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8.

LUBRIFICAÇÃO DE MANCAIS DE DESLIZAMENTO

y MANCAIS DE DESLIZAMENTO

Os mancais podem ser definidos como suporte ou guias de partes móveis. Em


qualquer fábrica, mesmo nas menores, seu número é elevado, de cujo bom
funcionamento depende em grande parte a continuidade, a qualidade e a
capacidade de produção, portanto, o rendimento econômico.

O conhecimento exato de todos os fatores relacionados com o funcionamento dos


mancais constitui necessidade imperiosa para engenheiros, técnicos, mecânicos e
lubrificadores, posto que qualquer desequilíbrio, por menor que seja, multiplicado
pelo número de mancais, representa uma perda considerável.

8.1. MANCAIS DE DESLIZAMENTO

Nos mancais de deslizamento o fator de maior importância é o traçado correto das


ranhuras de óleo lubrificante.

Será dado neste segmento uma ênfase para explicar o porque das ranhuras nos
mancais de deslizamento, a maneira correta de localizá-los nos diversos tipos e
sob diferentes condições de trabalho.

8.1.1. FOLGA

Os mancais de deslizamento são sempre ajustados a um diâmetro um pouco


maior do que a do eixo; o espaço entre este e o mancal denomina-se "folga" ou
luz e suas dimensões são proporcionais ao diâmetro d do eixo (0,0006 a 0,001 d).

Esta folga representa a tolerância prevista para a dilatação e a disporção de cada


uma das peças, quando ambas estão sujeitas ao calor e ao esforço, neutralizar
possíveis erros mínimos de alinhamento e permitir, assim, a qualquer momento, a
rotação livre do eixo. Esta folga é essencial para a introdução do lubrificante e
para facilitar a formação do filme de óleo.

As superfícies dos mancais, aparentemente lisas, na realidade apresentam


irregularidades microscópicas. (fig. 6.1).

As irregularidades se interpenetram oferecendo resistência ao movimento


causando aquecimento, numa forma de energia que se perde e provoca desgaste.

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8.1.2. IRREGULARIDADES MICROSCÓPICAS

fig. 6.1

O lubrificante por sua vez, mantêm separadas as irregularidades, evitando a


destruição das superfícies e o desperdício de força.

8.1.3. O LUBRIFICANTE MANTÉM AS IRREGULARIDADES SEPARADAS

,
fig 6.2

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O lubrificante por sua vez, mantêm separadas as irregularidades, evitando a
destruição das superfícies e o desperdicio de força.

8.1.4. MANCAL DE DESLIZAMENTO EM REPOUSO SEM ÓLEO

fig 6.3

No mancal em repouso com ou sem óleo sempre existe contato metal contra
metal.
Os lubrificantes, por sua vez, mantêm separadas estas irregularidades, evitando a
destruição das superfícies e desperdício de força motriz (fig. 6.2).

8.1.5. FORMAÇÃO DA PELÍCULA E O EFEITO CUNHA DE ÓLEO

O óleo introduzido na folga adere às superfícies do eixo e do mancal, cobrindo-as


com uma camada de lubrificante.

Esta adesão facilita a distribuição uniforme do óleo que, ao girar o eixo, forma uma
película contínua sobre as superfícies.

A figura 6.3. mostra um mancal com o eixo em repouso, a folga está exagerada
para efeito de ilustração.

Devido à diferença de diâmetro, o eixo toma posição excêntrica em relação ao


mancal, ficando entre ambos um espaço, que, neste caso, diminui gradativamente
em forma de cunha, da parte superior até a linha de contato na parte inferior.

Ao introduzir o óleo, como na figura 6.4., este preenche todo o espaço vazio
interno constituindo um verdadeiro reservatório de óleo.

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Quando o eixo começa a girar, como na partida das máquinas, graças às
propriedades adesivas do óleo, inicia-se o arrastamento de pequenas quantidades
deste, para a região de contato.

fig 6.4

Mancal em respouso com óleo.


Não obstante a presença do óleo, durante as primeiras rotações, ainda existe
contato metálico e o eixo tende a subir na face do mancal, em direção à rotação
(fis 6.5.), até que comece a escorregar por encontrar as superfícies cada vez mais
untadas pelo óleo.

8.1.6. MANCAL DE DESLIZAMENTO – INÍCIO DO MOVIMENTO

fig 6.5

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O eixo tende a “subir” na superfície do mancal do lado esquerdo

Nesta fase existe um considerável atrito conhecido como resitência de partida.

A medida que a velocidade aumenta, maior será a quantidade de óleo arrastada a


parte, onde a folga é mais estreita, criando-se gradualmente uma pressão
hidrodinâmica, produzida pelo efeito de bombeamento resultante da rotação do
eixo.

Havendo volume suficiente de óleo no mancal, esta pressão hidráulica aumenta


consideravelmente, fazendo com que haja uma flutuação do eixo, eliminando o
contato metálico.

Ao perder contato com o mancal, o eixo se estabiliza numa posição central


primitiva.

A plena velocidade a pressão hidrodinâmica aumenta de tal forma que empurra o


eixo para o outro lado do mancal (fig. 6.6).

8.1.7. MANCAL DE DESLIZAMENTO – ROTAÇÃO PLENA

fig 6.6

O eixo é empurrado para o lado direito pela pressão hidrodinâmica do óleo.

Este deslocamento do eixo é facilitado pela queda de pressão que se observa


quando o óleo sai da área mais estreita da folga.

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O deslocamento do eixo continua até que haja equilíbrio entre as pressões
hidráulicas envolvidas.

A pressão hidrodinâmica, provocada pela rotação do eixo, combinada com amplo


suprimento de óleo, é tão considerável que chegam a valores de 150 kg/cm²,
podendo em mancais especialmente projetados, chegar a valores de 310 kg/cm²..

A introdução do lubrificante até a área de contato é facilidade pelas irregularidades


superficiais, à cunha de óleo formado pelas superfícies e pela presença de
chanfros nos mancais como veremos em diante.

8.1.8. ÁREA DE PRESSÃO

A composição de forças que atuam sobre o eixo determinam numa resultante que
age no mancal formando uma área de pressão.

É de suma importância para a lubrificação de um mancal de deslizamento o


reconhecimento exato de sua localização.
A figura 6.7 mostra duas vistas de um mancal que recebe amplo suprimento de
óleo.

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ÁREA DE PRESSÃO

Enquanto o eixo se acha em repouso, a força que atua verticalmente para baixo,
indicada pela flexa “x”, é proporcionalmente ao peso do eixo.

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Girando a toda velocidade, a pressão hidrodinâmica originada, levanta o eixo,
dando lugar ao aparecimento de uma força horizontal, indicada pela flexa “y”.
A resultante (R) destas duas forças x e y atua em direção à diagonal, um pouco ao
lado do ponto mais baixo do mancal, em direção oposta àquela que o eixo tomaria
se rolasse sobre uma superfície plana.

Esta flexa (R) representa a direção da pressão máxima, e não se concentra num
‘so ponto, mas atua, com intensidade variável, sobre certa área do mancal.

Na figura 6.8 vemos um mancal comum, amplamente suprido de óleo girando a


toda velocidade, com deslocamento do eixo para direita, pelo fato do eixo girar no
sentido anti-horário.

8.1.9. AREA DE PRESSÃO – VISTA FRONTAL

fig 6.8

O diagrama traçado mostra as pressões registradas por manômetros. Nele


observamos que perto das extremidades esquerda e direita do mancal as
pressões são nulas e que a pressão máxima ocorre num ponto próximo ao centro
do mancal, deslocando um pouquinho à direita.

A vista longitudinal deste mesmo mancal (fig. 6.9), mostra que nas extremidades
do mancal temos pressões nulas e a, máxima pressão ocorre, exatamente, no
centro do mancal.

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A determinação da área de pressão nem sempre é tão fácil de se localizar como
no caso que vimos.

8.1.10. AREA DE PRESSÃO – VISTA LONGITUDINAL

fig 6.9

As forças externas, que atuam sobre o eixo, podem ser suficientemente poderosas
para contrabalançar as pressões, e mesmo alterar completamente a posição da
área de pressão.

Por esta razão, é necessário, em cada caso, determinar a posição da área de


pressão, levando em conta a influência das forças externas.

Determinada a área de pressão, temos um ponto de partida para solucionar


qualquer problema de lubrificação decorrente da apreciação errônea desta área.

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CARGA DE CIMA PARA BAIXO CARGA DA DIREITA PARA ESQUERDA

fig 6.10A
fig 6.10b

8.1.11. PONTO DE APLICAÇÃO DO ÓLEO

Já vimos como o eixo, ao girar velozmente, produz o efeito de bombeamento,


criando forte pressão hidráulica que equilibra a pressão exercida no eixo.

Para a introdução do óleo, deve-se escolher um ponto onde essa pressão seja
mínima.

Em caso contrário, seria necessário introduzir o óleo, por meio de bombas,


trabalhando com 10 ou 20 atm, pois pressões desta ordem são frequentes mesmo
em mancais com pouca carga. Naturalmente, é muito mais fácil trabalhar com a
pressão estritamente necessária para sobrepujar a resistência nos tubos que
levam o óleo até o mancal, e mencionado. E isto se consegue introduzindo o óleo
num ponto em que a pressão seja mínima, o lado oposto à área de pressão.

O trabalho de distribuir o óleo pelo eixo pode ser muito facilitado com o emprego
de chanfros e ranhuras, cortados e localizados corretamente.

Na figura 6.10ª temos um eixo carregado de cima para baixo, a área de pressão
fica na parte inferior, portanto o abastecimento deve ser feito por cima. Por outro
lado, a figura 6.10B mostra o eixo pelo lado esquerdo.

Na figura 6.11 mostra o caso em que a correia de um transportador força o tambor


para cima, a área de pressão fica na parte superior, portanto, o abastecimento
deve ocorrer pela parte inferior.

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CARGA DE CIMA PARA BAIXO

fig 6.11
8.1.12. CHANFROS

Em mancais bipartidos ou multiplas partes devem-se chanfrar as arestas de cada


parte para evitar que raspem o óleo. O perigo dessa raspagem aumenta com a
elevação da temperatura, posto que, sob a influência do calor, as metades dos
mancais se curvam e as arestas são comprimidas conta o eixo.

A figura 6.12 mostra como um chanfro correto facilita a formação da cunha de


óleo, e por conseguinte, sua introdução entre as superficies em movimento.
CHANFRO DE LUBRIFICAÇÃO

fig 6.12

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Além disso, o chanfro constitui um depósito de óleo que se estende em forma de
cunha, por quase toda a extensão do mancal, terminando a uns 12 mm de cada
extremidade.
Com isso, restringe-se a perda de óleos pelas extremidades do mancal.

8.1.13. RANHURAS

A finalidade das ranhuras ou canaletas nos mancais é de facilitar a rápida


distribuição do óleo lubrificante e sua posterior introdução na área de pressão
máxima. A eficiência com que a ranhura desempenha estas funções, depende da
sua localização e forma, sendo nula e mesmo contraproducente quando, por
engano, for colocada na área de pressão.
Nas figuras 6.8 e 6.9 vimos que as pressões, dentro de um mancal, variam de
zero a um máximo, tanto em sentido radial como longitudinal. Portanto, se
cortarmos uma ranhura longitudinal, se encontram sob pressões diferentes.

Devido a esta comunicação, a pressão nesta ranhuma será menor do que em


qualquer outro ponto adjacente, e o óleo, ao tomar o caminho mais facil, afluirá a
ela, resultando a destruiçào da película, o desvio do lubrficante dos pontos sujeitos
a altas pressões (justamente onde é mais necessária sua proteção), aquecimento,
desgaste rápido e consumo excessivo de óleo.

Portanto, qualquer ranhura que desvie o óleo da área de pressão ou interrompa a


continuidade da película, é inadequada e contraproducente.

TIPOS DE TRAÇADOS E RANHURAS

O emprego de ranhuras nos mancais, com o intuito de assegurar a distribuição do


óleo e manter a película lubrificante eficaz, é prática de que muito se tem abusado,
tanto na forma como em número. O propósito de melhorar a lubrificação
frequentemente falhou e em muitos casos produziu efeitos prejudiciais.

A simplicidade é a base fundamental no traçado das ranhuras para todos os tipos


de mancais. Em nenhum mancal é aconselhável a profusão ou complicação de
ranhuras, dispostas em formas de curvas ou ângulos, porque com isto só anula
seu objetivo que é: distribuir e introduzir o óleo.

O tipo de ranhura mais conveniente é a longitudinal, isto é, a cortada em todo o


comprimento do mancal, porém, sem atingir as extremidades, e situada fora da
área de pressão.

A forma mais conveniente, de secção transversal, é a semicircular, cortada com


um buril de meia-cana. As ranhuras com secção transversal em forma de V são
aceitáveis, mas têm a desvantagem de sua capacidade ser menor que a das
ranhuras semicirculares de igual largura e profundidade. Na maioria dos casos sao
pouco aconselháveis as ranhuras muito largas e de pouca profundidade, porque
reduzem muito a superfície de apoio dos mancais.

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Como o principio básico deve-se levar em conta que as ranhuras não devem ser
maiores do que o necessário para armazenar a quantidade de óleo requerida pelo
respectivo mancal. não se devem estender até as extremidade dos mancais
porque, neste caso, o óleo poderia escorrer sem cumprir sua missão de lubrificar.

Devem ser abolidas as ranhuras que apresentam cantos vivos ou cortantes nas
superficies dos mancais.

De acordo com suas finalidades, distinguem-se dois tipos de ranhuras:

RANHURA DE DISTRIBUIÇÃO DO ÓLEO

A figura 6.13 mostra a forma de uma ranhura longitudinal, localizada em zona de


mínima pressão, que serve de depósito e facilita a distribuição do óleo no mancal,
em direção longitudinal. O óleo é suprido por gravidade, ou seja, sem pressão.

Note-se que os cantos da ranhura, sobre a superfície do mancal, foram


arredondados com a finalidade de evitar que hajam como facas raspadoras, e ao
mesmo tempo, para permitirem a fácil penetração do óleo na folga do mancal.

fig 6.13

RANHURA AUXILIAR

Em certos casos pode ser necessário cortar, também em sentido longitudinal, uma
ranhura auxiliar, no começo da área de pressão, para assegurar a presença de um
volume abundante de óleo, nesta parte vital do mancal. Nos raros casos em que
são necessárias ranhuras auxiliares, o mais indicado é fazê-las de pouca
profundidade, com os cantos arredondados.

Para facilitar o arrastamento do óleo até debaixo do eixo, pode-se prolongar a


ranhura com um chanfro feito do lado,de entrada na área de pressão.

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Para obter resultados satisfatórios é necessário levar-se em conta o sentido de
rotação do eixo e colocar a ranhura de tal maneira que a superfície do eixo passe
sobre ela pouco antes de chegar à area de pressão. A figura 6.14 mostra duas
ranhuras auxiliares, para os dois sentidos de rotação do eixo.

fig 6.14

RANHURA AUXILIAR

A pro ximidade destas ranhuras à área de pressão dá extraordinária importância à


necessidade de se determinar sua localização exata, por meio do estudo das
forças atuam sobre o eixo. Se a rotação fosse reversível, seja necessário colocar-
se unia ranhura auxiliar de cada lado da área de pressão.

Convém lembrar que não se pode obter lubrificação eficiente sem empregar óleo
de viscosidade ou fluidez adequada, que satisfaça às condições de trabalho
existentes e garanta a segurança do funcionamento mediante a conservação, em
serviço efetivo, das suas características originais.

Quando um lubrificante é corretamente selecionado se distribui sobre a superfície


total do mancal, por meio de ranhuras cortadas corretamente, a película
lubrificante desejada poderá ser obtida e mantida com o mínimo de consumo de
óleo, mesmo em casos extraordinariamente severos.

Em seguida analizaremos, e estudaremos vários tipos de mancais e os princípios


que se devem aplicar para determinar quando é necessária uma ranhura e qual o
tipo a ser empregado, de acordo com as condições de trabalho.

8.1.14. MANCAIS CILINDRICOS DE UMA SÓ PEÇA

Esta classe de mancais geralmente não suporta pressões, servindo apenas de


guia. Sua lubrificação não apresenta dificuldades e requer quantidade muito
reduzida de lubrificante.

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Estes mancais, na grande maioria dos casos, não requerem o auxilio de ranhuras.

Se por qualquer razão fosse necessário facilitar a distribuição do óleo, isto seria
facilmente conseguido com uma ranhura longitudinal, partindo do furo de
introdução do óleo, terminando uns 12 mm antes de atingir as extremidades do
mancal, e com seus cantos arredondados.

8.1.15. MANCAIS CILINDRICOS DE DUAS PARTES

A velocidade e a pressão do eixo são fatores importantes. A primeira auxilia a


lubrificação de um mancal cilindrico, ao passo que a segunda a isto se opõe.

Com efeito, as altas velocidades favorecem a rápida distribuição e, desde que haja
amplo suprimento de óleo, permitem a formação de cunhas perfeitas e com
suficiente pressão hidrodinâmica, pelo contrário, pressões elevadas dificultam a
ação fluída do óleo, porque se opõem a introdução da película na área de pressão
e tendem a expelir o óleo das superfícies em movimento.

Considerando que os mancais cilindricos de duas metades são encontrados numa


infinidade de máquinas e em condições de trabalho muito diversas, a necessidade
de usar ranhuras, bem como sua melhor forma e localização, devem ser
consideradas particularmente em cada caso.

fig 6.15

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A figura 6.15 mostra um mancal tipico de duas metades, com ranhuras de
distribuição, chanfros dos dois lados, e a superfície raspada.

Na maioria dos casos o simples chanfro, nas arestas laterais internas das metades
superior e inferior do mancal, será suficiente para obter a distribuição adequada do
óleo. Este chanfro coleta o óleo e o distribui em todo o comprimento do mancal,
proporcionando um suprimento abundante, imediatamente antes da entrada na
área de pressão que, neste caso, se acha no fundo do mancal.

Quando o mancal é muito grande ou é empregado um óleo viscoso que não se


distribui sobre as superfícies com a mesma facilidade e rapidez que um óleo
fluído, uma ranhura de distribuição, cortada na parte superior do mancal, auxilia
muito a sua distribuição uniforme.

Se a rotação é muito lenta e a pressão muito alta, existe o perigo do óleo sair
pelas extremidades antes de haver entrado na área de pressão, ou, que uma falha
momentânea no sistema de lubrificação dê origem à falta de lubrificante. No caso
de mancais que suportam pressões muito elevadas, isto seria de suma gravidade.

Convém, portanto, cortar uma ranhura auxiliar, semelhante à que se vê na figura


6.16. Deve-se ter o máximo cuidado para que esta ranhura não venha a ficar
justamente na área de pressão pois, neste caso, a superfície de apoio do eixo
ficaria reduzida, aumentando a pressão unitária sem entrar naquela área. A
ranhura auxiliar assegura a presença de amplo volume do óleo nas partes vitais
do mancal, e além disso, facilita sua entrada na área de pressão.

fig 6.16

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Os mancais com mais de 200 mm de comprimento requerem mais de um ponto de
aplicação, a fim de ficar assegurada a rápida distribuição, longitudinal do óleo.

Como se vê na figura 6.17, estes pontos devem ser ligados por urna ranhura
longitudinal de distribuição.

fig 6.17
8.1.16. MANCAIS DE QUATRO PARTES

Os mancais principais das grandes máquinas horizontais são, geralmente, do tipo


de quatro partes, para se poder ajustar a folga do mancal, no sentido horizontal,
por meio de cunhas.

As arestas das partes que formam o mancal devem ser chanfradas, como indica a
figura, 6.18 para evitar rebordas cortantes. Com a mesma finalidade, é preciso
recortar os suplementos.

As ranhuras de distribuição de todos os mancais não se devem prolongar de fora


a fora e sim terminar pelo menos a 12 mm de cada extremidade do mancal. Os
chanfros também devem ser cortados dentro destes limites a fim de impedir
perdas de óleo.

O uso ou reprodução não autorizada deste material é estritamente proibida e é contra a lei 88
fig 6.18

8.1.17. MANCAIS LUBRIFICADOS POR ANÉIS

Os mancais lubrificados por anéis representam uma classe em que a lubrificação


é feita por círculação de óleo dentro da própria caixa do mancal. Este tipo de
mancal é empregado geralmente em eixos que giram com velocidades
moderadas, e é encontrado em muitos motores, máquinas e transmissões.

A parte essencial dos mancais lubrificados por anéis é, como pode ser visto na
figura 6.19, o anel, que gira solto sobre o eixo e e tem diâmetro bem maior que o
deste. A parte inferior do anel mergulha no banho de óleo.

O eixo, ao girar, arrasta por aderência o anel que, por sua ve z, gira lentamente na
mesma direção. O óleo aderido ao anel é levado por este ao ponto mais alto do
eixo, de onde se distribui pela superfície do mancal.

Os mancais lubrificados por anéis podem ser de uma só peça ou de duas. A figura
6.19 mostra a bucha de um mancal de uma só peça com o respectivo anel. Vemos
a ranhura longitudinal de distribuição, cortada na parte mais alta do mancal ,
terminando antes de atingir os rebaixos circulares, coletores de óleo, em ambas as
extremidades da bucha, com as respectivas perfurações para retorno do óleo
coletado à caixa do mancal.

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Neste tipo de mancal é importante arredondar os cantos do corte (parte cortada do
mancal, onde se acha o anel), pois ao contrário estes cantos dificultariam a
entrada do óleo na área de pressão.

Em certos casos, especialmente quando as velocidades são baixas e a folga é


grande, convém e cortar ranhuras longitudinais em ambos os lados dos mancais
de uma só peça, lubrificados por anéis, para assegurar amplo volume de óleo
pouco antes da entrada na área de pressão.

Todos os mancais de duas metades, lubrificados por anéis, exigem que sejam
chanfradas as arestas de cada lado, para evitar que raspem o óleo.

Estes chanfros, que se estendem em quase todo o cumprimento do mancal e


também devem terminar a cerca de 12 mm antes de atingir os rebaixos circulares,
coletores de óleo, constituem além disso um recipiente e, por este motivo,
geralmente se pode prescindir da ranhura de distribuição.

fig 6.19

Quando o anel tender a deslisar no eixo devido a velocidades do eixo ou


viscosidade do óleo, deve se usar o colar.

8.1.18. MANCAIS LUBRIFICADOS POR COLAR

Os mancais com colar (fixo no eixo) representam, como mostra a figura outro tipo
de sistema de lubrificação com óleo.

O raspador recolhe o óleo e o envia a perfurações diagonais, que o conduzem à


ranhura de distribuição. O óleo que escapa pelas extremidades cai no depósito
formando pela parte inferior da caixa do mancal, de onde é novamente levantado
pelo colar.

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fig 6.20

8.1.19. MANCAIS DE ESCORA, HORIZONTAIS

Na figura 6.21 vemos um tipo simples de mancal de escora, como é empregado


nas máquinas JORDAN para fabricação de papel. O eixo possui vários colares
que ajustam aos correspondentes rebaixos do mancal.

A distribuição do óleo às superficies em movimento, no mancal, frequentemente é


dificultada pela introdução inadequada do lubrificante. Um erro, cometido
habitualmente, consiste em aplicar o óleo diretamente às faces externas dos
colares, pois a força centrifuga, opondo-se ao movimento do óleo radialmente, da
periferia para o centro, não permite que ele chegue às faces laterais dos colares,
que são as superfícies de encosto propriamente ditas.

Como em qualquer outro tipo de mancal, o óleo deve ser introduzido num ponto
onde não haja pressão radial ou axial, Em outras palavras: o óleo deve ser
introduzido em qualquer ponto entre os colares de escora. A força centrifuga que,
age sobre o óleo que chega à base do colar, o impele à periferia, enchendo assim
as ranhuras radiais, cortadas, no metal branco do mancal , do lado que suporta a
pressão. Chanfrando os cantos das ranhuras que dão para a área de pressão,
facilita-se a entrada do óleo.

Para evitar dificuldades com a lubrificação deste tipo de mancal, as superficies


devem ser cuidadosamente ajustadas, a fim de que o expuxo fique igualmente
distribuido por todas elas.

O uso ou reprodução não autorizada deste material é estritamente proibida e é contra a lei 91
fig 6.21

8.1.20. MANCAIS DE ESCORA, VERTICAIS

Os mancais de escora, dos tipos Kingsbury, Michell, Gibbs, etc... apresentam


dispositivos patenteados, que permitem a formação de cunhas de óleo e películas
uniformes, para a proteção das peças móveis.

A figura 6.22 mostra um mancal de escora Gibbs empregado numa turbina


hidráulica como mancal de escora. O eixo vertical esta preso, por meio de uma
porca, sobre o colar de escora, cuja face inferior é revestida de metal patente e se
apoia sobre um disco de encosto estacionário, feito de aço. Este, por sua vez,
descansa sobre um anel de assento esférico , de centragem automática, que se
ajusta a uma placa de apoio côncava.

O mancal de escora está completamente encerrado numa caixa, cheia de


lubrificantes até o nível indicado, formando um banho de óleo.

As peças essenciais deste mancal de apoio podem ser vistas na figura 6.23. As
ranhuras radiais, de distribuição que existem na face superior do disco de encosto
estacionário, permitem a circulação do óleo de dentro para fora, sob a influência
da força centrífuga. O óleo volta ao interior do mancal pelas ranhuras de retorno
da face inferior.

A face superior do disco de encosto, estacionário, fora das ranhuras radiais, é


plana e perfeitamente polida, porém a metade da superfície adjacente a uma das
bordas de cada ranhura é cuidadosamente rebaixada em forma de cunha muito
delgada. Esta espécie de chanfro serve como depósito de lubrificante, e facilita a
formação da cunha de óleo.

O uso ou reprodução não autorizada deste material é estritamente proibida e é contra a lei 92
A rotação do colar de escora, na direção indicada pela flecha, origina o
arrastamento do óleo das ranhuras de distribuição para as folgas vizinhas, criando
nelas uma pressão hidrodinâmica. A forma de cunha destas folgas facilita a
entrada do óleo entre as superfícies sob pressão. O óleo arrastado das ranhuras
de distribuição é automaticamente substituído pelo banho de óleo existente no
centro do mancal. Este, por sua vez, é alimentado pelo óleo que volta pelas
ranhuras de retorno. Desta maneira consegue-se a circulação contínua do óleo e,
com uma construção impecável, empregando óleo de alta qualidade, este tipo de
mancal é capaz de suportar pressões especificas muito elevadas.

fig 6.22 // 6.23

8.1.21. MANCAIS DE BIELAS

Nos mancais de bielas de máquinas a vapor, compressores de ar, ou motores


Diesel de dois tempos, de duplo efeito, a direção das pressões se inverte durante
cada curso do pistão. Pelo contrário, num motor de combustão interna, de simples
efeito e quatro tempos, a inversão só ocorre durante o curso de aspiração, ao
passo que, se for de dois tempos e simples efeito, a pressão se mantém numa
única direção em todos os cursos do pistão.

Nestes mancais, normalmente, não há necessidade de ranhuras para a boa


distribuição do óleo. Entretanto, o método ilustrado pela figura 6.24 é
recomendável por muitas razões. Este método aplica-se a bielas de máquinas em
que a direção da pressão varia continuamente. O conduto radial, que supre óleo à
superfície do pino, está situado um pouco antes da área de pressão, mesmo
quando o excêntrico está em qualquer dos pontos-mortos. Este conduto radial leva
o óleo a uma ranhura longitudinal, cortada na superfície do pino, que, deste modo,
o distribui sobre a superfície de cada bronzina, pouco antes de ser submetido à
pressão.

O uso ou reprodução não autorizada deste material é estritamente proibida e é contra a lei 93
O caso de compressores, difere do das máquinas motrizes, pelo fato do excêntrico
acionar a biela, ao invés de ser por ela acionado. Portanto, para as posições
correspondentes ao excêntrico, a pressão atua em sentido contrário. Daí se
deduz, então, que o conduto deve ser perfurado do lado oposto ao mostrado na
figura 6.24. O mesmo principio se aplica a qualquer outro mancal excêntrico.

A ranhura longitudinal a que nos referimos anteriormente não deve ser cortada
nos casos em que o óleo, ao sair do furo, deva subir por um conduto da biela, para
lubrificar a baste do pistão ou da cruzeta. A ranhura diminuiria a pressão
necessária para forçar o óleo até essas peças e, neste caso, é preferível fa zer um
rebaixo anular, na superficie interna do mancal, de modo a acumular o óleo
destinado à lubrificação da haste do êmbolo ou da cruzeta, conforme seja o caso.

fig. 6.24

8.1.22. MANCAIS FORTEMENTE CARREGADOS

Os mancais fortemente carregados e com baixa velocidade (menor de 50 r.p.m.)


representam casos especiais, e se lhes deve dar a melhor atenção, para evitar
desgastes anormais. As condições de trabalho, e às vezes a construção especial
destes mancais, são fatores que determinam a maneira de aplicar o lubrificante,
bem como a necessidade e as características das ranhuras.

A figura 6.25 mostra, por transparência, uma vista do jogo de rolos de uma
moenda, mostrando os eixos, os bronzes, e o método mais adequado para obter-
se a lubrificação positiva e segura. É evidente que pela forma dos mancais, não se
poderá conseguir pressão hidrodinâmica no óleo, porque não se trata de mancais
inteiros, nos quais a rotação do eixo produz o efeito de bombeamento. Por outro
lado, nem a velocidade de rotação é suficientemente alta para produzir esse
efeito.

Contudo, é possível obter a lubrificação correta destes mancais, recorrendo a


ranhuras. O processo mais eficaz é o ilustrado na figur 6.25 pelo qual o óleo
introduzido na extremidade da peça de bronze do mancal, é forçado através de

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um tubo até a ranhura distribuidora que se estende pela face interna de cada
bronze, paralelamente ao eixo. Esta ranhura está situada no início da área de
pressão do mancal e é chanfrada de tal maneira que forma uma cunha de óleo,
cuja aresta é dirigida à área de máxima pressão.

Tais ranhuras devem ter aproximadamente 38 mm de largura e uns 6 mm de


profundidade máxima. Em sentido longitudinal as ranhuras devem terminar 30 ou
50 mm antes de atingir as extremidades do mancal. As entradas do óleo
lubrificante nos mancais, conforme vistas na figura 6.25 servem também para a
lavagem periódica com vapor.

fig 6.25

A necessidade que há destas ranhuras ficarem bem próximas às áreas de máxima


pressão, dá extraordinária importância ao estudo, que deve ser feito, das forças
que agem sobre as pontas dos eixos dos rolos, a fim de se poderem localizar,
exatamente, as áreas de pressão.

A figura 6.26 mostra o esquema de três mancais do jogo de rolos de uma moenda.

Na maioria das moendas, a pressão externa atua sobre o rolo superior, em


direção vertical. Esta pressão externa, ao passar a cana pela moenda, origina
pressões nos três mancais, nas áreas indicadas pelas respectivas flechas. Nos
lugares apontados pelas flechas encontram-se os centros das áreas de máxima
pressão.

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As áreas em traço grosso indicam a localização das pressões máximas e estão
traçadas de tal maneira que sua extensão é proporcional à intensidade das
respectivas pressões. Note-se que a pressão maior age no rolo superior e, por sua
ve z, a pressão no rolo direito é maior do que a no esquerdo.
Isto se explica pelo fato da folga ou abertura, entre os rolos, ser maior no lado de
entrada do que no de saída na cana. Dessa maneira, a cana qua já passou entre o
rolo superior e o rolo esquerdo, recebe maior compressão ao passar entre os rolos
superior e direito.
O sentido de rotação dos três rolos é fixo, como está indicado na figura 6.26 isto é,
sempre na direção das setas curvas.

Em alguns casos de instalações simples, constituidas por um ou dois jogos de


rolos, a pressão externa sobre o mancal superior, em vez de ser vertical, atua em
direção oblíqua e é dirigida para o lado do rolo de saida. Portanto, as pressões
tem intensidades iguais nos mancais do rolo superior e nos do rolo direito.

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Temos agora reunidos, os dados necessários para localizar corretamente a
ranhura de distribuição do óleo em cada um dos três mancais. Este tipo de
ranhuras se assemelha muito às que foram mencionadas anteriormente como
ranhuras auxiliares. Portanto, a prática a seguir, também nos mancais das
moendas, seria a de localiza-las nas proximidades da área de pressão. Entretanto,
as pressões excessivamente elevadas, que estes mancais suportam, aconselham
abrir as ranhuras logo depois do inicio da área de pressão, mas a uma distância
suficientemente grande da área de máxima pressão. Do contrário, poderia ocorrer
que o óleo, ou pelo menos uma boa parte deste, fosse expelido pelas
extremidades do mancal, antes de haver passado pela linha de máxima pressão,
que é o ponto nevrárgico destes mancais.

Pelo mesmo motivo, quando mais elevada for a pressão exercida sobre o mancal,
mais se deve aproximar a aresta aguda das ranhuras à área de pressão máxima.

Tudo isto foi considerado ao indicar as ranhuras na figura. Note-se que, no mancal
superior, a ranhura está mais próxima da área de máxima pressão do que nos
mancais inferiores. As arestas laterais de cada mancal, do lado da entrada em
rotação do eixo, foram chanfradas para evitar a raspagem do óleo aderido ao eixo
e, em casos de emergência ou por qualquer falha do sistema de lubrificação,
podem servir como pontos de aplicação manual do óleo.

A localização das ranhuras, logo após o começo da área de pressão, torna


imprescindível o emprego de lubrificadores mecânicos como sistemas de
lubrificação destes mancais, para se poder introduzir o óleo nas ranhuras,
sobrepujando as pressões exercidas pelos eixos.

Os mancais dos rolos das moendas constituem apenas um exemplo do traçado de


ranhuras em mancais com carga excessiva. Existem outras máquinas cujos
mancais suportam pressões elevadas, e portanto requerem igual atenção. Em
todo estes casos, será de importância primordial determinar a direção e a
intensidade das pressões, para poder abrir corretamente as ranhuras necessárias.

8.1.23. INFLUÊNCIA DAS FORÇAS EXTERNAS SOBRE A ÁREA DE PRESSÃO

Ao tratar o capítulo Área de pressão, para simplificar, supusemos que a força


externa atuando sobre o eixo tinha a mesma direção que a força peso, isto é, que
era dirigida verticalmente para baixo.

Entretando, na prática, na maioria dos casos verifica-se que esta suposição, idela
para determinar a localização da área de pressão máxima, não é confirmada pelas
condições reais, posto que as forças externas podem atuar, no eixo ou no mancal,
em qualquer direção.

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Estas forças externas podem ser suficientemente grandes para alterar
completamente a posição da área de presão. Exemplos de tais influências são:
pressão dos rolos ou cilindros contra o material que está sendo trabalhado
(laminação, trituração, moagem, etc...) pressão das engrenagens, alinhamento
defeituoso dos mancais, empudo de eixos de manivelas, bielas, etc....

O deslocamento da área de pressão muitas vezes passa despercebido, atribuindo-


se com frequência, as falhas dos mancais à qualidade do lubrificante. Entretanto
na maioria dos casos, conhecidos os principios que permitem localizar a área de
pressão, podem-se sanar tais falhas com uma correção muito simples.

8.1.24. SELEÇÃO DOS LUBRIFICANTES

Os mancais são lubrificados com óleo ou graxa. Quando se emprega o óleo, o


suprimento se faz a mão ou por meio de vários dispositivos, que contribuem a
lubrificação seja a mais eficaz e econômica possivel, naturalmente desde que o
lubrificante possua as necessárias qualidades.

Os fatores que influem na escolha do lubrificante são:

1. Condições de trabalho.
2. Método de aplicação do óleo.

CONDIÇÕES DE TRABALHO

a-)Velocidade do eixo

As rotações por minuto e o diâmetro do eixo, determinam a velocidade com que a


superficie do eixo desliza sobre a do mancal.

A velocidade aproximada de deslizamento, em metros por segundo, obtêm-se


multiplicando as rotações por minuto pelo diâmetro do eixo em milimétros e
dividindo o resultado por 20.000. consideram-se velocidades baixas as que não
excedem de 1m/s², e as altas que umtrapassam 5m/s. Na prática, entretanto, a
velocidade do eixo é avaliada simplesmente pelas rotações por minuto, pois, a
medida que a velocidade aumenta, diminui o diâmetro do eixo.

V = D(mm) x rpm = X m/s


------------------------------------------------

20.000

b-) Pressão

Em relação às pressões que atuam sobre os mancais, devemos distinguir entre a


carga e pressão específicas (em kg/cm²). A intensidade da carga tem importância

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muito relativa, porque o tamanho dos mancais e o metal empregado já foram
determinados levando em conta a carga que devem suportar. O que se deve
considerar, ao escolher o lubrificante para um mancal, é a pressão especifica, que
varia com o tipo de mancal.

Mesmo sem conhecer o valor exato da carga, podemos concluir que a pressão
especifica será muito alta em mancais de bronze ou revestidos de metal patente,
e, pelo contrário, será sempre baixa em mancais comuns de ferro fundido.

Por outro lado, podemos esperar pressões específicas relativamente altas, nos
mancais de baixa velocidade, onde foram previstos dispositivos de refrigeração ou
outras condições que tenham a finalidade de dissipar o calor.

c-) Temperatura

A temperatura do mancal em serviço, é outro fator importante na seleção do


lubrificante, porque com o aumento da temperatura diminui a viscosidade do óleo.

No caso de temperaturas muito baixas, isto é, abaixo de 10ºC, que resultam


geralmente da condições de clima ou refrigeração, é necessária a seleção de um
óleo pouco viscoso, que conserve sua fluidez à temperatura desejada.

Podemos considerar temperaturas altas, as que ultrapassam 60ºC. Se as


temperaturas altas são devidas ao calor de atrito, é preciso revisar logo o mancal
porque isto indica claramente a exitência de defeitos como: falha de alinhamento,
localização inadequada da área de pressão ou da ranhura de distribuição de óleo,
aplicação inadequada da área de pressão ou da ranhura de distriuição do óleo,
aplicação ou distribuição deficiente do óleo, isto poderá causar a ruptura da
película lubrificante, acarretando a destruição do mancal.

Quando a alta temperatura não provêm de defeitos e se deve ao trabalho severo


ou ao calor irradiado por uma peça próxima, não haverá dificuldade em manter a
lubrificação, desde que se empreguem um óleo de viscosidade adequada. As
temperaturas muito altas, acima de 100ºC, requerem geralmente estudo especial
para a determinação do lubrificante adequado, especialmente quando ocorrem em
mancais que recebem o óleo com intermitência.

d-) Impurezas

As matérias estranhas que penetram no óleo tem efeito prejudicial sobre a


formção, a eficiência e a manutenção da película lubrificante.

Quando as condições mecânicas dos mancais não forem suficientes para impedir
a entrada de impurezas sólidas, será preferivel lubrificar com graxa. No caso de
entrar água nos mancais, raramente o uso de óleo mineral será satisfatório,
porque este não adere as superficies molhadas. Para estes serviços deve-se usar

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a graxa ou um óleo corretamente composto que, ao se emulsionar com a água,
adira às superficies molhadas.

8.1.25. MÉTODOS DE APLICAÇÃO DO ÓLEO

Conforme o modo de aplicar o óleo aos mancais, podemos distinguir dois métodos
de lubrificação que influem essencialmente na seleção do lubrificante: lubrificação
contínua ou abundante, e lubrificação intermitente ou por camada limitrofe.

a-) Lubrificação contínua

Os mancais com lubrificação contínua são todos aqueles cujo o sistema de


lubrificação permite a separação completa entre as superficies do eixo e do
mancal, mediante a formação da cunha de óleo.

Dentro desta classificação entram os mancais lubrificados por anéis, circulação,


salpico, banho, colar, etc.

Desde que as superfícies móveis fiquem completamente separadas pela película


ou cunha de óleo, o único atrito existente será atrito fluído originado no interior do
próprio óleo.

Em tais sistemas de lubrificação o óleo volta a ser usado continuamnete, e a


mesma carga permanece em serviço durante periodos longos.

As características essenciais dos óleos para sistemas de lubrificação contínua são


as seguintes:

1. Grande estabilidade química, para resistir a oxidação.


2. Separação fácil das impurezas.
3. Viscosidade adequada nas temperaturas de serviço.
4. Tenacidade da película para resistir às sobrecargas momentâneas.

fig 6.27

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b-) Lubrificação Interminente

O lubrificante, nestes mancais, é aplicado em intervalos mais ou menos longos,


em quantidades pequenas, por meio de almotolia, copos conta-gotas, de mecha
ou vareta, etc.

A reduzida quantidade de lubrificante aplicada não permite a formação da cunha


de óleo, com pressão hidrodinâmica. Portanto, a separação das superficies em
movimento se obtém em forma precária, e unicamente graças a aderência do
lubrificante metal. Nestas condições, a tenacidade da pelicula desempenha um
papel muito importante na proteção contra o desgaste e na redução do atrito.

Dada a curta permanência do óleo em serviço, sua resistência à oxidação


(estabilidade química) não é fator muito importante, mas deve ser suficiente para
impedir sua rápida deterioração. A capacidade de separação das impurezas
também não é importante. Portanto, as características essenciais de um óleo para
sistemas de lubrificação interminente são:

1. Viscosidade adequada.
2. Alta tenacidade da película.

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8.1.26. A VISCOSIDADE DOS ÓLEOS

A viscosidade é a resistência que o óleo representa ao fluir, e é a sua


característica mais importante. Quanto mais elevada for a viscosidade tanto maior
será sua resistência à pressão e a resistência interna ao movimento.

Entretanto, um lubrificante muito viscoso gera calor interno, opõe resistência


excessiva ao movimento e acarreta um consumo exagerado de força motriz. Por
outro lado, a pouca viscosidade expõe o mancal a sério risco, pois a ruptura da
sua película lubrificante, permitindo o contato metálico, além de gerar calor, causar
o desgaste prematuro.

Geralmente, quando as velocidades são altas, as temperaturas e pressões baixas,


e boas as condições mecânicas dos mancais, devem empregar-se óleos de pouca
viscosidade. Os óleos finos, de pouca viscosidade, serão sempre preferíveis
desde que os métodos de lubrificação permitam a formação de uma película
contínua e fartamente suprida de óleo, pois proporcionam melhores condições de
serviço e menor atrito fluido.

Os óleos viscosos devem ser empregados nos casos em que as velocidades são
baixas, as pressões e temperaturas elevadas, e as condições mecânicas
inadequadas para o uso de óleos finos pouco viscosos.

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Viscosidade em cst

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RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA ESCOLHA DO ÓLEO LUBRIFICANTE

MANCAIS DE CONDIÇÕES TEMPERATURAS VISCOSIDADE


DESLIZAMENTO OPERACIONAIS MÁXIMAS SSU a
100ºF
Circulação Salpico, Até 50 RPM 60ºC 900 / 960
Anel Colar, Banho Até 15Kg/cm² 100ºC 4300 / 4300
Circulação Salpico, 50 a 200 RPM 80ºC 600 / 650
Anel Colar, Banho Até 15Kg/cm² 100ºC 2200 / 2500
Circulação Salpico, 200 a 2000 RPM 60ºC 250 / 350
Anel Colar, Banho Até 15Kg/cm² 100ºC 1600 / 1800
Circulação Salpico, 2000 a 5000 RPM 60ºC 140 / 200
Anel Colar, Banho Até 15Kg/cm² 100ºC 900 / 960
Circulação Salpico, Acima de 5000 RPM 60ºC 55 / 65
Anel Colar, Banho Até 15Kg/cm² 100ºC 250 / 350
Circulação Salpico, Até 50 RPM 60ºC 1600 / 1800
Anel Colar, Banho 15 a 80Kg/cm² 100ºC 4300 / 4600
Circulação Salpico, 50 a 200RPM 60ºC 900 / 960
Anel Colar, Banho 15 a 80kg/cm² 100ºC 3600 / 4000
Circulação Salpico, 200 a 800RPM 60ºC 600 / 650
Anel Colar, Banho 15 a 80kg/cm² 100ºC 2200 / 2500

ESCOLHA DA GRAXA
Recomendações Gerais

1. TEMPERATURA E CARGA

CONDIÇÕES MÉTODO DE APLICAÇÃO TIPO DE BASE N L G I


OPERACIONAIS
Cargas Normais Manual, bomba ou espátula Argila modificada NLGI-1
-20ºC a 260ºC
Cargas Normais Qualquer Cálcio – NLGI-1
Até 60ºC
Cargas Normais Bomba, pistola e copo Múltipla aplicação NLGI-1 ou 2
-30ºC a 180ºC

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2. RPM – TEMPERATURA

CONDIÇÕES TIPO DE SABÃO CONSISTÊNCIA MÉTODO DE


OPERACIONAIS LIMITE APLICAÇÃO
Até 40ºC e 600RPM Cálcio 2 ou 3 Pistola / copo
Até 75ºC e 1500 RPM Sódio 1, 2 ou 3 Pistola, copo,
sistema central
De -30ºC a 140ºC Lítio 1, 2 ou 3 Pistola, copo ou
De 600 a 2000RPM sistema central

LUBRIFICAÇÃO DE MANCAIS

NOTA – em sistemas permanentes (circulação, banho, salpico, etc.) tornan-se ¾


da viscosidade achada neste grafico

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