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Brasília, 28 a 31 de outubro de 1996 - Nº 51

Data (páginas internas): 06 de novembro de


1996

Este Informativo, elaborado pela


Assessoria da Presidência do STF a partir de
notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas na semana pelo
Tribunal. A fidelidade de tais resumos ao
conteúdo efetivo das decisões, embora seja
uma das metas perseguidas neste trabalho,
somente poderá ser aferida após a sua
publicação no Diário da Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS
Alienação Fiduciária
Cabimento de Medida Cautelar
Cabimento de Recurso na Justiça Federal
Concurso Público: Limite de Idade
Defensor Público: Intimação Pessoal
Denúncia e Crime Societário
Direito Adquirido a Adicional
Enfiteuse e Ato Jurídico Perfeito
Isenção da Correção Monetária
Isenção Onerosa e Direito Adquirido
Isonomia e Vantagem Trabalhista
Júri: Nulidade Inocorrente
Livramento Condicional
Nomeação de Juiz Togado
Pauta: Publicação no Período de Férias
Registro Civil de Pessoas Naturais
Responsabilidade Civil
Roubo e Extorsão mediante Seqüestro
Substituição da Pena Privativa de Liberdade
Tóxico: Fornecimento Eventual

PLENÁRIO
Nomeação de Juiz Togado
Tratando-se do provimento inicial de cargos
reservados a juízes togados em Tribunais Regionais do
Trabalho criados a partir do desmembramento de área
sob jurisdição de outros Tribunais Regionais, a
antigüidade e o merecimento devem ser apurados entre
os juízes em exercício na área matriz, sendo
inconstitucional o critério estabelecido pelas leis que
criaram os TRTs da 17ª e 18ª Regiões, com sede,
respectivamente, em Vitória-ES e Goiânia-GO
(apuração da antigüidade, separadamente, nas áreas
desmembrada e matriz e elaboração de duas listas
tríplices, com nomes de juízes em exercício em cada
uma dessas áreas). Precedentes citados: MS 21570-SE
e 21687-SE (ambos publicados no DJ de 21.06.96).
ADIn 306-UF, rel. Min. Néri da Silveira, 23.10.96.

Registro Civil de Pessoas Naturais


Indeferida a suspensão de eficácia de provimento
do Conselho Superior da Magistratura do Estado de
São Paulo que, diante da falta de interessados na
exploração dos serviços de registro civil de pessoas
naturais em diversas localidades do Estado, autoriza o
Presidente do Tribunal de Justiça a firmar convênios
com Municípios, visando à manutenção dos referidos
serviços, desde que verificada a existência de cartório
com renda insuficiente, cabendo às respectivas
prefeituras a designação do servidor responsável e o
fornecimento dos meios materiais necessários ao seu
funcionamento. Ação direta ajuizada pela Associação
dos Notários e Registradores do Brasil - ANOREG,
com fundamento nos arts. 22, XXV, e 236 da CF.
ADIn 1.450-SP, rel. Min. Moreira Alves, 31.10.96.

PRIMEIRA TURMA
Cabimento de Recurso na Justiça Federal
O art. 108, II, da CF (“Compete aos
Tribunais Regionais Federais: II - julgar, em grau de
recurso, as causas decididas pelos juízes federais e
pelos juízes estaduais no exercício da competência
federal da área de sua jurisdição.”) encerra disciplina
sobre a competência dos Tribunais Regionais Federais,
não a previsão de hipótese de cabimento de recurso
para esses tribunais. Com base nesse entendimento, a
Turma não conheceu de recurso extraordinário em que
se sustentava a não recepção pela CF/88 da Lei
6825/80, que prevê o não cabimento do reexame
necessário e da apelação contra decisões proferidas
em causas de valor inferior a determinado limite, com
o fim de imprimir maior celeridade aos feitos na
Justiça Federal. RE 140.301-CE, rel. Min. Octavio
Gallotti, 22.10.96.

Alienação Fiduciária
O DL 911/69 não ofende os princípios
constitucionais da igualdade, da ampla defesa e do
contraditório, ao conceder ao proprietário fiduciário a
faculdade de requerer a busca e apreensão do bem
alienado fiduciariamente (art. 3º, caput) e ao restringir
a matéria de defesa alegável em contestação (art. 3º, §
2º). RE 141.320-RS, rel. Min. Octavio Gallotti,
22.10.96.
Pauta: Publicação no Período de Férias
O art. 66, § 1º, da Lei 35/79 (LOMAN), ao
dispor que “os membros dos Tribunais (...) gozarão de
férias coletivas, nos períodos de 2 a 31 de janeiro e de
2 a 31 de julho” não afasta a aplicação do art. 797 do
CPP, que admite a prática dos atos do processo (exceto
o início de julgamentos) em período de férias, em
domingos e dias feriados. Com esse fundamento, a
Turma indeferiu pedido de habeas corpus em que se
pretendia anular o julgamento de ação de revisão
criminal, sob a alegação de haver sido publicada a
pauta no último dia do período de férias (31 de julho).
HC 74.341-SP, rel. Min. Octavio Gallotti, 29.10.96.

Tóxico: Fornecimento Eventual


A cessão eventual de tóxico a terceiro
configura o crime de tráfico, nos termos do art. 12 da
Lei 6368/76 (“fornecer ainda que gratuitamente...”).
Com base nesse dispositivo, a Turma indeferiu habeas
corpus impetrado contra acórdão do Tribunal de
Justiça do Estado do Rio de Janeiro que dera
provimento a recurso em sentido estrito da acusação,
para determinar a prisão cautelar do paciente. HC
69806-GO (RTJ 151/155). HC 74.420-RJ, rel. Min.
Celso de Mello, 29.10.96.

Livramento Condicional
Para fins de concessão de livramento
condicional (CP, art. 83), considera-se a pena
efetivamente imposta ao condenado, não o limite
previsto no art. 75 do CP (“O tempo de cumprimento
das penas privativas de liberdade não pode ser
superior a trinta anos.”). Precedentes citados: RHC
63673-SP (RTJ 118/497); HC 68662-SC (RTJ
137/1204); HC 70002-SP (RTJ 147/637). HC 74.428-
PR, rel. Min. Celso de Mello, 29.10.96.

Isenção da Correção Monetária


Para afastar o benefício do art. 47 do ADCT
(isenção da correção monetária) o credor deve
demonstrar que o mutuário dispunha de meios para o
pagamento de seu débito na data da promulgação da
CF, pouco importando que o valor obtido com a venda
da safra colhida antes dessa data fosse superior ao da
dívida. RE 171.311-SP, rel. Min. Octavio Gallotti,
22.10.96.

Direito Adquirido a Adicional


O art. 17 do ADCT (“Os vencimentos, a
remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como
os proventos de aposentadoria que estejam sendo
percebidos em desacordo com a Constituição serão
imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes,
não se admitindo, neste caso, a invocação de direito
adquirido ou percepção de excesso a qualquer
título.”) não impede a invocação de direito adquirido
contra a aplicação retroativa de lei que estabeleça
limite para vantagem incorporada pelo servidor sob o
império da lei anterior e que não seja, em si mesma,
conflitante com a atual Constituição. Com base nesse
entendimento, a Turma confirmou decisão do Tribunal
de Justiça do Estado de Goiás que excluíra do âmbito
de incidência de lei local que limita a 35% a parcela da
remuneração a ser paga a título de adicional por tempo
de serviço a situação de servidores que tiveram esse
adicional incorporado à sua remuneração em
percentual superior ao mencionado limite. RE
148.714-GO, rel. Min. Moreira Alves, 22.10.96.

Cabimento de Medida Cautelar


A nova redação do par. único do art. 800 do
CPC (“Interposto o recurso, a medida cautelar será
requerida diretamente ao Tribunal.”) não altera a
jurisprudência do STF no sentido de que não cabe
medida cautelar inominada para requerer a concessão
de efeito suspensivo a recurso extraordinário ainda não
admitido na origem. Entendimento contrário implicaria
pré-julgamento da admissão do RE pelo relator da
cautelar no STF, em detrimento da livre apreciação do
recurso pelo presidente do tribunal a quo, que é
competente originariamente para tal juízo. Pet 1.189-
MG (AgRg), rel. Min. Moreira Alves, 29.10.96.

Enfiteuse e Ato Jurídico Perfeito


O art. 88 da Lei 7450/85, que acrescentou ao
art. 101 do DL 9760/46 (“Os terrenos aforados pela
União ficam sujeitos ao foro de 0,6% do valor do
respectivo domínio pleno”) a expressão “que será
anualmente atualizado”, não se aplica a contrato de
enfiteuse firmado antes do início de sua vigência, sob
pena de violação ao art. 5º, XXXVI, da CF (“a lei não
prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico
perfeito,...”). A Turma entendeu que o questionado
dispositivo, em sua redação original, disciplinava a
fixação inicial do valor do foro, não autorizando a
atualização introduzida pela Lei 7450/85. Admitiu-se,
não obstante, a correção monetária do foro, a fim de
evitar o enriquecimento sem causa do enfiteuta. RE
143.856-PE, rel. Min. Octavio Gallotti, 29.10.96.

Denúncia e Crime Societário


Tratando-se de crime societário, a
participação de cada acusado deve ser apurada no
curso da instrução, sendo, pois, insuficiente para
justificar o trancamento da ação penal a circunstância
de a denúncia não descrever de forma individualizada
a conduta dos co-réus, se isso não prejudica o pleno
exercício do direito de defesa. HC 74.571-BA, rel.
Min. Ilmar Galvão, 29.10.96.

Defensor Público: Intimação Pessoal


A fim de que se reabrisse o prazo recursal
para a defesa, a Turma deferiu habeas corpus em favor
de réu cujo defensor público não fora pessoalmente
intimado de acórdão do Tribunal de Justiça do Amapá
que, anulando decisão absolutória proferida pelo
Tribunal do Júri, determinara a sujeição do paciente a
novo julgamento. Aplicação do disposto no § 5º do art.
5º da Lei 1060/50, acrescido pela Lei 7871/89 (“Nos
Estados onde a Assistência Judiciária seja organizada
e por eles mantida, o Defensor Público, ou quem
exerça cargo equivalente, será intimado pessoalmente
de todos os atos do processo, em ambas as Instâncias,
contando-se-lhes em dobro todos os prazos.”).
Precedente citado: HC 70612-SP (RTJ 153/635). HC
74.539-AP, rel. Min. Ilmar Galvão, 29.10.96.

Substituição da Pena Privativa de Liberdade


Tratando-se de condenação por crime para o
qual a lei estabeleça cumulativamente as penas
privativa de liberdade e de multa, não tem lugar a
substituição admitida pelo art. 60, § 2º, do CP. Esse
dispositivo não se aplica, de qualquer sorte, aos crimes
previstos na Lei de Tóxicos, cuja sistemática para a
fixação do valor da pena de multa é diversa da que foi
posteriormente adotada pela nova Parte Geral do CP,
incidindo, dessa forma, o disposto na parte final do art.
12 do CP (“As regras gerais deste Código aplicam-se
aos fatos incriminados por lei especial, se esta não
dispuser de modo diverso.”). Precedentes citados: HC
70445-RJ (RTJ 152/845); HC 73517-SP (2ª Turma,
28.05.96, v. Informativo nº 33). Por outro lado, a
circunstância de ser o condenado revel não autoriza
que se ordene desde logo a sua prisão, antes de
apreciar-se o cabimento do sursis. Precedente citado:
HC 69175-PE (RTJ 143/890). HC 74.322-SP, rel. Min.
Octavio Gallotti, 29.10.96.

Concurso Público: Limite de Idade


A Constituição Federal, embora admita a
estipulação de limite de idade para a inscrição em
concurso público, desde que tal limite possa ser
justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser
preenchido conforme decidido pelo STF no
julgamento dos RMS 21033-DF e 21046-RJ (RTJ
135/958 e 135/528) , não impede que os Estados
proíbam de modo absoluto essa espécie de estipulação,
a exemplo do que faz o art. 77, III, da Constituição do
Estado do Rio de Janeiro, ao dispor que “não haverá
limite máximo de idade para inscrição em concurso
público, constituindo-se, entretanto, em requisito de
acessibilidade ao cargo ou emprego a possibilidade de
permanência por cinco anos no seu efetivo exercício”.
Com esse fundamento, a Turma confirmou decisão do
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que,
tendo-o por revogado, deixara de aplicar o art. 3º do
DL estadual 218/75 (redação dada pela Lei 535/82),
que estabelecia a idade máxima de 35 anos, como
requisito de investidura em cargo efetivo do serviço
policial fluminense. Precedente citado: RE 140945-RJ
(DJ de 22.09.95). RE 142.095-RJ, rel. Min. Octavio
Gallotti, 29.10.96.

SEGUNDA TURMA
Roubo e Extorsão mediante Seqüestro
O roubo qualificado (CP, art. 157, § 2º, I e II) e a
extorsão mediante seqüestro (CP, art. 159) são delitos
autônomos cuja prática consubstancia concurso
material e não crime único. Com base nesse
entendimento, a Turma indeferiu habeas corpus
impetrado em favor de réu condenado pelos dois
delitos por haver retido uma das vítimas num
automóvel como refém, enquanto a outra era obrigada
pelo segundo agente (menor) a comprar-lhes
mercadorias num shopping center, e, depois disso,
subtraído o relógio de uma delas , no qual se pretendia
que o crime de extorsão mediante seqüestro fosse
desclassificado para o de roubo, ou para o de extorsão
(CP, art. 158). Precedentes citados: RECr 95319-SP
(RTJ 100/940); HC 57564-SP (RTJ 93/1077); HC
61467-SP (RTJ 114/1027). HC 74.528-SP, rel. Min.
Maurício Corrêa, 22.10.96.

Isenção Onerosa e Direito Adquirido


O art. 151, III, da CF (“É vedado à União: III -
instituir isenções de tributos da competência dos
Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.”) não
revogou as isenções de tributos estaduais e municipais
concedidas sob condição e com prazo certo pela
União, na vigência da CF/69. Aplicação do disposto no
§ 2º do art. 41 do ADCT [“A revogação (dos
incentivos fiscais em vigor na data da promulgação da
CF/88) não prejudicará os direitos que já tiverem sido
adquiridos, àquela data, em relação a incentivos
concedidos sob condição e com prazo certo.”]. Com
esse fundamento, a Turma reconheceu a empresa
beneficiária do programa BEFIEX o direito de não
pagar o ICM na entrada de mercadoria importada do
exterior, durante o prazo de duração do benefício fiscal
vinculado a esse programa. Precedentes citados: RE
159343-SP e RE 196560-SP (ambos publicados no DJ
de 03.05.96). RE 185.862-SP, rel. Min. Carlos Velloso,
29.10.96.

Responsabilidade Civil
Iniciado julgamento de recurso extraordinário
em que se discute, em face do art. 37, § 6º, da CF (“As
pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.”), se
a responsabilidade civil de empresa concessionária de
serviço público (transporte coletivo) abrange, ou não,
os danos causados por ato de terceiro. Na origem, o
Tribunal de Alçada Civil do Estado do Rio de Janeiro
julgou improcedente ação de indenização ajuizada por
passageiros feridos por ácido despejado por terceiro
dentro do ônibus. Após o voto do Min. Maurício
Corrêa, relator, conhecendo do recurso e lhe dando
provimento com base na Súmula 187 (“A
responsabilidade contratual do transportador, pelo
acidente com o passageiro, não é elidida por culpa de
terceiro, contra o qual tem ação regressiva”), e do
voto do Min. Marco Aurélio, não conhecendo do
recurso por falta de prequestionamento e
considerando, ainda, não ter havido ofensa ao
mencionado dispositivo constitucional, o julgamento
foi adiado em virtude de pedido de vista do Min.
Carlos Velloso. RE 204.037-RJ, rel. Min. Maurício
Corrêa, 29.10.96.

Isonomia e Vantagem Trabalhista


Acolhendo a alegação de ofensa ao princípio
da isonomia, a Turma conheceu e deu provimento a
recurso extraordinário interposto por empregado
brasileiro da companhia aérea Air France, ao qual
foram negadas vantagens trabalhistas previstas no
regulamento da empresa, sob o argumento de que
somente os empregados franceses teriam direito a tais
vantagens. Com o provimento do RE, determinou-se a
aplicação do estatuto da empresa ao recorrente. RE
161.243-DF, rel. Min. Carlos Velloso, 29.10.96.

Júri: Nulidade Inocorrente


O fato de um dos jurados haver-se dirigido
durante os debates diretamente ao membro do
Ministério Público, embora contrarie o disposto no par.
único do art. 476 do CPP (“Os jurados poderão,
também, a qualquer momento e por intermédio do
juiz, pedir ao orador que indique a folha dos autos
onde se encontra a peça por ele lida ou citada.”), não
enseja a nulidade do julgamento, sobretudo se o juiz
teve desse fato pronto conhecimento. HC
74.515-PR, rel. Min. Carlos Velloso, 29.10.96.
P R E C E D E N T E S
citados

MS 21570-SE
RELATOR: MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - Provimento originário dos cargos de
Juiz de carreira do Tribunal Regional do Trabalho da
Vigésima Região.
Regularidade dos atos do Tribunal Regional da Quinta
Região e do Presidente da República, que investiram, em
tais cargos, Juízes Presidentes de Juntas de Conciliação e
Julgamento, sem circunscrever essa escolha aos
magistrados com exercício na área que viria a constituir a
nova (ou seja a Vigésima) Região, em plena conformidade
com o disposto em lei especial (nº 8.233-91).
Mandado de segurança indeferido.

HC 69.806-GO
RELATOR: MIN. CELSO DE MELLO
EMENTA: "HABEAS CORPUS" - TRÁFICO DE
ENTORPECENTE - MACONHA - QUANTIDADE
PEQUENA - IRRELEVÂNCIA - CESSÃO GRATUITA A
TERCEIROS DA SUBSTÂNCIA TÓXICA -
CONFIGURAÇÃO DO CRIME DE TRÁFICO (LEI No
6.368/76, ART. 12) - (...)
- A legislação penal brasileira não faz qualquer
distinção, para efeito de configuração típica do delito
de tráfico de entorpecentes, entre o comportamento
daquele que fornece gratuitamente e a conduta do que, em
caráter profissional, comercializa a substância tóxica.
A cessão gratuita de substância canábica
("maconha") equivale, juridicamente, ao fornecimento
oneroso de substância tóxica, pelo que ambos os
comportamentos realizam, no plano da tipicidade penal, a
figura delituosa do tráfico de entorpecentes, que constitui
objeto de previsão legal constante do art. 12 da Lei no
6.368/76.
O conceito jurídico de tráfico de entorpecentes, que
emerge do texto da Lei no 6.368/76, revela-se amplo, na
medida em que se identifica com cada uma das atividades
materiais descritas na cláusula de múltipla tipificação das
condutas delituosas a que se refere o art. 12 do diploma
legal em questão. Disso decorre que a noção legal de tráfico
de entorpecente não supõe, necessariamente, a prática de atos
onerosos ou de comercialização.
A condenação pelo crime de tráfico - que se constitui
também pelo fornecimento gratuito de substância
entorpecente - não é vedada pelo fato de ser o agente um
usuário da droga.
- Não descaracteriza o delito de tráfico de
substância entorpecente o fato de a Polícia haver apreendido
pequena quantidade do tóxico em poder do réu. (...)

HC 70.002-SP
RELATOR : MIN. CELSO DE MELLO
EMENTA: "HABEAS CORPUS" - PENA - LIMITE
MÁXIMO (CP, ART. 75) - BENEFÍCIOS LEGAIS -
REQUISITOS OBJETIVOS - CONSIDERAÇÃO EM
FUNÇÃO DA PENA EFETIVAMENTE IMPOSTA -
PEDIDO INDEFERIDO.
- A unificação penal resultante da norma impositiva
consubstanciada no art. 75 do CP justifica-se ante o preceito
constitucional que veda, de modo absoluto, a existência,
em nosso sistema jurídico, de sanções penais de caráter
perpétuo.
- Os requisitos objetivos pertinentes a determinados
benefícios legais ou concernentes a certos institutos
jurídicos (remição, livramento condicional, indulto,
comutação, transferência de regime, etc.) devem ser
considerados em função do total da pena realmente imposta
ao sentenciado. Para esse efeito especifico, o magistrado
não deve emprestar relevo jurídico a pena unificada com
fundamento no art. 75 do Código Penal.
O limite jurídico-penal máximo de 30 anos, que
rege, no sistema normativo brasileiro, o processo de
execução das penas privativas de liberdade, não condiciona
e nem submete ao seu domínio temporal, para efeito de
cálculo, os pressupostos objetivos essenciais à aplicação dos
institutos e necessários à concessão dos benefícios legais
referidos, que deverão, sempre, considerar a sanção penal
efetivamente imposta ao condenado.

HC 70.612-SP
RELATOR: MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: Defensor Público. Intimação pessoal. Prazo para
recurso. Assistência judiciária. Parágrafo 5º do art. 5º da Lei
nº 1.060, de 5-2-1950, acrescentado pela Lei nº 7.871, de 8-
11-1989.
1. Nos termos do parágrafo 5º do art. 5º da Lei
1.060, de 5-2-1950, acrescentado pela Lei nº 7.871, de 8-11-
1989, “nos Estados onde a Assistência Judiciária seja
organizada e por eles mantida, o Defensor Público, ou quem
exerça cargo equivalente, será intimado pessoalmente de
todos os atos do processo, em ambas as instâncias”.
2. Não intimado pessoalmente, o Defensor
Público, do resultado do julgamento da apelação, que
interpôs em favor do réu, é de se anular a certidão sobre o
trânsito em julgado, para que se proceda a sua intimação
pessoal, reaberto, assim, o prazo para recurso.
Habeas corpus deferido, em parte, para esse fim,
sem a soltura do paciente, que se encontra preso, por
revogação do sursis.

HC 70445-RJ
RELATOR: MINISTRO MOREIRA ALVES
EMENTA: "Habeas corpus". Interpretação do artigo 60, § 2
º, do Código Penal.
- O benefício da substituição da pena privativa
de liberdade pela pena de multa não é cabível quando há
cominação cumulativa da pena privativa de liberdade com a
pena de multa.
- Ademais, a norma do artigo 60, § 2 º, do Código
Penal é regra geral que não se aplica à Lei 6.368/76, que é
especial, porque esta dispõe diferentemente quanto a fixação
da pena de multa por ela imposta, não permitindo, portanto,
que as duas multas se cumulem pelo mesmo princípio de
valor do Código Penal. Incidência da parte final do artigo 12
desse Código.
"Habeas corpus" indeferido.

HC 69175-PE
RELATOR: MINISTRO MOREIRA ALVES
EMENTA: "Habeas corpus". Sursis. Revelia. Expedição de
mandado de prisão.
- Ainda recentemente, esta Primeira Turma, ao julgar o
HC 68664, de que foi relator o Sr. Ministro Celso de Mello,
decidiu que não pode o Tribunal, por ser o réu revel, ordenar
desde logo a expedição de mandado de prisão, tendo ele
direito ao "sursis". E isso
porque a revelia não dispensa a observância do procedimento
previsto nos artigos 160 e 161 da Lei 7210, de 11 de julho de
1984.
"Habeas corpus" deferido, estendida a concessão ao co-
réu que se encontra na mesma situação do ora paciente.

RMS 21.046-RJ
RELATOR: MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Concurso público: indeferimento de
inscrição fundada em imposição legal de limite de idade,
que configura, nas circunstâncias do caso, discriminação
inconstitucional (CF, arts. 5º e 7º, XXX): segurança
concedida.
A vedação constitucional de diferença de critério de
admissão por motivo de idade (CF, art. 7º, XXX) é
cololário, na esfera das relações de Trabalho, do
princípio fundamental de igualdade (CF, art. 5º, "caput"),
que se estende, à falta de exclusão constitucional inequívoca
(como ocorre em relação aos militares - CF, art. 42, § 11), a
todo o sistema do pessoal civil.
É ponderável, não obstante, a ressalva das hipóteses
em que a limitação de idade se possa legitimar como
imposição da natureza e das atribuições do cargo a
preencher.
Esse não é o caso, porém quando, como se dá na
espécie, a lei dispensa do limite os que já sejam
servidores públicos, a evidenciar que não se cuida de
discriminação ditada por exigências etárias das funções do
cargo considerado.

RE 140945-RJ
RELATOR: MINISTRO ILMAR GALVÃO
EMENTA: CONCURSO PÚBLICO PARA O
CARGO DE DELEGADO DE POLÍCIA DO ESTADO
DO RIO DE JANEIRO. ACÓRDÃO QUE CONCLUIU
PELA ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA DA IDADE
MÁXIMA DE 35 ANOS. ALEGADA VIOLAÇÃO ÀS
NORMAS DOS ARTS. 7º, INC. XXX, E 37, INC. I,
DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
A Constituição Federal, em face do princípio da
igualdade, aplicável ao sistema de pessoal civil, veda
diferença de critérios de admissão em razão de idade,
ressalvadas as hipóteses expressamente previstas na Lei e
aquelas em que a referida limitação constitua requisito
necessário em face da natureza e das atribuições do cargo a
preencher.
Existência de disposição constitucional estadual
que, a exemplo da federal, também veda o discrime.
Recurso extraordinário não conhecido.

HC 57.564-SP
RELATOR: MIN. CORDEIRO GUERRA
EMENTA: Para que se reconheça o nexo de continuidade é
imprescindível que os delitos sejam da mesma espécie. Os
crimes de roubo e extorsão, definidos autonomamente, são
da mesma natureza, mas não são da mesma espécie, no
sentido absoluto.
Concurso material de delitos, e não crime continuado,
bem reconhecido.
HC indeferido.

RECr 95.319-SP
RELATOR: MIN. CORDEIRO GUERRA
EMENTA: Responde por concurso material de delitos o
meliante que, embora em oportunidade fática única, pratica,
mediante ações imediatamente subsequentes, roubo e
extorsão.
Os crimes de roubo e extorsão são definidos
autonomamente, e como tais devem ser punidos.
RE conhecido e provido.

RE 159.343-SP
RELATOR: MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ISS.
ISENÇÃO CONCEDIDA PELA UNIÃO. C.F., 1967, com a
EC 1/69, art. 19, § 2º. PROIBIÇÃO DE CONCESSÃO, POR
PARTE DA UNIÃO, DE ISENÇÕES DE TRIBUTOS
ESTADUAIS E MUNICIPAIS. C.F., art. 151, III.
I. - Isenções de tributos municipais concedidas pela
União na sistemática da Constituição pretérita, art. 19, § 2º.
Isenção de ISS, concedida pela União, relativamente a obras
hidráulicas ou de construção civil e os serviços de
engenharia consultiva, quando contratados com a
Administração Pública: D.L. nº 406, de 1968, art. 11, na
redação da Lei Compl. 22, de 1971. Sua não revogação
imediata pela CF/88, art. 151, III, ao proibir à União
conceder isenções de tributos estaduais e municipais,
alterando a sistemática anterior, art. 19, § 2º, da Constituição
anterior. A revogação, no caso, faz-se com observância das
regras de transição inscritas no art. 41, §§ 1º, 2º e 3º, ADCT.
II. - R.E. não conhecido.

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos

Pleno 23.10.96 24.10.96 11


1ª Turma 22.10.96 ------ 148
2ª Turma 22.10.96 ------ 35

CLIPPING DO DJ
31 de outubro de 1996

HABEAS CORPUS N. 70803-0


RELATOR: MIN. NÉRI DA SILVEIRA
EMENTA: - Habeas Corpus. 2. Alegação de
nulidade do processo, em face do laudo pericial. 3. Laudo
firmado por perito oficial. Não é nulo o laudo pericial
assinado por um só perito, se emana de órgão oficial.
Inteligência do art. 159 do CPP e da Súmula 361. 4. A
controvérsia em torno de provas, no caso, não pode ser
dirimida em habeas corpus. Revisão criminal já aforada. 5.
Habeas Corpus indeferido.

HABEAS CORPUS N. 73822-2


RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO
(...)
TESTEMUNHA - LOCALIZAÇÃO -
Comprovada a insubsistência da assertiva do oficial de
justiça, no sentido de inexistir o logradouro indicado como
residência da testemunha, impõe-se a declaração de nulidade
do processo.
TESTEMUNHA - AUDIÇÃO - NECESSIDADE.
De início, cumpre viabilizar, à exaustão, a defesa do
acusado. Descabe empolgar a prescindibilidade de certo
testemunho, reclamado pela defesa, mormente quando já
definido, via substituição, e expedida carta precatória para
implementá-lo.
DEVIDO PROCESSO LEGAL - CARTA
PRECATÓRIA - AUDIÊNCIA - OITIVA DE
TESTEMUNHA - DEFESA - INTIMAÇÃO. O exercício do
direito de defesa pressupõe a necessidade de intimação para
a audiência designada, no juízo deprecado, visando à oitiva
da testemunha. A formalidade é essencial à valia do ato,
implicando, a falta de observação, a nulidade do processo. A
ciência referente à expedição da carta precatória não a supre.

HABEAS CORPUS N. 71231-2


RELATOR: MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. COMISSÃO
PARLAMENTAR DE INQUÉRITO: FATO
DETERMINADO E PRAZO CERTO. C.F., ARTIGO 58, §
3º. LEI 1.579/52. ADVOGADO. TESTEMUNHA.
OBRIGAÇÃO DE ATENDER À CONVOCAÇÃO DA CPI
PARA DEPOR COMO TESTEMUNHA. C.F., ARTIGO
133; CPP, ART. 207; CPP, ART. 406; CÓD. PENAL, ART.
154; LEI 4.215, DE 1963, ARTIGOS 87 E 89.
I. - A Comissão Parlamentar de Inquérito deve
apurar fato determinado. C.F., art. 58, § 3º. Todavia, não está
impedida de investigar fatos que se ligam, intimamente, com
o fato principal.
II. - Prazo certo: o Supremo Tribunal Federal,
julgando o HC nº 71.193-SP, decidiu que a locução "prazo
certo", inscrita no § 3º do artigo 58 da Constituição, não
impede prorrogações sucessivas dentro da legislatura, nos
termos da Lei 1.579/52.
III. - A intimação do paciente, que é advogado,
para prestar depoimento à CPI, não representa violência ao
disposto no art. 133 da Constituição nem às normas dos
artigos 87 e 89 da Lei 4.215, de 1963, 406, CPC, 154, Cód.
Penal, e 207, CPP. O paciente, se for o caso, invocará,
perante a CPI, sempre com possibilidade de ser requerido o
controle judicial, os direitos decorrentes do seu "status"
profissional, sujeitos os que se excederem ao crime de abuso
de autoridade.
IV. - H.C. indeferido.

HABEAS CORPUS N. 73789-7


RELATOR: MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Sendo a duração do seqüestro causa suficiente
para acarretar a aplicação da qualificadora estabelecida no §
1º do art. 159 do Código Penal, não constitui ela, duplicidade
de punição, em relação ao crime de quadrilha.
Concurso formal não configurado, por ter sido o seqüestro
subseqüente à prática do roubo.

HABEAS CORPUS N. 73881-8


RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: - "Habeas corpus".
- Esta Corte já firmou o entendimento de que o interesse
direto ou indireto da magistratura, a que alude o artigo 102,
I, "n", da Constituição é o que diz respeito ao magistrado
como tal, o que, evidentemente, não abarca filiação a pessoa
jurídica do tipo de associação, ainda que de magistrados,
quando a vítima do crime seja ela, não só, e principalmente,
porque tem ela personalidade jurídica diversa da dos seus
associados (a desconsideração da personalidade da pessoa
jurídica só é admissível em caso de fraude), como também,
porque, em se tratando de associação, eles nem sequer
participam do capital social, não se rateando entre eles, em
qualquer medida, vantagens ou desvantagens econômicas
auferidas ou sofridas pela associação.
- Não é o habeas corpus o instrumento processual idôneo
para o exame de alegação de inocência.
- Alegação genérica de que nas demais acusações feitas ao
ora paciente não se levaram em conta os princípios do
processo penal, do devido processo legal, da ampla defesa,
da licitude do meio probatório, da presunção de inocência,
da iniciativa das partes e da legalidade e da busca da verdade
real, não pode ser apreciada em habeas corpus.
"Habeas corpus" indeferido.

RE N. 156305-2
RELATOR: MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
INTERPOSIÇÃO DIRETAMENTE DE DECISÃO
SINGULAR. DESCABIMENTO NA SISTEMÁTICA DA
CARTA DE 1969.
No sistema da Carta anterior, o Supremo Tribunal
Federal decidia no sentido de que, versando a causa matéria
constitucional, não seria aplicada a lei de alçada, exatamente
para não impedir o acesso das partes ao contencioso
constitucional. Em tal caso, ficava autorizado o ajuizamento
de apelação para o órgão revisor e, após, estaria aberta a via
extraordinária, preservando-se a atribuição da Corte de rever
as decisões de natureza constitucional proferidas por tribunal
de última instância, nos termos do art. 119, III.
Tendo a parte, ao invés de apelar, interposto
embargos e recurso extraordinário, tornou-se preclusa a via
da apelação, ensejando o trânsito em julgado da sentença
monocrática.
Recurso extraordinário não conhecido.

AI N. 166958-6 (AgRg)
RELATOR: MIN. NÉRI DA SILVEIRA
EMENTA: Recurso extraordinário inadmitido.
Formação deficiente do agravo de instrumento. Traslado
incompleto. Ausência de cópia das contra-razões. Aplicação
da Súmula 288. 2. Incumbe à parte agravante instruir,
obrigatoriamente, o agravo de instrumento com cópia das
contra-razões(art. 544, § 1º, do CPC), eis que, com o advento
da Lei nº 8.038/1990, é possível a conversão do mesmo em
recurso extraordinário, desde que o respectivo traslado
contenha os elementos necessários à plena compreensão da
controvérsia e ao conseqüente julgamento do mérito do
próprio apelo extremo, competindo-lhe, também,
comprovar, na hipótese de ausência da referida peça, que a
mesma inexiste no processo principal, sob pena de, não o
fazendo, expor-se ao não conhecimento do agravo por ele
deduzido. 3. Hipótese em que a inexistência desse elemento
no traslado conduz à aplicação da Súmula 288. 4. Agravo
Regimental desprovido.

Acórdãos publicados: 173

T R A N S C R I Ç Õ E
S

Com a finalidade de proporcionar aos leitores


do INFORMATIVO STF uma compreensão mais
aprofundada do pensamento do Tribunal,
divulgamos neste espaço trechos de decisões que
tenham despertado ou possam despertar de modo
especial o interesse da comunidade jurídica.

ICMS e Energia Elétrica: Creditamento


RE 200.168-RJ *

Ministro Ilmar Galvão (relator)

Relatório: Trata-se de recurso extraordinário que, na


forma do art. 102, III, a, da Constituição, foi interposto
contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do
Rio de Janeiro que negou a contribuinte do ICMS o
direito de creditar-se do tributo incidente sobre a
energia elétrica consumida em seu estabelecimento
comercial.
Sustenta a recorrente haver a referida decisão
ofendido o princípio constitucional da não-
cumulatividade.
A douta Procuradoria-Geral da República,
oficiando no feito, opinou no sentido do não-
conhecimento.
É o relatório.

Voto: O parecer da douta Procuradoria Geral da


República assim apreciou a controvérsia em seu cerne
(fls. 206):

“A recorrente, em síntese, é indiscutivelmente


a consumidora final da mercadoria energia elétrica,
que não se integra como insumo aos produtos que
revende, por tratar-se de uma empresa dedicada ao
comércio varejista de vestuário que utiliza energia
elétrica no desempenho de suas atividades, na
condição de consumidora e não como transferidora
ou agente de transformação dessa mesma energia.
Somente no processo industrial, em que a energia
elétrica é indispensável na combinação dos fatores
de produção, na condição de insumo, concorrendo
para a formação de um determinado produto é que
se pode aplicar o princípio constitucional da não
cumulatividade.”

Trata-se de manifestação que deu exata


interpretação aos fatos da causa, à luz das normas e
princípios que regem a espécie.
Com efeito, não há falar-se em ofensa ao princípio
da não-cumulatividade, se o bem tributado é
consumido no próprio estabelecimento, não se
destinando à comercialização ou à utilização em
processo de produção de novos bens, como elemento
indispensável à composição destes.
Nesse sentido, dispõe o Convênio ICM nº 66/88,
em seu artigo 31, verbis:
“Art. 31. Não implicará crédito para
compensação com o montante do imposto devido
nas operações ou prestações seguintes:
(...)
II — a entrada de bens destinados a consumo
ou à integração no ativo fixo do estabelecimento.”

O acórdão recorrido, decidindo de acordo com esse


entendimento, não merece censura.
Meu voto, portanto, com o parecer, é no sentido de
não conhecer do recurso.

* Acórdão ainda não publicado.

Assessor responsável pelo Informativo


Miguel Francisco Urbano Nagib
nagib@stf.gov.br