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D10 - Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições

ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto.


1-(SAERO). Leia o texto abaixo e responda. Na verdade, o guri gostava muito de peito,
Por que todo mundo usava peruca na Europa de coxa e de asas, mas nunca tinha ligado as
dos séculos XVII e XVIII? partes do animal. Ainda mais aquele animal vivo
Não era todo mundo, apenas os aristocratas. ali no meio do apartamento.
A moda começou com Luís XIV (1638-1715), rei da O doutor disse que queria comer uma
França. Durante seu governo, o monarca adotou a galinha ao molho pardo. A empregada sabia como
peruca pelo mesmo motivo que muita gente usa o se preparava uma galinha ao molho pardo? A
acessório ainda hoje: esconder a calvície. O resto mulher foi consultar a empregada. Dali a pouco o
da nobreza gostou da ideia e o costume pegou. A doutor ouviu um grito de horror vindo da cozinha.
peruca passou a indicar, então, as diferenças Depois veio a mulher dizer que ele esquecesse a
sociais entre as classes, tornando-se sinal de status
galinha ao molho pardo.
e prestígio. Também era comum espalhar talco ou
– A empregada não sabe fazer?
farinha de trigo sobre as cabeleiras falsas para
imitar o cabelo branco dos idosos. Mas, por mais – Não só não sabe fazer, como quase
elegante que parecesse ao pessoal da época, a desmaiou quando eu disse que precisava cortar o
moda das perucas também era nojenta. pescoço da galinha. Nunca cortou um pescoço de
“Proliferava todo tipo de bicho, de baratas a galinha.
camundongos, nesses cabelos postiços”, afirma o Era o cúmulo! Então a mulher que cortasse
estilista João Braga, professor de História da Moda o pescoço da galinha.
das Faculdades SENAC, em São Paulo. Em 1789, – Eu?! Não mesmo!
com a Revolução Francesa, veio a guilhotina, que O doutor lembrou-se de uma velha
extirpou a maioria das cabeças com perucas. empregada de sua mãe. A Dona Noca.
Símbolo de uma nobreza que se desejava – A Dona Noca já morreu – disse a mulher.
exterminar, elas logo caíram em desuso. Sua – O quê?!
origem, porém, era muito mais velha do que a – Há dez anos.
monarquia francesa. – Não é possível! A última galinha ao molho
No Egito antigo, homens e mulheres de todas pardo que eu comi foi feita por ela.
as classes sociais já exibiam adornos de fibra de – Então faz mais de 10 anos que você não
papiro – na verdade, disfarce para as cabeças come galinha ao molho pardo.
raspadas por causa de uma epidemia de piolhos. Alguém no edifício se disporia a degolar a
Hoje, as perucas de cachos brancos, típicas da galinha. Fizeram uma rápida enquete entre os
nobreza europeia, sobrevivem apenas nos tribunais vizinhos. Ninguém se animava a cortar o pescoço
ingleses, onde compõem a indumentária oficial dos
da galinha. Nem o Rogerinho do 701, que fazia
juízes.
Disponível em: coisas inomináveis com gatos.
<http://mundoestranho.abril.com.br/historia/pergunta_285920.shtml – Somos uma civilização de frouxos! –
>. Acesso em: 27 mar. 2010. * Adaptado: Reforma Ortográfica. sentenciou o doutor. Foi para o poço do edifício e
repetiu:
No techo “... elas logo caíram em desuso.” (ℓ. 22- – Frouxos! Perdemos o contato com o barro
23), o pronome em destaque retoma da vida!
A) diferenças. E a Margarete só olhando.
B) cabeleiras. VERÍSSIMO, Luis Fernando. A decadência do Ocidente. In: A mesa
C) perucas. voadora. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.98.
D) classes sociais.
E) cabeças raspadas. A repetição da expressão “galinha ao molho
------------------------------------------------------------ pardo” revela a
2- (SAEPE). Leia o texto abaixo e responda. A) vontade do médico de comer aquele tipo de
A decadência do Ocidente receita de galinha.
O doutor ganhou uma galinha viva e B) curiosidade do menino que nunca tinha visto
chegou em casa com ela, para alegria de toda a uma galinha viva.
família. O filho mais moço, inclusive, nunca tinha C) impaciência da esposa por não conseguir
visto uma galinha viva de perto. Já tinha até um resolver o problema.
nome para ela – Margarete – e planos para D) ignorância da empregada que não sabia
adotá-la, quando ouviu do pai que a galinha fazer a receita.
seria, obviamente, comida. E) falta de coragem das pessoas para cortar o
– Comida?! pescoço da galinha.
– Sim, senhor. ------------------------------------------------------------
– Mas se come ela?
– Ué. Você está cansado de comer galinha.
– Mas a galinha que a gente come é igual a
esta aqui?
– Claro.
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ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto.
LEIA O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER Este poderia ser o mote dos resilientes, aquelas
AS QUESTÕES 3 E 4: pessoas que, além de pacientes, são
determinadas, ousadas flexíveis diante dos
(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda. embates da vida e, sobretudo, capazes de aceitar
Dia do professor de anacolutos os próprios erros e aprender com
Levantei-me, corri a pegar o giz, aqui está, eles.
professor. Ele me olhou agradecido, o rosto Sob a tirania implacável do relógio, nosso
cansado. Já naquela época, o rosto cansado. dia a dia exige grande desgaste de energia, muita
Dava aulas em três escolas e ainda levava para competência e um número cada vez maior de
casa uma maçaroca de provas para corrigir. habilidades. Sobreviver é tarefa difícil e complexa,
O aluno preparava-se para sentar, ele, o sobretudo nos grandes centros urbanos, onde
olhar fino: vivemos correndo de um lado para outro,
– Aproveitando que o moço está de pé, me sobressaltados e estressados. Vivemos como
diga: sabe o que é um anacoluto? aqueles malabaristas de circo que, ofegantes,
É o que dá a gente querer ser legal. fazem girar vários pratos simultaneamente,
Vai-se apanhar o giz do chão, e o professor correndo de lá para cá, impulsionando-os mais
vem e pergunta o que é anacoluto. Por que não uma vez para que recuperem o movimento e não
pergunta àquela turma que ficou rindo do bolso caiam ao chão.
traseiro rasgado das calças dele? O capitalismo, por seu lado, modelo
– Anacoluto... Anacoluto é... Anacoluto. econômico dominante em nossa cultura, sem
– Pode se sentar. Vou explicar o que é nenhuma cerimônia empurra o cidadão para o
anacoluto. Muito obrigado por ter apanhado o giz consumo desnecessário, quer ele queira ou não.
do chão. Estou ficando enferrujado. A propaganda veiculada em todas as mídias é um
Agora era ele, no bar, tomando café. verdadeiro “canto da sereia”; suas melodias
– Lembra de mim, professor? repetem continuamente o refrão: “comprar,
Também estou de cabelos brancos. Menos comprar, comprar”.
que ele, claro. Juntam-se a isso o trânsito caótico, a
Com o indicador da mão esquerda acerta o saraivada cotidiana de más notícias estampadas
gancho dos óculos no alto do nariz fino e cheio nas manchetes e as várias decepções que
de pintas pretas e veiazinhas azuladas, me aparecem no dia a dia, e pronto: como
encara, deve estar folheando o livro de chamada, consequência, ficamos frágeis, repetitivos,
verificando um a um o rosto da cambada da desesperançados e perdemos muita energia vital.
segunda fila da classe. Se de um lado a tecnologia parece estar a
– Fui seu aluno, professor! nosso favor, pois cada vez mais encurta
DIAFÉRIA, Lourenço. O imitador de gato. 2ª ed. São Paulo: Ática, distâncias e agiliza a informação, de outro ela
2003. Fragmento.
acelerou o ritmo da vida e nos tornou reféns de
seus inúmeros e reluzentes aparatos que se
3- A expressão destacada em “Estou ficando
renovam continuamente. E assim fi camos
enferrujado” (ℓ. 18), tem o mesmo sentido de
brigando contra o... tempo!
A) contrair doenças. KAWALL, Tereza. Revista Planeta, Fevereiro de 2010, Ano 38,
B) estar preguiçoso. Edição 449, p. 60-61. Fragmento.
C) ser descuidado.
D) ser esquecido. No trecho “Juntam-se a isso...” (ℓ. 16), a palavra
E) ter limitações. destacada refere-se
A) ao consumismo gerado pelo capitalismo.
4- No trecho “Anacoluto... Anacoluto é... B) ao trânsito caótico nas grandes cidades.
Anacoluto.” (ℓ. 15), a repetição da palavra C) às notícias ruins veiculadas pela mídia.
“Anacoluto” sugere D) às necessidades vitais das pessoas.
A) brincadeira. E) às várias decepções do dia a dia.
B) confirmação. ------------------------------------------------------------
C) desconhecimento. 6- (SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
D) desrespeito. A melhor amiga do homem
E) receio. Diogo Schelp
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5- (SAEPE). Leia o texto abaixo. Devemos muito à vaca. Mas há quem a veja
Resiliência como inimiga. A vaca, aqui referida como a parte
A arte de dar a volta por cima pelo todo bovino, é acusada de contribuir para a
degradação do ambiente e para o aquecimento
“Aquilo que não me destrói me fortalece”, global. Cientistas atribuem ao 1,4 bilhão de cabeças
ensinava o filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche. de gado existentes no mundo quase metade das
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emissões de metano, um dos gases causadores do rapaziada, a maioria estudantes de um colégio
efeito estufa. Acusam-se as chifrudas de beber recém-fundado em
água demais e ocupar um espaço precioso para a Viçosa, o Internato Alagoano. Muitos não chegavam
agricultura. a compreender as explanações do mestre, mas
O truísmo inconveniente é que homem e vaca insistiam, iam em frente, tomavam conhecimento de
são unha e carne. [...] Imaginar o mundo sem vacas Coelho Neto, Aluísio Azevedo, depois Zola, Victor
é como desejar um planeta livre dos homens – uma Hugo. (...)
ideia, aliás, vista com simpatia por ambientalistas Um dos mais atentos ouvintes de Mario Venâncio
menos esperançosos quanto à nossa espécie. era um rapazote de 12 anos chamado Graciliano
“Alterar radicalmente o papel dos bovinos no nosso Ramos.”
cotidiano, subtraindo-lhes a importância econômica, (Em, Audálio Dantas, O Chão de Graciliano. Tempo d’Imagem, 2007.
In: Revista: Discutindo Literatura – Ano 3, nº 18. p. 36.
pode levá-los à extinção e colocar em jogo um
recurso que está na base da construção da
humanidade e, por que não, de seu futuro”, diz o O “Atento Rapazote” de que fala o título desse
veterinário José Fernando Garcia, da Universidade texto é
Estadual Paulista em Araçatuba. [...] A) Aluísio Azevedo.
A vaca tem um papel econômico crucial até B) Coelho Neto.
onde é considerada animal sagrado. Na Índia, C) Graciliano Ramos.
metade da energia doméstica vem da queima de D) Mário Venâncio.
esterco. O líder indiano Mahatma Gandhi (1869- E) Victor Hugo.
1948), que, como todo hindu, não comia carne ------------------------------------------------------------
bovina, escreveu: “A mãe vaca, depois de morta, é 8- (SPAECE). Leia o texto abaixo.
tão útil quanto viva”. Nos Estados Unidos, as bases POLUIÇÃO DA ÁGUA
da superpotência foram estabelecidas quando a
conquista do Oeste foi dada por encerrada, em O papel de chiclete jogado ali, a garrafa de
1890, fazendo surgir nas Grandes Planícies plástico aqui, a lata de refrigerante acolá. No
americanas o maior rebanho bovino do mundo de primeiro temporal, as chuvas levam esse lixo para
então. “Esse estoque permitiu que a carne se bueiros e depois para algum rio que atravessa a
tornasse, no século seguinte, uma fonte de proteína cidade. Quem não viu um monte dessas coisas
para as massas, principalmente na forma de flutuando na água?
hambúrguer”, escreveu Florian Werner. [...] Comer Mas essa é a poluição que enxergamos. A que
um bom bife é uma aspiração natural e cultural. Ou não vemos é causada pelo esgoto das residências,
seja, nem que a vaca tussa a humanidade deixará que lança nos rios, além de dejetos, restos de
de ser onívora. comida e um tipo de bactéria que deles se alimenta:
Revista Veja. p. 90-91, 17 jun. 2009. Fragmento. são as chamadas bactérias aeróbicas, que
consomem oxigênio e acabam com a vida aquática,
No trecho “...subtraindo-lhes a importância...” (  .
além de causarem problemas de saúde se
10), o pronome destacado retoma o termo ingeridas.
A) ambientalistas. Outro problema são as indústrias localizadas
B) bovinos. nas margens dos rios e lagos. Só recentemente
C) cientistas. foram criadas leis para obrigá-las a tratar o esgoto
D) homens. industrial, a fim de diminuir a quantidade de
E) rebanhos. poluentes químicos que elas despejam nas águas e
------------------------------------------------------------ que foram responsáveis pela “morte de muitos rios e
7- (SPAECE). Leia o texto abaixo. lagos de todo o mundo”.
Atento Rapazote Poluição Ambiental – Revista da Lição de Casa. In: O Estado de S.
Paulo, encarte 5, p. 4-5 – adaptado.

“Eram os primeiros anos do século passado,


e aquele agente dos correios, recémchegado de
No trecho “A que não vemos é causada pelo
Maceió, foi recebido na cidade com admiração que esgoto das residências,“, a palavra destacada
misturava espanto e reverência, pois, de acordo refere-se à
com os comentários que logo correram, tratava-se A) bactéria.
de pessoa de vasto conhecimento, homem de B) comida.
muitas letras, um sábio. Por ser tudo isso, C) garrafa.
certamente, não foi hostilizado por seu jeito D) poluição.
esquisito de se vestir e pela aparência amalucada E) quantidade.
que lhe davam os cabelos compridos sempre em ------------------------------------------------------------
desalinho. (...) 9- (SPAECE). Leia o texto abaixo.
A figura estranha trazia, também, idéias que Vida
iam muito além dos morros em redor da cidade. As Quando era criança pura,
discussões na casa do Pão-sem-miolo Moleque, danado e travesso.
despertavam interesse cada vez maior entre a Tudo que tocava levava
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ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto.
Ao mundo da fantasia. No trecho “O principal deles foi a invenção do
emplasto Brás Cubas, que morreu comigo ...” (  .
Mas logo me tornei adolescente. 2-3), o pronome destacado substitui
A confusão permeava minha mente. A) D. Plácida.
Por mais que tentasse a magia, B) Quincas Borba.
Estavam fechadas as portas da fantasia. C) o emplasto Brás Cubas.
D) o legado de nossa miséria.
Tempo passou, tornei-me adulto. E) o outro lado do mistério.
Sempre à procura do lado oculto. ------------------------------------------------------------
Mas as viagens malucas 11- (SPAECE). Leia o texto abaixo.
Continuavam presas à magia. O rio

Logo chegou a velhice, O homem viu o rio e se entusiasmou pela


Aquela que tudo esclarece. sua beleza. O rio corria pela planície, contornando
Que cochichou bem baixinho: árvores e molhando grandes pedras. Refletia o sol
Sabedoria, só para quem a merece. e era margeado por grama verde e macia.
BELO, João. Disponível em: <www.mundojovem.com.br>
- p.9, nº 384 - Março/2008. O homem pegou o rio e o levou para casa,
esperando que, lá, ele desse a mesma beleza.
No verso “Que cochichou bem baixinho”, a Mas o que aconteceu foi sua casa ser inundada e
expressão destacada refere-se a suas coisas levadas pela água.
A) adolescente. O homem devolveu o rio à planície. Agora
B) adulto. quando lhe falam das belezas que antes
C) criança. admirava, ele diz que não se lembra. Não se
D) sabedoria. lembra das planícies, das grandes pedras, dos
E) velhice. reflexos do sol e da grama verde e macia.
------------------------------------------------------------ Lembra-se apenas de sua
10- (SPAECE). Leia o texto abaixo. casa alagada e de suas coisas perdidas pela
Das negativas corrente.
FRANÇA JUNIOR, Oswaldo. As laranjas iguais. São Paulo: Nova
Fronteira, 1985, p.13.
Entre a morte de Quincas Borba e a minha,
mediaram os sucessos narrados na primeira No trecho “... e se entusiasmou pela sua beleza.”,
parte do livro. O principal deles foi a invenção do o termo destacado refere-se à palavra
emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por A) árvores.
causa da moléstia que apanhei. Divino emplasto, B) pedras.
tu me darias o primeiro lugar entre os homens, C) planície.
acima da ciência e da riqueza, porque eras a D) rio.
genuína e direta inspiração do céu. O acaso E) sol.
determinou o contrário: e aí vos ficais ------------------------------------------------------------
eternamente hipocondríacos. 12- Leia os textos abaixo.
Este último capítulo é todo de negativas. Um pé de quê?
Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui Antes de existir a cidade de Belém, vivia lá
ministro, não fui califa, não conheci o casamento. uma tribo que sofria de falta de alimentos. Por isso,
Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me o cacique mandava sacrificar todas as crianças que
a boa fortuna de não comprar o pão com o suor nasciam. Por ironia do destino, sua filha, Iaçá, ficou
do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. grávida. Quando a criança nasceu, foi sacrificada.
Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Durante dias, Iaçá rogou a tupã uma solução para
Somadas umas cousas e outras, qualquer acabar com o sacrifício das crianças. Foi quando
pessoa imaginará que não houve míngua nem ouviu um choro de um bebê do lado de fora de sua
sobra, e conseguintemente que saí quite com a tenda. Era sua filha sorridente ao pé de uma
vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este palmeira. Iaçá correu para abraçá-la, mas acabou
outro lado de mistério, achei-me com um dando de cara com a palmeira. Iaçá ficou ali
chorando até morrer. No dia seguinte, o cacique
pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste
encontrou Iaçá morta, agarrada à palmeira, olhando
capítulo de negativas: — Não tive filhos, não
fixamente para as frutinhas pretas. Ele as apanhou,
transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa amassou e fez delas um vinho vermelho encarnado.
miséria. Para os índios, aquilo eram as lágrimas de sangue
Assis, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. 18. ed.
São Paulo: Ática, 1992, p. 176. Fragmento. de Iaçá. Por isso, açaí, em tupi, quer dizer “fruto que
chora”.
O açaí virou o prato principal dos índios da
região. Depois, foram chegando os portugueses, os
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ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto.
nordestinos, os japoneses. E o que se diz é que D) pontuação direta.
eles só ficaram porque experimentaram açaí. E) rimas.
Almanaque Brasil Socioambiental 2008. 2ª ed. São Paulo. outubro,
2007. Fragmento.
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15- (SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
No trecho “Iaçá correu para abraçá-la,...” (  . 6), Amor
no Texto, o pronome em destaque refere-se à Um pouco cansada, com as compras
A) criança. deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no
B) tenda. bonde. Depositou o volume no colo e o bonde
C) filha. começou a andar. Recostou-se então no banco
D) palmeira. procurando conforto, num suspiro de meia
E) Iaçá. satisfação.
------------------------------------------------------------ Os filhos de Ana eram bons, uma coisa
13- (PROEB). Leia o texto abaixo e responda. verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam
banho, exigiam para si, malcriados, instantes
Tempestade cada vez mais completos. A cozinha era enfim
A noite se antecipou. Os homens ainda não espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O
a esperavam quando ela desabou sobre a cidade calor era forte no apartamento que estavam aos
em nuvens carregadas. Ainda não estavam poucos pagando. Mas o vento batendo nas
acesas as luzes do cais, no Farol das Estrelas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que
não brilhavam ainda as lâmpadas pobres que se quisesse podia parar e enxugar a testa,
iluminavam os copos [...], muitos saveiros ainda olhando o calmo horizonte. Como um lavrador.
cortavam as águas do mar quando o vento trouxe Ela plantara as sementes que tinha na mão, não
a noite de nuvens pretas. outras, mas essas apenas. E cresciam árvores.
AMADO, Jorge. Mar morto. 79ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.
Fragmento.
Crescia sua rápida conversa com o cobrador de
luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam
No trecho “... que iluminavam os copos...”, o seus filhos, crescia a mesa com comidas, o
pronome destacado retoma o substantivo marido chegando com os jornais e sorrindo de
A) homens. fome, o canto importuno das empregadas do
B) luzes do cais. edifício. Ana dava a tudo, tranquilamente, sua
C) Farol das Estrelas. mão pequena e forte, sua corrente de vida.
D) lâmpadas pobres. Certa hora da tarde era mais perigosa. Certa
E) saveiros. hora da tarde as árvores que plantara riam dela.
------------------------------------------------------------ Quando nada mais precisava de sua força,
14- (SADEAM). Leia o texto abaixo. inquietava-se. No entanto sentia-se mais sólida do
que nunca, seu corpo engrossara um pouco e era
de se ver o modo como cortava blusas para os
meninos, a grande tesoura dando estalidos na
fazenda. Todo o seu desejo vagamente artístico
encaminhara-se há muito no sentido de tornar os
dias realizados e belos; com o tempo, seu gosto
pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a
íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo
era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se
emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida
podia ser feita pela mão do homem.
LISPECTOR, Clarice. Laços de Família. Rio de Janeiro: Rocco,
1998. p. 19. Fragmento.

No trecho “... deformando o novo saco de


tricô,...” (ℓ. 2), a palavra destacada tem o mesmo
sentido do verbo
Disponível em: <http://pluralinguagem.autonomia.g12.br/?p=100>. A) amassar.
Acesso em: 21 set. 2011. B) enfeiar.
Esse texto é um poema contemporâneo, C) estragar.
rompendo com padrões tradicionais da D) sujar.
composição poética. Entretanto, apresenta um E) transformar.
elemento de continuidade que é o uso de ------------------------------------------------------------
A) imagem elucidativa.
B) narratividade.
C) objetividade.
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