíveis de apreciação, não só a
arte grega.
A Fruição da Beleza
 Plotino: na fruição, a inteligência reconhece a si própria, reencontra-se, a alma
reconhece uma afinidade consigo mesma.
 Jacques Maritain atesta que na percepção da Beleza, a inteligência, por meio da
intuição sensível, põe-se em presença de uma inteligibilidade que resplandece,
mas que, enquanto proporciona o deleite da Beleza, não e separável de sua ganga
sensível e, por consequência, não procura um conhecimento intelectual,
atualmente exprimível num conceito.

LIVRO III – AS CATEGORIAS DA BELEZA

Cap. X - As Categorias da Beleza – Visão Objetiva


Aristóteles e as Categorias da Beleza
 Aristóteles parte de sua definição de Beleza, combinando, primeiramente, os
elementos de harmonia e desarmonia com a grandeza e a proporção. Introduz,
ainda, o elemento da ação.
 Além do Belo, existem outros tipos possíveis de Beleza, como o Trágico, que é
uma mistura de sensações diferentes como a piedade e o terror.
 Categorias ligadas à Harmonia:
o O Gracioso: Beleza apresentada através das pequenas proporções;
o O Belo: Beleza harmoniosa entres as partes que compõem o todo. Não
muito pequeno e nem grande em excesso;
o O Sublime: Beleza harmônica das grandes proporções. Terror e piedade
são despertados pelo pensamento. Mais característico das artes literárias;
o O Trágico: Terror e piedade são despertados pela ação. Melhor adequado
ao teatro e gêneros literários menos puros.
 Categorias ligadas à desarmonia:
o O Risível: Beleza realizada através das pequenas proporções;
o Beleza do Feio: Parte do que é feio na Natureza;
o Beleza do Horrível: Parte do que é repugnante em grandes proporções na
Natureza;
o Cômico: Formas de grandeza ligadas ao Risível são realizadas através de
uma ação;

Cap. XI - As Categorias da Beleza – Visão Psicológica


As Três Faculdades e a Harmonia
 Charles Lalo tenta transformar as categorias da Beleza aristotélica em categorias
do Estético, relacionando a harmonia (possuída, procurada ou perdida) com três
faculdades do espirito humano: inteligência, atividade e sensibilidade, ou seja,
inteligência, vontade e sentimento.

HARMONIA POSSUÍDA PROCURADA PERDIDA


Na inteligência Belo Sublime Espirituoso
(ideias)
Na atividade (ação) Grandioso Trágico Cômico
Na sensibilidade Gracioso Dramático Humorístico
(sentimento)

O Campo da Harmonia Possuída


 Belo, Grandioso e Gracioso
 Relacionado às Artes intelectuais.
 Belo: harmonia sensível à inteligência, julgada pelo gosto, e na qual se é obtido,
sem algum esforço, o máximo de rendimento estético com um mínimo de meios
– templo grego; serenidade; medida humana.
 Grandioso: harmonia que resulta da vitória fácil obtida sobre um material
resistente – templo egípcio; impressão esmagadora; acima da medida humana.
 Gracioso: harmonia que inspira sentimentos de proteção e afeto, diante de seres
ou objetos pequenos e frágeis – casa campestre; pequena; acolhedora.
O Campo da Harmonia Procurada
 Sublime, trágico e dramático.
 Sublime: categoria mais intelectual que consiste em um conflito de ideias; possui
caráter religioso por causa da solenidade e da majestade das ideias superiores que
nele aparecem em conflito.
 Tipo de Beleza cujo núcleo propõe uma meditação que desperta um sentimento
estético de terror solene pela fatalidade e solenidade das ideias em conflito.
 Trágico: ligado à ação, é a sugestão de uma luta contra a fatalidade, o combate de
um ser humano que se acredita livre contra uma necessidade exterior e irresistível,
que acaba por esmagá-lo.
 Dramático: através de uma ação objetiva comover nossa sensibilidade. Não possui
as implicações filosóficas de “fatalidade” do Trágico.
O Campo da Harmonia Procurada
 Espirituoso, Cômico e Humorístico.
 Espirituoso: predomina o riso despertado por uma sugestão de ideias. É o Risível
mais intelectual.
 Cômico: desarmonia presente numa vontade, quando esta é considerada livre de
não possuir essa desarmonia. É o Risível da ação.
 Humorístico: Aparente falsa unidade, onde descobrimos nela uma incoerência
escondida, sendo uma descoberta mais sensível que intelectual. Sentimento de
superioridade que se experimenta diante de uma desarmonia antipática.

Cap. XII - O Trágico


O Trágico como Essência
 Para Suassuna, é possível distinguir o Trágico como essência presente em todas
as tragédias de todos os tempos.
 Uma peça pode ter todas as características do Trágico ou não.
 Numa Tragédia, o Trágico não é a única categoria presente.
A Ação Trágica – Visão Aristotélica
 Tragédia é tida como imitação de ações de caráter elevado, completa em si mesma,
de certa extensão, que se efetua mediante atores e tem por efeito a purificação dos
sentimentos de terror e a piedade, suscitados por ela.
 Drama = Espetáculo (para os gregos).
A Linguagem Trágica
 Sempre poética, reúne ritmo, harmonia e canto, ornamentada e
predominantemente metaforizada sobre a precisão e clareza.
O Personagem Trágico
 Mistura de qualidades boas e más
 Está acima da média comum. Não é uma alma pura, mas é uma alma grande.
 No teatro, um personagem é trágico mais pelas decisões e ações do que pelas
palavras.
A Decisão e o Conflito
 O personagem trágico é levado ao conflito pela própria grandeza de suas paixões.
A ação trágica deve colocar diante do herói trágico um dilema.
 A decisão é a reveladora do caráter trágico: o caminho comum ou o caminho da
grandeza.
O Infortúnio
 O encadeamento da ação elevada, da decisão, do conflito e do caráter trágico
levam o personagem ao infortúnio.
 Personagens grandes que caem na desonra por alguma razão.
O Terror e a Piedade
 Subjetivamente, o trágico se caracteriza pelo terror e pela piedade que desencadeia
no espírito dos contempladores, determinando a purificação das paixões.
Cap. XIII - O Dramático
O Dramático como Categoria da Beleza
 Suassuna vai distinguir o dramático do trágico
o Ambos pertencem ao campo do Doloroso
o Ambos se caracterizam pelo infortúnio, pelo esmagamento, pelo
aniquilamento do personagem.
A Ação e a Linguagem Dramáticas
 A ação do dramático não mergulha na transcendência, como no trágico
 A linguagem do drama é construída de acordo com o espírito da prosa.
O Conflito Dramático
 O dramático possui uma semelhança maior e uma ligação menos profunda com o
real
o O conflito é ligado à vida cotidiana;
o O dramático é mais ‘verdadeiro’ e cotidiano, e o Trágico mais
transfigurador e poético.
O Personagem Dramático
 O personagem dramático é menos elevado que o trágico, porém é mais vivo e mais
humano.
 O Drama surge como consequência da descrença dos homens nos mitos, numa
transcendência, na possibilidade de elevação do homem, e até da descrença na
degradação, ligada ao cômico.
O Dramático, o Real e o Maravilhoso
 No teatro medieval prevalecerá o Maravilhoso – desaparecimento do herói
trágico-pagão.
O Drama e a Tragédia
 “... a tragédia e a comédia são obras de arte, seres existentes enquanto o Trágico
e o Dramático são essências” (p.139)
 Os dramas de maior dimensão literária são os que atingem os limites da
transcendência trágica. Conflitos dramáticos de natureza ética.
 O personagem dramático é mais vivo psicologicamente que o trágico: é mais
naturalmente humano, uma pessoa do cotidiano, enquanto o personagem cômico
é um escárnio da espécie humana.
 Personagem trágico – mítico: alguém que se tornou centro de crença, de
possibilidades de transcendência do crível e do transfigurado.
 O personagem dramático entra em conflito para tentar domar o mundo, não para
resolver a contradição entre ele e o mundo.
Cap. XIV - Risível e o Cômico
As Formas Artísticas do Risível
 Interessa à Estética o riso estético, aquele tipo de riso recriado, ou possível de ser
recriado, pela Arte.
As Teorias do Contraste
 Para Aristóteles, o risível é uma desarmonia de pequenas proporções e sem
consequências dolorosas.
 A desarmonia seria um contraste existente entre o que existe de fato e o que
deveria existir.
O Risível – Hobber e Stendhal
 Hobbes (cético sobre a natureza humana): risível como “convulsão física...
produzida pela visão imprevista de nossa superioridade sobre outra pessoa
qualquer” (p. 146).
 Stendhal: nós rimos quando uma inferioridade aparente nossa em relação a uma
pessoa aparece de repente, como uma superioridade real. Para Suassuna, uma
“expansão egoísta e meio cruel de alegria”.
 Trata-se de uma típica teoria do contraste, que assume a forma de desarmonia,
defeito, degradação etc.
O Risível – Kant e Schopenhauer
 Para Kant, o riso aparece quando não há correspondência na expectativa gerada,
um acontecimento que não responde às expectativas, ficando abaixo destas e da
tensão.
 Para Schopenhauer o risível seria a desproporção lógica entre o objeto real e a
ideia que temos dele.
O Risível – Teoria Freudiana
 Nos primeiros estudos de Freud temos a revelação do sexual sob o simbólico.
 Em seus Estudos da Maturidade constata que o risível é a degradação de um valor.
 Para Suassuna, os autores não conseguiram chegar na essência do Risível.
Contudo, esclareceram aspectos particulares de sua realidade.
Cap. XV -Teoria Bergsoniana do Risível
Bergson e os Idealistas Alemães
 Bergson se fundamenta nas ideias de Schelling e Hegel sobre a liberdade e a
necessidade.
Bergson e as Teorias do Contraste
 Bergson afirma que se faz preciso procurar o tipo específico de desarmonia que
provoca o riso.
Ideias Gerais de Bergson Sobre o Risível
 O riso se caracteriza por uma anestesia da sensibilidade e um exercício puro da
inteligência.
 O riso é social, é como um contágio; mais forte fica quanto mais pessoas se
deixam contagiar umas pelas outras;
 O riso é uma espécie de castigo ou que a sociedade inflige a alguma coisa que a
ameaça.
A Superposição do Mecânico ao Vivo
 “As ações humanas são – ou pelo menos deveriam sê-lo sempre – livres, variáveis,
flexíveis e inventiva. Na natureza predominam, pelo contrário, as séries
mecanizadas de acontecimentos mecânicos de suas formas, e o riso é um dos tipos
de defesa de que ela se vale” (p.155).
 De acordo com o pensamento de Bergson, o risível se opõe mais ao Gracioso, por
originar-se do desajeitamento daquilo que é mecânico e que, por um motivo
qualquer, se superpõe ao movimento, à flexibilidade e à graça da vida.
Os Tipos Principais de Risível
 Chaves para entender a natureza do Risível:
o Do ponto de vista objetivo, o risível é, no campo do humano, a
superposição do mecânico ao vivo;
o Do ponto de vista subjetivo, psicológico e social, o Risível é uma espécie
de castigo pelo qual o grupo se defende contra o endurecimento
mecanizado que o ameaça, o que ele faz calando sua sensibilidade e
exercitando somente a inteligência.
 Os Cinco tipos de Risível:
o O de formas: quando esta dá a ideia de um movimento que não se desfez,
de um movimento que se endureceu e se imobilizou.
o O de movimentos: quando dá a ideia de que uma mecânica se instalou nos
gestos da pessoa.
o O de caracteres: dá-se à medida que uma mecânica aparenta ter se
instalado no caráter, na alma de alguém
o O de ditos: de natureza intelectual, causado por sugestão de ideias.
o O de situações: inversão e interferência em acontecimentos,
acontecimentos repetitivos, que denotam estarem sendo governadas por
um mecanismo.
Crítica à Teoria Bergsoniana do Risíve
 Suassuna critica a teoria de Bergson pela própria crítica que ele, Bergson, faz a
outros já que sua teoria é de contraste também. Assim como não distingue quais
as superposições do mecânico ao vivo que são risíveis e quais as que não o são.