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Segunda petição

A petição “venha o teu reino” (Mateus 6.10a), não deve é uma expressão
vazia e sem significado. O Reino de Deus era o cerne da mensagem de Cristo,
bem como dos apóstolos e demais escritores do Novo Testamento. Reino que
estava diretamente ligado à figura do próprio Cristo. Tanto que ele mesmo
afirmou: “É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus
também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado” (Lucas 4.43).
Destarte, quando oramos pedindo: “venha o teu reino”, estamos suplicando para
que Deus reine absolutamente sobre nós, que ele governe sobre nossa vontade
e sentimentos, bem como sobre tudo o que somos e temos. Mas, também
devemos ter uma expectativa futura com relação ao reino, pois somos
desafiados a, mediante a pregação do Evangelho levar a mensagem do reino ao
mundo. Mediante a pregação do Evangelho do Reino, muitos são chamados à
fé, submetendo-se, assim, ao domínio e consequente governo de Cristo. Neste
sentido, um dos mais importantes documentos oriundos da Reforma, o
Catecismo de Heidelberg, ensina que “venha o teu reino”, significa:

Governa-nos por tua palavra e por teu Espírito, de tal maneira que,
cada vez mais, nos submetamos a Ti; conserve e aumenta tua igreja;
destrói as obras do diabo, e todo poder que se levanta contra Ti, e
todos os maus planos que são inventados contra tua santa Palavra; até
que venha a plenitude de teu reino, em que Tu serás tudo em todos.1

Orar pedindo “venha o teu reino”, é orar pedindo que antes de mais nada
Deus estabeleça seu domínio sobre nossas vidas e vontades. É priorizar a
vontade de Deus. Como diz o Dr. Alan Pierratt,

Jesus inicia a parte principal da sua oração de uma maneira bem


diferente de qualquer outra do Antigo Testamento. Nenhuma outra
oração começa pedindo que venha o reino de Deus, ou que se faça a
vontade de Deus. Na maioria das orações, uma vez terminada a
invocação, a preocupação é sempre passar diretamente ao pedido ou
ao argumento persuasivo que se anexa ao pedido. Aqui Jesus se

1
_____________ Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999.
revela interessado na vontade de Deus antes de todas as outras
coisas.2

Ao contrário do que muitos pensam, os milagres, curas e exorcismos


realizados por Cristo não eram um fim em si mesmos, antes apontavam para a
presença do Reino de Deus entre os homens. Seu propósito era testificar que a
vinda de Cristo era sinônimo da chegada do Reino. A presença do Reino do
Reino de Deus implicava em que a promessa de salvação, anunciada pelos
profetas do Antigo Testamento, agora estava se cumprindo. Hodiernamente, não
necessitamos de curas e milagres para que as pessoas creiam na pessoa de
Jesus, basta-nos o auxílio soberano do Espirito Santo (João 16.7-11). Portanto,
“o Reino de Deus significa que Deus é Rei e age na história para trazer a história
a um alvo divinamente determinado".3 Como afirmou R. C. Sproul: “Jesus estava
dizendo que temos de orar para que o reino de Deus se torne visível na terra,
que o invisível se torne visível”.4

Como diz o Dr. Hermisten Maia: “Rogar ‘venha o teu Reino’ significa dizer:
Senhor vem vencer o pecado e arrancar estes homens, como também fizeste
conosco, do domínio da carne, do mundo e de Satanás".5

Não restam dúvidas, portanto, de que o Reino de Deus é um reino


presente. Todavia, este reino é também escatológico, ou seja, futuro. O próprio
Senhor Jesus Cristo, fez menção ao aspecto escatológico do Reino. Ele mesmo
afirmou que “muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa
com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Ao passo que os filhos do reino
serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”
(Mateus 8.11-12).

Embora já presente, a plenitude do Reino somente se dará no futuro, com


o retorno glorioso do Senhor Jesus Cristo, que culminará ascensão dos eleitos
de Deus e na aplicação do juízo Divino sobre os pecadores rebeldes (Mateus
7.21-23). Como destaca Anthony Hoekema:

2
PIERATT, Alan. Oração urna nova visão para uma antiga oração. 1ª Edição. São Paulo: Edições Vida Nova,
1999.
3
HOEKEMA, Anthony. A Bíblia e o futuro. 2ª Edição. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001.
4
Cf. SPROUL, R. C. Op. Cit. pág. 40.
5
Cf. COSTA, Hermisten Maia Pereira da. Op. Cit. pág. 37.
Aquele que crê em Jesus Cristo, portanto, faz parte do Reino de Deus
no tempo presente, desfruta de suas bênçãos e compartilha de suas
responsabilidades. Ao mesmo tempo, ele percebe que o Reino está
presente agora apenas em um estado provisório e incompleto, e por
causa disso, ele aguarda por sua consumação no fim da era. Pelo fato
de o Reino ser tanto presente como futuro, podemos dizer que ele,
agora, está escondido de todos, exceto daqueles que têm fé em Cristo;
um dia, entretanto, ele será totalmente revelado, de forma que até seus
inimigos terão, finalmente, de reconhecer e curvar-se perante seu
governo.6

6
Cf. HOEKEMA, Anthony. Op. Cit. pág. 65.