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COLIVEIRA, Rejane Peta de; MATZENBACHER Tatiana. A experi= noi ets de letra, Dsponive em: ,Acesso em: 9 msi 2008, ROMAIS, Sands lie. imo etra rt dos comets da esttica ‘de recep opis os tots de Galmardes Ros, Dsponive ‘http wwtalpcombr/anaisi6/semtpdfsmiss12 08 pd ‘Acesso em: malo 2008. ZEAPPONE, Miran. sae Yaegash Etta da repo. In: BON: ICL Thomas, 2OLN, Lica sana eo terri: abordgens his ‘rica etendéacis contemporieas.2 ed. ree amp. Marings Eduem, 2005p. 153-162 272 » Aline P.de Morais | Andrea Abadia de M, Braga | Kamila K. 8 Desconstrucionismo ‘Maria José de Carvatho Ferreira! 1.0 que éa desconstrugio? ‘A Desconstrugio insere-se entre as tendénctas do ppensamento da critica pés-estruturalista, que segundo Michael Peters, caracteriza-se como uma manera de pen- sar que nfo apresenta uma caracteristica homogénes ou Ainica, Peters afirma que 0 termo pés-estruturalismo sur glu nos Estados Unidos referindo-se a uma pritica ame- ricana que abarca wpa grande diversidade de teéricos ‘Segundo Sturrock fafud PETERS, 2000, p. 21), "0 pés-es- ‘ruturalisyne éuma critica ao estruturalismo,feitaa partir ‘de seu Interior: isto 6, ele volta alguns dos argumentos do estruturalismo contra o proprio estruturalismo e aponta cettas inconsisténcias fundamentals em seu método, in consistncias que os estruturalistasignoraram’. © pés-estruturalismo néo pode se reduzir a um conjunto de pressupostes que sio aceltos por todos os seus pensadores deforma untvora, nem tampouco ser en- tendido como um método, uma teoria ou mesmo uma es- cola, E mais um "movimento de pensamento" que agrupa diferentes formas de priticaertia, Vineula-s, também, ‘i heranga estruturalista da linguistica, baseada na teorla jtiano spent om Basin Are poeta do Base ire onde cs ea ep {erred natn de Lats Ling / FV Desconetrusioniomo + 273 de Ferdinand de Saussure. Opensamento pés-estruturlistaenfatiza que os nificado ¢ fruto de uma construgo ativa, dependente do contexto, que coloca em questio as asserpies de verdade consideradas universais. Peters ressalta que, no contexto histérico francés, o pés-estruturalismo pode ser conside- rado como uma critica ao pensamento hegeliano, contra ialéticae em favor do jogo da diferenga © pés-estrucuralismo esté relaclonado, prinelpal- mente, aos trabalhos de jacques Derrida, Michel Foucault, Julia Kristeva, Jean-Frangols Lyotard, Gilles Deleuze, Luce Igaray, Jean Baudrillard, Roland Barthes, entre outros, que desenvolveram formas particulares de andlise: deseonstru ‘so, gramatologia, arqueologia, enealogia e semioanslise, irigidas ndo somente para a critica de institulgbes socials ‘como também para a teorizagio sobre a letura, a eserita, ‘ ensino, a televisdo, as artes visuals, as artes plistica, 0 ‘cinema ea comunicagaoeletrOnica. Derrida, um dos principais pensadores vineulados 20 pés-estruturalismo, fol o erlador do que ele denomina do estratégia desconstrucionista, que passaremos 2 co ‘mentara seguir e que de forma inadequada, muitas vezes tem sido associada a0 pés-estruturalismo como um tado ‘Antes de tudo julgamos pertinente saber como Derrida prope a desconstrucao. Em sua Carta a un ami- 99 Japonés (DERRIDA, 1997) faz algumas reflexbes sobre ‘temo desconstrugio com o objetivo de orientilo sobre a traducdo de seu pensamento floséfico para o Idioma ja- ponés. Neste texto ressalta que desconstruir , de alguma forma, um gesto estruturalista, mas ao mesmo tempo & lum gesto antiestruturalista. Desconstrulr refere-se a des- fazer, decompor, dessedimentar estruturas de qualquer tipo, sendo elas lngufsticas, “logocéntricas’, “fonocén- 274 © Maria josé de Carvalho Ferreira tricas,Instituctonais, culturals, poitcase principalmen: te floséficas. Segundo Derrida, isso levou 2 associagdo, principalmente nos Estados Unldos, do termo descons- trugio ao pés-estruturalismo. Pero deshacer,descomponer, desedimentar estructura, ‘movimenta més histérico en certo sentido, que el mo vimenta “estruturalit’ que se hllabe de este modo puesto en cueston, no consist en una operacén nega tiva Mis que destruir era preciso asimismo comprenécr ‘como se habla construido un "conjunto”y para ll, era ecesari reconstruirl. (DERRIDA, 1997) Continua enatzando quea descostruco,embora ruts a tenbam entendido de manciraequvocada,nio nem uma aii nem tampouco uma cia. Nao pode ser consierada un alse porgue a desmantagem de uma determinada estrutura no poe ser confi com ‘um movimento de regresto até 0 seu elemento red: tivelAcrescenta que a desconstrugo no também, unt métodoe nem deve se transforma ou entendida como um instramental metodlégio, que podera ser subor nao au conjunto de normas eprocedimentos spc ‘eis Rforga que cada acontecimento de desconstrusao io pode ser visto om um a0 ot a erage, orae no corresponde am sujeito que tera a dei de op Cita a um determinado objet, un texto ou tra os fico. A desconstrto & para Derrida, um acontecmento ae nio espera a decist,aorganiagso ot 9 con iia a oo mor eer esti. Mais que cases ea pei conpreedr come so hala ‘Sostldb ui conju, pra Bt sr esse acta. | do sujeto-Toda frase que expressa: « desconstrupo & X ou ndo éX pode ser considerada fala, Todos os concsitos ‘que podem defini-a sto também desconstrutivels e isto serve inclusive para a palavra desconstrugao, Seu valor & ‘ode estar inserida em uma cadela de substituigBes posst- veis isto 6, em um contexto no qual pode substituir ou ser substituidae ser deverminada por muitas outras palavras, Em seguida Derrida pergunta eresponde: “Lo quela descontruceidn no es? Pues todo! “Lo quel desconstruciine=? Pues nada! ® 2, Différance ea desconsteucio das hierarquias violentas A desconstrugio no pode ser entendida como lum conceito porque isso viria a contrariar a proposta| desconstrucionista, que tenta subverter as préprias no- ses de concelts. 0 pensamento logocéntrico, segundo Derrida, esté vinculado a uma abordagem que aponta pa- res de opasigdes como: razio e emo¢so,esprito e maté- ia, identidade e diferenca, masculino e feminino, fala e esctita etc, em que o primeiro tem sempre primazia sobre 1 segundo termo da oposigo, o que remete a uma catego~ ria original ou fundamental, que 6 presenga. Ahistria da metafsca comoahitriad Ocdent, er ‘histria dessas metfora e desas metonimias (os ee rontes nomes que utilzamos para nosreferira um contro ‘00 fundamento estivla partir do qual possamos pensar ‘a totalidade de uma estrtura ox mesma darealdade em 1 dscns a 67a Saget exon nad 276 © Maria José de Carvalho Ferreira seal. A sua forma mutrcl seria.) 3 determinagio do Ser como prensa em todos os sentido desta palara Poder-se-da mostrar que tdos os nomes do fundamento, do principio, ou do centro sempre designaram oinvarian te de uma presen (das, argue eos, energea,ousla (essincia, existéne,substinci, soo) altho, tans: condentalidae,consiéncla, Deus, homem et (DERRIDA, 2005, p.231), n A dintmica da estratégla da desconstrugio niio ‘propée um programa a ser cumprido ou uma atribuigio de significado determinado que deva ser realizado, Visa, ‘em primeiro lugar, inverter a hierarquia que rege os ter- ‘mos de uma oposigio conceltual dentro do pensamento ‘metafisico e, em conseqiénea, o segundo termo passa a ser visto como o principal. No livro Poses, Derrida fala dda estratézia da deséonstrugio e chama a atengio para o aspecto Impositive implicto na universalidade dos con- ‘ceitose para a hierarquia prépriaa toda oposisao conce- tual, sem espaco para existéncia da neutralidade. Insiste na necessidade dessa fase de inversio que talvez se tenha >procurade desacreditar apressadamente Fazer justia a esta necessdade & reconhecer que, em uma oposie flosfiaelissca, nds ndo estamos le ‘dando com uma eoexisténiapactien de um face a face, ‘mas com uma hierarquia voleta. Um dos dois termos comanda 0 outro (axololcamente, logicamente et). Desconstruir um oposigSo concetual é primeira- ‘mente, em um momento dado, inverter a hierargula Descuidar-se dessa fate de inversio esquecer a cet ‘ura conftivae subordinante da aposici. (DERRIDA, 2004, p48}, ‘Desconstrucionismo + 277