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LIÇÃO 3

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 3ª LIÇÃO DO 4º TRIMESTRE DE


2018 – DOMINGO, 21 DE OUTUBRO DE 2018

O CRESCIMENTO DO REINO DE DEUS


Texto áureo

“[...] Porque eis que o Reino de


Deus está entre vós.” (Lc 17.21)
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – Marcos 4. 30-32;
Mateus 13. 31-33; Lucas
13.18,19.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Prezado amigo Leitor, seja bem-vindo a mais um estudo de nossa Lição.
Esteja confortável e atento ao que será disponível aqui, para que sejas
abundantemente abençoado por Deus por intermédio da Sua Palavra.

Logo, nesta lição, estudaremos a Parábola Acerca do Reino de Deus;


demonstraremos a singeleza do início do Crescimento do Reino de Deus; e
atentaremos para o perfil dos Participantes do Reino de Deus.

Portanto, distinto leitor - boa leitura e um ótimo estudo!

1
I – INTERPRETAÇÃO DAS PARÁBOLAS SOBRE O REINO DE DEUS

O Reino de Deus significa o governo ou reinado divino aqui na terra por


intermédio da sua Igreja; significa aquele dia em que todos aceitarão a vontade de
Deus e se dobrarão diante dEle, alcançando a sua plenitude quando a Sua vontade
for feita, cabalmente, assim, na terra, quanto também no céu.

Indubitavelmente, este Reino está avançando, destronando poderes e


principados nos lugares celestiais (Ef 6.12). O crescimento do Reino se assemelha
ao de uma planta; certamente o seu crescimento não seja possível de imediato ser
previsto, isto é, se vai vingar ou não; leva-se tempo e cuidado para se desenvolver
plenamente, contudo, com o passar do tempo ver-se que a plantinha cresceu, fez-se
frondosa e deu frutos. Da mesma forma é o Reino de Deus – após dois mil anos de
fundação pelo próprio Senhor Jesus aqui na terra, não se há dúvida de sua
realidade.

Como bem escreveu William Barclay “Não há nada tão poderoso como o
crescimento. Uma árvore pode romper um pavimento de cimento armado com o
poder de seu crescimento. Quase qualquer semente pode rasgar o asfalto dos
caminhos para que as primeiras folhas de sua plantinha recebam a luz do Sol. O
mesmo ocorre com o Reino”.

Perante o estado de rebeldia humana e total desobediência às coisas


sagradas, a obra de Deus prossegue. Nada e ninguém podem deter o cumprimento
dos propósitos de Deus neste mundo.

1. A semente de mostarda.

Nesta parábola existem duas imagens que, certamente, qualquer transeunte


judeu deve ter reconhecido de imediato.

Em primeiro lugar, na Palestina o grão de mostarda representava,


simbolicamente, aquilo de menor tamanho concebível ou realizado. Esta planta é
muito diferente da que nós conhecemos. Para sermos exatos, e com base nos
estudos da flora desta região, a semente de mostarda não é a menor das sementes.
Por exemplo, a semente do cipreste, é ainda menor.
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Contudo, no Oriente a pequenez da semente de mostarda era algo proverbial.
Os judeus falavam, por exemplo, de uma “gota de sangue tão pequena como um
grão de mostarda”. Se a comparação abrangesse a pequena violação da lei
cerimonial, referiam-se a uma violação tão pequena “como uma semente de
mostarda”. Assim, por exemplo, “ter fé como um grão de mostarda” significava “ter
tão pouca fé que menos seria impossível” (Mt 17.20)

Nesta região, este grão de mostarda crescia até ser um arbusto frondoso,
muito parecido a uma árvore. Certo viajante contou ter visto pessoalmente uma
árvore de mostarda mais alta que um homem a cavalo. As aves gostavam muito das
pequenas sementes negras da mostarda (sinapis nigra egiptae) e era muito comum
ver verdadeiras nuvens de pássaros em cima das plantas de mostarda. Aqui no
nordeste do Brasil, ainda vemos muitos pássaros se ajuntando onde há plantações
de painços, alpistes, milham, ou outras semelhantes – ávidas por fartura.

Em segundo lugar, no Antigo Testamento, uma das formas não incomuns de


se referir comparativamente a um grande império era fazê-lo a uma árvore, e se
dizia que as nações satélites de um grande império eram como aves que
procuravam refúgio à sombra de seus ramos (Ezequiel 17.22.; 31.1; Daniel 4.10,21).
Logo, a imagem de uma árvore cujos ramos estão repletas de aves, representa a um
grande império e as nações tributárias sob a sua égide e domínio.

2. Os contrastes.

Esta figura de linguagem proporcina fazer-se comparações de tal modo que


se venha despertar certo interesse ou percepção dos ouvintes e leitores. Por
exemplo: uma casa edificada sobre a rocha e outra na areia; peixes bons e peixes
ruins; cinco virgens néscias e cinco prudentes; um servo fiel e um servo mal; o vinho
novo e os odres velhos, e assim por diante.

Semelhantemente, aqui nesta parábola, há de se perceber tal contraste: um


grão de mostarda pequenino, mas que se fará uma belo e frondoso arbusto.

Ora, o Reino dos Céus – ou de Deus –, começa desde o princípio ínfimo e


ténue, contudo seu fim será grandioso, mesmo que agora não se possa mesurar o

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seu tamanho. De tal modo, que esta singular parábola nos relata que o Reino dos
Céus principia do menor dos começos mas que, no final, muitos povos, tribos e
nações se reunirão a ele (Apocalipse 5. 9-13). Como alguém já disse: “é uma
realidade histórica que as maiores coisas começam a partir das coisas menores”.

3. As aparências enganam.

É interresante destacar que esta foi uma das parábolas mais pessoais que
Jesus proferiu. Em algumas ocasiões, e humanamente falando com certa razão,
seus discípulos devem ter-se sentido desesperados e acuados.

Ora, inicialmente o grupo era tão pequeno e, em contra-partida, o mundo era


tão grande, como eles poderiam chegar a triunfar e transformar o mundo?
Entretanto, aqueles discípulos não estavam sozinhos, pois o Reino dos Céus
adentrou neste mundo junto com a pessoa de Jesus. Como diz H. G. Wells: “Sem
dúvida é a figura dominante na história... Um historiador sem nenhuma inclinação
teológica precisa descobrir, forçosamente, que não pode mostrar o progresso da
humanidade de modo honesto se não der um lugar de destaque ao mestre sem um
centavo de Nazaré.”

Nos valeremos mais uma vez das palavras de Barclay, onde ele diz: “Nesta
parábola, Jesus diz a seus discípulos, assim como a seus seguidores de todos os
tempos, que não devem desiludir-se, que cada um deve servir e dar testemunho em
seu lugar, que cada um deve ser o pequeno começo a partir do qual cresce o Reino
até que todos os reinos da Terra se transformem afinal no Reino de Deus”.

II – A EXPANSÃO DO REINO DE DEUS.

1. O campo de semeadura.

Neste campo, solo ou horta, isto é o local onde a sementinha iria crescer e se
desenvolver, estas sementes eram plantadas manualmente. À medida que o
lavrador caminhava pelo campo, jogava sobre o solo uns punhados de sementes,
que retirava de uma grande sacola pendurada em seus ombros. As plantas não
cresciam em fileiras harmoniosas como sabemos atualmente, em que a semeadura
é feita com o auxílio de modernas máquinas semeadoras.
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Não importava quanto o lavrador fosse habilidoso, ele nunca conseguiria
evitar que algumas sementes caíssem pelo caminho, em locais indesejados, e
mesmo porque algumas sementes eram muito pequenas, tal qual a de mostarda.
Assim, o lavrador lançava as sementes com liberalidade, a fim de que um número
suficiente delas caísse em terreno fértil e a colheita fosse assegurada.

Portanto, devemos pregar a Palavra de Deus em quaisquer circunstâncias,


sabedor de que quem dá o crescimento – se esta encontrar um coração disposto a
aceitá-la –, é o Senhor Jesus. Mas nunca olvidemos de pregar esta Palavra, sem se
importar se somos eloquentes ou não; ministros ou leigos, pois nas palavras de Karl
Lachler: “Quando o pregador expõe a Bíblia, Deus fala muito mais do que o
ministro”1. E como bem escreveu Stott: “A Bíblia é a Palavra de Deus escrita, a
Palavra de Deus através das palavras dos homens, falada por meio de bocas
humanas e escrita através de mãos humanas” (Stott 1982, 97, apud LACHLER).

2. Um lugar debaixo da sombra (Lc 13. 18, 19).

É interessante que se diga que no oriente a mostarda não era uma erva de
jardim e sim uma planta do campo, embora Lucas tenha escrito que o semeador a
tenha lançado em uma horta.

Pois bem, esta semente, literalmente, cresce até chegar a ser uma árvore.
Era comum que crescesse mais de dois metros e certo viageiro conta ter encontrado
uma planta de mais de três metros e meio, que ultrapassava a um homem a cavalo.
Também era muito comum, como já descrevemos ver-se uma nuvem de pássaros
ao redor destas árvores, devido a que gostavam das pequenas sementes negras de
mostarda.

Logo, à sua sombra todos podem encontrar descanso. Assim é o Reino dos
Céus, por intermédio da Palavra de Deus todos encontram refrigério e guarida.

1
LACHLER, Karl. Prega a palavra, Edições Vida Nova.

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Como bem escreveu Barclay:

“No Império do Reino há lugar para uma grande variedade de experiências.


Fazemos um mal infinito quando tratamos de normalizar a experiência
cristã, e insistimos em que todos os homens devem aproximar-se de Deus
da mesma maneira. Alguém poderá ter uma experiência tremenda e poderá
apontar o dia e a hora, e até o minuto em que Deus invadiu sua vida. O
coração de outro poderá abrir-se a Cristo normal e naturalmente, e sem
crise, como a pétala da campainha se abre com o Sol. Ambas as
experiências provêm de Deus e ambos os homens lhe pertencem.”

3. Não despreze os pequenos começos (Zc 4.10)

No contexto deste livro, sabe-se que muitos dos judeus mais velhos ficaram
desanimados quando perceberam que o novo Templo não teria o tamanho e o
esplendor do primeiro, construído durante o reinado de Salomão. Mas o maior e
mais bonito nem sempre é o melhor.
Do mesmo modo, na Parábola do Grão de Mostarda, o que nós fazemos para
Deus pode parecer pequeno e insignificante no momento inicial, mas o Senhor se
regozija no que é certo, não necessariamente no que é grande. Portanto, sejamos
fieis nas pequenas coisas e oportunidades. Comecemos onde estamos e façamos o
que podemos, e claro, deixemos os resultados a cargo do poderoso Deus, aleluia!

III – QUEM PARTICIPA DO REINO DE DEUS?

1. Quem tomou uma decisão (Mc 8.34).

Não basta apenas sermos ouvintes da Palavra de Deus, temos também que
aceitá-la, guardá-la em nossos corações e praticá-la em todo tempo. Para tanto,
urge uma ação – uma séria decisão: seguir a Cristo de maneira submissa não
importando as consequências.

Barclay pondera: “dizer a alguém que devia estar para tomar uma cruz era
dizer-lhe que devia estar disposto a ser considerado como um criminoso e a morrer.”
Certa feita, Sir Winston Churchill, ao assumir a direção de Grã-Bretanha nos idos da
Segunda guerra mundial, disse aos seus conterrâneos ingleses que tudo que ele
tinha a oferecer-lhes era “sangue, suor e lágrimas”.

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Logo após o cerco de Roma, em 1849, Giuseppe Garibaldi, o grande patriota
italiano, proferiu sua famigerada frase: “Soldados, todos nossos esforços contra
forças superiores foram inúteis. Não tenho nada que lhes oferecer, mais que fome e
sede, dificuldades e morte; mas convoco a todos os que amam a sua pátria a que se
unam a mim.”

Os Romanos, o principal público de Marcos, sabiam o que significava


carregar uma cruz por sobre os ombros. A morte de cruz ou crucifixão era uma
maneira horrenda de execução usada pelos romanos – tomada dos Cartagineses,
seus inventores – para os criminosos mais perigosos. O prisioneiro carregava o
madeiro, a parte horizontal chamada patibulum, até o local da execução, isso
significava submissão ao poder de Roma.

Jesus usou a imagem da cruz sendo carregada para ilustrar a suprema


submissão exigida de seus seguidores. O Senhor não se opõe ao prazer nem nos
recomenda a procurar a dor. Carregar a cruz diz respeito ao esforço heroico
necessário para seguir a Jesus em todos os momentos, fazendo a vontade dEle, em
meio às dificuldades do presente e quando o futuro parecer pouco promissor.

2. Quem tem uma relação pessoal com Jesus (I Pe 2.21).

Vejamos o William Barclay nos ensina:

Jesus não tinha pecado e, em que pese a isso, foi insultado e teve que
sofrer, mas Ele aceitou esses insultos e sofrimentos com sereno amor e os
suportou porque amava a humanidade. Ao proceder assim nos deixou um
exemplo para que sigamos em suas pisadas (v. 21). A palavra que Pedro
emprega para exemplo no grego é hypogrammos. Trata-se de um vocábulo
muito vívido e que originariamente tinha que ver com o método para ensinar
a escrever aos meninos no mundo antigo. Hypogrammos podia significar
duas coisas. Podia expressar a ideia de esboço ou esquema que a criança
devia preencher e completar. Também podia significar a lâmina de cobre
com o modelo manuscrito no caderno de escritura que o menino tinha que
copiar na linha imediatamente inferior. Jesus nos dá o exemplo que nós
temos que copiar; marca-nos a pauta que temos que seguir. Se devemos
sofrer insultos, injustiças e dano, somente estamos passando através
daquilo pelo qual já passou Ele. Pode ser que Pedro em seu foro íntimo
tivesse a visão de uma majestosa verdade. O sofrimento de Cristo foi por
causa do pecado do homem. Ele padeceu para levar os homens de volta a
Deus. Quando o cristão sofre insultos e prejuízos sem queixar-se e
manifestando constante amor, mostra um exemplo e uma qualidade de vida
tais que bem podem conduzir outros a Deus e podem ser uma real e
verdadeira participação no sofrimento redentor de Cristo.

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Logo um seguidor de Cristo está passível de sofrer por muitas razões. Alguns
tipos de sofrimentos são o resultado direto do nosso pecado; outros se devem à
nossa tolice; e há aqueles que resultam do fato de vivermos em mundo decadente.

Contudo, Pedro está escrevendo sobre o sofrimento que vem como resultado
de se fazer o bem, ao se relacionarmos com Cristo. Ele nunca pecou, porém mesmo
assim sofreu para que pudéssemos ser libertos. Quando seguimos o exemplo de
Cristo e vivemos para os outros, também podemos sofrer. Destarte, nossa meta
deve ser enfrentar tudo como Cristo fez – com paciência, tranquilidade e confiança
de Deus tem pleno controle do futuro.

3. Quem tem uma caminhada dinâmica com Cristo (Mc 8.35).

A resposta a esta aparente pergunta indireta é a seguinte: àquele que está


disposto a dar a sua vida pela pregação do Evangelho. Logo, de fato, estamos
realmente dispostos a isso? Essa pergunta nos constrange.

Como bem escreveu Barclay:

Deus nos deu a vida para usá-la, não para guardá-la. Se vivermos
cuidadosamente, poupando a vida, pensando sempre primeiro em nosso
proveito, comodidade, conforto, segurança; se nossa única meta é fazer a
vida tão longa e livre de cuidados como podemos, se não fizermos esforço
algum salvo para nós mesmos, estamos perdendo a vida todo o tempo. Mas
se gastarmos nossa vida por outros, se esquecermos da saúde e o tempo e
a riqueza e a comodidade em nosso desejo de fazer algo por Jesus e pelos
homens por quem Ele morreu, estamos todo o tempo ganhando a vida.

Deste modo, devemos estar dispostos a dar nossa vida pela pregação das
Boas Novas, não porque nossa existência seja inútil, mas porque nada, nem mesmo
a vida, pode ser comparada ao que recebemos por estarmos com Cristo.

Jesus deseja que escolhamos segui-lo e não que levemos uma vida de
pecado e autossatisfação. Ele deseja que deixemos de procurar controlar nosso
destino para que Ele mesmo nos guie. Estamos, pois, disposto a tudo isso?

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CONCLUSÃO

Portanto, como bem escreveu o comentarista da lição: “Que todos nós


possamos fazer parte desse glorioso Reino, que não terá fim”. Desse modo,
louvemos ao Senhor Jesus com este lindo coro extraído do hino de número 259 da
nossa Harpa Cristã.

Creio eu na Bíblia, livro de meu Deus;


Para mim a Bíblia é o maná dos céus!
Mostra-me o caminho para o lar celestial;
Acho eu na Bíblia, graça divinal!

[Jairo Vinicius da Silva Rocha. Professor. Teólogo. Tradutor. Bacharel em


Biblioteconomia – Presbítero, Superintendente e Professor da E.B.D da Assembleia
de Deus no Pinheiro.]
Maceió, 20 de outubro de 2018.

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