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Prof. Dr.

Francisco José de Almeida

3. UNIÃO EIXO-EIXO

3.1. Introdução

Pontas de eixos que se tocam, mais ou menos alinhados, podem ser unidas com acoplamentos ou
articulações anti-giratórias. Dependendo do caso, utilizam-se:
(a) Acoplamentos rígidos para uniões de pontas de eixos perfeitamente alinhados.
(b) Acoplamentos de compensação (acoplamento elástico ou, ainda, flexível) que, devido a
sua construção elástica ou articulada:
(i) compensam os desalinhamentos dos eixos (figura 19.1);
(ii) compensam os choques no momento de torção;
(iii) amortecem as vibrações por torção ou mudam a freqüência própria dessas
vibrações;
(iv) preenchem simultaneamente estas diversas finalidades.

(c) Acoplamentos de engate, também denominados engates de eixos, para acoplar e


desacoplar de maneira prática eixos ou transmissões axiais, por:
(i) engates “de força”, por exemplo, as embreagens de atrito;
(ii) engates “de forma”, por exemplo, os engates por engrenagens.

Para cada caso, pode-se utilizar construções normalizadas ou fabricadas em série. Para a escolha
do acoplamento a ser utilizado, deve-se considerar os princípios de funcionamento, a vida
desejada, o espaço ocupado (comprimento e diâmetro externo de construção), o peso, o momento
de inércia e, além de tudo, a facilidade de manutenção (montagem e desmontagem, substituição
dos elementos intermediários, etc.). Por medida de segurança, é importante que a superfície
externa seja lisa (sem parafusos salientes, arestas e cabeças de chavetas).

3.2. Acoplamentos Rígidos

3.2.1. Engrenamento Plano


Com dentes radiais para a transmissão do momento de torção, é o menor tipo de construção entre
todos os acoplamentos desengatáveis. É recomendado para a união de pontas de eixos com
engrenagens e polias e entre engrenagens, com os próprios dentes executando a centragem das
peças.
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3.2.2. Acoplamentos por Flanges


Os flanges podem ser forjados diretamente sobre as pontas dos eixos ou montadas a quente com
pó de carborundum.
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3.2.3. Acoplamento bipartido
As duas metades são prensadas sobre o eixo por meio de parafusos ou pela montagem de anéis
cônicos, de modo que o momento de torção é transmitido pelo atrito. Propriedades deste tipo de
acoplamento: são facilmente desmontáveis, de modo que os mancais e os cubos das rodas podem
ser inteiriços. Usados principalmente para eixos de transmissão, para momentos de torção
elevados e para chavetas embutidas, são menos recomendados para momentos de torção com
choques.

3.3. Acoplamentos de Compensação (ou elásticos ou flexíveis)

São montados geralmente entre o motor de acionamento e a máquina acionada, ou entre


extremidades de eixos cujo alinhamento nem sempre é perfeito. Estes acoplamentos podem ser
classificados como articulações cujos elementos intermediários são obrigados a transmitir a força
tangencial por meio de movimentos relativos. Importante é a configuração certa desses
elementos intermediários e dos pontos de transmissão da força. Como elementos intermediários
pode-se utilizar:
(a) elementos intermediários deformáveis (couro, borracha, lona, molas de aço).
(b) com movimento de deslizamento, de rotação ou rolamento.
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Na prática, os acoplamentos comerciais são escolhidos de acordo com o torque (momento de


torção) que podem transmitir com segurança, obedecendo-se um limite de rotação e a um furo
máximo admissível no acoplamento comercial. Em geral, a escolha é feita calculando-se o
momento de torção pela equação:
N
Mt = 716,2 .F
n
onde: Mt ≡ momento de torção (kgf.m);
N ≡ potência (CV ou HP);
n ≡ rotação (rpm)
F ≡ fator de segurança (F = F1. F2. F3.F4 - dados nos catálogos comerciais).
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