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Electricidade e Electrónica

UFCD 6017 – OSCILADORES

OSCILADORES
Introdução
Para frequências abaixo de 1 MHz, podemos usar osciladores RC para gerar sinais sinusoidais
quase perfeitos. Estes usam ampops e circuitos ressonantes RC para determinar a frequência
de oscilação.
Para frequências superiores a 1 MHz usam-se osciladores LC, formados por transístores e
circuitos ressonantes LC.
Para gerar sinais de onda quadrada/rectangular iremos estudar circuitos realizados com base
no chip temporizador 555.

Teoria dos Osciladores Sinusoidais


Para construir um oscilador sinusoidal devemos empregar um amplificador com realimentação
positiva. A ideia é usar o sinal de realimentação no lugar do sinal habitual de entrada do
amplificador. Se o sinal de realimentação for suficientemente grande e tiver a fase correcta,
haverá um sinal na saída, mesmo não havendo nenhum sinal de entrada externa.

Ganho em malha fechada e fase

Figura 1 – (a) A realimentação devolve uma tensão ao ponto x. (b) ligando os pontos x e y. (c)
As oscilações atenuam-se. (d) As oscilações incrementam-se. ( e ) As oscilações mantêm-se
constantes em amplitude

Da figura anterior vemos que Uout = A . Uin


Esta tensão vout vai excitar um circuito de realimentação que geralmente é um circuito
ressonante. Por isso teremos uma realimentação máxima a uma determinada frequência. A
tensão realimentada que regressa ao ponto x é dada por:
Uf = A . B . Uin
Se a desfasagem introduzida pelo amplificador e pelo circuito de realimentação for de 0º,
então A.B.Uin está em fase com Uin que excita os terminais de entrada do amplificador.
Suponhamos agora que ligamos o ponto x ao ponto y retirando o gerador Uin. Então a tensão
de realimentação A.B.Uin excita os terminais de entrada do amplificador.
Então, se A.B.Uin for maior que 1, a tensão de saída aumentará de valor.
Num oscilador, o valor do ganho de malha fechada A.B é maior do que 1 quando a fonte de
alimentação se liga. Aplica-se uma pequena tensão de arranque aos terminais de entrada e a
tensão de saída aumenta. Depois da tensão de saída aumentar até um certo valor, A.B
decresce automaticamente até 1 e o valor de pico a pico da saída mantém-se constante.

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Tensão de Arranque

Donde vem?
Todas as resistências contêm alguns electrões livres. Devido à temperatura ambiente estes
movem-se ao acaso em diferentes direcções e geram uma tensão de ruído na resistência. O
movimento é tão aleatório que contém frequências acima dos 1000 GHz. Podemos então
considerar cada resistência como um gerador de pequeno sinal que produz todas as
frequências.
Então, quando ligamos a fonte de alimentação os únicos sinais que existem são as tensões de
ruído das resistências, que são amplificadas e realimentadas.
Fazendo um desenho do circuito adequado, conseguimos fazer com que a uma determinada
frequência o desfasamento seja 0º e a todas as outras seja diferente de 0º, pelo que o
oscilador oscilará apenas numa frequência (a frequência de ressonância do circuito de
realimentação).

Diminuição de A.B até 1


Existem duas formas: ou diminuindo A ou B. Para diminuir A deixa-se o sinal aumentar até que
produza o corte ou saturação do amplificador. Para diminuir B aumenta-se o sinal e este
aumento faz com que B diminua antes de se produzir um corte.

O Oscilador em Ponte de Wien

A sua gama de frequências pode ir de 5 Hz a 1 MHz. Usa-se nos geradores de áudio comerciais.

Figura 2 – (a) Circuito de desacoplamento. (b) Diagrama vectorial

Circuito de Atraso
Por análise do circuito anterior, pode chegar-se a:
Vout Xc
------- = ----------------- para o módulo e
Vin R2  Xc2

 = - arctan R/Xc para a fase

em que  é a desfasagem entre a saída e a entrada. O sinal - indica que a saída vem em atraso
relativamente à entrada.

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Circuito de Avanço

Figura 3 – (a) circuito de acoplamento. (b) Diagrama vectorial

agora
Vout R
------- = ----------------- para o módulo e
Vin R2  Xc2

 = - arctan Xc/R para a fase

Os osciladores usam sempre um circuito de desfasamento para produzir oscilação a uma dada
frequência.

Circuito de Atraso-Avanço
É o que é utilizado pelo oscilador em Ponte de Wien e que podemos ver a seguir:

Figura 4 – Rede de atraso-avanço

A frequências muito baixas o condensador em série comporta-se como um circuito aberto e


não há sinal de saída. A frequências muito altas, o condensador em paralelo comporta-se
como um curto-circuito e não há saída. Entre estes extremos, a tensão de saída alcança um
valor máximo. A frequência para a qual este valor é máximo, chama-se frequência de
ressonância (fr). A esta frequência, a fracção de realimentação alcança um valor máximo de
1/3,
Na figura seguinte b) vemos o ângulo de desfasamento entre a entrada e a saída. A baixas
frequências há um avanço e a frequências muito altas há um atraso. Entre estas haverá uma
frequência em que não há avanço nem atraso, isto é, a desfasagem entre a entrada e a saída é
0º - essa frequência é também a fr.
Pode-se demonstrar que:
1
fr = -----------
2.R.C

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Funcionamento do Oscilador em Ponte de Wien

Figura 5 – O oscilador em Ponte de Wien

É utilizada realimentação positiva e realimentação negativa. A positiva é feita por um circuito


de atraso-avanço pela entrada não-inversora do amplificador, e a negativa através de um
divisor de tensão pela entrada inversora do amplificador.
No início há mais realimentação positiva que negativa. Isso faz com que as oscilações
aumentem quando ligamos a fonte de alimentação. Depois de o sinal atingir o nível desejado,
a realimentação negativa reduz o ganho em malha fechada a 1.
Como é que isso sucede?
No instante da ligação da fonte de alimentação, a lâmpada de tungsténio tem uma resistência
baixa e a realimentação negativa é pequena. Por isso o ganho em malha fechada é maior que 1
e as oscilações podem aumentar até à frequência de ressonância. À medida que as oscilações
aumentam, a lâmpada de tungsténio aquece e a sua resistência aumenta. Para um
determinado nível da tensão de saída, a lâmpada tem um valor de resistência de R’. Neste
ponto, o ganho de tensão em malha fechada desde a entrada não inversora até à saída diminui
até:
R1 2R’
Amf = --------- + 1 = ----------- + 1 = 3
R2 R’

como o circuito de atraso-avanço tem B = 1/3, o ganho em malha fechada é de:

Amf.B = 3. 1/3 = 1

altura em que as oscilações manterão o seu nível.

outra montagem para a oscilação em Ponte de Wien é mostrada a seguir:

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Ponte de Wien

Figura 6 – Oscilador em Ponte de Wien

Exemplo 1:

Calcule as frequências máxima e mínima no oscilador em Ponte de Wien da figura seguinte. Os


dois potenciómetros estão mecanicamente ligados, o que significa que mudam de valor em
conjunto e têm o mesmo valor quando se fixam os cursores.

Solução

Ao ter cada um uma resistência máxima de 100 k, R varia de 1 a 101 k. As frequências
mínima e máxima de oscilação são:
1
fmin = ----------------------------------- = 159 Hz
2. . (101 k) . (0,01 F)

1
fmax = ----------------------------------- = 15,9 kHz
2. . (1 k) . (0,01 F)

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Exemplo 2:

Na figura seguinte representa-se a resistência da lâmpada da figura anterior. Calcule a tensão


de saída.

Na figura anterior, o valor pico a pico da tensão de saída torna-se constante quando a
resistência da lâmpada é igual a 1 k. Na figura seguinte, vemos que isso significa que a tensão
da lâmpada é de 2 V rms. A corrente para a lâmpada é:

I = 2 V / 1 k = 2 mA

esta corrente também circula através dos 2 k, o que indica que a tensão de saída vale:

Vout = (2 mA) . (1 k + 2 k) = 6 V rms

o que equivale a uma tensão de pico a pico de:

Vout = 2. (1,4141) . (6 V) = 17 V

Nota final: Embora o oscilador em Ponte de Wien seja o mais usual para frequências inferiores
a 1 MHz, existem outros osciladores RC: Osciladores e duplo T; e osciladores de deslocamento
de fase.

Questões:

1. Um oscilador requer sempre um amplificador com


a) Realimentação positiva
b) Realimentação negativa
c) Ambos os tipos de realimentação
d) Um circuito LC

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2. A tensão que arranca um oscilador é causada por


a) A onda da tensão de alimentação
b) A tensão de ruído nas resistências
c) O sinal de entrada de um gerador
d) A realimentação positiva

3. O oscilador em Ponte de Wien é útil


a) Em baixas frequências
b) Em altas frequências
c) Com circuitos LC
d) Para sinais de entrada pequenos

4. Um circuito de atraso tem um ângulo de desfasagem que


a) Está entre 0º e +90º
b) É maior que 90º
c) Está entre 0 e -90º
d) É igual ao da tensão de entrada

5. Um circuito de avanço tem um ângulo de desfasamento que


a) Está entre 0º e +90º
b) É maior que 90º
c) Está entre 0 e -90º
d) É igual ao da tensão de entrada

6. Um oscilador em Ponte de Wien utiliza


a) Realimentação positiva
b) Realimentação negativa
c) Ambos os tipos de realimentação
d) Um circuito LC

7. Inicialmente, o ganho em malha fechada de um oscilador em Ponte de Wien é


a) 0
b) Igual a 1
c) Maior que 1
d) Pequeno

8. Para modificar a frequência de uma Ponte de Wien, pode-se variar


a) Uma resistência
b) Duas resistências
c) Três resistências
d) Um condensador

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Problema

Figura 9

Figura 10

1. O oscilador em Ponte de Wien da figura 9 utiliza uma lâmpada com as características


da figura 10. Que tensão temos na saída?

2. A posição D, na figura 9 selecciona o intervalo de frequência maior do oscilador.


Podemos variar a frequência ajustando os potenciómetros para que trabalhem em
uníssono. Quais as frequências de oscilação máxima e mínima neste intervalo?

3. Calcule as frequências de oscilação mínima e máxima para cada posição dos


comutadores acoplados mecanicamente da figura 9

4. Para que a tensão de saída da figura 9 seja de 6 V rms, que alterações faria?

5. Na figura 9, a frequência de corte do amplificador com realimentação negativa está,


pelo menos, uma década acima da frequência de oscilação mais alta. Qual é a frequência de
corte?

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OSCILADORES LC
O Oscilador Colpitts
Como o oscilador em Ponte de Wien não se adequa à produção de frequências altas, temos de
recorrer a outras soluções.
Uma alternativa é o oscilador LC, que funciona para frequências entre 1 e 500 MHz.
Com um amplificador e um circuito tampão LC podemos realimentar um sinal com a amplitude
e fase adequadas para manter as oscilações.
A análise e projecto de um oscilador de alta frequência é complicado. Isto porque a altas
frequências, as capacidades parasitas e as indutâncias dos terminais de ligação são muito
importantes para calcular a frequência de oscilação.
Por isso temos de usar aproximações para um projecto inicial e depois ajustar o
comportamento do oscilador para a frequência que pretendemos.

A figura seguinte mostra um oscilador de colpitts. O divisor de tensão da base fixa o ponto de
polarização. A bobina RF tem uma reactância indutiva muito grande, pelo que funciona como
circuito aberto para o sinal.
O circuito tem um ganho de rc/r’e para baixa tensão, em que rc é a resistência de colector para
o sinal. Como a bobina equivale a um circuito aberto, a resistência de colector para sinal é
principalmente a resistência do circuito ressonante, que tem um valor máximo para a
frequência de ressonância.
Embora haja muitas variações para o oscilador de colpitts, uma forma de reconhecê-lo é que
tem sempre o divisor de tensão capacitivo formado por C1 e C2.
esse divisor produz a tensão de realimentação necessária para as oscilações.

figura 1 – Oscilador de Colpitts

Usando Q > 10:


1
fr 
2 LC
C = C1 . C2 / (C1 + C2)
B = C1 / C2
Amin = C2 / C1

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Circuito Equivalente para Sinal


A figura seguinte representa o circuito equivalente simplificado para sinal. O condensador C3 é
praticamente um curto-circuito à frequência de oscilação.
A corrente em malha fechada no circuito tampão circula por C1 em série com C2.
Observe que vout é igual à tensão de sinal em C1.
Assim, a tensão de realimentação vf aparece aos terminais de C2. É ela que excita a base e
mantém as oscilações produzidas nos terminais do circuito tampão, na condição de haver
ganho de tensão suficiente à frequência de oscilação. Visto que o emissor está à massa para o
sinal, o circuito é de emissor-comum.

figura 2 – circuito equivalente para sinal


Condições de Arranque
A.B > 1 , isto é, A > 1/B à frequência de ressonância do circuito tampão
O ganho de tensão A é o ganho de tensão à frequência de oscilação. A tensão de saída aparece
nos terminais de C1, e a tensão de realimentação nos bornes de C2. Como a corrente é a
mesma em ambos os condensadores,

vf Xc2 1/(2.f.C2)
B = -------- = ------------- = -------------------
vout Xc1 1/(2.f.C1)

ou B = C1 / C2
em consequência, o ganho de tensão mínimo é,

Amin = C2/C1

Como são valores aproximados, como dissemos, quando se constrói um oscilador, pode-se
depois ajustar a quantidade de realimentação para adaptar a tensão de saída. O segredo
consiste em utilizar realimentação suficiente para arrancar em qualquer condição (transístores
diferentes, temperaturas, tensões de alimentação, etc.), mas não tanto que se perca mais
saída que a necessária.

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Exemplo 1:
Quanto vale a frequência de oscilação na figura seguinte?
Qual é a fracção de realimentação?
Que ganho de tensão requer o circuito para que arranque a oscilação?

Solução:
A capacidade equivalente do circuito tampão é igual ao produto dividido por uma soma das
capacidades do tampão:
(0,001 F) . (0,01 F)
C = ----------------------------- = 909 pF
0,001 F + 0,01 F

A indutância é de 15 H.
Então a frequência será de:
1
fr = --------------------------------- = 1,36 MHz
2 (15 H ).(909 pF )

A fracção de realimentação é:
0,001 F
B = ------------- = 0,1
0,01 F

Para que o oscilador arranque, o ganho de tensão mínimo deve ser:


0,01 F
Amin = -------------- = 10
0,001 F

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Embora o oscilador de colpitts seja o mais utilizado, existem outros osciladores LC:

. Oscilador de Armstrong
. Oscilador Hartley
. Oscilador Clapp
. Oscilador de Cristal

Questões:

1. O oscilador LC que se utiliza mais amplamente é o


a) Armstrong
b) Clapp
c) Colpitts
d) Hartley

2. Uma realimentação forte num oscilador LC


a) Evita que o circuito arranque
b) Origina saturação e corte
c) Produz a máxima tensão de saída
d) Significa que B é pequeno

3. Quando o Q de um oscilador Colpitts diminui, a frequência de oscilação


a) Diminui
b) Não varia
c) Aumenta
d) Torna-se errática

4. Para modificar a frequência de um oscilador LC, pode-se variar


a) Uma resistência
b) Duas resistências
c) Três resistências
d) Um condensador

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Problemas

1. Qual é o valor aproximado da corrente contínua de emissor na figura seguinte?


Qual é a tensão contínua colector-emissor?

2. Qual é a frequência de oscilação aproximada na figura anterior?


Qual é o valor de B?

Para que o oscilador arranque, qual é o valor mínimo de A necessário?

3. Se o valor de L duplicar, qual é a nova frequência de oscilação?

4. O que se deve fazer à bobina para duplicar a frequência de oscilação?

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O TEMPORIZADOR 555
O NE555 (também o LM555, CA555 e MC1555) é o circuito integrado de temporização mais
utilizado.
Ele pode funcionar de dois modos: monoestável (um estado estável) ou astável (sem estados
estáveis). No primeiro modo produz atrasos de tempo muito precisos e podem ir desde
microsegundos a horas. No segundo, produz sinais rectangulares com ciclos de trabalho
variáveis.

Funcionamento como Monoestável

Figura 1 – Temporizador 555 funcionando em modo monostável (disparo único)

Inicialmente o 555 tem uma tensão de saída baixa na qual pode permanecer indefinidamente.
Quando recebe um disparo, a tensão de saída passa ao nível alto, onde ficará por um período
de tempo antes de regressar ao nível baixo.
Esse período de tempo é controlado por uma resistência e um condensador externos.

Um multivibrador é um circuito com dois estados que tem um ou dois estados de saída
astáveis. No caso do multivibrador monoestável tem um estado astável (e um estável).

O 555 é um circuito integrado de 8 pinos, dos quais podemos ver 4 na figura anterior:
o pino 1 está ligado à Terra
o pino 8 está ligado a uma fonte de tensão positiva
o pino 2 é onde se produz o disparo
o pino 3 é o pino de saída
O 555 pode funciona com qualquer fonte de alimentação entre +4,5 V e +18 V.

Funcionamento como Astável


Neste caso produzirá uma onda rectangular na saída, não sendo necessário nenhum sinal de
disparo.

Figura 2 – Temporizador 555 funcionando em modo astável (oscilação livre)

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Diagrama Funcional de Blocos

Figura 3 – Diagrama de blocos funcional simplificado de um temporizador 555

Como o divisor de tensão tem as resistências todas iguais, o comparador superior tem um
ponto de comutação de:
2 . Vcc
PCS = -------------
3
E o comparador inferior tem um ponto de comutação de:
Vcc
PCI = -------------
3
Na figura vemos também que o pino 6 está ligado ao comparador superior. A tensão que se
aplica a este pino 6 chama-se tensão de limiar e é aplicada a partir de componentes externos
ao 555. Quando a tensão de limiar é maior que o PCS, o comparador superior tem a sua saída
no nível alto.
O pino 2 está ligado ao comparador inferior. A tensão que se aplica a este pino chama-se
tensão de disparo. Quando a tensão de disparo é inferior ao PCI o comparador inferior fica
com a sua saída no nível alto.
O pino 4 usa-se para fazer Reset, isto é, para pôr a saída no nível baixo.
O pino 5 usa-se para controlar a frequência de saída quando funciona como astável.

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O Flip-Flop RS

Figura 4 – Flip-Flop RS construído com transístores

Um dos transístores está saturado enquanto o outro está ao corte.


Por exemplo, se o transístor da direita está saturado, a sua tensão de colector será
aproximadamente zero, o que significa que não há corrente de base no transístor da esquerda,
estando pois ao corte, provocando uma saída alta no colector. esta tensão no colector produz
uma corrente grande que mantém o transístor da direita na saturação.
O Flip-Flop RS tem duas saídas ( Q e Q ) que são sempre opostas.

O estado da saída pode ser controlado com as entradas R e S:


Se se aplicar uma tensão suficientemente positiva na entrada S, o transístor esquerdo saturará
e o da direita ficará ao corte, pelo que Q estará no nível alto e Q no nível baixo. Agora, mesmo
que se elimine a tensão em S, a saída manter-se-à.
Coisa semelhante se passará se (com S a nível baixo) fizer R ir a nível alto, com a diferença que
agora a saída Q ficará a nível baixo e Q a nível alto.
Devido a este comportamento S é a entrada de Set (Pôr a saída a nível alto - 1 lógico) e R é a
entrada de Reset (Limpar a saída, isto é, pô-la a nível baixo - 0 lógico).

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Funcionamento como monoestável

Figura 5 – Temporizador 555 configurado para funcionamento em modo monostável

A tensão do condensador utiliza-se como tensão de limiar, ligada ao pino 6.


Inicialmente Q está a nível alto. Isso satura o transístor e descarrega o condensador ao ligá-lo à
terra. O circuito permanecerá neste estado até que receba um sinal de disparo.
Devido ao divisor de tensão, os pontos de comutação são os vistos anteriormente: PCS = 2/3
Vcc e PCI = 1/3 Vcc.
Quando a entrada de disparo cai até um valor abaixo de 1/3 Vcc, o comparador inferior
reinicializa o fli-flop. Como Q passa para nível baixo ( Q fica a nível alto), o transístor fica ao
corte, permitindo que o condensador se carregue.
O condensador carrega-se exponencialmente. Quando a sua tensão atingir os 2/3 Vcc, o
comparador superior põe o o flip-flop (Q) outra vez no nível alto (e Q no nível baixo). Então Q
satura o transístor que descarrega quase instantaneamente.
O circuito ficará neste estado até que haja uma nova tensão de disparo.

A largura do impulso (que é o tempo que o condensador demora a carregar até aos 2/3 Vcc)
pode ser calculada através da seguinte fórmula:
T = 1,1 . R . C

A figura seguinte mostra um diagrama esquemático para um 555 como monoestável, como
normalmente aparece.

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Figura 6 – Circuito temporizador monostável

O pino 4 (Reset) liga-se a Vcc para que não actue acidentalmente sobre o funcionamento do
circuito. Se quisermos impedir o circuito de funcionar, este pino 4 deve ser ligado à terra.
O pino 5 (control) é uma entrada especial que se pode usar para alterar o PCS, e assim alterar a
largura do impulso. No nosso caso ligamo-lo à terra através de um condensador de
desacoplamento, o que previne que o ruído electromagnético influencie o circuito.

Exemplo 1:
Na figura anterior, Vcc = 12 V, R = 33 k e C = 0,47 F. Qual é a tensão mínima de disparo que
produz um impulso na saída?
Qual é tensão máxima no condensador?
Quanto vale a largura do impulso?
Solução
Como mostra a figura 23-33, o comparador inferior tem um PCI. Portanto, a entrada de
disparo do pino 2 deve cair desde +Vcc até uma tensão ligeiramente inferior a PCI. Com as
equações dadas na figura anterior:
PCI = 12 / 3 = 4 V
Depois do sinal de disparo, o condensador carrega-se desde os 0 V até PCS, o qual vale:
PCS = 2 . 12 / 3 = 8 V
A largura de impulso é:
T = 1,1 . (33 k) . (0,47 F) = 17,1 ms
Nota: este impulso pode ser usado para disparar outro circuito.

Exemplo 2:
Quanto vale a largura de impulso da figura anterior se R = 10 M e C = 470 F ?
Solução:
T = 1,1 . (10 M) . (470 F) = 86,2 min = 1,44 h

Funcionamento do 555 como Astável


Os pontos de comutação são os mesmos.
Quando Q está no nível baixo, o transístor está ao corte e o condensador carrega-se através da
resistência total de: R = R1 + R2
Devido a isso, a constante de tempo de carga é (R1+R2)C. Como o condensador está
carregado, a tensão de limiar do pino 6 aumenta.
Com o tempo, a tensão de limiar superará o valor de 2/3 Vcc, e então o comparador superior
activa o flip-flop. Com Q a nível alto, o transístor satura e põe a terra no pino 7.
O condensador descarrega-se então através de R2. A constante de (des)carga será R2.C.
Quando a tensão do condensador alcançar um valor ligeiramente inferior a 1/3 Vcc, o

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comparador inferior fará o Reset ao flip-flop e tudo volta ao início, repetindo-se


indefinidamente.
A figura seguinte mostra a forma de onda que se obtém.

Figura 7 – Temporizador 555 configurado para funcionamento em modo astável

Como a constante de tempo de carga é maior que a de descarga, a saída não é simétrica.
Dependendo dos valores de R1 e R2, o ciclo de trabalho estará entre 50 e 100%
Analisando as equações de carga e descarga, pode-se chegar às seguintes equações:
- Largura do impulso W = 0,693 . (R1 + R2) . C
- Período do sinal de saída T = 0,693 . (R1 + 2.R2) . C
1,44
- Frequência do sinal de saída f = ------------------
(R1 + R2) . C
R1 + R2
- Ciclo de Trabalho D = -----------------
R1 + 2.R2
A figura seguinte mostra um diagrama esquemático para um 555 como astável, como
normalmente aparece.

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Figura 8 – Multivibrador Astável

Oscilador Controlado por Tensão (VCO)

Figura 9 – (a) Oscilador controlado por tensão. (b) Forma de onda no condensador de
temporização

Também se chama conversor de tensão-frequência pois com uma tensão consegue-se


controlar o valor da frequência.
O pino 5 está ligado à entrada inversora do comparador superior. Normalmente este pino é
ligado à terra através de um condensador, pelo que PCS é 2/3 Vcc.
Agora, devido ao potenciómetro, conseguimos alterar esta tensão interna. Por outras palavras,
PCS é agora igual ao Vcon, pelo que, ajustando o potenciómetro conseguimos variar PCS entre
0 e Vcc.
A figura seguinte mostra a tensão nos extremos do condensador, que varia entre Vcon/2 e
Vcon.
Se aumentarmos Vcon o condensador demorará mais a carregar-se, diminuindo pois a
frequência.
Analisando a carga e descarga do condensador, podemos chegar às seguintes equações:
Vcc - Vcon
- Largura do impulso W = - (R1 + R2) . C . ln ------------------------
Vcc - 0,5 . Vcon
- Período do sinal de saída T = W + 0,693 . R2 . C

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1
- Frequência do sinal de saída f = ---------------------
W + 0,693.R2.C

Exemplo 1:
O temporizador 555 da figura 8 tem R1 = 75 k, R2 = 30 k e C = 47 nF.
Quanto vale a frequência do sinal de saída?
Qual é o ciclo de trabalho?
Solução:
1,44
f = ---------------------------------- = 227 Hz
(75 k + 60 k).(47 nF)
77 k + 30 k
D = --------------------------- = 0,778
75 k + 60 k

Exemplo 2:
O VCO da figura 9 tem as mesmas R1, R2 e C que o exemplo anterior.
Qual é a frequência e o ciclo de trabalho para Vcon = 11 V ?
Qual é a frequência e o ciclo de trabalho para Vcon = 1 V ?
Solução:
Usando as equações da figura 9:
12 V - 11 V
W = - (75 k + 30 k) . (47 nF) ln ------------------------- = 9,24 ms
12 V - 5,5 V

T = 9,24 ms + 0,693 (30 k) . (47 nF) = 10,2 ms

W 9,24 ms
D = ---- = ------------- = 0,906
T 10,2 ms

1 1
f = ----- = ------------- = 98 hz
T 10,2 ms

Quando Vcon = 1 V, os cálculos dão:

12 V - 1 V
W = - (75 k + 30 k) . (47 nF) ln ------------------------- = 0,219 ms
12 V - 0,5 V

T = 0,219 ms + 0,693 (30 k) . (47 nF) = 1,2 ms

W 0,219 ms
D = ---- = ------------- = 0,183
T 1,2 ms

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1 1
f = ----- = ------------- = 833 hz
T 1,2 ms

Circuitos com o 555


Como a saída do 555 pode fornecer uma corrente até 200 mA, pelo que ele pode alimentar
cargas relativamente grandes como relés, lâmpadas e altifalantes.
Exemplos de circuitos com o 555
. Arranque (START) e reinício (RESET)

Figura 10 – Temporizador monostável com largura de impulso ajustável por botões de Start e
Reset
É um monoestável ligeiramente alterado.
Quando carregamos num botão (start) o circuito alimenta a carga por algum tempo.
O botão reset serve para reiniciarmos o circuito quando ele está a funcionar (alimentar a
carga)

. Sirenes e Alarmes

Figura 11 – Circuito 555 astável funcionando como sirene ou alarme

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É um astável.
Quando abrimos o interruptor o circuito produz um sinal rectangular com frequência
determinada por R1, R2 e C1.

. Modulação de Largura de Impulso

Figura 12 – Temporizador 555 configurado como modulador de largura de impulso

É um monoestável.
Os valores de R, C, PCS e Vcc determinam a largura do impulso segundo a equação:
W = - R . C ln ( 1 - PCS/Vcc)
Ligando um sinal de baixa frequência chamado de sinal modulador através de um condensador
ao pino 5. Este sinal pode ser voz ou dados. Como o pino 5 controla o valor de PCS, vmod
soma-se a este valor, pelo que vamos ter um PCSmax e um PCSmin.
A entrada do pino 2 é uma sucessão de impulsos ou disparos chamada relógio. Cada disparo
produz um impulso na saída. Como o período dos disparos é T, a saída será composta por uma
série de impulsos do mesmo período. O sinal modulador não afecta este período mas faz
alterar a largura de cada impulso. No ponto A, o pico positivo do sinal modulador, o sinal de
saída terá uma largura como se mostra na figura. No ponto B será mais estreito.
Este circuito usa-se muito em comunicações. Permite a um sinal modulador a baixa frequência
(voz ou dados) mudar a largura de impulso de um sinal de frequência alta chamada portadora.
A portadora modulada pode ser transmitida através de cabo de cobre, fibra óptica ou através
do espaço para um receptor.

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. Gerador de Rampa

Figura 13 – (a) O temporizador 555 e o transístor bipolar produzem uma saída em rampa. (b)
Forma de onda do sinal de disparo e a rampa.

Se se carregar um condensador através duma resistência produz-se uma forma de onda


exponencial. Se usarmos uma fonte de corrente constante em vez da resistência, a tensão do
condensador é uma rampa.
Assim, da figura vemos que:
Vcc - VE
Ic = ----------------
RE
Quando o sinal de disparo arranca o temporizador monoestável, o transístor pnp força uma
corrente de carga no condensador. Portanto, a tensão através do condensador é uma rampa.
A sua inclinação será:
I
S = ----
C
Como a tensão do condensador tem um máximo em 2/3 Vcc antes de descarregar, o valor de
pico da rampa mostrada é:
V = 2Vcc/3
e a duração T é:
T = 2Vcc/3S

Exemplo 1:
O gerador de rampa da figura 13 tem uma corrente constante de colector de 1 mA. Se Vcc = 15
V e C = 100 nF, quanto vale a inclinação da rampa de saída? Quanto vale o seu pico? Qual é a
sua duração?
Solução:
A inclinação/declive:
1 mA
S = ----------- = 10 V / ms
100 nF

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O valor máximo:
2 . (15 V)
V = ------------------ = 10 V
3 . (10 V/ms)
A duração:
2 . (15 V)
T = --------------------- = 1 ms
3 . (10 V/ms)

Questões:
1. Um temporizador 555 em modo monoestável tem um número de estados estáveis igual a:
a) 0
b) 1
c) 2
d) 3
2. Um temporizador 555 em modo astável tem um número de estados estáveis igual a:
a) 0
b) 1
c) 2
d) 3
3. A largura de impulso de um multivibrador de disparo único aumenta quando
a) Aumenta a tensão de alimentação
b) Diminui a resistência
c) Diminui o PCS
d) Aumenta o condensador de temporização
4. O sinal de saída de um temporizador 555 é
a) Sinusoidal
b) Triangular
c) Rectangular
d) Elíptica
5. Num modulador de largura de impulso o valor que permanece constante é
a) A largura de impulso
b) O período
c) O ciclo de trabalho
d) O espaço

Problemas
1. Um temporizador 555 está a funcionar em modo monoestável. Se R = 10 k e C = 0,022 F.
Qual é a largura do impulso?
2. Na figura 6, Vcc = 10V, R = 2,2 k e C = 0,1 F. Qual é a tensão de disparo mínima que
produz um sinal de saída? Qual é a tensão máxima no condensador? E a largura de impulso?
3. Um temporizador 555 em modo astável tem R1 = 10 k, R2 = 2 k e C = 0,0047 F. Quanto
vale a frequência?
4. O temporizador 555 da figura 8 tem R1 = 15 k, R2 = 10 k e C = 22 nF. Quanto vale a
frequência do sinal de saída? Qual é o ciclo de trabalho?
5. O gerador de rampa da figura 13 tem uma corrente de colector de 05 mA. Se Vcc = 12 V e C
= 68 nF, quanto vale a inclinação da rampa de saída? Quanto vale o seu máximo? Qual a sua
duração?

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