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A sociedade Açucareira II

Prof: VINICIUS OPTIMUS Frente: 02 Aula: 05


AL120407
(CN)

profoptimus@yahoo.com.br
precária alimentação, mas aos “maus ares” dos trópicos. A
PSS 2 : saúva, as enchentes ou a seca dificultavam ainda mais o
■ A organização do império ultramarino português na América; suprimento de víveres frescos: a sífilis marcava-lhes o corpo,
■ O contexto da construção Colonial na América portuguesa. deixando-o vincado com suas chagas, onde em alguns relatos
■ As formas de produção dentro da relação campo–cidade no Brasil Colonial.
seria até colocado ao ridículo o jovem que não passasse por esta
precoce iniciação sexual, onde seriam exibidas tais marcas
(idem. Pp. 36 e 48.).
Outros cenários da sociedade Açucareira
“O Brasil é um dom do açúcar” 2. Instabilidades e intempéries
“Numa sociedade organizada em torno do açúcar, haveria o Sendo assediado pelo
contexto de uma conjuntura de elementos dados entre impostos,
investimentos, transporte, refino e distribuição mercantil, que fantasma da fragilidade física, no
estruturariam a base do modelo colonialista estabelecido pelo que se formaria a outro elemento
estado português em sua proposta de administração ultramarina, deste imaginário de “doce
onde nem sempre se abrangeria a totalidade das suas relações inferno”, ou “quinto dos infernos”,
cotidianas de realidade colonial brasileira”. o senhor era ainda açodado pelos
ataques de índios, onde tais
1. Definições e noções de uma época levantes colocariam até em
João Antônio Andreoni, ou como é mais conhecido o jesuíta cheque o sistema de capitanias.
André João Antonil deu a definição de uma ordem de engenho No primeiro século da instalação
no que diz respeito aos grandes plantadores da cana da Bahia, portuguesa na América, o gentio
onde faz a seguinte referência em que “o ser senhor de engenho levantava-se, queimando e
é título a que muitos aspiram, porque traz consigo o ser servido, destruindo engenhos feitorias e
obedecido e respeitado de muitos. E se for, qual deve ser, roças, volta e meia matando
homem de cabedal e governo, bem pode estimar no Brasil o ser homens gado, tomando à casa Litografia que retrataria o fim de
senhor de engenho quanto se grande, fontes de água e Vasco Coutinho, em cuja
estimam os títulos entre os capitania acabaria malogrando,
alimentos, havendo guerra que onde seria posteriormente
fidalgos do Reino (leia-se durariam de 7 a 8 anos. devorado pelos índios
sempre a expressão ‘reino’ A presença de corsários
como Portugal).” franceses e holandeses reforçaria este cenário de intempéries,
aonde tais assaltos se dariam na subida de rios que resultariam
O real contexto – entre a no assédio dos engenhos a beira-rio. Os senhores deveriam,
expressão pomposa de Antonil, portanto, se aparelhar com lanchas para a defesa militar e
que contrastaria marítima da propriedade.
agressivamente com o real
cotidiano de uma expressão
“senhor de engenho, morto de
fome e cheio de empenho”, ter-
se-ia de fato uma correlata
noção do que seria de fato a
condição colonialista de um
senhor aventureiro, de
Mergulhando aos primórdios do engenhos, estabelecido numa
século XVI, nos bastidores do relação real de precariedades
que seria a base de constituição
da vila de São Paulo de
e negligências do poder
Piratininga, a obra “A Muralha” metropolitano. É valido lembrar
transposta depois para vídeo que este contexto seria já
nos reporta para uma descrição introduzido pelo fracasso de
acerca da formação cotidiana do
um projeto de capitanias,
Brasil colônia, observando às
suas estruturas e relações de assim como por um último
tenções conflitos e religiosidade suspiro de Governos gerais
no mundo colonial do período. nas colônias do Brasil (sécs.
XVI / XVII).
A abundância registrada em alguns engenhos não era norma,
no que os que se davam ao luxo de mandar vir alimentos do Rio de
Janeiro, consumiam víveres mal conservados (demonstra-se assim
uma contradição no comércio do pacto colonial onde as manufaturas
não atenderiam as necessidades da população colonial), onde havia
entretanto pequenas exceções que contrapunham-se a estas regras. Em cena que seria baseada nas narrativas e descrições de Hans
Alguns senhores de ricos engenhos na Bahia, constituiriam viveiros Staden. o combate de franceses e portugueses no litoral de
de peixe, onde no engenho “freguesia”, pertencente a Cristóvão da Pernambuco.
Rocha Pita, “borbulhava com o movimento de curimãs” (PINHO
Wanderley. História de um Engenho no Recôncavo SP Cia. Edit
Nacional, 1982). Conflitos no mundo do Trabalho – com a estruturação do
escravismo africano e o desenvolver de suas relações cotidianas
No malgrado de tais luxos, o senhor de engenho sofria de produção, parte da qual falaremos mais a diante, em bloco
doenças do estomago, atribuídas por doutores da época não a específico, os senhores teriam de se ater com questões internas

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onde teriam de conter ameaças de fugas, em alguns casos de Mostraria assim a um pequeno universo rural semi-aberto,
breves escapadelas, indo até a instalação de quilombos. É nas áreas da lavoura, onde em Pernambuco instalam-se ao
fortuito lembrar que numa desta fases de mais agudo assédio de longo dos rios que vertem para o Atlântico (Serinhaém, Jaboatão,
pirataria é que se desenvolveria a base de resistência em Beberibe e o Una); não a toa a maior parte dos engenhos
Palmares, sertão da Bahia. localizava-se à beira de rios como o Paraguaçu, o Jaguaribe e o
O cenário dado entre maus tratos físicos ou morais, Sergipe, na Bahia. Fazia-se desta maneira uma sociedade de
arbitrariedades do capataz ou do próprio senhor, constituiriam bases rurais, sem de fato avançar ao interior do Brasil, restritas
um universo de negociação e conflito,em cujo equilíbrio seria ao litoral, sem no entanto desenvolver uma plenitude de
porém delicado, dado entre breves consensos, concessões e elementos para uma caracterização urbanizadora.
coerções, nas quais o senhor poderia ser vítima de sua própria Ainda assim, com este panorama de relegações e
crueldade ou intransigência. negligências, o ser senhor de engenhos, conforme atribuiria
Uma narrativa deste contexto seria um belo demonstrativo: importância na definição de Antonil, teria porém a noção de
um senhor reclinado contra a mesa onde se dispunham os poderes dirigentes nesta época de dissabores de abandono
instrumentos de trabalho, recebe uma fenomenal cutilada no metropolitano no que o poder local mesmo que entre tanto
olho, no que esta cena se passa no interior de uma oficina e o intercursos de malgrado social iria se afirmar entre importâncias
gesto é desferido em aparente acesso de fúria por um escravo. e contradições de poderes, sendo de fato os gerenciadores de
Seria uma cena que traduziria a interpretações sobre os reflexos um Brasil que ainda estaria no seu fazer-se.
de um contexto de truculências e demais ordens de atrocidades Conforme relatos de inícios já do século XIX, reforçam esta
que variariam de violências em estupros, assassinatos ou demais condição de poderes de uma situação, onde:
mutilações que resultassem em contestações brutais por parte “(...) a posse de um engenho confere aos lavradores dos arredores
de escravos em condição de até então passiva submissão. do Rio de Janeiro uma espécie de nobreza. Só se fala em
consideração de um senhor de engenho, e vir a sê-lo é ambição de
todos. Um senhor de engenho tem geralmente um aspecto que
Diversidades de produção e a relação campo-cidade prova que se nutre bem e trabalha pouco. Quando está com
inferiores, e mesmo com pessoas da mesma categoria, impetica-se,
3. Outras visões da diversidade mantém a cabeça erguida e fala com voz forte e tom imperioso que
Ainda assim de conformidade com indica o homem acostumado a mandar em grande número de
um sistema de parcerias mercantis escravos”.
frutíferas de interesses diversificados da
iniciativa do capital privado, o Brasil QUESTÕES VESTIBULARES
açucareiro seria estruturado, sempre 01. (Fuvest 2002)
ressaltando para a ruptura acerca da “Os que trazem [o gado] são brancos, mulatos e
pequena dicotomia de esferas sociais pretos, e também índios, que com este trabalho procuram ter
que relacionariam a noção míope que algum lucro. Guiam-se indo uns adiante cantando, para serem
relacionaria apenas uma relação entre seguidos pelo gado, e outros vêm atrás das reses, tangendo-as,
senhores e escravos. De fato e em tendo o cuidado que não saiam do caminho e se amontoem.”
conformidade com os estudos mais Antonil, Cultura e opulência do Brasil, 1711.
atualizados, é sempre fortuito ressaltar O texto expressa uma atividade econômica característica:
para uma rica diversificação de trabalhos a) do sertão nordestino, dando origem a trabalhadores
e modalidades produtivas no universo diferenciados do resto da colônia.
açucareiro, dados numa breve condição b) de regiões canavieiras onde se utilizava mão-de-obra
de trabalhos braçais básicos e outras disponível na entressafra do açúcar.
ordens mais especializadas na c) de todo o território da América portuguesa onde era fácil obter
A imagem de um sr. de manufatura açucareira. mão-de-obra indígena e negra.
engenho, ou também a base Nos verdes campos de cana, um d) das regiões do nordeste, produtoras de charque, que
posterior de um líder
bandeirante, sempre ficaria
exército aguardaria suas instruções. As empregavam mão-de-obra assalariada.
numa condição pouco ordens do senhor de engenho eram e) do sul da colônia, visando abastecer de carne a região
condizente com a realidade distribuídas entre barqueiros, canoeiros, açucareira do nordeste.
cotidiana, de conformidade calafates, carapinas, carreiros,
com as novas abordagens vaqueiros, pastores e pescadores. 02. (Unifesp 2002)
historiográficas do Brasil,
Dentre seus imediatos destacavam-se o “Não são raros [no período colonial] os casos como o
onde ainda assim sua de um Bernardo Vieira de Melo, que, suspeitando a nora de
essência ideológica não mestre de açúcar, o purgador, um
adultério, condena-a à morte em conselho de família e manda
seria esquecida, dada no caixeiro no engenho e outro nas vilas e executar a sentença, sem que a Justiça dê um único passo no
intuito de projetar a noção depois cidades, os feitores de partidos
de poder e autoridade para sentido de impedir o homicídio ou de castigar o culpado...”.
de cana e de roças, e um feitor-mor do (Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil.).
esta realidade social nas
colônias. engenho (espécie de capataz geral). O texto demonstra
Como nessas épocas não se
a) a ineficácia das instituições judiciárias.
faltava ao espírito colonizador cristão, haveria a um representante
b) a insegurança dos grandes proprietários.
deste “espírito”, um circunspecto capelão, que cuidava das coisas da
alma. Malgrado sua aparente onipotência, o senhor de engenho c) a força imensa, mas legal, do pátrio poder.
sabia ouvir de seus subordinados, sobretudo na escolha de terras d) a intolerância com os crimes de ordem sexual.
para comprar: tinha de ser o oleoso massapé, assim como para e) a gestão coletiva do poder no interior da família.
fecundidade de pastos, águas e lenhas para a purga do açúcar, onde 03. (UNICAMP 2002)
entre o conselho de mestres e outros saberes da experiência, seriam O recente episódio das eleições livres no Timor Leste
informações consideradas para prover as pendências de uma oficializou a independência daquele território após longo
empreitada. processo de dominação; seus primórdios situam-se no século
XVI e coincidem com as primeiras viagens marítimas dos
4. Uma sociedade ruralizada – europeus ao Oriente.
Mary Del Priore relata em seu estudo que, de acordo com as a) Qual a nacionalidade dos europeus que chegaram
necessidades da estrutura açucareira, os engenhos sempre se pioneiramente no arquipélago onde hoje se situa Timor Leste e
aninhariam na mata, o que se explica pela maior fertilidade dos qual o episódio histórico relacionado a esse empreendimento?
terrenos bem vestidos de capa verde, onde ao mesmo tempo, b) Cite duas razões para o interesse dos europeus pelo Oriente,
não deveriam se afastar do litoral, sob pena de que sendo um só no século XVI.
os preços dos gêneros de exportação, estes acabem não c) Que semelhança há entre a formação histórica de Timor Leste
podendo competir com os vizinhos do mercado mais próximo do e a do Brasil?
centro de escoação, com as despesas de transporte.
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