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10/05/2018 Pedagogia Hospitalar: Histórico e legislação da pedagogia hospitalar

Histórico e legislação da pedagogia hospitalar

Este texto se trata de um trabalho desenvolvido por Fujishima, do curso de


Pedagogia da Faculdade Fortium, na qual teve por escolha o tema “Pedagogia Hospitalar
e a Utilização do Lúdico na Área Pediátrica”, para seu trabalho de conclusão de curso, na
qual apresenta informações importantes para entender como teve inicio a questão do
Pedagogo na Instituição Hospitalar.

BREVE HISTÓRICO SOBRE A PEDAGOGIA HOSPITALAR


A Pedagogia Hospitalar teve seu inicio em 1935, quando Henri Sellier (1935),
inaugurou a primeira escola para crianças inadaptadas, nos arredores de Paris. Na colônia
portuguesa a sociedade considerava a valorização do corpo perfeito, sendo que se
nascessem crianças deficientes, seriam sacrificadas. Com o surgimento da Idade Média,
não se matavam mais os deficientes, mas o mesmo era marginalizado, pois para a Igreja
estes cristãos era fruto do pecado. Sendo surgiram as Santas Casas de Misericórdia, onde
foi criado o primeiro atendimento escolar à pessoa deficiente.
No início do século XX, as pessoas com necessidades especiais já podiam contar
com algumas conquistas, tais como, possibilidade e a necessidade da prevenção,
educabilidade do deficiente, integração do deficiente como meio e fim, acesso à educação
(surgimento das classes hospitalares).
O Ministério da Educação elaborou junto à Secretaria Especial, um documento
orientador, que compreendia estratégias e orientações no sentido de viabilizar a promoção
do atendimento pedagógico em classes hospitalares.
Neste documento ressalta que criança e o adolescente precisavam sentir que o
ambiente hospitalar era diferenciado, pois o desenvolvimento de ações educativas vinham
para complementar sua ausência em sala de aula, sendo um ambiente acolhedor, com
atividades visuais e lúdicas, preenchendo assim a lacuna da privação do convívio escolar
e familiar, pois a falta dessa relação podia acarretar prejuízos à criança e ao adolescente
hospitalizado, Santos (1999).

A Legislação na qual Garante o Direito á Educação da Criança e do


Adolescente Hospitalizado

A necessidade de criação de Classes Hospitalares já é reconhecida na legislação


brasileira, como um direito às crianças e adolescentes hospitalizados. o Brasil reconheceu
a legislação por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente Hospitalizado, a
Resolução nº. 41 de outubro e 1995, no item 9, o “Direito de desfrutar de alguma forma
de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar
durante sua permanência hospitalar. DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 17/10/95 - Seção I,
p.163/9-16320 - Brasília - Distrito Federal.

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Um tempo depois, institui-se a Política Nacional de Educação Especial (BRASIL,


1994), na qual inseriu o termo “classes hospitalares”, atribuindo importância à
responsabilidade da execução do direito das crianças e adolescentes hospitalizados no que
pertence à educação. Criou-se, também, a Resolução n. 41/95 (BRASIL, 1995), na qual
relata especificamente sobre os Direitos das crianças e dos adolescentes hospitalizados,
dentre eles o direito à educação com destaque ao acompanhamento do currículo escolar
durante sua permanência hospitalar.
Posterior a esse processo, por meio da Resolução do Conselho Nacional da
Educação (BRASIL, 2001), instituiu-se as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial
na Educação Básica. Na qual reaparece a preocupação com as classes hospitalares e
atendimento domiciliar de maneira mais sistemática. Em seu artigo 13, essa Lei destaca a
necessidade da ação integrada entre a escola e sistemas de saúde para a continuidade da
aprendizagem, fato este que contribui para o retorno da criança/adolescente e reintegração
ao grupo escolar por meio de um currículo flexibilizado.
Em 2002, é promulgado outro documento intitulado “Classe Hospitalar e
Atendimento Pedagógico Domiciliar: estratégias e orientações”, publicado pelo MEC
(BRASIL, 2002), com objetivo específico de estruturar ações, políticas de organização do
sistema de atendimento educacional em ambientes hospitalares e domiciliares.
O atendimento pedagógico hoje é ampliado a todas as crianças e adolescentes com
problemas de saúde ou até mesmo hospitalizado portadores ou não de deficiência, sendo
reconhecido por lei por meio do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente (1999), tendo o direito de usufruir alguma forma de brincadeira, recreação,
leituras, programas de educação para a sua saúde e ser acompanhado pela escola durante
sua permanência no hospital.
De acordo com Matos e Mugiatti (2007), a criança hospitalizada pode sofrer
grande alteração no seu desenvolvimento infantil com o afastamento das suas atividades
escolares, uma vez que restringe as relações de convivência com sua família, de sua casa,
de seus amigos e também de sua escola. Outra situação agravante é que os pais
geralmente não dão à atenção a continuidade dos estudos dos filhos que estão
hospitalizados mesmo durante o tratamento e, às vezes, muitos pais nem conhecem as leis
que as ampara.

Conceito da Pedagogia Hospitalar


Segundo a nomenclatura do MEC (Brasil, 2001), a Classe Hospitalar é o
atendimento pedagógico educacional de alunos que, em razão de tratamento de uma
enfermidade, estejam hospitalizados. Essa Classe Hospitalar não pode ser olhada como
uma sala de aula comum, mas sim como um atendimento pedagógico especializado, na
qual atende crianças e adolescentes internados em enfermarias pediátricas ou em
ambulatórios de especialidades, ou seja, o ambiente da Classe Hospitalar precisa ser
diferenciado, têm que ser acolhedor, com estímulos visuais, brinquedos e jogos, para ser
alegre e aconchegante.
Pensando no profissional que ira trabalhar neste ambiente com essas
crianças/adolescentes, não se pode deixar de considerar que esse pedagogo seja um

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profissional que tenha uma formação, pois é através de diversas atividades pedagógica
que ele ira proporcionar um elo entre a realidade hospitalar e a vida cotidiana da criança e
do adolescente. Por isto da necessidade de uma formação continuada para esses
profissionais para proporcionar a eles o desenvolvimento de novas habilidades para
enfrentar essas demandas.
De acordo com o Conselho Nacional de Educação, por meio da Resolução Nº. 1
de 15 de maio de 2006 no artigo 5º parágrafo IV, afirma que o profissional egresso do
curso de Pedagogia deverá estar apto a “trabalhar, em espaços escolares e não-escolares,
na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento
humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo”, como empresas,
movimentos sociais organizados, instituição prisional, hospitais e dentre outros que seja
usado uma ação educativa de plena consciência e muito planejada.
Essa Pedagogia Hospitalar precisa ter uma parceria entre os educadores,
profissionais da saúde, família e escola, para assim poder ajudar as crianças e os
adolescentes superarem as dificuldades ocasionadas pela doença, proporcionando uma
recuperação aliviada por meio de atividades lúdicas, pedagógicas e recreativas. Através
da recreação, promover um elo entre a criança ou do adolescente hospitalizado com o
mundo que ficou fora do hospital.
Para Fonseca (2003, p.58), “a sala de aula do hospital é a janela por onde a criança
e o adolescente conectam com o mundo.” Sendo papel dos pedagogos atenderem as
dificuldades das crianças e dos adolescentes, propondo a realização do processo
educativo, levando atividades diversificadas de escritas, leitura, matemática e jogos para
garantir o desenvolvimento intelectual e acompanhamento escolar.
No Documento Classes Hospitalares (2002), diz que para haver um bom
desempenho no ambiente educacional hospitalar é preciso estar disponibilizados recursos
audiovisuais, como computador, televisão, máquina fotográfica, filmadora, videokê,
telefones, antena parabólica digital e aparelho de som com CD etc. Tais recursos se fazem
essenciais tanto ao planejamento, desenvolvimento e avaliação do trabalho pedagógico,
quanto para o contato efetivo da classe hospitalar, seja com a escola de origem do
educando, seja com o sistema de ensino responsável por prover e garantir seu acesso
escolar. Da mesma forma, a disponibilidade desses recursos propiciarão as condições
mínimas para que o educando mantenha contato com colegas e professores de sua escola,
quando for o caso.
Outra questão importantíssima que o hospital precisa considerar é a possibilidade
de ter uma Brinquedoteca. O brincar é de suma importância para o desenvolvimento da
criança fazendo com ela tenha sempre novas competências para aprender a lidar com suas
habilidades e sobre si mesma. Sendo assim a brinquedoteca é um desafio para poder
resgatar brincadeiras tradicionais dando as crianças o desafio de descobrir o que ela ainda
não sabe. A atividade lúdica é de extrema importância, pois as crianças e os adolescentes
internados estão frágeis e precisam de uma motivação para tentar dar a volta por cima à
situação que se encontram, e por meio das brincadeiras, dos jogos, as crianças se
descontraem, sorriem, criam e inovam, esquecendo, por alguns instantes, a dor que estão
passando.

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De acordo com Montessori (1994), um determinado jogo pode atender de tal


forma a uma necessidade interior da criança, polarizando sua atenção que, ao largar o
jogo, está mais calma e relaxada, podendo até passar a ter comportamento mais
equilibrado. Ou seja, nesse ambiente a criança continua aprendendo e se desenvolvendo,
interagindo e submetendo-se a novas experiências, mas brincando.
A brinquedoteca hospitalar propõe-se em remediar um pouco a dor das crianças
internadas, proporcionando-a momentos de alegria, descontração, prazer e conhecimento,
por meio da socialização com outras crianças na mesma situação que a sua.
Desse modo, é importante que o pedagogo desenvolva senso crítico para analisar a
aplicação das atividades planejadas para atender alunos que enfrentam a hospitalização.
Sem dúvida, é indispensável que o pedagogo hospitalar planeje suas atividades e aplique-
as de forma consciente, visando melhoria na qualidade de ensino e formando cidadãos
mais preparados para a sua realidade humana.

Considerações finais
Pode-se considerar que implantação da Classe hospitalar nos hospitais tem a
intenção de integrar a criança doente no seu novo modo de vida, dentro de um ambiente
acolhedor e humanizado, mantendo contato com seu mundo exterior, privilegiando suas
relações sociais e familiares. Conforme analisado no artigo, esta modalidade de educação
dá oportunidade para as crianças e adolescentes internados de garantir a continuidade
escolar, mesmo de forma diferenciada, estimulando suas capacidades e assim diminuir o
tempo de internação e até o trauma hospitalar.
Fica evidente que Pedagogia Hospitalar, tem sido de muita importância para a
pedagogia, considerando que a atuação do pedagogo não restringe ao espaço escolar
formal, mas em todas as áreas do conhecimento. Sendo possível através de diversas
atividades pedagógicas fazer um elo entre a realidade hospitalar e a vida cotidiana da
criança intervinda no seu processo de aprendizagem dando subsídios para a sua
compreensão e na sua adaptação hospitalar.
Por isso é indispensável que o pedagogo hospitalar realize suas atividades e
aplique-as de forma consciente, visando melhoria na qualidade de ensino e formando
cidadãos mais preparados para a sua realidade humana.

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