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DIREITO CONSTITUCIONAL

Remédios Constitucionais
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REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS

• Sinônimos: ações, garantias e writs constitucionais


• Diferença entre direitos e garantias

Um remédio é a garantia para proteger o direito. Assim, as garantias tutelam


e protegem o direito.

Atenção!
Remédios constitucionais não são direitos.

REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS

HABEAS CORPUS – direito de locomoção (ir, vir e permanecer)


O remédio habeas corpus tem a função de tutelar e proteger o direito de loco-
moção.
HABEAS DATA – direito de informação de caráter pessoal
MANDADO DE SEGURANÇA – direito líquido e certo (residual)
MANDADO DE INJUNÇÃO – omissão legislativa
AÇÃO POPULAR – ato lesivo

Atenção!
O remédio constitucional mais recorrente em questões de provas de concurso
é o habeas corpus. Após ele, o mandado de segurança e a ação popular.

De acordo com o professor Alexandre de Moraes, há sete remédios, havendo


o acréscimo de remédios administrativos: o direito de petição e o direito de cer-
tidão.
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Há uma distinção meramente conceitual: os cinco remédios tradicionalmente


estudados são os remédios judiciais, e o direito de petição e de certidão são
remédios do ponto de vista administrativo.
Os direitos de petição e de certidão são gratuitos a todos, independentemente
do pagamento de taxas, ou seja, sem distinção entre pessoas de diferentes con-
dições socioeconômicas. Por exemplo: Em caso de carro furtado ou roubado, a
ocorrência policial realizada é uma petição, e nenhum indivíduo precisará pagar
pela ocorrência policial, pois o direito de petição aos órgãos públicos é assegu-
rado a todos gratuitamente.
O habeas corpus e o habeas data também são gratuitos, não havendo a
necessidade de se pagar custas, sendo esse primeiro remédio o único que não
necessita de advogado.
Já o Mandado de Segurança e o Mandado de Injunção não são gratuitos e
podem ser tanto individuais quanto coletivos.
A ação popular, por sua vez, serve para combater ato lesivo e é gratuita, salvo
se comprovada má-fé.

HABEAS CORPUS

• Origem no mundo: Magna Carta, Inglaterra,1215

O habeas corpus é o remédio mais importante de todos, sendo o primeiro a


existir em todo o mundo. Ele surge, no cenário internacional, com a Magna Carta
do Rei João sem Terra, um documento histórico escrito por um rei que não tinha
terras, ou seja, que era fraco politicamente, mas extremamente tirano.
A Magna Carta foi fruto de um acordo ou pacto entre duas forças de poder:
o Monarca e o Parlamento. Por isso, ela é chamada também de constituição
pactuada ou dualista. Nela, eram feitas concessões e surgiram o remédio cons-
titucional mais importante (o habeas corpus) e o devido processo legal, princípio
mãe de todo o Direito Processual.
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• Origem no Brasil

O Brasil teve algumas constituições, como a Constituição de 1824, a pri-


meira, e a de 1891, que promoveu a maior transformação nos dias atuais, por
substituir Monarquia por República, unitário por federado e parlamentarismo por
presidencialismo.
No entanto, na primeira constituição brasileira, não havia nenhum assunto
sobre habeas corpus. Ele foi introduzido no Direito Brasileiro em 1832, pelo
Código Criminal do Império.
No Direito Constitucional, a primeira constituição a entrar foi a de 1891, a
Constituição da República.

• Tutela do direito de locomoção: ir, vir e permanecer – como era antes?

O habeas corpus pode ser traduzido por expressões semelhantes a “dai o


corpo” ou “devolva o corpo”, ou seja, “coloque em liberdade” a pessoa que está
sendo presa injustamente.
Todavia, em sua história, o habeas corpus não servia apenas para o direito
de locomoção. Na verdade, muitas vezes ele fazia o papel dos outros remédios
constitucionais, que só surgiram depois. Não havia mandado de segurança, por
exemplo, e quando um indivíduo necessitava de algo, ele se valia do habeas
corpus, uma vez que este não era só um direito de ir e vir e permanecer, mas era
impetrado contra a ilegalidade ou abuso de poder de modo geral.
Portanto, várias situações tratadas atualmente por meio de outros remédios
constitucionais o eram, à época, por meio de habeas corpus.
Após o surgimento do mandado de segurança, a abrangência do habeas
corpus diminuiu, o que não tirou em nada o seu papel de proeminência frente
aos outros remédios constitucionais dado que o habeas corpus é muito sim-
ples, podendo qualquer pessoa impetrá-lo, uma vez que não há formalidade
adequada.
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HABEAS CORPUS – PARTES

O habeas corpus tem três partes:

• Impetrante (qualquer pessoa, natural ou jurídica)

Impetrante diz respeito àquele que “vai entrar”.


Qualquer pessoa natural ou jurídica pode impetrar um HC.
Por exemplo: se um professor do Gran Cursos Online está preso, essa
empresa pode impetrar habeas corpus para beneficiá-lo.
De acordo com parte da doutrina, uma criança não pode entrar com habeas
corpus, pois não teria legitimidade para figurar em juízo.
Contudo, o entendimento de que uma criança ou um adolescente podem
ingressar com habeas corpus predomina tanto na jurisprudência quanto na pró-
pria doutrina.
Um estrangeiro, por sua vez, também pode impetrar, desde que seja em ver-
náculo, ou seja, em português.
É importante destacar que habeas corpus cuja petição seja apócrifa não é
aceito.

 Obs.: Apócrifo diz respeito à petição sem assinatura do titular.

Dessa forma, se um sujeito entra com habeas corpus em benefício de outro,


ele deve assinar, porquanto gera o benefício da dúvida quanto à possibilidade da
prática de determinado ato, precisando se responsabilizar pelas atitudes escri-
tas.
Assim, muitas vezes se entra com habeas corpus não para beneficiar, mas
para gerar dúvida sobre a conduta de uma pessoa.
Na política brasileira, por exemplo, um Senador da República, de uma linha
ligada principalmente à direita, subiu ao púlpito do Senado e narrou que o ex-
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-presidente Lula havia impetrado um habeas corpus preventivo pelo fato de estar
muito receoso quanto à ideia de ser preso. No entanto, quem o impetrou não foi
o ex-presidente Lula, que tampouco o ordenou.
Na verdade, um indivíduo costumeiro em impetrar habeas corpus o fez sem
a anuência do titular.
Portanto, a impetração de HC preventivo para o ex-presidente não foi para
beneficiá-lo, mas para que houvesse a alegação de que ele estava apreensivo
em relação a uma possível prisão.

–– Quem não pode ser impetrante?

Juízes e delegados, no exercício de seus cargos, não podem ser impetrantes


do HC.
Por exemplo: se uma ilegalidade é destinada a um Juiz do DF, ele não poderá
impetrar habeas corpus, pois a lei oferece oportunidade a ele de conceder a
ordem de ofício.
O Delegado, por sua vez, não pode impetrar habeas corpus no exercício de
sua função nem conceder habeas corpus de ofício.
O Ministério Público, por sua vez, pode impetrar habeas corpus desde que
em benefício do acusado.

• Impetrado (autoridade pública ou particular)

O impetrado é também chamado de autoridade coatora. O impetrante diz res-


peito a quem entrou, e o impetrado, a contra quem se entrou, ou seja, quem está
violando o direito de locomoção.
O impetrado pode ser uma autoridade pública e também particular.
Por exemplo: um indivíduo vai a uma casa noturna e, no momento em que
está adentrando o local, recebe um cartão de consumação, em que deve anotar
tudo o que consumir, devendo pagar o valor de quinhentos reais caso o perca.
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Nessa hipótese, se o sujeito perder o cartão, e o segurança restringir sua loco-


moção até que ele efetue o pagamento do valor estipulado, ele poderá entrar
com HC contra a boate, uma vez que não pode haver prisão em razão de dívida.

• Paciente

O impetrante e o paciente podem ser as mesmas pessoas, sendo comum


que o preso escreva uma carta, solicitando a sua soltura.

–– Menores

Tecnicamente, menores não são presos, mas apreendidos. Independente-


mente de prisão ou apreensão, o seu direito de locomoção pode ser restringido
e, consequentemente, menores podem ser pacientes em habeas corpus.

–– Pessoas jurídicas

Nesse tema, as pessoas jurídicas podem responder criminalmente em hipó-


teses excepcionais de responsabilidade penal da pessoa jurídica nos crimes
ambientais. Assim, pela Lei do Meio Ambiente, as pessoas jurídicas podem res-
ponder criminalmente dentro dos crimes ambientais.
No entanto, não é possível se entrar com HC em benefício da pessoa jurídica.
Em liminar, o Ministro Lewandowski afirmava que sim, mas ao se julgar o mérito,
determinou-se que a pessoa jurídica não podia ser paciente, uma vez que ela
não se locomove.
Embora possa responder criminalmente, não é possível haver prisão da
pessoa jurídica, apenas dos responsáveis por ela.
Segundo a Teoria da Dupla Imputação, nos crimes ambientais, para que se
possa denunciar a pessoa jurídica, também é necessário responsabilizar seus
sócios. Todavia, o STF relativizou essa teoria e, portanto, ela não precisa ser
sempre seguida.
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–– Animais

Embora animais se locomovam, não é possível impetrar habeas corpus para


estes, pois não são titulares de direito, mas bens semoventes, dentro da concei-
tuação clássica do Direito Civil.

 Obs.: No Direito, há várias ferramentas adequadas para cada caso. Os remé-


dios constitucionais são apenas algumas delas.

Em caso do STJ, o IBAMA cassou a autorização de um dono de dois chim-


panzés, os levando. Seu possuidor, então, entrou com um HC. No entanto, esta
ferramenta não era adequada para o caso, e sim um Mandado de Segurança,
em que deveria dispor possuir direito líquido e certo de ter seus animais, uma
vez que estava cumprindo com todo o regramento administrativo necessário
para isso.

HABEAS CORPUS – MOMENTOS

Há, basicamente, dois momentos para se impetrar um habeas corpus:

• Preventivo ou salvo conduto


Impetrado antes da violação ao direito da locomoção.

• Repressivo ou liberatório
Impetrado para liberar um indivíduo que já está preso.

• O que se entende por HC preservativo ou profilático?


O habeas corpus preservativo ou profilático nada mais é que uma espécie de
habeas corpus preventivo.
Exemplo: um indivíduo transporta muambas do Paraguai para o Brasil, que
podem ser proibidas ou permitidas. Como o princípio da insignificância não se
aplica ao crime de contrabando, somente ao descaminho, o tipo de muamba
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trazida é permitida, ou seja, é descaminho, não havendo pagamento do imposto


devido, uma vez que dentro da quantidade transportada, o valor do tributo não
chega aos patamares descritos pela jurisprudência do STF ou do STJ como
relevantes penalmente. Nesse caso, embora não tenha havido prisão, se um
inquérito policial é aberto contra esse sujeito, ele poderá entrar com um HC para
trancá-lo, mesmo não havendo possibilidade iminente de prisão, porquanto a tra-
mitação desse inquérito é claramente um constrangimento. Portanto, o habeas
corpus, nessa hipótese, se caracteriza como “pré-preventivo”.

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor Aragonê Nunes.
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