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Stefanny da Silva Siqueira

Top. em História da Arte e Mov. Culturais

Madona Sistina, atualmente exibida na Pinacoteca dos Mestres Antigos, Dresden,


Alemanha. (Figura 1)

Rafal Sanzio nasceu em 1483 na Itália, iniciou cedo como aprendiz de Pietro
Perugino, e precoce, aos dezessete anos (em 1500) Rafael já era considerado um
mestre.
A obra Madona Sistina é uma pintura a óleo encomendada em 1512 pelo Papa Júlio
II para a igreja de São Sisto em Placência, criada pelo artista italiano Rafael Sanzio.
Rafael Sanzio absorveu a estética renascentista e executou diversas madonas,
entre as quais a Madona Sistina fora uma de suas últimas. Fez uso das grandes
inovações introduzidas na pintura do Renascimento como: o chiaroscuro, contraste
de luz e sombra, e o sfumato, sombreado levemente gradual, para delinear as
formas.
A influência de Michelangelo e Da Vinci consistiu sobretudo na utilização das
possibilidades expressivas da anatomia humana. Sanzio é a simbologia máxima do
classicismo, fez uso e estudou todos os ideais da Grécia antiga, portanto suas obras
são objetos de estudo para qualquer um que deseja estudar a arte clássica.
Analisando seus quadros é possível identificar todos os elementos que identificam
uma obra clássica, como descreveu Wölfflin em Princípios Fundamentais da História
da Arte.
Nesta obra é nítido a utilização de traços bem desenhados, uma linha de contorno
que envolve as figuras, que não deixa que elas se misturem e as isola, limitando
volumes. A linearidade observada por Wölfflin;
A utilização de planos também pode ser observada, há uma distinção bem grande
entre a Madona, carregando o menino Jesus, entre São Sisto e Santa Bárbara,
entre as dezenas de querubins ao fundo e entre os dois anjos alados distintos
descansando logo abaixo dos pés da Virgem, tudo muito bem organizado e
distribuído geometricamente;
A obra de Rafael também deixa claro a forma fechada, sendo seu quadro uma
construção para ser vista na sua totalidade e não havendo necessidade de
extrapolar os limites físicos da tela, apesar dos anjos alados estarem pela metade,
ela se completa, seu universo é fechado, não havendo necessidade de algo que
esteja fora de seus limites;
A luz absoluta também é uma característica muito forte e presente nas obras de
Rafael e um traço clássico bem característico, não parece emanar de apenas um
lugar, todos as figuras tem uma luz divina que ilumina todos os corpos com
perfeição;
Dentro do quadro do Sanzio a multiplicidade também é predominante, sendo cada
elemento disposto em um lugar do quadro formando um todo, mas sem se misturar
entre si.

[...] No livro "The Invisible Masterpiece" de 2001, Hans Belting e Helen Atkins
descrevem a influência que o quadro obteve na Alemanha:

Como nenhuma outra obra de arte, a Madona Sistina de Rafael em Dresden


inflamou a imaginação alemã, unindo-os ou dividindo-os no debate sobre arte e
religião... Uma e outra vez, está pintura tem sido aclamada como 'suprema entre as
pinturas do mundo' e com o epíteto de 'divina'...

Se as histórias são corretas, a pintura atingiu sua proeminência imediatamente [...]

A valorização na arte desse período conhecido como Renascimento era a de uma


idealização da perfeição e da razão, do homem em detrimento do divino, uma
perfeição que transcende a realidade, transcende a natureza.

A liberdade guiando o povo, a obra se encontra atualmente exposta no Museu do


Louvre, em Paris, na França. (Figura 2)

Eugène Delacroix nasceu em Saint-Maurice em 1798, desde cedo teve uma


educação excelente, frequentando os melhores colégios e estudando desde cedo
nomes como de Rafael Sanzio e Rubens
A tela A liberdade guiando o povo é uma das principais obras do período chamado
Romantismo e nela encontrasse muitos dos elementos desse movimento que se
caracterizava por uma renovação a um passado clássico, rejeitando a ênfase no
desenho preciso que caracterizava a arte acadêmica de seu tempo.
Tendo o século XVIII sido marcado pelos elementos clássicos do iluminismo, de
racionalidade, de perfeição, beleza, etc. Os artistas românticos iam em contramão
as técnicas estabelecidas, como uma forma de ruptura, representando a
subjetividade, a emoção, a nacionalidade, etc. O romantismo é muito marcado
quanto a representação da emoção, da capacidade do indivíduo, dos ideais
utópicos.
Eugène Delacroix é um dos mais famosos pintores românticos e a sua obra mais
celebre é A liberdade guiando o povo, nela reúnem-se os ideais nacionalista e
romântico, numa obra que se estrutura em muita turbulência. Nesse movimento é
importante lembrar que as cores e a paisagem, não são apenas um cenário da
composição, é mais uma relação dos personagens com a expressão local, esse
local tem um propósito de existir, tem uma subjetividade no céu, esse céu que é
bastante turbulento. Ao fundo na obra é possível identificar as duas torres de Notre
Dame, ou seja, é ambientada em Paris e o tema os revolucionários de 1830 guiados
pelo espirito da Liberdade (a mulher segurando o fuzil de infantaria com baioneta
numa mão e a bandeira da França na outra) representando os ideais
revolucionários.
Delacroix não participou efetivamente da revolução, o que nos diz que o quadro
pode ter sido o relato de alguém que participou, ou seja é uma idealização do que
foi para ele, e em carta escreve para seu irmão no mesmo ano da pintura,
"Embarquei num tema moderno - a barricada. Mesmo que eu não tenha lutado pelo
meu país, pelo menos pinto para ele"

Campo de trigo com corvos, a obra está atualmente exposta no Museu Van Gogh,
em Amsterdã, na Holanda. (Figura 3)

A obra Campo de trigo com corvos foi uma das últimas obras pintadas por Van
Gogh, a paisagem foi justamente onde ele teria se dado o tiro uma ou duas
semanas depois de finalizar a tela. Nela há claros elementos sombrios, que
demonstravam o seu estado mental. Naquele momento ele já havia retornado ao
Norte pra Auvers-sur-Oise para ficar próximo de seu irmão, mas o sentimento de
isolamento e falta de raízes é claramente notado em suas últimas obras, onde os
tons escuros e as fortes pinceladas transmitem cada vez mais uma sensação de
angustia. Jan Hulsker descreve este trabalho como uma "pintura cheia de desgraça,
com um céu ameaçador e corvos de mau agouro" e também argumenta estar
associada com "melancolia e extrema solidão" Os tons escuros e ameaçadores do
céu, do campo de trigo e da terra; os três caminhos, sendo a estrada central um
caminho pra lugar nenhum e os outros dois de percurso desconhecido; os corvos,
que são grandes símbolos de agouro; esses elementos presentes na tela
demonstram de forma implícita um homem que já havia perdido a esperança que se
via em muitos dos seus primeiros quadros.
Vincent Willem Van Gogh é hoje um consagrado pintor do século XIX, seu nome e
suas principais obras são amplamente conhecidos, até mesmo por quem não se
interessa por arte. É reconhecido atualmente como um dos maiores artistas
ocidentais de todos os tempos, sendo a sua habilidade, técnica e beleza
extremamente cultuadas e reproduzidas em diversos outros meios artísticos.
Entretanto, não presenciou todo esse reconhecimento, ao contrário, em vida sofrerá
demasiadamente, pois acreditava ser um fracasso, não só como artista, mas em
toda e qualquer profissão que tentava a sorte.
Vincent teve uma infância difícil, sentia-se rejeitado pela mãe e buscava a
aprovação de seu pai, que nunca chegou a obter, nessa busca por aprovação
tentou diversas profissões antes da pintura verdadeiramente, o que o fez começar
tarde em comparação a maioria dos outros pintores, precisamente aos 28 anos, e
em menos de dez anos já havia produzido mais de 800 (oitocentos) quadros, ele
assimilava em sua técnica as questões estéticas dos movimentos artísticos que
surgiram no período, adaptando-os ao seu estilo. Neste momento o impressionismo
era o movimento artístico mais expressivo da época, mas Van Gogh como muitos
outros não se prendiam ao estilo puramente impressionista, sendo considerado pós-
impressionista na medida em que admitia a importância do lado subjetivo, humano,
emocional e sentimental expresso nas artes, e não somente de seu aspecto
“superficial”, de reprodução da realidade, como fizeram os autores do
Impressionismo.
Apesar da vasta quantidade de telas pintadas em menos de dez anos, Van Gogh
não obtinha êxito na venda de seus quadros, tendo vendido apenas um em vida, A
vinha encarnada. Sem nenhum meio de subsistência, era o apoio financeiro de
Theo, seu irmão, que possibilitava a Vincent dedicar-se exclusivamente a pintura.
Vincent sabia que era excluído da sociedade, escreveu muitas cartas para seu
irmão, Theodorus Van Gogh, exprimindo esse sentimento de não pertencimento,
isso fica mais evidente após o episódio da orelha mutilada, que deu a ele o crédito
de louco por quem o conhecia, mas desejava imensamente que suas obras fossem
reconhecidas por sua família e pela sociedade que tanto o ignorava, queria que o
seu sentir evidenciado em pinceladas fosse sentido pelos outros, coisa que ele
também exprimiu em cartas para Theo.
Infelizmente toda uma vida conturbada levou-o a loucura e tragicamente ao suicídio
(até hoje discutido). Mais que um pintor que não se enquadrava, Vincent foi um
homem incompreendido por seus contemporâneos, contudo seus estudos artísticos
influenciaram de forma profunda a arte até os dias de hoje. Toda a técnica e beleza
dos quadros de Vincent Van Gogh são justificativas mais que suficiente do prestígio
que ele recebe hoje, mas talvez também seja uma tentativa de redenção por tudo
que ele sofrerá enquanto pessoa e artista excepcional.

"Vincent escreveu sobre a obra em uma carta para os seus irmãos:


Então - uma vez de volta ao trabalho - o pincel, no entanto, quase caindo de minhas
mãos e - sabendo claramente o que eu queria, pintara mais três telas grandes
desde então. Eles são imensos trechos de campos de trigo sob céus turbulentos, e
fiz com o objetivo de tentar expressar tristeza e solidão extrema. Vocês verão isso
em breve, espero - pois espero trazê-los em Paris o mais rápido possível, já que
quase acredito que essas telas vão te dizer o que não posso dizer em palavras, o
que considero saudável e fortificante sobre o campo."

Referências

A LIBERDADE GUIANDO O POVO (WIKIPÉDIA). Disponível em:


<https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Liberdade_guiando_o_povo>. Acesso em: 03 de abr.
de 2018.

COLI, J. Crítica, história da arte, categorias e sistemas. In:__. O que é arte. 15. ed.
São Paulo: Brasiliense, 1995. cap. 4, p. 39-53.

EUGÈNE DELACROIX (WIKIPÉDIA). Disponível


em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Delacroix>. Acesso em 02 de abr.
de 2018.
MADONA SISTINA (WIKIPÉDIA). Disponível em:
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Madona_Sistina>. Acesso em 03 de abr. de 2018.

RAFAEL (WIKIPÉDIA). Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael>.


Acesso em 02 de abr. de 2018.

VINCENT VAN GOGH (WIKIPÉDIA). Disponível em:


<https://pt.wikipedia.org/wiki/Vincent_van_Gogh>. Acesso em 02 de abr. de 2018.