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20/04/2016

Transcrição por Lia



AMC
Introdução à anatomia radiológica e métodos diagnósticos de imagem
José Kawazoe Lazzoli (jkl@uninet.com.br)

Tópicos abordados
1) Revisão a introdução ao estudo da anatomia
2) Introdução a telerradiografia
3) Tomografia computadorizada
4) Ultrassonografia
5) Ressonância magnética

1) Introdução ao estudo da anatomia
É muito importante ter em mente os conceitos iniciais de anatomia, pois eles são usados a todo o
momento nos exames de imagem.

Planos
- Mediano (divide em duas metades – direita e esquerda)
- Sagitais (são os planos paralelos ao mediano)
- Frontal (corta no sentido latero-lateral em anterior e posterior)
- Plano transversal ou horizontal (corta no sentido latero-lateral em superior e inferior)
Eixos
- Sagital (anteroposterior)
- Longitudinal (sentido craniocaudal)
- Transversal (sentido latero-lateral)

Termos de posição e direção
- Medial, intermédio e lateral - quando falamos de antebraço, usamos os termos ulnar e
radial; para perna, usamos tibial e fibular
- Anterior (ventral) e posterior (dorsal) – falando de mão, podemos usar os termos palmar e
dorsal e para pé, plantar e dorsal
- Superior (cranial), médio e inferior (caudal)
- Proximal, médio e distal (termos usados, por exemplo, para dividir um osso longo. Fala-se
em relação à origem do membro do osso)
- Superficial e profundo
- Interno e externo

2) Telerradiografia (Raio-X)
- Termo tecnicamente correto para o raio-x
- A imagem é formada pelos raios-x (radiação ionizante). Por isso, não podemos usar o exame
desnecessariamente, pois a radiação ionizante, a partir de determinada quantidade, não é
mais inócua. Por isso, faz-se necessário proteção com o anteparo de chumbo para os
técnicos e até um protetor de tireoide para o paciente. É absolutamente contraindicado
fazer raio-x em uma gestante, a não ser que seja uma necessidade imensa. A longo prazo,
quem se expõe muito pode ficar estéril, ter câncer de tireoide e outros problemas. O raio-x
pode ser carcinogênico e teratogênico.
- Paciente – ampola emissora de raio-x – filme digital (hoje em dia) = imagem
- O mais escuro (preto) indica que mais raio-x atravessou, chegando ao fundo (ex.:
predominantemente ar) = hipertransparente. Quanto mais claro, menos raio-x atravessou =
hipotransparente.
- A imagem gerada é bidimensional = é uma estrutura tridimensional projetada num plano.
Por isso, por muitas vezes, será necessário fazer imagens de mais de um plano. Isso ajuda a
entendermos a disposição 3D. Ex.: PA e perfil.
- AMC do coração (teremos uma aula). No coração, vemos a silhueta cardíaca.
- Imagens mais próximas sofrem menos distorções. Se eu quero estudar a coluna, eu tenho
que colocar a ampola na frente e o filme atrás. Se eu quero estudar coração e grandes vasos,
eu faço o contrario – coloco a ampola atrás e o filme na frente.



- Nomenclatura das incidências: PA, AP e perfil. O termo diz respeito a direção dos raios, isto
é, em PA, os raios partem de trás para frente, em AP, eles partem de frente para trás e em
perfil eles partem da lateral.
- A técnica é extremamente importante para que a imagem fique bem feita. A posição deve
ser correta, por exemplo, deve haver simetria das clavículas, e a penetração também – é
função do técnico regular a penetração desejada para cada exame.


- Quadro de densidades radiográficas




3) Tomografia computadorizada
- Também tem a radiação ionizante como meio físico – só pedir quando necessário!
- Emite radiações; funciona com ampolas movendo-se em semicírculo em torno do paciente
- Captação por sensores conectados a um computador e transformada em números, que por
sua vez, equivalem a diferentes cores
- São feitos cortes axiais e, em alguns casos, coronais
- Usa-se um contraste endovenoso a base de iodo, cuja densidade metálica permite não só
dissociar vasos, como demostrar processos dinâmicos do funcionamento dos órgãos.
Qualquer coisa vascular, a gente usa contraste iodado para individualizar as estruturas de
forma adequada
- Existem varias gerações de TC
OBS.: PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons) – é outra coisa, não tem nada a ver com TC.
Não usa radiação ionizante como meio físico para formação de imagem. É um método da
medicina nuclear e pode usar radioisótopos diferentes!

- A TC nos ajuda a tirar dúvidas que possam ter ficado com o raio-x.
- Vantagens: imagens mais nítidas que podem ser processadas; essas fatias de imagem nos
permitem fazer reconstrução tridimensional; mais baixo custo que uma ressonância; fácil
acesso.
- Desvantagem: radiação ionizante em uma quantidade ainda maior que no raio-x.
- É um pouco mais complexa de interpretar. Às vezes, faz-se necessário consultar um
radiologista.

4) Ultrassonografia
- Utilizam-se feixes de ultrassom
- Transdutor (na mão do técnico) ligado ao aparelho e um cristal piexoelétrico que emite o
feite de ultrassom e o capta de volta. É o mesmo princípio de um sonar.
- Ar e osso – o ultrassom não atravessa. (não serve para sólidos ou ar). Por isso, usamos o
ultrassom para ver vísceras parenquimatosas – fígado, baço, pâncreas – e, eventualmente,
líquidos em algumas vísceras.
- Produz imagens bidimensionais. O cristal, dentro do transdutor, movimenta-se o tempo
todo.
- A imagem uni ou bidimensional é formada pela captação do ecos recebidos o transdutor e
emissor e receptor, processados por meio de computação gráfica
- Quanto maior a frequência, mais nítida a imagem.
- Ecocardiograma – é um ultrassom de coração
- Efeito Doppler – é a mudança aparente na frequência da onda em função de uma
movimentação relativa da fonte e do observador. Isso também ocorre para o movimento da
luz, que também emite ondas. Ondas que se aproximam: vermelho; ondas que se afastam:
violeta. Logo, o efeito Doppler nos permite observar o sentido e a velocidade do fluxo
sanguíneo, e também da direção do mesmo. Com isso, podemos ver a área de uma estenose
valvar (analisando-se a alteração de fluxo). OBS.: As hemácias acabam funcionando como
contraste.

5) Ressonância magnética
(Olhar imagens do slide!)
- Forte campo magnético na formação da imagem
- A energia de um campo magnético é aplicada temporariamente ao paciente e provoca o
alinhamento dos núcleos de hidrogênio. Esses núcleos de hidrogênio são submetidos a
emissão de radiofrequência e o seu comportamento é captado pelo sensor do aparelho.
- Os sinais captados pelo aparelho são transformados em valores numéricos e reconstituídos
pelo computador e imagens.
- A ressonância magnética “irrita” os núcleos de hidrogênio por meio de um forte campo
magnético. Esses núcleos de hidrogênio possuem uma propriedade denominada spin e a
direção do spin é aleatória. Quando se aplica esse forte campo magnético, de cima pra
baixo, os núcleos de hidrogênio se alinham nessa direção: alguns no mesmo sentido, outros
no sentido oposto. A partir daí, os núcleos que se alinham no mesmo sentido não
necessitam ter muita energia (núcleos de baixa energia). Os que se alinham no sentido
oposto tem que lutar contra o campo magnético (núcleos de alta energia). Existem mais
núcleos de baixa energia do que de alta energia de nosso corpo, e isso é o principio básico
de formação de imagem na ressonância magnética. O ligeiro excesso de núcleos de baixa
energia é o que vai permitir a realização do exame. O aparelho possui uma bobina que serve
para irritar os núcleos de hidrogênio – aplica correntes num curto período e de maneira
intermitente Nesse período, a bobina produz energia na forma de um campo magnético
oscilante. A frequência dessas condas magnéticas é semelhante a das ondas de radio. Por
isso, essa energia e denominada energia de radiofrequência (RF) e a bobina e denominada
bobina de radiofrequência (RF). Os núcleos excedentes de baixa energia vão absorver a
energia produzida pela bobina de radiofrequência. A absorção dessa energia da bobina de
RF muda o estado desses núcleos de baixa energia, que invertem o sentido do spin,
tornando-se núcleos de alta energia. Após um curto período, a energia da bobina é
interrompida. Os núcleos de baixa energia que absorveram a energia de RF da bobina
invertem a direção do spin, se tornam de alta energia, mas com a parada de emissão da
bobina, eles liberam a energia absorvida e voltam a ser núcleos de baixa energia. Essa
energia liberada é captada por uma bobina receptora e vai fornecer subsídios para a
formação da imagem. Ela converte ondas de energia em um sinal de corrente elétrica. E
dessa forma que o aparelho de RM detecta os núcleos de hidrogênio e produz as imagens.
Isso ocorre durante o exame inteirinho! Apesar dos núcleos de hidrogênio serem o tempo
todo “irritados”, é um exame absolutamente inócuo.

- Como é formada a imagem?
Há água e portanto núcleos de hidrogênio por todo o corpo. No entanto, o aparelho precisa
escanear de uma forma organizada, não simplesmente o corpo todo ao mesmo tempo... O aparelho
escaneia o corpo em fatias, retirando os sinais dos núcleos. Mas como o aparelho consegue
estimular fatias do corpo separadamente? Para entender isso, precisamos entender o termo
“frequência de ressonância”.

Os núcleos de hidrogênio, não absorvem qualquer energia. Os núcleos absorvem melhor a energia
que é emitida em uma determinada frequência, denominada frequência de ressonância, não mais
alta, não mais baixa. Portanto, quando a energia é emitida pela bobina de RF, ela é liberada na
frequência de ressonância dos núcleos de hidrogênio. Daí o nome ser ressonância magnética.

Essa frequência de ressonância depende do campo magnético. Se você impõe uma intensidade
grande de campo, a frequência de ressonância será maior e se você impõe uma intensidade
pequena, a frequência de ressonância será menor. A relação entre força de campo magnético e
frequência de ressonância nos permitirá fatiar as imagens.

Há bobinas especiais que podem modificar a intensidade do campo magnético em diferentes partes
da área de exame (bobinas de gradiente). Cada região terá uma FR própria para ela, logo, alteramos
a FR emitida pela bobina e os núcleos da determinada região vai absorver a energia, mudar o spin e
possibilitar a formação da imagem. Não fosse a bobina de gradiente, não seria possível variar a FR ao
longo da área de exame.

- O aparelho possui um poderoso computador, que coordena vários aspectos do processo de
escaneamento:
1- Controla as bobinas de gradiente, de modo a criar um gradiente magnético adequado
2- Controla a frequência de ressonância emitida, de acordo com a parte do corpo que se queira
estudar
3- Coleta os sinais da bobina receptora, repetindo o processo até que a imagem da anatomia da
região tenha sido formada
- O tipo de sinal captado por diferentes tecidos é diferente. Por exemplo, o sinal da substância
branca do SNC é diferente do sinal da substância cinzenta. Como a composição dessas
estruturas eé diferente, conseguimos diferenciá-las na imagem.
- Vantagens:
ü Não usa radiação ionizante nem necessita de meio de contraste iodado
ü As imagens fornecem maiores detalhes anatômicos e possuem maior sensibilidade
ü Fornece planos de corte sagitais, coronais e oblíquos, além dos axiais sem
necessidade de reposicionar o paciente (reconstrução tridimensional das imagens
captadas do jeito que você quiser)
ü Permite identificar os vasos sanguíneos sem a necessidade de injeção intravenosa
de meio de contraste.
ü Permite identificar lesões ligamentares e musculares, fraturas por fadiga e lesões
medulares e neurais
- Desvantagens:
ü Alto custo
ü Pequenas calcificações patológicas no tecido são difíceis de identificar
ü São contraindicações absolutas: clips de aneurismas cerebrais, marca-passo cardíaco,
próteses ferromagnéticas cocleares ou ossiculares, claustrofobia, síndrome do pânico (já
existe TM de campo aberto)
ü Pacientes com monitorização intensiva
ü Ferimentos por arma de fogo