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Carta aberta ao futuro Presidente do Brasil

Pelo progresso social e econômico do Brasil através do desenvolvimento sustentável.

Prezado Sr. Candidato,

O desenvolvimento do Brasil, a geração de riqueza, emprego e renda, assim como a melhoria da qualidade
de vida, saúde e segurança dos cidadãos, está em nossas mãos e depende apenas das nossas iniciativas e
dos nossos próprios recursos. Tudo isso é possível se priorizarmos um modelo de desenvolvimento
socioeconômico que contemple a conservação do capital natural brasileiro, que é reconhecido como o
mais rico e o mais diverso do mundo.

As maiores economias do planeta caminham a passos largos para um novo modelo de economia circular e
de baixo carbono, gerando renda, inclusão social e prosperidade. O Brasil pode perfeitamente aproveitar
esta oportunidade, seguir este caminho e se tornar referência mundial. Planejar o desenvolvimento do
país tendo a sustentabilidade e a conservação como bússola certamente atrairá parceiros, investimentos e
recursos que podem alavancar novos negócios com inclusão social em diversos setores da economia tais
como infraestrutura, energia, pesca, agricultura, pecuária, extrativismo, biotecnologia, ecoturismo,
aproveitamentos inovadores da biodiversidade, produção de bens de consumo, entre tantos outros que
podem ser beneficiados por esta estratégia.

O Brasil é um país com uma natureza singular. Somos o mais rico em biodiversidade do mundo. Só para
citar alguns exemplos, em nosso país podem ser encontrados quase um quarto de todos os peixes de água
doce do mundo, além de 16% das aves e 12% dos mamíferos. Cerca de 20% de todas as formas de animais
e plantas conhecidas podem são registradas no Brasil. O Brasil possui mais de 55% de cobertura vegetal
nativa e 15% da água doce do planeta. O potencial para o descobrimento de novos compostos e moléculas
oriundas da nossa fantástica biodiversidade está ainda por ser entendido e devidamente explorado, e por
tudo isso somos imensamente privilegiados quando comparados a outros países do mundo.

A pluralidade e a nossa riqueza são também humanas. Somos um povo de origem multicultural e
multiétnica. Cerca de 4,5 milhões de pessoas fazem parte de comunidades tradicionais atualmente no
Brasil, ocupando um quarto do território nacional e representados, entre outros, por povos indígenas,
quilombolas, seringueiros, vazanteiros, quebradeiras de coco-babaçu e outros grupos. Estes brasileiros são
verdadeiros guardiões das nossas florestas, rios e mares, além da nossa inigualável biodiversidade.

A conservação em nada conflita com desenvolvimento e produção. Pelo contrário, quem vive e produz da
terra sabe que sua atividade e produtividade dependem da natureza que lhes provém água, clima, solo
fértil, polinizadores, controle natural contra pragas e atenuação dos extremos climáticos. Os serviços
ambientais devem ser reconhecidos, e criar condições para a proteção e uso sustentável da nossa
biodiversidade são essenciais para construção de um futuro próspero não apenas para o Brasil, mas para
todo o planeta.

Podemos ser líderes mundiais no desenvolvimento econômico através da conservação. Temos inúmeras
oportunidades no campo, seja na geração de energias renováveis (solar, eólica, biomassa, dos oceanos,
das correntes fluviais, entre outras), alimentos (agroflorestas, orgânicos, agroextrativismo), infraestrutura
verde (saneamento básico, abastecimento de água, redução do risco de desastres naturais como
deslizamentos, enxurradas e inundações), ecoturismo e mobilidade (transporte coletivo e de carga
elétricos e movidos a biocombustíveis). Tais iniciativas serão, já nesta década, aquelas com maior
potencial de gerar novos empregos e melhorias das condições sociais e de renda da população brasileira.

Apenas para citar alguns exemplos, no que diz respeito às Unidades de Conservação, que atualmente
representam 20% do território nacional continental e 24% do território marinho, temos um potencial
econômico não aproveitado de 167 milhões de reais anuais com a pesca, de 6,5 bilhões de reais com
atividades de ecoturismo, com a geração de 133 mil novos postos de trabalho, além da exploração
sustentável de madeira na Amazônia, que poderia gerar imediatamente para o país mais de 650 milhões
de reais por ano e milhares de empregos na região. O valor do benefício hídrico gerado pelas unidades de
conservação equivale a 59,8 bilhões de reais, divididos entre proteção de rios para geração hidrelétrica
(26,3 bilhões de reais anuais), usos consuntivos (28,4 bilhões de reais anuais) e erosão evitada (7,8 bilhões
de reais anuais).

O que estamos esperando? Precisamos estar atentos, pois a contínua destruição dos ambientes naturais é
responsável pela taxa acelerada de extinção de espécies e contribui de maneira drástica para as mudanças
climáticas que tanto afetam e afetarão ainda mais nosso planeta, nossa qualidade de vida e as nossas
condições de desenvolvimento.

Por isso, precisamos agir. A ciência nos mostra que a natureza será responsável por pelo menos 30% das
soluções que precisamos começar a implementar até 2020 para evitar o aquecimento global e todas as
suas consequências desastrosas para o planeta e para a humanidade, tais como desertificação,
recrudescimento de epidemias, queda na produção de alimentos, fome e migrações em massa.

Não é apenas o futuro dos brasileiros que está nas suas mãos, mas de bilhões de pessoas em todo o
planeta. O Brasil, como detentor da maior extensão de florestas tropicais do mundo, dos últimos grandes
remanescentes de manguezais e das maiores reservas de água doce do planeta, será essencial para
fecharmos essa conta. Por isso, nosso país é signatário e líder internacionalmente reconhecido das
Convenções do Clima e da Biodiversidade, que foram assinadas aqui mesmo, no Brasil, em 1992, bem
como do Acordo de Paris e das Metas para o Desenvolvimento Sustentável: nós já mostramos ao mundo
que não iremos faltar com o planeta e reconhecemos nosso papel na história. Nossas florestas já vêm
retirando uma enorme quantidade de gás carbônico da atmosfera, contribuindo como solução natural ao
aquecimento global. Nossas propostas de mitigar o risco das mudanças climáticas estão entre as mais
avançadas do mundo, inclusive com restauração de áreas degradadas que não somente irão mitigar as
mudanças climáticas como igualmente contribuir com a agricultura em todo o país.

Nosso Brasil, com suas florestas, rios e biodiversidade, é apenas um pequeno ponto situado no meio do
nosso planeta, nem à esquerda, nem à direita. Simplesmente ali. O compromisso com esse patrimônio é
um compromisso com a vida, no presente e no futuro.

Sr. Candidato, neste momento importante da nossa democracia, em que precisamos concentrar nossos
esforços na construção de um país melhor, o grupo de cientistas, especialistas, empresários,
ambientalistas e personalidades que assinam essa carta, fazem um apelo: vamos unir o Brasil em torno de
um projeto de desenvolvimento econômico e social que inclua a natureza e a diversidade como forma de
construirmos um país mais sustentável para todos.

Gostaríamos de ouvi-lo.

Adriana Ramos – ambientalista


Alok - DJ
Alberto da Costa e Silva - diplomata e escritor
Ana Sarkovas - empreendedor de impacto
Antonio Cicero - poeta e escritor
Beto Verissimo - empreendedor social
Carlos Nobre - cientista
Christiane Torloni - atriz
Daniel Carvalho de Souza – produtor cultural
Fe Cortez - empreendedora social
Simão Filippe - empreendedor social
Fernando Meirelles – cineasta
Gisele Bündchen - modelo e ambientalista
João Bernardo Casali - empreendedor de impacto
Karina Miotto – ambientalista e escritora
Leonel Kaz - editor e curador
Luana Lobo – empresária
Luis Fabio Silveira - cientista
Maitê Proença - atriz
Marcel Fukayama - empreendedor de impacto
Marcia Hirota - ambientalista
Marcos Nisti - empresário
Marcos Palmeira - ator
Maria Paula Fernandes - ambientalista e jornalista
Maria Zilda - atriz
Mateus Solano - ator
Nathalia Dill - atriz
Paula Baun - atriz
Pedro Luiz Passos - empresário
Renato Machado - empresário
Ricardo Glass - empreendedor de impacto
Ricardo Gravina - empreendedor de impacto
Rodrigo Sabatini - empreendedor social
Roberto Medina – empresário
Roberto Klabin - empresário
Rodrigo Medeiros – cientista, ambientalista e empreendedor social
Ronaldo Stabile - empreendedor de impacto
Sergio Besserman - economista e ambientalista
Sergio Marone - ator
Sergio Serapiao - empreendedor de impacto
Stevens Rehen - cientista
Tomas de Lara - empreendedor de impacto
Victor Fasano - ator
Wagner Andrade - empreendedor de impacto
Waltinho Cavalcante - empresário

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