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SISTEMA REMUNERATÓRIO

Esse tema possui muitas polêmicas, sendo abordada aqui a posição da


maioria.

O sistema remuneratório no Brasil hoje tem 2 modalidades:

1) Remuneração ou vencimentos: essa é a forma clássica. Representam


a soma de 2 parcelas: i) parcela fixa (salário base de toda categoria); ii)
parcela variável (aquilo que vai acrescer a remuneração de acordo com
as condições pessoais de cada servidor público).

2) Subsídio: no Brasil, se tinha um salário mínimo de parcela fixa e


inúmeras parcelas variáveis, o que somava uma remuneração de R$
10.000,00, por exemplo. O problema é que se a classe fizesse uma
greve, a Administração nunca sabia se incidiria aumento na parcela fixa
ou parcela variável. Isso acarretava uma insegurança para
Administração, que não sabia o quanto pagaria, e para o agente público,
que não sabia o quanto receberia.

A EC 19 cria então o chamado subsídio para resolver a questão: representa


uma parcela única (é um bônus só; é soma da parcela fixa com a parcela
variável, tudo isso sendo incorporado ao salário do servidor. Subsídio, portanto,
representa uma parcela única, um pagamento de uma só vez.

Recebem subsídio no Brasil:

- Chefe do Poder Executivo e respectivo vice;

- Auxiliares imediatos do Poder Executivo (Ministro de Estado, Secretários


Estaduais e Municipais);

- Membros do Poder Legislativo;


- Magistrados e membros do MP;

- AGU, Procuradores e Defensores;

- Ministros e Conselheiros dos Tribunais de Contas;

- Toda a carreira da polícia;

- Todos os demais organizados em carreira também podem receber subsídio.


Cargo de carreira é aquele que tem plano de ascensão funcional. Isso não
significa que todos os cargos de carreira irão receber subsídio, na verdade,
podem receber.

Subsídio no latim significa ajuda de sobrevivência, nome que é criticado pela


doutrina, pois o subsídio é pago ao alto escalão da Administração.

Exceção - estão fora da parcela única:

- Verba de natureza indenizatória. Ex: diária (despesas de viagens), transporte,


ajuda de custo, etc.

- Verbas previstas no art. 39, § 3°, CF – alguns direitos trabalhistas do art. 7°


também são pagos aos agentes públicos. Ex: décimo terceiro, 1/3 de férias,
hora extra, adicional noturno. Observa-se que são garantias que não
acontecem sempre, só em alguns momentos. Dessa forma, não são
incorporadas a parcela única.

Remuneração de servidor público no Brasil tem que ser fixada através de lei.

A lei é de iniciativa de quem vai pagar a conta. Ex: Se a conta é do Judiciário, o


projeto de lei é do Judiciário; se a conta é do Legislativo, o projeto de lei é do
Judiciário.

Exceção à fixação por lei


a) Congresso Nacional por Decreto Legislativo. A diferença em relação à lei é
que no DL inexiste deliberação executiva, ou seja, não tem sanção e veto. Fixa
a remuneração do Presidente da República e vice, Senadores, Deputados
Federais e Ministros de Estados.

b) Câmara Municipal fixa a remuneração dos Vereadores via Decreto


Legislativo.

A EC 19/98 criou o chamado teto geral remuneratório do servidor público:


ninguém ganha mais do que Ministro do STF, cujo valor foi fixado na Lei
12.041/09 – atual R$ 26.723,13.

Há PL no CN para aumentar a remuneração em torno de 14%, bem como dar


poder ao STF para aumentar sua remuneração sem precisar de uma nova lei.

A EC 41/01 criou os chamado subtetos, que estabeleceu 3 regras:

1) na União, ninguém pode ganhar mais que Ministro do STF;

2) No âmbito Estadual, há 3 regras:

- no Executivo, ninguém pode receber mais do que o Governador;

- Já no Legislativo, servidores não podem receber mais que o Deputado


Estadual;

- No Poder Judiciário, ninguém pode receber mais que o Desembargador. Isso


serve também como subteto para os membros do MP, procuradores e
Defensores Público. Atenção: esse limite não se aplica a toda a instituição,
mas somente aos seus membros, ou seja, o restante dos funcionários estão
vinculados ao subteto Executivo, ou seja, a remuneração do Governador.
Todavia, o Desembargador não pode ganhar mais do que 90,25% do que a
remuneração dos Ministros do STF, pode ganhar igual a 90,25%.

Juízes estaduais questionaram se o Judiciário é uno, o teto deve ser igual ao


do Judiciário na esfera federal. Na ADIN 3854, o STF fez uma interpretação
conforme, estabelecendo que na condição de juiz estadual somente podem
receber até o teto do Desembargador (90,25%). Todavia, recebendo outras
remuneratórias além daquela advinda da magistratura (ex, magistério,
pensões, etc)., a soma dessas verbas poderia alcançar o teto dos Ministros do
STF.

Atenção: O STF não declarou a inconstitucionalidade do percentual de 90,25%,


mas apenas fez interpretação conforme a CF.

Pela ordem constitucional, se a remuneração do servidor ultrapassar o teto,


deve ser cortada (não recebe o excedente).

REGIME DE ACUMULAÇÃO

A regra no Brasil é que não é possível a acumulação de cargo,


excepcionalmente quando a CF autorizar (art. 37, XVI e XVII, da CF).

XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver


compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
a) a de dois cargos de professor; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001)
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,
fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

A proibição a acumulação serve para a Administração Direta e para a


Administração Indireta, inclusive empresas públicas e sociedades de economia
mista.
Essa proibição serve para cargos e empregos.

Existem 4 regras em que a acumulação é possível (decorar):

1) Um servidor que está em atividade em um cargo e está em atividade no


segundo cargo (está trabalhando nos 2: recebe remuneração + remuneração).
Pode se observados 3 requisitos:

a) Compatibilidade de horários;

b) Soma das 2 remunerações não pode ultrapassar o teto do Ministro do


STF.

c) Só pode: i) 2 cargos de professor; i) um de professor com outro técnico


ou científico (ex: juiz + professor); iii) 2 na área da saúde com profissão
regulamentada por lei. Ex: 2 de dentista pode; 2 de médico pode; não
pode dentista + curandeiro.

2) Professor na federal e professor na estadual e se aposenta em ambos os


cargos (aposentadoria cumulativa). A remuneração do sujeito que está
aposentado é chamada de provento. Ele pode receber 2 proventos? Pode nas
hipóteses permitidas para a atividade, ou seja, i) 2 cargos de professor; i) um
de professor com outro técnico ou científico (ex: juiz + professor); iii) 2 na área
da saúde com profissão regulamentada por lei.

3) Aposentado em um e atividade em outro. Sujeito está aposentado em um


cargo e resolve prestar um outro concurso, por exemplo. Isso pode nas
mesmas hipóteses da atividade: i) 2 cargos de professor (ex, aposentado como
professor e em atividade em outro cargo de professor); i) um de professor com
outro técnico ou científico (ex: juiz + professor); iii) 2 na área da saúde com
profissão regulamentada por lei.

Obs:
a) Estando aposentado no 1° cargo, pode exercer mandato eletivo no 2° cargo,
inclusive o de Presidente da República. Ex: Professor aposentado na
Universidade resolveu ser candidato a Presidente da República. Aposentado
como professor e ganha a eleição como presidente. Pode ganhar os 2? Pode,
se ele estiver aposentado no primeiro, pode exercer qualquer mandato eletivo
no segundo, inclusive o de Presidente. Portanto, pode aposentado + mandato
eletivo, ganhando os 2.

b) Estando aposentado no 1° cargo, pode exercer qualquer cargo em comissão


no 2° cargo. Ex: Estando aposentado no primeiro, pode ser Ministro de Estado
no segundo.

Atenção: É possível em qualquer caso, e não somente nos previstos no item c,


se a acumulação for anterior a EC 20/98. Trata-se de direito adquirido. A EC
20/98 criou a proibição para se acumular aposentadoria de um cargo com a
remuneração de outro. Assim, estando aposentado em um cargo, era possível
acumular a atividade no segundo cargo. Todavia, hoje não se admite. Ex:
acumular aposentadoria de cargo de promotor com remuneração de juiz.
4) Sujeito em atividade no primeiro cargo, mais atividade no segundo, que é um
mandato eletivo. Previsão no art. 38 da CF: se for um mandato federal,
estadual ou distrital, a acumulação não é possível. Nesse caso, precisa se
afastar do primeiro cargo, mas qual remuneração ganha? Ele recebe a
segunda remuneração (do cargo eletivo).

No mandato de prefeito, não é possível a acumulação. Aqui precisa se afastar


do primeiro também. Nesse caso, pode escolher qual remuneração quer
ganhar.

No cargo de vereador, se o horário for compatível, ele pode acumular. Nesse


caso, ele vai exercer os dois e ganhar pelos dois. Se o horário for incompatível,
não pode acumular e aplica-se a regra do prefeito, ou seja, tem que se afastar,
exerce o segundo e vai escolher a remuneração.
Portanto, só pode haver acumulação no cargo de vereador, sendo o horário
compatível.

APOSENTADORIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS

a) RGPS (regime geral): art. 201 e ss da CF. É estudado pelo D. Previdenciário.

Vinculam-se a ele:

- empregados privados;

- empregados da Administração Direta e Indireta;

- cargos em comissão;

- contratos temporários.

b) RPPS (regime próprio): previsão no art. 40 da CF. É estudado pelo D.


Administrativo. Cada ente político mantém seu regime.

Seve somente para:

- Servidores públicos titulares de cargos efetivos;

- Servidores públicos titulares de cargos vitalícios. Ex: juiz, promotor.

A CF, em seu texto original, exigia para que os servidores públicos de


aposentassem um único requisito: cumprimento de tempo de serviço. Não
importava se ele estava ou não contribuindo para a previdência. Dessa forma,
muitas pessoas se aposentavam de forma jovem, pois começavam a trabalhar
cedo.
O art. 40 da CF, alterado pela EC 20/98 (1ª Reforma da Previdência): alteração
dos requisitos para a aposentadoria. Instituiu 2 novos requisitos, válidos até
hoje. As EC seguintes (EC 41 e EC 47) não os alteraram.

Requisitos:

1) Substituiu o tempo serviço (trabalhado) pelo tempo de contribuição


(recolhimento à PS);

2) Exigência de limite de idade.

Modalidades de aposentadoria:

a) Aposentadoria por invalidez: só vai acontecer se a invalidez for permanente.

Proventos: regra geral, proventos proporcionais ao tempo de serviço. Exceção:


receberá a totalidade nos casos de invalidez no serviço e moléstia profissional
grave, incurável ou contagiosa.

2) Aposentadoria compulsória: decorrente de limite etário. Ocorre aos 70 anos


e vai receber proventos proporcionais ao tempo de contribuição. Mas se
contribuir até o limite, poderá receber proventos integrais.

3) Aposentadoria voluntária: é necessário 10 anos no serviço público + 5 anos


no cargo.

Proventos:

a) Integrais:

Se homem, aos 60 anos de idade + 35 anos de contribuição.

Se mulher, aos 55 anos + 30 anos de contribuição (aplicando o princípio da


isonomia).
b) Proporcionais:

Se homem, aos 65 anos de idade.

Se mulher, aos 60 anos de idade.

4) Aposentadoria especial: a do professor tem todos os requisitos na CF. São


os seguintes requisitos:

- Exclusividade de magistério. Pela Lei 11.301/06, entende-se exclusividade de


magistério aquele que está na sala de aula, como aquele que está na escola
(coordenador, diretor). O STF confirma isso pela ADIN 3772;

- Só se reconhece a especial do professor do ensino infantil, fundamental e


médio;

O professor só tem direito a especial em proventos integrais. Isso se for


homem aos 55 anos de idade, com 30 anos de contribuição; se mulher, aos 50
anos de idade, com 25 anos de contribuição.

A EC 47/05 trouxe outras aposentadorias especiais, além do professor:

- Do deficiente físico;

- Da atividade de risco.

Essas aposentadorias ainda necessitam de regulamentação por LC.

Se não tem lei complementar, pode-se requerer essa aposentadoria? Como


trata-se de norma de eficácia limitada, a matéria foi discutida via MI (721 e
728). O STF decidiu que no caso da atividade de risco, enquanto não vier a lei
complementar, o servidor terá direito de se aposentar pela Lei do Regime Geral
de Previdência Social. Aqui o STF utiliza o MI com efeitos concretos.
A EC 41/03 não alterou os requisitos da aposentadoria: tempo de contribuição
+ limite de idade. Essa emenda fez 5 mudanças importantes:

1) Revogou-se o princípio da integralidade: dava ao servidor o direito de


aposentar com tudo o que ele ganhava com a atividade. Entrou no seu lugar o
princípio da média da vida laboral: servidor ganhava R$ 5 mil no começo,
depois passou a ganhar R$ 20 mil e posteriormente R$ 10 mil. Calcula-se a
média daquilo que ele ganhou e contribuiu, estabelecendo o valor da
aposentadoria. Define-se por aquilo que ele efetivamente contribuiu e faz-se a
média.

2) Revogou-se o princípio da paridade: tudo o que ganhava o servidor da


ativa dava-se ao servidor da inativa. Em seu lugar, foi instituído o princípio da
preservação do valor real (preservar o poder de compra).

3) Criou a chamada contribuição dos inativos. Essa contribuição tem alíquota


mínima de 11%. Os Estados e Municípios podem fixar alíquota maior. A
alíquota incide sobre o que ultrapassar o teto do regime geral de previdência
social. O teto hoje é de R$ 3.689,66.

4) Estabeleceu o teto de proventos: o servidor público, quando se aposentar,


não pode receber além do teto do RGPS, hoje previsto na Portaria 115 do INSS
- R$ 3.689,66. Na verdade, o teto para ser aplicado na prática precisa da
criação de uma lei que vai instituir um regime complementar.

O constituinte (ECs 20 e 41), na tentativa de evitar a demandada dos


servidores para aposentadoria, tendo em vista essa mudança prejudicial, criou
o chamado abono de permanência: se o servidor preenchia os requisitos para
se aposentar e continuava trabalhando, ganhava uma isenção da contribuição.
Trata-se de um prêmio, pois desconta a contribuição e paga esse valor ao
servidor.
Tendo em vista essas mudanças previdenciárias, existem 3 situações
diferentes:

a) Servidores públicos que entraram antes da EC e na data da EC já preenchia


os requisitos para se aposentar: para ele se reconhece direito adquirido,
devendo se aposentar com a regra velha, antes da EC.

b) Servidor público que entrou no serviço público depois da EC, aplica-se a


regra nova.

c) Servidor público que entrou no serviço público antes da EC e na data da EC


não preenchia os requisitos: cada EC criou uma regra de transição, aplica-se
um meio termo. Há 3 regras de transição: i) EC 41, art. 2°; ii) EC 41, art. 6°; iii)
EC 47, art. 3°.
Obs: Para aplicação dessa regra, não pode haver interrupção do serviço. Se
houver mudança de cargo, aplica-se a regra nova.