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As diferenças entre os sexos

Com a controvérsia apresentada pela Ideologia de Gênero quanto as


diferenças sexuais serem meras construções culturais, torna-se útil e salutar
relembrarmos qual o fundamento das diferenças sexuais e quais são estas
diferenças.

Para tanto, deve-se compreender e aprofundar o que seja a "masculinidade" e


o que seja a "feminilidade", o que deve ser feito expondo, inicialmente, a
definição destes conceitos:

Masculinidade: é uma qualidade própria segundo a qual o sujeito é ordenado à


geração da prole enquanto princípio ativo.

Feminilidade: é uma qualidade própria segundo a qual o sujeito é ordenado à


geração da prole enquanto princípio passivo.

Por  qualidade própria  se significa que todos os seres humanos possuem


necessariamente esta qualidade. Por  princípio ativo e passivo  pretende-se
significar que na geração o homem causa um efeito na mulher e ela, por sua
vez, padece um efeito, que é conceber.

Porém, a geração da prole não se limita somente a dar à luz, como pensam
alguns:

A natureza não visa só a geração dos filhos, mas, a criação deles e a sua educação
até o estado de homem perfeito, como tal, que é o estado de homem virtuoso.
Suma Teológica, Supl., q. 41, art. 1

Portanto, a união dos dois sexos não visa somente conceber um filho, mas
também constituir uma educação que o torne um homem sábio, santo e
virtuoso.
Assim, as diferenças entre homens e mulheres necessariamente irão muito
além da mera distinção física. Do sexo de cada um procederá algumas
características que influem sobre o ser humano por completo, as quais foram
muito bem enumeradas por um sábio dominicano, que transcrevemos abaixo:

DOIS SERES DISTINTOS

A) Na ordem psicológica

O homem possui uma natureza contraditória, feita para a luta, ambição e fracasso:

1. O homem procura atuar, avançar, influir, sair de si mesmo. Aspira transformar.


Sua psicologia é centrífuga, ativa.
2. A mente do homem vai ao objetivo. Em seu pensamento domina o conceito. É
teorético [voltado para a especulação]. O homem pensa no futuro, não lhe
basta o presente.
3. Em sua vida afetiva predomina o apreço e o desprezo. São próprios do homem
os sentimentos objetivos. Se guia pela inteligência. Tenaz e batalhador. A luta é
seu elemento de vida. Aspira ao êxito e, frequentemente, desemboca no
fracasso. Sua missão é de trabalhador e transformador.

Nesta ordem, a característica mais representativa da mulher é sua capacidade única


de interiorização:

1. A mulher é receptiva. Não tende a atuar e a buscar, senão a ser buscada e a


que atuem sobre ela. É centrípeta [, passiva].
2. A mulher vai ao subjetivo. Domina nela a imagem. Não gosta de abstrações.
Prefere o presente.
3. Em sua vida afetiva predomina o amor e o ódio. Os sentimentos pessoais. Se
guia pelo coração. Ama profundamente a vida. Sua missão no mundo é cuidar.

B) Na ordem ética

O homem se apresenta revestido das seguintes características:

1. É capaz do heroísmo, mas não de um heroísmo sem brilho e contínuo. Se irrita


diante da dor e declara abertamente luta contra ela.
2. O homem está dividido em si mesmo. Não lhe basta o a outra pessoa como
basta à mulher. Busca mais a luta e o triunfo. A ação.
3. O amor é somente um parte do homem, não absorve toda sua atividade como
na mulher.

As principais características éticas da mulher são:


1. Capacidade de sofrimento. A mulher suporta por muito tempo um sofrimento
contínuo. Possui grande capacidade de resistência. Sabe esperar.
2. Relação com o outro. A mulher centra a atenção no ser humano, mais no outro,
do que nas coisas. Ama mais o pessoal.
3. Capacidade de amor e sentimento de humanidade. A mulher possui em seu
coração uma pré-disposição ao amor.

C) Na ordem religiosa

É um fato que a mulher se mostra sempre mais inclinada ao religioso do que o


homem:

1. Mais vinculada às coisas, descobre em sua profundidade seu secreto poder de


alusão. Percebe melhor o invisível do que o visível. É mais permeável no
espírito. O homem está mais distraído, não sente essa atração secreta.
2. A lógica férrea do homem encontra um obstáculo no mistério. A mulher,
acostumada a viver entre imposições, não tem dificuldade de crer. Nem tem
porque pedir razões à fé quem tampouco costuma pedi-las à vida, ao amor, ao
homem.
3. O homem mediante seu trabalho e sua técnica, crê conhecer tudo e, às vezes,
pensa que não tem necessidade da fé nem da religião. A mulher, em sua vida
simples e sacrificada, está mais preparada para o transcendente.

Todavia, a postura da mulher é, talvez, mais superficial, menos consistente. O


homem religioso o é com toda a alma, com todas as consequências. Sem medidas,
profundamente.

DOIS SERES COMPLEMENTARES

A) É uma necessidade de suas características diversas e parciais

1. Em primeiro lugar, o sexo: esta realidade impulsiona insistentemente o homem


e a mulher à união. Ambos buscam esse outro ser que seja ao mesmo tempo
semelhante e dessemelhante: complementar.
2. O homem necessita da mulher: ela lhe dá consciência de si mesmo, lhe afirma
em seu ser. O homem faz com que a mulher possua uma personalidade mais
plena, mais robusta e equilibrada. Suscita nela as ocultas energias masculinas
que latejam em toda mulher.
3. Se complementam em diversas ordens:
No psicológico, a mulher dá ao varão um pouco de interiorização, de uma
unidade íntima; o homem dá à mulher um pouco de agilidade e de
adaptação ao mundo que a cerca.
Na ordem humana, o homem necessita um pouco de espera paciente,
decisiva na vida do homem. Dela dependerá, às vezes, que essa vida se
apague ou ressuscite. Mas o homem tem também aqui seu papel: das à
vida religiosa da mulher mais profundidade, mais seriedade, mais
verdade.
CONCLUSÃO

1. A coordenação entre homem e mulher alcança sua ordenação hierárquica ao


culminar na íntima associação matrimonial.
2. A mulher, enquanto desposada, no nível pessoal, permite ao homem alcançar
um domínio do espírito sobre o corpo; através de sua maternidade vive o
homem a sua paternidade; através de sua companhia chega o homem à
maestria no trabalho.
3. Homem e mulher, um e outro se apoiam, se aliviam, se consolam, se
complementam. Se ordenam um ao outro por natureza.
Pe. Antonio Royo Marin, A Espiritualidade dos Leigos, 2ª Seção, Cap. 1, Art. 1