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SER CRIANÇA NA CLASSE HOSPITALAR: A DIMENSÃO PSICOLÓGICA NA INTERFACE Ser criança na classe hospitalar: a dimensão psicológica na...

EDUCAÇÃO E SAÚDE
MENZANI, Rosana Maria; REGUEIRO, Elisa Maria Gatti. Psicólogas formadas pela Universidade de Introdução acesso à educação escolar (PAULA; ZAIAS, 2009).
Araraquara – UNIARA Oliveira, Filho e Gonçalves (2008) demonstram
O que é a Classe Hospitalar que a Educação Hospitalar oferece assessoria ao
LEIVA, Juliene de Cassia. Docente dos cursos de Psicologia e Pedagogia da Universidade de
A Classe Hospitalar (CH) é uma modalidade desenvolvimento emocional e cognitivo da criança
Araraquara – UNIARA
de atendimento prestada a crianças e adolescentes hospitalizada, sendo uma prática que tende a
internados em hospitais, casas de apoio ou até modificar situações e atitudes junto às capacidades
Resumo mesmo em contextos domésticos adaptados à e disponibilidades de cada paciente. Segundo os
A hospitalização na infância pode alterar significativamente o desenvolvimento dos pacientes assistência médica. Ela parte do reconhecimento mesmos autores a CH foi criada com diferentes
envolvidos, uma vez que restringe as suas relações de convivência, dado o afastamento da família, dos de que a enfermidade afasta jovens e crianças da objetivos, sendo estes:
amigos e da sua escola, substituída por um ambiente onde a dor e a doença podem vir a ser presenças rotina escolar, privando-os da convivência em
constantes. O principal objetivo deste artigo é apresentar, por meio de uma revisão da literatura, a (…) impedir a interrupção do processo
comunidade, o que os submete a riscos em seu de aprendizagem da criança, para que
contribuição da Classe Hospitalar (CH) sobre as dificuldades recorrentes da hospitalização de crianças desenvolvimento. Por isso, procura compensar
em idade escolar, considerando-se os aspectos emocionais, físicos e cognitivos envolvidos neste contexto. futuramente esta possa ser reintegrada à
essas perdas, proporcionando espaços e momentos sala de aula; contribuir para a educação
Com base no levantamento bibliográfico realizado, verificou-se a existência de um consenso sobre os de ensino-aprendizagem (BARROS et al., 2011). da criança e lhe atribuir responsabilidades
benefícios da CH, que, ao promover aprendizagem de conteúdos escolares, concomitantemente participa De acordo com a Política Nacional de Educação educacionais e conscientizar o paciente e a
positivamente do desenvolvimento cognitivo e emocional dos alunos. Especial, a CH se define como: família quanto à necessidade dos estudos
após hospitalização nos casos possíveis.
Palavras-chave: Classe hospitalar; Educação especial; Criança hospitalizada. ambiente hospitalar que possibilita o
atendimento educacional de crianças
Para Calegari-Falco (2007), todo o atendimento
e jovens internados que necessitam de
Being a child in the hospital classroom: the psychological dimension in the education da CH deve ser flexível, de acordo com a condição
Educação Especial e que estejam em
and health interface tratamento hospitalar. (...) as classes e possibilidade do paciente, devendo ser levado
hospitalares devem dar continuidade em consideração o tempo de internação, estado
Abstract psicológico, patológico e sua capacidade de
ao processo de desenvolvimento e
Hospitalization in childhood can significantly alter the development of the involved patients, since it mobilidade. Esse atendimento deverá contribuir
aprendizagem de alunos matriculados em
restricts their relations of coexistence, considering the distance from family, friends and school, replaced para que, mesmo quando hospitalizada, a criança
escola da Educação Básica, contribuindo
by an environment where pain and illness may be frequently present. The main objective of this article para o retorno e reintegração ao grupo mantenha-se conectada ao mundo fora do hospital,
is to present a literature review of the contribution of the Hospital Classroom (HC) to the recurrent escolar, desenvolvendo um currículo para assim participar e aprender, desfrutando de
difficulties of hospitalization of school-age children, considering the emotional, physical and cognitive flexibilizado com crianças, jovens e adultos seu direito básico ao desenvolvimento pleno,
aspects involved in this context. Based on the bibliographical survey, there was a consensus about the não matriculados no sistema educacional considerando suas dificuldades, mas direcionado
benefits of the HC, which, by promoting the learning of school contents, concomitantly participates local, facilitando o posterior acesso à para o seu potencial.
positively in the students’ cognitive and emotional development. escola regular (BRASIL, 2001, p. 4).. Para Taam (1997), a CH sugere uma prática
pedagógica diferenciada da tradicional (trazer
Keywords: Hospital Classroom; Especial education; Hospitalized child. O atendimento educacional para crianças a escola para dentro do hospital), levando em
hospitalizadas vem ocorrendo no Brasil desde consideração o tempo e o espaço no qual a criança
1950, ano em que foi criada a primeira CH no está inserida. Para que essa concepção seja possível,
Hospital Menino Jesus, no Rio de Janeiro e está torna-se necessário que os profissionais da educação
vigorando até hoje (ROLIM; GOÉS, 2009). Para os envolvidos neste contexto tenham a recuperação da
autores, a proposta de escolarização tem o intuito de saúde como objetivo primordial, da mesma forma
diminuir o fracasso e a evasão escolar, utilizando a que todos os profissionais que trabalham no hospital.
metodologia que consiste na atuação de professores Considerando que a criança hospitalizada
em hospitais, nos mesmos moldes da escola regular. permanece em desenvolvimento cognitivo, afetivo
Tendo em vista a importância e necessidade e psicossocial, foram elaborados os Direitos da
do direito à educação de todos, a CH adquire seu Criança e do Adolescente Hospitalizado (BRASIL,
caráter de democratização na continuidade e no 1995) que asseguram diversos direitos (Quadro 1).

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Quadro 1 – Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizado. para o desenvolvimento de programas em que atuam, a fim de reconhecer e respeitar os
Direito a proteção, a vida e a saúde com absoluta prioridade e sem qualquer forma de
de educação em saúde, junto a pacientes limites clínicos da criança. É necessário também
e acompanhantes, tendo em vista que a que o professor tenha conhecimento de todas as
discriminação. referência imediata à doença é elemento dependências do hospital e dos profissionais que
Direito a ser hospitalizado quando for necessário ao seu tratamento, sem distinção de classe motivador para a adoção de comportamentos trabalham na equipe, para encaminhamentos de
social, condição econômica, raça ou crença religiosa. e atitudes que promovam a saúde (BARROS, 2007). emergência, sendo interessante que esse profissional
Segundo Fonseca (1999), no final da década de tenha conhecimento sobre procedimentos básicos de
Direito de não ser separada de sua mãe ao nascer.
1990 existiam no Brasil 39 classes com atendimento socorro. Sendo assim, o professor deve ter um grau
Direito de não sentir dor, quando existam meios para evitá-la. escolar para seus pacientes, alocadas em 30 hospitais, de instrução adequado, para proporcionar à criança
Direito de ter conhecimento adequado de sua enfermidade, dos cuidados terapêuticos e sendo 11 deles infantis. É possível que os números hospitalizada um bom atendimento pedagógico,
fossem maiores, pois as classes hospitalares nem que favoreçam a autonomia e confiança, sempre
diagnósticos, respeitando sua fase cognitiva, além de receber amparo psicológico quando
sempre têm essa denominação e estão ligadas às respeitando suas limitações de saúde e ajudando-
se fizer necessário. mais diversas iniciativas, entre as quais estão os as a ultrapassar barreiras, para que possam viver
Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, projetos experimentais de Secretarias da Educação, normalmente, sem traumas, após a alta médica.
acompanhamento do curriculum escolar durante sua permanência hospitalar. de Secretarias da Saúde, de Universidades e de Fonseca (1999) constatou que 46% dos
Organizações (não governamentais). Os dados professores que atuam dentro dos hospitais possuem
Direito a receber apoio espiritual/religioso, conforme a prática de sua família. nível superior. Em função disso, considera que “(...)
levantados pelo autor mostram que, na maioria
Direito a receber todos os recursos terapêuticos disponíveis para a sua cura, reabilitação das vezes, as classes não tinham um professor as exigências da classe hospitalar impulsionam
e/ou prevenção secundária e terciária. responsável e eram desenvolvidas por bolsistas, estes professores ao aperfeiçoamento”.
estagiários e voluntários. Quanto ao espaço físico, Ferreira (2011) enfatiza que o professor, no
Direito a proteção contra qualquer forma de discriminação, entre outros.
apenas 46% delas funcionavam em salas destinadas ambiente hospitalar, assim como todo profissional
Fonte: BRASIL, 1995. à realização das atividades (23% em ambiente da área da saúde, precisa estar ciente de que uma
exclusivo e 23% em ambiente adaptado), as demais postura profissional inadequada pode prejudicar
O Ministério da Saúde (BRASIL, 2001) divulgou fator que contribui para o enfrentamento do
utilizavam corredores e enfermarias. o aluno-paciente que se encontra em processo de
um documento chamado Programa Nacional de estresse da hospitalização. Esta contribuição é, em
Humanização no Atendimento Hospitalar (PNHAH). parte, alcançada graças ao significado e ao valor Já os últimos levantamentos publicados por escolarização hospitalar. O docente necessita em
O PNHAH nasceu de uma iniciativa do Ministério simbólico da escola na composição das experiências Fonseca (2011) e citado por Saldanha e Simões sua formação de conhecimentos da área da saúde,
da Saúde de buscar estratégias que possibilitassem infantis e juvenis que, então resgatadas apesar (2013) relatam o quantitativo de 128 classes habilidades e técnicas que resultam na competência,
a melhoria do contato humano entre profissional da condição de hospitalização, reequilibram o hospitalares, distribuídas nas diferentes regiões que fazem do profissional da área da saúde um
de saúde e usuário, dos profissionais entre si, e desenvolvimento psíquico daquelas crianças e brasileiras, sendo a região sudeste com o maior especialista consciente dos seus atos.
do hospital com a comunidade, visando o bom adolescentes (BARROS, 2007). número (52), seguida da região sul com 19, nordeste Em dezembro de 2002, o MEC publicou um
funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com Ceccim (1999) e Oliveira 23, centro-oeste 24 e norte 10. Sem contar com documento intitulado como “Classe Hospitalar e
Trata-se segundo Calegari (2003), de um agir (2008), pode-se dizer que é de extrema importância o chamado atendimento domiciliar realizado em atendimento pedagógico domiciliar” (BRASIL,
inspirado em uma disposição de acolher e de respeitar dispor do atendimento de classes hospitalares, abrigos, casas de apoio e residências de alunos 2002), com a tentativa de estruturar ações de
o outro como um ser autônomo e digno. Gonçalves independentemente do período de permanência enfermos, contabilizando 32 instituições que organização do sistema de atendimento educacional
e Vale (1999) comentam sobre a importância na instituição, pois a criança sente que continua oferecem esse serviço. fora do âmbito escolar, promovendo a oferta de
de as crianças doentes estarem envolvidas com aprendendo, dessa forma ela está inserida em atendimento pedagógico também nos espaços
atividades semelhantes às demais crianças de sua algo de grande importância para seu crescimento A Formação do Professor que atua na Classe hospitalares. Desse modo, ressalta que:
idade. Entende-se que frequentando as atividades e desenvolvimento, o que contribui também para Hospitalar
O professor deverá ter a formação pedagógica
pedagógicas educacionais propostas pelas classes a reintegração da criança hospitalizada em sua Para que a relação educação/saúde ocorra bem, preferencialmente em Educação Especial ou
hospitalares, a possibilidade de atenuar expectativas escola de origem após receber alta, pois a criança Ortiz e Freitas (2005) enfatizam alguns requisitos em cursos de Pedagogia ou licenciaturas,
de prejuízos causadas por uma internação tem necessidades educativas e direitas à cidadania, que facilitam essa relação. Primeiramente é ter noções sobre as doenças e condições
hospitalar na infância é bastante significativa. onde se inclui a escolarização. fundamental que os professores conheçam as psicossociais vivenciadas pelos educandos
O atendimento prestado em uma CH é, também, A CH configura-se ainda como espaço patologias mais frequentes na unidade hospitalar e as características delas decorrentes, sejam

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do ponto de vista clínico, sejam do ponto de (criação de processos de integração entre familiar, do tipo de doença e principalmente das trabalho visa aprofundar a pesquisa a respeito da
vista afetivo (BRASIL, 2002, p.23). sociedade, instituições e escolas e provisão atitudes dos profissionais de saúde. De acordo vivência das crianças nas Classes Hospitalares e
de meios para a progressão pedagógico com Baldini e Krebs (1999), diversos sintomas sua importância para a compreensão dos aspectos
Para que tais expectativas se concretizem,
escolar sistemática); (Fonseca, 1999, p.33). podem ocorrer durante a internação de uma criança, emocionais e cognitivos da criança, já que
primeiramente o professor necessita ter acesso
às informações prévias em relação ao estado de De acordo com tais considerações, quanto mais sendo esses: sintomas psicofísicos, como mal- são escassas as informações sobre os aspectos
saúde da criança. De acordo com Fontes (2005), a abrangente for o conhecimento do professor a estar, dores, irritabilidade, distúrbios do apetite e psicológicos inerentes a tal contexto.
pedagogia hospitalar precisa ser entendida como respeito da realidade e possibilidades do aluno, mais sono, estresse, comportamentos regressivos, como
uma proposta distinta da pedagogia tradicional, pois apto ele estará para planejar condições eficazes de reativação da ansiedade de separação, sucção do Objetivo
esta acontece no âmbito hospitalar e devem-se levar aprendizagem e saber lidar com as particularidades polegar, fala infantil, distúrbios alimentares e do O principal objetivo deste artigo é apresentar por
em conta as especificidades desse ambiente. Além sem maiores dificuldades. sono, podendo ocorrer fantasias acerca da doença meio de uma revisão da literatura a contribuição
disso, tem a função de construir conhecimentos e dos procedimentos utilizados no tratamento. da CH sobre as dificuldades recorrentes da
sobre o novo contexto de aprendizagem escolar, para A Criança Hospitalizada Apresentam também ansiedade, passividade, hospitalização de crianças em idade escolar,
contribuir com o bem-estar da criança hospitalizada. Quando internada, a criança se apresenta ansiosa, desesperança, insegurança, negação, fobia, reações considerando-se os aspectos emocionais, físicos e
Não há como negar que o professor da CH será com medo e muitas dúvidas, dessa forma seu histéricas e alucinações acerca das funções corporais. cognitivos envolvidos neste contexto.
o maior responsável por possibilitar que a criança quadro clínico pode se agravar. Assim, a presença Sendo assim, toda forma de brincar, desenhar e
possa ser tratada de sua doença, sem esquecer as de alguém que possa propiciar a compreensão de aprender são importantes meios de compreensão Método
demais necessidades pessoais. Assim, o contato sua situação e mostrar que este momento não a do que se passa com o estado emocional da O estudo trata-se de uma revisão de literatura
com a escolarização em ambiente hospitalar faz do impossibilita de realizar diversas atividades, com criança. É também uma situação em que pode-se que consiste na construção de uma análise ampla
hospital também uma agência educacional, para que as quais estava acostumada no seu cotidiano, pode entender o mundo que a cerca e elaborar conflitos da literatura tendo como propósito inicial obter
se desenvolvam atividades que permitam à criança contribuir para sua aceitação quanto ao tratamento e frustrações, pois as crianças, inclusive as doentes, um profundo entendimento de um determinado
a construção de um percurso cognitivo, emocional e consequentemente à melhora geral da criança têm necessidade de brincar, se movimentar, de fenômeno baseando-se em estudos anteriores
e social, para manter uma ligação com a vida (CALEGARI-FALCO, 2007). aprender, como forma de compreensão do mundo (BROOME, 2000). Para identificar os artigos
familiar, sem desconsiderar a realidade no hospital. A internação de uma criança é vista como uma externo e interno. Para Ortiz e Freitas (2005), a realizou-se uma busca nas bases de dados eletrônicas:
No que se refere às estratégias de crescimento situação bastante delicada, tanto para a criança quanto hospitalização é um processo de desestruturação Google Acadêmico e Scielo Brasil. Foram utilizados
cognitivo e intelectual, a CH oferece à criança para sua família. Assim, durante esse processo, vários do ser humano, que se vê em estado de permanente como descritores os termos: Classe Hospitalar,
ferramentas de comunicação com outras pessoas fatores estão em evidência, como as mudanças de ameaça. Outros autores também citam vários Psicologia Hospitalar, Educação Especial e
de sua idade e com outros pacientes, oferecendo ambiente físico e psicológico (OLIVEIRA, 1999). efeitos psicológicos decorrentes da hospitalização, Criança Hospitalizada, sem restrição, em um
jogos e entretenimentos, garantindo a continuidade Segundo Vygotsky (1989), desde o nascimento, como respostas de culpa, sensação de punição, primeiro momento, quanto às datas de publicação.
didática com a escola de origem, o que favorece a a criança está em constante interação com o adulto, ansiedade e depressão. Estes efeitos podem ser O levantamento inicial nos levou a 34 artigos
elaboração de novos projetos de vida enquanto a que é o mediador que assegura os meios necessários os causadores de intenso descontrole emocional científicos. Para seleção inicial desses artigos foi
criança ou adolescente estão internados. para sua sobrevivência e que demonstram como da criança doente e atinge as diferentes etapas realizada uma leitura exploratória, com a intenção
Nesse sentido, Fonseca (1999) indica que: devem ser as relações com o mundo. Dessa forma, do desenvolvimento. Sintomas como febre, dor, de comprovar que o material tratava da temática
A classe hospitalar ratifica e afirma o acesso a hospitalização prolongada pode causar danos ao distúrbios da consciência, fadiga, angústia, podem CH. Após a leitura inicial, foram selecionados
da criança ou adolescente aos direitos de desenvolvimento emocional e social de crianças ser provocados tanto pela própria doença, quanto apenas os trabalhos publicados no período de 2004
cidadanias relativas à saúde e à educação, e adolescentes, pois impede as experiências pela ideia que a criança faz dela (CHIATTONE, a 2012 e que referiam expressões relacionadas
conforme estipulam a Constituição Nacional, concretas de vida, essenciais ao desenvolvimento, 1 9 9 8 ; G O N Ç A LV E S ; VA L L E , 1 9 9 9 ) . aos objetivos deste estudo, envolvendo CH e
o Estatuto da Criança e do Adolescente, a ou seja, a criança deixa de participar de todo o Sendo assim, este estudo buscou considerar o Criança Hospitalizada, excluindo-se os artigos
Lei Orgânica da Saúde e a Lei de Diretrizes
ambiente social, familiar, cultural em que convive conhecimento a respeito do ambiente estimulador que não relatavam os aspectos físicos, cognitivos
e Bases da Educação Nacional, em que
o atendimento a saúde deve ser integral
normalmente e que são mediadores para a sua da criança hospitalizada, destacando a interface das e emocionais da criança. A partir desse corte, uma
(promoção, prevenção, recuperação, aprendizagem e desenvolvimento. ações da área da educação e da saúde e explorando nova seleção excluiu 23 artigos, os quais, apesar
reabilitação e educação da saúde) e a As reações da criança à doença e à hospitalização a importância da CH e sua cooperação à criança de úteis para a compreensão do tema inicial, não
educação escolar deve ser adequada às dependem do nível de desenvolvimento psíquico hospitalizada. se referiam expressamente a temática da criança
necessidades especiais dos educandos na ocasião da internação, do grau de apoio Considerando tal realidade, justifica-se que esse hospitalizada em situação de CH.

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Dessa forma, a amostra analisada foi composta os critérios de levantamento de dados, inclusão e Quadro 2 – (cont.) Estudos apresentados na revisão bibliográfica.
por 11 artigos de periódicos científicos nacionais exclusão estabelecidos no presente estudo, foram Fontes e Contribuir para o debate P e s q u i s a A aprendizagem como elemento Educação
e internacionais, dispostos no Quadro 2. selecionados 10 artigos de periódicos nacionais Va s c o n c e l l o s sobre a temática educação de Campo- propulsor do desenvolvimento
e 1 de periódico internacional. Esta revisão (2007) no contexto hospitalar. Observação ganha novos contornos em
Resultados e Discussão evidenciou as contribuições da CH na saúde e no participante uma enfermaria pediátrica.
desenvolvimento de crianças hospitalizadas. Com (qualitativa) Além de resgatar a autoestima,
Este estudo consistiu numa revisão de literatura
o a ato de aprender gera
e teve como principal interesse compreender a base nesses dados o Quadro 2 ilustra as informações
conhecimentos que contribuem
dimensão psicológica da interface do papel da provenientes dos artigos avaliados nesta revisão. para que a criança reflita sobre
educação e da saúde da criança hospitalizada, Em termos de demanda, Barros, Gueuideville e sua doença e as causas de um
encontrada na modalidade de CH. De acordo com Vieira (2011) perceberam um contínuo na produção possível desconforto emocional,
diminuindo a tensão de uma
Quadro 2 – Estudos apresentados na revisão bibliográfica. hospitalização.
Freitas e Zardo Discutir a educação Estudo teóricoOs autores apontam para a Educação
Autor/ Ano Objetivo
Método Conclusão Área de (2007) em classes hospitalares necessidade de desenvolver uma
Publicação Estudo em vista da crescente atitude sustentada na crítica do
expansão desses ambientes paradigma hegemônico e de
D o r n e l l e s , Compreender os aspectos P e s q u i s a A hospitalização é sentida Educação educacionais. invenções credíveis de novas
Figueira e da educação quando Bibliográfica
como a ruptura do processo de formas de conhecimento e
Saccol (2004). a criança se encontra desenvolvimento, interferindo organização em ambientes
hospitalizada. na qualidade de vida e na rotina educacionais hospitalares que
da criança e em sua estrutura primem pelo atendimento
familiar. A partir da CH a integral a criança hospitalizada.
criança minimiza os sofrimentos Cardoso (2007) Discutir a experiência de Relato de A ética humana, segundo Educação
impostos pela hospitalização. um projeto de extensão experiência a pesquisadora é essencial
Conclui ainda que, a educação e de estágio curricular, à formação do profissional
e a saúde devem andar juntas a desenvolvido junto ao integrado da Classe Hospitalar.
fim de propiciar a promoção da Setor de Pedagogia do
vida da criança hospitalizada. Hospital Infantil Joana
Fontes (2006) Refletir sobre a atuação de Pesquisa A educação possibilita à criança Educação Gusmão (HIJG).
professores em hospitais de Campo - “ressignificar” sua vida e o Filho, Gonçalves Discutir sobre a CH como Ensaio Os pesquisadores concluíram Educação
e compreender o lugar observação espaço hospitalar, que através e Oliveira (2008) uma modalidade de ensino que a CH é o resultado do
da educação na saúde de participante de uma escuta pedagógica em Educação Especial reconhecimento de que as
crianças hospitalizadas. (quantitativa) atenta e sensível, colabora para crianças hospitalizadas possuem
o resgate da subjetividade e da necessidades educativas e
direitos de cidadania que devem
autoestima.
Munhóz e Ortiz Refletir sobre os efeitos da Estudo de caso A partir do enfoque pedagógico Educação ser respeitados.
(2006) internação hospitalar nos (investigação e lúdico, foi observado um Passeggi e Compreender a Classe Ensaio O adoecimento pode levar à Educação
processos de aprendizagem qualitativa) significativo avanço nos Rocha (2010) Hospitalar como um criança a desistir de sua história,
e desenvolvimento de estágios das operações mentais espaço de diálogo entre a vista disso é importante que
crianças hospitalizadas. da criança e uma superação áreas da Educação e da a educação e saúde atendam
no quadro das dificuldades de Saúde, para que assim, se juntas, para que a criança
aprendizagem. ofereça um atendimento mantenha-se vinculada ao seu
mais significativo para cotidiano. Intencionando um
o desenvolvimento da espaço de sociabilização e
criança. valorização da autoestima, com
o mínimo de prejuízo cognitivo
►► e emocional. ►►

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Quadro 2 – (cont.) Estudos apresentados na revisão bibliográfica. de educação, pois apesar de o ambiente hospitalar por meio de atividades pedagógicas em que a criança
ser caracterizado por medo, dor e mágoas, a CH traz tenha oportunidade de se expressar livremente. Ao
B a r r o s , Descrever o perfil da Pesquisa Os principais resultados Educação
à tona a possibilidade de reconstrução de vida. O dialogar, a criança expõe seus medos, ansiedades
Gueudeville e publicação científica documental, evidenciaram que dos 47
brasileira sobre a temática
artigo também relata a importância do contato entre e organiza seus pensamentos, contribuindo para
Vieira (2011) alicerçada artigos encontrados, 22 foram
da escolarização em metodologi- classificados como sendo profissionais da saúde e da educação, pois ambos que o sujeito retome o controle da situação e
hospitais. camente na oriundos de pesquisa original, visam uma só busca e um só olhar: a promoção da favoreça seu autoconhecimento. Igualmente, o ato
Análise do apenas dois periódicos vida da criança hospitalizada. de aprender resgata o sentimento de autoestima
Conteúdo encontravam-se indexados, Fontes (2006) constatou que, através de palavras, na criança, fortalecendo seus desejos e ações,
em todas as bases de dados gestos e comportamentos, ocorreram sensíveis diante dos procedimentos invasivos e dolorosos
consideradas em relevância e as mudanças na forma como as crianças reagiram de um tratamento médico. Nesse sentido, a ideia
publicações foram originadas, à hospitalização e à doença. Os pesquisadores de “escola”, aliada a brincadeiras, surge como
em sua grande parte de perceberam que a proposta da educação junto à uma importante referência à infância no contexto
pesquisadores estabelecidos em
criança pode resgatar sua subjetividade, já que a hospitalar, pois, ao aprender brincando, as crianças
instituições federais de ensino
superior. criança, ao ser hospitalizada, não deixa de ser criança resgatam a vivência de infância que foram obrigadas
Collet, Holanda Investigar a acepção da Pesquisa de Os resultados mostraram que há Saúde por se tornar paciente, e se caracteriza por intensa a abandonar, mesmo que temporariamente, em
(2012) vivência do processo Campo – uma dualidade de interpretações atividade emocional, movimento e curiosidade. função da doença.
educacional da criança Exploratório- por parte da família e que o Segundo a autora, a educação no hospital precisa Como pontuam Freitas e Zardo (2007), a CH
hospitalizada com doença descritivo poder público não tem dado a
garantir, mesmo que associada à doença, o direito aparece como espaço responsável pela promoção de
crônica, sob a ótica da (qualitativa) devida importância as Classes
família. Hospitalares no Brasil.
a uma infância e desenvolvimento saudáveis. situações nas quais são valorizadas as inquietudes
Gomes e Rubio Desenvolver um estudo Ensaio Conclui-se que a CH é positiva Educação Ainda com relação às mudanças, Ortiz e existenciais das crianças hospitalizadas, onde se
(2012) sobre a relevância da no desenvolvimento da Munhóz (2006) observaram que com a intervenção busca, durante a internação, considerar a condição
inserção do ambiente criança hospitalizada, por ser educativa realizada, o grupo de alunos-pacientes humana da criança. Afirmam ainda que a CH
escolar na vida da criança responsável por uma possível estendeu seu círculo de convivência, ampliando as possibilita que a criança continue a construção
hospitalizada. ligação com o mundo deixado trocas afetivas com os pares, professores e equipe de conhecimentos – sistematizados ou não –
fora do hospital. de saúde, comportamento que, provocou uma buscando a reintegração desse sujeito na escola e
Fonte: Elaboração própria com base nos dados coletados. mudança na qualidade da sua visão de mundo, na sociedade após a finalização do tratamento. É
científica sobre a CH nos anos de 1997 a 2008, Saccol (2004), é apontado que a hospitalização bem como os auxiliou durante a internação, já que primordial que haja a articulação entre educação e
porém essa produção ainda é tímida, o que sinaliza produz sentimentos de desvalorização, decorrentes tiveram que conviver com um novo ambiente e saúde, na tentativa de considerar a complexidade da
uma falta de estímulos à reflexão teórica e prática das limitações ocasionadas pela doença, gerando com novas normas, que antes desconheciam. Com criança hospitalizada e a necessidade de aprimorar
desse fenômeno. Os pesquisadores perceberam que na criança baixa auto-estima. Os autores afirmam base nesses resultados, os autores consideram que os atendimentos a partir da análise de como se
poucos foram os artigos que estavam indexados que a experiência da hospitalização pode acarretar a ação pedagógica lúdica projetada para as classes estruturam esses ambientes educacionais.
em bases de dados e que poucos eram também efeitos menos negativos quando essas crianças hospitalares revela-se como uma tarefa eficiente, Cardoso (2007) atenta para a ética humana,
os artigos que possuem critérios que evidenciem estão em contato com outras crianças, que cuja responsabilidade social revela uma contribuição como essencial ao profissional responsável por
produções de qualidade. Os autores afirmam que a também estão acometidas pela doença, pois esse para auxiliar na construção do sujeito que, apesar dar continuidade à educação de crianças em
CH, enquanto um espaço de intervenção, precisa contato pode melhorar a qualidade de vida dessas de fragilizado em sua saúde, tem potencialidades ambiente hospitalar. A autora, ao transcrever e
amadurecer e ser legitimada, conforme as pesquisas crianças. São citados no artigo alguns efeitos a serem estimuladas e desenvolvidas. analisar um relato de experiência, pôde perceber
evidenciarem os ajustes necessários. Desse psicológicos ocasionados por consequência da Confirmando tais ideias, Fontes e Vasconcellos que os futuros professores encontravam crianças
modo, a escolarização hospitalar para crianças e hospitalização, entre eles: negação da doença, (2007) defendem que o papel da educação que, embora doentes, buscam a CH como lugar
adolescentes hospitalizados se converteria não revolta, ansiedade, depressão, solidão, frustração para a criança hospitalizada, é o de estimular a de sociabilidade, de encontro com o outro e de
só em cumprimento dos direitos, já evidenciados de sonhos e negativismo. Desta forma, a CH aprendizagem que impulsiona o desenvolvimento alegria. A pesquisadora classifica a CH como um
antes, como também no enriquecimento teórico- existe para tornar a ruptura da vida diária menos humano, tornando o ambiente hospitalar menos refúgio, que permite, senão “esquecer” a condição
metodológico dessa área do saber. dolorosa, promovendo bem-estar no ambiente de hostil. A fala como canal de expressão e instrumento de adoecimento, pelo menos vivenciar outras
No estudo realizado por Dorneles, Figueira e internação, proporcionando um ambiente social e da constituição do pensamento, deve ser estimulada experiências que não as relativas a essa condição,

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como o afastamento de seu contexto familiar e de de referência de tratamento de saúde, que gera um Dentre os artigos selecionados, percebe-se que entretanto, permanece desconhecido o motivo da
socialização, os sintomas da doença que a acomete ambiente de dor, sofrimento e morte. Nesse contexto, os métodos de pesquisa utilizados são variados, mesma, seja pela atualidade do tema ou pela carência
e aos procedimentos hospitalares. a CH vêm buscando recuperar a socialização da evidenciando que é possível realizar pesquisas de conhecimento sobre o mesmo por profissionais
Segundo estudo de Filho, Gonçalves e Oliveira criança, estimulando a autoestima, identificando interessantes sobre a temática, com a utilização da área e até mesmo pela sociedade. Assim sendo,
(2008), a CH é abordada como uma modalidade superação de possíveis dificuldades. Esses autores de diferentes procedimentos de coleta e análise sugere-se a realização de novos estudos que possam
de ensino e educação especial, dessa forma a CH concluíram, a partir das informações coletadas, de dados. Os métodos encontrados nessa pesquisa subsidiar uma discussão mais específica sobre o tema.
não pode ser vista apenas como um espaço de sala que a CH se torna uma oportunidade de expressar foram: uma revisão bibliográfica, quatro pesquisas
de aula, mas como um atendimento especializado, carinho e atenção, podendo assim levar um pouco teóricas, sendo três delas no formato de ensaio, cinco Referências bibliográficas
em que o trabalho caracteriza-se pela diversificação do mundo externo até as crianças e adolescentes pesquisas de campo, dentre elas duas intituladas
de atividades, pois o ambiente da CH necessita ser envolvidos, contribuindo de forma positiva para observação-participante, uma pesquisa exploratório- BALDINI, Sonia Maria; KREBS, Vera Lúcia
diferenciado, sendo um lugar acolhedor, com alegria que elas mantenham uma ligação com o mundo descritiva, uma pesquisa documental alicerçada Jornada. A criança hospitalizada. Pediatria,
e aconchego, que deve conter estimulações visuais, de fora do hospital (GOMES e RUBIO, 2012). metodologicamente na análise do conteúdo, v.21, n.3, p. 182-190, 1999. Disponível em:
brinquedos e jogos, pois é através disso que as Em contrapartida, algumas famílias, segundo um relato de experiência e um estudo de caso. http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/index.
crianças encontram uma maneira de viver a situação Collet e Holanda (2012), não dão a devida Predomina na literatura consultada a conclusão php?p=html&id=421. Acesso em: 02 fevereiro
da doença. Por conta disso, a CH faz com que haja importância à continuidade dos estudos da criança de que a hospitalização é sentida pela criança 2013.
uma diminuição do risco de comprometimento hospitalizada, mesmo após o fim do tratamento, como um fato que interfere na sua rotina e em
mental, emocional e físico dos enfermos, o que contribuindo para o abandono escolar. E alguns sua estrutura familiar e que a CH contribui para o BARROS, Alessandra Santana
requer, conforme as autoras, um planejamento casos em que a criança relata o desejo de voltar resgate da sua autoestima e da sua subjetividade, Soares. Contribuições da educação profissional
para enfrentar os desafios inerentes ao trabalho. para a escola, a família apresenta sentimentos mantendo-a vinculada ao seu cotidiano e em saúde à formação para o trabalho em classes
Dentre os estudos analisados, Passeggi e de preocupação com relação às inquietações intencionando um espaço de sociabilização. hospitalares. Caderno CEDES, v.27, n.73, p.
Rocha (2010) relatam a importância da inserção que a própria criança demonstra, por ocasião do Torna-se notável nos artigos as possibilidades que 257-278, 2007. Disponível em: http://www.
da CH, para que haja o mínimo de prejuízos afastamento dos estudos. Os autores destacam ainda a CH oferece, criando autonomia e confiança para scielo.br/pdf/ccedes/v27n73/02.pdf. Acesso em:
cognitivos e emocionais na criança após sua alta. que a escolarização de crianças hospitalizadas não as crianças, possibilitando além da continuidade 13 setembro 2012.
As autoras reafirmam o direito da continuidade tem merecido devida atenção por parte do Poder dos estudos, a qualidade de vida e de internação
da escolarização, pois o hospital também deve Público e que no Brasil, especialmente no Norte e de crianças e adolescentes, mantendo um vínculo BARROS, Alessandra Santana Soares e;
ser um ambiente apropriado para a construção de Nordeste, a implantação desta modalidade ainda é social saudável entre professores e alunos, como GUEUDEVILLE, Rosane Santos; VIEIRA,
conhecimentos e desenvolvimento cognitivo, afetivo incipiente. Apontam a necessidade de implantação também com a equipe de saúde e a família. Sônia Chagas. Perfil da publicação científica
e emocional. A pesquisa evidencia a importância do de classes hospitalares, a fim de contribuir para um Apesar dos estudos interessarem a quase brasileira sobre a temática da classe hospitalar.
diálogo entre profissionais da educação e da saúde, melhor enfrentamento da doença, da hospitalização todas as áreas da saúde, que lidam com crianças Revista Brasileira de Educação Especial, v.17,
para que nesse contexto a CH seja um elo entre e de auxiliar no processo de cura e recuperação, e adolescentes hospitalizados, percebe-se que n.2, p.335-354, 2011. Disponível em: http://
instâncias educativas e hospitalares. Tendo em vista frisando que o fato de se encontrarem em nos artigos analisados a área de atuação em www.scielo.br/pdf/rbee/v17n2/a11rbeev17n2.pdf.
o desenvolvimento pleno da criança hospitalizada, adoecimento, não necessariamente tira das crianças Educação é a que mais se destaca, podendo ser Acesso em: 30 outubro 2012.
enfatizam também a necessidade de a criança saber suas capacidades intelectuais, nem seu senso crítico. justificada por ser umas das poucas áreas que
o que está acontecendo com ela, para que, de uma Os artigos pesquisados demonstram uma incorporam a CH em suas bases teóricas e práticas. BRASIL, Ministério da Educação. Classe
forma menos dolorosa, consiga entender a rotina preocupação por parte dos pesquisadores em hospitalar e atendimento pedagógico
do hospital. Para tanto, os profissionais envolvidos contribuir para o debate da temática Educação Conclusão domiciliar: estratégias e orientações. Secretaria
devem ajudá-las com a viabilização de possíveis n o c o n t e x t o h o s p i t a l a r. A m a i o r i a d o s Conclui-se que a CH auxilia de modo de Educação Especial. Brasília: MEC; SEESP, p.
estratégias de enfrentamento. objetivos das pesquisas encontradas envolve geral no desenvolvimento físico, cognitivo 1-38, dez. 2002. Disponível em: < http://portal.
Corroborando o tema, Gomes e Rubio (2012) a compreensão do impacto da CH na vida da e emocional das crianças, ainda que tenha mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/livro9.pdf>.
realizaram uma pesquisa mencionando que a CH criança hospitalizada, levando em consideração como objetivo primário minimizar prejuízos Acesso em: 30 outubro 2012.
deve proporcionar autonomia e confiança, ajudando aspectos de saúde física e emocional, elencando e interrupções na vida escolar das mesmas.
a criança a viver sem traumas psicológicos após a alta contribuições para o desenvolvimento infantil Pode-se perceber a escassez dos trabalhos sobre BRASIL. Conselho Nacional de Educação
médica. A pesquisa cita que o hospital é um centro e de sociabilização da criança e do adolescente. a criança em situação de educação hospitalar; - Câmara de Educação Básica (CNE/

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