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4º Trim.

de 2018: AS PARÁBOLAS DE JESUS: as verdades e os princípios divinos para uma vida abundante

PORTAL ESCOLA DOMINICAL


4º Trimestre de 2018 - CPAD
AS PARÁBOLAS DE JESUS: as verdades e os princípios divinos para uma vida
abundante
Comentários da revista da CPAD: Wagner Tadeu dos Santos Gaby
Comentário: Ev. Caramuru Afonso Francisco

ESBOÇO Nº 1
A) INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE
Após termos estudado sobre o livro de Levítico, o que foi muito proveitoso
para nos autoavaliarmos a respeito de nossa adoração e serviço a Deus, ingressaremos agora, neste último
trimestre de 2018, no estudo das parábolas de Jesus, um estudo que nos fará melhor compreender as
realidades espirituais e que continuará o nosso processo de reflexão e aprimoramento de nossa
conduta diária, fazendo-nos fechar este ano letivo com chave de ouro.

John Nelson Darby, o grande pregador e estudioso das Escrituras que, na


Inglaterra, no início do século XIX, constituiu-se num marco do estudo da Bíblia Sagrada e na
conscientização de que partíamos para o final de nossa dispensação, escreveu que “…duas coisas são então
postas em evidências na narrativa do Evangelho. A primeira é o poder que acompanha a proclamação do
reino, facto anunciado em dois ou três versos, sem qualquer outro pormenor. O reino é proclamado em actos
de poder que chamam a atenção de todo o país, de todo o território do antigo Israel. Jesus aparece diante
deles investido desse poder. Segunda (capítulos 5 a 7) [do livro de Mateus, observação nossa] é o carácter do
reino, anunciado no sermão da montanha…” (Estudos sobre a Palavra de Deus, Mateus-Marcos. Trad. de
Martins do Valle, p.53-4).

Esta observação de Darby foi sintetizada por Lucas na abertura do livro de


Atos dos Apóstolos, quando disse que, no seu primeiro livro, ou seja, o evangelho, havia narrado não só o
que Jesus havia começado a fazer, mas também a ensinar (At.1:1), definindo, assim, o ministério de Jesus
como sendo um ministério de ações e de ensinos baseados nestas ações, o que fazia com que Seu ensino, ao
contrário dos dos escribas e fariseus, fosse um ensino com autoridade (Mt.7:28,29).

Nesta Sua tarefa de ensinar, Jesus Se utiliza do expediente das parábolas e


ao fazê-l’O nos revela inúmeras circunstâncias a respeito de Seu caráter e de Seu propósito que, nós, como
Seus imitadores (I Co.11:1), devemos reter para termos êxito em nosso ministério.

Em primeiro lugar, ao Se utilizar do expediente das parábolas, Jesus mostra


que não tinha intenção alguma de causar escândalo ou Se mostrar como alguém totalmente rebelde à
orientação dos antigos.

Embora o método de parábolas tenha sido praticado pelo Senhor Jesus com
tanta maestria e esplendor que, inevitavelmente, ainda hoje, quando falamos em parábolas, associemos esta
figura ao ministério de Jesus, o fato é que a parábola não foi uma criação do Senhor, mas se tratava de um
método muito comum entre os escribas e mestres israelitas, para não falar até nos povos antigos, em geral.

O Antigo Testamento, mesmo, registra, segundo R.N. Champlin, 11(onze)


parábolas.

Desta maneira, ao usar do método das parábolas, Jesus mostra que não
inovava, se bem que, como ninguém, usaria este método.

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Em segundo lugar, ao usar do método das parábolas, Jesus mostra que Seu
interesse era descrever realidades espirituais, que estavam acima da compreensão humana, de um
modo que pudesse ser acessível a todos os Seus ouvintes.

As parábolas eram histórias retiradas do cotidiano, do dia-a-dia dos Seus


contemporâneos, cuja profundidade é mostrada com elementos absolutamente triviais e simples. As
parábolas são uma das mais eloquentes demonstrações da “simplicidade que há em Cristo” (II Co.11:3 “in
fine”).

Ao contemplarmos as parábolas de Jesus, devemos sempre lembrar que o


ministério do ensino na Igreja deve ser exercido com simplicidade, pois não será o hermetismo, a
complicação, a erudição excessiva que conferirá profundidade ao ensino, e as parábolas são a prova disto.

O ensino da Palavra de Deus deve ser universal, deve visar a todos os que se
dispuserem a ouvi-lo e nós temos o dever de transmitir a Palavra da forma mais acessível possível, de modo
a que sejamos entendidos pelos homens. A mensagem do Evangelho é para todo o mundo, para toda a
criatura (Mc.16:15) e, por isso, temos de usar de uma linguagem facilmente acessível, como eram as
parábolas.

Em terceiro lugar, ao usar parábolas em Seu ensino, Jesus confirma que


veio para todos os homens, não para alguns escolhidos. Trazendo ensinos que eram acessíveis a todos, o
Senhor deu real oportunidade a pessoas de todas as camadas sociais, grandes e pequenos, sábios e indoutos,
homens e mulheres, para que O conhecessem e a Seu Pai.

Estudar as parábolas do Senhor, portanto, faz-nos ver, de forma ao mesmo


tempo simples e profunda, quanto Deus está interessado em que O conheçamos e quanto Ele nos ama.

Por fim, assim como Jesus utilizou de realidades do cotidiano das pessoas
para ensinar as verdades eternas, também precisamos, na atualidade, contextualizar a Palavra de
Deus, que permanece para sempre, fazendo com que as parábolas sejam, também, fontes de ensinos
preciosos para os nossos dias, até porque, como ensinava Salomão, “não há nada de novo debaixo do sol”
(Ec.1:9,10).

A capa do trimestre mostra-nos u’a mão aberta, repleta de sementes, que


parecem estar sendo lançadas, a nos lembrar a parábola do semeador, a primeira parábola de Jesus que
consta tanto do Evangelho segundo Mateus (Mt.13:1-23) quanto do Evangelho segundo Marcos (Mc.4:1-
20), que são tidos como os mais antigos evangelhos, episódio, inclusive, em que os evangelistas explicam
qual a razão pela qual o Senhor Jesus Se utilizava deste método de ensino, que faz com que a parábola do
semeador seja como a parábola modelo de todo esta forma de ensino adotada por Nosso Senhor e Salvador.

O trimestre desenvolver-se-á com uma lição introdutória, que mostra a


importância e o papel das parábolas no ensino de Jesus e, depois, estudaremos 12(doze) das
44(quarenta e quatro) parábolas de Jesus registradas nos Evangelhos.

O comentarista do trimestre é o pastor Wagner Tadeu dos Santos Gaby,


pastor-presidente das Assembleias de Deus em Curitiba/PR, mestre em Teologia e em Educação, que já
comentou anteriormente as Lições Bíblicas, quando nos brindou com o estudo da missão integral da Igreja,
no 3º trimestre de 2011,

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Que, ao término do trimestre, tenhamos não só aprendido as profundas


realidades espirituais contidas nas parábolas do nosso Mestre, como também tenhamos aprendido com Ele
como devemos ensinar a Sua Palavra diante dos homens, ou seja, com profundidade, mas sem nunca deixar
a simplicidade que n’Ele há.

B) LIÇÃO Nº 1 – PARÁBOLA: UMA LIÇÃO PARA A VIDA

Ao ensinar por parábolas, Jesus não somente nos ensina as verdades espirituais
com simplicidade, como também nos ensina a como devemos ensinar.

INTRODUÇÃO

- Jesus é o Mestre por excelência. O próprio Senhor reconheceu, mais de uma vez, durante o Seu
ministério, esta Sua condição (Jo.13:13). Tanto assim é que Lucas resumiu o ministério de Jesus como sendo
composto de ações e de ensinos (At.1:1). O uso das parábolas é uma das maiores demonstrações da
capacidade extraordinária do Mestre Jesus.

- As parábolas de Jesus são um método e exemplo que nos mostram, claramente, que, no ensino da Palavra
de Deus, jamais devemos menosprezar ou desprezar o ambiente cultural do ouvinte, como também nunca
poderemos deixar de lado a necessidade extrema de nos fazer entendidos pelo auditório.

I – O QUE É PARÁBOLA

- A palavra “parábola” é grega. Vem de “parabolé” (παραβολή) que, por sua vez, é uma palavra composta de
duas outras palavras, “para”(παρα) que quer dizer “ao lado de” e “bolé” (βολή), que era uma medida de
distância correspondente um tiro de pedra (cfr. Lc.22:41). Na verdade, “bolé” é derivado de “ballo”
(βαλλω), que significa lançar, jogar, arremessar. A palavra “parábola”, portanto, tem o sentido de
“lançamento ao lado”, “arremesso ao lado”, um “lançamento feito com desvio de alvo”, ou seja, uma
“aproximação”, uma “comparação”.

- No Antigo Testamento, a palavra traduzida por parábola é “mashal” (‫)משל‬, que sempre designa uma
comparação, uma ilustração que é feita para trazer ensinamentos espirituais, quase sempre vinculados a
profecias, como nos ditos de Balaão (Nm.23:7,18;24:3,15,20), de Jó (Jó 27:1 e 29:1) ou nas profecias de
Ezequiel(Ez.17:2; 18:2) e de Habacuque (Hc.2:6) ou pelo salmista (Sl.49:4). O salmista, aliás, deixou
registrado o uso de parábolas pelo Messias (Sl.78:2).

- Por isso, no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é dito que a parábola “…é uma narrativa
alegórica que transmite uma mensagem indireta, por meio de comparação ou analogia .…”. A Bíblia
On-Line da Sociedade Bíblica do Brasil define parábola como sendo “…geralmente história curta ou
comparação baseada em fatos verdadeiros, com o fim de ensinar lições a respeito do Reino de Deus ou de
sabedoria e moral.…” Diante da dificuldade ou da profundidade da mensagem que se quer transmitir, a
pessoa acaba usando de algo aproximado, de uma comparação com elementos conhecidos pelos receptores
da mensagem, fazendo, assim, com que a mensagem não seja transmitida com as ideias exatas, muitas vezes
inatingíveis e incompreensíveis, mas através de uma aproximação, de uma comparação que consegue
transmitir as ideias sem que a dificuldade delas impeça o conhecimento por parte do ouvinte. Por isso, há um
“desvio”, fica-se “ao lado” das ideias, mas o “lançamento” é feito, a transmissão é efetuada.

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- O uso de parábolas é uma forma bem antiga de transmissão de conhecimentos entre os homens.
Tendo criado o homem à Sua imagem e semelhança, Deus tinha plena consciência de que o homem não
tinha condições de compreender o seu Criador em sua totalidade e, portanto, cremos que, já no jardim do
Éden, quando o homem recebia a presença de Deus na viração do dia, o Senhor já Se comunicava com Ele
por meio de comparações, de aproximações, a fim de que se fizesse conhecido. Não é à toa que o Senhor
quis deixar demonstrada a necessidade de obediência e submissão a Ele por parte do homem através de uma
árvore, como era a árvore do conhecimento do bem e do mal, que nada mais era que um símbolo da
obediência. Deus criou o expediente da árvore da ciência do bem e do mal para que o homem pudesse
entender o que é obedecer, bem como compreendesse o seu lugar no universo. Deus sempre nos fala com
aproximações, sempre nos transmite o Seu conhecimento por intermédio de comparações, pois não temos
como compreendê-l’O em Sua plenitude. O apóstolo João, mesmo, admite que só quando formos
glorificados teremos condições de vê-l’O como Ele é (I Jo.3:2) e, mesmo assim, de forma imperfeita, pois
ninguém pode conhecer a Deus senão o próprio Deus (I Co.2:11).

- A parábola é, assim, uma forma de transmissão de conhecimento e de verdades através de


aproximações, do uso de elementos que já são conhecidos do ouvinte, a fim de que ele possa entender, com
clareza, a profundidade do que será transmitido. Os povos da Antiguidade fizeram uso desta técnica a fim de
poder transmitir, ao longo das gerações, os conhecimentos que haviam adquirido a respeito do mundo e a
respeito de Deus.

- Embora tenham uma certa semelhança, as parábolas distinguem-se de algumas figuras que também
compõem o que se passou a denominar de “linguagem simbólica”. Aliás, a palavra “símbolo” tem a mesma
raiz da palavra “parábola”, sendo, nada mais, nada menos, como explica R.N. Champlin, “comparar uma
coisa com outra ao lançá-las uma junto com a outra”. “…Símbolo é algo que sugere outra coisa mediante
um relacionamento, uma associação, como, por exemplo, um leão simbolizando a coragem…” (Símbolo. In:
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.6, p.212). A linguagem simbólica “…permite a expressão de
realidades humanas que não podem ser comunicadas pela linguagem referencial…” (MALANGA, Eliana
Branco. A Bíblia hebraica como obra aberta: uma proposta interdisciplinar para uma semiologia bíblica,
p.34). Como ensinou o psicanalista Carl Jung, “…por existirem inúmeras coisas fora do alcance da
compreensão humana é que frequentemente utilizamos termos simbólicos como representação de conceitos
que não podemos definir ou compreender integralmente. Esta é uma das razões por que todas as religiões
empregam uma linguagem simbólica e se exprimem através de imagens…” (Chegando ao inconsciente. In:
O Homem e seus símbolos, p.21).

- Na linguagem simbólica, que é a linguagem de parte preponderante da Bíblia Sagrada (e nem podia ser
diferente, pois, sendo, como é, a Palavra de Deus, sem o simbolismo não haveria como Deus Se revelar ao
homem), não há apenas o uso de parábolas, mas também surgem outras manifestações que, entretanto, com
as parábolas, não se confundem.

- A primeira figura que temos é a fábula. Fábula é narração popular ou artística de fatos puramente
imaginados, curta narrativa, em prosa ou verso, que tem entre as personagens animais que agem como seres
humanos, e que ilustra um preceito moral. As fábulas, embora tragam, também, lições de moral para os seus
ouvintes, são narrativas fantásticas, onde, via de regra, os animais são dotados de humanidade durante o
enredo. São conhecidas as fábulas do grego Esopo (620-564 a.C.) e do francês Jean de La Fontaine (1621-
1695). Uma parábola não se confunde com uma fábula, pois não se utiliza deste instrumento da fantasia, do

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total descompromisso com a realidade que cerca o ouvinte. Pelo contrário, ainda que se trate de uma história
imaginária, como diz R.N. Champlin, na parábola “…admite a probabilidade, ensinando mediante
ocorrências imaginárias, mas que jamais fogem à realidade das coisas…” ( Parábola. In: op.cit., v.5, p.57).
OBS: Alguns estudiosos da Bíblia, por causa disto, entendem que a chamada “parábola de Jotão” (Jz.9:7-15) seria uma fábula, uma vez que
haveria aí a personificação de árvores.

- A segunda figura que não se confunde com a parábola é a alegoria, que é o modo de expressão ou
interpretação usado no âmbito artístico e intelectual, que consiste em representar pensamentos, ideias,
qualidades sob forma figurada e em que cada elemento funciona como disfarce dos elementos da ideia
representada. Bem se vê que a parábola guarda muita semelhança com a alegoria, foi até mesmo, pelos
dicionaristas, entendida como uma narrativa alegórica, mas aí é que está a diferença entre a parábola e a
alegoria. Enquanto a parábola é uma história, é uma narrativa, a alegoria é meio de expressão ou de
interpretação, ou seja, a alegoria é um método de agir, é um meio empregado para se transmitir uma ideia.
Quando ocorre por meio de uma história, temos uma parábola, mas a alegoria pode ser utilizada de outras
formas, como, por exemplo, através de uma interpretação de um texto. Assim, por exemplo, quando
analisamos o tabernáculo de Moisés e nele percebemos uma figura, um símbolo de Jesus Cristo, estamos
fazendo uso da alegoria, sem que estejamos fazendo uma parábola.
OBS: “…A parábola não é a mesma coisa que a alegoria. A alegoria interpreta a si mesma, tão somente substituindo as personagens reais por
outras. Na alegoria, as personagens fictícias são dotadas das mesmas características das pessoas reais, sem qualquer tentativa de ocultar ou para
ilustrar por meio de símbolos. A parábola ilustra por meio de símbolos, como, por exemplo, ‘o campo é o mundo’, ‘o inimigo é o diabo(…). A
parábola é uma narrativa séria, colocada na esfera das probabilidades, (…). Talvez a alegoria não seja muito diferente disso, excetuando o fato
de que pode indicar uma história criada, dotada de mais símbolos comparativos.…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Parábola. In: Enciclopédia
de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.5, p.57). Há “…alegoria quando se usa cada uma das figuras de linguagem com detalhes particulares unindo
uma verdade à outra. Por exemplo, Jesus usou bastante desta figura de linguagem em João 6 e apenas começou a explicar esta passagem a partir
dos versos 47 a 68.…” (ROCHA, A. Nelson. 2ª Pedro da Bíblia Rhema Di Nelson: a graça que a nós foi profetizada, p.24-5 – arquivo do
revisor – obra ainda no prelo, publicado com autorização do autor).

- A terceira figura que não se confunde com a parábola é o mito, que é o relato fantástico de tradição oral,
geralmente protagonizado por seres que encarnam, sob forma simbólica, as forças da natureza e os aspectos
gerais da condição humana, narrativa acerca dos tempos heroicos, que geralmente guarda um fundo de
verdade ou, então, relato simbólico, passado de geração em geração dentro de um grupo, que narra e explica
a origem de determinado fenômeno, ser vivo, acidente geográfico, instituição, costume social etc. O mito,
como se pode observar, é, assim como a parábola, uma história, uma narrativa, mas cujo objetivo é,
diferentemente da parábola, a exaltação de um herói ou a explicação de um determinado estado de coisas
que hoje se apresenta. O mito é mais uma tentativa de explicação de uma determinada situação através de
uma história, muitas vezes fantástica, que justificaria o atual estado de coisas. A parábola é, antes, um ensino
do que uma explicação, a transmissão de uma verdade e não uma justificativa do que hoje existe.

- A quarta figura que não se confunde com a parábola é o conto, entendido como a narrativa breve e
concisa, contendo um só conflito, uma única ação (com espaço geralmente limitado a um ambiente), unidade
de tempo, e número restrito de personagens, relato intencionalmente falso e enganoso; mentira, embuste,
treta. Enquanto um texto literário, a parábola aproxima-se do conto, embora seja muito mais breve que o
conto, pois é uma história com pequeno número de personagens, com a unidade já mencionada. Mas,
enquanto o conto é apenas uma narrativa, e, no mais das vezes, sem qualquer compromisso com a verdade, a
parábola procura ser um meio de transmissão de conhecimento moral e espiritual, o que o distingue do
conto.
OBS: Por falar em conto, aqui também incluímos o que se costumou denominar de “estória”, palavra originária do inglês “story”, que se
incorporou no vocabulário de nossa língua para denominar uma narrativa de ficção.

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- Por fim, a quinta figura que não se confunde com a parábola é o provérbio, que é a máxima expressa em
poucas palavras. O provérbio, assim como a parábola, procura transmitir, com aproximação de ideias, um
ensino moral e, por vezes, espiritual. Mas o provérbio é apenas uma frase, apenas uma declaração, enquanto
que a parábola tem uma narrativa, tem um enredo, é uma história que transmite esta lição de moral. Por isto,
o livro de Provérbios é um excelente manual de sabedoria mas é totalmente diferente das parábolas de Jesus.

- Temos, portanto, que a parábola é uma história, que, embora imaginária, tem um compromisso com a
realidade, descreve algo que pode até acontecer, mas que encerra um ensinamento profundo, uma verdade
espiritual que jamais pode ser negligenciada pelo ouvinte. É, portanto, um ensino que se faz através de
comparação, de aproximação de ideias tiradas do cotidiano, do dia-a-dia do ouvinte e cuja função principal é
transmitir conhecimentos muito superiores à capacidade humana: as verdades divinas, as verdades
espirituais. Daí, porque, no estudo das parábolas, termos a consciência de que se está diante de uma
comparação, que encerra preciosos ensinamentos morais e espirituais, que devem e podem ser apreendidos
por qualquer um que esteja disposto a aprender de Cristo Jesus.
OBS: “…As parábolas podem ser símiles[comparações, observação nossa] simples ou narrativas elaboradas, cujos detalhes envolvam alguma
espécie de conotação moral ou espiritual. Na interpretação das parábolas, não podemos esquecer a ‘lição principal’ sem entrar em maiores
detalhes, que servem apenas para preencher uma história aceitável, mas que não se revestem de qualquer sentido especial…” (CHAMPLIN,
Russell Norman. Parábola. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.5, p.57).

II – AS PARÁBOLAS NA BÍBLIA

- Sendo preponderantemente escrita em linguagem simbólica, a Bíblia Sagrada não deixaria de ter parábolas,
até porque, entre os israelitas, sempre foi este um modo de ensino das verdades eternas. Esta técnica, que é
anterior a Jesus Cristo, permanece até hoje entre os rabinos judeus, que está repleta de narrativas deste
gênero nos seus escritos (a começar do Talmude, o segundo livro mais sagrado do judaísmo).

- “…Os eruditos alistam onze parábolas no Antigo Testamento:


1. Os moabitas e os israelitas. O narrador foi Balaão, no monte Pisga (Nm.23:24).
2. As árvores que escolheram um rei. Foi contada por Jotão, no monte Gerizim (Jz.9:7-15), parábola que
alguns consideram como sendo uma fábula[observação nossa].
3. A ovelha e o pobre. Foi narrada pelo profeta Natã, em Jerusalém (II Sm.12:1-5)
4. O conflito entre irmãos. Uma mulher de Tecoa contou-a a Jerusalém (II Sm.14:9)
5. O prisioneiro que escapou. Um jovem profeta, perto de Samaria, apresentou essa parábola (I Rs.20:25-49)
6. O espinheiro e o cedro. O rei Joás a contou, em Jerusalém (II Rs.14:9)
7. A videira que deu uvas bravas. Isaías contou essa parábola, em Jerusalém (Is.5:1-7).
8. As águias e a vinha (Ez.17:3-10)
9. Os filhotes de leão (Ez.19:2-9)
10. O caldeirão fervente (Ez.24:3-5)
11. Israel como a vinha perto da água (Ez.24:10-14), estas quatro últimas foram proferidas pelo profeta
Ezequiel, no cativeiro da Babilônia[observação nossa]. .…” ( CHAMPLIN, Russell Norman. Parábola. In:
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.5, p.63)

- Notamos sempre que, no Antigo Testamento, quase sempre a parábola está vinculada ao ofício
profético. Eram os profetas, no mais das vezes, quem usavam deste expediente para trazer suas mensagens
ao povo, a mostrar, assim, que a parábola era um meio pelo qual o Senhor procurava transmitir um

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ensinamento, uma orientação, fazer uma advertência para o Seu povo. Na antiga aliança, esta era a função
do ofício profético, que era o porta-voz do Espírito do Senhor para Israel. A parábola, assim, desempenha
este papel de comunicação direta entre Deus e o homem.

- Deste modo, vemos que Jesus não poderia deixar de usar do expediente das parábolas na pregação do
Evangelho. Sendo um de Seus ofícios o ofício profético, Cristo teria, mesmo, de, a exemplo dos profetas
que o antecederam, também usar deste método que, afinal de contas, era um método bem conhecido do povo
israelita. Tendo a missão de fazer conhecido o Pai aos homens (Jo.15:15), o Senhor tinha de trazer Deus ao
nível do intelecto humano e isto impunha o uso de uma linguagem que fosse acessível ao ser humano. O uso
das parábolas, portanto, era um dos mais apropriados, porque, além de ser conhecido da população em geral,
dava plenas condições para que houvesse a compreensão da parte dos ouvintes.

- O uso das parábolas por Jesus foi tão intenso que há, mesmo, quem associe esta técnica a Jesus, achando
que tivesse sido Ele o seu inventor, tanto assim que a própria palavra “parábola” passou a ter o significado
de narrativa alegórica que encerra um preceito religioso ou moral, especialmente as encontradas nos
Evangelhos, como diz o Dicionário Houaiss, ou seja, quando se fala, hoje em dia, em parábola, pensa-se, de
imediato, em uma parábola que tenha sido contada por Jesus.

- Os eruditos divergem quanto ao número de parábolas que os Evangelhos registram. Entendem


alguns que as parábolas seriam 30(trinta), enquanto outros chegam até ao número de 41(quarenta e
uma) ou 45 (quarenta e cinco) parábolas de Jesus, todas elas constantes dos chamados “evangelhos
sinóticos”, ou seja, Mateus, Marcos e Lucas, evangelhos que têm como objetivo principal fazer um
resumo histórico da vida de Jesus sobre a face da Terra, diferentemente do evangelho segundo escreveu
João, que, sem se preocupar em fazer uma síntese biográfica do Senhor, tenta apenas mostrar a Sua
divindade, através dos Seus discursos e de sete milagres escolhidos pelo apóstolo evangelista. Assim, em
João, em lugar das parábolas, temos discursos.

- Eis a relação das parábolas de Jesus nos Evangelhos, segundo o pastor Elias R. de Oliveira
(http://vivos.com.br/parabolas-de-jesus/ Acesso em 30 jul. 2018): 01 - O Semeador (Mt.13.5-8; Mc.4:3-20);
02 - O Joio (Mt. 13.24-30); 03 - O Grão de Mostarda (Mt. 13.31,32; Mc.4:30-32; Lc.13:18,19); 04 - O
Fermento (Mt. 13.33; Lc.13:20,21); 05 - O Tesouro Escondido (Mt. 13.44); 06 - A Pérola (Mt. 13.45,46); 07
- A Rede (Mt. 13.47-50); 08 - A Ovelha Perdida (Mt. 18.12-14; Lc.15:3-7); 09 - O Credor Incompassivo
(Mt. 18.23-35); 10 - Os Trabalhadores da Vinha (Mt. 20.1-16); 11 - Os Dois Filhos (Mt. 21.28-32); 12 - Os
Lavradores Maus (Mt. 21.33-46; Mc.12:1-12; Lc.20:9-19); 13- As Bodas (Mt. 22.1-14); 14 - As Dez
Virgens (Mt. 25.1-13); 15 - Os Talentos (Mt. 25.14-30); 16 - A Semente (Mc. 4.26-29); 17 - Os Dois
Devedores (Lc. 7.41-43); 18 - O Bom Samaritano (Lc. 10.25-37); 19- O Amigo Importuno (Lc. 11.5-8); 20 -
O Rico Louco (Lc. 12.16-21); 21 - A Figueira Estéril (Lc. 13.6-9); 22 - A Grande Ceia (Lc. 14.16-24); 23 -
A Dracma Perdida (Lc. 15.8-10); 24 - O Filho Pródigo (Lc. 15.11-32); 25 - O Administrador Infiel (Lc.
16.1-9); 26 - O Rico e Lázaro (Lc. 16.19-31); 27 - Os Servos Inúteis (Lc. 17.7-10); 28 - O Juiz Iníquo (Lc.
18.1-8); 29 - O Fariseu e o Publicano (Lc. 18.9-14); 30 - As Dez Minas (Lc. 19.12-27).

- Russell Norman Champlin, ao lado destas 30(trinta) parábolas, entendemos que com razão, ainda
considera mais 12(doze), a saber: os dois alicerces (Mt.7:24-27), remendo novo em vestes velhas (Mt.9:16,
Mc.2:21, Lc.5:36), vinho novo em odres velhos (Mt.9:17; Mc.2:22; Lc.5:37,38), o espírito imundo
(Mt.12:43-45, Lc.11:24-26), a figueira florescente (Mt.24:32,33; Mc.13:28,29; Lc.21:29-31), o dono de casa
e o ladrão (Mt.24:42-44, Lc.12:36-40), o mordomo sábio (Mt.24:45-51; Lc.12:42-48); as ovelhas e os bodes

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4º Trim. de 2018: AS PARÁBOLAS DE JESUS: as verdades e os princípios divinos para uma vida abundante

(Mt.25:31-37), os servos vigilantes (Mc.13:34-37; Lc.12:35-38), o conviva importuno (Lc.14:7-11); a torre


(Lc.14:28-30) e o rei em preparativos de guerra (Lc.14:31-33). Champlin, porém, considera que a parábola
dos talentos e das dez minas seja a mesma parábola, daí porque entender haver 41 e não 42 parábolas nos
Evangelhos.

- Já a Sociedade Bíblica do Brasil, na sua Bíblia On-Line, entende que as parábolas são 45 (quarenta e
cinco), acrescentando à relação de Champlin as seguintes parábolas: coisas novas e coisas velhas
(Mt.13:51,52), jejum e casamento (Mt.9:14,15; Mc.2:18-22; Lc.5:33-35) e os meninos na praça (Mt.11:16-
19; Lc.7:31-35).

- Somos do entendimento de que há 44 parábolas, pois concordamos com a enumeração feita por Champlin
e pela Sociedade Bíblica do Brasil. Entretanto, achamos que a parábola dos talentos é diversa da parábola
das dez minas e que a história de rico e Lázaro não é uma parábola, mas uma história verídica narrada por
Jesus, tanto que uma personagem é chamada pelo nome, o que não ocorre em nenhuma outra parábola.

- Fato interessante diz respeito à ausência de parábolas no evangelho segundo João. Verdade é que, em a
narrativa do evangelista, encontramos, por três vezes, na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra
“parábola” (Jo.10:6; 16:25,29).

- No primeiro caso, o evangelista chama de “parábola” a afirmação de Jesus de que é ladrão e salteador
aquele que não entra pela porta das ovelhas, ao contrário do pastor, que entra pela porta. Tem-se aqui, na
verdade, um símile, tanto que a palavra original aqui é “paromoios” (παρόμοιος), cujo significado é o de
“similar”, “quase igual”, “igual”. Símile é “ uma comparação de dois elementos/objetos de diferentes
contextos, mas que possuem alguma característica comum, estabelecendo a semelhança” (Símile, o que é?
Disponível em: https://www.figuradelinguagem.com/gramatica/simile-o-que-e-para-que-serve-qual-
importancia/ Acesso em 31 jul. 2018).

- Em Jo.16:25, novamente o termo empregado é “paromoios”, querendo, com isto, dizer que o Senhor Jesus
estava se utilizando de comparações para explicar o sentimento dos discípulos, comparando ao sofrimento
que tem a mulher antes do parto, que sente dor que se torna em alegria quando nasce a criança, dizendo que,
desta mesma maneira, os discípulos se entristeceriam em virtude de Sua paixão e morte mas, depois,
ficariam alegres com a Sua ressurreição.

- Em Jo.16:29, depois de Jesus ter dito aos discípulos que tinha vindo do Pai e iria para Ele, os discípulos
afirmaram que Jesus havia falado, desta feita, abertamente, sem fazer comparações, mais uma vez sendo
utilizado no texto o termo “paromoios”.

- Como explica Herbert Lockyer: “…O termo traduzido por parábola em "Jesus lhes propôs esta parábola"
(Jo 10:6) constitui um provérbio, e é a mesma palavra usada em dois outros lugares como provérbio (Jo
16:25, 29). Em todos os três, o termo não é parabólico, mas paronímico, que significa "um discurso à
margem". A primeira palavra da qual temos "parábola" implica "colocar ao lado de" ou "desenhados juntos,
a semelhança que é mostrada por uma ilustração posta ao lado". A segunda palavra da qual temos
"provérbio" significa "fazer algo como alguma outra coisa". Aqui a ideia é de semelhança e tanto faz tratar-
se de uma pintura, história ou ditado.
Embora a inteira omissão de todas as parábolas sinóticas em João seja evidente, ainda assim o quarto
evangelho não é de modo algum desprovido de um rico simbolismo. "Todo o evangelho de ponta a ponta é
tomado pela representação simbólica". Dean Farrar diz que "o arranjo do livro é totalmente construído com
referência direta aos números sagrados, três e sete". Portanto, através de sete símbolos que presentemente
discorreremos, Cristo mostra o que ele é para o seu povo crente. João registra mais das palavras reais de

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Jesus do que os outros três evangelistas e, dentre seus discursos, temos catorze parábolas germinais.…”
(Todas as Parábolas da Vida. São Paulo: Vida, 2006 apud Ausência de Parábolas em João. Disponível em:
https://evangelho-de-joao.blogspot.com/2013/05/ausencia-de-parabolas-em-joao.html Acesso em 31 jul.
2018).

III – POR QUE JESUS ENSINOU POR MEIO DE PARÁBOLAS?

- Visto que o Senhor usou do método de parábolas como ninguém para ensinar os Seus discípulos, alguém
pode indagar: por que Jesus usou deste expediente, por que não teria sido “mais claro” nos Seus
ensinamentos, ainda mais quando parece que o uso de parábolas era para que o Senhor não fosse entendido
por Israel (cfr. Mt.13:10-17)? Não seria este um contrassenso diante da missão de Jesus aqui na Terra?

- Em primeiro lugar, devemos observar que Jesus usou parábolas em Seus ensinos para cumprir a
Palavra de Deus. Como diz o apóstolo e evangelista Mateus, Jesus usou parábolas para cumprir o que d’Ele
estava escrito no Sl.78:2 (Mt.13:34,35). Jesus veio cumprir as Escrituras e, por isso, tinha de ensinar por
parábolas, pois assim estava escrito.

- Em segundo lugar, Jesus tinha uma tarefa singular em Seu ministério: fazer o Pai conhecido dos
homens (Jo.15:15), proclamar o Evangelho(Mc.1:15; Lc.4:43), ou seja, dizer ao mundo que Ele havia vindo
para salvar o mundo e tirar dele o pecado (Jo.1:29; 3:17). Para trazer o conhecimento do Pai ao homem,
Jesus tinha de ser, antes de mais nada, Mestre. Por isso, das noventa vezes em que alguém se dirigiu ao
Senhor Jesus nos Evangelhos, em sessenta delas foi chamado de mestre. Mestre, ao lado de Senhor, foi um
título que Jesus jamais negou receber (Jo.13:13).
OBS: “…Nunca Jesus repreendeu aquele que O chamavam de Mestre ou Ensinador. Pelo contrário, parecia aceitar de bom grado este título…”
(HURST, D.V. E ele concedeu uns para mestres. Trad. de Gordon Chown, p.15).

- Uma das características fundamentais do mestre é ter e compreender os alvos do seu ministério de ensino.
Jesus, o Mestre dos mestres, tinha esta compreensão e sabia que tinha de fazer o Pai conhecido dos homens.
Ora, para tanto, era necessário que se desse atenção especial aos alunos, pois ele é, como diz D.V. Hurst, o
mais importante dos três ingredientes da situação do ensino (ao lado do mestre e da aula). Para que o aluno
fosse o elemento mais importante, Jesus tinha que Se fazer entendido e compreendido por eles e isto só seria
possível se descesse ao nível do aluno, ou seja, se Se utilizasse de um método a que o aluno estivesse
acostumado e de elementos que permitissem que o aluno entendesse as verdades espirituais a respeito de
Deus.
OBS: “…O emprego contínuo que Jesus fez das parábolas está em perfeita concordância com o método de ensino ministrado ao povo no
templo e na sinagoga. Os escribas e os doutores da Lei faziam grande uso das parábolas e da linguagem figurada, para ilustração das suas
homilias. Tais eram os Hagadote dos livros rabínicos. A parábola tantas vezes aproveitada por Jesus, no Seu ministério (Mc 4.34), servia para
esclarecer os Seus ensinamentos, referindo-se á vida comum e aos interesses humanos, para patentear a natureza do Seu reino, e para
experimentar a disposição dos Seus ouvintes (Mt 21.45; Lc 20.19).…” (OLIVEIRA, Elias R. de. Parábolas de Jesus. Disponível em:
http://vivos.com.br/parabolas-de-jesus/ Acesso em 31 jul. 2018).

- Numa análise do sistema de ensino então existente em Israel, vemos, claramente, que, para atingir estes
objetivos, Jesus tinha de usar as parábolas, pois era o método que, a um só tempo, permitiria que todo
o povo de Israel, que eram os Seus potenciais alunos (Jesus havia vindo para as ovelhas perdidas da

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casa de Israel – Mt.15:24; Jo.1:11), pudesse ter real acesso ao conhecimento do Pai, seja pelo fato de
que já estavam acostumados a este método de ensino, seja porque a linguagem empregada permitiria uma
fácil compreensão de todos quantos quisessem aprender. Notamos, portanto, que Jesus quer que o ensino da
Sua Palavra se faça de modo claro e acessível a todos os ouvintes, respeitando-se, pois, as condições
culturais, educacionais e sociais dos ouvintes.
OBS: “…O professor precisa conhecer o aluno. Foi escrito acerca de Jesus:’ O próprio Jesus …os conhecia a todos. E não precisava de que
alguém Lhe desse testemunho a respeito do homem, porque Ele mesmo sabia o que era a natureza humana’ (Jô.2:24,25). Jesus conhecia a
psicologia do ser humano e manifestou este conhecimento no Seu modo de tratar com eles. Conhecia as leis do ensino e ensinava à altura.
Conhecia as necessidades e os impulsos básicos dos seres humanos, oferecendo-lhes completa satisfação. Conhecia as tendências emocionais
dos homens e as levou em consideração. Jesus ensinava o aluno, não ensinava lições, sendo portanto de importância primária o Seu
conhecimento do aluno. Será que o mestre de hoje, que quer produzir nas vidas do alunos os mesmos resultados de Jesus, pode trabalhar sem
levar isto em conta ?…” (HURST, D.V. op.cit., p.58).

- Através das parábolas, Jesus usou de elementos e de situações do dia-a-dia dos Seus ouvintes para
transmitir conhecimentos profundos a respeito de Deus e do relacionamento de Deus com os homens. As
coisas espirituais estão acima da capacidade do homem natural, pois elas se discernem espiritualmente e,
sem o Espírito de Deus, não há como o homem entender as coisas divinas (I Co.2:9-16). O homem, no
pecado, não tem o Espírito Santo e, portanto, é preciso que o ensino a respeito de Deus se faça mediante
instrumentos que permitam ao homem, ao ouvir pela Palavra de Deus, entender o que se está pregando, para
que possa receber a fé, que é dom de Deus, e, assim, se arrepender, querendo, dos seus pecados e alcançar a
salvação. Ao usar das parábolas, Jesus impediu que houvesse um bloqueio, que tornasse inacessível a
Palavra de Deus ao ser humano.

- Mas dirá alguém que o que estamos a falar não tem fundamento bíblico, pois, no trecho já referido, Mateus
informa que Jesus falava por parábolas para que não fosse compreendido, tanto que só explicava as
parábolas para os discípulos. Esta forma de entender, aliás, é muito difundida entre os espíritas kardecistas,
segundo os quais, as parábolas de Jesus seriam a prova evidente de que haveria, nos ensinos de Jesus, um
conhecimento exotérico, referente à exposição pública dos ensinos de Jesus e um conhecimento esotérico,
reservado apenas para os discípulos de Cristo, para os “iniciados nos mistérios”. Um entendimento desta
ordem, porém, daria razão ao pensamento de que somente os “iniciados” teriam acesso a Deus, o que,
evidentemente, não é o que proclama a Bíblia Sagrada, que diz que Jesus veio salvar a todos os homens
indistintamente. Mas, e a pergunta persiste, como entender, então, o trecho bíblico de Mt.13:10-15?

- Jesus ensinou por parábolas porque o povo de Israel não poderia ter qualquer desculpa com relação
à rejeição do Messias. Ao ensinar por parábolas, Jesus ensinava usando de imagens que todos pudessem
compreender. “…Durante Seu ministério, Cristo proferiu muitas parábolas. Através deste ensino ele
manifestou o princípio de Sua própria missão no mundo; tomou a nossa natureza e habitou entre nós, a fim
de familiarizar-nos com Sua vida e caráter. A divindade foi revelada na humanidade; da mesma forma que
Deus revelou-se na semelhança de homem, e Seus ensinos seguia a mesma linha: do desconhecido para o
conhecido, as verdades divinas eram reveladas por coisas terrenas com as quais o povo estava bem
familiarizado. Cada aspecto da natureza era utilizado por Cristo para ilustrar verdades. Os cenários da
natureza criada por Ele, foram todos relacionados com uma verdade espiritual, de tal forma que a própria
natureza está revestida das parábolas do Mestre.(…). No ensino por parábolas, Jesus desejava despertar a
indagação, despertar os indiferentes e impressionar-lhes o coração com verdade. Esse tipo de ensino era
popular e atraía a atenção do povo. O ouvinte sincero que desejava obter maior conhecimento e
compreensão das coisas divinas, poderia compreender Suas palavras, pois o Mestre estava sempre pronto a

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explicá-las.…” (BRAVO, Margareth. O ensino mais eficaz.


http://www.litoralvirtual.com.br/refletir/oensinomaiseficaz.html Acesso em 31 jul. 2018).
OBS: “Jesus adaptou Seus métodos de ensino à capacidade de entendimento daqueles que O seguiam. Ele não falou por meio de parábolas
para confundir as pessoas, mas para desafiá-las a descobrir o significado das palavras que Ele proferia. A maior parte dos ensinamentos de Jesus
era contra a hipocrisia e as motivações erradas, características dos líderes religiosos judeus. Se Jesus tivesse falado abertamente contra eles, Seu
ministério teria sido muito inábil. Aqueles que ouviam Jesus diligentemente sabiam do que estava falando.” (BÍBLIA DE ESTUDO
APLICAÇÃO PESSOAL, com. Mc.4:33,34, p.1298).

- Jesus não ensinou por parábolas para não ser compreendido, mas para mostrar que só não iria
compreendê-l’O quem não o quisesse. Suas simples palavras podiam ser perfeitamente compreendidas por
ouvintes sinceros, e torná-los sábios para a salvação. Ao ensinar por parábolas, Jesus foi claro, Se fazia
compreensível a todos, mas esta compreensão exigia, pelo uso do método das parábolas, uma disposição de
aprendizado por parte dos ouvintes, uma vontade de um maior aprofundamento, tanto que somente os
discípulos, depois de algumas parábolas, demonstravam interesse em aprender as coisas de Deus e, assim,
chegavam a pedir ao Senhor que lhes explicasse a parábola de forma mais minudente. Jesus, assim, tinha o
objetivo de mostrar claramente quem tinha e quem não tinha interesse em conhecer o Pai, em outras
palavras, quem, realmente, amava a Deus, a ponto de não ser mais chamado servo, mas amigo do Senhor
(Jo.15:15). O próprio Senhor avisou que nada que fosse oculto deixaria de ser revelado (Lc.8:6-18),
bastando tão somente que houvesse interesse por parte dos ouvintes.
OBS: “…As parábolas são histórias tiradas da vida diária para descrever e ilustrar certas verdades espirituais. Sua singularidade consiste em
revelar a verdade aos espirituais e, ao mesmo tempo, ocultá-la aos incrédulos (Mt.13.11).…” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, com.
Mt.13:3, p.1414).

- Temos, então, mais uma razão pela qual Jesus ensinava por parábolas. Ao aplicar este método de ensino, o
Mestre deixava bem claro, patente aos olhos de todos, quem tinha interesse em conhecer a Deus e quem não
o tinha, quem queria ser salvo bem como quem não queria. É, por isso, que, ao final do sermão do monte,
uma das Suas lições mais primorosas, Jesus equiparou aquele que ouvia e praticava as Suas palavras como o
homem sábio que edificou a sua casa sobre a rocha. Ouvir Jesus é muito mais do que ouvir um Mestre, do
que assistir a uma aula, mas é tomar uma decisão a favor ou contra o reino de Deus, a favor ou contra a
salvação. Por isso, até, alguns estudiosos das Escrituras entendem que Mateus somente passou a registrar as
parábolas mais importantes de Jesus a partir do capítulo 13, logo após ter anunciado a grande oposição que
começava contra o ministério do Senhor, a começar de Sua própria casa.
OBS: “…Abordando esta última fase do ministério de Jesus na Galileia, podemos medir o caminho percorrido. ‘Desde o início de Sua
manifestação aos Seus contemporâneos (3,13) [Mt.:13 – observação nossa], Sua presença sempre punha novamente em questão todos os que Ele
encontrava. Ele provocava reações, tomadas de posição em relação a Ele, e sentimentos que provocava pouco a pouco uma separação entre Seus
ouvintes. Imperceptivelmente no início, depois mais nitidamente, a partir das controvérsias do cap.12, aparecia uma oposição entre os chefes
religiosos de Israel(escribas e fariseus), enquanto, do seio das multidões que O ouviam, e se maravilhavam, sobressaía pouco a pouco um grupo
de discípulos’ (J.Radermakers, 173) [RADERMAKERS, J. Au fil de l’évangile selon saint Mathieu, p.173 – observação nossa]. Aos Seus
discípulos confiou antecipadamente sua autoridade para anunciarem o Reino de Deus. Nesta primeira etapa, Jesus tenta um derradeiro esforço
junto às multidões, mas sem ilusões, porque não podem ‘compreender’ (uma das palavras-chave desse conjunto, que não encontrarmos em outro
lugar em Mateus); os fariseus vão obstinar-se ainda mais; quanto aos discípulos, eles se manfiestam aqui como grupo bem constituído; eles
‘compreendem’, tanto que poderão logo, pelos lábios de Pedro, confessar sua fé.…” (V.V.A.A. Leitura do evangelho segundo Mateus. Trad. de
Benôni Lemos, p.65).

- “…A passagem que Jesus cita para explicar sua súbita reversão a parábolas (Isaías 6:9-10) fala da
degradação espiritual dos israelitas, do orgulho e da teimosia de coração que tornaram impossível para eles
continuar a ouvir e entender as palavras de Deus. Jesus diz simplesmente que era uma profecia que tinha
sido liberalmente cumprida em seus próprios ouvintes. Toda a sabedoria que eles ouviram de sua boca e
todas as maravilhas que viram de sua mão nada tinha significado porque ‘o coração deste povo está
endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos, e fecharam os olhos;’ (Mateus 13:15). As parábolas

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eram um abanador nas mãos do Filho de Deus, que limparia sua eira da palha enquanto purificava o trigo.
Elas eram uma penetrante espada de dois gumes para determinar se o coração de Seus ouvintes era
orgulhoso ou humilde, teimoso ou contrito (Hebreus 4:12). Esse é o significado de seu ‘Pois ao que tem se
lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado’ (Mateus 13:12). Aqueles
que possuíam humildade mental estavam destinados a ter um entendimento rico e verdadeiro do reino do
céu, mas aqueles que não tinham nada, ou pouco desse espírito, estavam destinados a perder até o pouco
entendimento que tinham. O evangelho do reino está assim moldado para atrair e informar os humildes,
enquanto afasta e confunde os orgulhosos. Ouvir a palavra de Deus é uma experiência dinâmica. Seremos ou
melhores ou piores por ela. O mesmo sol que derrete a cera endurece a argila. Mas isso é a escolha que o
estudante, não o mestre, faz. As parábolas não tornarão orgulhoso um coração humilde, mas podem tornar
humilde um coração orgulhoso, se estivermos dispostos a permiti-lo. Isso, certamente, é o desejo maior do
Salvador dos homens.…” (EARNHART, Paul. Por que parábolas.
http://www.estudosdabiblia.net/1999227.htm Acesso em 25 fev. 2005).
OBS: “…O valor de tal método de ensino é duplo. Primeiramente, torna muito mais fácil a assimilação da verdade, pois ‘a verdade contida
numa história entra até em portas humildes’, e, em segundo lugar, a verdade assim aprendida fixa-se com mais facilidade na mente e na
memória, pois, ao tirar as suas próprias deduções pelas ilustrações, o aprendiz em realidade está ensinando a si mesmo.…” (TASKER, R.V.G.
Parábola. In: DOUGLAS, J.D.(org.). O Novo Dicionário da Bíblia, v.2, p.1200).

- Ellen White, a principal sistematizadora da doutrina sabatista, entendeu que o uso de parábolas por Jesus
estaria, também, relacionado com uma estratégia de sabedoria e de prudência do Senhor para que, diante da
oposição crescente ao Seu ministério, não tivessem Seus adversários do que acusar o Senhor antes de ser
chegada a Sua hora. Como explica Margareth Bravo (op.cit.), ao citar White, “…Entre as multidões que O
rodeavam, havia sacerdotes e rabinos, escribas e anciãos, herodianos e maiorais, amantes do mundo, beatos
ambiciosos que desejavam, antes de tudo, achar alguma acusação contra Ele. Espias seguiam-lhes os passos,
dia a dia, para apanhá-lo nalguma palavra que Lhe causasse a condenação e fizesse silenciar para sempre
Aquele que parecia atrair a Si o mundo todo. O Salvador compreendia o caráter desses homens e
apresentava a verdade de maneira tal, que nada podiam achar que lhes desse ensejo de levar Seu caso
perante o Sinédrio. Em parábolas, Ele censurava a hipocrisia e o procedimento ímpio daqueles que
ocupavam altas posições, e, em linguagem figurada, vestia a verdade de tão penetrante caráter que, se as
mesmas fossem apresentadas como acusações diretas, não dariam ouvidos às Suas palavras e teriam dado
fim rápido ao Seu ministério. Mas enquanto repelia os espias, expunha a Palavra tão claramente pelas obras
da criação de Deus. Pela natureza e pelas experiências da vida, foram os homens ensinados a respeito de
Deus…”. (Ellen G. White - Parábolas de Jesus, 22). Este é um pensamento provável, já que Jesus tinha,
mesmo, de tomar todas as providências para que a Sua obra Se completasse, repudiando, assim, toda e
qualquer cilada ou armadilha do adversário.…”

- No entanto, neste contexto, preferimos entender, como Russell Norman Champlin, que Jesus usou de
parábolas durante todo o Seu ministério, ainda que, na última fase dele, possa ter se utilizado mais do
expediente das parábolas, para que o povo de Israel não ficasse inescusável.
OBS: “…Neste terceiro grande trecho dos ensinos de Jesus, portanto, encontramos os principais ensinos acerca do reino dos céus e,
dificilmente, podemos aceitar a ideia de que Jesus, de uma vez só, tenha proferido todas essas parábolas. Provavelmente apresentou uma de cada
vez, quiçá com aplicações diferentes…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Parábola. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.5, p.59).

- Ainda que se entenda que Jesus tenha, somente quando manifesta a oposição a Seu ministério, a, pelo
menos, intensificar o uso de parábolas, é forçoso admitir que o Senhor, já desde antes, demonstrara interesse
em Se fazer compreendido pelos Seus ouvintes, inclusive usando de metáforas e de ilustrações parabólicas,
como quando, ao chamar Seus discípulos, disse que lhes faria “pescadores de homens” ou que Seus
discípulos seriam “luz do mundo” e “sal da terra”. Como afirma Paulo Earnhart, “…Jesus certamente viveu
mais cônscio do mundo no qual ele andava do que qualquer outro homem antes dele. E de tudo que o
rodeava ele tirou ricas metáforas, que fizeram dele um tão irresistível ilustrador e mestre. O Senhor começou

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cedo, nos seus discursos públicos, a falar com conhecimento de pescadores, agricultores, pastores e
comerciantes. Ele tirou expressivas comparações do mundo dos reis e dos príncipes, dos servos e dos
pobres, sacerdotes e publicanos, juízes e ladrões. Ele encontrou lições na relva e nas flores, no vento e na
rocha. Ele falou muito de vinhas e trigais, de joio, de espinhos e de cardos. Ele conhecia bem o lugar da
raposa e o caminho dos lobos e das ovelhas. E falou especialmente do lar, de sal e de lâmpadas, de cozinha e
de limpeza, de festas e de casamentos, de pais e de filhos. E suas palavras eram maravilhosas, pelo modo
como tornavam a vontade do céu tão real e clara. Muito do que Jesus disse tão expressivamente não estava
nas parábolas clássicas, mas em dizeres e ilustrações que eram semelhantes a elas…” (EARNHART, Paulo.
Jesus tinha uma palavra para isso. http://www.estudosdabiblia.net/2000139.htm Acesso em 25 fev. 2005).
OBS: “…Cristo era um agradável contador de histórias. Era um privilégio estar ao lado d’Ele. Ele era paciente e carismático na arte de ensinar.
Cativava até Seus opositores. Expressava ensinamentos complexos com histórias simples. Estava sempre contando uma história que pudesse
atrair as pessoas e estimulá-las a pensar. Um mestre eficiente não apenas cativa a atenção dos seus alunos e não causa náuseas quando os ensina,
mas os conduz a imergir no conhecimento que transmite. Por isso, um mestre eficiente precisa ser mais do que eloquente, precisa ser um bom
contador de histórias. Como tal, Cristo estimulava o prazer de aprender, retirava os alunos da condição de espectadores passivos do
conhecimentos para que se tornassem agentes ativos do processo educacional, do processo de transformação. Cristo não frequentou uma escola
de pedagogia, porém possuía uma técnica excelente. Ensinava de maneira interessante e atraente, contando histórias. Sua criatividade
impressionava. Nas situações mais tensas, Ele não Se apertava, pois sempre achava um espaço para pensar e contar uma história interessante que
envolvesse as pessoas que o cercavam. Um bom contador de histórias é insubstituível e insuperável por qualquer técnica pedagógica, mesmo que
use recursos da informática.…” (CURY, Augusto Jorge. Análise da inteligência de Cristo: o Mestre dos mestres. 3.ed., p.161-2).

IV – A INTERPRETAÇÃO DAS PARÁBOLAS


- Sendo de linguagem simbólica, as parábolas pertencem ao grupo de textos da Bíblia Sagrada cuja
interpretação deve ser feita de forma cuidadosa e criteriosa, a fim de se evitarem distorções doutrinárias que,
infelizmente, são cada vez mais comuns nos nossos dias.

- Querer entender as parábolas, como já temos visto, é um bom sinal, é sinal de que a pessoa está disposta a
aprender as verdades espirituais, teve despertada a sua atenção para as “coisas de cima” (Cl.3:2), dá
prioridade ao reino de Deus e a sua justiça (Mt.6:33). Somente os discípulos do Senhor podem, mesmo, ter
reveladas as verdades contidas nas parábolas (Mt.13:16,17). No entanto, tal compreensão deve ser dada da
forma exposta na Palavra do Senhor.

- Em primeiro lugar, devemos ter a mesma atitude que tiveram os discípulos. Ao perceberem que a
linguagem usada por Jesus era simbólica, que se estava diante de uma parábola, os discípulos dúvida
não tiveram de buscar a resposta com Jesus. Em Mt.13:10, é dito que os discípulos se acercaram do
Senhor. Para que compreendamos as parábolas, é necessário que nos aproximemos de Jesus. E como
fazemos isto? Tendo uma vida de comunhão com Ele. Como se obtém comunhão com o Senhor?
Separando-se do pecado e vivendo uma vida de oração e de meditação nas Escrituras.

- Em segundo lugar, quem Se aproxima de Jesus deve ter o desejo e estar disposto a ouvi-l’O. Antes de
ser indagado pelos discípulos, Jesus determinou que quem tivesse ouvidos, ouvisse (Mt.13:9). É preciso que
tenham condições de ouvir a Jesus, de ouvir a Sua Palavra, pois são as Escrituras que testificam do Senhor
(Jo.5:39). Não se poderá, pois, compreender corretamente uma parábola se não se partir das próprias
Escrituras, pois quem interpreta a Bíblia é a própria Bíblia.

- Daí porque devemos verificar como Jesus interpretou algumas parábolas. Nestes casos, em que o
próprio Jesus deu a interpretação para os discípulos, não há o que se discutir, nem o que inventar. Estamos
diante do que os estudiosos da ciência da interpretação (a chamada “hermenêutica”) chamam de
“interpretação autêntica”, que é a interpretação feita pelo próprio autor do discurso que será interpretado.
Jesus, algumas vezes, interpretou a parábola e, desta forma, nestes casos, basta-nos apenas meditar e
apreender o que Jesus explicou.

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4º Trim. de 2018: AS PARÁBOLAS DE JESUS: as verdades e os princípios divinos para uma vida abundante

- Em terceiro lugar, quando não houver uma interpretação do próprio Jesus a respeito da parábola,
deveremos agir como Jesus agiu na interpretação, ou seja, temos de seguir o mesmo método que Jesus
usou na interpretação das parábolas que está registrada na Bíblia Sagrada. Devemos imitar Jesus (I Co.11:1),
seguir as Suas pisadas (I Pe.2:21).

- Quando observamos as interpretações que Jesus fez das Suas parábolas, percebemos algumas atitudes que
devem sempre ser seguidas por nós na interpretação daquelas parábolas cuja interpretação não foi registrada
na Bíblia, a saber:
a) Cada elemento ou personagem da parábola está associado a uma verdade espiritual. A parábola tem
aplicação espiritual e esta associação é a prova disto. Assim, por exemplo, na parábola do semeador, a
semente é a Palavra de Deus; o semeado, o ouvinte; o semeador, o pregador.
OBS: “…ilusória é a tentativa de fazer que considerações éticas ou econômicas tenham importância na interpretação das parábolas, quanto tais
considerações são de fato irrelevantes. Por exemplo, a parábola do mordomo injusto (Lc.16:1-9) ensina que o futuro tem importância e que os
homens devem preparar-se para o mesmo, porém, a questão da moralidade da ação levada a efeito pelo mordomo fictício não tem relação
alguma com a lição principal da história…” (TASKER, R.V.G. op.cit., p.1201).

b) A parábola tem sempre uma lição central, uma verdade a ser transmitida, que é espiritual. O
importante da parábola, pois, é este sentido espiritual e não algum pormenor ou detalhe insignificante.
Assim, a semente que está à beira do caminho é o ouvinte que tem arrebatada a Palavra pelo maligno. Não é
caso de ficarmos discutindo de que natureza é este caminho, os motivos pelos quais o semeador, ao semear,
foi tão negligente ou qualquer outro ponto que não é o cerne do ensino. “…Não devemos, portanto, exagerar
em pontos secundários das parábolas, pois estamos sujeitos a obscurecer o principal.…” (SILVA, Osmar
José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.5, p.96). As parábolas são um meio de expressão
simbólica, não exigem nem podem ser consideradas como precisas e exatas imagens, pois se a exatidão e
precisão fossem possíveis, Jesus não iria usar deste expediente para nos transmitir as verdades eternas.
OBS: “…Os pregadores cristãos de todos os séculos têm se esforçado, com propósitos homiléticos, por encontrar mais verdades dentro das
parábolas de Jesus do que realmente era a Sua intenção. Pequenos detalhes têm sido alegorizados para que ensinem verdades que, de forma
alguma, são óbvias nas próprias histórias e irrelevantes para o contexto no qual se encontram.…” (TASKER, R.V.G. op.cit., p.1201).

c) “…Tanto a superelaboração como a supersimplificação devem ser evitadas na interpretação das


parábolas, pois em poucas esferas da exegese do Evangelho é mais fácil para alguém ser tendencioso.…”
(TASKER, R.V.G. op.cit., p.1201). Não se pode, portanto, considerar que uma parábola dispense toda e
qualquer doutrina que a Bíblia traga a respeito, como, por exemplo, considerar que a parábola do filho
pródigo dispense a doutrina da expiação, sendo ‘o evangelho dos evangelhos’, como também considerar que
as parábolas não são parte importante do ensino de Jesus, sendo meras ilustrações que só tiveram validade
nos dias do Senhor.
OBS: “…Ao interpretarmos as parábolas de Jesus, devemos evitar os extremos: supercomplicação e supersimplificação. Em todas elas há uma
lição central e é o que devemos valorizar mais.…” (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.5, p.97).

d) No estudo das parábolas, é indispensável que tenhamos conhecimento do ambiente cultural dos dias
de Jesus, para que bem compreendamos o que Jesus quis transmitir aos Seus ouvintes daquela época, a fim
de que façamos a devida contextualização, ou seja, que tragamos a parábola para os nossos dias, pois,
embora as verdades transmitidas sejam eternas, é fundamental que, assim como Jesus fez, tenhamos
condições de, também, usarmos elementos do cotidiano, do dia-a-dia dos nossos ouvintes (ou de nós
mesmos), para que bem apliquemos os ensinamentos do Senhor em nossas vidas. Afinal de contas, o
objetivo de Jesus não se dirigia apenas aos Seus contemporâneos, mas a todos quantos aceitam o Seu nome
(Jo.17:20).

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4º Trim. de 2018: AS PARÁBOLAS DE JESUS: as verdades e os princípios divinos para uma vida abundante

OBS: “…Ainda que apareçam recompiladas, as parábolas tem que ser situadas na vida de Jesus. Em realidade, não inculcam máximas ou
princípios gerais. Não são histórias amenas que terminam com uma moral. Não, cada parábola é pronunciada em uma situação concreta, que é
preciso reinterpretar. Serve de justificação, de defesa, de ataque, de desafio. É, com frequência, uma arma de combate. O problema é descobrir
que quis dizer Jesus naquele momento e, também, o que nos quer dizer hoje.…” (O segredo das parábolas de Jesus.
http://www.google.com/search?q=cache:FnLFG4I-Tf0J:www.geocities.com/rociocatte/parab.htm+par%C3%A1bolas,+Jesus&hl=pt-BR Acesso
em 25 fev. 2005).(tradução nossa de texto em espanhol).

e) As parábolas são ilustrações de verdades bíblicas, portanto não podem ser consideradas como
elementos capazes de produzir doutrina. “…Na interpretação das parábolas, o problema é saber quais os
detalhes que têm significação e quais os incidentes sem sentido real na história apresentada. Ordinariamente,
a parábola tem por escopo mostrar um fato importante, dela não devem ser tiradas, à força, lições de cada
pormenor, pois algumas partes são apenas complementos da história apresentada. Nunca devemos nos
esquecer: as parábolas não são para produzir doutrinas: seu objetivo é ilustrar as verdades que Jesus quis
ensinar.…” (GRANGEIRO SOBRINHO, Antonio. Hermenêutica bíblica, p.60).

Colaboração para o Portal Escola Dominical – Ev. Caramuru Afonso Francisco

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