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FATORES PSICOSSSOCIAIS DE RISCO NO TRABALHO:

ATUALIZAÇÕES

Liliana Andolpho Magalhães Guimarães

ANTECEDENTES
A preocupação com os fatores psicossociais de risco no trabalho (FPRT) não é
nova e começa a ser mais bem sistematizada na década de 1970 quando a World Health
Organization realiza um fórum interdisciplinar em Estolcomo para discutir a influencia
dos fatores psicossociais na saúde, formular medidas e propor políticas de saúde,
inclusive baseadas nestes fatores (WHO, 1976). Já na década de 1980 a Organização
Internacional do Trabalho e a OMS publicam um documento chamando a atenção sob
os efeitos adversos dos fatores psicossociais relacionados ao trabalho (ILO, 1986).
No documento, havia concordância das duas organizações sobre o crescimento e
progresso econômico não dependerem apensa da produção, mas também das condições
de vida e trabalho, saúde e bem estar dos trabalhadores e seus afirmando que não apenas
os riscos de natureza física, química e biológica tinham importância, mas vários fatores
psicossociais de risco no trabalho.
Desde então, houve um avanço significativo no conhecimento cientifico, sobre
as influencias das interações entre esses elementos e os efeitos da saúde. Nas duas
últimas décadas, pesquisas sobre fatores psicossociais de risco no ambiente de trabalho
têm produzido um grande corpo de pesquisa empírica e teórica (THEORELL, 1998).

DEFINIÇÕES
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) (ILO, 1986) definiu risco
psicossocial em termos da interação entre conteúdo do trabalho, organização do trabalho
e gerenciamento, e outras condições ambientais e organizacionais, por um lado, e
competências e necessidades dos empregados, de outro. Para a OIT, os Fatores
Psicossociais do Trabalho compreendem os aspectos do trabalho em si e do ambiente,
tais como: o clima ou cultura da organização; as funções laborais; as relações
interpessoais no trabalho; a forma e o conteúdo das tarefas (variedade, alcance, caráter
repetitivo, significado) (SAUTER et al., 1998). Além disso, compreendem também o
ambiente externo à organização (e.g., situações domésticas) e os aspectos do indivíduo
(e.g., personalidade e atitudes).
Cox e Griffiths (1995, p. 23) afirmam que os riscos psicossociais no trabalho
podem ser definidos como “todos aqueles aspectos do desenho e gerenciamento do
trabalho e os contextos social e organizacional que têm potencial para causar dano físico
ou psicológico”.
Segundo Guimarães (2013), os Fatores Psicossociais de Risco no Trabalho
(FPRT) podem ser entendidos como aquelas características do trabalho que são
“estressoras”, isto é, que implicam em grande exigência e são combinadas com recursos
insuficientes para seu enfrentamento. Para a autora também podem ser entendidos como
as percepções subjetivas dos fatores de organização do trabalho, resultantes das
características físicas da carga, da personalidade do indivíduo, das experiências
anteriores e da situação social do trabalho.
No Manual da ISASTUR [s.d.] os fatores psicossociais podem ser definidos
como:
[...] aquelas características das condições de trabalho e, sobretudo, da sua
organização que afetam a saúde das pessoas através de mecanismos psicológicos e
fisiológicos a que também chamamos de stress. (MÉTODO ISTAS21 apud MANUAL
DA ISASTUR, [s.d.], [online]).
O ambiente psicossocial no trabalho engloba a organização do trabalho e as
relações sociais de trabalho. Fatores psicossociais no trabalho são aqueles que se
referem à interação entre e no meio ambiente de trabalho, conteúdo do trabalho,
condições organizacionais e habilidades do trabalhador, necessidades, cultura, causas
pessoais, extra trabalho que podem, por meio de percepções e experiência, influenciar a
saúde, o desempenho e a satisfação no trabalho (OIT, 1984).
Para o National Institut of Occupational and Safety Health (NIOSH, 1988), os
FRPT podem também ser definidos como aquelas características do trabalho que
funcionam como “estressores”, ou seja, implicam em grandes exigências no trabalho,
combinadas com recursos insuficientes para o enfrentamento das mesmas
Neste contexto, o conceito de fatores psicossociais do trabalho introduz aspectos
subjetivos na gestão dos riscos ocupacionais, em contrapartida aos aspectos
considerados objetivos, com os quais os profissionais da segurança e da saúde
ocupacional estão naturalmente mais familiarizados.
Os fatores psicossociais podem ser definidos como os fatores que derivam da
psicologia do individuo, da estrutura e da função da organização do trabalho e
influenciam a saúde e o bem estar do individuo e do grupo (RODRIGUES, 2012)
Os FRPT provocam tanto danos psicológicos no indivíduo, e.g., diminuição da
motivação para o trabalho, irritabilidade, estresse, burnout, etc., como conseqüências
negativas nas organizações, e.g., diminuição do rendimento, absenteísmo e acidentes de
trabalho, da rotatividade, aumento de custos diretos e indiretos, deterioração da imagem
institucional, mal ambiente psicológico nos locais de trabalho, aumento das situações de
conflito, greves e agressões, entre outras.
Guimarães (2013) afirma que os fatores psicossociais de risco caracterizados
pela urgência de maior produtividade, redução de contingente de trabalhadores, pressão
do tempo e complexidade das tarefas, aliados a expectativas irrealizáveis e relações de
trabalho tensas e precárias, podem gerar tensão, fadiga e esgotamento profissional,
constituindo-se em fatores responsáveis por situações de estresse relacionado ao
trabalho e consequente prejuízo na saúde mental.
Os riscos acima são riscos emergentes porque (i) aumenta cada vez mais o
numero de pessoas expostas (freqüência); (ii) são cada vez mais graves as suas
consequencias: (para os indivíduos, para as organizações e para a sociedade, (iii) é cada
vez maior a percepção social pública para este tipo de risco.
Embora ainda não estejam completamente estabelecidos os fatores psicossociais
de risco no trabalho e os fatores de proteção para saúde psíquica do trabalhador, já
existe uma ampla literatura relacionando fatores da organização do trabalho com a
etiologia dos agravos psicoemocionais relacionados ao trabalho (MOON, 1999).
Existem diversas classificações e significados dos riscos psicossociais (PEIRÓ,
1999) que podem ser categorizados em dois tipos:
1) estressores ou demandas laborais (grifo nosso)- entendidos como aspectos físicos,
sociais e organizacionais que requerem manutenção do esforço e estão associados a
certos custos fisiológicos e psicológicos (e.g., esgotamento). Algumas exigências
psicossociais são a sobrecarga quantitativa (e.g., ter sobrecarga de trabalho a ser feito
num período de tempo determinado) ou o conflito de papéis (e.g., ter que responder a
demandas que são incompatíveis entre si);
(2) (falta de) recursos pessoais e laborais (grifo nosso)- são aspectos físicos,
psicológicos, sociais e organizacionais que são funcionais na consecução das metas:
reduzem as demandas laborais e estimulam o crescimento e desenvolvimento pessoal e
profissional
Guimarães (2006) aponta dois tipos de recursos: os pessoais e os laborais. Com
relação ao primeiro aspecto, os mesmos se referem às características individuais, como
a auto-eficácia profissional ao segundo aspecto. Os segundos são, entre outros, o nível
de autonomia no trabalho, a retroalimentação sobre as tarefas realizadas e a formação
que a organização proporciona ao trabalhador. Cita alguns principais exemplos de riscos
psicossociais, conforme o Quadro 1 a seguir:

A falta de variedade ou ciclos de trabalho curtos, trabalho


O conteúdo do fragmentado ou sem sentido, baixo uso de habilidades,
trabalho elevada incerteza, exposição contínua a pessoas por meio do
trabalho
Carga de trabalho e Sobrecarga de trabalho ou sob carga, ritmo de máquina, altos
ritmo de trabalho níveis de pressão de tempo, continuamente sujeito a prazos
Turno de trabalho, trabalho noturno, horários de trabalho
Agenda de trabalho inflexíveis, horas imprevisíveis, longas horas ou horas que
não permitem socialização
Baixa participação na tomada de decisões, falta de controle
Controle
sobrecarga de trabalho, ritmo, turno de trabalho, etc
Disponibilidade de equipamento inadequado, adequação ou
Ambiente &
manutenção; condições ambientais pobre, tais como a falta
Equipamento
de espaço, falta de iluminação, excesso de de ruído
Uma comunicação deficiente, baixos níveis de suporte para
Cultura & Função
resolução de problemas e desenvolvimento pessoal, a falta
organizacional
de definição de, ou acordo sobre, objetivos organizacionais
Relações
Isolamento social ou físico, pobre relações com os
interpessoais no
superiores, conflito interpessoal, falta de apoio social
trabalho
Ambiguuidade de papel, conflito de papéis e
Papel na organização
responsabilidade para as pessoas
Desenvolvimento da Estagnação da carreira e incerteza, sob a promoção ou sobre
carreira a promoção, salários baixos, insegurança no trabalho, baixo
valor social do trabalho
Interface do Demandas conflitantes entre trabalho e lar, baixo apoio em
Trabalho doméstico casa, duplos problemas de carreira
QUADRO 1 - Fatores Psicossociais de Risco no Trabalho
Fonte: Adaptado de Leka, Griffiths e Cox (2003 apud GUIMARÃES, 2006

O Manual Da ISASTUR, [S.D.] traz uma importante contribuição no que se


refere aos FPRT, segundo diferentes facetas do trabalho, expostos a seguir:

1) COM A TAREFA
Conteúdo e significado do trabalho: o trabalhador sente que a tarefa desenvolvida não é útil
para a sociedade em geral nem lhe oferece a possibilidade de aplicar e desenvolver os seus
conhecimentos e capacidades.
Carga de trabalho: as exigências do trabalho superam a capacidade do sujeito para responder
às mesmas (sobrecarga), ou, pelo contrário, a realização das tarefas apresenta poucas exigências
ao trabalhador (infra carga).
Autonomia: a falta de autonomia (ex.: impossibilidade de controlar a duração e distribuição das
pausas, impossibilidade de influir na ordem das tarefas, etc.) traz menor envolvimento do
trabalhador na organização, afetando a sua motivação, gerando insatisfação e reduzindo o seu
rendimento no trabalho.
Grau de automatização: na maioria dos processos automatizados, a organização e o ritmo de
trabalho dependem do equipamento, limitando a tarefa do trabalhador a uma série de operações
rotineiras e repetitivas. Pode ocorrer igualmente um empobrecimento das relações pessoais e
das possibilidades de comunicação com outros trabalhadores, aparecendo o risco de isolamento.

2) COM A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO DE TRABALHO

Duração e distribuição do horário de trabalho: Impossibilidade de recuperação física e


mental do organismo humano, decorrente da realização de um horário de trabalho contínuo e
excessivo (superior a 8 horas diárias).
Horário por turnos: As mudanças de horário provocam uma série de consequências
relacionadas com a redução da atividade mental e da capacidade de atenção/ reação, e com o
equilíbrio nervoso e a fadiga, juntamente com alterações do sono, repercutindo em nível
familiar e social.
Descansos e pausas: A distribuição das pausas está relacionada com o tipo de horário, a
possibilidade de flexibilidade do mesmo e, sobretudo, com o tipo de tarefa realizada. Na
organização do período de trabalho, deve-se promover a realização de intervalos para descanso,
de duração não inferior a uma hora nem superior a duas, de modo que o trabalhador não preste
mais de cinco horas de trabalho consecutivo.
3) COM A ESTRUTURA DA ORGANIZAÇÃO

FONTES DE RISCOS E MEDIDAS/


RISCO
CONSEQUEN BARREIRAS
CIAS

Definição da tarefa: A incerteza/ ambiguidade/ indefinição do modo de realização das tarefas


associadas a determinado posto de trabalho pode colocar o trabalhador em situações
contraditórias ou de indecisão e geradoras de stresse.
Estrutura da hierarquia: Conhecer a estrutura da empresa e o lugar que cada um ocupa na
mesma é importante para o desenvolvimento, tanto dos trabalhadores como da própria empresa.
Canais de informação e comunicação: A informação que o trabalhador precisa conhecer, tanto
para desempenhar adequadamente o seu trabalho, como para trabalhar sem riscos para a sua
segurança e saúde, deve ser transmitido de forma clara e simples e deve chegar a todo o pessoal.
Relações entre departamentos e trabalhadores: As boas relações entre os diferentes
departamentos da empresa e entre os próprios trabalhadores contribuem para a melhoria do
ambiente de trabalho e da produtividade.
Desenvolvimento profissional: A falta de possibilidades de promoção pode provocar a perda
de interesse por tudo aquilo não relacionado com a rotina diária e, por outro lado, uma formação
inadequada para o desempenho dos trabalhos constituem fontes de stresse.
Sistema de recompensas ou compensações: A interação entre um esforço elevado e um baixo
nível de recompensas (instabilidade profissional, falta de perspetivas de promoção, falta de
respeito e reconhecimento, etc.), a longo prazo, representa a situação de maior risco para a
saúde.

4) OUTROS FATORES PSICOSSOCIAIS


Imagem social: uma boa imagem social gera nos trabalhadores maior identificação com a
empresa, e isto influi no ambiente de trabalho, no rendimento e na satisfação no trabalho.
Localização: a deslocação a outras cidades, a distância entre o local de trabalho e a morada e
locais de lazer, e a influência de um espaço natural circundante, incidem diretamente na
qualidade de vida dos trabalhadores.
Atividade: a atividade da empresa pode gerar "conflito de função" se o trabalhador realizar uma
tarefa não conforme aos seus interesses ou valores, e pode chegar a envergonhar-se do trabalho
quando este entra em conflito com os interesses ou valores da sociedade, tornando-se uma fonte
de insatisfação.
Futuro inseguro no emprego: Quando existe incerteza acerca do futuro no posto de trabalho
(despedimento, transferência forçada, promoção), qualquer questão é percebida como uma
ameaça, aumentando o nível de stresse e a insatisfação.
Contexto físico perigoso: quando a tarefa a ser realizada é perigosa, gera-se ansiedade e
sentimento de ameaça no trabalhador. Nestes casos, ganha especial importância a informação e
a formação dada ao trabalhador sobre a identificação dos riscos e as medidas a adotar para evitá-
los.
O conflito trabalho-casa: demandas conflitantes do trabalho , baixo apoio em casa e problemas
de carreira
Preventivas Atenuadoras Corretivas
Falta de definição Na organização Liderança Espaço de ação Adaptação
de metas clara: do trabalho
organizacionais
Responsabilidad
Erros Informações
e
Incidentes de Reuniões de
Poder
perigo trabalho
e/ou Limites claros
Acidentes de Influência sobre
trabalho Metas claras o planejamento
Reabilitaçã
Problemas de o
cooperação
Informações
Conflitos
Conflito de papéis
Procura de bodes
Atitude Apoio
expiatórios
Normas Comunicação de Apoio em
Perturbação da
supervisão crises
e/ou produção Regras
Oportunidade de
Aumento da Fatos
consultar a
rotatividade de
administração
pessoal
Comentários
Perda de construtivos
competência
Experiência/co
Diálogo com o mpetência
A ambigüidade de
trabalhador
papéis
Para o indivíduo
Orientação
Apresentação
Formação
Sintomas de
estresse
Gestão
Acidentes de competente
trabalho
Doença
Síndrome de Recuperação
esgotamento
Perda de emprego
Um modelo de riscos psicossociais é oferecido pelo Instituto Superior de
Ciências do Trabalho e da Empresa- ISCTE (2012):
QUADRO 2. Modelos de riscos psicossociais
Fonte: ISCTE (2012):
REPERCUSSÕES DOS FRPT
Os riscos psicossociais têm sua origem no âmbito da organização do trabalho e,
embora suas consequências negativas não sejam tão evidentes como a dos acidentes de
trabalho, são geradoras de absenteísmo, rotatividade, problemas de qualidade no
desenvolvimento do trabalho ou estresse que representam importantes custos
econômicos e de pessoal para as empresas (Manual da ISASTUR, [s.d.]) e são parte da
segurança ocupacional e importantes riscos para a saúde. No ambiente de trabalho
incluem a violência, o mobbing (assédio psicológico) e o assédio sexual e podem afetar
a resposta psicológica dos trabalhadores e as condições do ambiente de trabalho.
Portanto, os aspectos ou fatores psicossociais no trabalho, relativos ao conteúdo e
significado do trabalho e às relações sociais de trabalho, podem ser considerados tão ou
mais importantes que os demais (características dos postos de trabalho, ambientes,
máquinas e equipamentos), isoladamente ou a estes associados, em seus agravos à saúde
e ao bem-estar
Os fatores psicossociais afetam o comportamento de distintas maneiras:
 Pessoas frustradas ou irritadas são muito mais passíveis de usar uma grande força
mecânica desnecessária ao executar uma tarefa, ao invés de trabalhar pacientemente de
uma mecanicamente mais fácil na execução da tarefa.
 Pessoas mais controladas podem utilizar esforço intelectual para encontrar formas
mecanicamente mais fáceis de executar tarefas. Em tarefas repetitivas, a diferença pode
ser o desenvolvimento de um FRPT entre aqueles que fazem uma análise do momento
para desenvolver maneiras ergonômicas corretas de executar a tarefa, e aqueles que não.
 Novas habilidades ou participação de decisões da organização podem ser fatores
específicos de risco psicossocial que incluem as dimensões de controle no trabalho.
 Ambiente de sobrecarga de trabalho, ambiente e demandas conflitivas são fatores de
risco específicos da dimensão demandas de trabalho.

Nesta direção, para que melhor se compreenda o que, no processo de trabalho


produz fatores psicossociais de risco para a doença, quando a vida ocupacional é
analisada, é necessário também verificar as condições de vida fora do ambiente laboral,
do contexto.
Ala-Mursula et al (2002) encontraram um efeito independente dos seguintes
fatores de risco psicossocial específicos: controle do tempo na execução de tarefas sobre
saúde auto-referida e absenteísmo por doença. Segundo Barnett; Davidson; Marshal
(1991) continuando uma rica tradição de estudos sobre gênero, trabalho doméstico e
estressores encontraram: controle de tempo precário no trabalho com um efeito
independente na saúde de mulheres trabalhadoras estudadas, mas não em homens.
Diferenças de gênero relativas ao cumprimento de tarefas domésticas podem explicar,
segundo os autores, estes resultados.
No caso dos valores para os limites de exposição ocupacional, a natureza
particular dos fatores de risco psicossocial implica em maiores dificuldades para o
estabelecimento de valores de referência (HANSSON, 1998). Umas dessas limitações,
talvez a mais relevante seja a dificuldade de mensurar o ambiente psicossocial do
trabalho por meio de características externas do trabalho (STANSFELD; NORTH;
WHITE et al, 1995) independentemente da percepção auto referida (MUNTANER et al
1993).
As características do ambiente psicossocial do trabalho são mais de ordem
estrutural do que individual. Entretanto, a mensuração dos fatores de risco psicossocial
é usualmente realizada por meio de questionários referentes aos processos que são
diretamente observados por pesquisadores, mas referidos pelos próprios trabalhadores.
Este fato pode introduzir uma enorme variabilidade nas estimativas, porque os fatores
psicossociais de risco são medidos com base nas atitudes (GREINER; RAGLAND;
KRAUSE et al, 1997). A variabilidade não é sinônimo de subjetividade porque, como
Kristensen (1998) tem pontuado, os fatores psicossociais podem também ser estimados
por métodos objetivos, não obstante o investigador e de acordo com regras prévias e
explícitas. Muntaner et al (1993) referem que auto-relatos sobre o ambiente psicossocial
do trabalho tendem a apresentar altas correlações com avaliações feitas por
observadores das mesmas profissões e análise fatorial confirmatória destas escalas,
segundo a variância do método utilizado, produzir uma estrutura fatorial para predizer a
demanda e o controle (MUNTANER; SCHOENBACH; 1994).
Os riscos psicossociais caminham em paralelo com a experiência de estresse
relacionado ao trabalho. Segundo a OMS (2008), estudos longitudinais e revisões
(sistematicas) têm indicado que o estresse no trabalho está associado com doença
cardíaca, depressão e lesões músculo-esqueléticas e há evidências consistentes de que
altas demandas de trabalho, baixo controle e desequilíbrio esforço-recompensa são
fatores de risco para a saúde física e mental problemas, levando a uma maior pressão
sobre os gastos públicos e aumento dos custos de saúde). Quando ocorre um
desequilíbrio entre as interações de, por um lado, o trabalho, o seu ambiente, a
satisfação no trabalho e as condições da sua organização e, por outro lado, a capacidade
do trabalhador, as necessidades do trabalhador, sua cultura e a situação pessoal fora do
trabalho, aparece o risco de origem psicossocial (GUIMARÃES, 2013).
Cabe destacar que as mudanças significativas que ocorreram no mundo laboral
nas últimas décadas resultaram em riscos emergentes no campo da segurança e saúde no
trabalho e levaram - além de riscos físicos, químicos e biológicos - ao surgimento de
riscos psicossociais. De fato, a insegurança no emprego, a necessidade de ter vários
empregos e a intensificação do trabalho podem gerar estresse profissional e colocar em
risco a saúde dos trabalhadores.
Guimarães (2006) descreve algumas características do trabalho que expõem os
trabalhadores aos riscos psicossociais:
 Trabalhos que exigem pouco controle sobre o trabalhador e os métodos de trabalho
(incluindo-se o trabalho em turnos);
 Trabalhos que não fazem pleno uso das potencialidades do trabalhador para a execução
das tarefas;
 Trabalhos cujo papel não envolve tomada de decisões;
 Trabalhos que envolvem somente tarefas repetitivas e monótonas;
 Trabalhos de operação de maquinários (que podem ser monitorados de forma
inapropriada);
 Trabalhos cujas exigências são percebidas como excessivas;
 Sistema de pagamento vinculado à execução da tarefa com rapidez ou sem pausas;
 Sistema de trabalho que limita as oportunidades para interação social;
 Altos níveis de esforço que não são equilibrados com recompensas suficientes
(recursos, remuneração, autoestima, status, etc.).

OS FATORES PSICOSSOCIAIS DE RISCO E O ESTRESSOR OCUPACIONAL


Os riscos psicossociais e o estresse relacionado com o trabalho são questões que
maiores desafios apresentam em matéria de segurança e saúde no trabalho.
Têm um impacto significativo na saúde de pessoas, organizações e economias
nacionais. Cerca de metade dos trabalhadores europeus considera o estresse uma
situação comum no local de trabalho, que contribui para cerca de 50% dos dias de
trabalho perdidos. À semelhança de muitas outras questões relacionadas com a saúde
mental, o estresse é frequentemente objeto de incompreensão e estigmatização. No
entanto, se forem abordados enquanto problema organizacional e não falha individual,
os riscos psicossociais e o estresse podem ser controlados da mesma maneira que
qualquer outro risco de saúde e segurança no local de trabalho
Entre as conseqüências cabe assinalar, o burnout (ou síndrome de estar
queimado pelo trabalho) (GIL-MONTE; PEIRÓ, 1999; PEIRÓ, 1993). Também a falta
de motivação para o trabalho, o aumento dos níveis de ansiedade e depressão
relacionados ao trabalho, o absenteísmo, a diminuição do desempenho, etc..
O estresse ocupacional pode ser considerado como um processo no qual
intervêm estressores ou demandas laborais de diversos tipos, conseqüências do estresse
(ou tensão), e também recursos tanto da pessoa como do trabalho e sua ausência pode
converter-se em um estressor a mais, e sua presença pode amortecer os efeitos danosos
dos estressores e tem o potencial de afetar negativamente a saúde psicológica e física de
um indivíduo, bem como a eficácia de uma organização. Portanto, é reconhecido
mundialmente como um grande desafio para a saúde dos trabalhadores e para a saúde de
suas organizaçõe Para muitas pessoas que trabalham é muito freqüente que o ambiente
de trabalho é onde eles passam a maior parte de suas horas de vigília. De acordo com
um número de inquéritos, muitos realizar atividades que eles percebem como exigente,
constrangedora, e de outra forma estressante.
Schaufelli et al (2002) postulam por uma tipologia centrada no próprio processo
do estresse ocupacional. Para os autores, os trabalhadores sofrem de estresse quando as
exigências inerentes à função excedem a sua capacidade de lhes dar resposta. Além de
problemas de saúde mental, os trabalhadores afetados por estresse prolongado podem
acabar por desenvolver graves problemas de saúde física, como doenças
cardiovasculares ou lesões músculo-esqueléticas.
Para a organização, os efeitos negativos incluem um fraco desempenho geral da
empresa, aumento do absenteismo, "presenteísmo" (trabalhadores que se apresentam
doentes ao trabalho e são incapazes de funcionar de maneira eficaz) e subida das taxas
de acidentes e lesões. Os períodos de absenteismo tendem a ser mais longos do que os
decorrentes de outras causas e o estresse relacionado com o trabalho pode contribuir
para um aumento da taxa de reforma antecipada, em particular entre trabalhadores
administrativos. Os custos estimados para as empresas e para a sociedade são
significativos e chegam aos milhares de milhões de euros a nível nacional
(RODRIGUES, 2012).
Uma pesquisa de âmbito europeu conduzida pela EU-OSHA (OSHA, 2012)
concluiu que mais de metade dos trabalhadores considerava o estresse como uma
situação comum no local de trabalho. As causas mais comuns do estresse relacionado ao
trabalho referidas foram, a reorganização do trabalho e a insegurança de emprego
(indicadas por cerca de 7 em cada 10 inquiridos), acréscimo das horas de trabalho, carga
de trabalho excessiva, assédio ou intimidação no local de trabalho (cerca de 6 em cada
10 inquiridos). A mesma sondagem demonstrou que cerca de 4 em cada 10
trabalhadores consideram que o estresse não é tratado de forma adequada no local de
trabalho.
No mais abrangente Inquérito Europeu às Empresas sobre Riscos Novos e
Emergentes (ESENER) (OSHA, 2012), cerca de 8 em cada 10 dirigentes europeus
manifestaram preocupação com o estresse nos respectivos locais de trabalho; todavia,
menos de 30% admitiram ter implementado procedimentos para lidar com os riscos
psicossociais. O inquérito também concluiu que quase metade das entidades
empregadoras considera que os riscos psicossociais são mais difíceis de gerir do que os
riscos "tradicionais" ou mais óbvios, gerenciados pela segurança e saúde no trabalho.
Ainda que existam algumas iniciativas importantes com relação à avaliação e
valorização dos riscos psicossociais, há muito que ser feito e estas atuações supõem um
período de tempo para que se chegue a um objetivo comum: o de melhorar a saúde e a
qualidade de vida no trabalho.
PREVENÇÃO DE RISCOS PSICOSSOCIAIS
Sobre o assunto, o National Institut of Occupational Safety and Health
(NIOSH) (1999, 2007) recomenda que seja privilegiada
[...] a prevenção primária dos fatores de riscos psicossociais no trabalho (FRPT), o estudo dos
fatores pessoais, organizacionais e da interface indivíduo-organização, que influem na saúde
ocupacional, as repercussões sociais e econômicas e a implantação de programas (de assistência
ao empregado e à família-trabalho, entre outros). (apud BORGES, GUIMARÃES e SILVA,
2013, p. 606)
Apesar das evidências disponíveis, a prevenção e a gestão de riscos
psicossociais não são devidamente consideradas nas agendas políticas.
Sob uma ótica prevencionista, é necessário realizar uma adequada avaliação
destes riscos psicossociais, para poder corrigi-los ou preveni-los nas organizações. Não
obstante, a falta de instrumentos de avaliação válidos e confiáveis em nosso meio seja
bastante significativa.
A avaliação de riscos se refere basicamente à identificação e ao estabelecimento
de limites e perigos (e.g.: características da situação de trabalho que podem causar
dano), apesar de que a valoração de riscos se refira à estimativa do risco em comparação
a certas normas Como os fatores de risco físico, os riscos psicossociais são mais bem
compreendidos e manejados com o envolvimento de consultores e da força de trabalho.
No caso do estresse ocupacional, a avaliação de riscos e sua valoração
pertencem principalmente a fatores psicossociais do trabalho. Existem vários métodos
de avaliação dos riscos psicossociais, porém em nosso país, são raramente utilizados,
com exceção do Modelo de Karasek (1976). Outros modelos disponíveis são: O Método
COPSOQ- Kopenhagen Psychosocial Questionnaire1, o método WOCCQ- Working

1
http://www.arbnejdsmilijoforskning.dk/
Conditions and control Questionnaire2, FPSICO–Cuestionario de evaluación de riesgos
psicosociales3 e o Modelos HSE Indicator Tool4 (2004).
A gestão dos fatores psicossociais de risco constitui não só uma obrigação moral
e um bom investimento para as entidades empregadoras, que pode ser reforçado por
acordos- com os parceiros sociais. Reconhecer a mutação das solicitações e a
intensificação das pressões no local de trabalho e incentiva as entidades empregadoras a
implementar medidas voluntárias suplementares para a promoção do bem-estar mental.
Embora as entidades empregadoras tenham a responsabilidade legal de assegurar
a avaliação e o controlo adequados dos riscos no local de trabalho, é essencial garantir
também o envolvimento dos trabalhadores. Os trabalhadores e os respectivos
representantes têm uma melhor percepção dos problemas que podem ocorrer no local de
trabalho. A sua participação garantirá que as medidas aplicadas sejam adequadas e
eficazes.
Uma campanha de inspeção sobre as questões psicossociais, que já é feita na
União Européia (ISLE, 2012) poderia, em nosso meio, ser direcionada ao setor da
saúde, (instituições públicas, privadas, cooperativas, instituições particulares de
solidariedade social, centros de reabilitação hospitalar e unidades de cuidados
continuados), com internamento e com objetivo promover a avaliação dos riscos
psicossociais nos locais de trabalho, e incrementar a melhoria da qualidade das
avaliações de riscos existentes.
Neste sentido o Comitê dos Altos Responsáveis da Inspeção do Trabalho (SLIC,
2012), com o apoio da União Européia (UE) recomenda centrar as análises nas
condições psicossociais de trabalho, ter por base um enfoque mais coletivo do que
individual, envolver a participação de todos (trabalhadores e gestão) e desenvolver e
aplicar metodologia e técnicas específicas. Neste sendo, o referido comitê desenvolveu
alguns intrumentos, visando os objetivos acima e que podem ser acessados em
português5
As mudanças requeridas nos ambientes de trabalho ao longo do tempo e do
lugar, mais a heterogeneidade dos ambientes psicossociais do trabalho para as diferentes
ocupações são um objetivo almejado.
A OSHA (2012) refere como medidas que as empresas têm empreendido para
lidar com os riscos psicossociais, em porcentagem: ações de formação (58%, alterações
na forma como o trabalho é organizado (40%), remodelação da área de trabalho,
alterações às disposições do horário de trabalho, aconselhamento confidencial para
trabalhadores, implementação de um procedimento para resolução de conflitos. Pode-se
observar, no entanto, que as medidas mais tomadas não dependem de modificações na
estrutura da organização do trabalho.
É necessário monitorar e melhorar constantemente os ambientes de trabalho
em nível psicossocial, a fim de criar empregos de qualidade e assegurar o bem-estar dos
trabalhadores. Ao desenvolver um modelo integrado de monitoramento de riscos
psicossociais, vários critérios devem ser levados em conta:

2
http://www.woccq.be
3
http://www.insht.es/
4
http://www.hse.gov.uk.stress/standards/downloads.htm
5
Comitê dos Altos responsáveis da Inspecção do Trabalho (SLIC). www.av.se/slic2012
Identificar os indicadores de exposição (e.g., fatores de riscos
psicossociais) resultados de ações preventivas intervenções)
Ilustrar o processo ciclico da gestão de riscos psicossociais;
Identificação das lacunas entre os indicadores disponíveis, que são
considerados necessários para o monitoramento de riscos psicossociais
no trabalho, e o processo de gestão de riscos psicossociais.

O modelo de indicador de riscos psicossociais no trabalho relacionado à ação


preventiva e intervenções denominado PRIMA-EF (2011) (apresentado na Figura 1,
atende a todos os critérios elencados acima:

Fatores Impacto
sociais social

ssoc Impacto
Fatores organizacionais Estresse
organizacional
(incluindo os FPRT) ocupacional

Fatores individuais Impacto


relacionados ao trabalho individual
Características
(incluindo os FRPT) individuais

Ação preventiva e intervenções

FIGURA 1. Modelo PRIMA-EF de indicadores de riscos psicossociais no trabalho


Fonte:. PRIMA-EF (2011)

Problemas de saúde mental e outros distúrbios relacionados ao estresse são


reconhecidos para estar entre as principais causas de aposentadoria mais cedo do
trabalho, as altas taxas de ausência, deterioração geral da saúde e baixa produtividade
organizacional. Uma boa gestão e uma boa organização do trabalho são as melhores
formas de prevenção do estresse
Com a abordagem correta, os riscos psicossociais e o estresse relacionado ao
trabalho podem ser prevenidos e geridos com sucesso, independentemente da dimensão
ou tipo de empresa. Nesse sentido, talvez possam ser tratados da mesma forma lógica e
sistemática que outros riscos de saúde e segurança no local de trabalho.
Cabe acrescentar que esta mesma tarefa não foi fácil para os fatores de risco
físico-químicos (KAUPPINEN; TOIKKANEN, 1996) e também, não será para os
fatores psicossociais de risco Além disso, pesquisa realizada pela OSHA (2012)
reafirma que é mais difícil lidar com fatores psicossociais de risco do que os demais.
Os riscos psicossociais relacionados com o trabalho são considerados como um
dos grandes desafios contemporâneos para a saúde e a segurança dos trabalhadores

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