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Richard II

Corrigan:
Richard II é usualmente retratado como ‘caprichoso’, sem um
sentido de liderança.

Sua crença – de que possuir o título de rei era suficiente – chocou-


se com o mundo moderno materialista.

Shakespeare constitui um estudo da interação estreita entre pessoa


e posição.

A autoridade no século XIV se desenvolvia em torno de


indivíduos.

“Em nenhuma peça de Shakespeare a função do rei está sujeita a


um escruticínio tão intenso, de uma grande variedade de ângulos.
Observamos seu ritual, seu significado quase religioso, sua base
prática e, acima de tudo, a importância do homem que a exerce. O
próprio Ricardo é um dos estudos mais acurados de Shakespeare
sobre a personalidade. Ampliando o exame minucioso da função
parece que foi levado a ampliar a análise profunda do homem e a
testar o homem em face da função que exerce” – Leggatt.

Interação entre o poder do indivíduo e o poder da função que


Shakespeare disseca a fim de nos demonstrar que indivíduos não
podem controlar sozinhos o poder. Esse é um tema que ocorre
repetidas vezes ao longo da história.

Bolingbroke – personagem mais moderno, visão diferente da


autoridade.

Seu distanciamento e a crença no isolamento dos líderes causaram


a sua queda.

Independente de considerações ‘teológicas’ sobre a autoridade


dos reis, Ricardo ‘está prestes a enfrentar um exército superior
comandado por seu primo’.
Visão tradicional do poder – nome do rei, vinte mil tropas etc...

“a imagem de que vinte mil homens se agrupariam em torno do


nome do rei torna-se apenas o que é – uma ficção.

Analogia com a vida profissional moderna. P. 41. Todos nós já


trabahamos para pessoas que acreditam que o seu título é o
que nos força a devotar-lhes lealdade total.

Enfraquecimento de Richardo em Ato 3, Cena 2.

Shakespeare descreve Ricardo como alguém que repentinamente


compreende as limitações daquilo que até então parecia ser um
conjunto de idéias poderoso e totalmente abrangente. Trata-se de
um exxemplo clássico da perda de contato com a realidade. Sua
falta de relacionamento com seus seguidores, que vivem no
mundo concreto, o afasta desse mundo (....) p. 42

O personagem principal de Shakespeare coloca a visão de sua


autoridade em popsição à visão de poder de Bolingbroke.
Todo reino de Ricardo está em risco, não apenas por uma
batalha, mas por ser baseado em sua crença de que ser rei é o
suficiente.

Ele perde a batalha sem que uma batalha ocorra. Seu poder
não se baseava em nenhuma forma de realidade material.

É quem vence nessa batalha entre poder idealizado e concreto que


tor Shakespeare uma parte do mundo moderno. (...) Ele
permanece com o mundo moderno contra o passado.